Lançamento online – Livro “Contos Velozes”

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É com muita satisfação que o Contos da Fórmula 1 anuncia o início da venda online do livro “Contos Velozes”. Produzido por meio de uma parceria entre o jornalista Douglas Willians (autor deste blog) e o designer Bruno Mantovani, dos célebres Pilotoons, o livro “Contos Velozes” traz histórias emblemáticas da Fórmula 1. Com formato leve e linguagem direta, tem enfoque no público infanto-juvenil – mas é leitura para todas as idades.

A publicação acaba de sair do forno. Com 60 páginas, a obra reúne 13 das histórias relatadas neste blog. Organizada em ordem cronológica, o livro busca abraçar a Fórmula 1 desde o seu início, na década de 1950 (com Chico Landi), até os dias atuais (com Max Verstappen). Inicialmente, a comercialização será realizada em link do site Mercado Livre: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-830398748-lancamento-livro-contos-velozes-_JM

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Brasil-2017: Massa se despede de Interlagos com 7º lugar

Com Felipinho, Felipe Massa (Williams) teve um pódio especial para celebrar o 7º lugar em Interlagos: adeus com estilo

Com Felipinho, Felipe Massa (Williams) celebrou no pódio o 7º lugar em Interlagos: adeus com estilo

Felipe Massa viveu de tudo em seus 15 anos de Fórmula 1. Demonstrou potencial em suas três temporadas na Sauber. Depois, alcançou o auge na Ferrari, onde venceu 11 corridas e quase sagrou-se campeão (em 2008). Ainda na Rossa, teve o seu pior momento – o acidente nos treinos para o GP da Hungria de 2009, em Hungaroring. A molada em seu capacete quase lhe custou a vida, mas ele seguiu em frente. Entretanto, sua carreira nunca mais seria a mesma. Entre 2010 e 2013, dividiu a Scuderia com Fernando Alonso, sendo constantemente superado pelo espanhol. Após oito temporadas no time de Maranello, desembarcou na Williams, onde teve bons e maus momentos. No fim de 2016, chegou a anunciar sua aposentadoria, que foi revista após a retirada de Nico Rosberg e a ida de Valtteri Bottas para a Mercedes. O inusitado retorno foi algo único na categoria máxima do automobilismo. Mas, ao fim de 2017, Felipe se viu novamente sem alternativa na F1. A única saída possível era pendurar novamente o capacete ao fim desta temporada.

Em 2016, Massa teve uma despedida apoteótica, digna pelo conjunto de sua obra nas pistas. Em Interlagos, palco do GP do Brasil daquele ano, Felipe foi saudado por todo o paddock. Envolto às lágrimas e com a bandeira brasileira nas costas, o veterano caminhava defronte às arquibancadas após sofrer um acidente sob chuva. Talvez não fosse a melhor forma de dar adeus aos seus torcedores. Mas a vida prega boas novas. De repente, ele se via novamente no cockpit da Williams. E, mais uma vez, se viu obrigado a anunciar uma ‘segunda aposentadoria’ – explica-se: a escuderia de Grove manterá Lance Stroll para 2018, e busca um piloto com bom aporte financeiro para a próxima temporada. O time de Frank Williams não demonstrou interesse na permanência do brasileiro.

Após se despedir do público brasileiro em 2016, Massa recebeu nova chance em 2017: desta vez, sem acidente

Após se despedir de Interlagos em 2016, Massa recebeu nova chance em 2017: desta vez, sem acidente

Assim, antes de qualquer movimento da equipe, Massa se antecipou e anunciou sua retirada da F1 às vésperas do GP do Brasil de 2017, em Interlagos. Novamente, Felipe estava diante de uma despedida do circuito que testemunhou duas vitórias dele (em 2006 e 2008). O fim seria o mesmo: sob lágrimas e saudações dos torcedores. Contudo, desta vez, o brasileiro queria mais do que ver a bandeirada. De preferência, realizar uma apresentação digna de sua história. A Fórmula 1 permitiu uma segunda despedida a Massa. E, felizmente, a realidade presenteou o piloto da Williams no último domingo. Ao cruzar a linha de chegada, Felipe vibrou como nos velhos tempos de Ferrari. Sem dúvida, a segunda despedida foi em melhor estilo do que a primeira – levando um ótimo sétimo lugar e sendo combativo o tempo todo. De quebra, derrotou seu velho algoz na Scuderia, Fernando Alonso (McLaren). Foi um fim de semana mais do que perfeito para o brasileiro.

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP do Brasil, Massa estava determinado a fazer um bom papel em casa. Em Interlagos, Felipe acelerou seu FW40 como raramente se viu em 2017. Abaixo do nível de Mercedes, Ferrari e Red Bull, a Williams traçou uma meta para a etapa brasileira: bater os carros da Force India e da McLaren. E isso pôde ser visto no primeiro treino livre – sessão na qual foram anotados os melhores tempos de sexta (devido à alta temperatura registrada na tarde, as marcas foram mais lentas no segundo treino livre). Massa anotou um excelente sétimo tempo, em 1m10s102. O brasileiro só foi superado pelo trinca das principais equipes de 2017, ficando a 0s900 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais rápido do dia com 1m09s202.

Felipe estava determinado a fazer o seu melhor em Interlagos: no quali, frustração com Sainz

Felipe estava determinado a fazer o seu melhor em Interlagos: no quali, frustração com Sainz

Para ter uma ideia do quão veloz foi Massa na sexta, seu tempo foi 0s530 mais veloz do que o anotado pelo seu companheiro de equipe, Lance Stroll. O canadense fez 1m10s632, conquistando o 11º lugar. Nesse caso, a experiência fez a diferença – Felipe conhece bem Interlagos, enquanto Lance tinha seus primeiros contatos com o circuito. No fim do dia, o brasileiro mostrou-se satisfeito com o desempenho. “Foi uma boa sexta-feira. Conseguimos fazer alguns bons tempos de volta, e acho que o nosso ritmo no stint longo é semelhante a muitos dos carros em que estamos lutando. Será uma luta difícil na nossa frente, mas tentaremos tudo o que pudermos”, afirmou.

Massa seguiu confiante no sábado, dia do treino oficial que definia o grid para o GP do Brasil. O brasileiro levantava as arquibancadas de Interlagos cada vez que baixava seu tempo. Com o acidente de Lewis Hamilton (Mercedes), no Q1, e com a punição prevista a Daniel Ricciardo (Red Bull) – o australiano trocou peças de sua unidade de potência e perderia 10 posições no grid -, Felipe viu boas possibilidades de conquistar a melhor colocação de largada na temporada (o máximo que conseguiu em 2017 foi o sexto lugar no grid dos GPs da China, em Xangai, e da Rússia, em Sochi). O quinto lugar era algo palpável, sobretudo após anotar um excelente tempo no Q2 (que lhe renderia o top 5 na largada). Entretanto, em sua volta lançada no Q3, Massa foi atrapalhado por Carlos Sainz Jr. (Renault). Felipe perdeu tempo e a concentração, ficando em 10º, com 1m09s841.

Após realizar excelentes Q1 e Q2, Massa foi apenas o 10º no Q3: com punição a Ricciardo, largaria em nono

Massa foi apenas o 10º no Q3 de Interlagos: com punição a Ricciardo, largaria em nono

A marca do brasileiro ficou 1s519 acima da obtida por Valtteri Bottas (Mercedes), pole do GP do Brasil com 1m08s322 – recorde histórico da pista paulistana. Mesmo com o tempo aquém do esperado, Massa foi 0s935 mais veloz do que Stroll – seu companheiro de Williams anotou 1m10s776, ficando em 18º. “Fiquei muito feliz na classificação até o Q3, quando perdi uma volta, porque um piloto (Sainz) me prejudicou você de propósito. Isso é realmente decepcionante. Eu acho que se você comete um erro é algo, mas isso não foi um erro, foi de propósito. Estou muito desapontado e falei com ele”, disparou Felipe que emendou. “Estava chovendo um pouco na última volta e não consegui uma volta perfeita. Infelizmente, não estou largando na posição que eu deveria estar”. Por outro lado, Sainz se defendeu. “É uma acusação muito forte dizer que fiz algo de propósito. Hoje (sábado), na classificação, nunca assumi o risco de bloquear alguém”.

Largada do GP do Brasil de 2017: após saltar bem, Massa entrou no S do Senna em sétimo

Largada do GP do Brasil de 2017: após saltar bem, Massa entrou no S do Senna em sétimo

A corrida

Autódromo Internacional José Carlos Pace, Interlagos, São Paulo, 12 de novembro de 2017. Quase um ano depois de emocionar o País com sua despedida, Felipe Massa voltava ao grid da pista que fez dele o primeiro brasileiro a vencer o GP do Brasil desde Ayrton Senna (em 1993). O piloto da Williams alinhou seu FW40 na nona colocação – ele ganhou uma posição após a punição dada a Daniel Ricciardo (Red Bull). Sob um forte calor e calçando pneus supermacios, o veterano partiu preparado para fazer seu melhor. Afinal, a última impressão é a que fica. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Massa parecia o garoto arrojado que encantou a Ferrari, e não aquele experiente piloto que se arrastava para um fim melancólico de carreira.

Logo nos primeiros metros da corrida, Felipe superou Carlos Sainz Jr. (Renault) e Nico Hulkenberg (Renault), contornando o S do Senna em sétimo, lado a lado com Sergio Pérez (Force India). Após tracionar melhor que o mexicano na Curva do Sol, o brasileiro assumiu o sexto lugar na Reta Oposta. Atrás de Massa, ocorreram duas confusões. Na Curva do Sol, Ricciardo levou um toque de Stoffel Vandoorne (McLaren), que, por sua vez, acabou sendo abalroado por Kevin Magnussen (Haas). O australiano seguiu na corrida, mas o belga e o dinamarquês abandonaram a prova. Já no Laranjinha, Romain Grosjean (Haas) entrou numa disputa suicida contra Esteban Ocon (Force India). Grosjean rodou e atingiu Ocon. Romain seguiu na etapa, enquanto Esteban conheceu seu primeiro abandono na Fórmula 1 após 28 GPs na carreira. Diante desses incidentes, o safety car ingressou na pista.

Felipe se aproveitou da entrada do safety car para superar Alonso na relargada: incrível quinto lugar

Felipe se aproveitou da entrada do safety car para superar Alonso na relargada: incrível quinto lugar

A presença do carro de segurança foi excelente para Massa. Na sexta posição, o brasileiro tinha Fernando Alonso (McLaren) à sua frente. Com sua Williams impulsionada com motor Mercedes, Felipe teria boa possibilidade de superar Alonso na relargada. Também pudera: o espanhol carregava o pouco potente motor Honda. Quando o safety car deixou a pista, na volta 6, Massa se aproveitou da potência de seu propulsor para superar Alonso na freada do S do Senna, para delírio do público presente em Interlagos. Felipe era quinto, estando atrás somente de Sebastian Vettel (Ferrari), o líder; Valtteri Bottas (Mercedes), o segundo; Kimi Raikkonen (Ferrari), o terceiro; e Max Verstappen (Red Bull), o quarto.

A partir daí, Massa não tinha muito a fazer, a não ser administrar o ímpeto de Alonso. A McLaren do espanhol tinha mais equilíbrio no trecho sinuoso do circuito. Contudo, na hora de executar a ultrapassagem, a Williams do brasileiro abria nos trechos de reta. Era uma verdadeira “disputa de gato e rato”. Por mais que Felipe tentasse colocar vantagem, Fernando se mostrava empenhado a não deixar o adversário abrir. Na volta 13, Massa estava a 5s de Verstappen. Por outro lado, colocava 1s sobre Alonso. Atrás do asturiano, Lewis Hamilton (Mercedes) ultrapassava Pérez e assumia a sétima colocação. O britânico, que largou dos boxes, ignorava a todo e qualquer adversário. Logo, Hamilton colou em Alonso. Na volta 20, o recém-coroado tetracampeão ultrapassou o bicampeão em plena Reta dos Boxes. Na 21, Felipe bem que tentou resistir, mas foi batido por Lewis antes da freada da Descida do Lago.

Massa bem que tentou barrar a recuperação de Hamilton, mas o tetracampeão ultrapassou o brasileiro no Lago

Massa tentou barrar a recuperação de Hamilton, mas o tetracampeão ultrapassou o brasileiro no Lago

Massa deixava o top 5, caindo para sexto, e voltava a ser incomodado por Alonso, o sétimo, e por Pérez, o oitavo. Na volta 26, Ricciardo encostou no pelotão liderado pelo brasileiro. Naquele momento, a vida útil dos pneus supermacios de Felipe estava no final. Era necessário fazer o pit stop. Na volta 27, a Williams chamou Massa para os boxes. Na troca, os mecânicos do time de Grove sacaram os compostos supermacios e colocaram a borracha macia (a mais durável do fim de semana). Assim, o brasileiro realizaria um único pit. No retorno à pista, ocupava o 11º lugar. Na passagem seguinte, Alonso fez sua parada. Na volta, quase o espanhol superou o brasileiro. Todavia, Fernando seguia atrás do FW40, e Felipe recuperava seu lugar no top 10.

