EUA-2016: Sainz Jr. não resiste a Alonso, mas obtém 6º lugar

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu segurar Alonso no fim: sexto lugar heroico em Austin

Sainz Jr. bem que tentou, mas não conseguiu segurar Alonso no fim: sexto lugar heroico em Austin

Carlos Sainz Jr. viveu um de seus pontos altos de 2016 no GP dos Estados Unidos, disputado no último domingo, no Circuito das Américas, em Austin (Texas). Com uma condução irrepreensível, o espanhol não só levou seu Toro Rosso ao Q3, no sábado, como colocou seu STR11 no top 5 da etapa norte-americana. No fim, sem pneus, não resistiu ao ataque de seu ídolo, o bicampeão Fernando Alonso (McLaren). Ainda assim, Sainz Jr. assegurou um impecável sexto lugar na corrida ianque. Com o resultado, Carlos igualou seu melhor desempenho na Fórmula 1 – ele havia alcançado um lugar no top 6 no GP da Espanha de 2016, em Montmeló. Dessa forma, o madrileno se manteve em 12º no Mundial de Pilotos, com 38 pontos, e praticamente consolidou a sétima posição da Toro Rosso no Mundial de Construtores – após a prova de Austin, o time italiano subiu para 55 pontos, 26 à frente da Haas (que tem 29 pontos).

A performance de Sainz Jr. superou as expectativas da Toro Rosso em solo estadunidense. Quando o hispânico e seu companheiro de equipe, Daniil Kvyat, desembarcaram no Texas, vislumbravam apenas alcançar um lugar no top 10. Logo nos primeiros treinos, na sexta-feira, a meta parecia atingível: Carlos anotou o 11º melhor tempo do dia, com 1m38s971. O espanhol foi 0s231 mais veloz do que Kvyat, 15º com 1m39s202, e ficou a 1s613 de Nico Rosberg (Mercedes), que marcou o melhor tempo do dia, com 1m37s358. “Em geral, foi uma sexta-feira positiva – no ano passado nós não conseguimos fazer muitas voltas aqui no seco, por isso foi uma nova pista para mim desta vez. Eu tenho que dizer que eu aproveitei o dia: esta é uma pista especial e excitante para se pilotar. Do ponto de vista do desempenho, estamos exatamente onde esperávamos estar, mas vamos continuar a trabalhar duro e ver onde nós acabaremos no final do domingo”, analisou o espanhol.

Avançar para o Q3 parecia missão impossível, mas Sainz foi lá e fez: 10º no grid

Avançar para o Q3 parecia missão impossível, mas Sainz Jr. foi lá e fez: 10º no grid

No sábado, avançar para o Q3 parecia uma missão impossível para a dupla da Toro Rosso. Também pudera: diante dos desempenhos das duplas de Mercedes, Ferrari, Red Bull, Williams e Force India – os cinco principais times da temporada –, o objetivo deveria ser o Q2 e nada mais. Kvyat parou nesta fase (anotou 1m37s480, assegurando o 13º lugar no grid). Mas Sainz Jr. foi lá e fez, batendo Sergio Pérez (Force India) e conquistando um lugar no Q3. No fim, anotou o 10º tempo, com 1m37s326. A marca do espanhol foi 2s327 inferior à obtida por Lewis Hamilton (Mercedes), pole position do GP dos Estados Unidos, com 1m34s999.

A 10ª posição no grid encheu Sainz Jr. de confiança para a etapa norte-americana. “Eu não poderia estar mais feliz. Após um terceiro treino complicado – onde não tive muito tempo de pista devido a dois furos –, fazer uma volta tão boa na Q2 e passar para a Q3 foi incrível. Fiquei realmente feliz quando informaram minha posição pelo rádio. Tenho certeza que a equipe também ficou satisfeita, precisávamos disso depois de alguns finais de semana duros. Hoje (sábado) é um dos dias da temporada de 2016 dos quais sempre me lembrarei. A corrida será dura, mas certamente faremos o nosso melhor para lutar por pontos”, celebrou o madrileno.

Largada do GP dos EUA de 2016, em Austin: Sainz contou com confusão para subir para oitavo

Largada do GP dos EUA de 2016, em Austin: Sainz contou com confusão para subir para oitavo

A corrida

O sol era personagem principal no domingo, 23 de outubro de 2016, em Austin, palco do GP dos Estados Unidos. Em 10º no grid e largando com pneus supermacios, Sainz Jr. acreditava que poderia alcançar bons pontos na etapa norte-americana. Quando as luzes vermelhas se apagaram, tal objetivo se tornou palpável: Sebastian Vettel (Ferrari), Nico Hulkenberg (Force India) e Valtteri Bottas (Williams) se enroscaram logo após a largada. Isso fez com que Hulkenberg abandonasse e Bottas despencasse na classificação. Ao fim da volta 1, Carlos ocupava a oitava posição, atrás de Felipe Massa (Williams) e à frente de Fernando Alonso (McLaren). Com o passar das primeiras voltas, o madrileno tinha o brasileiro em sua alça de mira, mas era incapaz de atacá-lo. Em contrapartida, o piloto da Toro Rosso mantinha o bicampeão da McLaren a uma distância segura.

O cenário só começou a se alterar com a abertura da janela para o primeiro pit stop. Com as paradas de Daniel Ricciardo (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Ferrari), na volta 9, Sainz Jr. saltou para sexto. Na passagem seguinte, foi a vez de Max Verstappen (Red Bull) ir aos boxes, fazendo com que o espanhol subisse para quinto. Porém, os pneus supermacios de Carlos já davam sinais de desgaste, e a Toro Rosso o chamou para o pit stop, na volta 11. Na troca, a escuderia italiana colocou compostos macios no bólido do espanhol, que retornou à pista em 10º. Após superar Daniil Kvyat (Toro Rosso) e ver Esteban Gutiérrez (Haas) se encaminhar aos boxes, Sainz Jr. retomou a oitava colocação na volta 13. Quatro voltas depois, Alonso ultrapassou Kvyat e assumiu a nona posição. Naquele momento, Carlos tinha 6s de vantagem sobre Fernando, e estava a 7s de Massa.

Sainz foi aos boxes no momento do VSC: parada fez com que superasse Massa

Com pneus macios, Sainz Jr. foi aos boxes no momento do VSC: parada fez com que superasse Massa

As coisas em Austin andaram mornas até a volta 27. Naquela passagem, Verstappen decidiu entrar nos boxes, mas esqueceu de um detalhe: avisar a Red Bull. O holandês perdeu tempo na parada. Mesmo assim, saiu em sétimo, à frente de Sainz Jr.. Duas voltas depois, Max se viu com problemas na caixa de câmbio, e seu carro ficou emperrado na pista. Assim, o espanhol da Toro Rosso subiu para sétimo. Na volta 29, Massa foi aos boxes. Na mesma passagem, a direção da prova decidiu intervir com o VSC (virtual safety car) para a retirada da Red Bull. Eis o ‘pulo do gato’ da escuderia de Faenza: na volta 30, Carlos fez sua segunda e definitiva parada, colocando novos pneus macios. Com a velocidade restrita devido ao VSC, o madrileno superou o brasileiro, subindo para sexto.

Com o fim da intervenção do VSC, na volta 33, Sainz Jr. passou a ter um só objetivo: segurar Massa e assegurar a sexta posição. Apesar da pressão de Felipe, Carlos conseguia se manter à frente do brasileiro. Enquanto isso, na volta 39, Kimi Raikkonen (Ferrari) foi aos boxes. Todavia, uma falha na troca de pneus fez com que o finlandês sequer conseguisse retornar à pista. Sem Raikkonen, o espanhol da Toro Rosso assumiu a quinta posição. Sainz Jr. estava bem atrás de Lewis Hamilton (Mercedes), Nico Rosberg (Mercedes), Ricciardo e Vettel. A partir de então, a missão do jovem piloto da Toro Rosso era barrar Massa e Alonso – o bicampeão se aproximou rapidamente da dupla.

Carlos, perseguido por Felipe Massa: jovem espanhol suportou pressão do veterano brasileiro

Carlos, perseguido por Felipe Massa: jovem espanhol suportou pressão do veterano brasileiro

Sainz Jr., Massa e Alonso definiriam na pista quem seria o quinto lugar em Austin. Contra Carlos, pesava o fato de utilizar compostos macios – menos resistentes que os médios, que calçavam Felipe e Fernando. Na volta 48, a oito voltas da bandeira quadriculada, o espanhol da Toro Rosso tinha 1s de vantagem sobre o brasileiro da Williams, que, por sua vez, colocava 1s sobre o espanhol da McLaren. Todavia, os pneus de Sainz Jr. perderam rendimento, e Massa e Alonso partiram para o ataque. Na volta 51, Carlos travou uma roda na curva 15, e induziu Felipe ao erro. Fernando se aproveitou da hesitação do brasileiro e colocou de lado. O toque acabou sendo inevitável. Massa saiu da pista e viu seu pneu ser furado, enquanto Alonso assumiu o sexto lugar.

