Azerbaijão-2017: Stroll, o patinho feio da F1, vira cisne em Baku

Vencedor do GP do Azerbaijão, Daniel Ricciardo (Red Bull) 'batiza' Stroll com o 'shoey': primeiro pódio do canadense na F1

Vencedor em Baku, Daniel Ricciardo (à esq.) ‘batiza’ Stroll com o ‘shoey’: 1º pódio do canadense na F1

Ele ingressou na Fórmula 1 sob olhares desconfiados. Também pudera: seu pai, um bilionário, adquiriu sem cerimônias um cockpit para que iniciasse sua carreira na categoria máxima do automobilismo. Nos primeiros testes da pré-temporada de 2017, em Montmeló (Espanha), muitos acidentes geraram dúvidas quanto a sua capacidade. Ao iniciar o campeonato, a maré negativa continuou. Lance Stroll era achincalhado pela mídia especializada. Afinal, começou sua trajetória na F1 numa equipe tradicional, a Williams, mas ficava muito aquém dos resultados e das marcas do seu companheiro de equipe, o experiente Felipe Massa. Com apenas 18 anos, Stroll estava sob pressão do ‘circo’. Apenas no GP do Canadá, em Montreal, sétima etapa do Mundial, conquistou seus primeiros pontos – terminou em nono.

Os dois pontos obtidos em casa tiraram um enorme peso das costas de Lance. O primeiro top 10 da carreira deu a paz necessária para o canadense ter prazer em guiar. Com o espírito livre, Stroll foi outro em Baku, palco do GP do Azerbaijão de 2017. Com velocidade e constância, o garoto superou Massa durante todo o fim de semana de treinos. No domingo, esteve sempre no lugar certo, na hora certa. Lance escapou de todos os incidentes e, num piscar de olhos, se viu entre os primeiros na etapa azeri. Com regularidade, seguiu o ritmo de Daniel Ricciardo (Red Bull), o vencedor em Baku, e só não terminou em segundo pois Valtteri Bottas (Mercedes) surpreendeu-o em plena reta de chegada. Mas isso não importou: Stroll, o patinho feio da F1, virou cisne ao alcançar um inesperado pódio.

Em sua meteórica trajetória, Stroll sempre contou com o auxílio de seu pai, o bilionário Lawrence Stroll

Em sua trajetória, Stroll sempre contou com o auxílio de seu pai, o bilionário Lawrence Stroll

O terceiro lugar no Azerbaijão representou o primeiro top 3 do jovem piloto na F1. Foi ainda o primeiro pódio de um canadense desde Jacques Villeneuve, terceiro, com BAR, no GP da Alemanha de 2001, em Hockenheim. Além disso, foi a primeira vez, desde o GP do Canadá de 2016, em Montreal, que um piloto da Williams figurou na cerimônia de celebração – o último havia sido Bottas, terceiro naquela ocasião. Com 18 anos, 7 meses e 27 dias, Lance ficou a 12 dias de bater o recorde de precocidade num pódio na categoria – a marca pertence a Max Verstappen, que, com 18 anos, 7 meses e 15 dias, venceu o GP da Espanha de 2016, em Montmeló. Ainda que não tenha tirado o recorde de Verstappen, Stroll deixou Baku com uma marca especial: a do silêncio de seus críticos.

Nascido em 29 de outubro de 1998, em Montreal, Lance trilhou uma trajetória de sucesso nas categorias de base do automobilismo. Mas, para isso, sempre teve apoio de Lawrence Stroll, um magnata do ramo da indústria de roupas, apontado, em 2016, como o 722º homem mais rico do mundo. Lawrence sempre foi um apaixonado por carros, e passou essa paixão para o filho. Em 2010, Lance estreou no kart. No ano seguinte, ingressou na Academia de Desenvolvimento da Ferrari. Em 2014, migrou para os monopostos. Para tal desafio, Lawrence comprou a equipe Prema, um dos mais bem-sucedidos grupos do esporte a motor nas categorias de base. O objetivo era um só: desenvolver a carreira de Lance. Em 2014, o canadense estreou na Fórmula 4 Italiana. Logo em sua primeira temporada, assegurou o título, com 7 vitórias em 18 corridas.

Piloto de testes da Williams desde 2015, Stroll virou titular em 2017

Testador da Williams desde 2015, Stroll virou titular em 2017: acidentes perseguiram o canadense

Após o sucesso na F4 Italiana, Stroll disputou a Toyota Racing Series na Nova Zelândia em 2015. No torneio neozelandês, o canadense faturou mais um título. Depois, seu foco se tornou a Fórmula 3 Europeia. Ainda na Prema, alcançou o quinto lugar na temporada. No fim de 2015, deixou a Academia da Ferrari para se tornar piloto de testes da Williams. A partir de então, a Fórmula 1 passou a estar presente na carreira de Lance. Porém, ainda era necessário fazer mais. Em 2016, Stroll venceu 11 das 30 etapas da temporada e conquistou o título da F3 Europeia. Com um bom cartel e o dinheiro do pai, o canadense passou a ser visto com bons olhos pelo filho. A Williams fez valer o fato de Lance ser seu testador e lhe deu um cockpit para 2017. Ele se tornaria o primeiro canadense a correr na F1 desde a aposentadoria de Jacques Villeneuve, em 2006.

O anúncio foi feito em novembro de 2016. Stroll seria o substituto de Felipe Massa. Todavia, com a surpreendente aposentadoria do campeão Nico Rosberg, e com a transferência de Valtteri Bottas para a Mercedes, o brasileiro se tornaria companheiro do canadense no time de Frank Williams. Massa seguiu na escuderia de Grove para ser o mentor de Lance. Parecia um cenário perfeito para a estreia de um adolescente, certo? Ledo engano. Após diversos erros nos testes em Montmeló, a equipe britânica passou a ser criticada. Nas primeiras provas, as falhas persistiram. Havia quem fizesse aposta sobre em qual volta o canadense abandonaria, ou até quando Stroll permaneceria na Williams.

Em Baku, Stroll sempre andou à frente de Felipe Massa, seu mentor e parceiro na Williams

Em Baku, Stroll sempre andou à frente de Felipe Massa, seu mentor e parceiro na Williams

Nas seis primeiras etapas do Mundial, o garoto abandonou quatro. Seu melhor resultado no período foi um tímido 11º lugar no GP da Rússia, em Sochi. O nono lugar obtido em Montreal aliviou Lance, que chegou otimista a Baku, palco do GP do Azerbaijão de 2017. No circuito urbano, ele teria a chance de mostrar que os dois pontos conquistados no Canadá não tinham sido por acaso. Em seu primeiro contato com a pista da capital azeri, na sexta-feira, Stroll acelerou forte e surpreendeu a todos. Num traçado traiçoeiro, onde qualquer deslize pode significar muro, o jovem de 18 anos conquistou o sexto lugar do dia, à frente, inclusive de Felipe Massa – com 1m44s113, Lance foi 0s496 mais rápido do que Felipe, 11º dos treinos livres com 1m44s609. Stroll ficou a 0s751 de Max Verstappen (Red Bull), o melhor do dia com 1m43s362.

“Foi bem divertido, consegui aproveitar a pista. O carro estava funcionando bem e não tivemos problemas, o que foi ótimo. Eu senti que o equilíbrio era bom e agora só precisamos pensar durante a noite, melhorar o ajuste fino, voltar amanhã (sábado) e continuar forçando. O que foi realmente positivo foi o fato de não termos tido nenhum problema – nada nos impediu de fazer nossos programas. O que era realmente importante para mim neste tipo de pista era ter confiança em cada volta e em todas as saídas. Hoje (sexta) fizemos exatamente isso e não perdemos nenhuma volta com problemas ou coisas erradas. As coisas podem ser melhores, pois este ainda é o primeiro dia da minha primeira vez aqui. Mas podemos melhorar para a qualificação. Porém, no geral, foi um dia muito positivo em vários aspectos”, analisou o canadense.

Pela segunda vez na carreira, Stroll avançou para o Q3: bom oitavo lugar no grid azeri

Pela segunda vez na carreira, Stroll avançou para o Q3: bom oitavo lugar no grid azeri

O bom momento de Stroll prosseguiu no sábado. Durante todo o qualifying, o canadense andou à frente de Massa. Prova de que estava à vontade em Baku. Pela segunda vez no ano, Lance avançou para o Q3, fase decisiva do quali – a primeira foi no GP da China, em Xangai, quando largou em 10º. Como Daniel Ricciardo (Red Bull) havia se acidentado no início da sessão, Stroll já conquistaria o melhor grid em seu curto período de carreira na F1. Porém, ele fez mais: novamente, derrotou Massa, anotando um excelente oitavo lugar, com 1m42s753. A marca de Lance foi apenas 0s045 mais veloz que a de Massa, nono com 1m42s798. A pole em Baku ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), a 66ª do britânico na categoria. A marca de Hamilton (um assombroso 1m40s593) foi 2s160 mais rápida que a de Stroll. Ainda que distante de Lewis, o piloto de 18 anos celebrou a boa performance no qualifying.

