Lançamento online – Livro “Contos Velozes”

16118479_1301815199879070_1697273284_n

É com muita satisfação que o Contos da Fórmula 1 anuncia o início da venda online do livro “Contos Velozes”. Produzido por meio de uma parceria entre o jornalista Douglas Willians (autor deste blog) e o designer Bruno Mantovani, dos célebres Pilotoons, o livro “Contos Velozes” traz histórias emblemáticas da Fórmula 1. Com formato leve e linguagem direta, tem enfoque no público infanto-juvenil – mas é leitura para todas as idades.

A publicação acaba de sair do forno. Com 60 páginas, a obra reúne 13 das histórias relatadas neste blog. Organizada em ordem cronológica, o livro busca abraçar a Fórmula 1 desde o seu início, na década de 1950 (com Chico Landi), até os dias atuais (com Max Verstappen). Inicialmente, a comercialização será realizada em link do site Mercado Livre: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-830398748-lancamento-livro-contos-velozes-_JM

Clique aí acima para obter o “Contos Velozes”. Qualquer coisa, nos procure!

Anúncios
Publicado em Contos da Fórmula 1, Contos Velozes, Pilotoons | Publicar um comentário

Espanha-2018: Magnussen, o intimidador, leva a Haas ao top 6

Envolvido em lances polêmicos, Kevin Magnussen ignorou críticas e levou a Haas ao 6º lugar no GP da Espanha

Envolvido em polêmicas, Kevin Magnussen ignorou críticas e levou a Haas ao 6º lugar em Montmeló

Ainda que venha obtendo bons resultados em 2018 (destaque para o quinto lugar no GP do Bahrein, em Sakhir), Kevin Magnussen tem chamado mais a atenção dos fãs da Fórmula 1 por causa de seu comportamento ‘agressivo’ contra seus adversários. No GP do Azerbaijão, em Baku, por exemplo, o dinamarquês da Haas deixou espectadores indignados após fechar Pierre Gasly (Toro Rosso) em duas oportunidades em uma mesma reta. Após o lance, o francês declarou que Magnussen era “o piloto mais perigoso com o qual já competi”. Depois do incidente, Kevin recebeu uma punição de 10 segundos e também dois pontos de penalidade em sua superlicença. Ao desembarcar em Montmeló, palco do GP da Espanha, o dinamarquês carregava sete pontos na superlicença – caso o piloto atinja 12 pontos em um período de 12 meses, ele ficará suspenso por uma corrida.

Apesar de concentrar os olhares por causa de sua conduta na pista, Magnussen parecia pouco se importar. Pelo contrário: ao ingressar no circuito catalão para o primeiro treino livre, tratou de manter seu habitual senso “intimidador”. Durante a sessão, KMag fechou Charles Leclerc (Sauber) de forma abrupta e acintosa, assustando o jovem monegasco. O fato voltou a ser investigado pela FIA. Embora tenha dado uma reprimenda, os fiscais decidiram não punir o piloto da Haas. Depois da decisão, o chefe da escuderia, Gunther Steiner, defendeu o comandado. “Todo mundo se sente no direito de criticar Kevin. Ele foi até os comissários, que o repreenderam, mas ele não recebeu punição. Não há necessidade de tirar proveito disso. No momento em que Kevin é o ‘bad boy’, os comissários o chamam por qualquer coisa”, afirmou ao jornal Ekstra Bladet, da Dinamarca.

Após ser punido por fechar Gasly em Baku, Magnussen levou reprimenda da FIA após fechada em Leclerc no treino livre em Montmeló

Punido por fechar Gasly em Baku, KMag levou reprimenda ao ignorar Leclerc no FP1 em Montmeló

Polêmicas à parte, a sexta foi positiva para Magnussen. O dinamarquês foi o oitavo mais veloz do dia, com 1m19s643. Romain Grosjean foi o sétimo, com 1m19s579 – apenas 0s064 à frente do companheiro de equipe. A volta de Kevin foi 1s384 mais lenta que a de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz da sexta com 1m18s259. Magnussen não deu declarações sobre a reprimenda da FIA no incidente com Leclerc. Entretanto, destacou a boa performance do VF-18 em Montmeló. “Foi um bom dia hoje (sexta-feira). Estou satisfeito com o desempenho do carro. Algumas coisas para melhorar amanhã (sábado), mas, no geral, acho que estamos parecendo muito fortes”, analisou.

No sábado, Kevin foi protagonista apenas na pista. Veloz e demonstrando afinidade com seu Haas, o dinamarquês estava determinado a avançar para o Q3 em Montmeló. Assim como Grosjean, Magnussen superou as duas primeiras fases do qualifying. Na terceira e definitiva fase, KMag assinalou 1m17s676, derrubando as pretensões dos espanhóis Fernando Alonso (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (Renault) em alcançar o sétimo lugar no grid. Kevin ficou atrás somente das duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. A marca de Magnussen foi 0s159 mais veloz que a de Grosjean, 10º com 1m17s835. Em contrapartida, ficou a 1s503 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP da Espanha com 1m16s173. Foi a 74ª pole position da carreira do britânico, recordista absoluto do quesito na F1.

No sábado, Magnussen só ficou atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull: 7º lugar com sabor de pole

No sábado, Magnussen só ficou atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull: 7º lugar com sabor de pole

Apesar da pole ficar com Hamilton, Magnussen celebrou o sétimo lugar como se fosse a posição de honra do grid. “Foi uma classificação muito boa. O P7 para nós é realmente a pole – é o melhor que você pode esperar se não estiver em uma Ferrari, Mercedes ou Red Bull. Estou muito feliz com isso. Estou ansioso para amanhã (domingo) e, espero, possamos trazer para casa alguns pontos. É uma boa posição para largar, e novamente, o P7 é provavelmente o melhor que podemos esperar se todos terminarem. Isso ainda é uma batalha muito apertada, mas eu acho nosso carro forte e podemos estar felizes com o que estamos fazendo no momento”, disse o dinamarquês.

Largada do GP da Espanha, em Montmeló: Magnussen se manteve em 7º e se viu livre de incidentes

Largada do GP da Espanha, em Montmeló: Magnussen se manteve em 7º e se viu livre de incidentes

A corrida

Domingo, 13 de maio de 2018. Apesar da presença de nuvens escuras, a chuva passaria longe de Montmeló durante o GP da Espanha. Alinhado em sétimo e calçando pneus macios, Kevin Magnussen tinha uma missão traçada: manter-se em sétimo, atrás apenas das três principais potências da F1 na atualidade – Mercedes, Ferrari e Red Bull. Para isso, o dinamarquês precisava frear o ímpeto dos espanhóis Fernando Alonso (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (Renault). Quando as luzes vermelhas se apagaram, KMag conseguiu saltar bem e ficar à frente dos concorrentes. Na entrada da curva 3, Magnussen controlou o carro e seguiu em sétimo. Logo atrás dele, vinha Romain Grosjean (Haas). O francês se assustou com o movimento do bólido do companheiro e perdeu a traseira de seu VF-18. Para evitar que saísse da pista, Grosjean acelerou ao máximo. Foi um tremendo erro: Romain voltou atravessado, no meio do pelotão, e acertou Pierre Gasly (Toro Rosso) e Nico Hulkenberg (Renault) em cheio.

Apesar da impressionante cena protagonizada por Grosjean, os pilotos saíram ilesos de seus carros. O forte acidente provocou a entrada do safety car. Na relargada, na volta 6, Magnussen sofreu ataque de Sainz, mas prosseguiu em sétimo. Aos poucos, Kevin passou a abrir sobre Carlos. Em contrapartida, perdia contato em relação a Daniel Ricciardo (Red Bull), sexto colocado. Na volta 10, KMag colocava 2s3 sobre Sainz, e ficava a 4s2 de Ricciardo. Na 15, a vantagem de Daniel sobre Kevin era de 9s8. Já a do dinamarquês da Haas sobre o espanhol da Renault alcançava 3s3. Na volta 18, Sebastian Vettel (Ferrari) se encaminhou para os boxes, fazendo seu primeiro pit stop. Com a parada do alemão, KMag assumiu o sexto lugar.

Magnussen, à frente de Sainz: missão do dinamarquês era bater o espanhol

Magnussen, à frente de Sainz (Renault): missão do dinamarquês em Montmeló era bater o espanhol

Com pneus novos, Vettel se aproximou rapidamente de Magnussen. Na volta 20, o germânico superou o dinamarquês. Naquele mesmo instante, Valtteri Bottas (Mercedes) saía dos boxes após realizar seu pit stop. Assim, Kevin estava entre Seb e Valtteri. O finlandês da Mercedes não podia perder tempo na perseguição ao alemão da Ferrari. Logo na volta 21, Bottas ultrapassou Magnussen, fazendo com que o dinamarquês voltasse para o sétimo lugar. Na volta 25, Kimi Raikkonen (Ferrari) se deparou com problemas em seu motor. Assim, KMag acabou herdando o sexto lugar. Naquela passagem, Sainz parou nos boxes. Diante da parada do espanhol da Renault, o piloto da Haas passou a estender sua presença na pista ao máximo. O objetivo era um só: realizar apenas um pit stop durante toda a corrida.

Na volta 32, a Haas chamou Magnussen para os boxes. Na troca, a equipe norte-americana sacou os pneus macios e os substituiu por compostos médios (mais resistentes, menos aderentes). No retorno à pista, Kevin continuava em sexto. A tática da escuderia ianque havia surtido efeito. Assim, o dinamarquês poderia administrar seu ritmo de prova. Na volta 37, a vantagem de KMag sobre Sainz era de impressionantes 19s. Por outro lado, estava a 30s de Ricciardo. A partir daquele momento, Magnussen passaria a fazer uma corrida solitária. Na volta 52, Kevin tomou uma volta do líder Lewis Hamilton (Mercedes). Porém, sua vantagem sobre Carlos estava além dos 20s. Assim, KMag asseguraria sem maiores percalços o sexto lugar em Montmeló. A vitória ficou com Hamilton, seguido por Bottas e Max Verstappen (Red Bull).

Na fase final da prova, Magnussen administrou os pneus médios e assegurou o sexto lugar

Na fase final da prova, Magnussen administrou os pneus médios e assegurou o sexto lugar

Não houve pódio para Magnussen, mas havia muito a celebrar. Foi o segundo top 6 do dinamarquês em 2018. Com isso, Kevin passou a dividir o nono lugar do Mundial de Pilotos com Sainz – ambos têm 19 pontos. Além disso, ajudou a Haas a superar a Force India entre os Construtores – agora, o time ianque tem 19 pontos, contra 18 dos indianos. O acidente de Grosjean foi péssimo para a escuderia – caso não sofresse o acidente, dificilmente o sétimo lugar escaparia do francês. Porém, para KMag, significou a sua consolidação como primeiro piloto da Haas em 2018. Sobre o desempenho em Montmeló, o dinamarquês ressaltou a importância de conservar o sétimo lugar – afinal, era o lugar mais palpável para ele na etapa espanhola.

“Eu tive uma largada muito boa. Eu estava ao lado dos carros da Red Bull, mas eu realmente não queria lutar contra eles, pois sabia que eles eram muito mais rápidos. Meu trabalho era ficar em sétimo e me estabelecer a partir daí. Eu fui capaz de me defender bem. Me mantive afastado de problemas na primeira volta, e fiquei feliz por isso. Tivemos um desempenho forte e penso que merecíamos obter esses pontos, como foi no Bahrein. A bem da verdade, deveríamos marcar pontos em todas as corridas, e nós tivemos carro para fazer isso. Porém, nós tivemos alguns erros e contratempos que fizeram que não marcássemos pontos regularmente. É bom conseguir alguns pontos na tabela. Estou satisfeito por estarmos de volta em nossa merecida posição no campeonato de construtores (sexto lugar). Nós só precisamos manter esse nível e continuar a pontuar regularmente”, finalizou Magnussen.

KMag levantou sua torcida em Montmeló: 19 pontos, top 10 do Mundial e posição de destaque na Haas

KMag levantou a torcida em Montmeló: 19 pontos, top 10 do Mundial e posição de destaque na Haas

Publicado em Carlos Sainz Jr., Charles Leclerc, Espanha, Fernando Alonso, Haas, Kevin Magnussen, McLaren, Montmeló, Nico Hulkenberg, Pierre Gasly, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Toro Rosso | Publicar um comentário

Azerbaijão-2018: Charles Leclerc, um histórico top 6 em Baku

Charles Leclerc conquistou seus primeiros pontos na F1 ao terminar em sexto em Baku

Charles Leclerc conquistou seus primeiros pontos na F1 ao terminar em sexto em Baku

Um misto de emoções povoou a cabeça de Charles Leclerc (Sauber) ao cruzar a linha de chegada do GP do Azerbaijão de 2018, disputado no último dia 29 de abril, em Baku. Ao alcançar o sexto lugar, o monegasco de 20 anos pontuava pela primeira vez na Fórmula 1, tornando-se o 337º piloto a marcar pontos na categoria máxima do automobilismo. Não só isso: Leclerc quebrava um jejum de 68 anos – desde Louis Chiron, terceiro no GP de Mônaco de 1950, o pequeno país não via um representante na zona de pontuação. O top 6 de Charles também teve significado especial para o time de Peter Sauber: foi o melhor resultado da escuderia desde o sexto lugar de Felipe Nasr no GP da Rússia de 2015, em Sochi. Diante das façanhas históricas para piloto e equipe, Baku acabou sendo cenário de uma grande festa para a turma de Hinwil.

