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Neste projeto, as famosas charges e caricaturas dos Pilotoons se juntam ao saboroso texto do blog “Contos da F1” para reunir momentos emblemáticos do automobilismo.

Histórias curiosas e muitas vezes desconhecidas dos mais aficionados fãs de corridas serão destacadas na publicação.

Os capítulos serão ilustrados com charges dos Pilotoons, do designer Bruno Mantovani, e escritos pelo jornalista Douglas Willians, autor do “Contos da F1”.

Uma parte dos livros será doada para instituições em prol de crianças carentes idealizadas pelos pilotos da STOCK CAR, Rafael Suzuki e Guga Lima.

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Alemanha-2016: Hulk, o ‘melhor dos mortais’ em Hockenheim

Com pneus supermacios, Nico Hulkenberg (Force India) derrotou Valtteri Bottas (Williams), que calçava médios, e assegurou top 7

Nico Hulkenberg (Force India) derrotou Valtteri Bottas (Williams) no fim e assegurou top 7 em casa

Alcançar um sétimo lugar nem sempre é motivo de satisfação para um piloto. Porém, se Mercedes, Red Bull e Ferrari, as equipes dominantes de 2016, não enfrentam problemas, o top 7 acaba se tornando o melhor dos resultados. Que o diga Nico Hulkenberg (Force India). No último domingo, durante a disputa do GP da Alemanha, em Hockenheim, o germânico foi o “melhor dos mortais”, assegurando a sétima posição após derrotar Valtteri Bottas (Williams) e ficar à frente de Jenson Button (McLaren), Sergio Pérez (Force India) e Fernando Alonso (McLaren). Nico não pôde sequer pensar em se aproximar de Kimi Raikkonen (Ferrari), o sexto colocado – recebeu a bandeirada 33 segundos atrás do finlandês. Ainda assim, Hulk foi o único que não pilotava um carro dos três principais times do ano a não tomar volta de Lewis Hamilton (Mercedes), o vencedor da prova germânica.

Os seis pontos conquistados em Hockenheim fizeram com que Hulkenberg assumisse o 10º lugar no Mundial de Pilotos, com 33 pontos. Além disso, a sétima colocação ajudou a Force India a se aproximar ainda mais da Williams na disputa pelo quarto lugar do Mundial de Construtores. Após a etapa alemã, o time indiano ficou a 15 pontos da rival britânica – a equipe de Vijay Mallya somou 81 pontos, contra 96 da escuderia de Frank Williams. Com a queda de desempenho da Williams, a meta da Force India em alcançar o top 4 entre os Construtores passou a ser realista – até porque ainda restam nove corridas a serem disputadas em 2016. E esse cenário só tem se tornado possível graças à ascensão do VJM09 durante a temporada. No circuito germânico, tanto Hulk quanto Pérez voltaram a mostrar o quanto o bólido evoluiu em comparação com o início do ano.

Com a bola toda: nos treinos, Hulkenberg só foi superado pelas duplas da Mercedes, Red Bull e Ferrari

Com a bola toda: nos treinos, Hulkenberg só foi superado pelas duplas da Mercedes, Red Bull e Ferrari

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos em Hockenheim, Hulkenberg anotou 1m16s781 na segunda sessão, ficando a 1s264 de Nico Rosberg (Mercedes), que marcou o melhor tempo do dia no primeiro treino livre, com 1m15s517. Com as marcas combinadas, o germânico da Force India foi o sétimo mais rápido do dia, atrás apenas das duplas de Mercedes, Red Bull e Ferrari, as três melhores equipes da temporada. O alemão superou Pérez em 0s348 – o mexicano foi o nono mais veloz, com 1m17s148. “Estou muito feliz. Foi um início muito tranquilo para o fim de semana. Nós corremos toda a manhã com o composto médio, que parece ser um bom pneu, e trabalhamos com o macio e o supermacio à tarde. O ritmo parece bom e me senti muito confortável no carro, especialmente na segunda sessão, quando a pista melhorou. No geral, foi um começo positivo”, analisou Hulk.

O otimismo do alemão não foi por acaso. No sábado, os dois carros da Force India avançaram para o Q3 de Hockenheim. No fim da sessão, Hulkenberg anotou 1m15s510, assegurando o sétimo lugar. O tempo do germânico foi apenas 0s027 mais veloz que o de Pérez, nono colocado com 1m15s537. Por outro lado, a marca de Hulk ficou a 1s147 da de Nico Rosberg (Mercedes), pole do GP da Alemanha de 2016 com 1m14s363. “Nosso objetivo é sempre maximizar nosso potencial, e parece que conseguimos isso hoje (sábado). Quase todas as minhas voltas foram limpas e meu último esforço na Q3 foi preciso. Podemos esperar uma luta dura pelos pontos amanhã (domingo). O ritmo em trechos longos também foi competitivo, portanto temos todas as chances de obter um ótimo resultado”, afirmou Hulkenberg.

Após anotar o 7º lugar no Q3, Hulkenberg foi punido e perdeu uma posição no grid: oitavo lugar, atrás de Bottas

Após o Q3, Hulkenberg foi punido e perdeu uma posição no grid: oitavo lugar, atrás de Bottas

Após a sessão, entretanto, Nico acabou recebendo uma penalidade de uma posição no grid. Os comissários consideraram que o alemão da Force India utilizou um conjunto de pneus na classificação que deveria ter sido devolvido após o treino livre de sábado. Dessa forma, Hulkenberg caiu para oitava posição, perdendo lugar para Valtteri Bottas (Williams). Mesmo com a punição, Hulk seguiu otimista. Um bom resultado em casa era, sim, possível. Se tudo funcionasse conforme havia planejado, pontuar seria consequência.

Largada do GP da Alemanha de 2016: Hulkenberg se manteve em 8º em Hockenheim

Largada do GP da Alemanha de 2016: Hulkenberg se manteve em 8º em Hockenheim

A corrida

Domingo, 31 de julho de 2016. Hockenheim amanheceu com céu encoberto e com clima ameno. O verão europeu deve ter se esquecido do circuito no dia da disputa do GP da Alemanha. Calçando pneus supermacios, Hulkenberg alinhou na oitava posição do grid. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o alemão da Force India pisou fundo. Ganhar posições era necessário diante dos compatriotas. Apesar disso, Nico se manteve em oitavo, atrás de Valtteri Bottas (Williams) e à frente de Jenson Button (McLaren). Ali o germânico permaneceu até a volta 11. Com a parada de Nico Rosberg (Mercedes), na passagem seguinte, Hulk subiu para sétimo. Contudo, por pouco tempo. Na 13, a Force India chamou o alemão para os boxes. Na troca, colocou um novo jogo de compostos macios. No retorno à pista, se viu em 12º.

Na volta 14, Nico voltou ao top 10 graças à parada de Button e à ultrapassagem sobre Esteban Gutiérrez (Haas). Na passagem seguinte, foi a vez de Fernando Alonso (McLaren) fazer seu pit stop. Com isso, Hulkenberg subiu para o nono lugar. Após Romain Grosjean (Haas) ir aos boxes na volta 17, o germânico da Force India retomou o oitavo posto. Aos poucos, Hulk tirava vantagem em relação a Bottas. Apesar de andar próximo do finlandês, o alemão não conseguia executar a ultrapassagem. Dessa forma, a melhor maneira de bater Valtteri foi apostar na estratégia de pit stop. Nico parou pela segunda vez na volta 32. A Force India optou por colocar pneus supermacios usados. Na passagem seguinte, a Williams chamou Bottas, que passou a usar novos compostos macios. No retorno, o finlandês saiu atrás do germânico, que, enfim, ocupava o sétimo lugar.

Hulk, à frente de Jenson Button (McLaren): alemão não teve trabalho para segurar o inglês

Hulkenberg, à frente de Jenson Button (McLaren): alemão não teve trabalho para segurar o inglês

A partir dali, Hulkenberg e Bottas estavam com táticas distintas. Enquanto Nico precisaria parar pela terceira vez (uma vez que seus compostos não resistiriam a 33 voltas), Valtteri iria até o fim com os macios. Dessa forma, só restava uma coisa para o alemão consolidar seu sétimo lugar: acelerar. Apesar do esforço de Hulk, a diferença sobre o finlandês não aumentou suficientemente. Na volta 44, a escuderia indiana chamou o alemão para seu terceiro e definitivo pit stop. Na troca, a equipe sacou os compostos supermacios e colocou novos pneus macios. No retorno, se viu em oitavo, à frente de Button. Parecia o fim do objetivo de Hulkenberg. Porém, o ritmo de Bottas caiu drasticamente, e Nico se aproximou do finlandês da Williams.

Na volta 61, a sete do final, Nico colou em Valtteri. Numa acirrada disputa, o alemão levou a melhor, levantando as arquibancadas de Hockenheim e assegurando um top 7 que parecia lhe escapar das mãos. A vitória do GP da Alemanha ficou com Lewis Hamilton (Mercedes) – o sexto triunfo do inglês nos últimos sete GPs –, seguido por Daniel Ricciardo (Red Bull) e por Max Verstappen (Red Bull). À Hulk, ficou o sabor do dever cumprido diante do público alemão.

Com pneus macios desgastados, Bottas não resistiu ao ataque de Hulk no fim: tática rendeu 7º lugar

Com pneus macios desgastados, Bottas não resistiu ao ataque de Hulk no fim: tática rendeu 7º lugar

“O 7º lugar foi o melhor resultado disponível para nós hoje (domingo), então é bom extrair o máximo e marcar alguns pontos importantes. A equipe fez um ótimo trabalho com a estratégia, porque acreditávamos que seria possível parar duas vezes, mas tomamos a decisão de fazer três pit stops. Foi a escolha correta e me permitiu assumir o sétimo lugar nas últimas voltas. A degradação dos pneus foi muito alta, portanto cuidar deles foi o mais importante durante a maior parte da prova. Também foi uma corrida solitária e direta, porque minha principal disputa foi com Bottas e tivemos estratégias diferentes. Estamos felizes. Podemos pensar nas férias de verão e em dar sequência a esta boa fase na segunda parte da temporada”, analisou Hulkenberg.

