Lançamento online – Livro “Contos Velozes”

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É com muita satisfação que o Contos da Fórmula 1 anuncia o início da venda online do livro “Contos Velozes”. Produzido por meio de uma parceria entre o jornalista Douglas Willians (autor deste blog) e o designer Bruno Mantovani, dos célebres Pilotoons, o livro “Contos Velozes” traz histórias emblemáticas da Fórmula 1. Com formato leve e linguagem direta, tem enfoque no público infanto-juvenil – mas é leitura para todas as idades.

A publicação acaba de sair do forno. Com 60 páginas, a obra reúne 13 das histórias relatadas neste blog. Organizada em ordem cronológica, o livro busca abraçar a Fórmula 1 desde o seu início, na década de 1950 (com Chico Landi), até os dias atuais (com Max Verstappen). Inicialmente, a comercialização será realizada em link do site Mercado Livre: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-830398748-lancamento-livro-contos-velozes-_JM

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Bahrein-2018: Gasly encanta e põe Toro Rosso-Honda no top 4

Pierre Gasly caiu nas graças da Toro Rosso e da Honda ao conquistar um impressionante quarto lugar em Sakhir

Pierre Gasly caiu nas graças da Toro Rosso e da Honda ao conquistar um incrível 4º lugar em Sakhir

O rosto alegre remetia imediatamente a um garoto feliz com um feito grandioso. Embora debaixo do capacete parecesse um veterano no controle de todas as ações, Pierre Gasly era o menino mais contente do paddock de Sakhir, palco do GP do Bahrein de 2018, disputado no último dia 8 de abril. O piloto de 22 anos exibiu no Oriente Médio uma invejável regularidade na pista. Em apenas sua sétima corrida, Gasly encantou a Fórmula 1 pela forma como conduziu seu Toro Rosso-Honda no circuito barenita. Durante todo o fim de semana, Pierre foi consistente a bordo do STR13 impulsionado pelo tão contestado propulsor japonês. Ao levar seu bólido azul e vermelho a um impressionante quarto lugar em Sakhir, o francês não só pontuou pela primeira vez na categoria máxima do automobilismo, como também deixou a escuderia de Faenza em êxtase e a montadora nipônica cheia de orgulho.

O top 4 de Gasly no Bahrein entrou para o rol dos melhores resultados da história da Toro Rosso. Além da vitória de Sebastian Vettel no GP da Itália de 2008, em Monza, os mais altos desempenhos do time vieram com quartas colocações – foram cinco: dois de Vettel (nos GPs da China de 2007, em Xangai, e do Brasil de 2008, em Interlagos), dois de Max Verstappen (nos GPs da Hungria, em Hungaroring, e dos Estados Unidos, em Austin, ambos em 2015) e um de Carlos Sainz Jr. (no GP de Cingapura de 2017, em Marina Bay). Pierre, portanto, deu à escuderia de Faenza o sexto 4º lugar e o sétimo top 4 de sua história.

Em Sakhir, Gasly obteve o melhor resultado com um carro impulsionado por motor Honda desde 2008

Em Sakhir, Gasly obteve o melhor resultado de um carro impulsionado pela Honda desde 2008

Além disso, o jovem francês conquistou a melhor posição de um carro impulsionado por motor Honda em quase 10 anos – desde o terceiro lugar de Rubens Barrichello (Honda) no GP da Inglaterra de 2008, em Silverstone, os nipônicos não obtinham resultado tão expressivo. Mas o melhor para a montadora japonesa foi o fato de, em apenas duas corridas em parceria com a Toro Rosso, superar os melhores resultados dos três anos de vínculo com a McLaren – com Fernando Alonso, obteve três quintos lugares (no GP da Hungria de 2015, em Hungaroring; no GP de Mônaco de 2016, no Principado; e GP dos Estados Unidos de 2016, em Austin).

Todas essas marcas preenchem o currículo de Gasly, um francês que há muito tempo vem militando no automobilismo. Nascido em 7 de fevereiro de 1996, em Rouen, Pierre iniciou no kart com 10 anos. Em 2010, foi vice-campeão europeu da categoria. Do kart, migrou para os monopostos. Em 2011, ficou em terceiro na Fórmula 4 Francesa. No ano seguinte, se transferiu para a Fórmula Renault. Em 2013, alcançou o título do Campeonato Europeu da categoria (série 2.0). Após a conquista, subiu mais um degrau, passando a disputar a Fórmula Renault 3.5. em 2014. A ascensão de categoria se deveu ao seu ingresso no Time de Desenvolvimento da Red Bull. Em sua temporada de estreia, foi vice-campeão, sendo superado somente por outro membro do Time de Desenvolvimento: Carlos Sainz Jr..

Antes de chegar na Toro Rosso, Gasly foi campeão da Fórmula Renault e da GP2

Antes de chegar na Toro Rosso, Pierre foi campeão da Fórmula Renault e da GP2: talento ascendente

Ainda em 2014, Gasly estreou na GP2, realizando algumas provas pela Caterham. No ano seguinte, se transferiu para a DAMS, a fim de disputar uma temporada completa na categoria. Foi um ano complicado para Pierre, que se viu em meio a acidentes. Ao término da temporada, ficou em oitavo na classificação. No fim de 2015, vieram duas boas novas para o francês: para a temporada seguinte, ele se tornaria piloto reserva da Red Bull e se transferiria para a Prema para a disputa do campeonato da GP2. Em 2016, Gasly foi arrasador, conquistando quatro vitórias e assegurando o título. Porém, o fato de ser campeão da GP2 não lhe abriu as portas das equipes da F1 para 2017. Sem cockpits à disposição, Pierre competiu na Super Fórmula, do Japão. Ele também participou de uma rodada dupla da Fórmula E em Nova Iorque, em substituição ao campeão Sebastien Buemi (que correria na WEC) na Renault e-Dams. Gasly quase alcançou o pódio em sua segunda corrida – bateu na última curva, ficando em quarto.

Porém, a F1 lhe daria uma oportunidade quando menos esperava: antes do GP da Malásia, em Sepang, o jovem foi chamado para substituir o russo Daniil Kvyat na Toro Rosso. Além da etapa malaia, Gasly disputou o GP do Japão, em Suzuka, ao lado de seu antigo rival de Fórmula Renault, Carlos Sainz Jr.. Porém, após o anúncio da parceria Toro Rosso-Honda para 2018, o time italiano exigiu que Pierre disputasse a etapa final da Super Fórmula no Japão – afinal, seu carro era impulsionado pela marca japonesa. Assim, perderia o GP dos Estados Unidos, em Austin. Gasly foi substituído por Kvyat, enquanto Sainz, que se transferiu para a Renault, deu lugar a Brendon Hartley. A partir do GP do México, na Cidade do México, Pierre passaria a ter a companhia do neozelandês na Toro Rosso. E foi assim até o fim de 2017.

O objetivo de Gasly (à esq.) e Hartley em Sakhir era desenvolver o conjunto Toro Rosso-Honda: tarefa cumprida

O objetivo de Gasly (à esq.) e Hartley em Sakhir era desenvolver o STR13-Honda: tarefa cumprida

Diante da reformulação no quadro de pilotos, somada à mudança do motor Renault para o Honda, a Toro Rosso surgia como “patinho feio” para a temporada de 2018. Após os testes da pré-temporada, o time satélite da Red Bull se colocava numa posição intermediária entre as equipes da F1. Conduzida por Gasly e Hartley, a escuderia de Faenza cravou um objetivo: fazer do STR13 impulsionado pelo motor Honda um carro competitivo. No GP da Austrália, em Melbourne, entretanto, as coisas não foram bem para a Toro Rosso: Pierre abandonou com problemas no motor Honda, enquanto Brendon foi o 15º – e último – a cruzar a linha de chegada. Para piorar, os engenheiros da Honda foram obrigados a engolir o quinto lugar de Fernando Alonso com a McLaren-Renault. Assim que confirmou o top 5, o espanhol afirmou: “agora podemos lutar”. Era algo que o bicampeão sequer sonhou nos três anos com o propulsor japonês.

Ao desembarcar em Sakhir, palco da segunda etapa do Mundial de 2018, Gasly e Hartley tinham como objetivo desenvolver o STR13 e avançar no equilíbrio entre chassis e motor Honda. Quando a Toro Rosso foi para a pista barenita, Pierre parecia se sentir em casa. Veloz, o francês se colocou logo entre os 10 primeiros dos treinos livres. No fim, o jovem de 22 anos ficou com o oitavo melhor tempo da sexta, com 1m31s232. Gasly ficou atrás apenas das duplas de Ferrari, Mercedes e Red Bull, além de Nico Hulkenberg (Renault), que bateu o francês por apenas 0s012 – o alemão marcou 1m31s220. Kimi Raikkonen (Ferrari) foi o mais rápido do dia com 1m29s817 – 1s415 à frente de Pierre. Por outro lado, Hartley encarou problemas e foi o mais lento do dia – 20º, com 1m32s908 (1s676 atrás do companheiro da Toro Rosso).

Na sexta, veio o prenúncio de um bom fim de semana: Gasly figurou sempre entre os 10 primeiros

Na sexta, veio o prenúncio de um bom fim de semana: Gasly figurou sempre entre os 10 primeiros

A boa performance na sexta encheu Gasly de confiança. “Foi uma sexta-feira muito produtiva para nós. Eu me senti muito confortável no carro desde a primeira volta no primeiro treino livre. Mostramos um ritmo decente em ambas as sessões. Sem dúvida, foi um bom começo, mas ainda existem coisas que podemos melhorar para amanhã (sábado). As diferenças estão muito apertadas entre os pilotos, então precisamos gastar um bom tempo hoje (sexta) analisando tudo o que testamos. O primeiro sentimento com o carro é realmente positivo, então esperamos que possamos mantê-lo e ter um dia semelhante amanhã (sábado)”, analisou.

No sábado, a Toro Rosso voltou a surpreender. Tanto Gasly quanto Hartley demonstraram uma força ainda não vista em 2018. O francês e o neozelandês tinham em mãos um equipamento capaz de se impor diante de qualquer adversário do pelotão intermediário da Fórmula 1. Ambos avançaram sem problemas para o Q2. Na segunda sessão qualificatória, Pierre chocou o ‘circo’ ao se colocar entre os 10 primeiros. Por outro lado, Brendon bateu na trave – ficou com 11º, com 1m30s412. No Q3, veio a comprovação de que o STR13 impulsionado com o motor Honda encontrava-se em perfeita harmonia com o circuito barenita sob a condução de Gasly: com 1m29s329, o francês arrancou um impressionante sexto tempo, ficando a 1s371 de Sebastian Vettel (Ferrari), que anotou a pole para o GP do Bahrein – a 51ª de sua carreira.

Além de avançar para o Q3 de Sakhir, Gasly anotou o 6º melhor tempo: com punição a Hamilton, alinharia em 5º

Além de avançar para o Q3, Gasly fez o 6º tempo: com punição de Hamilton, alinharia em 5º no grid

Pierre ficou atrás apenas de carros da Ferrari, Mercedes e Red Bull. O sexto lugar veio pela ausência de Max Verstappen (Red Bull), que sofreu um acidente no Q1. Mas não pararia por aí: Lewis Hamilton (Mercedes), quarto melhor do quali, seria punido com a perda de cinco posições no grid por trocar a caixa de câmbio. Dessa forma, Gasly alinharia em quinto no grid da etapa barenita. Um feito pra lá de assombroso para o piloto de 22 anos. “Esta foi minha melhor classificação na F1! Um dia incrível. A equipe vem trabalhando duro desde o começo do fim de semana e é bom ver esse esforço sendo recompensado. Eu me senti bem no carro, estou muito feliz. Desde a primeira volta no primeiro treino livre, senti que estávamos rápidos, mas precisávamos acertar tudo para entrar no Q3 – e conseguimos! É claro que esperamos que Hamilton e Verstappen se recuperem rápido, mas acho que estaremos na briga com Renault e Haas. Nossa meta é pontuar bem”.

Largada do GP do Bahrein de 2018, em Sakhir: Gasly chegou a superar Ricciardo, mas levou o troco

Largada do GP do Bahrein de 2018, em Sakhir: Gasly chegou a superar Ricciardo, mas levou o troco

A corrida

O anoitecer de domingo em Sakhir, palco do GP do Bahrein de 2018, era o aviso de que a etapa estava prestes a começar. Alinhado em quinto lugar no grid com pneus supermacios, Gasly revelava ansiedade para a largada. À sua frente, nas duas primeiras filas, estavam Sebastian Vettel (Ferrari), Kimi Raikkonen (Ferrari), Valtteri Bottas (Mercedes) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Mais ninguém. Todavia, sua maior preocupação seria domar Kevin Magnussen (Haas), que demonstrou excelente desempenho nos dois primeiros fins de semana da F1. Quando a largada foi autorizada, Pierre partiu com agressividade, contornando a curva 1 por fora e tomando o quarto lugar de Ricciardo. Porém, na sequência, o australiano deu o troco no francês, recuperando a posição.

Na volta 2, uma pane eletrônica tirou Daniel da corrida, reconduzindo Gasly ao quarto lugar. Na mesma passagem, Max Verstappen (Red Bull) tocou em Lewis Hamilton (Mercedes) numa tentativa de ultrapassagem e teve furado seu pneu traseiro esquerdo. O holandês foi aos boxes e voltou à pista, mas abandonou na sequência. Assim, os dois carros da Red Bull estavam fora de combate. Ótimo para Pierre, que se via atrás somente de Vettel, Bottas e Raikkonen. Com o Red Bull de Ricciardo parado na pista, a direção de prova acionou o virtual safety car (VSC). A relargada foi dada na volta 4, e Gasly teve que lidar com o forte ataque de Magnussen. Na volta 5, o dinamarquês abriu a asa traseira no trecho de DRS na reta dos boxes e colocou de lado sobre o francês. Kevin contornou a curva em quarto, mas Pierre deu o ‘x’ na sequência, conservando sua posição.