A próxima vítima do bicampeão seria Sainz Jr.. O jovem espanhol bem que tentou ser combativo contra o consagrado compatriota, mas Alonso estava irresistível. Após um duelo roda a roda, na volta 55, Fernando bateu Carlos, assegurando a quinta posição. Sainz Jr. acelerou o quanto pôde, cruzando a linha de chegada a 2s2 de Alonso. O madrileno ficou à espera do veredicto da FIA, que investigou a manobra do bicampeão sobre Massa. “Os engenheiros da Toro Rosso me informaram que Alonso estava sendo investigado na última volta, quando de repente viram que cheguei ao máximo de uso dos pneus. Eles disseram: ‘Você precisa manter-se na janela de 5s’, porque é a penalidade mais baixa que ele (Alonso) poderia receber. Então me disseram: ‘Por favor, 5s’ e eu comecei a forçar como louco, mas, sem pneus, dei boas derrapadas”, observou Carlos.

Sainz não suportou arrancada final de Alonso, mas celebrou excelente top 6 em Austin

Sainz Jr. não suportou arrancada final de Alonso, mas celebrou excelente top 6 em Austin

Todavia, Fernando não foi punido, e Carlos viu o sexto lugar ser confirmado. A vitória em Austin ficou com Hamilton (a 50ª do britânico na categoria), seguido por Rosberg e Ricciardo. Após seu segundo top 6 na carreira, Sainz Jr. dedicou o resultado à equipe italiana. “Sempre me lembrarei deste fim de semana! Igualar meu melhor resultado na Fórmula 1 me deixa muito feliz, mas este sexto lugar é um pouco mais especial do que aquele de Barcelona, porque creio que não tínhamos carro para isso aqui – nossas simulações antes da prova mostraram que eu chegaria apenas em 11º ou 12º, e aqui estamos, lutando pelo quinto lugar”, destacou o madrileno, lembrando que a sorte esteve ao seu lado, no instante em que o VSC foi acionado pela direção de prova.

“O VSC foi ótimo para nós, pois nos colocou à frente da Williams. Nós sabíamos que seria difícil chegar ao final com o macio, mas nos comprometemos com essa decisão – nas duas últimas voltas, eu fiquei sem pneus e tive de me segurar de qualquer maneira. A batalha com Fernando (Alonso) foi muito divertida. Eu sabia que ele acabaria passando, mas disse a mim mesmo: ‘vamos complicar um pouco as coisas para ele’. Sei perfeitamente como ele ataca e como me defender dele, já que o vi correr nos últimos 12 anos… E acho que conseguir mantê-lo atrás por todas aquelas voltas até ele abrir o DRS. Mas estou eufórico. Definitivamente, vou celebrar com champanhe esta noite, é como uma vitória para mim”, observou Sainz Jr., que comemorou o top 6 ao lado de Alonso, em um restaurante.

Depois da batalha de Austin, Sainz e Alonso jantaram juntos - e foram homenageados

Depois da batalha de Austin, Sainz Jr. e Alonso jantaram juntos – e foram homenageados

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Japão-2016: Pérez arranca sétimo lugar em Suzuka

Pérez, à frente de  Kimi Raikkonen (Ferrari): seis pontos deixam mexicano na cola de Valtteri Bottas no Mundial

Pérez, à frente de Kimi Raikkonen: seis pontos deixam mexicano na cola de Valtteri Bottas no Mundial

Sergio Pérez (Force India) deu um importante passo rumo ao sétimo lugar do Mundial de 2016 em Suzuka, palco do GP do Japão deste ano. Ao terminar no top 7 em solo nipônico, o mexicano ficou a um ponto de Valtteri Bottas (Williams), atual sétimo colocado na temporada. Décimo na corrida japonesa, o finlandês alcançou 81 pontos, contra 80 do asteca. A quatro etapas do término da temporada, e diante do ascendente momento da escuderia indiana – e da queda da equipe britânica –, tudo leva a crer que Checo terminará o ano atrás somente dos pilotos da Mercedes, Red Bull e Ferrari na tabela de classificação. Não só isso: graças à liderança do latino, a Force India já colocou 10 pontos de vantagem sobre a Williams, na disputa pelo quarto lugar do Mundial de Construtores: após Suzuka, o time de Vijay Mallya possui 134 pontos, contra 124 do grupo de Frank Williams.

A etapa japonesa testemunharia mais um bom momento do time indiano em 2016. Desde o início dos treinos livres, na sexta-feira, Pérez e Nico Hulkenberg colocaram a Force India entre os 10 primeiros colocados. Sergio anotou um bom sexto tempo, com 1m33s570. O mexicano ficou 0s303 à frente de Nico, sétimo com 1m33s873. Por outro lado, o tempo do latino foi 1s320 inferior ao anotado por Nico Rosberg (Mercedes), o mais veloz do dia, com 1m32s250. “Está parecendo um fim de semana promissor baseado em nossa performance de hoje (sexta). É claro, as condições da pista estavam muito boas, e nunca se sabe o que o restante do fim de semana trará, mas tudo funcionou bem. Parecemos competitivos em ambas as condições – tanque cheio e vazio – e com todos os compostos de pneus. O acerto do carro estava ótimo desde o começo do dia e não alteramos muita coisa”, analisou Checo.

No sábado, Pérez anotou um excelente sexto lugar: com a punição a Vettel, Checo largaria em quinto

No sábado, Pérez anotou um excelente sexto lugar: com a punição a Vettel, Checo largaria em quinto

O bom equilíbrio do VJM09 em Suzuka ficou evidenciado no sábado, dia da qualificação para o GP do Japão. Pérez e Hulkenberg andaram forte e colocaram a Force India no Q3. No fim, Sergio anotou 1m31s961. Foi o mesmo tempo de Romain Grosjean (Haas), mas o mexicano levou vantagem sobre o francês por ter feito a volta primeiro. Checo foi o sexto mais veloz do Q3, ficando 0s181 à frente de Hulk, oitavo com 1m32s142. O latino ficou a 1s314 de Nico Rosberg (Mercedes), pole com 1m30s647. Não bastasse o ótimo desempenho, Pérez ainda herdaria uma posição: Sebastian Vettel (Ferrari), terceiro no Q3, foi punido com a perda de três posições no grid por ter sido considerado culpado pelo acidente com Rosberg na largada do GP da Malásia, em Sepang. Assim, Sergio alinharia em quinto na etapa nipônica, deixando o mexicano extremamente satisfeito.

“Foi uma classificação intensa e havia muitos carros competitivos na pista – eu inclusive terminei com o mesmo tempo de Romain (Grosjean) e tive a sorte de me classificar à frente dele. Estou bastante feliz com nossa performance, principalmente minha volta na Q3: as diferenças ao nosso redor são mínimas, e o menor erro faz a diferença entre largar em sétimo ou 12º. Hoje (sábado) fizemos um trabalho realmente bom como equipe. Largar uma posição à frente de onde nos classificamos por causa da punição de Vettel nos deixa em uma situação forte para obter um bom resultado amanhã (domingo). Se tivermos uma corrida normal, sem circunstâncias estranhas, podemos pensar em pontos importantes. A estratégia dependerá das condições do tempo, principalmente se estiver bem mais frio do que hoje (sábado). Em geral, me sinto otimista: fizemos 70% do trabalho, mas o mais importante são os 30% restantes da corrida”, observou Checo.

