Lançamento online – Livro “Contos Velozes”

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É com muita satisfação que o Contos da Fórmula 1 anuncia o início da venda online do livro “Contos Velozes”. Produzido por meio de uma parceria entre o jornalista Douglas Willians (autor deste blog) e o designer Bruno Mantovani, dos célebres Pilotoons, o livro “Contos Velozes” traz histórias emblemáticas da Fórmula 1. Com formato leve e linguagem direta, tem enfoque no público infanto-juvenil – mas é leitura para todas as idades.

A publicação acaba de sair do forno. Com 60 páginas, a obra reúne 13 das histórias relatadas neste blog. Organizada em ordem cronológica, o livro busca abraçar a Fórmula 1 desde o seu início, na década de 1950 (com Chico Landi), até os dias atuais (com Max Verstappen).

O valor da publicação é de R$ 50,00 (com frete incluso – postagem via Correios). Se tiver interesse em adquirir o livro, entre em contato conosco por meio das nossas redes sociais – Facebook, Twitter ou Instagram – ou pelo e-mail douglas.willians@gmail.com.

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Espanha-2019: Magnussen vence duelo com Grosjean e é 7º

Kevin Magnussen (à esq.) e Romain Grosjean (à dir.) se tocaram em duas oportunidades durante o GP da Espanha: dinamarquês levou a melhor

Magnussen (à esq.) e Grosjean (à dir.) se tocaram em Montmeló: bom para Kevin, ruim para a Haas

Que Kevin Magnussen tem se caracterizado por ser um piloto intimidador, ninguém contesta. Nem mesmo a Haas, a equipe do dinamarquês. Porém, e quando o feitiço se vira contra o feiticeiro? Foi o que aconteceu no GP da Espanha de 2019, em Montmeló. Magnussen ignorou o fato de duelar com o companheiro de time, Romain Grosjean, na pista espanhola. Não só isso: Kevin colocou em risco a conquista de pontos da escuderia norte-americana ao travar disputas frenéticas com o francês. Isso tem feito parte da carreira do danês. E tem sido assim que ele tem conquistado bons resultados. Polêmicas à parte, Magnussen alcançou um bom sétimo lugar no circuito catalão, sendo o melhor piloto a completar a etapa sem competir por um carro de Mercedes, Red Bull ou Ferrari. Com o resultado, KMag assumiu a sétima posição do Mundial de Pilotos, com 14 pontos, e ajudou a Haas a subir para o sexto lugar entre os Construtores.

Não foi a primeira vez que o ímpeto agressivo de Magnussen entrou em cena em Montmeló. No GP da Espanha de 2018, o dinamarquês também se envolveu em polêmica. Mesmo assim, arrancou a sexta posição em solo catalão. Ao desembarcar no circuito espanhol, Kevin recordou do bom resultado, ignorando o histórico de confusões. Ele queria mesmo era voltar a pontuar em 2019, uma vez que, após conquistar o sexto lugar no GP da Austrália, em Melbourne, o dinamarquês emplacou uma sequência de três corridas fora da zona de pontuação – KMag terminou em 13º nos GPs do Bahrein, em Sakhir, da China, em Xangai, e do Azerbaijão, em Baku. Por isso, o danês tratou de acelerar em Montmeló. Na sexta, primeiro dia de treinos, Magnussen foi o oitavo, com 1m18s355. Ele ficou a 0s202 de Grosjean, sexto com 1m18s153. O melhor da sexta foi Valtteri Bottas (Mercedes), com 1m17s284 – 1s071 mais veloz do que Magnussen, que ficou entusiasmado com o equilíbrio apresentado pela Haas na pista espanhola.

Foram os primeiros pontos de Magnussen desde o GP da Austrália, em Melbourne: 7º no Mundial

Foram os primeiros pontos de Magnussen desde o GP da Austrália, em Melbourne: 7º no Mundial

“Estou otimista. Nosso ritmo de corrida parece melhor e nosso ritmo de qualificação parece fantástico. Então, não há razão para não ser positivo”, apontou Kevin, sem esconder uma preocupação: o gerenciamento dos pneus para o GP da Espanha. “Adoraria encontrar respostas e entender nosso principal problema, que é a administração dos pneus para a corrida. Acho que estamos melhores hoje (sexta), mas não sei se sabemos por quê. Mas vou falar com os rapazes – ainda não tive tempo, por isso estou ansioso para saber se existe alguma coisa nos dados que possamos analisar e esperar encontrar algumas respostas”, observou.

As soluções que tanto Magnussen procurava na sexta foram encontradas no sábado, dia do qualifying para o GP da Espanha. Tanto ele quanto Grosjean mostraram excelente forma nas duas primeiras fases do treino oficial, colocando os dois carros da Haas no Q3 de Montmeló. No fim da sessão decisiva, Kevin e Romain estavam mais velozes do que Daniel Ricciardo (Renault) e Daniil Kvyat (Toro Rosso). Por outro lado, as três potências – Mercedes, Ferrari e Red Bull – eram inalcançáveis para a dupla. Assim, os dois travaram um duelo à parte pelo sétimo lugar no grid. No fim, o francês levou a melhor, com 1m16s911, 0s011 mais veloz do que o dinamarquês, oitavo com 1m16s922. A pole position da etapa espanhola ficou com Valtteri Bottas (Mercedes). Para assegurar a nona pole da carreira, o finlandês anotou 1m15s406 – 1s516 mais veloz do que Magnussen.

Magnussen (foto) e Grosjean avançaram para o Q3 de Montmeló: Romain bateu Kevin por 0s011

Magnussen (foto) e Grosjean avançaram para o Q3 de Montmeló: Romain bateu Kevin por 0s011

Kevin se mostrou satisfeito com o desempenho da Haas em Montmeló.”Fizemos o máximo que podíamos hoje (sábado). Estamos a apenas dois décimos de segundo da Red Bull e à frente do resto do ‘segundo pelotão’. Estou muito feliz. Porém, estamos basicamente aprendendo no momento. Amanhã (domingo) será um grande teste e também um grande dia de aprendizado. Não temos a certeza do ritmo de corrida, sabemos que é uma pista difícil de ultrapassar. Não vai ser uma corrida fácil, mas penso que estamos numa boa posição para marcar bons pontos”, avaliou o dinamarquês.

Largada do GP da Espanha de 2019: pilotos da Haas mantiveram suas posições do grid

Largada do GP da Espanha de 2019: pilotos da Haas mantiveram suas posições do grid

A corrida

Domingo, 12 de maio de 2019. O calor e o vento característicos estavam presentes em Montmeló para a disputa do GP da Espanha. Na quarta fila do grid, os dois carros da Haas se encontravam lado a lado. A expectativa era a de que tanto Magnussen quanto Grosjean conquistassem um bom resultado no circuito catalão. Ambos calçavam pneus macios, e a meta para o primeiro stint era o de estender ao máximo a permanência com esses compostos na pista. Estratégias traçadas, e Kevin e Romain partiram confiantes na largada. O francês chegou a atacar Pierre Gasly (Red Bull) nas primeiras curvas, mas continuou em sétimo. Já o dinamarquês saltou mal, mas se manteve em oitavo. A partir dali, a tônica da corrida se desenhava: o ritmo dos pilotos ditaria o destino do resultado. Sem poder acompanhar os seis primeiros, Grosjean e Magnussen passaram a se preocupar com a dupla da Toro Rosso – Daniil Kvyat era o nono, e Alexander Albon, o 10º.

Na volta 5, Magnussen estava 2s3 atrás de Grosjean. Por outro lado, tinha 1s3 de vantagem sobre Kvyat. Na 10, o francês abria 3s7 sobre o dinamarquês. KMag, por sua vez, seguia com o russo da Toro Rosso em seus calcanhares – a vantagem era de 1s6. O panorama continuaria o mesmo até o início da primeira janela de pit stop. O primeiro dos ponteiros a ir aos boxes foi Sebastian Vettel (Ferrari). Com a parada do alemão, na volta 20, Romain subiu para sexto e Kevin, para sétimo. Na volta 23, Magnussen foi chamado pela Haas para realizar a troca de pneus. Era uma reação ao pit stop de Kvyat, na volta anterior. Na parada, a equipe norte-americana sacou os pneus macios e colocou os médios (mais resistentes). Entretanto, seria difícil saber se os compostos resistiriam até a bandeirada. O danês retornou à pista na 14ª posição, à frente de Daniil.

Magnussen sofreu com a pressão de Kvyat

Magnussen sofreu com a pressão de Kvyat em Montmeló. Tanto que a Haas alterou sua estratégia

Com as paradas de Daniel Ricciardo (Renault), Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Sergio Pérez (Racing Point) na volta 25, Magnussen ascendeu para o 11º lugar. Na 26, foi a vez de Albon e Lando Norris (McLaren) ingressarem nos boxes para o pit stop, o que recolocou Kevin na zona de pontuação, em nono lugar. Na 27, Grosjean também fez sua parada, retornando em sétimo. Entre os carros da Haas, estava Nico Hulkenberg (Renault), que estendia sua permanência na pista com pneus médios. Magnussen colou no alemão, mas não conseguia realizar a ultrapassagem. Apenas na volta 33, tanto Kevin quanto Kvyat superaram Hulkenberg. Dessa forma, Magnussen voltava à oitava posição. Entretanto, o russo da Toro Rosso mostrava boa forma em Montmeló. Na volta 36, Daniil superou KMag na freada da Reta dos Boxes. Assim, o dinamarquês caía para nono.

O ritmo de Kvyat era impressionante. Na volta 38, o russo já colocava 3 segundos de vantagem sobre Magnussen. Era sinal de que o cenário estava complicado para o dinamarquês da Haas. Porém, o panorama da corrida mudaria na volta 46 – e com isso, a sorte de Kevin: um acidente entre Norris e Lance Stroll (Racing Point) na Curva 2 fez com que o safety car fosse acionado. Assim, os pilotos ingressaram nos boxes. Na Haas, tanto Magnussen quanto Grosjean optaram pelos pneus macios. A partir daquele momento, os compostos resistiriam até o fim da corrida. Na volta ao pelotão, Romain estava em sétimo, e Kevin ganhou a posição de Kvyat, reassumindo o oitavo lugar.

Ataque de Magnussen a Grosjean veio após a relargada, na volta 52: manobra ousada

Ataque de Magnussen a Grosjean veio após a relargada, na volta 53: manobra deixou Haas sob tensão

A relargada ocorreu na volta 53. E com ela, veio o desespero da Haas. Magnussen emparelhou com Grosjean ao fim da Reta dos Boxes e não deu espaço para o companheiro de equipe fazer a curva. Romain foi obrigado a sair da pista, e Kevin assumiu a sétima posição. KMag ainda ameaçou Gasly, mas o francês da Red Bull se segurou em sexto. A partir dali, o dinamarquês tinha que se preocupar com a pressão de Grosjean. Com melhor ritmo, o francês queria dar o troco no danês. Na volta 57, ao fim da Reta dos Boxes e se aproveitando do DRS, Romain partiu para cima de Kevin. Entretanto, o dinamarquês voltou a se defender, fazendo com que o francês voltasse a sair da pista. Essa segunda escapada deixou Grosjean para trás – o carro dele ficou danificado. Com isso, perdeu posições para Sainz e Kvyat, caindo para 10º.

Magnussen pouco se importou com o problema do companheiro, seguindo caminho para a conquista do sétimo lugar do GP da Espanha de 2019. A vitória em Montmeló ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 76º triunfo do britânico na carreira – e o terceiro no ano. Com isso, Hamilton reassumiu a liderança do Mundial, com 112 pontos. Valtteri Bottas (Mercedes) terminou em segundo, e viu Lewis colocar 7 pontos de vantagem na ponta da classificação – o finlandês deixou o circuito espanhol com 105 pontos. Max Verstappen (Red Bull) completou o pódio.

Magnussen na pista, Grosjean fora: assim foi o desfecho do duelo interno da Haas

Magnussen na pista, Grosjean fora: esse foi o resum0 do duelo interno da Haas em Montmeló

Apesar do bom resultado, o clima nos boxes da Haas era pesado. Tanto Kevin quanto Romain tiveram que se explicar para os dirigentes da escuderia. No fim, o dinamarquês comentou o entrevero com o francês. “Houve contato com Romain. Não é o que você espera, o contato entre os companheiros de equipe. Não é o que queremos ver, mas não foi nada intencional. Ainda bem que terminamos com dois carros nos pontos”, observou Magnussen, que, no fim, comemorou o fato de retornar ao top 10. “É ótimo ter um bom resultado depois de algumas corridas ruins. Temos lutado para gerenciar os pneus, mas eles parecem estar trabalhando muito melhor neste final de semana. Eles trabalharam em todas as condições, então estou muito feliz com isso”, finalizou.