Gasly suportou forte pressão de Magnussen no início da corrida: duelo com direito a 'x' do francês

Gasly suportou forte pressão de Magnussen no início da corrida: duelo com direito a ‘x’ do francês

Atrás de Gasly e Magnussen, aparecia Hamilton em franca recuperação. Na volta 6, o tetracampeão superou o piloto da Haas. Na 8, foi a vez de Pierre. O francês não tinha como segurar Lewis – também pudera, a disputa era inglória. Sem cerimônia, o britânico da Mercedes ultrapassou o novato da Toro Rosso. Assim, Gasly caía para quinto. De toda forma, sua corrida continuava sendo a de monitorar Magnussen. Na volta 11, a vantagem de Pierre sobre Kevin era de 3s3. Na volta 14, a Haas chamou o dinamarquês para os boxes. O intuito era um só: tentar superar Gasly na base da estratégia. Ao ver o movimento da equipe norte-americana, a escuderia italiana imediatamente tentou anulá-lo. Na volta 15, chamou o francês para a troca de pneus. A Toro Rosso sacou os compostos supermacios e colocou os macios. Pierre seguia à frente de Magnussen – naquele momento, em nono.

Após a parada de Carlos Sainz Jr. (Renault), na 16, Gasly ascendeu para o oitavo lugar. Na volta 18, foi a vez de Romain Grosjean (Haas) realizar seu pit stop. Com isso, Pierre subiu para sétimo. Na 20, o piloto da Toro Rosso superou Marcus Ericsson (Sauber) na pista – o sueco havia adotado a tática de uma parada nos boxes. Na mesma passagem, Brendon Hartley (Toro Rosso) se dirigiu para os boxes. Dessa forma, o francês reassumiu a quinta colocação. Na volta 23, Gasly estava 21s atrás de Raikkonen e 7s à frente de Magnussen – que ultrapassou Ericsson. Assim, estava isolado em Sakhir. Naquele momento, a concentração era na manutenção do ritmo de corrida. Ao notar a vantagem de Gasly, a Haas chamou Kevin para os boxes na volta 27. A partir dali, o stint do dinamarquês passou a ser outro. Seu ritmo, também – Magnussen se tornou um dos mais velozes na pista.

Pierre fez sua segunda parada na volta 34: retorno à frente de Magnussen foi fundamental

Pierre fez sua segunda parada na volta 34: retorno à frente de Magnussen foi fundamental

Na volta 33, Pierre estava a 21s de Hamilton, o quarto. Em contrapartida, tinha 11s6 de vantagem sobre Nico Hulkenberg (Renault) – que, com a parada de Magnussen, subiu para sexto. Diante da vantagem sobre o alemão, a Toro Rosso entendeu que era o momento ideal para a segunda parada de Gasly. Na volta 34, o time italiano chamou o francês para os boxes. Na troca, tirou os pneus macios e colocou novos compostos supermacios. No retorno à pista, Pierre estava em sétimo, entre Fernando Alonso (McLaren) e Magnussen. Na volta 36, um lance lamentável chocou a Fórmula 1 – e, indiretamente, mexeu com a classificação da corrida. Na segunda parada de Raikkonen, a Ferrari autorizou indevidamente a sua saída dos boxes. A troca de pneus ainda não havia sido efetuada. A liberação equivocada fez com que o pneu traseiro esquerdo do carro de Kimi passasse sobre a perna do mecânico Francesco Cigarini. Ele teve fratura exposta da tíbia e da fíbula.

Com o triste incidente, a Ferrari ordenou que o finlandês deixasse a corrida. Assim, Gasly subiu para a sexta posição. Com as paradas de Hulkenberg e Alonso, na volta 39, Pierre foi reconduzido à quarta colocação. Naquele instante, o francês da Toro Rosso estava atrás somente de Vettel, Bottas e Hamilton. Todavia, tinha Magnussen a somente 3s dele. Entretanto, os pneus do Haas do dinamarquês estavam desgastados, enquanto os compostos de Gasly eram praticamente novos. Dessa forma, Pierre abriu para Kevin, consolidando-se na quarta colocação.

Mecânicos da Toro Rosso celebram quarto lugar de Gasly: resultado enche equipe de confiança

Mecânicos da Toro Rosso celebram quarto lugar de Gasly: resultado enche equipe de confiança

O GP do Bahrein de 2018 foi vencido por Vettel, que teve um fim de corrida dramático em razão da estratégia adotada pela Ferrari após o acidente com Cigarini. O alemão foi pressionado por Bottas até a última volta, mas assegurou sua 49ª vitória na F1 – a segunda nesta temporada. Valtteri teve que se contentar com o segundo lugar, seguido por Hamilton. Mas a grande festa estava na celebração da quarta posição. “Agora podemos lutar”, disse Gasly à sua equipe após cruzar a linha de chegada em Sakhir. A frase do francês veio em alusão ao que foi dito por Alonso ao terminar em quinto em Melbourne. Se o recado do espanhol foi uma indireta para a Honda, Pierre fez questão de repeti-la, a fim de estreitar os laços entre o time italiano e a fabricante japonesa.

Nos boxes da Toro Rosso, a celebração foi tremenda. Gasly não se conteve. Também pudera: acabava de se tornar o 336º piloto a pontuar na história da Fórmula 1. “Estou muito feliz! Agradeço bastante à equipe porque o carro estava fantástico. Tive uma boa briga com Magnussen e depois o ritmo estava ótimo. Vi que ambos os carros da Red Bull tiveram de parar, e depois que Raikkonen abandonou, a equipe me disse que tínhamos a oportunidade de chegar em quarto, portanto eu dei tudo até o final. O carro esteve fantástico desde o começo do fim de semana, hoje (domingo) eu pude forçar ao máximo e fomos velozes porque consegui me distanciar da Haas. Preciso de um pouco de tempo para assimilar isso, mas definitivamente vou me divertir com a equipe esta noite”, comemorou.

Pierre foi carregado pelos integrantes da Toro Rosso: feito histórico

Pierre foi carregado pelos integrantes da Toro Rosso: feito histórico

Sobre a corrida de Sakhir, Pierre destacou os principais momentos. “O início da prova foi mega. Consegui passar Ricciardo na curva 1, o que foi ótimo. Depois, as coisas se complicaram um pouco quando Magnussen me ultrapassou (na volta 5). Eu sabia que precisava dar o troco imediatamente porque caso contrário perderia tempo e seria difícil alcançá-lo. Quando passei, consegui mantê-lo atrás e forçar o tempo todo enquanto tentava cuidar dos pneus, o que fizemos muito bem. Creio que o ritmo foi ótimo, então estou super feliz. Para a equipe, parece uma vitória. Sem falar que esse é o melhor resultado para a Honda nos últimos 10 anos – ainda mais após a experiência que tive com eles na Super Fórmula (em 2017), em que tive uma relação muito próxima”.

Resultado de Gasly foi o melhor da Honda desde 2008: orgulho japonês

Resultado de Gasly foi o melhor da Honda desde 2008: top 4 para a satisfação japonesa

Publicado em Bahrein, Brendon Hartley, Carlos Sainz Jr., Fernando Alonso, Haas, Kevin Magnussen, Marcus Ericsson, McLaren, Nico Hulkenberg, Pierre Gasly, Renault, Romain Grosjean, Sakhir, Sauber, Toro Rosso | Publicar um comentário

Austrália-2018: “motor novo, vida nova” para Alonso e McLaren

Fernando Alonso e o halo (novo apêndice a ser adotado pela F1 a partir de 2018): quinto lugar enchem bicampeão e a McLaren-Renault de otimismo

Fernando Alonso e o halo: quinto lugar enchem bicampeão e a McLaren-Renault de otimismo

Fernando Alonso Díaz decretou que 2018 selaria definitivamente qual rumo tomaria sua carreira. Após passar três temporadas martirizantes, devido à catastrófica parceria entre McLaren e Honda (2015 a 2017), o bicampeão do mundo só tinha uma alternativa para este ano: apostar no acordo entre a escuderia britânica e a Renault – a nova fornecedora de motor do time de Woking. O fato de Alonso ter conquistado seus dois títulos mundiais impulsionado pelo propulsor francês (2005 e 2006) animou o asturiano. Porém, não bastaria apenas instalar o motor no modelo MCL33. Encontrar a sintonia fina entre o motor Renault e o carro da McLaren requer tempo e paciência – tudo o que Fernando, de 36 anos, quer buscar a curto prazo. E o desempenho no GP da Austrália, em Melbourne, etapa de abertura do 69º Mundial de Fórmula 1, serviria justamente como uma espécie de referencial para a equipe laranja.

Muitas dúvidas pairavam sobre a McLaren quando houve o desembarque do time em Melbourne. Ainda mais após Alonso entrar em acordo com a Toyota para a disputa do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) na temporada 2018/19. Alguns entenderam que o bicampeão só aceitou disputar a competição de protótipos por não crer no potencial do MCL33. Foi o caso do campeão de 2016, o aposentado Nico Rosberg. “Ele está fazendo essas corridas porque não tem esperança na F1”, afirmou o alemão ao periódico espanhol AS. “Fernando tem que olhar outras coisas para satisfazer seu desejo de vencer, porque ganhar o título da F1 não é mais uma opção para ele. Então, seu próximo grande desafio é ser o piloto mais versátil do mundo”, acrescentou Nico, lembrando que Alonso disputou a edição de 2017 das 500 Milhas de Indianapolis, na Fórmula Indy.

Críticos não acreditam que Alonso voltará a vencer na F1: Nico Rosberg é um deles

Críticos não acreditam que Alonso voltará a ter sucesso: Nico Rosberg, campeão de 2016, é um deles

Antes dos treinos para a etapa australiana, o próprio espanhol não confiava no desempenho da McLaren em Melbourne. “Este será o nosso nível mais baixo”, admitiu. “Contudo, acredito que vamos melhorar bastante durante a temporada. Deveremos ser a equipe que mais vai progredir em comparação com as outras, porque a integração de uma nova unidade de potência requer tempo. Além disso, o chassis foi projetado para muitas atualizações durante a temporada – sobretudo nas primeiras corridas. Por isso, espero uma McLaren bastante forte na segunda parte da temporada”.

Apesar da análise realista, Alonso tratou de surpreender nos primeiros treinos livres para o GP da Austrália. O bicampeão foi o oitavo mais veloz, com 1m25s200. E o MCL33 também mostrou potencial com Stoffel Vandoorne – o companheiro do espanhol foi 10º, com 1m25s285. Fernando ficou a 1s269 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais rápido da sexta-feira, com 1m23s931. “É bom estar de volta ao ambiente de corrida, e é uma sensação agradável estar com todos os carros na pista após os testes de inverno. Sendo o primeiro dia da temporada, havia muitas coisas que queríamos testar. Perdemos um pouco de tempo no primeiro treino com alguns problemas, mas conseguimos recuperar na segunda sessão e agora precisamos analisar tudo para obter o melhor pacote para amanhã (sábado)”, comentou o asturiano.

Desempenho de Alonso na sexta animou a McLaren: oitavo mais rápido do dia

Desempenho de Alonso na sexta animou a McLaren-Renault: oitavo mais rápido do dia

Nos treinos qualificatórios, entretanto, a McLaren se viu com um ritmo abaixo das expectativas. Tanto Alonso quanto Vandoorne  tiveram dificuldades em acertar o carro para as denominadas “voltas voadoras”. Apesar de superaram o Q1 com certa tranquilidade, Fernando e Stoffel não foram capazes de ingressar na fase final da sessão, caindo no Q2: o espanhol anotou 1m23s692, ficando em 11º; já o belga fez 1m23s853 (0s161 acima do tempo do bicampeão), assegurando o 12º lugar. A pole position para o GP da Austrália foi conquistada por Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m21s164 – 2s528 mais rápido do que Alonso. Após o qualifying, Fernando fez um relato positivo sobre a performance do MCL33 no circuito de Albert Park.

“Após os testes de inverno, você nunca sabe como será a performance na primeira classificação. Dá um certo alívio o fato de o carro andar bem. Estamos mais competitivos do que nas últimas temporadas. Neste ano, vamos nos divertir. Com exceção da Toro Rosso, somos a única equipe que passou por um processo de integração de uma nova unidade de potência com o chassis, os sistemas e o acerto, portanto ganharemos performance quando nos adaptarmos melhor ao motor Renault. Acho que nosso ritmo de corrida é melhor do que na classificação, então estamos em boas colocações de largada e marcar um bom número de pontos definitivamente é a meta. A prova de amanhã (domingo) será uma das primeiras dos últimos anos onde não precisaremos nos defender e partiremos para o ataque”, observou Alonso.

Largada do GP da Austrália de 2018: Alonso se manteve no top 10

Largada do GP da Austrália de 2018: Alonso se manteve no top 10

A corrida

Domingo, 25 de março de 2018. Diferentemente do que anunciou a meteorologia durante a semana, nenhuma gota d’água passou próxima de Melbourne no dia da corrida. Assim, o GP da Austrália abriria o calendário da Fórmula 1 com clima propício para uma excelente disputa. Como Valtteri Bottas (Mercedes) se acidentou no Q3, o finlandês trocou o câmbio e foi obrigado a alinhar na 15ª posição do grid. Assim, Alonso largaria em 10º. Calçado com pneus ultramacios, Fernando tinha como meta ser agressivo nos primeiros momentos da prova, a fim de se consolidar na zona de pontos. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o bicampeão tentou superar seu compatriota Carlos Sainz Jr. (Renault). Apesar da forte investida, o adversário se manteve em nono, obrigando Fernando a permanecer em 10º lugar.