Largada do GP do Japão de 2016: Hamilton patina, atrapalha Ricciardo e beneficia Pérez, que saltou para terceiro

Largada em Suzuka: Hamilton patinou, atrapalhou Ricciardo e beneficiou Pérez, que subiu para 3º

A corrida

Apesar do tempo carrancudo, a chuva passou longe de Suzuka no domingo, 9 de outubro. Alinhado na quinta posição, Pérez contava com uma boa largada para assegurar os pontos que a Force India tanto precisava no duelo contra a Williams. Porém, um sinal de alerta foi aceso quando muita fumaça saía de seu VJM09. Quando as luzes vermelhas se apagaram, nenhum problema foi visto em seu bólido. Pelo contrário: Sergio disparou na busca pela Curva 1. Calçando pneus macios, o mexicano viu a péssima largada de Lewis Hamilton (Mercedes), que patinou e atrapalhou a saída de Daniel Ricciardo (Red Bull). Dessa forma, Checo assumiu o terceiro lugar, atrás somente de Nico Rosberg (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull). Era bom demais para ser verdade. Será que Pérez teria condição de segurar Ferrari, Red Bull e Mercedes? A resposta viria logo, e acabaria com o otimismo da Force India…

Logo na volta 3, Sergio foi superado por Sebastian Vettel (Ferrari), caindo para quarto. O mexicano bem que tentou, mas não foi páreo para o alemão na reta dos boxes. A partir daí, Checo começou a ser perseguido por Ricciardo. Desta vez, o latino foi combativo, e conseguiu barrar o avanço do australiano em Suzuka. Diante disso, a Red Bull antecipou a parada de Daniel. Na volta 10, Ricciardo fez sua parada. Com isso, Kimi Raikkonen (Ferrari) passou a ser o principal perseguidor de Pérez. Com o desgaste dos pneus macios, Sergio viu a aproximação de Hamilton. Na volta 13, tanto Checo quanto Raikkonen foram para os boxes. Na troca, a Force India sacou os macios e colocou os compostos duros (os mais duráveis do fim de semana). No retorno, o latino ainda saiu à frente do finlandês. Porém, Kimi aproveitou o momento para superar Sergio na pista.

Pérez bem que tentou conservar terceiro lugar, mas Vettel foi para cima do mexicano

Pérez bem que tentou conservar terceiro lugar, mas Vettel foi para cima do mexicano

Na volta 14, Pérez ocupava o nono lugar. Estava atrás de Raikkonen, mas à frente de Hulkenberg. Com uma tática diferente, Felipe Massa (Williams) e Valtteri Bottas (Williams) tentavam ganhar posições. Porém, o desempenho da dupla do time britânico era sofrível, o que os tornou presas fáceis para Sergio. Na volta 17, Sergio ignorou Massa, assumindo o oitavo lugar. Duas voltas depois, foi a vez do mexicano superar o finlandês, alcançando a sétima posição. Naquele momento, Pérez tinha ciência de que a estratégia funcionou para Raikkonen, Ricciardo e Hamilton. A quarta posição antes da primeira parada havia se tornado a sétima. Mas não havia do que se queixar: o equipamento da Force India era inferior ao das adversárias. Com isso, o foco de Checo passou a ser duelar com Hulkenberg pelo sétimo lugar.

Apesar da aproximação de Hulk, Pérez se segurava no top 7. A posição seria discutida na base da estratégia, uma vez que ambos realizariam uma segunda e definitiva parada. Na volta 28, o alemão fez seu pit stop e voltou atrás de Romain Grosjean (Haas), na nona posição. Na passagem seguinte, foi a vez do mexicano ir para os boxes. Na troca, a Force India sacou os pneus duros e colocou os médios. Com isso, Pérez retornou à pista ainda em sétimo, à frente de Grosjean e Hulkenberg. Com a parada do francês, na volta 30, Nico recuperou o oitavo lugar. Assim, voltou a tirar diferença na disputa com Pérez. Entretanto, não havia como tirar a sétima posição do latino. Sergio completou as 53 voltas do GP do Japão com apenas 1s7 de vantagem sobre Hulkenberg, assegurando mais um top 7 em 2016.

No fim, Checo foi pressionado por Hulkenberg, mas conseguiu manter o sétimo lugar

No fim, Checo foi pressionado por Hulkenberg, mas conseguiu manter o sétimo lugar

A vitória em Suzuka foi de Rosberg – a 23ª do germânico, igualando Nelson Piquet e se consolidando na liderança do Mundial, com 33 pontos de vantagem sobre Hamilton. Lewis terminou em terceiro, após perder a batalha contra Verstappen, que alcançou a segunda posição. Pódio à parte, Pérez celebrou a conquista dos seis pontos em solo nipônico. “Eu me diverti hoje (domingo) e sinto que tomei todas as decisões corretas durante a corrida. A largada foi divertida – tive pista limpa até a Curva 1 e subi para terceiro. Tentei ao máximo segurar a posição, mas sabia que seria difícil manter alguns carros muito velozes atrás de mim, então tive de ser sensato e escolher minhas batalhas. Nosso carro estava bastante veloz, e a estratégia de duas paradas definitivamente foi certa para nós. Nos obrigou a passar os carros da Williams na pista, porque eles tinham uma estratégia diferente, mas, felizmente, consegui executar as manobras rapidamente”.

Force India ficou bem na foto em Suzuka: com os pontos de Pérez e Hulk, time abriu 10 pontos sobre a Williams

Force India ficou bem na foto: com os pontos de Suzuka, time abriu 10 pontos sobre a Williams

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Malásia-2016: quebra de Hamilton rende ponto a Jolyon Palmer

Jolyon Palmer, à frente de Nico Rosberg no GP da Malásia, em Sepang: primeiro ponto da carreira do inglês

Jolyon Palmer, à frente de Nico Rosberg no GP da Malásia: primeiro ponto da carreira do inglês na F1

A Renault tem feito uma temporada 2016 para ser esquecida. Em seu retorno após cinco anos ausente da Fórmula 1, o time de Enstone vem realizando exibições sofríveis, o que tem comprometido com o desempenho de Kevin Magnussen e Jolyon Palmer. Filhos de ex-pilotos da categoria (o primeiro, de Jan Magnussen, e o segundo, de Jonathan Palmer), ambos anotaram apenas sete pontos nas 15 primeiras etapas do ano. Todos vieram pelas mãos de Kevin, que conquistou um excelente sétimo lugar no GP da Rússia, em Sochi, além de um 10º lugar no GP de Cingapura, em Marina Bay. Ver o dinamarquês pontuar incentivou Jolyon no último domingo, em Sepang, palco do GP da Malásia. Apesar de uma performance consistente, o britânico só alcançou um lugar no top 10 após o repentino abandono de Lewis Hamilton (Mercedes). O tricampeão, que liderava a prova malaia, viu seu motor explodir. Sem o compatriota, Jolyon terminou em 10º.

O ponto obtido em Sepang foi o primeiro da carreira de Palmer na Fórmula 1. Nascido em Horsham, em 20 de janeiro de 1991, o inglês sempre recebeu o incentivo do pai para seguir trajetória no automobilismo. Iniciou no kart em 2004. Entre 2005 e 2007, competiu em torneios de turismo, não alcançando resultados de destaque. Em 2008, se transferiu para a Fórmula Palmer Audi – categoria criada pelo seu pai, Jonathan. No fim da disputa, ficou em terceiro lugar na classificação. No ano seguinte, participou da Fórmula 2 – que tinha Jonathan como organizador. Em 2010, foi vice-campeão da F2, conquistando cinco vitórias. O bom desempenho na F2 o levou para a GP2, categoria de acesso à F1, em 2011. Porém, apenas em sua quarta temporada, em 2014, alcançou o auge: Jolyon bateu Stoffel Vandoorne e Felipe Nasr e alcançou o título.

Campeão da GP2 em 2014, Jolyon teve sua trajetória no automobilismo influenciada pelo pai, o ex-piloto Jonathan Palmer

Jolyon teve sua trajetória no automobilismo incentivada pelo pai, o ex-piloto Jonathan Palmer

A Fórmula 1 surgiu na carreira de Palmer ainda em 2014, quando foi testador da Force India. Em 2015, passou a cumprir a função de terceiro piloto da Lotus. No fim daquele ano, o espólio da Lotus foi assumido pela Renault, que retornou à categoria após cinco anos longe do ‘circo’ – a fabricante francesa havia se afastado da F1 ao fim de 2011. Com a reestruturação da escuderia de Enstone ao fim daquele ano, Jolyon foi alçado à condição de titular. Apesar das expectativas, o time francês vem enfrentando dificuldades durante este ano. O R.S.16 tem demonstrado fragilidade, colocando tanto Palmer quanto Kevin Magnussen em colocações discretas. Antes do GP da Malásia, a melhor posição do britânico em 2016 havia sido o 11º lugar em sua estreia na categoria, no GP da Austrália, em Melbourne.