O sexto lugar no Azerbaijão trouxe à tona o talento de Leclerc. Aliás, trata-se de um prodígio moldado desde o berço. Nascido em 16 de outubro de 1997, em Mônaco, Charles morava em uma residência que era a extensão de um circuito de corridas. O pai, Herve Leclerc, kartista e piloto de Fórmula 3, foi o mentor do filho na pistas. Sempre que podia, Herve contava a Charles sobre Ayrton Senna – lembrando que o garoto nasceu três anos após a morte do ícone brasileiro. “Meu pai sempre me falava sobre Senna. Então, cresci inspirado naquela lenda. Ayrton era o meu herói. Assisti suas voltas de qualificação em Mônaco inúmeras vezes. Era demais, pois ele pilotava nas ruas em que eu caminhava todos os dias”, disse, em 2017, para o site oficial da F1.

Orientado pelo pai Herve, Charles mirou o exemplo de Senna, foi influenciado por Bianchi

Orientado pelo pai Herve, Charles mirou o exemplo de Senna e foi influenciado por Jules Bianchi

Mirando no exemplo de Senna, Charles passou a andar de kart com apenas cinco anos, na pista de um outro apaixonado por velocidade: Philippe Bianchi, pai de… Jules Bianchi. Administrador de um circuito em Brignoles (França), Philippe abriu as portas para o garoto, que se inspirava em seu próprio filho. Jules era uma espécie de referência para Charles. Assim, construiu-se o caráter do monegasco: movido pelo sonho do pai, trilhando o caminho do amigo mais velho. Com apenas oito anos, Charles passou a competir no kartismo francês. Entre 2005 e 2013, ganhou quase tudo o que um piloto poderia almejar: campeonatos francês, monegasco, europeu nas categorias KF3, cadete e KF2.

Os títulos atraíram a atenção do empresário Nicolas Todt. O francês, que já agenciava Bianchi, passaria a gerenciar a carreira de Leclerc em 2011. Em 2014, Leclerc se transferiu para a Fórmula Renault 2.0, na qual obteve bons resultados. Naquele mesmo ano, Bianchi alcançou um marcante nono lugar no GP de Mônaco de F1. Todavia, um acidente no GP do Japão, em Suzuka, interrompeu a ascendente trajetória do francês. Em 2015, Jules não resistiu aos ferimentos, vindo a falecer. A morte do amigo não abalou a carreira de Leclerc. “Mesmo depois do acidente de Jules em Suzuka, eu nunca tive a menor dúvida sobre o meu futuro. Eu sei que o perigo faz parte das corridas, mas quando eu estou no cockpit, tudo que eu sinto é adrenalina. Nunca dirigi nem um metro sequer com medo de que algo pudesse acontecer”.

Títulos da GP3 e da Fórmula 2 impressionaram a todos: vaga na Sauber foi consequência

Títulos da GP3 e da Fórmula 2 impressionaram a todos na F1: vaga na Sauber foi consequência

Ainda em 2015, Leclerc disputou a Fórmula 3 Europeia, conquistando o quarto lugar geral, com quatro vitórias. Outro destaque naquele ano foi o segundo lugar na tradicional prova de Macau. A boa sequência fez com que Todt pleiteasse um lugar para Charles na Academia de Desenvolvimento da Ferrari em 2016. Assim como Bianchi, Leclerc estreitava suas relações com a Scuderia. Simultaneamente à função de piloto de testes da Haas, Charles cumpriria a temporada da GP3. E o monegasco impressionou: com três vitórias e oito pódios, assegurou o título da categoria. O troféu chamou a atenção de todos da Fórmula 1. Leclerc já era tratado como diamante bruto quando foi para a Fórmula 2 em 2017. Com a equipe Prema, o monegasco assombrou a categoria. Dominante, Charles foi campeão com sete vitórias e 10 pódios. A partir dali, era impossível ignorá-lo.

Mas nem tudo foi perfeito para Leclerc em 2017. Dois anos após a morte de Bianchi, o monegasco teve que lidar com a perda do pai, Herve, aos 54 anos. Porém, Charles soube fazer das lacunas um combustível para mais conquistas. Em nome de Jules e de Herve, alcançou o tão sonhado objetivo: a Fórmula 1. No fim de 2017, o jovem foi anunciado como piloto da Sauber para a temporada de 2018. Com isso, os holofotes passaram a focalizar o monegasco com mais ênfase. Nas três primeiras provas de Charles na Fórmula 1, o desempenho foi tímido: 13º no GP da Austrália, em Melbourne; 12º no GP do Bahrein, em Sakhir; e 19º no GP da China, em Xangai. Por outro lado, o companheiro de Leclerc na Sauber, Marcus Ericsson, havia conquistado um nono lugar em Sakhir. A postura positiva do sueco no início do campeonato acendeu um sinal de alerta para o staff do estreante: reagir em Baku era preciso.

Em Baku, Leclerc sempre andou à frente de Ericsson: ritmo deixou monegasco confiante

Em Baku, Leclerc sempre andou à frente de Ericsson: ritmo deixou monegasco confiante

Leclerc queria fazer do circuito onde fez uma inesquecível pole na temporada de 2017 da F2, apenas três dias após a morte do pai, um marco para a sua carreira também na Fórmula 1. Ao levar o C37 para a pista, o monegasco mostrou-se à vontade no seletivo traçado de rua. No fim da sexta-feira, primeiro dia de treinos livres em Baku, Charles terminou em 16º, com 1m44s940. O tempo do piloto de 20 anos foi 1s102 mais veloz que o obtido por Ericsson, 20º com 1m46s042. Por outro lado, Leclerc ficou a 2s145 da marca de Daniel Ricciardo (Red Bull), o mais rápido da sexta com 1m42s795. “No geral, foi um dia bom. Ainda temos um pouco de trabalho a fazer na preparação para a classificação de amanhã (sábado). Geralmente é uma pista interessante em termos de gerenciamento de pneus. Nesse aspecto, nosso ritmo parece bom”, observou.

No sábado, as coisas melhoraram para a Sauber. Charles se aproveitou das circunstâncias para avançar para o Q2 no qualifying. O novato viu Romain Grosjean (Haas) se acidentar no Q1 e ainda contou com o péssimo desempenho de Stoffel Vandoorne (McLaren) e da dupla da Toro Rosso – que se viu em problemas com a falta de potência do motor Honda nas longas retas de Baku – para superar a primeira fase do treino qualificatório. No fim, Leclerc obteve um ótimo 14º lugar, com 1m44s074. Eliminado no Q1, Ericsson foi 18º, com 1m45s541 – 1s467 atrás da marca do monegasco. Charles ficou a 2s576 da marca obtida por Sebastian Vettel (Ferrari), que assegurou a pole do GP do Azerbaijão de 2018 com 1m41s498. Foi a 53ª pole da carreira do alemão.

No sábado, Leclerc avançou pela primeira vez para o Q2: 14º lugar foi comemorado

No sábado, Leclerc avançou pela primeira vez para o Q2: 14º lugar foi comemorado

“Estou muito feliz com a minha classificação de hoje (sábado). Eu tive uma ótima volta no Q1, o que me permitiu avançar para o Q2. É a primeira vez que faço isso desde o início da temporada, o que é um grande passo para mim como novato. Toda a equipe fez um ótimo trabalho para tornar isso possível. Aprendi muito nos últimos três fins de semana de corrida e me sinto mais confortável com todos os procedimentos em cada sessão. Demos alguns passos positivos em termos de gerenciamento de pneus e o equilíbrio do carro é bom. Estou ansioso para a corrida de amanhã (domingo). Neste circuito, existem muitos fatores que irão influenciar o resultado”, afirmou Leclerc.

Largada do GP do Azerbaijão de 2018, em Baku: Leclerc fez início cauteloso

Largada do GP do Azerbaijão de 2018, em Baku: Leclerc teve início cauteloso

A corrida

Domingo, 29 de abril de 2018. Um sol tímido esquentava Baku para a disputa do GP do Azerbaijão. Entretanto, a temperatura seria quente do início ao fim da prova. Alinhado com pneus supermacios na 13ª posição do grid – herdou um lugar devido à punição dada a Nico Hulkenberg (Renault) -, Charles Leclerc sabia que, partindo no meio do pelotão, poderia sofrer as consequências de algum acidente durante a primeira volta. Todo cuidado seria pouco. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o monegasco foi cauteloso, perdendo posições para Hulkenberg e Pierre Gasly (Toro Rosso). Mas logo dois acidentes aconteceriam à frente de Leclerc: o choque entre Kimi Raikkonen (Ferrari) e Esteban Ocon (Force India) – que tirou o francês da corrida e colocou o finlandês no fundo do pelotão – e o acidente entre Fernando Alonso (McLaren) e Sergey Sirotkin (Williams) – que fez com que o russo abandonasse e deixasse o espanhol com duas rodas e no fim da classificação. Assim, Charles era o 11º ao fim da volta 1.

Diante dos embates e da sujeira na pista, foi necessária a entrada do safety car em Baku. Sob bandeira amarela, Sergio Pérez (Force India) mudou de estratégia ao antecipar seu pit stop para a volta 3, fazendo com que o piloto da Sauber ingressasse na zona de pontuação. A relargada só veio na volta 6. Leclerc teve que se defender das investidas de Stoffel Vandoorne (McLaren) e Raikkonen, permitindo que Hulkenberg partisse para cima de Lance Stroll (Williams). Na volta 7, foi a vez de Charles atacar o canadense, tomando o nono lugar. Na passagem seguinte, o monegasco superou Gasly. Contudo, o piloto da Sauber acabou levando o troco de Stroll. Assim, Leclerc permaneceu em nono. Na volta 11, Charles se aproveitou para ultrapassar definitivamente Lance, assumindo o oitavo lugar. Na mesma passagem, Hulkenberg quebrou a suspensão de seu bólido, sendo obrigado a abandonar. Dessa forma, Charles passava a ocupar o sétimo lugar.

Após a relargada, Leclerc se defendeu das investidas de Vandoorne

Após a primeira relargada, Leclerc se defendeu das investidas de Vandoorne e Raikkonen

Com o primeiro pit stop de Carlos Sainz Jr. (Renault), na volta 15, o monegasco subiu para o top 6. Era um rendimento impressionante, estando atrás apenas de Sebastian Vettel (Ferrari), Lewis Hamilton (Mercedes), Valtteri Bottas (Mercedes), Max Verstappen (Red Bull) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Detalhe: a menos de dois segundos do australiano, que duelava de forma insana com seu companheiro de equipe. Além disso, estava à frente de Raikkonen, que aparecia em sétimo. Na volta 17, Charles não resistiu ao ataque de Kimi, caindo para sétimo. Mas Leclerc não esmoreceu. Atrás apenas dos pilotos das três principais escuderias da temporada, o monegasco andava num ritmo consistente, sem percalços. Aos 20 anos, parecia um veterano em ação.

Charles se manteve no top 7 até a volta 24, quando a Sauber chamou-o para realizar sua primeira parada nos boxes em Baku. Na troca, sacou os desgastados pneus supermacios e colocou um jogo de macios, mais duráveis. No retorno à pista, o novato estava em 11º, imediatamente atrás de Alonso. Com os compostos novos, e aproveitando-se de que o espanhol estava com o carro avariado, o monegasco superou Fernando na volta 26, retornando ao top 10. O ritmo de Leclerc era bom, a ponto de reduzir a diferença para Sainz, o nono. Na volta 32, Charles estava a 3s de Carlos, e tinha 6s de vantagem sobre Stroll. Naquelas circunstâncias, pontuar era algo quase certo para o piloto da Sauber. Mas a sorte começaria a sorrir ainda mais para o calouro.

Charles foi superado por Raikkonen na volta XX: por boas voltas, monegasco só foi superado pelas duplas das três principais equipes

Charles foi batido por Raikkonen na volta 17: monegasco só estava atrás de Ferrari, Mercedes e RBR

Na volta 39, na disputa fratricida da Red Bull, Ricciardo e Verstappen se enroscaram bisonhamente na freada da reta dos boxes. Ambos estavam fora da corrida. O acidente fez com o que o safety car fosse acionado novamente. Com isso, Leclerc e os demais pilotos do grid ingressaram nos boxes para uma segunda e derradeira parada. Na troca, Charles sacou os pneus macios e colocou compostos ultramacios. No retorno à pista, o piloto da Sauber ocupava a mesma oitava posição. Ainda sob bandeira amarela, Romain Grosjean (Haas) errou feio e sofreu um acidente durante o aquecimento dos pneus. Sem o francês, o monegasco subiu para sétimo.

Com muitos detritos, a bandeira amarela se estendeu até a volta 47. Na relargada, Leclerc atacou Sainz e tomou o sexto lugar do espanhol. Na 48, a três do fim, Bottas viu seu pneu traseiro direito explodir após passar sobre um pedaço de carro atirado na pista. Com o dano, o finlandês foi obrigado a abandonar. Charles herdaria a quinta posição, mas acabou sendo ultrapassado por Carlos. Dessa forma, manteve-se em sexto – e dali não mais sairia. A vitória do GP do Azerbaijão de 2018 caiu no colo de Hamilton. Foi o primeiro triunfo do britânico no ano, o 63º na carreira. Com o resultado, somado ao quarto lugar de Vettel, Lewis assumiu a liderança do Mundial. Raikkonen terminou em segundo, seguido por Pérez – foi o oitavo pódio da carreira de Checo, que se tornou o mexicano com mais top 3 na história da F1. Quem também festejou o primeiro ponto na F1 foi Brendon Hartley (Toro Rosso), 10º na corrida.

