Lançamento online – Livro “Contos Velozes”

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É com muita satisfação que o Contos da Fórmula 1 anuncia o início da venda online do livro “Contos Velozes”. Produzido por meio de uma parceria entre o jornalista Douglas Willians (autor deste blog) e o designer Bruno Mantovani, dos célebres Pilotoons, o livro “Contos Velozes” traz histórias emblemáticas da Fórmula 1. Com formato leve e linguagem direta, tem enfoque no público infanto-juvenil – mas é leitura para todas as idades.

A publicação acaba de sair do forno. Com 60 páginas, a obra reúne 13 das histórias relatadas neste blog. Organizada em ordem cronológica, o livro busca abraçar a Fórmula 1 desde o seu início, na década de 1950 (com Chico Landi), até os dias atuais (com Max Verstappen).

O valor da publicação é de R$ 50,00 (com frete incluso – postagem via Correios). Se tiver interesse em adquirir o livro, entre em contato conosco por meio das nossas redes sociais – Facebook, Twitter ou Instagram – ou pelo e-mail douglas.willians@gmail.com.

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Bélgica-2019: Leclerc dedica primeira vitória ao amigo Hubert

Charles Leclerc (Ferrari) cumprimenta mãe de Anthoine Hubert: primeira vitória do monegasco veio em nome do amigo

Charles Leclerc (Ferrari) abraça Nathalie, mãe de Anthoine Hubert: uma vitória em nome do amigo

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Vencer uma corrida é o sonho de todo piloto de Fórmula 1. E Charles Leclerc (Ferrari) conquistou de forma irrepreensível a tão sonhada primeira vitória no GP da Bélgica de 2019, disputado no dia 1º de setembro, em Spa-Francorchamps. O topo do pódio era dele pela primeira vez. Porém, o monegasco não tinha motivos para comemorar. Ele havia perdido um amigo no dia anterior, justamente no mesmo lugar onde se tornou um vencedor de corridas de F1. A morte de Anthoine Hubert durante a etapa da Fórmula 2 acabou transformando a façanha de Leclerc em um tributo para o jovem francês.

Quando desembarcou em Spa, Charles não imaginava que seu feito serviria como uma homenagem a um companheiro de pistas como Hubert. No retorno das férias de verão, Leclerc se encontrava a 24 pontos de seu companheiro de Ferrari, o tetracampeão Sebastian Vettel – o alemão era o quarto colocado do Mundial, com 156 pontos, enquanto o monegasco ocupava o quinto lugar, com 132. A meta de Charles em Spa era uma só: se aproximar de Seb na tabela de Pilotos.

Ferrari voltou das férias com força: Leclerc (foto) e Vettel foram dominantes nos treinos em Spa

Ferrari voltou forte das férias: Leclerc (foto) e Vettel foram dominantes nos treinos em Spa

Logo no primeiro treino livre para o GP da Bélgica, a Ferrari demonstrou excelente forma, a ponto de não ser incomodada pelas Mercedes de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas. No fim, Leclerc ficou com o segundo lugar, sendo superado por Vettel por 0s214. Já no segundo treino, o monegasco deu o troco no alemão – ele fechou o treino em primeiro, com 1m44s123, 0s630 à frente do tetracampeão, que fez 1m44s753.

O duelo entre Charles e Sebastian prosseguiu no sábado. No qualifying, Leclerc voltou a ser dominante, terminando na frente em todas as fases. No Q3, o monegasco cravou a pole position com o assombroso tempo de 1min42s519. Era a terceira pole dele em 2019. Charles foi 0s748 mais veloz do que Vettel, segundo com 1m43s267. Hamilton, que teve o carro consertado a tempo de participar do Q1, fechou a sessão com o terceiro lugar, com 1m43s282, seguido por Bottas, quarto com 1m43s415.

Leclerc ignorou Vettel e alcançou sua terceira pole em 2019: monegasco foi 0s758 mais rápido do que o alemão

Leclerc alcançou sua terceira pole em 2019, sendo 0s748 mais rápido do que Vettel

Enquanto davam entrevistas após a classificação, acontecia a primeira etapa da Fórmula 2 em Spa. E um momento chocante deixou os pilotos da F1 sem palavras. Anthoine Hubert foi desviar do francês Giuliano Alesi – filho de Jean Alesi – e acabou indo parar na área de escape na curva Raidillon. O carro bateu na proteção de pneus e foi lançado de volta para a pista. Nesse momento, o norte-americano Juan Manuel Correa passava com velocidade pela área de escape e acertou o carro de Hubert, que se partiu em dois com o impacto. Juan Manuel sofreu sérias lesões, ficando semanas em coma e quase tendo o pé direito amputado. Já Anthoine chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu na mesma tarde, aos 22 anos.

Nascido em Lyon, na França, em 22 de setembro de 1996, Hubert começou no kart aos nove anos, em 2006. Até 2012, ele havia travado inúmeras batalhas com Charles, Esteban Ocon (piloto reserva da Mercedes) e Pierre Gasly (que reestreava na Toro Rosso em Spa, após ser “rebaixado” pela Red Bull). Os quatro eram contemporâneos, tendo competido em diversos campeonatos de kart na França. Juntos, eles acabaram ficando conhecidos como “Os Quatro Mosqueteiros”.

Hubert, Leclerc, Ocon e Gasly: os "Quatro Mosqueteiros" juntos em 2005

Da esq. para a dir, Hubert, Leclerc, Ocon e Gasly: os “Quatro Mosqueteiros” juntos em 2005

Em 2013, Anthoine venceu a Fórmula 4 Francesa logo em sua estreia na categoria. No ano seguinte, passou para a Eurocup Fórmula Renault 2.0, na qual ficou até 2016, disputando também algumas corridas da Fórmula Renault 2.0 Alps. Em 2017, se transferiu para a GP3. No ano seguinte, venceu o campeonato, o que lhe abriu as portas para ingressar na Academia de Desenvolvimento de Pilotos da Renault.

Foi dessa maneira que conseguiu o apoio da equipe para disputar a F2 pela Arden em 2019. Até Spa, havia conquistado duas vitórias na categoria – nas etapas curtas de Mônaco e de Paul Ricard. Assim, a possibilidade de ver dos quatro mosqueteiros juntos na F1 estava a ponto de se consolidar. Mas o acidente de Spa interrompeu isso.

Hubert em ação em Spa: em 2019, havia vencido duas provas da F2

Hubert em ação em Spa: em 2019, havia vencido duas provas da F2 (Mônaco e Paul Ricard)

A morte de Hubert foi sentida por todos os pilotos no grid, mas os outros “Três Mosqueteiros” ficaram ainda mais impactados. Ocon, por exemplo, mostrava um semblante perdido, parecendo não acreditar no que tinha acontecido, bem diferente do sorriso que sempre costuma estampar no rosto.

Gasly também estava atônito. “Você não está pronto para viver um momento desses, de perder um de seus melhores amigos, aos 22, 23 anos. Eu conhecia ele (Hubert) desde que eu tinha sete anos, no kart. Nós fomos companheiros de quarto, nós moramos no mesmo apartamento por seis anos. Nós fomos companheiros de sala. Eu estudei dos 13 aos 19 anos com ele, com o mesmo professor em uma escola particular”, relembrou o piloto da Toro Rosso.

Leclerc (à esq.) ao lado de Hubert, nos tempos de kart: amizade dentro e fora das pistas

Leclerc (à esq.) ao lado de Hubert, nos tempos de kart: amizade dentro e fora das pistas

Leclerc recordou dos momentos iniciais de sua carreira ao lado de Hubert. “Perder Anthoine me leva de volta à 2005, no meu primeiro campeonato francês. Estavam ele, Esteban, Pierre e eu. Nós éramos quatro crianças que sonhavam com a Fórmula 1. Nós corremos no kart por muitos e muitos anos e perdê-lo foi um grande choque para mim e claro, para todo mundo no automobilismo, foi um dia triste”, disse.

Pilotos e equipes da F1 reverenciaram Hubert antes do GP da Bélgica de 2019, em Spa

Pilotos e equipes da F1 reverenciaram Hubert antes do GP da Bélgica de 2019, em Spa

A corrida

Antes da largada, os pilotos se reuniram ao redor da mãe e do irmão de Anthoine Hubert para fazer um minuto de silêncio em homenagem ao piloto. As duas provas da F2 haviam sido canceladas e os pilotos no grid estavam divididos sobre correr ou não. “A última coisa que queríamos fazer hoje é correr. Nós não estamos com o melhor estado de espírito, assim como toda a comunidade automobilística, mas nós vamos correr e fazer o nosso melhor, porque é isso que ele merece”, disse Sergio Perez (Racing Point) antes da corrida, sintetizando bem o clima no paddock.

Charles Leclerc (Ferrari) havia recebido uma missão especial de Pierre Gasly (Toro Rosso): o francês pediu para que o monegasco vencesse em Spa em nome de Hubert. Com esse espírito, o ferrarista partiu para a disputa do GP da Bélgica. Na largada, Leclerc manteve a liderança. Lewis Hamilton (Mercedes) tomou o segundo lugar de Sebastian Vettel (Ferrari), mas o alemão conseguiu ultrapassar o britânico ainda na primeira volta, retomando a vice-liderança da prova.

Leclerc largou bem e seguiu à frente de Vettel e Hamilton

Determinado a vencer por Hubert, Leclerc largou bem e permaneceu à frente de Vettel e Hamilton

Enquanto isso, Max Verstappen (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) se tocaram na Raidillon, e o holandês acabou na barreira de pneus. O safety car acabou sendo acionado para retirar o carro de Verstappen. Quando o safety car estava pronto para sair, a McLaren de Carlos Sainz Jr., que já havia tido um problema na largada, apresentou problemas no motor. Com isso, o espanhol teve que abandonar a prova, aumentando a permanência do carro de segurança.

Quando a corrida recomeçou, Leclerc se manteve na liderança, seguido por Vettel, Hamilton, Bottas e Lando Norris (McLaren) – que largou em 11º e conseguiu ganhar muitas posições com os incidentes na pista. O monegasco da Ferrari passou a abrir vantagem média de 2s5 sobre seu companheiro de equipe. Na volta 15, Vettel fez sua parada, voltando em quarto lugar. Com isso, a vantagem de Leclerc sobre Hamilton era de 4 segundos.

Mostrando boa forma, Leclerc não era ameaçado pelos multicampeões: desempenho soberbo do monegasco

Após parar nos boxes, Leclerc caiu para quarto. Monegasco recuperaria a ponta na volta 27

Na 19ª volta, a torcida presente em Spa homenageou Hubert, que corria com o número 19, ao se levantar das arquibancadas e aplaudir o francês. Duas voltas depois, Leclerc fez sua parada, voltando em quarto, logo atrás de Vettel. Nas voltas seguintes, Hamilton e Bottas pararam, fazendo com que Seb assumisse a liderança da etapa belga. Mas com pneus mais novos, Charles passou a tirar 1 segundo por volta, até que na volta 27, o monegasco ultrapassou o alemão e recuperou a liderança da corrida.

Para piorar as coisas para o tetracampeão, além de ver Charles abrindo vantagem na liderança, ele passou a ser ameaçado por Hamilton, que vinha tirando mais de 1 segundo por volta. Na volta 31, o piloto da Mercedes finalmente conseguiu a ultrapassagem, com Vettel, agora ameaçado por Bottas, fazendo sua segunda parada na volta 33. Na frente, Leclerc mantinha uma vantagem de 6s sobre Hamilton.

Em segundo, Hamilton se aproximou e chegou a ameaçar, mas Leclerc assegurou a vitória - sua primeira na F1

Em segundo, Hamilton chegou a ameaçar, mas Leclerc assegurou a vitória – sua primeira na F1

Mas na volta 41, Charles começou a sofrer com o desgaste de pneus e Hamilton diminuiu a vantagem para menos de 3s. Na última volta, Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) bateu na barreira de pneus na curva Pouhon e provocou uma bandeira amarela no local. Um pouco mais à frente, Norris sofreu perda de potência em seu motor Renault e também abandonou a prova na última volta, quando era o quinto colocado. Sua posição acabou ficando para Alexander Albon, que fazia sua corrida de estreia na Red Bull.