Em Sepang, a Renault planejava conseguir um lugar na zona de pontos. Porém, logo na sexta, o time viu o RS.16 de Kevin pegar fogo. O incêndio no carro tirou o dinamarquês do primeiro treino livre. No fim do dia, Palmer conquistou um bom 12º lugar, com 1m26s940. Jolyon ficou a 1s996 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz do dia. Por outro lado, foi 0s724 mais veloz que Magnussen, 19º com 1m37s664. “As coisas foram muito tranquilas do meu lado da garagem. Acho que toda a ação hoje (sexta-feira) foi para Kevin. Tive alguns momentos forçando os limites, enquanto conhecíamos a nova superfície da pista na parte da manhã, mas a pista ainda é muito agradável de conduzir. Fizemos progressos à tarde e devemos estar bem colocados para amanhã”, afirmou o britânico, após os treinos.

Após uma sexta-feira positiva em Sepang, Palmer decepcionou no sábado: parou no Q1, ficando em 19º

Após uma sexta-feira positiva em Sepang, Palmer decepcionou no sábado: parou no Q1, ficando em 19º

No sábado, entretanto, Palmer viu Magnussen andar forte com o R.S.16. O dinamarquês avançou para o Q2, enquanto o britânico parou no Q1. Kevin anotou 1m35s277, assegurando o 14º lugar no grid. Com 1m35s999, Jolyon foi 0s722 mais lento do que o parceiro de equipe, ficando em 19º – a 3s149 da marca de Lewis Hamilton (Mercedes), pole em Sepang com 1m32s850. Após a qualificação, Palmer disse ter se equivocado quanto ao set up de seu Renault. “Serei honesto: minha volta ficou muito longe da que deveria ter sido. Tomei a decisão errada em relação ao acerto entre minhas tentativas, e a volta simplesmente não encaixou. Foi particularmente frustrante, já que o ritmo pareceu promissor durante todo o fim de semana e o carro definitivamente era capaz de mais aqui. Amanhã (domingo), forçarei o tempo todo visando me redimir, principalmente porque esta é uma pista onde ganhar posições é possível”, analisou.

Tumulto na largada do GP da Malásia, em Sepang: Palmer se livrou do acidente entre Vettel e Rosberg

Tumulto na largada do GP da Malásia, em Sepang: Palmer se livrou do acidente entre Vettel e Rosberg

A corrida

O calor tropical em Sepang castigava carros e pilotos no domingo, 2 de outubro de 2016. A possibilidade de tempestade não se concretizou. O sol reinava em solo malaio quando os 22 bólidos dispararam na largada do GP da Malásia. O clima esquentou ainda mais logo na primeira curva: Sebastian Vettel (Ferrari) tocou em Nico Rosberg (Mercedes) e destruiu sua suspensão dianteira esquerda, abandonando a etapa. Rosberg ficou atravessado na pista, e voltou no fim do pelotão. O choque fez com que o VSC (Virtual Safety Car) fosse acionado. Apesar de ter sido atrapalhado pelo incidente e perder posições para Fernando Alonso (McLaren) e Esteban Ocon (Manor), Palmer completou a volta 1 em 14º. Além do abandono de Vettel, Jolyon contou com a queda de Rosberg e Felipe Nasr (Sauber), e viu Daniil Kvyat (Toro Rosso), Felipe Massa (Williams), Kevin Magnussen (Renault) e Esteban Gutiérrez (Haas) pararem nos boxes.

Calçando pneus duros, Palmer faria um longo ‘stint’ em Sepang. Diante do caos da primeira volta, pontuar passou a ser uma missão possível. Quando o VSC foi retirado, na volta 3, Jolyon se manteve em 14º. Entretanto, na volta seguinte, o britânico da Renault não foi páreo para Rosberg, caindo para 15º. Na volta 7, Palmer foi superado por Pascal Wehrlein (Manor), passando a figurar em 16º. Na passagem seguinte, Romain Grosjean (Haas), com problema no freio, para na brita. Dessa forma, Jolyon recuperou a 15ª posição. Para a retirada do carro de Grosjean, o VSC voltou a ser acionado pela direção de prova na volta 9. Com isso, diversos pilotos decidiram ingressar nos boxes – casos de Rosberg, Alonso, Wehrlein, Jenson Button (McLaren) e Nico Hulkenberg (Force India). Palmer seguiu na pista, e subiu para 10º.

A fim de gerenciar os pneus duros, Palmer manteve um ritmo conservador: na volta 16, foi superado por Alonso

Com pneus duros, Palmer manteve um ritmo conservador: na volta 16, foi superado por Alonso

A relargada foi dada na volta 11. Na passagem seguinte, Jolyon voltou a ser superado por Rosberg, caindo para 11º. Porém, na volta 13, o pit stop de Ocon fez com que o britânico da Renault recuperasse um lugar no top 10. Apesar disso, o ritmo de Palmer era inferior aos demais. O inglês perdeu posições para Button e Hulkenberg, na volta 14, e para Alonso, na 16, despencando para o 13º posto. A partir dali, Jolyon passou a gerenciar os compostos duros, a fim de fazer valer a estratégia de uma parada da Renault. Além disso, contava com a parada dos rivais para ganhar espaço na etapa malaia. Com o pit stop de Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), na volta 20, Palmer subiu para 12º. Na passagem seguinte, foi a vez de Marcus Ericsson (Sauber) ir para os boxes, fazendo com que Jolyon assumisse o 11º lugar.

O britânico da Renault só retornaria ao top 10 após a segunda parada de Alonso, na volta 28. Na passagem seguinte, viu Hulkenberg ir aos boxes. Assim, Palmer assumiu o nono lugar. Todavia, os pneus duros já davam sinais de desgaste. Na volta 31, Jolyon, enfim, fez sua parada. Na troca, a escuderia sacou os compostos duros, e colocou os macios. A partir de então, a estratégia era uma só: fazer os pneus durarem até o fim da volta. Assim, seria necessário para Palmer girar 25 voltas sem parar com borracha macia. A missão era difícil, mas o britânico apostou na equipe. No retorno à pista, se viu em 14º. Na volta 33, superou Nasr, reassumindo a 13ª posição. Com as paradas definitivas de Sainz e Ericsson, na volta 38, Jolyon pulou para 11º.

Após colocar pneus macios, Palmer avançou para o 11º lugar: quebra de Hamilton fez com que herdasse uma posição no top 10

Após colocar macios, Palmer avançou para 11º: quebra de Hamilton fez com que alcançasse o top 10

Naquele instante, Palmer não tinha muito mais a fazer. Entre os pontuáveis, estavam as duplas da Mercedes, Red Bull, Force India, McLaren, além dos finlandeses Kimi Raikkonen (Ferrari) e Valtteri Bottas (Williams). Todos tinham melhores equipamentos que Jolyon. Apenas uma quebra faria com que o britânico ingressasse na zona de pontos. E ela veio com quem menos se esperava. Na volta 41, o motor de Lewis Hamilton (Mercedes), o líder da etapa malaia, explodiu em plena reta dos boxes. O tricampeão, que saltaria para a ponta do Mundial, estava inconsolável fora da pista. Com o abandono de Hamilton, Palmer subiu para 10º. Contudo, o top 10 não estava assegurado: Sainz Jr. e Ericsson tentavam acompanhar o inglês da Renault.

Porém, era dia de Jolyon. Em sua 16ª corrida na F1, o inglês desencantou, marcando seu primeiro ponto, para a alegria do pai Jonathan – que anotou 14 pontos em sua trajetória na categoria, entre 1983 e 1989. Graças à retirada de Hamilton, a vitória do GP da Malásia ficou com Daniel Ricciardo (Red Bull), que derrotou Max Verstappen (Red Bull) no duelo interno da escuderia austríaca. Foi a primeira dobradinha do time desde o GP do Brasil de 2013, em Interlagos. Após cair para o fim do pelotão, Rosberg ainda foi punido em 10 segundos pela direção da prova, ao “forçar” a ultrapassagem sobre Kimi Raikkonen (Ferrari) no duelo pelo terceiro lugar. Mesmo assim, o germânico chegou ao pódio, colocando 23 pontos de vantagem sobre Hamilton no duelo pelo Mundial.

Palmer, à frente de Sainz Jr. e Ericsson: luta para alcançar o primeiro ponto na carreira

Palmer, à frente de Sainz Jr. e Ericsson: luta para alcançar o primeiro ponto na carreira

Disputa de título à parte, Palmer celebrou a conquista do 10º lugar em Sepang. “A sensação de marcar pontos é ótima! Estou realmente feliz. Creio que o fim de semana inteiro foi positivo. A corrida foi tranquila – eu gostaria que fosse sempre assim. Fiquei desapontado com a classificação, pois eu vinha me sentindo forte na sexta e no sábado pela manhã, então estou feliz por termos conseguido nos redimir hoje (domingo). O carro me deu tudo o que eu precisava, cuidamos bem dos pneus e a equipe fez um ótimo trabalho com a estratégia. Também tivemos um pouco de sorte. No fim, tudo se encaixou e chegamos em 10º”, comemorou o britânico.