A partir de então, a corrida de Alonso passou a ser determinada pelo ritmo de Sainz. Na volta 4, o bicampeão estava a 1s1 do madrileno. Em contrapartida, o asturiano tinha 1s6 de vantagem sobre Vandoorne, o 11º. Na 12, a pressão de Fernando sobre Carlos se intensificou. Apesar disso, o piloto da Renault prosseguiu na nona colocação. Na volta 15, os pneus ultramacios do MCL33 começaram a dar sinais de desgaste, e Sainz colocava 1s8 sobre Alonso. Era o momento de realizar a troca de pneus. A janela da primeira troca teve início na volta 18, com a parada dos líderes Lewis Hamilton (Mercedes) e Kimi Raikkonen (Ferrari). Dessa forma, Sebastian Vettel (Ferrari) assumiu a ponta. Na volta 21, Max Verstappen (Red Bull) realizou seu pit stop, fazendo com que Fernando pulasse para o nono lugar. Entretanto, foi a partir da parada dos pilotos da Haas que a etapa australiana ganhou novos contornos.

Após a largada, Alonso perseguiu Sainz, mas não conseguiu ultrapassar o compatriota

Após a largada, Alonso perseguiu Sainz, mas não conseguiu ultrapassar o compatriota

Kevin Magnussen (Haas) era um dos destaques da prova de Melbourne até então. Com um desempenho sólido, o dinamarquês ocupava um convincente quarto lugar, atrás somente de Vettel, Hamilton e Raikkonen. Porém, na volta 22, ingressou nos boxes. Na troca, um problema no equipamento que instalaria a porca na roda traseira esquerda do carro arruinou a apresentação de Magnussen. Kevin ficou parado no traçado. Nesse mesmo instante, Alonso viu Sainz errar e escapar na curva 6. Enfim, o piloto da McLaren superava o adversário da Renault. Com o dinamarquês fora e a ultrapassagem sobre o madrileno, o asturiano da McLaren ascendeu para o sétimo lugar.

Na volta 24, um infeliz déjà vu nos boxes da escuderia ianque: Romain Grosjean (Haas), que havia herdado o quarto lugar de Magnussen, padeceu do mesmo problema do companheiro. Sem a porca na roda traseira esquerda, o francês também foi obrigado a abandonar a corrida. O desespero e as lágrimas tomaram conta da equipe de Gene Haas. Com os bólidos de Kevin e Romain parados na pista, o “virtual safety car” (ou VSC) foi acionado em Melbourne. Era a deixa para Alonso, que subiu para o sexto lugar na etapa, realizar seu único pit stop. A McLaren chamou o espanhol, sacando os pneus macios e colocando os compostos macios. Dessa forma, Fernando não pararia mais. Na saída dos boxes, o bicampeão levou um susto de Verstappen, que lhe tomou a frente. Ainda assim, conseguiu ficar à frente do holandês, que cedeu o lugar para não ser punido.

Parada durante o "virtual safety car" rendeu top 5 ao bicampeão

Parada durante o “virtual safety car” rendeu top 5 ao bicampeão: mérito da estratégia da McLaren

Parar no momento certo rendeu a Alonso o quinto lugar em Melbourne. O asturiano estava atrás somente de Vettel (outro beneficiado com o VSC), Hamilton, Raikkonen e Daniel Ricciardo (Red Bull). A relargada só foi dada na volta 32. Fernando sabia que não tinha como acompanhar os quatro primeiros. Sua intenção inicial era segurar o ímpeto de Verstappen. Porém, após a bandeira verde, o holandês da Red Bull precisou se preocupar com o ataque de Nico Hulkenberg (Renault). Era um alívio momentâneo, mas que foi fundamental para Fernando. A partir da volta 34, as atenções de Max estavam voltadas para superar o carro laranja do bicampeão.

Alonso imprimia um ritmo constante, mas não abria sobre Verstappen. Além disso, permitia que Hulkenberg e Bottas andassem juntos, formando um sólido pelotão. Mesmo assim, o talentoso e técnico piloto não se intimidou com os rivais. Nem mesmo Max era capaz de tirar Fernando do prumo. Ainda que pressionasse, o holandês da Red Bull não encontrava chance de superar o espanhol da McLaren. Ao final, Alonso cruzou a linha de chegada em quinto, com 1s de vantagem sobre Verstappen. A vitória ficou com Vettel (a 48ª na carreira), seguido por Hamilton, Raikkonen e Ricciardo. Mas o top 5 com a McLaren-Renault fez o bicampeão lavar a alma. A confiança havia voltado para o semblante do samurai espanhol. Também pudera: em apenas uma corrida, igualou seus melhores resultados durante os três anos de McLaren-Honda – também havia sido quinto no GP da Hungria de 2015, em Hungaroring; no GP de Mônaco de 2016, no Principado; e GP dos Estados Unidos de 2016, em Austin.

Alonso segurou Verstappen com maestria e assegurou quinto lugar na etapa de abertura

Alonso segurou Verstappen com maestria e assegurou quinto lugar na etapa de abertura

“Estamos feliz por termos marcado pontos com os dois carros, sendo um entre os cinco primeiros (já Vandoorne foi nono). Devemos nos orgulhar disso, mas acho que há muito mais vindo da McLaren. Não maximizamos todo o potencial e nem tiramos tudo do pacote hoje (domingo). Esta é apenas a nossa primeira corrida em conjunto com a Renault, e algumas atualizações virão nas próximas corridas. Podemos começar a olhar para frente e a Red Bull será o próximo alvo. Obviamente, tivemos sorte com os dois carros da Haas abandonando, o problema de Carlos (Sainz) na curva 9 e depois com o (Max) Verstappen sob o VSC. Digamos que quatro posições vieram graças a algumas condições favoráveis, mas não cometemos erros e capitalizamos tudo. Um trabalho perfeito da equipe”, celebrou Alonso, feliz com o motor novo – e com a vida nova na F1.

Fernando ficou satisfeito com os 10 pontos; espanhol espera duelar com a Red Bull em 2018

Fernando ficou satisfeito com os 10 pontos; espanhol espera duelar com a Red Bull em 2018

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Abu Dhabi-2017: o 269º e último capítulo de Felipe Massa na F1

Felipe Massa (Williams), à frente de Fernando Alonso (McLaren): no último duelo, espanhol levou a melhor

Massa, à frente de Alonso: no duelo final, o espanhol levou a melhor, deixando o brasileiro em 10º

Ao que parece, foi para valer. Felipe Massa (Williams) encerrou sua carreira na Fórmula 1 no último dia 26 de novembro, em Yas Marina, palco do GP de Abu Dhabi de 2017. O brasileiro pendurou o capacete com um cartel respeitável: 269 GPs, 11 vitórias, 16 poles, 15 voltas mais rápidas, 41 pódios e 1.167 pontos. Foram 15 temporadas atuando na categoria máxima do automobilismo, tendo como ponto alto o vice-campeonato mundial de 2008. Boa parte desses números acabou sendo obtida quando pilotou pela Ferrari, entre 2006 e 2013. Além do carro vermelho, Massa defendeu as cores da Sauber (2002, 2004 e 2005) e da Williams (entre 2014 e 2017). Apenas no time de Grove, Felipe alcançou 5 pódios (o auge veio com o segundo lugar no GP de Abu Dhabi de 2014, em Yas Marina), 1 pole (no GP da Áustria de 2014, em Spielberg) e 1 melhor volta (no GP do Canadá de 2014, em Montreal).

Entre o primeiro ponto conquistado (com Sauber, foi sexto no GP da Malásia de 2002, em Sepang) e o último (terminou em 10º em Yas Marina-2017), muito se passou na trajetória de Massa. Vitórias incontestáveis, desempenhos abaixo das expectativas, acidentes espetaculares – sendo um que quase o matou (em Hungaroring-2009). Felipe tem história para contar. Melhor: conheceu como poucos tanto o lado bom como o ruim da Fórmula 1. Em 2017, sua campanha foi discretíssima, muito em razão da baixa eficiência do FW40 da Williams. Seus melhores resultados na temporada vieram antes do início da fase europeia – foi sexto nos GPs da Austrália, em Melbourne, e do Bahrein, em Sakhir. Apesar dos dois top 6, o desempenho mais marcante de Massa em 2017 ocorreu no GP do Brasil, em Interlagos, quando levantou o público pela última vez após conquistar o sétimo lugar.

Felipe utilizou um capacete especial para a despedida da F1 em Yas Marina

“Obrigado! Amo todos vocês!”: Felipe utilizou um capacete especial para a despedida da F1

Inspirado após a emocionante despedida do circuito paulistano, Felipe estava preparado para entrar num cockpit da Fórmula 1 pela última vez. Em Yas Marina, o veterano de 36 anos desejava encerrar seu ciclo na categoria de forma competitiva – de preferência, pontuando mais uma vez. Ao iniciar seu derradeiro fim de semana na F1, nos treinos de sexta, Massa esperava brigar novamente com os pilotos da Force India e da McLaren. Porém, a Williams não se encontrava no circuito do Oriente Médio. Após a realização dos dois primeiros tempos, Massa se viu num tímido 11º lugar, ao anotar 1m39s635. O brasileiro ficou a 1s758 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz do dia. Por outro lado, superou seu companheiro, o novato Lance Stroll (Williams), por impressionantes 0s694 – o canadense, que corria em Yas Marina pela primeira vez, marcou 1m40s329.

Sobre sua última sexta na F1, Felipe foi taxativo. “Acho que foi uma sexta-feira normal. Para ser honesto, estava tentando entender o carro e os pneus. Eu também fiz alguns bons tempos de volta. Eu não senti que nada fosse diferente ou estranho em comparação com qualquer outra sexta-feira, mas talvez quando chegarmos à primeira corrida da próxima temporada sentirei falta disso, a competição e tudo mais. Estou pronto para isso e acho que é o momento certo. A única coisa que posso dizer é que eu sou grato por tudo, então vamos ver como vai ser sábado e domingo. Espero que possamos ter uma boa corrida e terminar bem”.

No qualifying em Yas Marina, Massa conseguiu avançar para o Q3: competitivo até o fim

No qualifying em Yas Marina, Massa conseguiu avançar para o Q3: competitivo até o fim

No sábado, Massa estava concentrado em fazer o melhor em seu último qualifying na Fórmula 1. Ainda que o FW40 não oferecesse condições para brigar na parte de cima da classificação, a Williams e o brasileiro almejavam um lugar na fase decisiva do treino oficial. Tanto Felipe quanto Stroll avançaram para o Q2. Porém, na etapa intermediária do quali, o canadense ficou pelo caminho, anotando 1m39s646. Já o brasileiro se esforçou e foi recompensado com uma vaga no Q3. No fim, Massa obteve 1m38s550, sendo 1s096 mais rápido do que Lance. A marca rendeu ao veterano a 10ª posição no grid, ficando a 2s319 de Valtteri Bottas (Mercedes), pole do GP de Abu Dhabi com 1m36s231.

Ao final da sessão, Felipe se mostrou satisfeito com a façanha. Também pudera: foi mais de 1 segundo mais veloz do que um novato, que tem vaga assegurada na Williams em 2018. “Estou muito feliz com minha classificação e minha volta. Consegui entrar na Q3 e extraí o máximo do carro. Estou terminando com minha cabeça erguida, mostrando que estou no auge da competitividade. Estou muito feliz com o que alcancei e realmente ansioso pela corrida de amanhã (domingo). Seria ótimo marcar alguns pontos”, vislumbrou o brasileiro.

Largada do GP de Abu Dhabi de 2017, em Yas Marina: Massa se manteve em 10º lugar

Largada do GP de Abu Dhabi de 2017, em Yas Marina: Massa se manteve em 10º lugar

A corrida

Domingo, 26 de novembro de 2017. O pôr do sol em Yas Marina coincidia com o ocaso da carreira de Felipe Massa na Fórmula 1. Ao alinhar seu Williams FW40 de número 19 na 10ª posição do grid do GP de Abu Dhabi, o brasileiro estava a ponto de trilhar seus últimos momentos na categoria máxima do automobilismo. O veterano queria curtir o momento, travar boas disputas e, se possível, conquistar pontos. Calçando pneus ultramacios, o vice-campeão de 2008 viu as cinco luzes vermelhas se apagarem pela última vez. Ao acelerar seu bólido, deu uma patinada, permitindo que Fernando Alonso (McLaren) pudesse ultrapassá-lo. Porém, Felipe reagiu: ainda na primeira volta, conseguiu dar o troco no espanhol. Assim como em Interlagos, Massa se impunha contra Alonso, mantendo-se na 10ª colocação.

A partir de então, Felipe passava a ser perseguido por Fernando. Entretanto, os pontos de ultrapassagem de Yas Marina eram escassos. Assim, o brasileiro da Williams controlava as investidas do espanhol da McLaren – a diferença não era superior a 1 segundo. Por outro lado, Esteban Ocon (Force India) já colocava vantagem sobre Massa – na volta 5, o francês estava 2s2 à frente do veterano. Dessa forma, a última corrida do paulista se configurou em um duelo à parte contra seu ex-companheiro de Ferrari. Na volta 12, Alonso ganhou a companhia de Carlos Sainz Jr. (Renault) na perseguição ao piloto da Williams. Mesmo com o avanço dos rivais ibéricos, Felipe mantinha-se no top 10 com relativa facilidade.