Gunther Steiner, chefe da Haas, conversa com Magnussen e Grosjean: atrito foi assunto pós-GP da Espanha

Gunther Steiner, chefe da Haas, fala com Magnussen e Grosjean: atrito foi assunto pós-Montmeló

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Azerbaijão-2019: rei de Baku, Pérez põe a Racing Point no top 6

Sergio Pérez conquistou o primeiro top 6 da história da Racing Point na F1

Sergio Pérez conquistou o primeiro top 6 da história da Racing Point na F1 ao ser sexto em Baku

Na quarta corrida de sua história, a Racing Point conquistou seu primeiro top 6 na Fórmula 1. Coube a Sergio Pérez levar o carro rosa ao sexto lugar no GP do Azerbaijão de 2019, em Baku. Foi o melhor resultado da equipe desde o seu ingresso oficial na categoria máxima do automobilismo. A Racing Point assumiu o espólio da Force India antes do GP da Bélgica de 2018, em Spa-Francorchamps, graças à intervenção do magnata Lawrence Stroll – sim, o pai de Lance Stroll. Porém, apenas em 2019 passou a usar o nome atual. Lawrence colocou Lance no lugar de Esteban Ocon. Por outro lado, manteve Pérez como titular do time. Com as conquistas do sexto lugar de Checo e da nona posição de Stroll em Baku, o time de Lawrence Stroll avançou consideravelmente na tabela de classificação dos Construtores – a escuderia passou a ocupar o quinto lugar do Mundial com 17 pontos, um a menos que a McLaren, quarta colocada com 18.

Por sua vez, Pérez passou a dividir o sexto lugar no Mundial de Pilotos, com 13 pontos – mesma pontuação de Pierre Gasly (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo). Sergio deixou o Azerbaijão atrás somente das duplas de Mercedes – Valtteri Bottas e Lewis Hamilton – e da Ferrari – Sebastian Vettel e Charles Leclerc -, além de Max Verstappen (Red Bull). O top 6 fez com que o latino aumentasse seu cartel positivo em Baku. Nas três edições da prova na capital do Azerbaijão, o asteca também havia figurado entre os seis primeiros: em 2016 (quando ainda era o GP da Europa) e em 2018, Sergio terminou em terceiro. Já em 2017, conquistou a sexta colocação.

Nas três provas anteriores em Baku, Pérez havia conquistado dois 3º lugares e um 6º - todos com Force India

Nas três provas anteriores em Baku, Pérez havia obtido dois 3º lugares e um 6º: bom retrospecto

Checo desembarcou em Baku ostentando o título de piloto com mais pódios na etapa. Entretanto, ele sabia que seria quase impossível manter essa escrita. Mercedes e Ferrari eram dominantes. Em contrapartida, o carro da Racing Point não tinha apresentado bom desempenho nas três provas anteriores – o melhor resultado havia sido o oitavo lugar de Sergio no GP da China, em Xangai. Pérez queria aproveitar o seu bom retrospecto e usar isso a favor da sua equipe. Na sexta, dia dos primeiros treinos para o GP do Azerbaijão, Sergio queria aproveitar o máximo possível de tempo de pista para acertar seu carro. Entretanto, após o acidente de George Russell (Williams), ocasionado por um bueiro aberto, a direção da prova decidiu cancelar o primeiro treino livre.

Os pilotos e as equipes só puderam ter um maior contato com a pista de rua no segundo treino livre.  Pérez terminou em 13º, com 1m45s436. O mexicano ficou 2s439 à frente de Lance Stroll – companheiro de Checo, o canadense sofreu um acidente na sessão e ficou em 19º, com 1m47s875. A marca do latino ficou a 2s564 de Charles Leclerc (Ferrari), o melhor do dia com 1m42s872. “Foi um dia difícil depois de perder um valioso tempo de pista no primeiro treino. Eu tive um grande problema com meus pneus na segunda sessão que também me prejudicaram um pouco, mas fora isso estou satisfeito com o progresso que fizemos durante o treino. Espero que esta noite possamos encontrar alguns décimos que nos colocarão na luta amanhã (sábado). Colocamos uma boa quantidade de voltas na tabela, o que é importante em torno deste circuito: você precisa da maior quilometragem possível para aumentar sua confiança à medida que o fim de semana avança”.

Na sexta, apenas um treino foi realizado integralmente em Baku: isso atrapalhou Pérez, 13º do dia

Na sexta, apenas um treino foi realizado integralmente em Baku: isso atrapalhou Pérez, 13º do dia

Diante do que foi apresentado na sexta, Sergio se mostrou cético sobre a possibilidade de repetir um bom resultado em Baku. “Eu não estava tão confiante como em outros anos por aqui. Acho que podemos melhorar muito amanhã (sábado). A chave para a classificação será manter o sentimento com o carro e melhorar nosso equilíbrio. Temos um pouco dessa confiança nos stints longos, mas precisamos disso em apenas uma volta. Outros carros são muito competitivos por aqui, mas vamos tentar o nosso melhor”, disse.

No sábado, a Racing Point teve motivos para lamentar e celebrar. A lamentação ficou por conta da eliminação precoce de Stroll, 16º com 1m42s630. Já a celebração se deu graças ao excelente desempenho de Pérez. O mexicano não só avançou para o Q3, como também alcançou a quinta posição, anotando o excelente tempo de 1m41s593. O asteca ficou a 1s098 de Valtteri Bottas (Mercedes) – o finlandês anotou sua oitava pole na carreira com 1m40s495. É bem verdade que Checo contou com as ausências de Pierre Gasly (Red Bull) -que, punido, sequer participou do Q3 – e de Charles Leclerc (Ferrari) – que sofreu um acidente no início da sessão decisiva, não marcando tempo. Mesmo assim, a marca do latino revelou que o RP19 havia encontrado um melhor equilíbrio em Baku.

Checo brilhou no sábado, ao alcançar o quinto lugar no grid do GP do Azerbaijão

Checo brilhou no sábado, ao alcançar o quinto lugar no grid do GP do Azerbaijão

“Foi uma ótima classificação. A equipe fez um tremendo trabalho em termos de estratégia. Nós reagimos muito bem e tomamos todas as decisões certas – quando entrar na pista e quando ficar nos boxes. Foi uma longa sessão, a pista esfriou bastante, mas creio que fizemos um bom trabalho e conseguimos extrair mais do carro. Esta é uma pista única, ela força o piloto ao máximo. Você precisa estar no limite em todas as voltas sem cometer nenhum erro, o que exige bastante comprometimento e confiança. Será uma corrida longa, temos alguns carros muito velozes ao nosso redor, mas tudo pode acontecer aqui em Baku. Um único erro pode custar bem caro. É importante manter a calma, e acho que podemos marcar um bom número de pontos se conseguirmos terminar a prova”, analisou Pérez.

Largada do GP do Azerbaijão de 2019: arrojado, Pérez tomou quarto lugar de Verstappen

Largada do GP do Azerbaijão de 2019: arrojado, Pérez tomou quarto lugar de Verstappen

A corrida

Domingo, 28 de abril de 2019. A tarde brilhava em Baku, capital azeri, para a disputa do GP do Azerbaijão. Quinto no grid, Sergio Pérez (Racing Point) tinha a expectativa de repetir os bons resultados das provas anteriores no seletivo e veloz circuito de rua. Calçando pneus macios, o mexicano tentaria estender ao máximo sua presença na pista durante o primeiro stint. Porém, ele precisaria também fazer uma boa largada para manter a esperança de conquistar bons pontos na corrida. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Checo foi ousado e emparelhou seu Racing Point com ninguém menos do que Max Verstappen (Red Bull). Na disputa com o holandês, o asteca ficou do lado de fora nas quatro primeiras curvas. No fim, levou a melhor, assumindo a quarta colocação.

Imprimindo um forte ritmo, Sergio se manteve à frente de Max. Porém, aos poucos, o latino perdia o contato com Sebastian Vettel (Ferrari), o terceiro lugar, e permitia a aproximação não só do holandês, como também de Charles Leclerc (Ferrari). Era o natural desgaste dos pneus macios. Na volta 6, Pérez não resistiu aos ataques de Verstappen e Leclerc. De uma só vez, Checo caiu de quarto para sexto. Enquanto Max e Charles sumiam à sua frente, Sergio passava a se preocupar com a pressão da dupla da McLaren – primeiro com Lando Norris, depois com Carlos Sainz Jr.. Após o pit stop de Norris, na volta 9, a Racing Point decidiu chamar Pérez para os boxes na 10. Na troca, o time sacou os pneus macios e colocou os compostos médios. Dessa forma, a escuderia acreditava que o asteca poderia completar a corrida sem mais parar nos boxes.

Pérez bem que tentou, mas não foi páreo para Verstappen e Leclerc

Pérez bem que tentou seguir em quarto, mas não foi páreo para Verstappen e Leclerc

No retorno à pista, Pérez ocupava a 10ª posição, justamente à frente de Norris. Com o pit stop de Alexander Albon (Toro Rosso), na volta 11, o mexicano subiu para nono. Após a parada de Sainz, na volta 12, Checo ascendeu para oitavo. Na 13, o piloto da Racing Point superou Romain Grosjean (Haas), ganhando a sétima posição. Naquele momento, Sergio estava atrás de Pierre Gasly (Red Bull), que, com uma tática mais conservadora, se colocava à frente do mexicano. Na volta 18, a vantagem do francês sobre o latino alcançava 14s8. O objetivo de Gasly era um só: abrir sobre Pérez para tomar a sexta posição. Para isso, precisava estender ao máximo sua presença na pista para realizar o pit stop e voltar para a pista na frente do adversário da Racing Point. Por outro lado, Checo precisava administrar a vantagem que tinha sobre Norris e Sainz.

Na volta 26, Pierre colocava 20s6 de vantagem sobre Sergio. Por sua vez, Pérez tinha 1s9 sobre Norris. Na 37, a diferença entre o francês da Red Bull e o mexicano da Force India alcançou a casa de 30 segundos. Por outro lado, Checo conseguiu colocar 11 segundos sobre Lando. Dessa forma, o sétimo lugar parecia assegurado para o latino. Entretanto, na volta 39, Gasly teve problemas no sistema de transmissão de seu bólido, sendo obrigado a abandonar. Dessa forma, Sergio reassumiu a sexta colocação. Com uma vantagem sob controle sobre Sainz – que superou Norris no duelo interno da McLaren -, bastava ao mexicano levar seu Racing Point até a bandeirada. E foi o que fez.

Com um bom ritmo, Checo não foi incomodado pela dupla da McLaren - Sainz e Norris

Checo não foi incomodado pela dupla da McLaren e contou com o abandono de Gasly para ser 6º

A vitória no GP do Azerbaijão ficou com Valtteri Bottas (Mercedes). Foi a quinta vitória da carreira do finlandês, a segunda em 2019. Com o triunfo, Bottas recuperou a liderança do Mundial de Pilotos, com 87 pontos – um a mais do que Lewis Hamilton (Mercedes), que terminou em segundo em Baku. Vettel completou o pódio. Mas quem celebrou o quarto top 6 consecutivo no circuito azeri foi Pérez, que ficou extremamente satisfeito com o resultado. “Foi um dia fantástico. Tudo pareceu promissor na largada quando passei Verstappen, mas não tivemos velocidade para lutar contra a Red Bull ao longo da prova. Na verdade, eu estava focado em manter a McLaren atrás. Não foi fácil e precisei pilotar cautelosamente por toda a corrida. Estou feliz porque tivemos sucesso em manter nossa posição, agora podemos celebrar um bom dia para a equipe com ambos os carros nos pontos”, afirmou Sergio, mencionando o nono lugar de Lance Stroll.