“Foi um bom dia, dentro de um bom fim de semana até agora. Estou confortável e confiante no carro. Eu gosto do circuito e hoje (sábado) tudo ocorreu conforme o planejado. Perdi um pouco no Q3, e acho que havia um pouco mais possível lá, já que ficamos quatro décimos em comparação com a minha volta no Q2. No Q3, uma vez que as temperaturas da pista caíram, foi difícil aquecer os pneus em uma volta e, também, por causa da bandeira vermelha (provocada pelo carro de Ricciardo), nós só tínhamos tempo de fazer uma volta rápida. Às vezes, por aqui, é melhor quando você faz uma volta, depois outra volta e depois outra volta. Mas ainda é um ótimo resultado e estou feliz pela equipe”, disse Lance.

Largada do GP do Azerbaijão de 2017: cauteloso, Stroll escapou ileso de incidentes

Largada do GP do Azerbaijão de 2017: cauteloso, Stroll escapou ileso de incidentes

A corrida

Meia medieval, meia futurista, a cidade de Baku se apresentou exuberante para receber no domingo, 25 de junho de 2017, o primeiro GP do Azerbaijão da história – vale uma ressalva: em 2016, a etapa disputada na capital azeri foi denominada “GP da Europa”. Stroll calçava pneus supermacios quando alinhou seu FW40 na oitava posição do grid. Tudo o que ele queria era escapar de qualquer tipo de confusão na largada. Qualquer entrevero no circuito urbano seria fatal – os muros dariam fim na esperança de pontuar. No apagar das luzes vermelhas, Lance foi comedido, contornando a primeira curva em oitavo. Na curva seguinte, Valtteri Bottas (Mercedes) e Kimi Raikkonen (Ferrari) se estranharam na disputa pelo segundo lugar. Pior para o finlandês da Mercedes, que caiu para a última posição. O canadense da Williams, por sua vez, acabou se atrapalhando com o incidente, e foi ultrapassado pelo companheiro Felipe Massa (Williams).

Ao fim da volta 1, Stroll continuava em oitavo. Nos primeiros momentos, parecia que sofreria pressão de Daniel Ricciardo (Red Bull). Porém, o australiano logo alterou sua tática, sendo o primeiro a entrar nos boxes, na volta 6. Isso deu tranquilidade para Lance. Porém, o canadense não ameaçava Esteban Ocon (Force India). Na volta 11, Max Verstappen (Red Bull), então quarto colocado, encarou problema no motor de seu bólido e perdeu rendimento. Logo depois, abandonaria a disputa. Com isso, Stroll ascendeu para o sétimo lugar. Na mesma passagem, Daniil Kvyat (Toro Rosso) teve uma pane elétrica e deixou o seu carro parado na pista. Após diversas tentativas equivocadas de retirá-lo, a direção de prova acionou o safety car na volta 12.

Apesar dos detritos e das seguidas intervenções do safety car, Lance se manteve sólido em Baku

Apesar dos detritos e das seguidas intervenções do safety car, Lance mostrou consistência em Baku

Como a corrida estava sob bandeira amarela, os pilotos decidiram fazer o primeiro pit stop naquele instante. Mas Lance tinha um problema: estava em sétimo, duas colocações atrás de Massa, o quinto. Como Felipe vinha em melhor posição, tinha a prioridade da Williams. Assim, Stroll permaneceu na pista, só fazendo a parada na volta 14. Na troca, sacou os pneus supermacios e colocou os macios. No retorno à pista, o canadense conseguiu recuperar o sétimo lugar, para alívio da escuderia de Grove. Com a retirada do carro de Kvyat, a relargada pôde ser dada na volta 16. Porém, ainda havia muitos detritos na pista, por conta dos acidentes ocorridos até aquele momento. Na passagem seguinte, o safety car entrou novamente na pista.

Sob bandeira amarela, os líderes da prova e principais rivais pelo título mundial, Lewis Hamilton (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari), tiveram um inusitado entrevero: ditando o ritmo do pelotão atrás do safety car, o britânico, primeiro colocado, acabou sendo tocado pelo alemão, segundo, na traseira de seu W08. Não satisfeito, Vettel emparelhou com Hamilton e jogou sua Ferrari para cima da Mercedes. Apesar dos pesares, os dois mantiveram suas posições. Contudo, esse embate teria efeito no futuro da corrida. Alheio aos acontecimentos que envolveram Lewis e Sebastian, Stroll estava concentrado em fazer uma boa relargada. Quando a bandeira verde foi agitada, Lance se aproveitou do choque entre os pilotos da Force India – Sergio Pérez e Esteban Ocon reeditaram a disputa do GP do Canadá, em Montreal – e do furo do pneu de Raikkonen para saltar para a quarta posição.

Após a interrupção da prova, Stroll estava em quarto: pódio ficava próximo do canadense

Após a interrupção da prova, Stroll estava em quarto: pódio ficava próximo do canadense

Depois de mais essa confusão, e de perceber que a pista de Baku estava repleta de detritos, a direção de prova decidiu acionar a bandeira vermelha, interrompendo o GP do Azerbaijão. O objetivo foi limpar o traçado com maior eficiência. Nos boxes, Stroll estava num surpreendente quarto lugar, atrás somente de Hamilton, Vettel e Massa. Ali, aproveitou para tirar os pneus macios e colocar outro jogo de compostos supermacios. Como havia a expectativa de punição para Lewis e Sebastian, a possibilidade da dupla da Williams liderar a etapa azeri era grande. Entretanto, o time de Frank Williams sofreu um revés dolorido.

Quando a prova foi retomada, na volta 23, Massa revelou encarar problemas de suspensão em seu FW40. Stroll, por sua vez, não contava com um espetacular avanço de Ricciardo: de uma só vez, o australiano superou Felipe, Lance e Nico Hulkenberg (Renault), subindo para terceiro. O brasileiro despencou na classificação, e logo abandonou. O canadense, por sua vez, seguiu em quarto. Na volta 24, Hulkenberg bateu e foi obrigado a se retirar. Assim, Stroll passou a ser perseguido por Kevin Magnussen (Haas). Mas as surpresas não parariam por aí. Após a retomada da prova, Hamilton notou que o encosto de pescoço do seu carro estava solto. Nas retas, Lewis segurava o acessório com as mãos. Diante dos riscos, a Mercedes chamou o britânico para os boxes, na volta 31. Com a parada de Hamilton, Lance ascendeu para a terceira posição.

Problema de Hamilton e punição a Vettel colocaram Stroll na segunda posição em Baku

Problema de Hamilton e punição a Vettel colocaram Stroll na segunda posição em Baku

No mesmo momento da parada extra de Lewis, a FIA anunciou uma punição a Vettel. Por atitude antiesportiva – ele atirou o carro em cima de Hamilton -, o alemão foi obrigado a pagar um stop and go de 10 segundos. Sebastian se encaminhou aos boxes na volta 34. Com isso, a liderança caiu no colo de Ricciardo. Quatro segundos atrás de Daniel, vinha Stroll. O canadense, por sua vez, trazia uma vantagem segura sobre Magnussen. Já Kevin segurava Ocon e Bottas do jeito que dava. Na volta 37, o francês da Force India ultrapassou o dinamarquês da Haas. Na passagem seguinte, foi a vez do finlandês da Mercedes superar Magnussen. Valtteri estava impossível: depois de cair para o último lugar, o escandinavo ascendeu na classificação após a bandeira vermelha. Na volta 39, Bottas ignorou Ocon e assumiu a terceira posição.

O avanço do finlandês, inicialmente, não preocupava Stroll. O canadense imprimia um bom ritmo. Se não deixava Ricciardo abrir na ponta, havia construído uma boa vantagem sobre Valtteri. Porém, Bottas se aproveitava da força de seu W08. A diferença para Lance começava a cair.  Em 10 voltas, a vantagem do canadense caiu de 14s para 3s. Na 51, a última da corrida, era de apenas 1s2. Extasiado com o iminente pódio, Stroll ignorou a aproximação de Bottas. Lance não aliviou, mas Valtteri estava irresistível. Em plena reta dos boxes, a alguns metros da linha de chegada, o finlandês tirou de lado e emparelhou com o canadense. Por 0s105, Stroll perdeu o segundo lugar. Contudo, levou um pódio que, certamente, jamais será esquecido pelo jovem de 18 anos.

Stroll perdeu o segundo lugar para Bottas na reta final: 0s105 de diferença entre os dois

Stroll perdeu o segundo lugar para Bottas na reta final: 0s105 de diferença entre os dois

“Estou sem palavras agora. Nunca pensei que estaria no pódio. É um sentimento incrível e, para mim, um sonho tornado realidade. No entanto, o que aconteceu hoje (domingo) foi um esforço de equipe e não posso agradecer a todos o suficiente por fazer isso acontecer. Apenas sinto muito por não poder celebrar com Felipe (Massa), pois isso teria sido a cereja no topo do bolo. Estou certo que, sem seus problemas, ele estaria lá (no pódio) comigo”, celebrou Lance. “Foi uma corrida muito agitada. Muita coisa aconteceu. Em todo o momento, a equipe me manteve calmo no rádio. O nosso ritmo foi bom, nós chegamos ao fim e ficamos longe de problemas. É verdade que Valtteri (Bottas) me passou no fim. Deve ter sido uma das bandeiradas mais apertadas de todos os tempos, lado a lado na linha de chegada. A verdade é que me sinto na lua agora”.

