Lançamento online – Livro “Contos Velozes”

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É com muita satisfação que o Contos da Fórmula 1 anuncia o início da venda online do livro “Contos Velozes”. Produzido por meio de uma parceria entre o jornalista Douglas Willians (autor deste blog) e o designer Bruno Mantovani, dos célebres Pilotoons, o livro “Contos Velozes” traz histórias emblemáticas da Fórmula 1. Com formato leve e linguagem direta, tem enfoque no público infanto-juvenil – mas é leitura para todas as idades.

A publicação acaba de sair do forno. Com 60 páginas, a obra reúne 13 das histórias relatadas neste blog. Organizada em ordem cronológica, o livro busca abraçar a Fórmula 1 desde o seu início, na década de 1950 (com Chico Landi), até os dias atuais (com Max Verstappen).

O valor da publicação é de R$ 50,00 (com frete incluso – postagem via Correios). Se tiver interesse em adquirir o livro, entre em contato conosco por meio das nossas redes sociais – Facebook, Twitter ou Instagram – ou pelo e-mail douglas.willians@gmail.com.

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Singapura-2019: melhor do resto, Norris obtém bom 7º lugar

Lando Norris (McLaren) conquistou seis importantes pontos no GP de Singapura de 2019, em Marina Bay

Lando Norris (McLaren) conquistou seis importantes pontos no Circuito Urbano de Marina Bay

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Derrotar adversários com equipamentos semelhantes sempre é um feito a ser comemorado. Para se ter uma ideia do equilíbrio do pelotão intermediário, após 14 provas do Mundial de 2019, nove pilotos estavam separados por 16 pontos – Daniel Ricciardo (Renault), oitavo do campeonato, somava 34 pontos, enquanto Kevin Magnussen (Haas), 16º, tinha 18. No GP de Singapura, disputado no dia 22 de setembro, em Marina Bay, quem sobressaiu na “turma do resto” foi Lando Norris (McLaren). O britânico exibiu a consistência necessária para superar seus rivais e terminar a corrida na sétima colocação. Um resultado louvável, principalmente por ter sido obtido em um circuito em que as vantagens são facilmente perdidas devido a costumeira entrada do safety car durante as provas.

O resultado de Marina Bay também encheu Norris de ânimo para a parte final da temporada. Após conquistar o sexto lugar no GP do Bahrein, em Sakhir, o jovem piloto acabou tendo resultados piores do que seu companheiro de McLaren, Carlos Sainz Jr.. A dupla desembarcou em Singapura em situações diferentes no campeonato. Sainz estava em sétimo no Mundial, com 58 pontos, enquanto Lando era apenas o 14º, com 25. O inglês queria reagir na classificação conquistando um bom resultado em Marina Bay. E, para isso, sabia que derrotar Carlos era meio caminho andado para atingir essa meta.

Lando e Carlos Sainz Jr. em Marina Bay: calouro tentava alcançar o ritmo do espanhol nos treinos, mas sem sucesso

Lando e Carlos Sainz: meta do britânico era alcançar o ritmo do espanhol nos treinos em Marina Bay

Mas a tarefa não era fácil para Lando. No primeiro treino livre, na sexta-feira, o inglês anotou 1m42s180, conquistando a oitava melhor marca. Porém, ele viu Sainz imediatamente à sua frente – o espanhol marcou 1m41s966 e ficou em sétimo. A liderança da sessão ficou com Max Verstappen (Red Bull), que fez 1m40s259, contra 1m40s426 de Sebastian Vettel (Ferrari), o segundo colocado. As duas Mercedes vieram em seguida, com Lewis Hamilton e Valtteri Bottas, e Alexander Albon (Red Bull) e Nico Hulkenberg (Renault) completaram o top 6.

No segundo treino livre, Norris ficou novamente atrás de Sainz. O britânico terminou em nono, com 1m40s361, mas Carlos fechou a sessão em sétimo, com 1m40s145. Hamilton foi o mais veloz com 1m38s773, contra 1m38s957 de Verstappen. Vettel terminou em terceiro, seguido de Bottas, Albon e Leclerc.

Norris, atrás de Sainz: novato foi o 10º mais veloz do qualifying, mas herdou nono lugar no grid

Norris, atrás de Sainz: novato foi o 10º mais veloz do qualifying, mas herdou nono lugar no grid

Sábado, dia da definição do grid de largada para o GP de Singapura, Norris traçou duas metas: avançar para o Q3 e enfim ficar à frente de Sainz. Entretanto, na disputa interna da McLaren, Carlos voltou a superar Lando. O espanhol cravou o sétimo tempo, com 1m37s818. Já Lando fez a 10ª marca (1m38s329), mas como Ricciardo foi desclassificado do treino por ter excedido o limite de potência permitido no sistema de recuperação de energia do motor, o inglês herdou a nona posição no grid. Apesar disso, o resultado não deixou o britânico da McLaren feliz. “Tem muitas curvas onde tudo pode desandar, o que eu demonstrei no Q3”, lamentou. Norris ainda postou no Twitter o descontentamento com seu desempenho. “Q1 foi bom, Q2 foi melhor e então, no Q3, eu fui um idiota. Cometi alguns erros estúpidos e depois forcei demais para recompensar o tempo perdido, o que fez tudo ficar ainda pior”.

A pole position do GP de Singapura de 2019 ficou com Charles Leclerc (Ferrari). O monegasco superou os rivais de Mercedes e Red Bull no qualifying com o tempo de 1m36s217. O segundo lugar ficou com Hamilton (1m36s408), enquanto Vettel teve que se conformar com a terceira posição (1m36s437).

Largada do GP de Singapura de 2019, em Marina Bay: Norris completou a volta 1 em sétimo

Largada do GP de Singapura de 2019, em Marina Bay: Norris completou a volta 1 em sétimo

A corrida

Saindo na nona posição em Marina Bay, Lando Norris sabia que precisaria fazer uma boa largada para conquistar um bom resultado na corrida de Singapura. Concentrado, o jovem britânico da McLaren se sustentou à frente de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e Kevin Magnussen (Haas). Depois, Norris contou com o incidente que envolveu Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Nico Hulkenberg (Renault) para assumir o sétimo lugar. Se por um lado não conseguia acompanhar o ritmo dos pilotos das três principais equipes de 2019 – Ferrari, Mercedes e Red Bull – nas primeiras voltas, por outro o inglês da McLaren colocava uma vantagem de quase três segundos sobre Giovinazzi.

Na frente, os seis primeiros colocados – pela ordem, Charles Leclerc (Ferrari), Lewis Hamilton (Mercedes), Sebastian Vettel (Ferrari), Max Verstappen (Red Bull), Valtteri Bottas (Mercedes) e Alexander Albon (Red Bull) – estavam separados um do outro por 1 segundo ou menos. Dessa maneira, a estratégia de pit stop de cada equipe seria decisiva para o desfecho da corrida. Vettel e Verstappen foram os primeiros do grupo a parar, na volta 19, com Leclerc, Albon e Norris ingressando nos boxes na volta seguinte. As Mercedes pararam mais tarde, com Bottas fazendo sua parada na volta 22 e Hamilton apenas na 26, apesar de ter sido chamado para entrar nos boxes na volta 21.

Em sétimo, Norris logo se impôs diante de Giovinazzi e se consolidou em sétimo

Em sétimo, Norris logo se impôs diante de Giovinazzi e se consolidou em sétimo

Após a janela de paradas, Vettel acabou assumindo a liderança do GP de Singapura, seguido por Leclerc, Verstappen, Hamilton, Bottas e Albon. Norris acabou caindo para oitavo, mas conseguiu recuperar o sétimo lugar após o segundo pit stop de Hulkenberg, na volta 36 – o alemão aproveitou a entrada do safety car para a retirada do carro de George Russell (Williams), que foi tocado por Romain Grosjean (Haas) e acabou no muro.

Mesmo com o safety car, os sete primeiros colocados resolveram não arriscar perderem suas posições e decidiram não fazer mais uma parada, mesmo faltando 25 voltas para o fim. Na relargada, Vettel continuou na liderança, seguido de Leclerc, Verstappen, Hamilton, Bottas, Albon e Norris.

Lando chegou a ser pressionado por Pierre Gasly (Toro Rosso), mas garantiu o top 7

Lando chegou a ser pressionado por Pierre Gasly (Toro Rosso), mas garantiu o top 7

Na volta 43, Sergio Pérez (Racing Point) teve problemas no carro e teve que abandonar, provocando mais um safety car. Na volta 50, apenas duas voltas depois do reinício da corrida, Daniil Kvyat (Toro Rosso) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) se tocaram, com o finlandês sendo obrigado a abandonar com a suspensão quebrada. O incidente causou o terceiro safety car da corrida. Após a nova relargada, na volta 52, Norris passou a ser atacado por Pierre Gasly (Toro Rosso), que tinha pneus mais novos. O francês se manteve a menos de um segundo de Lando nas voltas finais, mas não conseguiu superar o piloto da McLaren, que recebeu a bandeirada na sétima posição.

“Eu não acho que poderia ter feito melhor do que o sétimo lugar. É uma pena que o Carlos (Sainz) foi tocado pelo (Nico) Hulkenberg no começo, porque eu acredito que nós dois poderíamos estar nos pontos hoje (domingo). Ao mesmo tempo, do meu lado, foi uma corrida difícil, especialmente nas 10, 15 voltas finais, nas quais eu estava sob um pouco de pressão de (Pierre) Gasly. Eu tive que andar rápido, o que foi divertido, porque durante a corrida, eu estive num ritmo lento”, declarou Lando após o GP de Singapura.

Com o resultado de Marina Bay, Norris passou a somar 31 pontos no Mundial

Com o sétimo lugar, Norris passou a somar 31 pontos no Mundial – mesmo número de Raikkonen

No fim, Vettel venceu em Marina Bay. Foi a primeira vitória do alemão em 2019 – a 53ª de sua carreira -, com um insatisfeito Leclerc em segundo e Verstappen completando o
pódio. Com o resultado, Hamilton continuou na liderança do campeonato, com 296 pontos. Bottas seguiu em segundo, com 231, e Verstappen em terceiro, com 200. Com o sétimo lugar no GP de Singapura, Lando passou a ocupar a 12ª colocação do Mundial, com 31 pontos – o mesmo número de pontos de Raikkonen, o 11º, e a apenas três pontos de Daniel Ricciardo (Renault), o nono.

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade’”.
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E-mail: denisevilche@gmail.com

(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Publicado em Alfa Romeo, Antonio Giovinazzi, Carlos Sainz Jr., Cingapura, Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, George Russell, Haas, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Lando Norris, Marina Bay, McLaren, Nico Hulkenberg, Pierre Gasly, Racing Point, Renault, Romain Grosjean, Sergio Pérez, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

Hungria-2019: Sainz doma Red Bull de Gasly e celebra 5º lugar

Carlos Sainz Jr. segurou Gasly por mais da metade do GP da Hungria: esforço rendeu novo top 5

Carlos Sainz Jr. segurou Gasly por mais da metade do GP da Hungria: esforço rendeu novo top 5

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Carlos Sainz Jr. (McLaren) comemorou com entusiasmo a quinta posição no GP da Hungria, realizado no dia 4 de agosto de 2019, em Hungaroring. O espanhol já tinha conquistado um quinto lugar na etapa anterior – no GP da Alemanha, em Hockenheim-, mas o resultado da etapa húngara teve um gostinho mais especial. Se levarmos em conta que Mercedes, Ferrari e Red Bull dominavam as seis primeiras posições do grid, conseguir segurar a Red Bull de Pierre Gasly e terminar no top 5 foi como uma vitória para Sainz. E, também, uma mostra da melhora da McLaren durante o ano, ainda mais em um circuito que não favorecia a equipe britânica.

Quando desembarcou em Hungaroring, Carlos ocupava um convincente sétimo lugar no Mundial de Pilotos, com 48 pontos. O madrileno tinha 26 a mais do que seu companheiro de McLaren, Lando Norris – o britânico somava 22 pontos. Mas a briga de Sainz no campeonato não era contra Norris. Seu olhar era para o alto: ele estava a apenas sete pontos de Gasly, que fazia uma temporada abaixo das expectativas no cockpit da Red Bull – com 55 pontos, o francês era o sexto no Mundial.

Na sexta, Sainz desafiou a pista molhada de Hungaroring

Na sexta, Sainz desafiou a pista molhada durante o segundo treino livre de Hungaroring: 14º tempo

Na sexta-feira, a McLaren queria fazer valer a condição de quarta força do Mundial. No fim do primeiro treino livre em Hungaroring, a equipe laranja colocou seus pilotos entre os 10 primeiros: Norris ficou em oitavo, com 1m18s531, contra 1m18s702 de Sainz, nono colocado na sessão. Lewis Hamilton (Mercedes) foi o mais rápido, com 1m17s233, seguido por Max Verstappen (Red Bull), que anotou 1m17s398. Atrás do britânico da Mercedes e do holandês da Red Bull, vieram Sebastian Vettel (Ferrari), Pierre Gasly (Red Bull), Kevin Magnussen (Haas), Charles Leclerc (Ferrari) e Nico Hulkenberg (Renault), mostrando que as forças estavam equilibradas na pista húngara.

No segundo treino livre, a chuva acabou sendo fator determinante para o resultado final. Ela até ameaçou dar uma trégua, mas depois voltou a cair forte, impedindo os pilotos de melhorar seus tempos. Quando a pista ainda não estava tão molhada, a Red Bull foi para a pista e assegurou os melhores tempos: Gasly anotou 1m17s854 e foi o mais veloz, seguido por Verstappen, com 1m17s909. As Mercedes de Hamilton e Bottas vieram depois, em terceiro e quarto, respectivamente. Sainz ainda tentou dar uma volta com os pneus para pista seca. Porém, terminou apenas em 14º, com 1m19s398, ficando quatro posições à frente de Norris, que foi 18º, com 1m20s401.

