Brasil-2016: Felipe Nasr, o ‘santo de casa que faz milagre’

Com justiça, Felipe Nasr (Sauber) celebra o nono lugar no GP do Brasil de 2016, em Interlagos: sufoco e alívio

Felipe Nasr (Sauber) celebra o nono lugar no GP do Brasil de 2016, em Interlagos: sufoco e alívio

Segundo o provérbio popular, “santo de casa não faz milagre”. Em uma breve explicação, esse termo é utilizado em alusão a pessoas que custam a ser reconhecidas em seu reduto – seja a própria terra, ou o ambiente de trabalho. Em Interlagos, palco do chuvoso GP do Brasil de 2016, Felipe Nasr (Sauber) acelerou contra esse dito. Contestado dentro da escuderia suíça, o brasileiro tratou de pisar fundo na pista molhada. Nasr ignorou o fraco equipamento e fez milagre ao alcançar o nono lugar na etapa tupiniquim, realizada no último domingo. Foram os primeiros pontos do brasiliense e da Sauber na temporada. Não só isso: os dois pontos levaram sua equipe a sair do zero e ficar à frente da Manor no Mundial de Construtores. O time comandado por Monisha Kaltenborn subiu para o 10º lugar na classificação, e dificilmente será superado pela rival.

A proeza de Nasr no GP do Brasil de 2016 provavelmente renderá 40 milhões de euros à Sauber. Como apenas os 10 primeiros construtores do ano recebem recursos financeiros da FIA, e há apenas uma corrida para o fim do campeonato – o GP de Abu Dhabi, em Yas Marina -, a escuderia só perderá a bolada caso a Manor conquiste uma nona posição no Oriente Médio. O inesperado nono lugar do brasiliense foi celebrado pelos incrédulos torcedores brasileiros que preenchiam as arquibancadas de Interlagos. Após se emocionarem com a despedida de Felipe Massa (Williams), o público reverenciou o piloto de 24 anos após a excelente apresentação na prova paulistana.

Nasr chegou a Interlagos sob pressão: brasileiro não tem cockpit assegurado para 2017

Nasr chegou a Interlagos sob pressão: brasileiro não tem cockpit assegurado para 2017

Além de celebrado pela torcida, o resultado de Nasr acabou sendo um banho de água fria na cúpula da Sauber. Em baixa na equipe e sem a confirmação do apoio do Banco do Brasil para sua permanência para 2017, Felipe via seu cockpit ser rifado. Com a conquista dos dois pontos, o brasileiro passou a ficar próximo de renovar seu vínculo com o time de Hinwil para o próximo ano. Esse cenário era inimaginável antes da etapa de Interlagos. Durante a semana, Nasr foi constantemente questionado a respeito de seu futuro na Fórmula 1. “Eu sempre mantive a porta aberta aqui na Sauber. Porém, não tenho medo
de não estar aqui (na F1), embora nada nesta vida seja garantido”, disse o piloto, em entrevista à revista alemã Speed Week.

De fato, a situação de Nasr antes da corrida parecia insustentável. A chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn, havia admitido que Felipe não tinha vaga garantida no time suíço para 2017. “Sim, vivemos momentos de estresse”, afirmou a dirigente à TV Globo. Além de revelar preocupação com os problemas do patrocínio do Banco do Brasil, Monisha adiantou que conversava com outros postulantes ao cockpit da Sauber para o próximo ano. “Temos pilotos interessados em nós, mas eu também diria que Felipe é um dos pilotos em nossa lista”, sentenciou. Um deles seria Pascal Wehrlein (Manor). Segundo a Autosport, caso Wehrlein se transferisse para o time suíço, Nasr poderia ser seu substituto.

Felipe teve uma boa sexta: foco na preparação do carro para pista molhada

Felipe tem um bom ‘padrinho’ para a sua manutenção na F1 na próxima temporada: Bernie Ecclestone

Diante do impasse criado na Sauber e da possibilidade de Nasr não figurar no grid em 2017, uma peça passou a se movimentar nos bastidores. Bernie Ecclestone, o octogenário todo-poderoso da Fórmula 1, mostrou interesse na permanência de Felipe na categoria. Ciente de que a falta de um piloto do país poderia representar o declínio da F1 no Brasil, o britânico foi direto sobre as chances do brasiliense prosseguir no ‘circo’. “Espero que sim, eu realmente quero vê-lo no grid em 2017”, afirmou Ecclestone, ressaltando que tem ajudado o brasileiro na sua missão. “Sim, e continuarei ajudando, mas não tenho a capacidade de impor um piloto para uma equipe”, observou o inglês.

Em meio à indefinição sobre seu futuro, Nasr tentou concentrar seus esforços para a disputa do GP do Brasil. Em Interlagos, o brasileiro queria cumprir um bom papel, que lhe rendesse uma oportunidade para 2017. A bordo do fraco C35 da Sauber, Felipe até fez um bom papel na sexta, primeiro dia de treinos no circuito paulistano. Ao fim das duas sessões livres, Nasr foi o 17º mais veloz, com 1m14s309. Felipe ficou 0s386 à frente de seu companheiro no time suíço, Marcus Ericsson, que fez 1m14s695. Em contrapartida, o brasiliense foi 2s038 mais lento do que Lewis Hamilton (Mercedes), o mais rápido da sexta, com 1m12s271.

Nasr teve um qualifying decepcionante: tráfego fez com que anotasse o pior tempo da sessão

Nasr teve um qualifying decepcionante: tráfego fez com que anotasse o pior tempo da sessão

Após os treinos, Nasr se mostrou satisfeito com o desempenho do C35. “Em primeiro lugar, é ótimo estar de volta ao Brasil e estar dirigindo na frente da minha torcida. Em termos das sessões de treinos, foi um dia positivo. Nós pudemos trabalhar com nosso programa hoje (sexta). Eu sinto que podemos melhorar o equilíbrio do carro, embora já tenhamos feito melhorias para a sessão da tarde. Fomos capazes de fazer os ajustes certos no carro para as condições mais quentes no segundo treino livre. Diante da possibilidade de chuva para o GP do Brasil, amanhã (sábado) teremos que antecipar o acerto para a corrida, a fim de tirar o melhor proveito do carro”.

Para o sábado, dia de definição do grid para a etapa brasileira, Felipe não tinha muita pretensão. Avançar para o Q2 estava fora de cogitação. Todavia, Nasr não esperava ser o 22º e mais lento do qualifying. O brasileiro anotou 1m13s681, ficando a 0s058 de Ericsson – 21º, com 1m13s623, e a 2s945 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole com 1m10s736. “Estou bastante desapontado com este resultado. Eu vinha em uma boa volta, mas encontrei tráfego no último trecho, o que me custou tempo na Subida dos Boxes até a linha de chegada. Também tive uma falha de ignição no final desta volta. Minhas chances de fazer um bom tempo desapareceram. Estou decepcionado por não ter feito uma volta limpa. Agora, vou me concentrar para amanhã (domingo). Tudo pode acontecer aqui por causa das condições do tempo. Vou me manter otimista para minha corrida em casa”.

Sob chuva, o GP do Brasil de 2016 teve sua largada dada sob a intervenção do safety car

Sob chuva, o GP do Brasil de 2016 teve sua largada dada sob a liderança do safety car

A corrida

Domingo, 13 de novembro de 2016. Ao amanhecer, o ‘circo’ tinha plena convicção de que a meteorologia havia acertado em cheio. Uma chuva incessante caiu sobre São Paulo. A previsão era de que a precipitação não daria trégua aos 22 participantes do GP do Brasil, em Interlagos. De fato, ela foi personagem central da disputa. Antes mesmo da largada, a água fez uma vítima: Romain Grosjean (Haas), sétimo no grid, perdeu o controle de seu bólido e bateu no início da Subida dos Boxes. Com a pista encharcada, a direção de prova decidiu adiar a largada por 10 minutos. Depois disso, definiu que o início da corrida aconteceria com a presença do safety car. Sem Grosjean, e com a punição dada a Esteban Ocon (Manor) – que caiu para último no grid -, Felipe começava a etapa na 20ª posição.

Piloto do safety car, Bernd Maylander liderou o pelotão por sete intermináveis voltas. Quando o alemão deixou a pista, Interlagos viu muito spray e aquaplanagem. Calçando pneus para chuva intensa, Nasr saltou bem, superando Marcus Ericsson (Sauber), Esteban Gutiérrez (Haas) e Pascal Wehrlein (Manor). Além disso, contou com as paradas no box de Jenson Button (McLaren) e Kevin Magnussen (Renault) para assumir o 15º lugar na volta 8. A ascensão de Felipe prosseguiu na passagem seguinte, graças a uma tentativa de mudança de estratégia de seus adversários, colocando pneus intermediários. Com o pit stop de Sebastian Vettel (Ferrari), Valtteri Bottas (Williams), Felipe Massa (Williams), Fernando Alonso (McLaren), Jolyon Palmer (Renault) e Daniil Kvyat (Toro Rosso), o brasileiro da Sauber subiu para nono.

Nasr saltou para os primeiros lugares depois do acidente de Marcus Ericsson, na volta 12

Nasr saltou para os primeiros lugares depois do acidente de Marcus Ericsson, na volta 12

Na volta 12, Ericsson perdeu o controle de seu Sauber na Curva do Café, rodou e destruiu seu bólido. Com os detritos do carro do sueco, a direção de prova optou por nova entrada do safety car. Naquela mesma passagem, Daniel Ricciardo (Red Bull) ingressou nos boxes, fazendo com que Nasr assumisse a oitava posição. Houve bastante demora para remover os restos do carro de Ericsson. Isso fez com que Maylander seguisse à frente do pelotão por mais seis voltas. Quando o safety car se retirou da pista, na volta 19, Kimi Raikkonen (Ferrari) aquaplanou em plena Reta dos Boxes e bateu no pit wall. Felizmente, o finlandês não foi atingido por nenhum adversário. Com o acidente, a direção de prova agitou a bandeira vermelha na volta 21.

Sem Raikkonen, Nasr se viu numa excelente sétima colocação. Com a interrupção do GP do Brasil, a direção de prova exigiu que os pilotos calçassem pneus para chuva intensa. Dessa forma, Felipe estava nas mesmas condições estratégicas que seus adversários. De repente, pontuar passou a ser uma missão possível para o brasileiro da Sauber. Entretanto, teve de esperar um pouco para ver a relargada. Vinte minutos após a interrupção, os carros voltaram para a pista. Mais uma vez, atrás do safety car de Bernd Maylander. Na volta 23, Nico Hulkenberg (Force India) se deparou com um pneu furado e foi aos boxes. Assim, Nasr assumia a sexta posição.