Com o pit stop de Hulkenberg, na volta 30, Massa ascendeu para o nono lugar. Na 31, foi a vez de Sainz, o outro piloto da Renault, realizar sua parada. Assim, Felipe era o oitavo, sempre seguido por Alonso, o nono. Na volta 36, Pérez foi aos boxes, fazendo com que o brasileiro fosse alçado para o sétimo lugar, e o espanhol, para o oitavo. À frente de Massa, estava Ricciardo, que fazia prova de recuperação. O australiano ainda precisaria realizar sua única parada. Só havia um porém: como largou com pneus macios, Daniel faria sua troca e retornaria com compostos supermacios. Dessa forma, Ricciardo voaria nas últimas voltas, sendo praticamente impossível segurar o ataque do adversário.

Após ser superado por Ricciardo, Massa teve que lidar com o ímpeto de Alonso: duelo acirrado

Após ser superado por Ricciardo, Massa teve que lidar com o ímpeto de Alonso: duelo acirrado

Na volta 44, Ricciardo realizou seu pit. No retorno à pista, o piloto da Red Bull estava em oitavo, logo atrás de Massa, o sexto, e Alonso, o sétimo. Sem pestanejar, Daniel atacou Fernando, tomando-lhe a sétima posição na volta 45. Duas voltas depois, o australiano ultrapassou Felipe no S do Senna. Assim, Ricciardo era o sexto, Massa, o sétimo, e Alonso, o oitavo. Como não tinha como atacar Daniel, Felipe passou a se preocupar com seu ritmo, sem perder Fernando dos seus retrovisores. Gerenciar os pneus passou a ser o mantra do brasileiro da Williams, que queria o sétimo lugar a todo custo. Também pudera: ficar atrás de Mercedes, Red Bull e Ferrari nos dias atuais se tornou algo natural para o restante do grid. Assim, chegar na sétima posição passou a ser o foco de desejo dos demais do grid. Quem ali termina pode se considerar o “vencedor moral” de uma corrida.

Massa ansiava pelo top 7, mas não era o único. Alonso e Pérez estavam ávidos pela posição de Felipe. Na volta 60, o brasileiro mantinha 1s de vantagem sobre o espanhol e 3s2 sobre o mexicano. O piloto da Williams determinava o ritmo do adversário da McLaren, permitindo, assim, a aproximação do rival da Force India. Na volta 65, Massa, Alonso e Pérez estavam separados por apenas 1s2. A pior situação era do bicampeão, que, com o motor Honda, era incapaz de superar Felipe e poderia ser presa fácil de Checo. Estava difícil para Massa segurar o sétimo lugar. Seus pneus macios estavam em frangalhos. Porém, era sua última chance de brilhar na frente dos seus fãs. Como há muito não se via, o brasileiro foi combativo, resistindo às investidas finais de Alonso e Pérez. Pronto: o sétimo lugar, com direito a melhor desempenho no ano, era de Felipe.

Felipe segurou Alonso e Pérez, assegurando um excelente sétimo lugar na despedida: emoção após a bandeirada

Felipe segurou Alonso e Pérez, assegurando um ótimo 7º lugar em casa: emoção após a bandeirada

A vitória no GP do Brasil ficou com Vettel (a 47ª do alemão na F1). Bottas terminou em segundo, Raikkonen em terceiro e Hamilton em quarto (a 5s4 do vencedor). Ao receber a bandeirada, Massa não se conteve e extravasou. “Aê, porra! Vamo, porra!”, berrou, sem se importar com o palavrão. Cabia para o momento. Felipe vibrou bastante, satisfeito com a apresentação que acabara de proporcionar ao público. Depois, carregou uma bandeira verde pelo autódromo que o consagrou na F1. Antes de chegar aos boxes, ouviu uma mensagem especial do filho, Felipinho: “Pai, estou muito orgulhoso de você. Eu vou apoiá-lo onde quer que você vá. Por sinal, amei a sua largada!”, disse o garoto. “Te amo, filho. Te amo”, respondeu Massa, já às lágrimas.

Ao entrar no pit lane, viu Alonso, seu ex-companheiro de Ferrari e grande rival no GP do Brasil de 2017, aplaudindo-o. Era o reconhecimento de um dos melhores pilotos dos últimos tempos ao brasileiro. Ao deixar o carro, o piloto da Williams agradeceu ao público, abraçou mecânicos e engenheiros e distribuiu beijos ao ar. Após a cerimônia de pódio e da entrevista com Vettel, Bottas e Raikkonen, uma surpresa agradou em cheio à torcida que invadia o asfalto de Interlagos: Felipe foi chamado ao rol dos vencedores, acompanhado pelo filho e por Rubens Barrichello, brasileiro que correu na F1 entre 1993 e 2011 e que até hoje detém o recorde de mais GPs disputados na categoria – 326. Curiosamente, nunca os dois haviam estado num pódio da F1 juntos. “Obrigado por tudo o que passamos juntos, por todo o apoio”, disse Massa a Barrichello, que, diferentemente do compatriota – que teve duas despedidas -, não saboreou o adeus à F1.

Massa empunha bandeira verde após chegar em sétimo: palavrão e mensagem de Felipinho emocionaram a F1

Massa empunha bandeira verde após chegar em sétimo: mensagem de Felipinho emocionou a F1

À Rubens, Felipe revelou como foi alcançar o sétimo lugar no GP do Brasil de 2017. “Estou realmente emocionado por todos vocês (torcedores). Valeu como uma vitória para mim. Eu vou sentir muita falta. A emoção foi imensa, e esse é um dia que nunca vou esquecer na minha vida”, disse. “A energia que senti me impulsionou a fazer a melhor corrida que pude. Estou tão feliz pela minha corrida, fiz o melhor que o carro conseguiu. Muito obrigado todos vocês. Eu amo vocês. Muito obrigado”, completou Massa.

Já fora do pódio, o piloto da Williams analisou seu desempenho. “Foi um resultado tão surpreendente e uma sensação incrível de passar por tudo isso nessa altura da carreira. A corrida de hoje (domingo) foi perfeita, do começo ao fim. Uma largada incrível, ultrapassando alguns carros, depois uma maravilhosa relargada após o carro de segurança, passando Alonso. Eu sabia que seria muito importante passar por ele para minha corrida e resultado. Consegui mantê-lo atrás, mesmo sem pneus no final. Termino com a cabeça erguida, é o mais importante, neste lugar que é maravilhoso para mim. A única coisa que posso dizer é obrigado, vou sentir falta de todos vocês”, concluiu Felipe, que ainda tem uma prova a fazer nesta temporada – o GP de Abu Dhabi, em Yas Marina.

Massa e Rubens Barrichello no pódio de Interlagos: curiosamente, foi a primeira vez que estiveram juntos num pódio da F1

Massa é entrevistado por Rubens Barrichello: foi a primeira vez que estiveram juntos num pódio da F1

Contudo, após o fim deste campeonato, o Brasil não terá representantes na Fórmula 1. Pela primeira vez em 48 temporadas, a categoria não contará com um piloto brasileiro no grid. Que a última imagem de Massa em Interlagos – no pódio, sendo celebrado – seja combustível para que, num futuro próximo, o País volte a ter representantes na F1.

Massa e a bandeira brasileira no pódio: após 48 temporadas, nada de Brasil na F1: momento de reflexão do automobilismo brasileiro

Massa, a bandeira brasileira no pódio e a reflexão: após 48 anos, nada de Brasil na Fórmula 1

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México-2017: Stroll ganha um ótimo top 6 no dia do aniversário

Lance Stroll obteve no México o segundo top 6 da carreira - o primeiro foi no 3º lugar em Baku

Lance Stroll obteve no México o segundo top 6 da carreira – o primeiro foi no 3º lugar em Baku

Lance Stroll (Williams) teve um presente de aniversário pra lá de especial neste domingo, 29 de outubro de 2017. No dia em que completou 19 anos, o canadense conquistou o sexto lugar no GP do México, disputado no Autódromo Hermanos Rodríguez. Foi o segundo top 6 na carreira de Stroll – o primeiro veio com o terceiro lugar no GP do Azerbaijão de 2017, em Baku. Com o resultado obtido na prova mexicana, Lance superou seu companheiro de equipe, o brasileiro Felipe Massa, na classificação do Mundial de Pilotos – o novato subiu para o 10º lugar, com 40 pontos, contra 36 do veterano. Além disso, o resultado do canadense ajudou a Williams a se consolidar na quinta posição do Mundial de Construtores – a equipe de Grove anotou 76 pontos, contra 53 da Toro Rosso, sua perseguidora mais próxima.

Stroll só foi menos celebrado que do que Lewis Hamilton (Mercedes), que sacramentou em solo asteca a conquista do tetracampeonato mundial com duas provas de antecedência. Lewis chegou em nono – três posições atrás de Lance -, igualando o número de títulos de Sebastian Vettel e de Alain Prost. Quarto título à parte, o sexto lugar na Cidade do México foi um inesperado resultado para o canadense. Ele esperava pontuar, mas não em posição tão destacada. O abandono de Daniel Ricciardo (Red Bull) e os imprevistos que dificultaram a vida de Hamilton e Vettel colocaram Lance para o alto da classificação. O fato de nunca ter pisado no Autódromo Hermanos Rodríguez era motivo de preocupação para o novato. Entretanto, Stroll acelerou fundo no circuito mexicano, se adaptou ao traçado e foi um dos principais destaques do fim de semana do GP do México.

Foi a primeira vez que Stroll correu no México: rápida adaptação ao traçado do Hermanos Rodríguez

Foi a primeira vez que Stroll correu no México: rápida adaptação ao traçado do Hermanos Rodríguez

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para a etapa mexicana, o canadense da Williams fez diversas simulações, percorrendo mais do que o percurso de uma corrida. No fim, Lance anotou o 14º tempo, com 1m19s524. Stroll ficou a 0s318 de Massa, 12º com 1m19s206, e a 1s723 de Daniel Ricciardo (Red Bull), o mais veloz da sexta. O calouro ficou satisfeito com o desempenho nas duas sessões livres. “Foi um dia decente e eu gostei da pista. É a minha primeira vez aqui no México, então estou apenas aprendendo o traçado e me adaptando. É definitivamente desafiador devido à alta altitude. Isso deixa o carro muito nervoso, mas é o mesmo para todos. Eu tenho acelerado para tentar entender os limites do carro. Não é fácil conseguir fazer o pneu funcionar em uma volta. Não tenho expectativas para a classificação, mas vamos fazer o que precisamos para dar tudo certo”.

Apesar das dificuldades encaradas no primeiro contato com a pista, Lance queria avançar para o Q3. Porém, sabia que a Williams não tinha condições de chegar à fase final da qualificação no Hermanos Rodríguez. No sábado, tanto Stroll quanto Massa pararam no Q2. O canadense marcou 1m19s159, o que lhe valeu o 12º tempo. Todavia, Lance ficou 1s060 atrás de Felipe – o brasileiro anotou 1m18s099, sendo o 11º mais veloz. A pole position do GP do México ficou com Sebastian Vettel (Ferrari), com o tempo de 1m16s488 – 2s671 mais rápido do que o novato da Williams. Foi a 50ª vez que o alemão alcançou a posição de honra do grid, estando atrás somente de Lewis Hamilton (72 poles), Michael Schumacher (68) e Ayrton Senna (65).

No qualifying, Lance não foi além de um 12º lugar: com a punição a Ricciardo, alinharia em 11º no grid

No quali, Lance não foi além de um 12º lugar: com a punição a Ricciardo, alinharia em 11º no grid

Após a qualificação, Stroll demonstrou decepção com a sua marca. “Não foi um trabalho perfeito. O Q1 estava bem, e, no Q2, a primeira saída foi boa no início da volta, mas depois houve as bandeiras amarelas. Então, na próxima tentativa, eu simplesmente não consegui preparar os pneus e cometi muitos erros. Com isso, não consegui um tempo de volta. Coloquei uma volta no final, mas acho que teria sido muito difícil entrar no Q3. Será uma longa corrida amanhã (domingo), estamos no meio e acho que podemos marcar pontos. Nós apenas temos que resolver algumas coisas e fazer uma boa corrida. Será difícil para todos com a altitude”, afirmou o canadense, que, com a punição dada a Daniel Ricciardo (Red Bull) – o australiano trocou peças de seu motor -, alinharia na 11ª posição do grid.