Na briga pela vitória em Spa, Hamilton bem que tentou. Ele até conseguiu diminuir a diferença para menos de 1 segundo na última volta. Porém, não foi o suficiente para impedir Leclerc de cruzar a linha de chegada na frente e vencer sua primeira corrida na Fórmula 1. Lewis ficou em segundo, seguido por Bottas e Vettel. A comemoração do vencedor, no entanto, foi contida. Ao sair do carro, Charles apontou para um adesivo em homenagem a Hubert colocado em sua Ferrari e dedicou a vitória ao francês. Era a primeira vitória de um dos mosqueteiros na F1 – que, infelizmente, viria um dia após a morte de um deles.

Para Anthoine, com carinho: Leclerc aponta para o céu e dedica primeira vitória ao francês

“Para Anthoine, com carinho”: Leclerc aponta para o céu e dedica primeira vitória ao francês

“Por um lado, foi um sonho que eu tenho desde que eu era criança sendo realizado, mas do outro, foi um fim de semana muito difícil e nós perdemos um amigo. Eu gostaria de dedicar minha primeira vitória ao Anthoine, nós crescemos juntos, minha primeira corrida na vida foi com ele e é uma pena o que aconteceu. Eu não consigo aproveitar plenamente minha primeira vitória, mas ela ficará na minha memória para sempre”, declarou Leclerc após a corrida.

No pódio, o hino de Mônaco foi tocado pela primeira vez na história da categoria. Mas o momento não era para comemoração. Leclerc, Hamilton e Bottas apenas brindaram com suas garrafas, sem fazer a tradicional festa com champanhe. Com o resultado, Leclerc se tornou o piloto mais jovem a vencer uma corrida pela Ferrari, aos 21 anos, 10 meses e 16 dias. Foi a 236ª vitória da escuderia italiana na F1, e a primeira da equipe em 2019. Já no campeonato, Leclerc reduzia a vantagem para Vettel na batalha interna da Scuderia, de 24 para 12 pontos (169 para Seb, 157 para Charles).

Festa contida para Leclerc: não havia clima para celebração em Spa

Entre Hamilton e Bottas, Leclerc comemora de forma contida: não havia clima para festa em Spa

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

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Brasil-2019: primeiro pódio redentor para Gasly e Sainz

Pierre Gasly (acima) e Carlos Sainz Jr. (abaixo) em Interlagos: pódio redentor para os dois pilotos

Pierre Gasly (à esq.) e Carlos Sainz Jr. (à dir.) em Interlagos: pódio redentor para os dois pilotos

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Redenção. Que melhor palavra pode descrever o pódio do GP do Brasil, disputado em 17 de novembro de 2019, em Interlagos? Pierre Gasly (Toro Rosso) gritava euforicamente ao cruzar a linha de chegada com a Mercedes do já consagrado hexacampeão Lewis Hamilton colado em sua traseira. O francês conquistava o primeiro top 3 de sua carreira ao garantir um improvável segundo lugar. E, com a posterior punição a Hamilton, um outro estreante no palco de celebrações acabou sendo conhecido: Carlos Sainz Jr. (McLaren) obteve seu primeiro pódio na carreira ao ser alçado à terceira colocação da etapa brasileira.

Esse pódio redentor teve um sabor especial para Gasly e Sainz. A começar pelo francês: com a saída de Daniel Ricciardo da Red Bull no final de 2018, Pierre ganhou uma chance na equipe austríaca, tendo Max Verstappen como seu companheiro. Mas seus resultados não agradaram. Tanto que, após o GP da Hungria, em Hungaroring, ele acabou sendo substituído pelo anglo-tailandês Alex Albon. E isso ocorreu mesmo depois de o consultor da Red Bull, Helmut Marko, afirmar a Gasly que sua vaga na equipe principal estava garantida até o final da temporada.

Após ser 'rebaixado' da Red Bull para a Toro Rosso, Gasly reencontrou a boa forma de 2018

Após ser ‘rebaixado’ da Red Bull para a Toro Rosso, Gasly reencontrou a boa forma de 2018

De volta à Toro Rosso, Gasly passou a ter um bom desempenho em comparação ao seu companheiro de equipe, Daniil Kvyat, sendo nono colocado no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps – sua primeira corrida no retorno à Toro Rosso. Levando em consideração que Mercedes, Ferrari e Red Bull dominavam as seis primeiras colocações, Gasly conseguiu se meter na briga entre McLaren e Renault, times que disputavam o quarto e o quinto lugares no Mundial de Construtores.

Já Carlos Sainz Jr. chegou na McLaren com uma difícil missão: ajudar a equipe a se reerguer, substituindo seu ídolo Fernando Alonso e sendo o líder nesta missão – já que seu companheiro, Lando Norris, de 19 anos, fazia sua estreia na categoria. Muitos duvidaram da escolha dos pilotos, já que Carlos sempre era o rejeitado pelas equipes e Lando não tinha experiência. Mas a dupla deu liga desde o início. Com isso, a equipe se consolidou na quarta colocação entre os Construtores, muito graças ao empenho de Sainz, que conseguiu bons resultados durante a temporada.

Sainz desembarcou em Interlagos disposto a repetir as boas performances de Silverstone e Hungaroring

Sainz desembarcou no Brasil disposto a repetir as boas performances de Silverstone e Hungaroring

Diante dos bons pontos conquistados em 2019, surgia um novo apelido para “Chili”, como Sainz é conhecido por seus amigos: “o Smooth Operator”. Smooth Operator pode ser definido como alguém que realiza uma tarefa com eficiência e graça e retrata bem a fase que vive o espanhol. O apelido surgiu durante o GP da Inglaterra. No caminho para Silverstone, a música “Smooth Operator”, da cantora Sade, começou a tocar no rádio. Com a música grudada na cabeça, o piloto da McLaren não pensou duas vezes: cantou a música no rádio após cruzar a linha de chegada em sexto lugar, sua melhor colocação até então. Sainz repetiu a cantoria na Hungria, na qual também teve um bom resultado: a quinta colocação.

“Nas duas corridas em que fiz tudo certo (Inglaterra e Hungria), eu a cantei. Obviamente está conectado. Tem que ser em corridas perfeitas. Eu só vou cantar em corridas perfeitas. Hungria foi perfeita. Silverstone, largando em 13º e terminando em 6º, segurando Ricciardo por 12 voltas com um carro mais rápido, foi perfeita”, afirmou Carlos.
Apelidos à parte, tanto Sainz quanto Gasly chegaram ao Brasil em meio a uma disputa acirrada. Alex Albon desembarcou em São Paulo ocupando a sexta colocação no Mundial, com 84 pontos. Sainz vinha em sétimo, com 80 e Gasly vinha logo atrás, com 77 pontos. As duas últimas corridas da temporada seriam decisivas nessa disputa pelo sexto lugar entre os Pilotos.

Desde a sexta, Gasly mostrou bom desempenho em Interlagos: punição a Leclerc rendeu 6º lugar no grid

Desde a sexta, Gasly mostrou boa forma em Interlagos: punição a Leclerc rendeu 6º lugar no grid

Nos treinos livres para o GP do Brasil, Gasly começou bem, fazendo o oitavo melhor tempo. Nos dois treinos seguintes, foi o 12º colocado. Para Sainz, a história do fim de semana em Interlagos não começou de maneira positiva. O piloto da McLaren foi o quinto colocado no primeiro treino livre e conseguiu o 10º lugar nos dois treinos seguintes. Mas um problema na unidade de potência o tiraria do qualifying. “Eu senti uma perda de potência ao sair da última curva e nós não tivemos tempo de resolvê-la. É uma grande decepção, porque nós poderíamos ter um bom resultado no qualifying. Nós sabemos que será uma corrida muito desafiadora, mas nós vamos tentar ver nossas opções e minimizar os danos”, disse o espanhol, que conseguiu autorização para largar em último.

Já Gasly manteve o bom ritmo e conseguiu o sétimo lugar no qualifying, com o tempo de 1m08s837 – bem à frente de Kvyat, que conseguiu o 16º lugar, com 1m09s320. Como Charles Leclerc (Ferrari) perderia posições no grid por conta de punição, o piloto da Toro Rosso sairia numa excelente sexta posição. Na frente do grid, Max Verstappen (Red Bull) mostrou que anda bem em Interlagos e fez a pole com o tempo de 1m07s508 – 1s329 à frente do francês da Toro Rosso. Foi a segunda pole do holandês na F1, que superou os multicampeões Lewis Hamilton (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari) de forma irretocável.

Largada do GP do Brasil de 2019, em Interlagos: enquanto Sainz iniciava 'remontada', Gasly se firmava em 7º

Largada do GP do Brasil de 2019: enquanto Sainz iniciava ‘remontada’, Gasly se firmava em sétimo

A corrida

O que tinha começado mal no sábado se transformaria em êxtase no domingo para Carlos Sainz Jr. (McLaren). Após largar em último, o espanhol conseguiu ultrapassar os dois carros da Williams na primeira volta. A partir daí, o espanhol começou uma série de ultrapassagens e na quarta volta já estava em 15º. Na oitava volta, Ricciardo e Magnussen se tocaram e o piloto da McLaren herdou duas posições, subindo para 13º. Pela colisão, o australiano foi punido com 5 segundos em sua parada.

Enquanto Sainz recuperava posições, Gasly liderava o pelotão intermediário, em sétimo, atrás dos carros da Red Bull, Mercedes e Ferrari – Charles Leclerc, que largou em 14º, fazia uma boa corrida e já estava em sexto lugar após 10 voltas. Pierre faria seu primeiro pit stop na volta 23, caindo para o 12º lugar. Já Carlos administrava seus pneus e com as paradas dos demais pilotos, já ocupava a sétima posição com 29 voltas completadas. Apostando em apenas uma parada, o espanhol fez seu pit stop somente na volta 30, voltando na 15ª posição.

Recuperação de Sainz era notável, mas o espanhol só entrou na luta pelo pódio graças ao safety car

Recuperação de Sainz era notável, mas o espanhol só entrou na luta pelo pódio graças ao safety car

Com 36 voltas completadas, Verstappen continuava na liderança, seguido de Hamilton, Vettel, Valtteri Bottas (Mercedes), Alex Albon (Red Bull), Leclerc e Gasly. Com o desgaste dos pneus, os pilotos começaram a fazer suas segundas paradas. Com isso, Sainz subiu para a 10ª posição, com Gasly em oitavo. Um pouco mais à frente, Bottas sofria para ultrapassar Leclerc, mesmo tendo pneus mais novos. Na volta 52, o finlandês, que estava em quinto e perseguia o monegasco, teve problemas no motor e teve que abandonar.

Apesar de ter parado em uma posição segura, um declive na área de escape impediu que os fiscais retirassem a Mercedes. A solução foi retirar o carro usando um guindaste, ação que levou ao primeiro safety car da corrida. Isso colocou Gasly e Sainz no mesmo pelotão dos líderes da prova. Apesar de estar na liderança, Verstappen ousou e parou nos boxes para seu terceiro pit stop, voltando em segundo, atrás de Hamilton. Leclerc também fez mais uma parada, voltando em quinto, atrás de Albon e Vettel.

Gasly, o intruso entre o líder Verstappen e o hexacampeão Hamilton

Gasly, um intruso entre o líder Verstappen e o hexacampeão Hamilton: pódio passava a ser palpável

Com 12 voltas para o fim, a corrida foi reiniciada e Verstappen se aproveitou da reta e ultrapassou Hamilton, que passou a ser ameaçado por Albon. Um pouco mais atrás, Vettel e Leclerc disputavam a quarta colocação, com Gasly e Sainz logo atrás. Faltando cinco voltas para o fim da corrida, uma disputa fratricida entre Leclerc e Vettel deixaria a Fórmula 1 em choque. Os pilotos da Ferrari se tocaram em plena Reta Oposta e, com danos nos dois carros, a dupla abandonou a prova e provocou nova entrada do safety car.
Hamilton aproveitou o carro de segurança para fazer mais uma parada, voltando em quarto, atrás de Verstappen, Albon e Gasly. Sainz era o quinto colocado.