Nasr assumiu a sexta posição após acidente de Kimi Raikkonen, na Reta dos Boxes

Nasr assumiu a sexta posição após acidente de Kimi Raikkonen, na Reta dos Boxes

Contudo, nada de Maylander deixar a pista. Volta após volta, a paciência de pilotos e espectadores ia acabando. Porém, na volta 27, a intensidade da chuva aumentou consideravelmente. Charlie Whiting, diretor da FIA, sacramentou uma nova interrupção da prova na volta 29, para desespero dos torcedores. No pit lane, Nasr estava atrás somente de Lewis Hamilton (Mercedes), Nico Rosberg (Mercedes), Max Verstappen (Red Bull), Sergio Pérez (Force India) e Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). Era uma posição inimaginável para quem saiu na última fila do grid. Mais 20 minutos foram necessários para convencer Whiting de que o circuito tinha condições para receber os pilotos, que voltaram aos seus carros.

Novamente, o ‘circo’ saiu do pit atrás de Maylander, abrindo a volta 30. Contudo, diferentemente da tentativa anterior, a relargada enfim seria realizada. Na volta 32, Nasr se manteve em sexto. Porém, atrás dele, vinha Ricciardo. Diante do poderio do australiano, defender a posição era algo impossível. Na volta 34, Felipe acabou não resistindo a Daniel, caindo para sétimo. Enquanto o piloto da Red Bull abria caminho, o brasileiro da Sauber precisava se cuidar das investidas de Ocon e Alonso. Com valentia, Nasr segurava a sétima posição.

Com uma condução precisa no molhado, Nasr se manteve na zona de pontuação em Interlagos

Com uma condução precisa no molhado, Nasr se manteve na zona de pontuação em Interlagos

Na volta 41, Ricciardo entrou nos boxes. Dessa forma, Felipe recuperava um lugar no top 6. Todavia, o brasileiro era ferozmente perseguido pelos multicampeões Alonso e Vettel. Na 42, Sebastian superou Fernando e assumiu a sétima colocação. A partir daí, o alemão da Ferrari iniciou uma perseguição ao brasileiro da Sauber. Na volta 45, veio o bote do germânico: na freada do S do Senna, Vettel ultrapassou Nasr. Assim, o brasileiro retornou ao sétimo posto. Em sua cola, vinha Alonso, o oitavo. Mesmo com as investidas do espanhol da McLaren, o brasiliense se mantinha à frente.

Enquanto Nasr segurava Alonso com maestria, uma cena assustava e emocionava Interlagos: na volta 48, Massa bateu na Subida dos Boxes. Era o fim da trajetória do brasileiro num F1 em casa. Envolvido em uma bandeira do Brasil, o piloto da Williams foi reverenciado pelas arquibancadas. Massa não conteve o choro, e foi recepcionado com aplausos por todos os times. Por um instante, a pista foi esquecida: os holofotes estavam no veterano. Porém, com a Williams no meio da pista, Charlie Whiting acionou Bernd Maylander. O safety car estava de volta ao circuito. Durante a bandeira amarela, Verstappen foi aos boxes. Com a parada do holandês, Nasr ganhou uma posição. Novamente, Felipe estava em sexto.

Felipe Nasr festeja o nono lugar com as arquibancadas de Interlagos: ponto alto de 2016

Felipe Nasr festeja o nono lugar com as arquibancadas de Interlagos: ponto alto de 2016

Na volta 56, Maylander saía da pista – e, desta vez, não voltaria mais a pisar no asfalto de Interlagos. Felipe seguiu na sexta colocação. Naquele instante, passava a ser perseguido por Hulkenberg. Apesar de lutar bravamente, Nasr acabou sendo ultrapassado por Hulk na Curva do Sol, caindo para sétimo. Ali permaneceu até ver um endiabrado Verstappen em seu retrovisor. Após ter caído para 16º depois do pit stop, o holandês voava na pista paulistana, e ignorava todo e qualquer rival. Max chegou em Felipe e simplesmente “passou de passagem” na volta 62. Em oitavo, Nasr voltaria a ver um Red Bull atrás dele. Na volta 64, Ricciardo ultrapassou o brasileiro, que caiu para nono.

A partir de então, a missão do brasiliense era uma só: segurar Ocon, o 10º, atrás dele. Era o duelo direto pelo 10º lugar dos Construtores. Naquele cenário, Felipe colocaria a Sauber à frente da Manor na classificação do Mundial.  Porém, há poucas voltas da bandeirada, o ritmo do francês despencou, fazendo com que saísse da zona de pontos. Se por um lado, a escuderia suíça celebrava, por outro, temia a aproximação de Alonso. Porém, Nasr não deu chances ao bicampeão, e assegurou um fundamental nono lugar. Foram os primeiros pontos do brasileiro da Sauber desde o GP dos Estados Unidos de 2015, em Austin – quando também havia terminado em nono. A vitória no GP do Brasil ficou com Hamilton – a 52ª do inglês, que assumiu a segunda colocação no ranking de triunfos na F1, atrás somente de Michael Schumacher.

Os dois pontos de Felipe foram celebrados pela família de Nasr e pelos integrantes da Sauber

Os dois pontos de Felipe foram celebrados pela família de Nasr e pelos integrantes da Sauber

No pódio, o britânico teve a companhia de Rosberg – que, com o segundo lugar, ficou com 12 pontos de vantagem sobre Lewis no duelo pelo título mundial – e Verstappen – que encantou ao mundo com sua pilotagem agressiva e impulsiva. Mesmo sem subir ao palco de celebração, Nasr tinha muito a comemorar. “Não tenho palavras para dizer como estou feliz no momento. Quando vi a previsão do tempo para hoje (domingo), sabia que poderia ser uma oportunidade. Ela chegou e eu estava preparado. Fizemos um trabalho excepcional. A equipe foi ótima ao me dar informações sobre a pista, enquanto lhes passava minhas impressões. Foi uma corrida complicada, já que as condições estavam difíceis em alguns pontos. No fim, foi uma sensação incrível quando vi os fãs gritando para mim após a bandeirada. Não há sensação melhor do que marcar estes dois pontos importantes em casa. Eu não poderia esperar um domingo melhor no Brasil”.

Ao ser questionado sobre a importância de seus dois pontos para a Sauber e do retorno financeiro que pode dar para a escuderia, Felipe foi direto. “Isso é ótimo para a equipe, e com certeza vou pedir o meu bônus”, brincou, para depois desabafar. “Estou aliviado por marcar alguns pontos, o que mostra meu trabalho, o quanto eu luto e que quero e sou capaz de continuar na F1 no próximo ano. Eu nunca perdi a confiança na equipe. Depois da corrida, conversei com Monisha (Kaltenborn) e ela estava bastante satisfeita. Mais do que ninguém, ela sabe as dificuldades que enfrentamos nesta temporada”, concluiu o brasiliense, satisfeito com sua exibição e convencido de que, neste GP do Brasil, fez milagre ao conduzir a Sauber aos pontos.

Dois pontos preciosos: com eles, a Sauber deverá ganhar uma bolada da FIA, e Felipe, um assento para 2017

Dois pontos preciosos: com eles, a Sauber deverá ganhar uma bolada, e Felipe, um assento para 2017

Publicado em Bernd Maylander, Bernie Ecclestone, Brasil, Carlos Sainz Jr., Charlie Whiting, Daniil Kvyat, Esteban Gutiérrez, Esteban Ocon, Felipe Massa, Felipe Nasr, Force India, Haas, Interlagos, Jolyon Palmer, Manor, Marcus Ericsson, Monisha Kaltenborn, Nico Hulkenberg, Pascal Wehrlein, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Sergio Pérez, Toro Rosso | Publicar um comentário

México-2016: Hulk volta a ofuscar Pérez na Cidade do México

Após assinar contrato com a Renault para 2017, Nico Hulkenberg mostrou boa forma com a Force India: 7º lugar no México

Após assinar com a Renault para 2017, Nico Hulkenberg (Force India) conquistou o 7º lugar no México

Nico Hulkenberg viveu um momento especial após o GP dos Estados Unidos de 2016, em Austin. O alemão foi anunciado pela Renault como primeiro piloto do time para a temporada de 2017. A equipe francesa, que deu a Fernando Alonso seus dois títulos mundiais (2005 e 2006), não tem atravessado boa fase neste ano –Kevin Magnussen e Jolyon Palmer colocam a escuderia numa tímida nona posição do Mundial de Construtores. Apesar das incertezas, o vínculo com a Renault impulsionou Hulk para a disputa do GP do México, no Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México. Após alcançar um incrível quinto lugar no grid, Nico levou a Force India ao sétimo lugar, à frente de Sergio Pérez – o dono da casa e seu companheiro no time indiano terminou na 10ª posição. Assim, o germânico repetiu o feito do ano anterior, quando derrotou o mexicano na etapa asteca de 2015.

Em entrevista para a revista alemã Auto Motor und Sport, Hulkenberg destacou que seu desempenho melhorou após definir seu futuro na Fórmula 1. “Todo mundo me pergunta sobre isso. Eu já sabia há algum tempo que meu destino estava garantido na Renault. Mas talvez haja algo dentro de mim que me faz crescer. Já tinha notado isso no ano passado (2015), com a vitória nas 24 Horas de Le Mans. Eventos positivos podem lhe dar um pequeno impulso. Se você está mais feliz, então talvez você seja um pouco mais rápido”, analisou. “Por outro lado, eu também tenho que dizer que, no final da temporada, eu entendo melhor a configuração do carro da Force India (o VJM09), logo, é provavelmente uma combinação de fatores”, completou Nico.

Hulkenberg andou sempre à frente de Pérez no México: alemão frustrou torcida local

Hulkenberg andou sempre à frente de Pérez no México: Checo frustrou torcida local

Sua sintonia com o bólido indiano foi ressaltada no Autódromo Hermanos Rodríguez. Em nenhum momento, Hulkenberg ficou atrás de Pérez. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP do México, o germânico anotou o sexto melhor tempo, com 1m20s574. Sua marca foi 0s784 mais lenta que a de Sebastian Vettel (Ferrari), melhor do dia com 1m19s790. Em contrapartida, Hulk foi 1s005 mais veloz do que Pérez, 15º com 1m21s579. “O foco principal na sexta foi completar o programa de treinos sem problemas e, a partir dessa perspectiva, tivemos um bom dia. A maioria dos desafios que enfrentamos são os mesmos do ano passado – a altitude faz uma grande diferença para a sensação do carro, devido a perda de downforce –, por isso temos de nos adaptar às condições e encontrar o equilíbrio. Foi um bom começo, mas não estou completamente feliz ainda: há uma boa margem para melhorias”, observou o alemão.