Leclerc mostrou categoria para assegurar o sexto lugar em Baku: primeiros pontos de um monegasco em 68 anos

Leclerc mostrou categoria para assegurar o top 6: primeiros pontos de um monegasco em 68 anos

Em sexto, Leclerc fez a festa da Sauber em Baku. As celebrações do novato foram intensas. O time suíço estava orgulhoso da performance do monegasco. Ao fim da corrida, Charles não se conteve. “Foi uma corrida incrível hoje (domingo), estou muito feliz com o meu resultado. Foi definitivamente agitado, com muitos incidentes na pista. Isso tornou pilotar especialmente difícil e divertido. Senti-me confortável no carro e fiz o meu melhor para avançar para a frente do pelotão intermediário durante a corrida. É uma sensação incrível marcar pontos pela primeira vez na Fórmula 1. Como equipe, podemos ver nosso potencial e saber quais são nossos pontos fortes. Estou muito satisfeito e estou ansioso para continuar neste caminho positivo”, celebrou, em nome de Herve Leclerc e Jules Bianchi.

Sexto lugar de Leclerc foi o melhor da Sauber desde o top 6 de Nasr em Sochi-2015

Sexto lugar de Leclerc foi o melhor resultado da Sauber desde o top 6 de Nasr em Sochi-2015

Publicado em Azerbaijão, Baku, Brendon Hartley, Carlos Sainz Jr., Charles Leclerc, Esteban Ocon, Fernando Alonso, Force India, Haas, Jules Bianchi, Lance Stroll, Louis Chiron, Marcus Ericsson, McLaren, Nico Hulkenberg, Pierre Gasly, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Sergey Sirotkin, Sergio Pérez, Stoffel Vandoorne, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

China-2018: Hulkenberg obtém top 6 e ‘manda recado’ a Sainz

Hulk, à frente de Sainz, em Xangai: alemão conquistou outro top 6

Nico Hulkenberg, à frente de Carlos Sainz Jr., em Xangai: alemão conquistou outro top 6

Quando a Renault anunciou que Carlos Sainz Jr. passaria a defender o time a partir do GP dos Estados Unidos de 2017, em Austin, a escuderia francesa colocava uma sombra sobre Nico Hulkenberg. Afinal, o talentoso espanhol pressionaria o alemão dentro do time. Na prova norte-americana, inclusive, Sainz conquistou um bom sétimo lugar, enquanto Hulk abandonou logo no início. Nas três etapas seguintes, entretanto, Nico fez valer a maior experiência com o modelo RS17 e conquistou dois top 10 – foi 10º no GP do Brasil, em Interlagos, e sexto no GP de Abu Dhabi, em Yas Marina -, enquanto Carlos não mais pontuou. Em 2018, a promessa era a de que o madrileno e o tedesco travariam um intenso duelo pela primazia na Renault. Todavia, a atual temporada tem sido amplamente favorável para Hulkenberg.

Na abertura do Mundial, no GP da Austrália, em Melbourne, o germânico foi sétimo – já o espanhol foi 10º. E no GP do Bahrein, em Sakhir, Nico terminou em sexto – e Carlos em 11º. Nessa disputa à parte entre a dupla do time francês, Sainz esperava reagir em Xangai, palco do GP da China de 2018. Contudo, Hulkenberg, mais uma vez, foi impecável. Bem adaptado ao RS18, o alemão conquistou o sexto lugar em solo chinês. À frente de Nico, apenas pilotos que defendiam as três potências da atualidade – Mercedes, Ferrari e Red Bull. Já Carlos obteve dois pontos ao terminar em nono. Todos esses resultados revelam que, se de fato o madrileno tiver a intenção de bater o germânico, precisará colocar toda a sua categoria à prova – senão, correrá o risco de ser varrido pelo companheiro de Renault.

Na sexta-feira, Hulk conquistou um bom sexto lugar: prenúncio de bom resultado à vista

Na sexta-feira, Hulk conquistou um ótimo sexto lugar: prenúncio de bom resultado à vista

Na sexta-feira, dia do primeiro dia de treinos em Xangai, Hulkenberg tratou de impor sua autoridade dentro da equipe francesa. O alemão terminou em sexto, com 1m34s313, sendo superado apenas pelos pilotos de Mercedes, Ferrari e Max Verstappen (Red Bull). Nico foi 0s160 mais veloz do que Sainz, oitavo com 1m34s473. O melhor da sexta foi Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m33s482 – 0s831 à frente de Hulk. O bom desempenho no circuito chinês deixou evidenciado que a Renault iria brigar pelos pontos, no ponto de vista do germânico. “Estava ventando muito na sessão da manhã, então tivemos chuva no final da sessão da tarde, mesmo assim, foi bem tranquilo. Temos um bom ponto de partida com o carro aqui, por isso é um caso de ver o que podemos fazer para tirar o máximo proveito da classificação amanhã (sábado), depois da corrida de domingo”, observou.

Para o sábado, o objetivo da escuderia francesa era colocar seus dois carros entre os 10 primeiros do grid de Xangai. Com o bom equilíbrio do RS18, a chance de Hulk e Sainz alcançarem a meta era alta. Na pista, ambos fizeram valer o potencial do carro preto e amarelo: tanto Nico quanto Carlos superaram as duas primeiras fases do qualifying. No Q3, o alemão fez uma volta quase perfeita, arrancando 1m32s532 – o que lhe garantiu o sétimo melhor tempo (atrás somente das duplas de Ferrari, Mercedes e Red Bull). Já o espanhol marcou 1m32s819 (a 0s287 de Hulkenberg), ficando em nono. A pole do GP da China foi obtida por Sebastian Vettel (Ferrari), com 1m31s095 – a 52ª na carreira do tetracampeão. Seb ficou 1s437 à frente de Hulk.

A boa forma do RS18 levou Hulk e Sainz para o Q3 de Xangai: germânico assegurou o 7º lugar no grid

A boa forma do RS18 levou Hulk e Sainz para o Q3 de Xangai: germânico assegurou o 7º lugar no grid

“Estou feliz com o sétimo lugar mais uma vez, que provavelmente é o melhor que poderíamos ter feito hoje (sábado). Alcançamos nossa missão na classificação e isso é positivo. Estou tendo uma boa sensação e um bom ritmo nesta pista, o equilíbrio do carro está ótimo. Amanhã (domingo) será um pouco mais desafiador. O primeiro stint com certeza será curto, mas temos velocidade com todos os compostos, o que me deixa otimista para a corrida”, sentenciou Nico.

Largada do GP da China de 2018: Hulkenberg conseguiu se manter em sétimo

Largada do GP da China de 2018: Hulkenberg conseguiu se manter em sétimo

A corrida

Domingo, 15 de abril de 2018. O sol despontou sobre o Circuito Internacional de Xangai, cenário do GP da China. Diferentemente da baixa temperatura da sexta e do sábado (quando a meteorologia apontou até 12°C no ambiente), o clima esquentou para a corrida – os termômetros anotavam 19°C. Calçado com pneus ultramacios, Nico Hulkenberg alinhou seu Renault na sétima posição no grid com o intuito de se manter no top 7 – ou seja, atrás somente de Ferrari, Mercedes e Red Bull. Após o apagar das luzes vermelhas, o alemão conseguiu cumprir com seu objetivo inicial, ficando em sétimo – atrás de Daniel Ricciardo (Red Bull), o sexto, e à frente de Carlos Sainz Jr. (Renault), que saltou para a oitava posição.

Após cinco voltas, Hulkenberg já perdia o contato para Ricciardo – o germânico estava 3s1 atrás do australiano. Em contrapartida, tinha 2s2 sobre Sainz. Na volta 10, a vantagem de Daniel sobre Nico era de 9s4, enquanto a de Hulk sobre Carlos praticamente não se alterou – estava na casa de 2s3. Na volta 12, o espanhol da Renault se encaminhou para os boxes. Naquele instante, os compostos ultramacios do alemão também apresentavam desgaste. Por isso, na volta 14, foi a vez de Hulkenberg fazer a sua parada. Na troca, sacou os ultramacios e colocou os médios. Na saída, se viu em 13º, atrás de Sergey Sirotkin (Williams) e à frente de Charles Leclerc (Sauber).

Após a largada, a preocupação de Nico foi a de seguir à frente do pelotão liderado por Sainz

Após a largada, a preocupação de Nico foi a de seguir à frente do pelotão liderado por Sainz

Com pneus novos, Nico passou a ser mais veloz que os seus concorrentes imediatos. Na volta 17, o piloto da Renault superou Sirotkin. Com o pit stop de Romain Grosjean (Haas) na mesma passagem, subiu para 11º. Na 21, foi a vez de Hulk ultrapassar Stoffel Vandoorne (McLaren), retornando ao top 10. Na passagem seguinte, o germânico ignorou Lance Stroll (Williams), assumindo o nono lugar. Na volta 24, Kevin Magnussen (Haas) realizou sua parada. Assim, Hulkenberg passou a ocupar a oitava posição. Na 29, Fernando Alonso (McLaren) se encaminhou para o pit, fazendo com que o alemão ascendesse novamente para a sétima colocação.

As coisas estavam mornas em Xangai. As disputas se reservavam apenas e tão somente às estratégias de cada time. Porém, na volta 30, um lance inusitado fez com que o GP da China ganhasse contornos de uma boa corrida. Destaque no GP do Bahrein após terminar em quarto, Pierre Gasly (Toro Rosso) atacava seu companheiro, Brendon Hartley (Toro Rosso), pelo 17º lugar. O francês calculou (muito) mal a freada e acertou em cheio o neozelandês. O impacto fez com que muitos detritos ficassem espalhados pela pista. Dessa forma, o safety car foi acionado na volta 31. Imediatamente, a Renault chamou Hulkenberg para os boxes. Na troca, o time sacou os compostos médios e colocou os macios. Assim, Nico teria um ritmo de corrida mais veloz, além de ter condição de terminar a prova com aquele jogo de pneus.

Acidente entre Gasly e Hartley mudou o panorama da corrida, o que beneficiou Hulkenberg

Acidente entre Gasly e Hartley mudou o panorama da corrida, o que beneficiou Hulkenberg

No retorno à pista, Hulk estava em oitavo – havia perdido a sétima posição para Magnussen. Porém, na relargada, dada na volta 34, o alemão partiu para cima do dinamarquês. Nico não teve dificuldades para ultrapassar Kevin, recuperando novamente seu lugar no top 7. Na volta 38, Hulkenberg já colocava 2s7 de vantagem sobre Magnussen. Em contrapartida, estava 2s1 atrás de Kimi Raikkonen (Ferrari), o sexto. As coisas pareciam definitivas para o piloto da Renault quando, na volta 43, um outro acidente mudaria o rumo da corrida: em ascensão após realizar parada sob bandeira amarela, Max Verstappen (Red Bull) tentou uma manobra insana sobre Sebastian Vettel (Ferrari) na disputa pelo terceiro. O holandês acertou o tetracampeão, que rodou e caiu para o sexto lugar.

O choque de Verstappen fez o ritmo de Vettel desabar. Foi a oportunidade ideal para Hulk atacar o compatriota. Na volta 44, Nico atacou Sebastian, que não resistiu à investida do piloto da Renault. Dessa forma, Hulkenberg assumiu a sexta colocação para não mais perdê-la. A vitória do GP da China ficou com Ricciardo, que contou com a excelente tática da Red Bull para parar sob bandeira amarela e com ultrapassagens arrojadas para assegurar seu sexto triunfo na carreira. Valtteri Bottas (Mercedes) ficou em segundo, e Raikkonen completou o pódio. Verstappen cruzou a linha de chegada em quarto, mas foi punido com 10s acrescidos ao seu tempo de corrida. Dessa forma, Lewis Hamilton (Mercedes) ficou em quarto, e Max, em quinto.

No fim, Hulk superou Vettel e assegurou o sexto lugar: por 0s516, não foi quinto

No fim, Hulk superou Vettel e assegurou o sexto lugar: por 0s516, não foi quinto

Por míseros 0s516, Hulkenberg não tirou o quinto lugar de Verstappen. Mesmo assim, Nico não tinha motivos para lamentar. “Todo mundo parecia ter baixa aderência no início com carros deslizando por todo o lugar. Nós estávamos em uma estratégia de duas paradas desde o início, então tivemos que fazer o pneu durar, mantendo um ritmo forte. Isso valeu a pena, o safety car caiu nas nossas mãos e facilitou as coisas, mas mesmo sem o safety car acho que teríamos saído por cima. O ritmo estava bom hoje (domingo) e estávamos no topo do meio do grid, então foi um dia divertido. Além do mais, estamos levando oito pontos para casa”, afirmou Nico, que, com o resultado, se igualou a Alonso na sexta posição do Mundial, com 22 pontos. Além disso, ajudou a Renault a se aproximar da McLaren no duelo pelo quarto lugar dos Construtores – o time de Enstone chegou a 25 pontos, contra 28 da equipe de Woking.

Com o 6º lugar em Xangai, Hulk se igualou a Alonso no sexto lugar do Mundial, com 22 pontos

Com o 6º lugar em Xangai, Hulk se igualou a Alonso no sexto lugar do Mundial, com 22 pontos

Publicado em Brendon Hartley, Carlos Sainz Jr., Charles Leclerc, China, Haas, Kevin Magnussen, Lance Stroll, McLaren, Nico Hulkenberg, Pierre Gasly, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Sergey Sirotkin, Stoffel Vandoorne, Toro Rosso, Williams, Xangai | Publicar um comentário

Bahrein-2018: Gasly encanta e põe Toro Rosso-Honda no top 4

Pierre Gasly caiu nas graças da Toro Rosso e da Honda ao conquistar um impressionante quarto lugar em Sakhir

Pierre Gasly caiu nas graças da Toro Rosso e da Honda ao conquistar um incrível 4º lugar em Sakhir

O rosto alegre remetia imediatamente a um garoto feliz com um feito grandioso. Embora debaixo do capacete parecesse um veterano no controle de todas as ações, Pierre Gasly era o menino mais contente do paddock de Sakhir, palco do GP do Bahrein de 2018, disputado no último dia 8 de abril. O piloto de 22 anos exibiu no Oriente Médio uma invejável regularidade na pista. Em apenas sua sétima corrida, Gasly encantou a Fórmula 1 pela forma como conduziu seu Toro Rosso-Honda no circuito barenita. Durante todo o fim de semana, Pierre foi consistente a bordo do STR13 impulsionado pelo tão contestado propulsor japonês. Ao levar seu bólido azul e vermelho a um impressionante quarto lugar em Sakhir, o francês não só pontuou pela primeira vez na categoria máxima do automobilismo, como também deixou a escuderia de Faenza em êxtase e a montadora nipônica cheia de orgulho.