A vitória no GP do Azerbaijão ficou com Ricciardo. Foi a quinta da carreira do australiano, a primeira em 2017. Porém, quem roubou a festa de Daniel foi Stroll. Em Baku, Lance ganhou não só um pódio, mas o respeito de quem era visto apenas como um filho de milionário brincando de ser piloto.

Stroll obteve o 1º pódio do Canadá em 16 anos - desde Jacques Villeneuve, em Hockenheim-2001

Stroll obteve o 1º pódio do Canadá em 16 anos – desde Jacques Villeneuve, em Hockenheim-2001

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Publicado em Azerbaijão, Daniil Kvyat, Esteban Ocon, Felipe Massa, Force India, Haas, Kevin Magnussen, Lance Stroll, Sergio Pérez, Toro Rosso, Williams | 2 Comentários

Canadá-2017: Ocon chia com Pérez e põe Force India no divã

Ocon (à esq.) pediu para que Pérez (à dir.) cedesse sua posição: mexicano ignorou, e Force India perdeu chance de pódio

Ocon (à esq.) pediu para que Pérez (à dir.) cedesse posição: mexicano ignorou, e time perdeu pódio

A Force India teve mais um fim de semana positivo em Montreal, palco do GP do Canadá de 2017. Sergio Pérez terminou em quinto, enquanto Esteban Ocon foi o sexto. Seus pilotos somaram 18 pontos, o que consolidou a escuderia indiana na quarta posição do Mundial de Construtores, com 71 pontos. No papel, tudo lindo e belo. Todavia, ficou um quê de frustração nos boxes do time rosa. Isso porque Pérez e Ocon estiveram sempre próximos de Daniel Ricciardo (Red Bull), terceiro na etapa canadense. Checo ficou praticamente toda a prova atrás do australiano. Porém, o mexicano não esboçou qualquer tipo de ação que pudesse lhe fazer assumir a posição de Ricciardo. Companheiro do latino, o francês esperneou com a equipe. Queria que Pérez cedesse seu quarto lugar para que tivesse a chance de atacar Daniel. A Force India sugeriu a ideia a Sergio, que simplesmente ignorou a proposta de Esteban. Resultado: os dois foram superados por Sebastian Vettel (Ferrari) no fim da prova.

Nunca será possível saber se Ocon alcançaria seu primeiro pódio da carreira em Montreal. Entretanto, tudo levava a crer que o francês teria condições de ir para cima de Ricciardo. Diante da negativa da Force India e da ultrapassagem de Vettel sobre a dupla indiana, Esteban passou a duelar contra Sergio. Por sorte, o time cor-de-rosa chegou à bandeirada. Contudo, faltou pouco para os dois pararem na brita. O erro estratégico da equipe indiana custou a possibilidade do terceiro lugar, acendendo um alerta: a partir da próxima etapa (o GP do Azerbaijão, em Baku), os comandados de Vijay Mallya precisarão contar com o bom senso, em prol da escuderia. Afinal, se a Force India quiser se tornar uma potência na Fórmula 1, a maleabilidade será fundamental em certos momentos. E foi o que faltou no GP do Canadá.

Foi a primeira experiência de Ocon em Montreal: logo na sexta, foi mais veloz do que Pérez

Foi a primeira experiência de Ocon em Montreal: logo na sexta, foi mais veloz do que Pérez

Apesar do desfecho problemático, o desempenho de Pérez e Ocon foi forte durante todo o fim de semana em Montreal. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para a prova canadense, a dupla andou entre os 10 primeiros. O francês surpreendeu ao ser o oitavo mais veloz. Esteban anotou 1m14s299 – 0s202 mais veloz do que Sergio, que fez o 10º tempo (1m14s501), e a 1s364 de Kimi Raikkonen (Ferrari), o mais rápido da sexta, com 1m12s935. A marca de Ocon mostrou a rápida adaptação do jovem piloto ao Circuito Gilles Villeneuve – era a primeira vez dele nesta pista. “Estou me sentindo muito feliz depois da minha primeira experiência neste circuito. O primeiro trabalho foi aprender o traçado e isso foi bastante correto, sem dramas reais para mim. O carro está bem no momento, mas eu sei que em algumas áreas podemos melhorar esta noite”, analisou.

No sábado, a Force India seguiu impressionando. Tanto Pérez como Ocon avançaram para o Q3 em Montreal. Desta vez, o mexicano achou uma volta melhor que o francês. Checo alcançou o oitavo lugar, com 1m13s018. O latino foi 0s117 mais veloz que o companheiro na fase decisiva da qualificação. Esteban ficou em nono, anotando 1m13s135. A marca de Ocon foi 1s676 mais lenta que a de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP do Canadá com 1m11s459. Foi a 65ª pole do britânico, igualando o registro histórico de Ayrton Senna – à frente de Hamilton, apenas Michael Schumacher, que largou 68 vezes na posição de honra. Recordes à parte, o francês da Force India seguia feliz com o VJM10.

No sábado, Esteban ficou em nono, enquanto Checo assegurou o oitavo lugar no grid

No sábado, Esteban ficou em nono, enquanto Checo assegurou o oitavo lugar no grid

“Estou satisfeito hoje (sábado). O carro tem sido forte desde o primeiro treino livre e fizemos um bom trabalho em todas as sessões, sempre avançando e melhorando o carro em cada saída.  Gostei muito da classificação – forçando cada vez mais nas chicanes e me aproximando dos muros. É uma pista das antigas e definitivamente um desafio para os pilotos. Por largar do nono lugar, já estamos nos pontos. Tenho uma boa sensação para a corrida. A prioridade é ter uma primeira volta limpa, ficar fora de problemas e encontrar um ritmo para aproveitar ao máximo nosso ritmo de corrida competitivo”, afirmou o confiante Esteban.

Na largada do GP do Canadá de 2017, Ocon superou Massa, assumindo o 8º lugar

Na largada do GP do Canadá de 2017, Ocon superou Massa, assumindo o 8º lugar

A corrida

Domingo, 11 de junho de 2017. O dia ensolarado embelezou a Ilha de Notre Dame, local que hospeda o Circuito Gilles Villeneuve. As arquibancadas tinham um motivo especial para acompanhar o GP do Canadá: o local Lance Stroll (Williams) tornava-se o primeiro canadense a disputar a prova de Montreal desde Jacques Villeneuve, em 2006. Porém, os holofotes estavam nas primeiras filas do grid. Calçando pneus ultramacios, tanto Pérez quanto Ocon queriam escapar de problemas nas primeiras curvas. Quando as luzes vermelhas se apagaram, a dupla da Force India partiu forte, superando Felipe Massa (Williams). Segundos depois, Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), num movimento atabalhoado, tocou em Romain Grosjean (Haas) e perdeu o controle. O espanhol acabou levando Massa consigo, e os dois ficaram de fora. O acidente fez com que o safety car fosse acionado.

Na volta 4, o carro de segurança deixou a pista, e a corrida começou a ganhar forma. Na relargada, Pérez foi ousado. O mexicano se aproveitou de um erro de Kimi Raikkonen (Ferrari) e subiu para sexto. Na passagem seguinte, Sebastian Vettel (Ferrari) foi para os boxes. Após cair de segundo para quarto na largada, o alemão verificou uma avaria na asa dianteira de seu bólido, fruto de um toque com Max Verstappen (Red Bull). Assim, Checo ascendeu para o quinto lugar, e Ocon, para o sétimo. Ali permaneceram até a volta 11, quando Verstappen, então segundo colocado, abandonou com problemas elétricos em seu Red Bull. Com a retirada do holandês, Sergio passava a ocupar o quarto lugar, e Esteban, o sexto posto.

Após acidente com Sainz e Massa, Ocon ficou à frente de Hulk, Kvyat e Vandoorne

Após a saída do safety car, Ocon ficou à frente de Hulkenberg, Kvyat e Vandoorne

Para tirar o carro de Max da pista, foi acionado o virtual safety car. Apenas na volta 15, a direção de prova liberou a retomada plena da corrida. Naquele instante, as equipes já preparavam suas estratégias para o pit stop. A primeira a decidir parar foi a Ferrari, com Raikkonen. Com a ida do finlandês aos boxes, na volta 17, Ocon subiu para quinto, passando a se aproximar de Pérez. Na 18, foi a vez de Ricciardo fazer sua parada. Após o pit do australiano, o mexicano assumiu o terceiro lugar, e o francês, o quarto. Com os dois pilotos bem posicionados, a Force India achou por bem estabelecer dois stints para os seus pilotos: enquanto Sergio pararia primeiro, Esteban estenderia seu tempo em pista. Na volta 19, Checo foi aos boxes. Na troca, sacou os ultramacios e colocou os supermacios.

Após a parada de Pérez, Ocon assumiu o terceiro lugar. Na volta 22, Valtteri Bottas (Mercedes) fez seu pit stop. Assim, o francês da Force India subiu para segundo, ficando atrás somente de Lewis Hamilton (Mercedes). Esteban tinha um bom ritmo. Para ter uma ideia, Hamilton abria em torno de 0s8 para o francês neste momento da prova. Por outro lado, Sergio já estava em quinto, atrás de Ricciardo, o quarto. Com o passar das voltas, Bottas, com pneus novos, se aproximou de Ocon. Porém, o finlandês sabia que, em breve, o francês pararia para sua troca de pneus. E ela veio na volta 32. Assim como Hamilton, Esteban foi aos boxes. No pit, a Force India realizou o mesmo procedimento feito com Pérez – tirou os ultramacios e colocou os supermacios. Entretanto, havia uma diferença: Ocon teria pneus menos desgastados do que o mexicano no fim da prova.

