México-2019: arquibancadas empurram Pérez para o 7º lugar

Sergio Pérez deu um show à parte em casa: top 7 encheu os mexicanos de orgulho

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Sergio Pérez se tornou um dos principais ídolos do esporte mexicano no século 21. Na Fórmula 1 desde 2011, coube a Checo quebrar um jejum de 30 anos sem representantes do México na categoria máxima do automobilismo – antes dele, o último havia sido Héctor Rebaque, em 1981. O país havia vivido sua glória na F1 com Pedro Rodríguez, o dono das duas únicas vitórias astecas até o momento – nos GPs da África do Sul de 1967, em Kyalami, e da Bélgica de 1970, em Spa-Francorchamps. E Sergio reacendeu a chama de um novo triunfo mexicano na categoria. Ao longo de sua trajetória, Pérez não tem decepcionado – seus pódios na F1 o credenciam à conquista de uma vitória. Os mexicanos confiam em Checo. E o público que lotou o Autódromo Hermanos Rodríguez no dia 27 de outubro de 2019, para ver o herói local dar um show no GP do México, não ficou decepcionado. A bordo de seu Racing Point, Sergio segurou a Renault de Daniel Ricciardo e terminou a corrida na sétima posição pela terceira vez na temporada, em uma corrida que o mexicano classificou de “perfeita”.

O resultado no Hermanos Rodríguez ratificou a evolução do mexicano da Racing Point na segunda metade do campeonato. Pérez desembarcou na Cidade do México na nona posição do Mundial, com 37 pontos, 16 a mais que seu companheiro de equipe, Lance Stroll – o canadense era 15º, com 21 pontos. O objetivo de Checo em sua corrida caseira era o de alcançar o posto de ‘melhor do resto’, ficando atrás somente das duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Com essa meta em mente, Sergio partiu para os dois primeiros treinos livres do GP do México, na sexta-feira.

Checo saúda a torcida no Hermanos Rodríguez: objetivo do piloto da Racing Point era entregar um bom resultado aos fãs
Checo saúda a torcida: objetivo do piloto era entregar um bom resultado aos fãs

O primeiro treino livre não parecia promissor para Pérez. O mexicano anotou apenas o 17º tempo, com 1m19s717, ficando uma posição atrás de Stroll – seu companheiro de equipe, com o tempo de 1m19s679, assegurou a 16ª posição. Com a pista úmida e pouca aderência, a disputa pelas primeiras posições foi acirrada. No fim, Lewis Hamilton (Mercedes) levou a melhor, com 1m17s327, 0s119 à frente de Charles Leclerc (Ferrari), segundo com 1m17s446. Max Verstappen (Red Bull), Alexander Albon (Red Bull), Valtteri Bottas (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari) fecharam o top 6 do primeiro treino livre. Na segunda sessão, a Racing Point demonstrou uma leve evolução. Sergio conseguiu o 12º lugar, com 1m18s366. Entretanto, assim como no primeiro treino, o mexicano ficou atrás de Stroll, 11º com 1m18s362. O melhor tempo ficou com Vettel, com 1m16s607. Verstappen terminou em segundo, com 1m16s722, seguido de Leclerc, Bottas, Hamilton e Daniil Kvyat (Toro Rosso).

No sábado, a expectativa para a Racing Point era superar o Q2 e avançar para a fase decisiva do qualifying no Hermanos Rodríguez. Contudo, tanto Pérez quanto Stroll voltaram a encontrar dificuldades na pista mexicana. O canadense sequer conseguiu avançar para o Q2. Já Checo lutou muito. Todavia, acabou sendo superado por Pierre Gasly (Toro Rosso) por apenas 0s008, caindo no Q2 com 1m16s687, o suficiente para lhe garantir o 11º lugar na sessão. Na disputa decisiva do qualifying, Verstappen foi o mais veloz, com 1m14s758. Porém, sua volta acabou sendo desconsiderada, pois ignorou as bandeiras amarelas exibidas após o acidente de Bottas. Com isso, Max perdeu três posições no grid. Já a pole position sobrou com Leclerc, com 1m15s024, seguido por Vettel (1m15s170) e Hamilton (1m15s252). Verstappen, por sua vez, caiu para a quarta posição. Albon e Bottas fecharam o top 6 do grid do GP do México.

