Hungria-2019: Sainz doma Red Bull de Gasly e celebra 5º lugar

Carlos Sainz Jr. segurou Gasly por mais da metade do GP da Hungria: esforço rendeu novo top 5

Carlos Sainz Jr. segurou Gasly por mais da metade do GP da Hungria: esforço rendeu novo top 5

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Carlos Sainz Jr. (McLaren) comemorou com entusiasmo a quinta posição no GP da Hungria, realizado no dia 4 de agosto de 2019, em Hungaroring. O espanhol já tinha conquistado um quinto lugar na etapa anterior – no GP da Alemanha, em Hockenheim-, mas o resultado da etapa húngara teve um gostinho mais especial. Se levarmos em conta que Mercedes, Ferrari e Red Bull dominavam as seis primeiras posições do grid, conseguir segurar a Red Bull de Pierre Gasly e terminar no top 5 foi como uma vitória para Sainz. E, também, uma mostra da melhora da McLaren durante o ano, ainda mais em um circuito que não favorecia a equipe britânica.

Quando desembarcou em Hungaroring, Carlos ocupava um convincente sétimo lugar no Mundial de Pilotos, com 48 pontos. O madrileno tinha 26 a mais do que seu companheiro de McLaren, Lando Norris – o britânico somava 22 pontos. Mas a briga de Sainz no campeonato não era contra Norris. Seu olhar era para o alto: ele estava a apenas sete pontos de Gasly, que fazia uma temporada abaixo das expectativas no cockpit da Red Bull – com 55 pontos, o francês era o sexto no Mundial.

Na sexta, Sainz desafiou a pista molhada de Hungaroring

Na sexta, Sainz desafiou a pista molhada durante o segundo treino livre de Hungaroring: 14º tempo

Na sexta-feira, a McLaren queria fazer valer a condição de quarta força do Mundial. No fim do primeiro treino livre em Hungaroring, a equipe laranja colocou seus pilotos entre os 10 primeiros: Norris ficou em oitavo, com 1m18s531, contra 1m18s702 de Sainz, nono colocado na sessão. Lewis Hamilton (Mercedes) foi o mais rápido, com 1m17s233, seguido por Max Verstappen (Red Bull), que anotou 1m17s398. Atrás do britânico da Mercedes e do holandês da Red Bull, vieram Sebastian Vettel (Ferrari), Pierre Gasly (Red Bull), Kevin Magnussen (Haas), Charles Leclerc (Ferrari) e Nico Hulkenberg (Renault), mostrando que as forças estavam equilibradas na pista húngara.

No segundo treino livre, a chuva acabou sendo fator determinante para o resultado final. Ela até ameaçou dar uma trégua, mas depois voltou a cair forte, impedindo os pilotos de melhorar seus tempos. Quando a pista ainda não estava tão molhada, a Red Bull foi para a pista e assegurou os melhores tempos: Gasly anotou 1m17s854 e foi o mais veloz, seguido por Verstappen, com 1m17s909. As Mercedes de Hamilton e Bottas vieram depois, em terceiro e quarto, respectivamente. Sainz ainda tentou dar uma volta com os pneus para pista seca. Porém, terminou apenas em 14º, com 1m19s398, ficando quatro posições à frente de Norris, que foi 18º, com 1m20s401.

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu superar Norris no Q3: diferença foi de 0s052

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu superar Norris no Q3: diferença foi de 0s052

No sábado, a expectativa era positiva para o qualifying nos boxes da McLaren. Tanto Sainz quanto Norris estavam otimistas em colocar o time de Woking no Q3 de Hungaroring. A dupla foi para a pista e deu conta do recado: Norris fez um ótimo sétimo tempo, com 1m15s800, batendo Sainz por 0s052 – Carlos fez 1m15s852 e teve que se conformar com a oitava posição no grid. O espanhol, no entanto, comemorou o resultado. “Hoje (sábado) foi um dia positivo para a equipe. Chegando para o fim de semana, nós não tínhamos certeza sobre o desempenho do carro nesta pista, mas nós conseguimos tomar as decisões certas com o acerto do carro e colocamos os dois carros no Q3 num circuito difícil”, declarou. 

Já na disputa pela pole position do GP da Hungria, Verstappen desencantou e anotou a sua primeira pole na Fórmula 1. Max se tornou o primeiro holandês a conseguir tal feito. Além disso, foi o 100º piloto a conquistar uma pole na categoria. Na fase decisiva do treino, o piloto da Red Bull fez 1m14s572 e superou Bottas por 0s012 – o finlandês anotou 1m14s584. Hamilton ficou em terceiro, seguido por Leclerc e Vettel.

Largada frenética do GP da Hungria de 2019: Sainz saltou de oitavo para sexto

Largada frenética do GP da Hungria de 2019: Sainz saltou de oitavo para sexto

A corrida

Ocupando a quarta fila do GP da Hungria de 2019, Lando Norris e Carlos Sainz Jr. almejavam fazer uma boa largada em Hungaroring para se consolidar a McLaren na luta pelos pontos. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o espanhol se aproveitou da péssima saída de Pierre Gasly (Red Bull). Além disso, ganhou a posição de Norris, saltando do oitavo para o sexto lugar. O britânico também superou Gasly, se mantendo na sétima colocação. Na frente, Max Verstappen (Red Bull), Lewis Hamilton (Mercedes) e Valtteri Bottas (Mercedes) ficaram lado a lado na primeira curva, com o holandês, que estava pelo lado de dentro, conservando a primeira posição. Hamilton ganhou a segunda posição, enquanto Bottas ainda perderia a terceira colocação para Charles Leclerc (Ferrari) durante a primeira volta.