No sábado, o trabalho realizado no VJM09 renderia frutos para Hulkenberg. Enquanto Pérez empacava no Q2 – o mexicano anotou 1m20s287, ficando num tímido 12º lugar no grid –, o germânico avançava para o Q3. Não só isso: na sessão decisiva, Nico foi implacável, assegurando um impressionante quinto lugar. Hulk ficou atrás apenas das duplas da Mercedes e da Red Bull. Com 1m19s330, o alemão acabou sendo 0s626 mais lento do que Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP do México com 1m18s704. Por outro lado, Hulkenberg surpreendeu ao derrotar a dupla da Ferrari por cinco centésimos – Kimi Raikkonen marcou 1m19s376, enquanto Sebastian Vettel fez 1m19s381.

Nico celebra o quinto lugar no grid: alemão deu show no Q3 em Hermanos Rodríguez

Nico celebra o quinto lugar no grid: alemão deu show no Q3 em Hermanos Rodríguez

“Foi uma ótima classificação para mim e estou muito feliz com o resultado. Nosso carro funciona bem em todos os circuitos atualmente, mas senti que ele ficou cada vez melhor ao longo da classificação – a pista evoluiu bastante. Minha primeira volta na Q3 foi demais, possivelmente minha melhor volta de classificação na temporada, e creio que eu não poderia ter tirado mais nada do carro. Precisamos evitar problemas na largada, mas não deixarei o que aconteceu no último fim de semana me influenciar (Hulk foi tocado no início da etapa norte-americana). Todas as vezes em que você chega à Curva 1, há uma dinâmica única e é necessário improvisar. Temos uma boa ideia de nossa situação para a corrida, vamos nos concentrar e tentar aproveitar o resultado de hoje (sábado), declarou Hulk, após obter o top 5 no grid.

Largada do GP do México de 2016: por fora, Hulkenberg superou Ricciardo e assumiu 4º lugar

Largada do GP do México de 2016: por fora, Hulkenberg superou Ricciardo e assumiu 4º lugar

A corrida

Confiança não faltava quando Nico Hulkenberg alinhou o carro da Force India no grid do GP do México, na tarde de 30 de outubro de 2016. Diante de arquibancadas repletas de torcedores de Sergio Pérez, o germânico também contava com o carinho dos espectadores locais. A energia vinda do lado de fora da pista ajudou a impulsionar Hulk no Autódromo Hermanos Rodríguez. Calçando pneus supermacios (os menos duráveis do fim de semana), Hulk foi ousado na largada e superou Daniel Ricciardo (Red Bull) na Curva 1, assumindo o quarto lugar. À frente, o alemão viu Lewis Hamilton (Mercedes) escapar da pista, e Nico Rosberg (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull) irem além do limite do traçado na disputa pelo segundo lugar. Durante a volta inicial, Pascal Wehrlein (Manor) foi tocado por Esteban Gutiérrez (Haas) e perdeu o controle de seu bólido. O alemão acabou atingido por Marcus Ericsson (Sauber) e foi obrigado a abandonar a corrida.

A Manor de Wehrlein ficou destruída na pista. Diante disso, a direção de prova acionou o VSC (virtual safety car). A bandeira amarela só foi retirada na volta 4. Em quarto, Hulkenberg não tinha como ultrapassar Verstappen, o terceiro. Por outro lado, Nico mantinha uma vantagem segura sobre Kimi Raikkonen (Ferrari), o quinto. Com esse cenário estabelecido, as mudanças só se dariam de acordo com as estratégias traçadas por pilotos e times. Com o pit stop de Verstappen, na volta 12, Hulk assumiu o terceiro lugar. Porém, era uma posição virtual – os pneus do germânico estavam em frangalhos. Assim, na volta 14, Nico foi para os boxes. Na troca, a Force India sacou os compostos supermacios e colocou os médios. O objetivo passava a ser um só: cruzar a linha de chegada sem parar novamente.

Hulk só fez um pit stop na corrida, na volta 14: estratégia da Force India permitiu avanço da Ferrari

Hulk só fez um pit stop na corrida, na volta 14: estratégia da Force India permitiu avanço da Ferrari

No retorno à pista, Hulkenberg se viu em 10º. Com o pit stop de Fernando Alonso (McLaren), na volta 15, o alemão subiu para nono. Após a parada de Valtteri Bottas (Williams), na volta 19, Nico ascendeu para a oitava colocação. Na passagem seguinte, após Felipe Massa (Williams) ir aos boxes, Hulk alcançou a sétima posição. Porém, Raikkonen também parou na volta 20, e voltou à pista na frente do germânico da Force India. Dessa forma, Nico perdia terreno para Kimi. Mas havia um porém: a Ferrari pararia uma segunda vez nos boxes, o que poderia reconduzir Hulkenberg para o top 5 na Cidade do México. Num ritmo conservador, Hulk tentava anular a estratégia ferrarista. Mas não teve jeito. Após Sebastian Vettel (Ferrari) ir aos boxes na volta 33, e retornar à frente do germânico, ficava evidenciado que o time italiano havia superado a escuderia indiana.

A expectativa de Hulkenberg era saber se Raikkonen, o quinto colocado, faria mais uma parada. Caso Kimi parasse, não teria vantagem suficiente para retornar à frente de Nico. Na volta 46, o finlandês foi aos boxes. Desta vez, não deu para o campeão de 2007. Hulk superava Kimi e assumia o sexto posto. Contudo, com pneus novos, Raikkonen partiria para o ataque, na disputa por um lugar no top 6. Na volta 51, Ricciardo foi para os boxes. No retorno, estava entre Hulkenberg e Raikkonen, na sexta colocação. Porém, na passagem seguinte, Daniel superou Nico, recuperando a quinta colocação. À Hulk, restava saber se conseguiria neutralizar o melhor equipamento de Raikkonen e assegurar a sexta posição.

Hulkenberg lutou bravamente, mas não resistiu a Raikkonen: toque fez alemão rodar

Hulkenberg lutou bravamente, mas não resistiu a Raikkonen: toque fez alemão rodar

Volta após volta, os ataques de Kimi eram cada vez mais incisivos. Além disso, os pneus de Hulkenberg já davam sinais de desgaste. Na volta 68, a quatro voltas do fim, o finlandês da Ferrari partiu para cima do alemão da Force India. Por fora na Curva 4, Raikkonen pressionou Hulk. O germânico resistiu, mas acabou tocado e rodou sobre o eixo de seu bólido. Nico retornou à pista ainda em sétimo, mas distante de Kimi. A vitória do GP do México ficou com Hamilton, seguido por Rosberg. O resultado manteve Lewis vivo na luta pelo tetracampeonato – o inglês ficou a 19 pontos do alemão (349 a 330). Porém, uma vitória no Brasil dá o título ao filho de Keke Rosberg. Dobradinha da Mercedes à parte, a sensação ficou por conta de quem seria o terceiro lugar na prova mexicana.

Verstappen, Vettel e Ricciardo travaram duras batalhas no Autódromo Hermanos Rodríguez. Max terminou em terceiro, seguido por Sebastian e Daniel. Todavia, uma reclamação da Ferrari em relação ao incidente da volta 68 – o holandês ignorou a curva para se manter à frente do alemão – fez com que Verstappen perdesse o terceiro lugar pouco antes de subir ao pódio (o jovem foi punido com 5s acrescidos ao seu tempo). Vettel foi chamado às pressas, e recebeu o troféu pelo top 3. Contudo, horas depois, uma reclamação da Red Bull foi aceita em relação ao incidente da volta 70 – Sebastian barrou Daniel, impedindo a ultrapassagem do australiano. O ferrarista teve 10s acrescidos ao seu tempo de corrida. Assim, após todas as punições, Ricciardo acabou herdando o terceiro posto, seguido por Verstappen e Vettel.

Sétimo lugar de Hulkenberg manteve Force India à frente da Williams no Mundial de Construtores

Sétimo lugar de Hulkenberg manteve Force India à frente da Williams no Mundial de Construtores

Hulkenberg deixou a Cidade do México sem punições e com um importante sétimo lugar, que manteve a Force India na quarta posição do Mundial de Construtores, com 145 pontos, contra 136 da Williams. “Definitivamente, foi o melhor resultado que poderíamos esperar em circunstâncias normais. Fiz uma ótima largada, mas após os pit stops, acabou sendo uma tarde bastante solitária para mim. Isso permitiu que eu gerenciasse meus pneus e meu ritmo. No final, a batalha com Kimi (Raikkonen) seria difícil de qualquer maneira porque ele tinha uma enorme vantagem de pneus sobre mim: fiquei surpreso por ter conseguido mantê-lo atrás por tanto tempo. Tentei me defender ao máximo por dentro, mas frear na parte suja da pista com pneus desgastados é complicado! Ele veio na minha direção e eu não conseguiria parar o carro de jeito nenhum, então forcei uma rodada para evitar uma batida”, explicou.

De saída da Force India, Hulkenberg ocupa nono lugar do Mundial, com 60 pontos

De saída da Force India, Hulkenberg ocupa nono lugar do Mundial, com 60 pontos

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EUA-2016: Sainz Jr. não resiste a Alonso, mas obtém 6º lugar

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu segurar Alonso no fim: sexto lugar heroico em Austin

Sainz Jr. bem que tentou, mas não conseguiu segurar Alonso no fim: sexto lugar heroico em Austin

Carlos Sainz Jr. viveu um de seus pontos altos de 2016 no GP dos Estados Unidos, disputado no último domingo, no Circuito das Américas, em Austin (Texas). Com uma condução irrepreensível, o espanhol não só levou seu Toro Rosso ao Q3, no sábado, como colocou seu STR11 no top 5 da etapa norte-americana. No fim, sem pneus, não resistiu ao ataque de seu ídolo, o bicampeão Fernando Alonso (McLaren). Ainda assim, Sainz Jr. assegurou um impecável sexto lugar na corrida ianque. Com o resultado, Carlos igualou seu melhor desempenho na Fórmula 1 – ele havia alcançado um lugar no top 6 no GP da Espanha de 2016, em Montmeló. Dessa forma, o madrileno se manteve em 12º no Mundial de Pilotos, com 38 pontos, e praticamente consolidou a sétima posição da Toro Rosso no Mundial de Construtores – após a prova de Austin, o time italiano subiu para 55 pontos, 26 à frente da Haas (que tem 29 pontos).

A performance de Sainz Jr. superou as expectativas da Toro Rosso em solo estadunidense. Quando o hispânico e seu companheiro de equipe, Daniil Kvyat, desembarcaram no Texas, vislumbravam apenas alcançar um lugar no top 10. Logo nos primeiros treinos, na sexta-feira, a meta parecia atingível: Carlos anotou o 11º melhor tempo do dia, com 1m38s971. O espanhol foi 0s231 mais veloz do que Kvyat, 15º com 1m39s202, e ficou a 1s613 de Nico Rosberg (Mercedes), que marcou o melhor tempo do dia, com 1m37s358. “Em geral, foi uma sexta-feira positiva – no ano passado nós não conseguimos fazer muitas voltas aqui no seco, por isso foi uma nova pista para mim desta vez. Eu tenho que dizer que eu aproveitei o dia: esta é uma pista especial e excitante para se pilotar. Do ponto de vista do desempenho, estamos exatamente onde esperávamos estar, mas vamos continuar a trabalhar duro e ver onde nós acabaremos no final do domingo”, analisou o espanhol.