Com o resultado, Pérez subiu para 6º no Mundial de Pilotos, com 13 pontos

Com o resultado obtido em Baku, Pérez subiu para 6º no Mundial de Pilotos, com 13 pontos

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China-2019: Albon pontua após largar dos boxes em Xangai

Alexander Albon (Toro Rosso) foi o Piloto do Dia do 1.000º GP da história da F1: dos boxes ao 10º lugar

Alexander Albon (Toro Rosso) foi o Piloto do Dia do 1.000º GP da história da F1: dos boxes ao top 10

Largar dos boxes quase sempre é sinônimo de corrida perdida na Fórmula 1. Se estiver num carro mediano, então, o piloto dificilmente consegue alcançar a zona de pontuação na categoria. Alexander Albon (Toro Rosso) parecia fadado a esse destino no GP da China de 2019, em Xangai, o 1.000º GP da história da F1. Após sofrer um forte acidente no treino livre de sábado, o tailandês ficou impossibilitado de disputar o qualifying. Assim, teve que sair dos pits para a disputa da etapa chinesa. Albon, porém, não tinha nada a perder. Com coragem, o piloto da Toro Rosso desafiou todos os prognósticos e conquistou o 10º lugar em Xangai. Pela segunda vez em três corridas, Alex estava na zona de pontos – a outra foi no GP do Bahrein, em Sakhir, quando terminou em nono. Um início promissor na categira, ainda mais para quem sequer esperava uma oportunidade em 2019.

Alexander Albon Ansusinha nasceu em Londres em 23 de março de 1996. Da mãe, tailandesa, herdou o amor pelo país asiático. Do pai, Nigel Albon, a paixão pelo automobilismo. Piloto britânico, Nigel trilhou carreira em categorias de turismo, com destaque para participações no Campeonato Britânico de Carros de Turismo (BTCC). Graças ao incentivo do pai, Alex ingressou no kart aos 8 anos. Na categoria KF3, ganhou diversos títulos britânicos entre 2006 e 2009. Em 2010, conquistou o título europeu. Em 2011, já na categoria KF1, obteve o vice-campeonato mundial. O garoto demonstrava técnica apurada no kart. Tanto que, em 2012, passou a fazer parte do Time de Desenvolvimento de Pilotos da Red Bull.

Desde 2012, Albon faz parte do Time de Desenvolvimento da Red Bull: chance veio em 2019

Desde 2012, Albon faz parte do Time de Desenvolvimento da Red Bull: chance veio em 2019

Dessa forma, o próximo passo acabou sendo natural: os monopostos aguardavam Albon. Entre 2012 e 2014, disputou o Campeonato Europeu de Fórmula Renault 2.0. Seu melhor desempenho veio justamente no último ano, quando terminou em 3º na classificação. Entretanto, num período de três anos, não obteve nenhuma vitória na F-Renault. Teria o talento se perdido? A Red Bull continuaria a apoiá-lo? Em 2015, Alex disputou o Campeonato Europeu de Fórmula 3. Seu desempenho também não foi brilhante – terminou em sétimo no campeonato. No ano seguinte, viria a melhor oportunidade para Albon: na GP3, defenderia a ART Grand Prix. Como companheiro, teria um certo Charles Leclerc… Alex foi combativo, obteve quatro vitórias e garantiu o vice-campeonato, atrás somente de Leclerc.

O fato de ter sido competitivo mesmo tendo um talentoso companheiro de equipe abriu os olhos das demais categorias do automobilismo. Albon passou a ser objeto de desejo por muitos times. Mas o tailandês preferiu seguir o caminho natural: a Fórmula 2 em 2017. Novamente pela ART Grand Prix, Alex teve uma temporada proveitosa, alcançando dois pódios e o 10º lugar geral. Em 2018, Albon se transferiu para a DAMS. Novamente, ele mostrou seu valor, obtendo 4 vitórias, 8 pódios e o terceiro lugar do campeonato, sendo superado somente pelos britânicos George Russell (campeão da F2) e Lando Norris (vice). O resultado em 2018 fez Alex ter pontos suficientes para a superlicença da F1. Entretanto, aparentemente, não havia vagas na categoria. Assim, Albon acertou contrato com a Nissan e-DAMS, da Fórmula E, para a disputa da temporada 2018/2019.

Para defender a Toro Rosso em 2019, Alex precisou romper um contrato com a Nissan, da Fórmula E

Para defender a Toro Rosso em 2019, Alex precisou romper um contrato com a Nissan, da Fórmula E

Porém, veio uma vaga inesperada na Toro Rosso. Sem Pierre Gasly, que havia se transferido para a Red Bull, o time de Faenza voltou a recrutar Daniil Kvyat. Além disso, a equipe demitiu Brendon Hartley. Para o lugar do neozelandês, não havia nenhum nome em vista. Mas a excelente performance de Albon em 2018 na F2 voltou a colocá-lo no radar da equipe. Foi necessário que Alex rompesse seu vínculo com a Nissan para que, enfim, pudesse realizar o sonho de pilotar na Fórmula 1.

A estreia de Albon ocorreu no GP da Austrália de 2019, em Melbourne. Quando largou na etapa australiana, Alex passou a ser segundo piloto a defender as cores da bandeira da Tailândia na história da Fórmula 1. O primeiro em 65 anos. O pioneiro do país asiático na categoria foi Príncipe Bira. Em Melbourne, o tailandês enfrentou dificuldades, terminando em 14º. Na prova seguinte, vieram os primeiros pontos com a nona posição em Sakhir. Alex recolocava a bandeira tailandesa na zona de pontos pela primeira vez desde o GP da França de 1954, em Reims, quando Bira conquistou a quarta posição. Os dois pontos obtidos em Sakhir motivaram Albon para a disputa do GP da China, em Xangai, terceira etapa do Mundial.

Alex teve uma sexta proveitosa em Xangai: 12º lugar, uma à frente de Kvyat

Alex teve uma sexta proveitosa em Xangai: 12º lugar, uma à frente de Kvyat

Nos primeiros treinos livres, na sexta, o STR14 se comportou bem no seletivo traçado chinês. Em sua primeira experiência em Xangai, Albon foi o 12º mais veloz do dia, com 1m34s634. O tailandês foi 0s060 mais rápido do que Daniil Kvyat – seu companheiro na Toro Rosso fez 1m34s694, ficando em 13º. A marca de Alex foi 1s304 mais lenta que a de Valtteri Bottas (Mercedes), o melhor da sexta com 1m33s330. “Hoje (sexta) foi um bom dia para nós. Passei a primeira sessão explorando e obtendo uma ideia do circuito – é uma pista técnica e há muitas linhas diferentes que você pode seguir. Quanto mais tempo eu ficava no carro, mais me sentia confortável em aprender a nova pista. Coloquei em prática tudo o que aprendi, mas ainda tenho algumas coisas que quero tentar no terceiro treino livre. Fiquei feliz com o nosso dia, parece que o ritmo em stints longos é bastante competitivo, apesar de ainda ter algo a tirar do nosso carro”, avaliou Albon.

Albon queria tentar algumas coisas novas no sábado, dia do terceiro treino livre em Xangai. Era a preparação para o qualifying. Mas aí o tailandês pagou pelo noviciado. Alex abusou na entrada da reta dos boxes. Seu carro ricocheteou, fazendo com que sofresse um forte acidente. O STR14 de Albon ficou destruído. Dessa forma, o tailandês não pôde participar do qualifying em Xangai. Assim, seria obrigado a largar dos boxes no domingo. A pole position do GP da China ficou com Valtteri Bottas (Mercedes), com 1m31s547. Foi a sétima pole da carreira do finlandês, a primeira na atual temporada. Do lado oposto do grid, Albon lamentou o fato de não ter disputado o quali em Xangai.

Albon sofreu um forte acidente no FP3: carro destruído impediu que participasse do quali

Albon sofreu um forte acidente no FP3: carro destruído impediu que participasse do qualifying

“Estou bem após o acidente no terceiro treino livre. Mas é obvio que fiquei desapontado por ter cometido um erro que me tirou do qualifying. Obviamente, ser veloz num treino livre não ajuda muito porque é o quali que conta, mas ainda há pontos positivos. Eu vinha além da zebra na última curva há algum tempo porque é um pouco mais rápido aproveitar aquele pedaço extra de pista. O carro sempre sai um pouco de traseira e normalmente você consegue mantê-lo sob controle, mas desta vez fui agressivo demais com o acelerador. Eu teria preferido rodar para o lado esquerdo do circuito, mas o carro foi para a direita e bati no muro. Olhando o lado bom, tivemos um bom treino livre de sexta e o ritmo de corrida parece forte, portanto estou otimista em relação à prova de amanhã (domingo). Não vai ser fácil, mas acredito que temos velocidade para fazer algumas ultrapassagens e talvez marcar mais alguns pontos”, explicou Alexander.

Largada do GP da China de 2019 para Albon: início solitário, do pit

Largada do GP da China de 2019, em Xangai, para Alexander Albon: início solitário, dos boxes

A corrida

Domingo, 14 de abril de 2019. Dezenove carros alinharam no grid do GP da China, em Xangai. Apenas um estava nos boxes: Alexander Albon (Toro Rosso). Confiante no bom balanço do STR14 na pista chinesa, o anglo-tailandês tentaria fazer uma prova de recuperação em busca de um lugar entre os 10 primeiros. A tarefa não parecia das mais fáceis. Porém, Albon estava determinado a alcançar a zona de pontos em Xangai. Largando com pneus macios, Alex estava distante do pelotão quando saiu dos boxes. Entretanto, ele se aproveitou do entrevero que envolveu seu companheiro Daniil Kvyat (Toro Rosso), Lando Norris (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (McLaren). A dupla da McLaren foi atingida pelo russo e despencou na classificação. Assim, Albon completou a volta 1 em 18º.

Os detritos deixados pelos carros envolvidos no acidente fizeram com que a direção de prova acionasse o VSC – virtual safety car. Após a limpeza da pista, a bandeira verde tremulava em Xangai na volta 3. Albon atacou Robert Kubica (Williams) por fora na Curva 1, ficando por dentro na sequência da Curva 2. Dessa maneira, superou o polonês, assumindo o 17º lugar. Na passagem seguinte, tentou a mesma manobra sobre George Russell (Williams), seu antigo rival de F2. O britânico fechou a passagem do tailandês na Curva 2. Porém, Alex saiu lançado, ultrapassando Russell na freada da Curva 4. A próxima vítima de Albon foi Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo). Na volta 5, o piloto da Toro Rosso usou o DRS para superar o italiano na freada da Reta Oposta. Ao mesmo tempo, Kvyat foi aos boxes para pagar um drive through – o russo foi considerado culpado pelo incidente da volta 1. Assim, Alexander abria a volta 6 na 14ª colocação.

A Toro Rosso planejou apenas um pit stop para Albon: tática bem-sucedida

A Toro Rosso planejou apenas um pit stop para Albon: tática bem-sucedida

Na volta 8, Romain Grosjean (Haas) ingressou nos boxes. Dessa forma, Albon subiu para 13º. Na passagem seguinte, o companheiro do francês, Kevin Magnussen (Haas) também realizou seu primeiro pit stop. Assim, Alex ascendeu para 12º. Na volta 12, foi a vez de Nico Hulkenberg (Renault) fazer sua parada. Com isso, o tailandês se viu na 11ª posição. A partir daquele momento, o piloto da Toro Rosso passou a reduzir a diferença para Lance Stroll (Racing Point), o 10º. Na volta 16, o canadense tinha 1s3 de vantagem sobre o anglo-tailandês. Embora pressionasse Stroll, Albon não conseguia fazer a ultrapassagem. Era sinal do desgaste dos pneus macios.

A Toro Rosso chamou Alex para os boxes na volta 19. Na troca, a equipe sacou os compostos macios e colocou os duros. O objetivo era fazer com que o jovem tailandês realizasse um único pit stop durante toda a corrida. No retorno à pista, Albon se viu na 16ª posição. Na volta 21, o tailandês voltou a ultrapassar Russell. Na mesma passagem, Stroll realizou seu pit stop. Quando voltou, o canadense havia sido superado pelo tailandês, que assumiu a 14ª posição. Com a ida de Kvyat para os boxes, na volta 25, Alex ascendeu para o 13º lugar. Na 26, o piloto da Toro Rosso ultrapassou novamente Giovinazzi, alcançando a 12ª colocação. Na volta 30, Albon alcançou Magnussen, que sofria com problemas de pneus. Alex colocou por dentro na Curva 4 e deixou Kevin para trás. Assim, era o 11º colocado.

Albon, à frente de Stroll: tailandês gerenciou bem seu ritmo com pneus duros em Xangai

Albon, à frente de Stroll: tailandês gerenciou bem seu ritmo com pneus duros em Xangai

Faltava apenas uma posição para o tailandês ingressar na zona de pontos. E ela veio na volta 34, graças a um novo pit stop de Grosjean. Com a parada do francês, Albon assumiu o 10º lugar. No top 10, Alex passou a administrar seu ritmo. Na volta 40, o tailandês estava 14 segundos atrás de Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), o nono colocado. Em contrapartida, tinha apenas 2 segundos de vantagem sobre Stroll. Na volta 45, Lance foi ultrapassado por Grosjean, que, com pneus mais novos, passou a ameaçar o top 10 de Albon. Além de segurar o francês, o tailandês precisava gerenciar seus pneus para garantir um ponto em Xangai. E assim o fez, com bastante estilo.