Ocon andou por várias voltas em segundo: stint longo permitiria mais ação no fim da prova

Ocon andou por várias voltas em segundo: stint longo permitiria mais ação no fim da prova

No retorno à pista, na volta 33, Esteban estava em sexto, logo atrás de Raikkonen. Um pouco à frente, Pérez continuava sendo bloqueado por Ricciardo. Dessa forma, tanto o francês quanto o finlandês se aproximaram da disputa pelo terceiro lugar. Um pelotão com quatro pilotos foi formado. Na volta 41, Kimi realizou seu segundo pit stop. Com isso, Ocon subiu para quinto, tendo Sergio e Daniel em sua alça de mira. Em contrapartida, o francês era perseguido por Vettel, que, após cair para o fim da classificação, fazia uma prova de recuperação. Ao perceber que Sebastian estava limitado ao ritmo de Ricciardo, Pérez e Ocon, a Ferrari decidiu chamar o alemão para os boxes na volta 49. Na troca, sacou os supermacios e colocou os ultramacios. Assim, Vettel poderia atacar os adversários no fim da etapa.

Após a ação ferrarista, Ocon tomou uma atitude via rádio: avisou a Force India de que era mais veloz do que Pérez, e que ele, Esteban, poderia superar Ricciardo. A direção do time indiano, por sua vez, comunicou Sergio. O mexicano simplesmente ignorou a sugestão do time. Consta que, por cinco vezes, a equipe pediu a Checo para que cedesse sua posição. Em meio ao impasse instaurado na Force India, Vettel passou a reduzir drasticamente a diferença. Ocon estava sem saída: ou iria para cima de Pérez, ou seria superado por Sebastian. Na volta 63, o germânico já observava o trio. Esteban, então, tomou a atitude e partiu para cima de Sergio. O mexicano se defendeu como pôde, barrando o avanço do francês. Por outro lado, a disputa interna na Force India fez com que Ricciardo abrisse vantagem e se consolidasse no terceiro lugar.

A dupla da Force India perseguiu Daniel Ricciardo (Red Bull) por inúmeras voltas: erro estratégico

A dupla da Force India perseguiu Daniel Ricciardo (Red Bull) por inúmeras voltas: erro estratégico

Na volta 66, antes da freada para contorno da última curva, Ocon emparelhou com Pérez. Checo não arredou o pé, fazendo com que Esteban perdesse velocidade. Vettel se aproveitou disso para colocar por dentro na primeira curva. O francês, do lado externo da curva, não conseguiu contorná-la, escapando da pista. Assim, Seb assumiu o quinto lugar, derrubando Ocon para sexto. Na 68, Vettel ultrapassou Pérez sem dificuldades, garantindo o quarto lugar. Esteban batalhou até o fim contra Sergio pelo top 5. Todavia, o mexicano levou a melhor, por exímios 0s240. A vitória no GP do Canadá ficou com Hamilton (a 56ª da carreira do inglês), seguido por Bottas e Ricciardo.

Além da Mercedes, satisfeita com a primeira dobradinha de 2017, a festa na pista canadense ficou por conta de Stroll, que, com o nono lugar, obteve seus primeiros pontos na F1. Lance se tornou o 335º piloto a pontuar na categoria, e o segundo mais jovem na história, com 18 anos, 7 meses e 13 dias – atrás somente de Verstappen, que pontuou pela primeira vez no GP da Malásia de 2015, em Sepang, com 17 anos, 5 meses e 19 dias. Por outro lado, o clima na Force India era de decepção. Estava claro que o pódio havia escapado pelas mãos do time. Ao não interceder em favor de Ocon, a equipe viu o top 3 virar pó. Apesar disso, após a corrida, Esteban preferiu não polemizar.

Momento decisivo para a Force India: Vettel ataca Ocon e Pérez

Momento decisivo para a Force India em Montreal: Vettel ataca Ocon e Pérez. Fim do sonho do pódio

“Como equipe, marcamos pontos realmente importantes hoje (domingo), mas estou um pouco frustrado por esse resultado porque eu acho que um pódio pode ter sido possível. Temos que olhar para os aspectos positivos: tivemos um ótimo carro que nos permitiu lutar com a Ferrari e a Red Bull, e isso é muito impressionante. Estou confiante de que não será a última vez que lutaremos neste nível e foi um sentimento incrível – uma corrida muito agradável. A equipe como um todo fez um ótimo trabalho – eles me deram um carro tão rápido e podemos nos orgulhar do nosso trabalho e dos pontos que ganhamos”, afirmou o francês.

Já Pérez tinha certeza de que superaria Ricciardo e assumiria o lugar no pódio. Daí ter minimizado o pedido da Force India. “Durante quase toda a corrida, estava atrás de Daniel em sua janela de DRS, esperando minha oportunidade de ultrapassar. Tentei o meu melhor e realmente forcei forte, mas simplesmente não foi possível fazer a manobra. Foi a mesma situação com Esteban atrás de mim. Eu sabia que Ocon tinha melhores pneus porque meus engenheiros me informaram e eu respondi pedindo à equipe para simplesmente nos deixar correr. Acho que a equipe foi justa e respeitou minha visão. A equipe sempre vem primeiro e nós corremos duro, mas justo. Eu sempre dou o meu melhor e estou muito feliz de podermos sair com muitos pontos”.

Pérez havia recebido cinco avisos para ceder posição a Ocon: mensagem ignorada

Pérez havia recebido cinco avisos para ceder posição a Ocon: mensagem ignorada

Por fim, a Force India tentou contemporizar a situação entre a sua dupla. No Twitter, o dono do time, Vijay Mallya elogiou seus comandados. “Bom trabalho, pessoal. Estou orgulhoso de todos. A nossa política de não lançar mão de ordens de equipe continua, mas eu vou especificar algumas diretrizes para que possamos também alcançar o melhor resultado possível para a equipe”, concluiu. Ao site Motorsport, o chefe-adjunto da escuderia, Bob Fernley, foi taxativo. “Há aspectos positivos e negativos com o que aconteceu em Montreal. E o que aconteceu apenas destaca um problema que temos – o que, na verdade, é mais um elogio – que é ter dois pilotos incrivelmente rápidos. Então, talvez, tenhamos de rever as nossas posições em como vemos as coisas no futuro. Não devemos nos recriminar pelo que aconteceu. E do ponto de vista dos fãs, você não pode tomar dois caminhos. A nossa política é deixá-los correr e foi o que fizemos”, analisou.

Apesar dos pesares, sexto lugar colocou Ocon em oitavo no Mundial, com 27 pontos

Apesar dos pesares, sexto lugar em Montreal colocou Ocon em oitavo no Mundial, com 27 pontos

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Mônaco-2017: Sainz Jr. segura Hamilton e garante sexto lugar

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) não se intimidou com a pressão de Lewis Hamilton (Mercedes): festa pelo top 6

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) não se intimidou com Lewis Hamilton (Mercedes): festa pelo top 6

Consistente, veloz e determinado, Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) foi um dos grandes destaques do GP de Mônaco de 2017. O jovem espanhol deitou e rolou no Principado. Após conquistar um excelente sexto lugar no grid, Sainz faturou a sexta posição da etapa monegasca. De quebra, ficou à frente de ninguém menos do que o tricampeão Lewis Hamilton (Mercedes). Foi seu melhor desempenho no ano até o momento. Além disso, alcançou o quarto top 6 na carreira, igualando os resultados obtidos em três provas de 2016 – nos GPs da Espanha, em Montmeló; dos Estados Unidos, em Austin; e do Brasil, em Interlagos. Com os oito pontos, Carlos subiu para a oitava posição do Mundial de Pilotos, com 25 pontos, e ajudou a Toro Rosso a permanecer na quinta colocação do Mundial de Construtores, com 29 pontos – à frente da Williams.

Sem dúvida, foram dias que não serão esquecidos tão cedo pelo madrileno de 22 anos. Também pudera: nas ruas de Mônaco, a falta de potência do motor Renault não foi sentida, e o melhor equilíbrio do STR12 pôde ser notado a todo instante. Dessa forma, Sainz e seu companheiro de equipe, Daniil Kvyat, aceleraram forte desde o momento em que ingressaram no estreito circuito. Ambos figuraram entre os primeiros na quinta-feira, dia dos primeiros treinos livres no Principado. O russo foi o quarto mais veloz do dia, com 1m13s331, enquanto o espanhol ficou em quinto, com 1m13s400. Apesar de ter ficado 0s069 atrás de Kvyat, Sainz ficou satisfeito com o desempenho de seu bólido em solo monegasco – ainda mais porque a dupla da Toro Rosso superou pilotos da estirpe de Max Verstappen (Red Bull), sexto, e de Lewis Hamilton (Mercedes), sétimo.