Largada do GP do México de 2019: Pérez se livrou de confusão e seguiu em 11º
Largada do GP do México de 2019: Pérez se livrou de confusão e seguiu em 11º

A corrida

Na largada, Charles Leclerc (Ferrari), o pole, se manteve na frente, trazendo Sebastian Vettel (Ferrari) em segundo. Na disputa pelo terceiro lugar, Lewis Hamilton (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull) se tocaram, com os dois pilotos saindo da pista. Com isso, Alexander Albon (Red Bull) assumiu o terceiro lugar, com Carlos Sainz Jr. (McLaren) em quarto e Hamilton caindo para quinto. A disputa por posições foi interrompida por um safety car virtual ainda na primeira volta, para retirar detritos deixados pelos carros após a largada. Naquele momento, Sergio Pérez (Racing Point) já havia se esquivado dos incidentes e seguia em 11º. Os pilotos foram liberados para a relargada na terceira volta. Pérez passou a perseguir Pierre Gasly (Toro Rosso), ultrapassando o francês na volta seguinte. O mexicano da Racing Point ainda ganharia mais uma posição na volta 5, quando Verstappen sofreu um furo no pneu ao disputar o sétimo lugar com Valtteri Bottas (Mercedes). Assim, Sergio subiu para nono.

A próxima vítima de Checo seria Daniil Kvyat (Toro Rosso). O asteca conseguiu tomar o oitavo lugar do russo na 10ª volta, para delírio da torcida mexicana. Na volta 12, Pérez contou com o pit stop de Lando Norris (McLaren) para alcançar a sétima posição. O ingresso do mexicano no top 6 do GP do México ocorreu na volta 15, graças à parada de Sainz. Naquele momento, Sergio estava atrás somente de Leclerc, Vettel, Hamilton, Bottas e Albon. O piloto da casa fez sua parada na volta 20, voltando na 10ª colocação, mas logo ganhou duas posições: uma, ao ultrapassar Kvyat; a outra, devido à parada de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo). Além disso, tinha Lance Stroll (Racing Point) e Daniel Ricciardo (Renault) à sua frente, mas o canadense e o australiano ainda não tinham realizado suas paradas.

Estratégia da Racing Point para Pérez era de um pit stop: tática foi fundamental para a ascensão na corrida
Estratégia da Racing Point para Pérez era de um pit stop: tática fundamental para o resultado

Na volta 38, Stroll foi para os boxes, o que colocou Pérez em sétimo. Entretanto, na 42, o mexicano acabou sendo ultrapassado por Verstappen, que vinha fazendo prova de recuperação após os problemas no início da corrida. Sergio só recuperou a sétima colocação com a parada de Ricciardo na volta 50. O australiano estendeu ao máximo sua presença na pista, para que pudesse ter pneus novos e macios para atacar Checo por um lugar no top 7. Com pneus usados por 30 voltas, Pérez teria que segurar Ricciardo, que voltou a menos de 2 segundos do piloto da Racing Point. Na volta 61, a 10 do fim, a diferença caiu para menos de meio segundo e Daniel tentou a ultrapassagem. O piloto da Renault acabou perdendo o ponto de freada e saiu da pista, dando um pouco de descanso para Sergio.

Na frente, enquanto Hamilton tinha uma vantagem de mais de 2 segundos para Vettel, o segundo colocado, o piloto da Ferrari era atacado por Bottas. Mas o finlandês acabou se acomodando no terceiro lugar. Seb ainda tentou se aproximar de Lewis, mas o britânico cruzou a linha de chegada com 1s5 de vantagem sobre o alemão. Já no duelo pelo sétimo lugar, Ricciardo voltou a se aproximar de Pérez. A diferença entre eles chegou a cair para meio segundo faltando 3 voltas para o fim. O piloto da Renault bem que tentou, mas não conseguiu ultrapassar o rival da Racing Point, que, com garra, assegurou a sétima posição do GP do México. “Foi como uma vitória para nós. Este é um dia fantástico para mim e para a equipe. Eu acredito que essa corrida foi perfeita. É especial marcar pontos em sua corrida em casa, na frente dos fãs, que me deram tanto apoio nesta semana”, declarou o mexicano, que agradeceu à equipe pelo desempenho do carro e exaltou sua luta contra Ricciardo no final da corrida.

Checo considerou 'uma vitória' a conquista do sétimo lugar na etapa mexicana
Checo considerou ‘uma vitória’ a conquista do sétimo lugar na etapa mexicana

Com o resultado, Perez passou a ser o nono colocado no campeonato, com 43 pontos, cinco a mais do que Ricciardo (38). Apesar do bom resultado, Sergio dificilmente vai igualar neste ano um feito de Pedro Rodriguez: o de melhor mexicano ranqueado numa classificação final de campeonato. Pedro, que junto com seu irmão Ricardo dá nome ao circuito que recebe o GP do México, terminou em sexto nas temporadas de 1967 e 1968. Por sua vez, Checo finalizou em sétimo em duas oportunidades: 2016 e 2017. Neste momento, ele está a 34 pontos de Pierre Gasly, atual sexto colocado com 77 pontos. Já na luta pelo título, Hamilton continuou na liderança após a etapa mexicana, com 363 pontos, seguido de Bottas, com 289, e Leclerc, com 236.

Checo subiu para 43 pontos no Mundial de Pilotos, assumindo a nona posição do campeonato
Checo subiu para 43 pontos, assumindo a nona posição no Mundial de Pilotos
* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade’”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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