Sem conseguir acompanhar Ocon, Massa liderou pelotão com Alonso e Sainz até o pit stop

Sem conseguir acompanhar Ocon, Massa liderou pelotão com Alonso e Sainz até o pit stop

Na volta 17, teve início a janela de parada de boxes. Em geral, as equipes planejaram somente um pit stop para a corrida de Yas Marina. Com a ida de Sergio Pérez (Force India) para a troca de pneus, Massa assumiu provisoriamente o nono lugar. Após a parada de Nico Hulkenberg (Renault) na volta 18, o brasileiro ascendeu para oitavo. Na 21, Daniel Ricciardo (Red Bull) abandonava com problemas hidráulicos, o que colocava Felipe em sétimo. Nesta mesma volta, Alonso ingressou nos boxes. Foi a deixa para a Williams chamar o veterano para seu único (e último) pit stop – afinal, com pneus novos, a tendência era o bicampeão ultrapassar o paulista. Na volta 22, Massa entrou no pit. O time sacou os usados compostos ultramacios e os substituiu por um jogo de supermacios.

No retorno à pista, na volta 23, Felipe conseguiu sair à frente de Fernando, na 11ª posição. Era a fiel repetição do que havia ocorrido em Interlagos. Todavia, o espanhol tinha pneus aquecidos, e aproveitou-se desse fator para ultrapassar o brasileiro. Assim, Alonso subia para 11º, e Massa caía para 12º. Ainda que sofresse com a falta de potência do motor Honda, o bicampeão tinha um carro mais equilibrado que o piloto da Williams. Dessa forma, o asturiano sumia à frente do paulista. Na volta 28, Fernando já colocava 3 segundos sobre Felipe. Era o fim da possibilidade de o brasileiro bater novamente o espanhol.

Massa perdeu posição para Alonso após a parada nos boxes, mas lugar no top 10 estava consolidado

Massa perdeu posição para Alonso após a parada nos boxes, mas lugar no top 10 estava consolidado

Com Alonso inalcançável, a consolação para Massa era retornar ao top 10. Para isso, bastava aguardar as paradas de Sainz e de Romain Grosjean (Haas). Na volta 32, o espanhol da Renault se encaminhou aos boxes. Contudo, o time francês não prendeu a porca da roda dianteira esquerda, e Carlos deixou o pit mesmo assim. Logo na saída dos boxes, o madrileno escapou de um acidente sério. Metros depois, Sainz parou seu carro. Assim, sem esforço, Felipe assumiu o 11º lugar. Na 33, foi a vez de Grosjean se encaminhar aos boxes. O francês da Haas fez a troca sem problemas, retornando atrás do brasileiro da Williams. Assim, o veterano estava mais uma vez na zona de pontuação.

Na volta 34, Massa estava a 4 segundos de Alonso, mas tinha 13 segundos de vantagem para Grosjean. O top 10 estava assegurado. Bastava levar o FW40 para casa. E Felipe o fez com dignidade, aproveitando cada momento, cada acelerada, cada freada, cada contorno de curva. O GP de Abu Dhabi de 2017 foi vencido por Valtteri Bottas (Mercedes). O finlandês, companheiro de Massa na Williams entre 2014 e 2016, obteve sua terceira vitória na carreira, assegurando o terceiro lugar no Mundial. Com o tetra assegurado no México, Lewis Hamilton (Mercedes) foi burocrático e ficou em segundo, seguido por Sebastian Vettel (Ferrari), que, com o pódio, conquistou o vice-campeonato. Décimo em Yas Marina, Massa não se conteve e celebrou com o vencedor Bottas e o campeão Hamilton, fazendo ‘zerinhos’ com a dupla da Mercedes.

Após a bandeirada, Massa se juntou a Bottas (vencedor em Yas Marina) e Hamilton (campeão de 2017) na 'festa dos zerinhos'

Massa se juntou a Bottas (1º em Yas Marina) e Hamilton (campeão de 2017) na ‘festa dos zerinhos’

Após a apoteose da carreira no Oriente Médio, Felipe fez uma avaliação sobre sua última corrida. “É uma grande sensação. Posso dizer que estou muito orgulhoso de tudo o que consegui, de todos os 16 anos e de todas as incríveis corridas e das ótimas pessoas que conheci no paddock, correndo contra os melhores pilotos do mundo. Para ser honesto, tenho muita sorte de ter tido tudo isso na minha vida, então, graças à minha família e a Deus por todas essas oportunidades incríveis. A corrida foi boa, eu estava lutando desde o início até o fim. Infelizmente, perdemos a posição para Alonso após o pit stop, mas estou realmente feliz no geral”.

Impressões finais

Felipe: "Depois da bandeirada do GP de Abu Dhabi, decidi fazer algo especial - que não está previsto nas regras da FIA. Mas, depois de 15 anos de F1, tenho certeza de que isso será perdoado"

Felipe: “Após o GP, decidi fazer algo especial (‘zerinhos’). Tenho certeza de que será perdoado”

Em sua última coluna da Motorsport Brasil como piloto de Fórmula 1, Massa resumiu as sensações de Yas Marina. Além disso, traçou planos para o futuro. Confira o texto na íntegra.

“Depois da bandeirada do GP de Abu Dhabi, decidi fazer algo especial – que não está previsto nas regras da FIA. Mas, depois de 15 anos de F1, tenho certeza de que isso será perdoado. Após a volta de desaceleração, fui com meu carro à linha de chegada com os dois pilotos da Mercedes para comemorar com um espetacular zerinho. Fiquei muito feliz em receber as felicitações de Valtteri Bottas e Lewis Hamilton, mas, acima de tudo, em ter a oportunidade de agradecer a todos que me acompanharam nessa longa jornada.

"Eu fiquei muito feliz com os resultados do Brasil e de Abu Dhabi, onde não acho que seria possível conquistar mais do que conquistei"

“Fiquei muito feliz com os resultados do Brasil e de Abu Dhabi. Não seria possível conquistar mais”

Sinto que sou uma pessoa muito sortuda. Completei minhas ambições ao concluir uma carreira de sonhos realizados que tive quando criança. E, quando você vive uma história tão bonita, é preciso agradecer a todos que o ajudaram neste caminho. E isso começa com minha família, que não perdeu a oportunidade de me dar o maior apoio possível – especialmente nos momentos mais difíceis. Acho que as últimas corridas mostraram como eu era querido como um piloto de F1. Eu fiquei muito feliz com os resultados do Brasil e de Abu Dhabi, onde não acho que seria possível conquistar mais do que conquistei.

Foi importante terminar a longa jornada de minha carreira de forma tão positiva, e, até os metros finais de minha carreira na F1, mostrei que sou um profissional que pode trazer uma boa contribuição à equipe. Em Yas Marina, começamos o fim de semana com bom ritmo, e chegamos à classificação com a esperança de chegar ao Q3. Foi a meta que alcançamos – e poder superar outros carros competitivos mostra o progresso que tivemos nos estágios finais da temporada. Isso me deixou particularmente satisfeito. Antes da corrida, pensei que a largada seria crucial para tentar nos ajudar a marcar pontos.

Duas semanas depois de nosso longo duelo em Interlagos, me encontrei novamente em uma dura batalha com meu velho companheiro de equipe

“Me encontrei novamente em uma dura batalha com Alonso, meu velho companheiro de equipe”

Sabemos como é difícil ultrapassar em Abu Dhabi, e eu fiquei feliz em passar Fernando Alonso no começo. Duas semanas depois de nosso longo duelo em Interlagos, me encontrei novamente em uma dura batalha com meu velho companheiro de equipe. Pude controlar a situação até o pit stop, sem nenhum problema em particular. Depois da troca de pneus, forcei muito para evitar ser ultrapassado, e, após meu pit stop, voltei à pista praticamente colado em seu carro. Infelizmente, naquele momento, a carga da parte híbrida do meu carro não era a ideal, e Fernando pôde me ultrapassar. Não havia nada que eu pudesse fazer para evitar, mas, pelo menos, a meta de pontuar não me escapou completamente, já que consegui terminar em 10º.

Depois de cumprimentar vários amigos em Yas Marina no domingo à noite, vou descansar. Muitas pessoas me perguntaram quais são meus planos para o futuro, mas ainda é muito cedo para dar uma resposta precisa. Tenho várias oportunidades e vou decidir de maneira calma. A única certeza é que vocês me verão no automobilismo novamente. É o mundo que sonhei quando criança e no qual tive sorte o suficiente para viver até agora”.

"Vou descansar. A única certeza é vocês me verão no automobilismo novamente"

“Vou descansar. A única certeza é que vocês me verão no automobilismo novamente”

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Brasil-2017: Massa se despede de Interlagos com 7º lugar

Com Felipinho, Felipe Massa (Williams) teve um pódio especial para celebrar o 7º lugar em Interlagos: adeus com estilo

Com Felipinho, Felipe Massa (Williams) celebrou no pódio o 7º lugar em Interlagos: adeus com estilo

Felipe Massa viveu de tudo em seus 15 anos de Fórmula 1. Demonstrou potencial em suas três temporadas na Sauber. Depois, alcançou o auge na Ferrari, onde venceu 11 corridas e quase sagrou-se campeão (em 2008). Ainda na Rossa, teve o seu pior momento – o acidente nos treinos para o GP da Hungria de 2009, em Hungaroring. A molada em seu capacete quase lhe custou a vida, mas ele seguiu em frente. Entretanto, sua carreira nunca mais seria a mesma. Entre 2010 e 2013, dividiu a Scuderia com Fernando Alonso, sendo constantemente superado pelo espanhol. Após oito temporadas no time de Maranello, desembarcou na Williams, onde teve bons e maus momentos. No fim de 2016, chegou a anunciar sua aposentadoria, que foi revista após a retirada de Nico Rosberg e a ida de Valtteri Bottas para a Mercedes. O inusitado retorno foi algo único na categoria máxima do automobilismo. Mas, ao fim de 2017, Felipe se viu novamente sem alternativa na F1. A única saída possível era pendurar novamente o capacete ao fim desta temporada.

Em 2016, Massa teve uma despedida apoteótica, digna pelo conjunto de sua obra nas pistas. Em Interlagos, palco do GP do Brasil daquele ano, Felipe foi saudado por todo o paddock. Envolto às lágrimas e com a bandeira brasileira nas costas, o veterano caminhava defronte às arquibancadas após sofrer um acidente sob chuva. Talvez não fosse a melhor forma de dar adeus aos seus torcedores. Mas a vida prega boas novas. De repente, ele se via novamente no cockpit da Williams. E, mais uma vez, se viu obrigado a anunciar uma ‘segunda aposentadoria’ – explica-se: a escuderia de Grove manterá Lance Stroll para 2018, e busca um piloto com bom aporte financeiro para a próxima temporada. O time de Frank Williams não demonstrou interesse na permanência do brasileiro.

Após se despedir do público brasileiro em 2016, Massa recebeu nova chance em 2017: desta vez, sem acidente

Após se despedir de Interlagos em 2016, Massa recebeu nova chance em 2017: desta vez, sem acidente

Assim, antes de qualquer movimento da equipe, Massa se antecipou e anunciou sua retirada da F1 às vésperas do GP do Brasil de 2017, em Interlagos. Novamente, Felipe estava diante de uma despedida do circuito que testemunhou duas vitórias dele (em 2006 e 2008). O fim seria o mesmo: sob lágrimas e saudações dos torcedores. Contudo, desta vez, o brasileiro queria mais do que ver a bandeirada. De preferência, realizar uma apresentação digna de sua história. A Fórmula 1 permitiu uma segunda despedida a Massa. E, felizmente, a realidade presenteou o piloto da Williams no último domingo. Ao cruzar a linha de chegada, Felipe vibrou como nos velhos tempos de Ferrari. Sem dúvida, a segunda despedida foi em melhor estilo do que a primeira – levando um ótimo sétimo lugar e sendo combativo o tempo todo. De quebra, derrotou seu velho algoz na Scuderia, Fernando Alonso (McLaren). Foi um fim de semana mais do que perfeito para o brasileiro.

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP do Brasil, Massa estava determinado a fazer um bom papel em casa. Em Interlagos, Felipe acelerou seu FW40 como raramente se viu em 2017. Abaixo do nível de Mercedes, Ferrari e Red Bull, a Williams traçou uma meta para a etapa brasileira: bater os carros da Force India e da McLaren. E isso pôde ser visto no primeiro treino livre – sessão na qual foram anotados os melhores tempos de sexta (devido à alta temperatura registrada na tarde, as marcas foram mais lentas no segundo treino livre). Massa anotou um excelente sétimo tempo, em 1m10s102. O brasileiro só foi superado pelo trinca das principais equipes de 2017, ficando a 0s900 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais rápido do dia com 1m09s202.

Felipe estava determinado a fazer o seu melhor em Interlagos: no quali, frustração com Sainz

Felipe estava determinado a fazer o seu melhor em Interlagos: no quali, frustração com Sainz

Para ter uma ideia do quão veloz foi Massa na sexta, seu tempo foi 0s530 mais veloz do que o anotado pelo seu companheiro de equipe, Lance Stroll. O canadense fez 1m10s632, conquistando o 11º lugar. Nesse caso, a experiência fez a diferença – Felipe conhece bem Interlagos, enquanto Lance tinha seus primeiros contatos com o circuito. No fim do dia, o brasileiro mostrou-se satisfeito com o desempenho. “Foi uma boa sexta-feira. Conseguimos fazer alguns bons tempos de volta, e acho que o nosso ritmo no stint longo é semelhante a muitos dos carros em que estamos lutando. Será uma luta difícil na nossa frente, mas tentaremos tudo o que pudermos”, afirmou.