A vitória do 1.000º GP da história da F1 ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 75º triunfo do britânico, que assumiu pela primeira vez a liderança do Mundial de 2019. Valtteri Bottas (Mercedes) terminou em segundo, seguido por Sebastian Vettel (Ferrari). Mas o grande feito do dia foi de Albon, que, além de pontuar, levou para casa o prêmio de “Piloto do Dia” do GP da China de 2019. Afinal, após destruir seu carro, não participar do qualifying e largar dos boxes, chegar no top 10 foi uma façanha e tanta. “Primeiramente, eu gostaria de agradecer bastante à equipe por seu trabalho duro ontem (sábado). Tudo parecia um pouco sombrio após terceiro treino livre, mas o pessoal trabalhou muito duro para trocar o chassis. Eles mereciam uma boa corrida e fiquei feliz por recompensar seus esforços com um ponto”, disse Alex.

Hamilton, Bottas e Vettel formaram o pódio, mas o Piloto do Dia do GP da China de 2019 foi Albon

Hamilton, Bottas e Vettel formaram o pódio, mas o “Piloto do Dia” do GP da China de 2019 foi Albon

Sobre o GP da China, o tailandês disse que a equipe decidiu por uma mudança de estratégia que, no fim, acabou sendo bem-sucedida. “Foi uma prova difícil porque, inicialmente, planejávamos duas paradas. A degradação foi maior do que quase todos esperavam. Mas nós sabíamos desde o segundo treino livre que nossos pneus aguentavam bem, decidimos arriscar e sobrevivemos com o composto duro. Eu fiquei um pouco nervoso no final quando Grosjean estava quase me alcançando, mas estou realmente feliz por ter conseguido ficar em 10º”, resumiu um satisfeito Albon.

Publicado em Alexander Albon, Alfa Romeo, Antonio Giovinazzi, Carlos Sainz Jr., China, Daniil Kvyat, George Russell, Haas, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Lance Stroll, Lando Norris, McLaren, Racing Point, Robert Kubica, Romain Grosjean, Toro Rosso, Williams, Xangai | Publicar um comentário

Bahrein-2019: os primeiros pontos do promissor Lando Norris

Em seu segundo GP, Lando Norris (McLaren) alcançou o sexto lugar no GP do Bahrein de 2019, em Sakhir

Em sua segunda corrida, Lando Norris (McLaren) alcançou o 6º lugar no GP do Bahrein de 2019

Lando Norris chegou à Fórmula 1 cercado de expectativas. Campeão por onde passou, o britânico ingressou na McLaren com a pompa de menino prodígio. E ele não decepcionou. Logo em sua segunda corrida na categoria máxima do automobilismo, o inglês levou o MCL34 a um ótimo sexto lugar no GP do Bahrein de 2019, em Sakhir. Foram os primeiros pontos da carreira de Lando, que se tornou o 340º piloto a pontuar na F1. Foi um resultado além do esperado. Com arrojo, velocidade e competência, Norris só ficou atrás das duplas de Mercedes, Ferrari e Max Verstappen (Red Bull). Não só isso: no fim, o jovem segurou com maestria o campeão de 2007, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), de 39 anos, fazendo com que a conquista dos oito pontos na prova barenita fosse ainda mais saborosa.

Com o resultado de Sakhir, o piloto da McLaren entrou no livro dos recordes da Fórmula 1. Lando se tornou o piloto britânico mais jovem a pontuar na categoria, com 19 anos, 4 meses e 18 dias, batendo o recorde que pertencia a Jenson Button (que, com 20 anos, 2 meses e 7 dias, pontuou no GP do Brasil de 2000, em Interlagos). Além disso, passou a ser o terceiro piloto mais jovem a pontuar na F1, estando atrás somente de Max Verstappen (que, com 17 anos, 5 meses e 29 dias, anotou pontos no GP da Malásia de 2015, em Sepang) e de Lance Stroll (que, com 18 anos, 7 meses e 13 dias, pontuou no GP do Canadá de 2017, em Montreal). São marcas para ninguém colocar defeito. Tudo em apenas sua segunda apresentação, o que vem a comprovar que a precocidade será para sempre uma marca na trajetória de Norris.

Lando foi campeão por onde passou: trajetória vencedora culminou no ingresso na F1

Lando foi campeão por onde passou: trajetória vencedora culminou no ingresso na F1

Nascido em Bristol (Inglaterra) em 13 de novembro de 1999, Lando tinha um ídolo na infância: Valentino Rossi, o multicampeão da motovelocidade. Seu foco estava na competição de motos. Porém, um episódio mudou a meta do pequeno britânico: o pai, Adam, levou ele e seu irmão para acompanhar uma prova de kart em sua cidade natal. Foi o que bastou para Lando pedir ao pai para também competir na categoria. Assim, aos 7 anos, começava a paixão arrebatadora pelo automobilismo. Por onde passou, Norris brilhou. No kart, se sagrou campeão mundial em 2013. No ano seguinte, foi o melhor estreante da Copa Ginetta Júnior, uma categoria de carros esportivos que fazia parte da programação do BTCC – o campeonato britânico de turismo.

Quanto mais Lando ascendia na carreira, mais aumentava a sede de conquistas. Em 2015, ele foi campeão da Fórmula MSA em 2015. Em 2016, levantou o título da Toyota Racing Series e da Fórmula Renault 2.0 em duas séries (Eurocup e Copa da Europa do Norte). Foi a partir daí que os olhos da Fórmula 1 passaram a mirar Norris. Em 2017, a McLaren anunciou o piloto como membro do time de desenvolvimento da escuderia. O contrato era nos moldes do feito com Lewis Hamilton. O objetivo do time de Woking, portanto, era o mesmo: formar um campeão tal como foi feito com Hamilton. Já sob a tutela da McLaren, Norris disputou em 2017 o Campeonato Europeu de Fórmula 3. Foi um estrondoso sucesso. O britânico conquistou o título em Hockenheim, credenciando-se para o último passo antes da F1: a Fórmula 2.

Norris (à dir.) e Carlos Sainz Jr. substituíram Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne na McLaren

Norris (à dir.) e Carlos Sainz Jr. substituíram Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne na McLaren

Em 2018, Lando se dividiu entre a função de piloto de testes da McLaren e a disputa da F2. Pela Carlin, o britânico chegou a liderar o campeonato, mas acabou sendo superado pelo compatriota George Russell. No fim, foi o vice-campeão da temporada, mas o seu destino já estava traçado: com a retirada de Fernando Alonso e a dispensa de Stoffel Vandoorne, a McLaren recrutou Norris para a disputa do Mundial de 2019, tendo ao seu lado o espanhol Carlos Sainz Jr.. Diferentemente do que ocorreu com Hamilton em 2007 (quando disputou o título mundial logo no ano de estreia), Lando chegava a uma McLaren com inúmeras incertezas e poucos resultados. O MCL33 de 2018 era um carro nada confiável, o que desestimulou Alonso a prosseguir na F1. Para 2019, a promessa era de evolução com o MCL34. Porém, os resultados na pré-temporada não foram animadores.

Norris estreou na F1 no GP da Austrália de 2019, em Melbourne. Foi um fim de semana com altos e baixos: o britânico conseguiu avançar para o Q3 da etapa australiana, conquistando um bom oitavo lugar no grid. Na corrida, porém, as coisas não funcionaram como nos treinos, e Lando terminou num tímido 12º lugar. Para Sakhir, palco do GP do Bahrein de 2019, segunda prova do Mundial, o jovem inglês queria comprovar que o MCL34 era competitivo suficiente para encarar as equipes do meio do pelotão – leia-se Haas, Renault, Alfa Romeo e Racing Point. E foi com esse espírito que Norris e Carlos Sainz Jr. iniciaram os treinos livres para a corrida barenita.

Lando teve uma sexta proveitosa: oitavo mais veloz do dia em Sakhir

Lando teve uma sexta proveitosa: oitavo mais veloz do dia em Sakhir

Na sexta, primeiro dia de testes em Sakhir, Lando surpreendeu positivamente, sendo o oitavo mais veloz do dia, com 1m30s017. Norris foi 0s185 mais veloz do que Sainz, 11º com 1m30s192. Por outro lado, o britânico foi 1s171 mais lento do que Sebastian Vettel (Ferrari), o mais rápido da sexta com 1m28s846. Todas as marcas do dia foram obtidas na sessão noturna – com a temperatura da pista mais baixa, os pilotos puderam melhorar os tempos no segundo treino livre. O inglês da McLaren ficou satisfeito com a performance do MCL34 na pista barenita.

“Ainda há coisas para melhorar, mas tem sido um começo decente para o fim de semana. Eu me sinto mais confiante porque conheço um pouco mais o procedimento das coisas. Acho que o primeiro treino livre foi razoavelmente bom: passamos por tudo o que precisávamos e tive um bom pressentimento pela pista. A temperatura da pista no segundo treino diminuiu muito, significando que o carro parecia bem diferente e, obviamente, os tempos de volta eram muito mais rápidos. Terminamos essa sessão com um pequeno problema que não me permitiu fazer tantas voltas quanto eu queria, mas ainda assim fiz stins com o tanque cheio de combustível e também com pouca gasolina. Por isso, tenho uma boa sensação para a corrida”, avaliou Lando.

Tanto Norris quanto Sainz Jr. avançaram para o Q3 de Sakhir: espanhol levou a melhor sobre o inglês

Tanto Norris quanto Sainz Jr. avançaram para o Q3 de Sakhir: espanhol levou a melhor sobre o inglês

No sábado, a McLaren voltou a apresentar uma convincente performance em Sakhir. Tanto Norris quanto Sainz estavam com desempenho semelhante ao dos adversários de Renault e Haas. No Q1, Lando levou um susto quando Romain Grosjean (Haas) fez um ‘break test’ logo à sua frente.  Mas isso não tirou a concentração do jovem britânico, que seguiu acelerando no circuito barenita. Ao fim do Q2, tanto ele quanto Carlos avançaram para a fase decisiva da qualificação. No fim, o espanhol alcançou um bom sétimo lugar, com o tempo de 1m28s813. Já o inglês foi o 10º, com 1m29s043, ficando a 0s230 de Sainz e a 1s177 de Charles Leclerc (Ferrari), pole do GP do Bahrein de 2019 ao anotar 1m27s866. Foi a primeira pole de Leclerc na F1, e a primeira de um monegasco na categoria.

Após a sessão, Grosjean, oitavo colocado no Q3 de Sakhir, foi penalizado com a perda de três posições do grid da corrida barenita em razão da fechada em Norris. Com isso, Lando subiu para nono lugar na posição de largada. O jovem britânico da McLaren celebrou o desempenho na qualificação. “No geral, achei muito bom. Meus stints estavam fortes, embora eu tenha cometido alguns erros. Não sinto que fiz um trabalho tão bom quanto na Austrália. Eu conheço mais a pista aqui e não é tão técnica, mas é mais fácil cometer pequenos erros. Eu tive uma pequena travada na curva 10 – não chegou a ser um bloqueio de roda, mas perdi um pouco de tempo. Poderia estar ao lado de Carlos e estava perto. Eu acho que ele estava apenas um décimo à frente, então estou razoavelmente feliz”, avaliou.

Largada do GP do Bahrein de 2019, em Sakhir: Norris enfrentou problemas e perdeu posições na 1ª volta

Largada do GP do Bahrein de 2019: Norris enfrentou problemas e perdeu posições na 1ª volta

A corrida

Domingo, 31 de março de 2019. O anoitecer em Sakhir avisava que a hora da largada do GP do Bahrein se aproximava. Na nona posição do grid e calçando pneus macios, Lando Norris (McLaren) estava determinado a fazer um bom início de prova. Contudo, o jovem inglês não contava com a acirrada disputa nas primeiras curvas da corrida. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, o britânico da McLaren saltou de forma hesitante, caindo para 10º. Depois, acabou escapando da pista, o que o fez despencar para a 14ª posição ao fim da volta 1. A partir daí, Norris dava início a uma excelente recuperação, provando a excelente forma do MCL34 na pista barenita. Na volta 2, superou Alexander Albon (Toro Rosso) no final da reta dos boxes, subindo para 13º. Enquanto isso, Carlos Sainz Jr. (McLaren) atacava Max Verstappen (Red Bull) no duelo pelo quinto lugar. O espanhol tentou ultrapassar o holandês por fora na volta 4. Max vendeu caro o espaço, e Carlos acabou levando a pior. O toque foi inevitável, e Sainz despencou no pelotão.