Com o ponto de Palmer, a Renault passou a somar 8 no Mundial - os outros 7 foram anotados por Magnussen

Com o ponto de Palmer, a Renault passou a ter 8 no ano – os outros 7 foram anotados por Magnussen

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Cingapura-2016: Kvyat mostra serviço após ‘rebaixamento’

Daniil Kvyat (Toro Rosso) travou bom duelo com Max Verstappen (Red Bull): russo terminou em nono em Marina Bay

Daniil Kvyat (Toro Rosso) travou duelo com Max Verstappen (Red Bull): russo foi 9º em Marina Bay

Daniil Kvyat se tornou o “patinho feio” da Fórmula 1 em 2016. Após iniciar a temporada na Red Bull, o russo foi “rebaixado” para a Toro Rosso, depois de ser defenestrado pelo ‘circo’ devido a sua atuação no GP da Rússia, em Sochi. Enquanto o seu substituto, Max Verstappen, já venceu corrida – justamente em sua estreia na Red Bull, no GP da Espanha, em Montmeló –, Kvyat se viu numa verdadeira encruzilhada na carreira. Desde o “rebaixamento”, não conseguiu se impor diante de Carlos Sainz Jr., seu companheiro na Toro Rosso. Pior: muitos têm pedido sua cabeça. Apesar de Helmut Marko, consultor da Red Bull, garantir que Daniil estará no grid em 2017, há quem duvide da presença do piloto na próxima temporada. O russo tem ciência de que está sendo visado. E acelerar passou a ser a única alternativa para seguir na categoria.

No GP de Cingapura, disputado no último domingo, em Marina Bay, Kvyat espantou a “maré de azar” que havia assolado sua trajetória em 2016. Durante todo o fim de semana, o russo foi combativo, andando sempre entre os 10 primeiros. No fim, terminou em nono, colado em Sergio Pérez (Force India). Foi seu melhor resultado desde que deixou a Red Bull. Os dois pontos foram os primeiros conquistados por Daniil desde o GP da Inglaterra, em Silverstone. Além de dar fim ao jejum de quatro corridas sem pontuar, Kvyat ajudou a Toro Rosso a manter o sonho de terminar o Mundial de Construtores em sexto, à frente da McLaren. Sem os pontos do russo, seria quase impossível para a equipe de Faenza alcançar o time de Woking – depois da prova de Marina Bay, a vantagem da McLaren subiu de três para sete pontos (54 a 47), por conta do sétimo lugar de Fernando Alonso.

O bom desempenho do STR11 em Marina Bay ajudou Kvyat a se reabilitar no Mundial

O bom desempenho do STR11 em Marina Bay ajudou na reabilitação de Kvyat no Mundial

Logo na sexta-feira, Kvyat percebeu que seria um fim de semana diferente. Logo que entrou no circuito de rua de Cingapura, o russo sentiu seu STR11 adaptado à pista. Após os dois treinos livres do dia, Daniil figurou em 10º, com 1m46s029. Kvyat ficou a 0s522 de Sainz Jr.,  que anotou 1m45s507, e a 1s877 de Nico Rosberg (Mercedes), o mais rápido do da sexta, com 1m44s152. “Nós tentamos muitas coisas nos dois treinos, e acho que foi uma sexta-feira estimulante. Vamos agora tentar aprender o máximo que pudermos para amanhã (sábado) e tentar maximizar o potencial que eu sinto que temos aqui. Acho que podemos ser fortes, e fico feliz em ver que parecemos mais competitivos do que nas corridas anteriores. Obviamente, precisamos continuar trabalhando duro, mas eu estou pronto para isso”, observou.

Qualificar vinha sendo um problema para Kvyat, desde que retornou para a Toro Rosso. Nas últimas corridas, se tornou um martírio. Após ser barrado no Q1 nas últimas três etapas – Alemanha, Bélgica e Itália –, enfim, o russo pôde respirar aliviado. Com um bom acerto de seu STR11, Daniil avançou para o Q3 de Marina Bay. No fim do qualifying de sábado, terminou em sétimo, com 1m44s469. Kvyat ficou a 0s272 de Sainz Jr., sexto com 1m44s197, e a 1s885 de Nico Rosberg (Mercedes), pole com 1m42s584. Após a sessão, Daniil parecia ter tirado um peso das costas, expressando satisfação com o resultado.

Após ser barrado no Q1 por três etapas consecutivas, Kvyat avançou para o Q3 em Cingapura

Após ser barrado no Q1 nas três etapas anteriores, Kvyat avançou para o Q3 em Cingapura

“Foi um ótimo dia para mim. A última volta foi boa, e apesar de eu ter apenas um jogo de ultramacios novos no Q3, tive uma performance sólida. Podemos ficar satisfeitos. É sempre agradável quando o carro está em seu melhor momento na última volta. É encorajador ver que estamos de volta às posições onde deveríamos estar, mostrando que somos competitivos aqui, e espero que possamos ter uma boa corrida amanhã (domingo). Tudo pode acontecer, mas só precisamos manter a concentração, a paciência e aproveitar qualquer chance surgida em nosso caminho. Estamos bem posicionados, agora só temos de maximizar o que alcançamos hoje (sábado)”, disse o russo.

A tumultuada largada do GP de Cingapura de 2016: ao fundo, o acidentado Nico Hulkenberg (Force India)

A tumultuada largada do GP de Cingapura: ao fundo, o acidentado Nico Hulkenberg (Force India)

A corrida

Mesmo com o desempenho positivo na sexta e no sábado, Kvyat manteve-se reticente quanto às suas possibilidades no GP de Cingapura. Ao alinhar seu Toro Rosso na sétima posição no grid, havia a expectativa de um bom resultado. Porém, diante do que estava acontecendo com o russo durante a temporada, tudo poderia acontecer. Na noite de domingo, 18 de setembro de 2016, Marina Bay quase foi palco de um super acidente. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, Max Verstappen (Red Bull) ficou pelo caminho. Ao desviar do holandês, Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) tocou em Nico Hulkenberg (Force India). O alemão perdeu o controle de seu bólido, rodou na frente de Verstappen e bateu no ‘pit wall’. Apesar do susto, não houve “efeito-dominó”. Todavia, foi necessária a entrada do safety car para a retirada do carro de Hulk.

Largando com pneus ultramacios, Daniil foi superado por Fernando Alonso (McLaren), que saltou bem e pulou para quinto. Entretanto, se aproveitou da péssima saída de Verstappen e do toque sofrido por Sainz para assumir a sexta posição. Quando a relargada foi dada, na volta 3, Kvyat se manteve no top 6, andando no ritmo de Alonso. Por outro lado, era perseguido por Sainz. Porém, uma aleta do carro do espanhol estava avariada após o toque em Hulkenberg, e Carlos foi obrigado a parar nos boxes na volta 7. O pit stop de Sainz colocou Kvyat na alça de mira de Verstappen, que passava a ocupar a sétima posição. Max acompanhava Daniil, mas não conseguia se livrar do russo. Diante do impasse, a Red Bull chamou o holandês para os boxes, na volta 14. Na passagem seguinte, a Toro Rosso trouxe Kvyat para o pit, trocando os ultramacios pelos supermacios.

Apesar da pressão, Kvyat segurou Verstappen na primeira parte da corrida

Apesar da pressão, Kvyat (à frente) segurou Verstappen (ao fundo) na primeira parte da corrida

No retorno à pista, Daniil se viu em 12º, justamente à frente de Max. Na volta 17, com o pit stop dos brasileiros Felipe Massa (Williams) e Felipe Nasr (Sauber), Kvyat ingressou no top 10. Após a parada de Kevin Magnussen (Renault), na volta 18, o russo subiu para nono. Na passagem seguinte, foi a vez de Esteban Gutiérrez (Haas) realizar seu pit, fazendo com que Daniil passasse a ocupar a oitava colocação. Naquele momento, Kvyat voltava a perseguir Alonso, o sétimo. Todavia, sofria com a pressão de Verstappen, o nono. Na volta 20, Max investiu sobre Daniil, mas o russo da Toro Rosso impediu o avanço do holandês da Red Bull. Após o pit stop de Sebastian Vettel (Ferrari), na volta 24, Kvyat ascendeu para o sétimo lugar. Mas não tinha sossego: Verstappen estava colado.

