Lançamento online – Livro “Contos Velozes”

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É com muita satisfação que o Contos da Fórmula 1 anuncia o início da venda online do livro “Contos Velozes”. Produzido por meio de uma parceria entre o jornalista Douglas Willians (autor deste blog) e o designer Bruno Mantovani, dos célebres Pilotoons, o livro “Contos Velozes” traz histórias emblemáticas da Fórmula 1. Com formato leve e linguagem direta, tem enfoque no público infanto-juvenil – mas é leitura para todas as idades.

A publicação acaba de sair do forno. Com 60 páginas, a obra reúne 13 das histórias relatadas neste blog. Organizada em ordem cronológica, o livro busca abraçar a Fórmula 1 desde o seu início, na década de 1950 (com Chico Landi), até os dias atuais (com Max Verstappen).

O valor da publicação é de R$ 50,00 (com frete incluso – postagem via Correios). Se tiver interesse em adquirir o livro, entre em contato conosco por meio das nossas redes sociais – Facebook, Twitter ou Instagram – ou pelo e-mail douglas.willians@gmail.com.

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Mônaco-2019: McLaren reverencia Lauda e vê Sainz no top 6

Na segunda que antecedeu ao GP de Mônaco, a F1 recebeu a notícia do falecimento de Niki Lauda

Na segunda anterior ao GP de Mônaco, a Fórmula 1 recebeu a notícia do falecimento de Niki Lauda

Por Denise Vilche*
Colaboradora

O GP de Mônaco sempre foi considerado o mais glamouroso do calendário. Disputada pela primeira vez em 1929, a corrida pelas estreitas ruas do Principado já viu lendas do automobilismo mostrarem perícia extrema por suas curvas. Mas o 77º GP de Mônaco, disputado no dia 26 de maio de 2019, acabou se tornando palco de homenagens a uma dos maiores ícones da história da Fórmula 1. Na segunda-feira que antecedeu a prova monegasca, faleceu Niki Lauda, um dos mais respeitados pilotos da categoria. Um respeito que vinha não somente por seu talento, mas também por sua história de superação – em especial, após o retorno às pistas depois de sofrer graves queimaduras num acidente no GP da Alemanha de 1976, em Nurburgring.

Presidente não-executivo da Mercedes, Niki havia feito um transplante de pulmões em 2018 para reparar danos causados pelo acidente de 1976. No começo da temporada, Niki foi parar no hospital com uma gripe e foi impedido pelos médicos de viajar para acompanhar as corridas até que se recuperasse. Mas essa recuperação nunca aconteceu, e o tricampeão faleceu no dia 20 de maio, aos 70 anos.

Lauda faleceu aos 70 anos. Na McLaren, conquistou seu terceiro título mundial

Lauda faleceu aos 70 anos. Na McLaren, conquistou seu terceiro título mundial, em 1984

Para homenagear Lauda, a Mercedes pintou o halo de seu carro na cor vermelha, em alusão ao boné que o austríaco nunca tirava da cabeça e o ajudava a cobrir as cicatrizes de suas queimaduras. Lewis Hamilton, que tinha um relacionamento muito próximo com Niki, foi dispensado dos compromissos com a mídia. Naquele fim de semana, o britânico usou um capacete que remetia ao usado por Niki em 1984 – ano de seu tricampeonato com a McLaren. Outro que rendeu tributo a Lauda foi Sebastian Vettel (Ferrari), que usou um casco semelhante ao utilizado nos tempos áureos do austríaco na Scuderia, na década de 1970. Além dos multicampeões, todas as demais equipes colocaram adesivos em seus carros em homenagem a Niki.

A McLaren foi a última equipe que Lauda correu na Fórmula 1. E se superação é a palavra que define Niki, a equipe inglesa começou a mostrar naquele fim de semana que os maus resultados das temporadas passadas ficaram para trás. Depois de um começo de ano difícil, a equipe passou a obter resultados consistentes. Um bom exemplo disso foi o sexto lugar de Carlos Sainz Jr. no GP de Mônaco de 2019.

A McLaren levou uma homenagem a Lauda em seu carro durante a prova monegasca

A McLaren levou uma homenagem a Lauda em seu carro durante a prova monegasca

Ao chegar no Principado, Sainz ocupava a 11ª colocação no campeonato, com 10 pontos – ele foi sétimo no GP do Azerbaijão, em Baku, e oitavo no GP da Espanha, em Montmeló. Carlos tinha dois pontos a menos que seu companheiro de McLaren, Lando Norris. Por isso, a ordem era superar o britânico na etapa monegasca e, com isso, se colocar à frente do estreante. Entretanto, no primeiro treino livre, na quinta-feira, as coisas não começaram bem para o madrileno. Um problema na unidade de potência em sua McLaren o fez dar apenas 4 voltas no primeiro treino.

“Essas 30, 40 voltas que eu não pude dar vão fazer falta mais à frente no fim de semana, mas eu estou confiante de que eu conseguirei recuperar aos pouquinhos”, disse o espanhol após a sessão. Hamilton terminou na frente, com o tempo de 1m12s106, seguido bem de perto por Max Verstappen (Red Bull), que terminou 0s059 atrás do piloto da Mercedes, enquanto que Valtteri Bottas (Mercedes), o terceiro colocado, ficou a apenas 0s072 atrás de seu companheiro de equipe.

Sainz encarou problemas no primeiro treino livre, o que atrapalhou sua adaptação ao circuito monegasco

Sainz encarou problemas no 1º treino livre, o que atrapalhou sua adaptação ao circuito monegasco

No segundo treino livre, a Mercedes voltou a dominar, com Hamilton em primeiro, com o tempo de 1m11s118, seguido de Bottas (a 0s081) e Vettel (a 0s763). Com o problema resolvido, Sainz conseguiu se recuperar e terminou a sessão com o 13º tempo (1m12s419), ficando uma posição atrás de Norris. Mas ainda era pouco para quem tinha um retrospecto positivo no Principado: desde 2016, Carlos conseguia largar entre os 10 primeiros em Mônaco. E era isso que ele queria no sábado.

No qualifying, a Mercedes voltou a dominar, com Hamilton fazendo mais uma pole position, com o tempo de 1m10s166, seguido de Bottas, com 1m10s252 (a 0s086) e Verstappen, com 1m10s641 (a 0s475). E Sainz? O espanhol conservou seu recorde, alcançando a nona posição com o tempo de 1m11s417, a 1s251 de Hamilton.

Espanhol manteve a escrita de sempre largar entre os 10 primeiros em Mônaco desde 2016

Espanhol manteve a escrita de sempre largar entre os 10 primeiros em Mônaco desde 2016

“Esse é um bom recorde e eu gosto de que seja em Mônaco. Meu pai (Carlos Sainz, lenda do rali), quando eu era criança, me disse: ‘Se tem um lugar para brilhar, esse lugar é Mônaco’ e eu sempre me preparei para essa corrida de maneira mais especial do que para as outras, coloco um pouco mais de atenção, me concentro mais e parece que funciona toda vez”, disse Sainz.

Pilotos se uniram antes da largada do GP de Mônaco para homenagear Niki Lauda

Pilotos se uniram antes da largada do GP de Mônaco para homenagear Niki Lauda

A corrida

Antes do GP de Mônaco de 2019, os 20 pilotos do grid, usando bonés vermelhos com a frase ‘Danke Niki’ (Obrigado Niki, em alemão), se reuniram para fazer um minuto de silêncio em homenagem a Niki Lauda. Eles iriam correr em memória do lendário piloto. E queriam fazer o melhor para honrar o legado de coragem deixado pelo tricampeão. Na largada, os primeiros colocados mantiveram suas posições: Lewis Hamilton (Mercedes) em primeiro, seguido por Valtteri Bottas (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull). Já Carlos Sainz (McLaren) conseguiu ganhar uma posição de Daniil Kvyat (Toro Rosso) e assumiu o oitavo lugar.

Charles Leclerc (Ferrari), por sua vez, queria mostrar serviço em casa. Após encarar problemas no qualifying, o monegasco largou em 15º e procurava fazer uma prova de recuperação. Na volta 8, Leclerc acabou tocando em Nico Hulkenberg (Renault) e teve um pneu furado. Com detritos na pista, o safety car foi acionado. Muitos pilotos aproveitaram para fazer suas paradas, inclusive os líderes Hamilton, Bottas e Verstappen. Os dois últimos acabaram se tocando na saída dos boxes e o finlandês da Mercedes teve que fazer uma nova parada na volta seguinte para trocar os pneus, caindo para o quarto lugar. O holandês da Red Bull, por sua vez, assumiu a segunda colocação. Porém, Max foi considerado culpado pelo incidente e acabou punido com 5 segundos de acréscimo ao seu tempo, já que não realizaria um novo pit stop.

Sainz largou bem, ganhou posição de Kvyat e alcançou top 6 após safety car

Carlos Sainz Jr. largou bem, ganhou posição de Kvyat e alcançou sexta colocação após safety car

Quando a corrida recomeçou, Sainz estava em sexto. O espanhol foi beneficiado com as paradas de Daniel Ricciardo (Renault) e Kevin Magnussen (Haas). Já o líder Hamilton passou a ser perseguido por Verstappen, que se mantinha a menos de 1 segundo de distância, e por Vettel, que estava em terceiro, a 1s5 do britânico da Mercedes. Na 16ª volta, Robert Kubica (Williams) foi tocado por Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e acabou rodando na Rascasse, causando um congestionamento no Principado. Sergio Pérez (Racing Point), George Russell (Williams) e Leclerc tentavam passar pelo carro do polonês, que bloqueava o caminho. O piloto da Williams logo conseguiu prosseguir na prova e Leclerc, que estava em último, acabou abandonando a prova logo em seguida.

Enquanto isso, Sainz continuava com sua consistente performance. Na volta 30, o espanhol fez sua única parada, voltando em nono, na frente de Lando Norris (McLaren). O britânico acabou ajudando Carlos a conseguir um bom resultado, já que ele ainda não havia parado e, com um ritmo mais lento, conseguia segurar todos os pilotos que vinham atrás – já que a apertada pista de Mônaco não oferece muitos pontos de ultrapassagem. “No momento em que nós percebemos que eu não conseguiria fazer nada especial, se transformou mais em um jogo de equipe. E eu tentei ajudar o Carlos e a equipe a tentar alcançar um melhor resultado, deixando minha própria corrida em segundo plano”, declarou Norris, que foi muito criticado pela conduta. Com isso, o espanhol teve a oportunidade de abrir a vantagem necessária para recuperar a sexta colocação após a parada dos pilotos à sua frente.

Sainz precisou segurar os ataques da dupla da Toro Rosso para conservar top 6 em Mônaco

Sainz precisou segurar os ataques da dupla da Toro Rosso para conservar top 6 em Mônaco

Na disputa pela liderança, Hamilton e Verstappen se distanciaram dos demais e passaram a duelar de maneira mais acirrada, principalmente quando tinham que passar por retardatários. A diferença entre os dois se mantinha na faixa de meio segundo e na volta 76, Max tentou ultrapassar Hamilton na saída do túnel. Os dois pilotos se tocaram, com Lewis cortando a chicane por conta do toque. Sem maiores dados nos carros, a disputa continuou até a última volta. O piloto britânico teve que fazer milagres para segurar o piloto da Red Bull, já que um erro da Mercedes na estratégia de pneus fez com que Lewis trocasse para os pneus médios, que se desgastaram mais rápido do que o esperado. Mas Hamilton conseguiu gerenciar os pneus até o fim e acabou vencendo o GP de Mônaco, sua 77ª vitória na F1.