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu superar Norris no Q3: diferença foi de 0s052

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu superar Norris no Q3: diferença foi de 0s052

No sábado, a expectativa era positiva para o qualifying nos boxes da McLaren. Tanto Sainz quanto Norris estavam otimistas em colocar o time de Woking no Q3 de Hungaroring. A dupla foi para a pista e deu conta do recado: Norris fez um ótimo sétimo tempo, com 1m15s800, batendo Sainz por 0s052 – Carlos fez 1m15s852 e teve que se conformar com a oitava posição no grid. O espanhol, no entanto, comemorou o resultado. “Hoje (sábado) foi um dia positivo para a equipe. Chegando para o fim de semana, nós não tínhamos certeza sobre o desempenho do carro nesta pista, mas nós conseguimos tomar as decisões certas com o acerto do carro e colocamos os dois carros no Q3 num circuito difícil”, declarou. 

Já na disputa pela pole position do GP da Hungria, Verstappen desencantou e anotou a sua primeira pole na Fórmula 1. Max se tornou o primeiro holandês a conseguir tal feito. Além disso, foi o 100º piloto a conquistar uma pole na categoria. Na fase decisiva do treino, o piloto da Red Bull fez 1m14s572 e superou Bottas por 0s012 – o finlandês anotou 1m14s584. Hamilton ficou em terceiro, seguido por Leclerc e Vettel.

Largada frenética do GP da Hungria de 2019: Sainz saltou de oitavo para sexto

Largada frenética do GP da Hungria de 2019: Sainz saltou de oitavo para sexto

A corrida

Ocupando a quarta fila do GP da Hungria de 2019, Lando Norris e Carlos Sainz Jr. almejavam fazer uma boa largada em Hungaroring para se consolidar a McLaren na luta pelos pontos. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o espanhol se aproveitou da péssima saída de Pierre Gasly (Red Bull). Além disso, ganhou a posição de Norris, saltando do oitavo para o sexto lugar. O britânico também superou Gasly, se mantendo na sétima colocação. Na frente, Max Verstappen (Red Bull), Lewis Hamilton (Mercedes) e Valtteri Bottas (Mercedes) ficaram lado a lado na primeira curva, com o holandês, que estava pelo lado de dentro, conservando a primeira posição. Hamilton ganhou a segunda posição, enquanto Bottas ainda perderia a terceira colocação para Charles Leclerc (Ferrari) durante a primeira volta.

Com a asa dianteira quebrada na disputa com Leclerc, Bottas teve que parar nos boxes na quinta volta e Sainz acabou herdando o quinto lugar. Já Valtteri voltou na última colocação e precisou escalar o pelotão para retornar às primeiras posições. O que o finlandês não esperava era encontrar uma disputa acirrada com Daniel Ricciardo (Renault). Outra disputa acirrada aconteceu na volta 18, entre os dois carros da Toro Rosso. Por cinco curvas, Alexander Albon e Daniil Kvyat andaram lado a lado. No fim, o anglo-tailandês escapou da pista e perdeu a 12ª posição para o russo.

Problema de Bottas fez com que Sainz herdasse a quinta posição: desempenho convincente

Problema de Bottas fez com que Sainz herdasse a quinta posição: desempenho convincente

Na frente, Verstappen continuava na liderança, seguido por Hamilton, Leclerc, Vettel e Sainz. Naquele momento, Max passava a reclamar da falta de aderência nos pneus, mas a Red Bull precisava que o holandês continuasse na pista para não perder a posição para Hamilton nos boxes. O britânico da Mercedes, ao contrário, dizia que os pneus ainda estavam bons e podia se manter na pista por mais tempo. Na volta 24, a diferença entre os dois primeiros colocados era de cerca de um segundo. Na 25, Verstappen fez sua parada e conseguiu voltar em segundo, à frente de Leclerc. Na 30, Sainz realizou seu único pit stop programado, voltando à pista em quinto – mas com Gasly em seus calcanhares.

Naquele instante, todos os olhos se voltaram para Hamilton, que precisava abrir uma vantagem suficiente para voltar à frente de Verstappen. Na volta 31, Lewis fez sua parada, mas um problema durante o pit stop fez com que voltasse na segunda colocação. Com pneus mais novos, o britânico da Mercedes logo diminuiu a diferença entre ele e Verstappen para menos de um segundo. Na volta 39, Hamilton e Verstappen chegaram para aplicar uma volta em Ricciardo. Lewis se aproveitou do momento para tentar superar Max. O duelo foi eletrizante: os dois ficaram se revezando na liderança por algumas curvas, até que Hamilton acabou saindo da pista e deixando Verstappen abrir um pouco de vantagem na frente.

O quinto lugar de Hungaroring foi o segundo consecutivo de Sainz: ele havia sido quinto em Hockenheim

O quinto lugar de Hungaroring foi o segundo consecutivo de Sainz: ele havia sido P5 em Hockenheim

Na volta 48, Lewis fez mais uma parada, voltando mais de 21 segundos atrás da Max. A mudança de estratégia da Mercedes foi precisa. Com pneus mais novos, Hamilton começou a diminuir a diferença e, com cinco voltas para o fim, o britânico estava a menos de dois segundos de Verstappen. Na volta seguinte, a diferença caiu para menos de meio segundo. Quando os dois abriram a volta 67, Hamilton aproveitou a reta para fazer a ultrapassagem sobre Verstappen e assumir a liderança. Com bastante vantagem sobre Leclerc e Vettel, Max acabou parando nos boxes logo em seguida. Aliás, o duelo interno da Ferrari foi decidido na base da estratégia. Com pneus mais novos, Vettel conseguiu se aproximar de Leclerc e, com duas voltas para o fim, ultrapassou o monegasco e assumiu o terceiro lugar.

Com 18 segundos de vantagem, Hamilton cruzou a linha de chegada e venceu o GP da Hungria pela sétima vez em sua carreira. Verstappen chegou em segundo e Vettel completou o pódio. Sainz, por sua vez, segurou a pressão de Gasly por mais da metade da corrida de Hungaroring e garantiu mais um top 5. “Meu segundo quinto lugar consecutivo, o que eu acho que nunca consegui na minha vida, por isso eu estou muito feliz, especialmente com esse. Eu não sei porquê, mas a sensação é melhor do que quando eu consegui em Hockenheim”, disse Carlos após a etapa, declarando que ter segurado Gasly por tanto tempo e ainda ter terminado na frente da Mercedes de Bottas fez o resultado ser mais especial.

Com o resultado de Hungaroring, Sainz reduziu para cinco a diferença entre ele e Gasly no duelo pelo 6º lugar do Mundial

Sainz reduziu para cinco pontos a diferença entre ele e Gasly no duelo pelo 6º lugar do Mundial

E o melhor: além de se consolidar em sétimo no Mundial, com 58 pontos, Sainz conseguiu diminuir a diferença em relação a Gasly – com a sexta posição, o francês passou a somar 63 pontos no Mundial, apenas cinco à frente do espanhol da McLaren.

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade’”.
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Alemanha-2019: Kvyat sobe ao pódio em “corrida maluca”

Daniil Kvyat surpreendeu ao conquistar o 3º lugar em Hockenheim: 1º pódio da Toro Rosso em 11 anos

Kvyat surpreendeu ao conquistar o 3º lugar em Hockenheim: 1º pódio da Toro Rosso em 11 anos

Por Denise Vilche*
Colaboradora

“Uma montanha-russa, parecida com a minha carreira”. Foi assim como Daniil Kvyat (Toro Rosso) definiu o GP da Alemanha, disputado no circuito de Hockenheim no dia 28 de julho de 2019. Numa corrida marcada por inúmeros acidentes, Kvyat se aproveitou da estratégia e conseguiu o terceiro lugar na prova germânica. Foi o seu terceiro pódio na Fórmula 1 e o quarto de um russo na categoria (o primeiro top 3 da Rússia foi de Vitaly Petrov, no GP da Austrália em 2011).

Apesar desse histórico de pódios, a trajetória de Kvyat na F1 foi cheia de altos e baixos. Depois de estrear na Toro Rosso em 2014, Daniil conseguiu a promoção para a Red Bull em 2015. Em 2016, depois de acidentes em corridas, ele foi substituído por Max Verstappen na Espanha, voltando a correr pela Toro Rosso. No ano seguinte, o piloto novamente foi sacado, mas, desta vez, ficou sem lugar na equipe de Faenza – que não renovou seu contrato para 2018. Para piorar, Kvyat ainda foi cortado do programa de pilotos da Red Bull.

Após idas e vindas, Kvyat retornou ao cockpit da Toro Rosso em 2019:

Após idas e vindas, Kvyat retornou ao cockpit da Toro Rosso em 2019. Meta: aproveitar a nova chance

Depois de passar um ano como piloto de desenvolvimento da Ferrari, ele ganhou uma nova oportunidade em 2019. Mais uma vez, na Toro Rosso, após a Red Bull ficar sem opções para preencher todas as suas vagas. Seu companheiro de equipe seria Alexander Albon, chamado às pressas para a outra vaga no time. Apesar de conseguir a vaga, Kvyat ainda precisava mostrar que merecia essa terceira chance. Por isso, o pódio na Alemanha não podia ter vindo em melhor hora.

Kvyat desembarcou em Hockenheim trazendo na bagagem um satisfatório nono lugar no GP da Inglaterra, em Silverstone. Ele chegava na Alemanha no 14º lugar do Mundial, com 12 pontos, cinco a mais do que Albon, o 15º, e cinco a menos do que Nico Hulkenberg (Renault), o 11º, mostrando quão acirrada estava a disputa na zona intermediária da tabela.

Kvyat travou um duelo particular contra Albon em Hockenheim: russo levou a melhor sobre o tailandês

Kvyat travou um duelo particular contra Albon em Hockenheim: russo levou a melhor sobre o tailandês

E acirrada estava também a disputa pela primazia na Toro Rosso. No primeiro treino livre no circuito alemão, na sexta-feira, Kvyat saiu na frente de Albon por apenas 0s001. Isso mesmo: 1 milésimo. O russo terminou em 14º, com 1m15s776, enquanto o anglo-tailandês fez 1m15s777. Na frente, a Ferrari, usando os pneus macios, fez dobradinha, com Sebastian Vettel marcando o melhor tempo, com 1m14s013, seguido por Charles Leclerc, com 1m14s268. Lewis Hamilton (Mercedes) optou pelos pneus médios, anotando o terceiro tempo (1m14s315).

No segundo treino livre, Kvyat conseguiu melhorar sua posição e terminou a sessão em 12º, com o tempo de 1m14s800, duas posições à frente de Albon. Já a Ferrari novamente voltou a dominar: Leclerc marcou o melhor tempo, com 1m13s449, contra 1m13s537 de Vettel. As duas Mercedes ficaram logo atrás, com Hamilton em terceiro e Bottas em quarto.

Daniil assegurou um modesto 14º lugar no grid de Hockenheim. Ainda assim, à frente de Albon

Daniil assegurou um modesto 14º lugar no grid de Hockenheim. Ainda assim, à frente de Albon

No sábado, a ambição da dupla da Toro Rosso era de avançar para o Q3. Entretanto, o qualifying de Hockenheim foi difícil para Kvyat e Albon. Daniil só conseguiu o 14º lugar, com 1m13s135. Albon sequer passou para o Q2 – terminou em 17º. Entre os primeiros, a Ferrari foi a decepção. Vettel teve problemas em seu carro e nem participou da sessão. Leclerc conseguiu chegar no Q3, mas um problema no sistema de combustível o impediu de participar da fase decisiva do treino. Melhor para Hamilton, que, com 1m11s767, assegurou mais uma pole. Max Verstappen (Red Bull) ficou em segundo (1m12s113) e Valtteri Bottas (Mercedes) em terceiro (1m12s129).

Largada do GP da Alemanha de 2019, em Hockenheim: Kvyat foi cauteloso no início

Largada do GP da Alemanha de 2019, em Hockenheim: Kvyat foi cauteloso no início

A corrida

A forte chuva que caía sobre Hockenheim minutos antes da largada fez com que o safety car fosse para a pista liderar o pelotão. Depois de várias voltas, finalmente os carros alinharam no grid para o início do GP da Alemanha. Lewis Hamilton (Mercedes) se manteve na liderança. Já Max Verstappen (Red Bull) largou mal e perdeu posições para Valtteri Bottas (Mercedes) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo). Kvyat também não fez uma boa largada e acabou caindo para o 17º lugar.

Na segunda volta, Verstappen ultrapassou Raikkonen e assumiu o terceiro lugar, enquanto Sebastian Vettel (Ferrari), que havia largado em último, já era o 12º colocado. Naquele momento, Sergio Perez (Racing Point) rodou e forçou a entrada do safety car. Grande parte dos pilotos aproveitaram para fazer o primeiro pit stop – entre eles, Kvyat. Depois da parada, o russo acabou caindo para a 19ª e última posição.

Boa estratégia da Toro Rosso ajudou Kvyat a escalar posições na classificação de Hockenheim

Boa estratégia da Toro Rosso ajudou Kvyat a escalar posições na classificação de Hockenheim

Daniil começou a ascender na classificação depois das paradas dos pilotos que ainda não haviam trocado os pneus de chuva pelos intermediários. Na nona volta, o piloto da Toro Rosso já estava na 13ª colocação, brigando com Daniel Ricciardo (Renault), que estava na frente, e Pierre Gasly (Red Bull), que vinha atrás. No final da 14ª volta, Gasly conseguiu ultrapassar Kvyat, mas os dois pilotos acabaram ganhando a posição de Ricciardo, que teve problemas no motor e acabou abandonando a prova.

Na volta 23, os pilotos começaram a trocar os pneus intermediários para os de pista seca, apesar da leve chuva que caía em Hockenheim. Kevin Magnussen (Haas) foi o primeiro a se aventurar, seguido de Vettel e Verstappen. Na volta 27, Lando Norris perdeu a potência de sua McLaren e provocou mais um safety car virtual. Charles Leclerc (Ferrari) aproveitou o incidente para parar pela terceira vez, seguido de Hamilton. A expectativa era para a disputa pela liderança entre os dois pilotos, mas Leclerc acabou perdendo o controle do carro na volta 29 e, preso na brita, causou a entrada no safety car.