Quando a corrida recomeçou, faltando duas voltas para o fim, Lewis não teve dificuldade em ultrapassar Pierre, mas quando foi a vez de tentar uma manobra em cima de Albon, o inglês acabou tocando no carro da Red Bull no Bico de Pato, mandando o tailandês para o fim do pelotão. Na volta final, Hamilton ainda tentou, mas Gasly conseguiu se manter à frente do carro da Mercedes, terminando a prova em segundo lugar. Era a concretização de um sonho para o piloto da Toro Rosso.

Gasly se mantém à frente de Hamilton e conquista um irrepreensível segundo lugar em Interlagos: para a história

Gasly se mantém à frente de Hamilton e obtém um irrepreensível 2º lugar no Brasil: para a história

“Você sonha bastante em estar na F1, você sonha com seu primeiro pódio, mas quando acontece, todas as emoções que você sente são imprevisíveis. É só o melhor dia da minha vida”, disse o francês, que vibrou bastante junto com a Toro Rosso, que subiu no pódio pela segunda vez na temporada, após o terceiro lugar de Kvyat na Alemanha, e pela terceira vez em sua história, após a vitória de Vettel no GP da Itália de 2008. Também foi uma façanha histórica para o automobilismo francês, já que Pierre foi o primeiro piloto do país a subir no pódio desde 2015, quando Grosjean conseguiu o terceiro lugar na Bélgica. Ele também é o 22º piloto francês a subir no pódio e o mais jovem a conseguir o feito, com 23 anos, 9 meses e 10 dias.

Após cruzar a linha de chegada em terceiro, Hamilton acabou indo para o pódio normalmente, sem que uma decisão sobre a investigação do acidente com Albon tivesse sido divulgada. Depois da cerimônia, o hexacampeão assumiu a culpa pelo toque com o tailandês e foi penalizado com o acréscimo de 5 segundos em seu tempo, o que o fez cair para a sétima colocação. Com isso, Sainz herdaria o pódio, após ter largado em último.
Como a decisão dos comissários demorou muito para sair, a equipe McLaren pôde fazer a festa para o espanhol num pódio só para ela, com direito a chuva de champanhe oferecida pela Mercedes e a música Smooth Operator cantada pela equipe a pleno pulmões.

Punição a Hamilton fez com que Sainz herdasse o 3º lugar, tornando-se o 4º espanhol a subir num pódio da F1

Punição a Hamilton fez com que Sainz herdasse o 3º lugar: 4º espanhol a subir num pódio da F1

“Eu estou extremamente feliz com primeiro pódio na F1, como vocês podem imaginar. Largando em 20º, nunca desistindo e terminando em P3 faz ser muito especial. Quando você está brigando no pelotão do meio, as chances de pisar no pódio são muito raras, talvez uma vez ao ano. Na Alemanha, eu senti que eu perdi a oportunidade, já que eu fiquei perto de terminar em terceiro lá. Então, conseguir o pódio no Brasil significa tudo para mim, após um ano muito consistente”, escreveu o espanhol em seu blog.

Foi o primeiro pódio da McLaren desde 2014, quando Kevin Magnussen terminou em segundo e Jenson Button em terceiro no GP da Austrália, em Melbourne. E foi o primeiro pódio, depois de 101 corridas, do “rejeitado” Sainz na categoria, o quarto piloto espanhol a conseguir subir no pódio na F1 – Alfonso de Portago, Fernando Alonso e Pedro de la Rosa foram os anteriores. Esse também foi o centésimo pódio da Espanha na categoria e o primeiro desde Alonso no GP da Hungria em 2014, em Hungaroring.

Gasly foi o primeiro francês a alcançar o pódio em quatro anos - desde Grosjean, em Spa-2015

Gasly foi o primeiro francês a alcançar o pódio da F1 em quatro anos – desde Grosjean, em Spa-2015

Tendo Verstappen 22 anos, Gasly 23 e Sainz 25, o pódio de Interlagos foi o mais jovem da história da F1, tendo uma média de idade de 22,3 anos. E, quanto à briga pelo sexto lugar do Mundial de Pilotos, ela só acabaria em Abu Dhabi, última corrida da temporada. Os dois personagens da redenção de Interlagos saíram do Brasil empatados com 95 pontos, contra 84 de Albon.

Sainz celebra o 3º lugar com integrantes da McLaren: vivo na luta pelo 6º lugar de Pilotos

Pódio em Interlagos manteve Sainz na luta pelo 6º lugar de Pilotos: disputa com Gasly e Albon

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

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Espanha-2019: Magnussen vence duelo com Grosjean e é 7º

Kevin Magnussen (à esq.) e Romain Grosjean (à dir.) se tocaram em duas oportunidades durante o GP da Espanha: dinamarquês levou a melhor

Magnussen (à esq.) e Grosjean (à dir.) se tocaram em Montmeló: bom para Kevin, ruim para a Haas

Que Kevin Magnussen tem se caracterizado por ser um piloto intimidador, ninguém contesta. Nem mesmo a Haas, a equipe do dinamarquês. Porém, e quando o feitiço se vira contra o feiticeiro? Foi o que aconteceu no GP da Espanha de 2019, em Montmeló. Magnussen ignorou o fato de duelar com o companheiro de time, Romain Grosjean, na pista espanhola. Não só isso: Kevin colocou em risco a conquista de pontos da escuderia norte-americana ao travar disputas frenéticas com o francês. Isso tem feito parte da carreira do danês. E tem sido assim que ele tem conquistado bons resultados. Polêmicas à parte, Magnussen alcançou um bom sétimo lugar no circuito catalão, sendo o melhor piloto a completar a etapa sem competir por um carro de Mercedes, Red Bull ou Ferrari. Com o resultado, KMag assumiu a sétima posição do Mundial de Pilotos, com 14 pontos, e ajudou a Haas a subir para o sexto lugar entre os Construtores.

Não foi a primeira vez que o ímpeto agressivo de Magnussen entrou em cena em Montmeló. No GP da Espanha de 2018, o dinamarquês também se envolveu em polêmica. Mesmo assim, arrancou a sexta posição em solo catalão. Ao desembarcar no circuito espanhol, Kevin recordou do bom resultado, ignorando o histórico de confusões. Ele queria mesmo era voltar a pontuar em 2019, uma vez que, após conquistar o sexto lugar no GP da Austrália, em Melbourne, o dinamarquês emplacou uma sequência de três corridas fora da zona de pontuação – KMag terminou em 13º nos GPs do Bahrein, em Sakhir, da China, em Xangai, e do Azerbaijão, em Baku. Por isso, o danês tratou de acelerar em Montmeló. Na sexta, primeiro dia de treinos, Magnussen foi o oitavo, com 1m18s355. Ele ficou a 0s202 de Grosjean, sexto com 1m18s153. O melhor da sexta foi Valtteri Bottas (Mercedes), com 1m17s284 – 1s071 mais veloz do que Magnussen, que ficou entusiasmado com o equilíbrio apresentado pela Haas na pista espanhola.

Foram os primeiros pontos de Magnussen desde o GP da Austrália, em Melbourne: 7º no Mundial

Foram os primeiros pontos de Magnussen desde o GP da Austrália, em Melbourne: 7º no Mundial

“Estou otimista. Nosso ritmo de corrida parece melhor e nosso ritmo de qualificação parece fantástico. Então, não há razão para não ser positivo”, apontou Kevin, sem esconder uma preocupação: o gerenciamento dos pneus para o GP da Espanha. “Adoraria encontrar respostas e entender nosso principal problema, que é a administração dos pneus para a corrida. Acho que estamos melhores hoje (sexta), mas não sei se sabemos por quê. Mas vou falar com os rapazes – ainda não tive tempo, por isso estou ansioso para saber se existe alguma coisa nos dados que possamos analisar e esperar encontrar algumas respostas”, observou.

As soluções que tanto Magnussen procurava na sexta foram encontradas no sábado, dia do qualifying para o GP da Espanha. Tanto ele quanto Grosjean mostraram excelente forma nas duas primeiras fases do treino oficial, colocando os dois carros da Haas no Q3 de Montmeló. No fim da sessão decisiva, Kevin e Romain estavam mais velozes do que Daniel Ricciardo (Renault) e Daniil Kvyat (Toro Rosso). Por outro lado, as três potências – Mercedes, Ferrari e Red Bull – eram inalcançáveis para a dupla. Assim, os dois travaram um duelo à parte pelo sétimo lugar no grid. No fim, o francês levou a melhor, com 1m16s911, 0s011 mais veloz do que o dinamarquês, oitavo com 1m16s922. A pole position da etapa espanhola ficou com Valtteri Bottas (Mercedes). Para assegurar a nona pole da carreira, o finlandês anotou 1m15s406 – 1s516 mais veloz do que Magnussen.

Magnussen (foto) e Grosjean avançaram para o Q3 de Montmeló: Romain bateu Kevin por 0s011

Magnussen (foto) e Grosjean avançaram para o Q3 de Montmeló: Romain bateu Kevin por 0s011

Kevin se mostrou satisfeito com o desempenho da Haas em Montmeló.”Fizemos o máximo que podíamos hoje (sábado). Estamos a apenas dois décimos de segundo da Red Bull e à frente do resto do ‘segundo pelotão’. Estou muito feliz. Porém, estamos basicamente aprendendo no momento. Amanhã (domingo) será um grande teste e também um grande dia de aprendizado. Não temos a certeza do ritmo de corrida, sabemos que é uma pista difícil de ultrapassar. Não vai ser uma corrida fácil, mas penso que estamos numa boa posição para marcar bons pontos”, avaliou o dinamarquês.

Largada do GP da Espanha de 2019: pilotos da Haas mantiveram suas posições do grid

Largada do GP da Espanha de 2019: pilotos da Haas mantiveram suas posições do grid

A corrida

Domingo, 12 de maio de 2019. O calor e o vento característicos estavam presentes em Montmeló para a disputa do GP da Espanha. Na quarta fila do grid, os dois carros da Haas se encontravam lado a lado. A expectativa era a de que tanto Magnussen quanto Grosjean conquistassem um bom resultado no circuito catalão. Ambos calçavam pneus macios, e a meta para o primeiro stint era o de estender ao máximo a permanência com esses compostos na pista. Estratégias traçadas, e Kevin e Romain partiram confiantes na largada. O francês chegou a atacar Pierre Gasly (Red Bull) nas primeiras curvas, mas continuou em sétimo. Já o dinamarquês saltou mal, mas se manteve em oitavo. A partir dali, a tônica da corrida se desenhava: o ritmo dos pilotos ditaria o destino do resultado. Sem poder acompanhar os seis primeiros, Grosjean e Magnussen passaram a se preocupar com a dupla da Toro Rosso – Daniil Kvyat era o nono, e Alexander Albon, o 10º.

Na volta 5, Magnussen estava 2s3 atrás de Grosjean. Por outro lado, tinha 1s3 de vantagem sobre Kvyat. Na 10, o francês abria 3s7 sobre o dinamarquês. KMag, por sua vez, seguia com o russo da Toro Rosso em seus calcanhares – a vantagem era de 1s6. O panorama continuaria o mesmo até o início da primeira janela de pit stop. O primeiro dos ponteiros a ir aos boxes foi Sebastian Vettel (Ferrari). Com a parada do alemão, na volta 20, Romain subiu para sexto e Kevin, para sétimo. Na volta 23, Magnussen foi chamado pela Haas para realizar a troca de pneus. Era uma reação ao pit stop de Kvyat, na volta anterior. Na parada, a equipe norte-americana sacou os pneus macios e colocou os médios (mais resistentes). Entretanto, seria difícil saber se os compostos resistiriam até a bandeirada. O danês retornou à pista na 14ª posição, à frente de Daniil.

Magnussen sofreu com a pressão de Kvyat

Magnussen sofreu com a pressão de Kvyat em Montmeló. Tanto que a Haas alterou sua estratégia

Com as paradas de Daniel Ricciardo (Renault), Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Sergio Pérez (Racing Point) na volta 25, Magnussen ascendeu para o 11º lugar. Na 26, foi a vez de Albon e Lando Norris (McLaren) ingressarem nos boxes para o pit stop, o que recolocou Kevin na zona de pontuação, em nono lugar. Na 27, Grosjean também fez sua parada, retornando em sétimo. Entre os carros da Haas, estava Nico Hulkenberg (Renault), que estendia sua permanência na pista com pneus médios. Magnussen colou no alemão, mas não conseguia realizar a ultrapassagem. Apenas na volta 33, tanto Kevin quanto Kvyat superaram Hulkenberg. Dessa forma, Magnussen voltava à oitava posição. Entretanto, o russo da Toro Rosso mostrava boa forma em Montmeló. Na volta 36, Daniil superou KMag na freada da Reta dos Boxes. Assim, o dinamarquês caía para nono.

