Lançamento online – Livro “Contos Velozes”

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É com muita satisfação que o Contos da Fórmula 1 anuncia o início da venda online do livro “Contos Velozes”. Produzido por meio de uma parceria entre o jornalista Douglas Willians (autor deste blog) e o designer Bruno Mantovani, dos célebres Pilotoons, o livro “Contos Velozes” traz histórias emblemáticas da Fórmula 1. Com formato leve e linguagem direta, tem enfoque no público infanto-juvenil – mas é leitura para todas as idades.

A publicação acaba de sair do forno. Com 60 páginas, a obra reúne 13 das histórias relatadas neste blog. Organizada em ordem cronológica, o livro busca abraçar a Fórmula 1 desde o seu início, na década de 1950 (com Chico Landi), até os dias atuais (com Max Verstappen).

O valor da publicação é de R$ 50,00 (com frete incluso – postagem via Correios). Se tiver interesse em adquirir o livro, entre em contato conosco por meio das nossas redes sociais – Facebook, Twitter ou Instagram – ou pelo e-mail douglas.willians@gmail.com.

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Bahrein-2019: os primeiros pontos do promissor Lando Norris

Em seu segundo GP, Lando Norris (McLaren) alcançou o sexto lugar no GP do Bahrein de 2019, em Sakhir

Em sua segunda corrida, Lando Norris (McLaren) alcançou o 6º lugar no GP do Bahrein de 2019

Lando Norris chegou à Fórmula 1 cercado de expectativas. Campeão por onde passou, o britânico ingressou na McLaren com a pompa de menino prodígio. E ele não decepcionou. Logo em sua segunda corrida na categoria máxima do automobilismo, o inglês levou o MCL34 a um ótimo sexto lugar no GP do Bahrein de 2019, em Sakhir. Foram os primeiros pontos da carreira de Lando, que se tornou o 340º piloto a pontuar na F1. Foi um resultado além do esperado. Com arrojo, velocidade e competência, Norris só ficou atrás das duplas de Mercedes, Ferrari e Max Verstappen (Red Bull). Não só isso: no fim, o jovem segurou com maestria o campeão de 2007, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), de 39 anos, fazendo com que a conquista dos oito pontos na prova barenita fosse ainda mais saborosa.

Com o resultado de Sakhir, o piloto da McLaren entrou no livro dos recordes da Fórmula 1. Lando se tornou o piloto britânico mais jovem a pontuar na categoria, com 19 anos, 4 meses e 18 dias, batendo o recorde que pertencia a Jenson Button (que, com 20 anos, 2 meses e 7 dias, pontuou no GP do Brasil de 2000, em Interlagos). Além disso, passou a ser o terceiro piloto mais jovem a pontuar na F1, estando atrás somente de Max Verstappen (que, com 17 anos, 5 meses e 29 dias, anotou pontos no GP da Malásia de 2015, em Sepang) e de Lance Stroll (que, com 18 anos, 7 meses e 13 dias, pontuou no GP do Canadá de 2017, em Montreal). São marcas para ninguém colocar defeito. Tudo em apenas sua segunda apresentação, o que vem a comprovar que a precocidade será para sempre uma marca na trajetória de Norris.

Lando foi campeão por onde passou: trajetória vencedora culminou no ingresso na F1

Lando foi campeão por onde passou: trajetória vencedora culminou no ingresso na F1

Nascido em Bristol (Inglaterra) em 13 de novembro de 1999, Lando tinha um ídolo na infância: Valentino Rossi, o multicampeão da motovelocidade. Seu foco estava na competição de motos. Porém, um episódio mudou a meta do pequeno britânico: o pai, Adam, levou ele e seu irmão para acompanhar uma prova de kart em sua cidade natal. Foi o que bastou para Lando pedir ao pai para também competir na categoria. Assim, aos 7 anos, começava a paixão arrebatadora pelo automobilismo. Por onde passou, Norris brilhou. No kart, se sagrou campeão mundial em 2013. No ano seguinte, foi o melhor estreante da Copa Ginetta Júnior, uma categoria de carros esportivos que fazia parte da programação do BTCC – o campeonato britânico de turismo.

Quanto mais Lando ascendia na carreira, mais aumentava a sede de conquistas. Em 2015, ele foi campeão da Fórmula MSA em 2015. Em 2016, levantou o título da Toyota Racing Series e da Fórmula Renault 2.0 em duas séries (Eurocup e Copa da Europa do Norte). Foi a partir daí que os olhos da Fórmula 1 passaram a mirar Norris. Em 2017, a McLaren anunciou o piloto como membro do time de desenvolvimento da escuderia. O contrato era nos moldes do feito com Lewis Hamilton. O objetivo do time de Woking, portanto, era o mesmo: formar um campeão tal como foi feito com Hamilton. Já sob a tutela da McLaren, Norris disputou em 2017 o Campeonato Europeu de Fórmula 3. Foi um estrondoso sucesso. O britânico conquistou o título em Hockenheim, credenciando-se para o último passo antes da F1: a Fórmula 2.

Norris (à dir.) e Carlos Sainz Jr. substituíram Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne na McLaren

Norris (à dir.) e Carlos Sainz Jr. substituíram Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne na McLaren

Em 2018, Lando se dividiu entre a função de piloto de testes da McLaren e a disputa da F2. Pela Carlin, o britânico chegou a liderar o campeonato, mas acabou sendo superado pelo compatriota George Russell. No fim, foi o vice-campeão da temporada, mas o seu destino já estava traçado: com a retirada de Fernando Alonso e a dispensa de Stoffel Vandoorne, a McLaren recrutou Norris para a disputa do Mundial de 2019, tendo ao seu lado o espanhol Carlos Sainz Jr.. Diferentemente do que ocorreu com Hamilton em 2007 (quando disputou o título mundial logo no ano de estreia), Lando chegava a uma McLaren com inúmeras incertezas e poucos resultados. O MCL33 de 2018 era um carro nada confiável, o que desestimulou Alonso a prosseguir na F1. Para 2019, a promessa era de evolução com o MCL34. Porém, os resultados na pré-temporada não foram animadores.

Norris estreou na F1 no GP da Austrália de 2019, em Melbourne. Foi um fim de semana com altos e baixos: o britânico conseguiu avançar para o Q3 da etapa australiana, conquistando um bom oitavo lugar no grid. Na corrida, porém, as coisas não funcionaram como nos treinos, e Lando terminou num tímido 12º lugar. Para Sakhir, palco do GP do Bahrein de 2019, segunda prova do Mundial, o jovem inglês queria comprovar que o MCL34 era competitivo suficiente para encarar as equipes do meio do pelotão – leia-se Haas, Renault, Alfa Romeo e Racing Point. E foi com esse espírito que Norris e Carlos Sainz Jr. iniciaram os treinos livres para a corrida barenita.

Lando teve uma sexta proveitosa: oitavo mais veloz do dia em Sakhir

Lando teve uma sexta proveitosa: oitavo mais veloz do dia em Sakhir

Na sexta, primeiro dia de testes em Sakhir, Lando surpreendeu positivamente, sendo o oitavo mais veloz do dia, com 1m30s017. Norris foi 0s185 mais veloz do que Sainz, 11º com 1m30s192. Por outro lado, o britânico foi 1s171 mais lento do que Sebastian Vettel (Ferrari), o mais rápido da sexta com 1m28s846. Todas as marcas do dia foram obtidas na sessão noturna – com a temperatura da pista mais baixa, os pilotos puderam melhorar os tempos no segundo treino livre. O inglês da McLaren ficou satisfeito com a performance do MCL34 na pista barenita.

“Ainda há coisas para melhorar, mas tem sido um começo decente para o fim de semana. Eu me sinto mais confiante porque conheço um pouco mais o procedimento das coisas. Acho que o primeiro treino livre foi razoavelmente bom: passamos por tudo o que precisávamos e tive um bom pressentimento pela pista. A temperatura da pista no segundo treino diminuiu muito, significando que o carro parecia bem diferente e, obviamente, os tempos de volta eram muito mais rápidos. Terminamos essa sessão com um pequeno problema que não me permitiu fazer tantas voltas quanto eu queria, mas ainda assim fiz stins com o tanque cheio de combustível e também com pouca gasolina. Por isso, tenho uma boa sensação para a corrida”, avaliou Lando.

Tanto Norris quanto Sainz Jr. avançaram para o Q3 de Sakhir: espanhol levou a melhor sobre o inglês

Tanto Norris quanto Sainz Jr. avançaram para o Q3 de Sakhir: espanhol levou a melhor sobre o inglês

No sábado, a McLaren voltou a apresentar uma convincente performance em Sakhir. Tanto Norris quanto Sainz estavam com desempenho semelhante ao dos adversários de Renault e Haas. No Q1, Lando levou um susto quando Romain Grosjean (Haas) fez um ‘break test’ logo à sua frente.  Mas isso não tirou a concentração do jovem britânico, que seguiu acelerando no circuito barenita. Ao fim do Q2, tanto ele quanto Carlos avançaram para a fase decisiva da qualificação. No fim, o espanhol alcançou um bom sétimo lugar, com o tempo de 1m28s813. Já o inglês foi o 10º, com 1m29s043, ficando a 0s230 de Sainz e a 1s177 de Charles Leclerc (Ferrari), pole do GP do Bahrein de 2019 ao anotar 1m27s866. Foi a primeira pole de Leclerc na F1, e a primeira de um monegasco na categoria.

Após a sessão, Grosjean, oitavo colocado no Q3 de Sakhir, foi penalizado com a perda de três posições do grid da corrida barenita em razão da fechada em Norris. Com isso, Lando subiu para nono lugar na posição de largada. O jovem britânico da McLaren celebrou o desempenho na qualificação. “No geral, achei muito bom. Meus stints estavam fortes, embora eu tenha cometido alguns erros. Não sinto que fiz um trabalho tão bom quanto na Austrália. Eu conheço mais a pista aqui e não é tão técnica, mas é mais fácil cometer pequenos erros. Eu tive uma pequena travada na curva 10 – não chegou a ser um bloqueio de roda, mas perdi um pouco de tempo. Poderia estar ao lado de Carlos e estava perto. Eu acho que ele estava apenas um décimo à frente, então estou razoavelmente feliz”, avaliou.

Largada do GP do Bahrein de 2019, em Sakhir: Norris enfrentou problemas e perdeu posições na 1ª volta

Largada do GP do Bahrein de 2019: Norris enfrentou problemas e perdeu posições na 1ª volta

A corrida

Domingo, 31 de março de 2019. O anoitecer em Sakhir avisava que a hora da largada do GP do Bahrein se aproximava. Na nona posição do grid e calçando pneus macios, Lando Norris (McLaren) estava determinado a fazer um bom início de prova. Contudo, o jovem inglês não contava com a acirrada disputa nas primeiras curvas da corrida. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, o britânico da McLaren saltou de forma hesitante, caindo para 10º. Depois, acabou escapando da pista, o que o fez despencar para a 14ª posição ao fim da volta 1. A partir daí, Norris dava início a uma excelente recuperação, provando a excelente forma do MCL34 na pista barenita. Na volta 2, superou Alexander Albon (Toro Rosso) no final da reta dos boxes, subindo para 13º. Enquanto isso, Carlos Sainz Jr. (McLaren) atacava Max Verstappen (Red Bull) no duelo pelo quinto lugar. O espanhol tentou ultrapassar o holandês por fora na volta 4. Max vendeu caro o espaço, e Carlos acabou levando a pior. O toque foi inevitável, e Sainz despencou no pelotão.

Com o companheiro indo para os boxes, Lando assumiu a 12ª posição. Ao mesmo tempo, o britânico da McLaren seguia na cola de Pierre Gasly (Red Bull). Na volta 7, veio o grande momento de Norris em Sakhir: o jovem inglês pegou o vácuo do carro do francês e, de forma ousada, usou a zebra externa para fazer uma inesperada ultrapassagem. Assim, ele assumia a 11ª colocação. Na passagem seguinte, Lando contou com o pit stop de Sergio Pérez (Racing Point) para retornar ao top 10. Na 9, foi a vez do britânico superar Kevin Magnussen (Haas), ascendendo para a nona colocação. O ritmo da McLaren era ótimo, mas os compostos macios davam sinais de desgaste. Assim, o time de Woking chamou Norris para os boxes na volta 10. Na troca, colocaram pneus médios. Ao retornar para a pista, Lando se viu em 13º.