Hulkenberg acena para o público alemão: com os seis pontos, alemão passou a figurar no top 10 do Mundial de Pilotos

Hulk acena para o público: com os 6 pontos, alemão passou a figurar no top 10 do Mundial de Pilotos

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Hungria-2016: Sainz Jr. emplaca terceiro top 8 consecutivo

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) terminou num bom oitavo lugar em Hungaroring: espanhol vive boa fase na temporada

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) terminou em oitavo em Hungaroring: espanhol vive boa fase no ano

A saída de Max Verstappen para a Red Bull transformou radicalmente a postura de Carlos Sainz Jr. na Toro Rosso. Com a transferência do holandês para a escuderia austríaca, o espanhol passou a liderar o time italiano na temporada 2016. Uma prova disso pôde ser vista no último domingo, durante o GP da Hungria, em Hungaroring. Sainz Jr. voltou a fazer uma consistente apresentação, conquistando o oitavo lugar. Aliás, esse foi o resultado de Carlos nas últimas três provas – nos GPs da Áustria, em Spielberg, e da Inglaterra, em Silverstone, o madrileno também alcançou o top 8. Apesar da boa sequência, o espanhol acabou sendo batido pelo seu grande ídolo na Fórmula 1: Fernando Alonso (McLaren) superou Sainz Jr. na largada da etapa húngara e não foi incomodado pelo jovem da Toro Rosso.

Ser derrotado por Alonso no circuito de Budapeste não incomodou Carlos. Pelo contrário: sua confiança vem crescendo a cada desafio. A atual sequência comprova que Verstappen atrapalhava, e muito, o desenvolvimento de Sainz Jr. na Toro Rosso. Nas quatro primeiras provas de 2016 – quando dividia a escuderia italiana com Max – , o espanhol somou apenas quatro pontos, contra 13 do holandês. A partir do GP da Espanha, em Montmeló – primeira apresentação de Verstappen na Red Bull –, Carlos passou a figurar com frequência na zona de pontuação. Após a chegada de Daniil Kvyat ao time de Faenza, foram sete corridas disputadas. Sainz Jr. obteve 24 pontos nesse período, contra somente dois do russo.

Sainz Jr. (à dir.), ao lado do ídolo Fernando Alonso (McLaren): espanhóis tiveram desempenho convincente na pista húngara

Sainz Jr. (à dir.) e seu ídolo Fernando Alonso (McLaren): espanhóis tiveram desempenho convincente

Os quatro pontos obtidos pelo espanhol em Hungaroring mantiveram a Toro Rosso na sexta posição do Mundial de Construtores, com 45 pontos. Todavia, a ascensão da McLaren vem preocupando a cúpula do time italiano. Após o sétimo lugar de Alonso, a equipe de Woking subiu para 38 pontos. E a equipe de Ron Dennis viveu um bom fim de semana na travada pista húngara, com os carros de Fernando e de Jenson Button estando, inclusive, à frente de Sainz Jr.. Na sexta-feira, Carlos anotou um mediano 13º lugar, com 1m22s689. Sua marca foi 0s259 mais veloz que a de Kvyat, 16º com 1m22s948. Porém, o espanhol ficou a 2s254 de Nico Rosberg (Mercedes), o mais veloz do dia com 1m20s435. Além disso, viu os dois bólidos da McLaren no top 10 da tabela de tempos.

“Não foi a nossa melhor sexta-feira, infelizmente. Tivemos um dia muito difícil. Enfrentamos dificuldades para encontrar o equilíbrio no primeiro treino livre. Tentamos corrigir isso e realmente ficou melhor para a segunda sessão, mas ainda não estou completamente feliz. Além disso, a pista recapeada fez este parecer um novo circuito, criando novos desafios. Agora precisamos trabalhar duro hoje (sexta) à noite, analisar os dados e ver onde erramos, para que possamos ser mais fortes amanhã (sábado). A diferença de tempos no pelotão intermediário está bem pequena. Qualquer melhoria pode colocá-lo diretamente de volta na luta das 10 primeiras posições, e é aí que pretendemos estar”, analisou Sainz Jr., após o primeiro dia de treinos.

Carlos ignorou a chuva do sábado e marcou um excelente sexto lugar no grid

Carlos ignorou a chuva do sábado e conquistou um excelente sexto lugar no grid do GP da Hungria

No sábado, o cenário sofreu uma tremenda reviravolta. Uma tempestade caiu sobre o circuito húngaro, fazendo com que os comissários da FIA chegassem a adiar o início do Q1. Apesar dos cuidados da direção da prova, a intensidade da chuva e os acidentes de Felipe Massa (Williams) e de Rio Haryanto (Manor) fizeram com que a primeira parte do qualificatório durasse quase 1 hora. Mesmo com os percalços provocados pela pista molhada, Sainz Jr. avançou para o Q3. No fim, com pneus lisos, o espanhol da Toro Rosso anotou um tempo incrível. Com 1m21s131, Carlos conquistou o sexto tempo, ficando atrás somente das duplas de Mercedes, Red Bull e de Sebastian Vettel (Ferrari), e batendo os pilotos da McLaren. O madrileno ficou 1s166 atrás de Nico Rosberg (Mercedes), pole do GP da Hungria de 2016 com 1m19s965.

Após o top 6 no grid, Sainz Jr. estava em êxtase. “Sinto-me muito bem após esse resultado. Para dizer a verdade, nesta manhã pensávamos que nem sequer chegaríamos ao Q3, mas tudo mudou na classificação. Com certeza a chuva e a temperatura mais baixa deixaram o carro mais confortável de se pilotar. Deve ter sido a classificação mais dura de minha carreira – julgar qual pneu escolher, que traçado fazer, ver onde estava seco e onde ainda estava molhado, aquecer os pneus… Foi complicado! Porém, sempre estivemos no lugar certo no momento certo, passamos por todas as sessões e terminamos em uma ótima posição para amanhã (domingo). Espero que possamos manter a boa sensação que encontramos hoje (sábado) na classificação”, afirmou.

Largada do GP da Hungria de 2016: Sainz Jr. saltou mal e foi superado por Alonso, caindo para 7º

Largada do GP da Hungria de 2016: Sainz Jr. saltou mal e foi superado por Alonso, caindo para 7º

A corrida

Diferentemente do sábado, quando a chuva mexeu com a ordem das forças na Fórmula 1, o domingo amanheceu ensolarado em Hungaroring. O clima em 24 de julho de 2016 era ideal para a disputa do GP da Hungria. Entretanto, com o aumento da temperatura ambiente e da pista, as possibilidades de Sainz Jr. ficariam comprometidas – até porque largava com pneus supermacios usados (os menos duráveis disponibilizados pela Pirelli). Ainda assim, o espanhol demonstrava confiança com a sexta posição no grid. Quando as luzes vermelhas se apagaram, porém, Carlos acabou sendo superado por Fernando Alonso (McLaren), caindo para a sétima colocação. A partir daí, a preocupação do espanhol passou a ser gerenciar seu jogo de pneus.

Conservando ao máximo seus compostos no primeiro stint, Sainz Jr. acabou perdendo contato com Alonso. Por outro lado, manteve Valtteri Bottas (Williams) distante de seu Toro Rosso. O espanhol seguiu em sétimo até a volta 15. Com as paradas de Alonso e de Sebastian Vettel (Ferrari), Carlos ascendeu para a quinta posição. Contudo, na passagem seguinte, o madrileno foi aos boxes. Na troca, sacou os compostos supermacios e colocou novos pneus macios. No retorno à pista, seguiu atrás de Alonso, na 11ª posição. A partir dali, notava-se que algumas equipes tentariam fazer stints diferentes. O espanhol da Toro Rosso só retomaria sua posição após a parada de adversários que estavam em estratégias diferentes.

Estendendo ao máximo seu stint com pneus macios, Sainz Jr. consolidou-se em oitavo

Estendendo ao máximo seu stint com pneus macios, Sainz Jr. consolidou-se em oitavo

Após o pit stop de Kevin Magnussen (Renault), na volta 25, Sainz Jr. retornou ao top 10. Com a parada de Jolyon Palmer (Renault), na 27, o espanhol da Toro Rosso avançou para o nono lugar. Na passagem seguinte, foi a vez de Sergio Pérez (Force India) ir aos boxes. Dessa forma, Carlos se viu em oitavo. E ali ficaria: ele havia perdido uma posição para Kimi Raikkonen (Ferrari). O finlandês, que havia largado numa tímida 14ª posição, fez uma corrida de recuperação e já se encontrava entre os pontuáveis. Diante da ascensão do campeão de 2007, a posição real de Sainz Jr. era mesmo aquela. Sem atacar Alonso, Carlos tratou de cuidar de seus pneus, tentando estender ao máximo sua vida útil.

Na volta 42, o espanhol da Toro Rosso foi aos boxes. Na troca, sacou os compostos usados e colocou novo jogo de pneus macios. No retorno à pista, Sainz Jr. estava em nono, atrás de Bottas. Porém, o finlandês da Williams ainda faria sua segunda parada. Logo na passagem seguinte, Valtteri foi para o pit, fazendo com que Carlos recuperasse o oitavo lugar. Depois da troca, o jovem da Toro Rosso se viu isolado na pista – se não tinha condição de atacar Alonso, estava consolidado à frente de Bottas. No fim, Sainz Jr. levou seu STR11 para casa, assegurando um novo top 8. A vitória no GP da Hungria ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), que, com o triunfo, assumiu a liderança do Mundial pela primeira vez em 2016. Nico Rosberg (Mercedes) ficou em segundo, seguido por Daniel Ricciardo (Red Bull).