Desde o início dos treinos, o STR12 se comportou bem nas ruas monegascas: presságio de bom resultado

Desde a quinta, o STR12 se comportou bem nas ruas monegascas – tanto com Sainz, quanto com Kvyat

“Eu acho que fizemos o que precisávamos fazer numa quinta-feira em Mônaco, construindo a velocidade pouco a pouco e tentando configurações diferentes para me dar confiança com o carro. Após as duas sessões de treinos de hoje (quinta) é seguro dizer que estamos muito felizes com tudo. Obviamente, de quinta a sábado, muitas coisas podem mudar, então não podemos nos deixar levar por este resultado. Mas, definitivamente, é um bom ponto de partida. Estou ansioso para o resto do fim de semana”, observou Carlos, que ficou a 0s680 de Sebastian Vettel (Ferrari), o mais rápido do dia, com 1m12s720.

Após os compromissos comerciais da sexta-feira, Sainz retornou ao cockpit do STR12 no sábado para a disputa do treino oficial para o GP de Mônaco. E, mais uma vez, suas expectativas foram além do esperado. Irrepreensível a bordo de seu Toro Rosso, o espanhol avançou para o Q3. É bem verdade que o acidente protagonizado por Stoffel Vandoorne (McLaren) no fim do Q2 atrapalhou Lewis Hamilton (Mercedes), Felipe Massa (Williams) e Kvyat, tirando os três da disputa da sessão decisiva. No fim, Carlos anotou um excelente sexto tempo, com 1m13s162, ficando somente atrás das duplas da Ferrari, Red Bull e Valtteri Bottas (Mercedes). A pole para a etapa monegasca ficou com Kimi Raikkonen (Ferrari), com 1m12s178 – a primeira do finlandês desde o GP da França de 2008, em Magny Cours.

Sainz celebrou o sexto lugar no grid: melhor volta do espanhol num qualifying em 2017

Sainz celebrou o sexto lugar no grid: melhor volta do espanhol num qualifying em 2017

Após o treino, Sainz parecia incrédulo. “Que volta! Definitivamente, foi a volta de classificação que mais apreciei em toda a temporada até aqui – aquela onde você está no limite o tempo todo e lhe dá a maior dose de adrenalina, a maior frequência cardíaca. E me classificar em sexto nesta pista é um resultado incrível. Estou muito feliz. Ainda sinto a adrenalina! Quanto a amanhã (domingo), estou confiante de que podemos ter uma boa prova – somos rápidos em trechos longos e certos, só precisamos fazer tudo certo na largada, liderar o pelotão intermediário e tentar atacar quando possível”, afirmou o madrileno da Toro Rosso.

Largada do GP de Mônaco de 2017: Sainz manteve a sexta posição após a primeira curva

Largada do GP de Mônaco de 2017: Sainz manteve a sexta posição após a primeira curva

A corrida

Domingo, 28 de maio de 2017. O sol realçava o belo cenário da Côte D’Azur. Encravado entre uma muralha natural e o Mar Mediterrâneo, o Principado de Mônaco acaba sendo o paraíso dos pilotos em dia de corrida. Ao todo, 19 pilotos alinharam no grid – o único a largar do pit lane foi… Jenson Button (McLaren)! O britânico, campeão mundial em 2009, substituiu Fernando Alonso na etapa monegasca – o espanhol participou das 500 Milhas de Indianapolis, nos Estados Unidos. Porém, Button teve que trocar peças de seu problemático MCL32, preferindo sair dos boxes. Largando na sexta posição com pneus ultramacios, Sainz sabia que era fundamental preservar sua colocação. Por isso, quando as luzes vermelhas se apagaram, o espanhol tratou de colar em Daniel Ricciardo (Red Bull), quinto no grid, e não ser ultrapassado por Sergio Pérez (Force India).

Após contornar a Sainte Devote, a primeira curva do circuito monegasco, Carlos viu que havia mantido o sexto lugar. Porém, logo na Loews, tomou um susto. Pérez tocou na traseira do STR12, avariando a frente de seu Force India. Com o passar das voltas, o espanhol da Toro Rosso perdeu contato com Ricciardo. Por outro lado, não era ameaçado pelo mexicano – que, apesar do problema na asa dianteira, seguia atrás de Sainz. Na volta 16, Checo foi obrigado a parar nos boxes para trocar o spoiler. Assim, Carlos teve um pouco mais de sossego no Principado – uma vez que Romain Grosjean (Haas) estava 6s atrás dele.

Calçando pneus ultramacios, espanhol da Toro Rosso se manteve entre os seis melhores

Calçando pneus ultramacios, espanhol da Toro Rosso se manteve entre os seis melhores no 1º stint

Na volta 32, Sainz ascendeu na classificação após o pit stop de Max Verstappen (Red Bull). Dessa forma, passou para quinto. Na passagem seguinte, subiu para quarto, graças à parada de Valtteri Bottas (Mercedes). Ali permaneceu provisoriamente até a volta 36. Na 37, Carlos foi chamado pela Toro Rosso para realizar seu único pit. Na troca, sacou os pneus ultramacios e colocou os compostos supermacios. Assim, o madrileno voltou à pista. Naquele instante, estava em nono. Com a parada de Grosjean, na volta 40, Sainz passou a ocupar o oitavo lugar. Na 43, foi a vez de Stoffel Vandoorne (McLaren) realizar seu pit. Assim, o espanhol subiu para sétimo, mas sem contato com o sexto colocado. Seu nome? Lewis Hamilton (Mercedes).

Depois de largar numa tímida 13ª posição, o britânico não conseguiu recuperar posições numa pista que não oferece claros pontos de ultrapassagem. A opção de Hamilton foi de postergar ao máximo sua parada, a fim de sair do incômodo 10º lugar. Lewis se encaminhou aos boxes na volta 46. No retorno, viu que a tática surtiu efeito – o tricampeão superou Grosjean, Daniil Kvyat (Toro Rosso) e Kevin Magnussen (Haas), passando a ocupar o sétimo lugar. Uma péssima notícia para Sainz, que teria que segurar Hamilton se quisesse garantir o top 6 em Mônaco. Na volta 50, Carlos tinha 9 segundos de vantagem sobre Lewis. Na 55, a diferença entre os dois era de 5s8. Nesse ritmo, o britânico alcançaria o espanhol no fim da corrida, mas não teria tempo para superá-lo.

Com o safety car após o acidente entre Wehrlein e Button, vantagem sobre Hamilton

Acidente entre Wehrlein e Button fez vantagem sobre Hamilton “virar fumaça”: tensão para Sainz

Porém, o inesperado aconteceria na volta 60: no duelo pelo 14º lugar, Button tentou uma ultrapassagem impossível sobre Pascal Wehrlein (Sauber) na entrada da curva Portier. O toque foi inevitável. A roda traseira da Sauber de Pascal tocou na dianteira da McLaren de Jenson. O carro do alemão foi catapultado, e Wehrlein ficou colado no guard rail. A cena era assustadora, mas o germânico escapou ileso. Tanto Button quanto Wehrlein abandonaram a prova – e o campeão de 2009, considerado culpado pelo acidente, tomou uma punição de três posições no grid de sua próxima corrida (que, ao que parece, nunca deverá acontecer…). O safety car foi acionado. Assim, Hamilton colou em Sainz.

Quando a relargada foi dada, na volta 67, Carlos foi impecável, não permitindo qualquer ação de Lewis. Hamilton tentava induzir Sainz ao erro, andando sempre no mesmo segundo do adversário. Mas o espanhol da Toro Rosso estava irresistível. Na volta 74, o madrileno abriu 1s3 sobre o britânico, que, enfim, desistiu da disputa. Ao cruzar a linha de chegada em sexto (3s7 à frente do piloto da Mercedes), Sainz fez a Toro Rosso explodir em festa. Foi o melhor resultado da escuderia italiana em 2017 até o momento. A vitória no GP de Mônaco ficou com Sebastian Vettel (Ferrari), a 45ª de sua carreira. Kimi Raikkonen (Ferrari) foi o segundo, seguido por Daniel Ricciardo (Red Bull). Apesar da irretocável dobradinha ferrarista, Carlos e a Toro Rosso também tinham a comemorar.

No fim, Sainz segurou Hamilton e conquistou oito preciosos pontos para a Toro Rosso no Principado

No fim, Sainz segurou Hamilton e conquistou oito preciosos pontos para a Toro Rosso no Principado

“Foi um fim de semana perfeito. Precisamos aproveitar este momento, porque não é habitual fazer uma corrida impecável nas ruas de Mônaco – e desta vez fizemos! Na sessão de classificação de ontem (sábado) e, na corrida de hoje (domingo), fomos capazes de manter um campeão mundial (Hamilton) em um carro mais rápido (Mercedes) atrás e terminar em sexto lugar. Nós também fomos mais rápidos do que o resto do pelotão durante todo o fim de semana e gostaria de agradecer a toda equipe por isso, eles me deram um carro muito bom para dirigir. Eu realmente gostei da corrida. Agora é hora de comemorar com a equipe antes de começar a pensar sobre o GP do Canadá”, disse Sainz.