Largada do GP do México de 2017: Stroll se livrou dos incidentes e ascendeu na classificação

Largada do GP do México: Stroll se livrou dos incidentes nas curvas iniciais e subiu na classificação

A corrida

Domingo, 29 de outubro de 2017. Dia do 19º aniversário de Lance Stroll. O canadense foi festejado nos boxes da Williams antes da prova. Porém, o garoto não podia perder o foco. A cereja do seu bolo festivo seria a conquista de uma boa posição no GP do México. Arquibancadas lotadas faziam pulsar o Autódromo Hermanos Rodríguez. Tudo estava preparado para a comemoração do tetracampeonato de Lewis Hamilton (Mercedes). Bastava um quinto lugar para o britânico arrematar o cetro da Fórmula 1. Porém, Hamilton não saía na primeira fila. Sebastian Vettel (Ferrari) estava na pole, e Max Verstappen (Red Bull) figurava na segunda posição. Quando as luzes vermelhas se apagaram, os três partiram decididos a contornar a primeira curva na frente. Era o prenúncio de que algo conturbado estava por vir…

Verstappen conseguiu se colocar à frente de Vettel, tomando a Curva 1 em primeiro. Max espalhou sobre Sebastian, que tocou no carro do holandês. Com a redução da velocidade do ferrarista, Hamilton se aproveitou para tomar o segundo lugar na Curva 2. O que o britânico e o alemão não esperavam era que Verstappen errasse na saída da Curva 3. Lewis precisou frear para não bater no piloto da Red Bull. Vettel, que vinha logo atrás, deixou a traseira sair e, ao tentar corrigir, acertou a asa dianteira de sua Ferrari no pneu traseiro direito da Mercedes. Assim, os principais protagonistas do Mundial viviam um drama logo no início da etapa. O problema de Vettel e Hamilton – que precisaram se encaminhar aos boxes – fez com que Stroll, que saiu em 11º, completasse a volta 1 em nono.

Stroll chegou a ser ultrapassado por Ricciardo, mas o australiano abandonaria logo depois: quebras ajudaram o canadense

Stroll chegou a ser ultrapassado por Ricciardo, mas o australiano abandonaria logo depois

Calçando pneus ultramacios, o canadense imprimiu um bom ritmo no início da corrida. Na volta 2, viu Carlos Sainz Jr. (Renault) ir para os boxes, o que fez Lance assumir a oitava posição. Na passagem seguinte, não resistiu ao melhor equipamento de Daniel Ricciardo (Red Bull), que, em prova de recuperação, superou Stroll. Porém, o novato seguiu em oitavo, uma vez que Felipe Massa (Williams), com problema em um pneu de seu carro, precisou parar nos boxes. Na volta 5, Ricciardo encostou seu carro após constatar uma falha no turbo de seu Red Bull. Assim, o canadense da Williams ascendeu para sétimo. Lance tentava acompanhar o ritmo de Kimi Raikkonen (Ferrari), mas era em vão. Em contrapartida, colocava boa vantagem sobre Kevin Magnussen (Haas). Na volta 17, Stroll estava a 3s9 do finlandês, e colocava 11s4 sobre o dinamarquês.

Na volta 18, foi aberta a janela de pit stops, com Sergio Pérez (Force India). Assim, Lance subiu para o sexto lugar. Na passagem seguinte, Nico Hulkenberg (Renault) se encaminhou para os boxes, fazendo com que o calouro subisse para a quinta posição. Após a parada de Esteban Ocon (Force India) na volta 21, Stroll assumiu a quarta colocação. Naquele instante, o canadense da Williams estava atrás apenas de Verstappen, Valtteri Bottas (Mercedes) e Raikkonen. Quando todos esperavam a parada imediata de Lance, o FW40 se mantinha na pista. Foi o pulo do gato para o jovem piloto. Com um bom ritmo, Stroll seguia à frente de Ocon.

Stroll aproveitou a presença do virtual safety car para realizar seu único pit stop: decisão acertada

Stroll aproveitou a presença do virtual safety car para realizar seu único pit stop: decisão acertada

 

A permanência na pista só foi interrompida com uma ocorrência fora dos planos da Williams. Na volta 30, o motor Renault do carro de Brendon Hartley (Toro Rosso) fumou, fazendo com que o neozelandês abandonasse a disputa. Com a Toro Rosso parada em local perigoso, a direção de prova acionou o VSC – Virtual Safety Car na volta 32. A fim de aproveitar o momento sob bandeira amarela, um enorme pelotão se dirigiu aos boxes de Hermanos Rodríguez. Lance integrava esse grupo. Na parada, a Williams sacou os pneus ultramacios e colocou os compostos supermacios (mais resistentes), o que faria Stroll completar as 38 voltas restantes da etapa sem maiores percalços. Na volta à pista, Lance se viu em quinto – havia perdido o quarto posto para Ocon.

No retorno da bandeira verde, na volta 34, Stroll estava a 7s7 de Ocon. Por outro lado, o canadense tinha 2s6 de vantagem sobre o herói local, Sergio Pérez (Force India). Na volta 50, Pérez foi superado por um irresistível Vettel, que fazia tremenda prova de recuperação. O alemão assumia a sexta posição. A próxima vítima de Sebastian seria o canadense da Williams. Lance até conseguiu segurar o tetracampeão por uma volta. Porém, na volta 53, o ferrarista voou para cima do novato, que nada pôde fazer: Vettel era o quinto, e Stroll caía para sexto. Três voltas depois, Seb ultrapassou Ocon, ascendendo para a quarta posição. Naquele instante, o piloto da Williams estava colado no rival da Force India. Era a chance de conquistar o quinto lugar no México.

Lance bem que tentou, mas era impossível segurar Vettel

Lance bem que tentou, mas era impossível segurar Vettel: alemão terminou em quarto

Apesar da forte pressão, Stroll não conseguiu ultrapassar Ocon. No final, Lance completou o GP do México embutido no carro rosa de Esteban. A vitória no Autódromo Hermanos Rodríguez ficou com Verstappen – a segunda em 2017 e a terceira na carreira -, seguido por Bottas e Raikkonen. Vettel completou a etapa mexicana em quarto, o que não foi suficiente para manter aberta a disputa pelo título mundial. Hamilton cruzou a linha de chegada em nono, mas festejava a conquista do tetracampeonato. Festa de Lewis à parte, o sexto lugar na Cidade do México foi o melhor resultado do canadense da Williams desde o pódio de Baku. Logo, um excelente motivo para Stroll celebrar o 19º aniversário.

“Acho que foi uma corrida muito controlada. Tive uma boa largada, mas perdi algumas posições enquanto eu estava por fora. Houve alguns problemas técnicos com os adversário, e por isso ganhei alguns lugares. Eu tive um ótimo primeiro stint, um ótimo segundo stint e, no final, não estava suficientemente perto para entrar na zona de DRS para passar Ocon. Eu estava realmente gerenciando os pneus e o carro estava muito equilibrado, então devo um grande agradecimento à equipe. Foi um ótimo dia, um ótimo resultado e um ótimo presente de aniversário. Parabéns também a Lewis, ele é o rei da Fórmula 1, não há dúvida sobre isso. É incrível o que ele realizou. Ele é uma grande inspiração para jovens pilotos como eu”, concluiu Lance.

Stroll celebrou os 19 anos com estilo no México: sexto lugar o colocou à frente de Massa no Mundial

Stroll celebrou os 19 anos com estilo no México: sexto lugar o colocou à frente de Massa no Mundial

Publicado em Cidade do México, Esteban Ocon, Felipe Massa, Force India, Haas, Kevin Magnussen, Lance Stroll, México, Sergio Pérez, Williams | 1 Comentário

EUA-2017: “Oconsistente” garante histórico top 6 em Austin

Nos 26 GPs disputados até aqui, Esteban Ocon viu a bandeira quadriculada: recorde na Fórmula 1

Nos 26 GPs disputados até aqui, Esteban Ocon viu a bandeira quadriculada: recorde na Fórmula 1

Que Esteban Ocon tem vivido um especial ano de 2017, ninguém discute. A bordo de um competitivo VJM10 da Force India, o francês vem mostrando, prova após prova, do que é capaz de fazer num cockpit da Fórmula 1. No último domingo, mais um exemplo de sua tenacidade foi exibido em Austin. No GP dos Estados Unidos de 2017, Ocon se portou como um veterano – apesar de seus 21 anos. O gaulês só não conseguiu combater os pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull em solo estadunidense. Trio de Ferro à parte, Esteban lidou com a forte pressão de Carlos Sainz Jr. (Renault) com extrema naturalidade. Diferentemente de seu companheiro de equipe, Sergio Pérez (Force India) – que foi batido por Sainz e terminou em oitavo -, o francês barrou as pretensões do espanhol e alcançou a sexta colocação em Austin.

Entretanto, esse não foi um top 6 qualquer. Com ele, Ocon entrou para a história da Fórmula 1. Ele se tornou o primeiro piloto a terminar suas primeiras 26 corridas, batendo o recorde que pertencia a Max Chilton – o britânico completou seus primeiros 25 GPs de F1 entre 2013 e 2014. Ou seja, desde a sua estreia no GP da Bélgica de 2016, em Spa-Francorchamps – quando ainda guiava pela Manor -, o francês tem encontro marcado com a bandeira quadriculada. Com a sexta posição conquistada em Austin, Esteban passou a ter mais top 6 do que Sergio em 2017 – são seis para o francês, contra cinco do mexicano. Ainda que esteja 13 pontos atrás de Checo na classificação do Mundial (o gaulês seguiu em oitavo na tabela, com 73 pontos, contra 86 do asteca, sétimo no campeonato), Ocon tem tido personalidade para bater Pérez.

"Oconsistente" vive momento mágico em 2017: com sexto lugar em Austin, "Oconsistente" tem seis top 6, contra 5 de Pérez

Com sexto lugar em Austin, “Oconsistente” tem seis top 6 (contra 5 de Pérez) e 16 top 10 em 17 GPs

Durante o GP dos Estados Unidos, Sergio solicitou que a Force India intercedesse junto ao novato, a fim de que ele cedesse sua posição para o parceiro. A direção do time não acatou o pedido do mexicano. No fim, a decisão foi acertada. Esteban não apenas conquistou o sexto lugar, como também manteve uma impressionante sequência na zona de pontuação – são 11 corridas consecutivas. Em 2017, Ocon só não pontuou no GP de Mônaco (foi o 12º). Até aqui, são 16 etapas entre os 10 primeiros. Por isso, foi alcunhado de “Oconsistente” após a etapa ianque. Porém, para manter o grau de eficiência na temporada, Esteban teve que se esforçar bastante por todo o fim de semana.

O clima no Texas estava instável na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP dos Estados Unidos. Havia chovido pouco antes do início do FP1. Quando os carros foram para a pista, o traçado ainda estava molhado. Porém, aos poucos, as condições ficaram ideais para os pilotos. No fim, as duas sessões acabaram sendo proveitosas para as equipes. A Force India colocou seus dois carros no top 10 da sexta, com tempos obtidos na segunda sessão do dia. Ocon ficou em 10º, com 1m36s490, a apenas 0s009 de Pérez, nono com 1m36s481. O mais veloz foi Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m34s668 – 1s822 à frente do francês da Force India.

O primeiro contato de Ocon com o circuito de Austin foi sob condições molhadas: entre os 10 mais velozes da sexta

Primeiro contato de Ocon com Austin foi sob condições molhadas: entre os 10 mais velozes da sexta

Para Esteban, a sexta foi proveitosa para ele e para a escuderia indiana. “Foi um dia positivo em geral, testando coisas diferentes no carro e trabalhando para a configuração ideal. Encontrar o equilíbrio não foi tão imediato e fácil como foi em Sepang e em Suzuka, então ainda temos um pouco de trabalho a fazer, mas estamos nos aproximando de onde eu quero. Não tenho dúvidas de que será muito melhor amanhã (sábado). Ainda precisamos encontrar algo nas curvas lentas e é aí que nos concentraremos nesta noite”, analisou o jovem de 21 anos, após os treinos livres.

Parece que o trabalho realizado pela Force India rendeu frutos no sábado, dia do qualifying em Austin. Ocon foi um dos destaques da sessão qualificatória para o GP dos Estados Unidos. Sempre andando entre os 10 primeiros, o francês assegurou vaga na fase decisiva do quali, alcançando um expressivo sétimo lugar, com o tempo de 1m34s647. Não bastasse isso, Esteban colocou 0s501 de vantagem sobre Pérez, que ficou em 10º, com 1m35s148. A marca de Ocon ficou a 1s539 da de Lewis Hamilton (Mercedes), pole position do GP dos Estados Unidos com 1m33s108. “Estou feliz com o resultado. A equipe fez um trabalho fantástico novamente e fomos fortes em todas as sessões. Temos uma ótima chance de marcar muitos pontos amanhã (domingo)”.