Os quatro pontos em Hungaroring colocaram Sainz Jr. no top 10 do Mundial, com 30 pontos

Os quatro pontos em Hungaroring colocaram Sainz Jr. no top 10 do Mundial, com 30 pontos

O oitavo lugar acabou sendo um prêmio de consolação para Carlos, que se mostrou satisfeito com a conquista dos quatro pontos em Hungaroring. “Foi uma corrida sólida para nós, estou feliz com o resultado. Fiquei bastante satisfeito com o nosso desempenho, apesar de Alonso ter me ultrapassado na largada. Conseguimos acompanhar o ritmo da McLaren, algo que parecia impossível durante os treinos de sexta-feira e sábado. Porém, era impossível ultrapassá-lo. Se você me dissesse que eu terminaria em oitavo depois do mau começo de fim de semana que tivemos, eu não teria acreditado. Acho que podemos ficar felizes – a equipe fez um ótimo trabalho para se recuperar e eu gostaria de agradecê-los por isso”, disse Sainz Jr., após a corrida.

Bem na foto: ascensão de Carlos Sainz Jr. só veio após a ida de Max Verstappen para a Red Bull

Bem na foto: ascensão de Carlos Sainz Jr. só veio após a ida de Max Verstappen para a Red Bull

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Inglaterra-2016: Pérez roda, mas conquista top 6 em Silverstone

Sergio Pérez (Force India) superou rodada e pneus degradados para alcançar o sexto lugar

Sergio Pérez superou rodada e pneus degradados para alcançar 6º lugar no GP da Inglaterra

A Force India teve uma atuação consistente no último domingo em Silverstone, palco do GP da Inglaterra de 2016. Tanto Sergio Pérez quanto Nico Hulkenberg alcançaram a zona de pontos na etapa britânica. O mexicano terminou em sexto, seguido pelo alemão. Os 14 pontos significaram o melhor desempenho da escuderia indiana em solo inglês desde o início de sua trajetória na Fórmula 1, em 2008. E poderia ter sido mais, uma vez que Pérez rodou na volta 33, na curva Abbey, e perdeu vantagem para Kimi Raikkonen (Ferrari) na disputa pelo quinto lugar. A escapada fez com que o mexicano desgastasse os pneus de seu VJM09, tendo como consequência a queda de rendimento. A sete voltas do fim, o ferrarista ultrapassou o asteca e assumiu o quinto posto. Depois, Checo foi pressionado por Hulk, recebendo a bandeira quadriculada com apenas 0s771 de vantagem sobre o companheiro de time.

Antes do sexto lugar de Pérez, o máximo que a equipe de Vijay Mallya havia obtido na corrida britânica era a sétima posição (com Hulkenberg, em 2015, e com Adrian Sutil, em 2013). Com o resultado, o mexicano atingiu 47 pontos no Mundial, consolidando-se em oitavo e se aproximando de Valtteri Bottas (Williams), sétimo com 54 pontos. Além disso, com os desempenhos de Sergio e Nico, a Force India passou para 73 pontos no Mundial de Construtores, ficando a 19 da Williams, quarta colocada na tabela de classificação, com 92 pontos, e que não pontuou com seus pilotos na etapa britânica. Satisfeito com o rendimento da dupla e ciente de que outras equipes estariam de olho em seus pilotos para 2017, Mallya tratou de afirmar, antes do GP da Inglaterra, que Pérez e Hulkenberg já renovaram contrato com a escuderia para a próxima temporada.

Top 6 de Pérez foi o melhor resultado da Force India em Silverstone

Top 6 de Pérez foi o melhor resultado da Force India em Silverstone: no time indiano em 2017

A afirmação do dono da Force India veio após a Ferrari confirmar, na sexta-feira, em Silverstone, que Kimi Raikkonen prosseguirá na escuderia por mais um ano. Pérez estaria sendo cogitado para substituir o finlandês na Scuderia. A permanência de Raikkonen na Rossa não abateu Sergio, que tratou de acelerar no circuito inglês. No primeiro treino livre, o mexicano anotou 1m33s235, ficando a 1s581 de Lewis Hamilton (Mercedes), que marcou o melhor tempo do dia na sessão da manhã com 1m31s654. No segundo treino livre, à tarde, Checo foi apenas o 16º mais veloz, não superando sua marca da manhã por focar no acerto para a corrida. “(Esta sexta) foi um dia muito intenso, e agora temos muita informação para a equipe analisar. Fomos capazes de rodar com todos os compostos de pneus, e sinto que estamos em uma boa posição para o fim de semana. Temos de nos concentrar no nosso stint longo – que é onde vamos trabalhar esta noite”.

No sábado, Pérez e Hulkenberg tinham como objetivo avançar para o Q3 da sessão qualificatória da etapa britânica. Após avançarem para o Q1 com certa facilidade, os dois travaram uma árdua disputa com Fernando Alonso (McLaren) na fase seguinte. No fim do Q2, Alonso conquistou o nono lugar, com 1m31s740, derrubando Nico para o 10º posto, com 1m31s770, e Sergio para o 11º, com 1m31s875. Dessa forma, o mexicano acabou sendo eliminado antes do Q3. A pole para a corrida britânica ficou com o herói local Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m29s287 na fase decisiva – 2s588 mais veloz o tempo final de Checo. “Ficar fora da Q3 não foi ideal, principalmente por uma diferença tão pequena, mas estou confiante de que podemos progredir na corrida. Temos a vantagem de ser o primeiro carro com uma escolha livre dos pneus, e se eu fizer uma boa largada, deveremos conseguir lutar por alguns pontos”, analisou Pérez.

A controversa largada do GP da Inglaterra de 2016: todos atrás do safety car

A controversa largada do GP da Inglaterra de 2016: sem chuva, todos atrás do safety car

A corrida

Domingo, 10 de julho de 2016. Nuvens rondavam Silverstone, palco de mais um GP da Inglaterra. Com a punição dada a Sebastian Vettel (Ferrari) – o alemão perdeu cinco posições no grid após trocar a caixa de câmbio de seu bólido –, Pérez alinhou na 10ª colocação. Porém, poucos minutos antes das luzes vermelhas se apagarem, uma forte chuva caiu sobre o tradicional autódromo. A pista ficou extremamente molhada. Contudo, quando os carros estavam alinhados no grid, o temporal já era passado. Raios solares já iluminavam o traçado. A pista ficou encharcada, mas o sol estava por chegar. Diante do cenário, os comissários da FIA tomaram uma polêmica decisão: a largada aconteceria com a presença do safety car. Alguns pilotos chegaram a criticar a medida, uma vez que não chovia mais. Todavia, não teve jeito: todos saíram atrás do carro-madrinha, calçando pneus para tempestade intensa.

Após seis voltas, um trilho já se formava em Silverstone. Com isso, o safety car deixou a pista, e os pilotos, enfim, puderam acelerar. Como as condições já estavam melhores, alguns já ingressaram nos boxes para calçar pneus intermediários antes mesmo da relargada – casos de Kimi Raikkonen (Ferrari), Valtteri Bottas (Williams), Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), Nico Hulkenberg (Force India) e Fernando Alonso (McLaren). Com isso, Pérez subiu para a quinta posição. Entretanto, durante a primeira volta lançada, acabou sendo superado por Felipe Massa (Williams), caindo para sexto. Na volta 7, Massa e Daniel Ricciardo (Red Bull) foram para os boxes, e Checo subiu para quarto. Na passagem seguinte, enfim, o asteca foi para o pit stop, sacando os compostos para chuva intensa e colocando os intermediários.

Pérez andou à frente de Ricciardo, mas o australiano se aproveitou da pista seca para superar o mexicano

Pérez andou à frente de Ricciardo: australiano se aproveitou da pista seca para superar o mexicano

Manter Sergio na pista com pneus para chuva rendeu frutos no retorno dos boxes. Pérez se viu à frente de Ricciardo e Massa, figurando numa real quarta posição do GP da Inglaterra. À frente do mexicano, apenas Lewis Hamilton (Mercedes), Nico Rosberg (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull). Na volta 9, Checo estava 3s2 atrás de Verstappen, e 5s9 à frente de Ricciardo. Aos poucos, a pista secava, fazendo com que o asteca perdesse contato com o holandês, e permitisse a aproximação do australiano. Na volta 15, Sergio viu a vantagem de Max subir para 12s4, e a diferença para Daniel cair para 2s2. Com o traçado seco, os pilotos decidiram trocar os intermediários por compostos lisos. Na volta 18, Pérez colocou pneus médios, com o intuito de não parar mais nos boxes. Checo seguiu à frente de Ricciardo, mas já tinha o australiano – também com médios – em seus calcanhares.

Na volta 20, Ricciardo colou definitivamente em Pérez. Na passagem seguinte, o australiano da Red Bull partiu para o ataque e ultrapassou o mexicano da Force India, que caiu para quinto. A partir dali, Daniel colocou vantagem sobre Sergio, que estava com uma confortável diferença sobre Raikkonen, o sexto. Na volta 30, o asteca tinha 18s2 de vantagem sobre o finlandês. O quinto lugar parecia assegurado. Porém, Silverstone estava traiçoeiro. Qualquer vacilo poderia custar a permanência na corrida. Mas um em especial desafiava os pilotos: a freada da curva Abbey (ou curva 1). Diversos derraparam ou perderam o controle de seus bólidos, casos de Alonso, Sainz, Rio Haryanto (Manor) e Hamilton. Na volta 33, Pérez acabou escapando na Abbey, perdendo segundos preciosos na luta pelo top 5. Não só isso: para não bater, degradou seus pneus.