Com o 6º lugar em Mônaco, Sainz seguiu em oitavo no Mundial de Pilotos, com 25 pontos

Com o 6º lugar em Mônaco, Sainz subiu para oitavo no Mundial de Pilotos, com 25 pontos

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Espanha-2017: Wehrlein põe Sauber em oitavo em Montmeló

Wehrlein terminou em sétimo, mas foi punido com 5s e ficou com o oitavo lugar: festa na Sauber

Wehrlein terminou em sétimo, mas foi punido com 5s e ficou com o oitavo lugar: festa na Sauber

Em 2017, a Sauber está celebrando sua 25ª temporada na Fórmula 1. Após bons momentos na categoria (sobretudo nas décadas de 1990 e de 2000), o time suíço tem vivido uma fase recente difícil. Em 2016, marcou apenas dois pontos, graças ao nono lugar de Felipe Nasr no GP do Brasil, em Interlagos. Os pontinhos do brasileiro vieram num momento fundamental, uma vez que garantiu à escuderia a verba proveniente da FOM para o custeio de viagens neste ano. Porém, Nasr não seguiu no time, pois seu principal patrocinador (o Banco do Brasil) decidiu não renovar o aporte. Assim, o brasileiro foi substituído por Pascal Wehrlein, um piloto que estreou na F1 em 2016 e que trazia em seu currículo o título da DTM em 2015.

Em sua temporada de estreia, o alemão obteve um excelente 10º lugar no GP da Áustria de 2016, obtido a bordo da Manor. Com o fim das atividades do time, e após ser preterido por Esteban Ocon na Force India e por Valtteri Bottas na Mercedes, o germânico só tinha o assento da Sauber à disposição. Ao lado de Marcus Ericsson, Pascal assumiu a difícil missão de honrar a história da equipe suíça em seu jubileu de prata. Como o sueco nunca foi um piloto capaz de liderar a escuderia, caberia a Wehrlein esse papel. Porém, logo depois do acerto, o alemão sofreu um acidente na ROC – Race of Champions, nos Estados Unidos, em janeiro.

Após sofrer acidente na ROC, em janeiro, Wehrlein perdeu dois GPs (Austrália e China): alemão foi substituído por Giovinazzi

Após acidente na Race of Champions, em janeiro, Pascal Wehrlein perdeu dois GPs (Austrália e China)

Lesionado, Pascal não participou dos testes pré-temporada. Recuperado clinicamente, decidiu treinar para a disputa do GP da Austrália, em Melbourne. Todavia, se viu sem condições de correr. Assim, foi substituído por Antonio Giovinazzi na prova australiana e no GP da China, em Xangai. Wehrlein só estreou na Sauber no GP do Bahrein, em Sakhir. Na etapa barenita, terminou em 11º. Depois, no GP da Rússia, em Sochi, foi apenas o 16º. Diante desse início discretíssimo, as pretensões do germânico eram as mais modestas possíveis para a disputa do GP da Espanha, em Montmeló. Se muito, ver a bandeira quadriculada ao final das 66 voltas.

Na sexta-feira, a complicada realidade veio à tona para Wehrlein. Com 1m23s599, o alemão ficou numa tímida 19ª posição, somente à frente de Fernando Alonso (McLaren). O germânico foi superado por Ericsson, 16º com 1m23s082 (0s517 à frente de Pascal) e ficou a 2s797 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor do dia com 1m20s802. “Esta foi uma típica sessão de treinos de sexta-feira, na qual pudemos coletar alguns dados valiosos do carro, especialmente com relação às novas peças. É difícil fazer previsões ainda, até porque também tivemos alguns problemas com o carro. No entanto, estou otimista de que podemos melhorar o carro para amanhã (sábado)”, analisou.

Após uma sexta discreta, Wehrlein levou a Sauber ao Q2 em Montmeló: 15º lugar no sábado

Após uma sexta discreta, Wehrlein levou a Sauber ao Q2 em Montmeló: 15º lugar no sábado

De fato, a Sauber melhorou no sábado. Tanto Wehrlein quanto Ericsson tiveram bons momentos no qualifying em Montmeló. Contudo, diferentemente da sexta, Pascal derrotou Marcus e avançou para o Q2. Foi uma verdadeira façanha. No fim, alcançou o 15º tempo, com 1m21s803. O alemão foi 0s529 mais veloz do que o sueco, que caiu no Q1 ao anotar o 16º tempo (1m22s332), e ficou a 2s654 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole em Montmeló com 1m19s149. “Estou satisfeito em passar para o Q2. Depois das sessões de treinos na sexta, não poderíamos ter esperado um resultado assim. O mais importante foi tirar o máximo do carro – o que eu fiz. A equipe também fez um bom trabalho, considerando que ainda não temos o pacote completo de atualização do carro”, observou.

Largada do GP da Espanha: Wehrlein se aproveitou dos incidentes da primeira curva para saltar para 12º

Largada do GP da Espanha: Wehrlein se aproveitou dos incidentes da Curva 1 para saltar para 12º

A corrida

Domingo, 14 de maio de 2017. O céu de Montmeló estava convidativo para a disputa do GP da Espanha. O azul ornava o circuito catalão. No grid com seu C36 e calçando pneus macios, Wehrlein queria fazer o máximo possível. Também pudera: no box da Sauber, estava o patrono do time, Peter Sauber. Fazer jus ao suíço era necessário. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, Pascal acelerou seu bólido azul rumo à Curva 1. De repente, se deparou com o choque entre Kimi Raikkonen (Ferrari) e Max Verstappen (Red Bull). Ambos ficaram pelo caminho. Depois, viu Felipe Massa (Williams) com um pneu furado, após toque em Fernando Alonso (McLaren). Com o abandono de Raikkonen e Verstappen, e com Massa caindo para o fim do pelotão, o alemão da Sauber completou a volta 1 em 12º.

A partir daí, Wehrlein tentava acompanhar o ritmo de Alonso, o 11º. A distância entre ambos girava entre 1 e 2 segundos. O ritmo era bom. Eis que a Sauber decidiu mudar a estratégia para Pascal: o alemão pararia apenas uma vez nos boxes, contra duas dos adversários. A aposta foi certeira. Aos poucos, teve início a ascensão de Wehrlein na classificação. Na volta 13, Alonso fez seu primeiro pit stop, e o germânico subiu para 11º. Na 14, foi a vez de Kevin Magnussen (Haas) e Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) se encaminharem para os boxes, impulsionando o germânico da Sauber à nona posição.

Calçando pneus macios, Wehrlein decidiu estender seu primeiro stint: tática ousada e acertada

Calçando pneus macios, Wehrlein decidiu estender seu primeiro stint: tática ousada e acertada

O público em Montmeló se assustou ao ver Wehrlein na zona de pontuação. Pensaram: ‘ah, mas isso é algo momentâneo’. Porém, quanto mais voltas passavam, mais Pascal cavava um lugar entre os pontuáveis. Na volta 16, Nico Hulkenberg (Renault) realizou sua troca de pneus, e o alemão subiu para oitavo. Na passagem seguinte, com a parada de Esteban Ocon (Force India), o piloto da Sauber ascendeu para sétimo. Depois, com o pit stop de Sergio Pérez (Force India), na volta 19, Wehrlein passou a ocupar o sexto lugar. Na 20, após o pit de Romain Grosjean (Haas), Pascal andava em quinto.

Apesar da súbita ascensão, o alemão já encarava dificuldades em manter-se na pista. Em contrapartida, seus rivais mais próximos calçavam pneus novos. Logo, Wehrlein acabou sendo superado por Pérez, na volta 21, e por Ocon, na volta 23. O embate com os pilotos da Force India, um time com equipamento superior, era perda de tempo. Em sétimo, Pascal mantinha vantagem segura sobre Hulkenberg, seu principal perseguidor. Em suma: a estratégia da Sauber havia funcionado melhor do que o planejado. A meta era fazer o único pit stop de Wehrlein, retornar à pista e assegurar os primeiros pontos da escuderia do ano. Porém, as coisas não funcionaram conforme a escuderia queria…

Após o pit stop, Wehrlein ficou à frente de Sainz, Magnussen e Grosjean: batalha contra a punição de 5s

Após o pit, Wehrlein ficou à frente de Sainz, Magnussen e Grosjean: batalha contra a punição de 5s

Sem aviso prévio, o time suíço chamou Pascal com urgência aos boxes na volta 33. Naquele momento, um incidente entre Massa e Stoffel Vandoorne (McLaren) acabara de ocorrer. O carro do belga ficou na brita, e foi acionado o virtual safety car. Para aproveitar a chance, a Sauber bradou por Wehrlein. Todavia, o germânico atravessou de forma irregular a entrada do pit lane. Isso fez com que a direção de prova estudasse punir o piloto com 5s de tempo acrescido ao final da etapa. Vacilo à parte, Pascal realizou sua troca, sacando os desgastados pneus macios e colocando os novos compostos médios. Na volta à pista, estava na oitava posição, à frente de Sainz, Magnussen e Grosjean.

Quando o virtual safety car foi desabilitado, na volta 38, Wehrlein tratou de segurar o ímpeto de Sainz, que, correndo em casa, queria fazer bonito em Montmeló. Mas o alemão da Sauber deteve o espanhol da Toro Rosso, mantendo-se em oitavo. Na volta 39, uma quebra de motor deixou Valtteri Bottas (Mercedes) na mão. Dessa forma, Pascal saltou para o sétimo lugar. Porém, na volta 46, veio a confirmação: o germânico estava punido pela direção de prova. Como Sainz estava colado, dificilmente manteria a sétima posição. A partir dali, o trabalho de Wehrlein passou a ser acelerar ao máximo, a fim de conquistar o oitavo posto.