O top 4 de Gasly no Bahrein entrou para o rol dos melhores resultados da história da Toro Rosso. Além da vitória de Sebastian Vettel no GP da Itália de 2008, em Monza, os mais altos desempenhos do time vieram com quartas colocações – foram cinco: dois de Vettel (nos GPs da China de 2007, em Xangai, e do Brasil de 2008, em Interlagos), dois de Max Verstappen (nos GPs da Hungria, em Hungaroring, e dos Estados Unidos, em Austin, ambos em 2015) e um de Carlos Sainz Jr. (no GP de Cingapura de 2017, em Marina Bay). Pierre, portanto, deu à escuderia de Faenza o sexto 4º lugar e o sétimo top 4 de sua história.

Em Sakhir, Gasly obteve o melhor resultado com um carro impulsionado por motor Honda desde 2008

Em Sakhir, Gasly obteve o melhor resultado de um carro impulsionado pela Honda desde 2008

Além disso, o jovem francês conquistou a melhor posição de um carro impulsionado por motor Honda em quase 10 anos – desde o terceiro lugar de Rubens Barrichello (Honda) no GP da Inglaterra de 2008, em Silverstone, os nipônicos não obtinham resultado tão expressivo. Mas o melhor para a montadora japonesa foi o fato de, em apenas duas corridas em parceria com a Toro Rosso, superar os melhores resultados dos três anos de vínculo com a McLaren – com Fernando Alonso, obteve três quintos lugares (no GP da Hungria de 2015, em Hungaroring; no GP de Mônaco de 2016, no Principado; e GP dos Estados Unidos de 2016, em Austin).

Todas essas marcas preenchem o currículo de Gasly, um francês que há muito tempo vem militando no automobilismo. Nascido em 7 de fevereiro de 1996, em Rouen, Pierre iniciou no kart com 10 anos. Em 2010, foi vice-campeão europeu da categoria. Do kart, migrou para os monopostos. Em 2011, ficou em terceiro na Fórmula 4 Francesa. No ano seguinte, se transferiu para a Fórmula Renault. Em 2013, alcançou o título do Campeonato Europeu da categoria (série 2.0). Após a conquista, subiu mais um degrau, passando a disputar a Fórmula Renault 3.5. em 2014. A ascensão de categoria se deveu ao seu ingresso no Time de Desenvolvimento da Red Bull. Em sua temporada de estreia, foi vice-campeão, sendo superado somente por outro membro do Time de Desenvolvimento: Carlos Sainz Jr..

Antes de chegar na Toro Rosso, Gasly foi campeão da Fórmula Renault e da GP2

Antes de chegar na Toro Rosso, Pierre foi campeão da Fórmula Renault e da GP2: talento ascendente

Ainda em 2014, Gasly estreou na GP2, realizando algumas provas pela Caterham. No ano seguinte, se transferiu para a DAMS, a fim de disputar uma temporada completa na categoria. Foi um ano complicado para Pierre, que se viu em meio a acidentes. Ao término da temporada, ficou em oitavo na classificação. No fim de 2015, vieram duas boas novas para o francês: para a temporada seguinte, ele se tornaria piloto reserva da Red Bull e se transferiria para a Prema para a disputa do campeonato da GP2. Em 2016, Gasly foi arrasador, conquistando quatro vitórias e assegurando o título. Porém, o fato de ser campeão da GP2 não lhe abriu as portas das equipes da F1 para 2017. Sem cockpits à disposição, Pierre competiu na Super Fórmula, do Japão. Ele também participou de uma rodada dupla da Fórmula E em Nova Iorque, em substituição ao campeão Sebastien Buemi (que correria na WEC) na Renault e-Dams. Gasly quase alcançou o pódio em sua segunda corrida – bateu na última curva, ficando em quarto.

Porém, a F1 lhe daria uma oportunidade quando menos esperava: antes do GP da Malásia, em Sepang, o jovem foi chamado para substituir o russo Daniil Kvyat na Toro Rosso. Além da etapa malaia, Gasly disputou o GP do Japão, em Suzuka, ao lado de seu antigo rival de Fórmula Renault, Carlos Sainz Jr.. Porém, após o anúncio da parceria Toro Rosso-Honda para 2018, o time italiano exigiu que Pierre disputasse a etapa final da Super Fórmula no Japão – afinal, seu carro era impulsionado pela marca japonesa. Assim, perderia o GP dos Estados Unidos, em Austin. Gasly foi substituído por Kvyat, enquanto Sainz, que se transferiu para a Renault, deu lugar a Brendon Hartley. A partir do GP do México, na Cidade do México, Pierre passaria a ter a companhia do neozelandês na Toro Rosso. E foi assim até o fim de 2017.

O objetivo de Gasly (à esq.) e Hartley em Sakhir era desenvolver o conjunto Toro Rosso-Honda: tarefa cumprida

O objetivo de Gasly (à esq.) e Hartley em Sakhir era desenvolver o STR13-Honda: tarefa cumprida

Diante da reformulação no quadro de pilotos, somada à mudança do motor Renault para o Honda, a Toro Rosso surgia como “patinho feio” para a temporada de 2018. Após os testes da pré-temporada, o time satélite da Red Bull se colocava numa posição intermediária entre as equipes da F1. Conduzida por Gasly e Hartley, a escuderia de Faenza cravou um objetivo: fazer do STR13 impulsionado pelo motor Honda um carro competitivo. No GP da Austrália, em Melbourne, entretanto, as coisas não foram bem para a Toro Rosso: Pierre abandonou com problemas no motor Honda, enquanto Brendon foi o 15º – e último – a cruzar a linha de chegada. Para piorar, os engenheiros da Honda foram obrigados a engolir o quinto lugar de Fernando Alonso com a McLaren-Renault. Assim que confirmou o top 5, o espanhol afirmou: “agora podemos lutar”. Era algo que o bicampeão sequer sonhou nos três anos com o propulsor japonês.

Ao desembarcar em Sakhir, palco da segunda etapa do Mundial de 2018, Gasly e Hartley tinham como objetivo desenvolver o STR13 e avançar no equilíbrio entre chassis e motor Honda. Quando a Toro Rosso foi para a pista barenita, Pierre parecia se sentir em casa. Veloz, o francês se colocou logo entre os 10 primeiros dos treinos livres. No fim, o jovem de 22 anos ficou com o oitavo melhor tempo da sexta, com 1m31s232. Gasly ficou atrás apenas das duplas de Ferrari, Mercedes e Red Bull, além de Nico Hulkenberg (Renault), que bateu o francês por apenas 0s012 – o alemão marcou 1m31s220. Kimi Raikkonen (Ferrari) foi o mais rápido do dia com 1m29s817 – 1s415 à frente de Pierre. Por outro lado, Hartley encarou problemas e foi o mais lento do dia – 20º, com 1m32s908 (1s676 atrás do companheiro da Toro Rosso).

Na sexta, veio o prenúncio de um bom fim de semana: Gasly figurou sempre entre os 10 primeiros

Na sexta, veio o prenúncio de um bom fim de semana: Gasly figurou sempre entre os 10 primeiros

A boa performance na sexta encheu Gasly de confiança. “Foi uma sexta-feira muito produtiva para nós. Eu me senti muito confortável no carro desde a primeira volta no primeiro treino livre. Mostramos um ritmo decente em ambas as sessões. Sem dúvida, foi um bom começo, mas ainda existem coisas que podemos melhorar para amanhã (sábado). As diferenças estão muito apertadas entre os pilotos, então precisamos gastar um bom tempo hoje (sexta) analisando tudo o que testamos. O primeiro sentimento com o carro é realmente positivo, então esperamos que possamos mantê-lo e ter um dia semelhante amanhã (sábado)”, analisou.

No sábado, a Toro Rosso voltou a surpreender. Tanto Gasly quanto Hartley demonstraram uma força ainda não vista em 2018. O francês e o neozelandês tinham em mãos um equipamento capaz de se impor diante de qualquer adversário do pelotão intermediário da Fórmula 1. Ambos avançaram sem problemas para o Q2. Na segunda sessão qualificatória, Pierre chocou o ‘circo’ ao se colocar entre os 10 primeiros. Por outro lado, Brendon bateu na trave – ficou com 11º, com 1m30s412. No Q3, veio a comprovação de que o STR13 impulsionado com o motor Honda encontrava-se em perfeita harmonia com o circuito barenita sob a condução de Gasly: com 1m29s329, o francês arrancou um impressionante sexto tempo, ficando a 1s371 de Sebastian Vettel (Ferrari), que anotou a pole para o GP do Bahrein – a 51ª de sua carreira.

Além de avançar para o Q3 de Sakhir, Gasly anotou o 6º melhor tempo: com punição a Hamilton, alinharia em 5º

Além de avançar para o Q3, Gasly fez o 6º tempo: com punição de Hamilton, alinharia em 5º no grid

Pierre ficou atrás apenas de carros da Ferrari, Mercedes e Red Bull. O sexto lugar veio pela ausência de Max Verstappen (Red Bull), que sofreu um acidente no Q1. Mas não pararia por aí: Lewis Hamilton (Mercedes), quarto melhor do quali, seria punido com a perda de cinco posições no grid por trocar a caixa de câmbio. Dessa forma, Gasly alinharia em quinto no grid da etapa barenita. Um feito pra lá de assombroso para o piloto de 22 anos. “Esta foi minha melhor classificação na F1! Um dia incrível. A equipe vem trabalhando duro desde o começo do fim de semana e é bom ver esse esforço sendo recompensado. Eu me senti bem no carro, estou muito feliz. Desde a primeira volta no primeiro treino livre, senti que estávamos rápidos, mas precisávamos acertar tudo para entrar no Q3 – e conseguimos! É claro que esperamos que Hamilton e Verstappen se recuperem rápido, mas acho que estaremos na briga com Renault e Haas. Nossa meta é pontuar bem”.

Largada do GP do Bahrein de 2018, em Sakhir: Gasly chegou a superar Ricciardo, mas levou o troco

Largada do GP do Bahrein de 2018, em Sakhir: Gasly chegou a superar Ricciardo, mas levou o troco

A corrida

O anoitecer de domingo em Sakhir, palco do GP do Bahrein de 2018, era o aviso de que a etapa estava prestes a começar. Alinhado em quinto lugar no grid com pneus supermacios, Gasly revelava ansiedade para a largada. À sua frente, nas duas primeiras filas, estavam Sebastian Vettel (Ferrari), Kimi Raikkonen (Ferrari), Valtteri Bottas (Mercedes) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Mais ninguém. Todavia, sua maior preocupação seria domar Kevin Magnussen (Haas), que demonstrou excelente desempenho nos dois primeiros fins de semana da F1. Quando a largada foi autorizada, Pierre partiu com agressividade, contornando a curva 1 por fora e tomando o quarto lugar de Ricciardo. Porém, na sequência, o australiano deu o troco no francês, recuperando a posição.

Na volta 2, uma pane eletrônica tirou Daniel da corrida, reconduzindo Gasly ao quarto lugar. Na mesma passagem, Max Verstappen (Red Bull) tocou em Lewis Hamilton (Mercedes) numa tentativa de ultrapassagem e teve furado seu pneu traseiro esquerdo. O holandês foi aos boxes e voltou à pista, mas abandonou na sequência. Assim, os dois carros da Red Bull estavam fora de combate. Ótimo para Pierre, que se via atrás somente de Vettel, Bottas e Raikkonen. Com o Red Bull de Ricciardo parado na pista, a direção de prova acionou o virtual safety car (VSC). A relargada foi dada na volta 4, e Gasly teve que lidar com o forte ataque de Magnussen. Na volta 5, o dinamarquês abriu a asa traseira no trecho de DRS na reta dos boxes e colocou de lado sobre o francês. Kevin contornou a curva em quarto, mas Pierre deu o ‘x’ na sequência, conservando sua posição.

Gasly suportou forte pressão de Magnussen no início da corrida: duelo com direito a 'x' do francês

Gasly suportou forte pressão de Magnussen no início da corrida: duelo com direito a ‘x’ do francês

Atrás de Gasly e Magnussen, aparecia Hamilton em franca recuperação. Na volta 6, o tetracampeão superou o piloto da Haas. Na 8, foi a vez de Pierre. O francês não tinha como segurar Lewis – também pudera, a disputa era inglória. Sem cerimônia, o britânico da Mercedes ultrapassou o novato da Toro Rosso. Assim, Gasly caía para quinto. De toda forma, sua corrida continuava sendo a de monitorar Magnussen. Na volta 11, a vantagem de Pierre sobre Kevin era de 3s3. Na volta 14, a Haas chamou o dinamarquês para os boxes. O intuito era um só: tentar superar Gasly na base da estratégia. Ao ver o movimento da equipe norte-americana, a escuderia italiana imediatamente tentou anulá-lo. Na volta 15, chamou o francês para a troca de pneus. A Toro Rosso sacou os compostos supermacios e colocou os macios. Pierre seguia à frente de Magnussen – naquele momento, em nono.