Com o companheiro indo para os boxes, Lando assumiu a 12ª posição. Ao mesmo tempo, o britânico da McLaren seguia na cola de Pierre Gasly (Red Bull). Na volta 7, veio o grande momento de Norris em Sakhir: o jovem inglês pegou o vácuo do carro do francês e, de forma ousada, usou a zebra externa para fazer uma inesperada ultrapassagem. Assim, ele assumia a 11ª colocação. Na passagem seguinte, Lando contou com o pit stop de Sergio Pérez (Racing Point) para retornar ao top 10. Na 9, foi a vez do britânico superar Kevin Magnussen (Haas), ascendendo para a nona colocação. O ritmo da McLaren era ótimo, mas os compostos macios davam sinais de desgaste. Assim, o time de Woking chamou Norris para os boxes na volta 10. Na troca, colocaram pneus médios. Ao retornar para a pista, Lando se viu em 13º.

Com o MCL34 apresentando excelente forma, Lando recuperou posições em Sakhir

Com o MCL34 apresentando excelente forma, Lando recuperou posições em Sakhir

Na volta 11, com a parada de George Russell (Williams) e a rodada de Daniil Kvyat (Toro Rosso) – que se envolveu em um incidente com Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) -, o britânico da McLaren subiu para 11º. Na volta 14, Norris ultrapassou Pérez e assumiu a 10ª colocação. Após o pit stop de Giovinazzi, na volta 16, Lando ascendeu para a nona posição. Naquele momento, o jovem inglês estava a 2s1 de Nico Hulkenberg (Renault), o oitavo, e colocava 3s6 de vantagem sobre Pérez, o 10º. Na volta 21, Hulkenberg passou Kimi Raikkonen (Alfa Romeo). O ritmo do finlandês caiu drasticamente, e Norris passou a se aproximar do campeão de 2007.  Com o pit stop de Daniel Ricciardo (Renault) na volta 24, o jovem da McLaren subiu para oitavo. Não só isso: pressionava Raikkonen pelo sétimo lugar. Na volta 26, Lando ultrapassou Kimi na freada da primeira curva, alcançando a sétima colocação.

O ritmo de Norris era excelente. Na volta 30, o britânico estava a 3s5 de Hulkenberg. Por outro lado, tinha 3s3 de vantagem sobre Raikkonen. Entretanto, a vida útil dos pneus médios já estava em seu final. Lando precisava esticar ao máximo sua presença na pista para se manter na briga pelos pontos. Na volta 35, o inglês foi aos boxes para a sua segunda e definitiva parada. Na troca, a McLaren sacou os pneus médios e colocou um novo jogo de compostos macios. Dessa maneira, Norris estava liberado para andar no limite. O jovem piloto retornou à pista em nono.

Norris, à frente de Vettel: alemão levou a pior no duelo com Hamilton e ficou atrás de Lando

Norris, à frente de Vettel: alemão levou a pior no duelo com Hamilton e ficou atrás de Lando

Na volta 38, Sebastian Vettel (Ferrari) duelava com Lewis Hamilton pelo segundo lugar em Sakhir. O alemão tentou segurar o inglês, mas rodou no afã da disputa. Depois, viu seu spoiler ser engolido pelo carro, fazendo com que se criasse um inusitado ‘show pirotécnico’ na Reta Oposta. Com o infortúnio do ferrarista – que foi para os boxes -, Norris assumiu a oitava colocação. Após o pit stop de Gasly, na volta 40, Lando ascendeu para a sétima posição. Mas ali ficou por pouco tempo: em prova de recuperação, Vettel superou o novato da McLaren, que retornou para o oitavo lugar. Na volta 42, formou-se um pelotão liderado por Hulkenberg, o quinto. Atrás do alemão da Renault, vinham Vettel, Ricciardo, Norris e Raikkonen. A vantagem entre cada um girava na casa de 1s.

Naquele momento, quem tivesse um equipamento confiável levaria vantagem na disputa. E o MCL34 estava numa forma esplêndida em Sakhir. Na volta 43, Vettel ultrapassou Hulkenberg, assumiu o quinto lugar e sumiu à frente do piloto da Renault. Dessa forma, a verdadeira batalha era pela conquista da sexta posição. Hulk viu em seu retrovisor a perda de rendimento do companheiro Ricciardo. O australiano acabou sendo superado por Norris na volta 44 e por Raikkonen na 45. Assim, Nico, Lando e Kimi lutariam pelo lugar no top 6. Hulkeberg se destacava, colocando vantagem sobre Norris. O britânico, por sua vez, sofria para segurar Raikkonen. Na volta 50, o alemão da Renault tinha 3s de vantagem sobre o inglês da McLaren, que, por sua vez, colocava 1s sobre o finlandês da Alfa Romeo. Naquele instante, Norris havia desistido de lutar pela sexta posição. O foco do britânico era segurar Raikkonen e garantir a sétima colocação.

Com o abandono de Hulkenberg, Norris herdou o sexto lugar: 340º piloto a pontuar na história da F1

Com o abandono de Hulkenberg, Norris herdou o sexto lugar: 340º piloto a pontuar na história da F1

Porém, na volta 53, o inesperado aconteceu: os dois carros da Renault abandonaram no mesmo instante. Tanto Hulkenberg quanto Ricciardo estavam fora do GP do Bahrein. Assim, Lando assumia o sexto lugar. Para retirar os bólidos franceses, a direção de prova acionou o safety car. Como faltavam apenas três voltas para a bandeirada, a entrada do carro de segurança assegurava o top 6 para o inglês da McLaren. A vitória em Sakhir ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi a 74ª conquista do britânico, a primeira em 2019. Essa veio com uma boa dose de sorte: Charles Leclerc (Ferrari), que liderava a corrida com contundência, enfrentou problemas em sua unidade de potência. Seu carro perdeu rendimento, fazendo com que Hamilton e Valtteri Bottas (Mercedes) o ultrapassassem sem dificuldades. Ainda assim, Leclerc ficou em terceiro. Foi o primeiro pódio de Charles, e o primeiro top 3 de um monegasco desde o GP de Mônaco de 1950, com Louis Chiron.

Além de Norris, outro piloto anotou seus primeiros pontos na F1: Alexander Albon (Toro Rosso) terminou em nono no GP do Bahrein. Foram os dois primeiros pontos de Albon na categoria, e os primeiros da Tailândia em 65 anos – a última vez de um tailandês na zona de pontuação ocorreu com Príncipe Bira, quarto no GP da França de 1954, em Reims. Após a bandeirada, o clima era de festa na McLaren. Afinal, o novato do time havia acabado de fazer história vestindo as cores laranja e azul. “Estou muito feliz e satisfeito por ter marcado meus primeiros pontos, mas também pela McLaren, depois de todo o trabalho duro da equipe durante o inverno. Eu tive um bom começo, mas a escapada de pista ainda na primeira volta me fez perder algumas posições. O ritmo depois disso foi muito forte. Eu alcancei muito rapidamente o pelotão. Eu talvez tenha lutado um pouco para administrar minha posição no final, mas consegui ficar à frente de Kimi”, celebrou Lando, uma promessa que apresentou suas credenciais em Sakhir.

Fazendo história: em Sakhir-2019, Lando se tornou o britânico mais jovem a pontuar na F1

Fazendo história: em Sakhir-2019, Lando se tornou o britânico mais jovem a pontuar na F1

Publicado em Alexander Albon, Alfa Romeo, Antonio Giovinazzi, Bahrein, Carlos Sainz Jr., Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, George Russell, Haas, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Lando Norris, McLaren, Nico Hulkenberg, Racing Point, Renault, Romain Grosjean, Sakhir, Sergio Pérez, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

Austrália-2019: Magnussen leva a Haas ao top 6 em Melbourne

Kevin Magnussen levou o carro negro e dourado da Haas ao top 6 do GP da Austrália: 'melhor do resto'

Kevin Magnussen carregou o carro negro e dourado da Haas a um bom sexto lugar no GP da Austrália

A 70ª temporada da história da Fórmula 1 teve início no último dia 17 de março, em Melbourne, palco do GP da Austrália de 2019. No circuito australiano, ficou evidenciado o que já era esperado: na frente, a disputa entre Mercedes, Ferrari e Red Bull; atrás do trio, uma acirrada competição pelo quarto lugar entre os Construtores. Na pista de Albert Park, a Haas se destacou diante de adversárias diretas, como Renault, Toro Rosso, McLaren e Alfa Romeo. Entretanto, novamente sofreu um duro golpe: assim como no GP da Austrália de 2018, Romain Grosjean ficou pelo caminho devido a um problema na troca de pneus. Mas o deja vu parou com o francês. Kevin Magnussen fez as honras da equipe ianque e faturou um ótimo sexto lugar na etapa inaugural do Mundial, ficando atrás apenas das duplas de Mercedes, Ferrari e Max Verstappen (Red Bull). Não só isso: foi o único piloto de fora do grupo das potências a completar a etapa na mesma volta de Valtteri Bottas (Mercedes), o vencedor de Melbourne.

O top 6 de Kevin foi uma recompensa pelo ótimo fim de semana na Austrália. Não só isso: fez valer o esforço feito pela equipe norte-americana durante os treinos da pré-temporada em Montmeló (Espanha). Magnussen e Grosjean se dedicaram ao desenvolvimento do VF-19 com o intuito de brigar diretamente com a Renault pelo quarto lugar entre os Construtores. A posição escapou das mãos dos norte-americanos em 2018. Para iniciar o Mundial de 2019 com força, a Haas trabalhou arduamente nos testes de inverno. Ao desembarcar em Melbourne para a disputa da corrida australiana, o time estadunidense chamava a atenção não apenas pelas novas cores preto e dourado. A confiabilidade e a velocidade eram pontos positivos apresentados para a estreia do campeonato.

Após um árduo trabalho na pré-temporada, em Montmeló, Magnussen estava confiante em um bom início de temporada

Após um árduo trabalho em Montmeló, Magnussen estava confiante em um bom início de temporada

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP da Austrália, Kevin e Romain mostraram boa forma. Ao fim das sessões, Magnussen foi o 12º mais veloz do dia, com 1m23s988. Dinamarquês ficou a 0s174 de Grosjean, 10º com 1m23s814, e a 1s388 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz do dia com 1m22s600. Após os treinos, KMag avaliou o comportamento do VF-19. “Foi bom estar de volta em uma pista de corrida em um fim de semana de corrida. Estou animado com isso. Foi bom, mas, como sempre, agora temos muitas coisas para ver. Vamos trabalhar duro esta noite, mas não há grandes problemas, estamos muito felizes com o desempenho no carro. Estou ansioso para amanhã (sábado)”, comentou.

No sábado, o carro da Haas demonstrou velocidade no seletivo circuito de Albert Park. Tanto Magnussen quanto Grosjean avançaram com louvor para o Q3 de Melbourne. No fim, o potencial do VF-19 ficou retratado com a conquista da sexta e sétima posições no grid para o GP da Austrália. Romain alcançou o sexto lugar, com 1m21s826. Já Kevin obteve 1m22s099, o que lhe assegurou a sétima colocação. A marca do dinamarquês ficou a 0s273 da do francês, e a 1s613 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole da etapa australiana com 1m20s486. Foi a 84ª pole da carreira do britânico. Após a qualificação, Magnussen demonstrou insatisfação com o resultado – afinal, acabou batido por Grosjean no duelo interno da Haas.

A Haas avançou com seus dois carros para o Q3 de Melbourne: Magnussen foi o 7º, uma posição atrás de Grosjean

A Haas avançou com seus dois carros para o Q3: Magnussen foi o 7º, uma posição atrás de Grosjean

“Eu não tive a sessão de classificação perfeita do meu lado, cometi um erro no meu primeiro pneu no Q1, o que significa que eu tive que usar outro set. Isso me deixou com apenas um novo set para o Q3. Isso é ruim, mas felizmente o carro era muito bom. Estou muito orgulhoso da equipe com o que eles fizeram para colocar um carro tão bom na pista novamente este ano. Eles fizeram um ótimo trabalho incorporando as novas mudanças de regra para nos permitir manter um carro competitivo. Nós não estamos tão longe dos caras da frente – não estamos lutando contra eles, mas não estamos muito longe. Espero que possamos conseguir alguns bons pontos amanhã (domingo)”, afirmou Kevin.