O ritmo de Kvyat era impressionante. Na volta 38, o russo já colocava 3 segundos de vantagem sobre Magnussen. Era sinal de que o cenário estava complicado para o dinamarquês da Haas. Porém, o panorama da corrida mudaria na volta 46 – e com isso, a sorte de Kevin: um acidente entre Norris e Lance Stroll (Racing Point) na Curva 2 fez com que o safety car fosse acionado. Assim, os pilotos ingressaram nos boxes. Na Haas, tanto Magnussen quanto Grosjean optaram pelos pneus macios. A partir daquele momento, os compostos resistiriam até o fim da corrida. Na volta ao pelotão, Romain estava em sétimo, e Kevin ganhou a posição de Kvyat, reassumindo o oitavo lugar.

Ataque de Magnussen a Grosjean veio após a relargada, na volta 52: manobra ousada

Ataque de Magnussen a Grosjean veio após a relargada, na volta 53: manobra deixou Haas sob tensão

A relargada ocorreu na volta 53. E com ela, veio o desespero da Haas. Magnussen emparelhou com Grosjean ao fim da Reta dos Boxes e não deu espaço para o companheiro de equipe fazer a curva. Romain foi obrigado a sair da pista, e Kevin assumiu a sétima posição. KMag ainda ameaçou Gasly, mas o francês da Red Bull se segurou em sexto. A partir dali, o dinamarquês tinha que se preocupar com a pressão de Grosjean. Com melhor ritmo, o francês queria dar o troco no danês. Na volta 57, ao fim da Reta dos Boxes e se aproveitando do DRS, Romain partiu para cima de Kevin. Entretanto, o dinamarquês voltou a se defender, fazendo com que o francês voltasse a sair da pista. Essa segunda escapada deixou Grosjean para trás – o carro dele ficou danificado. Com isso, perdeu posições para Sainz e Kvyat, caindo para 10º.

Magnussen pouco se importou com o problema do companheiro, seguindo caminho para a conquista do sétimo lugar do GP da Espanha de 2019. A vitória em Montmeló ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 76º triunfo do britânico na carreira – e o terceiro no ano. Com isso, Hamilton reassumiu a liderança do Mundial, com 112 pontos. Valtteri Bottas (Mercedes) terminou em segundo, e viu Lewis colocar 7 pontos de vantagem na ponta da classificação – o finlandês deixou o circuito espanhol com 105 pontos. Max Verstappen (Red Bull) completou o pódio.

Magnussen na pista, Grosjean fora: assim foi o desfecho do duelo interno da Haas

Magnussen na pista, Grosjean fora: esse foi o resum0 do duelo interno da Haas em Montmeló

Apesar do bom resultado, o clima nos boxes da Haas era pesado. Tanto Kevin quanto Romain tiveram que se explicar para os dirigentes da escuderia. No fim, o dinamarquês comentou o entrevero com o francês. “Houve contato com Romain. Não é o que você espera, o contato entre os companheiros de equipe. Não é o que queremos ver, mas não foi nada intencional. Ainda bem que terminamos com dois carros nos pontos”, observou Magnussen, que, no fim, comemorou o fato de retornar ao top 10. “É ótimo ter um bom resultado depois de algumas corridas ruins. Temos lutado para gerenciar os pneus, mas eles parecem estar trabalhando muito melhor neste final de semana. Eles trabalharam em todas as condições, então estou muito feliz com isso”, finalizou.

Gunther Steiner, chefe da Haas, conversa com Magnussen e Grosjean: atrito foi assunto pós-GP da Espanha

Gunther Steiner, chefe da Haas, fala com Magnussen e Grosjean: atrito foi assunto pós-Montmeló

Publicado em Alexander Albon, Carlos Sainz Jr., Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, Espanha, Haas, Kevin Magnussen, Lance Stroll, Lando Norris, McLaren, Montmeló, Nico Hulkenberg, Racing Point, Renault, Romain Grosjean, Sergio Pérez, Toro Rosso | Publicar um comentário

Azerbaijão-2019: rei de Baku, Pérez põe a Racing Point no top 6

Sergio Pérez conquistou o primeiro top 6 da história da Racing Point na F1

Sergio Pérez conquistou o primeiro top 6 da história da Racing Point na F1 ao ser sexto em Baku

Na quarta corrida de sua história, a Racing Point conquistou seu primeiro top 6 na Fórmula 1. Coube a Sergio Pérez levar o carro rosa ao sexto lugar no GP do Azerbaijão de 2019, em Baku. Foi o melhor resultado da equipe desde o seu ingresso oficial na categoria máxima do automobilismo. A Racing Point assumiu o espólio da Force India antes do GP da Bélgica de 2018, em Spa-Francorchamps, graças à intervenção do magnata Lawrence Stroll – sim, o pai de Lance Stroll. Porém, apenas em 2019 passou a usar o nome atual. Lawrence colocou Lance no lugar de Esteban Ocon. Por outro lado, manteve Pérez como titular do time. Com as conquistas do sexto lugar de Checo e da nona posição de Stroll em Baku, o time de Lawrence Stroll avançou consideravelmente na tabela de classificação dos Construtores – a escuderia passou a ocupar o quinto lugar do Mundial com 17 pontos, um a menos que a McLaren, quarta colocada com 18.

Por sua vez, Pérez passou a dividir o sexto lugar no Mundial de Pilotos, com 13 pontos – mesma pontuação de Pierre Gasly (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo). Sergio deixou o Azerbaijão atrás somente das duplas de Mercedes – Valtteri Bottas e Lewis Hamilton – e da Ferrari – Sebastian Vettel e Charles Leclerc -, além de Max Verstappen (Red Bull). O top 6 fez com que o latino aumentasse seu cartel positivo em Baku. Nas três edições da prova na capital do Azerbaijão, o asteca também havia figurado entre os seis primeiros: em 2016 (quando ainda era o GP da Europa) e em 2018, Sergio terminou em terceiro. Já em 2017, conquistou a sexta colocação.

Nas três provas anteriores em Baku, Pérez havia conquistado dois 3º lugares e um 6º - todos com Force India

Nas três provas anteriores em Baku, Pérez havia obtido dois 3º lugares e um 6º: bom retrospecto

Checo desembarcou em Baku ostentando o título de piloto com mais pódios na etapa. Entretanto, ele sabia que seria quase impossível manter essa escrita. Mercedes e Ferrari eram dominantes. Em contrapartida, o carro da Racing Point não tinha apresentado bom desempenho nas três provas anteriores – o melhor resultado havia sido o oitavo lugar de Sergio no GP da China, em Xangai. Pérez queria aproveitar o seu bom retrospecto e usar isso a favor da sua equipe. Na sexta, dia dos primeiros treinos para o GP do Azerbaijão, Sergio queria aproveitar o máximo possível de tempo de pista para acertar seu carro. Entretanto, após o acidente de George Russell (Williams), ocasionado por um bueiro aberto, a direção da prova decidiu cancelar o primeiro treino livre.

Os pilotos e as equipes só puderam ter um maior contato com a pista de rua no segundo treino livre.  Pérez terminou em 13º, com 1m45s436. O mexicano ficou 2s439 à frente de Lance Stroll – companheiro de Checo, o canadense sofreu um acidente na sessão e ficou em 19º, com 1m47s875. A marca do latino ficou a 2s564 de Charles Leclerc (Ferrari), o melhor do dia com 1m42s872. “Foi um dia difícil depois de perder um valioso tempo de pista no primeiro treino. Eu tive um grande problema com meus pneus na segunda sessão que também me prejudicaram um pouco, mas fora isso estou satisfeito com o progresso que fizemos durante o treino. Espero que esta noite possamos encontrar alguns décimos que nos colocarão na luta amanhã (sábado). Colocamos uma boa quantidade de voltas na tabela, o que é importante em torno deste circuito: você precisa da maior quilometragem possível para aumentar sua confiança à medida que o fim de semana avança”.

Na sexta, apenas um treino foi realizado integralmente em Baku: isso atrapalhou Pérez, 13º do dia

Na sexta, apenas um treino foi realizado integralmente em Baku: isso atrapalhou Pérez, 13º do dia

Diante do que foi apresentado na sexta, Sergio se mostrou cético sobre a possibilidade de repetir um bom resultado em Baku. “Eu não estava tão confiante como em outros anos por aqui. Acho que podemos melhorar muito amanhã (sábado). A chave para a classificação será manter o sentimento com o carro e melhorar nosso equilíbrio. Temos um pouco dessa confiança nos stints longos, mas precisamos disso em apenas uma volta. Outros carros são muito competitivos por aqui, mas vamos tentar o nosso melhor”, disse.

No sábado, a Racing Point teve motivos para lamentar e celebrar. A lamentação ficou por conta da eliminação precoce de Stroll, 16º com 1m42s630. Já a celebração se deu graças ao excelente desempenho de Pérez. O mexicano não só avançou para o Q3, como também alcançou a quinta posição, anotando o excelente tempo de 1m41s593. O asteca ficou a 1s098 de Valtteri Bottas (Mercedes) – o finlandês anotou sua oitava pole na carreira com 1m40s495. É bem verdade que Checo contou com as ausências de Pierre Gasly (Red Bull) -que, punido, sequer participou do Q3 – e de Charles Leclerc (Ferrari) – que sofreu um acidente no início da sessão decisiva, não marcando tempo. Mesmo assim, a marca do latino revelou que o RP19 havia encontrado um melhor equilíbrio em Baku.

Checo brilhou no sábado, ao alcançar o quinto lugar no grid do GP do Azerbaijão

Checo brilhou no sábado, ao alcançar o quinto lugar no grid do GP do Azerbaijão

“Foi uma ótima classificação. A equipe fez um tremendo trabalho em termos de estratégia. Nós reagimos muito bem e tomamos todas as decisões certas – quando entrar na pista e quando ficar nos boxes. Foi uma longa sessão, a pista esfriou bastante, mas creio que fizemos um bom trabalho e conseguimos extrair mais do carro. Esta é uma pista única, ela força o piloto ao máximo. Você precisa estar no limite em todas as voltas sem cometer nenhum erro, o que exige bastante comprometimento e confiança. Será uma corrida longa, temos alguns carros muito velozes ao nosso redor, mas tudo pode acontecer aqui em Baku. Um único erro pode custar bem caro. É importante manter a calma, e acho que podemos marcar um bom número de pontos se conseguirmos terminar a prova”, analisou Pérez.

Largada do GP do Azerbaijão de 2019: arrojado, Pérez tomou quarto lugar de Verstappen

Largada do GP do Azerbaijão de 2019: arrojado, Pérez tomou quarto lugar de Verstappen

A corrida

Domingo, 28 de abril de 2019. A tarde brilhava em Baku, capital azeri, para a disputa do GP do Azerbaijão. Quinto no grid, Sergio Pérez (Racing Point) tinha a expectativa de repetir os bons resultados das provas anteriores no seletivo e veloz circuito de rua. Calçando pneus macios, o mexicano tentaria estender ao máximo sua presença na pista durante o primeiro stint. Porém, ele precisaria também fazer uma boa largada para manter a esperança de conquistar bons pontos na corrida. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Checo foi ousado e emparelhou seu Racing Point com ninguém menos do que Max Verstappen (Red Bull). Na disputa com o holandês, o asteca ficou do lado de fora nas quatro primeiras curvas. No fim, levou a melhor, assumindo a quarta colocação.