Após a parada de Carlos Sainz Jr. (Renault), na 16, Gasly ascendeu para o oitavo lugar. Na volta 18, foi a vez de Romain Grosjean (Haas) realizar seu pit stop. Com isso, Pierre subiu para sétimo. Na 20, o piloto da Toro Rosso superou Marcus Ericsson (Sauber) na pista – o sueco havia adotado a tática de uma parada nos boxes. Na mesma passagem, Brendon Hartley (Toro Rosso) se dirigiu para os boxes. Dessa forma, o francês reassumiu a quinta colocação. Na volta 23, Gasly estava 21s atrás de Raikkonen e 7s à frente de Magnussen – que ultrapassou Ericsson. Assim, estava isolado em Sakhir. Naquele momento, a concentração era na manutenção do ritmo de corrida. Ao notar a vantagem de Gasly, a Haas chamou Kevin para os boxes na volta 27. A partir dali, o stint do dinamarquês passou a ser outro. Seu ritmo, também – Magnussen se tornou um dos mais velozes na pista.

Pierre fez sua segunda parada na volta 34: retorno à frente de Magnussen foi fundamental

Pierre fez sua segunda parada na volta 34: retorno à frente de Magnussen foi fundamental

Na volta 33, Pierre estava a 21s de Hamilton, o quarto. Em contrapartida, tinha 11s6 de vantagem sobre Nico Hulkenberg (Renault) – que, com a parada de Magnussen, subiu para sexto. Diante da vantagem sobre o alemão, a Toro Rosso entendeu que era o momento ideal para a segunda parada de Gasly. Na volta 34, o time italiano chamou o francês para os boxes. Na troca, tirou os pneus macios e colocou novos compostos supermacios. No retorno à pista, Pierre estava em sétimo, entre Fernando Alonso (McLaren) e Magnussen. Na volta 36, um lance lamentável chocou a Fórmula 1 – e, indiretamente, mexeu com a classificação da corrida. Na segunda parada de Raikkonen, a Ferrari autorizou indevidamente a sua saída dos boxes. A troca de pneus ainda não havia sido efetuada. A liberação equivocada fez com que o pneu traseiro esquerdo do carro de Kimi passasse sobre a perna do mecânico Francesco Cigarini. Ele teve fratura exposta da tíbia e da fíbula.

Com o triste incidente, a Ferrari ordenou que o finlandês deixasse a corrida. Assim, Gasly subiu para a sexta posição. Com as paradas de Hulkenberg e Alonso, na volta 39, Pierre foi reconduzido à quarta colocação. Naquele instante, o francês da Toro Rosso estava atrás somente de Vettel, Bottas e Hamilton. Todavia, tinha Magnussen a somente 3s dele. Entretanto, os pneus do Haas do dinamarquês estavam desgastados, enquanto os compostos de Gasly eram praticamente novos. Dessa forma, Pierre abriu para Kevin, consolidando-se na quarta colocação.

Mecânicos da Toro Rosso celebram quarto lugar de Gasly: resultado enche equipe de confiança

Mecânicos da Toro Rosso celebram quarto lugar de Gasly: resultado enche equipe de confiança

O GP do Bahrein de 2018 foi vencido por Vettel, que teve um fim de corrida dramático em razão da estratégia adotada pela Ferrari após o acidente com Cigarini. O alemão foi pressionado por Bottas até a última volta, mas assegurou sua 49ª vitória na F1 – a segunda nesta temporada. Valtteri teve que se contentar com o segundo lugar, seguido por Hamilton. Mas a grande festa estava na celebração da quarta posição. “Agora podemos lutar”, disse Gasly à sua equipe após cruzar a linha de chegada em Sakhir. A frase do francês veio em alusão ao que foi dito por Alonso ao terminar em quinto em Melbourne. Se o recado do espanhol foi uma indireta para a Honda, Pierre fez questão de repeti-la, a fim de estreitar os laços entre o time italiano e a fabricante japonesa.

Nos boxes da Toro Rosso, a celebração foi tremenda. Gasly não se conteve. Também pudera: acabava de se tornar o 336º piloto a pontuar na história da Fórmula 1. “Estou muito feliz! Agradeço bastante à equipe porque o carro estava fantástico. Tive uma boa briga com Magnussen e depois o ritmo estava ótimo. Vi que ambos os carros da Red Bull tiveram de parar, e depois que Raikkonen abandonou, a equipe me disse que tínhamos a oportunidade de chegar em quarto, portanto eu dei tudo até o final. O carro esteve fantástico desde o começo do fim de semana, hoje (domingo) eu pude forçar ao máximo e fomos velozes porque consegui me distanciar da Haas. Preciso de um pouco de tempo para assimilar isso, mas definitivamente vou me divertir com a equipe esta noite”, comemorou.

Pierre foi carregado pelos integrantes da Toro Rosso: feito histórico

Pierre foi carregado pelos integrantes da Toro Rosso: feito histórico

Sobre a corrida de Sakhir, Pierre destacou os principais momentos. “O início da prova foi mega. Consegui passar Ricciardo na curva 1, o que foi ótimo. Depois, as coisas se complicaram um pouco quando Magnussen me ultrapassou (na volta 5). Eu sabia que precisava dar o troco imediatamente porque caso contrário perderia tempo e seria difícil alcançá-lo. Quando passei, consegui mantê-lo atrás e forçar o tempo todo enquanto tentava cuidar dos pneus, o que fizemos muito bem. Creio que o ritmo foi ótimo, então estou super feliz. Para a equipe, parece uma vitória. Sem falar que esse é o melhor resultado para a Honda nos últimos 10 anos – ainda mais após a experiência que tive com eles na Super Fórmula (em 2017), em que tive uma relação muito próxima”.

Resultado de Gasly foi o melhor da Honda desde 2008: orgulho japonês

Resultado de Gasly foi o melhor da Honda desde 2008: top 4 para a satisfação japonesa

Publicado em Bahrein, Brendon Hartley, Carlos Sainz Jr., Fernando Alonso, Haas, Kevin Magnussen, Marcus Ericsson, McLaren, Nico Hulkenberg, Pierre Gasly, Renault, Romain Grosjean, Sakhir, Sauber, Toro Rosso | Publicar um comentário

Austrália-2018: “motor novo, vida nova” para Alonso e McLaren

Fernando Alonso e o halo (novo apêndice a ser adotado pela F1 a partir de 2018): quinto lugar enchem bicampeão e a McLaren-Renault de otimismo

Fernando Alonso e o halo: quinto lugar enchem bicampeão e a McLaren-Renault de otimismo

Fernando Alonso Díaz decretou que 2018 selaria definitivamente qual rumo tomaria sua carreira. Após passar três temporadas martirizantes, devido à catastrófica parceria entre McLaren e Honda (2015 a 2017), o bicampeão do mundo só tinha uma alternativa para este ano: apostar no acordo entre a escuderia britânica e a Renault – a nova fornecedora de motor do time de Woking. O fato de Alonso ter conquistado seus dois títulos mundiais impulsionado pelo propulsor francês (2005 e 2006) animou o asturiano. Porém, não bastaria apenas instalar o motor no modelo MCL33. Encontrar a sintonia fina entre o motor Renault e o carro da McLaren requer tempo e paciência – tudo o que Fernando, de 36 anos, quer buscar a curto prazo. E o desempenho no GP da Austrália, em Melbourne, etapa de abertura do 69º Mundial de Fórmula 1, serviria justamente como uma espécie de referencial para a equipe laranja.

Muitas dúvidas pairavam sobre a McLaren quando houve o desembarque do time em Melbourne. Ainda mais após Alonso entrar em acordo com a Toyota para a disputa do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) na temporada 2018/19. Alguns entenderam que o bicampeão só aceitou disputar a competição de protótipos por não crer no potencial do MCL33. Foi o caso do campeão de 2016, o aposentado Nico Rosberg. “Ele está fazendo essas corridas porque não tem esperança na F1”, afirmou o alemão ao periódico espanhol AS. “Fernando tem que olhar outras coisas para satisfazer seu desejo de vencer, porque ganhar o título da F1 não é mais uma opção para ele. Então, seu próximo grande desafio é ser o piloto mais versátil do mundo”, acrescentou Nico, lembrando que Alonso disputou a edição de 2017 das 500 Milhas de Indianapolis, na Fórmula Indy.

Críticos não acreditam que Alonso voltará a vencer na F1: Nico Rosberg é um deles

Críticos não acreditam que Alonso voltará a ter sucesso: Nico Rosberg, campeão de 2016, é um deles

Antes dos treinos para a etapa australiana, o próprio espanhol não confiava no desempenho da McLaren em Melbourne. “Este será o nosso nível mais baixo”, admitiu. “Contudo, acredito que vamos melhorar bastante durante a temporada. Deveremos ser a equipe que mais vai progredir em comparação com as outras, porque a integração de uma nova unidade de potência requer tempo. Além disso, o chassis foi projetado para muitas atualizações durante a temporada – sobretudo nas primeiras corridas. Por isso, espero uma McLaren bastante forte na segunda parte da temporada”.

Apesar da análise realista, Alonso tratou de surpreender nos primeiros treinos livres para o GP da Austrália. O bicampeão foi o oitavo mais veloz, com 1m25s200. E o MCL33 também mostrou potencial com Stoffel Vandoorne – o companheiro do espanhol foi 10º, com 1m25s285. Fernando ficou a 1s269 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais rápido da sexta-feira, com 1m23s931. “É bom estar de volta ao ambiente de corrida, e é uma sensação agradável estar com todos os carros na pista após os testes de inverno. Sendo o primeiro dia da temporada, havia muitas coisas que queríamos testar. Perdemos um pouco de tempo no primeiro treino com alguns problemas, mas conseguimos recuperar na segunda sessão e agora precisamos analisar tudo para obter o melhor pacote para amanhã (sábado)”, comentou o asturiano.

Desempenho de Alonso na sexta animou a McLaren: oitavo mais rápido do dia

Desempenho de Alonso na sexta animou a McLaren-Renault: oitavo mais rápido do dia

Nos treinos qualificatórios, entretanto, a McLaren se viu com um ritmo abaixo das expectativas. Tanto Alonso quanto Vandoorne  tiveram dificuldades em acertar o carro para as denominadas “voltas voadoras”. Apesar de superaram o Q1 com certa tranquilidade, Fernando e Stoffel não foram capazes de ingressar na fase final da sessão, caindo no Q2: o espanhol anotou 1m23s692, ficando em 11º; já o belga fez 1m23s853 (0s161 acima do tempo do bicampeão), assegurando o 12º lugar. A pole position para o GP da Austrália foi conquistada por Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m21s164 – 2s528 mais rápido do que Alonso. Após o qualifying, Fernando fez um relato positivo sobre a performance do MCL33 no circuito de Albert Park.

“Após os testes de inverno, você nunca sabe como será a performance na primeira classificação. Dá um certo alívio o fato de o carro andar bem. Estamos mais competitivos do que nas últimas temporadas. Neste ano, vamos nos divertir. Com exceção da Toro Rosso, somos a única equipe que passou por um processo de integração de uma nova unidade de potência com o chassis, os sistemas e o acerto, portanto ganharemos performance quando nos adaptarmos melhor ao motor Renault. Acho que nosso ritmo de corrida é melhor do que na classificação, então estamos em boas colocações de largada e marcar um bom número de pontos definitivamente é a meta. A prova de amanhã (domingo) será uma das primeiras dos últimos anos onde não precisaremos nos defender e partiremos para o ataque”, observou Alonso.

Largada do GP da Austrália de 2018: Alonso se manteve no top 10

Largada do GP da Austrália de 2018: Alonso se manteve no top 10

A corrida

Domingo, 25 de março de 2018. Diferentemente do que anunciou a meteorologia durante a semana, nenhuma gota d’água passou próxima de Melbourne no dia da corrida. Assim, o GP da Austrália abriria o calendário da Fórmula 1 com clima propício para uma excelente disputa. Como Valtteri Bottas (Mercedes) se acidentou no Q3, o finlandês trocou o câmbio e foi obrigado a alinhar na 15ª posição do grid. Assim, Alonso largaria em 10º. Calçado com pneus ultramacios, Fernando tinha como meta ser agressivo nos primeiros momentos da prova, a fim de se consolidar na zona de pontos. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o bicampeão tentou superar seu compatriota Carlos Sainz Jr. (Renault). Apesar da forte investida, o adversário se manteve em nono, obrigando Fernando a permanecer em 10º lugar.

A partir de então, a corrida de Alonso passou a ser determinada pelo ritmo de Sainz. Na volta 4, o bicampeão estava a 1s1 do madrileno. Em contrapartida, o asturiano tinha 1s6 de vantagem sobre Vandoorne, o 11º. Na 12, a pressão de Fernando sobre Carlos se intensificou. Apesar disso, o piloto da Renault prosseguiu na nona colocação. Na volta 15, os pneus ultramacios do MCL33 começaram a dar sinais de desgaste, e Sainz colocava 1s8 sobre Alonso. Era o momento de realizar a troca de pneus. A janela da primeira troca teve início na volta 18, com a parada dos líderes Lewis Hamilton (Mercedes) e Kimi Raikkonen (Ferrari). Dessa forma, Sebastian Vettel (Ferrari) assumiu a ponta. Na volta 21, Max Verstappen (Red Bull) realizou seu pit stop, fazendo com que Fernando pulasse para o nono lugar. Entretanto, foi a partir da parada dos pilotos da Haas que a etapa australiana ganhou novos contornos.

