Abu Dhabi-2019: Sainz arranca ponto e é top 6 do Mundial

Carlos Sainz Jr. conquistou precioso ponto na última volta de Yas Marina: top 6 do Mundial

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Com o título já nas mãos de Lewis Hamilton (Mercedes), as atenções do GP de Abu Dhabi, realizado no dia 1º de dezembro de 2019, em Yas Marina, se voltaram para três pilotos: Carlos Sainz Jr. (McLaren), Pierre Gasly (Toro Rosso) e Alex Albon (Red Bull). O motivo: a disputa pelo sexto lugar no Mundial. Pode parecer pouco, mas numa temporada dominada por Mercedes, Ferrari e Red Bull, o que se esperava é que seus pilotos ocupassem as seis primeiras posições no campeonato. Mas apenas cinco deles estavam garantidos no top 6: Hamilton, Valtteri Bottas (Mercedes), Max Verstappen (Red Bull), Charles Leclerc (Ferrari) e Sebastian Vettel (Ferrari). Dentro dessa lógica, a sexta colocação seria ocupada por um dos pilotos da Red Bull, que começou a temporada com Gasly e terminou com Albon. Porém, essa troca permitiu a aproximação de Sainz na tabela. Na pista de Yas Marina, a disputa entre o trio durou até a última volta da corrida. No fim, o espanhol da McLaren obteve o ponto necessário para superar seus adversários diretos e garantir o sexto lugar no Mundial.

Abu Dhabi foi o palco definitivo de uma batalha que envolveu três jovens pilotos por um lugar entre os principais pilotos da Fórmula 1 em 2019. Gasly e Sainz desembarcaram no Oriente Médio com 95 pontos cada, enquanto Albon tinha 84 pontos. Para Pierre, que vinha de um excelente segundo lugar no GP do Brasil, em Interlagos, a disputa prometia ser acirrada. “É muito emocionante chegar na última corrida com algo em jogo no campeonato. Carlos (Sainz) e a McLaren têm sido rápidos o ano todo, consistentes. E vai ser nossa tarefa fazer um fim de semana perfeito e segurar o sexto lugar”.

Sainz e Gasly chegaram em Yas Marina com mais chance de terminar em sexto. Mas o melhor carro era de Albon
Sainz e Gasly chegaram em Yas Marina com mais pontos. Mas o melhor carro era de Albon

Já para Sainz, o top 6 seria a cereja do bolo, depois de fazer uma ótima temporada com a McLaren, equipe que havia confirmado o quarto lugar no Mundial de Construtores, graças ao terceiro posto do madrileno em Interlagos. “(O sexto lugar) é como se fosse um bônus. Você nunca espera estar brigando pelo top 6 estando no pelotão intermediário. Você espera lutar pelo sétimo lugar. E agora que nós temos a chance, queremos essa conquista’’. E, para Albon, a corrida serviria mais como experiência, já que, com 11 pontos a menos, suas chances eram menores. “Eu quero terminar este fim de semana com sucesso, esse é o objetivo. Eu fiz oito corridas na Red Bull e aprendi muito. Eu estou progredindo, mas estou perdendo para meu companheiro de equipe (Max Verstappen) e tentarei reduzir essa diferença”, avaliou o anglo-tailandês.

Os três estavam determinados a fazer o melhor em Yas Marina. No primeiro treino livre, Albon se saiu bem melhor do que seus rivais, terminando a sessão em quarto, com 1m38s084. Já Gasly e Sainz não foram bem, ficando somente na frente dos carros da Williams e de Daniel Ricciardo (Renault), que teve problemas no motor no meio do treino. Pierre terminou em 16º, com 1m40s401, contra 1m40s687 de Sainz, 17º na sessão. Valtteri Bottas (Mercedes) foi o mais veloz, com 1m36s957. Porém, o finlandês teve que trocar de motor e seria obrigado a largar do fim do grid. Max Verstappen (Red Bull) foi o segundo, com 1m37s492, seguido de Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m37s591. No segundo treino livre, Albon, Sainz e Gasly andaram mais próximos. O tailandês da Red Bull ainda foi o mais veloz do trio, terminando o treino em sexto, com 1m37s288. O francês da Toro Rosso foi o 10º, com 1m37s770, e o espanhol da McLaren ficou em 11º, fazendo 1m37s834. Bottas fez novamente o melhor tempo, mesmo se envolvendo em uma batida com Romain Grosjean (Haas). Hamilton, Charles Leclerc (Ferrari), Sebastian Vettel (Ferrari) e Verstappen completaram os cinco primeiros.