Com o MCL34 apresentando excelente forma, Lando recuperou posições em Sakhir

Com o MCL34 apresentando excelente forma, Lando recuperou posições em Sakhir

Na volta 11, com a parada de George Russell (Williams) e a rodada de Daniil Kvyat (Toro Rosso) – que se envolveu em um incidente com Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) -, o britânico da McLaren subiu para 11º. Na volta 14, Norris ultrapassou Pérez e assumiu a 10ª colocação. Após o pit stop de Giovinazzi, na volta 16, Lando ascendeu para a nona posição. Naquele momento, o jovem inglês estava a 2s1 de Nico Hulkenberg (Renault), o oitavo, e colocava 3s6 de vantagem sobre Pérez, o 10º. Na volta 21, Hulkenberg passou Kimi Raikkonen (Alfa Romeo). O ritmo do finlandês caiu drasticamente, e Norris passou a se aproximar do campeão de 2007.  Com o pit stop de Daniel Ricciardo (Renault) na volta 24, o jovem da McLaren subiu para oitavo. Não só isso: pressionava Raikkonen pelo sétimo lugar. Na volta 26, Lando ultrapassou Kimi na freada da primeira curva, alcançando a sétima colocação.

O ritmo de Norris era excelente. Na volta 30, o britânico estava a 3s5 de Hulkenberg. Por outro lado, tinha 3s3 de vantagem sobre Raikkonen. Entretanto, a vida útil dos pneus médios já estava em seu final. Lando precisava esticar ao máximo sua presença na pista para se manter na briga pelos pontos. Na volta 35, o inglês foi aos boxes para a sua segunda e definitiva parada. Na troca, a McLaren sacou os pneus médios e colocou um novo jogo de compostos macios. Dessa maneira, Norris estava liberado para andar no limite. O jovem piloto retornou à pista em nono.

Norris, à frente de Vettel: alemão levou a pior no duelo com Hamilton e ficou atrás de Lando

Norris, à frente de Vettel: alemão levou a pior no duelo com Hamilton e ficou atrás de Lando

Na volta 38, Sebastian Vettel (Ferrari) duelava com Lewis Hamilton pelo segundo lugar em Sakhir. O alemão tentou segurar o inglês, mas rodou no afã da disputa. Depois, viu seu spoiler ser engolido pelo carro, fazendo com que se criasse um inusitado ‘show pirotécnico’ na Reta Oposta. Com o infortúnio do ferrarista – que foi para os boxes -, Norris assumiu a oitava colocação. Após o pit stop de Gasly, na volta 40, Lando ascendeu para a sétima posição. Mas ali ficou por pouco tempo: em prova de recuperação, Vettel superou o novato da McLaren, que retornou para o oitavo lugar. Na volta 42, formou-se um pelotão liderado por Hulkenberg, o quinto. Atrás do alemão da Renault, vinham Vettel, Ricciardo, Norris e Raikkonen. A vantagem entre cada um girava na casa de 1s.

Naquele momento, quem tivesse um equipamento confiável levaria vantagem na disputa. E o MCL34 estava numa forma esplêndida em Sakhir. Na volta 43, Vettel ultrapassou Hulkenberg, assumiu o quinto lugar e sumiu à frente do piloto da Renault. Dessa forma, a verdadeira batalha era pela conquista da sexta posição. Hulk viu em seu retrovisor a perda de rendimento do companheiro Ricciardo. O australiano acabou sendo superado por Norris na volta 44 e por Raikkonen na 45. Assim, Nico, Lando e Kimi lutariam pelo lugar no top 6. Hulkeberg se destacava, colocando vantagem sobre Norris. O britânico, por sua vez, sofria para segurar Raikkonen. Na volta 50, o alemão da Renault tinha 3s de vantagem sobre o inglês da McLaren, que, por sua vez, colocava 1s sobre o finlandês da Alfa Romeo. Naquele instante, Norris havia desistido de lutar pela sexta posição. O foco do britânico era segurar Raikkonen e garantir a sétima colocação.

Com o abandono de Hulkenberg, Norris herdou o sexto lugar: 340º piloto a pontuar na história da F1

Com o abandono de Hulkenberg, Norris herdou o sexto lugar: 340º piloto a pontuar na história da F1

Porém, na volta 53, o inesperado aconteceu: os dois carros da Renault abandonaram no mesmo instante. Tanto Hulkenberg quanto Ricciardo estavam fora do GP do Bahrein. Assim, Lando assumia o sexto lugar. Para retirar os bólidos franceses, a direção de prova acionou o safety car. Como faltavam apenas três voltas para a bandeirada, a entrada do carro de segurança assegurava o top 6 para o inglês da McLaren. A vitória em Sakhir ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi a 74ª conquista do britânico, a primeira em 2019. Essa veio com uma boa dose de sorte: Charles Leclerc (Ferrari), que liderava a corrida com contundência, enfrentou problemas em sua unidade de potência. Seu carro perdeu rendimento, fazendo com que Hamilton e Valtteri Bottas (Mercedes) o ultrapassassem sem dificuldades. Ainda assim, Leclerc ficou em terceiro. Foi o primeiro pódio de Charles, e o primeiro top 3 de um monegasco desde o GP de Mônaco de 1950, com Louis Chiron.

Além de Norris, outro piloto anotou seus primeiros pontos na F1: Alexander Albon (Toro Rosso) terminou em nono no GP do Bahrein. Foram os dois primeiros pontos de Albon na categoria, e os primeiros da Tailândia em 65 anos – a última vez de um tailandês na zona de pontuação ocorreu com Príncipe Bira, quarto no GP da França de 1954, em Reims. Após a bandeirada, o clima era de festa na McLaren. Afinal, o novato do time havia acabado de fazer história vestindo as cores laranja e azul. “Estou muito feliz e satisfeito por ter marcado meus primeiros pontos, mas também pela McLaren, depois de todo o trabalho duro da equipe durante o inverno. Eu tive um bom começo, mas a escapada de pista ainda na primeira volta me fez perder algumas posições. O ritmo depois disso foi muito forte. Eu alcancei muito rapidamente o pelotão. Eu talvez tenha lutado um pouco para administrar minha posição no final, mas consegui ficar à frente de Kimi”, celebrou Lando, uma promessa que apresentou suas credenciais em Sakhir.

Fazendo história: em Sakhir-2019, Lando se tornou o britânico mais jovem a pontuar na F1

Fazendo história: em Sakhir-2019, Lando se tornou o britânico mais jovem a pontuar na F1

Publicado em Alexander Albon, Alfa Romeo, Antonio Giovinazzi, Bahrein, Carlos Sainz Jr., Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, George Russell, Haas, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Lando Norris, McLaren, Nico Hulkenberg, Racing Point, Renault, Romain Grosjean, Sakhir, Sergio Pérez, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

Austrália-2019: Magnussen leva a Haas ao top 6 em Melbourne

Kevin Magnussen levou o carro negro e dourado da Haas ao top 6 do GP da Austrália: 'melhor do resto'

Kevin Magnussen carregou o carro negro e dourado da Haas a um bom sexto lugar no GP da Austrália

A 70ª temporada da história da Fórmula 1 teve início no último dia 17 de março, em Melbourne, palco do GP da Austrália de 2019. No circuito australiano, ficou evidenciado o que já era esperado: na frente, a disputa entre Mercedes, Ferrari e Red Bull; atrás do trio, uma acirrada competição pelo quarto lugar entre os Construtores. Na pista de Albert Park, a Haas se destacou diante de adversárias diretas, como Renault, Toro Rosso, McLaren e Alfa Romeo. Entretanto, novamente sofreu um duro golpe: assim como no GP da Austrália de 2018, Romain Grosjean ficou pelo caminho devido a um problema na troca de pneus. Mas o deja vu parou com o francês. Kevin Magnussen fez as honras da equipe ianque e faturou um ótimo sexto lugar na etapa inaugural do Mundial, ficando atrás apenas das duplas de Mercedes, Ferrari e Max Verstappen (Red Bull). Não só isso: foi o único piloto de fora do grupo das potências a completar a etapa na mesma volta de Valtteri Bottas (Mercedes), o vencedor de Melbourne.

O top 6 de Kevin foi uma recompensa pelo ótimo fim de semana na Austrália. Não só isso: fez valer o esforço feito pela equipe norte-americana durante os treinos da pré-temporada em Montmeló (Espanha). Magnussen e Grosjean se dedicaram ao desenvolvimento do VF-19 com o intuito de brigar diretamente com a Renault pelo quarto lugar entre os Construtores. A posição escapou das mãos dos norte-americanos em 2018. Para iniciar o Mundial de 2019 com força, a Haas trabalhou arduamente nos testes de inverno. Ao desembarcar em Melbourne para a disputa da corrida australiana, o time estadunidense chamava a atenção não apenas pelas novas cores preto e dourado. A confiabilidade e a velocidade eram pontos positivos apresentados para a estreia do campeonato.

Após um árduo trabalho na pré-temporada, em Montmeló, Magnussen estava confiante em um bom início de temporada

Após um árduo trabalho em Montmeló, Magnussen estava confiante em um bom início de temporada

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP da Austrália, Kevin e Romain mostraram boa forma. Ao fim das sessões, Magnussen foi o 12º mais veloz do dia, com 1m23s988. Dinamarquês ficou a 0s174 de Grosjean, 10º com 1m23s814, e a 1s388 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz do dia com 1m22s600. Após os treinos, KMag avaliou o comportamento do VF-19. “Foi bom estar de volta em uma pista de corrida em um fim de semana de corrida. Estou animado com isso. Foi bom, mas, como sempre, agora temos muitas coisas para ver. Vamos trabalhar duro esta noite, mas não há grandes problemas, estamos muito felizes com o desempenho no carro. Estou ansioso para amanhã (sábado)”, comentou.

No sábado, o carro da Haas demonstrou velocidade no seletivo circuito de Albert Park. Tanto Magnussen quanto Grosjean avançaram com louvor para o Q3 de Melbourne. No fim, o potencial do VF-19 ficou retratado com a conquista da sexta e sétima posições no grid para o GP da Austrália. Romain alcançou o sexto lugar, com 1m21s826. Já Kevin obteve 1m22s099, o que lhe assegurou a sétima colocação. A marca do dinamarquês ficou a 0s273 da do francês, e a 1s613 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole da etapa australiana com 1m20s486. Foi a 84ª pole da carreira do britânico. Após a qualificação, Magnussen demonstrou insatisfação com o resultado – afinal, acabou batido por Grosjean no duelo interno da Haas.

A Haas avançou com seus dois carros para o Q3 de Melbourne: Magnussen foi o 7º, uma posição atrás de Grosjean

A Haas avançou com seus dois carros para o Q3: Magnussen foi o 7º, uma posição atrás de Grosjean

“Eu não tive a sessão de classificação perfeita do meu lado, cometi um erro no meu primeiro pneu no Q1, o que significa que eu tive que usar outro set. Isso me deixou com apenas um novo set para o Q3. Isso é ruim, mas felizmente o carro era muito bom. Estou muito orgulhoso da equipe com o que eles fizeram para colocar um carro tão bom na pista novamente este ano. Eles fizeram um ótimo trabalho incorporando as novas mudanças de regra para nos permitir manter um carro competitivo. Nós não estamos tão longe dos caras da frente – não estamos lutando contra eles, mas não estamos muito longe. Espero que possamos conseguir alguns bons pontos amanhã (domingo)”, afirmou Kevin.

Largada do GP da Austrália de 2019, em Melbourne: Magnussen tracionou melhor e tomou sexto lugar de Grosjean

Largada do GP da Austrália de 2019: Magnussen tracionou melhor e tomou sexto lugar de Grosjean

A corrida

Domingo, 17 de março de 2019. O sol despontou sobre Melbourne, abrilhantando o cenário para a abertura do Mundial. O GP da Austrália estava repleto de novidades no grid. A começar pela chegada de duas novas equipes: Alfa Romeo e Racing Point ingressaram no ‘circo’, substituindo Sauber e Force India, respectivamente. Também houve inúmeras trocas de pilotos de 2018 para 2019. Apenas Mercedes e Haas mantiveram suas duplas. As demais optaram por novos rostos em seus cockpits. Destaque para as estreias de George Russell (Williams), Lando Norris (McLaren) e Alexander Albon (Toro Rosso), para a primeira temporada completa de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e para os retornos de Daniil Kvyat (Toro Rosso) e de Robert Kubica (Williams). Também estrearam em novas casas: Charles Leclerc (Ferrari), Pierre Gasly (Red Bull), Daniel Ricciardo (Renault), Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Lance Stroll (Racing Point).

Novas equipes, novas casas, novos pilotos: a F1 mudou de cara a partir do apagar das luzes vermelhas em Melbourne. Em sétimo no grid, Kevin Magnussen (Haas) queria a todo custo se impor diante de Romain Grosjean. O dinamarquês tracionou melhor na largada e tomou o sexto lugar do francês. Magnussen até fez menção em atacar Charles Leclerc (Ferrari), mas percebeu que não teria como atacar o monegasco. Assim, completou a volta 1 em sexto, imediatamente à frente de Grosjean. A partir daí, os dois pilotos da Haas passaram a liderar um pelotão com Nico Hulkenberg (Renault), Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) e Lando Norris (McLaren). Entretanto, os rivais não ameaçavam a dupla.