Imprimindo um forte ritmo, Sergio se manteve à frente de Max. Porém, aos poucos, o latino perdia o contato com Sebastian Vettel (Ferrari), o terceiro lugar, e permitia a aproximação não só do holandês, como também de Charles Leclerc (Ferrari). Era o natural desgaste dos pneus macios. Na volta 6, Pérez não resistiu aos ataques de Verstappen e Leclerc. De uma só vez, Checo caiu de quarto para sexto. Enquanto Max e Charles sumiam à sua frente, Sergio passava a se preocupar com a pressão da dupla da McLaren – primeiro com Lando Norris, depois com Carlos Sainz Jr.. Após o pit stop de Norris, na volta 9, a Racing Point decidiu chamar Pérez para os boxes na 10. Na troca, o time sacou os pneus macios e colocou os compostos médios. Dessa forma, a escuderia acreditava que o asteca poderia completar a corrida sem mais parar nos boxes.

Pérez bem que tentou, mas não foi páreo para Verstappen e Leclerc

Pérez bem que tentou seguir em quarto, mas não foi páreo para Verstappen e Leclerc

No retorno à pista, Pérez ocupava a 10ª posição, justamente à frente de Norris. Com o pit stop de Alexander Albon (Toro Rosso), na volta 11, o mexicano subiu para nono. Após a parada de Sainz, na volta 12, Checo ascendeu para oitavo. Na 13, o piloto da Racing Point superou Romain Grosjean (Haas), ganhando a sétima posição. Naquele momento, Sergio estava atrás de Pierre Gasly (Red Bull), que, com uma tática mais conservadora, se colocava à frente do mexicano. Na volta 18, a vantagem do francês sobre o latino alcançava 14s8. O objetivo de Gasly era um só: abrir sobre Pérez para tomar a sexta posição. Para isso, precisava estender ao máximo sua presença na pista para realizar o pit stop e voltar para a pista na frente do adversário da Racing Point. Por outro lado, Checo precisava administrar a vantagem que tinha sobre Norris e Sainz.

Na volta 26, Pierre colocava 20s6 de vantagem sobre Sergio. Por sua vez, Pérez tinha 1s9 sobre Norris. Na 37, a diferença entre o francês da Red Bull e o mexicano da Force India alcançou a casa de 30 segundos. Por outro lado, Checo conseguiu colocar 11 segundos sobre Lando. Dessa forma, o sétimo lugar parecia assegurado para o latino. Entretanto, na volta 39, Gasly teve problemas no sistema de transmissão de seu bólido, sendo obrigado a abandonar. Dessa forma, Sergio reassumiu a sexta colocação. Com uma vantagem sob controle sobre Sainz – que superou Norris no duelo interno da McLaren -, bastava ao mexicano levar seu Racing Point até a bandeirada. E foi o que fez.

Com um bom ritmo, Checo não foi incomodado pela dupla da McLaren - Sainz e Norris

Checo não foi incomodado pela dupla da McLaren e contou com o abandono de Gasly para ser 6º

A vitória no GP do Azerbaijão ficou com Valtteri Bottas (Mercedes). Foi a quinta vitória da carreira do finlandês, a segunda em 2019. Com o triunfo, Bottas recuperou a liderança do Mundial de Pilotos, com 87 pontos – um a mais do que Lewis Hamilton (Mercedes), que terminou em segundo em Baku. Vettel completou o pódio. Mas quem celebrou o quarto top 6 consecutivo no circuito azeri foi Pérez, que ficou extremamente satisfeito com o resultado. “Foi um dia fantástico. Tudo pareceu promissor na largada quando passei Verstappen, mas não tivemos velocidade para lutar contra a Red Bull ao longo da prova. Na verdade, eu estava focado em manter a McLaren atrás. Não foi fácil e precisei pilotar cautelosamente por toda a corrida. Estou feliz porque tivemos sucesso em manter nossa posição, agora podemos celebrar um bom dia para a equipe com ambos os carros nos pontos”, afirmou Sergio, mencionando o nono lugar de Lance Stroll.

Com o resultado, Pérez subiu para 6º no Mundial de Pilotos, com 13 pontos

Com o resultado obtido em Baku, Pérez subiu para 6º no Mundial de Pilotos, com 13 pontos

Publicado em Alexander Albon, Azerbaijão, Baku, Carlos Sainz Jr., George Russell, Haas, Lance Stroll, Lando Norris, Lawrence Stroll, McLaren, Racing Point, Romain Grosjean, Sergio Pérez, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

China-2019: Albon pontua após largar dos boxes em Xangai

Alexander Albon (Toro Rosso) foi o Piloto do Dia do 1.000º GP da história da F1: dos boxes ao 10º lugar

Alexander Albon (Toro Rosso) foi o Piloto do Dia do 1.000º GP da história da F1: dos boxes ao top 10

Largar dos boxes quase sempre é sinônimo de corrida perdida na Fórmula 1. Se estiver num carro mediano, então, o piloto dificilmente consegue alcançar a zona de pontuação na categoria. Alexander Albon (Toro Rosso) parecia fadado a esse destino no GP da China de 2019, em Xangai, o 1.000º GP da história da F1. Após sofrer um forte acidente no treino livre de sábado, o tailandês ficou impossibilitado de disputar o qualifying. Assim, teve que sair dos pits para a disputa da etapa chinesa. Albon, porém, não tinha nada a perder. Com coragem, o piloto da Toro Rosso desafiou todos os prognósticos e conquistou o 10º lugar em Xangai. Pela segunda vez em três corridas, Alex estava na zona de pontos – a outra foi no GP do Bahrein, em Sakhir, quando terminou em nono. Um início promissor na categira, ainda mais para quem sequer esperava uma oportunidade em 2019.

Alexander Albon Ansusinha nasceu em Londres em 23 de março de 1996. Da mãe, tailandesa, herdou o amor pelo país asiático. Do pai, Nigel Albon, a paixão pelo automobilismo. Piloto britânico, Nigel trilhou carreira em categorias de turismo, com destaque para participações no Campeonato Britânico de Carros de Turismo (BTCC). Graças ao incentivo do pai, Alex ingressou no kart aos 8 anos. Na categoria KF3, ganhou diversos títulos britânicos entre 2006 e 2009. Em 2010, conquistou o título europeu. Em 2011, já na categoria KF1, obteve o vice-campeonato mundial. O garoto demonstrava técnica apurada no kart. Tanto que, em 2012, passou a fazer parte do Time de Desenvolvimento de Pilotos da Red Bull.

Desde 2012, Albon faz parte do Time de Desenvolvimento da Red Bull: chance veio em 2019

Desde 2012, Albon faz parte do Time de Desenvolvimento da Red Bull: chance veio em 2019

Dessa forma, o próximo passo acabou sendo natural: os monopostos aguardavam Albon. Entre 2012 e 2014, disputou o Campeonato Europeu de Fórmula Renault 2.0. Seu melhor desempenho veio justamente no último ano, quando terminou em 3º na classificação. Entretanto, num período de três anos, não obteve nenhuma vitória na F-Renault. Teria o talento se perdido? A Red Bull continuaria a apoiá-lo? Em 2015, Alex disputou o Campeonato Europeu de Fórmula 3. Seu desempenho também não foi brilhante – terminou em sétimo no campeonato. No ano seguinte, viria a melhor oportunidade para Albon: na GP3, defenderia a ART Grand Prix. Como companheiro, teria um certo Charles Leclerc… Alex foi combativo, obteve quatro vitórias e garantiu o vice-campeonato, atrás somente de Leclerc.

O fato de ter sido competitivo mesmo tendo um talentoso companheiro de equipe abriu os olhos das demais categorias do automobilismo. Albon passou a ser objeto de desejo por muitos times. Mas o tailandês preferiu seguir o caminho natural: a Fórmula 2 em 2017. Novamente pela ART Grand Prix, Alex teve uma temporada proveitosa, alcançando dois pódios e o 10º lugar geral. Em 2018, Albon se transferiu para a DAMS. Novamente, ele mostrou seu valor, obtendo 4 vitórias, 8 pódios e o terceiro lugar do campeonato, sendo superado somente pelos britânicos George Russell (campeão da F2) e Lando Norris (vice). O resultado em 2018 fez Alex ter pontos suficientes para a superlicença da F1. Entretanto, aparentemente, não havia vagas na categoria. Assim, Albon acertou contrato com a Nissan e-DAMS, da Fórmula E, para a disputa da temporada 2018/2019.

Para defender a Toro Rosso em 2019, Alex precisou romper um contrato com a Nissan, da Fórmula E

Para defender a Toro Rosso em 2019, Alex precisou romper um contrato com a Nissan, da Fórmula E

Porém, veio uma vaga inesperada na Toro Rosso. Sem Pierre Gasly, que havia se transferido para a Red Bull, o time de Faenza voltou a recrutar Daniil Kvyat. Além disso, a equipe demitiu Brendon Hartley. Para o lugar do neozelandês, não havia nenhum nome em vista. Mas a excelente performance de Albon em 2018 na F2 voltou a colocá-lo no radar da equipe. Foi necessário que Alex rompesse seu vínculo com a Nissan para que, enfim, pudesse realizar o sonho de pilotar na Fórmula 1.

A estreia de Albon ocorreu no GP da Austrália de 2019, em Melbourne. Quando largou na etapa australiana, Alex passou a ser segundo piloto a defender as cores da bandeira da Tailândia na história da Fórmula 1. O primeiro em 65 anos. O pioneiro do país asiático na categoria foi Príncipe Bira. Em Melbourne, o tailandês enfrentou dificuldades, terminando em 14º. Na prova seguinte, vieram os primeiros pontos com a nona posição em Sakhir. Alex recolocava a bandeira tailandesa na zona de pontos pela primeira vez desde o GP da França de 1954, em Reims, quando Bira conquistou a quarta posição. Os dois pontos obtidos em Sakhir motivaram Albon para a disputa do GP da China, em Xangai, terceira etapa do Mundial.

Alex teve uma sexta proveitosa em Xangai: 12º lugar, uma à frente de Kvyat

Alex teve uma sexta proveitosa em Xangai: 12º lugar, uma à frente de Kvyat

Nos primeiros treinos livres, na sexta, o STR14 se comportou bem no seletivo traçado chinês. Em sua primeira experiência em Xangai, Albon foi o 12º mais veloz do dia, com 1m34s634. O tailandês foi 0s060 mais rápido do que Daniil Kvyat – seu companheiro na Toro Rosso fez 1m34s694, ficando em 13º. A marca de Alex foi 1s304 mais lenta que a de Valtteri Bottas (Mercedes), o melhor da sexta com 1m33s330. “Hoje (sexta) foi um bom dia para nós. Passei a primeira sessão explorando e obtendo uma ideia do circuito – é uma pista técnica e há muitas linhas diferentes que você pode seguir. Quanto mais tempo eu ficava no carro, mais me sentia confortável em aprender a nova pista. Coloquei em prática tudo o que aprendi, mas ainda tenho algumas coisas que quero tentar no terceiro treino livre. Fiquei feliz com o nosso dia, parece que o ritmo em stints longos é bastante competitivo, apesar de ainda ter algo a tirar do nosso carro”, avaliou Albon.

Albon queria tentar algumas coisas novas no sábado, dia do terceiro treino livre em Xangai. Era a preparação para o qualifying. Mas aí o tailandês pagou pelo noviciado. Alex abusou na entrada da reta dos boxes. Seu carro ricocheteou, fazendo com que sofresse um forte acidente. O STR14 de Albon ficou destruído. Dessa forma, o tailandês não pôde participar do qualifying em Xangai. Assim, seria obrigado a largar dos boxes no domingo. A pole position do GP da China ficou com Valtteri Bottas (Mercedes), com 1m31s547. Foi a sétima pole da carreira do finlandês, a primeira na atual temporada. Do lado oposto do grid, Albon lamentou o fato de não ter disputado o quali em Xangai.

Albon sofreu um forte acidente no FP3: carro destruído impediu que participasse do quali

Albon sofreu um forte acidente no FP3: carro destruído impediu que participasse do qualifying

“Estou bem após o acidente no terceiro treino livre. Mas é obvio que fiquei desapontado por ter cometido um erro que me tirou do qualifying. Obviamente, ser veloz num treino livre não ajuda muito porque é o quali que conta, mas ainda há pontos positivos. Eu vinha além da zebra na última curva há algum tempo porque é um pouco mais rápido aproveitar aquele pedaço extra de pista. O carro sempre sai um pouco de traseira e normalmente você consegue mantê-lo sob controle, mas desta vez fui agressivo demais com o acelerador. Eu teria preferido rodar para o lado esquerdo do circuito, mas o carro foi para a direita e bati no muro. Olhando o lado bom, tivemos um bom treino livre de sexta e o ritmo de corrida parece forte, portanto estou otimista em relação à prova de amanhã (domingo). Não vai ser fácil, mas acredito que temos velocidade para fazer algumas ultrapassagens e talvez marcar mais alguns pontos”, explicou Alexander.