Verstappen, que cruzou a linha de chegada em segundo, acabou caindo para o quarto lugar com a punição que sofreu no começo da prova. Com isso Vettel ganhou o segundo lugar e Bottas completou o pódio. Pierre Gasly (Red Bull) foi o quinto colocado e Sainz terminou em sexto, sua melhor posição desde o começo do campeonato.

Sexto lugar em Mônaco coroou a reação de Sainz no campeonato: terceira vez consecutiva na zona de pontos

Sexto lugar em Mônaco coroou a reação de Sainz no Mundial: 3ª vez consecutiva na zona de pontos

“Sim, o sexto lugar de hoje (domingo) é um bom resultado e é a terceira vez consecutiva que eu termino na zona de pontuação. Nós conseguimos um bom número de pontos neste fim de semana, pontos importantes em uma pista que não nos favorece muito. Nós precisamos continuar nos esforçando para melhorar ainda mais, mas parabéns à equipe pelo trabalho”, disse o espanhol após a corrida. Com o resultado, Hamilton se manteve na liderança do campeonato, com 137 pontos, seguido de Bottas (120), Vettel (82) e Verstappen (78). Com o sexto lugar no Principado, Sainz pulou para a sétima colocação, com 18 pontos.

Com a sexta posição, Sainz subiu para sétimo no Mundial de Pilotos

Com a sexta posição, Sainz subiu para sétimo no Mundial de Pilotos, com 18 pontos

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Publicado em Alfa Romeo, Antonio Giovinazzi, Carlos Sainz Jr., Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, Denise Vilche, George Russell, Haas, Kevin Magnussen, Lando Norris, McLaren, Nico Hulkenberg, Niki Lauda, Racing Point, Renault, Robert Kubica, Sergio Pérez, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

Itália-2019: Ricciardo coloca Renault num ótimo quarto lugar

Daniel Ricciardo (Renault) celebra quarto lugar em dia de vitória ferrarista com Charles Leclerc

Em Monza, Daniel Ricciardo celebra 4º lugar em dia de triunfo ferrarista com Charles Leclerc

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Descendente de italianos, Daniel Ricciardo (Renault) sempre se sentiu em casa no célebre autódromo de Monza. Lá, o australiano fez seu espírito latino transbordar de maneira efusiva no GP da Itália de 2019. Disputado no dia 8 de setembro, Ricciardo teve um desempenho que fez lembrar seus tempos de Red Bull ao andar entre os primeiros colocados. No fim, conquistou um excelente quarto lugar, seu melhor resultado na equipe francesa até o momento.

Não tem sido fácil para Ricciardo liderar o projeto de reconduzir a Renault ao topo. Após deixar a Red Bull no fim de 2018, o australiano vem encontrando diversas dificuldades com o instável RS19. Antes do GP da Itália, ele havia disputado 13 GPs a bordo do carro preto e amarelo. Seu melhor resultado havia sido um sexto lugar no GP do Canadá, em Montreal. Daniel desembarcou em Monza ocupando apenas o 12º lugar no campeonato, com 22 pontos. Uma posição intermediária, revelando a falta de competitividade da equipe de Enstone neste Mundial.

Após deixar a Red Bull, Ricciardo se transferiu para a Renault: 2019 problemático para o australiano

Após deixar a Red Bull, Ricciardo se transferiu para a Renault: 2019 problemático para o australiano

Em Monza, as expectativas não eram das melhores para a Renault. E o clima também não ajudava no desenvolvimento do RS19. O primeiro treino livre foi marcado pela chuva e por algumas bandeiras vermelhas. Com a pista escorregadia, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), Sergio Perez (Racing Point) e Pierre Gasly (Toro Rosso) acabaram rodando e interromperam o treino. As McLaren de Carlos Sainz Jr. e Lando Norris se arriscaram logo no início e faziam os dois melhores tempos. Porém, no fim, Charles Leclerc (Ferrari), embalado pela vitória na etapa anterior, na Bélgica, e calçando pneus slicks, marcou o primeiro tempo com 1m27s905. Daniel Ricciardo anotou o 13º tempo, com 1m34s528 – a 6s623 do monegasco.

Com uma nova ameaça de chuva, os pilotos foram logo para a pista na segunda sessão livre. Lewis Hamilton (Mercedes) começou na frente, mas Leclerc fez o tempo de 1m20s978 e assumiu a liderança. A chuva paralisou o treino por meia hora. Quando o treino recomeçou, Hamilton tentou superar o piloto da Ferrari. Porém, com o tempo de 1m21s046, acabou ficando a 0s068 de Leclerc. Já Ricciardo mostrou um bom desempenho da Renault na pista seca e terminou o treino em nono, com 1m22s249 – a 1s271 do monegasco.

Na sexta, a chuva atrapalhou o ritmo da Renault e de Ricciardo

Na sexta-feira, a chuva atrapalhou o ritmo da Renault e de Ricciardo em Monza

No sábado, a evolução de Ricciardo e da Renault continuou em Monza. A confiança da equipe ficou elevada após o australiano conquistar a quinta posição na sessão livre da manhã. Isso inspirou a todos na obtenção de um bom lugar no grid para o GP da Itália. No qualifying, Verstappen teve um problema logo no Q1 e sequer chegou a marcar tempo. A sessão foi marcada por uma bandeira vermelha no final, quando Sergio Perez (Racing Point) teve um problema com o seu carro e parou na pista. Quando o treino recomeçou, Leclerc marcou o primeiro tempo, seguindo de perto por Nico Hulkenberg (Renault) e Valtteri Bottas (Mercedes), com Hamilton e Ricciardo logo atrás.

A disputa acirrada entre Hamilton e Leclerc nos treinos livres seguiu no Q2, com o piloto da Mercedes ficando na frente do ferrarista por 0s089. Já Ricciardo, mostrando o bom desempenho da Renault em Monza, terminou o Q2 em um surpreendente quarto lugar. No Q3, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) bateu e provocou uma bandeira vermelha. No momento da interrupção, Leclerc liderava, com Hamilton e Bottas na sequência. Com seis minutos para o fim, a sessão foi reiniciada. Mas em Monza, os pilotos que se aproveitavam do vácuo do carro à frente levavam vantagem. Sendo assim, ninguém quis ser o primeiro a sair para a pista na volta final do treino.

Cena pastelão no fim do qualifying de Monza: ninguém queria ceder vácuo

Cena pastelão no fim do qualifying de Monza: ninguém queria ceder vácuo para o adversário

Com dois minutos para o fim do Q3, finalmente os pilotos saíram dos boxes. Entretanto, ninguém queria ceder o vácuo para o rival. Os pilotos andaram lentamente pela pista, resultando em um inusitado congestionamento. Com o cronômetro quase zerado, Leclerc e Carlos Sainz Jr. (McLaren) foram os únicos que conseguiram cruzar a linha para abrir a última volta. Mesmo sem melhorar seu tempo, o monegasco conseguiu a pole position com o tempo de 1m19s307, seguido de Hamilton, com 1m19s346 e Bottas, com 1m19s354. Ricciardo novamente andou bem e conseguiu a quinta posição no grid, com o tempo de 1m19s839, a apenas 0s532 da pole de Leclerc.

Ao final do qualifying de Monza, o que restou foi a indignação geral sobre o polêmico desfecho do Q3. “Você já viu alguma coisa desse tipo? Isso não é nem digno de fórmulas juniores! O problema é que todo mundo tentou pegar o vácuo. É coisa de categorias juniores e todo mundo ficou parecendo idiotas. (Nico) Hulkenberg liderando o pelotão e depois cortando a chicane, alguns outros carros reduzindo a velocidade. Não é digno de F1”, esbravejou Christian Horner, chefe da Red Bull. No dia anterior, a F3 enfrentou o mesmo problema, com 19 pilotos sendo penalizados. Mas, na F1, a direção de prova chegou a investigar o caso, mas nenhum piloto foi punido.

Largada do GP da Itália de 2019: em quinto no grid, Ricciardo foi superado por Hulkenberg

Largada do GP da Itália de 2019: em quinto no grid, Ricciardo foi superado por Hulkenberg

A corrida

A largada do GP da Itália de 2019 foi especialmente positiva para o companheiro de Daniel Ricciardo (Renault). Assim que as luzes vermelhas se apagaram, Nico Hulkenberg (Renault) saltou de sexto para a quarta posição – além do australiano, Hulk ultrapassou Sebastian Vettel (Ferrari). À frente do trio, posições inalteradas: Charles Leclerc (Ferrari) conseguiu se manter na liderança, seguido de Lewis Hamilton (Mercedes) e Valtteri Bottas (Mercedes). Atrás, Max Verstappen (Red Bull), que largou em 19°, se tocou com Sergio Perez (Racing Point) e teve que ir para os boxes trocar a asa dianteira. Nas primeiras voltas, Leclerc começou a abrir vantagem sobre Hamilton. Já Vettel retomava o quarto lugar ao superar Hulkenberg. Na volta 5, foi a vez de Ricciardo ultrapassar o companheiro de equipe e assumir a quinta colocação.

Na sexta volta, Vettel rodou na Variante Ascari e, ao voltar para a pista, acertou o carro de Lance Stroll (Racing Point). O canadense acabou saindo da pista e ao voltar, quase bateu no carro de Pierre Gasly (Toro Rosso). Com o toque, Vettel precisou ir aos boxes para trocar a asa dianteira. O alemão aproveitou também para fazer sua primeira parada, voltando na última colocação. Pelo incidente, Sebastian foi punido com um stop and go de 10 segundos, enquanto Stroll levou um drive through. Após essa confusão, Ricciardo assumiu a quarta colocação, com uma vantagem confortável em relação a Hulkenberg, que vinha em quinto.

Em quarto, Ricciardo manteve uma vantagem segura sobre Hulkenberg: Renault em forma em Monza

Em quarto, Ricciardo manteve uma vantagem segura sobre Hulkenberg: Renault em forma em Monza

Na 19ª volta, Hamilton antecipou sua parada, na esperança de ultrapassar Leclerc quando o ferrarista viesse para os boxes. A estratégia não funcionou: Charles seguiu à frente de Lewis. Com a parada dos líderes, Bottas assumiu a primeira colocação, com Ricciardo em segundo e Hulkenberg em terceiro. Mas Nico vinha sendo perseguido por Leclerc e Hamilton. Os dois superaram o alemão da Renault na volta 23. Três voltas depois, tanto Charles quanto Lewis ultrapassaram Daniel.

Quando Bottas parou, na volta 27, Leclerc reassumiu a liderança, com Hamilton logo atrás. Duas voltas depois, um safety car virtual foi acionado para a retirada do carro de Carlos Sainz Jr. (McLaren), que parou na entrada dos boxes devido a um pneu mal colocado. Nesse momento, Ricciardo aproveitou para fazer sua única parada, voltando na sétima colocação. Mal os pilotos foram liberados para voltar a acelerar, Ricciardo ultrapassou seu companheiro de equipe na volta 29 para assumir o quarto lugar. Mas o safety car virtual foi novamente acionado para retirar o carro de Danill Kvyat (Toro Rosso), que começou a soltar fumaça e espalhar óleo pela pista.