Wehrlein cruzou a linha de chegada em sétimo, mas celebrou o oitavo lugar: melhor GP de sua carreira até aqui

Wehrlein cruzou a linha de chegada em 7º, mas celebrou o 8º lugar: melhor GP de sua carreira até aqui

Por outro lado, Magnussen e Daniil Kvyat (Toro Rosso) apresentavam bom ritmo, e pareciam entrar na janela dos 5s da punição de Wehrlein. O que o jovem piloto da Sauber não contava era com um choque entre o dinamarquês e o russo. Kvyat perdeu tempo e ficou em nono, e Magnussen teve um pneu furado e caiu para 14º. Assim, Pascal pôde celebrar a oitava posição em Montmeló, o melhor resultado de sua carreira até o momento. A vitória no movimentado GP da Espanha ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), seguido por Sebastian Vettel (Ferrari) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Mas os quatro pontos obtidos, mesmo após cumprir punição e cruzar a linha de chegada em sétimo, foram bastante celebrados pela Sauber.

“Foi uma corrida muito boa para mim hoje (domingo). Estou muito feliz que o desempenho do carro estava lá, bem como a estratégia com apenas um pit stop. Não poderíamos esperar tal resultado após as sessões de treinos. É muito bom terminar esta corrida surpreendentemente nos pontos. Quero agradecer a toda a equipe, pois todos fizeram um ótimo trabalho durante todo o fim de semana. Agora espero que as novas atualizações do carro também nos levem para Mônaco e que possamos repetir esses resultados”, comemorou Wehrlein.

Pascal foi cumprimentado pelo patrono da equipe, Peter Sauber: primeiros pontos do time em 2017

Pascal foi cumprimentado pelo patrono da equipe, Peter Sauber: primeiros pontos do time em 2017

Chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn elogiou o piloto após a formidável performance em Montmeló. “Foi uma excelente condução”, disse, em entrevista ao site da Autosport. “Foi triste que a chamada tenha sido feita tão tarde o que fez receber essa punição, mas isso não importa. Ele teve uma fração de segundo, a chamada só chegou um pouco tarde demais, mas ele ainda pôde reagir. Mas não devemos chorar sobre o que poderia ter sido (o sétimo lugar). Estamos felizes com o que temos (o oitavo)”, finalizou Monisha. E com razão: afinal, com esses quatro pontos, a Sauber deixou a McLaren na amarga última posição entre os Construtores – o time de Woking ainda não saiu do zero em 2017.

Com os pontos de Wehrlein em Montmeló, todas as equipes (exceto a McLaren) já anotaram pontos em 2017

Com os pontos de Wehrlein em Montmeló, 9 equipes anotaram pontos em 2017: exceção é a McLaren

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Rússia-2017: Pérez e Ocon consolidam Force India no top 4

Sexto e sétimo colocados, Pérez (à frente) e Ocon conquistaram 14 pontos para a Force India em Sochi

Sexto e sétimo colocados, Pérez (à frente) e Ocon conquistaram 14 pontos para a Force India em Sochi

A Force India desembarcou em Sochi, palco do GP da Rússia de 2017, envolvida em meio a um escândalo com seu proprietário. Às vésperas da prova russa, Vijay Mallya foi detido por autoridades britânicas em razão das astronômicas dívidas de sua companhia aérea, a Kingfisher. O imbróglio, porém, não abalou as estruturas do time indiano. Prova disso foi o excelente resultado conquistado no último dia 30 de abril: Sergio Pérez assegurou o sexto lugar na etapa, e Esteban Ocon terminou em sétimo. Com os 14 pontos conquistados pelo mexicano e pelo francês, a escuderia consolidou-se na quarta posição do Mundial de Construtores, com 31 pontos. Para ter uma ideia, neste momento, a Force India possui o mesmo número de pontos que a soma de Williams (18) e Toro Rosso (13).

Tem sido um início de ano promissor, acima das expectativas para a equipe indiana. Não apenas pelo equipamento em si – o VJM10 vem demonstrando consistentes performances nas primeiras provas de 2017. Mas a boa forma do carro rosa também tem revelado a regularidade de Pérez e Ocon. O asteca se tornou um frequentador assíduo da zona de pontuação da Fórmula 1 – desde o GP da Alemanha de 2016, em Hockenheim, Checo tem sido visto entre os 10 primeiros. Já são 14 provas em sequência. Porém, tem sido o francês a grata surpresa da Force India: após alcançar o 10º lugar nas três primeiras provas do Mundial (Austrália, China e Bahrein), Esteban foi além em Sochi. Sinal de um rápido amadurecimento a bordo de um carro competitivo.

O objetivo da dupla da Force India em Sochi era repetir os pontos das etapas anteriores: meta alcançada

O objetivo da dupla da Force India em Sochi era repetir o top 10 das etapas anteriores: meta alcançada

Em solo russo, o objetivo de Pérez e Ocon era, mais uma vez, fincar o VJM10 entre os pontuáveis. E isso já pôde ser notado na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP da Rússia. Ambos colocaram seus bólidos entre os 10 mais velozes. No fim, Sergio foi o 10º mais veloz do dia, com 1m36s600, enquanto Esteban anotou o 11º tempo, com 1m36s654. Apenas 54 milésimos separaram a dupla da Force India na sexta, que teve Sebastian Vettel (Ferrari) como o mais rápido, com 1m34s120. Tanto o mexicano quanto o francês concordaram: o desempenho dos bólidos rosados foi muito sólido em Sochi.

“Acho que estamos em um bom lugar e eu me senti feliz no carro. Nós completamos diversas voltas usando todos os compostos de pneus e há muitos dados para analisar, mas estou confiante de que podemos ser competitivos amanhã (sábado). Vai ser uma batalha emocionante no meio do grid e acredito que vamos ser fortes”, observou Checo. “Sinto que nós chegamos a um ponto onde nós compreendemos como o carro está trabalhando em torno desta pista e nós sabemos onde nós podemos fazer melhorias. Eu me senti muito confiante com o carro o dia todo, mas especialmente na segunda sessão, e eu fui capaz de fazer os pneus funcionarem, o que não é fácil em uma pista como esta”, analisou Ocon.

Pela primeira vez em 2017, os dois carros da Force India avançaram para o Q3: Pérez foi o nono, e Ocon, o 10º

Pela 1ª vez em 2017, os dois carros da Force India avançaram para o Q3: Pérez foi o 9º, e Ocon, o 10º

A confiança na sexta se transformou em resultado concreto no sábado. Pela primeira vez em 2017, os dois carros da Force India avançaram para o Q3. Em Sochi, tanto Sergio quanto Esteban mostraram a força do VJM10. O mexicano foi o nono, com 1m35s337, enquanto o francês ficou em 10º, com 1m35s430. Apenas 93 milésimos separaram os dois companheiros de equipe. Apesar do feito, ambos tiveram sensações divergentes quanto ao desempenho na qualificação do GP da Rússia – enquanto Pérez lamentou não ter ido além do nono lugar, Ocon celebrou a primeira vez na carreira em um Q3.

De acordo com Checo, um erro custou uma melhor posição no grid de Sochi. “Não fiz a volta perfeita. Sinto que havia mais potencial do que foi demonstrado. Quando as margens são tão pequenas, um décimo de segundo teria nos colocado alguns lugares à frente”, lamentou o mexicano. Já Esteban comemorou o fato de se colocar entre os 10 primeiros do qualifying. “Foi meu primeiro Q3, e estou muito feliz com nossa performance. A equipe fez um trabalho fantástico para melhorar o carro a cada sessão e eu me sentia confortável quando iniciamos a classificação. É importante que eu aproveite ao máximo minha melhor posição de classificação na Fórmula 1 para marcar mais alguns pontos”, afirmou o francês.

Largada do GP da Rússia de 2017: Pérez e Ocon ganharam uma posição cada

Largada do GP da Rússia de 2017: Sergio Pérez e Esteban Ocon ganharam uma posição cada

A corrida

Domingo, 30 de abril de 2017. O sol despontou esplêndido no céu azul de Sochi. O cenário era ideal para a disputa do GP da Rússia. Calçando pneus ultramacios, Sergio Pérez e Esteban Ocon alinharam no grid cientes de que a largada determinaria o resultado da etapa – o circuito russo possui raros pontos de ultrapassagens. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Checo e Ocon se aproveitaram da má largada de Nico Hulkenberg (Renault) e ganharam uma posição. Assim, Sergio ocupava a oitava posição, e Esteban, a nona. Atrás da dupla da Force India, Jolyon Palmer (Renault) e Romain Grosjean (Haas) se enroscaram na Curva 2 e pararam no muro. Com isso, o safety car foi acionado para os fiscais de pista retirarem os destroços dos carros de Palmer e Grosjean.