Após a rodada, rendimento de Pérez caiu, permitindo a aproximação de Raikkonen

Após a rodada, rendimento de Pérez caiu, permitindo a aproximação de Raikkonen

Após recuperar-se do susto, Sergio se viu com 8s de vantagem sobre Kimi na volta 36. Com os compostos degradados, Pérez perdeu ritmo, fazendo com que Raikkonen se aproximasse na batalha pelo quinto lugar. Na volta 40, o mexicano tinha 3s3 de vantagem sobre o finlandês. Na 44, o ferrarista já estava com o rival da Force India em sua alça de mira. Checo bem que tentou, mas era impossível segurar Kimi. Na volta 46, Raikkonen ultrapassou Pérez na freada da Stowe, assumindo o quinto posto. À Sergio, ainda restava administrar o sexto lugar. Apesar da aproximação de Hulkenberg, Checo assegurou oito importantes pontos no Mundial. A vitória em Silverstone ficou com Hamilton, seguido por Verstappen e Rosberg – o alemão chegou em segundo, mas teve 5s acrescidos ao seu tempo de corrida por ter recebido instruções via rádio (o que é proibido).

“Foi um resultado muito bom para a equipe, com dois carros nos pontos. Apesar disso, senti que poderia ter mantido o quinto lugar sem aquela rodada na curva 1 (Abbey). Naquele momento, achei que minha corrida estava acabada, mas consegui me recuperar. Contudo, danifiquei meus pneus, e isso me prejudicou no restante da prova em termos de degradação. Forcei ao máximo para tentar manter (Kimi) Raikkonen, e só quando ele me passou pude poupar os pneus. Tivemos de fazer um trecho bastante longo com os médios, o que foi um pouco arriscado porque a degradação estava alta, mas a equipe tomou as decisões corretas nos momentos certos e isso deu resultado. As condições, principalmente na primeira parte da corrida, estavam muito traiçoeiras. Havia uma linha seca, mas quando você colocava uma roda nas partes úmidas, a aderência desaparecia. Manter o carro na direção certa já era um feito”, observou Pérez.

Com os 14 pontos obtidos em Silverstone, a Force India se aproximou da Williams no duelo pelo 4º lugar dos Construtores

Com os 14 pontos de Silverstone, a Force India se aproximou da Williams, 4º lugar dos Construtores

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Áustria-2016: Wehrlein conquista primeiro ponto da Manor

Pascal Wehrlein (Manor) só assegurou o 10º lugar no GP da Áustria de 2016 na última volta: prêmio celebrado

Pascal Wehrlein (Manor) só assegurou o 10º lugar na última volta do GP da Áustria: façanha histórica

A vida é feita de façanhas. Algumas são alcançadas com competência. Outras, com sorte. Quando competência e sorte se tornam aliadas, o sucesso acaba sendo garantido. Pascal Wehrlein se mostrou hábil na pista de Spielberg, palco do GP da Áustria de 2016. Após conquistar um inédito 12º lugar no grid, o alemão de 21 anos lutou bravamente com rivais que possuíam equipamento superior. Apesar de contar com um fraco Manor, Wehrlein mostrava persistência. No fim da etapa austríaca, perseguiu Valtteri Bottas (Williams) com afinco, na luta pelo 10º lugar. Mesmo vendo o finlandês com pneus degradados, derrotá-lo parecia impossível. O esforço de Pascal acabou sendo premiado na última volta. Com o acidente de Sergio Pérez (Force India), o germânico foi alçado ao 10º lugar. De forma inesperada, o jovem calouro terminou na zona de pontuação, assegurando não só seu primeiro ponto, como também o primeiro de sua escuderia na Fórmula 1.

Wehrlein se tornou o 332º piloto a pontuar na categoria máxima do automobilismo. A Manor, a 66ª equipe a anotar ponto na história. O feito do germânico em Spielberg se tornou um marco em sua promissora trajetória. Filho de pai alemão e mãe mauriciana (natural das Ilhas Maurício, no Oceano Índico), Wehrlein nasceu em 18 de outubro de 1994, em Sigmaringen, na Alemanha. Apesar de contar com dupla nacionalidade, optou por competir sob a bandeira alemã. Sua carreira teve início no kart em 2003, aos 9 anos, disputando diversos campeonatos nacionais até 2009. Em 2010, decidiu migrar para os monopostos, na Fórmula ADAC Alemã. Na sua primeira temporada na categoria, terminou em sexto. Na segunda, em 2011, sagrou-se campeão. O título da F-ADAC fez com que Pascal se credenciasse à disputa da Fórmula 3 Europeia em 2012, conquistando o vice-campeonato da categoria.

Apoiado pela Mercedes, Wehrlein ingressou na DTM: título em 2015

Por três anos, Wehrlein correu na DTM: em 2015, tornou-se o mais jovem campeão da categoria

Em 2013, Pascal decidiu dar uma guinada em sua carreira. Além de seguir disputando corridas na F3 Europeia, o germânico ingressou na DTM, principal categoria de carros turismo da Alemanha, com apoio da Mercedes. Tido como prodígio – afinal, estreava na categoria com apenas 18 anos -, Wehrlein chamava a atenção da cúpula do time germânico. Em 2014, foi contratado pela escuderia de F1 para ser piloto de testes dos bólidos de Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Além de testador, Pascal continuou sua jornada na DTM. Naquele ano, se tornou o mais jovem vencedor da história da categoria, terminando a temporada em oitavo. Em 2015, Wehrlein passou a testar pela Force India e pela Mercedes. Na DTM, fez uma temporada irrepreensível, alcançando o título, tornando-se o mais jovem campeão da categoria de turismo, com 20 anos.

Bem-sucedido na DTM, Pascal precisava dar um passo adiante. E a Mercedes sabia disso. Em 2015, os alemães firmaram acordo de cessão de motor para a Manor – que assumiu o espólio da Marussia naquele ano, após Stephen Fitzpatrick salvar a equipe da falência. Como contrapartida, emprestaram Wehrlein, que, assim, faria sua estreia como piloto oficial na Fórmula 1 em 2016. O objetivo da marca alemã era um só: fazer com que Pascal ganhasse experiência no ‘circo’ para, no futuro, assumir seu cockpit. A Mercedes entendeu que a Manor, impulsionada pelos motores Mercedes e auxiliada por personagens experientes como Nicholas Tombazis (ex-chefe de aerodinâmica da Ferrari) e Pat Fry (consultor, ex-diretor técnico da Ferrari), poderia ajudar o desenvolvimento de Wehrlein como piloto.

Nas oito primeiras provas de 2016, Wehrlein teve como melhor resultado um 13º lugar, em Sakhir

Nas oito primeiras provas de 2016, Wehrlein teve como melhor resultado um 13º lugar, em Sakhir

Para correr com Pascal, a Manor contratou o indonésio Rio Haryanto. Nas oito primeiras corridas de 2016, a dupla passou longe dos pontos. Seu melhor resultado nesse período veio com o 13º lugar de Wehrlein no GP do Bahrein, em Sakhir. Todavia, a equipe já se mostrava capaz de bater a Sauber, saindo em algumas ocasiões da temida última fila no grid. Ao desembarcar em Spielberg, para a disputa da nona etapa do Mundial, o alemão se revelou confiante. Também pudera: aquele seria o primeiro circuito em que ele havia competido anteriormente. Diante da experiência no circuito austríaco, Pascal tratou de acelerar seu Manor MRT05. Na sexta-feira, primeiro dia de treinos livres, Wehrlein acabou sendo o 17º mais veloz do dia, anotando 1m09s775. A marca do alemão foi 0s718 mais rápida que a de Haryanto, 22º do dia com 1m10s493. Nico Rosberg (Mercedes) marcou o melhor tempo da sexta, com 1m07s373 – 2s402 à frente de Pascal.

Wehrlein lembrou que a preparação da Manor para os treinos de sexta foi atrapalhada pela chuva, que chegou a interromper o segundo treino livre e atrapalhou as equipes. “Bem, nós estávamos esperando a chuva, pois a previsão era bastante precisa. Tudo estava bem para mim. Claro, nós queríamos pilotar mais e trabalhar mais no programa de testes, mas no final é o mesmo para todos. Nós não conseguimos completar uma tentativa com pneu ultramacio, mas neste momento eu estou feliz com o carro, especialmente no final do dia. Conheço esta pista há algum tempo e eu gosto. É de alta velocidade com curvas rápidas e boas oportunidades de ultrapassagem, por isso, em geral, é bom para guiar”, analisou o alemão.

No sábado, Wehrlein voou com seu Manor: histórico 12º lugar no grid

No sábado, Wehrlein voou com seu Manor: histórico 12º lugar no grid austríaco

A familiaridade de Pascal com a pista de Spielberg foi fundamental para a classificação, no sábado. O alemão da Manor fez um treino acima das expectativas, ao superar a barreira do Q1. Além de bater Haryanto e a dupla da Sauber, Felipe Nasr e Marcus Ericsson, Wehrlein superou os pilotos da Renault, Kevin Magnussen e Jolyon Palmer. Porém, para alcançar a segunda fase da sessão, o jovem germânico contou com o acidente de Daniil Kvyat (Toro Roso), que destruiu seu bólido e ficou fora do treino. No Q2, Pascal já seria beneficiado com as ausências de Sergio Pérez (Force India) e Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), o que o colocaria, no mínimo, na 14ª posição no grid. Em sua primeira volta no Q2, anotou um bom tempo. Porém, quando retornou para sua segunda tentativa, a chuva caiu levemente sobre o circuito, impossibilitando que baixasse sua marca.

Apesar da chuva, Wehrlein anotou 1m07s700, ficando em 12º no grid do GP da Áustria de 2016 – a pole ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). O alemão da Manor ficou à frente de Romain Grosjean (Haas) e Fernando Alonso (McLaren), não avançando para o Q3 por apenas 0s1. Mas não havia motivo para lamentar. Esta foi a melhor posição obtida pelo alemão em um treino oficial na Fórmula 1 desde a sua estreia, no GP da Austrália. Foi também a melhor colocação da Manor em uma largada – se for considerada a história do espólio, iniciada em 2010 (incluindo Virgin e Marussia), o grid de Spielberg igualou o feito de Jules Bianchi, com Marussia, no GP da Inglaterra de 2014, em Silverstone. Na ocasião, o francês também alinhou na 12ª posição.