Massa seguiu confiante no sábado, dia do treino oficial que definia o grid para o GP do Brasil. O brasileiro levantava as arquibancadas de Interlagos cada vez que baixava seu tempo. Com o acidente de Lewis Hamilton (Mercedes), no Q1, e com a punição prevista a Daniel Ricciardo (Red Bull) – o australiano trocou peças de sua unidade de potência e perderia 10 posições no grid -, Felipe viu boas possibilidades de conquistar a melhor colocação de largada na temporada (o máximo que conseguiu em 2017 foi o sexto lugar no grid dos GPs da China, em Xangai, e da Rússia, em Sochi). O quinto lugar era algo palpável, sobretudo após anotar um excelente tempo no Q2 (que lhe renderia o top 5 na largada). Entretanto, em sua volta lançada no Q3, Massa foi atrapalhado por Carlos Sainz Jr. (Renault). Felipe perdeu tempo e a concentração, ficando em 10º, com 1m09s841.

Após realizar excelentes Q1 e Q2, Massa foi apenas o 10º no Q3: com punição a Ricciardo, largaria em nono

Massa foi apenas o 10º no Q3 de Interlagos: com punição a Ricciardo, largaria em nono

A marca do brasileiro ficou 1s519 acima da obtida por Valtteri Bottas (Mercedes), pole do GP do Brasil com 1m08s322 – recorde histórico da pista paulistana. Mesmo com o tempo aquém do esperado, Massa foi 0s935 mais veloz do que Stroll – seu companheiro de Williams anotou 1m10s776, ficando em 18º. “Fiquei muito feliz na classificação até o Q3, quando perdi uma volta, porque um piloto (Sainz) me prejudicou você de propósito. Isso é realmente decepcionante. Eu acho que se você comete um erro é algo, mas isso não foi um erro, foi de propósito. Estou muito desapontado e falei com ele”, disparou Felipe que emendou. “Estava chovendo um pouco na última volta e não consegui uma volta perfeita. Infelizmente, não estou largando na posição que eu deveria estar”. Por outro lado, Sainz se defendeu. “É uma acusação muito forte dizer que fiz algo de propósito. Hoje (sábado), na classificação, nunca assumi o risco de bloquear alguém”.

Largada do GP do Brasil de 2017: após saltar bem, Massa entrou no S do Senna em sétimo

Largada do GP do Brasil de 2017: após saltar bem, Massa entrou no S do Senna em sétimo

A corrida

Autódromo Internacional José Carlos Pace, Interlagos, São Paulo, 12 de novembro de 2017. Quase um ano depois de emocionar o País com sua despedida, Felipe Massa voltava ao grid da pista que fez dele o primeiro brasileiro a vencer o GP do Brasil desde Ayrton Senna (em 1993). O piloto da Williams alinhou seu FW40 na nona colocação – ele ganhou uma posição após a punição dada a Daniel Ricciardo (Red Bull). Sob um forte calor e calçando pneus supermacios, o veterano partiu preparado para fazer seu melhor. Afinal, a última impressão é a que fica. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Massa parecia o garoto arrojado que encantou a Ferrari, e não aquele experiente piloto que se arrastava para um fim melancólico de carreira.

Logo nos primeiros metros da corrida, Felipe superou Carlos Sainz Jr. (Renault) e Nico Hulkenberg (Renault), contornando o S do Senna em sétimo, lado a lado com Sergio Pérez (Force India). Após tracionar melhor que o mexicano na Curva do Sol, o brasileiro assumiu o sexto lugar na Reta Oposta. Atrás de Massa, ocorreram duas confusões. Na Curva do Sol, Ricciardo levou um toque de Stoffel Vandoorne (McLaren), que, por sua vez, acabou sendo abalroado por Kevin Magnussen (Haas). O australiano seguiu na corrida, mas o belga e o dinamarquês abandonaram a prova. Já no Laranjinha, Romain Grosjean (Haas) entrou numa disputa suicida contra Esteban Ocon (Force India). Grosjean rodou e atingiu Ocon. Romain seguiu na etapa, enquanto Esteban conheceu seu primeiro abandono na Fórmula 1 após 28 GPs na carreira. Diante desses incidentes, o safety car ingressou na pista.

Felipe se aproveitou da entrada do safety car para superar Alonso na relargada: incrível quinto lugar

Felipe se aproveitou da entrada do safety car para superar Alonso na relargada: incrível quinto lugar

A presença do carro de segurança foi excelente para Massa. Na sexta posição, o brasileiro tinha Fernando Alonso (McLaren) à sua frente. Com sua Williams impulsionada com motor Mercedes, Felipe teria boa possibilidade de superar Alonso na relargada. Também pudera: o espanhol carregava o pouco potente motor Honda. Quando o safety car deixou a pista, na volta 6, Massa se aproveitou da potência de seu propulsor para superar Alonso na freada do S do Senna, para delírio do público presente em Interlagos. Felipe era quinto, estando atrás somente de Sebastian Vettel (Ferrari), o líder; Valtteri Bottas (Mercedes), o segundo; Kimi Raikkonen (Ferrari), o terceiro; e Max Verstappen (Red Bull), o quarto.

A partir daí, Massa não tinha muito a fazer, a não ser administrar o ímpeto de Alonso. A McLaren do espanhol tinha mais equilíbrio no trecho sinuoso do circuito. Contudo, na hora de executar a ultrapassagem, a Williams do brasileiro abria nos trechos de reta. Era uma verdadeira “disputa de gato e rato”. Por mais que Felipe tentasse colocar vantagem, Fernando se mostrava empenhado a não deixar o adversário abrir. Na volta 13, Massa estava a 5s de Verstappen. Por outro lado, colocava 1s sobre Alonso. Atrás do asturiano, Lewis Hamilton (Mercedes) ultrapassava Pérez e assumia a sétima colocação. O britânico, que largou dos boxes, ignorava a todo e qualquer adversário. Logo, Hamilton colou em Alonso. Na volta 20, o recém-coroado tetracampeão ultrapassou o bicampeão em plena Reta dos Boxes. Na 21, Felipe bem que tentou resistir, mas foi batido por Lewis antes da freada da Descida do Lago.

Massa bem que tentou barrar a recuperação de Hamilton, mas o tetracampeão ultrapassou o brasileiro no Lago

Massa tentou barrar a recuperação de Hamilton, mas o tetracampeão ultrapassou o brasileiro no Lago

Massa deixava o top 5, caindo para sexto, e voltava a ser incomodado por Alonso, o sétimo, e por Pérez, o oitavo. Na volta 26, Ricciardo encostou no pelotão liderado pelo brasileiro. Naquele momento, a vida útil dos pneus supermacios de Felipe estava no final. Era necessário fazer o pit stop. Na volta 27, a Williams chamou Massa para os boxes. Na troca, os mecânicos do time de Grove sacaram os compostos supermacios e colocaram a borracha macia (a mais durável do fim de semana). Assim, o brasileiro realizaria um único pit. No retorno à pista, ocupava o 11º lugar. Na passagem seguinte, Alonso fez sua parada. Na volta, quase o espanhol superou o brasileiro. Todavia, Fernando seguia atrás do FW40, e Felipe recuperava seu lugar no top 10.

Com o pit stop de Hulkenberg, na volta 30, Massa ascendeu para o nono lugar. Na 31, foi a vez de Sainz, o outro piloto da Renault, realizar sua parada. Assim, Felipe era o oitavo, sempre seguido por Alonso, o nono. Na volta 36, Pérez foi aos boxes, fazendo com que o brasileiro fosse alçado para o sétimo lugar, e o espanhol, para o oitavo. À frente de Massa, estava Ricciardo, que fazia prova de recuperação. O australiano ainda precisaria realizar sua única parada. Só havia um porém: como largou com pneus macios, Daniel faria sua troca e retornaria com compostos supermacios. Dessa forma, Ricciardo voaria nas últimas voltas, sendo praticamente impossível segurar o ataque do adversário.

Após ser superado por Ricciardo, Massa teve que lidar com o ímpeto de Alonso: duelo acirrado

Após ser superado por Ricciardo, Massa teve que lidar com o ímpeto de Alonso: duelo acirrado

Na volta 44, Ricciardo realizou seu pit. No retorno à pista, o piloto da Red Bull estava em oitavo, logo atrás de Massa, o sexto, e Alonso, o sétimo. Sem pestanejar, Daniel atacou Fernando, tomando-lhe a sétima posição na volta 45. Duas voltas depois, o australiano ultrapassou Felipe no S do Senna. Assim, Ricciardo era o sexto, Massa, o sétimo, e Alonso, o oitavo. Como não tinha como atacar Daniel, Felipe passou a se preocupar com seu ritmo, sem perder Fernando dos seus retrovisores. Gerenciar os pneus passou a ser o mantra do brasileiro da Williams, que queria o sétimo lugar a todo custo. Também pudera: ficar atrás de Mercedes, Red Bull e Ferrari nos dias atuais se tornou algo natural para o restante do grid. Assim, chegar na sétima posição passou a ser o foco de desejo dos demais do grid. Quem ali termina pode se considerar o “vencedor moral” de uma corrida.

Massa ansiava pelo top 7, mas não era o único. Alonso e Pérez estavam ávidos pela posição de Felipe. Na volta 60, o brasileiro mantinha 1s de vantagem sobre o espanhol e 3s2 sobre o mexicano. O piloto da Williams determinava o ritmo do adversário da McLaren, permitindo, assim, a aproximação do rival da Force India. Na volta 65, Massa, Alonso e Pérez estavam separados por apenas 1s2. A pior situação era do bicampeão, que, com o motor Honda, era incapaz de superar Felipe e poderia ser presa fácil de Checo. Estava difícil para Massa segurar o sétimo lugar. Seus pneus macios estavam em frangalhos. Porém, era sua última chance de brilhar na frente dos seus fãs. Como há muito não se via, o brasileiro foi combativo, resistindo às investidas finais de Alonso e Pérez. Pronto: o sétimo lugar, com direito a melhor desempenho no ano, era de Felipe.

Felipe segurou Alonso e Pérez, assegurando um excelente sétimo lugar na despedida: emoção após a bandeirada

Felipe segurou Alonso e Pérez, assegurando um ótimo 7º lugar em casa: emoção após a bandeirada

A vitória no GP do Brasil ficou com Vettel (a 47ª do alemão na F1). Bottas terminou em segundo, Raikkonen em terceiro e Hamilton em quarto (a 5s4 do vencedor). Ao receber a bandeirada, Massa não se conteve e extravasou. “Aê, porra! Vamo, porra!”, berrou, sem se importar com o palavrão. Cabia para o momento. Felipe vibrou bastante, satisfeito com a apresentação que acabara de proporcionar ao público. Depois, carregou uma bandeira verde pelo autódromo que o consagrou na F1. Antes de chegar aos boxes, ouviu uma mensagem especial do filho, Felipinho: “Pai, estou muito orgulhoso de você. Eu vou apoiá-lo onde quer que você vá. Por sinal, amei a sua largada!”, disse o garoto. “Te amo, filho. Te amo”, respondeu Massa, já às lágrimas.

Ao entrar no pit lane, viu Alonso, seu ex-companheiro de Ferrari e grande rival no GP do Brasil de 2017, aplaudindo-o. Era o reconhecimento de um dos melhores pilotos dos últimos tempos ao brasileiro. Ao deixar o carro, o piloto da Williams agradeceu ao público, abraçou mecânicos e engenheiros e distribuiu beijos ao ar. Após a cerimônia de pódio e da entrevista com Vettel, Bottas e Raikkonen, uma surpresa agradou em cheio à torcida que invadia o asfalto de Interlagos: Felipe foi chamado ao rol dos vencedores, acompanhado pelo filho e por Rubens Barrichello, brasileiro que correu na F1 entre 1993 e 2011 e que até hoje detém o recorde de mais GPs disputados na categoria – 326. Curiosamente, nunca os dois haviam estado num pódio da F1 juntos. “Obrigado por tudo o que passamos juntos, por todo o apoio”, disse Massa a Barrichello, que, diferentemente do compatriota – que teve duas despedidas -, não saboreou o adeus à F1.

Massa empunha bandeira verde após chegar em sétimo: palavrão e mensagem de Felipinho emocionaram a F1

Massa empunha bandeira verde após chegar em sétimo: mensagem de Felipinho emocionou a F1

À Rubens, Felipe revelou como foi alcançar o sétimo lugar no GP do Brasil de 2017. “Estou realmente emocionado por todos vocês (torcedores). Valeu como uma vitória para mim. Eu vou sentir muita falta. A emoção foi imensa, e esse é um dia que nunca vou esquecer na minha vida”, disse. “A energia que senti me impulsionou a fazer a melhor corrida que pude. Estou tão feliz pela minha corrida, fiz o melhor que o carro conseguiu. Muito obrigado todos vocês. Eu amo vocês. Muito obrigado”, completou Massa.

Já fora do pódio, o piloto da Williams analisou seu desempenho. “Foi um resultado tão surpreendente e uma sensação incrível de passar por tudo isso nessa altura da carreira. A corrida de hoje (domingo) foi perfeita, do começo ao fim. Uma largada incrível, ultrapassando alguns carros, depois uma maravilhosa relargada após o carro de segurança, passando Alonso. Eu sabia que seria muito importante passar por ele para minha corrida e resultado. Consegui mantê-lo atrás, mesmo sem pneus no final. Termino com a cabeça erguida, é o mais importante, neste lugar que é maravilhoso para mim. A única coisa que posso dizer é obrigado, vou sentir falta de todos vocês”, concluiu Felipe, que ainda tem uma prova a fazer nesta temporada – o GP de Abu Dhabi, em Yas Marina.