Esteban brilhou no qualifying do GP dos EUA: sétimo lugar no grid

Esteban brilhou no qualifying do GP dos Estados Unidos: satisfação com sétimo lugar no grid

A ótima posição de largada foi um prêmio para Esteban. O francês teve problemas de saúde durante o sábado. Contudo, nem isso foi capaz de pará-lo em Austin. “Não foi uma classificação fácil para mim porque eu não me sentia bem. Tive uma péssima dor de cabeça e problemas estomacais. Estou feliz por ter obtido um bom resultado na sessão. Agora, preciso descansar, tentar me recuperar e estar pronto para a corrida de amanhã (domingo)”, afirmou.

Largada do GP dos EUA de 2017, em Austin: Ocon superou Raikkonen na Curva 1

Largada do GP dos Estados Unidos de 2017, em Austin: Ocon superou Raikkonen na Curva 1

A corrida

Austin ficou embaixo d’água na manhã de domingo, 22 de outubro de 2017. A tempestade com direito a enchente, raios e trovões a poucas horas da largada do GP dos Estados Unidos assustou a todos em Austin. Mas um piloto em especial: Brendon Hartley, campeão da WEC – World Endurance Championship (em 2015) e vencedor das 24 Horas de Le Mans (2017), estrearia na Fórmula 1 no circuito norte-americano. O neozelandês de 27 anos, que integrou o Time de Desenvolvimento de Pilotos da Red Bull, substituiria a Pierre Gasly na Toro Rosso. O francês foi designado para Suzuka, onde disputaria a etapa final da Super Formula no Japão. Porém, um tufão no litoral japonês impediu que Gasly corresse por lá. Hartley teria Daniil Kvyat como companheiro da Toro Rosso – o russo retornava ao cockpit após a ida de Carlos Sainz Jr. para a Renault.

Dança das cadeiras à parte, o temporal se dissipou rapidamente. O céu azul brigadeiro dava o tom em Austin, para a alegria dos organizadores do GP dos Estados Unidos. Com um espetáculo repleto de entretenimento, os pilotos foram apresentados com pompa para o público. Além disso, a presença de personalidades reconhecidas mundialmente, como o ex-presidente norte-americano Bill Clinton e o lendário velocista jamaicano Usain Bolt, fez com que a Fórmula 1 fosse promovida no melhor estilo estadunidense. Alheio à festa, Ocon estava focado na largada. Calçando pneus ultramacios, o francês da Force India partiu determinado a disparar para o alto da ladeira e contornar a Curva 1 numa boa posição. E foi o que aconteceu: Esteban se posicionou bem na largada e ultrapassou Kimi Raikkonen (Ferrari), assumindo a sexta colocação.

Ocon lutou, mas não conseguiu conter a força da Ferrari de Raikkonen

Esteban lutou, mas não conseguiu conter a força da Ferrari de Raikkonen

Todavia, Ocon não tinha equipamento para segurar Raikkonen. Logo na volta 2, o finlandês superou o francês, que caiu para sétimo. A partir dali, Esteban via Kimi sumir à sua frente. Em contrapartida, não era alcançado por Fernando Alonso (McLaren), oitavo colocado. Na volta 7, o espanhol foi superado por Max Verstappen (Red Bull). Largando em 16º após pagar punição por troca de peças de seu bólido antes da corrida, o holandês voava em Austin, ultrapassando um a um. Assim, logo Verstappen alcançou Ocon. Na volta 10, Max ignorou Esteban, assumindo a sétima posição. Já o francês caía para oitavo, em um momento em que os compostos ultramacios já davam sinais de desgaste.

Na volta 13, Daniel Ricciardo (Red Bull) foi o primeiro dos ponteiros a se encaminhar para os boxes. Assim, Ocon reassumia o sétimo lugar. Duas voltas depois, Ricciardo abandonaria a etapa norte-americana, com problemas de motor. Na mesma passagem, Esteban faria seu único pit stop na corrida. Na troca, a Force India sacou os ultramacios e colocou os pneus macios (os mais resistentes do fim de semana). Assim, o francês não pararia mais nos boxes. Ocon voltou à pista em 11º, à frente de Alonso e Sergio Pérez, e a 3 segundos de Stoffel Vandoorne (McLaren) – que ainda não tinha feito seu pit. Com a parada de Romain Grosjean (Haas), na volta 17, Esteban retornou ao top 10. Naquele instante, já estava colado em Vandoorne. Na volta 18, o francês superou o belga. Como Daniil Kvyat (Toro Rosso) foi para os boxes, o gaulês se viu em oitavo lugar.

Ocon não se incomodou com a pressão psicológica de Pérez

Ocon não se incomodou com a pressão psicológica de Pérez: mexicano queria posição do francês

Após o pit stop de Carlos Sainz Jr. (Renault), na volta 20, Ocon ascendeu para a sétima posição. A partir daquele momento, apenas Felipe Massa (Williams) não havia realizado sua parada. Como o rendimento de seu VJM10 era superior ao do FW40 do adversário, Esteban tirou a diferença para Felipe. Na volta 26, o francês estava a 2s5 do brasileiro. Em compensação, tinha 1s9 de vantagem sobre Pérez. Na volta 28, Ocon chegou definitivamente em Massa, atacando o brasileiro. Felipe resistiu, o que fez com que Pérez pressionasse a Force India, pedindo que Ocon cedesse a posição a ele. A escuderia ignorou o pedido do mexicano. Na volta 29, o francês voltou a pressionar o brasileiro, que seguiu se defendendo. Todavia, na 30, Massa foi aos boxes. Assim, Ocon passou a ocupar o sexto lugar. Contudo, com Pérez, Sainz e Kvyat em seus calcanhares.

Com a pista limpa, Esteban passou a abrir para Sergio. O asteca se defendia dos ataques do espanhol. Na volta 33, num embate eletrizante, Sainz ultrapassou Pérez e assumiu a sétima posição. Imediatamente, Carlos partiu para cima de Ocon. O que se viu a partir de então foi um duelo psicológico. A Renault do espanhol rendia bem, enquanto a Force India do francês estava no limite. Sainz tentou de todas as formas ultrapassar Ocon. Entretanto, Esteban soube se defender de todas as investidas. Carlos só desistiu nas voltas finais. Pela sexta vez em 2017, o francês carregava a Force India ao top 6. A vitória no GP dos Estados Unidos ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), seguido por Sebastian Vettel (Ferrari) e por Raikkonen – Verstappen terminou em terceiro, mas, por utilizar um trecho fora do traçado para superar o finlandês na última volta, teve 5 segundos acrescidos ao tempo de corrida.

No fim, Ocon segurou Sainz e conquistou mais um sexto lugar para a sua coleção

No fim, Ocon segurou Sainz e conquistou mais um sexto lugar para a sua coleção

O top 6 em Austin foi bastante celebrado por Ocon. “O sexto lugar é bastante satisfatório porque não foi uma corrida fácil. Sofremos bastante pressão de Sainz nas voltas finais. Passei grande parte da prova controlando meu ritmo e cuidando dos pneus para fazer a estratégia de uma parada funcionar. A equipe me informou quando forçar e quando controlar o ritmo, e chegar em sexto mostra que julgamos isso quase perfeitamente. Antes da corrida, houve um problema com uma unidade de controle do meu carro no grid, mas a equipe fez um ótimo trabalho ao reparar tudo a tempo para a largada. O carro estava forte e com boa velocidade hoje (domingo), e mais uma vez saímos com a sensação de alcançar o melhor resultado possível”, concluiu Esteban, após a bandeirada.

Esteban se mostrou satisfeito com o resultado: "sexto lugar era a melhor posição possível"

Esteban se mostrou satisfeito com o desempenho: “sexto lugar era o melhor resultado possível”

Publicado em Austin, Brendon Hartley, Carlos Sainz Jr., Daniil Kvyat, Estados Unidos, Esteban Ocon, Felipe Massa, Fernando Alonso, Max Chilton, McLaren, Pierre Gasly, Renault, Romain Grosjean, Sergio Pérez, Stoffel Vandoorne, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

Japão-2017: Magnussen ultrapassa Massa ‘na marra’ e é top 8

Na base do arrojo, Kevin Magnussen (Haas), à dir., ultrapassou Felipe Massa (Williams), à esq., e ficou com o 8º lugar

Kevin Magnussen (Haas), à dir., ultrapassou Felipe Massa (Williams), à esq., ficando com o 8º lugar

Kevin Magnussen tem tido alguns bons lampejos durante a temporada de 2017. Em sua terceira temporada completa na carreira – a primeira no cockpit da Haas -, o dinamarquês alcançou resultados positivos. Porém, também foi o centro de muitas intrigas por parte dos adversários – como no GP da Hungria, em Hungaroring, quando foi criticado por Nico Hulkenberg (Renault) por sua conduta, e no GP da Malásia, em Sepang, quando Fernando Alonso (McLaren) ratificou que “Hulkenberg tinha razão sobre Magnussen”. Mas Kevin ignorou tudo isso quando entrou na pista no último dia 8 de outubro para a disputa do GP do Japão, em Suzuka. Combativo, o dinamarquês de 25 anos foi para o ataque o tempo inteiro. Seu ponto alto foi a ultrapassagem sobre Felipe Massa (Williams), na qual superou o brasileiro na base da ‘marra’. Assim, Magnussen garantiu o oitavo lugar na etapa japonesa.

A Haas ficou satisfeita com o desempenho de sua dupla de pilotos. Além do top 8 de Kevin, a equipe comemorou o nono lugar de Romain Grosjean. Pela segunda vez na história da escuderia norte-americana, os dois carros do time terminaram entre os 10 primeiros de uma prova – a primeira foi no GP de Mônaco de 2017, quando o francês foi o oitavo e o dinamarquês, o 10º. Com o resultado em Suzuka, a Haas superou a Renault na classificação do Mundial – a equipe ianque passou a ocupar a sétima posição, com 43 pontos, um a mais do que a francesa (que tem 42). A contribuição de Magnussen e Grosjean até o fim da temporada pode colocar o time estadunidense na batalha pelo sexto lugar dos Construtores com a Toro Rosso – a equipe italiana tem 52 pontos.

Top 8 de Magnussen ajudou a Haas a superar a Renault no Mundial de Construtores

Top 8 de Magnussen ajudou a Haas a superar a Renault no Mundial de Construtores

O oitavo lugar na prova nipônica também foi importante para Kevin. Filho de Jan Magnussen, piloto que atuou na F1 entre 1995 e 1998, o dinamarquês nasceu em 5 de outubro de 1992, em Roskilde. Influenciado pelo pai, começou sua carreira no kart. Em 2008, saltou para a Fórmula Ford da Dinamarca, assegurando o título. No ano seguinte, migrou para a série norte-europeia da Fórmula Renault 2.0, alcançando o vice-campeonato. Em 2010, foi terceiro colocado no Campeonato Alemão de Fórmula 3. Um ano depois, passou para o Campeonato Britânico de F3, no qual foi vice-campeão. Em 2012, ingressou na Fórmula Renault 3.5, ficando em sétimo lugar na primeira temporada. Na segunda, em 2013, ficou com o título da categoria, que alçou Kevin para a F1.

Piloto do time de desenvolvimento de jovens da McLaren, Magnussen ganhou a grande oportunidade na categoria máxima do automobilismo em 2014, quando substituiu Sergio Pérez no time de Woking. Logo em sua estreia, no GP da Austrália, em Melbourne, alcançou a segunda posição – seu melhor resultado na F1 até o momento. Terminou sua primeira temporada com 55 pontos, empatado com Kimi Raikkonen (Ferrari). Apesar do desempenho, a McLaren sacou Kevin do cockpit – o dinamarquês foi substituído por Fernando Alonso. Um problema de saúde do espanhol durante testes da pré-temporada de 2015 fez com que Magnussen o substituísse no GP da Austrália, em Melbourne. Todavia, o dinamarquês sequer largou, devido a um defeito no motor Honda de seu bólido. Dessa forma, Kevin se manteve como terceiro piloto por toda a temporada.