Após a largada, Alonso perseguiu Sainz, mas não conseguiu ultrapassar o compatriota

Após a largada, Alonso perseguiu Sainz, mas não conseguiu ultrapassar o compatriota

Kevin Magnussen (Haas) era um dos destaques da prova de Melbourne até então. Com um desempenho sólido, o dinamarquês ocupava um convincente quarto lugar, atrás somente de Vettel, Hamilton e Raikkonen. Porém, na volta 22, ingressou nos boxes. Na troca, um problema no equipamento que instalaria a porca na roda traseira esquerda do carro arruinou a apresentação de Magnussen. Kevin ficou parado no traçado. Nesse mesmo instante, Alonso viu Sainz errar e escapar na curva 6. Enfim, o piloto da McLaren superava o adversário da Renault. Com o dinamarquês fora e a ultrapassagem sobre o madrileno, o asturiano da McLaren ascendeu para o sétimo lugar.

Na volta 24, um infeliz déjà vu nos boxes da escuderia ianque: Romain Grosjean (Haas), que havia herdado o quarto lugar de Magnussen, padeceu do mesmo problema do companheiro. Sem a porca na roda traseira esquerda, o francês também foi obrigado a abandonar a corrida. O desespero e as lágrimas tomaram conta da equipe de Gene Haas. Com os bólidos de Kevin e Romain parados na pista, o “virtual safety car” (ou VSC) foi acionado em Melbourne. Era a deixa para Alonso, que subiu para o sexto lugar na etapa, realizar seu único pit stop. A McLaren chamou o espanhol, sacando os pneus macios e colocando os compostos macios. Dessa forma, Fernando não pararia mais. Na saída dos boxes, o bicampeão levou um susto de Verstappen, que lhe tomou a frente. Ainda assim, conseguiu ficar à frente do holandês, que cedeu o lugar para não ser punido.

Parada durante o "virtual safety car" rendeu top 5 ao bicampeão

Parada durante o “virtual safety car” rendeu top 5 ao bicampeão: mérito da estratégia da McLaren

Parar no momento certo rendeu a Alonso o quinto lugar em Melbourne. O asturiano estava atrás somente de Vettel (outro beneficiado com o VSC), Hamilton, Raikkonen e Daniel Ricciardo (Red Bull). A relargada só foi dada na volta 32. Fernando sabia que não tinha como acompanhar os quatro primeiros. Sua intenção inicial era segurar o ímpeto de Verstappen. Porém, após a bandeira verde, o holandês da Red Bull precisou se preocupar com o ataque de Nico Hulkenberg (Renault). Era um alívio momentâneo, mas que foi fundamental para Fernando. A partir da volta 34, as atenções de Max estavam voltadas para superar o carro laranja do bicampeão.

Alonso imprimia um ritmo constante, mas não abria sobre Verstappen. Além disso, permitia que Hulkenberg e Bottas andassem juntos, formando um sólido pelotão. Mesmo assim, o talentoso e técnico piloto não se intimidou com os rivais. Nem mesmo Max era capaz de tirar Fernando do prumo. Ainda que pressionasse, o holandês da Red Bull não encontrava chance de superar o espanhol da McLaren. Ao final, Alonso cruzou a linha de chegada em quinto, com 1s de vantagem sobre Verstappen. A vitória ficou com Vettel (a 48ª na carreira), seguido por Hamilton, Raikkonen e Ricciardo. Mas o top 5 com a McLaren-Renault fez o bicampeão lavar a alma. A confiança havia voltado para o semblante do samurai espanhol. Também pudera: em apenas uma corrida, igualou seus melhores resultados durante os três anos de McLaren-Honda – também havia sido quinto no GP da Hungria de 2015, em Hungaroring; no GP de Mônaco de 2016, no Principado; e GP dos Estados Unidos de 2016, em Austin.

Alonso segurou Verstappen com maestria e assegurou quinto lugar na etapa de abertura

Alonso segurou Verstappen com maestria e assegurou quinto lugar na etapa de abertura

“Estamos feliz por termos marcado pontos com os dois carros, sendo um entre os cinco primeiros (já Vandoorne foi nono). Devemos nos orgulhar disso, mas acho que há muito mais vindo da McLaren. Não maximizamos todo o potencial e nem tiramos tudo do pacote hoje (domingo). Esta é apenas a nossa primeira corrida em conjunto com a Renault, e algumas atualizações virão nas próximas corridas. Podemos começar a olhar para frente e a Red Bull será o próximo alvo. Obviamente, tivemos sorte com os dois carros da Haas abandonando, o problema de Carlos (Sainz) na curva 9 e depois com o (Max) Verstappen sob o VSC. Digamos que quatro posições vieram graças a algumas condições favoráveis, mas não cometemos erros e capitalizamos tudo. Um trabalho perfeito da equipe”, celebrou Alonso, feliz com o motor novo – e com a vida nova na F1.

Fernando ficou satisfeito com os 10 pontos; espanhol espera duelar com a Red Bull em 2018

Fernando ficou satisfeito com os 10 pontos; espanhol espera duelar com a Red Bull em 2018

Publicado em Austrália, Fernando Alonso, Haas, Kevin Magnussen, Melbourne, Romain Grosjean, Stoffel Vandoorne | Publicar um comentário

Abu Dhabi-2017: o 269º e último capítulo de Felipe Massa na F1

Felipe Massa (Williams), à frente de Fernando Alonso (McLaren): no último duelo, espanhol levou a melhor

Massa, à frente de Alonso: no duelo final, o espanhol levou a melhor, deixando o brasileiro em 10º

Ao que parece, foi para valer. Felipe Massa (Williams) encerrou sua carreira na Fórmula 1 no último dia 26 de novembro, em Yas Marina, palco do GP de Abu Dhabi de 2017. O brasileiro pendurou o capacete com um cartel respeitável: 269 GPs, 11 vitórias, 16 poles, 15 voltas mais rápidas, 41 pódios e 1.167 pontos. Foram 15 temporadas atuando na categoria máxima do automobilismo, tendo como ponto alto o vice-campeonato mundial de 2008. Boa parte desses números acabou sendo obtida quando pilotou pela Ferrari, entre 2006 e 2013. Além do carro vermelho, Massa defendeu as cores da Sauber (2002, 2004 e 2005) e da Williams (entre 2014 e 2017). Apenas no time de Grove, Felipe alcançou 5 pódios (o auge veio com o segundo lugar no GP de Abu Dhabi de 2014, em Yas Marina), 1 pole (no GP da Áustria de 2014, em Spielberg) e 1 melhor volta (no GP do Canadá de 2014, em Montreal).

Entre o primeiro ponto conquistado (com Sauber, foi sexto no GP da Malásia de 2002, em Sepang) e o último (terminou em 10º em Yas Marina-2017), muito se passou na trajetória de Massa. Vitórias incontestáveis, desempenhos abaixo das expectativas, acidentes espetaculares – sendo um que quase o matou (em Hungaroring-2009). Felipe tem história para contar. Melhor: conheceu como poucos tanto o lado bom como o ruim da Fórmula 1. Em 2017, sua campanha foi discretíssima, muito em razão da baixa eficiência do FW40 da Williams. Seus melhores resultados na temporada vieram antes do início da fase europeia – foi sexto nos GPs da Austrália, em Melbourne, e do Bahrein, em Sakhir. Apesar dos dois top 6, o desempenho mais marcante de Massa em 2017 ocorreu no GP do Brasil, em Interlagos, quando levantou o público pela última vez após conquistar o sétimo lugar.

Felipe utilizou um capacete especial para a despedida da F1 em Yas Marina

“Obrigado! Amo todos vocês!”: Felipe utilizou um capacete especial para a despedida da F1

Inspirado após a emocionante despedida do circuito paulistano, Felipe estava preparado para entrar num cockpit da Fórmula 1 pela última vez. Em Yas Marina, o veterano de 36 anos desejava encerrar seu ciclo na categoria de forma competitiva – de preferência, pontuando mais uma vez. Ao iniciar seu derradeiro fim de semana na F1, nos treinos de sexta, Massa esperava brigar novamente com os pilotos da Force India e da McLaren. Porém, a Williams não se encontrava no circuito do Oriente Médio. Após a realização dos dois primeiros tempos, Massa se viu num tímido 11º lugar, ao anotar 1m39s635. O brasileiro ficou a 1s758 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz do dia. Por outro lado, superou seu companheiro, o novato Lance Stroll (Williams), por impressionantes 0s694 – o canadense, que corria em Yas Marina pela primeira vez, marcou 1m40s329.

Sobre sua última sexta na F1, Felipe foi taxativo. “Acho que foi uma sexta-feira normal. Para ser honesto, estava tentando entender o carro e os pneus. Eu também fiz alguns bons tempos de volta. Eu não senti que nada fosse diferente ou estranho em comparação com qualquer outra sexta-feira, mas talvez quando chegarmos à primeira corrida da próxima temporada sentirei falta disso, a competição e tudo mais. Estou pronto para isso e acho que é o momento certo. A única coisa que posso dizer é que eu sou grato por tudo, então vamos ver como vai ser sábado e domingo. Espero que possamos ter uma boa corrida e terminar bem”.

No qualifying em Yas Marina, Massa conseguiu avançar para o Q3: competitivo até o fim

No qualifying em Yas Marina, Massa conseguiu avançar para o Q3: competitivo até o fim

No sábado, Massa estava concentrado em fazer o melhor em seu último qualifying na Fórmula 1. Ainda que o FW40 não oferecesse condições para brigar na parte de cima da classificação, a Williams e o brasileiro almejavam um lugar na fase decisiva do treino oficial. Tanto Felipe quanto Stroll avançaram para o Q2. Porém, na etapa intermediária do quali, o canadense ficou pelo caminho, anotando 1m39s646. Já o brasileiro se esforçou e foi recompensado com uma vaga no Q3. No fim, Massa obteve 1m38s550, sendo 1s096 mais rápido do que Lance. A marca rendeu ao veterano a 10ª posição no grid, ficando a 2s319 de Valtteri Bottas (Mercedes), pole do GP de Abu Dhabi com 1m36s231.

Ao final da sessão, Felipe se mostrou satisfeito com a façanha. Também pudera: foi mais de 1 segundo mais veloz do que um novato, que tem vaga assegurada na Williams em 2018. “Estou muito feliz com minha classificação e minha volta. Consegui entrar na Q3 e extraí o máximo do carro. Estou terminando com minha cabeça erguida, mostrando que estou no auge da competitividade. Estou muito feliz com o que alcancei e realmente ansioso pela corrida de amanhã (domingo). Seria ótimo marcar alguns pontos”, vislumbrou o brasileiro.

Largada do GP de Abu Dhabi de 2017, em Yas Marina: Massa se manteve em 10º lugar

Largada do GP de Abu Dhabi de 2017, em Yas Marina: Massa se manteve em 10º lugar

A corrida

Domingo, 26 de novembro de 2017. O pôr do sol em Yas Marina coincidia com o ocaso da carreira de Felipe Massa na Fórmula 1. Ao alinhar seu Williams FW40 de número 19 na 10ª posição do grid do GP de Abu Dhabi, o brasileiro estava a ponto de trilhar seus últimos momentos na categoria máxima do automobilismo. O veterano queria curtir o momento, travar boas disputas e, se possível, conquistar pontos. Calçando pneus ultramacios, o vice-campeão de 2008 viu as cinco luzes vermelhas se apagarem pela última vez. Ao acelerar seu bólido, deu uma patinada, permitindo que Fernando Alonso (McLaren) pudesse ultrapassá-lo. Porém, Felipe reagiu: ainda na primeira volta, conseguiu dar o troco no espanhol. Assim como em Interlagos, Massa se impunha contra Alonso, mantendo-se na 10ª colocação.

A partir de então, Felipe passava a ser perseguido por Fernando. Entretanto, os pontos de ultrapassagem de Yas Marina eram escassos. Assim, o brasileiro da Williams controlava as investidas do espanhol da McLaren – a diferença não era superior a 1 segundo. Por outro lado, Esteban Ocon (Force India) já colocava vantagem sobre Massa – na volta 5, o francês estava 2s2 à frente do veterano. Dessa forma, a última corrida do paulista se configurou em um duelo à parte contra seu ex-companheiro de Ferrari. Na volta 12, Alonso ganhou a companhia de Carlos Sainz Jr. (Renault) na perseguição ao piloto da Williams. Mesmo com o avanço dos rivais ibéricos, Felipe mantinha-se no top 10 com relativa facilidade.

Sem conseguir acompanhar Ocon, Massa liderou pelotão com Alonso e Sainz até o pit stop

Sem conseguir acompanhar Ocon, Massa liderou pelotão com Alonso e Sainz até o pit stop

Na volta 17, teve início a janela de parada de boxes. Em geral, as equipes planejaram somente um pit stop para a corrida de Yas Marina. Com a ida de Sergio Pérez (Force India) para a troca de pneus, Massa assumiu provisoriamente o nono lugar. Após a parada de Nico Hulkenberg (Renault) na volta 18, o brasileiro ascendeu para oitavo. Na 21, Daniel Ricciardo (Red Bull) abandonava com problemas hidráulicos, o que colocava Felipe em sétimo. Nesta mesma volta, Alonso ingressou nos boxes. Foi a deixa para a Williams chamar o veterano para seu único (e último) pit stop – afinal, com pneus novos, a tendência era o bicampeão ultrapassar o paulista. Na volta 22, Massa entrou no pit. O time sacou os usados compostos ultramacios e os substituiu por um jogo de supermacios.