Magnussen, à frente de Grosjean: francês teve o mesmo azar de 2018 - uma roda mal presa fez Romain abandonar

Kevin, à frente de Grosjean: francês teve o mesmo azar de 2018 – uma roda mal presa o fez abandonar

Calçando pneus macios, Magnussen faria um primeiro stint curto. Com essa estratégia, tentava abrir diferença para os adversários, a fim de fazer seu pit stop e voltar à frente dos rivais. Na volta 14, Kevin foi para os boxes. Na troca, sacou os compostos macios e colocou os médios. Dessa maneira, iria com os novos jogos de pneus até o fim da prova de Melbourne. No retorno à pista, o dinamarquês da Haas se viu em 11º lugar. Na passagem seguinte, subiu para 10º graças à (péssima) parada de Grosjean – assim como em 2018, a Haas se complicou para fixar o pneu dianteiro esquerdo, demorando mais de 10s nos boxes. Na volta 18, Kevin superou Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), que não resistiu à pressão exercida pelo piloto da Haas. Assim, o escandinavo ascendeu para o nono lugar.

Na volta 26, foi a vez de Daniil Kvyat (Toro Rosso) realizar seu pit stop. Dessa maneira, Magnussen assumiu o oitavo lugar. Na passagem seguinte, foi a vez de Lance Stroll (Racing Point) ingressar nos boxes. Com isso, Kevin subiu para sétimo. A partir daquele instante, o dinamarquês voltava a ficar atrás apenas das duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Na volta 30, a diferença entre Magnussen e Pierre Gasly (Red Bull), o sexto colocado, era de 11s8. Por outro lado, KMag tinha somente 2s de vantagem sobre Hulkenberg, o oitavo. Com o pit stop de Gasly, na volta 37, o dinamarquês da Haas recuperou a sexta posição. Todavia, tinha a companhia de Hulkenberg, que andava próximo e poderia ameaçar o seu lugar no top 6.

Magnussen foi perseguido por Hulkenberg, mas não teve ameaçada sua sexta posição

Magnussen foi perseguido por Hulkenberg, mas não teve ameaçada sua sexta posição

Com o passar das voltas, entretanto, Magnussen consolidou uma diferença de 3s sobre Hulk. Dessa forma, a sexta colocação estava sob controle. Colaborou para isso o fato de Raikkonen se aproximar do alemão da Renault. Assim, Nico estava mais preocupado em Kimi e em preservar o sétimo lugar do que atacar Kevin. Com uma performance sólida, o dinamarquês anotou um excelente top 6 no GP da Austrália. Um resultado que premiou o trabalho do piloto e da Haas. A etapa australiana foi vencida por Valtteri Bottas (Mercedes), que, além de triunfar pela quarta vez na carreira, levou para casa o ponto extra por ter anotado a volta mais rápida da corrida – trata-se de mais uma novidade para 2019. Lewis Hamilton (Mercedes) terminou em segundo, seguido por Max Verstappen (Red Bull). O holandês, aliás, anotou o primeiro pódio de um motor Honda desde o top 3 de Rubens Barrichello no GP da Inglaterra de 2008, em Silverstone.

Graças ao oitavo lugar de Raikkonen, Melbourne também foi palco dos primeiros pontos da Alfa Romeo em 35 anos – a marca não pontuava desde o terceiro lugar de Riccardo Patrese no GP da Itália de 1984, em Monza. E os pontos conquistados por Stroll pelo nono lugar em Albert Park foram os primeiros da trajetória da Racing Point na F1. Feitos à parte, o GP da Austrália de 2019 foi especialmente marcante para Magnussen. Após a corrida, o dinamarquês celebrou a sexta posição. Todavia, lamentou o infortúnio de Grosjean – assim como na prova de 2018, o francês abandonou em Melbourne por um problema de fixação da roda dianteira esquerda.

Além do sexto lugar, Magnussen foi o único piloto que não guia para uma das três grandes a não tomar volta em Melbourne

Magnussen foi o único piloto que não guia para uma das três grandes a não tomar volta em Melbourne

“Estou muito feliz hoje (domingo), foi um bom resultado. Estou obviamente triste pela equipe não ter os dois carros chegando ao final. Com certeza, Romain (Grosjean) teria ficado em uma boa posição também, especialmente depois que nós dois tivemos uma boa classificação ontem (sábado), então eu sinto por ele não conquistar nenhum ponto hoje (domingo). A sexta posição foi muito boa para mim. Eu fiz uma boa largada e tinha um carro muito bom. Fui capaz de forçar toda a corrida e cuidar dos meus pneus. Estou satisfeito por começar o ano assim”, resumiu Kevin, o ‘melhor do resto’ no GP da Austrália de 2019.

Com o sexto lugar, Kevin iniciou 2019 com 8 pontos na classificação do Mundial de Pilotos

Com o sexto lugar, Kevin iniciou 2019 com 8 pontos na classificação do Mundial de Pilotos

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Abu Dhabi-2018: o ocaso de Alonso, 11º em Yas Marina

Fernando Alonso disputou sua 312ª e (provavelmente) última corrida em Yas Marina, palco do GP de Abu Dhabi

Fernando Alonso fez sua 312ª e (provavelmente) última prova em Yas Marina, no GP de Abu Dhabi

Sem o brilho de outrora, Fernando Alonso Díaz deu fim à sua laureada carreira na Fórmula 1 no último domingo em Yas Marina, palco do GP de Abu Dhabi de 2018. Assim como durante as últimas quatro temporadas na McLaren, o espanhol perambulou no meio do pelotão da categoria até a bandeira quadriculada. Apesar do esforço (algo que sempre lhe foi peculiar), Alonso terminou a corrida do Oriente Médio em 11º lugar. Fernando não pontuou, ficando a apenas um de atingir a marca de 1.900 pontos na categoria. O top 10 na despedida não veio. Entretanto, sua valentia e, sobretudo, seu comprometimento dentro de um cockpit, foram exibidos constantemente no circuito dos Emirados Árabes. De fato, o termo ‘combatividade’ se mistura ao nome do asturiano, que em 312 GPs disputados desde 2001, conquistou dois títulos mundiais (2005 e 2006), 32 vitórias, 97 pódios, 22 pole positions, 23 melhores voltas, 1.767 voltas lideradas e, acima de tudo, o respeito do mundo do esporte a motor mesmo nos piores resultados.

Alonso vivenciou um desfecho digno de sua trajetória na F1. Todas as homenagens do circo, diversas menções de adversários, fãs e personalidades. Tudo isso deixou transparecer um fato: Fernando saía do grid como um dos grandes da história da categoria no século 21. Ele não precisava fazer mais nada – seu legado já estava consolidado. Em Yas Marina, o espanhol tinha apenas uma pretensão: dar um basta às frustrações recentes na McLaren. Sair de Abu Dhabi era deixar o calvário que se tornou sua carreira na F1. Em que pesem as polêmicas em que se meteu com as equipes que defendeu durante sua trajetória na categoria, o castigo foi pago com juros e correção monetária em sua segunda passagem pelo time de Woking. Com a mente livre, o bicampeão foi à pista fazer o que melhor sabe: acelerar, ainda que um carro que não estivesse à altura de seu talento.

De 2015 a 2018, Alonso sofreu no cockpit da McLaren: despedida seria uma libertação do 'calvário'

De 2015 a 2018, Alonso sofreu no cockpit da McLaren: despedida seria uma libertação do ‘calvário’

Na sexta, dia dos primeiros treinos livres em Yas Marina, Alonso ficou com um modesto 13º lugar. O asturiano anotou 1m38s725, ficando 1s213 à frente de seu companheiro de McLaren, Stoffel Vandoorne. Assim como Fernando, o belga se despedia da McLaren para competir na Fórmula E na temporada 2018/19. Vandoorne fez 1m39s938, o que lhe rendeu a 18ª posição. A marca de Fernando foi 1s489 mais lenta que a obtida por Valtteri Bottas (Mercedes), o mais veloz da sexta no circuito do Oriente Médio – o finlandês alcançou 1m37s236 como melhor marca. Após as sessões livres, o bicampeão avaliou o desempenho do MCL33 e sacramentou: seria mais um fim de semana difícil para ele e para a McLaren.

“O primeiro treino livre não era muito representativo, então nos deu um pouco de tempo para experimentar algumas coisas para o conceito do próximo ano em termos de desenvolvimento de carros. No segundo, nos concentramos mais neste final de semana, testando dois tipos de pneus e obtendo algumas informações úteis. Estaremos mais preparados para amanhã (sábado) e veremos onde estamos. Se a pista estiver muito quente amanhã (sábado) para o terceiro treino livre, faremos mais alguns testes do ano que vem e esperamos reunir boas informações para a equipe. Este fim de semana vai ser difícil para nós. Nós precisamos ser realistas. Sexta-feira é normalmente um pouco melhor, pois as equipes estão escondendo o jogo. Por tudo isso, esperamos que a classificação seja muito difícil”, disse o espanhol.

Com a McLaren com detalhe das cores de seu capacete, Alonso conseguiu a proeza de avançar para o Q2 em Yas Marina

Com a McLaren com as cores de seu capacete, Alonso conseguiu avançar para o Q2 em Yas Marina

A preocupação de sexta se tornou realidade no sábado. O MCL33 ficou para trás no qualifying do GP de Abu Dhabi. O temor era que, em seu último quali na F1, Fernando fosse eliminado logo na primeira fase da sessão. Contudo, o espanhol salvou uma volta mágica e conseguiu um lugar no Q2. Entretanto, esse era o limite para o MCL33. Alonso ficou em 15º, com 1m37s743. A marca do asturiano foi 0s634 melhor que a obtida por Vandoorne, 18º com 1m38s577. Pela 21ª vez em 21 corridas da temporada 2018, o veterano largaria na frente do belga – uma marca para ser celebrada e exaltada. “Estou feliz com o meu ano perfeito em termos de classificação. Foi 21 a 0 com o mesmo carro, o que eu acho que ninguém fez antes. Estou feliz, pelo menos, com esse bom sabor”, disse. Em contrapartida, o bicampeão ficou 2s949 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP de Abu Dhabi com 1m34s794.

Após os treinos de Yas Marina, Alonso revelou ter sido surpreendido por ter conquistado um lugar na fase secundária do qualifying. “Não estávamos otimistas em relação às nossas chances de chegar ao Q2, já que não fomos muito competitivos em nenhuma das sessões neste fim de semana, então foi uma boa surpresa. Eu estava me esforçando bastante nessa volta de classificação – me senti bem. Começamos cinco posições longe dos pontos amanhã (domingo) e esperamos que possamos nos beneficiar de alguma ação à nossa frente. No ritmo puro, talvez não estejamos no top 10, mas quem sabe boas coisas não acontecem amanhã (domingo)?”, observou Fernando. Sobre a expectativa da última corrida na F1, o bicampeão foi enfático. “Do lado de fora do carro, muitas emoções e muitos bons toques aqui e ali. Quando eu colocar o capacete e entrar no carro, vou tratá-lo como a última vez, e vou tentar aproveitar e fazer o meu melhor”.

Largada do GP de Abu Dhabi de 2018: Alonso escapou de confusões e subiu para 14º

Largada do GP de Abu Dhabi de 2018: Alonso escapou de confusões e subiu para 14º

A corrida

Domingo, 25 de novembro de 2018. O Autódromo de Yas Marina, em Abu Dhabi, não seria palco de um pôr do sol. O circuito do Oriente Médio seria cenário do ocaso da brilhante carreira de Fernando Alonso. Alinhado em 15º lugar, o espanhol calçava pneus ultramacios no grid – os mais aderentes e menos duráveis do fim de semana. Com essa estratégia, o bicampeão esperava estender ao máximo sua permanência na pista, a fim de ganhar posições e beliscar algum ponto no fim do GP de Abu Dhabi. A largada também preocupava o asturiano – afinal, qualquer imprevisto poderia significar o fim precipitado de sua carreira na F1. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Alonso partiu de forma cautelosa. Tanto que, na curva 1, preferiu espalhar o carro para fora da pista a dividir com os adversários. Assim, perdeu uma posição para Pierre Gasly (Toro Rosso). Depois, ganhou uma de Kevin Magnussen (Haas).

Contudo, ainda na primeira volta, um toque entre Romain Grosjean (Haas) e Nico Hulkenberg (Renault) fez com que o alemão capotasse. Apesar da impressionante cena, Hulk nada sofreu. O safety car ingressou na pista para a retirada do Renault de Nico. Com o abandono de Hulkenberg, Alonso ocupava a 14ª posição ao fim da volta 1. Apenas na volta 5, a corrida foi retomada. Fernando se manteve em 14º até a volta 7, quando um problema elétrico deu fim à trajetória de Kimi Raikkonen (Ferrari) na Scuderia – em 2019, o finlandês ocupará o lugar de Charles Leclerc na Sauber. Com Raikkonen fora, o bicampeão assumiu a 13ª posição. Para a retirada da Ferrari, a direção de prova acionou o VSC – virtual safety car. Com isso, Charles Leclerc (Sauber) e Grosjean anteciparam suas paradas e foram aos boxes, fazendo com que Alonso ganhasse o 11º lugar.