Apesar da insistência, Max não conseguia executar a ultrapassagem sobre Daniil. Com o impasse, Verstappen antecipou seu segundo pit stop, parando na volta 27. A parada do holandês deu sossego para Kvyat, que passou a pressionar Alonso. Na volta 29, a vantagem do espanhol sobre o russo era de 1s4. Mesmo andando forte, Daniil ficou atrás de Fernando. Apenas com a parada de Alonso, na volta 33, Kvyat assumiu o sexto lugar. Porém, já contava com a pressão de Vettel, que fazia uma excelente prova de recuperação – o alemão largou em último em Marina Bay. Na volta 36, Sebastian superou Danill, que já sofria com o desgaste dos compostos supermacios. Na passagem seguinte, a Toro Rosso chamou Kvyat para seu segundo e definitivo pit stop. Na troca, colocou novamente pneus supermacios. No retorno à pista, se viu em 11º.

Kvyat atacou Sergio Pérez (Force India), mas escapou da pista. No fim, chegou colado no mexicano

Kvyat atacou Sergio Pérez (Force India), mas escapou da pista. No fim, chegou colado no mexicano

Na volta 39, após o pit stop de Magnussen, Daniil recuperou seu lugar no top 10. Depois da parada de Massa, na volta 43, o russo da Toro Rosso subiu para nono. Na volta 45, foi a vez de Verstappen ir aos boxes. Na saída, o holandês se viu colado em Kvyat. Novamente, Max se deparava com Daniil. Se no primeiro encontro dos dois em Marina Bay, a vantagem foi de Kvyat, no segundo, Verstappen fez valer o melhor desempenho de seu Red Bull. Na volta 48, na tentativa de superar Sergio Pérez (Force India), no duelo pelo sétimo lugar, Daniil saiu da pista, mas voltou à frente do mexicano. Naquele instante, Verstappen superou Pérez, e partiu para o ataque. Por ter executado a ultrapassagem sobre Checo fora da área permitida, Kvyat não ofereceu resistência. Além de ser superado por Max, Daniil cedeu o oitavo lugar para Sergio, para não ser punido pela direção de prova.

A partir daí, Kvyat iniciou uma perseguição implacável pelo oitavo lugar. Entretanto, não conseguiu ultrapassar Pérez. No fim, Nico Rosberg (Mercedes) ficou com a vitória do GP de Cingapura, reassumindo a liderança do Mundial. Daniel Ricciardo (Red Bull) terminou em segundo, seguido por Lewis Hamilton (Mercedes). Após a corrida, o russo se mostrou satisfeito com seu desempenho em Marina Bay, e celebrou o nono lugar. “Acho que fiz o máximo que podia hoje (domingo). Me diverti bastante, com ótimas disputas na pista. Infelizmente, após um bom primeiro trecho, as coisas não funcionaram como o esperado. Ficamos presos atrás de (Sergio) Pérez e não tínhamos velocidade suficiente nas retas para ultrapassá-lo. Forcei até o último centímetro e deixei minha alma na pista. É uma pena, mas estou feliz por voltar aos pontos”, explicou Kvyat.

Com os dois pontos, Kvyat manteve a Toro Rosso viva no duelo com a McLaren pelo 6º lugar do Mundial de Construtores

Com os pontos, Kvyat manteve a Toro Rosso viva no duelo com a McLaren pelo 6º lugar do Mundial

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Itália-2016: Pérez reclama, mas obtém top 8 em Monza

Sergio Pérez teve dificuldades, mas levou a Force India ao oitavo lugar em Monza

Sergio Pérez teve dificuldades, mas levou a Force India ao 8º lugar: missão não-cumprida em Monza

Sergio Pérez tinha um objetivo em mente quando desembarcou em Monza, palco do GP da Itália de 2016: tirar Valtteri Bottas (Williams) do sétimo lugar do Mundial de Pilotos. Após conquistar o quinto lugar no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, o mexicano ficou a quatro pontos do finlandês na tabela de classificação – Valtteri estava com 62, contra 58 de Checo. As características do velocíssimo circuito italiano pareciam favorecer Sergio e a Force India nessa disputa particular. Todavia, a equipe indiana se viu atrás da Williams durante todo o fim de semana. Apesar do esforço, Pérez teve que se contentar com o oitavo lugar, duas posições atrás de Bottas, sexto em Monza. Com o resultado, o latino viu o finlandês abrir para oito pontos sua vantagem no duelo pela sétima posição da temporada – 70 a 62.

O desempenho abaixo das expectativas fez com que a escuderia de Vijay Mallya perdesse o quarto lugar no Mundial de Construtores para o time de Frank Williams – a equipe de Grove subiu para 111, contra 108 da rival indiana (que mantém sede em Silverstone). O revés no GP da Itália surpreendeu a Force India. Após o bom fim de semana em Spa, esperava-se repetir a dose em Monza. Contudo, desde o momento em que Pérez e Nico Hulkenberg levaram o VJM09 para a pista, viu-se que seria uma missão quase impossível colocar os dois carros entre os cinco primeiros – como na etapa belga. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos no traçado italiano, Checo ficou em 13º, com 1m24s650. O mexicano ficou a 0s063 de Hulkenberg, 12º com 1m24s587, e a 1s849 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor da sexta com 1m22s801.

O mexicano reclamou da falta de equilíbrio do VJM09 no circuito italiano: Force India foi superada pela Williams na Itália

O mexicano reclamou da falta de equilíbrio do VJM09: Force India foi superada pela Williams na Itália

Diante do discretíssimo resultado nas sessões livres, a Force India acionou o alerta nos boxes, para apreensão de Pérez. “Não acho que hoje (sexta) foi bem como nós pensávamos. O equilíbrio do carro ainda não está onde eu quero, por isso precisamos entender o por quê. Há ainda alguns décimos que podemos encontrar e deve ser um bom ponto de partida. Os tempos mostram que a batalha no pelotão intermediário é ainda mais estreita do que o habitual, por isso precisamos continuar pressionando para melhorar”, afirmou Sergio, que utilizou o halo pela primeira vez em seu bólido. “Foi apenas uma volta de instalação, mas não senti quaisquer problemas com a visibilidade. Saindo do carro é um pouco mais difícil, mas será interessante ver como esta tecnologia se desenvolve ao longo do tempo”, analisou.

No sábado, a Force India encontrou um acerto mais eficiente, o que colocou seus dois pilotos no top 10 da qualificação. Tanto Pérez quanto Hulkenberg avançaram para o Q3 de Monza. Na sessão decisiva, Checo alcançou o oitavo tempo, com 1m22s814, 0s022 à frente de Hulk, nono no grid com 1m22s836. O mexicano ficou a 1s619 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP da Itália com 1m21s135. “Acho que podemos ficar satisfeitos com o resultado de hoje (sábado). Temos enfrentado dificuldades o fim de semana inteiro, mas trabalhamos realmente duro na noite passada para melhorar o equilíbrio do carro e demos um passo à frente na classificação. Alguns de nossos rivais parecem ter um ritmo bem forte, mas creio que maximizamos nosso esforço, com os nossos dois carros entre os 10 primeiros. Em geral, foi uma sessão empolgante”, observou Sergio.

Na largada do GP da Itália, Pérez se aproveitou da má saída de Verstappen e subiu para sétimo

Na largada do GP da Itália, Pérez se aproveitou da má saída de Verstappen e subiu para sétimo

A corrida

Em 4 de setembro de 2016, 22 pilotos alinharam para a disputa do GP da Itália, em Monza. Sob um céu parcialmente nublado, Pérez se colocou na oitava posição do grid, calçando pneus supermacios  – o que lhe impediria de fazer um longo primeiro stint. Dessa forma, forçar desde o início era preciso para alcançar um bom resultado. Quando os carros partiram para o contorno da primeira chicane do traçado italiano, Checo foi cauteloso. Ainda assim, se aproveitou da má saída de Max Verstappen (Red Bull) para assumir o sétimo lugar. A partir daí, o mexicano não conseguia acompanhar o ritmo de Daniel Ricciardo (Red Bull), o sexto. Por outro lado, não era incomodado por Felipe Massa (Williams), o oitavo. O brasileiro, aliás, foi um dos nomes mais comentados do fim de semana, após anunciar que se retiraria da F1 ao fim da temporada.