Largada do GP da Austrália de 2019, em Melbourne: Magnussen tracionou melhor e tomou sexto lugar de Grosjean

Largada do GP da Austrália de 2019: Magnussen tracionou melhor e tomou sexto lugar de Grosjean

A corrida

Domingo, 17 de março de 2019. O sol despontou sobre Melbourne, abrilhantando o cenário para a abertura do Mundial. O GP da Austrália estava repleto de novidades no grid. A começar pela chegada de duas novas equipes: Alfa Romeo e Racing Point ingressaram no ‘circo’, substituindo Sauber e Force India, respectivamente. Também houve inúmeras trocas de pilotos de 2018 para 2019. Apenas Mercedes e Haas mantiveram suas duplas. As demais optaram por novos rostos em seus cockpits. Destaque para as estreias de George Russell (Williams), Lando Norris (McLaren) e Alexander Albon (Toro Rosso), para a primeira temporada completa de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e para os retornos de Daniil Kvyat (Toro Rosso) e de Robert Kubica (Williams). Também estrearam em novas casas: Charles Leclerc (Ferrari), Pierre Gasly (Red Bull), Daniel Ricciardo (Renault), Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Lance Stroll (Racing Point).

Novas equipes, novas casas, novos pilotos: a F1 mudou de cara a partir do apagar das luzes vermelhas em Melbourne. Em sétimo no grid, Kevin Magnussen (Haas) queria a todo custo se impor diante de Romain Grosjean. O dinamarquês tracionou melhor na largada e tomou o sexto lugar do francês. Magnussen até fez menção em atacar Charles Leclerc (Ferrari), mas percebeu que não teria como atacar o monegasco. Assim, completou a volta 1 em sexto, imediatamente à frente de Grosjean. A partir daí, os dois pilotos da Haas passaram a liderar um pelotão com Nico Hulkenberg (Renault), Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) e Lando Norris (McLaren). Entretanto, os rivais não ameaçavam a dupla.

Magnussen, à frente de Grosjean: francês teve o mesmo azar de 2018 - uma roda mal presa fez Romain abandonar

Kevin, à frente de Grosjean: francês teve o mesmo azar de 2018 – uma roda mal presa o fez abandonar

Calçando pneus macios, Magnussen faria um primeiro stint curto. Com essa estratégia, tentava abrir diferença para os adversários, a fim de fazer seu pit stop e voltar à frente dos rivais. Na volta 14, Kevin foi para os boxes. Na troca, sacou os compostos macios e colocou os médios. Dessa maneira, iria com os novos jogos de pneus até o fim da prova de Melbourne. No retorno à pista, o dinamarquês da Haas se viu em 11º lugar. Na passagem seguinte, subiu para 10º graças à (péssima) parada de Grosjean – assim como em 2018, a Haas se complicou para fixar o pneu dianteiro esquerdo, demorando mais de 10s nos boxes. Na volta 18, Kevin superou Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), que não resistiu à pressão exercida pelo piloto da Haas. Assim, o escandinavo ascendeu para o nono lugar.

Na volta 26, foi a vez de Daniil Kvyat (Toro Rosso) realizar seu pit stop. Dessa maneira, Magnussen assumiu o oitavo lugar. Na passagem seguinte, foi a vez de Lance Stroll (Racing Point) ingressar nos boxes. Com isso, Kevin subiu para sétimo. A partir daquele instante, o dinamarquês voltava a ficar atrás apenas das duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Na volta 30, a diferença entre Magnussen e Pierre Gasly (Red Bull), o sexto colocado, era de 11s8. Por outro lado, KMag tinha somente 2s de vantagem sobre Hulkenberg, o oitavo. Com o pit stop de Gasly, na volta 37, o dinamarquês da Haas recuperou a sexta posição. Todavia, tinha a companhia de Hulkenberg, que andava próximo e poderia ameaçar o seu lugar no top 6.

Magnussen foi perseguido por Hulkenberg, mas não teve ameaçada sua sexta posição

Magnussen foi perseguido por Hulkenberg, mas não teve ameaçada sua sexta posição

Com o passar das voltas, entretanto, Magnussen consolidou uma diferença de 3s sobre Hulk. Dessa forma, a sexta colocação estava sob controle. Colaborou para isso o fato de Raikkonen se aproximar do alemão da Renault. Assim, Nico estava mais preocupado em Kimi e em preservar o sétimo lugar do que atacar Kevin. Com uma performance sólida, o dinamarquês anotou um excelente top 6 no GP da Austrália. Um resultado que premiou o trabalho do piloto e da Haas. A etapa australiana foi vencida por Valtteri Bottas (Mercedes), que, além de triunfar pela quarta vez na carreira, levou para casa o ponto extra por ter anotado a volta mais rápida da corrida – trata-se de mais uma novidade para 2019. Lewis Hamilton (Mercedes) terminou em segundo, seguido por Max Verstappen (Red Bull). O holandês, aliás, anotou o primeiro pódio de um motor Honda desde o top 3 de Rubens Barrichello no GP da Inglaterra de 2008, em Silverstone.

Graças ao oitavo lugar de Raikkonen, Melbourne também foi palco dos primeiros pontos da Alfa Romeo em 35 anos – a marca não pontuava desde o terceiro lugar de Riccardo Patrese no GP da Itália de 1984, em Monza. E os pontos conquistados por Stroll pelo nono lugar em Albert Park foram os primeiros da trajetória da Racing Point na F1. Feitos à parte, o GP da Austrália de 2019 foi especialmente marcante para Magnussen. Após a corrida, o dinamarquês celebrou a sexta posição. Todavia, lamentou o infortúnio de Grosjean – assim como na prova de 2018, o francês abandonou em Melbourne por um problema de fixação da roda dianteira esquerda.

Além do sexto lugar, Magnussen foi o único piloto que não guia para uma das três grandes a não tomar volta em Melbourne

Magnussen foi o único piloto que não guia para uma das três grandes a não tomar volta em Melbourne

“Estou muito feliz hoje (domingo), foi um bom resultado. Estou obviamente triste pela equipe não ter os dois carros chegando ao final. Com certeza, Romain (Grosjean) teria ficado em uma boa posição também, especialmente depois que nós dois tivemos uma boa classificação ontem (sábado), então eu sinto por ele não conquistar nenhum ponto hoje (domingo). A sexta posição foi muito boa para mim. Eu fiz uma boa largada e tinha um carro muito bom. Fui capaz de forçar toda a corrida e cuidar dos meus pneus. Estou satisfeito por começar o ano assim”, resumiu Kevin, o ‘melhor do resto’ no GP da Austrália de 2019.

Com o sexto lugar, Kevin iniciou 2019 com 8 pontos na classificação do Mundial de Pilotos

Com o sexto lugar, Kevin iniciou 2019 com 8 pontos na classificação do Mundial de Pilotos

Publicado em Alexander Albon, Antonio Giovinazzi, Austrália, Carlos Sainz Jr., Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, Haas, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Lance Stroll, Lando Norris, McLaren, Melbourne, Nico Hulkenberg, Racing Point, Renault, Robert Kubica, Romain Grosjean, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

Abu Dhabi-2018: o ocaso de Alonso, 11º em Yas Marina

Fernando Alonso disputou sua 312ª e (provavelmente) última corrida em Yas Marina, palco do GP de Abu Dhabi

Fernando Alonso fez sua 312ª e (provavelmente) última prova em Yas Marina, no GP de Abu Dhabi

Sem o brilho de outrora, Fernando Alonso Díaz deu fim à sua laureada carreira na Fórmula 1 no último domingo em Yas Marina, palco do GP de Abu Dhabi de 2018. Assim como durante as últimas quatro temporadas na McLaren, o espanhol perambulou no meio do pelotão da categoria até a bandeira quadriculada. Apesar do esforço (algo que sempre lhe foi peculiar), Alonso terminou a corrida do Oriente Médio em 11º lugar. Fernando não pontuou, ficando a apenas um de atingir a marca de 1.900 pontos na categoria. O top 10 na despedida não veio. Entretanto, sua valentia e, sobretudo, seu comprometimento dentro de um cockpit, foram exibidos constantemente no circuito dos Emirados Árabes. De fato, o termo ‘combatividade’ se mistura ao nome do asturiano, que em 312 GPs disputados desde 2001, conquistou dois títulos mundiais (2005 e 2006), 32 vitórias, 97 pódios, 22 pole positions, 23 melhores voltas, 1.767 voltas lideradas e, acima de tudo, o respeito do mundo do esporte a motor mesmo nos piores resultados.

Alonso vivenciou um desfecho digno de sua trajetória na F1. Todas as homenagens do circo, diversas menções de adversários, fãs e personalidades. Tudo isso deixou transparecer um fato: Fernando saía do grid como um dos grandes da história da categoria no século 21. Ele não precisava fazer mais nada – seu legado já estava consolidado. Em Yas Marina, o espanhol tinha apenas uma pretensão: dar um basta às frustrações recentes na McLaren. Sair de Abu Dhabi era deixar o calvário que se tornou sua carreira na F1. Em que pesem as polêmicas em que se meteu com as equipes que defendeu durante sua trajetória na categoria, o castigo foi pago com juros e correção monetária em sua segunda passagem pelo time de Woking. Com a mente livre, o bicampeão foi à pista fazer o que melhor sabe: acelerar, ainda que um carro que não estivesse à altura de seu talento.

De 2015 a 2018, Alonso sofreu no cockpit da McLaren: despedida seria uma libertação do 'calvário'

De 2015 a 2018, Alonso sofreu no cockpit da McLaren: despedida seria uma libertação do ‘calvário’

Na sexta, dia dos primeiros treinos livres em Yas Marina, Alonso ficou com um modesto 13º lugar. O asturiano anotou 1m38s725, ficando 1s213 à frente de seu companheiro de McLaren, Stoffel Vandoorne. Assim como Fernando, o belga se despedia da McLaren para competir na Fórmula E na temporada 2018/19. Vandoorne fez 1m39s938, o que lhe rendeu a 18ª posição. A marca de Fernando foi 1s489 mais lenta que a obtida por Valtteri Bottas (Mercedes), o mais veloz da sexta no circuito do Oriente Médio – o finlandês alcançou 1m37s236 como melhor marca. Após as sessões livres, o bicampeão avaliou o desempenho do MCL33 e sacramentou: seria mais um fim de semana difícil para ele e para a McLaren.

“O primeiro treino livre não era muito representativo, então nos deu um pouco de tempo para experimentar algumas coisas para o conceito do próximo ano em termos de desenvolvimento de carros. No segundo, nos concentramos mais neste final de semana, testando dois tipos de pneus e obtendo algumas informações úteis. Estaremos mais preparados para amanhã (sábado) e veremos onde estamos. Se a pista estiver muito quente amanhã (sábado) para o terceiro treino livre, faremos mais alguns testes do ano que vem e esperamos reunir boas informações para a equipe. Este fim de semana vai ser difícil para nós. Nós precisamos ser realistas. Sexta-feira é normalmente um pouco melhor, pois as equipes estão escondendo o jogo. Por tudo isso, esperamos que a classificação seja muito difícil”, disse o espanhol.

Com a McLaren com detalhe das cores de seu capacete, Alonso conseguiu a proeza de avançar para o Q2 em Yas Marina

Com a McLaren com as cores de seu capacete, Alonso conseguiu avançar para o Q2 em Yas Marina

A preocupação de sexta se tornou realidade no sábado. O MCL33 ficou para trás no qualifying do GP de Abu Dhabi. O temor era que, em seu último quali na F1, Fernando fosse eliminado logo na primeira fase da sessão. Contudo, o espanhol salvou uma volta mágica e conseguiu um lugar no Q2. Entretanto, esse era o limite para o MCL33. Alonso ficou em 15º, com 1m37s743. A marca do asturiano foi 0s634 melhor que a obtida por Vandoorne, 18º com 1m38s577. Pela 21ª vez em 21 corridas da temporada 2018, o veterano largaria na frente do belga – uma marca para ser celebrada e exaltada. “Estou feliz com o meu ano perfeito em termos de classificação. Foi 21 a 0 com o mesmo carro, o que eu acho que ninguém fez antes. Estou feliz, pelo menos, com esse bom sabor”, disse. Em contrapartida, o bicampeão ficou 2s949 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP de Abu Dhabi com 1m34s794.