Ricciardo, entre Leclerc e Hamilton: Renault estendeu presença do australiano na pista

Ricciardo, entre Leclerc e Hamilton: Renault estendeu presença do piloto na pista antes do pit stop

A corrida foi reiniciada na volta 31, com Hamilton colocando pressão sobre Leclerc. O britânico da Mercedes teve algumas oportunidades para ultrapassar o ferrarista, mas Charles conseguiu se manter na frente de Lewis, mesmo cometendo um erro e cortando a chicane na volta 36. Ricciardo seguiu na quarta colocação, com Hulkenberg em quinto, mostrando a boa forma dos carros da Renault em Monza.

Com pneus mais novos, Bottas começou a se aproximar de Hamilton e na volta 42, após Lewis travar os pneus na curva 1, o piloto finlandês conseguiu ultrapassar seu companheiro de equipe. Valtteri passou então a pressionar Leclerc, que conseguia manter uma vantagem de mais de 1 segundo sobre o rival.

Após o pit stop, Daniel manteve um ritmo seguro e consolidou a quarta colocação na etapa italiana

Após o pit stop, Daniel manteve um ritmo seguro e consolidou a quarta colocação na etapa italiana

Na volta 49, Hamilton, que não conseguia mais se aproximar de Bottas, fez mais parada. Mesmo assim, saiu em terceiro, com confortável vantagem sobre Ricciardo. Na frente, Bottas continuava a pressionar Leclerc, mas o piloto monegasco conseguiu segurar o piloto da Mercedes e cruzou a linha de chegada para a loucura dos ‘tifosi’ presentes no circuito.

Foi a segunda vitória da carreira de Charles, a primeira de um piloto da Ferrari em Monza desde Fernando Alonso, em 2010, e a 10ª de um piloto da Scuderia no mítico autódromo italiano. Depois de não comemorar sua primeira vitória devido à morte de Anthoine Hubert no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, desta vez Leclerc não se conteve e comemorou o triunfo aos gritos. Bottas chegou em segundo, com Hamilton completando o pódio. Quem também teve motivos para comemorar foi a Renault, que conseguiu o quarto e quinto lugar, com Ricciardo e Hülkenberg. Foi o melhor desempenho do australiano no time desde que ele se transferiu da Red Bull para a equipe de Enstone.

Renault celebra desempenho em Monza: quarto com Ricciardo e quinto com Hulkenberg

Renault celebra desempenho em Monza: quarto com Ricciardo e quinto com Hulkenberg

Daniel estava satisfeito com a quarta colocação, atrás somente dos pilotos de Ferrari e Mercedes. “Obviamente estou feliz pela equipe inteira, mas eu queria agradecer aos rapazes em Viry (França), que construíram os motores. Eu acho que conseguir o melhor resultado da equipe aqui em Monza desde 2008, em um circuito que demanda potência, é um grande feito. Eles tiveram que lidar com muitas derrotas nos últimos anos e eles tiveram muitos ganhos esse ano com essa unidade de potência, então esse resultado é para eles’’, declarou Ricciardo, recordando dos problemas e das duras críticas da Red Bull aos motores Renault – sobretudo no período em que fazia parte daquela equipe.

O australiano saiu da Itália ocupando a oitava colocação, com 34 pontos, empatado com Alex Albon (Red Bull). Hamilton seguiu confortável na liderança do campeonato, com 284 pontos, com Bottas em segundo (221), Verstappen em terceiro (185) e Leclerc em quarto (182).

Ricciardo deixou Monza com sorriso no rosto: oitavo lugar no Mundial, com 34 pontos

Ricciardo deixou Monza com sorriso no rosto: oitavo lugar no Mundial, com 34 pontos

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

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Brasil-1975: Pace e Fittipaldi, a dobradinha que se faz em casa

Com a bandeira brasileira, Pace celebra a vitória em Interlagos ao lado de Fittipaldi (à esq.)

José Carlos Pace celebra a vitória em Interlagos ao lado da esposa Elda e de Fittipaldi (à esq.)

A torcida brasileira vivia uma lua-de-mel com a Fórmula 1 quando o circo desembarcou em Interlagos para a disputa do GP do Brasil de 1975. O País contava com Emerson Fittipaldi, dono de dois títulos mundiais e uma das principais referências da categoria máxima do automobilismo. À esteira do sucesso do irmão, Wilson Fittipaldi Junior iniciou um dos maiores desafios – senão, o maior – do esporte a motor do Brasil: liderar o projeto da Copersucar Fittipaldi, uma equipe de F1 genuinamente brasileira. Além dos irmãos Fittipaldi, os brasileiros renovavam suas esperanças em José Carlos Pace. Depois de trocar a Surtees pela Brabham durante a temporada de 1974, Moco confiava que poderia fazer um bom papel em 1975.

Os três tinham motivos para acreditar em uma boa performance em Interlagos. Emerson vinha de uma vitória na etapa inaugural do Mundial de 1975 – o bicampeão levou a sua McLaren M23 ao topo do pódio no GP da Argentina, em Buenos Aires. Já Wilsinho, ainda que tivesse abandonado e visto o FD01 ser consumido pelo fogo, cumpriu com o objetivo de alinhar seu Copersucar no grid portenho. E Pace chegou a andar em segundo, mas abandonou com problemas no motor de seu Brabham BT44B.

Moco estava fora dos holofotes antes de Interlagos: favoritismo era de Emerson

Moco estava fora dos holofotes: favoritismo no GP do Brasil era de Emerson, vencedor em 1973 e 1974

Os holofotes da mídia brasileira naturalmente estavam sobre Emerson, o ídolo local. Dono das vitórias nos GPs do Brasil de 1973 e 1974, Fittipaldi era o favorito da torcida e concentrava as atenções do público. A Copersucar também era assunto, uma vez que, para a prova brasileira, o novo carro do time brasileiro, o FD02, estava sendo testado por Wilsinho em Interlagos e anotava tempos minimamente dignos.

E Pace? Moco sabia que poderia alcançar um pódio em casa. No ano anterior, havia arrancado um bom quarto lugar no GP do Brasil de 1974 com Surtees. Além de convencer o público brasileiro de que também merecia o devido reconhecimento, o piloto da Brabham tinha o desafio de bater o argentino Carlos Reutemann, seu talentoso e veloz companheiro de equipe.

Na sexta, Pace anotou o quinto tempo do dia. Reutemann, seu companheiro na Brabham, foi o mais veloz

Na sexta, Pace anotou o quinto tempo do dia. O mais veloz foi o surpreendente Jean-Pierre Jarier

Na sexta-feira, dia do primeiro treino oficial em Interlagos, nenhuma dessas missões foi cumprida. Primeiro, Moco foi barrado porque a credencial que ostentava não permitia que ele acessasse o autódromo, o que provocou muita confusão – Pace só pôde entrar no circuito após muita insistência para que liberassem o piloto. Depois, na pista de quase 8 quilômetros, acabou sendo superado por Reutemann. O brasileiro anotou o quinto melhor tempo do dia, com 2m31s59 – 0s59 mais lento que o argentino, que fez 2m31s00 e ficou com a segunda marca.

“O carro está quase bom”, disse Pace em reportagem publicada na edição de 25 de janeiro de 1975 da Folha de S. Paulo. “No começo, o carro dançava e saía de frente e de traseira. Agora ele está mais firme e pretendo conseguir me colocar de um jeito que me permita largar pelo menos nas duas primeiras filas”, observou Moco, que se queixou de dores na cabeça e no pescoço por um problema de ajuste dentro do cockpit do piloto. “Eu poderia ter sido mais rápido se não acontecesse esse problema”.

Fittipaldi elogiou o ritmo de Jarier, pole em Interlagos: bater o francês era a missão dos brasileiros em Interlagos

Fittipaldi elogiou o ritmo de Jarier, pole em Interlagos: bater o francês era a missão dos brasileiros

A pole provisória ficou com Jean-Pierre Jarier, da Shadow. O francês voltou a assombrar o circo depois de fazer a pole position na etapa anterior, na Argentina, quebrando o recorde de Interlagos com 2m30s34. Terceiro na sexta com 2m31s01 – a 0s67 de Jarier –, Fittipaldi demonstrou espanto com o tempo do piloto da Shadow. “Pensei que fosse o Ronnie Peterson na Shadow (era um boato de bastidores à época) e com o capacete do Jarier. Ele está pilotando bem, guiando bem demais. Fiquei surpreso com seu comportamento. Esperava uma boa atuação como a da Argentina (foi pole), mas não assim”, afirmou o bicampeão à Folha.

No sábado, Emerson chegou a baixar seu tempo para 2m30s68, mas não conseguiu bater Jarier. Pior: o francês da Shadow melhorou ainda mais a sua marca. Com 2m29s88 – 0s8 mais veloz do que o brasileiro da McLaren –, ele quebrou novamente o recorde de Interlagos para assegurar a pole position do GP do Brasil. “Não levo vantagem em Interlagos, não da forma como todos imaginam. Os outros já conhecem a pista, alguns até melhor do que eu”, analisou Fittipaldi, segundo no grid, à Folha. Pace, por sua vez, não conseguiu melhorar seu tempo no sábado, ficando com a marca anotada na sexta. Assim, teve que se conformar com o sexto lugar em Interlagos. Já Wilsinho colocou a Copersucar no 21º lugar no grid, com 2m36s47 – a 6s59 de Jarier.

Largada do GP do Brasil de 1975: Jarier patina e Reutemann toma a ponta em Interlagos

Largada do GP do Brasil de 1975: Jarier (à dir.) patina e Reutemann toma a ponta em Interlagos

A corrida

A supremacia de Jean-Pierre Jarier e da Shadow em Interlagos impressionou a F1. A pole fez com que o francês ingressasse no GP do Brasil como favorito destacado à vitória. Mas a multidão que se aglomerava nas arquibancadas do circuito paulistano acreditava em mais um triunfo brasileiro. E, de fato, aquele ensolarado 26 de janeiro de 1975 seria especial para os torcedores presentes no autódromo. Mas não em razão de mais um triunfo de Emerson Fittipaldi. É que, enfim, chegava o dia de José Carlos Pace.

Na largada, Reutemann, terceiro no grid, saltou melhor do que Jarier e Fittipaldi, assumindo a ponta na curva 1 de Interlagos. O francês da Shadow caiu para segundo. Já Emerson patinou nos primeiros metros e despencou para sétimo. Por outro lado, Pace fez uma estupenda largada, pulando de sexto para terceiro. Nas primeiras voltas, o ritmo imposto por Reutemann impedia o avanço de Jarier e formava um pelotão de sete carros. Entretanto, o argentino da Brabham não resistiu ao melhor acerto do Shadow. Na volta 5, o francês ultrapassou Lole e assumiu a liderança do GP do Brasil.