Na quinta, 5/out, Magnussen celebrou 25 anos e levou 'bolada' de Grosjean

Na quinta, 5 de outubro, Magnussen celebrou 25 anos e levou ‘bolada’ de Grosjean

Em 2016, Magnussen foi para a Renault. Era um time renovado e repleto de problemas. Para se ter uma ideia, o melhor resultado do europeu foi o sétimo lugar no GP da Rússia, em Sochi. Neste ano, Kevin se transferiu para a Haas, substituindo a Esteban Gutiérrez. Nas 15 primeiras etapas no cockpit do carro norte-americano, Magnussen anotou 11 pontos – destaques para o sétimo lugar no GP do Azerbaijão, em Baku, e o oitavo posto no GP da China, em Xangai. E com apetite de figurar na zona de pontos, desembarcou em Suzuka para a disputa do GP do Japão. Logo na quinta-feira, Kevin foi festejado pela Haas – era seu 25º aniversário, tendo direito a bolo e brincadeiras promovidas pelo seu companheiro, Romain Grosjean.

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos no circuito japonês, o dinamarquês teve um início razoável. Magnussen terminou em 11º no primeiro treino livre, com 1m31s216. Ele ficou a 0s184 de Grosjean, nono com 1m31s032, e a 2s050 de Sebastian Vettel (Ferrari), o mais veloz com 1m29s166. Na segunda sessão, uma chuva torrencial atrapalhou pilotos e equipes. Apenas cinco carros entraram na pista – nenhum deles da Haas. Apesar de não ter saído dos boxes com o asfalto molhado, Kevin se mostrou satisfeito com o potencial de seu bólido. “O carro estava se comportando bem imediatamente, então ficamos felizes com isso. Eu acho que precisamos tentar encontrar mais velocidade, com certeza, porque outros pilotos vão fazer isso. Se quisermos marcar pontos neste fim de semana, precisamos fazer direito”, analisou.

Na sexta, Magnussen só testou no 1º treino livre: chuva atrapalhou pilotos e equipes

Na sexta, Magnussen só testou no primeiro treino livre: chuva atrapalhou pilotos e equipes

E foi com a pretensão de alcançar o Q3 que tanto Magnussen quanto Grosjean partiram para a sessão qualificatória de sábado. A confiança da dupla da Haas, porém, foi para o espaço quando, ao fim do Q1, Romain destruiu seu VF-17 na tentativa final de avançar para a fase seguinte. O francês ficou de fora do Q2, enquanto Kevin conseguiu um lugar entre os 15 melhores. Apesar disso, o dinamarquês não encontrou o balanço ideal para uma volta veloz, e teve que se contentar com o 13º tempo, não avançando para a sessão final. Magnussen anotou 1m29s972, sendo 0s877 mais rápido que Grosjean, 16º com 1m30s849. Em contrapartida, Kevin ficou a 2s653 de Lewis Hamilton (Mercedes), o pole do GP do Japão. Pela 71ª vez, o britânico conquistava a posição de honra do grid.

Mesmo eliminado no Q2, o dinamarquês da Haas notou uma boa evolução no VF-17. “Temos sido mais fortes neste fim de semana. O carro pareceu melhor desde sexta-feira, mais vivo. Isso se deve em parte à temperatura mais baixa, os pneus estão funcionando um pouco melhor, ou pelo menos é mais fácil fazê-los funcionar sem superaquecê-los. Se você tem uma desvantagem de downforce ou aderência, eles não aquecem tanto quando está frio como aqui (em Suzuka). Isso nos deixou um pouco mais perto do pelotão intermediário. Esperávamos ficar em 16º ou 17º e estou em 13º. Então, não posso ficar tão insatisfeito. Porém, quando a disputa está tão acirrada, você fica querendo aquele algo extra e é um pouco frustrante não chegar lá. Vamos ver se podemos marcar alguns pontos amanhã (domingo)”, vislumbrou.

Largada do GP do Japão de 2017: saindo em 12º, Magnussen saltou bem e completou a volta 1 em 10º

Largada do GP do Japão de 2017: saindo em 12º, Magnussen saltou bem e completou a volta 1 em 10º

A corrida

O sol despontou em Suzuka no domingo, 8 de outubro de 2017, para a disputa de mais um GP do Japão. O clima era favorável para Magnussen. Calçando pneus supermacios, Kevin alinharia em 12º no grid em razão de uma punição dada a Fernando Alonso (McLaren) – o espanhol trocou toda a sua unidade de potência e sairia em último. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o dinamarquês da Haas partiu de forma arrojada rumo à Curva 1. À sua frente, Stoffel Vandoorne (McLaren) deu uma escapada no início da sequência de “S”, fazendo com que Magnussen subisse para 11º. Ainda na volta 1, Kevin ingressaria no top 10, herdando posição de Kimi Raikkonen (Ferrari) – o finlandês levou a pior em duelo contra Nico Hulkenberg (Renault) na Curva Spoon, escapando da pista. Assim, o dinamarquês terminou a primeira volta em 10º.

Na volta 2, o safety car foi acionado para retirar Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) da brita – após a largada, o espanhol rodou e foi obrigado a abandonar. Era a despedida de Sainz da Toro Rosso, uma vez que, antes da corrida, o madrileno foi anunciado como piloto da Renault a partir do GP dos Estados Unidos, em Austin, em substituição a Jolyon Palmer (que fazia sua despedida da Fórmula 1 em solo nipônico). Sem Carlos, a escuderia de Faenza voltaria a promover Daniil Kvyat em território norte-americano – o russo, que foi substituído por Pierre Gasly, retornará ao time italiano.

Magnussen, à frente de Grosjean e Raikkonen

Magnussen, à frente de Grosjean e Raikkonen: início de prova positivo para o dinamarquês

Dança das cadeiras à parte, a relargada em Suzuka foi dada na volta 4. Com problemas em uma das velas de seu carro, Sebastian Vettel (Ferrari) perdeu rendimento drasticamente e foi superado por Magnussen, que assumiu a nona posição. O alemão abandonaria a etapa ao fim daquela volta. Sem Vettel, o Mundial de 2017 cairia praticamente no colo de Lewis Hamilton (Mercedes), líder do campeonato e que ditava o ritmo na prova japonesa. Se uma Ferrari estava fora, a outra estava atacando Kevin. Na volta 6, Raikkonen superou Magnussen, que caiu para 10º. A partir dali, a preocupação do dinamarquês seria segurar o ritmo de Grosjean – seu companheiro de Haas o perseguia implacavelmente.

O acidente de Marcus Ericsson (Sauber), na volta 8, fez a direção de prova instalar o virtual safety car no trecho da escapada do sueco. Duas voltas depois, a pista estava totalmente liberada. Sem conseguir acompanhar Hulkenberg (que havia sido ultrapassado por Raikkonen), Magnussen se mantinha à frente de Grosjean, com pouco mais de 1 segundo de vantagem. Aos poucos, os compostos supermacios davam sinais de desgaste. Era a hora de parar nos boxes. Na volta 18, Felipe Massa (Williams) fez seu pit stop, o que colocou Kevin em nono. Entretanto, na passagem seguinte, a Haas chamou o dinamarquês para realizar sua parada, sacando os supermacios e colocando os pneus macios. Ao voltar à pista, Magnussen se viu em 14º, atrás do brasileiro da Williams.

Kevin persegue Massa: disputa foi uma das mais marcantes da etapa de Suzuka

Kevin persegue Massa: disputa foi uma das mais marcantes da etapa de Suzuka

Com o pit stop de Pierre Gasly (Toro Rosso), na volta 23, Kevin subiu para 13º. Após a parada de Grosjean, na 24, o dinamarquês ascendeu para 12º. Duas voltas depois, foi a vez de Alonso ir aos boxes, fazendo com que Magnussen passasse a ocupar a 11ª posição. A partir daquele instante, Kevin se via preso atrás de Massa, o 10º, e Jolyon Palmer (Renault), o nono. Por outro lado, enxergava Grosjean, o 12º, e Gasly, o 13º, em seus espelhos retrovisores. O pelotão de cinco carros andava no ritmo de Palmer. Na volta 38, Hulkenberg foi para os boxes, fazendo com que todos os integrantes da fila indiana ganhassem uma posição. O pelotão só seria desfeito com a parada de Jolyon, na volta 39. Assim, Magnussen subia para nono, e Grosjean, para 10º.

Naquele instante, a dupla da Haas colocava pressão sobre Massa, o oitavo. Kevin não teve dúvidas: era a hora de atacar o brasileiro da Williams. Na volta 43, o dinamarquês mudou o traçado para ultrapassar Felipe na tomada da Curva 2. Com personalidade, Magnussen não fez menção de tentar superar Massa na Curva 1. O brasileiro acabou sendo surpreendido com a astúcia do adversário, e perdeu não só a posição para Kevin, como também para Grosjean. Em oitavo, a preocupação do dinamarquês passou a ser os ataques de seu companheiro de Haas, uma vez que estava a quase 20 segundos de Sergio Pérez (Force India), o sétimo.

Apesar da pressão de Grosjean, Magnussen soube manter o oitavo lugar

Apesar da pressão de Grosjean, Magnussen soube manter o oitavo lugar

Apesar das tentativas de Romain, Magnussen soube manter o oitavo lugar. A vitória em Suzuka ficou com Hamilton – a 61ª da carreira do britânico. Lewis teve que segurar Max Verstappen (Red Bull) para garantir o triunfo, fundamental para a caminhada rumo ao tetracampeonato – agora, o piloto da Mercedes tem 59 pontos de vantagem sobre Vettel (306 a 247), praticamente selando a conquista do Mundial. Após vencer em Sepang, Verstappen conquistou o segundo lugar, seguido por Daniel Ricciardo (Red Bull). Alheio à disputa do pódio, Kevin celebrou o oitavo posto, cruzando a linha de chegada na mesma volta do vencedor Hamilton e com menos de 1 segundo de vantagem sobre Grosjean, o nono colocado.

“Gostei da minha corrida. Nós maximizamos nosso potencial como equipe chegando em oitavo e nono, colocando os dois carros entre os pontuáveis. Creio que não poderíamos esperar mais, então estou feliz. Sinto que tivemos algumas boas provas recentemente, mas sem aquela dose de sorte que eu precisava para marcar pontos. Hoje (domingo), deu certo. Espero que eu possa dar sequência a isso na parte final da temporada. Definitivamente, não é fácil obter resultados como esse de Suzuka. Você tem de fazer tudo certo, e acho que fizemos hoje (domingo), portanto parabéns à equipe”, disse Magnussen, satisfeito.

Festa na Haas pela conquista dos 6 pontos em Suzuka: Kevin obteve 4; Romain, 2

Festa na Haas pela conquista dos 6 pontos em Suzuka: Kevin obteve 4 pontos; Romain, 2

Publicado em Carlos Sainz Jr., Felipe Massa, Force India, Haas, Jan Magnussen, Japão, Jolyon Palmer, Kevin Magnussen, Marcus Ericsson, McLaren, Pierre Gasly, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Sergio Pérez, Stoffel Vandoorne, Suzuka, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

Malásia-2017: Vandoorne é top 7 e supera Alonso no Mundial

Vandoorne ignorou Alonso e levou a McLaren-Honda ao 7º lugar em Sepang

Vandoorne ignorou Alonso e levou a McLaren-Honda ao 7º lugar em Sepang

Que Fernando Alonso é um dos pilotos mais consagrados da atualidade, ninguém discute. Além dessa marca, há uma outra que o espanhol ostenta no circo: trata-se de um destruidor de companheiros de equipes. Apenas dois foram capazes de desafiar Alonso dentro de um time num Mundial. Coincidentemente, ambos os casos foram na mesma escuderia: a McLaren. Lewis Hamilton, em 2007, fez o mesmo número de pontos do asturiano (109), mas ficou à frente no critério de desempate. Jenson Button, em 2015, bateu Fernando ao fim da temporada, anotando 16 pontos, contra 11 do parceiro. O desempenho dos britânicos contra Alonso parece inspirar Stoffel Vandoorne. Em seu primeiro ano completo como piloto da McLaren, o belga vem evoluindo gradativamente a bordo do MCL32. Prova disso veio no GP de Cingapura, em Marina Bay, quando alcançou o sétimo lugar. Não satisfeito, Vandoorne repetiu a dose no último domingo, em Sepang, palco do GP da Malásia de 2017.

Com o sétimo lugar na prova malaia, Stoffel superou Alonso na tabela de classificação do Mundial – o belga passou para 13 pontos, contra 10 do espanhol. É bem verdade que ainda restam cinco etapas para o término do campeonato. Fernando pode muito bem reagir até o fim da temporada. Porém, os dois top 7 de Vandoorne demonstram que o piloto de 25 anos aprendeu a lidar com a falta de desempenho da McLaren – algo que Alonso só apresentou em uma corrida, no GP da Hungria, em Hungaroring, quando atingiu o sexto lugar. Não bastasse se adaptar às dificuldades, Stoffel tem atingido mais velocidade do que Fernando em muitos momentos. Isso também pôde ser visto em Sepang, onde o novato foi mais veloz que o consagrado bicampeão.