Avançar para o Q3 parecia missão impossível, mas Sainz foi lá e fez: 10º no grid

Avançar para o Q3 parecia missão impossível, mas Sainz Jr. foi lá e fez: 10º no grid

No sábado, avançar para o Q3 parecia uma missão impossível para a dupla da Toro Rosso. Também pudera: diante dos desempenhos das duplas de Mercedes, Ferrari, Red Bull, Williams e Force India – os cinco principais times da temporada –, o objetivo deveria ser o Q2 e nada mais. Kvyat parou nesta fase (anotou 1m37s480, assegurando o 13º lugar no grid). Mas Sainz Jr. foi lá e fez, batendo Sergio Pérez (Force India) e conquistando um lugar no Q3. No fim, anotou o 10º tempo, com 1m37s326. A marca do espanhol foi 2s327 inferior à obtida por Lewis Hamilton (Mercedes), pole position do GP dos Estados Unidos, com 1m34s999.

A 10ª posição no grid encheu Sainz Jr. de confiança para a etapa norte-americana. “Eu não poderia estar mais feliz. Após um terceiro treino complicado – onde não tive muito tempo de pista devido a dois furos –, fazer uma volta tão boa na Q2 e passar para a Q3 foi incrível. Fiquei realmente feliz quando informaram minha posição pelo rádio. Tenho certeza que a equipe também ficou satisfeita, precisávamos disso depois de alguns finais de semana duros. Hoje (sábado) é um dos dias da temporada de 2016 dos quais sempre me lembrarei. A corrida será dura, mas certamente faremos o nosso melhor para lutar por pontos”, celebrou o madrileno.

Largada do GP dos EUA de 2016, em Austin: Sainz contou com confusão para subir para oitavo

Largada do GP dos EUA de 2016, em Austin: Sainz contou com confusão para subir para oitavo

A corrida

O sol era personagem principal no domingo, 23 de outubro de 2016, em Austin, palco do GP dos Estados Unidos. Em 10º no grid e largando com pneus supermacios, Sainz Jr. acreditava que poderia alcançar bons pontos na etapa norte-americana. Quando as luzes vermelhas se apagaram, tal objetivo se tornou palpável: Sebastian Vettel (Ferrari), Nico Hulkenberg (Force India) e Valtteri Bottas (Williams) se enroscaram logo após a largada. Isso fez com que Hulkenberg abandonasse e Bottas despencasse na classificação. Ao fim da volta 1, Carlos ocupava a oitava posição, atrás de Felipe Massa (Williams) e à frente de Fernando Alonso (McLaren). Com o passar das primeiras voltas, o madrileno tinha o brasileiro em sua alça de mira, mas era incapaz de atacá-lo. Em contrapartida, o piloto da Toro Rosso mantinha o bicampeão da McLaren a uma distância segura.

O cenário só começou a se alterar com a abertura da janela para o primeiro pit stop. Com as paradas de Daniel Ricciardo (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Ferrari), na volta 9, Sainz Jr. saltou para sexto. Na passagem seguinte, foi a vez de Max Verstappen (Red Bull) ir aos boxes, fazendo com que o espanhol subisse para quinto. Porém, os pneus supermacios de Carlos já davam sinais de desgaste, e a Toro Rosso o chamou para o pit stop, na volta 11. Na troca, a escuderia italiana colocou compostos macios no bólido do espanhol, que retornou à pista em 10º. Após superar Daniil Kvyat (Toro Rosso) e ver Esteban Gutiérrez (Haas) se encaminhar aos boxes, Sainz Jr. retomou a oitava colocação na volta 13. Quatro voltas depois, Alonso ultrapassou Kvyat e assumiu a nona posição. Naquele momento, Carlos tinha 6s de vantagem sobre Fernando, e estava a 7s de Massa.

Sainz foi aos boxes no momento do VSC: parada fez com que superasse Massa

Com pneus macios, Sainz Jr. foi aos boxes no momento do VSC: parada fez com que superasse Massa

As coisas em Austin andaram mornas até a volta 27. Naquela passagem, Verstappen decidiu entrar nos boxes, mas esqueceu de um detalhe: avisar a Red Bull. O holandês perdeu tempo na parada. Mesmo assim, saiu em sétimo, à frente de Sainz Jr.. Duas voltas depois, Max se viu com problemas na caixa de câmbio, e seu carro ficou emperrado na pista. Assim, o espanhol da Toro Rosso subiu para sétimo. Na volta 29, Massa foi aos boxes. Na mesma passagem, a direção da prova decidiu intervir com o VSC (virtual safety car) para a retirada da Red Bull. Eis o ‘pulo do gato’ da escuderia de Faenza: na volta 30, Carlos fez sua segunda e definitiva parada, colocando novos pneus macios. Com a velocidade restrita devido ao VSC, o madrileno superou o brasileiro, subindo para sexto.

Com o fim da intervenção do VSC, na volta 33, Sainz Jr. passou a ter um só objetivo: segurar Massa e assegurar a sexta posição. Apesar da pressão de Felipe, Carlos conseguia se manter à frente do brasileiro. Enquanto isso, na volta 39, Kimi Raikkonen (Ferrari) foi aos boxes. Todavia, uma falha na troca de pneus fez com que o finlandês sequer conseguisse retornar à pista. Sem Raikkonen, o espanhol da Toro Rosso assumiu a quinta posição. Sainz Jr. estava bem atrás de Lewis Hamilton (Mercedes), Nico Rosberg (Mercedes), Ricciardo e Vettel. A partir de então, a missão do jovem piloto da Toro Rosso era barrar Massa e Alonso – o bicampeão se aproximou rapidamente da dupla.

Carlos, perseguido por Felipe Massa: jovem espanhol suportou pressão do veterano brasileiro

Carlos, perseguido por Felipe Massa: jovem espanhol suportou pressão do veterano brasileiro

Sainz Jr., Massa e Alonso definiriam na pista quem seria o quinto lugar em Austin. Contra Carlos, pesava o fato de utilizar compostos macios – menos resistentes que os médios, que calçavam Felipe e Fernando. Na volta 48, a oito voltas da bandeira quadriculada, o espanhol da Toro Rosso tinha 1s de vantagem sobre o brasileiro da Williams, que, por sua vez, colocava 1s sobre o espanhol da McLaren. Todavia, os pneus de Sainz Jr. perderam rendimento, e Massa e Alonso partiram para o ataque. Na volta 51, Carlos travou uma roda na curva 15, e induziu Felipe ao erro. Fernando se aproveitou da hesitação do brasileiro e colocou de lado. O toque acabou sendo inevitável. Massa saiu da pista e viu seu pneu ser furado, enquanto Alonso assumiu o sexto lugar.

A próxima vítima do bicampeão seria Sainz Jr.. O jovem espanhol bem que tentou ser combativo contra o consagrado compatriota, mas Alonso estava irresistível. Após um duelo roda a roda, na volta 55, Fernando bateu Carlos, assegurando a quinta posição. Sainz Jr. acelerou o quanto pôde, cruzando a linha de chegada a 2s2 de Alonso. O madrileno ficou à espera do veredicto da FIA, que investigou a manobra do bicampeão sobre Massa. “Os engenheiros da Toro Rosso me informaram que Alonso estava sendo investigado na última volta, quando de repente viram que cheguei ao máximo de uso dos pneus. Eles disseram: ‘Você precisa manter-se na janela de 5s’, porque é a penalidade mais baixa que ele (Alonso) poderia receber. Então me disseram: ‘Por favor, 5s’ e eu comecei a forçar como louco, mas, sem pneus, dei boas derrapadas”, observou Carlos.

Sainz não suportou arrancada final de Alonso, mas celebrou excelente top 6 em Austin

Sainz Jr. não suportou arrancada final de Alonso, mas celebrou excelente top 6 em Austin

Todavia, Fernando não foi punido, e Carlos viu o sexto lugar ser confirmado. A vitória em Austin ficou com Hamilton (a 50ª do britânico na categoria), seguido por Rosberg e Ricciardo. Após seu segundo top 6 na carreira, Sainz Jr. dedicou o resultado à equipe italiana. “Sempre me lembrarei deste fim de semana! Igualar meu melhor resultado na Fórmula 1 me deixa muito feliz, mas este sexto lugar é um pouco mais especial do que aquele de Barcelona, porque creio que não tínhamos carro para isso aqui – nossas simulações antes da prova mostraram que eu chegaria apenas em 11º ou 12º, e aqui estamos, lutando pelo quinto lugar”, destacou o madrileno, lembrando que a sorte esteve ao seu lado, no instante em que o VSC foi acionado pela direção de prova.

“O VSC foi ótimo para nós, pois nos colocou à frente da Williams. Nós sabíamos que seria difícil chegar ao final com o macio, mas nos comprometemos com essa decisão – nas duas últimas voltas, eu fiquei sem pneus e tive de me segurar de qualquer maneira. A batalha com Fernando (Alonso) foi muito divertida. Eu sabia que ele acabaria passando, mas disse a mim mesmo: ‘vamos complicar um pouco as coisas para ele’. Sei perfeitamente como ele ataca e como me defender dele, já que o vi correr nos últimos 12 anos… E acho que conseguir mantê-lo atrás por todas aquelas voltas até ele abrir o DRS. Mas estou eufórico. Definitivamente, vou celebrar com champanhe esta noite, é como uma vitória para mim”, observou Sainz Jr., que comemorou o top 6 ao lado de Alonso, em um restaurante.

Depois da batalha de Austin, Sainz e Alonso jantaram juntos - e foram homenageados

Depois da batalha de Austin, Sainz Jr. e Alonso jantaram juntos – e foram homenageados

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Japão-2016: Pérez arranca sétimo lugar em Suzuka

Pérez, à frente de  Kimi Raikkonen (Ferrari): seis pontos deixam mexicano na cola de Valtteri Bottas no Mundial

Pérez, à frente de Kimi Raikkonen: seis pontos deixam mexicano na cola de Valtteri Bottas no Mundial

Sergio Pérez (Force India) deu um importante passo rumo ao sétimo lugar do Mundial de 2016 em Suzuka, palco do GP do Japão deste ano. Ao terminar no top 7 em solo nipônico, o mexicano ficou a um ponto de Valtteri Bottas (Williams), atual sétimo colocado na temporada. Décimo na corrida japonesa, o finlandês alcançou 81 pontos, contra 80 do asteca. A quatro etapas do término da temporada, e diante do ascendente momento da escuderia indiana – e da queda da equipe britânica –, tudo leva a crer que Checo terminará o ano atrás somente dos pilotos da Mercedes, Red Bull e Ferrari na tabela de classificação. Não só isso: graças à liderança do latino, a Force India já colocou 10 pontos de vantagem sobre a Williams, na disputa pelo quarto lugar do Mundial de Construtores: após Suzuka, o time de Vijay Mallya possui 134 pontos, contra 124 do grupo de Frank Williams.