Após saltar de sexto para terceiro, Pace superou Reutemann para assumir a segunda posição

Após saltar de sexto para terceiro, Pace superou Reutemann para assumir a segunda posição

A partir daí, Jarier passou a impor o ritmo esperado e abriu para Reutemann. Por outro lado, Pace se aproximou do companheiro de Brabham. Na volta 14, Moco superou Lole no Retão, tomando a segunda posição para delírio das arquibancadas. Entretanto, o brasileiro já estava a 14 segundos de Jarier.

Também naquele momento, Fittipaldi começava a sua reação após sua problemática largada. Na volta 16, o brasileiro da McLaren herdou o sexto lugar de Jody Scheckter (Tyrrell). Na 20, ultrapassou Niki Lauda (Ferrari) para tomar a quinta posição. Duas voltas depois, Emerson superou Reutemann, assumindo o quarto lugar. E, na volta 29, o bicampeão alcançava o terceiro lugar após ultrapassar Clay Regazzoni (Ferrari) na curva do Sargento.

Abandono de Jarier fez com que Moco herdasse a ponta: a partir daí foi administrar a vantagem sobre Emerson

Abandono de Jarier fez Moco herdar a ponta: a partir daí foi administrar a vantagem sobre Emerson

Naquele instante, Fittipaldi estava a 15 segundos de Pace. Moco, por sua vez, havia reduzido a vantagem de Jarier para 10 segundos. Com os carros espalhados por Interlagos, dificilmente haveria alguma alteração do resultado. A não ser que o público brasileiro resolvesse fazer torcida contra o líder Jarier. Foi então que veio a volta 33: com problemas no sistema de alimentação de seu Shadow, o francês se viu obrigado a abandonar a corrida quando ela estava sob o seu controle. No momento em que Jarier encostou seu carro, Interlagos explodiu em alegria: Pace assumia a liderança, seguido por Fittipaldi.

Era o melhor cenário possível. Duas crias de Interlagos no topo da Fórmula 1. No fim, Moco administrou a vantagem sobre o Rato. Era a primeira vitória de Pace na categoria máxima do automobilismo. Fittipaldi cruzou a linha de chegada em segundo, formando, assim, a primeira dobradinha brasileira na história da F1.

Delírio em Interlagos: multidão nos boxes aguarda Pace e Fittipaldi para a festa da dobradinha

Delírio em Interlagos: multidão nos boxes aguarda Pace e Fittipaldi para festejar a dobradinha

Ao retornar aos boxes, a Brabham de Pace estava cercada por uma multidão. Todos queriam tocar no vencedor de Interlagos. Moco não tinha desenvoltura para lidar com aquela aglomeração. Mas, a partir da bandeirada, ele se tornava um ídolo das pistas para muitos brasileiros. Ele saiu do carro, deitou no chão, chorou e foi abraçado pela esposa Elda e pela sua mãe. Depois, se dirigiu ao pódio, onde foi abraçado por Emerson. Ergueu a bandeira do Brasil ao lado do bicampeão. Na sequência, falhou ao tentar estourar a garrafa de champanhe.

Após o pódio, Pace tinha poucas palavras. “Agradeço aos que confiaram em mim. Agradeço ao público”, falava Moco, repetidamente. Emerson parabenizou o compatriota pela façanha de Interlagos. “Quando abracei o Pace no pódio eu estava emocionado. Eu sei o quanto é importante para um piloto a primeira vitória. Agora ele está no clube dos vencedores”, cumprimentou o bicampeão, que também saudou seu irmão Wilsinho por levar a Copersucar ao 13º lugar em Interlagos – foi a primeira vez que o carro brasileiro viu a bandeira quadriculada.

Pace, sob os ombros do amigo Jan Balder: era o ápice da carreira de Moco na F1

Pace, tendo o amigo Jan Balder ao seu lado: era o ápice da carreira de Moco na F1

De barrado no baile na sexta a herói do automobilismo nacional no domingo. Tudo isso em um espaço de dois dias. José Carlos Pace, o Moco, se colocou no panteão dos ídolos brasileiros da F1. E aquela vitória se tornou eterna: graças a ela, Interlagos tem “José Carlos Pace” como nome oficial. Além disso, há um busto em homenagem ao piloto, falecido em 1977, na área interna do autódromo. Nada mais justo, afinal, desde aquele 26 de janeiro de 1975, Moco se tornou sinônimo de Interlagos. E para sempre será.

A dobradinha Pace-Fittipaldi em Interlagos-1975 foi a primeira do Brasil na F1. Dupla repetiria o feito naquele mesmo ano, em Silverstone - com Emerson em primeiro e Moco em segundo

Após a vitória, Pace se tornou sinônimo de Interlagos. Tanto que o autódromo leva o seu nome.

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Bélgica-2019: Leclerc dedica primeira vitória ao amigo Hubert

Charles Leclerc (Ferrari) cumprimenta mãe de Anthoine Hubert: primeira vitória do monegasco veio em nome do amigo

Charles Leclerc (Ferrari) abraça Nathalie, mãe de Anthoine Hubert: uma vitória em nome do amigo

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Vencer uma corrida é o sonho de todo piloto de Fórmula 1. E Charles Leclerc (Ferrari) conquistou de forma irrepreensível a tão sonhada primeira vitória no GP da Bélgica de 2019, disputado no dia 1º de setembro, em Spa-Francorchamps. O topo do pódio era dele pela primeira vez. Porém, o monegasco não tinha motivos para comemorar. Ele havia perdido um amigo no dia anterior, justamente no mesmo lugar onde se tornou um vencedor de corridas de F1. A morte de Anthoine Hubert durante a etapa da Fórmula 2 acabou transformando a façanha de Leclerc em um tributo para o jovem francês.

Quando desembarcou em Spa, Charles não imaginava que seu feito serviria como uma homenagem a um companheiro de pistas como Hubert. No retorno das férias de verão, Leclerc se encontrava a 24 pontos de seu companheiro de Ferrari, o tetracampeão Sebastian Vettel – o alemão era o quarto colocado do Mundial, com 156 pontos, enquanto o monegasco ocupava o quinto lugar, com 132. A meta de Charles em Spa era uma só: se aproximar de Seb na tabela de Pilotos.

Ferrari voltou das férias com força: Leclerc (foto) e Vettel foram dominantes nos treinos em Spa

Ferrari voltou forte das férias: Leclerc (foto) e Vettel foram dominantes nos treinos em Spa

Logo no primeiro treino livre para o GP da Bélgica, a Ferrari demonstrou excelente forma, a ponto de não ser incomodada pelas Mercedes de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas. No fim, Leclerc ficou com o segundo lugar, sendo superado por Vettel por 0s214. Já no segundo treino, o monegasco deu o troco no alemão – ele fechou o treino em primeiro, com 1m44s123, 0s630 à frente do tetracampeão, que fez 1m44s753.

O duelo entre Charles e Sebastian prosseguiu no sábado. No qualifying, Leclerc voltou a ser dominante, terminando na frente em todas as fases. No Q3, o monegasco cravou a pole position com o assombroso tempo de 1min42s519. Era a terceira pole dele em 2019. Charles foi 0s748 mais veloz do que Vettel, segundo com 1m43s267. Hamilton, que teve o carro consertado a tempo de participar do Q1, fechou a sessão com o terceiro lugar, com 1m43s282, seguido por Bottas, quarto com 1m43s415.

Leclerc ignorou Vettel e alcançou sua terceira pole em 2019: monegasco foi 0s758 mais rápido do que o alemão

Leclerc alcançou sua terceira pole em 2019, sendo 0s748 mais rápido do que Vettel

Enquanto davam entrevistas após a classificação, acontecia a primeira etapa da Fórmula 2 em Spa. E um momento chocante deixou os pilotos da F1 sem palavras. Anthoine Hubert foi desviar do francês Giuliano Alesi – filho de Jean Alesi – e acabou indo parar na área de escape na curva Raidillon. O carro bateu na proteção de pneus e foi lançado de volta para a pista. Nesse momento, o norte-americano Juan Manuel Correa passava com velocidade pela área de escape e acertou o carro de Hubert, que se partiu em dois com o impacto. Juan Manuel sofreu sérias lesões, ficando semanas em coma e quase tendo o pé direito amputado. Já Anthoine chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu na mesma tarde, aos 22 anos.

Nascido em Lyon, na França, em 22 de setembro de 1996, Hubert começou no kart aos nove anos, em 2006. Até 2012, ele havia travado inúmeras batalhas com Charles, Esteban Ocon (piloto reserva da Mercedes) e Pierre Gasly (que reestreava na Toro Rosso em Spa, após ser “rebaixado” pela Red Bull). Os quatro eram contemporâneos, tendo competido em diversos campeonatos de kart na França. Juntos, eles acabaram ficando conhecidos como “Os Quatro Mosqueteiros”.

Hubert, Leclerc, Ocon e Gasly: os "Quatro Mosqueteiros" juntos em 2005

Da esq. para a dir, Hubert, Leclerc, Ocon e Gasly: os “Quatro Mosqueteiros” juntos em 2005

Em 2013, Anthoine venceu a Fórmula 4 Francesa logo em sua estreia na categoria. No ano seguinte, passou para a Eurocup Fórmula Renault 2.0, na qual ficou até 2016, disputando também algumas corridas da Fórmula Renault 2.0 Alps. Em 2017, se transferiu para a GP3. No ano seguinte, venceu o campeonato, o que lhe abriu as portas para ingressar na Academia de Desenvolvimento de Pilotos da Renault.

Foi dessa maneira que conseguiu o apoio da equipe para disputar a F2 pela Arden em 2019. Até Spa, havia conquistado duas vitórias na categoria – nas etapas curtas de Mônaco e de Paul Ricard. Assim, a possibilidade de ver dos quatro mosqueteiros juntos na F1 estava a ponto de se consolidar. Mas o acidente de Spa interrompeu isso.

Hubert em ação em Spa: em 2019, havia vencido duas provas da F2

Hubert em ação em Spa: em 2019, havia vencido duas provas da F2 (Mônaco e Paul Ricard)

A morte de Hubert foi sentida por todos os pilotos no grid, mas os outros “Três Mosqueteiros” ficaram ainda mais impactados. Ocon, por exemplo, mostrava um semblante perdido, parecendo não acreditar no que tinha acontecido, bem diferente do sorriso que sempre costuma estampar no rosto.

Gasly também estava atônito. “Você não está pronto para viver um momento desses, de perder um de seus melhores amigos, aos 22, 23 anos. Eu conhecia ele (Hubert) desde que eu tinha sete anos, no kart. Nós fomos companheiros de quarto, nós moramos no mesmo apartamento por seis anos. Nós fomos companheiros de sala. Eu estudei dos 13 aos 19 anos com ele, com o mesmo professor em uma escola particular”, relembrou o piloto da Toro Rosso.

Leclerc (à esq.) ao lado de Hubert, nos tempos de kart: amizade dentro e fora das pistas

Leclerc (à esq.) ao lado de Hubert, nos tempos de kart: amizade dentro e fora das pistas

Leclerc recordou dos momentos iniciais de sua carreira ao lado de Hubert. “Perder Anthoine me leva de volta à 2005, no meu primeiro campeonato francês. Estavam ele, Esteban, Pierre e eu. Nós éramos quatro crianças que sonhavam com a Fórmula 1. Nós corremos no kart por muitos e muitos anos e perdê-lo foi um grande choque para mim e claro, para todo mundo no automobilismo, foi um dia triste”, disse.