Massa e Rubens Barrichello no pódio de Interlagos: curiosamente, foi a primeira vez que estiveram juntos num pódio da F1

Massa é entrevistado por Rubens Barrichello: foi a primeira vez que estiveram juntos num pódio da F1

Contudo, após o fim deste campeonato, o Brasil não terá representantes na Fórmula 1. Pela primeira vez em 48 temporadas, a categoria não contará com um piloto brasileiro no grid. Que a última imagem de Massa em Interlagos – no pódio, sendo celebrado – seja combustível para que, num futuro próximo, o País volte a ter representantes na F1.

Massa e a bandeira brasileira no pódio: após 48 temporadas, nada de Brasil na F1: momento de reflexão do automobilismo brasileiro

Massa, a bandeira brasileira no pódio e a reflexão: após 48 anos, nada de Brasil na Fórmula 1

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México-2017: Stroll ganha um ótimo top 6 no dia do aniversário

Lance Stroll obteve no México o segundo top 6 da carreira - o primeiro foi no 3º lugar em Baku

Lance Stroll obteve no México o segundo top 6 da carreira – o primeiro foi no 3º lugar em Baku

Lance Stroll (Williams) teve um presente de aniversário pra lá de especial neste domingo, 29 de outubro de 2017. No dia em que completou 19 anos, o canadense conquistou o sexto lugar no GP do México, disputado no Autódromo Hermanos Rodríguez. Foi o segundo top 6 na carreira de Stroll – o primeiro veio com o terceiro lugar no GP do Azerbaijão de 2017, em Baku. Com o resultado obtido na prova mexicana, Lance superou seu companheiro de equipe, o brasileiro Felipe Massa, na classificação do Mundial de Pilotos – o novato subiu para o 10º lugar, com 40 pontos, contra 36 do veterano. Além disso, o resultado do canadense ajudou a Williams a se consolidar na quinta posição do Mundial de Construtores – a equipe de Grove anotou 76 pontos, contra 53 da Toro Rosso, sua perseguidora mais próxima.

Stroll só foi menos celebrado que do que Lewis Hamilton (Mercedes), que sacramentou em solo asteca a conquista do tetracampeonato mundial com duas provas de antecedência. Lewis chegou em nono – três posições atrás de Lance -, igualando o número de títulos de Sebastian Vettel e de Alain Prost. Quarto título à parte, o sexto lugar na Cidade do México foi um inesperado resultado para o canadense. Ele esperava pontuar, mas não em posição tão destacada. O abandono de Daniel Ricciardo (Red Bull) e os imprevistos que dificultaram a vida de Hamilton e Vettel colocaram Lance para o alto da classificação. O fato de nunca ter pisado no Autódromo Hermanos Rodríguez era motivo de preocupação para o novato. Entretanto, Stroll acelerou fundo no circuito mexicano, se adaptou ao traçado e foi um dos principais destaques do fim de semana do GP do México.

Foi a primeira vez que Stroll correu no México: rápida adaptação ao traçado do Hermanos Rodríguez

Foi a primeira vez que Stroll correu no México: rápida adaptação ao traçado do Hermanos Rodríguez

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para a etapa mexicana, o canadense da Williams fez diversas simulações, percorrendo mais do que o percurso de uma corrida. No fim, Lance anotou o 14º tempo, com 1m19s524. Stroll ficou a 0s318 de Massa, 12º com 1m19s206, e a 1s723 de Daniel Ricciardo (Red Bull), o mais veloz da sexta. O calouro ficou satisfeito com o desempenho nas duas sessões livres. “Foi um dia decente e eu gostei da pista. É a minha primeira vez aqui no México, então estou apenas aprendendo o traçado e me adaptando. É definitivamente desafiador devido à alta altitude. Isso deixa o carro muito nervoso, mas é o mesmo para todos. Eu tenho acelerado para tentar entender os limites do carro. Não é fácil conseguir fazer o pneu funcionar em uma volta. Não tenho expectativas para a classificação, mas vamos fazer o que precisamos para dar tudo certo”.

Apesar das dificuldades encaradas no primeiro contato com a pista, Lance queria avançar para o Q3. Porém, sabia que a Williams não tinha condições de chegar à fase final da qualificação no Hermanos Rodríguez. No sábado, tanto Stroll quanto Massa pararam no Q2. O canadense marcou 1m19s159, o que lhe valeu o 12º tempo. Todavia, Lance ficou 1s060 atrás de Felipe – o brasileiro anotou 1m18s099, sendo o 11º mais veloz. A pole position do GP do México ficou com Sebastian Vettel (Ferrari), com o tempo de 1m16s488 – 2s671 mais rápido do que o novato da Williams. Foi a 50ª vez que o alemão alcançou a posição de honra do grid, estando atrás somente de Lewis Hamilton (72 poles), Michael Schumacher (68) e Ayrton Senna (65).

No qualifying, Lance não foi além de um 12º lugar: com a punição a Ricciardo, alinharia em 11º no grid

No quali, Lance não foi além de um 12º lugar: com a punição a Ricciardo, alinharia em 11º no grid

Após a qualificação, Stroll demonstrou decepção com a sua marca. “Não foi um trabalho perfeito. O Q1 estava bem, e, no Q2, a primeira saída foi boa no início da volta, mas depois houve as bandeiras amarelas. Então, na próxima tentativa, eu simplesmente não consegui preparar os pneus e cometi muitos erros. Com isso, não consegui um tempo de volta. Coloquei uma volta no final, mas acho que teria sido muito difícil entrar no Q3. Será uma longa corrida amanhã (domingo), estamos no meio e acho que podemos marcar pontos. Nós apenas temos que resolver algumas coisas e fazer uma boa corrida. Será difícil para todos com a altitude”, afirmou o canadense, que, com a punição dada a Daniel Ricciardo (Red Bull) – o australiano trocou peças de seu motor -, alinharia na 11ª posição do grid.

Largada do GP do México de 2017: Stroll se livrou dos incidentes e ascendeu na classificação

Largada do GP do México: Stroll se livrou dos incidentes nas curvas iniciais e subiu na classificação

A corrida

Domingo, 29 de outubro de 2017. Dia do 19º aniversário de Lance Stroll. O canadense foi festejado nos boxes da Williams antes da prova. Porém, o garoto não podia perder o foco. A cereja do seu bolo festivo seria a conquista de uma boa posição no GP do México. Arquibancadas lotadas faziam pulsar o Autódromo Hermanos Rodríguez. Tudo estava preparado para a comemoração do tetracampeonato de Lewis Hamilton (Mercedes). Bastava um quinto lugar para o britânico arrematar o cetro da Fórmula 1. Porém, Hamilton não saía na primeira fila. Sebastian Vettel (Ferrari) estava na pole, e Max Verstappen (Red Bull) figurava na segunda posição. Quando as luzes vermelhas se apagaram, os três partiram decididos a contornar a primeira curva na frente. Era o prenúncio de que algo conturbado estava por vir…

Verstappen conseguiu se colocar à frente de Vettel, tomando a Curva 1 em primeiro. Max espalhou sobre Sebastian, que tocou no carro do holandês. Com a redução da velocidade do ferrarista, Hamilton se aproveitou para tomar o segundo lugar na Curva 2. O que o britânico e o alemão não esperavam era que Verstappen errasse na saída da Curva 3. Lewis precisou frear para não bater no piloto da Red Bull. Vettel, que vinha logo atrás, deixou a traseira sair e, ao tentar corrigir, acertou a asa dianteira de sua Ferrari no pneu traseiro direito da Mercedes. Assim, os principais protagonistas do Mundial viviam um drama logo no início da etapa. O problema de Vettel e Hamilton – que precisaram se encaminhar aos boxes – fez com que Stroll, que saiu em 11º, completasse a volta 1 em nono.

Stroll chegou a ser ultrapassado por Ricciardo, mas o australiano abandonaria logo depois: quebras ajudaram o canadense

Stroll chegou a ser ultrapassado por Ricciardo, mas o australiano abandonaria logo depois

Calçando pneus ultramacios, o canadense imprimiu um bom ritmo no início da corrida. Na volta 2, viu Carlos Sainz Jr. (Renault) ir para os boxes, o que fez Lance assumir a oitava posição. Na passagem seguinte, não resistiu ao melhor equipamento de Daniel Ricciardo (Red Bull), que, em prova de recuperação, superou Stroll. Porém, o novato seguiu em oitavo, uma vez que Felipe Massa (Williams), com problema em um pneu de seu carro, precisou parar nos boxes. Na volta 5, Ricciardo encostou seu carro após constatar uma falha no turbo de seu Red Bull. Assim, o canadense da Williams ascendeu para sétimo. Lance tentava acompanhar o ritmo de Kimi Raikkonen (Ferrari), mas era em vão. Em contrapartida, colocava boa vantagem sobre Kevin Magnussen (Haas). Na volta 17, Stroll estava a 3s9 do finlandês, e colocava 11s4 sobre o dinamarquês.

Na volta 18, foi aberta a janela de pit stops, com Sergio Pérez (Force India). Assim, Lance subiu para o sexto lugar. Na passagem seguinte, Nico Hulkenberg (Renault) se encaminhou para os boxes, fazendo com que o calouro subisse para a quinta posição. Após a parada de Esteban Ocon (Force India) na volta 21, Stroll assumiu a quarta colocação. Naquele instante, o canadense da Williams estava atrás apenas de Verstappen, Valtteri Bottas (Mercedes) e Raikkonen. Quando todos esperavam a parada imediata de Lance, o FW40 se mantinha na pista. Foi o pulo do gato para o jovem piloto. Com um bom ritmo, Stroll seguia à frente de Ocon.

Stroll aproveitou a presença do virtual safety car para realizar seu único pit stop: decisão acertada

Stroll aproveitou a presença do virtual safety car para realizar seu único pit stop: decisão acertada

 

A permanência na pista só foi interrompida com uma ocorrência fora dos planos da Williams. Na volta 30, o motor Renault do carro de Brendon Hartley (Toro Rosso) fumou, fazendo com que o neozelandês abandonasse a disputa. Com a Toro Rosso parada em local perigoso, a direção de prova acionou o VSC – Virtual Safety Car na volta 32. A fim de aproveitar o momento sob bandeira amarela, um enorme pelotão se dirigiu aos boxes de Hermanos Rodríguez. Lance integrava esse grupo. Na parada, a Williams sacou os pneus ultramacios e colocou os compostos supermacios (mais resistentes), o que faria Stroll completar as 38 voltas restantes da etapa sem maiores percalços. Na volta à pista, Lance se viu em quinto – havia perdido o quarto posto para Ocon.

No retorno da bandeira verde, na volta 34, Stroll estava a 7s7 de Ocon. Por outro lado, o canadense tinha 2s6 de vantagem sobre o herói local, Sergio Pérez (Force India). Na volta 50, Pérez foi superado por um irresistível Vettel, que fazia tremenda prova de recuperação. O alemão assumia a sexta posição. A próxima vítima de Sebastian seria o canadense da Williams. Lance até conseguiu segurar o tetracampeão por uma volta. Porém, na volta 53, o ferrarista voou para cima do novato, que nada pôde fazer: Vettel era o quinto, e Stroll caía para sexto. Três voltas depois, Seb ultrapassou Ocon, ascendendo para a quarta posição. Naquele instante, o piloto da Williams estava colado no rival da Force India. Era a chance de conquistar o quinto lugar no México.

Lance bem que tentou, mas era impossível segurar Vettel

Lance bem que tentou, mas era impossível segurar Vettel: alemão terminou em quarto

Apesar da forte pressão, Stroll não conseguiu ultrapassar Ocon. No final, Lance completou o GP do México embutido no carro rosa de Esteban. A vitória no Autódromo Hermanos Rodríguez ficou com Verstappen – a segunda em 2017 e a terceira na carreira -, seguido por Bottas e Raikkonen. Vettel completou a etapa mexicana em quarto, o que não foi suficiente para manter aberta a disputa pelo título mundial. Hamilton cruzou a linha de chegada em nono, mas festejava a conquista do tetracampeonato. Festa de Lewis à parte, o sexto lugar na Cidade do México foi o melhor resultado do canadense da Williams desde o pódio de Baku. Logo, um excelente motivo para Stroll celebrar o 19º aniversário.

“Acho que foi uma corrida muito controlada. Tive uma boa largada, mas perdi algumas posições enquanto eu estava por fora. Houve alguns problemas técnicos com os adversário, e por isso ganhei alguns lugares. Eu tive um ótimo primeiro stint, um ótimo segundo stint e, no final, não estava suficientemente perto para entrar na zona de DRS para passar Ocon. Eu estava realmente gerenciando os pneus e o carro estava muito equilibrado, então devo um grande agradecimento à equipe. Foi um ótimo dia, um ótimo resultado e um ótimo presente de aniversário. Parabéns também a Lewis, ele é o rei da Fórmula 1, não há dúvida sobre isso. É incrível o que ele realizou. Ele é uma grande inspiração para jovens pilotos como eu”, concluiu Lance.