No retorno à pista, na volta 23, Felipe conseguiu sair à frente de Fernando, na 11ª posição. Era a fiel repetição do que havia ocorrido em Interlagos. Todavia, o espanhol tinha pneus aquecidos, e aproveitou-se desse fator para ultrapassar o brasileiro. Assim, Alonso subia para 11º, e Massa caía para 12º. Ainda que sofresse com a falta de potência do motor Honda, o bicampeão tinha um carro mais equilibrado que o piloto da Williams. Dessa forma, o asturiano sumia à frente do paulista. Na volta 28, Fernando já colocava 3 segundos sobre Felipe. Era o fim da possibilidade de o brasileiro bater novamente o espanhol.

Massa perdeu posição para Alonso após a parada nos boxes, mas lugar no top 10 estava consolidado

Massa perdeu posição para Alonso após a parada nos boxes, mas lugar no top 10 estava consolidado

Com Alonso inalcançável, a consolação para Massa era retornar ao top 10. Para isso, bastava aguardar as paradas de Sainz e de Romain Grosjean (Haas). Na volta 32, o espanhol da Renault se encaminhou aos boxes. Contudo, o time francês não prendeu a porca da roda dianteira esquerda, e Carlos deixou o pit mesmo assim. Logo na saída dos boxes, o madrileno escapou de um acidente sério. Metros depois, Sainz parou seu carro. Assim, sem esforço, Felipe assumiu o 11º lugar. Na 33, foi a vez de Grosjean se encaminhar aos boxes. O francês da Haas fez a troca sem problemas, retornando atrás do brasileiro da Williams. Assim, o veterano estava mais uma vez na zona de pontuação.

Na volta 34, Massa estava a 4 segundos de Alonso, mas tinha 13 segundos de vantagem para Grosjean. O top 10 estava assegurado. Bastava levar o FW40 para casa. E Felipe o fez com dignidade, aproveitando cada momento, cada acelerada, cada freada, cada contorno de curva. O GP de Abu Dhabi de 2017 foi vencido por Valtteri Bottas (Mercedes). O finlandês, companheiro de Massa na Williams entre 2014 e 2016, obteve sua terceira vitória na carreira, assegurando o terceiro lugar no Mundial. Com o tetra assegurado no México, Lewis Hamilton (Mercedes) foi burocrático e ficou em segundo, seguido por Sebastian Vettel (Ferrari), que, com o pódio, conquistou o vice-campeonato. Décimo em Yas Marina, Massa não se conteve e celebrou com o vencedor Bottas e o campeão Hamilton, fazendo ‘zerinhos’ com a dupla da Mercedes.

Após a bandeirada, Massa se juntou a Bottas (vencedor em Yas Marina) e Hamilton (campeão de 2017) na 'festa dos zerinhos'

Massa se juntou a Bottas (1º em Yas Marina) e Hamilton (campeão de 2017) na ‘festa dos zerinhos’

Após a apoteose da carreira no Oriente Médio, Felipe fez uma avaliação sobre sua última corrida. “É uma grande sensação. Posso dizer que estou muito orgulhoso de tudo o que consegui, de todos os 16 anos e de todas as incríveis corridas e das ótimas pessoas que conheci no paddock, correndo contra os melhores pilotos do mundo. Para ser honesto, tenho muita sorte de ter tido tudo isso na minha vida, então, graças à minha família e a Deus por todas essas oportunidades incríveis. A corrida foi boa, eu estava lutando desde o início até o fim. Infelizmente, perdemos a posição para Alonso após o pit stop, mas estou realmente feliz no geral”.

Impressões finais

Felipe: "Depois da bandeirada do GP de Abu Dhabi, decidi fazer algo especial - que não está previsto nas regras da FIA. Mas, depois de 15 anos de F1, tenho certeza de que isso será perdoado"

Felipe: “Após o GP, decidi fazer algo especial (‘zerinhos’). Tenho certeza de que será perdoado”

Em sua última coluna da Motorsport Brasil como piloto de Fórmula 1, Massa resumiu as sensações de Yas Marina. Além disso, traçou planos para o futuro. Confira o texto na íntegra.

“Depois da bandeirada do GP de Abu Dhabi, decidi fazer algo especial – que não está previsto nas regras da FIA. Mas, depois de 15 anos de F1, tenho certeza de que isso será perdoado. Após a volta de desaceleração, fui com meu carro à linha de chegada com os dois pilotos da Mercedes para comemorar com um espetacular zerinho. Fiquei muito feliz em receber as felicitações de Valtteri Bottas e Lewis Hamilton, mas, acima de tudo, em ter a oportunidade de agradecer a todos que me acompanharam nessa longa jornada.

"Eu fiquei muito feliz com os resultados do Brasil e de Abu Dhabi, onde não acho que seria possível conquistar mais do que conquistei"

“Fiquei muito feliz com os resultados do Brasil e de Abu Dhabi. Não seria possível conquistar mais”

Sinto que sou uma pessoa muito sortuda. Completei minhas ambições ao concluir uma carreira de sonhos realizados que tive quando criança. E, quando você vive uma história tão bonita, é preciso agradecer a todos que o ajudaram neste caminho. E isso começa com minha família, que não perdeu a oportunidade de me dar o maior apoio possível – especialmente nos momentos mais difíceis. Acho que as últimas corridas mostraram como eu era querido como um piloto de F1. Eu fiquei muito feliz com os resultados do Brasil e de Abu Dhabi, onde não acho que seria possível conquistar mais do que conquistei.

Foi importante terminar a longa jornada de minha carreira de forma tão positiva, e, até os metros finais de minha carreira na F1, mostrei que sou um profissional que pode trazer uma boa contribuição à equipe. Em Yas Marina, começamos o fim de semana com bom ritmo, e chegamos à classificação com a esperança de chegar ao Q3. Foi a meta que alcançamos – e poder superar outros carros competitivos mostra o progresso que tivemos nos estágios finais da temporada. Isso me deixou particularmente satisfeito. Antes da corrida, pensei que a largada seria crucial para tentar nos ajudar a marcar pontos.

Duas semanas depois de nosso longo duelo em Interlagos, me encontrei novamente em uma dura batalha com meu velho companheiro de equipe

“Me encontrei novamente em uma dura batalha com Alonso, meu velho companheiro de equipe”

Sabemos como é difícil ultrapassar em Abu Dhabi, e eu fiquei feliz em passar Fernando Alonso no começo. Duas semanas depois de nosso longo duelo em Interlagos, me encontrei novamente em uma dura batalha com meu velho companheiro de equipe. Pude controlar a situação até o pit stop, sem nenhum problema em particular. Depois da troca de pneus, forcei muito para evitar ser ultrapassado, e, após meu pit stop, voltei à pista praticamente colado em seu carro. Infelizmente, naquele momento, a carga da parte híbrida do meu carro não era a ideal, e Fernando pôde me ultrapassar. Não havia nada que eu pudesse fazer para evitar, mas, pelo menos, a meta de pontuar não me escapou completamente, já que consegui terminar em 10º.

Depois de cumprimentar vários amigos em Yas Marina no domingo à noite, vou descansar. Muitas pessoas me perguntaram quais são meus planos para o futuro, mas ainda é muito cedo para dar uma resposta precisa. Tenho várias oportunidades e vou decidir de maneira calma. A única certeza é que vocês me verão no automobilismo novamente. É o mundo que sonhei quando criança e no qual tive sorte o suficiente para viver até agora”.

"Vou descansar. A única certeza é vocês me verão no automobilismo novamente"

“Vou descansar. A única certeza é que vocês me verão no automobilismo novamente”

Publicado em Abu Dhabi, Esteban Ocon, Felipe Massa, Fernando Alonso, Force India, Haas, Lance Stroll, McLaren, Romain Grosjean, Sergio Pérez, Williams, Yas Marina | Publicar um comentário

Brasil-2017: Massa se despede de Interlagos com 7º lugar

Com Felipinho, Felipe Massa (Williams) teve um pódio especial para celebrar o 7º lugar em Interlagos: adeus com estilo

Com Felipinho, Felipe Massa (Williams) celebrou no pódio o 7º lugar em Interlagos: adeus com estilo

Felipe Massa viveu de tudo em seus 15 anos de Fórmula 1. Demonstrou potencial em suas três temporadas na Sauber. Depois, alcançou o auge na Ferrari, onde venceu 11 corridas e quase sagrou-se campeão (em 2008). Ainda na Rossa, teve o seu pior momento – o acidente nos treinos para o GP da Hungria de 2009, em Hungaroring. A molada em seu capacete quase lhe custou a vida, mas ele seguiu em frente. Entretanto, sua carreira nunca mais seria a mesma. Entre 2010 e 2013, dividiu a Scuderia com Fernando Alonso, sendo constantemente superado pelo espanhol. Após oito temporadas no time de Maranello, desembarcou na Williams, onde teve bons e maus momentos. No fim de 2016, chegou a anunciar sua aposentadoria, que foi revista após a retirada de Nico Rosberg e a ida de Valtteri Bottas para a Mercedes. O inusitado retorno foi algo único na categoria máxima do automobilismo. Mas, ao fim de 2017, Felipe se viu novamente sem alternativa na F1. A única saída possível era pendurar novamente o capacete ao fim desta temporada.

Em 2016, Massa teve uma despedida apoteótica, digna pelo conjunto de sua obra nas pistas. Em Interlagos, palco do GP do Brasil daquele ano, Felipe foi saudado por todo o paddock. Envolto às lágrimas e com a bandeira brasileira nas costas, o veterano caminhava defronte às arquibancadas após sofrer um acidente sob chuva. Talvez não fosse a melhor forma de dar adeus aos seus torcedores. Mas a vida prega boas novas. De repente, ele se via novamente no cockpit da Williams. E, mais uma vez, se viu obrigado a anunciar uma ‘segunda aposentadoria’ – explica-se: a escuderia de Grove manterá Lance Stroll para 2018, e busca um piloto com bom aporte financeiro para a próxima temporada. O time de Frank Williams não demonstrou interesse na permanência do brasileiro.

Após se despedir do público brasileiro em 2016, Massa recebeu nova chance em 2017: desta vez, sem acidente

Após se despedir de Interlagos em 2016, Massa recebeu nova chance em 2017: desta vez, sem acidente

Assim, antes de qualquer movimento da equipe, Massa se antecipou e anunciou sua retirada da F1 às vésperas do GP do Brasil de 2017, em Interlagos. Novamente, Felipe estava diante de uma despedida do circuito que testemunhou duas vitórias dele (em 2006 e 2008). O fim seria o mesmo: sob lágrimas e saudações dos torcedores. Contudo, desta vez, o brasileiro queria mais do que ver a bandeirada. De preferência, realizar uma apresentação digna de sua história. A Fórmula 1 permitiu uma segunda despedida a Massa. E, felizmente, a realidade presenteou o piloto da Williams no último domingo. Ao cruzar a linha de chegada, Felipe vibrou como nos velhos tempos de Ferrari. Sem dúvida, a segunda despedida foi em melhor estilo do que a primeira – levando um ótimo sétimo lugar e sendo combativo o tempo todo. De quebra, derrotou seu velho algoz na Scuderia, Fernando Alonso (McLaren). Foi um fim de semana mais do que perfeito para o brasileiro.

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP do Brasil, Massa estava determinado a fazer um bom papel em casa. Em Interlagos, Felipe acelerou seu FW40 como raramente se viu em 2017. Abaixo do nível de Mercedes, Ferrari e Red Bull, a Williams traçou uma meta para a etapa brasileira: bater os carros da Force India e da McLaren. E isso pôde ser visto no primeiro treino livre – sessão na qual foram anotados os melhores tempos de sexta (devido à alta temperatura registrada na tarde, as marcas foram mais lentas no segundo treino livre). Massa anotou um excelente sétimo tempo, em 1m10s102. O brasileiro só foi superado pelo trinca das principais equipes de 2017, ficando a 0s900 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais rápido do dia com 1m09s202.

Felipe estava determinado a fazer o seu melhor em Interlagos: no quali, frustração com Sainz

Felipe estava determinado a fazer o seu melhor em Interlagos: no quali, frustração com Sainz

Para ter uma ideia do quão veloz foi Massa na sexta, seu tempo foi 0s530 mais veloz do que o anotado pelo seu companheiro de equipe, Lance Stroll. O canadense fez 1m10s632, conquistando o 11º lugar. Nesse caso, a experiência fez a diferença – Felipe conhece bem Interlagos, enquanto Lance tinha seus primeiros contatos com o circuito. No fim do dia, o brasileiro mostrou-se satisfeito com o desempenho. “Foi uma boa sexta-feira. Conseguimos fazer alguns bons tempos de volta, e acho que o nosso ritmo no stint longo é semelhante a muitos dos carros em que estamos lutando. Será uma luta difícil na nossa frente, mas tentaremos tudo o que pudermos”, afirmou.

Massa seguiu confiante no sábado, dia do treino oficial que definia o grid para o GP do Brasil. O brasileiro levantava as arquibancadas de Interlagos cada vez que baixava seu tempo. Com o acidente de Lewis Hamilton (Mercedes), no Q1, e com a punição prevista a Daniel Ricciardo (Red Bull) – o australiano trocou peças de sua unidade de potência e perderia 10 posições no grid -, Felipe viu boas possibilidades de conquistar a melhor colocação de largada na temporada (o máximo que conseguiu em 2017 foi o sexto lugar no grid dos GPs da China, em Xangai, e da Rússia, em Sochi). O quinto lugar era algo palpável, sobretudo após anotar um excelente tempo no Q2 (que lhe renderia o top 5 na largada). Entretanto, em sua volta lançada no Q3, Massa foi atrapalhado por Carlos Sainz Jr. (Renault). Felipe perdeu tempo e a concentração, ficando em 10º, com 1m09s841.