Ao encerrar o Q2 em 12º, Pascal foi cumprimentado pelos mecânicos da Manor

Ao encerrar o Q2 em 12º, Pascal foi cumprimentado pelos mecânicos da Manor

“Foi uma classificação quase perfeita. Nossa estratégia foi excelente: nós sempre éramos um dos primeiros carros a entrar na pista. Tudo deu certo no Q1. Em seguida, no Q2, fiz minha primeira tentativa com o pneu supermacio. Mudei para o ultramacio, mas então a chuva realmente chegou e não havia maneira de melhorar. É fácil de dizer ‘eu acho’, mas, se não fosse a chuva, o Q3 poderia até ter sido possível hoje (sábado). Ainda é uma sensação incrível para mim e para toda a equipe (entrar no Q2). Estou muito orgulhoso: é uma mostra de quão duro todos nós temos trabalhado e uma boa recompensa para esse esforço”, celebrou Pascal.

Largada do GP da Áustria de 2016: Wehrlein escapou de punição ao alinhar na posição de Felipe Massa

Largada do GP da Áustria de 2016: Wehrlein escapou de punição ao alinhar na posição de Felipe Massa

A corrida

Domingo, 3 de julho de 2016. A nebulosidade fazia parte do bucólico cenário de Spielberg, palco do GP da Áustria. Assim como no sábado, havia a expectativa de chuva para a corrida. Alheio ao clima, Wehrlein estava ansioso para o início da etapa. Antes dos carros alinharem no grid, Felipe Massa (Williams), com problemas em sua asa dianteira, decidiu largar dos boxes. Dessa forma, o brasileiro deixou vaga a 10ª posição – justamente à frente de Pascal. Após a volta de aquecimento dos pneus, o alemão da Manor simplesmente parou no 10º lugar, ignorando que a lacuna não era para ser preenchida. Rapidamente, Pascal engatou a ré e ainda conseguiu retornar ao 12º posto. Passado o momento de apreensão, o germânico se concentrou para a largada da prova austríaca.

Após intensas disputas nos primeiros metros da corrida, Wehrlein foi superado por Sergio Pérez (Force India) e Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). Porém, ultrapassou Esteban Gutiérrez (Haas), e como havia herdado a posição de Massa, completou a volta 1 em 12º. Calçando pneus ultramacios, o alemão da Manor acompanhava o ritmo de Pérez. Além disso, conseguia se sustentar à frente de Fernando Alonso (McLaren) e Romain Grosjean (Haas). Como a maioria dos ponteiros havia largado com ultramacios, a primeira janela para troca de pneus foi aberta já na volta 8. Com o pit stop de Nico Hulkenberg (Force India), Pascal subiu para 11º. Após as paradas de Pérez e Sainz, na volta 9, o germânico pulou para nono. Depois de Valtteri Bottas (Williams) e Jenson Button (McLaren) ingressarem nos boxes, na 10, o piloto da Manor saltou para sétimo.

Com pneus ultramacios, Wehrlein chegou a ocupar o sexto lugar

Com pneus ultramacios, Wehrlein chegou a ocupar o sexto lugar: estratégia ousada não surtiu efeito

Na volta 11, foi a vez de Nico Rosberg (Mercedes) parar nos boxes. Com isso, Wehrlein assumiu a sexta colocação. Entretanto, os compostos do bólido de Pascal já davam sinais de desgaste. Na volta 13, a Manor chamou o alemão para seu primeiro pit stop. Na troca, a equipe sacou os pneus ultramacios e colocou outro jogo do mesmo composto (já usados). No retorno à pista, o germânico ocupava a 17ª posição. A tática, que parecia ousada, não surtiu o efeito esperado. Ela dependia da chuva, que não veio com intensidade – apenas uma garoa esparsa. Com pneus usados, Pascal não conseguia ganhar posições, a ponto de ficar atrás de seu companheiro Rio Haryanto (Manor), que havia adotado uma estratégia diferente. Diante disso, na volta 23, a Manor determinou que Wehrlein fizesse seu segundo pit stop. Desta vez, o time trocou os ultramacios por um novo jogo de compostos macios (os mais resistentes do fim de semana).

Com os pneus macios, o objetivo era um só: fazer com que o germânico terminasse a prova sem novas paradas. Todavia, um acontecimento minou qualquer possibilidade de ascensão de Wehrlein na corrida: na volta 26, Sebastian Vettel (Ferrari), líder em Spielberg após fazer um longo stint, viu seu pneu traseiro direito explodir em plena reta dos boxes. Com o acidente, o safety car foi acionado. Como Pascal havia realizado seu segundo pit stop três voltas antes do acidente, acabou se vendo na 20ª e última posição. Assim, almejar os pontos na prova austríaca passava a ser um distante sonho. Quando a relargada foi dada, na volta 32, Wehrlein seguiu em 20º. Ali permaneceu até a volta 42 – com a nova parada de Gutiérrez, o alemão subiu para 19º. Após o pit stop de Haryanto e de Felipe Nasr (Sauber), na volta 44, o germânico da Manor passou para 17º.

Wehrlein, à frente de Palmer e Massa: corrida de recuperação

Wehrlein, à frente de Palmer e Massa: alemão foi forçado a mudar tática durante a corrida

Enquanto os demais pilotos realizavam suas paradas, Pascal ascendia na classificação. Na volta 50, o alemão ultrapassou Jolyon Palmer (Renault), e contou com a ida aos boxes de Marcus Ericsson (Sauber) e Kevin Magnussen (Renault) para figurar em 14º. Na passagem seguinte, Hulkenberg fez seu pit stop, e Wehrlein passou a ocupar o 13º lugar. Na volta 52, Bottas realizou sua parada, e o germânico da Manor pulou para 12º. Era o máximo onde Pascal poderia estar. A partir dali, só alguma quebra poderia elevá-lo na classificação em Spielberg. Para piorar, na volta 55, o alemão foi superado por Bottas, caindo para 13º. A 16 voltas da bandeira quadriculada, apenas um milagre o colocaria na zona de pontuação.

Mas milagres acontecem para os competentes. Na volta 57, Massa realizou uma nova parada, e Wehrlein recuperou o 12º lugar. Na 63, Alonso também foi aos boxes, com problemas de freios. Assim, Pascal assumiu o 11º posto. Ao mesmo tempo, os pneus de Bottas começavam a se desgastar, fazendo com que o germânico se aproximasse do finlandês. Wehrlein batia a porta do top 10, mas entrar na zona de pontos parecia algo utópico. Apesar dos problemas, Valtteri mantinha Pascal sob controle. Era o fim do sonho. Chegar tão perto, e ficar tão longe do esperado lugar entre os pontuáveis, seria frustrante. Seria injusto não só com o alemão, como também com sua equipe.

Na última volta, veio a recompensa: graças a abandono de Pérez, Wehrlein pôde comemorar o 10º lugar

Na última volta, veio a recompensa: com abandono de Pérez, Wehrlein pôde comemorar o 10º lugar

Aí veio a volta 71. A última do GP da Áustria. Após tomar uma volta de Lewis Hamilton e Nico Rosberg, Wehrlein viu de camarote o entrevero da dupla da Mercedes na derradeira passagem. Rosberg impediu que Hamilton contornasse a curva 2, e o toque foi inevitável. Nico levou a pior, despencando para o quarto lugar. Pascal chegou a superar Rosberg. Nesse meio tempo, sequer viu Pérez, o oitavo colocado, parado na brita. De repente, Wehrlein era o 10º lugar. A vitória ficou com Hamilton, seguido por Max Verstappen (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Ferrari). Mas o verdadeiro vitorioso em Spielberg foi o jovem alemão de Sigmaringen. Aos 21 anos, ele colocava a Manor nos pontos pela primeira vez – se for considerada a história do espólio, trata-se do segundo top 10 (o primeiro veio com Jules Bianchi, com Marussia, nono no GP de Mônaco de 2014).

“Foi incrível. Estou muito feliz. Em certo momento, eu estava me sentindo muito abatido, porque tivemos um pouco de azar com a nossa estratégia em relação ao carro de segurança (que entrou após o acidente de Vettel). Eu tinha acabado de parar, então, quando saí depois da minha segunda parada, eu era o último. Não era uma boa sensação, mas nós tivemos que trabalhar com o que tínhamos, que eram os pneus macios até o fim da corrida. Terminar nos pontos a partir da última posição, rodando por mais de 40 voltas com um único jogo de pneus, foi um feito incrível. Isso é muito importante. Não apenas pelo que significa para a nossa posição no campeonato, mas também mostra que fizemos progressos reais. Tem sido um processo passo a passo, e que não tem sido sempre visto pelas pessoas fora da equipe. Mas hoje (domingo) foi um bom dia e realmente uma grande recompensa para todos nós”, comemorou Wehrlein.

Desempenho de Wehrlein em Spielberg foi elogiado por Dave Ryan e por Toto Wolff

Desempenho de Wehrlein em Spielberg foi elogiado por Dave Ryan e por Toto Wolff

Depois da corrida, Pascal foi celebrado pela Manor. O diretor de corridas da escuderia, Dave Ryan, destacou a importância do 10º lugar à Autosport. “Isso demonstra que somos uma equipe séria, profissional. Fomos chamados de todos os tipos de coisas ao longo dos anos, mas estamos aqui para competir e tentar melhorar corrida a corrida, e estamos fazendo isso. Somos uma equipe muito pequena que veio para esta temporada tentando se organizar, e entender o que significa ser uma equipe de ponta. Estamos chegando lá. Temos um longo caminho a percorrer, mas estamos chegando lá”, afirmou. O desempenho de Wehrlein também foi elogiado por Toto Wolff, chefe da Mercedes e um de seus grandes entusiastas. “Pela primeira vez na F1, ele (Pascal) mostrou que é um piloto muito especial. Esta é a primeira pista em que Pascal já havia corrido anteriormente, e esse efeito não deve ser subestimado”, observou.