Despedidas à parte, Pérez queria saber de acelerar. Sem chance de pressionar Ricciardo, restava ao mexicano esperar como as equipes lidariam com as opções estratégicas para a prova italiana. O momento da parada poderia determinar o resultado da corrida. Logo na volta 13, Valtteri Bottas (Williams) foi para os boxes. Assim, Checo subiu para sexto. Todavia, ficaria ali apenas por duas voltas. Na 15, o latino foi chamado pela Force India para realizar seu primeiro pit stop. Na troca, o time sacou os pneus supermacios e colocou os compostos macios. Assim, Sergio permaneceria por mais tempo na pista. Por outro lado, o jogo não resistiria até o fim da prova, o que forçaria o mexicano a fazer uma segunda parada.

Durante a corrida, Pérez andou à frente de Hulkenberg: ambos terminaram no top 10 de Monza

Durante a corrida, Pérez andou à frente de Hulkenberg: ambos terminaram no top 10 de Monza

No retorno à pista, o asteca se viu em 10º, atrás de Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). Na volta 16, Pérez superou o espanhol. Com a ida de Massa para os boxes, na mesma passagem, o piloto da Force India subiu para oitavo. Na volta 22, Sergio ultrapassou Romain Grosjean (Haas) – que ainda não havia feito seu pit stop -, assumindo a sétima colocação. Quem também passou Grosjean foi Verstappen, que tentava se recuperar na corrida. Diante da perseguição do holandês, a Force India resolveu alterar a estratégia do mexicano. A fim de segurar Max, o time indiano antecipou a segunda parada de Pérez. Dessa forma, apostaria na força do motor Mercedes para evitar que o jovem da Red Bull o superasse.

Na volta 28, Sergio foi aos boxes. No pit stop, o time colocou um novo jogo de pneus macios. Com isso, iria até o fim com aqueles compostos. Ao retornar à pista, estava em 11º, atrás de Fernando Alonso (McLaren). Com os novos pneus, Pérez partiu para o ataque sobre Alonso – afinal, não podia perder tempo no duelo contra Verstappen. Na volta 32, Checo ultrapassou Alonso e assumiu o 10º lugar. Com a parada de Nico Hulkenberg (Force India) na 34, o latino passou para a nona posição. Na volta 36, Verstappen foi aos boxes, e Sergio se viu à frente do holandês, na oitava colocação. Pronto: a estratégia de barrar Max havia surtido efeito. Com a parada de Massa na 37, Pérez reassumiu o sétimo lugar.

Pérez sai dos boxes à frente de Verstappen: estratégia ousada não surtiu resultado

Pérez sai dos boxes à frente de Verstappen: estratégia ousada não surtiu resultado

Apesar da tática ter funcionado inicialmente, Checo teria que lidar com Verstappen e Massa utilizando pneus em melhor estado. Com o passar das voltas, o rendimento do mexicano despencou, possibilitando a aproximação de Max e de Felipe. O holandês passou a pressionar o latino pelo sétimo lugar. Na volta 48, Verstappen contornou a Curva Grande colado em Pérez. Na freada da segunda chicane, o jovem da Red Bull foi para cima de Sergio, que saiu da pista para evitar o choque. A estratégia que parecia dar certo não funcionou conforme planejou a Force India. Checo caiu para oitavo, e não conseguia mais acompanhar Verstappen. Pior: viu Massa se aproximar perigosamente, ameaçando seu lugar no top 8.

Mesmo com as investidas de Massa, Pérez conseguiu se manter em oitavo, completando o GP da Itália novamente na zona de pontos. A vitória em Monza ficou com Nico Rosberg (Mercedes), seguido por Lewis Hamilton (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari). Ao final da corrida, Sergio lamentou o resultado. “Eu não me diverti tanto na pista hoje (domingo). Para mim, foi uma corrida solitária durante a maior parte do tempo. Acho que conseguimos o melhor resultado possível. Tentamos uma estratégia agressiva, antecipando o segundo pit stop para tentar cobrir Verstappen, mas foi cedo demais e fomos muito pressionados por Massa no final. Foi importante ficar à frente dele. Sabíamos que seria uma prova desafiadora, e isso mostra que precisamos continuar trabalhando duro”, finalizou o mexicano.

Com o 8º lugar, Pérez ficou a 8 pontos de Valtteri Bottas (Williams), sétimo no Mundial

Com o 8º lugar em Monza, Pérez ficou a 8 pontos de Valtteri Bottas (Williams), sétimo no Mundial

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Bélgica-2016: Hulk flerta com o pódio, mas fica em quarto

Hulkenberg foi um dos destaques do GP da Bélgica de 2016, em Spa-Francorchamps: importante 4º lugar

Nico Hulkenberg (Force India) foi um dos destaques do GP da Bélgica de 2016, em Spa: bom 4º lugar

A espera de Nico Hulkenberg por um pódio na Fórmula 1 chega a ser angustiante. No GP da Bélgica de 2016, disputado no último domingo, em Spa-Francorchamps, o alemão da Force India completou 107 GPs na carreira. Desde que iniciou sua trajetória na categoria máxima do automobilismo, em 2010, nunca visitou o palco de celebração. Caso um dia alcance o top 3, se tornará o piloto que mais tempo demorou para chegar lá – Martin Brundle, o atual recordista, levou 91 GPs para subir num pódio. Em Spa, Hulk parecia dar fim a esse tabu. O germânico andou em boa parte da corrida entre os três primeiros. E poderia ter concretizado seu sonho, não fosse o acidente de Kevin Magnussen (Renault) – que interrompeu a prova e arruinou com sua estratégia de corrida. Apesar de ter perdido a terceira posição para Lewis Hamilton (Mercedes), o alemão pôde celebrar a conquista de uma importante quarta colocação.

O top 4 em Spa foi o melhor resultado de Hulkenberg na temporada, igualando seus principais desempenhos na F1 – também foi quarto nos GP da Bélgica de 2012, em Spa, e da Coreia do Sul de 2013, em Yeongam. Graças ao desempenho de Nico e de Sergio Pérez – que terminou em quinto em Spa –, a Force India superou a Williams na tabela de classificação, assumindo o quarto lugar no Mundial de Construtores. Com os 22 pontos obtidos na etapa belga, o time indiano passou a somar 103 pontos, contra 101 da equipe inglesa. Foi o melhor fim de semana da escuderia desde o GP do Bahrein de 2014, em Sakhir – quando Pérez foi terceiro e Hulkenberg, o quinto. E ele veio justamente na Bélgica, onde o time de Vijay Mallya sempre obteve bons resultados – em 2009, Giancarlo Fisichella conquistou o primeiro pódio da escuderia ao terminar em segundo, e, em 2015, Checo alcançou um bom top 5.

Desde os treinos de sexta, o VJM09 se mostrou competitivo no circuito belga

Desde os treinos de sexta, o VJM09 de Hulkenberg se mostrou competitivo no circuito belga

Diante da perspectiva positiva, Nico e Sergio desembarcaram otimistas na Bélgica, e aceleraram forte em Spa desde o início dos treinos livres, na sexta-feira. O VJM09, impulsionado pelo propulsor Mercedes, se sentiu em casa na pista belga. Hulkenberg obteve o quarto melhor tempo (combinando os resultados das duas sessões livres), com 1m48s657 – a 0s572 de Max Verstappen (Red Bull), o melhor do dia com 1m48s085. O alemão ficou 0s443 à frente de Pérez, o sétimo mais veloz com 1m49s100. “Foi um bom começo depois das férias. Não tivemos nenhum problema, e fomos capazes de cumprir o nosso programa como planejado. Coletamos os dados habituais e demos alguns passos muito bons entre as sessões. Não estava muito feliz com o equilíbrio na parte da manhã, mas fomos capazes de melhorá-lo para a sessão da tarde”, analisou Hulk, após os treinos.

No sábado, Hulkenberg e Pérez estiveram sempre entre os melhores colocados. O VJM09 se portava melhor que a Williams e a McLaren em velocidade plena, ficando atrás somente de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Como Lewis Hamilton (Mercedes) pagaria uma punição por ter trocado as unidades de potência de seu bólido e largaria no fim do grid, o alemão e o mexicano acabaram tendo suas vidas facilitadas na qualificação. Ambos superaram o Q1 e o Q2 sem maiores empecilhos. No Q3, Checo arrancou um bom sexto tempo, com 1m47s407, 0s136 mais veloz do que Hulk, sétimo com 1m47s543. O alemão ficou a 0s799 de Nico Rosberg (Mercedes), pole position do GP da Bélgica de 2016, com 1m46s744.