Após realizar excelentes Q1 e Q2, Massa foi apenas o 10º no Q3: com punição a Ricciardo, largaria em nono

Massa foi apenas o 10º no Q3 de Interlagos: com punição a Ricciardo, largaria em nono

A marca do brasileiro ficou 1s519 acima da obtida por Valtteri Bottas (Mercedes), pole do GP do Brasil com 1m08s322 – recorde histórico da pista paulistana. Mesmo com o tempo aquém do esperado, Massa foi 0s935 mais veloz do que Stroll – seu companheiro de Williams anotou 1m10s776, ficando em 18º. “Fiquei muito feliz na classificação até o Q3, quando perdi uma volta, porque um piloto (Sainz) me prejudicou você de propósito. Isso é realmente decepcionante. Eu acho que se você comete um erro é algo, mas isso não foi um erro, foi de propósito. Estou muito desapontado e falei com ele”, disparou Felipe que emendou. “Estava chovendo um pouco na última volta e não consegui uma volta perfeita. Infelizmente, não estou largando na posição que eu deveria estar”. Por outro lado, Sainz se defendeu. “É uma acusação muito forte dizer que fiz algo de propósito. Hoje (sábado), na classificação, nunca assumi o risco de bloquear alguém”.

Largada do GP do Brasil de 2017: após saltar bem, Massa entrou no S do Senna em sétimo

Largada do GP do Brasil de 2017: após saltar bem, Massa entrou no S do Senna em sétimo

A corrida

Autódromo Internacional José Carlos Pace, Interlagos, São Paulo, 12 de novembro de 2017. Quase um ano depois de emocionar o País com sua despedida, Felipe Massa voltava ao grid da pista que fez dele o primeiro brasileiro a vencer o GP do Brasil desde Ayrton Senna (em 1993). O piloto da Williams alinhou seu FW40 na nona colocação – ele ganhou uma posição após a punição dada a Daniel Ricciardo (Red Bull). Sob um forte calor e calçando pneus supermacios, o veterano partiu preparado para fazer seu melhor. Afinal, a última impressão é a que fica. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Massa parecia o garoto arrojado que encantou a Ferrari, e não aquele experiente piloto que se arrastava para um fim melancólico de carreira.

Logo nos primeiros metros da corrida, Felipe superou Carlos Sainz Jr. (Renault) e Nico Hulkenberg (Renault), contornando o S do Senna em sétimo, lado a lado com Sergio Pérez (Force India). Após tracionar melhor que o mexicano na Curva do Sol, o brasileiro assumiu o sexto lugar na Reta Oposta. Atrás de Massa, ocorreram duas confusões. Na Curva do Sol, Ricciardo levou um toque de Stoffel Vandoorne (McLaren), que, por sua vez, acabou sendo abalroado por Kevin Magnussen (Haas). O australiano seguiu na corrida, mas o belga e o dinamarquês abandonaram a prova. Já no Laranjinha, Romain Grosjean (Haas) entrou numa disputa suicida contra Esteban Ocon (Force India). Grosjean rodou e atingiu Ocon. Romain seguiu na etapa, enquanto Esteban conheceu seu primeiro abandono na Fórmula 1 após 28 GPs na carreira. Diante desses incidentes, o safety car ingressou na pista.

Felipe se aproveitou da entrada do safety car para superar Alonso na relargada: incrível quinto lugar

Felipe se aproveitou da entrada do safety car para superar Alonso na relargada: incrível quinto lugar

A presença do carro de segurança foi excelente para Massa. Na sexta posição, o brasileiro tinha Fernando Alonso (McLaren) à sua frente. Com sua Williams impulsionada com motor Mercedes, Felipe teria boa possibilidade de superar Alonso na relargada. Também pudera: o espanhol carregava o pouco potente motor Honda. Quando o safety car deixou a pista, na volta 6, Massa se aproveitou da potência de seu propulsor para superar Alonso na freada do S do Senna, para delírio do público presente em Interlagos. Felipe era quinto, estando atrás somente de Sebastian Vettel (Ferrari), o líder; Valtteri Bottas (Mercedes), o segundo; Kimi Raikkonen (Ferrari), o terceiro; e Max Verstappen (Red Bull), o quarto.

A partir daí, Massa não tinha muito a fazer, a não ser administrar o ímpeto de Alonso. A McLaren do espanhol tinha mais equilíbrio no trecho sinuoso do circuito. Contudo, na hora de executar a ultrapassagem, a Williams do brasileiro abria nos trechos de reta. Era uma verdadeira “disputa de gato e rato”. Por mais que Felipe tentasse colocar vantagem, Fernando se mostrava empenhado a não deixar o adversário abrir. Na volta 13, Massa estava a 5s de Verstappen. Por outro lado, colocava 1s sobre Alonso. Atrás do asturiano, Lewis Hamilton (Mercedes) ultrapassava Pérez e assumia a sétima colocação. O britânico, que largou dos boxes, ignorava a todo e qualquer adversário. Logo, Hamilton colou em Alonso. Na volta 20, o recém-coroado tetracampeão ultrapassou o bicampeão em plena Reta dos Boxes. Na 21, Felipe bem que tentou resistir, mas foi batido por Lewis antes da freada da Descida do Lago.

Massa bem que tentou barrar a recuperação de Hamilton, mas o tetracampeão ultrapassou o brasileiro no Lago

Massa tentou barrar a recuperação de Hamilton, mas o tetracampeão ultrapassou o brasileiro no Lago

Massa deixava o top 5, caindo para sexto, e voltava a ser incomodado por Alonso, o sétimo, e por Pérez, o oitavo. Na volta 26, Ricciardo encostou no pelotão liderado pelo brasileiro. Naquele momento, a vida útil dos pneus supermacios de Felipe estava no final. Era necessário fazer o pit stop. Na volta 27, a Williams chamou Massa para os boxes. Na troca, os mecânicos do time de Grove sacaram os compostos supermacios e colocaram a borracha macia (a mais durável do fim de semana). Assim, o brasileiro realizaria um único pit. No retorno à pista, ocupava o 11º lugar. Na passagem seguinte, Alonso fez sua parada. Na volta, quase o espanhol superou o brasileiro. Todavia, Fernando seguia atrás do FW40, e Felipe recuperava seu lugar no top 10.

Com o pit stop de Hulkenberg, na volta 30, Massa ascendeu para o nono lugar. Na 31, foi a vez de Sainz, o outro piloto da Renault, realizar sua parada. Assim, Felipe era o oitavo, sempre seguido por Alonso, o nono. Na volta 36, Pérez foi aos boxes, fazendo com que o brasileiro fosse alçado para o sétimo lugar, e o espanhol, para o oitavo. À frente de Massa, estava Ricciardo, que fazia prova de recuperação. O australiano ainda precisaria realizar sua única parada. Só havia um porém: como largou com pneus macios, Daniel faria sua troca e retornaria com compostos supermacios. Dessa forma, Ricciardo voaria nas últimas voltas, sendo praticamente impossível segurar o ataque do adversário.

Após ser superado por Ricciardo, Massa teve que lidar com o ímpeto de Alonso: duelo acirrado

Após ser superado por Ricciardo, Massa teve que lidar com o ímpeto de Alonso: duelo acirrado

Na volta 44, Ricciardo realizou seu pit. No retorno à pista, o piloto da Red Bull estava em oitavo, logo atrás de Massa, o sexto, e Alonso, o sétimo. Sem pestanejar, Daniel atacou Fernando, tomando-lhe a sétima posição na volta 45. Duas voltas depois, o australiano ultrapassou Felipe no S do Senna. Assim, Ricciardo era o sexto, Massa, o sétimo, e Alonso, o oitavo. Como não tinha como atacar Daniel, Felipe passou a se preocupar com seu ritmo, sem perder Fernando dos seus retrovisores. Gerenciar os pneus passou a ser o mantra do brasileiro da Williams, que queria o sétimo lugar a todo custo. Também pudera: ficar atrás de Mercedes, Red Bull e Ferrari nos dias atuais se tornou algo natural para o restante do grid. Assim, chegar na sétima posição passou a ser o foco de desejo dos demais do grid. Quem ali termina pode se considerar o “vencedor moral” de uma corrida.

Massa ansiava pelo top 7, mas não era o único. Alonso e Pérez estavam ávidos pela posição de Felipe. Na volta 60, o brasileiro mantinha 1s de vantagem sobre o espanhol e 3s2 sobre o mexicano. O piloto da Williams determinava o ritmo do adversário da McLaren, permitindo, assim, a aproximação do rival da Force India. Na volta 65, Massa, Alonso e Pérez estavam separados por apenas 1s2. A pior situação era do bicampeão, que, com o motor Honda, era incapaz de superar Felipe e poderia ser presa fácil de Checo. Estava difícil para Massa segurar o sétimo lugar. Seus pneus macios estavam em frangalhos. Porém, era sua última chance de brilhar na frente dos seus fãs. Como há muito não se via, o brasileiro foi combativo, resistindo às investidas finais de Alonso e Pérez. Pronto: o sétimo lugar, com direito a melhor desempenho no ano, era de Felipe.

Felipe segurou Alonso e Pérez, assegurando um excelente sétimo lugar na despedida: emoção após a bandeirada

Felipe segurou Alonso e Pérez, assegurando um ótimo 7º lugar em casa: emoção após a bandeirada

A vitória no GP do Brasil ficou com Vettel (a 47ª do alemão na F1). Bottas terminou em segundo, Raikkonen em terceiro e Hamilton em quarto (a 5s4 do vencedor). Ao receber a bandeirada, Massa não se conteve e extravasou. “Aê, porra! Vamo, porra!”, berrou, sem se importar com o palavrão. Cabia para o momento. Felipe vibrou bastante, satisfeito com a apresentação que acabara de proporcionar ao público. Depois, carregou uma bandeira verde pelo autódromo que o consagrou na F1. Antes de chegar aos boxes, ouviu uma mensagem especial do filho, Felipinho: “Pai, estou muito orgulhoso de você. Eu vou apoiá-lo onde quer que você vá. Por sinal, amei a sua largada!”, disse o garoto. “Te amo, filho. Te amo”, respondeu Massa, já às lágrimas.

Ao entrar no pit lane, viu Alonso, seu ex-companheiro de Ferrari e grande rival no GP do Brasil de 2017, aplaudindo-o. Era o reconhecimento de um dos melhores pilotos dos últimos tempos ao brasileiro. Ao deixar o carro, o piloto da Williams agradeceu ao público, abraçou mecânicos e engenheiros e distribuiu beijos ao ar. Após a cerimônia de pódio e da entrevista com Vettel, Bottas e Raikkonen, uma surpresa agradou em cheio à torcida que invadia o asfalto de Interlagos: Felipe foi chamado ao rol dos vencedores, acompanhado pelo filho e por Rubens Barrichello, brasileiro que correu na F1 entre 1993 e 2011 e que até hoje detém o recorde de mais GPs disputados na categoria – 326. Curiosamente, nunca os dois haviam estado num pódio da F1 juntos. “Obrigado por tudo o que passamos juntos, por todo o apoio”, disse Massa a Barrichello, que, diferentemente do compatriota – que teve duas despedidas -, não saboreou o adeus à F1.

Massa empunha bandeira verde após chegar em sétimo: palavrão e mensagem de Felipinho emocionaram a F1

Massa empunha bandeira verde após chegar em sétimo: mensagem de Felipinho emocionou a F1

À Rubens, Felipe revelou como foi alcançar o sétimo lugar no GP do Brasil de 2017. “Estou realmente emocionado por todos vocês (torcedores). Valeu como uma vitória para mim. Eu vou sentir muita falta. A emoção foi imensa, e esse é um dia que nunca vou esquecer na minha vida”, disse. “A energia que senti me impulsionou a fazer a melhor corrida que pude. Estou tão feliz pela minha corrida, fiz o melhor que o carro conseguiu. Muito obrigado todos vocês. Eu amo vocês. Muito obrigado”, completou Massa.

Já fora do pódio, o piloto da Williams analisou seu desempenho. “Foi um resultado tão surpreendente e uma sensação incrível de passar por tudo isso nessa altura da carreira. A corrida de hoje (domingo) foi perfeita, do começo ao fim. Uma largada incrível, ultrapassando alguns carros, depois uma maravilhosa relargada após o carro de segurança, passando Alonso. Eu sabia que seria muito importante passar por ele para minha corrida e resultado. Consegui mantê-lo atrás, mesmo sem pneus no final. Termino com a cabeça erguida, é o mais importante, neste lugar que é maravilhoso para mim. A única coisa que posso dizer é obrigado, vou sentir falta de todos vocês”, concluiu Felipe, que ainda tem uma prova a fazer nesta temporada – o GP de Abu Dhabi, em Yas Marina.

Massa e Rubens Barrichello no pódio de Interlagos: curiosamente, foi a primeira vez que estiveram juntos num pódio da F1

Massa é entrevistado por Rubens Barrichello: foi a primeira vez que estiveram juntos num pódio da F1

Contudo, após o fim deste campeonato, o Brasil não terá representantes na Fórmula 1. Pela primeira vez em 48 temporadas, a categoria não contará com um piloto brasileiro no grid. Que a última imagem de Massa em Interlagos – no pódio, sendo celebrado – seja combustível para que, num futuro próximo, o País volte a ter representantes na F1.

Massa e a bandeira brasileira no pódio: após 48 temporadas, nada de Brasil na F1: momento de reflexão do automobilismo brasileiro

Massa, a bandeira brasileira no pódio e a reflexão: após 48 anos, nada de Brasil na Fórmula 1

Publicado em Esteban Ocon, Fernando Alonso, Haas, Kevin Magnussen, McLaren, Rubens Barrichello, Sergio Pérez, Stoffel Vandoorne, Uncategorized | 2 Comentários