Em Spielberg, Wehrlein obteve seu 1º ponto na F1; foi, também, o 1º ponto da Manor na categoria

Em Spielberg, Wehrlein obteve seu 1º ponto na F1; foi, também, o 1º ponto da Manor na categoria

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Argentina-1997: com polêmica, Ralf obtém primeiro pódio

Da esq. para a dir.: Irvine, Villeneuve e Ralf Schumacher: 1º pódio do alemão na F1

Irvine, Villeneuve e Ralf Schumacher: 1º pódio do alemão na F1 rendeu polêmica na Jordan

Estrear na Fórmula 1 nunca foi tarefa das mais fáceis. Então, imagine dar os primeiros passos na categoria máxima do automobilismo sendo constantemente comparado ao principal piloto do ‘circo’ – ninguém menos do que seu irmão? Essa foi a missão inglória de Ralf Schumacher (Jordan) em 1997. Desvencilhar-se de Michael Schumacher (Ferrari) acabou sendo o principal desafio da primeira temporada do alemão. Apesar da pressão, Ralf até conseguiu brilhar em algumas ocasiões. A primeira vez em que os holofotes miraram o germânico da Jordan veio logo em sua terceira corrida. No GP da Argentina de 1997, em Buenos Aires, o calouro surpreendeu ao conquistar o terceiro lugar. É bem verdade que Michael saiu de cena bem no início da etapa. Irmão mais velho à parte, o top 3 em solo portenho fez com que o piloto da Jordan inscrevesse seu nome na história: com seu primeiro pódio, Ralf se tornou o mais jovem a figurar num top 3. Com 21 anos, 9 meses e 14 dias, bateu em 17 dias o recorde de precocidade de Elio de Angelis, segundo no GP do Brasil de 1980, em Interlagos.

A marca de Ralf Schumacher perdurou por seis anos – ela acabou sendo batida por Fernando Alonso, terceiro no GP da Malásia de 2003, em Sepang. Ainda assim, o terceiro lugar em Buenos Aires-1997 rendeu elogios e polêmicas em torno do novato. Nascido em 30 de junho de 1975, em Kerpen, Ralf foi o segundo filho de Rolf e de Elisabeth Schumacher (o primeiro, vocês sabem quem é…). Assim como Michael, acabou sendo influenciado pelo pai a andar de kart. Por incentivo de Rolf, zelador do kartódromo de sua cidade natal, Ralf aprendia a pilotar na pista, que se tornou o quintal de sua casa. A partir daí, a semente do automobilismo se enraizou. Ralf decidiu seguir a trajetória do irmão, que já disputava competições em categorias menores do automobilismo.

Quando ingressou na F1, em 1997, Ralf vivia o dilema de ser comparado ao irmão Michael, o melhor piloto do 'circo'

Quando ingressou na F1, em 1997, Ralf vivia o dilema de ser comparado ao irmão Michael

Em 1991, Michael Schumacher estreava na Fórmula 1 no cockpit da Jordan, no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Naquele ano, Ralf conquistou a NRW Cup, a Gold Cup e o Campeonato Nacional de Kart (categoria júnior), todos na Alemanha. Em 1992, Michael obteve sua primeira vitória na F1 – no GP da Bélgica, em Spa. Ralf, por sua vez, alcançou o vice-campeonato alemão sênior de kart. Em 1993, Michael venceu pela segunda vez na F1 – no GP de Portugal, no Estoril. Por outro lado, Ralf estreou nos monopostos, sagrando-se vice-campeão da Fórmula BMW Junior. O bom desempenho fez com que o mais jovem da família Schumacher ganhasse um convite para testes na Fórmula 3 Alemã. Em 1994, Michael assegurou seu primeiro título mundial da F1. Já Ralf terminou em terceiro na F3 Alemã.  Em 1995, Michael era bicampeão mundial da F1. Por sua vez, Ralf obtinha o vice-campeonato da F3 Alemã e triunfava no tradicional GP de Macau.

Apesar da gradual ascensão no automobilismo, Ralf encarou uma drástica mudança em sua carreira. Em 1996, o empresário Willi Webber (que também assessorava Michael) colocou o alemão em categorias no Japão. Logo em sua estreia na Fórmula Nippon, Ralf conquistou o título – foi o primeiro estrangeiro a levantar o campeonato. Já no Campeonato Japonês de Turismo, obteve o vice-campeonato. Os bons resultados do germânico em solo nipônico refletiram diretamente na Fórmula 1. Weber conseguiu que Ralf testasse pela McLaren, em agosto, em Silverstone. Em setembro, o sonho da F1 se tornava realidade para o jovem Schumacher: a Jordan, equipe que cinco anos antes promovia a estreia de Michael na categoria, anunciava que Ralf assinava por três temporadas com o time.

Ralf chegou à F1 com o aval de Eddie Jordan: irlandês abriu as portas de Michael Schumacher em Spa-1991

Ralf tinha o aval de Eddie Jordan: irlandês fez o mesmo com Michael Schumacher em Spa-1991

O alemão ocuparia o cockpit de Rubens Barrichello – que se transferiu para a Stewart. Como companheiro de time, teria Giancarlo Fisichella – o italiano deixou a Minardi e passou a ocupar a vaga de Martin Brundle. Com a jovem dupla, Eddie Jordan esperava surpreender a todos em 1997. Porém, a impetuosidade de Schumacher e Fisichella deixaria o chefão irlandês em apuros. Na estreia de Ralf na F1, no GP da Austrália, em Melbourne, a caixa de câmbio do Jordan 197 do alemão resistiu a apenas uma volta. Já a participação de Giancarlo na prova australiana durou 14 voltas – o italiano abandonou após sofrer acidente. No GP do Brasil, em Interlagos, Ralf abandonou com problemas elétricos, enquanto Fisichella terminou num modesto oitavo lugar, fora da zona de pontos.

A terceira etapa do Mundial de 1997 seria um divisor de águas para Ralf e Fisichella. Havia muita expectativa da dupla da Jordan em torno do GP da Argentina, em Buenos Aires. Um circuito seletivo, onde o chassis e a boa potência do motor Peugeot poderiam fazer diferença. Além disso, a prova marcaria o 100º GP do time de Eddie Jordan. A fim de celebrar com um bom resultado, os pupilos do irlandês trataram de acelerar. Desde a sexta-feira, dia em que ocorreram os primeiros treinos no Autódromo Oscar y Juan Galvéz, o alemão e o italiano mostraram serviço. No sábado, Ralf mostrou arrojo e colocou seu Jordan 197 num incrível sexto lugar, com 1m26s218. Giancarlo ficou em nono, com 1m26s619 – a 0s401 de seu parceiro. O tempo do jovem Schumacher foi 1s745 inferior ao anotado por Jacques Villeneuve (Williams), pole com 1m24s473.

Largada do GP da Argentina de 1997, em Buenos Aires: confusão na largada quase vitimou Ralf

Largada do GP da Argentina de 1997, em Buenos Aires: confusão na largada quase vitimou Ralf

A corrida

O sol brilhava em Buenos Aires naquele domingo, 13 de abril de 1997. Cenário mais do que perfeito para a disputa da 600ª corrida da história da Fórmula 1. O grid do GP da Argentina contava com 22 pilotos, que tinham um único objetivo: completar as 72 voltas da prova portenha na melhor posição possível. Sexto colocado, Ralf Schumacher (Jordan) estava confiante de que poderia pontuar pela primeira vez na categoria máxima do automobilismo. Porém, o alemão não esperava que seu experiente irmão, então bicampeão mundial, pudesse protagonizar uma confusão logo nos primeiros metros da etapa: quarto no grid, Michael Schumacher (Ferrari) jogou seu bólido contra Olivier Panis (Prost). Na sequência, no contorno da primeira curva, tocou em Rubens Barrichello (Stewart), tirando o brasileiro da prova.

Atrás de Michael e Barrichello, veio o efeito-dominó: Ralf reduziu bruscamente para não bater no irmão mais velho, e atingiu David Coulthard (McLaren). O escocês também foi obrigado a abandonar. Apesar de todos os percalços, o alemão da Jordan ainda se manteve em oitavo – foi superado por Eddie Irvine (Ferrari), Giancarlo Fisichella (Jordan), Damon Hill (Arrows) e Johnny Herbert (Sauber). Para a retirada dos carros de Schumacher, Barrichello e Coulthard, a direção de prova determinou a entrada do safety car. A corrida ficou sob bandeira amarela por quatro voltas. Na volta 5, a relargada foi dada. Jacques Villeneuve (Williams) manteve a ponta, seguido por Heinz-Harald Frentzen (Williams), Panis, Irvine, Fisichella, Hill, Herbert e Ralf.

Ralf Schumacher supera Damon Hill por fora: bela manobra do alemão em Buenos Aires

Ralf supera Damon Hill por fora e assume 5º lugar: bela manobra do alemão em Buenos Aires

Na passagem seguinte, Frentzen encarou problemas na embreagem de seu Williams e foi obrigado a abandonar. Com isso, o alemão da Jordan subiu para sétimo. Na volta 7, Ralf ingressou na zona de pontos após ultrapassar Herbert. O ritmo do germânico impressionava. Logo após superar Johnny, o novato encostou em Hill. Campeão de 1996, o inglês sofria com a Arrows, mas mantinha um bom desempenho no início da prova argentina. Apesar disso, Ralf não se intimidou e partiu para cima de Damon. Na volta 8, numa manobra ousada, ultrapassou Hill por fora na freada para a curva 1 e subiu para quinto. Herbert acompanhou o alemão e assumiu o sexto lugar. Na volta 9, na ânsia de se aproximar de Fisichella para lutar pelo quarto posto, Ralf errou e acabou sendo superado por Herbert, caindo para sexto.