Stroll celebrou os 19 anos com estilo no México: sexto lugar o colocou à frente de Massa no Mundial

Stroll celebrou os 19 anos com estilo no México: sexto lugar o colocou à frente de Massa no Mundial

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EUA-2017: “Oconsistente” garante histórico top 6 em Austin

Nos 26 GPs disputados até aqui, Esteban Ocon viu a bandeira quadriculada: recorde na Fórmula 1

Nos 26 GPs disputados até aqui, Esteban Ocon viu a bandeira quadriculada: recorde na Fórmula 1

Que Esteban Ocon tem vivido um especial ano de 2017, ninguém discute. A bordo de um competitivo VJM10 da Force India, o francês vem mostrando, prova após prova, do que é capaz de fazer num cockpit da Fórmula 1. No último domingo, mais um exemplo de sua tenacidade foi exibido em Austin. No GP dos Estados Unidos de 2017, Ocon se portou como um veterano – apesar de seus 21 anos. O gaulês só não conseguiu combater os pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull em solo estadunidense. Trio de Ferro à parte, Esteban lidou com a forte pressão de Carlos Sainz Jr. (Renault) com extrema naturalidade. Diferentemente de seu companheiro de equipe, Sergio Pérez (Force India) – que foi batido por Sainz e terminou em oitavo -, o francês barrou as pretensões do espanhol e alcançou a sexta colocação em Austin.

Entretanto, esse não foi um top 6 qualquer. Com ele, Ocon entrou para a história da Fórmula 1. Ele se tornou o primeiro piloto a terminar suas primeiras 26 corridas, batendo o recorde que pertencia a Max Chilton – o britânico completou seus primeiros 25 GPs de F1 entre 2013 e 2014. Ou seja, desde a sua estreia no GP da Bélgica de 2016, em Spa-Francorchamps – quando ainda guiava pela Manor -, o francês tem encontro marcado com a bandeira quadriculada. Com a sexta posição conquistada em Austin, Esteban passou a ter mais top 6 do que Sergio em 2017 – são seis para o francês, contra cinco do mexicano. Ainda que esteja 13 pontos atrás de Checo na classificação do Mundial (o gaulês seguiu em oitavo na tabela, com 73 pontos, contra 86 do asteca, sétimo no campeonato), Ocon tem tido personalidade para bater Pérez.

"Oconsistente" vive momento mágico em 2017: com sexto lugar em Austin, "Oconsistente" tem seis top 6, contra 5 de Pérez

Com sexto lugar em Austin, “Oconsistente” tem seis top 6 (contra 5 de Pérez) e 16 top 10 em 17 GPs

Durante o GP dos Estados Unidos, Sergio solicitou que a Force India intercedesse junto ao novato, a fim de que ele cedesse sua posição para o parceiro. A direção do time não acatou o pedido do mexicano. No fim, a decisão foi acertada. Esteban não apenas conquistou o sexto lugar, como também manteve uma impressionante sequência na zona de pontuação – são 11 corridas consecutivas. Em 2017, Ocon só não pontuou no GP de Mônaco (foi o 12º). Até aqui, são 16 etapas entre os 10 primeiros. Por isso, foi alcunhado de “Oconsistente” após a etapa ianque. Porém, para manter o grau de eficiência na temporada, Esteban teve que se esforçar bastante por todo o fim de semana.

O clima no Texas estava instável na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP dos Estados Unidos. Havia chovido pouco antes do início do FP1. Quando os carros foram para a pista, o traçado ainda estava molhado. Porém, aos poucos, as condições ficaram ideais para os pilotos. No fim, as duas sessões acabaram sendo proveitosas para as equipes. A Force India colocou seus dois carros no top 10 da sexta, com tempos obtidos na segunda sessão do dia. Ocon ficou em 10º, com 1m36s490, a apenas 0s009 de Pérez, nono com 1m36s481. O mais veloz foi Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m34s668 – 1s822 à frente do francês da Force India.

O primeiro contato de Ocon com o circuito de Austin foi sob condições molhadas: entre os 10 mais velozes da sexta

Primeiro contato de Ocon com Austin foi sob condições molhadas: entre os 10 mais velozes da sexta

Para Esteban, a sexta foi proveitosa para ele e para a escuderia indiana. “Foi um dia positivo em geral, testando coisas diferentes no carro e trabalhando para a configuração ideal. Encontrar o equilíbrio não foi tão imediato e fácil como foi em Sepang e em Suzuka, então ainda temos um pouco de trabalho a fazer, mas estamos nos aproximando de onde eu quero. Não tenho dúvidas de que será muito melhor amanhã (sábado). Ainda precisamos encontrar algo nas curvas lentas e é aí que nos concentraremos nesta noite”, analisou o jovem de 21 anos, após os treinos livres.

Parece que o trabalho realizado pela Force India rendeu frutos no sábado, dia do qualifying em Austin. Ocon foi um dos destaques da sessão qualificatória para o GP dos Estados Unidos. Sempre andando entre os 10 primeiros, o francês assegurou vaga na fase decisiva do quali, alcançando um expressivo sétimo lugar, com o tempo de 1m34s647. Não bastasse isso, Esteban colocou 0s501 de vantagem sobre Pérez, que ficou em 10º, com 1m35s148. A marca de Ocon ficou a 1s539 da de Lewis Hamilton (Mercedes), pole position do GP dos Estados Unidos com 1m33s108. “Estou feliz com o resultado. A equipe fez um trabalho fantástico novamente e fomos fortes em todas as sessões. Temos uma ótima chance de marcar muitos pontos amanhã (domingo)”.

Esteban brilhou no qualifying do GP dos EUA: sétimo lugar no grid

Esteban brilhou no qualifying do GP dos Estados Unidos: satisfação com sétimo lugar no grid

A ótima posição de largada foi um prêmio para Esteban. O francês teve problemas de saúde durante o sábado. Contudo, nem isso foi capaz de pará-lo em Austin. “Não foi uma classificação fácil para mim porque eu não me sentia bem. Tive uma péssima dor de cabeça e problemas estomacais. Estou feliz por ter obtido um bom resultado na sessão. Agora, preciso descansar, tentar me recuperar e estar pronto para a corrida de amanhã (domingo)”, afirmou.

Largada do GP dos EUA de 2017, em Austin: Ocon superou Raikkonen na Curva 1

Largada do GP dos Estados Unidos de 2017, em Austin: Ocon superou Raikkonen na Curva 1

A corrida

Austin ficou embaixo d’água na manhã de domingo, 22 de outubro de 2017. A tempestade com direito a enchente, raios e trovões a poucas horas da largada do GP dos Estados Unidos assustou a todos em Austin. Mas um piloto em especial: Brendon Hartley, campeão da WEC – World Endurance Championship (em 2015) e vencedor das 24 Horas de Le Mans (2017), estrearia na Fórmula 1 no circuito norte-americano. O neozelandês de 27 anos, que integrou o Time de Desenvolvimento de Pilotos da Red Bull, substituiria a Pierre Gasly na Toro Rosso. O francês foi designado para Suzuka, onde disputaria a etapa final da Super Formula no Japão. Porém, um tufão no litoral japonês impediu que Gasly corresse por lá. Hartley teria Daniil Kvyat como companheiro da Toro Rosso – o russo retornava ao cockpit após a ida de Carlos Sainz Jr. para a Renault.

Dança das cadeiras à parte, o temporal se dissipou rapidamente. O céu azul brigadeiro dava o tom em Austin, para a alegria dos organizadores do GP dos Estados Unidos. Com um espetáculo repleto de entretenimento, os pilotos foram apresentados com pompa para o público. Além disso, a presença de personalidades reconhecidas mundialmente, como o ex-presidente norte-americano Bill Clinton e o lendário velocista jamaicano Usain Bolt, fez com que a Fórmula 1 fosse promovida no melhor estilo estadunidense. Alheio à festa, Ocon estava focado na largada. Calçando pneus ultramacios, o francês da Force India partiu determinado a disparar para o alto da ladeira e contornar a Curva 1 numa boa posição. E foi o que aconteceu: Esteban se posicionou bem na largada e ultrapassou Kimi Raikkonen (Ferrari), assumindo a sexta colocação.

Ocon lutou, mas não conseguiu conter a força da Ferrari de Raikkonen

Esteban lutou, mas não conseguiu conter a força da Ferrari de Raikkonen

Todavia, Ocon não tinha equipamento para segurar Raikkonen. Logo na volta 2, o finlandês superou o francês, que caiu para sétimo. A partir dali, Esteban via Kimi sumir à sua frente. Em contrapartida, não era alcançado por Fernando Alonso (McLaren), oitavo colocado. Na volta 7, o espanhol foi superado por Max Verstappen (Red Bull). Largando em 16º após pagar punição por troca de peças de seu bólido antes da corrida, o holandês voava em Austin, ultrapassando um a um. Assim, logo Verstappen alcançou Ocon. Na volta 10, Max ignorou Esteban, assumindo a sétima posição. Já o francês caía para oitavo, em um momento em que os compostos ultramacios já davam sinais de desgaste.

Na volta 13, Daniel Ricciardo (Red Bull) foi o primeiro dos ponteiros a se encaminhar para os boxes. Assim, Ocon reassumia o sétimo lugar. Duas voltas depois, Ricciardo abandonaria a etapa norte-americana, com problemas de motor. Na mesma passagem, Esteban faria seu único pit stop na corrida. Na troca, a Force India sacou os ultramacios e colocou os pneus macios (os mais resistentes do fim de semana). Assim, o francês não pararia mais nos boxes. Ocon voltou à pista em 11º, à frente de Alonso e Sergio Pérez, e a 3 segundos de Stoffel Vandoorne (McLaren) – que ainda não tinha feito seu pit. Com a parada de Romain Grosjean (Haas), na volta 17, Esteban retornou ao top 10. Naquele instante, já estava colado em Vandoorne. Na volta 18, o francês superou o belga. Como Daniil Kvyat (Toro Rosso) foi para os boxes, o gaulês se viu em oitavo lugar.

Ocon não se incomodou com a pressão psicológica de Pérez

Ocon não se incomodou com a pressão psicológica de Pérez: mexicano queria posição do francês

Após o pit stop de Carlos Sainz Jr. (Renault), na volta 20, Ocon ascendeu para a sétima posição. A partir daquele momento, apenas Felipe Massa (Williams) não havia realizado sua parada. Como o rendimento de seu VJM10 era superior ao do FW40 do adversário, Esteban tirou a diferença para Felipe. Na volta 26, o francês estava a 2s5 do brasileiro. Em compensação, tinha 1s9 de vantagem sobre Pérez. Na volta 28, Ocon chegou definitivamente em Massa, atacando o brasileiro. Felipe resistiu, o que fez com que Pérez pressionasse a Force India, pedindo que Ocon cedesse a posição a ele. A escuderia ignorou o pedido do mexicano. Na volta 29, o francês voltou a pressionar o brasileiro, que seguiu se defendendo. Todavia, na 30, Massa foi aos boxes. Assim, Ocon passou a ocupar o sexto lugar. Contudo, com Pérez, Sainz e Kvyat em seus calcanhares.

Com a pista limpa, Esteban passou a abrir para Sergio. O asteca se defendia dos ataques do espanhol. Na volta 33, num embate eletrizante, Sainz ultrapassou Pérez e assumiu a sétima posição. Imediatamente, Carlos partiu para cima de Ocon. O que se viu a partir de então foi um duelo psicológico. A Renault do espanhol rendia bem, enquanto a Force India do francês estava no limite. Sainz tentou de todas as formas ultrapassar Ocon. Entretanto, Esteban soube se defender de todas as investidas. Carlos só desistiu nas voltas finais. Pela sexta vez em 2017, o francês carregava a Force India ao top 6. A vitória no GP dos Estados Unidos ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), seguido por Sebastian Vettel (Ferrari) e por Raikkonen – Verstappen terminou em terceiro, mas, por utilizar um trecho fora do traçado para superar o finlandês na última volta, teve 5 segundos acrescidos ao tempo de corrida.

No fim, Ocon segurou Sainz e conquistou mais um sexto lugar para a sua coleção

No fim, Ocon segurou Sainz e conquistou mais um sexto lugar para a sua coleção

O top 6 em Austin foi bastante celebrado por Ocon. “O sexto lugar é bastante satisfatório porque não foi uma corrida fácil. Sofremos bastante pressão de Sainz nas voltas finais. Passei grande parte da prova controlando meu ritmo e cuidando dos pneus para fazer a estratégia de uma parada funcionar. A equipe me informou quando forçar e quando controlar o ritmo, e chegar em sexto mostra que julgamos isso quase perfeitamente. Antes da corrida, houve um problema com uma unidade de controle do meu carro no grid, mas a equipe fez um ótimo trabalho ao reparar tudo a tempo para a largada. O carro estava forte e com boa velocidade hoje (domingo), e mais uma vez saímos com a sensação de alcançar o melhor resultado possível”, concluiu Esteban, após a bandeirada.

Esteban se mostrou satisfeito com o resultado: "sexto lugar era a melhor posição possível"

Esteban se mostrou satisfeito com o desempenho: “sexto lugar era o melhor resultado possível”

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Japão-2017: Magnussen ultrapassa Massa ‘na marra’ e é top 8

Na base do arrojo, Kevin Magnussen (Haas), à dir., ultrapassou Felipe Massa (Williams), à esq., e ficou com o 8º lugar

Kevin Magnussen (Haas), à dir., ultrapassou Felipe Massa (Williams), à esq., ficando com o 8º lugar

Kevin Magnussen tem tido alguns bons lampejos durante a temporada de 2017. Em sua terceira temporada completa na carreira – a primeira no cockpit da Haas -, o dinamarquês alcançou resultados positivos. Porém, também foi o centro de muitas intrigas por parte dos adversários – como no GP da Hungria, em Hungaroring, quando foi criticado por Nico Hulkenberg (Renault) por sua conduta, e no GP da Malásia, em Sepang, quando Fernando Alonso (McLaren) ratificou que “Hulkenberg tinha razão sobre Magnussen”. Mas Kevin ignorou tudo isso quando entrou na pista no último dia 8 de outubro para a disputa do GP do Japão, em Suzuka. Combativo, o dinamarquês de 25 anos foi para o ataque o tempo inteiro. Seu ponto alto foi a ultrapassagem sobre Felipe Massa (Williams), na qual superou o brasileiro na base da ‘marra’. Assim, Magnussen garantiu o oitavo lugar na etapa japonesa.