Após os treinos de Yas Marina, Alonso revelou ter sido surpreendido por ter conquistado um lugar na fase secundária do qualifying. “Não estávamos otimistas em relação às nossas chances de chegar ao Q2, já que não fomos muito competitivos em nenhuma das sessões neste fim de semana, então foi uma boa surpresa. Eu estava me esforçando bastante nessa volta de classificação – me senti bem. Começamos cinco posições longe dos pontos amanhã (domingo) e esperamos que possamos nos beneficiar de alguma ação à nossa frente. No ritmo puro, talvez não estejamos no top 10, mas quem sabe boas coisas não acontecem amanhã (domingo)?”, observou Fernando. Sobre a expectativa da última corrida na F1, o bicampeão foi enfático. “Do lado de fora do carro, muitas emoções e muitos bons toques aqui e ali. Quando eu colocar o capacete e entrar no carro, vou tratá-lo como a última vez, e vou tentar aproveitar e fazer o meu melhor”.

Largada do GP de Abu Dhabi de 2018: Alonso escapou de confusões e subiu para 14º

Largada do GP de Abu Dhabi de 2018: Alonso escapou de confusões e subiu para 14º

A corrida

Domingo, 25 de novembro de 2018. O Autódromo de Yas Marina, em Abu Dhabi, não seria palco de um pôr do sol. O circuito do Oriente Médio seria cenário do ocaso da brilhante carreira de Fernando Alonso. Alinhado em 15º lugar, o espanhol calçava pneus ultramacios no grid – os mais aderentes e menos duráveis do fim de semana. Com essa estratégia, o bicampeão esperava estender ao máximo sua permanência na pista, a fim de ganhar posições e beliscar algum ponto no fim do GP de Abu Dhabi. A largada também preocupava o asturiano – afinal, qualquer imprevisto poderia significar o fim precipitado de sua carreira na F1. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Alonso partiu de forma cautelosa. Tanto que, na curva 1, preferiu espalhar o carro para fora da pista a dividir com os adversários. Assim, perdeu uma posição para Pierre Gasly (Toro Rosso). Depois, ganhou uma de Kevin Magnussen (Haas).

Contudo, ainda na primeira volta, um toque entre Romain Grosjean (Haas) e Nico Hulkenberg (Renault) fez com que o alemão capotasse. Apesar da impressionante cena, Hulk nada sofreu. O safety car ingressou na pista para a retirada do Renault de Nico. Com o abandono de Hulkenberg, Alonso ocupava a 14ª posição ao fim da volta 1. Apenas na volta 5, a corrida foi retomada. Fernando se manteve em 14º até a volta 7, quando um problema elétrico deu fim à trajetória de Kimi Raikkonen (Ferrari) na Scuderia – em 2019, o finlandês ocupará o lugar de Charles Leclerc na Sauber. Com Raikkonen fora, o bicampeão assumiu a 13ª posição. Para a retirada da Ferrari, a direção de prova acionou o VSC – virtual safety car. Com isso, Charles Leclerc (Sauber) e Grosjean anteciparam suas paradas e foram aos boxes, fazendo com que Alonso ganhasse o 11º lugar.

Alonso, à frente de Grosjean: espanhol tentou estender sua permanência na pista

Alonso, à frente de Magnussen: espanhol estendeu sua permanência na pista para alcançar o top 10

A bandeira verde voltou a tremular em Yas Marina na volta 9. Em 11º, Fernando estava a 1s2 de Gasly, o 10º, e tinha 1s2 de vantagem sobre Leclerc, o 12º. O ritmo do espanhol da McLaren era parecido com o dos seus rivais. Dessa maneira, o asturiano só ganharia posições na base da tática de corrida. Enquanto tentava estender sua permanência na pista, Alonso via os adversários pararem nos boxes. Na volta 19, Esteban Ocon (Force India) fez seu pit stop. Com a parada do francês, o bicampeão ascendeu à zona de pontuação, figurando em 10º, a 1s8 de Gasly, o nono. Na volta 25, Marcus Ericsson (Sauber) sofreu com a perda de potência do motor Ferrari, o que o obrigou a abandonar. Assim como o espanhol, o sueco fazia sua despedida da F1 – seu lugar será ocupado pelo italiano Antonio Giovinazzi em 2019. Sem Ericsson, Alonso subiu para nono.

Todavia, o asturiano sofria com a pressão de Leclerc. Com pneus mais novos, o monegasco pressionava o piloto da McLaren. Na volta 26, Charles ultrapassou Fernando. Foi a deixa para que o time de Woking chamasse Alonso para sua única troca de pneus. Ao ingressar nos boxes, na volta 28, a equipe sacou os ultramacios e colocou os compostos supermacios. Foi o último pit stop do espanhol na F1. No retorno à pista, Fernando se viu na incômoda 17ª – e última – posição em Yas Marina. Na volta 32, Alonso ultrapassou Sergey Sirotkin (Williams) e assumiu a 16ª posição. Na 34, tomou o 15º lugar de Brendon Hartley (Toro Rosso). Com o pit stop de Stoffel Vandoorne (McLaren), na 36, o bicampeão passou a ocupar a 14ª colocação.

Estratégia da McLaren não surtiu efeito, e Alonso despencou na classificação

Estratégia da McLaren não surtiu efeito, e Alonso despencou na classificação

Depois da parada de Lance Stroll (Williams), na 41, o asturiano subiu para 13º. Mas ainda era pouco. Pontuar havia se tornado uma missão quase impossível. Para piorar, naquele instante, Alonso tomava uma volta de Lewis Hamilton (Mercedes), o líder da prova. Só com muita sorte o espanhol sairia de Yas Marina na zona de pontos. Na volta 44, Ocon abandonou com problemas no motor Mercedes da Force India. Foi a última prova do francês no time – em 2019, ele será piloto de testes da Mercedes. Duas voltas depois, Gasly também abandonou com falha de motor. Foi a última corrida do francês pela Toro Rosso – em 2019, Pierre estará na Red Bull. Sem os dois franceses, Fernando subiu para 11º.

A esperança voltou a tomar conta da McLaren. E o melhor: a diferença em relação a Magnussen, o 10º, começava a ser reduzida. Na volta 50, o engenheiro de Alonso avisou pelo rádio: “Fernando, há um ponto para alcançar, vamos para cima”. Prontamente – e bem ao seu estilo -, o bicampeão respondeu: “eu tenho 1.800 pontos”. Mas o engenheiro não se deu por vencido: “bem, por mim, faça 1.801”. Na verdade, Alonso somou 1.899 pontos na carreira. Se ultrapassasse Magnussen, alcançaria 1.900. O espanhol se esforçou. Porém, abusou. Por três voltas consecutivas, cortou a chicane da curva 8. Dessa forma, a direção de prova acabou punindo Fernando com 5s de acréscimo ao seu tempo de corrida. Era o fim da possibilidade de pontuar na despedida. Alonso teve que se conformar com a 11ª posição em sua derradeira apresentação na Fórmula 1.

Após a bandeirada, Hamilton e Vettel escoltaram Alonso. No fim, um show de 'zerinhos'

Após a bandeirada, Hamilton e Vettel escoltaram Alonso. No fim, um show de ‘zerinhos’

A vitória no GP de Abu Dhabi de 2018 ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 73º triunfo na carreira do britânico, que somou 11 vitórias e incríveis 408 pontos na temporada – recorde absoluto com esta regra de pontuação, vigente desde 2010. Sebastian Vettel (Ferrari) ficou em segundo, e Max Verstappen (Red Bull) completou o pódio. Distante do palco de cerimônia, Alonso foi surpreendido com a atitude dos dois primeiros colocados. Hamilton e Vettel, dois de seus principais rivais na Fórmula 1, fizeram questão de escoltar Fernando pela volta final em Yas Marina. Na reta dos boxes, os três fizeram ‘zerinhos’ (ou donuts) diante do público, para delírio do circo. Ali estavam 11 títulos mundiais de Fórmula 1. Ali, estava o trio que melhor resume a história da categoria no século 21.

Após deixar o carro, Hamilton abraçou Alonso e disse o que pensava sobre a despedida de seu ex-companheiro de equipe – ambos protagonizaram uma batalha homérica dentro da McLaren em 2007: “Fernando é uma verdadeira lenda. Foi um privilégio correr junto com ele. Me perguntaram durante todo o final de semana se sentirei falta dele. Não sinto que vou sentir falta de outro piloto, mas o esporte vai sentir sua falta e vou sentir falta dele no esporte”, observou Lewis. Já Vettel corroborou com as palavras do pentacampeão. “Fernando fez um bom trabalho. Vamos sentir falta dele”. O bicampeão devolveu a gentileza e agradeceu pelas palavras dos multicampeões: “Obrigado Lewis e Sebastian pela volta final juntos. Foi muito emocionante. Eu tenho muito respeito por eles, eles são grandes campeões e eu me sinto muito privilegiado por ter corrido com eles durante a maior parte da minha carreira”.

Hamilton, Vettel e Alonso: trio conquistou 11 dos 14 títulos mundiais disputados desde 2005

Hamilton, Vettel e Alonso: trio conquistou 11 dos 14 títulos mundiais disputados desde 2005

De pronto, ‘a ficha não caiu’ para Alonso sobre o que ele viveu no fim de semana em Yas Marina. “Foram dias muito intensos e bons. Acho que ainda preciso de alguns dias para assimilar tudo. Eu estava muito ocupado, focado no carro, e não tive tempo para pensar sobre o que estava acontecendo. Hoje (domingo) foi uma boa corrida, concentrando no gerenciamento de pneus, economia de combustível e luta por pontos até a última volta. Toda a minha carreira eu sempre lutei, às vezes em carros competitivos, às vezes não, mas nunca desisti. Estou orgulhoso do que conquistei e por ter corrido pelas melhores equipes do mundo. Obrigado aos meus fãs e a todas as pessoas que me seguiram nos últimos 18 anos. Senti muito apoio e respeito por mim e isso é algo que levo muito a sério. Eu me sinto honrado. Mas eu não vou parar de correr. Eu amo o automobilismo, então não desistam de mim”, concluiu o bicampeão.

Para o ex-parceiro Trulli, Alonso teve desfecho melancólico por conta de sua "personalidade forte"

Para o ex-parceiro Trulli, Alonso teve desfecho melancólico por conta de sua “personalidade forte”

Impressões

A retirada de Fernando Alonso da F1 rendeu diversos pontos de vista de personalidades que conviveram diretamente com o bicampeão. Companheiro do espanhol na Renault em 2003 e 2004, Jarno Trulli ressaltou que a personalidade forte de Alonso lhe trouxe muitos problemas no fim de sua trajetória na categoria. “Alonso foi um grande companheiro de equipe, mas ele tinha um caráter muito forte”, disse Trulli ao site Omnisport. “Na equipe, não foi fácil administrar, não apenas como piloto, mas como pessoa. Isso foi demonstrado durante sua carreira. Infelizmente, isso levou-o a uma situação em que ele não teve mais oportunidades, apesar de ser um dos melhores. Ele não tinha um carro competitivo para ficar na Fórmula 1, então ele foi obrigado a se aposentar, mesmo que esse tempo venha para todos”, analisou o italiano.

Alonso discordou da opinião de Trulli. Além disso, o asturiano refutou daqueles que afirmam que ele tomou más decisões no gerenciamento de sua carreira. “Max Verstappen é um grande talento, mas tem zero títulos. Daniel Ricciardo, zero título. Vettel com a Ferrari, zero título. Nico Hulkenberg, zero pódio. Mas ninguém diz que eles fizeram escolhas ruins na carreira”, declarou Fernando à RTBF. Para o italiano Flavio Briatore, que gerenciou a carreira do espanhol e chefiou Alonso nos áureos tempos da Renault, o problema de Fernando foi um só: “Ele teve quatro anos genuinamente frustrantes com uma performance ridícula da McLaren”. Na concepção de Briatore, se o bicampeão estivesse na Ferrari em 2018, ele alcançaria o título. “A Ferrari teria ganho o título com Fernando este ano, sem dúvida. Com Fernando, se ele tem um carro para ficar em terceiro, ele é o terceiro. Se ele tem um carro para ganhar, ele vence. E muitas vezes ele tem sido maior que o carro”.

O futuro de Alonso está longe da F1: objetivo é conquistar a Tríplice Coroa. Para isso, fará a Indy 500 em 2019

Objetivo principal de Alonso passa a ser conquistar a Tríplice Coroa. Para isso, só falta a Indy 500

Sobre o futuro, Alonso pouco falou. A princípio, fará a temporada da WEC e correrá as 24 Horas de Daytona e as 500 Milhas de Indianapolis de 2019. E depois? O bicampeão não descartou a possibilidade de um retorno à F1. “Agora eu não estou pensando em voltar, com certeza. Mas não sei como me sentirei no ano que vem. Acho que preciso do intervalo agora, 2019 preciso de desafios diferentes. Eu quero lutar pela Tríplice Coroa, a Indy 500 e outras corridas icônicas. Mas para 2020, talvez eu sinta a necessidade de fazer um calendário completo em algo: talvez Indy, talvez Fórmula 1, eu não sei. Talvez seja a hora de voltar ou talvez eu goste tanto no ano que vem que eu não voltarei”, observou o bicampeão. Segundo Briatore, Fernando tirará um ano sabático em 2019. Depois, observará o mercado para saber se retornará à F1 em 2020.