Assim como Albon, Sainz conseguiu levar a McLaren ao Q3; Gasly caiu no Q2
Assim como Albon, Sainz conseguiu levar a McLaren ao Q3; Gasly caiu no Q2

O sábado seria decisivo para a disputa pelo sexto lugar do Mundial. Aproveitando-se do potencial da Red Bull, Alexander Albon era nome certo na sessão decisiva do qualifying de Yas Marina. Já Carlos Sainz Jr. e Pierre Gasly iriam trabalhar muito para colocar McLaren e Toro Rosso, respectivamente, no Q3. Entretanto, o francês não cumpriu a missão, caindo no Q2. Com 1m37s089, Gasly teve que se contentar com o 12º lugar Por outro lado, Albon e Sainz alcançaram a sessão final de 2019. No Q3, o tailandês se deu
melhor e terminou em sexto, com 1m35s682. Já o espanhol foi o nono, com 1m36s459.

Na frente, Hamilton ficou com a pole position, com o tempo de 1m34s779. Bottas fez o segundo melhor tempo, mas, punido, largaria em último, dando a segunda posição para Verstappen. E todos os demais também ganhariam uma posição no grid. Com isso, Albon subiu para quinto, Sainz para oitavo e Gasly para 11º. No ponto de vista do espanhol, o resultado do qualifying foi decepcionante, já que vinha fazendo bons tempos durante as duas primeiras sessões. “Eu estou muito desapontado com o resultado de hoje (sábado), porque eu vinha forte no Q1 e Q2. Mas na minha volta de aquecimento no Q3 foi longe do ideal. Nós ficamos presos entre as Mercedes e a Ferrari, então eu não pude preparar bem a temperatura dos pneus e minha última tentativa foi comprometida. É uma pena, porque se eu igualasse minha volta no Q2, eu seria o sétimo”, lamentou.

Largada do GP de Abu Dhabi de 2019: Albon e Sainz mantiveram posições; Gasly caiu pro final do pelotão
Início em Yas Marina: Albon e Sainz fizeram boas largadas; Gasly caiu pro final do pelotão

A corrida

Domingo, 1º de dezembro de 2019. No último mês do ano, acontecia a derradeira etapa do Mundial. Yas Marina era palco de mais um GP de Abu Dhabi. Com a disputa pelo título definida, os pilotos estavam sem cobranças sobre os ombros. Bem, nem todos: Alexander Albon (Red Bull), Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Pierre Gasly (Toro Rosso) estavam focados na disputa pelo sexto lugar. Na largada, Albon se manteve na quinta posição, enquanto Sainz ganhou uma posição e ascendeu para o sétimo lugar. Já Gasly teve uma primeira volta desastrosa: o francês tocou com Lance Stroll (Racing Point) e precisou ir aos boxes para trocar a asa dianteira de seu Toro Rosso. Com isso, caiu para o último lugar. Na frente, Lewis Hamilton (Mercedes) se manteve na liderança, seguido por Max Verstappen (Red Bull), Charles Leclerc (Ferrari) e Sebastian Vettel (Ferrari).

Enquanto Albon se mantinha no ritmo dos quatro primeiros colocados, Sainz passava a perseguir Lando Norris (McLaren). Entretanto, um problema nos sensores do circuito de Yas Marina impediu os pilotos de usar o DRS, mecanismo fundamental para as ultrapassagens na pista do Oriente Médio. Carlos teve que esperar até a oitava volta para ganhar a posição de Norris – o britânico foi aos boxes para fazer sua primeira parada. Contudo, naquele momento, o espanhol já estava a oito segundos do tailandês da Red Bull. Na volta 12, Sainz fez sua primeira parada, e retornou à pista em 15º. Albon parou na volta seguinte e voltou em sétimo.