A Haas ficou satisfeita com o desempenho de sua dupla de pilotos. Além do top 8 de Kevin, a equipe comemorou o nono lugar de Romain Grosjean. Pela segunda vez na história da escuderia norte-americana, os dois carros do time terminaram entre os 10 primeiros de uma prova – a primeira foi no GP de Mônaco de 2017, quando o francês foi o oitavo e o dinamarquês, o 10º. Com o resultado em Suzuka, a Haas superou a Renault na classificação do Mundial – a equipe ianque passou a ocupar a sétima posição, com 43 pontos, um a mais do que a francesa (que tem 42). A contribuição de Magnussen e Grosjean até o fim da temporada pode colocar o time estadunidense na batalha pelo sexto lugar dos Construtores com a Toro Rosso – a equipe italiana tem 52 pontos.

Top 8 de Magnussen ajudou a Haas a superar a Renault no Mundial de Construtores

Top 8 de Magnussen ajudou a Haas a superar a Renault no Mundial de Construtores

O oitavo lugar na prova nipônica também foi importante para Kevin. Filho de Jan Magnussen, piloto que atuou na F1 entre 1995 e 1998, o dinamarquês nasceu em 5 de outubro de 1992, em Roskilde. Influenciado pelo pai, começou sua carreira no kart. Em 2008, saltou para a Fórmula Ford da Dinamarca, assegurando o título. No ano seguinte, migrou para a série norte-europeia da Fórmula Renault 2.0, alcançando o vice-campeonato. Em 2010, foi terceiro colocado no Campeonato Alemão de Fórmula 3. Um ano depois, passou para o Campeonato Britânico de F3, no qual foi vice-campeão. Em 2012, ingressou na Fórmula Renault 3.5, ficando em sétimo lugar na primeira temporada. Na segunda, em 2013, ficou com o título da categoria, que alçou Kevin para a F1.

Piloto do time de desenvolvimento de jovens da McLaren, Magnussen ganhou a grande oportunidade na categoria máxima do automobilismo em 2014, quando substituiu Sergio Pérez no time de Woking. Logo em sua estreia, no GP da Austrália, em Melbourne, alcançou a segunda posição – seu melhor resultado na F1 até o momento. Terminou sua primeira temporada com 55 pontos, empatado com Kimi Raikkonen (Ferrari). Apesar do desempenho, a McLaren sacou Kevin do cockpit – o dinamarquês foi substituído por Fernando Alonso. Um problema de saúde do espanhol durante testes da pré-temporada de 2015 fez com que Magnussen o substituísse no GP da Austrália, em Melbourne. Todavia, o dinamarquês sequer largou, devido a um defeito no motor Honda de seu bólido. Dessa forma, Kevin se manteve como terceiro piloto por toda a temporada.

Na quinta, 5/out, Magnussen celebrou 25 anos e levou 'bolada' de Grosjean

Na quinta, 5 de outubro, Magnussen celebrou 25 anos e levou ‘bolada’ de Grosjean

Em 2016, Magnussen foi para a Renault. Era um time renovado e repleto de problemas. Para se ter uma ideia, o melhor resultado do europeu foi o sétimo lugar no GP da Rússia, em Sochi. Neste ano, Kevin se transferiu para a Haas, substituindo a Esteban Gutiérrez. Nas 15 primeiras etapas no cockpit do carro norte-americano, Magnussen anotou 11 pontos – destaques para o sétimo lugar no GP do Azerbaijão, em Baku, e o oitavo posto no GP da China, em Xangai. E com apetite de figurar na zona de pontos, desembarcou em Suzuka para a disputa do GP do Japão. Logo na quinta-feira, Kevin foi festejado pela Haas – era seu 25º aniversário, tendo direito a bolo e brincadeiras promovidas pelo seu companheiro, Romain Grosjean.

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos no circuito japonês, o dinamarquês teve um início razoável. Magnussen terminou em 11º no primeiro treino livre, com 1m31s216. Ele ficou a 0s184 de Grosjean, nono com 1m31s032, e a 2s050 de Sebastian Vettel (Ferrari), o mais veloz com 1m29s166. Na segunda sessão, uma chuva torrencial atrapalhou pilotos e equipes. Apenas cinco carros entraram na pista – nenhum deles da Haas. Apesar de não ter saído dos boxes com o asfalto molhado, Kevin se mostrou satisfeito com o potencial de seu bólido. “O carro estava se comportando bem imediatamente, então ficamos felizes com isso. Eu acho que precisamos tentar encontrar mais velocidade, com certeza, porque outros pilotos vão fazer isso. Se quisermos marcar pontos neste fim de semana, precisamos fazer direito”, analisou.

Na sexta, Magnussen só testou no 1º treino livre: chuva atrapalhou pilotos e equipes

Na sexta, Magnussen só testou no primeiro treino livre: chuva atrapalhou pilotos e equipes

E foi com a pretensão de alcançar o Q3 que tanto Magnussen quanto Grosjean partiram para a sessão qualificatória de sábado. A confiança da dupla da Haas, porém, foi para o espaço quando, ao fim do Q1, Romain destruiu seu VF-17 na tentativa final de avançar para a fase seguinte. O francês ficou de fora do Q2, enquanto Kevin conseguiu um lugar entre os 15 melhores. Apesar disso, o dinamarquês não encontrou o balanço ideal para uma volta veloz, e teve que se contentar com o 13º tempo, não avançando para a sessão final. Magnussen anotou 1m29s972, sendo 0s877 mais rápido que Grosjean, 16º com 1m30s849. Em contrapartida, Kevin ficou a 2s653 de Lewis Hamilton (Mercedes), o pole do GP do Japão. Pela 71ª vez, o britânico conquistava a posição de honra do grid.

Mesmo eliminado no Q2, o dinamarquês da Haas notou uma boa evolução no VF-17. “Temos sido mais fortes neste fim de semana. O carro pareceu melhor desde sexta-feira, mais vivo. Isso se deve em parte à temperatura mais baixa, os pneus estão funcionando um pouco melhor, ou pelo menos é mais fácil fazê-los funcionar sem superaquecê-los. Se você tem uma desvantagem de downforce ou aderência, eles não aquecem tanto quando está frio como aqui (em Suzuka). Isso nos deixou um pouco mais perto do pelotão intermediário. Esperávamos ficar em 16º ou 17º e estou em 13º. Então, não posso ficar tão insatisfeito. Porém, quando a disputa está tão acirrada, você fica querendo aquele algo extra e é um pouco frustrante não chegar lá. Vamos ver se podemos marcar alguns pontos amanhã (domingo)”, vislumbrou.

Largada do GP do Japão de 2017: saindo em 12º, Magnussen saltou bem e completou a volta 1 em 10º

Largada do GP do Japão de 2017: saindo em 12º, Magnussen saltou bem e completou a volta 1 em 10º

A corrida

O sol despontou em Suzuka no domingo, 8 de outubro de 2017, para a disputa de mais um GP do Japão. O clima era favorável para Magnussen. Calçando pneus supermacios, Kevin alinharia em 12º no grid em razão de uma punição dada a Fernando Alonso (McLaren) – o espanhol trocou toda a sua unidade de potência e sairia em último. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o dinamarquês da Haas partiu de forma arrojada rumo à Curva 1. À sua frente, Stoffel Vandoorne (McLaren) deu uma escapada no início da sequência de “S”, fazendo com que Magnussen subisse para 11º. Ainda na volta 1, Kevin ingressaria no top 10, herdando posição de Kimi Raikkonen (Ferrari) – o finlandês levou a pior em duelo contra Nico Hulkenberg (Renault) na Curva Spoon, escapando da pista. Assim, o dinamarquês terminou a primeira volta em 10º.

Na volta 2, o safety car foi acionado para retirar Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) da brita – após a largada, o espanhol rodou e foi obrigado a abandonar. Era a despedida de Sainz da Toro Rosso, uma vez que, antes da corrida, o madrileno foi anunciado como piloto da Renault a partir do GP dos Estados Unidos, em Austin, em substituição a Jolyon Palmer (que fazia sua despedida da Fórmula 1 em solo nipônico). Sem Carlos, a escuderia de Faenza voltaria a promover Daniil Kvyat em território norte-americano – o russo, que foi substituído por Pierre Gasly, retornará ao time italiano.

Magnussen, à frente de Grosjean e Raikkonen

Magnussen, à frente de Grosjean e Raikkonen: início de prova positivo para o dinamarquês

Dança das cadeiras à parte, a relargada em Suzuka foi dada na volta 4. Com problemas em uma das velas de seu carro, Sebastian Vettel (Ferrari) perdeu rendimento drasticamente e foi superado por Magnussen, que assumiu a nona posição. O alemão abandonaria a etapa ao fim daquela volta. Sem Vettel, o Mundial de 2017 cairia praticamente no colo de Lewis Hamilton (Mercedes), líder do campeonato e que ditava o ritmo na prova japonesa. Se uma Ferrari estava fora, a outra estava atacando Kevin. Na volta 6, Raikkonen superou Magnussen, que caiu para 10º. A partir dali, a preocupação do dinamarquês seria segurar o ritmo de Grosjean – seu companheiro de Haas o perseguia implacavelmente.

O acidente de Marcus Ericsson (Sauber), na volta 8, fez a direção de prova instalar o virtual safety car no trecho da escapada do sueco. Duas voltas depois, a pista estava totalmente liberada. Sem conseguir acompanhar Hulkenberg (que havia sido ultrapassado por Raikkonen), Magnussen se mantinha à frente de Grosjean, com pouco mais de 1 segundo de vantagem. Aos poucos, os compostos supermacios davam sinais de desgaste. Era a hora de parar nos boxes. Na volta 18, Felipe Massa (Williams) fez seu pit stop, o que colocou Kevin em nono. Entretanto, na passagem seguinte, a Haas chamou o dinamarquês para realizar sua parada, sacando os supermacios e colocando os pneus macios. Ao voltar à pista, Magnussen se viu em 14º, atrás do brasileiro da Williams.

Kevin persegue Massa: disputa foi uma das mais marcantes da etapa de Suzuka

Kevin persegue Massa: disputa foi uma das mais marcantes da etapa de Suzuka

Com o pit stop de Pierre Gasly (Toro Rosso), na volta 23, Kevin subiu para 13º. Após a parada de Grosjean, na 24, o dinamarquês ascendeu para 12º. Duas voltas depois, foi a vez de Alonso ir aos boxes, fazendo com que Magnussen passasse a ocupar a 11ª posição. A partir daquele instante, Kevin se via preso atrás de Massa, o 10º, e Jolyon Palmer (Renault), o nono. Por outro lado, enxergava Grosjean, o 12º, e Gasly, o 13º, em seus espelhos retrovisores. O pelotão de cinco carros andava no ritmo de Palmer. Na volta 38, Hulkenberg foi para os boxes, fazendo com que todos os integrantes da fila indiana ganhassem uma posição. O pelotão só seria desfeito com a parada de Jolyon, na volta 39. Assim, Magnussen subia para nono, e Grosjean, para 10º.

Naquele instante, a dupla da Haas colocava pressão sobre Massa, o oitavo. Kevin não teve dúvidas: era a hora de atacar o brasileiro da Williams. Na volta 43, o dinamarquês mudou o traçado para ultrapassar Felipe na tomada da Curva 2. Com personalidade, Magnussen não fez menção de tentar superar Massa na Curva 1. O brasileiro acabou sendo surpreendido com a astúcia do adversário, e perdeu não só a posição para Kevin, como também para Grosjean. Em oitavo, a preocupação do dinamarquês passou a ser os ataques de seu companheiro de Haas, uma vez que estava a quase 20 segundos de Sergio Pérez (Force India), o sétimo.

Apesar da pressão de Grosjean, Magnussen soube manter o oitavo lugar

Apesar da pressão de Grosjean, Magnussen soube manter o oitavo lugar

Apesar das tentativas de Romain, Magnussen soube manter o oitavo lugar. A vitória em Suzuka ficou com Hamilton – a 61ª da carreira do britânico. Lewis teve que segurar Max Verstappen (Red Bull) para garantir o triunfo, fundamental para a caminhada rumo ao tetracampeonato – agora, o piloto da Mercedes tem 59 pontos de vantagem sobre Vettel (306 a 247), praticamente selando a conquista do Mundial. Após vencer em Sepang, Verstappen conquistou o segundo lugar, seguido por Daniel Ricciardo (Red Bull). Alheio à disputa do pódio, Kevin celebrou o oitavo posto, cruzando a linha de chegada na mesma volta do vencedor Hamilton e com menos de 1 segundo de vantagem sobre Grosjean, o nono colocado.

“Gostei da minha corrida. Nós maximizamos nosso potencial como equipe chegando em oitavo e nono, colocando os dois carros entre os pontuáveis. Creio que não poderíamos esperar mais, então estou feliz. Sinto que tivemos algumas boas provas recentemente, mas sem aquela dose de sorte que eu precisava para marcar pontos. Hoje (domingo), deu certo. Espero que eu possa dar sequência a isso na parte final da temporada. Definitivamente, não é fácil obter resultados como esse de Suzuka. Você tem de fazer tudo certo, e acho que fizemos hoje (domingo), portanto parabéns à equipe”, disse Magnussen, satisfeito.

Festa na Haas pela conquista dos 6 pontos em Suzuka: Kevin obteve 4; Romain, 2

Festa na Haas pela conquista dos 6 pontos em Suzuka: Kevin obteve 4 pontos; Romain, 2

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