Com os sétimos lugares em Marina Bay e Sepang, Vandoorne ultrapassou Alonso no Mundial de Pilotos: 13 a 10 para o belga

Com os sétimos lugares em Marina Bay e Sepang, Vandoorne ultrapassou Alonso no Mundial: 13 a 10

O bom momento de Vandoorne na McLaren não surpreende quem o acompanha desde o início da carreira. Nascido em Courtrai, em 26 de março de 1992, o belga iniciou no kart com seis anos de idade. Seu pai, um arquiteto, iria fazer o design de um restaurante no circuito de kart de sua cidade natal. Foi paixão à primeira vista. Fascinado com a forma como o jovem Stoffel admirava a pista, o dono do kartódromo lhe ofereceu um mini kart. Foi o que bastou para que o menino mergulhasse no automobilismo. No kart, foi campeão nacional na categoria K2, em 2008, e vice-campeão da Copa do Mundo, em 2009. A premiação pela segunda colocação no torneio internacional foi de 45 mil euros, que foi suficiente para Vandoorne iniciar sua trajetória na Fórmula 4, em 2010. Logo de cara, foi campeão da categoria.

Em 2011, se transferiu para o Campeonato Europeu de Fórmula Renault 2.0. Após ser quinto colocado em sua temporada de estreia, o belga alcançou o título em 2012, derrotando o russo Daniil Kvyat.  Em 2013, já chamava a atenção da Fórmula 1. Tanto que foi contratado pelo time de desenvolvimento de jovens da McLaren. Naquele mesmo ano, Stoffel ascendeu para a Fórmula Renault 3.5. Vandoorne ficou com o vice-campeonato, sendo derrotado pelo dinamarquês Kevin Magnussen. No ano seguinte, Stoffel se tornou piloto de testes da McLaren. Ao mesmo tempo, subiu para a GP2. Em sua primeira temporada na categoria de acesso à F1, ficou com o vice-campeonato, sendo derrotado por Jolyon Palmer. No segundo ano na GP2, em 2015, Vandoorne não foi páreo e alcançou um título incontestável.

Stoffel iniciou a carreira na F1 ao substituir Alonso no GP do Bahrein de 2016, em Sakhir

Stoffel iniciou a carreira na F1 ao substituir Alonso no GP do Bahrein de 2016, em Sakhir

Apesar de cotado pela McLaren, Stoffel teve de ser paciente. A escuderia de Woking havia renovado os vínculos de Alonso e de Jenson Button para 2016. Vandoorne correria na Super Fórmula, no Japão, mas, antes, recebeu um convite surpreendente: o belga substituiria Fernando no GP do Bahrein, em Sakhir. O espanhol havia sofrido um fortíssimo acidente no GP da Austrália, em Melbourne, e tinha lesionado uma costela. Assim, inesperadamente, Stoffel estreou na F1. E o belga mostrou boa performance, arrancando um 10º lugar e marcando um ponto logo em sua primeira experiência. O desempenho em Sakhir encheu os olhos da McLaren, que se viu pressionada a escalar o belga. Para isso, tirou Button da escuderia ao fim da temporada.

Em 2017, Vandoorne não teve vida fácil. Envolto aos problemas da McLaren com o motor Honda, o belga só era visto como retardatário. Seu primeiro ponto no ano veio no GP da Hungria, em Hungaroring, com um 10º lugar. Na ocasião, Alonso havia sido top 6. Porém, com a leve melhora do propulsor japonês, Stoffel passou a classificar melhor no grid e a pontuar. O sétimo lugar em Marina Bay comprovou essa ascensão. Ao desembarcar em Sepang, palco do GP da Malásia, Vandoorne queria repetir os pontos. Em sua estreia no circuito malaio, o piloto da McLaren apreciaria sua única experiência na pista – já que a corrida ficou de fora do calendário de 2018.

Vandoorne teve uma sexta-feira complicada em Sepang; no sábado, porém, belga brilhou

Vandoorne teve uma sexta-feira complicada em Sepang; no sábado, porém, belga brilhou

Em um trajeto bastante seletivo, Stoffel aprenderia ‘na marra’ como pilotar ali. Não só isso: teria de se adequar a um inconstante cenário climático. Na sexta-feira, primeiro dia de treinos em Sepang, uma forte chuva atrapalhou o primeiro treino livre. No segundo, a pista secou. Porém, um forte acidente de Romain Grosjean (Haas) interrompeu o treino – o francês bateu numa tampa de bueiro solta ao passar sobre uma zebra. Assim, os pilotos tiveram pouco contato com a pista, prejudicando o desenvolvimento dos testes. Ainda assim, Vandoorne terminou com o 13º melhor tempo da sexta, com 1m33s673. O belga ficou a 1s109 de Alonso, sexto mais veloz do dia com 1m32s564, e a 2s412 de Sebastian Vettel (Ferrari), o mais rápido com 1m31s261.

“As condições foram um pouco difíceis na manhã de hoje (sexta), particularmente com este asfalto, que fica bastante escorregadio no molhado. Esta manhã houve treino limitado para todos, porque estávamos todos poupando pneus – o tempo para o resto do fim de semana parece bastante imprevisível, então precisamos cuidar dos pneus de pista molhada. A sessão foi interrompida esta tarde por causa do acidente de Grosjean, então perdemos um pouco de tempo de pista. Isso significa que nós realmente não fizemos o nosso stint longo – nós apenas fizemos algumas saídas curtas e não fizemos nenhuma longa. Fernando e eu testamos alguns assoalhos de especificações diferentes. Havia apenas um conjunto disponível, e Fernando o estava usando hoje (sexta). Parece um passo adiante. Estou ansioso para correr com condições mais estáveis amanhã (sábado), para que possamos evoluir”, analisou Stoffel.

Vandoorne levou a McLaren a um incrível 7º lugar no grid do GP da Malásia: mérito de Stoffel

Vandoorne levou a McLaren a um incrível 7º lugar no grid do GP da Malásia: mérito de Stoffel

De fato, Vandoorne tinha razão: no sábado, dia dos treinos que definiriam o grid para o GP da Malásia, as coisas fluiriam para o belga. Com um desempenho impressionante, o MCL32 de Stoffel e de Alonso avançaram para o Q3 de Sepang. Os dois carros laranjas, porém, só ingressaram na fase final da qualificação porque Sebastian Vettel (Ferrari) teve problemas com seu bólido e sequer treinou, sendo obrigado a largar em último. Dificuldades de Vettel à parte, na sessão decisiva, Vandoorne se impôs diante de Alonso. Com 1m31s582, o belga foi 0s122 mais veloz do que o espanhol, que anotou 1m31s704. No fim, Stoffel alcançou um impressionante sétimo tempo, a 1s506 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole da prova malaia com 1m30s076 – pela 70ª vez, o britânico sairia na frente de um GP.

A marca obtida no Q3 surpreendeu Vandoorne, que, em Sepang, largaria em sua melhor posição na F1 até o momento. “Não esperávamos estar tão à frente no grid. Talvez passar para a Q3, mas lutar pelo sétimo lugar foi uma surpresa agradável. De fato, minha classificação inteira correu muito bem. Não cometi nenhum erro e acertei todos os setores em todas as voltas. Classificar em sétimo em um circuito como este é o máximo possível para nós, então estou muito feliz. Em geral, tendemos a andar melhor em uma única volta do que em trechos longos, portanto creio que amanhã será mais difícil para nós, mas pelo menos estamos em posição de lutar. E ninguém realmente se preparou para a corrida, espero que possamos estar um pouco melhor preparados do que os outros e aproveitar isso”, observou o belga.

Largada do GP da Malásia de 2017: Vandoorne superou Ocon e contou com a ausência de Raikkonen para pular para quinto

Largada em Sepang: Vandoorne superou Ocon e contou com a lacuna de Raikkonen para ser 5º

A corrida

A tão esperada chuva para o GP da Malásia de 2017, em Sepang, não veio. O céu estava parcialmente nublado quando os 20 pilotos se dirigiram para o grid do circuito malaio. Entre eles, um estreante: Pierre Gasly assumiu o cockpit de Daniil Kvyat e faria sua primeira prova na F1 pela Toro Rosso. Por outro lado, um veterano não largaria: Kimi Raikkonen (Ferrari), que sairia em segundo lugar, encarou o mesmo problema de Sebastian Vettel (Ferrari) no sábado e teve seu carro recolhido antes do início da corrida. Assim, Vandoorne ganharia uma posição antes mesmo da prova começar. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o belga da McLaren mostrou personalidade ao desafiar Esteban Ocon (Force India), deixando o francês para trás. Ao completar a volta 1, Vandoorne estava atrás somente dos pilotos de Mercedes (Lewis Hamilton e Valtteri Bottas) e de Red Bull (Max Verstappen e Daniel Ricciardo), os carros dominantes do fim de semana.

Como não tinha condição de acompanhar Ricciardo, o quarto colocado, Stoffel passou a ditar o ritmo de Sergio Pérez (Force India). O mexicano se aproveitou do conjunto do VJM10 impulsionado pelo motor Mercedes para pressionar o belga. Na volta 8, Pérez superou Vandoorne, que caiu para sexto. Checo não só passou, como sumiu à frente de Stoffel. Era sinal de que os pneus supermacios apresentavam sinais de desgaste. Seus principais perseguidores, Felipe Massa (Williams) e Lance Stroll (Williams), foram para os boxes nas voltas 11 e 12, respectivamente. Temendo que a dupla da Williams o superasse, a McLaren chamou o belga para os boxes na volta 13. Na troca, sacou os pneus supermacios e colocou o jogo de macios. Assim, não seria necessário fazer um segundo pit stop.

Vandoorne travou uma dura batalha com Stroll e Massa, da Williams

Vandoorne travou uma dura batalha com Stroll e Massa, da Williams: belga mostrou competência

Ao retornar à pista, Vandoorne se viu em 10º, à frente de Stroll e Massa. Logo, o belga colou em Ocon, o nono colocado. O francês foi tocado logo após a largada e precisou parar nos boxes no início da corrida. Assim, já não tinha bom rendimento naquele instante da prova. Apesar de pressionar Esteban, Stoffel não conseguia superá-lo. O belga só tomou o nono lugar de Ocon quando o francês foi para os boxes, na volta 24. Com o pit stop de Fernando Alonso (McLaren), na volta 26, Vandoorne assumiu a oitava posição. Na volta 29, Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) teve problemas elétricos em seu carro, sendo obrigado a abandonar. Dessa forma, Stoffel subiu para sétimo. E ali permaneceria, uma vez que Vettel, num ritmo alucinante, havia ascendido para o quarto lugar. Já Pérez, sexto colocado, tinha 20 segundos de vantagem sobre o belga.

Na fase final da corrida, a preocupação de Vandoorne era a de manter Stroll, Massa e Ocon distantes. E o belga cumpriu a missão com exatidão, cruzando a linha de chegada à frente desse pelotão. A vitória em Sepang ficou com Verstappen (a segunda na carreira do jovem holandês, que completou 20 anos no último sábado), seguido por Hamilton e Ricciardo. Com o resultado, Lewis consolidou ainda mais sua liderança no Mundial, com 34 pontos de vantagem sobre Vettel, que terminou em quarto (281 a 247). Seb ainda acabou abalroado por Stroll na volta de desaceleração após a bandeirada. Quem não teve problema algum depois do fim da prova foi Stoffel, que era só sorrisos após o GP da Malásia.

Vandoorne só perdeu posições para Vettel e Pérez (foto): desempenho acima da média

Vandoorne só perdeu posições para Vettel e Pérez (foto): desempenho acima da média

“Eu posso dizer que esta foi a minha melhor corrida na Fórmula 1 até agora. Todo o fim de semana eu fui realmente forte e me senti realmente confiante com o carro. Largamos em sétimo, mas não estávamos realmente confiantes de onde terminaríamos na corrida. Por isso, o sétimo hoje (domingo) é um resultado incrível. Uma excelente largada, sabíamos que provavelmente seria difícil segurar os carros da Force India e da Williams, mas só Perez apareceu. A partir de então, eu tive um ritmo incrível, acelerei em todas as voltas, e, no fim, consegui gerenciar os pneus e manter o espaço sobre Stroll. Estou muito feliz”, celebrou Vandoorne, um estreante que, assim como Hamilton em 2007, ameaça a supremacia de Alonso dentro da McLaren.