Sainz duela com Norris: em Yas Marina, britânico esteve mais sólido
Sainz duela com Norris: em Yas Marina, britânico esteve mais sólido e terminou em oitavo

Na frente, Hamilton continuava na liderança, seguido de Verstappen e Leclerc. Os dois primeiros colocados só pararam nas voltas 25 e 26, com Lewis conservando a ponta e Max caindo para terceiro, atrás de Leclerc. Com pneus mais novos, o holandês da Red Bull superou o monegasco da Ferrari e recuperou o segundo lugar na volta 32. Vindo do fim do grid, Valtteri Bottas (Mercedes) fez sua única parada na volta 35. Assim, Vettel reassumiu o quarto lugar, e Albon recuperou a quinta posição. Naquele momento, Sainz ocupava a 11ª colocação, mas se aproximava de Nico Hulkenberg (Renault). Porém, na volta 43, a McLaren chamou o espanhol para um segundo pit stop. Ao voltar para a pista, Carlos estava num distante 14º lugar.

Para Sainz, o cenário parecia desolador. Ele precisava de pelo menos um ponto para garantir o sexto lugar no campeonato, já que Gasly estava longe da zona de pontuação e Albon precisava do quarto lugar – naquele instante, o tailandês era o quinto colocado. Apesar da tarefa difícil, as coisas começaram a melhorar para o espanhol já na volta 44,
quando Daniel Ricciardo (Renault) também parou nos boxes, dando uma posição para Carlos. Logo depois, o espanhol superou Kevin Magnussen (Haas) para assumir o 12º lugar. O próximo a ser ultrapassado foi Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), na volta 46.

Sainz arranca no fim, supera Hulkenberg e conquista valioso ponto para levar top 6 do Mundial
Sainz arranca no fim, supera Hulkenberg e assegura top 6 do Mundial

A duas voltas para o fim, Vettel ultrapassou Albon, acabando de vez com as chances do anglo-tailandês na disputa. Em 11º, Carlos dependia dele mesmo. Mas a missão era ingrata. Ele precisava ultrapassar Hulkenberg. Mas havia pouco tempo. Na última volta, Sainz batalhou com afinco e ultrapassou Hulk, cruzando a linha de chegada em 10º e
conquistando o ponto que deu a ele o sexto lugar no Mundial de Pilotos. A conquista foi motivo de comemoração não só para a McLaren, mas também para Sainz, já que o
último piloto espanhol a conquistar o sexto lugar no campeonato foi Fernando Alonso, em 2014, quando fazia sua última temporada com a Ferrari. Essa também foi a melhor
posição final de Carlos na F1 até 2019 – antes, tinha o nono lugar de 2017 como melhor
resultado.

“Estou muito feliz! Nosso objetivo neste fim de semana era terminar em sexto no
Mundial de Pilotos e nós fizemos isso acontecer! Nós decidimos fazer duas
paradas, sabendo que isso ia me colocar em uma posição delicada para chegar no top
10, mas também sabendo que era minha única chance. Eu consegui alcançar o
(Nico) Hulkenberg no final e arranquei uma ultrapassagem na última volta. Foi uma manobra que eu nunca vou me esquecer. Estou muito feliz com minha temporada e extremamente grato a cada membro da equipe”, declarou o espanhol, que terminou a temporada com 96 pontos, contra 95 de Gasly e 92 de Albon. Na frente, Hamilton ficou com a vitória em Yas Marina, com Verstappen em segundo e Leclerc completando o pódio. Hamilton já tinha levado o título no GP dos Estados Unidos, em Austin, e fechou a temporada com 413 pontos. Bottas terminou em segundo, com 326, e Verstappen fechou em terceiro, com 278.

A turma de 2019: Hamilton conquistou o hexa, mas Sainz celebrou top 6 como um título
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* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade’”.
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E-mail: denisevilche@gmail.com

(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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