A etapa japonesa testemunharia mais um bom momento do time indiano em 2016. Desde o início dos treinos livres, na sexta-feira, Pérez e Nico Hulkenberg colocaram a Force India entre os 10 primeiros colocados. Sergio anotou um bom sexto tempo, com 1m33s570. O mexicano ficou 0s303 à frente de Nico, sétimo com 1m33s873. Por outro lado, o tempo do latino foi 1s320 inferior ao anotado por Nico Rosberg (Mercedes), o mais veloz do dia, com 1m32s250. “Está parecendo um fim de semana promissor baseado em nossa performance de hoje (sexta). É claro, as condições da pista estavam muito boas, e nunca se sabe o que o restante do fim de semana trará, mas tudo funcionou bem. Parecemos competitivos em ambas as condições – tanque cheio e vazio – e com todos os compostos de pneus. O acerto do carro estava ótimo desde o começo do dia e não alteramos muita coisa”, analisou Checo.

No sábado, Pérez anotou um excelente sexto lugar: com a punição a Vettel, Checo largaria em quinto

No sábado, Pérez anotou um excelente sexto lugar: com a punição a Vettel, Checo largaria em quinto

O bom equilíbrio do VJM09 em Suzuka ficou evidenciado no sábado, dia da qualificação para o GP do Japão. Pérez e Hulkenberg andaram forte e colocaram a Force India no Q3. No fim, Sergio anotou 1m31s961. Foi o mesmo tempo de Romain Grosjean (Haas), mas o mexicano levou vantagem sobre o francês por ter feito a volta primeiro. Checo foi o sexto mais veloz do Q3, ficando 0s181 à frente de Hulk, oitavo com 1m32s142. O latino ficou a 1s314 de Nico Rosberg (Mercedes), pole com 1m30s647. Não bastasse o ótimo desempenho, Pérez ainda herdaria uma posição: Sebastian Vettel (Ferrari), terceiro no Q3, foi punido com a perda de três posições no grid por ter sido considerado culpado pelo acidente com Rosberg na largada do GP da Malásia, em Sepang. Assim, Sergio alinharia em quinto na etapa nipônica, deixando o mexicano extremamente satisfeito.

“Foi uma classificação intensa e havia muitos carros competitivos na pista – eu inclusive terminei com o mesmo tempo de Romain (Grosjean) e tive a sorte de me classificar à frente dele. Estou bastante feliz com nossa performance, principalmente minha volta na Q3: as diferenças ao nosso redor são mínimas, e o menor erro faz a diferença entre largar em sétimo ou 12º. Hoje (sábado) fizemos um trabalho realmente bom como equipe. Largar uma posição à frente de onde nos classificamos por causa da punição de Vettel nos deixa em uma situação forte para obter um bom resultado amanhã (domingo). Se tivermos uma corrida normal, sem circunstâncias estranhas, podemos pensar em pontos importantes. A estratégia dependerá das condições do tempo, principalmente se estiver bem mais frio do que hoje (sábado). Em geral, me sinto otimista: fizemos 70% do trabalho, mas o mais importante são os 30% restantes da corrida”, observou Checo.

Largada do GP do Japão de 2016: Hamilton patina, atrapalha Ricciardo e beneficia Pérez, que saltou para terceiro

Largada em Suzuka: Hamilton patinou, atrapalhou Ricciardo e beneficiou Pérez, que subiu para 3º

A corrida

Apesar do tempo carrancudo, a chuva passou longe de Suzuka no domingo, 9 de outubro. Alinhado na quinta posição, Pérez contava com uma boa largada para assegurar os pontos que a Force India tanto precisava no duelo contra a Williams. Porém, um sinal de alerta foi aceso quando muita fumaça saía de seu VJM09. Quando as luzes vermelhas se apagaram, nenhum problema foi visto em seu bólido. Pelo contrário: Sergio disparou na busca pela Curva 1. Calçando pneus macios, o mexicano viu a péssima largada de Lewis Hamilton (Mercedes), que patinou e atrapalhou a saída de Daniel Ricciardo (Red Bull). Dessa forma, Checo assumiu o terceiro lugar, atrás somente de Nico Rosberg (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull). Era bom demais para ser verdade. Será que Pérez teria condição de segurar Ferrari, Red Bull e Mercedes? A resposta viria logo, e acabaria com o otimismo da Force India…

Logo na volta 3, Sergio foi superado por Sebastian Vettel (Ferrari), caindo para quarto. O mexicano bem que tentou, mas não foi páreo para o alemão na reta dos boxes. A partir daí, Checo começou a ser perseguido por Ricciardo. Desta vez, o latino foi combativo, e conseguiu barrar o avanço do australiano em Suzuka. Diante disso, a Red Bull antecipou a parada de Daniel. Na volta 10, Ricciardo fez sua parada. Com isso, Kimi Raikkonen (Ferrari) passou a ser o principal perseguidor de Pérez. Com o desgaste dos pneus macios, Sergio viu a aproximação de Hamilton. Na volta 13, tanto Checo quanto Raikkonen foram para os boxes. Na troca, a Force India sacou os macios e colocou os compostos duros (os mais duráveis do fim de semana). No retorno, o latino ainda saiu à frente do finlandês. Porém, Kimi aproveitou o momento para superar Sergio na pista.

Pérez bem que tentou conservar terceiro lugar, mas Vettel foi para cima do mexicano

Pérez bem que tentou conservar terceiro lugar, mas Vettel foi para cima do mexicano

Na volta 14, Pérez ocupava o nono lugar. Estava atrás de Raikkonen, mas à frente de Hulkenberg. Com uma tática diferente, Felipe Massa (Williams) e Valtteri Bottas (Williams) tentavam ganhar posições. Porém, o desempenho da dupla do time britânico era sofrível, o que os tornou presas fáceis para Sergio. Na volta 17, Sergio ignorou Massa, assumindo o oitavo lugar. Duas voltas depois, foi a vez do mexicano superar o finlandês, alcançando a sétima posição. Naquele momento, Pérez tinha ciência de que a estratégia funcionou para Raikkonen, Ricciardo e Hamilton. A quarta posição antes da primeira parada havia se tornado a sétima. Mas não havia do que se queixar: o equipamento da Force India era inferior ao das adversárias. Com isso, o foco de Checo passou a ser duelar com Hulkenberg pelo sétimo lugar.

Apesar da aproximação de Hulk, Pérez se segurava no top 7. A posição seria discutida na base da estratégia, uma vez que ambos realizariam uma segunda e definitiva parada. Na volta 28, o alemão fez seu pit stop e voltou atrás de Romain Grosjean (Haas), na nona posição. Na passagem seguinte, foi a vez do mexicano ir para os boxes. Na troca, a Force India sacou os pneus duros e colocou os médios. Com isso, Pérez retornou à pista ainda em sétimo, à frente de Grosjean e Hulkenberg. Com a parada do francês, na volta 30, Nico recuperou o oitavo lugar. Assim, voltou a tirar diferença na disputa com Pérez. Entretanto, não havia como tirar a sétima posição do latino. Sergio completou as 53 voltas do GP do Japão com apenas 1s7 de vantagem sobre Hulkenberg, assegurando mais um top 7 em 2016.

No fim, Checo foi pressionado por Hulkenberg, mas conseguiu manter o sétimo lugar

No fim, Checo foi pressionado por Hulkenberg, mas conseguiu manter o sétimo lugar

A vitória em Suzuka foi de Rosberg – a 23ª do germânico, igualando Nelson Piquet e se consolidando na liderança do Mundial, com 33 pontos de vantagem sobre Hamilton. Lewis terminou em terceiro, após perder a batalha contra Verstappen, que alcançou a segunda posição. Pódio à parte, Pérez celebrou a conquista dos seis pontos em solo nipônico. “Eu me diverti hoje (domingo) e sinto que tomei todas as decisões corretas durante a corrida. A largada foi divertida – tive pista limpa até a Curva 1 e subi para terceiro. Tentei ao máximo segurar a posição, mas sabia que seria difícil manter alguns carros muito velozes atrás de mim, então tive de ser sensato e escolher minhas batalhas. Nosso carro estava bastante veloz, e a estratégia de duas paradas definitivamente foi certa para nós. Nos obrigou a passar os carros da Williams na pista, porque eles tinham uma estratégia diferente, mas, felizmente, consegui executar as manobras rapidamente”.

Force India ficou bem na foto em Suzuka: com os pontos de Pérez e Hulk, time abriu 10 pontos sobre a Williams

Force India ficou bem na foto: com os pontos de Suzuka, time abriu 10 pontos sobre a Williams

Publicado em Force India, Haas, Japão, Nico Hulkenberg, Romain Grosjean, Sergio Pérez, Suzuka, Vijay Mallya | Publicar um comentário

Malásia-2016: quebra de Hamilton rende ponto a Jolyon Palmer

Jolyon Palmer, à frente de Nico Rosberg no GP da Malásia, em Sepang: primeiro ponto da carreira do inglês

Jolyon Palmer, à frente de Nico Rosberg no GP da Malásia: primeiro ponto da carreira do inglês na F1

A Renault tem feito uma temporada 2016 para ser esquecida. Em seu retorno após cinco anos ausente da Fórmula 1, o time de Enstone vem realizando exibições sofríveis, o que tem comprometido com o desempenho de Kevin Magnussen e Jolyon Palmer. Filhos de ex-pilotos da categoria (o primeiro, de Jan Magnussen, e o segundo, de Jonathan Palmer), ambos anotaram apenas sete pontos nas 15 primeiras etapas do ano. Todos vieram pelas mãos de Kevin, que conquistou um excelente sétimo lugar no GP da Rússia, em Sochi, além de um 10º lugar no GP de Cingapura, em Marina Bay. Ver o dinamarquês pontuar incentivou Jolyon no último domingo, em Sepang, palco do GP da Malásia. Apesar de uma performance consistente, o britânico só alcançou um lugar no top 10 após o repentino abandono de Lewis Hamilton (Mercedes). O tricampeão, que liderava a prova malaia, viu seu motor explodir. Sem o compatriota, Jolyon terminou em 10º.