Com a asa dianteira quebrada na disputa com Leclerc, Bottas teve que parar nos boxes na quinta volta e Sainz acabou herdando o quinto lugar. Já Valtteri voltou na última colocação e precisou escalar o pelotão para retornar às primeiras posições. O que o finlandês não esperava era encontrar uma disputa acirrada com Daniel Ricciardo (Renault). Outra disputa acirrada aconteceu na volta 18, entre os dois carros da Toro Rosso. Por cinco curvas, Alexander Albon e Daniil Kvyat andaram lado a lado. No fim, o anglo-tailandês escapou da pista e perdeu a 12ª posição para o russo.

Problema de Bottas fez com que Sainz herdasse a quinta posição: desempenho convincente

Problema de Bottas fez com que Sainz herdasse a quinta posição: desempenho convincente

Na frente, Verstappen continuava na liderança, seguido por Hamilton, Leclerc, Vettel e Sainz. Naquele momento, Max passava a reclamar da falta de aderência nos pneus, mas a Red Bull precisava que o holandês continuasse na pista para não perder a posição para Hamilton nos boxes. O britânico da Mercedes, ao contrário, dizia que os pneus ainda estavam bons e podia se manter na pista por mais tempo. Na volta 24, a diferença entre os dois primeiros colocados era de cerca de um segundo. Na 25, Verstappen fez sua parada e conseguiu voltar em segundo, à frente de Leclerc. Na 30, Sainz realizou seu único pit stop programado, voltando à pista em quinto – mas com Gasly em seus calcanhares.

Naquele instante, todos os olhos se voltaram para Hamilton, que precisava abrir uma vantagem suficiente para voltar à frente de Verstappen. Na volta 31, Lewis fez sua parada, mas um problema durante o pit stop fez com que voltasse na segunda colocação. Com pneus mais novos, o britânico da Mercedes logo diminuiu a diferença entre ele e Verstappen para menos de um segundo. Na volta 39, Hamilton e Verstappen chegaram para aplicar uma volta em Ricciardo. Lewis se aproveitou do momento para tentar superar Max. O duelo foi eletrizante: os dois ficaram se revezando na liderança por algumas curvas, até que Hamilton acabou saindo da pista e deixando Verstappen abrir um pouco de vantagem na frente.

O quinto lugar de Hungaroring foi o segundo consecutivo de Sainz: ele havia sido quinto em Hockenheim

O quinto lugar de Hungaroring foi o segundo consecutivo de Sainz: ele havia sido P5 em Hockenheim

Na volta 48, Lewis fez mais uma parada, voltando mais de 21 segundos atrás da Max. A mudança de estratégia da Mercedes foi precisa. Com pneus mais novos, Hamilton começou a diminuir a diferença e, com cinco voltas para o fim, o britânico estava a menos de dois segundos de Verstappen. Na volta seguinte, a diferença caiu para menos de meio segundo. Quando os dois abriram a volta 67, Hamilton aproveitou a reta para fazer a ultrapassagem sobre Verstappen e assumir a liderança. Com bastante vantagem sobre Leclerc e Vettel, Max acabou parando nos boxes logo em seguida. Aliás, o duelo interno da Ferrari foi decidido na base da estratégia. Com pneus mais novos, Vettel conseguiu se aproximar de Leclerc e, com duas voltas para o fim, ultrapassou o monegasco e assumiu o terceiro lugar.

Com 18 segundos de vantagem, Hamilton cruzou a linha de chegada e venceu o GP da Hungria pela sétima vez em sua carreira. Verstappen chegou em segundo e Vettel completou o pódio. Sainz, por sua vez, segurou a pressão de Gasly por mais da metade da corrida de Hungaroring e garantiu mais um top 5. “Meu segundo quinto lugar consecutivo, o que eu acho que nunca consegui na minha vida, por isso eu estou muito feliz, especialmente com esse. Eu não sei porquê, mas a sensação é melhor do que quando eu consegui em Hockenheim”, disse Carlos após a etapa, declarando que ter segurado Gasly por tanto tempo e ainda ter terminado na frente da Mercedes de Bottas fez o resultado ser mais especial.

Com o resultado de Hungaroring, Sainz reduziu para cinco a diferença entre ele e Gasly no duelo pelo 6º lugar do Mundial

Sainz reduziu para cinco pontos a diferença entre ele e Gasly no duelo pelo 6º lugar do Mundial

E o melhor: além de se consolidar em sétimo no Mundial, com 58 pontos, Sainz conseguiu diminuir a diferença em relação a Gasly – com a sexta posição, o francês passou a somar 63 pontos no Mundial, apenas cinco à frente do espanhol da McLaren.

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade’”.
Instagram: @denisevilche
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E-mail: denisevilche@gmail.com

(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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