Largada do GP da China de 2019 para Albon: início solitário, do pit

Largada do GP da China de 2019, em Xangai, para Alexander Albon: início solitário, dos boxes

A corrida

Domingo, 14 de abril de 2019. Dezenove carros alinharam no grid do GP da China, em Xangai. Apenas um estava nos boxes: Alexander Albon (Toro Rosso). Confiante no bom balanço do STR14 na pista chinesa, o anglo-tailandês tentaria fazer uma prova de recuperação em busca de um lugar entre os 10 primeiros. A tarefa não parecia das mais fáceis. Porém, Albon estava determinado a alcançar a zona de pontos em Xangai. Largando com pneus macios, Alex estava distante do pelotão quando saiu dos boxes. Entretanto, ele se aproveitou do entrevero que envolveu seu companheiro Daniil Kvyat (Toro Rosso), Lando Norris (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (McLaren). A dupla da McLaren foi atingida pelo russo e despencou na classificação. Assim, Albon completou a volta 1 em 18º.

Os detritos deixados pelos carros envolvidos no acidente fizeram com que a direção de prova acionasse o VSC – virtual safety car. Após a limpeza da pista, a bandeira verde tremulava em Xangai na volta 3. Albon atacou Robert Kubica (Williams) por fora na Curva 1, ficando por dentro na sequência da Curva 2. Dessa maneira, superou o polonês, assumindo o 17º lugar. Na passagem seguinte, tentou a mesma manobra sobre George Russell (Williams), seu antigo rival de F2. O britânico fechou a passagem do tailandês na Curva 2. Porém, Alex saiu lançado, ultrapassando Russell na freada da Curva 4. A próxima vítima de Albon foi Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo). Na volta 5, o piloto da Toro Rosso usou o DRS para superar o italiano na freada da Reta Oposta. Ao mesmo tempo, Kvyat foi aos boxes para pagar um drive through – o russo foi considerado culpado pelo incidente da volta 1. Assim, Alexander abria a volta 6 na 14ª colocação.

A Toro Rosso planejou apenas um pit stop para Albon: tática bem-sucedida

A Toro Rosso planejou apenas um pit stop para Albon: tática bem-sucedida

Na volta 8, Romain Grosjean (Haas) ingressou nos boxes. Dessa forma, Albon subiu para 13º. Na passagem seguinte, o companheiro do francês, Kevin Magnussen (Haas) também realizou seu primeiro pit stop. Assim, Alex ascendeu para 12º. Na volta 12, foi a vez de Nico Hulkenberg (Renault) fazer sua parada. Com isso, o tailandês se viu na 11ª posição. A partir daquele momento, o piloto da Toro Rosso passou a reduzir a diferença para Lance Stroll (Racing Point), o 10º. Na volta 16, o canadense tinha 1s3 de vantagem sobre o anglo-tailandês. Embora pressionasse Stroll, Albon não conseguia fazer a ultrapassagem. Era sinal do desgaste dos pneus macios.

A Toro Rosso chamou Alex para os boxes na volta 19. Na troca, a equipe sacou os compostos macios e colocou os duros. O objetivo era fazer com que o jovem tailandês realizasse um único pit stop durante toda a corrida. No retorno à pista, Albon se viu na 16ª posição. Na volta 21, o tailandês voltou a ultrapassar Russell. Na mesma passagem, Stroll realizou seu pit stop. Quando voltou, o canadense havia sido superado pelo tailandês, que assumiu a 14ª posição. Com a ida de Kvyat para os boxes, na volta 25, Alex ascendeu para o 13º lugar. Na 26, o piloto da Toro Rosso ultrapassou novamente Giovinazzi, alcançando a 12ª colocação. Na volta 30, Albon alcançou Magnussen, que sofria com problemas de pneus. Alex colocou por dentro na Curva 4 e deixou Kevin para trás. Assim, era o 11º colocado.

Albon, à frente de Stroll: tailandês gerenciou bem seu ritmo com pneus duros em Xangai

Albon, à frente de Stroll: tailandês gerenciou bem seu ritmo com pneus duros em Xangai

Faltava apenas uma posição para o tailandês ingressar na zona de pontos. E ela veio na volta 34, graças a um novo pit stop de Grosjean. Com a parada do francês, Albon assumiu o 10º lugar. No top 10, Alex passou a administrar seu ritmo. Na volta 40, o tailandês estava 14 segundos atrás de Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), o nono colocado. Em contrapartida, tinha apenas 2 segundos de vantagem sobre Stroll. Na volta 45, Lance foi ultrapassado por Grosjean, que, com pneus mais novos, passou a ameaçar o top 10 de Albon. Além de segurar o francês, o tailandês precisava gerenciar seus pneus para garantir um ponto em Xangai. E assim o fez, com bastante estilo.

A vitória do 1.000º GP da história da F1 ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 75º triunfo do britânico, que assumiu pela primeira vez a liderança do Mundial de 2019. Valtteri Bottas (Mercedes) terminou em segundo, seguido por Sebastian Vettel (Ferrari). Mas o grande feito do dia foi de Albon, que, além de pontuar, levou para casa o prêmio de “Piloto do Dia” do GP da China de 2019. Afinal, após destruir seu carro, não participar do qualifying e largar dos boxes, chegar no top 10 foi uma façanha e tanta. “Primeiramente, eu gostaria de agradecer bastante à equipe por seu trabalho duro ontem (sábado). Tudo parecia um pouco sombrio após terceiro treino livre, mas o pessoal trabalhou muito duro para trocar o chassis. Eles mereciam uma boa corrida e fiquei feliz por recompensar seus esforços com um ponto”, disse Alex.

Hamilton, Bottas e Vettel formaram o pódio, mas o Piloto do Dia do GP da China de 2019 foi Albon

Hamilton, Bottas e Vettel formaram o pódio, mas o “Piloto do Dia” do GP da China de 2019 foi Albon

Sobre o GP da China, o tailandês disse que a equipe decidiu por uma mudança de estratégia que, no fim, acabou sendo bem-sucedida. “Foi uma prova difícil porque, inicialmente, planejávamos duas paradas. A degradação foi maior do que quase todos esperavam. Mas nós sabíamos desde o segundo treino livre que nossos pneus aguentavam bem, decidimos arriscar e sobrevivemos com o composto duro. Eu fiquei um pouco nervoso no final quando Grosjean estava quase me alcançando, mas estou realmente feliz por ter conseguido ficar em 10º”, resumiu um satisfeito Albon.

Publicado em Alexander Albon, Alfa Romeo, Antonio Giovinazzi, Carlos Sainz Jr., China, Daniil Kvyat, George Russell, Haas, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Lance Stroll, Lando Norris, McLaren, Racing Point, Robert Kubica, Romain Grosjean, Toro Rosso, Williams, Xangai | Publicar um comentário

Bahrein-2019: os primeiros pontos do promissor Lando Norris

Em seu segundo GP, Lando Norris (McLaren) alcançou o sexto lugar no GP do Bahrein de 2019, em Sakhir

Em sua segunda corrida, Lando Norris (McLaren) alcançou o 6º lugar no GP do Bahrein de 2019

Lando Norris chegou à Fórmula 1 cercado de expectativas. Campeão por onde passou, o britânico ingressou na McLaren com a pompa de menino prodígio. E ele não decepcionou. Logo em sua segunda corrida na categoria máxima do automobilismo, o inglês levou o MCL34 a um ótimo sexto lugar no GP do Bahrein de 2019, em Sakhir. Foram os primeiros pontos da carreira de Lando, que se tornou o 340º piloto a pontuar na F1. Foi um resultado além do esperado. Com arrojo, velocidade e competência, Norris só ficou atrás das duplas de Mercedes, Ferrari e Max Verstappen (Red Bull). Não só isso: no fim, o jovem segurou com maestria o campeão de 2007, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), de 39 anos, fazendo com que a conquista dos oito pontos na prova barenita fosse ainda mais saborosa.

Com o resultado de Sakhir, o piloto da McLaren entrou no livro dos recordes da Fórmula 1. Lando se tornou o piloto britânico mais jovem a pontuar na categoria, com 19 anos, 4 meses e 18 dias, batendo o recorde que pertencia a Jenson Button (que, com 20 anos, 2 meses e 7 dias, pontuou no GP do Brasil de 2000, em Interlagos). Além disso, passou a ser o terceiro piloto mais jovem a pontuar na F1, estando atrás somente de Max Verstappen (que, com 17 anos, 5 meses e 29 dias, anotou pontos no GP da Malásia de 2015, em Sepang) e de Lance Stroll (que, com 18 anos, 7 meses e 13 dias, pontuou no GP do Canadá de 2017, em Montreal). São marcas para ninguém colocar defeito. Tudo em apenas sua segunda apresentação, o que vem a comprovar que a precocidade será para sempre uma marca na trajetória de Norris.

Lando foi campeão por onde passou: trajetória vencedora culminou no ingresso na F1

Lando foi campeão por onde passou: trajetória vencedora culminou no ingresso na F1

Nascido em Bristol (Inglaterra) em 13 de novembro de 1999, Lando tinha um ídolo na infância: Valentino Rossi, o multicampeão da motovelocidade. Seu foco estava na competição de motos. Porém, um episódio mudou a meta do pequeno britânico: o pai, Adam, levou ele e seu irmão para acompanhar uma prova de kart em sua cidade natal. Foi o que bastou para Lando pedir ao pai para também competir na categoria. Assim, aos 7 anos, começava a paixão arrebatadora pelo automobilismo. Por onde passou, Norris brilhou. No kart, se sagrou campeão mundial em 2013. No ano seguinte, foi o melhor estreante da Copa Ginetta Júnior, uma categoria de carros esportivos que fazia parte da programação do BTCC – o campeonato britânico de turismo.

Quanto mais Lando ascendia na carreira, mais aumentava a sede de conquistas. Em 2015, ele foi campeão da Fórmula MSA em 2015. Em 2016, levantou o título da Toyota Racing Series e da Fórmula Renault 2.0 em duas séries (Eurocup e Copa da Europa do Norte). Foi a partir daí que os olhos da Fórmula 1 passaram a mirar Norris. Em 2017, a McLaren anunciou o piloto como membro do time de desenvolvimento da escuderia. O contrato era nos moldes do feito com Lewis Hamilton. O objetivo do time de Woking, portanto, era o mesmo: formar um campeão tal como foi feito com Hamilton. Já sob a tutela da McLaren, Norris disputou em 2017 o Campeonato Europeu de Fórmula 3. Foi um estrondoso sucesso. O britânico conquistou o título em Hockenheim, credenciando-se para o último passo antes da F1: a Fórmula 2.

Norris (à dir.) e Carlos Sainz Jr. substituíram Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne na McLaren

Norris (à dir.) e Carlos Sainz Jr. substituíram Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne na McLaren

Em 2018, Lando se dividiu entre a função de piloto de testes da McLaren e a disputa da F2. Pela Carlin, o britânico chegou a liderar o campeonato, mas acabou sendo superado pelo compatriota George Russell. No fim, foi o vice-campeão da temporada, mas o seu destino já estava traçado: com a retirada de Fernando Alonso e a dispensa de Stoffel Vandoorne, a McLaren recrutou Norris para a disputa do Mundial de 2019, tendo ao seu lado o espanhol Carlos Sainz Jr.. Diferentemente do que ocorreu com Hamilton em 2007 (quando disputou o título mundial logo no ano de estreia), Lando chegava a uma McLaren com inúmeras incertezas e poucos resultados. O MCL33 de 2018 era um carro nada confiável, o que desestimulou Alonso a prosseguir na F1. Para 2019, a promessa era de evolução com o MCL34. Porém, os resultados na pré-temporada não foram animadores.