Russo escalou diversas vezes o pelotão durante o GP da Alemanha: prova foi verdadeira loteria

Daniil escalou diversas vezes o pelotão durante o GP da Alemanha: prova foi verdadeira loteria

Sob bandeira amarela, muitos pilotos pararam para colocar novos pneus intermediários. Na sequência, foi a vez de Hamilton perder o controle do carro e danificar sua asa dianteira. O piloto da Mercedes teve que cortar caminho para entrar nos boxes. Os mecânicos, no entanto, não estavam preparados para receber o inglês e o que se viu no box da Mercedes foi digno de uma comédia pastelão, com mecânicos correndo desesperados para todos os lados e Lewis assistindo sua parada durar 50s3. Sem querer correr riscos com os pneus de pista seca, a Mercedes chamou Bottas para os boxes, dando a liderança para Verstappen. Nico Hulkenberg (Renault) assumiu o segundo lugar, com Bottas voltando em terceiro. Hamilton, apesar da parada longa, conseguiu voltar em quinto, enquanto Kvyat era o 11º.

Quando a corrida reiniciou, na volta 34, Verstappen se manteve na frente, seguido de Hulkenberg e Bottas. Hamilton, que estava em quinto, foi punido com 5s por ter cortado caminho ao entrar nos boxes quando quebrou sua asa. Ele ainda passou a ser investigado por andar excessivamente lento quando o safety car foi acionado. Na frente, Bottas ultrapassou Hulkenberg para assumir o segundo lugar. Logo em seguida, o piloto da Renault foi ultrapassado por Hamilton. Para piorar a situação em sua corrida em casa, o alemão perdeu o controle do carro na volta 40 e teve que abandonar a corrida.

Kvyat entre os primeiros em Hockenheim: cenário inimaginável antes do GP da Alemanha

Kvyat entre os primeiros em Hockenheim: cenário inimaginável antes do GP da Alemanha

Para retirar a Renault com segurança, o safety car foi novamente acionado e Verstappen aproveitou e fez sua quarta parada, voltando ainda na liderança. Enquanto isso, Kvyat ia lentamente ganhando posições, assumindo o nono lugar ainda faltando 22 voltas para o fim. Quando a corrida recomeçou, com 19 voltas para o fim, Verstappen liderava, com Bottas em segundo. Na briga pelo terceiro lugar, Alexander Albon (Toro Rosso), Hamilton, Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Gasly protagonizaram uma acirrada disputa, com Sainz quase tomando o lugar de Hamilton. No final, Lewis ficou com o lugar, seguido de Sainz e Gasly. Albon acabou saindo da pista e perdendo duas posições.

Com a pista mais seca e sem previsão de mais chuva, os pilotos começaram a parar para trocar os pneus intermediários pelos de pista seca e um dos primeiros a usar essa estratégia foi Kvyat, que caiu para o 14º lugar. A estratégia de parar antes dos demais começou a funcionar nas voltas seguintes, quando todos os pilotos começaram a parar, fazendo com que o russo ganhasse muitas posições, subindo para terceiro lugar, atrás de Lance Stroll (Racing Point) e Verstappen.

Kvyat chegou a andar em segundo, mas foi superado por V

Kvyat chegou a andar em segundo, mas foi superado por Vettel: pódio celebrado pela Toro Rosso

Na volta 51, Daniil ultrapassou o canadense da Racing Point e assumiu a segunda colocação. Quem também vinha se recuperando era Vettel, que, com 10 voltas para o fim, era o sexto. O alemão da Ferrari ainda ganhou mais uma posição, quando Bottas rodou e destruiu a suspensão dianteira da Mercedes, provocando mais um safety car. Algumas voltas antes, Hamilton já tinha rodado e caído para o último lugar, numa corrida em que deu tudo errado para a Mercedes, que aproveitava a data para comemorar sua 200º corrida na F1 e 125 anos de automobilismo, com direito a pintura especial e equipe vestindo trajes de época.

Faltando cinco voltas para o fim, a corrida foi reiniciada e Vettel logo conseguiu ultrapassar Sainz, enquanto Verstappen continuava na liderança, com Kvyat em segundo. Na volta seguinte, Vettel passou por Stroll, enquanto Gasly bateu em Albon e abandonou a prova. Na penúltima volta, Vettel ganhou mais uma posição ao ultrapassar Kvyat e assumiu o segundo lugar.

O terceiro lugar de Hockenheim foi o terceiro pódio da carreira de Kyvat e o quarto da Rússia na F1

O terceiro lugar de Hockenheim foi o terceiro pódio da carreira de Kyvat e o quarto da Rússia na F1

Com uma confortável vantagem. Verstappen cruzou a linha de chegada para vencer o GP da Alemanha, Vettel terminou em segundo e Kvyat, que tinha se tornado pai no dia anterior, completou o pódio. Foi o terceiro top 3 de Kvyat, que terminou em terceiro na China, em 2016, e em segundo na Hungria, em 2015, quando ainda pilotava pela Red Bull. Foi ainda o segundo pódio da Toro Rosso, que conseguiu uma vitória com Vettel no GP da Itália de 2008, em Monza.

“Foi maravilhoso estar de volta ao pódio. É incrível para a Toro Rosso depois de tantos anos, trazer um pódio para a equipe é maravilhoso. A corrida foi maluca, mas finalmente eu consegui fazer tudo dar certo para conseguir esse pódio”, disse Daniil logo após a corrida, que comparou com se fosse um filme de terror misturado com humor negro. Tamanha foi a loucura da corrida que até Robert Kubica, que até então vinha amargando as últimas posições com a Williams, conseguiu seu primeiro ponto (e da equipe) na temporada.

Kvyat, ao lado de Verstappen, o vencedor, e Vettel, o segundo colocado: em comum, o fato de serem crias da Red Bull

Kvyat, ao lado de Verstappen, o vencedor, e Vettel, o segundo: três crias da Red Bull

Com o resultado, Hamilton continua na liderança do Mundial, com 225 pontos. Bottas vem em segundo (184) e Verstappen em terceiro (162). Por sua vez, Kvyat ganhou muitas posições no campeonato, subindo para o 8º lugar, com 27 pontos, ajudando a Toro Rosso a assumir o quinto lugar entre os Construtores.

Kvyat ao lado de Verstappen no pódio de Hockenheim: holandês sucedeu o russo na Red Bull

Kvyat ao lado de Verstappen no pódio de Hockenheim: holandês sucedeu o russo na Red Bull

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade’”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Publicado em Alemanha, Alexander Albon, Alfa Romeo, Carlos Sainz Jr., Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, Denise Vilche, Haas, Hockenheim, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Lance Stroll, Lando Norris, McLaren, Nico Hulkenberg, Racing Point, Renault, Robert Kubica, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

Brasil-2006: um filme com final feliz em Interlagos

Felipe Massa celebra efusivamente a vitória no GP do Brasil de 2006, em Interlagos

Felipe Massa celebra efusivamente a vitória no GP do Brasil de 2006, em Interlagos

Sabe aquele filme com roteiro cujo final é feliz para todos os personagens? O GP do Brasil de 2006, em Interlagos, reuniu três atores marcantes, que tinham missões distintas para a etapa do circuito paulistano. Felipe Massa (Ferrari) encarava o desafio de vencer em casa e quebrar o jejum de 13 anos sem vitórias de um piloto do País – o último havia sido Ayrton Senna, em 1993. Fernando Alonso (Renault) lutava para anotar um mísero ponto e assegurar o bicampeonato mundial. E Michael Schumacher (Ferrari) fazia sua despedida da Ferrari com uma improvável meta: levantar o oitavo título da Fórmula 1.

A história dos três acabava se entrelaçando em Interlagos. Tudo porque Alonso e Schumacher disputavam ponto a ponto o título mundial de 2006. Porém, no GP do Japão – prova anterior ao GP do Brasil –, o motor Ferrari deixou o alemão na mão, e o espanhol partiu para a vitória em Suzuka. O triunfo colocou o asturiano com 10 pontos de vantagem sobre o germânico. Bastava um oitavo lugar em Interlagos para Fernando assegurar o bi, independentemente da posição de Michael.

Os holofotes em Interlagos estavam voltados ao duelo entre Alonso e Schumacher pelo título mundial: duelo de titãs

Os holofotes em Interlagos estavam voltados para Alonso e Schumacher: duelo de titãs

Mas, se Alonso não pontuasse, Schumacher poderia alcançar o oitavo título mundial. E aí o fator Massa entraria em ação. Será que Felipe tiraria Fernando da corrida para favorecer Michael, seu companheiro na Ferrari? “Não sou um piloto sujo. Nunca faria o papel de botar o Alonso para fora da pista. Isso não faz parte da minha escola, da minha pessoa. Agora, se ele estiver na minha frente, vou para cima, para tentar ganhar a posição. Não tenha dúvida disso”, afirmou o brasileiro em evento da Bridgestone, dias antes da última corrida daquele Mundial.

Felipe tinha um plano traçado em mente: fazer o seu melhor, sem se pressionar pela vitória em Interlagos. “Tenho a expectativa de fazer uma boa corrida, mas estou mais relaxado. Acho que a minha primeira vitória (no GP da Turquia, em Istambul) mudou muita coisa. E acho até bom essa expectativa toda criada em cima do Schumacher e do Alonso. Melhor para mim”.

Massa se colocou à disposição de Schumacher para ajudá-lo na disputa pelo título: 

Massa se colocou à disposição de Schumacher para ajudá-lo na disputa pelo título mundial

Dependendo do cenário da prova – ou seja, possibilidade de título para o alemão –, Massa poderia abdicar da vitória em Interlagos para favorecer Michael. “Vou fazer o que puder para largar na frente e, quando a corrida começar, vou com tudo. E aí vemos o que vai acontecer no final. Tudo vai depender dos nossos concorrentes. Se o Alonso não estiver na zona de pontuação, vou para a vitória. Caso contrário, vou ajudar o Schumacher”.

Nos treinos, a Ferrari revelou um amplo favoritismo em Interlagos. Schumacher e Massa ditavam o ritmo nas sessões livres e entraram no qualifying de sábado como principais candidatos à primeira fila do GP do Brasil. Porém, logo na primeira volta da fase decisiva do qualifying, o alemão sofreu com problemas na pressão de combustível em sua Ferrari. Assim, Michael não anotou tempo, sendo obrigado a largar em 10º.

Felipe se aproveitou do problema de Schumacher e assegurou a pole em Interlagos

Felipe se aproveitou do problema de Schumacher para assegurar a pole em Interlagos

Sem Schumacher, o caminho ficou livre para Massa fazer a pole. Com um macacão em verde e amarelo, Felipe foi o único a andar na casa de 1m10s – fez 1m10s680. Quando anotou seu tempo, a torcida brasileira entoou: “olê, olê, olê, olá… Massa, Massa!”. Felipe foi para junto do ‘pit wall’ para celebrar a pole em casa. “Subi no muro e vivi algo que eu nunca tinha vivido. É um dos dias mais felizes da minha vida. Nunca vou esquecer. Comecei a correr em Interlagos e nunca imaginei estar aqui, numa pole, com um F1”.

Para se ter uma ideia da superioridade do brasileiro da Ferrari, o segundo colocado no qualifying, Kimi Raikkonen (McLaren), fez 1m11s299, ficando 0s619 atrás do brasileiro. Alonso sairia em quarto, seis posições à frente de Schumacher. Se a missão do octa já era dificílima, se tornou quase impossível para Michael após a frustração de sábado.

Clima de despedida: antes da largada em Interlagos, Schumacher recebeu um troféu das mãos de Pelé

Clima de despedida: antes da largada em Interlagos, Schumacher recebeu um troféu das mãos de Pelé

A corrida

O clima era de festa em Interlagos naquele domingo, 22 de outubro de 2006. As homenagens para Schumacher emocionavam e contagiavam o ‘circo’ da Fórmula 1. Minutos antes da largada do GP do Brasil, Michael foi presenteado com um troféu, dado por Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Era mais um histórico encontro do Rei do Futebol com o Imperador da Fórmula 1 – aliás, dois monarcas reverenciados pelo mundo inteiro.

Apesar das honrarias, o foco do alemão era um só: fazer o possível para surpreender a todos e deixar o circuito paulistano com a coroa da categoria máxima do automobilismo. Para isso, dependeria do insucesso de Alonso, que estava determinado a assegurar o bicampeonato a todo custo.

Largada do GP do Brasil de 2006: Massa saltou bem e manteve a ponta

Largada em Interlagos: Massa manteve a ponta, Alonso seguiu em 4º e Schumacher subiu para 6º

E Massa? Ao alinhar sua Ferrari na posição de honra de Interlagos, o brasileiro parecia estar preparado para o que estava por vir. Quando as luzes vermelhas se apagaram dando início ao GP do Brasil, Felipe partiu decidido a entrar no S do Senna na liderança. E foi isso que fez: não deu brecha para Raikkonen, mantendo a ponta. Alonso seguia em quarto, e Schumacher figurava em oitavo. Depois, o alemão da Ferrari superou Ralf Schumacher (Toyota) e Rubens Barrichello (Honda), subindo para sexto.

Na volta 2, um acidente com Nico Rosberg (Williams) na Curva do Café provocou a entrada do safety car. Na relargada, dada na volta 6, Massa se segurou na frente. Alonso continuou em quarto. Já Schumacher seguia em sexto. Entre o alemão da Ferrari e o espanhol da Renault, estava Giancarlo Fisichella (Renault). O italiano lutou com todas as forças para impedir o avanço de Michael para cima de Fernando. Mas na volta 9, veio a manobra de Schumacher. Por fora, o germânico contornou o S do Senna à frente de Fisichella. Contudo, um pequeno toque do pneu traseiro esquerdo na asa da Renault de Giancarlo mudou o rumo da corrida.

Schumacher tenta passar Fisichella, mas tem pneu furado: momento decisivo do Mundial

Schumacher tenta passar Fisichella, mas tem pneu furado: momento decisivo do Mundial

Um furo de pneu. Um furo de pneu que freou a reação de Schumacher e deu fim à disputa do título. Um furo de pneu que tranquilizou Alonso. Um furo de pneu que praticamente sacramentava a vitória de Massa em Interlagos. Felipe perdeu a liderança para Alonso apenas por duas voltas no seu primeiro pit stop – voltas 24 e 25. No segundo, parou e voltou na liderança. Foi um domínio absoluto do brasileiro da Ferrari em Interlagos, que liderou 69 das 71 voltas da corrida.