Pilotos e equipes da F1 reverenciaram Hubert antes do GP da Bélgica de 2019, em Spa

Pilotos e equipes da F1 reverenciaram Hubert antes do GP da Bélgica de 2019, em Spa

A corrida

Antes da largada, os pilotos se reuniram ao redor da mãe e do irmão de Anthoine Hubert para fazer um minuto de silêncio em homenagem ao piloto. As duas provas da F2 haviam sido canceladas e os pilotos no grid estavam divididos sobre correr ou não. “A última coisa que queríamos fazer hoje é correr. Nós não estamos com o melhor estado de espírito, assim como toda a comunidade automobilística, mas nós vamos correr e fazer o nosso melhor, porque é isso que ele merece”, disse Sergio Perez (Racing Point) antes da corrida, sintetizando bem o clima no paddock.

Charles Leclerc (Ferrari) havia recebido uma missão especial de Pierre Gasly (Toro Rosso): o francês pediu para que o monegasco vencesse em Spa em nome de Hubert. Com esse espírito, o ferrarista partiu para a disputa do GP da Bélgica. Na largada, Leclerc manteve a liderança. Lewis Hamilton (Mercedes) tomou o segundo lugar de Sebastian Vettel (Ferrari), mas o alemão conseguiu ultrapassar o britânico ainda na primeira volta, retomando a vice-liderança da prova.

Leclerc largou bem e seguiu à frente de Vettel e Hamilton

Determinado a vencer por Hubert, Leclerc largou bem e permaneceu à frente de Vettel e Hamilton

Enquanto isso, Max Verstappen (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) se tocaram na Raidillon, e o holandês acabou na barreira de pneus. O safety car acabou sendo acionado para retirar o carro de Verstappen. Quando o safety car estava pronto para sair, a McLaren de Carlos Sainz Jr., que já havia tido um problema na largada, apresentou problemas no motor. Com isso, o espanhol teve que abandonar a prova, aumentando a permanência do carro de segurança.

Quando a corrida recomeçou, Leclerc se manteve na liderança, seguido por Vettel, Hamilton, Bottas e Lando Norris (McLaren) – que largou em 11º e conseguiu ganhar muitas posições com os incidentes na pista. O monegasco da Ferrari passou a abrir vantagem média de 2s5 sobre seu companheiro de equipe. Na volta 15, Vettel fez sua parada, voltando em quarto lugar. Com isso, a vantagem de Leclerc sobre Hamilton era de 4 segundos.

Mostrando boa forma, Leclerc não era ameaçado pelos multicampeões: desempenho soberbo do monegasco

Após parar nos boxes, Leclerc caiu para quarto. Monegasco recuperaria a ponta na volta 27

Na 19ª volta, a torcida presente em Spa homenageou Hubert, que corria com o número 19, ao se levantar das arquibancadas e aplaudir o francês. Duas voltas depois, Leclerc fez sua parada, voltando em quarto, logo atrás de Vettel. Nas voltas seguintes, Hamilton e Bottas pararam, fazendo com que Seb assumisse a liderança da etapa belga. Mas com pneus mais novos, Charles passou a tirar 1 segundo por volta, até que na volta 27, o monegasco ultrapassou o alemão e recuperou a liderança da corrida.

Para piorar as coisas para o tetracampeão, além de ver Charles abrindo vantagem na liderança, ele passou a ser ameaçado por Hamilton, que vinha tirando mais de 1 segundo por volta. Na volta 31, o piloto da Mercedes finalmente conseguiu a ultrapassagem, com Vettel, agora ameaçado por Bottas, fazendo sua segunda parada na volta 33. Na frente, Leclerc mantinha uma vantagem de 6s sobre Hamilton.

Em segundo, Hamilton se aproximou e chegou a ameaçar, mas Leclerc assegurou a vitória - sua primeira na F1

Em segundo, Hamilton chegou a ameaçar, mas Leclerc assegurou a vitória – sua primeira na F1

Mas na volta 41, Charles começou a sofrer com o desgaste de pneus e Hamilton diminuiu a vantagem para menos de 3s. Na última volta, Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) bateu na barreira de pneus na curva Pouhon e provocou uma bandeira amarela no local. Um pouco mais à frente, Norris sofreu perda de potência em seu motor Renault e também abandonou a prova na última volta, quando era o quinto colocado. Sua posição acabou ficando para Alexander Albon, que fazia sua corrida de estreia na Red Bull.

Na briga pela vitória em Spa, Hamilton bem que tentou. Ele até conseguiu diminuir a diferença para menos de 1 segundo na última volta. Porém, não foi o suficiente para impedir Leclerc de cruzar a linha de chegada na frente e vencer sua primeira corrida na Fórmula 1. Lewis ficou em segundo, seguido por Bottas e Vettel. A comemoração do vencedor, no entanto, foi contida. Ao sair do carro, Charles apontou para um adesivo em homenagem a Hubert colocado em sua Ferrari e dedicou a vitória ao francês. Era a primeira vitória de um dos mosqueteiros na F1 – que, infelizmente, viria um dia após a morte de um deles.

Para Anthoine, com carinho: Leclerc aponta para o céu e dedica primeira vitória ao francês

“Para Anthoine, com carinho”: Leclerc aponta para o céu e dedica primeira vitória ao francês

“Por um lado, foi um sonho que eu tenho desde que eu era criança sendo realizado, mas do outro, foi um fim de semana muito difícil e nós perdemos um amigo. Eu gostaria de dedicar minha primeira vitória ao Anthoine, nós crescemos juntos, minha primeira corrida na vida foi com ele e é uma pena o que aconteceu. Eu não consigo aproveitar plenamente minha primeira vitória, mas ela ficará na minha memória para sempre”, declarou Leclerc após a corrida.

No pódio, o hino de Mônaco foi tocado pela primeira vez na história da categoria. Mas o momento não era para comemoração. Leclerc, Hamilton e Bottas apenas brindaram com suas garrafas, sem fazer a tradicional festa com champanhe. Com o resultado, Leclerc se tornou o piloto mais jovem a vencer uma corrida pela Ferrari, aos 21 anos, 10 meses e 16 dias. Foi a 236ª vitória da escuderia italiana na F1, e a primeira da equipe em 2019. Já no campeonato, Leclerc reduzia a vantagem para Vettel na batalha interna da Scuderia, de 24 para 12 pontos (169 para Seb, 157 para Charles).

Festa contida para Leclerc: não havia clima para celebração em Spa

Entre Hamilton e Bottas, Leclerc comemora de forma contida: não havia clima para festa em Spa

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
Instagram: @denisevilche
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Facebook: Denise Vilche
E-mail: denisevilche@gmail.com

(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

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Brasil-2019: primeiro pódio redentor para Gasly e Sainz

Pierre Gasly (acima) e Carlos Sainz Jr. (abaixo) em Interlagos: pódio redentor para os dois pilotos

Pierre Gasly (à esq.) e Carlos Sainz Jr. (à dir.) em Interlagos: pódio redentor para os dois pilotos

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Redenção. Que melhor palavra pode descrever o pódio do GP do Brasil, disputado em 17 de novembro de 2019, em Interlagos? Pierre Gasly (Toro Rosso) gritava euforicamente ao cruzar a linha de chegada com a Mercedes do já consagrado hexacampeão Lewis Hamilton colado em sua traseira. O francês conquistava o primeiro top 3 de sua carreira ao garantir um improvável segundo lugar. E, com a posterior punição a Hamilton, um outro estreante no palco de celebrações acabou sendo conhecido: Carlos Sainz Jr. (McLaren) obteve seu primeiro pódio na carreira ao ser alçado à terceira colocação da etapa brasileira.

Esse pódio redentor teve um sabor especial para Gasly e Sainz. A começar pelo francês: com a saída de Daniel Ricciardo da Red Bull no final de 2018, Pierre ganhou uma chance na equipe austríaca, tendo Max Verstappen como seu companheiro. Mas seus resultados não agradaram. Tanto que, após o GP da Hungria, em Hungaroring, ele acabou sendo substituído pelo anglo-tailandês Alex Albon. E isso ocorreu mesmo depois de o consultor da Red Bull, Helmut Marko, afirmar a Gasly que sua vaga na equipe principal estava garantida até o final da temporada.

Após ser 'rebaixado' da Red Bull para a Toro Rosso, Gasly reencontrou a boa forma de 2018

Após ser ‘rebaixado’ da Red Bull para a Toro Rosso, Gasly reencontrou a boa forma de 2018

De volta à Toro Rosso, Gasly passou a ter um bom desempenho em comparação ao seu companheiro de equipe, Daniil Kvyat, sendo nono colocado no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps – sua primeira corrida no retorno à Toro Rosso. Levando em consideração que Mercedes, Ferrari e Red Bull dominavam as seis primeiras colocações, Gasly conseguiu se meter na briga entre McLaren e Renault, times que disputavam o quarto e o quinto lugares no Mundial de Construtores.

Já Carlos Sainz Jr. chegou na McLaren com uma difícil missão: ajudar a equipe a se reerguer, substituindo seu ídolo Fernando Alonso e sendo o líder nesta missão – já que seu companheiro, Lando Norris, de 19 anos, fazia sua estreia na categoria. Muitos duvidaram da escolha dos pilotos, já que Carlos sempre era o rejeitado pelas equipes e Lando não tinha experiência. Mas a dupla deu liga desde o início. Com isso, a equipe se consolidou na quarta colocação entre os Construtores, muito graças ao empenho de Sainz, que conseguiu bons resultados durante a temporada.

Sainz desembarcou em Interlagos disposto a repetir as boas performances de Silverstone e Hungaroring

Sainz desembarcou no Brasil disposto a repetir as boas performances de Silverstone e Hungaroring

Diante dos bons pontos conquistados em 2019, surgia um novo apelido para “Chili”, como Sainz é conhecido por seus amigos: “o Smooth Operator”. Smooth Operator pode ser definido como alguém que realiza uma tarefa com eficiência e graça e retrata bem a fase que vive o espanhol. O apelido surgiu durante o GP da Inglaterra. No caminho para Silverstone, a música “Smooth Operator”, da cantora Sade, começou a tocar no rádio. Com a música grudada na cabeça, o piloto da McLaren não pensou duas vezes: cantou a música no rádio após cruzar a linha de chegada em sexto lugar, sua melhor colocação até então. Sainz repetiu a cantoria na Hungria, na qual também teve um bom resultado: a quinta colocação.

“Nas duas corridas em que fiz tudo certo (Inglaterra e Hungria), eu a cantei. Obviamente está conectado. Tem que ser em corridas perfeitas. Eu só vou cantar em corridas perfeitas. Hungria foi perfeita. Silverstone, largando em 13º e terminando em 6º, segurando Ricciardo por 12 voltas com um carro mais rápido, foi perfeita”, afirmou Carlos.
Apelidos à parte, tanto Sainz quanto Gasly chegaram ao Brasil em meio a uma disputa acirrada. Alex Albon desembarcou em São Paulo ocupando a sexta colocação no Mundial, com 84 pontos. Sainz vinha em sétimo, com 80 e Gasly vinha logo atrás, com 77 pontos. As duas últimas corridas da temporada seriam decisivas nessa disputa pelo sexto lugar entre os Pilotos.