O inglês da Sauber mostrava boa forma em Buenos Aires, impedindo qualquer possibilidade de aproximação do alemão da Jordan. Porém, logo Ralf retornaria para o quinto lugar. Na volta 18, Panis, com problemas de motor, deixou a disputa. Na volta 22, os primeiros colocados começaram a se encaminhar para os boxes. Villeneuve fez seu pit stop e ainda retornou em primeiro, enquanto Herbert caiu para quinto. Assim, Ralf ascendeu para a quarta colocação. Com a parada de Irvine, na volta 24, o alemão subiu para terceiro. Na alça de mira do germânico, estava Fisichella. O ritmo do italiano caiu drasticamente, permitindo a aproximação de Ralf. O calouro queria o segundo lugar a todo custo. Porém, pagou pelo noviciado. Em um ponto totalmente improvável, Ralf tentou superar Giancarlo. O choque foi inevitável, e Fisichella parou na brita.

A Jordan ficou indignada com Ralf – que, apesar do acidente, assumiu o segundo lugar, perdendo 5s preciosos para o líder Villeneuve. A escuderia tinha razão: com seus dois carros com uma tática diferenciada, a possibilidade do pódio para a dupla era real. Ao estender a permanência na pista com pneus mais resistentes da Goodyear, o time de Eddie Jordan seria capaz de conquistar posições importantes. Para se ter uma ideia, na volta 25, a vantagem de Villeneuve sobre o alemão era de 9s5. Sete voltas depois, Ralf reduziu a diferença para 4s2. Com tanque vazio, o alemão foi obrigado a parar nos boxes na volta 35. No retorno à pista, se viu em sexto, atrás de Mika Hakkinen (McLaren) e Jean Alesi (Benetton), que ainda não haviam ido para os boxes. Na passagem seguinte, Alesi realizou seu pit stop, fazendo com que Ralf passasse para quinto. Com a segunda parada de Herbert, na volta 40, e a única de Hakkinen, na 41, o alemão retomou o terceiro lugar.

German Formula One pilot Ralf Schumacher drives his Jordan Peugeot to a third place in Argentine F1 Grand Prix at the Oscar Galvez speed track 13 April. AFP PHOTO/Daniel LUNA

Apesar do acidente com Fisichella, Ralf mostrou velocidade e bom ritmo em Buenos Aires-1997

Naquele instante, Ralf estava a 9s1 de Villeneuve, o segundo, e a 21s1 de Irvine, o líder, mas que precisaria fazer um segundo pit stop. Como Jacques não pararia mais, a disputa do alemão da Jordan era com o britânico da Ferrari. Na volta 45, Eddie realizou sua definitiva parada. No retorno, saiu exatamente à frente de Ralf. Com pneus novos, Irvine passou a ser inalcançável. A preocupação do germânico passou a ser manter a vantagem sobre Herbert, o quarto colocado. Na volta 50, a diferença era de 7s2. Dez voltas depois, a vantagem simplesmente dobrou (14s4). Além disso, Ralf passava a se aproximar de Villeneuve e Irvine – o canadense, líder da prova, segurava o britânico, segundo colocado.

A possibilidade de um acidente entre Jacques e Eddie existia, o que colocaria a vitória no GP da Argentina no colo de Ralf. Entretanto, Villeneuve controlou o ímpeto de Irvine, assegurando o triunfo em Buenos Aires. Eddie cruzou a linha de chegada a 0s9 de Jacques, enquanto o irmão mais novo de Michael Schumacher terminou a 12s do vencedor, celebrando o primeiro pódio de sua carreira, justamente na 100ª prova da Jordan. Porém, havia reclamações da escuderia. O choque com Fisichella e a perda de tempo com o acidente custaram uma posição ainda melhor para Ralf e para o time. Mesmo assim, a terceira posição foi um consolo importante para todos da escuderia irlandesa. Apesar de quase arruinar sua própria corrida pagando o preço do noviciado, Ralf Schumacher inscreveu seu nome na história ao pisar no pódio com pouco mais de 21 anos de idade.

Em Buenos Aires-1997, Ralf conquistou seus primeiros pontos na F1

Terceiro lugar em Buenos Aires-1997 foi o 1º dos 27 pódios da carreira de Ralf Schumacher

 

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Europa-2016: Pérez supera campeões e vai ao pódio em Baku

Sergio Pérez celebra terceiro lugar em Baku com mecânicos da Force India: mexicano derrotou Hamilton e Raikkonen na pista

Pérez celebra 3º lugar com integrantes da Force India: latino derrotou Hamilton e Raikkonen na pista

Sergio Pérez (Force India) continua em boa forma em 2016. Após um irrepreensível terceiro lugar no GP de Mônaco, o mexicano repetiu a dose na primeira prova de Fórmula 1 disputada em Baku (Azerbaijão), palco do GP da Europa. Checo novamente terminou em terceiro, alcançando um lugar no pódio pela segunda vez no ano. Diferentemente do resultado obtido na etapa monegasca – onde contou com a estratégia para ascender ao top 3 -, Pérez mostrou força no desafiador circuito azerbaijano. Contando com a excelente adaptação de seu VJM09 às variadas características da pista, Sergio figurou entre os primeiros desde o início dos treinos, na sexta-feira. No sábado, anotou um incrível segundo tempo no qualifying, e só não largou na primeira fila por ter trocado a caixa de câmbio de seu bólido. Mesmo saindo em sétimo, o asteca não se intimidou diante de adversários como Lewis Hamilton (Mercedes) e Kimi Raikkonen (Ferrari), obtendo um justíssimo pódio.

O desempenho em Baku fez com que Pérez voltasse a ser reverenciado pelo ‘circo’ da Fórmula 1. Além de ser exaltado pela crítica, Sergio transformou o confronto com Nico Hulkenberg, seu companheiro na Force India, em uma doce rotina de superioridade. Ainda que Hulk seja tido como um talento, tem sido Checo a trazer os melhores resultados para o time de Vijay Mallya. Desde 2014, a dupla vem dividindo as atenções na escuderia indiana. O mexicano conquistou quatro pódios no período – além de Baku-2016, Sergio foi terceiro em Sakhir-2014, Sochi-2015 e Mônaco-2016 -, contra nenhum do alemão – o máximo que Nico obteve foi quatro quintos lugares em 2014 (Sepang, Sakhir, Mônaco e Montreal). Em 2014, Hulk somou mais pontos que Checo (96 a 59). Porém, em 2015, o asteca bateu o tedesco (78 a 58). Nas oito primeiras etapas de 2016, Pérez conquistou 39 pontos, contra 20 de Hulkenberg.

Nico Hulkenberg (à esq.) dá banho de champagne em Pérez: na pista, mexicano tem superado o alemão

Nico Hulkenberg (à esq.) dá banho de champagne em Pérez: na pista, mexicano tem superado o alemão

Os 59 pontos de Sergio e Nico consolidaram a Force India na quinta posição do Mundial de Construtores. O time indiano colocou 27 pontos de vantagem sobre sua principal adversária, a Toro Rosso. Por outro lado, a equipe de Pérez e Hulkenberg reduziu de 39 para 31 pontos a diferença para a Williams, a quarta colocada. Bater a escuderia de Frank Williams no Mundial não é das missões mais fáceis. Entretanto, em Baku, a Force India foi constantemente mais veloz que a rival. Não só isso: apenas a hegemônica Mercedes fazia frente aos pupilos de Vijay Mallya. Na sexta-feira, primeiro dia de treinos na história do circuito de rua da capital azerbaijana, Pérez fez um excelente terceiro tempo, com 1m45s336. O mexicano só foi superado pela dupla da Mercedes, Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Checo ficou a 1s113 de Hamilton, o melhor do dia com 1m44s223.
Hulkenberg anotou o quinto tempo, com 1m45s920, ficando a 0s584 de Pérez.

Após as duas sessões livres de sexta-feira, Pérez esbanjou otimismo.”Eu sabia que, quando entrei na pista ontem (quinta), para reconhecer a pista, ia ser uma boa diversão. E hoje (sexta), ela não decepcionou. É um circuito incrível: realmente desafiador, não há margem para erro, e um verdadeiro prazer de dirigir. Eu mantive as coisas arrumadas, mas é fácil cometer um erro. Vimos que quando os carros saem da pista, realmente pagam um alto preço. Foi um dia muito positivo para nós. O carro estava bom, e desde o início da primeira sessão já estávamos entre os ponteiros, com tempos competitivos. Isso é um bom sinal para o resto do fim de semana, e estou me sentindo otimista com relação ao nosso desempenho”, analisou o mexicano.

No sábado, um acidente no FP3 fez com que Checo fosse punido com a perda de cinco lugares no grid

No sábado, um acidente no FP3 fez com que Checo fosse punido com a perda de cinco lugares no grid

A leitura de Sergio sobre Baku era perfeita: trata-se de uma pista que não dá margem para erros. Com muros próximos ao traçado, o circuito urbano mescla pontos de alta velocidade com trechos sinuosos. Por tudo isso, qualquer deslize seria fatal. Num piscar de olhos, um bom trabalho poderia ser arruinado. Coincidência ou não, Pérez pagou o preço no treino livre de sábado. No fim da sessão, Checo arrebentou seu VJM09 no guard rail. O impacto fez com que fosse inevitável a troca da caixa de câmbio de seu carro. Com isso, Pérez foi punido pela direção de prova – devido a mudança, perdeu cinco lugares no grid. Apesar do acidente, Sergio não se abalou. Sabendo que tinha um bom carro em mãos, acelerou fundo em Baku. O mexicano avançou sem problemas para o Q3, diferentemente de Hulkenberg – o alemão foi apenas o 12º, com 1m44s824.