Norris estreou na F1 no GP da Austrália de 2019, em Melbourne. Foi um fim de semana com altos e baixos: o britânico conseguiu avançar para o Q3 da etapa australiana, conquistando um bom oitavo lugar no grid. Na corrida, porém, as coisas não funcionaram como nos treinos, e Lando terminou num tímido 12º lugar. Para Sakhir, palco do GP do Bahrein de 2019, segunda prova do Mundial, o jovem inglês queria comprovar que o MCL34 era competitivo suficiente para encarar as equipes do meio do pelotão – leia-se Haas, Renault, Alfa Romeo e Racing Point. E foi com esse espírito que Norris e Carlos Sainz Jr. iniciaram os treinos livres para a corrida barenita.

Lando teve uma sexta proveitosa: oitavo mais veloz do dia em Sakhir

Lando teve uma sexta proveitosa: oitavo mais veloz do dia em Sakhir

Na sexta, primeiro dia de testes em Sakhir, Lando surpreendeu positivamente, sendo o oitavo mais veloz do dia, com 1m30s017. Norris foi 0s185 mais veloz do que Sainz, 11º com 1m30s192. Por outro lado, o britânico foi 1s171 mais lento do que Sebastian Vettel (Ferrari), o mais rápido da sexta com 1m28s846. Todas as marcas do dia foram obtidas na sessão noturna – com a temperatura da pista mais baixa, os pilotos puderam melhorar os tempos no segundo treino livre. O inglês da McLaren ficou satisfeito com a performance do MCL34 na pista barenita.

“Ainda há coisas para melhorar, mas tem sido um começo decente para o fim de semana. Eu me sinto mais confiante porque conheço um pouco mais o procedimento das coisas. Acho que o primeiro treino livre foi razoavelmente bom: passamos por tudo o que precisávamos e tive um bom pressentimento pela pista. A temperatura da pista no segundo treino diminuiu muito, significando que o carro parecia bem diferente e, obviamente, os tempos de volta eram muito mais rápidos. Terminamos essa sessão com um pequeno problema que não me permitiu fazer tantas voltas quanto eu queria, mas ainda assim fiz stins com o tanque cheio de combustível e também com pouca gasolina. Por isso, tenho uma boa sensação para a corrida”, avaliou Lando.

Tanto Norris quanto Sainz Jr. avançaram para o Q3 de Sakhir: espanhol levou a melhor sobre o inglês

Tanto Norris quanto Sainz Jr. avançaram para o Q3 de Sakhir: espanhol levou a melhor sobre o inglês

No sábado, a McLaren voltou a apresentar uma convincente performance em Sakhir. Tanto Norris quanto Sainz estavam com desempenho semelhante ao dos adversários de Renault e Haas. No Q1, Lando levou um susto quando Romain Grosjean (Haas) fez um ‘break test’ logo à sua frente.  Mas isso não tirou a concentração do jovem britânico, que seguiu acelerando no circuito barenita. Ao fim do Q2, tanto ele quanto Carlos avançaram para a fase decisiva da qualificação. No fim, o espanhol alcançou um bom sétimo lugar, com o tempo de 1m28s813. Já o inglês foi o 10º, com 1m29s043, ficando a 0s230 de Sainz e a 1s177 de Charles Leclerc (Ferrari), pole do GP do Bahrein de 2019 ao anotar 1m27s866. Foi a primeira pole de Leclerc na F1, e a primeira de um monegasco na categoria.

Após a sessão, Grosjean, oitavo colocado no Q3 de Sakhir, foi penalizado com a perda de três posições do grid da corrida barenita em razão da fechada em Norris. Com isso, Lando subiu para nono lugar na posição de largada. O jovem britânico da McLaren celebrou o desempenho na qualificação. “No geral, achei muito bom. Meus stints estavam fortes, embora eu tenha cometido alguns erros. Não sinto que fiz um trabalho tão bom quanto na Austrália. Eu conheço mais a pista aqui e não é tão técnica, mas é mais fácil cometer pequenos erros. Eu tive uma pequena travada na curva 10 – não chegou a ser um bloqueio de roda, mas perdi um pouco de tempo. Poderia estar ao lado de Carlos e estava perto. Eu acho que ele estava apenas um décimo à frente, então estou razoavelmente feliz”, avaliou.

Largada do GP do Bahrein de 2019, em Sakhir: Norris enfrentou problemas e perdeu posições na 1ª volta

Largada do GP do Bahrein de 2019: Norris enfrentou problemas e perdeu posições na 1ª volta

A corrida

Domingo, 31 de março de 2019. O anoitecer em Sakhir avisava que a hora da largada do GP do Bahrein se aproximava. Na nona posição do grid e calçando pneus macios, Lando Norris (McLaren) estava determinado a fazer um bom início de prova. Contudo, o jovem inglês não contava com a acirrada disputa nas primeiras curvas da corrida. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, o britânico da McLaren saltou de forma hesitante, caindo para 10º. Depois, acabou escapando da pista, o que o fez despencar para a 14ª posição ao fim da volta 1. A partir daí, Norris dava início a uma excelente recuperação, provando a excelente forma do MCL34 na pista barenita. Na volta 2, superou Alexander Albon (Toro Rosso) no final da reta dos boxes, subindo para 13º. Enquanto isso, Carlos Sainz Jr. (McLaren) atacava Max Verstappen (Red Bull) no duelo pelo quinto lugar. O espanhol tentou ultrapassar o holandês por fora na volta 4. Max vendeu caro o espaço, e Carlos acabou levando a pior. O toque foi inevitável, e Sainz despencou no pelotão.

Com o companheiro indo para os boxes, Lando assumiu a 12ª posição. Ao mesmo tempo, o britânico da McLaren seguia na cola de Pierre Gasly (Red Bull). Na volta 7, veio o grande momento de Norris em Sakhir: o jovem inglês pegou o vácuo do carro do francês e, de forma ousada, usou a zebra externa para fazer uma inesperada ultrapassagem. Assim, ele assumia a 11ª colocação. Na passagem seguinte, Lando contou com o pit stop de Sergio Pérez (Racing Point) para retornar ao top 10. Na 9, foi a vez do britânico superar Kevin Magnussen (Haas), ascendendo para a nona colocação. O ritmo da McLaren era ótimo, mas os compostos macios davam sinais de desgaste. Assim, o time de Woking chamou Norris para os boxes na volta 10. Na troca, colocaram pneus médios. Ao retornar para a pista, Lando se viu em 13º.

Com o MCL34 apresentando excelente forma, Lando recuperou posições em Sakhir

Com o MCL34 apresentando excelente forma, Lando recuperou posições em Sakhir

Na volta 11, com a parada de George Russell (Williams) e a rodada de Daniil Kvyat (Toro Rosso) – que se envolveu em um incidente com Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) -, o britânico da McLaren subiu para 11º. Na volta 14, Norris ultrapassou Pérez e assumiu a 10ª colocação. Após o pit stop de Giovinazzi, na volta 16, Lando ascendeu para a nona posição. Naquele momento, o jovem inglês estava a 2s1 de Nico Hulkenberg (Renault), o oitavo, e colocava 3s6 de vantagem sobre Pérez, o 10º. Na volta 21, Hulkenberg passou Kimi Raikkonen (Alfa Romeo). O ritmo do finlandês caiu drasticamente, e Norris passou a se aproximar do campeão de 2007.  Com o pit stop de Daniel Ricciardo (Renault) na volta 24, o jovem da McLaren subiu para oitavo. Não só isso: pressionava Raikkonen pelo sétimo lugar. Na volta 26, Lando ultrapassou Kimi na freada da primeira curva, alcançando a sétima colocação.

O ritmo de Norris era excelente. Na volta 30, o britânico estava a 3s5 de Hulkenberg. Por outro lado, tinha 3s3 de vantagem sobre Raikkonen. Entretanto, a vida útil dos pneus médios já estava em seu final. Lando precisava esticar ao máximo sua presença na pista para se manter na briga pelos pontos. Na volta 35, o inglês foi aos boxes para a sua segunda e definitiva parada. Na troca, a McLaren sacou os pneus médios e colocou um novo jogo de compostos macios. Dessa maneira, Norris estava liberado para andar no limite. O jovem piloto retornou à pista em nono.

Norris, à frente de Vettel: alemão levou a pior no duelo com Hamilton e ficou atrás de Lando

Norris, à frente de Vettel: alemão levou a pior no duelo com Hamilton e ficou atrás de Lando

Na volta 38, Sebastian Vettel (Ferrari) duelava com Lewis Hamilton pelo segundo lugar em Sakhir. O alemão tentou segurar o inglês, mas rodou no afã da disputa. Depois, viu seu spoiler ser engolido pelo carro, fazendo com que se criasse um inusitado ‘show pirotécnico’ na Reta Oposta. Com o infortúnio do ferrarista – que foi para os boxes -, Norris assumiu a oitava colocação. Após o pit stop de Gasly, na volta 40, Lando ascendeu para a sétima posição. Mas ali ficou por pouco tempo: em prova de recuperação, Vettel superou o novato da McLaren, que retornou para o oitavo lugar. Na volta 42, formou-se um pelotão liderado por Hulkenberg, o quinto. Atrás do alemão da Renault, vinham Vettel, Ricciardo, Norris e Raikkonen. A vantagem entre cada um girava na casa de 1s.

Naquele momento, quem tivesse um equipamento confiável levaria vantagem na disputa. E o MCL34 estava numa forma esplêndida em Sakhir. Na volta 43, Vettel ultrapassou Hulkenberg, assumiu o quinto lugar e sumiu à frente do piloto da Renault. Dessa forma, a verdadeira batalha era pela conquista da sexta posição. Hulk viu em seu retrovisor a perda de rendimento do companheiro Ricciardo. O australiano acabou sendo superado por Norris na volta 44 e por Raikkonen na 45. Assim, Nico, Lando e Kimi lutariam pelo lugar no top 6. Hulkeberg se destacava, colocando vantagem sobre Norris. O britânico, por sua vez, sofria para segurar Raikkonen. Na volta 50, o alemão da Renault tinha 3s de vantagem sobre o inglês da McLaren, que, por sua vez, colocava 1s sobre o finlandês da Alfa Romeo. Naquele instante, Norris havia desistido de lutar pela sexta posição. O foco do britânico era segurar Raikkonen e garantir a sétima colocação.

Com o abandono de Hulkenberg, Norris herdou o sexto lugar: 340º piloto a pontuar na história da F1

Com o abandono de Hulkenberg, Norris herdou o sexto lugar: 340º piloto a pontuar na história da F1

Porém, na volta 53, o inesperado aconteceu: os dois carros da Renault abandonaram no mesmo instante. Tanto Hulkenberg quanto Ricciardo estavam fora do GP do Bahrein. Assim, Lando assumia o sexto lugar. Para retirar os bólidos franceses, a direção de prova acionou o safety car. Como faltavam apenas três voltas para a bandeirada, a entrada do carro de segurança assegurava o top 6 para o inglês da McLaren. A vitória em Sakhir ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi a 74ª conquista do britânico, a primeira em 2019. Essa veio com uma boa dose de sorte: Charles Leclerc (Ferrari), que liderava a corrida com contundência, enfrentou problemas em sua unidade de potência. Seu carro perdeu rendimento, fazendo com que Hamilton e Valtteri Bottas (Mercedes) o ultrapassassem sem dificuldades. Ainda assim, Leclerc ficou em terceiro. Foi o primeiro pódio de Charles, e o primeiro top 3 de um monegasco desde o GP de Mônaco de 1950, com Louis Chiron.

Além de Norris, outro piloto anotou seus primeiros pontos na F1: Alexander Albon (Toro Rosso) terminou em nono no GP do Bahrein. Foram os dois primeiros pontos de Albon na categoria, e os primeiros da Tailândia em 65 anos – a última vez de um tailandês na zona de pontuação ocorreu com Príncipe Bira, quarto no GP da França de 1954, em Reims. Após a bandeirada, o clima era de festa na McLaren. Afinal, o novato do time havia acabado de fazer história vestindo as cores laranja e azul. “Estou muito feliz e satisfeito por ter marcado meus primeiros pontos, mas também pela McLaren, depois de todo o trabalho duro da equipe durante o inverno. Eu tive um bom começo, mas a escapada de pista ainda na primeira volta me fez perder algumas posições. O ritmo depois disso foi muito forte. Eu alcancei muito rapidamente o pelotão. Eu talvez tenha lutado um pouco para administrar minha posição no final, mas consegui ficar à frente de Kimi”, celebrou Lando, uma promessa que apresentou suas credenciais em Sakhir.