No fim, veio a recompensa: uma retumbante vitória, a primeira de um brasileiro em 13 anos. Repetiu os gestos de Senna, erguendo a bandeira brasileira no cockpit e tomando banho de champanhe no pódio. “Devo ser mesmo uma pessoa iluminada. É inacreditável ver as pessoas aqui em Interlagos com bandeiras, gritando por você. É difícil explicar. Nunca imaginei estar aqui. E nunca vou esquecer este dia. Mesmo que muitas outras vitórias e até títulos venham, esse dia vai ser sempre muito especial. Senti uma força muito grande aqui”, disse Felipe, visivelmente emocionado.

Massa e a bandeira brasileira: depois de 13 anos, um piloto do país voltava a vencer em Interlagos

Massa e a bandeira brasileira: depois de 13 anos, um piloto do país voltava a vencer em Interlagos

Já Alonso “correu com o regulamento embaixo do braço”. Cauteloso, o espanhol se manteve entre os primeiros durante todo o GP do Brasil. Ao saber do incidente com Schumacher, sua situação ficou ainda mais tranquila. Bastava levar a Renault até a bandeira quadriculada para ver o bi assegurado. E foi o que fez: segundo lugar convincente para um justo bicampeão.

Se o espanhol “jogou com o regulamento”, Schumacher correu para a posteridade. De último, pulverizou o recorde de Interlagos em algumas oportunidades. Ultrapassou Robert Kubica (BMW Sauber) e Rubens Barrichello (Honda) com propriedade. Depois, levou Fisichella a cometer um erro. No final, superou Raikkonen com categoria, para assegurar um impressionante quarto lugar – entre o alemão da Ferrari e o espanhol da Renault, estava Jenson Button (Honda), terceiro colocado após largar na 14ª posição.

Massa, entre o bicampeão Alonso, 2º colocado, e Button, o 3º

Massa, entre o bicampeão Alonso, 2º colocado, e Button, o 3º: pódio festivo no GP do Brasil

Schumacher não foi ao pódio. Mas não precisava. Ele simplesmente foi Schumacher. E assim Schumacher saiu de cena. Mas saiu de cena da Ferrari: três anos após sua retirada, Michael retornou à F1, desta vez pela Mercedes. Ficou três anos no time prateado, entre 2010 e 2012, mas longe de ser o vencedor que havia sido em sua primeira passagem pela categoria.

Sabe aquele filme com roteiro cujo final é feliz para todos os personagens? O GP do Brasil de 2006 terminou feliz para Massa, Alonso e Schumacher. Houve festa pela vitória de Felipe, pelo título de Fernando e pela trajetória de Michael. Um final apoteótico de uma temporada marcante. Uma corrida para a história da Fórmula 1.

Schumacher deu show no adeus, que acabou sendo um até breve - alemão defenderia a Mercedes entre 2010 e 2012

Schumacher deu show no “até breve”: Mercedes fez alemão reconsiderar a aposentadoria

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Inglaterra-2019: Sainz segura Ricciardo e é sexto em Silverstone

Carlos Sainz Jr. (McLaren) à frente de Daniel Ricciardo (Renault): espanhol ascendeu sete posições em Silverstone

Carlos Sainz Jr. (McLaren) à frente de Daniel Ricciardo (Renault): sexto lugar no GP da Inglaterra

Por Denise Vilche*
Colaboradora

A Grã-Bretanha é a casa de grande parte das equipes da Fórmula 1. Em 2019, sete dos 10 times da categoria máxima do automobilismo mantêm sede ou contam com uma base avançada no país – Mercedes (em Brackley), Red Bull (em Milton Keynes), McLaren (em Woking), Renault (em Enstone), Racing Point (em Silverstone), Haas (em Banbury) e Williams (em Grove). Diante disso, fazer um bom papel em Silverstone torna-se quase que uma obrigação para os pilotos dessas escuderias. Afinal, ter um resultado expressivo é uma forma de agradecer pelo árduo trabalho realizado por mecânicos, técnicos e engenheiros ao longo do ano.

No GP da Inglaterra de 2019, realizado em 14 de julho, em Silverstone, Carlos Sainz Jr. talvez tenha sido o piloto que melhor recompensou os funcionários de sua equipe. O espanhol levou a McLaren a um excelente sexto lugar na prova britânica. Depois de largar num tímido 13º lugar, Sainz soube preservar os pneus e se aproveitar do safety car para terminar a corrida no top 6. Mas avançar sete posições em um GP não foi novidade para Carlos. Das 91 corridas disputadas pelo madrileno, ele ganhou sete ou mais posições em 10 delas (10,98%), sendo o terceiro com melhor aproveitamento no grid – à sua frente, somente Lance Stroll (15,68%) e Pierre Gasly (13,88%).

Foco de Sainz em Silverstone era bater Norris, seu companheiro de McLaren, em casa

Foco de Sainz em Silverstone era bater Norris, seu companheiro de McLaren, na casa do inglês

Sainz desembarcou na Inglaterra na sétima colocação do Mundial de Pilotos, com 30 pontos. Seu companheiro de McLaren, Lando Norris, estava uma posição atrás de Carlos no campeonato, com 22. A missão do espanhol em Silverstone era de consolidar a vantagem sobre o britânico. Correndo em casa, Lando iria se empenhar ao máximo para bater Carlos e ameaçar a liderança do madrileno no time de Woking.

A disputa entre Sainz e Norris teve início na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP da Inglaterra. Na primeira sessão do dia, Carlos conseguiu o 10º tempo (1m29s162), uma posição à frente de Lando, o 11º. O melhor do primeiro treino foi Pierre Gasly (Red Bull), que anotou 1m27s173. Valtteri Bottas (Mercedes) ficou em segundo (1m27s629), e Max Verstappen (Red Bull) em terceiro (1m28s009). Já no segundo treino, Sainz seguiu entre os 10 primeiros, com o tempo de 1m27s987, o que lhe garantiu a oitava posição. Entretanto, ele foi superado por Norris, sexto com 1m27s546. Já a Mercedes conseguiu a dobradinha, com Bottas na frente, com 1m26s732, e Lewis Hamilton em segundo, com 1m26s801. Os dois foram seguidos de perto por Charles Leclerc (Ferrari), terceiro com 1m26s929.

Carlos encarou problemas no qualifying em Silverstone: 13º lugar fora dos planos

Carlos encarou problemas no qualifying em Silverstone: 13º lugar fora dos planos

O duelo entre Sainz e Norris se acentuou no qualifying de Silverstone. A diferença de desempenho entre os pilotos da McLaren era mínima. Porém, no sábado, o espanhol acabou decepcionando no Q2, ficando em 13º, com 1m26s203. Para piorar, viu Lando avançar para o Q3 e terminar a sessão em oitavo. “Tem sido um fim de semana um pouco difícil para mim, não conseguindo sentir muito bem a traseira do carro. Eu perdi a percepção e o ritmo com a traseira do carro e no final, eu fiquei de fora do Q3 por um décimo e meio, com um tempo mais lento do que no Q1. Um piscar de olhos quando se está no pelotão intermediário significa muito”, lamentou Sainz após a sessão.

A pole position do GP da Inglaterra de 2019 ficou com Bottas. O finlandês anotou 1m25s093 e superou Hamilton por ínfimos 0s006 – o britânico teve que se contentar com a segunda posição em Silverstone após marcar 1m25s099. Leclerc assegurou a terceira colocação, com 1m25s172.

Largada do GP da Inglaterra de 2019: Sainz saltou de 13º para o 11º lugar

Largada do GP da Inglaterra de 2019: Sainz saltou de 13º para o 11º lugar

A corrida

Em 13º no grid do GP da Inglaterra de 2019, Carlos Sainz Jr. (McLaren) tinha um único pensamento: largar bem para tentar se recuperar do fiasco no qualifying do dia anterior. Ousar era preciso em Silverstone. Determinado, o espanhol realizou uma boa largada, ganhando duas posições e assumindo a 11ª posição. O piloto da McLaren passou a perseguir Alexander Albon (Toro Rosso), que estava a menos de 1 segundo de distância. Na frente, Valtteri Bottas (Mercedes), o pole, permaneceu na ponta, seguido por Lewis Hamilton (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari).

Na quarta volta, Bottas e Hamilton passaram a brigar pela liderança. Lewis chegou a ultrapassar seu companheiro de equipe, mas Valtteri reagiu logo em seguida e reassumiu o primeiro lugar. Um pouco mais atrás, Leclerc e Max Verstappen (Red Bull) batalhavam pela terceira posição. Enquanto isso, Sebastian Vettel (Ferrari) passou a se aproximar de Verstappen e ameaçar o piloto da Red Bull. Na volta 14, Charles e Max pararam nos boxes, com os dois saindo lado a lado no pit lane. Mas, na saída dos boxes, o holandês figurou na frente. A vantagem, no entanto, não durou muito: Verstappen cometeu um erro e permitiu que Leclerc recuperasse a posição. Naquele momento, Sainz se aproveitava da parada de alguns pilotos para ascender para a sexta colocação, mas ainda precisando fazer sua parada.

Tática fez com que Sainz estendesse seu stint: espanhol alcançou assim o top 6

Tática fez com que Sainz estendesse seu stint: espanhol alcançou assim o top 6

Na 20ª volta, Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) saiu da pista, o que causou a entrada do safety car. Com a bandeira amarela, muitos pilotos aproveitaram para ingressar nos boxes. Entre eles, Sainz, que fez seu pit stop e voltou para a pista na sétima posição. Hamilton também parou e conseguiu voltar à frente de Bottas – que havia parado na volta 16 –, assumindo a liderança em Silverstone. Já Verstappen e Leclerc mudaram suas estratégias e aproveitaram para fazer suas segundas paradas. O piloto da Red Bull parou primeiro e conseguiu voltar na frente de Leclerc.

Quando a corrida foi reiniciada, na volta 23, Hamilton se manteve na frente, seguido de Bottas, Vettel e Pierre Gasly (Red Bull). Enquanto isso, Verstappen e Leclerc continuaram seu duelo particular, com direito a toques e saídas de pista. Depois de várias voltas, Max colocou vantagem sobre Charles e ainda ultrapassou Gasly, assumindo o quarto lugar e se aproximando de Vettel. Na volta 36, foi a vez de Leclerc ultrapassar Pierre, mas a diferença para Verstappen já estava em cinco segundos. Na volta seguinte, Max ultrapassou Vettel, que ao tentar dar o troco, acabou batendo na traseira do carro da Red Bull, fazendo os dois rodarem. O holandês conseguiu voltar no quinto lugar, mas o alemão precisou trocar o bico do carro e voltou em último. Com isso, Leclerc acabou herdando o terceiro lugar.

Acidente entre Verstappen e Vettel colocou Sainz no top 6 de Silverstone

Acidente entre Verstappen e Vettel colocou Sainz no top 6 de Silverstone

O entrevero entre Verstappen e Vettel fez com que Sainz fosse promovido para o sexto lugar. Entretanto, o espanhol passou a ser pressionado por Daniel Ricciardo (Renault). O australiano, que já tinha feito duas paradas, tinha pneus mais novos, enquanto Carlos havia optado por fazer apenas um pit stop e trazia compostos desgastados. Apesar das dificuldades, Sainz segurou Ricciardo e conquistou um ótimo sexto lugar. A vitória no GP da Inglaterra ficou com Hamilton. Foi o sexto triunfo do britânico em casa, o 80º na carreira. Bottas chegou em segundo e Leclerc completou o pódio.

Sexto em Silverstone, Carlos celebrou a excelente corrida de recuperação. “Nas voltas finais, eu tive que me defender do Ricciardo. Foi bem divertido, eu estava correndo como se fosse a classificação, usando tudo o que eu tinha ao meu alcance para segurar esse top 6”, disse o espanhol da McLaren, que se aproveitou da maior vida útil dos pneus duros para conseguir andar no limite.

Sainz conquistou um inesperado top 6: ascensão de sete posições na classificação

Sainz conquistou um inesperado top 6: ascensão de sete posições na classificação

Com o resultado do GP da Inglaterra, Hamilton continuou liderando o Mundial, com 223 pontos, seguido por Bottas, com 184, e Verstappen, com 136. Os oito pontos de Sainz na prova inglesa foram importantes não só para o piloto, mas também para a McLaren. O top 6 serviu não só para manter a McLaren em quarto no Mundial de Construtores, como também para consolidar Carlos em sétimo no Mundial de Pilotos, com 38 pontos – a 17 de Gasly, sexto entre os Pilotos, com 55 pontos.

Sainz se consolidou na sétima posição do Mundial de Pilotos, com 38 pontos

Top 6 em Silverstone fez Sainz se consolidar na sétima posição do Mundial de Pilotos, com 38 pontos

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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

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Áustria-2019: Giovinazzi encerra jejum de pontos da Itália

Com 10º lugar em Spielberg, Antonio Giovinazzi deu fim à espera de nove anos sem pontos de pilotos italianos

Com 10º lugar em Spielberg, Antonio Giovinazzi deu fim ao jejum de nove anos sem pontos da Itália

Por Denise Vilche*
Colaboradora

A Itália tem uma longa tradição no automobilismo. Isso é especialmente visto com a história de triunfos e conquistas da Ferrari, a equipe mais vitoriosa da Fórmula 1. Entre os pilotos, nomes marcantes também colocaram a bandeira tricolor no topo do pódio. O primeiro campeão da categoria foi Giuseppe Farina, em 1950. Depois, Alberto Ascari conquistou dois títulos em sequência (1952 e 1953), tornando-se o primeiro bicampeão da categoria. Além de Farina e Ascari, pilotos como Lorenzo Bandini, Vittorio Brambilla, Michele Alboreto, Riccardo Patrese, Giancarlo Fisichella e Jarno Trulli mostraram o seu valor e honraram o país. No total, 116 italianos se aventuraram na F1 entre 1950 e 2019, mas apenas 83 conseguiram se classificar para uma corrida. Apesar da quantidade de pilotos, a Itália não tinha um representante no grid desde 2011 – os últimos haviam sido Trulli e Vitantonio Liuzzi.