Independentemente de voltar à F1 ou não, o espanhol deixou sua marca na categoria. Que tenha sucesso nas pistas do mundo afora. Afinal, quem nasceu para ser “racer”, sempre será respeitado – dentro ou fora do ‘circo’.

"Gracias, Fernando"

“Gracias, Fernando”

Publicado em Abu Dhabi, Brendon Hartley, Charles Leclerc, Esteban Ocon, Fernando Alonso, Force India, Haas, Kevin Magnussen, Lance Stroll, Marcus Ericsson, McLaren, Nico Hulkenberg, Pierre Gasly, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Sergey Sirotkin, Stoffel Vandoorne, Toro Rosso, Williams, Yas Marina | Publicar um comentário

Brasil-2018: de olho na Ferrari, Leclerc é 7º em Interlagos

Charles Leclerc (Sauber) à frente de seu futuro companheiro, Sebastian Vettel (Ferrari): duelo à vista para 2019

Charles Leclerc (Sauber) à frente de seu futuro companheiro, Sebastian Vettel (Ferrari): 2019 à vista

Charles Leclerc entrou em contagem regressiva para sua transferência para a Ferrari em 2019. Ao desembarcar em Interlagos, palco do GP do Brasil de 2018, o piloto monegasco estava a duas corridas de encerrar o ciclo na Sauber e de iniciar o seu mais grandioso sonho: o de ser companheiro de Sebastian Vettel e ocupar a vaga de Kimi Raikkonen na Ferrari para a próxima temporada. Embora a ansiedade ocupe espaço no pensamento do jovem talento, Leclerc queria deixar a melhor impressão possível na Fórmula 1 antes de mergulhar definitivamente na vida vermelha. No circuito paulistano, Charles foi competitivo, combativo e seguro. No fim, foi premiado com um excelente sétimo lugar no Autódromo José Carlos Pace, com direito a um primeiro duelo com Vettel. É bem verdade que perdeu a disputa para Seb (o alemão terminou em sexto), mas apenas o fato de figurar à frente do ferrarista já foi sinal do que o piloto de 21 anos pode ser capaz diante do já consagrado tetracampeão.

Pela nona vez em 2018, Leclerc figurou na zona de pontuação. O sétimo lugar em Interlagos fez com que Charles superasse Pierre Gasly (Toro Rosso) na tábua do Mundial de Pilotos – o monegasco subiu para 14º na classificação, com 33 pontos, contra 29 do francês. Além disso, seu top 7 no Brasil ajudou a Sauber a se consolidar na oitava posição do Mundial de Construtores – a equipe foi para 42 pontos, contra 33 da Toro Rosso. O resultado obtido no autódromo de São Paulo foi construído desde o primeiro dia de treinos livres. Quando o C37 da Sauber foi para a pista, tanto Leclerc quanto seu companheiro de equipe, Marcus Ericsson, mostraram bom desempenho, colocando-se sempre entre os 10 primeiros colocados.

Na sexta, Leclerc andou no mesmo segundo de Valtteri Bottas (Mercedes), o melhor do dia

Leclerc foi o oitavo mais veloz da sexta: monegasco foi um dos oito pilotos a andar abaixo de 1m10s

Após os dois treinos livres, Charles levou a melhor sobre Marcus. O monegasco foi um dos oito pilotos a andar abaixo de 1m10s em Interlagos. Leclerc foi o oitavo mais veloz do dia, com 1m09s943, ficando a 1s097 de Valtteri Bottas (Mercedes), o mais rápido da sexta com 1m08s846. Por outro lado, foi 0s689 mais rápido do que Ericsson, 15º com 1m10s532. “Foi um dia positivo em geral. Fomos bastante fortes no nosso ritmo de qualificação e nos sentimos confiantes para amanhã (sábado). Teremos algum trabalho para determinar onde estamos em termos de ritmo de corrida em comparação com as outras equipes, mas tudo está correndo bem até agora. O tempo estava melhor do que o esperado, e nós reunimos uma grande quantidade de dados em condições secas, o que é positivo. Estou ansioso para ver o que podemos conseguir amanhã (sábado)”, analisou Charles.

No sábado, Leclerc queria mais. O Q3 parecia algo possível para os dois carros da Sauber. E foi: tanto Charles quanto Ericsson conseguiram alcançar o Q3 em Interlagos. Pela sétima vez no ano, o monegasco alcançou a fase final da qualificação – um feito enorme, em se tratando de um piloto do time suíço. Na sessão decisiva, porém, o clima instável foi ator principal. No fim, o sueco surpreendeu ao ser mais veloz do que o monegasco. Marcus anotou o sétimo tempo, com 1m08s296, ficando 0s196 à frente de Charles, oitavo com 1m08s492. A marca de Leclerc foi 1s211 mais lenta que a de Lewis Hamilton (Mercedes), pole com 1m07s281. Foi a 82ª pole da carreira do britânico, justamente em sua primeira corrida após conquistar o pentacampeonato da F1.

Após fazer um épico Q2, Charles acabou sendo superado por Ericsson no Q3: 7º lugar no grid

Charles acabou sendo superado por Ericsson no Q3 de Interlagos: 7º lugar no grid

Como Daniel Ricciardo (Red Bull) perdeu cinco posições no grid por colocar novos elementos em sua unidade de potência, Ericsson subiu para sexto – melhor posição de grid na carreira – e Leclerc, para sétimo. Apesar de ter sido superado por Marcus, Charles não estava chateado. Pelo contrário: o monegasco demonstrava satisfação com a performance do C37. “Que dia incrível para a equipe. Ser a melhor do resto na classificação, com ambos os carros tendo resultados tão fortes, é um feito incrível que deve deixar todos nós orgulhosos. Eu fiquei muito feliz com minha volta no final do Q2, e um pouco menos na Q3. Marcus (Ericsson) fez um trabalho incrível hoje (sábado), parabéns a ele”, afirmou Leclerc.

Largada do GP do Brasil de 2018: Leclerc superou Ericsson na freada do S do Senna e subiu para sexto

Largada do GP do Brasil de 2018: Leclerc superou Ericsson na freada do S do Senna e subiu para sexto

A corrida

Domingo, 11 de novembro de 2018. O Autódromo José Carlos Pace abria suas portas mais uma vez para a disputa do GP do Brasil. A tão propagada chuva não vingou em Interlagos. Dessa forma, os pilotos puderam se preocupar apenas em correr com a pista seca. Alinhado em sétimo no grid, Charles Leclerc calçava pneus supermacios – os menos duráveis disponíveis no fim de semana. Assim, o monegasco tentaria encaixar um stint longo com esses compostos, a fim de assegurar apenas uma parada nos boxes. Estratégia traçada, e os 20 pilotos foram para a largada da etapa brasileira. No apagar das luzes vermelhas, Leclerc saltou bem e superou Marcus Ericsson (Sauber) por fora na primeira perna do S do Senna, assumindo a sexta posição. Ao fim da volta 1, o monegasco estava atrás de pilotos das três principais escuderias da F1 – Mercedes (Lewis Hamilton e Valtteri Bottas), Ferrari (Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen) e Red Bull (Max Verstappen).

Sem poder desafiar os adversários à frente, Charles passou a administrar a sexta posição. Atrás dele, estava Romain Grosjean (Haas). Apesar do ímpeto, o francês não foi capaz de superar o monegasco. Na volta 4, Grosjean foi superado por Daniel Ricciardo (Red Bull), que largou em 11º e fazia prova de recuperação. Após superar o piloto da Haas, o foco do australiano se tornou Leclerc. Na volta 5, o jovem piloto da Sauber não resistiu ao poderio do rival da Red Bull, caindo para a sétima colocação. Assim, Charles voltou a ser perseguido de perto por Romain. Mesmo assim, o monegasco não se intimidou com a pressão do francês. Na volta 6, a vantagem sobre o piloto da Haas era de 0s9. Na 12, a diferença subiu para 2s3. Assim, a sétima posição estava conservada.

Leclerc conservou com maestria seu jogo de pneus supermacios, garantindo que fizesse apenas um pit stop em Interlagos

Leclerc conservou com maestria seus supermacios, garantindo que fizesse apenas um pit stop

O panorama começou a mudar em Interlagos com a abertura da janela de pit stop. Com problemas no gerenciamento dos pneus, a Mercedes foi a primeira a chamar seus pilotos. Na volta 19, Bottas foi para os boxes. Assim, Leclerc assumiu a sexta colocação. Na 20, Hamilton realizou seu pit. Dessa maneira, Charles ascendeu para o quinto posto. À frente do monegasco, apenas os pilotos de Ferrari e Red Bull. Em contrapartida, o jovem piloto da Sauber via Hamilton cresceu em seus retrovisores. Na volta 24, o pentacampeão superou Leclerc, que voltou para a sexta posição. Ali permaneceu até a volta 27 – na passagem seguinte, Vettel ingressou nos boxes. Assim, o piloto da Sauber retornou para a quinta colocação. Com a parada de Raikkonen na volta 30, Charles ascendeu para o quarto lugar. À frente dele, portanto, estavam somente Verstappen, Ricciardo e Hamilton.

Ao conservar os pneus supermacios, Leclerc subiu na classificação. A meta do time suíço de fazer a etapa de Interlagos com apenas uma troca já havia sido atingida. Na volta 34, Charles, enfim, foi para os boxes. No pit, a Sauber sacou os supermacios e colocou pneus médios. Era uma garantia de que o monegasco não pararia mais nos boxes. No retorno à pista, Leclerc estava em nono, colado em Sergio Pérez (Force India). Na 36, o monegasco supera o mexicano, tomando-lhe o oitavo lugar. Ali seguiu até a volta 42 – com o pit stop de Kevin Magnussen (Haas), Charles assumiu a sétima posição. Parecia a posição real para o piloto da Sauber, uma vez que estava atrás apenas das duplas de Red Bull, Ferrari e Mercedes. Por outro lado, tinha uma diferença segura para Grosjean, o oitavo – naquele momento, a vantagem girava na casa dos 6 segundos.

Após ser ultrapassado por Vettel, Leclerc administrou vantagem sobre Grosjean para ficar com o 7º lugar

Após ser superado por Vettel, Leclerc administrou vantagem sobre Grosjean para ficar com o 7º lugar

Entretanto, algumas equipes enfrentavam dificuldades com o asfalto quente de Interlagos. A Ferrari, por exemplo, chamou Vettel para uma segunda parada na volta 54. Com o novo pit stop do alemão, Leclerc assumiu a sexta colocação. Todavia, o piloto da Sauber teria que lidar com o ferrarista em seus calcanhares. Com equipamento superior, Sebastian colou em Charles. Embora tenha resistido ao ataque do futuro companheiro de equipe na volta 57, o monegasco não possuía carro para segurar o germânico, que o ultrapassou na volta 58. Sem ter como atacar Vettel, restou a Leclerc administrar a vantagem sobre Grosjean para assegurar a sétima posição em Interlagos.

A vitória no GP do Brasil de 2018 ficou com Hamilton. O 72º triunfo do britânico caiu em seu colo. Explica-se: então líder da prova, Verstappen se envolveu em um acidente com o retardatário Esteban Ocon (Force India). Max rodou e voltou à pista em segundo. Raikkonen completou o pódio. Já nos boxes da Sauber, o clima era festivo, uma vez que Charles comemorava seis importantes pontos para a equipe. “Estou muito feliz com a corrida. Terminar em 7º lugar é um resultado positivo com o qual podemos estar satisfeitos. Foi divertido pilotar nesta pista e adicionar mais pontos à nossa conta para solidificar a nossa oitava posição no Campeonato de Construtores. Trata-se de um sentimento positivo para toda a equipe. Estou ansioso para ver o que podemos fazer em Abu Dhabi”, analisou o monegasco após a etapa.

Leclerc conversa com Barrichello no grid de Interlagos: duas gerações de pilotos da Ferrari

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Publicado em Brasil, Charles Leclerc, Esteban Ocon, Force India, Haas, Interlagos, Kevin Magnussen, Marcus Ericsson, Pierre Gasly, Romain Grosjean, Rubens Barrichello, Sauber, Sergio Pérez, Toro Rosso | Publicar um comentário