Alonso, à frente de Grosjean: espanhol tentou estender sua permanência na pista

Alonso, à frente de Magnussen: espanhol estendeu sua permanência na pista para alcançar o top 10

A bandeira verde voltou a tremular em Yas Marina na volta 9. Em 11º, Fernando estava a 1s2 de Gasly, o 10º, e tinha 1s2 de vantagem sobre Leclerc, o 12º. O ritmo do espanhol da McLaren era parecido com o dos seus rivais. Dessa maneira, o asturiano só ganharia posições na base da tática de corrida. Enquanto tentava estender sua permanência na pista, Alonso via os adversários pararem nos boxes. Na volta 19, Esteban Ocon (Force India) fez seu pit stop. Com a parada do francês, o bicampeão ascendeu à zona de pontuação, figurando em 10º, a 1s8 de Gasly, o nono. Na volta 25, Marcus Ericsson (Sauber) sofreu com a perda de potência do motor Ferrari, o que o obrigou a abandonar. Assim como o espanhol, o sueco fazia sua despedida da F1 – seu lugar será ocupado pelo italiano Antonio Giovinazzi em 2019. Sem Ericsson, Alonso subiu para nono.

Todavia, o asturiano sofria com a pressão de Leclerc. Com pneus mais novos, o monegasco pressionava o piloto da McLaren. Na volta 26, Charles ultrapassou Fernando. Foi a deixa para que o time de Woking chamasse Alonso para sua única troca de pneus. Ao ingressar nos boxes, na volta 28, a equipe sacou os ultramacios e colocou os compostos supermacios. Foi o último pit stop do espanhol na F1. No retorno à pista, Fernando se viu na incômoda 17ª – e última – posição em Yas Marina. Na volta 32, Alonso ultrapassou Sergey Sirotkin (Williams) e assumiu a 16ª posição. Na 34, tomou o 15º lugar de Brendon Hartley (Toro Rosso). Com o pit stop de Stoffel Vandoorne (McLaren), na 36, o bicampeão passou a ocupar a 14ª colocação.

Estratégia da McLaren não surtiu efeito, e Alonso despencou na classificação

Estratégia da McLaren não surtiu efeito, e Alonso despencou na classificação

Depois da parada de Lance Stroll (Williams), na 41, o asturiano subiu para 13º. Mas ainda era pouco. Pontuar havia se tornado uma missão quase impossível. Para piorar, naquele instante, Alonso tomava uma volta de Lewis Hamilton (Mercedes), o líder da prova. Só com muita sorte o espanhol sairia de Yas Marina na zona de pontos. Na volta 44, Ocon abandonou com problemas no motor Mercedes da Force India. Foi a última prova do francês no time – em 2019, ele será piloto de testes da Mercedes. Duas voltas depois, Gasly também abandonou com falha de motor. Foi a última corrida do francês pela Toro Rosso – em 2019, Pierre estará na Red Bull. Sem os dois franceses, Fernando subiu para 11º.

A esperança voltou a tomar conta da McLaren. E o melhor: a diferença em relação a Magnussen, o 10º, começava a ser reduzida. Na volta 50, o engenheiro de Alonso avisou pelo rádio: “Fernando, há um ponto para alcançar, vamos para cima”. Prontamente – e bem ao seu estilo -, o bicampeão respondeu: “eu tenho 1.800 pontos”. Mas o engenheiro não se deu por vencido: “bem, por mim, faça 1.801”. Na verdade, Alonso somou 1.899 pontos na carreira. Se ultrapassasse Magnussen, alcançaria 1.900. O espanhol se esforçou. Porém, abusou. Por três voltas consecutivas, cortou a chicane da curva 8. Dessa forma, a direção de prova acabou punindo Fernando com 5s de acréscimo ao seu tempo de corrida. Era o fim da possibilidade de pontuar na despedida. Alonso teve que se conformar com a 11ª posição em sua derradeira apresentação na Fórmula 1.

Após a bandeirada, Hamilton e Vettel escoltaram Alonso. No fim, um show de 'zerinhos'

Após a bandeirada, Hamilton e Vettel escoltaram Alonso. No fim, um show de ‘zerinhos’

A vitória no GP de Abu Dhabi de 2018 ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 73º triunfo na carreira do britânico, que somou 11 vitórias e incríveis 408 pontos na temporada – recorde absoluto com esta regra de pontuação, vigente desde 2010. Sebastian Vettel (Ferrari) ficou em segundo, e Max Verstappen (Red Bull) completou o pódio. Distante do palco de cerimônia, Alonso foi surpreendido com a atitude dos dois primeiros colocados. Hamilton e Vettel, dois de seus principais rivais na Fórmula 1, fizeram questão de escoltar Fernando pela volta final em Yas Marina. Na reta dos boxes, os três fizeram ‘zerinhos’ (ou donuts) diante do público, para delírio do circo. Ali estavam 11 títulos mundiais de Fórmula 1. Ali, estava o trio que melhor resume a história da categoria no século 21.

Após deixar o carro, Hamilton abraçou Alonso e disse o que pensava sobre a despedida de seu ex-companheiro de equipe – ambos protagonizaram uma batalha homérica dentro da McLaren em 2007: “Fernando é uma verdadeira lenda. Foi um privilégio correr junto com ele. Me perguntaram durante todo o final de semana se sentirei falta dele. Não sinto que vou sentir falta de outro piloto, mas o esporte vai sentir sua falta e vou sentir falta dele no esporte”, observou Lewis. Já Vettel corroborou com as palavras do pentacampeão. “Fernando fez um bom trabalho. Vamos sentir falta dele”. O bicampeão devolveu a gentileza e agradeceu pelas palavras dos multicampeões: “Obrigado Lewis e Sebastian pela volta final juntos. Foi muito emocionante. Eu tenho muito respeito por eles, eles são grandes campeões e eu me sinto muito privilegiado por ter corrido com eles durante a maior parte da minha carreira”.

Hamilton, Vettel e Alonso: trio conquistou 11 dos 14 títulos mundiais disputados desde 2005

Hamilton, Vettel e Alonso: trio conquistou 11 dos 14 títulos mundiais disputados desde 2005

De pronto, ‘a ficha não caiu’ para Alonso sobre o que ele viveu no fim de semana em Yas Marina. “Foram dias muito intensos e bons. Acho que ainda preciso de alguns dias para assimilar tudo. Eu estava muito ocupado, focado no carro, e não tive tempo para pensar sobre o que estava acontecendo. Hoje (domingo) foi uma boa corrida, concentrando no gerenciamento de pneus, economia de combustível e luta por pontos até a última volta. Toda a minha carreira eu sempre lutei, às vezes em carros competitivos, às vezes não, mas nunca desisti. Estou orgulhoso do que conquistei e por ter corrido pelas melhores equipes do mundo. Obrigado aos meus fãs e a todas as pessoas que me seguiram nos últimos 18 anos. Senti muito apoio e respeito por mim e isso é algo que levo muito a sério. Eu me sinto honrado. Mas eu não vou parar de correr. Eu amo o automobilismo, então não desistam de mim”, concluiu o bicampeão.

Para o ex-parceiro Trulli, Alonso teve desfecho melancólico por conta de sua "personalidade forte"

Para o ex-parceiro Trulli, Alonso teve desfecho melancólico por conta de sua “personalidade forte”

Impressões

A retirada de Fernando Alonso da F1 rendeu diversos pontos de vista de personalidades que conviveram diretamente com o bicampeão. Companheiro do espanhol na Renault em 2003 e 2004, Jarno Trulli ressaltou que a personalidade forte de Alonso lhe trouxe muitos problemas no fim de sua trajetória na categoria. “Alonso foi um grande companheiro de equipe, mas ele tinha um caráter muito forte”, disse Trulli ao site Omnisport. “Na equipe, não foi fácil administrar, não apenas como piloto, mas como pessoa. Isso foi demonstrado durante sua carreira. Infelizmente, isso levou-o a uma situação em que ele não teve mais oportunidades, apesar de ser um dos melhores. Ele não tinha um carro competitivo para ficar na Fórmula 1, então ele foi obrigado a se aposentar, mesmo que esse tempo venha para todos”, analisou o italiano.

Alonso discordou da opinião de Trulli. Além disso, o asturiano refutou daqueles que afirmam que ele tomou más decisões no gerenciamento de sua carreira. “Max Verstappen é um grande talento, mas tem zero títulos. Daniel Ricciardo, zero título. Vettel com a Ferrari, zero título. Nico Hulkenberg, zero pódio. Mas ninguém diz que eles fizeram escolhas ruins na carreira”, declarou Fernando à RTBF. Para o italiano Flavio Briatore, que gerenciou a carreira do espanhol e chefiou Alonso nos áureos tempos da Renault, o problema de Fernando foi um só: “Ele teve quatro anos genuinamente frustrantes com uma performance ridícula da McLaren”. Na concepção de Briatore, se o bicampeão estivesse na Ferrari em 2018, ele alcançaria o título. “A Ferrari teria ganho o título com Fernando este ano, sem dúvida. Com Fernando, se ele tem um carro para ficar em terceiro, ele é o terceiro. Se ele tem um carro para ganhar, ele vence. E muitas vezes ele tem sido maior que o carro”.

O futuro de Alonso está longe da F1: objetivo é conquistar a Tríplice Coroa. Para isso, fará a Indy 500 em 2019

Objetivo principal de Alonso passa a ser conquistar a Tríplice Coroa. Para isso, só falta a Indy 500

Sobre o futuro, Alonso pouco falou. A princípio, fará a temporada da WEC e correrá as 24 Horas de Daytona e as 500 Milhas de Indianapolis de 2019. E depois? O bicampeão não descartou a possibilidade de um retorno à F1. “Agora eu não estou pensando em voltar, com certeza. Mas não sei como me sentirei no ano que vem. Acho que preciso do intervalo agora, 2019 preciso de desafios diferentes. Eu quero lutar pela Tríplice Coroa, a Indy 500 e outras corridas icônicas. Mas para 2020, talvez eu sinta a necessidade de fazer um calendário completo em algo: talvez Indy, talvez Fórmula 1, eu não sei. Talvez seja a hora de voltar ou talvez eu goste tanto no ano que vem que eu não voltarei”, observou o bicampeão. Segundo Briatore, Fernando tirará um ano sabático em 2019. Depois, observará o mercado para saber se retornará à F1 em 2020.

Independentemente de voltar à F1 ou não, o espanhol deixou sua marca na categoria. Que tenha sucesso nas pistas do mundo afora. Afinal, quem nasceu para ser “racer”, sempre será respeitado – dentro ou fora do ‘circo’.

"Gracias, Fernando"

“Gracias, Fernando”

Publicado em Abu Dhabi, Brendon Hartley, Charles Leclerc, Esteban Ocon, Fernando Alonso, Force India, Haas, Kevin Magnussen, Lance Stroll, Marcus Ericsson, McLaren, Nico Hulkenberg, Pierre Gasly, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Sergey Sirotkin, Stoffel Vandoorne, Toro Rosso, Williams, Yas Marina | Publicar um comentário

Brasil-2018: de olho na Ferrari, Leclerc é 7º em Interlagos

Charles Leclerc (Sauber) à frente de seu futuro companheiro, Sebastian Vettel (Ferrari): duelo à vista para 2019

Charles Leclerc (Sauber) à frente de seu futuro companheiro, Sebastian Vettel (Ferrari): 2019 à vista

Charles Leclerc entrou em contagem regressiva para sua transferência para a Ferrari em 2019. Ao desembarcar em Interlagos, palco do GP do Brasil de 2018, o piloto monegasco estava a duas corridas de encerrar o ciclo na Sauber e de iniciar o seu mais grandioso sonho: o de ser companheiro de Sebastian Vettel e ocupar a vaga de Kimi Raikkonen na Ferrari para a próxima temporada. Embora a ansiedade ocupe espaço no pensamento do jovem talento, Leclerc queria deixar a melhor impressão possível na Fórmula 1 antes de mergulhar definitivamente na vida vermelha. No circuito paulistano, Charles foi competitivo, combativo e seguro. No fim, foi premiado com um excelente sétimo lugar no Autódromo José Carlos Pace, com direito a um primeiro duelo com Vettel. É bem verdade que perdeu a disputa para Seb (o alemão terminou em sexto), mas apenas o fato de figurar à frente do ferrarista já foi sinal do que o piloto de 21 anos pode ser capaz diante do já consagrado tetracampeão.

Pela nona vez em 2018, Leclerc figurou na zona de pontuação. O sétimo lugar em Interlagos fez com que Charles superasse Pierre Gasly (Toro Rosso) na tábua do Mundial de Pilotos – o monegasco subiu para 14º na classificação, com 33 pontos, contra 29 do francês. Além disso, seu top 7 no Brasil ajudou a Sauber a se consolidar na oitava posição do Mundial de Construtores – a equipe foi para 42 pontos, contra 33 da Toro Rosso. O resultado obtido no autódromo de São Paulo foi construído desde o primeiro dia de treinos livres. Quando o C37 da Sauber foi para a pista, tanto Leclerc quanto seu companheiro de equipe, Marcus Ericsson, mostraram bom desempenho, colocando-se sempre entre os 10 primeiros colocados.