Por isso, o GP da Áustria de 2019, realizado no dia 30 de junho, foi importante para Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e marcante para o automobilismo italiano. Com o 10º lugar conquistado em Spielberg, Antonio se tornou o 48º piloto da Itália a pontuar na Fórmula 1, encerrando um jejum de nove anos sem pontos do país – o último a pontuar havia sido Liuzzi, que levou a Force India ao 6º lugar no GP da Coreia do Sul de 2010, em Yeongam.

Antonio tirou um peso das costas com o ponto: 48º italiano a pontuar na F1

Antonio tirou um peso das costas com o ponto: 48º italiano a pontuar na F1

Era um feito esperado, mas que era aguardado com ansiedade por Giovinazzi, cuja vida sempre foi atrelada ao automobilismo. Antonio nasceu no dia 14 de dezembro de 1993, na cidade italiana de Martina Franca. Aos 7 anos começou a competir no kart, tornando-se campeão italiano na categoria 60cc, em 2006. Depois de alguns títulos no kart, Antonio migrou para os monopostos em 2012, vencendo a Formula Pilota China. No ano seguinte, estreou na F3 britânica, sendo vice-campeão na temporada. Também em 2013, passou a competir na F3 Europeia, mas sem muito sucesso. No primeiro ano foi somente o 15º no campeonato e, no ano seguinte, apenas o 6º.

Somente em 2015 que Antonio conseguiu mais sucesso na F3 Europeia, sendo vice-campeão em uma temporada que contou com pilotos da estirpe de Charles Leclerc, Alex Albon, George Russell e Lance Stroll – justamente seus futuros adversários na F1. Depois de algumas corridas na DTM e no Endurance, Giovinazzi se juntou à equipe Prema para disputar a GP2 (hoje F2) em 2016, tendo Pierre Gasly como companheiro de equipe. Os dois travaram uma disputa pelo campeonato, com Gasly levando o título no final.

Até o GP da Áustria, Giovinazzi não havia pontuado. Seu companheiro de Alfa, Kimi Raikkonen, tinha 19 pontos

Até o GP da Áustria, Giovinazzi não havia pontuado. Seu parceiro, Kimi Raikkonen, tinha 19 pontos

Contratado como piloto de desenvolvimento pela Ferrari, o piloto italiano viu sua chance de estrear na F1 pela Sauber em 2017, substituindo Pascal Wehrlein nos GPs da Austrália, em Melbourne, e da China, em Xangai, se tornando o primeiro italiano a participar de uma prova na F1 desde 2012. Durante o resto da temporada, Antonio se dividiu entre o trabalho com a Ferrari e participações em treinos livres com a Haas. Em 2018, Antonio foi promovido para piloto reserva e de testes para a Ferrari e Sauber.

Em 2019, finalmente conseguiu a vaga como titular na F1 na Alfa Romeo, tendo o veterano Kimi Raikkonen como companheiro de equipe. Mas seu começo como piloto titular não foi fácil. Na Austrália, foi somente o 15º. No Bahrein, chegou perto de pontuar, mas terminou em 11°. Nas demais corridas, o italiano ficou longe da zona de pontuação. Giovinazzi chegava na Áustria sem nenhum ponto conquistado após oito corridas disputadas. E para piorar a situação, seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, já tinha pontuado em cinco corridas e ocupava o oitavo lugar, com 19 pontos.

Em Spielberg, Antonio andou no mesmo ritmo de Kimi: prenúncio de boa prova da Alfa

Em Spielberg, Antonio andou no mesmo ritmo de Kimi: prenúncio de boa prova da Alfa

Em Spielberg, Antonio estava determinado a andar no mesmo ritmo de Raikkonen, campeão de 2007 e líder da Alfa Romeo. No primeiro treino livre no circuito austríaco, Lewis Hamilton (Mercedes) terminou na frente, com 1m04s838, seguido de Sebastian Vettel (Ferrari), com 1m04s982, e Valtteri Bottas (Mercedes), com 1m04s999. Giovinazzi conseguiu terminar na frente de Kimi, mas foi somente o 16°, com 1m06s708. Já o segundo treino foi marcado pela forte batida de Bottas, que com o impacto de 25G sofrido durante o acidente, foi levado para o centro médico do circuito. Mesmo com a batida, o piloto finlandês terminou com o segundo melhor tempo (1m05s417). O primeiro lugar ficou com Charles Leclerc (Ferrari), com 1m05s086. Giovinazzi foi apenas o 14º colocado, com 1m06s119, enquanto Kimi fechava a sessão com o sétimo lugar, com 1m05s728 (0s391 à frente de Antonio), mostrando uma leve evolução do carro da Alfa Romeo.

No sábado, Giovanizzi pôde, enfim, desfrutar do melhor acerto da Alfa Romeo em Spielberg. A equipe foi a grata surpresa do qualifying, com Giovinazzi terminando em oitavo, com 1m04s179, apenas 0s013 atrás de Raikkonen, sétimo com 1m04s166. Como Kevin Magnussen (Haas), quinto no Q3, foi punido com a perda de cinco posições no grid após trocar a caixa de câmbio, Antonio acabou subindo para o sétimo lugar no grid, sua melhor posição de largada desde o início de sua carreira. Já na disputa pela pole, Leclerc repetiu os bons resultados dos treinos livres e foi o mais veloz, com 1m03s003, batendo o recorde da pista. Hamilton chegou a fazer o segundo melhor tempo, mas foi punido com a perda de três posições no grid por ter atrapalhado Raikkonen durante o qualifying. Com isso, Max Verstappen (Red Bull) herdou o segundo lugar, e Bottas, o terceiro.

Largada do GP da Áustria: comedido, Giovinazzi caiu para a nona colocação

Largada do GP da Áustria: comedido, Giovinazzi caiu para a nona colocação

A corrida

Sétimo lugar no grid, Giovinazzi estava esperançoso em anotar seus primeiros pontos na Fórmula 1. Porém, para cumprir sua missão, precisaria guiar com regularidade e competência. Antonio sabia que não podia arriscar na largada – afinal, poderia colocar seu bom fim de semana a perder nos primeiros metros do GP da Áustria. Por isso, foi cauteloso, e acabou caindo para a nona posição na primeira volta – o italiano perdeu posições para Sebastian Vettel (Ferrari) e Pierre Gasly (Red Bull). Na frente, Charles Leclerc (Ferrari) conseguiu se manter na ponta, enquanto Max Verstappen (Red Bull) patinou no apagar das luzes vermelhas e despencou de segundo para sétimo. Dessa forma, Bottas tomou a segunda posição, seguido por Lewis Hamilton (Mercedes), Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) e Lando Norris (McLaren).

Enquanto Leclerc liderava com autoridade, Vettel e Verstappen faziam boas corridas de recuperação. Aproveitando-se da força de seus equipamentos, Seb ocupava a quarta posição e Max a quinta colocação na volta 10. Ambos deixaram Raikkonen e Norris para trás. Na volta 14, Lando ultrapassou Kimi, tomando a sexta posição do finlandês. Naquele momento, Giovinazzi estava consolidado na nona colocação, andando atrás de Gasly e à frente de Sergio Pérez (Racing Point).

Após sua parada, Giovinazzi aguardou o pit dos adversários para subir na classificação

Após sua parada, Giovinazzi aguardou o pit dos adversários para subir na classificação

Na volta 24, Antonio realizou seu único pit stop. No retorno à pista, estava em 16º. Entretanto, com a parada dos demais pilotos, o italiano da Alfa Romeo foi ganhando posições. Na 30, ele já figurava na 12ª colocação. Com o pit stop de Alexander Albon (Toro Rosso), na volta 33, Giovinazzi assumiu o 11º lugar. Na 42, com a única parada de Carlos Sainz Jr. (McLaren), o piloto da Alfa recuperou um lugar na zona de pontos. Por fim, com o pit stop de Daniel Ricciardo (Renault), na volta 46, o italiano retomou a nona posição em Spielberg.

Apesar de ter recuperado o nono lugar, Giovinazzi era ameaçado com a aproximação de Sainz, que fazia uma remontada após largar em 19º. Na volta 51, o italiano não resistiu ao ataque do espanhol, caindo para a 10ª posição. A partir daí, a preocupação de Antonio era administrar a diferença que mantinha sobre Pérez. Afinal, esta missão valia o primeiro ponto de sua carreira na F1.

Giovinazzi bem que tentou, mas não resistiu ao ataque de Sainz, caindo para 10º

Giovinazzi bem que tentou, mas não resistiu ao ataque de Sainz, caindo para 10º

Se Giovinazzi estava sob pressão para conquistar um ponto, o mesmo poderia dizer de Leclerc. Na ponta durante praticamente toda a corrida, o monegasco via um feroz avanço de Verstappen. O holandês foi ultrapassando um a um e, na volta 56, ocupava a segunda colocação. O próximo objetivo de Max era tirar a vitória de Charles. A três voltas para o fim, em uma manobra arrojada, Verstappen ultrapassou Leclerc para assumir a liderança da prova e cruzar a linha de chegada em primeiro, para delírio da torcida holandesa que lotava o circuito. Charles terminou em segundo e Bottas completou o pódio. A ultrapassagem de Verstappen sobre Leclerc chegou a ser investigada pelos comissários da FIA, que decidiram não punir nenhum piloto.

Alheio à disputa pela vitória do GP da Áustria, Giovinazzi estava determinado a anotar seu ponto. E cumpriu com seu objetivo: Antonio segurou Pérez e conquistou a 10ª posição em Spielberg. “Eu estou muito feliz por marcar meu primeiro ponto. É uma sensação maravilhosa e tira um grande peso dos meus ombros. Eu acho que isso foi o máximo que poderíamos ter feito, por isso eu estou muito satisfeito. Nós tivemos um qualifying positivo, mas a corrida foi muito difícil”, afirmou Giovinazzi, que teve uma parte do cabelo cortado como pagamento de uma promessa feita a Frederic Vasseur, chefe da Alfa Romeo.

Após segurar Pérez, Giovinazzi enfim conquistou o sonhado primeiro ponto da carreira

Após segurar Pérez, Giovinazzi enfim conquistou o sonhado primeiro ponto da carreira

Com o resultado de Spielberg, Hamilton seguiu liderando o campeonato com 197 pontos, com Bottas em segundo (166 pontos) e Verstappen em terceiro (126). Nono na Áustria, Raikkonen acabou caindo para o nono lugar do Mundial, com 21 pontos, e Giovinazzi passou a figurar em 18º, com um ponto conquistado.

Giovinazzi tem cabelo cortado por Frederic Vasseur, chefe da Alfa: pagando aposta

Giovinazzi tem cabelo cortado por Frederic Vasseur, chefe da Alfa: pagando aposta

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Publicado em Alexander Albon, Alfa Romeo, Antonio Giovinazzi, Áustria, Carlos Sainz Jr., Daniel Ricciardo, Haas, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Lando Norris, McLaren, Racing Point, Renault, Sergio Pérez, Spielberg, Toro Rosso, Vitantonio Liuzzi | Publicar um comentário

França-2019: Raikkonen celebra 300 GPs com sétimo lugar

Kimi Raikkonen assegurou o sétimo lugar no GP da França de 2019, em Paul Ricard: 300º GP sem festa, mas com estilo

Kimi Raikkonen assegurou o sétimo lugar em Paul Ricard: 300º GP sem festa, mas com estilo

Por Denise Vilche*
Colaboradora

O sonho de todo jovem piloto é um dia chegar à Fórmula 1. Para os poucos que ingressam na categoria máxima do automobilismo, a luta passa a ser continuar no ‘circo’. Já para Kimi Raikkonen, disputar o GP da França de 2019, realizado no dia 23 de junho, foi um marco. Em Paul Ricard, o finlandês realizou sua 300ª largada na F1, um feito para raríssimos heróis da resistência. Para se ter uma ideia, dos 764 pilotos que disputaram uma corrida até a presente temporada, apenas 18 passaram de 200 corridas. E apenas cinco – entre eles, Kimi – atingiram a marca de 300. Na pista, Raikkonen fez o possível para a façanha não passar despercebida. No fim, acabou levando a Alfa Romeo a um ótimo sétimo lugar na pista de Le Castellet.

Terminar em sétimo no GP da França parece pouco para um piloto que venceu 21 corridas e foi campeão mundial em 2007. Entretanto, foi mais uma demonstração da disposição e do comprometimento de Kimi Matias Raikkonen com a velocidade. Os 39 anos não parecem pesar para o finlandês, cuja vida se confunde com a história da Fórmula 1. Seu início no automobilismo ocorreu em 1990, quando começou no kart aos 10 anos. Aos 15, passou a competir internacionalmente, mas seu maior destaque foi na Fórmula Renault britânica. Na série de inverno, Kimi venceu quatro corridas seguidas, e, na série regular, venceu sete das 10 corridas disputadas. Essa sequência de vitórias chamou a atenção de Peter Sauber, que convidou o finlandês para alguns testes em sua equipe em 2000.

Dono de 21 vitórias e campeão de 2007, Kimi ainda mostra competência no cockpit aos 39 anos

Dono de 21 vitórias e campeão de 2007, Kimi ainda mostra competência no cockpit aos 39 anos

Aprovado, Kimi assinou contrato com a Sauber para 2001, mesmo tendo apenas 21 anos e somente 23 corridas em seu currículo. Com uma temporada sólida, Kimi assinou um contrato com a McLaren para 2002, conseguindo um pódio em sua estreia na equipe, no GP da Austrália. Em 2003, Raikkonen disputou diretamente o título de 2003, ficando a 2 pontos de Michael Schumacher, o campeão daquela temporada. Kimi permaneceu na McLaren até 2006. No ano seguinte, se transferiu para a Ferrari. Logo em sua temporada de estreia na Scuderia, alcançou o ápice de sua carreira: o título mundial de 2007.

Mesmo tendo contrato com a equipe italiana para 2010, Kimi deixou a Rossa, sendo substituído por Fernando Alonso. Naquele ano, Raikkonen decidiu trocar a F1 pelos campeonatos de rali. Em 2011, o piloto se aventurou na Nascar, mas a F1 falou mais alto e Kimi assinou contrato com a Lotus para 2012. Problemas com o pagamento de salários fizeram Raikkonen voltar para a Ferrari em 2014, onde ficou até 2018, quando foi substituído por Charles Leclerc.