Apesar da decepção com Nico, a Force India confiava num bom trabalho de Pérez. No Q3, o latino não só foi eficiente, como também contou com uma dose de sorte. Lewis Hamilton (Mercedes) vacilou e bateu no muro, ficando parado na pista. Dessa forma, a bandeira vermelha foi acionada, atrapalhando muitos pilotos. Naquele momento, Sergio figurava em segundo, atrás somente de Nico Rosberg (Mercedes). No fim, o mexicano não foi batido. Com 1m43s515, Pérez foi o segundo mais veloz da qualificação, a 0s757 de Rosberg, pole em Baku com 1m42s758. Como resultado, foi o melhor treino da carreira de Checo. Entretanto, por causa da punição, Sergio acabou tendo que se conformar com o sétimo lugar no grid. Apesar da frustração com a perda de cinco posições, o asteca estava satisfeito com sua apresentação.

Em uma performance memorável, Pérez obteve o segundo lugar no qualificatório em Baku. Porém, largaria em sétimo

De forma memorável, Pérez obteve o 2º lugar no qualificatório. Porém, largaria em sétimo em Baku

“É um sentimento misto para mim. Ainda estou irritado com o erro desta manhã (no treino livre de sábado), mas estou muito satisfeito. Depois do acidente da manhã perdi confiança, mas tive força para recuperá-la e andei num bom ritmo novamente. A volta que fiz no Q3 foi muito forte. Foi uma das minhas melhores na F1, indo no limite em todas as curvas e beijando os muros. Eu deveria estar largando na primeira fila, mas, com a penalidade, estou largando em sétimo. A equipe merecia mais do que isso. Esta noite, preciso tentar clarear minha mente, deixar a frustração para trás e me concentrar em progredir na corrida. Preciso agradecer minha equipe pelo trabalho incrível que eles fizeram para consertar meu carro a tempo para a classificação. Espero poder lhes dar um resultado especial para celebrar amanhã (domingo)”, observou Pérez, em tom visionário.

Largada do GP da Europa de 2016, em Baku: Pérez saltou de sétimo para quinto na volta 1

Largada do GP da Europa de 2016, em Baku: Pérez saltou de sétimo para quinto na volta 1

A corrida

Domingo, 19 de junho de 2016. Baku acordou ansiosa. Também pudera: a capital azerbaijana veria, pela primeira vez na história, uma corrida da Fórmula 1. O calor imperava na chamada “Terra do Fogo”. Quando os 22 bólidos alinharam no grid para a disputa do GP da Europa, a temperatura ultrapassava os 30°C. A expectativa era de uma prova quente, com disputas e acidentes. Entretanto, as coisas não foram bem assim. No apagar das luzes vermelhas, os pilotos escaparam ilesos dos perigosos muros do circuito urbano. Determinado a recuperar as posições perdidas em razão da sua punição, Pérez ultrapassou Felipe Massa (Williams) e Daniil Kvyat (Toro Rosso), completando a volta 1 na quinta posição. Nico Rosberg (Mercedes) liderava, seguido por Daniel Ricciardo (Red Bull), Sebastian Vettel (Ferrari) e Kimi Raikkonen (Ferrari)

Calçando pneus supermacios, Checo acompanhava Raikkonen. Na volta 4, o ritmo de Ricciardo, o vice-líder, caiu drasticamente – seu Red Bull destruiu os compostos supermacios. Com isso, o australiano ponteava um pelotão com Vettel, Raikkonen e Pérez. Com o desgaste, Ricciardo foi para os boxes na volta 6. Assim, Sebastian assumiu o segundo lugar, Kimi, o terceiro, e Sergio, o quarto. Na volta 8, Raikkonen realizou seu único pit stop. Dessa forma, o mexicano da Force India já aparecia em terceiro, atrás de Vettel e Rosberg. Entretanto, atrás de Pérez surgia Lewis Hamilton (Mercedes). O tricampeão, que havia largado em 10º devido ao acidente sofrido no sábado, ganhava posições e tirava a vantagem do asteca. Na volta 12, a vantagem do latino sobre o inglês era de apenas 0s9. Por outro lado, Vettel colocava 8s sobre o latino.

Pérez, à frente de Hamilton e Bottas: mexicano não se incomodou com a pressão do tricampeão

Pérez, à frente de Hamilton e Bottas: mexicano não se incomodou com a pressão do tricampeão

Pérez ditava o ritmo de Hamilton. Apesar da apresentar melhor desempenho, Lewis não conseguia ultrapassar Sergio. Diante das dificuldades do britânico em bater Checo, a Mercedes antecipou a parada do tricampeão. Na volta 15, Hamilton foi aos boxes, tirando os pneus supermacios e calçando os macios. A resposta da Force India à ação da escuderia prateada foi imediata: na 16, o time indiano chamou o mexicano. A estratégia foi a mesma que a Mercedes adotou – compostos macios no bólido de Pérez. No retorno à pista, Sergio se manteve à frente de Lewis, passando a ocupar o oitavo lugar. Com pneus novos, Checo tratou de acelerar. Na volta 19, ultrapassou Massa, subindo para sétimo. Na 20, ganhou as posições de Nico Hulkenberg (Force India) e de Valtteri Bottas (Williams), assumindo o quinto posto.

Na volta 21, Pérez superou Ricciardo, que vinha lento em Baku – a Red Bull errou na estratégia de pneus. Com isso, subiu para quarto. Na mesma passagem, Vettel realizou seu único pit stop, mas saiu à frente de Sergio. Na 22, Rosberg, líder incontestável na etapa azerbaijana, foi aos boxes e retornou na ponta. Atrás de Nico, estavam Raikkonen, Vettel e Pérez. Por ter sido o primeiro dos ponteiros a parar nos boxes (na volta 8), Raikkonen ganhou diversas posições e assumiu a segunda posição. Porém, o finlandês da Ferrari tinha dois problemas: primeiro, seus pneus se desgastariam mais cedo que os de Vettel e Pérez; e segundo, havia sofrido uma punição da direção de prova por pisar na faixa branca da entrada nos boxes. Dessa forma, Kimi dificilmente se manteria à frente de Sebastian e Sergio.

Com a punição dada a Raikkonen, bastava a Pérez andar próximo ao finlandês para alcançar o pódio

Com a punição dada a Raikkonen, bastava a Pérez andar próximo ao finlandês para alcançar o pódio

Na volta 25, Vettel se aproximou de Raikkonen. A diferença entre os ferraristas era de apenas 1s7. A pergunta que pairava em Baku era: Sebastian e Kimi brigariam abertamente pelo segundo lugar? Se houvesse a disputa, Pérez seria o maior beneficiado – naquele instante, Checo estava a somente 5s5 de Vettel, e tinha 3s3 de vantagem sobre Hamilton, o quinto. Porém, a Ferrari tratou de finalizar qualquer possibilidade. Na volta 28, Raikkonen abriu passagem para Vettel. O alemão assumiu o segundo lugar, deixando o terceiro posto para o finlandês. Como o ritmo de Kimi era inferior, e como Lewis apanhava do sistema eletrônico de seu Mercedes, Pérez não só se consolidou na quarta posição, como também passou a ver a possibilidade de assumir o terceiro lugar.

Como Raikkonen teria 5s acrescidos ao seu tempo de corrida, bastava a Pérez se aproximar do ferrarista para escalar o pódio. Já na volta 30, a diferença entre Kimi e Sergio caiu para 4s. De forma virtual, Checo era o terceiro colocado. Na 35, a distância entre os dois era de 3s. Na 40, era de 2s7. Gradualmente, o mexicano da Force India se aproximou do finlandês da Ferrari. Consciente de que o pódio estava perdido, Raikkonen desistiu da disputa com Pérez. Na volta 50, a penúltima em Baku, Sergio ultrapassou Kimi, assumindo de fato o terceiro lugar. A vitória do GP da Europa, primeira prova realizada no Azerbaijão, foi de Rosberg. Vettel cruzou a linha de chegada em segundo, a 16s6 de Nico. Pérez terminou a 9s5 de Sebastian, mas foi o homem da corrida. Também pudera: com valentia, se impôs diante de Raikkonen e Hamilton. Em Baku, Checo conquistou seu sétimo pódio na carreira, dando à Force India o quinto do time na F1.

No fim, Pérez ainda superou Raikkonen, para assegurar de fato o 3º lugar: no pódio, com Vettel e Rosberg

Pérez no pódio, com Vettel e Rosberg: latino superou Raikkonen no fim, assegurando o 3º lugar

Após o top 3, o mexicano celebrou o feito, dedicando-o à equipe. “Estar no pódio pela segunda vez neste ano é fantástico. A equipe fez um trabalho brilhante. Eu sabia que o top 3 era possível hoje (domingo), mas nós realmente tivemos de trabalhar duro por isso. A chave para minha corrida foi a ótima largada, ultrapassando Massa e Kvyat. No primeiro trecho, eu estava sofrendo com a granulação dos pneus supermacios, e tivemos de decidir se aguardaríamos uma melhoria ou faríamos uma parada antecipada. Continuamos na pista, o que foi a decisão certa. Contudo, quando eu saí dos pits, enfrentei dificuldades com o aquecimento dos pneus macios, e estava sofrendo muita pressão de Lewis (Hamilton). Forcei ao máximo e abri uma diferença, e então me concentrei em cuidar dos pneus. Cheguei em Kimi (Raikkonen) e, mesmo sabendo que ele tinha uma punição, tive a oportunidade de ultrapassá-lo”, celebrou Pérez.

Terceiro lugar de Pérez em Baku consolidou a Force India no top 5 do Mundial de Construtores

Terceiro lugar de Pérez em Baku consolidou a Force India no top 5 do Mundial de Construtores

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