O ponto obtido em Sepang foi o primeiro da carreira de Palmer na Fórmula 1. Nascido em Horsham, em 20 de janeiro de 1991, o inglês sempre recebeu o incentivo do pai para seguir trajetória no automobilismo. Iniciou no kart em 2004. Entre 2005 e 2007, competiu em torneios de turismo, não alcançando resultados de destaque. Em 2008, se transferiu para a Fórmula Palmer Audi – categoria criada pelo seu pai, Jonathan. No fim da disputa, ficou em terceiro lugar na classificação. No ano seguinte, participou da Fórmula 2 – que tinha Jonathan como organizador. Em 2010, foi vice-campeão da F2, conquistando cinco vitórias. O bom desempenho na F2 o levou para a GP2, categoria de acesso à F1, em 2011. Porém, apenas em sua quarta temporada, em 2014, alcançou o auge: Jolyon bateu Stoffel Vandoorne e Felipe Nasr e alcançou o título.

Campeão da GP2 em 2014, Jolyon teve sua trajetória no automobilismo influenciada pelo pai, o ex-piloto Jonathan Palmer

Jolyon teve sua trajetória no automobilismo incentivada pelo pai, o ex-piloto Jonathan Palmer

A Fórmula 1 surgiu na carreira de Palmer ainda em 2014, quando foi testador da Force India. Em 2015, passou a cumprir a função de terceiro piloto da Lotus. No fim daquele ano, o espólio da Lotus foi assumido pela Renault, que retornou à categoria após cinco anos longe do ‘circo’ – a fabricante francesa havia se afastado da F1 ao fim de 2011. Com a reestruturação da escuderia de Enstone ao fim daquele ano, Jolyon foi alçado à condição de titular. Apesar das expectativas, o time francês vem enfrentando dificuldades durante este ano. O R.S.16 tem demonstrado fragilidade, colocando tanto Palmer quanto Kevin Magnussen em colocações discretas. Antes do GP da Malásia, a melhor posição do britânico em 2016 havia sido o 11º lugar em sua estreia na categoria, no GP da Austrália, em Melbourne.

Em Sepang, a Renault planejava conseguir um lugar na zona de pontos. Porém, logo na sexta, o time viu o RS.16 de Kevin pegar fogo. O incêndio no carro tirou o dinamarquês do primeiro treino livre. No fim do dia, Palmer conquistou um bom 12º lugar, com 1m26s940. Jolyon ficou a 1s996 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz do dia. Por outro lado, foi 0s724 mais veloz que Magnussen, 19º com 1m37s664. “As coisas foram muito tranquilas do meu lado da garagem. Acho que toda a ação hoje (sexta-feira) foi para Kevin. Tive alguns momentos forçando os limites, enquanto conhecíamos a nova superfície da pista na parte da manhã, mas a pista ainda é muito agradável de conduzir. Fizemos progressos à tarde e devemos estar bem colocados para amanhã”, afirmou o britânico, após os treinos.

Após uma sexta-feira positiva em Sepang, Palmer decepcionou no sábado: parou no Q1, ficando em 19º

Após uma sexta-feira positiva em Sepang, Palmer decepcionou no sábado: parou no Q1, ficando em 19º

No sábado, entretanto, Palmer viu Magnussen andar forte com o R.S.16. O dinamarquês avançou para o Q2, enquanto o britânico parou no Q1. Kevin anotou 1m35s277, assegurando o 14º lugar no grid. Com 1m35s999, Jolyon foi 0s722 mais lento do que o parceiro de equipe, ficando em 19º – a 3s149 da marca de Lewis Hamilton (Mercedes), pole em Sepang com 1m32s850. Após a qualificação, Palmer disse ter se equivocado quanto ao set up de seu Renault. “Serei honesto: minha volta ficou muito longe da que deveria ter sido. Tomei a decisão errada em relação ao acerto entre minhas tentativas, e a volta simplesmente não encaixou. Foi particularmente frustrante, já que o ritmo pareceu promissor durante todo o fim de semana e o carro definitivamente era capaz de mais aqui. Amanhã (domingo), forçarei o tempo todo visando me redimir, principalmente porque esta é uma pista onde ganhar posições é possível”, analisou.

Tumulto na largada do GP da Malásia, em Sepang: Palmer se livrou do acidente entre Vettel e Rosberg

Tumulto na largada do GP da Malásia, em Sepang: Palmer se livrou do acidente entre Vettel e Rosberg

A corrida

O calor tropical em Sepang castigava carros e pilotos no domingo, 2 de outubro de 2016. A possibilidade de tempestade não se concretizou. O sol reinava em solo malaio quando os 22 bólidos dispararam na largada do GP da Malásia. O clima esquentou ainda mais logo na primeira curva: Sebastian Vettel (Ferrari) tocou em Nico Rosberg (Mercedes) e destruiu sua suspensão dianteira esquerda, abandonando a etapa. Rosberg ficou atravessado na pista, e voltou no fim do pelotão. O choque fez com que o VSC (Virtual Safety Car) fosse acionado. Apesar de ter sido atrapalhado pelo incidente e perder posições para Fernando Alonso (McLaren) e Esteban Ocon (Manor), Palmer completou a volta 1 em 14º. Além do abandono de Vettel, Jolyon contou com a queda de Rosberg e Felipe Nasr (Sauber), e viu Daniil Kvyat (Toro Rosso), Felipe Massa (Williams), Kevin Magnussen (Renault) e Esteban Gutiérrez (Haas) pararem nos boxes.

Calçando pneus duros, Palmer faria um longo ‘stint’ em Sepang. Diante do caos da primeira volta, pontuar passou a ser uma missão possível. Quando o VSC foi retirado, na volta 3, Jolyon se manteve em 14º. Entretanto, na volta seguinte, o britânico da Renault não foi páreo para Rosberg, caindo para 15º. Na volta 7, Palmer foi superado por Pascal Wehrlein (Manor), passando a figurar em 16º. Na passagem seguinte, Romain Grosjean (Haas), com problema no freio, para na brita. Dessa forma, Jolyon recuperou a 15ª posição. Para a retirada do carro de Grosjean, o VSC voltou a ser acionado pela direção de prova na volta 9. Com isso, diversos pilotos decidiram ingressar nos boxes – casos de Rosberg, Alonso, Wehrlein, Jenson Button (McLaren) e Nico Hulkenberg (Force India). Palmer seguiu na pista, e subiu para 10º.

A fim de gerenciar os pneus duros, Palmer manteve um ritmo conservador: na volta 16, foi superado por Alonso

Com pneus duros, Palmer manteve um ritmo conservador: na volta 16, foi superado por Alonso

A relargada foi dada na volta 11. Na passagem seguinte, Jolyon voltou a ser superado por Rosberg, caindo para 11º. Porém, na volta 13, o pit stop de Ocon fez com que o britânico da Renault recuperasse um lugar no top 10. Apesar disso, o ritmo de Palmer era inferior aos demais. O inglês perdeu posições para Button e Hulkenberg, na volta 14, e para Alonso, na 16, despencando para o 13º posto. A partir dali, Jolyon passou a gerenciar os compostos duros, a fim de fazer valer a estratégia de uma parada da Renault. Além disso, contava com a parada dos rivais para ganhar espaço na etapa malaia. Com o pit stop de Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), na volta 20, Palmer subiu para 12º. Na passagem seguinte, foi a vez de Marcus Ericsson (Sauber) ir para os boxes, fazendo com que Jolyon assumisse o 11º lugar.

O britânico da Renault só retornaria ao top 10 após a segunda parada de Alonso, na volta 28. Na passagem seguinte, viu Hulkenberg ir aos boxes. Assim, Palmer assumiu o nono lugar. Todavia, os pneus duros já davam sinais de desgaste. Na volta 31, Jolyon, enfim, fez sua parada. Na troca, a escuderia sacou os compostos duros, e colocou os macios. A partir de então, a estratégia era uma só: fazer os pneus durarem até o fim da volta. Assim, seria necessário para Palmer girar 25 voltas sem parar com borracha macia. A missão era difícil, mas o britânico apostou na equipe. No retorno à pista, se viu em 14º. Na volta 33, superou Nasr, reassumindo a 13ª posição. Com as paradas definitivas de Sainz e Ericsson, na volta 38, Jolyon pulou para 11º.

Após colocar pneus macios, Palmer avançou para o 11º lugar: quebra de Hamilton fez com que herdasse uma posição no top 10

Após colocar macios, Palmer avançou para 11º: quebra de Hamilton fez com que alcançasse o top 10

Naquele instante, Palmer não tinha muito mais a fazer. Entre os pontuáveis, estavam as duplas da Mercedes, Red Bull, Force India, McLaren, além dos finlandeses Kimi Raikkonen (Ferrari) e Valtteri Bottas (Williams). Todos tinham melhores equipamentos que Jolyon. Apenas uma quebra faria com que o britânico ingressasse na zona de pontos. E ela veio com quem menos se esperava. Na volta 41, o motor de Lewis Hamilton (Mercedes), o líder da etapa malaia, explodiu em plena reta dos boxes. O tricampeão, que saltaria para a ponta do Mundial, estava inconsolável fora da pista. Com o abandono de Hamilton, Palmer subiu para 10º. Contudo, o top 10 não estava assegurado: Sainz Jr. e Ericsson tentavam acompanhar o inglês da Renault.

Porém, era dia de Jolyon. Em sua 16ª corrida na F1, o inglês desencantou, marcando seu primeiro ponto, para a alegria do pai Jonathan – que anotou 14 pontos em sua trajetória na categoria, entre 1983 e 1989. Graças à retirada de Hamilton, a vitória do GP da Malásia ficou com Daniel Ricciardo (Red Bull), que derrotou Max Verstappen (Red Bull) no duelo interno da escuderia austríaca. Foi a primeira dobradinha do time desde o GP do Brasil de 2013, em Interlagos. Após cair para o fim do pelotão, Rosberg ainda foi punido em 10 segundos pela direção da prova, ao “forçar” a ultrapassagem sobre Kimi Raikkonen (Ferrari) no duelo pelo terceiro lugar. Mesmo assim, o germânico chegou ao pódio, colocando 23 pontos de vantagem sobre Hamilton no duelo pelo Mundial.

Palmer, à frente de Sainz Jr. e Ericsson: luta para alcançar o primeiro ponto na carreira

Palmer, à frente de Sainz Jr. e Ericsson: luta para alcançar o primeiro ponto na carreira

Disputa de título à parte, Palmer celebrou a conquista do 10º lugar em Sepang. “A sensação de marcar pontos é ótima! Estou realmente feliz. Creio que o fim de semana inteiro foi positivo. A corrida foi tranquila – eu gostaria que fosse sempre assim. Fiquei desapontado com a classificação, pois eu vinha me sentindo forte na sexta e no sábado pela manhã, então estou feliz por termos conseguido nos redimir hoje (domingo). O carro me deu tudo o que eu precisava, cuidamos bem dos pneus e a equipe fez um ótimo trabalho com a estratégia. Também tivemos um pouco de sorte. No fim, tudo se encaixou e chegamos em 10º”, comemorou o britânico.