Raikkonen colocou a Alfa Romeo entre os 10 primeiros na sexta-feira em Le Castellet

Raikkonen colocou a Alfa Romeo entre os 10 primeiros na sexta-feira em Le Castellet

Mesmo prestes a completar 40 anos, Kimi não quis saber de aposentadoria e assinou contrato com a Alfa Romeo para a temporada de 2019. Até o GP da França, o campeão viveu bons e maus momentos na nova equipe. Na Austrália, Kimi terminou em 8º. No Bahrein, em 7º. Ainda pontuou na China e no Azerbaijão. Porém, antes de chegar em Paul Ricard, Raikkonen vinha de três corridas fora da zona de pontuação. Naquele momento, ocupava o 11º lugar no campeonato, com 13 pontos. No duelo interno da Alfa, o cenário era amplamente favorável para Kimi – seu companheiro de equipe, Antonio Giovinazzi, não havia anotado nenhum ponto até então.

O objetivo de Raikkonen em Paul Ricard era voltar ao top 10 e celebrar o GP 300 sem festa, mas com estilo. E assim ele foi para a pista na sexta-feira. No primeiro treino livre, a Mercedes fez dobradinha – Lewis Hamilton levou a melhor, com 1m32s738, ficando 0s069 à frente de Bottas. Com 1m35s522, Kimi terminou a sessão com o 16º tempo, uma posição à frente de Giovinazzi. No segundo treino livre, foi a vez de Bottas terminar na frente, em mais uma dobradinha da Mercedes. Valtteri fez 1m30s937, contra 1m31s361 de Hamilton. Apesar de ter rodado, Raikkonen conseguiu fazer um bom treino e terminou a sessão em nono, com o tempo de 1m32s677.

Kimi não avançou para o Q3 de Paul Ricard, enquanto Giovinazzi, seu companheiro de Alfa Romeo, foi para a sessão final

Kimi não avançou para o Q3 de Paul Ricard, enquanto Giovinazzi foi para a sessão final

No sábado, a Mercedes conseguiu manter sua hegemonia no qualifying. Hamilton foi o mais veloz e conquistou sua terceira pole na temporada, batendo o recorde da pista, com o tempo de 1m28s319. Bottas ficou em segundo, e Charles Leclerc (Ferrari) veio em terceiro. Já Kimi, que vinha colocando a Alfa Romeo entre os dez primeiros, acabou sendo eliminado no Q2 com 1m30s533, figurando em 12º. Em contrapartida, Giovinazzi avançou para o Q3 e garantiu o 10º lugar no grid.

Largada do GP da França de 2019, em Paul Ricard: Raikkonen subiu para 11º

Largada do GP da França de 2019, em Paul Ricard: Raikkonen subiu para 11º na primeira volta

A corrida

Domingo ensolarado em Paul Ricard, palco do GP da França de 2019. A expectativa era de uma disputa entre Mercedes, Ferrari e Red Bull na frente, mas o que se viu foi uma enfadonha procissão. Na largada, Lewis Hamilton (Mercedes), o pole, conservou a liderança, seguido de Valtteri Bottas (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari). Saindo em 12º, Kimi Raikkonen ganhou uma posição na largada e era o 11º. Seu companheiro de Alfa Romeo, Antonio Giovinazzi, era o 9º, mas sendo pressionado por Daniel Ricciardo (Renault). Na sexta volta, o australiano da Renault conseguiu a ultrapassagem e Kimi também aproveitou para passar Antonio, que largou com pneus macios e já sofria com o desgaste dos compostos.

Após superarem Giovinazzi, Ricciardo e Raikkonen iniciaram perseguição a Pierre Gasly (Red Bull), o oitavo colocado. Assim como o italiano, o francês enfrentava problemas com o desgaste dos pneus macios. Mesmo assim, Pierre conseguia se sustentar na frente de Daniel e Kimi. Na 16ª volta, Ricciardo fez sua parada, tentando ultrapassar Gasly na base da estratégia de boxes. O francês parou na volta seguinte e voltou à frente do australiano, mas foi ultrapassado por Ricciardo na volta seguinte. Com as paradas de Daniel e Pierre, Raikkonen assumiu a oitava posição. Depois, com os pit stops de Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Lando Norris (McLaren), Kimi ascendeu para a sexta colocação, estando imediatamente à frente de Nico Hulkenberg (Renault), o sétimo.

Stint longo fez Kimi subir para o sexto lugar: pressão de Hulkenberg por toda a corrida

Stint longo fez Kimi subir para o sexto lugar: pressão de Hulkenberg por toda a corrida

Raikkonen só estava atrás de Hamilton, Bottas, Leclerc, Max Verstappen (Red Bull) e Sebastian Vettel (Ferrari) – todos com equipamentos superiores ao seu Alfa Romeo. E em sexto permaneceu até a volta 31, quando a equipe italiana o chamou para realizar seu pit stop. Kimi fez sua parada e voltou em 11º. Após a parada de Hulkenberg, na volta 34, o piloto finlandês assumiu a 10ª posição. Na 39, Raikkonen foi promovido para o nono lugar quando Lance Stroll (Racing Point) fez sua parada.

No final do GP da França, Norris, o sétimo colocado, passou a ter problemas hidráulicos em seu McLaren, ficando na mira de Ricciardo, o oitavo, e Raikkonen, o nono. Mas Kimi ainda precisava se defender de Hulkenberg, que estava a menos de meio segundo atrás do piloto finlandês. Na última volta, Daniel tentou ultrapassar Lando e acabou saindo da pista. Ao voltar, o australiano da Renault quase acertou o britânico da McLaren – que, para evitar a batida, teve que sair da pista. Raikkonen aproveitou o imbróglio e ultrapassou Ricciardo. Porém, o piloto da Renault não desistiu da disputa. Usando a parte externa da pista, Daniel tomou a sétima posição de Kimi.

Norris, Ricciardo, Raikkonen e Hulkenberg na conturbada batalha pelo 7º lugar

Norris, Ricciardo, Raikkonen e Hulkenberg na conturbada batalha pelo 7º lugar

Pelas manobras, Ricciardo foi punido duas vezes com o acréscimo de 5 segundos em seu tempo – uma pelo incidente com Norris e outra por usar o lado de fora da pista para passar Raikkonen. Com os 10 segundos de punição, o australiano acabou a corrida em 11º lugar, com Raikkonen sendo promovido para 7º, igualando sua melhor colocação no campeonato, obtida no GP do Bahrein, em Sakhir.

“Foi uma grande batalha com as Renaults por boa parte da corrida e no fim, eu consegui alcançar os carros na frente”, declarou Raikkonen, que além de lutar com Ricciardo por posições, ainda precisou se defender de Hulkenberg. “As últimas voltas foram intensas e foi uma boa diversão. Foi muito bom conseguirmos brigar com os outros carros do pelotão do meio e nos manter lá. Nós tínhamos velocidade e conseguimos um bom resultado no final”, disse o finlandês, vencedor do GP da França de 2007, quando a prova ainda era disputada no circuito de Magny-Cours.

Batalha acirrada pelo sétimo lugar: Ricciardo foi punido, e Kimi herdou a posição

Batalha acirrada pelo sétimo lugar: Ricciardo foi punido, e Kimi herdou a posição

Com o resultado de Paul Ricard, Raikkonen subiu para a oitava posição do Mundial de Pilotos, com 19 pontos. Kimi somou todos os pontos da Alfa Romeo até o momento, colocando a equipe em sexto lugar no Mundial de Construtores, ao lado da Racing Point. O vencedor do GP da França de 2019 foi Hamilton, que conquistou em Le Castellet seu 79º triunfo na carreira. Bottas terminou em segundo, assegurando a 50ª dobradinha da Mercedes na F1. Leclerc completou o pódio. Com o resultado, Hamilton se mantém na liderança do campeonato, com 187 pontos, seguido por Bottas (151) e Vettel (111).

Seis pontos em Paul Ricard colocaram Raikkonen em oitavo no Mundial, com 19 pontos

Seis pontos em Paul Ricard colocaram Raikkonen em oitavo no Mundial, com 19 pontos

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

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Canadá-2019: após fiasco de 2018, Stroll alcança nono lugar

Correndo em casa, Lance Stroll (Racing Point) conseguiu dois importantes pontos

Correndo em casa, Lance Stroll (Racing Point) conseguiu dois importantes pontos em Montreal

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Se a atmosfera de uma corrida já é de festa, imagine para um piloto da casa? Lance Stroll (Racing Point) voltou a sentir o carinho dos compatriotas durante o GP do Canadá de 2019, realizado em 9 de junho, no Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal. Com direito a arquibancada temática e torcida uniformizada, o canadense recompensou o apoio na pista, conquistando um bom nono lugar em sua terceira corrida no Canadá. Lance se redimiu do pífio desempenho no ano anterior – em 2018, ainda no cockpit da Williams, acabou no muro ainda na primeira volta, depois de se chocar com Brendon Hartley (Toro Rosso) –, igualando a nona colocação obtida na etapa de 2017.

Stroll correspondeu à expectativa da torcida canadense, que apostava em vê-lo na zona de pontos. Porém, o top 10 não estava sendo algo costumeiro para Lance em 2019. Antes do GP do Canadá, ele havia terminado apenas em duas corridas entre os 10 primeiros – conquistou o nono lugar nos GPs da Austrália, em Melbourne, e do Azerbaijão, em Baku. O canadense chegava para sua corrida de casa em 16º lugar no campeonato, com quatro pontos, enquanto Sergio Pérez, seu companheiro de Racing Point, estava em nono, com 13. Além da pressão de conseguir bons resultados e diminuir a diferença no campeonato em relação a Checo, Lance chegava a Montreal determinado a apagar o frustrante desfecho de 2018. Afinal, o público estava com ele.

Apoio das arquibancadas impulsionou Stroll durante todo o fim de semana

Apoio das arquibancadas impulsionou Stroll durante todo o fim de semana

Na pista, porém, as coisas não pareciam se encaixar para Stroll. Lance não fez um bom primeiro treino livre em Montreal, terminando em 17º (1m14s812). Na ponta dos tempos, estavam os dois pilotos da Mercedes: depois de batalhar durante toda a sessão, Lewis Hamilton terminou 0s147 à frente de Valtteri Bottas – 1m12s767 para o britânico, contra 1m12s914 do finlandês. Charles Leclerc (Ferrari) colocou a Rossa na terceira colocação, com o tempo de 1m13s720 – quase 1 segundo mais lento do que Hamilton. O treino foi marcado pela batida de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), que destruiu a suspensão de seu carro, ficando de fora da sessão.

Se o primeiro treino viu a hegemonia da Mercedes, no segundo treino livre, quem se destacou foi a Ferrari. Leclerc terminou a sessão com o melhor tempo (1m12s177), com Sebastian Vettel em segundo (1m12s251). Bottas fez o terceiro tempo e Hamilton terminou apenas em sexto, depois de bater e danificar o carro. O treino também teve duas gratas surpresas: Carlos Sainz (McLaren) foi o quarto e Kevin Magnussen (Haas) terminou em quinto. Já Stroll conseguiu melhorar seu desempenho em relação ao primeiro treino e terminou em 10º, com 1m13s171.

Na sexta, Lance conquistou um satisfatório 10º lugar no segundo treino livre

Na sexta, Lance conquistou um satisfatório 10º lugar no segundo treino livre


No sábado, a Ferrari voltou a mostrar uma excelente forma. No terceiro treino livre, veio nova dobradinha da Scuderia, só que dessa vez com Vettel na liderança, com 1m10s843, contra 1m10s982 de Leclerc, o segundo. As duas Mercedes vieram a seguir, com Hamilton em terceiro e Bottas em quarto. Por sua vez, Lance teve um problema de vazamento em seu Racing Point, que fez a parte traseira de seu carro ficar em chamas. Para a sorte do canadense, ele já estava na entrada dos boxes e a equipe logo começou o reparo no carro. Mesmo o problema tendo acontecido no começo do treino, Stroll ficou de fora do restante da sessão.

O sério problema na manhã atrapalhou as pretensões do piloto da Racing Point no qualifying de Montreal. Tanto Stroll quanto Pérez acabaram sendo eliminados no Q1, com Checo terminando em 16º e Lance em 18º. Os dois pilotos ganharam uma posição no grid de largada com a troca de chassis de Magnussen, que fez o piloto da Haas largar dos boxes. Na frente, Vettel repetiu o bom resultado do último treino livre e marcou a pole, com 1m10s240. Hamilton conseguiu se colocar entre os carros da Ferrari e ficou em segundo (1m10s446), com Leclerc em 3º (1m10s920).

Largada do GP do Canadá de 2019, em Montreal: Stroll saltou para o 14º lugar

Largada do GP do Canadá de 2019, em Montreal: Stroll saltou para o 14º lugar

A corrida

A largada do GP do Canadá de 2019 foi tensa e intensa, mas os primeiros colocados mantiveram suas posições. Pole, Sebastian Vettel (Ferrari) conseguiu se segurar na frente de Lewis Hamilton (Mercedes). O britânico foi atacado por Charles Leclerc (Ferrari), mas seguiu na segunda posição. Atrás, Alexander Albon (Toro Rosso), Sergio Perez (Racing Point) e Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) se envolveram em uma disputa que danificou o carro da Toro Rosso, fazendo com que Albon fosse para os boxes logo na primeira volta. Para evitar os detritos, Romain Grosjean (Haas) precisou sair da pista e voltou nas últimas colocações. Lance escapou ileso dessa confusão e avançou para o 14º lugar.

Com o passar das voltas, Vettel abriu vantagem para Hamilton, que por sua vez, se distanciava de Leclerc. Na disputa pelo oitavo lugar, Max Verstappen (Red Bull) continuava perseguindo Lando Norris (McLaren) – o holandês só conseguiu a ultrapassagem sobre o britânico na sexta volta. Nessa mesma volta, Stroll superou Giovinazzi e assumiu o 12º lugar – ele já havia conquistado uma posição com a parada prematura de Carlos Sainz Jr. (McLaren) nos boxes.