Stoffel quer repetir os britânicos Hamilton e Button: meta é derrotar Alonso

Stoffel quer repetir os britânicos Hamilton e Button: meta é derrotar Alonso no duelo da McLaren

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Cingapura-2017: Sainz voa com a Toro Rosso e alcança top 4

No molhado, Sainz conquistou seu melhor resultado na F1 até o momento: quarto lugar com sabor de vitória

No molhado, Sainz obteve o melhor resultado na F1 até o momento: quarto lugar com sabor de vitória

Carlos Sainz Jr. viveu um fim de semana repleto de emoções em Marina Bay, palco do GP de Cingapura de 2017. Em solo asiático, o espanhol foi confirmado como piloto da Renault para a temporada de 2018, substituindo Jolyon Palmer. Entusiasmado com o novo passo na carreira, o filho do bicampeão mundial de rali, Carlos Sainz, tratou de acelerar fundo seu Toro Rosso pelo circuito de rua. Depois de colocar o STR12 na fase decisiva da qualificação, o madrileno se aproveitou do acidente que tirou Sebastian Vettel (Ferrari), Max Verstappen (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Ferrari) logo na largada da etapa cingalesa. Depois, Carlos guiou de maneira combativa, conquistando um tremendo quarto lugar em Marina Bay. Foi o melhor resultado da carreira de Sainz até o momento, igualando o melhor desempenho da Toro Rosso desde o top 4 de Verstappen no GP dos Estados Unidos de 2015, em Austin.

Antes do quarto lugar no GP de Cingapura de 2017, o máximo que Carlos havia conquistado foi a sexta posição em quatro oportunidades: três em 2016 (nos GPs da Espanha, em Montmeló; dos Estados Unidos, em Austin; e do Brasil, em Interlagos) e um neste ano (no GP de Mônaco). Após conquistar os 12 pontos em Marina Bay, o espanhol consolidou-se em nono na classificação do Mundial de Pilotos, com 48 pontos. Não só isso: ajudou a escuderia italiana a se aproximar da Williams na disputa pelo quinto lugar do Mundial de Construtores – o time de Faenza avançou para 52 pontos, ficando a sete da equipe de Grove (que tem 59).

Na sexta, Sainz foi anunciado como novo piloto da Renault para 2018: passo adiante na carreira

Na sexta, Sainz foi anunciado como novo piloto da Renault para 2018: passo adiante na carreira

Os ares de Marina Bay estavam favoráveis para Sainz. O nome do espanhol era fortemente cogitado para assumir o cockpit da Renault, no lugar de Jolyon Palmer. Esse rumor ganhou força após a Red Bull confirmar que manteria a dupla Daniel Ricciardo e Max Verstappen para 2018. Como essa atitude afetaria o desenrolar de sua trajetória na F1, Carlos passou a expor publicamente sua insatisfação. Com o passar do tempo, o madrileno se tornou peça-chave para um dos negócios mais complexos da Fórmula 1 nos últimos tempos: o desenlace entre McLaren e Honda. Como o time de Woking queria a todo custo desfazer a parceria com os japoneses, diversas alternativas foram tentadas. Apenas uma agradava – e, para a felicidade de Sainz, a sorte sorriria para ele.

Explica-se: a McLaren acertou-se para receber motores Renault a partir de 2018. Para ficar com os propulsores franceses, a equipe laranja repassou a unidade de potência da Honda para a Toro Rosso. Por sua vez, a Renault exigiu da Red Bull o empréstimo de Carlos para a temporada do ano que vem. Os acordos foram feitos, e Sainz, enfim, passaria a caminhar na Fórmula 1 sem o suporte da fabricante de energéticos. Cyril Abiteboul, diretor da Renault, deu as boas vindas para o espanhol. “Carlos é um piloto bastante promissor que estava em nosso radar há algum tempo, principalmente após seu sucesso nas categorias juniores da Renault. Poder confirmá-lo para 2018 é uma notícia positiva para nós. Essa escolha está bem alinhada com nossos planos estratégicos a médio prazo. Sentimos que Nico (Hulkenberg) e Carlos irão se complementar dentro e fora da pista”.

Com o futuro definido, Sainz tratou de acelerar forte nos treinos em Marina Bay

Com o futuro definido, Sainz tratou de acelerar forte nos treinos em Marina Bay

Inspirado com a boa nova, Sainz acelerou seu bólido azul em Marina Bay. Na sexta, Carlos só andou no segundo treino livre – no primeiro, seu cockpit foi ocupado pelo indonésio Sean Gelael. Na sessão noturna, anotou o 12º tempo, com 1m43s236. O espanhol foi 0s324 mais veloz do que o companheiro Daniil Kvyat, 13º com 1m43s608. O jovem madrileno ficou a 2s384 de Daniel Ricciardo (Red Bull), o mais rápido da sexta com 1m40s852. “Depois de não participar no primeiro treino livre à tarde, obviamente eu tive que usar meu tempo para me acostumar a dirigir na segunda sessão – eu tive que fazer algumas voltas extras no início para me certificar de recuperar o tempo perdido. Eu acho que nós ainda não o recuperamos totalmente, mas até o momento antes da classificação devo estar pronto e estou confiante de que conseguiremos. Para o resto, estou feliz com o meu desempenho na sessão de hoje (sexta). Ainda precisamos entender um pouco melhor algumas coisas que introduzimos no carro, mas vamos trabalhar duro para resolver isso”.

No sábado, dia da definição do grid para o GP de Cingapura, Carlos tinha uma meta: alcançar o Q3. Com a irregularidade demonstrada em Marina Bay, a Toro Rosso acreditava que o máximo possível para Sainz e Kvyat era chegar ao Q2. A dupla alcançou a segunda fase do treino. O russo ficou em 13º, com 1m42s338, sendo eliminado no Q2. Porém, o espanhol se revelou uma grata surpresa ao avançar para a sessão decisiva. No fim, Carlos assegurou a 10ª posição no grid, com 1m42s056, ficando a 2s565 de Sebastian Vettel (Ferrari), que conquistou a pole pela 49ª vez na carreira com 1m39s491.

Espanhol levou a Toro Rosso para o Q3 em Marina Bay: façanha foi bastante celebrada

Espanhol levou a Toro Rosso para o Q3 em Marina Bay: façanha foi bastante celebrada

“Estou muito feliz por ter avançado ao Q3 hoje (sábado)! Se eu disser a verdade, depois dos treinos de ontem (sexta) e desta manhã, não parecia tão competitivo. Pensei que o Q3 estava um pouco fora da nossa realidade, mas no final conseguimos encaixar uma boa volta – o ritmo voltou na classificação e estou muito satisfeito! Agora precisamos pensar na corrida, porque não vai ser fácil. Infelizmente para nós, alguns de nossos concorrentes mais próximos deram um grande passo à frente, então será uma corrida mais no lado defensivo, olhando nos espelhos. Mas tentarei fazer o meu melhor para me manter entre os pontuáveis”, analisou Sainz.

Sainz escapou ileso do incidente entre Vettel, Verstappen e Raikkonen na largada do GP de Cingapura

Sainz escapou ileso do incidente entre Vettel, Verstappen e Raikkonen na largada do GP de Cingapura

A corrida

Domingo, 17 de setembro de 2017. A noite raiou em Marina Bay com um ingrediente nunca visto nas edições anteriores do GP de Cingapura: uma tromba d’água caiu sobre o circuito momentos antes da prova. Pilotos e times se viram diante de um dilema: qual tipo de pneus usar na largada? Metade do grid optou por borracha para chuva intensa; a outra metade escolheu compostos intermediários – nesse grupo, encontrava-se Sainz. Se no sábado, o espanhol confiava na conquista de pontos, no domingo, a pista molhada poderia colocá-lo em uma boa posição. Entretanto, o que Carlos não imaginava era que uma verdadeira confusão se armaria após o apagar das luzes vermelhas, fazendo com que suas pretensões fossem totalmente alteradas.

Pole em Marina Bay, Sebastian Vettel (Ferrari) pressionou Max Verstappen (Red Bull), segundo no grid. O que o alemão e o holandês não contavam era com o impressionante avanço de Kimi Raikkonen (Ferrari). Saindo em quarto, o finlandês partiu como um raio na parte interna da reta dos boxes. Verstappen ficou encaixotado. O choque triplo foi inevitável. Os carros de Kimi e Max escaparam na primeira curva, e acabaram resvalando em Fernando Alonso (McLaren), que tentava se livrar ileso. Vettel rodaria duas curvas mais tarde em razão do acidente, sendo obrigado a abandonar. Largando em 10º, Sainz foi cauteloso e acabou sendo superado por Sergio Pérez (Force India), Jolyon Palmer (Renault) e Esteban Ocon (Force India). Como ultrapassou Alonso, e com os abandonos de Vettel, Verstappen e Raikkonen, o piloto da Toro Rosso terminou a volta 1 em nono.

Sainz mediu força contra Hulkenberg e Pérez em Marina Bay

Largar com intermediários foi fundamental para que Sainz ficasse à frente de Hulkenberg e Pérez

Diante dos múltiplos incidentes, o safety car foi acionado no circuito. Após a limpeza da pista, a relargada foi dada na volta 6. Sainz tomou um susto, passando direto na Curva 1. Ainda assim, se manteve em nono. Depois, passou a pressionar Ocon, o oitavo. Na volta 9, Carlos pressionou Esteban e, com estilo, ultrapassou o francês, assumindo a oitava posição. Na volta 11, Daniil Kvyat (Toro Rosso) errou e bateu sozinho, obrigando o retorno do safety car na pista. Com a prova sob bandeira amarela, alguns pilotos aproveitaram para realizar o primeiro pit stop na corrida. Como a pista dava sinais de melhora, Pérez, Palmer, Stoffel Vandoorne (McLaren) e Nico Hulkenberg (Renault) foram para os boxes, tirando os pneus de chuva extrema para colocar os intermediários.

Por já calçar esse tipo de composto, Sainz ganhou essas quatro posições, saltando para o quarto lugar. O espanhol ficou atrás somente de Lewis Hamilton (Mercedes), Daniel Ricciardo (Red Bull) e Valtteri Bottas (Mercedes). Quando a nova relargada foi dada, na volta 15, Carlos tinha que lidar com a pressão de Hulkenberg e Pérez. Entretanto, o madrileno estava preciso em Marina Bay, não dando chance para os adversários. Em contrapartida, não conseguia acompanhar Bottas, o terceiro colocado. Dessa forma, a missão de Sainz passou a ser consolidar a quarta colocação. Com a pista praticamente seca, os pilotos passaram a colocar pneus slicks. Carlos decidiu ir para os boxes na volta 26. Na troca, sacou os intermediários e colocou os compostos supermacios. No retorno à pista, estava em sétimo.

Focado, Carlos manteve um ritmo consistente: o prêmio foi o quarto lugar

Focado, Carlos manteve um ritmo consistente em Marina Bay: o prêmio foi o quarto lugar

Na volta 27, Hulkenberg e Pérez realizaram suas paradas. Ambos colocaram pneus ultramacios. Enquanto Sergio saiu atrás de Carlos, Nico se viu à frente do piloto da Toro Rosso, ganhando a posição na base da estratégia. Na passagem seguinte, Palmer foi aos boxes, o que colocou Sainz na quinta posição. Contudo, o espanhol não conseguia acompanhar o ritmo do alemão da Renault. Dessa forma, se voltou mais uma vez a segurar Pérez e manter o top 5 – o que já seria a melhor posição de sua carreira na F1. Na volta 38, Marcus Ericsson (Sauber) sofreu acidente em trecho estreito do circuito de Marina Bay. O carro do sueco ficou parado na pista, obrigado, mais uma vez, a entrada do safety car. Na mesma passagem, Hulkenberg se viu com problemas em seu carro, encaminhando-se para os boxes. Assim, Sainz recuperava o quarto lugar.

Na volta 41, a relargada foi realizada. Já naquele momento, sabia-se que as 61 voltas previstas não seriam completadas devido à quantidade de intervenções do safety car. A corrida se encerraria com 2 horas de duração. À Sainz, não cabia atacar Bottas, o terceiro colocado; ao espanhol, restaria preservar a quarta posição diante da pressão de Pérez, o quinto. Porém, desde o reinício da prova, Carlos se impôs contra Checo. O piloto da Toro Rosso não permitiu que o rival da Force India se aproximasse para realizar a tentativa de ultrapassagem. No fim, veio a recompensa: o quarto lugar significava o melhor resultado de Sainz desde o seu ingresso na F1, em 2015.

Apesar da pressão de Pérez, Sainz sustentou a quarta posição: festa na Toro Rosso

Apesar da pressão de Pérez, Sainz sustentou a quarta posição: festa na Toro Rosso

A vitória em Marina Bay ficou com Hamilton. O 60º triunfo do britânico foi uma conquista pra lá de inesperada, uma vez que a pista de Cingapura privilegiava os carros da Ferrari. Com a primeira posição, Lewis abriu 28 pontos de vantagem sobre Vettel no Mundial. Ricciardo terminou em segundo, seguido por Bottas. Marina Bay também viu os melhores resultados das carreiras de Palmer, sexto, e Vandoorne, sétimo. Mas a verdadeira festa encontrava-se nos boxes da Toro Rosso. Todos festejaram a conquista de Sainz, ainda mais após a confirmação de sua saída da escuderia ao fim desta temporada. “Que dia, que resultado! Eu diria que este é provavelmente o meu melhor dia na Fórmula 1 até agora! Depois de um fim de semana com tanta atenção da mídia, fazer um fim de semana perfeito e terminar a corrida em quarto é simplesmente incrível”, celebrou.