Desde a sexta, Gasly mostrou bom desempenho em Interlagos: punição a Leclerc rendeu 6º lugar no grid

Desde a sexta, Gasly mostrou boa forma em Interlagos: punição a Leclerc rendeu 6º lugar no grid

Nos treinos livres para o GP do Brasil, Gasly começou bem, fazendo o oitavo melhor tempo. Nos dois treinos seguintes, foi o 12º colocado. Para Sainz, a história do fim de semana em Interlagos não começou de maneira positiva. O piloto da McLaren foi o quinto colocado no primeiro treino livre e conseguiu o 10º lugar nos dois treinos seguintes. Mas um problema na unidade de potência o tiraria do qualifying. “Eu senti uma perda de potência ao sair da última curva e nós não tivemos tempo de resolvê-la. É uma grande decepção, porque nós poderíamos ter um bom resultado no qualifying. Nós sabemos que será uma corrida muito desafiadora, mas nós vamos tentar ver nossas opções e minimizar os danos”, disse o espanhol, que conseguiu autorização para largar em último.

Já Gasly manteve o bom ritmo e conseguiu o sétimo lugar no qualifying, com o tempo de 1m08s837 – bem à frente de Kvyat, que conseguiu o 16º lugar, com 1m09s320. Como Charles Leclerc (Ferrari) perderia posições no grid por conta de punição, o piloto da Toro Rosso sairia numa excelente sexta posição. Na frente do grid, Max Verstappen (Red Bull) mostrou que anda bem em Interlagos e fez a pole com o tempo de 1m07s508 – 1s329 à frente do francês da Toro Rosso. Foi a segunda pole do holandês na F1, que superou os multicampeões Lewis Hamilton (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari) de forma irretocável.

Largada do GP do Brasil de 2019, em Interlagos: enquanto Sainz iniciava 'remontada', Gasly se firmava em 7º

Largada do GP do Brasil de 2019: enquanto Sainz iniciava ‘remontada’, Gasly se firmava em sétimo

A corrida

O que tinha começado mal no sábado se transformaria em êxtase no domingo para Carlos Sainz Jr. (McLaren). Após largar em último, o espanhol conseguiu ultrapassar os dois carros da Williams na primeira volta. A partir daí, o espanhol começou uma série de ultrapassagens e na quarta volta já estava em 15º. Na oitava volta, Ricciardo e Magnussen se tocaram e o piloto da McLaren herdou duas posições, subindo para 13º. Pela colisão, o australiano foi punido com 5 segundos em sua parada.

Enquanto Sainz recuperava posições, Gasly liderava o pelotão intermediário, em sétimo, atrás dos carros da Red Bull, Mercedes e Ferrari – Charles Leclerc, que largou em 14º, fazia uma boa corrida e já estava em sexto lugar após 10 voltas. Pierre faria seu primeiro pit stop na volta 23, caindo para o 12º lugar. Já Carlos administrava seus pneus e com as paradas dos demais pilotos, já ocupava a sétima posição com 29 voltas completadas. Apostando em apenas uma parada, o espanhol fez seu pit stop somente na volta 30, voltando na 15ª posição.

Recuperação de Sainz era notável, mas o espanhol só entrou na luta pelo pódio graças ao safety car

Recuperação de Sainz era notável, mas o espanhol só entrou na luta pelo pódio graças ao safety car

Com 36 voltas completadas, Verstappen continuava na liderança, seguido de Hamilton, Vettel, Valtteri Bottas (Mercedes), Alex Albon (Red Bull), Leclerc e Gasly. Com o desgaste dos pneus, os pilotos começaram a fazer suas segundas paradas. Com isso, Sainz subiu para a 10ª posição, com Gasly em oitavo. Um pouco mais à frente, Bottas sofria para ultrapassar Leclerc, mesmo tendo pneus mais novos. Na volta 52, o finlandês, que estava em quinto e perseguia o monegasco, teve problemas no motor e teve que abandonar.

Apesar de ter parado em uma posição segura, um declive na área de escape impediu que os fiscais retirassem a Mercedes. A solução foi retirar o carro usando um guindaste, ação que levou ao primeiro safety car da corrida. Isso colocou Gasly e Sainz no mesmo pelotão dos líderes da prova. Apesar de estar na liderança, Verstappen ousou e parou nos boxes para seu terceiro pit stop, voltando em segundo, atrás de Hamilton. Leclerc também fez mais uma parada, voltando em quinto, atrás de Albon e Vettel.

Gasly, o intruso entre o líder Verstappen e o hexacampeão Hamilton

Gasly, um intruso entre o líder Verstappen e o hexacampeão Hamilton: pódio passava a ser palpável

Com 12 voltas para o fim, a corrida foi reiniciada e Verstappen se aproveitou da reta e ultrapassou Hamilton, que passou a ser ameaçado por Albon. Um pouco mais atrás, Vettel e Leclerc disputavam a quarta colocação, com Gasly e Sainz logo atrás. Faltando cinco voltas para o fim da corrida, uma disputa fratricida entre Leclerc e Vettel deixaria a Fórmula 1 em choque. Os pilotos da Ferrari se tocaram em plena Reta Oposta e, com danos nos dois carros, a dupla abandonou a prova e provocou nova entrada do safety car.
Hamilton aproveitou o carro de segurança para fazer mais uma parada, voltando em quarto, atrás de Verstappen, Albon e Gasly. Sainz era o quinto colocado.

Quando a corrida recomeçou, faltando duas voltas para o fim, Lewis não teve dificuldade em ultrapassar Pierre, mas quando foi a vez de tentar uma manobra em cima de Albon, o inglês acabou tocando no carro da Red Bull no Bico de Pato, mandando o tailandês para o fim do pelotão. Na volta final, Hamilton ainda tentou, mas Gasly conseguiu se manter à frente do carro da Mercedes, terminando a prova em segundo lugar. Era a concretização de um sonho para o piloto da Toro Rosso.

Gasly se mantém à frente de Hamilton e conquista um irrepreensível segundo lugar em Interlagos: para a história

Gasly se mantém à frente de Hamilton e obtém um irrepreensível 2º lugar no Brasil: para a história

“Você sonha bastante em estar na F1, você sonha com seu primeiro pódio, mas quando acontece, todas as emoções que você sente são imprevisíveis. É só o melhor dia da minha vida”, disse o francês, que vibrou bastante junto com a Toro Rosso, que subiu no pódio pela segunda vez na temporada, após o terceiro lugar de Kvyat na Alemanha, e pela terceira vez em sua história, após a vitória de Vettel no GP da Itália de 2008. Também foi uma façanha histórica para o automobilismo francês, já que Pierre foi o primeiro piloto do país a subir no pódio desde 2015, quando Grosjean conseguiu o terceiro lugar na Bélgica. Ele também é o 22º piloto francês a subir no pódio e o mais jovem a conseguir o feito, com 23 anos, 9 meses e 10 dias.

Após cruzar a linha de chegada em terceiro, Hamilton acabou indo para o pódio normalmente, sem que uma decisão sobre a investigação do acidente com Albon tivesse sido divulgada. Depois da cerimônia, o hexacampeão assumiu a culpa pelo toque com o tailandês e foi penalizado com o acréscimo de 5 segundos em seu tempo, o que o fez cair para a sétima colocação. Com isso, Sainz herdaria o pódio, após ter largado em último.
Como a decisão dos comissários demorou muito para sair, a equipe McLaren pôde fazer a festa para o espanhol num pódio só para ela, com direito a chuva de champanhe oferecida pela Mercedes e a música Smooth Operator cantada pela equipe a pleno pulmões.

Punição a Hamilton fez com que Sainz herdasse o 3º lugar, tornando-se o 4º espanhol a subir num pódio da F1

Punição a Hamilton fez com que Sainz herdasse o 3º lugar: 4º espanhol a subir num pódio da F1

“Eu estou extremamente feliz com primeiro pódio na F1, como vocês podem imaginar. Largando em 20º, nunca desistindo e terminando em P3 faz ser muito especial. Quando você está brigando no pelotão do meio, as chances de pisar no pódio são muito raras, talvez uma vez ao ano. Na Alemanha, eu senti que eu perdi a oportunidade, já que eu fiquei perto de terminar em terceiro lá. Então, conseguir o pódio no Brasil significa tudo para mim, após um ano muito consistente”, escreveu o espanhol em seu blog.

Foi o primeiro pódio da McLaren desde 2014, quando Kevin Magnussen terminou em segundo e Jenson Button em terceiro no GP da Austrália, em Melbourne. E foi o primeiro pódio, depois de 101 corridas, do “rejeitado” Sainz na categoria, o quarto piloto espanhol a conseguir subir no pódio na F1 – Alfonso de Portago, Fernando Alonso e Pedro de la Rosa foram os anteriores. Esse também foi o centésimo pódio da Espanha na categoria e o primeiro desde Alonso no GP da Hungria em 2014, em Hungaroring.

Gasly foi o primeiro francês a alcançar o pódio em quatro anos - desde Grosjean, em Spa-2015

Gasly foi o primeiro francês a alcançar o pódio da F1 em quatro anos – desde Grosjean, em Spa-2015

Tendo Verstappen 22 anos, Gasly 23 e Sainz 25, o pódio de Interlagos foi o mais jovem da história da F1, tendo uma média de idade de 22,3 anos. E, quanto à briga pelo sexto lugar do Mundial de Pilotos, ela só acabaria em Abu Dhabi, última corrida da temporada. Os dois personagens da redenção de Interlagos saíram do Brasil empatados com 95 pontos, contra 84 de Albon.

Sainz celebra o 3º lugar com integrantes da McLaren: vivo na luta pelo 6º lugar de Pilotos

Pódio em Interlagos manteve Sainz na luta pelo 6º lugar de Pilotos: disputa com Gasly e Albon

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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

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Espanha-2019: Magnussen vence duelo com Grosjean e é 7º

Kevin Magnussen (à esq.) e Romain Grosjean (à dir.) se tocaram em duas oportunidades durante o GP da Espanha: dinamarquês levou a melhor

Magnussen (à esq.) e Grosjean (à dir.) se tocaram em Montmeló: bom para Kevin, ruim para a Haas

Que Kevin Magnussen tem se caracterizado por ser um piloto intimidador, ninguém contesta. Nem mesmo a Haas, a equipe do dinamarquês. Porém, e quando o feitiço se vira contra o feiticeiro? Foi o que aconteceu no GP da Espanha de 2019, em Montmeló. Magnussen ignorou o fato de duelar com o companheiro de time, Romain Grosjean, na pista espanhola. Não só isso: Kevin colocou em risco a conquista de pontos da escuderia norte-americana ao travar disputas frenéticas com o francês. Isso tem feito parte da carreira do danês. E tem sido assim que ele tem conquistado bons resultados. Polêmicas à parte, Magnussen alcançou um bom sétimo lugar no circuito catalão, sendo o melhor piloto a completar a etapa sem competir por um carro de Mercedes, Red Bull ou Ferrari. Com o resultado, KMag assumiu a sétima posição do Mundial de Pilotos, com 14 pontos, e ajudou a Haas a subir para o sexto lugar entre os Construtores.