Fazendo história: em Sakhir-2019, Lando se tornou o britânico mais jovem a pontuar na F1

Fazendo história: em Sakhir-2019, Lando se tornou o britânico mais jovem a pontuar na F1

Publicado em Alexander Albon, Alfa Romeo, Antonio Giovinazzi, Bahrein, Carlos Sainz Jr., Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, George Russell, Haas, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Lando Norris, McLaren, Nico Hulkenberg, Racing Point, Renault, Romain Grosjean, Sakhir, Sergio Pérez, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

Austrália-2019: Magnussen leva a Haas ao top 6 em Melbourne

Kevin Magnussen levou o carro negro e dourado da Haas ao top 6 do GP da Austrália: 'melhor do resto'

Kevin Magnussen carregou o carro negro e dourado da Haas a um bom sexto lugar no GP da Austrália

A 70ª temporada da história da Fórmula 1 teve início no último dia 17 de março, em Melbourne, palco do GP da Austrália de 2019. No circuito australiano, ficou evidenciado o que já era esperado: na frente, a disputa entre Mercedes, Ferrari e Red Bull; atrás do trio, uma acirrada competição pelo quarto lugar entre os Construtores. Na pista de Albert Park, a Haas se destacou diante de adversárias diretas, como Renault, Toro Rosso, McLaren e Alfa Romeo. Entretanto, novamente sofreu um duro golpe: assim como no GP da Austrália de 2018, Romain Grosjean ficou pelo caminho devido a um problema na troca de pneus. Mas o deja vu parou com o francês. Kevin Magnussen fez as honras da equipe ianque e faturou um ótimo sexto lugar na etapa inaugural do Mundial, ficando atrás apenas das duplas de Mercedes, Ferrari e Max Verstappen (Red Bull). Não só isso: foi o único piloto de fora do grupo das potências a completar a etapa na mesma volta de Valtteri Bottas (Mercedes), o vencedor de Melbourne.

O top 6 de Kevin foi uma recompensa pelo ótimo fim de semana na Austrália. Não só isso: fez valer o esforço feito pela equipe norte-americana durante os treinos da pré-temporada em Montmeló (Espanha). Magnussen e Grosjean se dedicaram ao desenvolvimento do VF-19 com o intuito de brigar diretamente com a Renault pelo quarto lugar entre os Construtores. A posição escapou das mãos dos norte-americanos em 2018. Para iniciar o Mundial de 2019 com força, a Haas trabalhou arduamente nos testes de inverno. Ao desembarcar em Melbourne para a disputa da corrida australiana, o time estadunidense chamava a atenção não apenas pelas novas cores preto e dourado. A confiabilidade e a velocidade eram pontos positivos apresentados para a estreia do campeonato.

Após um árduo trabalho na pré-temporada, em Montmeló, Magnussen estava confiante em um bom início de temporada

Após um árduo trabalho em Montmeló, Magnussen estava confiante em um bom início de temporada

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP da Austrália, Kevin e Romain mostraram boa forma. Ao fim das sessões, Magnussen foi o 12º mais veloz do dia, com 1m23s988. Dinamarquês ficou a 0s174 de Grosjean, 10º com 1m23s814, e a 1s388 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz do dia com 1m22s600. Após os treinos, KMag avaliou o comportamento do VF-19. “Foi bom estar de volta em uma pista de corrida em um fim de semana de corrida. Estou animado com isso. Foi bom, mas, como sempre, agora temos muitas coisas para ver. Vamos trabalhar duro esta noite, mas não há grandes problemas, estamos muito felizes com o desempenho no carro. Estou ansioso para amanhã (sábado)”, comentou.

No sábado, o carro da Haas demonstrou velocidade no seletivo circuito de Albert Park. Tanto Magnussen quanto Grosjean avançaram com louvor para o Q3 de Melbourne. No fim, o potencial do VF-19 ficou retratado com a conquista da sexta e sétima posições no grid para o GP da Austrália. Romain alcançou o sexto lugar, com 1m21s826. Já Kevin obteve 1m22s099, o que lhe assegurou a sétima colocação. A marca do dinamarquês ficou a 0s273 da do francês, e a 1s613 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole da etapa australiana com 1m20s486. Foi a 84ª pole da carreira do britânico. Após a qualificação, Magnussen demonstrou insatisfação com o resultado – afinal, acabou batido por Grosjean no duelo interno da Haas.

A Haas avançou com seus dois carros para o Q3 de Melbourne: Magnussen foi o 7º, uma posição atrás de Grosjean

A Haas avançou com seus dois carros para o Q3: Magnussen foi o 7º, uma posição atrás de Grosjean

“Eu não tive a sessão de classificação perfeita do meu lado, cometi um erro no meu primeiro pneu no Q1, o que significa que eu tive que usar outro set. Isso me deixou com apenas um novo set para o Q3. Isso é ruim, mas felizmente o carro era muito bom. Estou muito orgulhoso da equipe com o que eles fizeram para colocar um carro tão bom na pista novamente este ano. Eles fizeram um ótimo trabalho incorporando as novas mudanças de regra para nos permitir manter um carro competitivo. Nós não estamos tão longe dos caras da frente – não estamos lutando contra eles, mas não estamos muito longe. Espero que possamos conseguir alguns bons pontos amanhã (domingo)”, afirmou Kevin.

Largada do GP da Austrália de 2019, em Melbourne: Magnussen tracionou melhor e tomou sexto lugar de Grosjean

Largada do GP da Austrália de 2019: Magnussen tracionou melhor e tomou sexto lugar de Grosjean

A corrida

Domingo, 17 de março de 2019. O sol despontou sobre Melbourne, abrilhantando o cenário para a abertura do Mundial. O GP da Austrália estava repleto de novidades no grid. A começar pela chegada de duas novas equipes: Alfa Romeo e Racing Point ingressaram no ‘circo’, substituindo Sauber e Force India, respectivamente. Também houve inúmeras trocas de pilotos de 2018 para 2019. Apenas Mercedes e Haas mantiveram suas duplas. As demais optaram por novos rostos em seus cockpits. Destaque para as estreias de George Russell (Williams), Lando Norris (McLaren) e Alexander Albon (Toro Rosso), para a primeira temporada completa de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e para os retornos de Daniil Kvyat (Toro Rosso) e de Robert Kubica (Williams). Também estrearam em novas casas: Charles Leclerc (Ferrari), Pierre Gasly (Red Bull), Daniel Ricciardo (Renault), Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Lance Stroll (Racing Point).

Novas equipes, novas casas, novos pilotos: a F1 mudou de cara a partir do apagar das luzes vermelhas em Melbourne. Em sétimo no grid, Kevin Magnussen (Haas) queria a todo custo se impor diante de Romain Grosjean. O dinamarquês tracionou melhor na largada e tomou o sexto lugar do francês. Magnussen até fez menção em atacar Charles Leclerc (Ferrari), mas percebeu que não teria como atacar o monegasco. Assim, completou a volta 1 em sexto, imediatamente à frente de Grosjean. A partir daí, os dois pilotos da Haas passaram a liderar um pelotão com Nico Hulkenberg (Renault), Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) e Lando Norris (McLaren). Entretanto, os rivais não ameaçavam a dupla.

Magnussen, à frente de Grosjean: francês teve o mesmo azar de 2018 - uma roda mal presa fez Romain abandonar

Kevin, à frente de Grosjean: francês teve o mesmo azar de 2018 – uma roda mal presa o fez abandonar

Calçando pneus macios, Magnussen faria um primeiro stint curto. Com essa estratégia, tentava abrir diferença para os adversários, a fim de fazer seu pit stop e voltar à frente dos rivais. Na volta 14, Kevin foi para os boxes. Na troca, sacou os compostos macios e colocou os médios. Dessa maneira, iria com os novos jogos de pneus até o fim da prova de Melbourne. No retorno à pista, o dinamarquês da Haas se viu em 11º lugar. Na passagem seguinte, subiu para 10º graças à (péssima) parada de Grosjean – assim como em 2018, a Haas se complicou para fixar o pneu dianteiro esquerdo, demorando mais de 10s nos boxes. Na volta 18, Kevin superou Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), que não resistiu à pressão exercida pelo piloto da Haas. Assim, o escandinavo ascendeu para o nono lugar.

Na volta 26, foi a vez de Daniil Kvyat (Toro Rosso) realizar seu pit stop. Dessa maneira, Magnussen assumiu o oitavo lugar. Na passagem seguinte, foi a vez de Lance Stroll (Racing Point) ingressar nos boxes. Com isso, Kevin subiu para sétimo. A partir daquele instante, o dinamarquês voltava a ficar atrás apenas das duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Na volta 30, a diferença entre Magnussen e Pierre Gasly (Red Bull), o sexto colocado, era de 11s8. Por outro lado, KMag tinha somente 2s de vantagem sobre Hulkenberg, o oitavo. Com o pit stop de Gasly, na volta 37, o dinamarquês da Haas recuperou a sexta posição. Todavia, tinha a companhia de Hulkenberg, que andava próximo e poderia ameaçar o seu lugar no top 6.

Magnussen foi perseguido por Hulkenberg, mas não teve ameaçada sua sexta posição

Magnussen foi perseguido por Hulkenberg, mas não teve ameaçada sua sexta posição

Com o passar das voltas, entretanto, Magnussen consolidou uma diferença de 3s sobre Hulk. Dessa forma, a sexta colocação estava sob controle. Colaborou para isso o fato de Raikkonen se aproximar do alemão da Renault. Assim, Nico estava mais preocupado em Kimi e em preservar o sétimo lugar do que atacar Kevin. Com uma performance sólida, o dinamarquês anotou um excelente top 6 no GP da Austrália. Um resultado que premiou o trabalho do piloto e da Haas. A etapa australiana foi vencida por Valtteri Bottas (Mercedes), que, além de triunfar pela quarta vez na carreira, levou para casa o ponto extra por ter anotado a volta mais rápida da corrida – trata-se de mais uma novidade para 2019. Lewis Hamilton (Mercedes) terminou em segundo, seguido por Max Verstappen (Red Bull). O holandês, aliás, anotou o primeiro pódio de um motor Honda desde o top 3 de Rubens Barrichello no GP da Inglaterra de 2008, em Silverstone.

Graças ao oitavo lugar de Raikkonen, Melbourne também foi palco dos primeiros pontos da Alfa Romeo em 35 anos – a marca não pontuava desde o terceiro lugar de Riccardo Patrese no GP da Itália de 1984, em Monza. E os pontos conquistados por Stroll pelo nono lugar em Albert Park foram os primeiros da trajetória da Racing Point na F1. Feitos à parte, o GP da Austrália de 2019 foi especialmente marcante para Magnussen. Após a corrida, o dinamarquês celebrou a sexta posição. Todavia, lamentou o infortúnio de Grosjean – assim como na prova de 2018, o francês abandonou em Melbourne por um problema de fixação da roda dianteira esquerda.

Além do sexto lugar, Magnussen foi o único piloto que não guia para uma das três grandes a não tomar volta em Melbourne

Magnussen foi o único piloto que não guia para uma das três grandes a não tomar volta em Melbourne

“Estou muito feliz hoje (domingo), foi um bom resultado. Estou obviamente triste pela equipe não ter os dois carros chegando ao final. Com certeza, Romain (Grosjean) teria ficado em uma boa posição também, especialmente depois que nós dois tivemos uma boa classificação ontem (sábado), então eu sinto por ele não conquistar nenhum ponto hoje (domingo). A sexta posição foi muito boa para mim. Eu fiz uma boa largada e tinha um carro muito bom. Fui capaz de forçar toda a corrida e cuidar dos meus pneus. Estou satisfeito por começar o ano assim”, resumiu Kevin, o ‘melhor do resto’ no GP da Austrália de 2019.

Com o sexto lugar, Kevin iniciou 2019 com 8 pontos na classificação do Mundial de Pilotos

Com o sexto lugar, Kevin iniciou 2019 com 8 pontos na classificação do Mundial de Pilotos

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