Com o ponto de Palmer, a Renault passou a somar 8 no Mundial - os outros 7 foram anotados por Magnussen

Com o ponto de Palmer, a Renault passou a ter 8 no ano – os outros 7 foram anotados por Magnussen

Publicado em Carlos Sainz Jr., Daniil Kvyat, Esteban Gutiérrez, Esteban Ocon, Felipe Nasr, Haas, Jolyon Palmer, Kevin Magnussen, Malásia, Manor, Marcus Ericsson, Pascal Wehrlein, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Sepang, Stoffel Vandoorne, Toro Rosso | Publicar um comentário

Cingapura-2016: Kvyat mostra serviço após ‘rebaixamento’

Daniil Kvyat (Toro Rosso) travou bom duelo com Max Verstappen (Red Bull): russo terminou em nono em Marina Bay

Daniil Kvyat (Toro Rosso) travou duelo com Max Verstappen (Red Bull): russo foi 9º em Marina Bay

Daniil Kvyat se tornou o “patinho feio” da Fórmula 1 em 2016. Após iniciar a temporada na Red Bull, o russo foi “rebaixado” para a Toro Rosso, depois de ser defenestrado pelo ‘circo’ devido a sua atuação no GP da Rússia, em Sochi. Enquanto o seu substituto, Max Verstappen, já venceu corrida – justamente em sua estreia na Red Bull, no GP da Espanha, em Montmeló –, Kvyat se viu numa verdadeira encruzilhada na carreira. Desde o “rebaixamento”, não conseguiu se impor diante de Carlos Sainz Jr., seu companheiro na Toro Rosso. Pior: muitos têm pedido sua cabeça. Apesar de Helmut Marko, consultor da Red Bull, garantir que Daniil estará no grid em 2017, há quem duvide da presença do piloto na próxima temporada. O russo tem ciência de que está sendo visado. E acelerar passou a ser a única alternativa para seguir na categoria.

No GP de Cingapura, disputado no último domingo, em Marina Bay, Kvyat espantou a “maré de azar” que havia assolado sua trajetória em 2016. Durante todo o fim de semana, o russo foi combativo, andando sempre entre os 10 primeiros. No fim, terminou em nono, colado em Sergio Pérez (Force India). Foi seu melhor resultado desde que deixou a Red Bull. Os dois pontos foram os primeiros conquistados por Daniil desde o GP da Inglaterra, em Silverstone. Além de dar fim ao jejum de quatro corridas sem pontuar, Kvyat ajudou a Toro Rosso a manter o sonho de terminar o Mundial de Construtores em sexto, à frente da McLaren. Sem os pontos do russo, seria quase impossível para a equipe de Faenza alcançar o time de Woking – depois da prova de Marina Bay, a vantagem da McLaren subiu de três para sete pontos (54 a 47), por conta do sétimo lugar de Fernando Alonso.

O bom desempenho do STR11 em Marina Bay ajudou Kvyat a se reabilitar no Mundial

O bom desempenho do STR11 em Marina Bay ajudou na reabilitação de Kvyat no Mundial

Logo na sexta-feira, Kvyat percebeu que seria um fim de semana diferente. Logo que entrou no circuito de rua de Cingapura, o russo sentiu seu STR11 adaptado à pista. Após os dois treinos livres do dia, Daniil figurou em 10º, com 1m46s029. Kvyat ficou a 0s522 de Sainz Jr.,  que anotou 1m45s507, e a 1s877 de Nico Rosberg (Mercedes), o mais rápido do da sexta, com 1m44s152. “Nós tentamos muitas coisas nos dois treinos, e acho que foi uma sexta-feira estimulante. Vamos agora tentar aprender o máximo que pudermos para amanhã (sábado) e tentar maximizar o potencial que eu sinto que temos aqui. Acho que podemos ser fortes, e fico feliz em ver que parecemos mais competitivos do que nas corridas anteriores. Obviamente, precisamos continuar trabalhando duro, mas eu estou pronto para isso”, observou.

Qualificar vinha sendo um problema para Kvyat, desde que retornou para a Toro Rosso. Nas últimas corridas, se tornou um martírio. Após ser barrado no Q1 nas últimas três etapas – Alemanha, Bélgica e Itália –, enfim, o russo pôde respirar aliviado. Com um bom acerto de seu STR11, Daniil avançou para o Q3 de Marina Bay. No fim do qualifying de sábado, terminou em sétimo, com 1m44s469. Kvyat ficou a 0s272 de Sainz Jr., sexto com 1m44s197, e a 1s885 de Nico Rosberg (Mercedes), pole com 1m42s584. Após a sessão, Daniil parecia ter tirado um peso das costas, expressando satisfação com o resultado.

Após ser barrado no Q1 por três etapas consecutivas, Kvyat avançou para o Q3 em Cingapura

Após ser barrado no Q1 nas três etapas anteriores, Kvyat avançou para o Q3 em Cingapura

“Foi um ótimo dia para mim. A última volta foi boa, e apesar de eu ter apenas um jogo de ultramacios novos no Q3, tive uma performance sólida. Podemos ficar satisfeitos. É sempre agradável quando o carro está em seu melhor momento na última volta. É encorajador ver que estamos de volta às posições onde deveríamos estar, mostrando que somos competitivos aqui, e espero que possamos ter uma boa corrida amanhã (domingo). Tudo pode acontecer, mas só precisamos manter a concentração, a paciência e aproveitar qualquer chance surgida em nosso caminho. Estamos bem posicionados, agora só temos de maximizar o que alcançamos hoje (sábado)”, disse o russo.

A tumultuada largada do GP de Cingapura de 2016: ao fundo, o acidentado Nico Hulkenberg (Force India)

A tumultuada largada do GP de Cingapura: ao fundo, o acidentado Nico Hulkenberg (Force India)

A corrida

Mesmo com o desempenho positivo na sexta e no sábado, Kvyat manteve-se reticente quanto às suas possibilidades no GP de Cingapura. Ao alinhar seu Toro Rosso na sétima posição no grid, havia a expectativa de um bom resultado. Porém, diante do que estava acontecendo com o russo durante a temporada, tudo poderia acontecer. Na noite de domingo, 18 de setembro de 2016, Marina Bay quase foi palco de um super acidente. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, Max Verstappen (Red Bull) ficou pelo caminho. Ao desviar do holandês, Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) tocou em Nico Hulkenberg (Force India). O alemão perdeu o controle de seu bólido, rodou na frente de Verstappen e bateu no ‘pit wall’. Apesar do susto, não houve “efeito-dominó”. Todavia, foi necessária a entrada do safety car para a retirada do carro de Hulk.

Largando com pneus ultramacios, Daniil foi superado por Fernando Alonso (McLaren), que saltou bem e pulou para quinto. Entretanto, se aproveitou da péssima saída de Verstappen e do toque sofrido por Sainz para assumir a sexta posição. Quando a relargada foi dada, na volta 3, Kvyat se manteve no top 6, andando no ritmo de Alonso. Por outro lado, era perseguido por Sainz. Porém, uma aleta do carro do espanhol estava avariada após o toque em Hulkenberg, e Carlos foi obrigado a parar nos boxes na volta 7. O pit stop de Sainz colocou Kvyat na alça de mira de Verstappen, que passava a ocupar a sétima posição. Max acompanhava Daniil, mas não conseguia se livrar do russo. Diante do impasse, a Red Bull chamou o holandês para os boxes, na volta 14. Na passagem seguinte, a Toro Rosso trouxe Kvyat para o pit, trocando os ultramacios pelos supermacios.

Apesar da pressão, Kvyat segurou Verstappen na primeira parte da corrida

Apesar da pressão, Kvyat (à frente) segurou Verstappen (ao fundo) na primeira parte da corrida

No retorno à pista, Daniil se viu em 12º, justamente à frente de Max. Na volta 17, com o pit stop dos brasileiros Felipe Massa (Williams) e Felipe Nasr (Sauber), Kvyat ingressou no top 10. Após a parada de Kevin Magnussen (Renault), na volta 18, o russo subiu para nono. Na passagem seguinte, foi a vez de Esteban Gutiérrez (Haas) realizar seu pit, fazendo com que Daniil passasse a ocupar a oitava colocação. Naquele momento, Kvyat voltava a perseguir Alonso, o sétimo. Todavia, sofria com a pressão de Verstappen, o nono. Na volta 20, Max investiu sobre Daniil, mas o russo da Toro Rosso impediu o avanço do holandês da Red Bull. Após o pit stop de Sebastian Vettel (Ferrari), na volta 24, Kvyat ascendeu para o sétimo lugar. Mas não tinha sossego: Verstappen estava colado.

Apesar da insistência, Max não conseguia executar a ultrapassagem sobre Daniil. Com o impasse, Verstappen antecipou seu segundo pit stop, parando na volta 27. A parada do holandês deu sossego para Kvyat, que passou a pressionar Alonso. Na volta 29, a vantagem do espanhol sobre o russo era de 1s4. Mesmo andando forte, Daniil ficou atrás de Fernando. Apenas com a parada de Alonso, na volta 33, Kvyat assumiu o sexto lugar. Porém, já contava com a pressão de Vettel, que fazia uma excelente prova de recuperação – o alemão largou em último em Marina Bay. Na volta 36, Sebastian superou Danill, que já sofria com o desgaste dos compostos supermacios. Na passagem seguinte, a Toro Rosso chamou Kvyat para seu segundo e definitivo pit stop. Na troca, colocou novamente pneus supermacios. No retorno à pista, se viu em 11º.

Kvyat atacou Sergio Pérez (Force India), mas escapou da pista. No fim, chegou colado no mexicano

Kvyat atacou Sergio Pérez (Force India), mas escapou da pista. No fim, chegou colado no mexicano

Na volta 39, após o pit stop de Magnussen, Daniil recuperou seu lugar no top 10. Depois da parada de Massa, na volta 43, o russo da Toro Rosso subiu para nono. Na volta 45, foi a vez de Verstappen ir aos boxes. Na saída, o holandês se viu colado em Kvyat. Novamente, Max se deparava com Daniil. Se no primeiro encontro dos dois em Marina Bay, a vantagem foi de Kvyat, no segundo, Verstappen fez valer o melhor desempenho de seu Red Bull. Na volta 48, na tentativa de superar Sergio Pérez (Force India), no duelo pelo sétimo lugar, Daniil saiu da pista, mas voltou à frente do mexicano. Naquele instante, Verstappen superou Pérez, e partiu para o ataque. Por ter executado a ultrapassagem sobre Checo fora da área permitida, Kvyat não ofereceu resistência. Além de ser superado por Max, Daniil cedeu o oitavo lugar para Sergio, para não ser punido pela direção de prova.