Na sexta, Leclerc andou no mesmo segundo de Valtteri Bottas (Mercedes), o melhor do dia

Leclerc foi o oitavo mais veloz da sexta: monegasco foi um dos oito pilotos a andar abaixo de 1m10s

Após os dois treinos livres, Charles levou a melhor sobre Marcus. O monegasco foi um dos oito pilotos a andar abaixo de 1m10s em Interlagos. Leclerc foi o oitavo mais veloz do dia, com 1m09s943, ficando a 1s097 de Valtteri Bottas (Mercedes), o mais rápido da sexta com 1m08s846. Por outro lado, foi 0s689 mais rápido do que Ericsson, 15º com 1m10s532. “Foi um dia positivo em geral. Fomos bastante fortes no nosso ritmo de qualificação e nos sentimos confiantes para amanhã (sábado). Teremos algum trabalho para determinar onde estamos em termos de ritmo de corrida em comparação com as outras equipes, mas tudo está correndo bem até agora. O tempo estava melhor do que o esperado, e nós reunimos uma grande quantidade de dados em condições secas, o que é positivo. Estou ansioso para ver o que podemos conseguir amanhã (sábado)”, analisou Charles.

No sábado, Leclerc queria mais. O Q3 parecia algo possível para os dois carros da Sauber. E foi: tanto Charles quanto Ericsson conseguiram alcançar o Q3 em Interlagos. Pela sétima vez no ano, o monegasco alcançou a fase final da qualificação – um feito enorme, em se tratando de um piloto do time suíço. Na sessão decisiva, porém, o clima instável foi ator principal. No fim, o sueco surpreendeu ao ser mais veloz do que o monegasco. Marcus anotou o sétimo tempo, com 1m08s296, ficando 0s196 à frente de Charles, oitavo com 1m08s492. A marca de Leclerc foi 1s211 mais lenta que a de Lewis Hamilton (Mercedes), pole com 1m07s281. Foi a 82ª pole da carreira do britânico, justamente em sua primeira corrida após conquistar o pentacampeonato da F1.

Após fazer um épico Q2, Charles acabou sendo superado por Ericsson no Q3: 7º lugar no grid

Charles acabou sendo superado por Ericsson no Q3 de Interlagos: 7º lugar no grid

Como Daniel Ricciardo (Red Bull) perdeu cinco posições no grid por colocar novos elementos em sua unidade de potência, Ericsson subiu para sexto – melhor posição de grid na carreira – e Leclerc, para sétimo. Apesar de ter sido superado por Marcus, Charles não estava chateado. Pelo contrário: o monegasco demonstrava satisfação com a performance do C37. “Que dia incrível para a equipe. Ser a melhor do resto na classificação, com ambos os carros tendo resultados tão fortes, é um feito incrível que deve deixar todos nós orgulhosos. Eu fiquei muito feliz com minha volta no final do Q2, e um pouco menos na Q3. Marcus (Ericsson) fez um trabalho incrível hoje (sábado), parabéns a ele”, afirmou Leclerc.

Largada do GP do Brasil de 2018: Leclerc superou Ericsson na freada do S do Senna e subiu para sexto

Largada do GP do Brasil de 2018: Leclerc superou Ericsson na freada do S do Senna e subiu para sexto

A corrida

Domingo, 11 de novembro de 2018. O Autódromo José Carlos Pace abria suas portas mais uma vez para a disputa do GP do Brasil. A tão propagada chuva não vingou em Interlagos. Dessa forma, os pilotos puderam se preocupar apenas em correr com a pista seca. Alinhado em sétimo no grid, Charles Leclerc calçava pneus supermacios – os menos duráveis disponíveis no fim de semana. Assim, o monegasco tentaria encaixar um stint longo com esses compostos, a fim de assegurar apenas uma parada nos boxes. Estratégia traçada, e os 20 pilotos foram para a largada da etapa brasileira. No apagar das luzes vermelhas, Leclerc saltou bem e superou Marcus Ericsson (Sauber) por fora na primeira perna do S do Senna, assumindo a sexta posição. Ao fim da volta 1, o monegasco estava atrás de pilotos das três principais escuderias da F1 – Mercedes (Lewis Hamilton e Valtteri Bottas), Ferrari (Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen) e Red Bull (Max Verstappen).

Sem poder desafiar os adversários à frente, Charles passou a administrar a sexta posição. Atrás dele, estava Romain Grosjean (Haas). Apesar do ímpeto, o francês não foi capaz de superar o monegasco. Na volta 4, Grosjean foi superado por Daniel Ricciardo (Red Bull), que largou em 11º e fazia prova de recuperação. Após superar o piloto da Haas, o foco do australiano se tornou Leclerc. Na volta 5, o jovem piloto da Sauber não resistiu ao poderio do rival da Red Bull, caindo para a sétima colocação. Assim, Charles voltou a ser perseguido de perto por Romain. Mesmo assim, o monegasco não se intimidou com a pressão do francês. Na volta 6, a vantagem sobre o piloto da Haas era de 0s9. Na 12, a diferença subiu para 2s3. Assim, a sétima posição estava conservada.

Leclerc conservou com maestria seu jogo de pneus supermacios, garantindo que fizesse apenas um pit stop em Interlagos

Leclerc conservou com maestria seus supermacios, garantindo que fizesse apenas um pit stop

O panorama começou a mudar em Interlagos com a abertura da janela de pit stop. Com problemas no gerenciamento dos pneus, a Mercedes foi a primeira a chamar seus pilotos. Na volta 19, Bottas foi para os boxes. Assim, Leclerc assumiu a sexta colocação. Na 20, Hamilton realizou seu pit. Dessa maneira, Charles ascendeu para o quinto posto. À frente do monegasco, apenas os pilotos de Ferrari e Red Bull. Em contrapartida, o jovem piloto da Sauber via Hamilton cresceu em seus retrovisores. Na volta 24, o pentacampeão superou Leclerc, que voltou para a sexta posição. Ali permaneceu até a volta 27 – na passagem seguinte, Vettel ingressou nos boxes. Assim, o piloto da Sauber retornou para a quinta colocação. Com a parada de Raikkonen na volta 30, Charles ascendeu para o quarto lugar. À frente dele, portanto, estavam somente Verstappen, Ricciardo e Hamilton.

Ao conservar os pneus supermacios, Leclerc subiu na classificação. A meta do time suíço de fazer a etapa de Interlagos com apenas uma troca já havia sido atingida. Na volta 34, Charles, enfim, foi para os boxes. No pit, a Sauber sacou os supermacios e colocou pneus médios. Era uma garantia de que o monegasco não pararia mais nos boxes. No retorno à pista, Leclerc estava em nono, colado em Sergio Pérez (Force India). Na 36, o monegasco supera o mexicano, tomando-lhe o oitavo lugar. Ali seguiu até a volta 42 – com o pit stop de Kevin Magnussen (Haas), Charles assumiu a sétima posição. Parecia a posição real para o piloto da Sauber, uma vez que estava atrás apenas das duplas de Red Bull, Ferrari e Mercedes. Por outro lado, tinha uma diferença segura para Grosjean, o oitavo – naquele momento, a vantagem girava na casa dos 6 segundos.

Após ser ultrapassado por Vettel, Leclerc administrou vantagem sobre Grosjean para ficar com o 7º lugar

Após ser superado por Vettel, Leclerc administrou vantagem sobre Grosjean para ficar com o 7º lugar

Entretanto, algumas equipes enfrentavam dificuldades com o asfalto quente de Interlagos. A Ferrari, por exemplo, chamou Vettel para uma segunda parada na volta 54. Com o novo pit stop do alemão, Leclerc assumiu a sexta colocação. Todavia, o piloto da Sauber teria que lidar com o ferrarista em seus calcanhares. Com equipamento superior, Sebastian colou em Charles. Embora tenha resistido ao ataque do futuro companheiro de equipe na volta 57, o monegasco não possuía carro para segurar o germânico, que o ultrapassou na volta 58. Sem ter como atacar Vettel, restou a Leclerc administrar a vantagem sobre Grosjean para assegurar a sétima posição em Interlagos.

A vitória no GP do Brasil de 2018 ficou com Hamilton. O 72º triunfo do britânico caiu em seu colo. Explica-se: então líder da prova, Verstappen se envolveu em um acidente com o retardatário Esteban Ocon (Force India). Max rodou e voltou à pista em segundo. Raikkonen completou o pódio. Já nos boxes da Sauber, o clima era festivo, uma vez que Charles comemorava seis importantes pontos para a equipe. “Estou muito feliz com a corrida. Terminar em 7º lugar é um resultado positivo com o qual podemos estar satisfeitos. Foi divertido pilotar nesta pista e adicionar mais pontos à nossa conta para solidificar a nossa oitava posição no Campeonato de Construtores. Trata-se de um sentimento positivo para toda a equipe. Estou ansioso para ver o que podemos fazer em Abu Dhabi”, analisou o monegasco após a etapa.

Leclerc conversa com Barrichello no grid de Interlagos: duas gerações de pilotos da Ferrari

Leclerc conversa com Barrichello no grid de Interlagos: duas gerações de pilotos da Ferrari

Publicado em Brasil, Charles Leclerc, Esteban Ocon, Force India, Haas, Interlagos, Kevin Magnussen, Marcus Ericsson, Pierre Gasly, Romain Grosjean, Rubens Barrichello, Sauber, Sergio Pérez, Toro Rosso | Publicar um comentário

México-2018: em tom de despedida, Vandoorne obtém top 8

Stoffel Vandoorne deu fim a um jejum de 14 GPs sem pontuar ao ser 8º no Autódromo Hermanos Rodríguez

Stoffel Vandoorne deu fim a um jejum de 14 GPs sem pontuar ao ser 8º no GP do México

Em muitos casos, a Fórmula 1 costuma ser um triturador de talentos. Alguns pilotos ingressam na categoria no lugar errado, no momento errado. Esse parece estar sendo o caso de Stoffel Vandoorne. Tido como um potencial campeão, o belga se tornou titular da McLaren em 2017. Era a terceira temporada da turbulenta parceria do time de Woking com a Honda. Em seu primeiro ano completo na equipe laranja, Stoffel anotou 13 pontos, contra 17 do experiente bicampeão Fernando Alonso. Seus principais resultados no campeonato foram dois sétimos lugares – nos GPs de Cingapura e da Malásia. Veio 2018, e a McLaren trocou o motor Honda pelo Renault. A mudança, que parecia a decisão mais acertada, não trouxe a resposta esperada. O início foi satisfatório para Stoffel, que colheu 10 pontos nas quatro primeiras etapas – foi oitavo no GP do Bahrein, em Sakhir, e nono nos GPs da Austrália, em Melbourne, e do Azerbaijão, em Baku. Porém, após a prova azeri, os pontos minguaram para o belga.

Tanto Vandoorne quanto Alonso voltaram a conviver com problemas de desempenho similares aos de 2017. Prova a prova, a dupla da McLaren agonizava no cockpit do MCL33. A angústia foi tamanha que os dois simplesmente deram um basta com a F1: enquanto Fernando anunciou sua retirada da categoria ao fim de 2018, Stoffel revelou no último dia 15 de outubro que pilotará pela HWA, time da Fórmula E, já na temporada 2018/19. A partir desta guinada na carreira, o belga tenta aproveitar da melhor maneira possível os últimos momentos na McLaren. Com esse espírito, Vandoorne desembarcou no Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México, para a disputa do GP do México de 2018. Na capital asteca, o objetivo de Stoffel era dar fim ao jejum de pontos – afinal, fazia 14 corridas que o piloto de 26 anos não finalizava na zona de pontuação.

Vandoorne anunciou no último dia 15 que correrá na Fórmula E a partir da temporada 2018/19

Vandoorne anunciou no último dia 15 que correrá na Fórmula E a partir da temporada 2018/19

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres no circuito mexicano, o belga teve um desempenho razoável, em se tratando do MCL33. Vandoorne marcou o 15º tempo, com 1m19s096. Stoffel ficou 0s447 à frente de Alonso, 19º com 1m19s543. A marca do belga foi
2s440 inferior à obtida por Max Verstappen (Red Bull), o melhor da sexta com 1m16s656. “Foi uma sexta-feira razoável. Eu acho que para todos o ponto de discussão foi provavelmente os pneus. Era importante para nós estarmos no caminho certo e ver os stints longos, e dividimos os compostos entre nós para ver a degradação. É difícil dizer onde estamos na ordem competitiva, pois as diferenças estão realmente muito apertadas. Os Red Bulls estão definitivamente um passo à frente, mas atrás deles todos parecem muito juntos, então, se descobrirmos algumas coisas do nosso lado e ganharmos um pouco de desempenho, poderemos ter algo de bom. O mais importante é administrar os pneus. Assim, será maior a chance de marcar pontos aqui”, avaliou.