No sábado, Hulk assegurou o sétimo lugar no grid: falha na unidade de potência prejudicou alemão

No sábado, Hulk assegurou o sétimo lugar no grid: falha na unidade de potência prejudicou alemão

Apesar de conquistar uma boa posição de largada, Hulkenberg reclamou ter enfrentado um problema de motor na sessão que definiu o grid. “Estou razoavelmente satisfeito com nossa performance hoje (sábado). O Q1 e o Q2 correram de acordo com o plano, mas tive um problema com a unidade de potência durante o Q3, e isso me custou algum tempo nas retas. Teremos de largar com os pneus supermacios, mas acho que tomamos a decisão certa ao usá-los no Q2, porque teria sido difícil passar para a Q3 com os macios. Certamente, será uma corrida desafiadora se o tempo continuar quente, porque Spa já é uma pista que exige bastante dos pneus em condições amenas. Precisamos explorar nossas opções esta noite e tomar as decisões corretas amanhã (domingo)”, afirmou o germânico.

Largada do GP da Bélgica de 2016, em Spa: segundos depois, o acidente entre Verstappen, Vettel e Raikkonen

Largada do GP da Bélgica de 2016: segundos depois, o acidente entre Verstappen, Vettel e Raikkonen

A corrida

O GP da Bélgica de 2016, disputado no último domingo, 28 de agosto, marcou a estreia de Esteban Ocon na F1 – o francês substituiu o indonésio Rio Haryanto na Manor. Porém, a etapa seria realmente marcada por uma polêmica largada, que misturou as forças e elevou Hulkenberg para uma posição de destaque. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, Max Verstappen (Red Bull), Kimi Raikkonen (Ferrari) e Sebastian Vettel (Ferrari) se enroscaram na entrada da La Source – a primeira curva do circuito belga. Vettel ficou pelo caminho, enquanto Verstappen e Raikkonen seguiram à frente de Hulkenberg. Contudo, Max e Kimi estavam com os carros avariados. Nico ultrapassou os dois, saltando para segundo. A mesma sorte não sorriu para Sergio Pérez – o mexicano foi atrapalhado por Verstappen, Raikkonen e Vettel, despencando na classificação. Ao fim da volta 1, apenas Nico Rosberg (Mercedes) estava à frente de Hulk.

Diante dos múltiplos incidentes na passagem inicial – além do choque entre Max, Kimi e Sebastian, houve toques envolvendo Pascal Wehrlein (Manor), Jenson Button (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) –, a direção de prova acionou o VSC (virtual safety car) na volta 2. A corrida foi retomada na volta 4. Calçando pneus supermacios, a tendência era a de que Hulkenberg fosse obrigado a parar nos boxes antes do líder Rosberg e do terceiro colocado Daniel Ricciardo (Red Bull) – ambos largaram com compostos macios. Enquanto o alemão da Mercedes disparava na ponta, o germânico da Force India colocava vantagem sobre o australiano da Red Bull. Na volta 6, Kevin Magnussen (Renault) sofreu um impressionante acidente na saída da Eau Rouge. O dinamarquês sofreu um corte no tornozelo, mas deixou o cockpit sem maiores problemas.

Hulkenberg segura Ricciardo e Massa na Reta Kemmel: alemão teve atuação destacada em Spa

Hulkenberg segura Ricciardo e Massa na Reta Kemmel: alemão teve atuação destacada em Spa

A batida de Magnussen fez com que o safety car entrasse na pista. Quase que imediatamente, Hulk tratou de ir para os boxes. Na troca, a Force India sacou os supermacios e colocou macios. No retorno, o germânico estava em terceiro, atrás somente de Rosberg e Ricciardo. A estratégia parecia perfeita: quando Nico e Daniel fossem para os boxes realizar o primeiro pit stop, Hulk assumiria a ponta. Todavia, o impacto do carro do dinamarquês foi tão forte que destruiu parte do guard-rail na região da Raidillon. Dessa forma, foi agitada a bandeira vermelha na volta 10, para que houvesse o conserto da proteção. Com a interrupção da prova, a tática do time indiano acabou sendo anulada – segundo o regulamento da FIA, quando uma corrida é paralisada, os pilotos podem trocar seus pneus. Assim, todos acabaram utilizando novos compostos.

Apenas 17 minutos depois da paralisação, o GP da Bélgica foi reiniciado. Hulkenberg se defendeu de ataque de Fernando Alonso (McLaren) e seguiu em terceiro, atrás de Rosberg e Ricciardo. Na volta 11, Lewis Hamilton (Mercedes) ultrapassou Alonso e subiu para quarto. O inglês, que largou em 21º, foi um dos principais beneficiados com a interrupção da corrida. A partir daí, Hamilton iniciou perseguição a Hulk. Na volta 14, a vantagem de Nico sobre Lewis era de apenas 0s7. Apesar de calçar pneus médios, o líder do Mundial não deu sossego para o germânico. Utilizando o DRS na Reta Kemmel, o tricampeão superou o alemão, que caiu para quarto. Ainda assim, a esperança de subir no pódio não tinha acabado. Na volta 21, Hamilton foi aos boxes para colocar pneus macios. Na troca, a Mercedes se atrapalhou, e o tricampeão perdeu preciosos segundos.

Acidente de Magnussen recolocou Hamilton na briga pelo pódio e prejudicou tática de Hulk

Acidente de Magnussen recolocou Hamilton na briga pelo pódio e prejudicou tática de Hulkenberg

A parada de Lewis fez com que Hulkenberg recuperasse o terceiro lugar. Porém, foi por pouco tempo. Na volta 24, a Force India chamou Nico para o pit stop. Na troca, o time colocou pneus médios no bólido do germânico. O objetivo era um só: não parar mais nos boxes. Como Hamilton iria mais uma vez aos boxes, havia a possibilidade de retornar ao top 3. Hulk voltou à pista lado a lado com Alonso, chegando a se tocar com o espanhol na saída do pit. Após ficar à frente de Fernando, Nico se viu em quinto, atrás de Pérez. Na passagem seguinte, foi a vez do mexicano fazer sua parada definitiva, reconduzindo Nico para o quarto lugar. A partir daí, o germânico da Force India passou a fazer o impossível: tentar impedir que Hamilton colocasse vantagem, parasse e voltasse à pista em terceiro. Na volta 32 – oito voltas depois da parada de Hulk –, Lewis abriu 16s8 sobre o alemão. Apesar de ampla, a vantagem era insuficiente para o britânico manter o terceiro lugar.

Na volta 33, Hamilton realizou seu pit stop. No retorno, saiu colado em Hulkenberg. A estratégia da Force India havia funcionado. Todavia, segurar Lewis era impossível. Na passagem seguinte, o inglês repetiu o que fez na volta 18: na Kemmel, abriu a asa e bateu Nico. Novamente, o tricampeão era terceiro. Novamente, o germânico caía para quarto. E, mais uma vez, o pódio escapava de Hulkenberg. A vitória do GP da Bélgica ficou com Rosberg, seguido por Ricciardo e Hamilton. Hulk terminou em quarto, seguido por Pérez. No fim, o saldo foi positivo: em Spa, Nico conquistava seu terceiro quarto lugar na carreira, igualando seu melhor desempenho na Fórmula 1, e colocava a Force India no top 4 dos Construtores.

Em Spa, Hulk conquistou seu terceiro 4º lugar na carreira: os outros vieram em Spa-2012 e Yeongam-2013

Em Spa-2016, Hulk obteve seu terceiro 4º lugar: os outros vieram em Spa-2012 e Yeongam-2013

“O resultado de hoje (domingo) é monumental para a equipe, e estou muito feliz com o quarto lugar. Houve algumas circunstâncias incomuns, mas estávamos lá para aproveitar as oportunidades e marcar alguns pontos importantes. Na largada, as coisas funcionaram realmente bem para mim. Eu estava em segundo acompanhando Nico (Rosberg), e abrindo vantagem do grupo de carros atrás de mim. Infelizmente, a bandeira vermelha custou caro, porque neutralizou as coisas e agrupou todos novamente. A relargada foi limpa e o restante da prova bem gerenciado – só controlei o meu ritmo e cuidei dos pneus. Houve uma batalha com Fernando (Alonso) na saída do pit, mas conseguimos ficar à frente e manter a quarta posição. Talvez, se as coisas tivessem sido ligeiramente diferentes, poderíamos ter subido ao pódio, mas estou satisfeito com o quarto lugar”, observou Hulkenberg.

Hulkenberg é 10º no Mundial, com 45 pontos, contra 58 de Sergio Pérez: dupla coloca Force India em 4º no Mundial

Hulk é 10º entre os Pilotos, com 45 pontos, contra 58 de Pérez: com eles, a Force India é 4ª no Mundial

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