A partir daí, Kvyat iniciou uma perseguição implacável pelo oitavo lugar. Entretanto, não conseguiu ultrapassar Pérez. No fim, Nico Rosberg (Mercedes) ficou com a vitória do GP de Cingapura, reassumindo a liderança do Mundial. Daniel Ricciardo (Red Bull) terminou em segundo, seguido por Lewis Hamilton (Mercedes). Após a corrida, o russo se mostrou satisfeito com seu desempenho em Marina Bay, e celebrou o nono lugar. “Acho que fiz o máximo que podia hoje (domingo). Me diverti bastante, com ótimas disputas na pista. Infelizmente, após um bom primeiro trecho, as coisas não funcionaram como o esperado. Ficamos presos atrás de (Sergio) Pérez e não tínhamos velocidade suficiente nas retas para ultrapassá-lo. Forcei até o último centímetro e deixei minha alma na pista. É uma pena, mas estou feliz por voltar aos pontos”, explicou Kvyat.

Com os dois pontos, Kvyat manteve a Toro Rosso viva no duelo com a McLaren pelo 6º lugar do Mundial de Construtores

Com os pontos, Kvyat manteve a Toro Rosso viva no duelo com a McLaren pelo 6º lugar do Mundial

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Itália-2016: Pérez reclama, mas obtém top 8 em Monza

Sergio Pérez teve dificuldades, mas levou a Force India ao oitavo lugar em Monza

Sergio Pérez teve dificuldades, mas levou a Force India ao 8º lugar: missão não-cumprida em Monza

Sergio Pérez tinha um objetivo em mente quando desembarcou em Monza, palco do GP da Itália de 2016: tirar Valtteri Bottas (Williams) do sétimo lugar do Mundial de Pilotos. Após conquistar o quinto lugar no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, o mexicano ficou a quatro pontos do finlandês na tabela de classificação – Valtteri estava com 62, contra 58 de Checo. As características do velocíssimo circuito italiano pareciam favorecer Sergio e a Force India nessa disputa particular. Todavia, a equipe indiana se viu atrás da Williams durante todo o fim de semana. Apesar do esforço, Pérez teve que se contentar com o oitavo lugar, duas posições atrás de Bottas, sexto em Monza. Com o resultado, o latino viu o finlandês abrir para oito pontos sua vantagem no duelo pela sétima posição da temporada – 70 a 62.

O desempenho abaixo das expectativas fez com que a escuderia de Vijay Mallya perdesse o quarto lugar no Mundial de Construtores para o time de Frank Williams – a equipe de Grove subiu para 111, contra 108 da rival indiana (que mantém sede em Silverstone). O revés no GP da Itália surpreendeu a Force India. Após o bom fim de semana em Spa, esperava-se repetir a dose em Monza. Contudo, desde o momento em que Pérez e Nico Hulkenberg levaram o VJM09 para a pista, viu-se que seria uma missão quase impossível colocar os dois carros entre os cinco primeiros – como na etapa belga. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos no traçado italiano, Checo ficou em 13º, com 1m24s650. O mexicano ficou a 0s063 de Hulkenberg, 12º com 1m24s587, e a 1s849 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor da sexta com 1m22s801.

O mexicano reclamou da falta de equilíbrio do VJM09 no circuito italiano: Force India foi superada pela Williams na Itália

O mexicano reclamou da falta de equilíbrio do VJM09: Force India foi superada pela Williams na Itália

Diante do discretíssimo resultado nas sessões livres, a Force India acionou o alerta nos boxes, para apreensão de Pérez. “Não acho que hoje (sexta) foi bem como nós pensávamos. O equilíbrio do carro ainda não está onde eu quero, por isso precisamos entender o por quê. Há ainda alguns décimos que podemos encontrar e deve ser um bom ponto de partida. Os tempos mostram que a batalha no pelotão intermediário é ainda mais estreita do que o habitual, por isso precisamos continuar pressionando para melhorar”, afirmou Sergio, que utilizou o halo pela primeira vez em seu bólido. “Foi apenas uma volta de instalação, mas não senti quaisquer problemas com a visibilidade. Saindo do carro é um pouco mais difícil, mas será interessante ver como esta tecnologia se desenvolve ao longo do tempo”, analisou.

No sábado, a Force India encontrou um acerto mais eficiente, o que colocou seus dois pilotos no top 10 da qualificação. Tanto Pérez quanto Hulkenberg avançaram para o Q3 de Monza. Na sessão decisiva, Checo alcançou o oitavo tempo, com 1m22s814, 0s022 à frente de Hulk, nono no grid com 1m22s836. O mexicano ficou a 1s619 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP da Itália com 1m21s135. “Acho que podemos ficar satisfeitos com o resultado de hoje (sábado). Temos enfrentado dificuldades o fim de semana inteiro, mas trabalhamos realmente duro na noite passada para melhorar o equilíbrio do carro e demos um passo à frente na classificação. Alguns de nossos rivais parecem ter um ritmo bem forte, mas creio que maximizamos nosso esforço, com os nossos dois carros entre os 10 primeiros. Em geral, foi uma sessão empolgante”, observou Sergio.

Na largada do GP da Itália, Pérez se aproveitou da má saída de Verstappen e subiu para sétimo

Na largada do GP da Itália, Pérez se aproveitou da má saída de Verstappen e subiu para sétimo

A corrida

Em 4 de setembro de 2016, 22 pilotos alinharam para a disputa do GP da Itália, em Monza. Sob um céu parcialmente nublado, Pérez se colocou na oitava posição do grid, calçando pneus supermacios  – o que lhe impediria de fazer um longo primeiro stint. Dessa forma, forçar desde o início era preciso para alcançar um bom resultado. Quando os carros partiram para o contorno da primeira chicane do traçado italiano, Checo foi cauteloso. Ainda assim, se aproveitou da má saída de Max Verstappen (Red Bull) para assumir o sétimo lugar. A partir daí, o mexicano não conseguia acompanhar o ritmo de Daniel Ricciardo (Red Bull), o sexto. Por outro lado, não era incomodado por Felipe Massa (Williams), o oitavo. O brasileiro, aliás, foi um dos nomes mais comentados do fim de semana, após anunciar que se retiraria da F1 ao fim da temporada.

Despedidas à parte, Pérez queria saber de acelerar. Sem chance de pressionar Ricciardo, restava ao mexicano esperar como as equipes lidariam com as opções estratégicas para a prova italiana. O momento da parada poderia determinar o resultado da corrida. Logo na volta 13, Valtteri Bottas (Williams) foi para os boxes. Assim, Checo subiu para sexto. Todavia, ficaria ali apenas por duas voltas. Na 15, o latino foi chamado pela Force India para realizar seu primeiro pit stop. Na troca, o time sacou os pneus supermacios e colocou os compostos macios. Assim, Sergio permaneceria por mais tempo na pista. Por outro lado, o jogo não resistiria até o fim da prova, o que forçaria o mexicano a fazer uma segunda parada.

Durante a corrida, Pérez andou à frente de Hulkenberg: ambos terminaram no top 10 de Monza

Durante a corrida, Pérez andou à frente de Hulkenberg: ambos terminaram no top 10 de Monza

No retorno à pista, o asteca se viu em 10º, atrás de Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). Na volta 16, Pérez superou o espanhol. Com a ida de Massa para os boxes, na mesma passagem, o piloto da Force India subiu para oitavo. Na volta 22, Sergio ultrapassou Romain Grosjean (Haas) – que ainda não havia feito seu pit stop -, assumindo a sétima colocação. Quem também passou Grosjean foi Verstappen, que tentava se recuperar na corrida. Diante da perseguição do holandês, a Force India resolveu alterar a estratégia do mexicano. A fim de segurar Max, o time indiano antecipou a segunda parada de Pérez. Dessa forma, apostaria na força do motor Mercedes para evitar que o jovem da Red Bull o superasse.

Na volta 28, Sergio foi aos boxes. No pit stop, o time colocou um novo jogo de pneus macios. Com isso, iria até o fim com aqueles compostos. Ao retornar à pista, estava em 11º, atrás de Fernando Alonso (McLaren). Com os novos pneus, Pérez partiu para o ataque sobre Alonso – afinal, não podia perder tempo no duelo contra Verstappen. Na volta 32, Checo ultrapassou Alonso e assumiu o 10º lugar. Com a parada de Nico Hulkenberg (Force India) na 34, o latino passou para a nona posição. Na volta 36, Verstappen foi aos boxes, e Sergio se viu à frente do holandês, na oitava colocação. Pronto: a estratégia de barrar Max havia surtido efeito. Com a parada de Massa na 37, Pérez reassumiu o sétimo lugar.

Pérez sai dos boxes à frente de Verstappen: estratégia ousada não surtiu resultado

Pérez sai dos boxes à frente de Verstappen: estratégia ousada não surtiu resultado

Apesar da tática ter funcionado inicialmente, Checo teria que lidar com Verstappen e Massa utilizando pneus em melhor estado. Com o passar das voltas, o rendimento do mexicano despencou, possibilitando a aproximação de Max e de Felipe. O holandês passou a pressionar o latino pelo sétimo lugar. Na volta 48, Verstappen contornou a Curva Grande colado em Pérez. Na freada da segunda chicane, o jovem da Red Bull foi para cima de Sergio, que saiu da pista para evitar o choque. A estratégia que parecia dar certo não funcionou conforme planejou a Force India. Checo caiu para oitavo, e não conseguia mais acompanhar Verstappen. Pior: viu Massa se aproximar perigosamente, ameaçando seu lugar no top 8.

Mesmo com as investidas de Massa, Pérez conseguiu se manter em oitavo, completando o GP da Itália novamente na zona de pontos. A vitória em Monza ficou com Nico Rosberg (Mercedes), seguido por Lewis Hamilton (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari). Ao final da corrida, Sergio lamentou o resultado. “Eu não me diverti tanto na pista hoje (domingo). Para mim, foi uma corrida solitária durante a maior parte do tempo. Acho que conseguimos o melhor resultado possível. Tentamos uma estratégia agressiva, antecipando o segundo pit stop para tentar cobrir Verstappen, mas foi cedo demais e fomos muito pressionados por Massa no final. Foi importante ficar à frente dele. Sabíamos que seria uma prova desafiadora, e isso mostra que precisamos continuar trabalhando duro”, finalizou o mexicano.

Com o 8º lugar, Pérez ficou a 8 pontos de Valtteri Bottas (Williams), sétimo no Mundial

Com o 8º lugar em Monza, Pérez ficou a 8 pontos de Valtteri Bottas (Williams), sétimo no Mundial

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