A esperança de Stoffel, entretanto, estava numa boa qualificação no Hermanos Rodríguez. Porém, ocupar um lugar razoável no grid era o ‘calcanhar de Aquiles’ dele e da McLaren em 2018. A última vez que o belga havia avançado para a fase de Q2 num treino oficial havia sido no fim de semana do GP de Mônaco, quando foi o 12º. Desde então, foram 12 eliminações consecutivas na primeira fase da qualificação. No Q1 mexicano, Vandoorne até flertou com um avanço para o Q2 – sua última volta o colocava entre os 15 primeiros. Entretanto, sua marca foi superada pelos adversários, e mais uma vez caiu na fase inicial de um quali. Stoffel anotou 1m16s966, ficando em 17º. Já Alonso avançou para o Q2. O espanhol fez 1m16s871 (0s095 mais rápido do que Vandoorne), o que lhe rendeu o 12º lugar no grid. A pole do GP do México ficou com Daniel Ricciardo (Red Bull), que anotou 1m14s759 – 2s207 mais veloz do que o belga. Foi a terceira da carreira do australiano.

Stoffel bem que tentou, mas não conseguiu avançar no Q1 no Autódromo Hermanos Rodríguez

Stoffel bem que tentou, mas não conseguiu avançar no Q1 no Autódromo Hermanos Rodríguez

Embora eliminado mais uma vez no Q1, Vandoorne ficou satisfeito com o desempenho do MCL33 no circuito asteca. “Foi um esforço de classificação bastante decente. Os tempos estavam muito próximos e é uma pena perder um lugar no Q2 por alguns centésimos, mas isso mostra quão apertado está o pelotão. Hoje o clima está um pouco mais frio, o que facilitou as coisas com os pneus. Amanhã (domingo) veremos o que a corrida trará. Com sorte, a degradação dos pneus continuará a ser um grande fator, e veremos como isso acontece na prova. Há sempre um pouco que você pode melhorar. É complicado por causa da altitude, mas é o mesmo para todos. Em geral, eu estava razoavelmente feliz com a minha volta e acho que foi bem perto do máximo possível hoje (sábado). Provavelmente estivemos um pouco mais próximos aqui neste final de semana do que o esperado e espero poder mostrar isso amanhã (domingo). Teremos que ter um pouco de sorte para trazer um bom resultado para casa”.

Largada do GP do México de 2018: Vandoorne despencou para o 19º lugar

Largada do GP do México de 2018: cauteloso, Vandoorne despencou para o 19º lugar

A corrida

Domingo, 28 de outubro de 2018. O sol despontou no céu da Cidade do México. As arquibancadas do Autódromo Hermanos Rodríguez pulsavam no ritmo dos motores da Fórmula 1. Também pudera: a torcida mexicana estava em vias de acompanhar, pela segunda vez consecutiva, a consagração de Lewis Hamilton (Mercedes). Bastava um sétimo lugar no GP do México para assegurar o pentacampeonato. Os mexicanos também estavam atentos aos movimentos do herói local, Sergio Pérez (Force India). Hamilton e Checo à parte, Stoffel Vandoorne (McLaren) sonhava apenas e tão somente em pontuar na etapa mexicana. Era uma missão árdua – afinal, eram 14 corridas sem figurar no top 10. Mas havia algo de diferente no ar para o belga. As coisas pareciam conspirar a favor do piloto do carro de número 2.

Calçando pneus ultramacios, Vandoorne, 15º no grid, teve cautela para fugir de confusões na largada. Na freada da curva 1, perdeu posições para Lance Stroll (Williams), Kevin Magnussen (Haas), Sergey Sirotkin (Williams), Pierre Gasly (Toro Rosso) e Romain Grosjean (Haas). Como Brendon Hartley (Toro Rosso) ficou para trás na largada, Stoffel completou a primeira volta na 19ª e penúltima posição. A partir daí, iniciaria um show à parte do belga. Vandoorne partiu para cima de Grosjean. Após travar pneus na disputa contra Gasly, Romain virou presa fácil para o piloto da McLaren, que assumiu o 18º lugar. Com a ida de Esteban Ocon (Force India) aos boxes ainda na volta 2 – o francês atingiu Fernando Alonso (McLaren) no início da corrida -, Stoffel assumiu a 17ª posição.

Vandoorne supera Gasly e Sirotkin: grande momento do belga no México

Vandoorne supera Gasly e Sirotkin: grande momento do belga no Autódromo Hermanos Rodríguez

Na 4, veio o grande momento do belga no Hermanos Rodríguez: Vandoorne acompanhava o duelo entre Gasly e Sirotkin. Ao ver os dois se engalfinharem, não teve dúvida – colocou por dentro, fazendo uma ultrapassagem dupla, assumindo o 15º lugar. Na mesma passagem, Alonso abandonou a prova. Assim, Stoffel era o 14º. Para retirar o MCL do bicampeão, a direção de prova acionou o virtual safety car. Dessa forma, o belga passou a mirar sua próxima vítima: Magnussen. A relargada foi dada na volta 6. Apesar do esforço, Vandoorne não conseguia fazer a ultrapassagem sobre o dinamarquês. E quanto mais o tempo passava na perseguição ao piloto da Haas, mais seus pneus ultramacios se desgastavam. Na volta 9, Stroll foi para os boxes. Com isso, Stoffel ascendeu para a 13ª posição. Entretanto, sem conseguir superar Magnussen.

Na volta 12, a McLaren chamou Vandoorne para os boxes. Na troca, o belga sacou os compostos usados, passando a calçar supermacios. O objetivo era um só: não parar mais. Seriam 59 longas voltas com o mesmo jogo de pneus. No retorno à pista, estava em 18º, colado em Stroll. Na 13, Stoffel saiu próximo a Lance do trecho do Estádio e, na Reta dos Boxes, efetuou ultrapassagem por fora no canadense. Assim, o piloto da McLaren era o 17º. Com o pit stop de Marcus Ericsson (Sauber) na volta 17, o belga ascendeu para 16º. Após a parada de Hartley, na volta 24, Vandoorne subiu para 15º. Na passagem seguinte, Stoffel voltou a superar Gasly – novamente, na Reta dos Boxes. Assim, era 14º. Com o abandono de Carlos Sainz Jr. (Renault) na volta 29, Vandoorne assumiu a 13ª posição. Na passagem seguinte, Ocon retornou para os boxes, a fim de fazer sua segunda parada. Dessa maneira, o piloto da McLaren passava a ocupar a 12ª colocação.

Vandoorne parou na volta 12 e colocou pneus supermacios: longo stint de 59 voltas fez belga ascender na corrida

Vandoorne parou na volta 12 e colocou supermacios: stint de 59 voltas fez belga ascender na corrida

Para retirar o carro de Sainz, novamente a direção de prova acionou o VSC. E, mais uma vez, Vandoorne tinha Grosjean em sua alça de mira. A bandeira verde foi dada na volta 32, e o belga partiu para cima do francês. Novamente no fim da Reta dos Boxes, Stoffel executou a manobra de ultrapassagem. Romain vendeu caro a posição, mas não resistiu: o piloto da McLaren era o 11º na volta 33. Apenas na volta 38, Vandoorne ingressou pela primeira vez na zona de pontos do GP do México. A torcida mexicana ficou em choque com o abandono de Pérez. Porém, a saída do herói local fez com que Stoffel passasse a ocupar a 10ª posição. A partir dali, o belga voltava a perseguir Magnussen. Mas, na volta 43, a Haas chamou o dinamarquês para os boxes. Dessa forma, o piloto da McLaren ascendeu para a nona colocação.

Naquele momento, Vandoorne era mais veloz do que Charles Leclerc (Sauber), o oitavo. Tanto que o belga se aproximou perigosamente do monegasco. Porém, nunca a ponto de baixar de 1s e usar o DRS (asa móvel) na Reta dos Boxes. Por outro lado, Stoffel não era incomodado por Ericsson, o 10º. Com isso, o nono lugar parecia o limite para o piloto da McLaren. Entretanto, na volta 61, Daniel Ricciardo (Red Bull), então segundo colocado, abandonou a etapa asteca. Dessa maneira, Vandoorne assumiu a oitava posição. Dessa forma, a meta do belga passou a ser conservar equipamento e pneus, a fim de levar o top 8 para Woking. E foi o que fez. Com competência, ousadia e regularidade, Stoffel deu fim ao seu jejum de pontos no Autódromo Hermanos Rodríguez.

Em diversas vezes, Vandoorne saiu do trecho do Estádio colado no rival para realizar ultrapassagem: nesta, contra Gasly

Vandoorne saía do trecho do Estádio colado no rival para realizar ultrapassagem: nesta, contra Gasly

A vitória do GP do México de 2018 ficou com Max Verstappen (Red Bull). Foi o quinto triunfo do holandês na Fórmula 1 – o segundo na etapa mexicana. Sebastian Vettel (Ferrari) terminou em segundo, seguido por Kimi Raikkonen (Ferrari). Hamilton ficou em quarto, o suficiente para assegurar matematicamente a conquista do pentacampeonato mundial (2008, 2014, 2015, 2017 e 2018). Com o título, Lewis igualou a marca de Juan Manuel Fangio (o argentino foi campeão em 1951, 1954, 1955, 1956 e 1957), ficando atrás somente do heptacampeão Michael Schumacher no ranking da F1 (o alemão foi campeão em 1994, 1995, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004).

O homem do domingo foi Verstappen. O campeão do ano foi Hamilton. Mas Vandoorne também tinha o que comemorar no México. “Estou muito satisfeito. Colocamos muito trabalho duro e preparação neste fim de semana em termos de qual estratégia escolher, e sabíamos que era possível marcar pontos aqui. Estou feliz em terminar em oitavo e marcar alguns pontos. Foi uma grande corrida. Depois da primeira volta, éramos os últimos e tivemos muito trabalho a fazer, por isso foi uma forte recuperação. Fiz algumas ultrapassagens que foram muito cruciais e, no final, fazer com que os pneus durassem para terminar em oitavo. Não foi fácil no começo, mas eu estava sempre atacando na hora certa quando precisava, e administrando os pneus ao mesmo tempo. O ponto crucial foi quando tivemos que decidir se iríamos por uma ou duas paradas. Os pneus pareciam muito complicados, mas conseguimos recuperá-los um pouco e esse foi o ponto de virada”, celebrou o belga da McLaren.

Top 8 no México rendeu o "Prêmio Unicórnio do Dia" para o belga: brincadeira foi postada nas redes sociais

Top 8 rendeu o “Prêmio Unicórnio do Dia” para o belga: brincadeira foi postada nas redes sociais

Publicado em Brendon Hartley, Carlos Sainz Jr., Charles Leclerc, Cidade do México, Esteban Ocon, Fernando Alonso, Force India, Haas, Kevin Magnussen, Lance Stroll, Marcus Ericsson, México, McLaren, Pierre Gasly, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Sergey Sirotkin, Sergio Pérez, Stoffel Vandoorne, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

EUA-2018: Renault obtém 14 pontos e se consolida no top 4

Hulkenberg terminou em sexto em Austin, uma posição à frente de Sainz: bom desempenho da Renault

Hulk terminou em sexto em Austin, uma posição à frente de Sainz: bom desempenho da Renault

A Renault tem tido uma irregular temporada de 2018. O time francês vem mesclando apresentações convincentes com exibições para esquecer. Embora Nico Hulkenberg e Carlos Sainz Jr. estejam se esforçando ao máximo para tirar desempenho do RS18, o máximo que conquistaram nas 17 primeiras etapas do ano foram 10 pontos combinados – nos GPs da China, do Azerbaijão, do Canadá e da Alemanha. Em Austin, palco do GP dos Estados Unidos, o objetivo da escuderia aurinegra era o de obter o maior número de pontos possíveis, a fim de consolidar o time na quarta posição no Mundial de Construtores. Os ares do Circuito das Américas parecem ter inspirado Hulkenberg e Sainz. Em uma prova consistente, o alemão terminou em sexto, enquanto o espanhol finalizou em sétimo. Assim, Nico e Carlos somaram 14 pontos, o que fez com que a equipe de Enstone subisse para 106 pontos no Mundial, contra 84 da Haas – sua principal concorrente pelo top 4 entre as equipes.

Vale ressaltar que, embora a Force India tenha perdido 59 pontos em razão da mudança de direção do time durante o Mundial, a Renault alcançou em Austin os mesmos 106 pontos que a equipe branca e rosa somou durante o ano. Uma prova de que a escuderia francesa está fazendo por merecer o quarto lugar entre os Construtores. Além da segura vantagem sobre a Haas, o time gaulês viu Hulk assumir a sétima posição do Mundial de Pilotos, com 61 pontos. Graças a seu sexto lugar em Austin, o germânico colocou quatro pontos de vantagem sobre Sergio Pérez (Force India) e oito sobre Kevin Magnussen (Haas). Com os seis pontos da sétima posição do GP dos Estados Unidos, Sainz subiu para 45 pontos, entrando de vez na luta por um lugar no top 10 do Mundial – o madrileno ficou a cinco pontos de Fernando Alonso (McLaren), 10º com 50 pontos.