Lance fez um longo primeiro stint, o que o colocou na zona de pontos em Montreal

Lance fez um longo primeiro stint, o que o colocou na zona de pontos em Montreal

Na volta 9, Norris abandonou com um problema na suspensão de seu McLaren. Na passagem seguinte, alguns pilotos realizaram suas primeiras paradas nos boxes. Dessa forma, Lance assumiu o oitavo lugar. À frente dele, somente as duplas da Ferrari, Mercedes, Renault e Verstappen. O piloto da Racing Point permaneceu no top 8 até a volta 44, quando ingressou nos boxes para fazer seu primeiro e único pit stop. Ao retornar à pista, conseguiu se manter na zona de pontos – mais precisamente na 10ª colocação.

Naquele momento, a disputa pela liderança de Montreal ficava acirrada. Após tomar a segunda posição de Leclerc na parada dos boxes, Hamilton começava a ameaçar Vettel. A perseguição durou até a 48ª volta, quando Sebastian perdeu a traseira de sua Ferrari, saiu da pista e quase fez Lewis se chocar no muro. O piloto da Mercedes teve que tirar o pé para evitar uma batida. De imediato, o ferrarista passou a ser investigado pelos comissários da FIA pela manobra.

O momento que definiu o GP do Canadá: Vettel 'prensa' Hamilton no muro

O momento que definiu o GP do Canadá: Vettel ‘prensa’ Hamilton no muro

Após o polêmico lance, a diferença entre Vettel e Hamilton se manteve na casa dos dois segundos, até que na volta 55, os comissários finalmente divulgaram o veredicto: Seb havia sido punido com o acréscimo de cinco segundos em seu tempo pelo incidente com Lewis. Diante disso, Hamilton praticamente sacramentava a vitória em Montreal. Se na frente a situação se resolvia na sala dos comissários, Stroll tentava chegar em Sainz, que tinha os pneus mais desgastados. Na volta 67, finalmente Lance conseguiu a ultrapassagem sobre Carlos e assumiu o nono lugar, trazendo Daniil Kvyat (Toro Rosso) na sua cola.

Vettel completou o GP do Canadá na frente. Porém, com apenas um segundo de vantagem sobre Hamilton, o piloto da Ferrari acabou perdendo a vitória por conta da punição. Essa foi a 78º vitória do britânico na F1, a sétima no circuito canadense. Seb ainda terminou em segundo, já que tinha uma boa vantagem sobre Leclerc, que completou o pódio. Revoltado com a punição, Vettel não parou sua Ferrari no lugar designado aos três primeiros colocados e ameaçou não participar da cerimônia no pódio. Depois de mudar de ideia, passou pela Mercedes de Lewis, pegou a placa de primeiro colocado e a colocou no espaço onde deveria estar seu carro, deixando claro seu descontentamento com a decisão dos comissários.

Com o nono lugar em Montreal, Stroll passou a somar seis pontos no Mundial

Com o nono lugar em Montreal, Stroll passou a somar seis pontos no Mundial


Já Stroll celebrou o bom resultado em Montreal. Ele terminou em nono pela terceira vez em 2019. Com os dois pontos, Stroll continuou em 16º no campeonato, com seis pontos, diminuindo para sete a diferença entre ele e Pérez – seu companheiro de Racing Point terminou a corrida em 12º e não pontuou, seguindo com 13 no Mundial.

Stroll ficou à frente de Pérez na etapa canadense: sensação do dever cumprido

Stroll ficou à frente de Pérez na etapa canadense: sensação do dever cumprido

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Mônaco-2019: McLaren reverencia Lauda e vê Sainz no top 6

Na segunda que antecedeu ao GP de Mônaco, a F1 recebeu a notícia do falecimento de Niki Lauda

Na segunda anterior ao GP de Mônaco, a Fórmula 1 recebeu a notícia do falecimento de Niki Lauda

Por Denise Vilche*
Colaboradora

O GP de Mônaco sempre foi considerado o mais glamouroso do calendário. Disputada pela primeira vez em 1929, a corrida pelas estreitas ruas do Principado já viu lendas do automobilismo mostrarem perícia extrema por suas curvas. Mas o 77º GP de Mônaco, disputado no dia 26 de maio de 2019, acabou se tornando palco de homenagens a uma dos maiores ícones da história da Fórmula 1. Na segunda-feira que antecedeu a prova monegasca, faleceu Niki Lauda, um dos mais respeitados pilotos da categoria. Um respeito que vinha não somente por seu talento, mas também por sua história de superação – em especial, após o retorno às pistas depois de sofrer graves queimaduras num acidente no GP da Alemanha de 1976, em Nurburgring.

Presidente não-executivo da Mercedes, Niki havia feito um transplante de pulmões em 2018 para reparar danos causados pelo acidente de 1976. No começo da temporada, Niki foi parar no hospital com uma gripe e foi impedido pelos médicos de viajar para acompanhar as corridas até que se recuperasse. Mas essa recuperação nunca aconteceu, e o tricampeão faleceu no dia 20 de maio, aos 70 anos.

Lauda faleceu aos 70 anos. Na McLaren, conquistou seu terceiro título mundial

Lauda faleceu aos 70 anos. Na McLaren, conquistou seu terceiro título mundial, em 1984

Para homenagear Lauda, a Mercedes pintou o halo de seu carro na cor vermelha, em alusão ao boné que o austríaco nunca tirava da cabeça e o ajudava a cobrir as cicatrizes de suas queimaduras. Lewis Hamilton, que tinha um relacionamento muito próximo com Niki, foi dispensado dos compromissos com a mídia. Naquele fim de semana, o britânico usou um capacete que remetia ao usado por Niki em 1984 – ano de seu tricampeonato com a McLaren. Outro que rendeu tributo a Lauda foi Sebastian Vettel (Ferrari), que usou um casco semelhante ao utilizado nos tempos áureos do austríaco na Scuderia, na década de 1970. Além dos multicampeões, todas as demais equipes colocaram adesivos em seus carros em homenagem a Niki.

A McLaren foi a última equipe que Lauda correu na Fórmula 1. E se superação é a palavra que define Niki, a equipe inglesa começou a mostrar naquele fim de semana que os maus resultados das temporadas passadas ficaram para trás. Depois de um começo de ano difícil, a equipe passou a obter resultados consistentes. Um bom exemplo disso foi o sexto lugar de Carlos Sainz Jr. no GP de Mônaco de 2019.

A McLaren levou uma homenagem a Lauda em seu carro durante a prova monegasca

A McLaren levou uma homenagem a Lauda em seu carro durante a prova monegasca

Ao chegar no Principado, Sainz ocupava a 11ª colocação no campeonato, com 10 pontos – ele foi sétimo no GP do Azerbaijão, em Baku, e oitavo no GP da Espanha, em Montmeló. Carlos tinha dois pontos a menos que seu companheiro de McLaren, Lando Norris. Por isso, a ordem era superar o britânico na etapa monegasca e, com isso, se colocar à frente do estreante. Entretanto, no primeiro treino livre, na quinta-feira, as coisas não começaram bem para o madrileno. Um problema na unidade de potência em sua McLaren o fez dar apenas 4 voltas no primeiro treino.

“Essas 30, 40 voltas que eu não pude dar vão fazer falta mais à frente no fim de semana, mas eu estou confiante de que eu conseguirei recuperar aos pouquinhos”, disse o espanhol após a sessão. Hamilton terminou na frente, com o tempo de 1m12s106, seguido bem de perto por Max Verstappen (Red Bull), que terminou 0s059 atrás do piloto da Mercedes, enquanto que Valtteri Bottas (Mercedes), o terceiro colocado, ficou a apenas 0s072 atrás de seu companheiro de equipe.

Sainz encarou problemas no primeiro treino livre, o que atrapalhou sua adaptação ao circuito monegasco

Sainz encarou problemas no 1º treino livre, o que atrapalhou sua adaptação ao circuito monegasco

No segundo treino livre, a Mercedes voltou a dominar, com Hamilton em primeiro, com o tempo de 1m11s118, seguido de Bottas (a 0s081) e Vettel (a 0s763). Com o problema resolvido, Sainz conseguiu se recuperar e terminou a sessão com o 13º tempo (1m12s419), ficando uma posição atrás de Norris. Mas ainda era pouco para quem tinha um retrospecto positivo no Principado: desde 2016, Carlos conseguia largar entre os 10 primeiros em Mônaco. E era isso que ele queria no sábado.

No qualifying, a Mercedes voltou a dominar, com Hamilton fazendo mais uma pole position, com o tempo de 1m10s166, seguido de Bottas, com 1m10s252 (a 0s086) e Verstappen, com 1m10s641 (a 0s475). E Sainz? O espanhol conservou seu recorde, alcançando a nona posição com o tempo de 1m11s417, a 1s251 de Hamilton.

Espanhol manteve a escrita de sempre largar entre os 10 primeiros em Mônaco desde 2016

Espanhol manteve a escrita de sempre largar entre os 10 primeiros em Mônaco desde 2016

“Esse é um bom recorde e eu gosto de que seja em Mônaco. Meu pai (Carlos Sainz, lenda do rali), quando eu era criança, me disse: ‘Se tem um lugar para brilhar, esse lugar é Mônaco’ e eu sempre me preparei para essa corrida de maneira mais especial do que para as outras, coloco um pouco mais de atenção, me concentro mais e parece que funciona toda vez”, disse Sainz.

Pilotos se uniram antes da largada do GP de Mônaco para homenagear Niki Lauda

Pilotos se uniram antes da largada do GP de Mônaco para homenagear Niki Lauda

A corrida

Antes do GP de Mônaco de 2019, os 20 pilotos do grid, usando bonés vermelhos com a frase ‘Danke Niki’ (Obrigado Niki, em alemão), se reuniram para fazer um minuto de silêncio em homenagem a Niki Lauda. Eles iriam correr em memória do lendário piloto. E queriam fazer o melhor para honrar o legado de coragem deixado pelo tricampeão. Na largada, os primeiros colocados mantiveram suas posições: Lewis Hamilton (Mercedes) em primeiro, seguido por Valtteri Bottas (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull). Já Carlos Sainz (McLaren) conseguiu ganhar uma posição de Daniil Kvyat (Toro Rosso) e assumiu o oitavo lugar.

Charles Leclerc (Ferrari), por sua vez, queria mostrar serviço em casa. Após encarar problemas no qualifying, o monegasco largou em 15º e procurava fazer uma prova de recuperação. Na volta 8, Leclerc acabou tocando em Nico Hulkenberg (Renault) e teve um pneu furado. Com detritos na pista, o safety car foi acionado. Muitos pilotos aproveitaram para fazer suas paradas, inclusive os líderes Hamilton, Bottas e Verstappen. Os dois últimos acabaram se tocando na saída dos boxes e o finlandês da Mercedes teve que fazer uma nova parada na volta seguinte para trocar os pneus, caindo para o quarto lugar. O holandês da Red Bull, por sua vez, assumiu a segunda colocação. Porém, Max foi considerado culpado pelo incidente e acabou punido com 5 segundos de acréscimo ao seu tempo, já que não realizaria um novo pit stop.

Sainz largou bem, ganhou posição de Kvyat e alcançou top 6 após safety car

Carlos Sainz Jr. largou bem, ganhou posição de Kvyat e alcançou sexta colocação após safety car

Quando a corrida recomeçou, Sainz estava em sexto. O espanhol foi beneficiado com as paradas de Daniel Ricciardo (Renault) e Kevin Magnussen (Haas). Já o líder Hamilton passou a ser perseguido por Verstappen, que se mantinha a menos de 1 segundo de distância, e por Vettel, que estava em terceiro, a 1s5 do britânico da Mercedes. Na 16ª volta, Robert Kubica (Williams) foi tocado por Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e acabou rodando na Rascasse, causando um congestionamento no Principado. Sergio Pérez (Racing Point), George Russell (Williams) e Leclerc tentavam passar pelo carro do polonês, que bloqueava o caminho. O piloto da Williams logo conseguiu prosseguir na prova e Leclerc, que estava em último, acabou abandonando a prova logo em seguida.

Enquanto isso, Sainz continuava com sua consistente performance. Na volta 30, o espanhol fez sua única parada, voltando em nono, na frente de Lando Norris (McLaren). O britânico acabou ajudando Carlos a conseguir um bom resultado, já que ele ainda não havia parado e, com um ritmo mais lento, conseguia segurar todos os pilotos que vinham atrás – já que a apertada pista de Mônaco não oferece muitos pontos de ultrapassagem. “No momento em que nós percebemos que eu não conseguiria fazer nada especial, se transformou mais em um jogo de equipe. E eu tentei ajudar o Carlos e a equipe a tentar alcançar um melhor resultado, deixando minha própria corrida em segundo plano”, declarou Norris, que foi muito criticado pela conduta. Com isso, o espanhol teve a oportunidade de abrir a vantagem necessária para recuperar a sexta colocação após a parada dos pilotos à sua frente.

Sainz precisou segurar os ataques da dupla da Toro Rosso para conservar top 6 em Mônaco

Sainz precisou segurar os ataques da dupla da Toro Rosso para conservar top 6 em Mônaco

Na disputa pela liderança, Hamilton e Verstappen se distanciaram dos demais e passaram a duelar de maneira mais acirrada, principalmente quando tinham que passar por retardatários. A diferença entre os dois se mantinha na faixa de meio segundo e na volta 76, Max tentou ultrapassar Hamilton na saída do túnel. Os dois pilotos se tocaram, com Lewis cortando a chicane por conta do toque. Sem maiores dados nos carros, a disputa continuou até a última volta. O piloto britânico teve que fazer milagres para segurar o piloto da Red Bull, já que um erro da Mercedes na estratégia de pneus fez com que Lewis trocasse para os pneus médios, que se desgastaram mais rápido do que o esperado. Mas Hamilton conseguiu gerenciar os pneus até o fim e acabou vencendo o GP de Mônaco, sua 77ª vitória na F1.

Verstappen, que cruzou a linha de chegada em segundo, acabou caindo para o quarto lugar com a punição que sofreu no começo da prova. Com isso Vettel ganhou o segundo lugar e Bottas completou o pódio. Pierre Gasly (Red Bull) foi o quinto colocado e Sainz terminou em sexto, sua melhor posição desde o começo do campeonato.