Não foi a primeira vez que o ímpeto agressivo de Magnussen entrou em cena em Montmeló. No GP da Espanha de 2018, o dinamarquês também se envolveu em polêmica. Mesmo assim, arrancou a sexta posição em solo catalão. Ao desembarcar no circuito espanhol, Kevin recordou do bom resultado, ignorando o histórico de confusões. Ele queria mesmo era voltar a pontuar em 2019, uma vez que, após conquistar o sexto lugar no GP da Austrália, em Melbourne, o dinamarquês emplacou uma sequência de três corridas fora da zona de pontuação – KMag terminou em 13º nos GPs do Bahrein, em Sakhir, da China, em Xangai, e do Azerbaijão, em Baku. Por isso, o danês tratou de acelerar em Montmeló. Na sexta, primeiro dia de treinos, Magnussen foi o oitavo, com 1m18s355. Ele ficou a 0s202 de Grosjean, sexto com 1m18s153. O melhor da sexta foi Valtteri Bottas (Mercedes), com 1m17s284 – 1s071 mais veloz do que Magnussen, que ficou entusiasmado com o equilíbrio apresentado pela Haas na pista espanhola.

Foram os primeiros pontos de Magnussen desde o GP da Austrália, em Melbourne: 7º no Mundial

Foram os primeiros pontos de Magnussen desde o GP da Austrália, em Melbourne: 7º no Mundial

“Estou otimista. Nosso ritmo de corrida parece melhor e nosso ritmo de qualificação parece fantástico. Então, não há razão para não ser positivo”, apontou Kevin, sem esconder uma preocupação: o gerenciamento dos pneus para o GP da Espanha. “Adoraria encontrar respostas e entender nosso principal problema, que é a administração dos pneus para a corrida. Acho que estamos melhores hoje (sexta), mas não sei se sabemos por quê. Mas vou falar com os rapazes – ainda não tive tempo, por isso estou ansioso para saber se existe alguma coisa nos dados que possamos analisar e esperar encontrar algumas respostas”, observou.

As soluções que tanto Magnussen procurava na sexta foram encontradas no sábado, dia do qualifying para o GP da Espanha. Tanto ele quanto Grosjean mostraram excelente forma nas duas primeiras fases do treino oficial, colocando os dois carros da Haas no Q3 de Montmeló. No fim da sessão decisiva, Kevin e Romain estavam mais velozes do que Daniel Ricciardo (Renault) e Daniil Kvyat (Toro Rosso). Por outro lado, as três potências – Mercedes, Ferrari e Red Bull – eram inalcançáveis para a dupla. Assim, os dois travaram um duelo à parte pelo sétimo lugar no grid. No fim, o francês levou a melhor, com 1m16s911, 0s011 mais veloz do que o dinamarquês, oitavo com 1m16s922. A pole position da etapa espanhola ficou com Valtteri Bottas (Mercedes). Para assegurar a nona pole da carreira, o finlandês anotou 1m15s406 – 1s516 mais veloz do que Magnussen.

Magnussen (foto) e Grosjean avançaram para o Q3 de Montmeló: Romain bateu Kevin por 0s011

Magnussen (foto) e Grosjean avançaram para o Q3 de Montmeló: Romain bateu Kevin por 0s011

Kevin se mostrou satisfeito com o desempenho da Haas em Montmeló.”Fizemos o máximo que podíamos hoje (sábado). Estamos a apenas dois décimos de segundo da Red Bull e à frente do resto do ‘segundo pelotão’. Estou muito feliz. Porém, estamos basicamente aprendendo no momento. Amanhã (domingo) será um grande teste e também um grande dia de aprendizado. Não temos a certeza do ritmo de corrida, sabemos que é uma pista difícil de ultrapassar. Não vai ser uma corrida fácil, mas penso que estamos numa boa posição para marcar bons pontos”, avaliou o dinamarquês.

Largada do GP da Espanha de 2019: pilotos da Haas mantiveram suas posições do grid

Largada do GP da Espanha de 2019: pilotos da Haas mantiveram suas posições do grid

A corrida

Domingo, 12 de maio de 2019. O calor e o vento característicos estavam presentes em Montmeló para a disputa do GP da Espanha. Na quarta fila do grid, os dois carros da Haas se encontravam lado a lado. A expectativa era a de que tanto Magnussen quanto Grosjean conquistassem um bom resultado no circuito catalão. Ambos calçavam pneus macios, e a meta para o primeiro stint era o de estender ao máximo a permanência com esses compostos na pista. Estratégias traçadas, e Kevin e Romain partiram confiantes na largada. O francês chegou a atacar Pierre Gasly (Red Bull) nas primeiras curvas, mas continuou em sétimo. Já o dinamarquês saltou mal, mas se manteve em oitavo. A partir dali, a tônica da corrida se desenhava: o ritmo dos pilotos ditaria o destino do resultado. Sem poder acompanhar os seis primeiros, Grosjean e Magnussen passaram a se preocupar com a dupla da Toro Rosso – Daniil Kvyat era o nono, e Alexander Albon, o 10º.

Na volta 5, Magnussen estava 2s3 atrás de Grosjean. Por outro lado, tinha 1s3 de vantagem sobre Kvyat. Na 10, o francês abria 3s7 sobre o dinamarquês. KMag, por sua vez, seguia com o russo da Toro Rosso em seus calcanhares – a vantagem era de 1s6. O panorama continuaria o mesmo até o início da primeira janela de pit stop. O primeiro dos ponteiros a ir aos boxes foi Sebastian Vettel (Ferrari). Com a parada do alemão, na volta 20, Romain subiu para sexto e Kevin, para sétimo. Na volta 23, Magnussen foi chamado pela Haas para realizar a troca de pneus. Era uma reação ao pit stop de Kvyat, na volta anterior. Na parada, a equipe norte-americana sacou os pneus macios e colocou os médios (mais resistentes). Entretanto, seria difícil saber se os compostos resistiriam até a bandeirada. O danês retornou à pista na 14ª posição, à frente de Daniil.

Magnussen sofreu com a pressão de Kvyat

Magnussen sofreu com a pressão de Kvyat em Montmeló. Tanto que a Haas alterou sua estratégia

Com as paradas de Daniel Ricciardo (Renault), Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Sergio Pérez (Racing Point) na volta 25, Magnussen ascendeu para o 11º lugar. Na 26, foi a vez de Albon e Lando Norris (McLaren) ingressarem nos boxes para o pit stop, o que recolocou Kevin na zona de pontuação, em nono lugar. Na 27, Grosjean também fez sua parada, retornando em sétimo. Entre os carros da Haas, estava Nico Hulkenberg (Renault), que estendia sua permanência na pista com pneus médios. Magnussen colou no alemão, mas não conseguia realizar a ultrapassagem. Apenas na volta 33, tanto Kevin quanto Kvyat superaram Hulkenberg. Dessa forma, Magnussen voltava à oitava posição. Entretanto, o russo da Toro Rosso mostrava boa forma em Montmeló. Na volta 36, Daniil superou KMag na freada da Reta dos Boxes. Assim, o dinamarquês caía para nono.

O ritmo de Kvyat era impressionante. Na volta 38, o russo já colocava 3 segundos de vantagem sobre Magnussen. Era sinal de que o cenário estava complicado para o dinamarquês da Haas. Porém, o panorama da corrida mudaria na volta 46 – e com isso, a sorte de Kevin: um acidente entre Norris e Lance Stroll (Racing Point) na Curva 2 fez com que o safety car fosse acionado. Assim, os pilotos ingressaram nos boxes. Na Haas, tanto Magnussen quanto Grosjean optaram pelos pneus macios. A partir daquele momento, os compostos resistiriam até o fim da corrida. Na volta ao pelotão, Romain estava em sétimo, e Kevin ganhou a posição de Kvyat, reassumindo o oitavo lugar.

Ataque de Magnussen a Grosjean veio após a relargada, na volta 52: manobra ousada

Ataque de Magnussen a Grosjean veio após a relargada, na volta 53: manobra deixou Haas sob tensão

A relargada ocorreu na volta 53. E com ela, veio o desespero da Haas. Magnussen emparelhou com Grosjean ao fim da Reta dos Boxes e não deu espaço para o companheiro de equipe fazer a curva. Romain foi obrigado a sair da pista, e Kevin assumiu a sétima posição. KMag ainda ameaçou Gasly, mas o francês da Red Bull se segurou em sexto. A partir dali, o dinamarquês tinha que se preocupar com a pressão de Grosjean. Com melhor ritmo, o francês queria dar o troco no danês. Na volta 57, ao fim da Reta dos Boxes e se aproveitando do DRS, Romain partiu para cima de Kevin. Entretanto, o dinamarquês voltou a se defender, fazendo com que o francês voltasse a sair da pista. Essa segunda escapada deixou Grosjean para trás – o carro dele ficou danificado. Com isso, perdeu posições para Sainz e Kvyat, caindo para 10º.

Magnussen pouco se importou com o problema do companheiro, seguindo caminho para a conquista do sétimo lugar do GP da Espanha de 2019. A vitória em Montmeló ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 76º triunfo do britânico na carreira – e o terceiro no ano. Com isso, Hamilton reassumiu a liderança do Mundial, com 112 pontos. Valtteri Bottas (Mercedes) terminou em segundo, e viu Lewis colocar 7 pontos de vantagem na ponta da classificação – o finlandês deixou o circuito espanhol com 105 pontos. Max Verstappen (Red Bull) completou o pódio.

Magnussen na pista, Grosjean fora: assim foi o desfecho do duelo interno da Haas

Magnussen na pista, Grosjean fora: esse foi o resum0 do duelo interno da Haas em Montmeló

Apesar do bom resultado, o clima nos boxes da Haas era pesado. Tanto Kevin quanto Romain tiveram que se explicar para os dirigentes da escuderia. No fim, o dinamarquês comentou o entrevero com o francês. “Houve contato com Romain. Não é o que você espera, o contato entre os companheiros de equipe. Não é o que queremos ver, mas não foi nada intencional. Ainda bem que terminamos com dois carros nos pontos”, observou Magnussen, que, no fim, comemorou o fato de retornar ao top 10. “É ótimo ter um bom resultado depois de algumas corridas ruins. Temos lutado para gerenciar os pneus, mas eles parecem estar trabalhando muito melhor neste final de semana. Eles trabalharam em todas as condições, então estou muito feliz com isso”, finalizou.