Hulkenberg e Sainz somaram 14 pontos em Austin - melhor desempenho conjunto do time em 2018 até o momento

Nico e Carlos somaram 14 pontos no Texas – melhor resultado da dupla da Renault no ano até agora

Por tudo que representou para a equipe, Austin foi a corrida mais bem-sucedida da Renault em 2018 até o momento. Porém, as coisas não começaram positivas no fim de semana da etapa ianque. Durante toda a sexta-feira, dia dos dois primeiros treinos livres para o GP dos Estados Unidos, uma chuva incessante atrapalhou as pretensões de pilotos e escuderias em Austin. Para Hulkenberg e Sainz, não foi diferente. Nos tempos combinados, o espanhol alcançou o sétimo lugar, com o tempo de 1m50s665. Carlos ficou 1s052 à frente de Nico, que obteve apenas a 18ª posição, com 1m51s717. O melhor da sexta foi Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m47s502 – 3s163 mais veloz do que Sainz, e 4s215 à frente de Hulk.

Após os treinos, Hulkenberg não lamentou a marca aquém das expectativas. Pelo contrário: exaltou os dados obtidos sob chuva. “Eu não tinha o equilíbrio e a harmonia certos pela manhã, por isso foi bom fazer um stint à tarde para confirmar que tínhamos feito as mudanças na direção certa. É muito divertido dirigir em condições como hoje (sexta), mesmo que pareça bastante sombrio na TV. Já vimos algumas diferenças extremas no clima aqui em Austin antes, por isso vai ser interessante ver o que o resto do fim de semana se apresenta”, afirmou o alemão. Já Sainz também se mostrou satisfeito com o desempenho do RS18. “Fiquei muito feliz com o carro na sessão da manhã e consegui dar algumas voltas decentes. As condições no final do FP2 eram semelhantes e eu só fiz uma saída rápida para testar algumas coisas e coletar informações. Amanhã (sábado) achamos que será no molhado, então será um bom desafio para os pilotos – e espero por isso”.

Na sexta, a chuva atrapalhou pilotos e equipes: Hulk (foto) foi apenas o 13º do dia

Na sexta, a chuva atrapalhou pilotos e equipes: Hulk (foto) foi apenas o 18º do dia

Diferentemente do que Carlos imaginou, o qualifying para o GP dos Estados Unidos não contou com a presença da chuva. No sábado, tanto Sainz quanto Hulkenberg tiveram que se adaptar ao piso seco. Inicialmente, a Renault constatou que seus pilotos poderiam avançar para o Q3 em Austin. Com essa meta em mente, o espanhol e o alemão foram determinados para a pista. Nico e Carlos avançaram para o Q2. Contudo, o espanhol falhou a passagem para a fase decisiva da qualificação por apenas 0s002. Assim, Sainz ficou em 11º, com 1m34s566. “Infelizmente, fiquei a dois milésimos de entrar no Q3. Pressionei acidentalmente um botão de ajuste no volante e perdi 0s2 na última curva. É frustrante porque o Q3 estava ao alcance. Entretanto, os pontos são dados amanhã (domingo), então eu continuo otimista. Normalmente, a corrida aqui é ótima porque você pode seguir os carros e ultrapassar, portanto há potencial para um dia interessante”.

Já Hulkenberg conseguiu um lugar no Q3 de Austin. Na volta decisiva, o alemão anotou 1m34s215, anotando um bom sétimo lugar. A pole position do GP dos Estados Unidos ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Para obter a 81ª pole, o britânico fez 1m32s237 – 1s978 mais veloz do que Nico e 2s329 mais rápido do que Carlos. Ao fim do treino, Hulk se mostrou satisfeito com a sétima posição. “Estou satisfeito com a classificação sem problemas, porque extraímos o potencial do carro. Para ser honesto, não foi nada fácil em termos de equilíbrio, já que estava ventando bastante e você realmente sente isso no carro. O equilíbrio muda drasticamente de uma curva para outra, o que torna as coisas traiçoeiras – e a sensação não muito agradável. Eu forcei ao máximo e acho que fomos bem sucedidos hoje (sábado)”, avaliou o germânico.

Largada do GP dos EUA de 2018: Hulk subiu para sexto, e Sainz ganhou quatro posições

Largada do GP dos EUA de 2018: Hulkenberg ganhou duas posições; já Sainz subiu cinco

A corrida

Domingo, 21 de outubro de 2018. O sol predominou sobre o Circuito das América, em Austin, no Texas, palco de mais um GP dos Estados Unidos. Na seletiva pista, Lewis Hamilton (Mercedes) tinha pela primeira vez a chance de sacramentar a conquista do pentacampeonato mundial. Porém, a sorte não sorriria para o britânico em solo norte-americano. Alheios à disputa do título, a dupla da Renault, Nico Hulkenberg e Carlos Sainz, queria fugir das confusões a fim de pontuar na etapa. Saindo em sétimo, Hulk calçava pneus ultramacios, e Carlos, 11º no grid, contava com compostos supermacios (mais duráveis que os de seu companheiro). Chegar na primeira curva em boas condições era a meta dos dois pilotos. E eles conseguiram: o alemão ultrapassou Esteban Ocon (Force India), tomando o sexto lugar, enquanto o espanhol tracionou bem e superou Romain Grosjean (Haas), Sergio Pérez (Force India) e Charles Leclerc (Sauber) antes de atingir a curva 1.

Ainda na volta 1, na sequência das curvas de alta, Sainz ignorou Ocon, pulando para sétimo. Não satisfeito, Carlos passou a pressionar Nico por um lugar no top 6. Porém, à frente dos pilotos da Renault, Sebastian Vettel (Ferrari), na ânsia de tomar o quarto lugar de Daniel Ricciardo (Red Bull), acabou tocando no carro do australiano. O ferrarista rodou e caiu para a 15ª posição. Com isso, Hulkenberg fechou a primeira volta em quinto, e Sainz, em sexto. Ainda que estivessem com estratégias diferentes de pneus, o ritmo dos dois pilotos da escuderia francesa era semelhante. Aos poucos, porém, o germânico passou a colocar vantagem sobre o madrileno.  Na volta 5, Nico tinha 1s3 sobre Carlos. Em contrapartida, o alemão ficava a 5s de Ricciardo, o quarto.

Sainz tentou acompanhar Hulkenberg, mas uma punição impediu o duelo direto

Sainz tentou acompanhar Hulkenberg, mas uma punição impediu o duelo direto

Enquanto isso, Max Verstappen (Red Bull) fazia uma espetacular prova de recuperação depois de largar em 18º. Na volta 6, o holandês superou Sainz, assumindo a sexta posição. Três voltas depois, foi a vez de Verstappen ultrapassar Hulkenberg. Assim, Max era o quinto, Nico, o sexto, e Carlos, o sétimo. Porém, essa classificação duraria somente por uma volta. Na 10, Ricciardo, com problemas de bateria em seu Red Bull, viu seu carro entrar em pane. Daniel foi obrigado a abandonar. Dessa maneira, Hulk recuperava a quinta posição. Por outro lado, Sainz ficaria na sétima, uma vez que Vettel o ultrapassava naquela passagem. Com dificuldades para retirar o Red Bull de Ricciardo, a direção de prova acionou a entrada do VSC – virtual safety car. A corrida só seria retomada na volta 13. Naquele instante, Vettel partiu para cima de Hulk, tomando-lhe a quinta posição.

Estabilizados na sexta e sétima posições, Hulkenberg e Sainz passavam a se preocupar com quem vinha de trás – já que era impossível perseguir os pilotos das três principais escuderias de 2018 (Ferrari, Mercedes e Red Bull). Na volta 15, Nico tinha 2s de vantagem sobre Carlos, que, por sua vez, colocava 5s6 sobre Ocon. Todavia, a vantagem do espanhol da Renault sobre o francês da Force India seria praticamente anulada por decisão da direção de prova: a FIA considerou que Sainz utilizou a parte asfáltica fora do traçado ideal para ultrapassar Ocon no início do GP dos Estados Unidos. Com isso, puniu Carlos com 5s de tempo acrescido ao seu tempo de corrida. A punição foi divulgada na volta 20. Como ainda não havia feito seu pit stop, o madrileno pararia por 5s, cumpriria a punição e realizaria a troca de pneus.

Na única parada de box, Hulk sacou os pneus ultramacios e colocou compostos macios: top 6 consolidado

Na única parada de box, Hulk sacou os pneus ultramacios e colocou macios: top 6 consolidado

Enquanto Sainz lamentava a decisão, Hulkenberg acelerava a fim de se consolidar no top 6. Entretanto, os pneus ultramacios do carro do alemão davam sinais de desgaste. Por isso, a Renault chamou o germânico para os boxes na volta 23. Na troca, colocaram compostos macios – os mais resistentes do fim de semana de Austin. Assim, Nico não pararia mais nos boxes. No retorno à pista, Hulk estava em nono. Já Carlos assumia provisoriamente o sexto lugar. Lá, ficaria por somente uma volta: na volta 24, o espanhol foi para o pit stop. Além de pagar a punição de 5s, Sainz trocou os pneus supermacios por novos compostos macios. Dessa forma, assim como Hulkenberg, também não pararia mais no pit. Ao retornar à pista, se viu em 11º. Todavia, estava à frente de Ocon, que havia parado antes nos boxes. Já Nico ascendeu à oitava posição graças à parada do companheiro de equipe.

Com o pit stop de Pérez na volta 25, Hulk subiu para sétimo. Sainz também superou o mexicano, além de ultrapassar Marcus Ericsson (Sauber) na pista para assumir a nona colocação. Na volta 27, o espanhol da Renault passou Brendon Hartley (Toro Rosso) e subiu para oitavo. A dupla da Renault recuperou a posição pré-pit stop na volta 30. Após a parada de Kevin Magnussen (Haas), Nico reassumiu a sexta posição, e Carlos, a sétima. Com as posições consolidadas, a dupla da Renault não tinha muito mais a fazer a não ser gerenciar o trem de corrida e administrar os pneus. E assim fizeram. No fim, Hulkenberg conquistou o sexto lugar, e Sainz, o sétimo.

No fim, Hulkenberg e Sainz ficaram no top 7 de Austin: era o máximo que poderiam fazer

No fim, Hulkenberg e Sainz ficaram no top 7 de Austin: era o máximo que poderiam fazer

A vitória em Austin ficou com Kimi Raikkonen (Ferrari). Foi a primeira do finlandês em 113 GPs – seu último triunfo havia sido no GP da Austrália de 2013, em Melbourne, com Lotus. Foi a 21ª conquista de Raikkonen na F1, o que lhe garantiu o posto de maior vencedor da Finlândia na categoria – antes, estava empatado com Mika Hakkinen, com 20 vitórias. Max Verstappen fez uma tremenda prova de recuperação e alcançou um espetacular segundo lugar, e Hamilton completou o pódio. Com o resultado, Lewis não assegurou o quinto título – Vettel terminou em quarto, impedindo matematicamente a conquista. Porém, o britânico ficou a seis pontos de colocar o Mundial em sua galeria.

Nos boxes da Renault, havia a sensação de dever cumprido com o resultado do GP dos Estados Unidos. Que o diga Hulkenberg. “Foi o melhor resultado da equipe desde que estou na Renault (o alemão ingressou no time em 2017), então estou feliz com isso, foi um ótimo trabalho de todos os envolvidos. Nós demonstramos na pista que o ritmo de corrida do nosso carro é bastante decente e ainda somos muito competitivos. Também ilustrou como é importante ter uma posição de classificação forte e uma primeira volta limpa. No fim, marcamos um ótimo número de pontos. É uma grande satisfação, mas temos três provas pela frente e precisamos manter o bom trabalho”, avaliou.

Hulkenberg celebrou o top 6 de Austin: resultado colocou alemão em sétimo no Mundial

Hulkenberg celebrou o top 6 de Austin: resultado colocou alemão em sétimo no Mundial

Já Sainz também ficou satisfeito com o sétimo lugar, mas reclamou da punição dada pela direção de prova. “Em geral, estou feliz com a maneira como terminamos o fim de semana. Foi um resultado muito bom para a equipe. Chegar em sexto e sétimo aqui nos dá um bom número de pontos. Foi um fantástico esforço em equipe. Quanto a mim, fiz uma ótima largada e já havia ultrapassado três carros na primeira curva. Saí do traçado atrás da Ferrari, mas retornei à pista com segurança, deixando Esteban (Ocon) passar. Depois o ultrapassei de modo limpo por fora na curva 6, portanto ainda não consigo entender a punição. Após aquilo, tudo girou ao redor do gerenciamento de pneus e economia de combustível. Estou feliz com a sétima posição e por ver os grandes esforços de toda a equipe recompensados hoje (domingo)”, finalizou.