Sexto lugar em Mônaco coroou a reação de Sainz no campeonato: terceira vez consecutiva na zona de pontos

Sexto lugar em Mônaco coroou a reação de Sainz no Mundial: 3ª vez consecutiva na zona de pontos

“Sim, o sexto lugar de hoje (domingo) é um bom resultado e é a terceira vez consecutiva que eu termino na zona de pontuação. Nós conseguimos um bom número de pontos neste fim de semana, pontos importantes em uma pista que não nos favorece muito. Nós precisamos continuar nos esforçando para melhorar ainda mais, mas parabéns à equipe pelo trabalho”, disse o espanhol após a corrida. Com o resultado, Hamilton se manteve na liderança do campeonato, com 137 pontos, seguido de Bottas (120), Vettel (82) e Verstappen (78). Com o sexto lugar no Principado, Sainz pulou para a sétima colocação, com 18 pontos.

Com a sexta posição, Sainz subiu para sétimo no Mundial de Pilotos

Com a sexta posição, Sainz subiu para sétimo no Mundial de Pilotos, com 18 pontos

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

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Itália-2019: Ricciardo coloca Renault num ótimo quarto lugar

Daniel Ricciardo (Renault) celebra quarto lugar em dia de vitória ferrarista com Charles Leclerc

Em Monza, Daniel Ricciardo celebra 4º lugar em dia de triunfo ferrarista com Charles Leclerc

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Descendente de italianos, Daniel Ricciardo (Renault) sempre se sentiu em casa no célebre autódromo de Monza. Lá, o australiano fez seu espírito latino transbordar de maneira efusiva no GP da Itália de 2019. Disputado no dia 8 de setembro, Ricciardo teve um desempenho que fez lembrar seus tempos de Red Bull ao andar entre os primeiros colocados. No fim, conquistou um excelente quarto lugar, seu melhor resultado na equipe francesa até o momento.

Não tem sido fácil para Ricciardo liderar o projeto de reconduzir a Renault ao topo. Após deixar a Red Bull no fim de 2018, o australiano vem encontrando diversas dificuldades com o instável RS19. Antes do GP da Itália, ele havia disputado 13 GPs a bordo do carro preto e amarelo. Seu melhor resultado havia sido um sexto lugar no GP do Canadá, em Montreal. Daniel desembarcou em Monza ocupando apenas o 12º lugar no campeonato, com 22 pontos. Uma posição intermediária, revelando a falta de competitividade da equipe de Enstone neste Mundial.

Após deixar a Red Bull, Ricciardo se transferiu para a Renault: 2019 problemático para o australiano

Após deixar a Red Bull, Ricciardo se transferiu para a Renault: 2019 problemático para o australiano

Em Monza, as expectativas não eram das melhores para a Renault. E o clima também não ajudava no desenvolvimento do RS19. O primeiro treino livre foi marcado pela chuva e por algumas bandeiras vermelhas. Com a pista escorregadia, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), Sergio Perez (Racing Point) e Pierre Gasly (Toro Rosso) acabaram rodando e interromperam o treino. As McLaren de Carlos Sainz Jr. e Lando Norris se arriscaram logo no início e faziam os dois melhores tempos. Porém, no fim, Charles Leclerc (Ferrari), embalado pela vitória na etapa anterior, na Bélgica, e calçando pneus slicks, marcou o primeiro tempo com 1m27s905. Daniel Ricciardo anotou o 13º tempo, com 1m34s528 – a 6s623 do monegasco.

Com uma nova ameaça de chuva, os pilotos foram logo para a pista na segunda sessão livre. Lewis Hamilton (Mercedes) começou na frente, mas Leclerc fez o tempo de 1m20s978 e assumiu a liderança. A chuva paralisou o treino por meia hora. Quando o treino recomeçou, Hamilton tentou superar o piloto da Ferrari. Porém, com o tempo de 1m21s046, acabou ficando a 0s068 de Leclerc. Já Ricciardo mostrou um bom desempenho da Renault na pista seca e terminou o treino em nono, com 1m22s249 – a 1s271 do monegasco.

Na sexta, a chuva atrapalhou o ritmo da Renault e de Ricciardo

Na sexta-feira, a chuva atrapalhou o ritmo da Renault e de Ricciardo em Monza

No sábado, a evolução de Ricciardo e da Renault continuou em Monza. A confiança da equipe ficou elevada após o australiano conquistar a quinta posição na sessão livre da manhã. Isso inspirou a todos na obtenção de um bom lugar no grid para o GP da Itália. No qualifying, Verstappen teve um problema logo no Q1 e sequer chegou a marcar tempo. A sessão foi marcada por uma bandeira vermelha no final, quando Sergio Perez (Racing Point) teve um problema com o seu carro e parou na pista. Quando o treino recomeçou, Leclerc marcou o primeiro tempo, seguindo de perto por Nico Hulkenberg (Renault) e Valtteri Bottas (Mercedes), com Hamilton e Ricciardo logo atrás.

A disputa acirrada entre Hamilton e Leclerc nos treinos livres seguiu no Q2, com o piloto da Mercedes ficando na frente do ferrarista por 0s089. Já Ricciardo, mostrando o bom desempenho da Renault em Monza, terminou o Q2 em um surpreendente quarto lugar. No Q3, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) bateu e provocou uma bandeira vermelha. No momento da interrupção, Leclerc liderava, com Hamilton e Bottas na sequência. Com seis minutos para o fim, a sessão foi reiniciada. Mas em Monza, os pilotos que se aproveitavam do vácuo do carro à frente levavam vantagem. Sendo assim, ninguém quis ser o primeiro a sair para a pista na volta final do treino.

Cena pastelão no fim do qualifying de Monza: ninguém queria ceder vácuo

Cena pastelão no fim do qualifying de Monza: ninguém queria ceder vácuo para o adversário

Com dois minutos para o fim do Q3, finalmente os pilotos saíram dos boxes. Entretanto, ninguém queria ceder o vácuo para o rival. Os pilotos andaram lentamente pela pista, resultando em um inusitado congestionamento. Com o cronômetro quase zerado, Leclerc e Carlos Sainz Jr. (McLaren) foram os únicos que conseguiram cruzar a linha para abrir a última volta. Mesmo sem melhorar seu tempo, o monegasco conseguiu a pole position com o tempo de 1m19s307, seguido de Hamilton, com 1m19s346 e Bottas, com 1m19s354. Ricciardo novamente andou bem e conseguiu a quinta posição no grid, com o tempo de 1m19s839, a apenas 0s532 da pole de Leclerc.

Ao final do qualifying de Monza, o que restou foi a indignação geral sobre o polêmico desfecho do Q3. “Você já viu alguma coisa desse tipo? Isso não é nem digno de fórmulas juniores! O problema é que todo mundo tentou pegar o vácuo. É coisa de categorias juniores e todo mundo ficou parecendo idiotas. (Nico) Hulkenberg liderando o pelotão e depois cortando a chicane, alguns outros carros reduzindo a velocidade. Não é digno de F1”, esbravejou Christian Horner, chefe da Red Bull. No dia anterior, a F3 enfrentou o mesmo problema, com 19 pilotos sendo penalizados. Mas, na F1, a direção de prova chegou a investigar o caso, mas nenhum piloto foi punido.

Largada do GP da Itália de 2019: em quinto no grid, Ricciardo foi superado por Hulkenberg

Largada do GP da Itália de 2019: em quinto no grid, Ricciardo foi superado por Hulkenberg

A corrida

A largada do GP da Itália de 2019 foi especialmente positiva para o companheiro de Daniel Ricciardo (Renault). Assim que as luzes vermelhas se apagaram, Nico Hulkenberg (Renault) saltou de sexto para a quarta posição – além do australiano, Hulk ultrapassou Sebastian Vettel (Ferrari). À frente do trio, posições inalteradas: Charles Leclerc (Ferrari) conseguiu se manter na liderança, seguido de Lewis Hamilton (Mercedes) e Valtteri Bottas (Mercedes). Atrás, Max Verstappen (Red Bull), que largou em 19°, se tocou com Sergio Perez (Racing Point) e teve que ir para os boxes trocar a asa dianteira. Nas primeiras voltas, Leclerc começou a abrir vantagem sobre Hamilton. Já Vettel retomava o quarto lugar ao superar Hulkenberg. Na volta 5, foi a vez de Ricciardo ultrapassar o companheiro de equipe e assumir a quinta colocação.

Na sexta volta, Vettel rodou na Variante Ascari e, ao voltar para a pista, acertou o carro de Lance Stroll (Racing Point). O canadense acabou saindo da pista e ao voltar, quase bateu no carro de Pierre Gasly (Toro Rosso). Com o toque, Vettel precisou ir aos boxes para trocar a asa dianteira. O alemão aproveitou também para fazer sua primeira parada, voltando na última colocação. Pelo incidente, Sebastian foi punido com um stop and go de 10 segundos, enquanto Stroll levou um drive through. Após essa confusão, Ricciardo assumiu a quarta colocação, com uma vantagem confortável em relação a Hulkenberg, que vinha em quinto.

Em quarto, Ricciardo manteve uma vantagem segura sobre Hulkenberg: Renault em forma em Monza

Em quarto, Ricciardo manteve uma vantagem segura sobre Hulkenberg: Renault em forma em Monza

Na 19ª volta, Hamilton antecipou sua parada, na esperança de ultrapassar Leclerc quando o ferrarista viesse para os boxes. A estratégia não funcionou: Charles seguiu à frente de Lewis. Com a parada dos líderes, Bottas assumiu a primeira colocação, com Ricciardo em segundo e Hulkenberg em terceiro. Mas Nico vinha sendo perseguido por Leclerc e Hamilton. Os dois superaram o alemão da Renault na volta 23. Três voltas depois, tanto Charles quanto Lewis ultrapassaram Daniel.

Quando Bottas parou, na volta 27, Leclerc reassumiu a liderança, com Hamilton logo atrás. Duas voltas depois, um safety car virtual foi acionado para a retirada do carro de Carlos Sainz Jr. (McLaren), que parou na entrada dos boxes devido a um pneu mal colocado. Nesse momento, Ricciardo aproveitou para fazer sua única parada, voltando na sétima colocação. Mal os pilotos foram liberados para voltar a acelerar, Ricciardo ultrapassou seu companheiro de equipe na volta 29 para assumir o quarto lugar. Mas o safety car virtual foi novamente acionado para retirar o carro de Danill Kvyat (Toro Rosso), que começou a soltar fumaça e espalhar óleo pela pista.

Ricciardo, entre Leclerc e Hamilton: Renault estendeu presença do australiano na pista

Ricciardo, entre Leclerc e Hamilton: Renault estendeu presença do piloto na pista antes do pit stop

A corrida foi reiniciada na volta 31, com Hamilton colocando pressão sobre Leclerc. O britânico da Mercedes teve algumas oportunidades para ultrapassar o ferrarista, mas Charles conseguiu se manter na frente de Lewis, mesmo cometendo um erro e cortando a chicane na volta 36. Ricciardo seguiu na quarta colocação, com Hulkenberg em quinto, mostrando a boa forma dos carros da Renault em Monza.

Com pneus mais novos, Bottas começou a se aproximar de Hamilton e na volta 42, após Lewis travar os pneus na curva 1, o piloto finlandês conseguiu ultrapassar seu companheiro de equipe. Valtteri passou então a pressionar Leclerc, que conseguia manter uma vantagem de mais de 1 segundo sobre o rival.

Após o pit stop, Daniel manteve um ritmo seguro e consolidou a quarta colocação na etapa italiana

Após o pit stop, Daniel manteve um ritmo seguro e consolidou a quarta colocação na etapa italiana

Na volta 49, Hamilton, que não conseguia mais se aproximar de Bottas, fez mais parada. Mesmo assim, saiu em terceiro, com confortável vantagem sobre Ricciardo. Na frente, Bottas continuava a pressionar Leclerc, mas o piloto monegasco conseguiu segurar o piloto da Mercedes e cruzou a linha de chegada para a loucura dos ‘tifosi’ presentes no circuito.

Foi a segunda vitória da carreira de Charles, a primeira de um piloto da Ferrari em Monza desde Fernando Alonso, em 2010, e a 10ª de um piloto da Scuderia no mítico autódromo italiano. Depois de não comemorar sua primeira vitória devido à morte de Anthoine Hubert no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, desta vez Leclerc não se conteve e comemorou o triunfo aos gritos. Bottas chegou em segundo, com Hamilton completando o pódio. Quem também teve motivos para comemorar foi a Renault, que conseguiu o quarto e quinto lugar, com Ricciardo e Hülkenberg. Foi o melhor desempenho do australiano no time desde que ele se transferiu da Red Bull para a equipe de Enstone.

Renault celebra desempenho em Monza: quarto com Ricciardo e quinto com Hulkenberg

Renault celebra desempenho em Monza: quarto com Ricciardo e quinto com Hulkenberg

Daniel estava satisfeito com a quarta colocação, atrás somente dos pilotos de Ferrari e Mercedes. “Obviamente estou feliz pela equipe inteira, mas eu queria agradecer aos rapazes em Viry (França), que construíram os motores. Eu acho que conseguir o melhor resultado da equipe aqui em Monza desde 2008, em um circuito que demanda potência, é um grande feito. Eles tiveram que lidar com muitas derrotas nos últimos anos e eles tiveram muitos ganhos esse ano com essa unidade de potência, então esse resultado é para eles’’, declarou Ricciardo, recordando dos problemas e das duras críticas da Red Bull aos motores Renault – sobretudo no período em que fazia parte daquela equipe.

O australiano saiu da Itália ocupando a oitava colocação, com 34 pontos, empatado com Alex Albon (Red Bull). Hamilton seguiu confortável na liderança do campeonato, com 284 pontos, com Bottas em segundo (221), Verstappen em terceiro (185) e Leclerc em quarto (182).

Ricciardo deixou Monza com sorriso no rosto: oitavo lugar no Mundial, com 34 pontos

Ricciardo deixou Monza com sorriso no rosto: oitavo lugar no Mundial, com 34 pontos

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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