Gunther Steiner, chefe da Haas, conversa com Magnussen e Grosjean: atrito foi assunto pós-GP da Espanha

Gunther Steiner, chefe da Haas, fala com Magnussen e Grosjean: atrito foi assunto pós-Montmeló

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Azerbaijão-2019: rei de Baku, Pérez põe a Racing Point no top 6

Sergio Pérez conquistou o primeiro top 6 da história da Racing Point na F1

Sergio Pérez conquistou o primeiro top 6 da história da Racing Point na F1 ao ser sexto em Baku

Na quarta corrida de sua história, a Racing Point conquistou seu primeiro top 6 na Fórmula 1. Coube a Sergio Pérez levar o carro rosa ao sexto lugar no GP do Azerbaijão de 2019, em Baku. Foi o melhor resultado da equipe desde o seu ingresso oficial na categoria máxima do automobilismo. A Racing Point assumiu o espólio da Force India antes do GP da Bélgica de 2018, em Spa-Francorchamps, graças à intervenção do magnata Lawrence Stroll – sim, o pai de Lance Stroll. Porém, apenas em 2019 passou a usar o nome atual. Lawrence colocou Lance no lugar de Esteban Ocon. Por outro lado, manteve Pérez como titular do time. Com as conquistas do sexto lugar de Checo e da nona posição de Stroll em Baku, o time de Lawrence Stroll avançou consideravelmente na tabela de classificação dos Construtores – a escuderia passou a ocupar o quinto lugar do Mundial com 17 pontos, um a menos que a McLaren, quarta colocada com 18.

Por sua vez, Pérez passou a dividir o sexto lugar no Mundial de Pilotos, com 13 pontos – mesma pontuação de Pierre Gasly (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo). Sergio deixou o Azerbaijão atrás somente das duplas de Mercedes – Valtteri Bottas e Lewis Hamilton – e da Ferrari – Sebastian Vettel e Charles Leclerc -, além de Max Verstappen (Red Bull). O top 6 fez com que o latino aumentasse seu cartel positivo em Baku. Nas três edições da prova na capital do Azerbaijão, o asteca também havia figurado entre os seis primeiros: em 2016 (quando ainda era o GP da Europa) e em 2018, Sergio terminou em terceiro. Já em 2017, conquistou a sexta colocação.

Nas três provas anteriores em Baku, Pérez havia conquistado dois 3º lugares e um 6º - todos com Force India

Nas três provas anteriores em Baku, Pérez havia obtido dois 3º lugares e um 6º: bom retrospecto

Checo desembarcou em Baku ostentando o título de piloto com mais pódios na etapa. Entretanto, ele sabia que seria quase impossível manter essa escrita. Mercedes e Ferrari eram dominantes. Em contrapartida, o carro da Racing Point não tinha apresentado bom desempenho nas três provas anteriores – o melhor resultado havia sido o oitavo lugar de Sergio no GP da China, em Xangai. Pérez queria aproveitar o seu bom retrospecto e usar isso a favor da sua equipe. Na sexta, dia dos primeiros treinos para o GP do Azerbaijão, Sergio queria aproveitar o máximo possível de tempo de pista para acertar seu carro. Entretanto, após o acidente de George Russell (Williams), ocasionado por um bueiro aberto, a direção da prova decidiu cancelar o primeiro treino livre.

Os pilotos e as equipes só puderam ter um maior contato com a pista de rua no segundo treino livre.  Pérez terminou em 13º, com 1m45s436. O mexicano ficou 2s439 à frente de Lance Stroll – companheiro de Checo, o canadense sofreu um acidente na sessão e ficou em 19º, com 1m47s875. A marca do latino ficou a 2s564 de Charles Leclerc (Ferrari), o melhor do dia com 1m42s872. “Foi um dia difícil depois de perder um valioso tempo de pista no primeiro treino. Eu tive um grande problema com meus pneus na segunda sessão que também me prejudicaram um pouco, mas fora isso estou satisfeito com o progresso que fizemos durante o treino. Espero que esta noite possamos encontrar alguns décimos que nos colocarão na luta amanhã (sábado). Colocamos uma boa quantidade de voltas na tabela, o que é importante em torno deste circuito: você precisa da maior quilometragem possível para aumentar sua confiança à medida que o fim de semana avança”.

Na sexta, apenas um treino foi realizado integralmente em Baku: isso atrapalhou Pérez, 13º do dia

Na sexta, apenas um treino foi realizado integralmente em Baku: isso atrapalhou Pérez, 13º do dia

Diante do que foi apresentado na sexta, Sergio se mostrou cético sobre a possibilidade de repetir um bom resultado em Baku. “Eu não estava tão confiante como em outros anos por aqui. Acho que podemos melhorar muito amanhã (sábado). A chave para a classificação será manter o sentimento com o carro e melhorar nosso equilíbrio. Temos um pouco dessa confiança nos stints longos, mas precisamos disso em apenas uma volta. Outros carros são muito competitivos por aqui, mas vamos tentar o nosso melhor”, disse.

No sábado, a Racing Point teve motivos para lamentar e celebrar. A lamentação ficou por conta da eliminação precoce de Stroll, 16º com 1m42s630. Já a celebração se deu graças ao excelente desempenho de Pérez. O mexicano não só avançou para o Q3, como também alcançou a quinta posição, anotando o excelente tempo de 1m41s593. O asteca ficou a 1s098 de Valtteri Bottas (Mercedes) – o finlandês anotou sua oitava pole na carreira com 1m40s495. É bem verdade que Checo contou com as ausências de Pierre Gasly (Red Bull) -que, punido, sequer participou do Q3 – e de Charles Leclerc (Ferrari) – que sofreu um acidente no início da sessão decisiva, não marcando tempo. Mesmo assim, a marca do latino revelou que o RP19 havia encontrado um melhor equilíbrio em Baku.

Checo brilhou no sábado, ao alcançar o quinto lugar no grid do GP do Azerbaijão

Checo brilhou no sábado, ao alcançar o quinto lugar no grid do GP do Azerbaijão

“Foi uma ótima classificação. A equipe fez um tremendo trabalho em termos de estratégia. Nós reagimos muito bem e tomamos todas as decisões certas – quando entrar na pista e quando ficar nos boxes. Foi uma longa sessão, a pista esfriou bastante, mas creio que fizemos um bom trabalho e conseguimos extrair mais do carro. Esta é uma pista única, ela força o piloto ao máximo. Você precisa estar no limite em todas as voltas sem cometer nenhum erro, o que exige bastante comprometimento e confiança. Será uma corrida longa, temos alguns carros muito velozes ao nosso redor, mas tudo pode acontecer aqui em Baku. Um único erro pode custar bem caro. É importante manter a calma, e acho que podemos marcar um bom número de pontos se conseguirmos terminar a prova”, analisou Pérez.

Largada do GP do Azerbaijão de 2019: arrojado, Pérez tomou quarto lugar de Verstappen

Largada do GP do Azerbaijão de 2019: arrojado, Pérez tomou quarto lugar de Verstappen

A corrida

Domingo, 28 de abril de 2019. A tarde brilhava em Baku, capital azeri, para a disputa do GP do Azerbaijão. Quinto no grid, Sergio Pérez (Racing Point) tinha a expectativa de repetir os bons resultados das provas anteriores no seletivo e veloz circuito de rua. Calçando pneus macios, o mexicano tentaria estender ao máximo sua presença na pista durante o primeiro stint. Porém, ele precisaria também fazer uma boa largada para manter a esperança de conquistar bons pontos na corrida. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Checo foi ousado e emparelhou seu Racing Point com ninguém menos do que Max Verstappen (Red Bull). Na disputa com o holandês, o asteca ficou do lado de fora nas quatro primeiras curvas. No fim, levou a melhor, assumindo a quarta colocação.

Imprimindo um forte ritmo, Sergio se manteve à frente de Max. Porém, aos poucos, o latino perdia o contato com Sebastian Vettel (Ferrari), o terceiro lugar, e permitia a aproximação não só do holandês, como também de Charles Leclerc (Ferrari). Era o natural desgaste dos pneus macios. Na volta 6, Pérez não resistiu aos ataques de Verstappen e Leclerc. De uma só vez, Checo caiu de quarto para sexto. Enquanto Max e Charles sumiam à sua frente, Sergio passava a se preocupar com a pressão da dupla da McLaren – primeiro com Lando Norris, depois com Carlos Sainz Jr.. Após o pit stop de Norris, na volta 9, a Racing Point decidiu chamar Pérez para os boxes na 10. Na troca, o time sacou os pneus macios e colocou os compostos médios. Dessa forma, a escuderia acreditava que o asteca poderia completar a corrida sem mais parar nos boxes.

Pérez bem que tentou, mas não foi páreo para Verstappen e Leclerc

Pérez bem que tentou seguir em quarto, mas não foi páreo para Verstappen e Leclerc

No retorno à pista, Pérez ocupava a 10ª posição, justamente à frente de Norris. Com o pit stop de Alexander Albon (Toro Rosso), na volta 11, o mexicano subiu para nono. Após a parada de Sainz, na volta 12, Checo ascendeu para oitavo. Na 13, o piloto da Racing Point superou Romain Grosjean (Haas), ganhando a sétima posição. Naquele momento, Sergio estava atrás de Pierre Gasly (Red Bull), que, com uma tática mais conservadora, se colocava à frente do mexicano. Na volta 18, a vantagem do francês sobre o latino alcançava 14s8. O objetivo de Gasly era um só: abrir sobre Pérez para tomar a sexta posição. Para isso, precisava estender ao máximo sua presença na pista para realizar o pit stop e voltar para a pista na frente do adversário da Racing Point. Por outro lado, Checo precisava administrar a vantagem que tinha sobre Norris e Sainz.

Na volta 26, Pierre colocava 20s6 de vantagem sobre Sergio. Por sua vez, Pérez tinha 1s9 sobre Norris. Na 37, a diferença entre o francês da Red Bull e o mexicano da Force India alcançou a casa de 30 segundos. Por outro lado, Checo conseguiu colocar 11 segundos sobre Lando. Dessa forma, o sétimo lugar parecia assegurado para o latino. Entretanto, na volta 39, Gasly teve problemas no sistema de transmissão de seu bólido, sendo obrigado a abandonar. Dessa forma, Sergio reassumiu a sexta colocação. Com uma vantagem sob controle sobre Sainz – que superou Norris no duelo interno da McLaren -, bastava ao mexicano levar seu Racing Point até a bandeirada. E foi o que fez.

Com um bom ritmo, Checo não foi incomodado pela dupla da McLaren - Sainz e Norris

Checo não foi incomodado pela dupla da McLaren e contou com o abandono de Gasly para ser 6º

A vitória no GP do Azerbaijão ficou com Valtteri Bottas (Mercedes). Foi a quinta vitória da carreira do finlandês, a segunda em 2019. Com o triunfo, Bottas recuperou a liderança do Mundial de Pilotos, com 87 pontos – um a mais do que Lewis Hamilton (Mercedes), que terminou em segundo em Baku. Vettel completou o pódio. Mas quem celebrou o quarto top 6 consecutivo no circuito azeri foi Pérez, que ficou extremamente satisfeito com o resultado. “Foi um dia fantástico. Tudo pareceu promissor na largada quando passei Verstappen, mas não tivemos velocidade para lutar contra a Red Bull ao longo da prova. Na verdade, eu estava focado em manter a McLaren atrás. Não foi fácil e precisei pilotar cautelosamente por toda a corrida. Estou feliz porque tivemos sucesso em manter nossa posição, agora podemos celebrar um bom dia para a equipe com ambos os carros nos pontos”, afirmou Sergio, mencionando o nono lugar de Lance Stroll.

Com o resultado, Pérez subiu para 6º no Mundial de Pilotos, com 13 pontos

Com o resultado obtido em Baku, Pérez subiu para 6º no Mundial de Pilotos, com 13 pontos

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