Sainz, à frente de Vettel em Austin: a lamentar a punição dada após a largada

Sainz, à frente de Vettel: a lamentar a punição dada após a largada, que lhe custou 5s nos boxes

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Japão-2018: Pérez derrota Grosjean e arranca top 7 em Suzuka

Pérez teve dificuldades em Suzuka, mas arrancou 6 pontos que lhe renderam o 7º lugar do Mundial

Pérez teve dificuldades em Suzuka, mas arrancou 6 pontos que lhe renderam o 7º lugar do Mundial

Sergio Pérez começou o fim de semana do GP do Japão de 2018, em Suzuka, sendo constantemente superado por Esteban Ocon, seu companheiro na Force India. Parecia que o mexicano não encontrava a sintonia ideal entre o seu conjunto e o circuito nipônico. Quando tudo levava a crer que o latino teria mais uma corrida difícil, Checo foi lá e fez acontecer: com regularidade e competência, Pérez arrancou um ótimo sétimo lugar na etapa japonesa. O asteca se aproveitou para ultrapassar Romain Grosjean (Haas) no fim e conquistar seis importantes pontos, que o fizeram saltar da 10ª para a sétima colocação no Mundial de Pilotos, com 53 pontos – ao lado de Kevin Magnussen (Haas) e Nico Hulkenberg (Renault). Além de ficar à frente do dinamarquês e do alemão nos critérios de desempate, Sergio superou Fernando Alonso (McLaren, 50 pontos) e deixou o próprio Ocon (49) para trás na disputa pelo top 7 da temporada.

O resultado obtido por Checo em Suzuka também ajudou a consolidar a escuderia de Lawrence Stroll na sétima posição do Mundial de Construtores, com 43 pontos – a equipe perdeu os 59 pontos conquistados até o GP da Hungria, em razão de sua venda durante o ano vigente. Dessa forma, a Force India se aproximou da McLaren – ficou a 15 pontos do time de Woking (58 a 43). A arrancada de Sergio só se deu no próprio GP do Japão. Durante os treinos de sexta e de sábado, o mexicano enfrentou dificuldades e não demonstrou o mesmo ritmo de Ocon. Na sexta-feira, primeiro dia de treinos em solo japonês, Pérez foi o 11º mais veloz, com 1m30s510. O mexicano ficou a 0s475 de Esteban, sétimo colocado, com 1m30s035, e a 2s293 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor do dia com 1m28s217.

As coisas não iam bem para Pérez em Suzuka: mexicano andou atrás de Ocon durante o fim de semana em Suzuka

As coisas não iam bem para Pérez: latino andou atrás de Ocon durante o fim de semana em Suzuka

Sobre a sexta-feira, Checo foi enfático. “O dia foi bastante normal em termos do trabalho que fizemos, mas há mais a ser feito para me certificar de que me sinto confortável com o carro. Tentamos muitas coisas com o acerto e vimos que o Esteban era bastante competitivo, por isso já existe uma boa base para amanhã (sábado). A classificação será crucial. Colocar a volta perfeita não é fácil e eu realmente quero que a gente esteja lá como o melhor dos demais no quali. O clima é incerto, mas vamos ver como acontece”, afirmou Pérez, um fã confesso do circuito nipônico. “É uma sensação incrível estar pilotando em Suzuka nesses carros. É uma das melhores pistas e todas as voltas, mesmo nos treinos, são realmente agradáveis”, observou o latino.

No sábado, a Force India voltou a mostrar potencial. Além de Ocon seguir em boa forma, Pérez também conseguiu encontrar um bom acerto em Suzuka. Resultado: tanto o francês quanto o mexicano avançaram para o Q3, fase decisiva do qualifying. Entretanto, Checo não encaixou a primeira volta e foi vítima da chuva que caiu na sequência, o que o impediu de melhorar sua marca na sessão final. No fim, ficou com o alto tempo de 1m37s229, o que lhe rendeu apenas a 10ª posição no grid. Sergio ficou a 7s103 de Ocon, oitavo com 1m30s126, e a 9s469 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP do Japão com 1m27s760 – pela 80ª vez, o britânico alcançou a posição de honra de um Grande Prêmio, recorde absoluto na Fórmula 1.

No sábado, Pérez avançou para o Q3, mas errou na primeira volta e teve que se consolar com o 10º lugar da sessão

No sábado, Pérez avançou para o Q3, mas errou e teve que se consolar com o 10º lugar da sessão

O latino da Force India lamentou o resultado do Q3. “Não estou muito feliz (com o 10º lugar) porque acho que eu deveria ter ficado à frente de vários outros carros. Foi uma sessão difícil desde o começo do Q1. Eu estava completando minha volta quando surgiu a bandeira vermelha pelo acidente de (Marcus) Ericsson (o sueco destruiu seu Sauber na sessão): eu estava a apenas alguns metros da linha de chegada, mas perdi a volta e tive de tentar novamente. No Q3, escorreguei e perdi bastante tempo na minha primeira volta quando a pista estava nas melhores condições, então definitivamente a sensação é de que eu poderia ter feito muito mais hoje (sábado). Precisamos recuperar algum terreno amanhã (domingo). Largamos entre os 10 primeiros e temos um ótimo ritmo, portanto podemos marcar um bom número de pontos”, avaliou.

Largada do GP do Japão: saindo em nono, Pérez superou Hartley e subiu para oitavo

Largada do GP do Japão: saindo em nono, Pérez superou Hartley e subiu para oitavo

A corrida

Durante a semana que precedeu o GP do Japão, a meteorologia chegou a prever que um tufão influenciaria o clima para a corrida em Suzuka. Entretanto, a rota do fenômeno natural foi alterada, e o sol predominou no desafiador circuito nipônico em 7 de outubro de 2018. Sergio Pérez (Force India) alinhou em nono no grid, uma vez que Esteban Ocon (Force India) foi punido com a perda de três posições na grelha de partida por ignorar bandeiras amarelas durante o qualifying de sábado. Assim, o francês caiu para a 11ª colocação no grid. Bom para o mexicano, que herdou uma posição e sairia do lado emborrachado do traçado. Calçando pneus supermacios, Checo e a Force India trabalhavam com a estratégia de apenas uma parada nos boxes. Assim, uma forte largada poderia significar a consolidação de bons pontos para o latino.

Quando as luzes vermelhas se apagaram, Pérez ganhou a posição de Brendon Hartley (Toro Rosso), que havia largado em sexto, mas tracionou mal e caiu para 10º. Assim, o piloto da Force India completou a volta 1 em oitavo. Na volta 2, Kevin Magnussen (Haas) fechou o caminho de Charles Leclerc (Sauber) na disputa pelo 12º lugar. O monegasco acertou o pneu traseiro esquerdo do dinamarquês, que acabou furando. O toque fez com que detritos se espalhassem pela pista. Diante do problema, a direção de prova acionou a entrada do safety car em Suzuka na volta 4.  Com isso, Sergio ficou com Pierre Gasly (Toro Rosso) em sua alça de mira. O objetivo do asteca era um só: dar o bote no francês na relargada. Quando ela veio, na volta 8, entretanto, Gasly conseguiu sustentar sua posição.

Sergio Pérez arrancou um excelente 7º lugar no GP do Japão, em Suzuka: mexicano assumiu 7º lugar no Mundial

Checo, à frente de Ocon, Ricciardo e Gasly: mexicano seria superado pelo australiano na volta 11

Porém, Pérez ascenderia ao sétimo lugar ainda naquela volta: na ânsia de alcançar o terceiro posto, Sebastian Vettel (Ferrari) tocou em Max Verstappen (Red Bull) na Curva Spoon. O alemão levou a pior: rodou e caiu para o fim do pelotão. Assim, Checo ingressou no top 7. Mas ali permaneceria por pouco tempo. Na volta 11, o mexicano seria ultrapassado por Daniel Ricciardo (Red Bull), que fazia prova de recuperação após largar em 15º. Assim, o piloto da Force India caía para oitavo. Na volta 15, Sergio estava a 1s7 de Gasly, e tinha 1s1 de vantagem sobre Ocon. A partir dali, as equipes começavam a chamar seus pilotos para a troca de pneus. O primeiro entre os ponteiros foi Kimi Raikkonen (Ferrari), que ingressou nos boxes na volta 18. Com isso, Pérez recuperou a sétima posição. Com pneus novos, o finlandês logo alcançou o latino. Na volta 21, Raikkonen ultrapassou Pérez, que voltou a cair para oitavo.

Na volta 24, Sergio realizou seu pit stop. Na troca, substituiu os pneus supermacios por compostos macios (os mais resistentes do fim de semana). Dessa forma, não precisaria mais retornar para os boxes. Ao voltar para a pista, se viu num longínquo 17º lugar. Porém, todos os adversários também iriam para o pit. Na volta 26, Pérez ultrapassou Sergey Sirotkin (Williams). Na mesma passagem, Fernando Alonso (McLaren), Ocon e Vettel entraram nos boxes. Assim, o mexicano subiu para 13º. Na volta 27, Checo superou Marcus Ericsson (Sauber) e Nico Hulkenberg (Renault), ascendendo para a 11ª colocação. Com o pit stop de Hartley, na volta 28, Sergio voltou para o top 10 em Suzuka.

Checo

Checo superou Grosjean após o ingresso do regime do VSC: atitude foi coroada com sétimo lugar

A partir de então, passou a perseguir Leclerc, o nono. Na volta 30, o piloto da Force India ultrapassou o monegasco da Sauber ao utilizar o DRS na reta dos boxes. Naquele momento, Gasly e Romain Grosjean (Haas) estavam nos boxes. Pérez deixou o francês da Toro Rosso para trás, e, por muito pouco, não superou também o gaulês da Haas. Assim, teve que se conformar com a oitava posição. Na volta 33, Checo foi novamente ultrapassado por Vettel, caindo para nono. Todavia, na passagem seguinte, com o pit stop de Carlos Sainz Jr. (Renault), o mexicano retomaria a oitava colocação. Na 35, Vettel superou Grosjean. Com isso, o francês da Haas voltou a ser o alvo de Sergio em Suzuka. A diferença entre os dois girava na casa de 1s. Entretanto, Romain não permitia qualquer iniciativa de Checo.

Na volta 40, um problema na suspensão fez Leclerc abandonar a corrida. Porém, o monegasco deixou seu Sauber em uma posição não muito segura. Isso fez com que a direção de prova acionasse o VSC – virtual safety car. Por duas voltas, a etapa ficou sob bandeira amarela. E foi aí que Pérez colocou em mente que precisava aproveitar o momento para ultrapassar Grosjean. Quando a bandeira verde liberou o prosseguimento da etapa, Checo armou o bote. Bem na curva 1, o latino da Force India ultrapassou o francês da Haas, assumindo a sétima posição. A partir daí, Pérez abriu sobre Grosjean, consolidando o top 7 em Suzuka. Em contrapartida, não tinha muito a fazer para alcançar Vettel. Assim, tratou de administrar sua vantagem para assegurar seis importantes pontos na corrida nipônica.

Pérez afirmou ter se divertido na corrida:

Pérez afirmou ter se divertido na corrida: “nosso ritmo foi forte e a equipe teve ótima estratégia”

A vitória no GP do Japão ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 71º triunfo do britânico na F1, líder inconteste do Mundial com 67 pontos de vantagem sobre Vettel, que terminou num tímido sexto lugar – 331 pontos de Lewis, contra 264 de Seb. Assim, Hamilton poderia sacramentar matematicamente a conquista do pentacampeonato já na próxima etapa – o GP dos Estados Unidos, em Austin. Título mundial à parte, Valtteri Bottas (Mercedes) terminou em segundo, seguido por Max Verstappen (Red Bull). Nos boxes da Force India, a sétima posição de Pérez foi recebida com festa. Também pudera: o latino só ficou atrás das três principais potências de 2018 – Mercedes, Red Bull e Ferrari.

“Obtivemos um bom resultado hoje (domingo): o melhor que eu poderia realisticamente esperar. Após a classificação ruim de ontem (sábado), nós ganhamos muitas posições e sinto que realmente conseguimos o máximo na corrida. Nosso ritmo foi forte e a equipe teve uma ótima estratégia. Nós sabíamos que precisávamos ser agressivos para bater a Haas e quase conseguimos superar Grosjean no pit stop, mas eu perdi um pouco de tempo batalhando com Leclerc. Na relargada do VSC, me aproximei bastante de Grosjean, e quando vi uma oportunidade, aproveitei. Estou muito empolgado com nosso desempenho hoje (domingo). Tivemos de forçar ao máximo e fizemos algumas boas ultrapassagens: foi uma prova fantástica”, celebrou Pérez.

Com 53 pontos, Pérez está empatado com Hulkenberg e Magnussen: disputa à vista

Com 53 pontos, Pérez está empatado com Hulk e Magnussen: disputa à vista pelo top 7 do Mundial

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