Sobre a etapa, Carlos destacou o momento mais complicado para ele. “O instante mais difícil da corrida foi o início do stint com os supermacios. Eu tentei fazer o meu melhor durante a volta de saída, mas Hulkenberg conseguiu me passar. Por sorte, ele teve um problema e, a partir de então, foi tudo sobre me defender de Checo, que tinha sido mais rápido que nós na sexta-feira e também estava com ultramacios. Era muito difícil mantê-lo para trás, olhando nos meus espelhos o tempo todo, mas no fim nós conseguimos. Eu tinha o meu voo reservado para voltar para casa hoje (domingo) a noite, mas definitivamente estou cancelando isto – precisamos celebrar este excelente resultado, todos juntos, esta equipe também fez um trabalho incrível neste fim de semana”, comemorou Sainz.

Com os 12 pontos, Sainz se consolidou na nona posição do Mundial, com 48 pontos

Com os 12 pontos, Sainz se consolidou na nona posição do Mundial, com 48 pontos

 

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Itália-2017: Esteban Ocon, o ‘melhor do resto’ em Monza

Ocon lutou com Raikkonen pelo quinto lugar, mas teve que se consolar com o top 6

Ocon lutou com Raikkonen pelo quinto lugar, mas teve que se contentar com a 6ª posição em Monza

Depois do catastrófico resultado no GP da Bélgica de 2017, em Spa-Francorchamps, quando Esteban Ocon e Sergio Pérez só faltaram chegar às vias de fato, a Force India buscava a paz entre seus pilotos na disputa do GP da Itália, em Monza. Quatro dias após a conturbada prova belga, na quinta-feira (31 de agosto), o francês e o mexicano selaram um ‘pacto de não-agressão’ durante a coletiva de imprensa promovida pela FIA no circuito italiano. Nos treinos em Monza, a diferença entre Ocon e Pérez sempre foi mínima. Entretanto, no qualifying de sábado, uma chuva torrencial atrapalhou as ações na pista. Checo se viu prejudicado e parou no Q2, enquanto Esteban avançou para o Q3. Não só isso: com um desempenho brilhante, Ocon assinalou o quinto melhor tempo dos treinos oficiais. Como os pilotos da Red Bull, Daniel Ricciardo e Max Verstappen, teriam que pagar punições no grid, o francês alinharia na terceira posição do grid. Na corrida, Ocon saltou bem e chegou a andar em segundo. Todavia, perdeu espaço para os pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Ainda assim, alcançou um ótimo sexto lugar.

O top 6 em Monza foi um alento após o terrível fim de semana em Spa. Esteban aliou velocidade com regularidade em território italiano, mostrando não só sua capacidade, mas também uma alta força mental, que o colocou à frente de Pérez, nono no GP da Itália. Após o pacto com Pérez, o francês passou a focar apenas e tão somente em acelerar seu VJM10. O objetivo era bater o mexicano e mostrar que sua confiança era inabalável. Logo na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres na pista italiana, Ocon foi o nono mais veloz do dia, com 1m22s977. Esteban ficou a 1s517 de Valtteri Bottas (Mercedes), que anotou o melhor tempo da sexta, com 1m21s406. O francês foi 0s375 mais rápido do que Pérez, 14º com 1m23s352.

Quatro dias após o embate de Spa, Ocon e Pérez tentaram manter a paz em evento promocional em Monza

Quatro dias após o embate de Spa, Ocon e Pérez andaram lado a lado em evento promocional

Após os treinos de sexta, o francês da Force India se mostrou satisfeito com o desempenho da equipe. “Foi um dia sólido de testes. Nós experimentamos muitas coisas diferentes e acho que chegamos com alguns dados muito bons no final da sexta. Estou muito feliz com a forma como as coisas aconteceram e o trabalho que realizamos – teremos de fazer o mesmo amanhã (sábado) no treino final antes da classificação. Houve muita evolução da pista à medida que o dia prosseguia: a reta principal, em particular, foi recapeada e o treino de largada ficou um pouco escorregadio. Começou a chover em certo momento, mas não durou muito, de modo que realmente não influenciou o nosso dia”, afirmou Ocon.

Se na sexta, a chuva não atrapalhou os treinos, no sábado, ela imperou em Monza. Tanto o treino livre da manhã como a sessão qualificatória à tarde ocorreram com a presença da água. Sob uma incessante chuva, a FIA deu início ao Q1. Logo nos primeiros minutos, Romain Grosjean (Haas) aquaplanou em plena reta dos boxes e sofreu um acidente. O francês esbravejou contra a direção de prova, que, prontamente, agitou a bandeira vermelha. Foram seguidos adiamentos para o reinício da sessão. O treino recomeçou quase 2 horas depois. Ainda com pista molhada, Ocon e Pérez conseguiram avançar para o Q2. Na segunda etapa do treino, Esteban demonstrou habilidade e passou entre os primeiros. Já Sergio parou em 11º, com 1m37s582.

Com a forte chuva em Monza, prevaleceu o talento de Ocon: quinto no treino, terceiro no grid

Com a forte chuva em Monza, prevaleceu o talento de Ocon: quinto no treino, terceiro no grid

Com o passar do tempo, a pista foi melhorando, e o francês da Force India atuava de forma exuberante. No fim, apontou com um impressionante quinto lugar, com 1m37s719. Ocon só ficou atrás de Lance Stroll (Williams), a sensação do sábado, com o quarto lugar, Daniel Ricciardo (Red Bull), Max Verstappen (Red Bull) e Lewis Hamilton (Mercedes), pole com 1m35s554. Pela 69ª vez, Hamilton alcançava a posição de honra na carreira, tornando-se líder isolado no ranking de pole position na história da Fórmula 1, deixando Michael Schumacher para trás – o alemão largou 68 vezes na pole. Se Lewis tinha a celebrar, Esteban também era só alegria: como Verstappen e Ricciardo perderiam 20 posições no grid por trocar elementos de seus carros, o francês sairia em terceiro no GP da Itália, atrás somente de Hamilton e Stroll.

Assim, Ocon alcançava a melhor posição de grid de sua carreira até o momento. “Uma ótima classificação. Estou realmente feliz por todos na equipe. Sabíamos que era uma oportunidade para nós, fiquei muito satisfeito por aproveitá-la. Sempre gostei de pilotar no molhado, e as condições estavam desafiadoras. O carro estava ótimo, com um excelente equilíbrio. Tenho de agradecer a equipe pelo trabalho duro. Precisaremos lutar arduamente amanhã (domingo) porque há carros velozes ao nosso redor, mas acredito que podemos marcar um bom número de pontos e terei o pódio como meta”, avaliou.

Largada do GP da Itália de 2017: Ocon saltou bem, superou Stroll e ficou atrás apenas de Hamilton

Largada do GP da Itália de 2017: Ocon saltou bem, superou Stroll e ficou atrás apenas de Hamilton

A corrida

A chuva que colocou Ocon entre as surpresas do grid de Monza foi embora no domingo, dia do GP da Itália. Um belo sol se fez presente na região do autódromo. Com o clima seco, a esperança de pódio de Esteban se tornaria uma missão quase impossível. Porém, o jovem francês não queria se entregar. Pelo contrário: ele queria curtir o momento. Logo após o apagar das luzes vermelhas, Ocon largou bem. Logo nos primeiros metros, se impôs diante de Lance Stroll (Williams) e assumiu o segundo lugar. À frente dele, apenas Lewis Hamilton (Mercedes). Entretanto, com o melhor carro do grid, o britânico disparou na liderança. A partir daí, Esteban precisava encarar a realidade. E ela não seria nada agradável para o francês.

Na volta 3, Ocon começou a ser perseguido por Valtteri Bottas (Mercedes). Após largar em quarto, o finlandês superou Stroll e passou a pressionar o francês. Foi questão de segundos: logo na passagem seguinte, Bottas superou Esteban, que caiu para terceiro. A partir da volta 5, Ocon se viu à frente de Sebastian Vettel (Ferrari). Diante dos tifosi, o alemão não estava afim de decepcionar seus fãs: na volta 8, Seb ultrapassou o francês, que caiu para quarto. Após tentar segurar (em vão) Bottas e Vettel, Esteban desgastou os pneus supermacios de seu VJM10. Assim, passou a ser pressionado por Stroll, Kimi Raikkonen (Ferrari) e Felipe Massa (Williams). Contudo, o jovem canadense não conseguia superar Ocon.

Nas primeiras voltas, Esteban andou à frente de Ferrari e Mercedes: cenário momentâneo

Nas primeiras voltas, Esteban andou à frente de Ferrari e Mercedes: cenário momentâneo

Com os pneus deteriorados, os pilotos e as equipes passaram a colocar em prática a estratégia de boxes. Todos os ponteiros partiram para uma única parada. Na volta 15, Raikkonen antecipou seu pit stop, a fim de ganhar as posições de Ocon e Stroll. Ao ver o movimento da Ferrari, a Force India chamou Esteban na passagem seguinte. Na troca, o time indiano sacou os compostos supermacios e colocou os macios. No retorno à pista, o francês estava em 10º, ainda à frente de Kimi. Com a parada de Stroll, na 17, Ocon subiu para nono. Após o pit stop de Daniil Kvyat (Toro Rosso), na 18, Esteban assumiu o oitavo posto. Na volta 21, Ocon e Raikkonen se aproximaram de Stoffel Vandoorne (McLaren). Após uma manobra arriscada na Curva Grande, o francês superou o belga e alcançou o sétimo lugar. Kimi fez o mesmo e assumiu a oitava posição.

Depois do pit stop de Massa, na 22, Ocon subiu para sexto, e Raikkonen, para sétimo. Naquele momento, a pressão de Kimi sobre Esteban era intensa. Apesar de lutar a todo custo, o francês não resistiu ao melhor equipamento do finlandês: na volta 26, Raikkonen ultrapassou Ocon, que caiu para sétimo. À frente de Esteban, estavam Sergio Pérez (Force India) e Daniel Ricciardo (Red Bull), que iniciaram a corrida com pneus macios e estenderam seus stints ao máximo. Na volta 33, Pérez foi aos boxes, fazendo com que o francês reassumisse o sexto lugar. Na 38, foi a vez de Ricciardo realizar sua única parada. O australiano, porém, saiu do pit stop à frente de Ocon. Assim, o sexto lugar era a posição de fato para Esteban.

Ocon resistiu por algumas voltas, mas perdeu quinto lugar para Raikkonen: francês andou no limite do VJM10

Ocon resistiu por voltas, mas perdeu 5º lugar para Raikkonen: francês andou no limite do VJM10

Além de perder contato com os cinco primeiros colocados, Ocon tinha a companhia de Stroll, Massa e Pérez (que voltou em nono, com pneus novos). Apesar da proximidade dos adversários, Esteban não sofreu tentativas de ultrapassagem. No fim, assegurou um excelente top 6 no GP da Itália. A vitória ficou com Hamilton, seguido por Bottas e Vettel. Com o resultado, Lewis assumiu pela primeira vez na temporada a liderança do Mundial, com três pontos de vantagem sobre Seb (238 a 235). Já Ocon se consolidou em oitavo na tabela de classificação, com 55 pontos, a apenas 3 de Pérez, o sétimo e seu principal rival no ano (com 58).  Diante disso, Esteban estava feliz com o resultado.

“Eu me diverti na corrida e estou feliz com nossa performance. Ao mesmo tempo, estou um pouco desapontado porque queria subir ao pódio. Mas você precisa ser realista, não tivemos velocidade para acompanhar Mercedes e Ferrari, então creio que o sexto lugar era o máximo que poderíamos alcançar. Em certo ponto, estávamos lutando contra Raikkonen e pensei que poderíamos mantê-lo atrás, mas ele estava rápido demais. Também tive uma boa batalha com Stroll e trabalhei duro para mantê-lo atrás de mim. Com a classificação forte ontem (sábado) e o sexto lugar de hoje (domingo), foi um ótimo fim de semana. Tenho de agradecer a equipe pelo trabalho duro e por me dar um carro tão competitivo”, festejou Ocon.

Ocon celebrou o top 6 em Monza: francês está a 3 pontos de Pérez no duelo da Force India

Ocon celebrou o top 6 em Monza: francês está a 3 pontos de Pérez no duelo da Force India

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