A pista só foi liberada na volta 4. Na passagem seguinte, Daniel Ricciardo (Red Bull) recolheu seu carro nos boxes, após detectar problemas nos freios. Com isso, Pérez subiu para sétimo, e Ocon, para oitavo. A partir dali, a dupla da Force India se viu isolada na pista. Se por um lado, Sergio não era capaz de acompanhar Felipe Massa (Williams), o sexto, Esteban colocava boa vantagem sobre Hulkenberg, o nono. A situação se manteve inalterada até a volta 21, quando Massa antecipou sua primeira parada em razão de um furo no pneu. Até chegar aos boxes, o brasileiro se arrastou na pista. Sorte dos pilotos do time indiano – o mexicano assumiu o sexto lugar, e o francês, o sétimo.

A dupla da Force India, à frente de Hulkenberg (Renault) e Magnussen (Haas): ritmo constante da dupla

A dupla da Force India, à frente de Hulkenberg (Renault) e Magnussen (Haas): ritmo constante

Naquele momento, os pneus ultramacios já davam sinais de desgaste. Ocon era quem se queixava mais. Por isso, a Force India chamou Esteban para o único pit stop programado para a corrida na volta 26. Na troca, o time colocou pneus supermacios no carro do francês. A estratégia do time indiano foi repetida na parada de Pérez, na volta 27. No retorno à pista, o mexicano saiu em oitavo, imediatamente à frente de Ocon, o nono. Os dois pilotos estavam atrás de Hulkenberg, que permanecia com os compostos ultramacios da largada, e de Massa, que tentava levar a prova até o fim sem parar mais.

Hulk levou seu Renault com pneus ultramacios por 40 voltas em Sochi. Enfim, na 41, o alemão fez seu pit stop. Assim, Pérez ascendeu para sétimo, e Ocon, para oitavo. Na passagem seguinte, Massa foi novamente aos boxes. Com problemas de pneus, o brasileiro se viu obrigado a realizar uma parada não-programada. Assim, Sergio recuperou o sexto lugar, e Esteban, o sétimo. O mexicano estava distante de Max Verstappen (Red Bull), o quinto colocado, mas via o top 6 em suas mãos. O francês, por sua vez, sofria com a aproximação de Hulkenberg e Massa. Ainda assim, administrou a sétima posição.

No fim, Ocon sofreu com a aproximação de Hulkenberg e Massa, mas assegurou o 7º lugar

No fim, Ocon sofreu com a aproximação de Hulkenberg e Massa, mas assegurou o 7º lugar

A vitória no GP da Rússia ficou com Valtteri Bottas (Mercedes) – a primeira da carreira do finlandês, o 107º piloto a triunfar na F1 -, seguido por Sebastian Vettel (Ferrari) e Kimi Raikkonen (Ferrari). Mas quem também festejou o resultado de Sochi foi a Force India, com seus dois carros entre os sete primeiros. Foi como bem mencionou Pérez: “o sexto lugar é bastante satisfatório, e com Esteban em sétimo, consolidamos nosso quarto lugar no campeonato. Além disso, estou em sétimo na pontuação dos Pilotos (com 22 pontos, ao lado de Ricciardo) – um tremendo esforço nas quatro primeiras corridas”, disse Checo.

Ocon também celebrou o seu melhor resultado na carreira até o momento. “É uma ótima sensação chegar em sétimo após uma performance tão forte de toda a equipe. Estou muito feliz com o que alcançamos neste fim de semana: melhoramos a cada sessão e nunca regredimos. Dos mecânicos aos engenheiros, todos fizeram um ótimo trabalho e podemos nos orgulhar. Terminar nos pontos nas quatro primeiras etapas é uma ótima maneira de começar a temporada e o melhor que eu poderia esperar”, analisou o francês, atual 10º colocado entre os Pilotos, com 9 pontos.

Com o resultado de Sochi, a Force India soma 31 pontos - 22 de Pérez e 9 de Ocon

Com o resultado de Sochi, a Force India soma 31 pontos no Mundial – 22 de Pérez e 9 de Ocon

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Bahrein-2017: Pérez ganha 11 posições e alcança sétimo lugar

Em corrida de recuperação, Sergio Pérez (Force India) terminou em 7º em Sakhir: nos pontos pela 13ª vez seguida

Em prova de recuperação, Sergio Pérez (Force India) terminou em 7º: nos pontos pela 13ª vez seguida

Há tempos, Sergio Pérez tem demonstrado regularidade e competência a bordo de seu Force India. Desde o GP da Alemanha de 2016, em Hockenheim, o mexicano vem frequentando a zona de pontuação da Fórmula 1. Foram 12 provas consecutivas. No último domingo, 17 de abril, a sequência parecia que seria quebrada. Ao alinhar em 18º no grid do GP do Bahrein de 2017, em Sakhir, Checo sabia que figurar entre os 10 primeiros era missão quase impossível. Mas Pérez não quis saber. Após uma primorosa largada, Sergio ascendeu na classificação. No fim, completou a etapa barenita em sétimo. Foi a 13ª corrida nos pontos, de maneira seguida. Mas, sem dúvida, foi a mais difícil desse período. Afinal, ascendeu 11 posições desde a largada.

O latino desembarcou confiante em Sakhir. Após as duas primeiras etapas do Mundial, o piloto da Force India ocupava o oitavo lugar na tabela de classificação, com oito pontos – mesmo número de Felipe Massa (Williams). Em anos anteriores, Checo obteve bons resultados na prova do Oriente Médio – foi terceiro no GP do Bahrein de 2014, e oitavo na corrida barenita de 2015. Porém, quando Pérez levou seu VJM10 para a pista, na sexta-feira, o otimismo deu lugar à incredulidade. Os pneus não se adaptaram ao asfalto, sobretudo à noite – período no qual aconteceria a etapa.

Na sexta, a Force India notou problemas de adaptação ao asfalto barenita: de dia, andava bem; à noite, mal

Na sexta, a Force India notou problemas de adaptação no Bahrein: de dia, andava bem; à noite, mal

No primeiro treino livre, realizado à tarde, Sergio foi o quarto mais veloz. Já no segundo treino, o mexicano não passou do 15º lugar. A marca de Checo foi de 1m33s319, a 0s444 de Esteban Ocon. Seu companheiro na Force India ficou em 12º, com 1m32s875. A melhor marca da sexta foi de Sebastian Vettel (Ferrari), com 1m31s310 – 2s009 à frente de Pérez. “Houve uma grande mudança nas condições da pista entre as duas sessões, quando as temperaturas caíram, e o carro não estava bem equilibrado na segunda sessão. Parece que perdemos um pouco de direção nos compostos de pneus macios e supermacios, então isso é algo que precisamos entender e melhorar hoje (sexta) à noite”, observou.

Aparentemente, a Force India não encontrou soluções para o sábado. Tanto Pérez quanto Ocon se viram em dificuldades com o VJM10. No qualifying, realizado à noite, em Sakhir, o mexicano e o francês se esforçaram para levar o time indiano para o Q2. Surpreendentemente, Pérez caiu logo no Q1. Foi uma sessão para esquecer. O latino só ficou à frente dos escandinavos Marcus Ericsson (Sauber) e Kevin Magnussen (Haas), assegurando o 18º lugar, com 1m32s318. Além disso, ficou a 0s904 de Ocon, que conseguiu avançar para o Q2 e obter o 14º lugar, com 1m31s414. A pole do GP do Bahrein ficou com Valtteri Bottas (Mercedes), com 1m28s769 – 3s549 à frente de Checo. Foi a primeira vez na carreira que o finlandês anotou o melhor tempo do qualificatório.

Pérez caiu no Q1 no sábado: surpresa e preocupação para a disputa do GP do Bahrein

Pérez caiu no Q1 no sábado: surpresa e preocupação para a disputa do GP do Bahrein

Após o qualifying, Pérez afirmou que foi atrapalhado pelos incidentes na pista. “Tive azar com as bandeiras amarelas hoje (sábado). Precisei abortar minha última volta na Q1 e foi o fim da minha classificação. É uma pena, porque eu tinha velocidade para ficar muito mais à frente, mas às vezes as coisas não dão certo. Ainda estou otimista para a corrida, porque conseguimos um bom progresso entre o último treino e a classificação. Eu estava bem mais feliz com o carro, mas não pudemos mostrar isso com o resultado final. Faremos o possível para avançar amanhã (domingo). Será uma prova dura, mas acho que podemos ser mais competitivos com uma boa estratégia”, analisou Checo.

Largada do GP do Bahrein de 2017: Pérez saltou bem e subiu para 13º

Largada do GP do Bahrein de 2017, em Sakhir: Sergio Pérez saiu bem e subiu para 13º

A corrida

Com o céu limpo e o ocaso se aproximando, o GP do Bahrein de 2017, em Sakhir, começava a se aproximar. Saindo da 18ª posição, Sergio Pérez só pensava em uma coisa: se recuperar rapidamente na classificação. Antes do início da corrida, o mexicano já herdava uma colocação – Stoffel Vandoorne (McLaren) sequer participou do GP, por problemas em seu MCL32. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o piloto da Force India disparou com tudo. Com arrojo, Checo ultrapassou Pascal Wehrlein (Sauber), Fernando Alonso (McLaren) e Lance Stroll (Williams). Além disso, contou com a escapada de Daniil Kvyat (Toro Rosso) para completar a volta 1 em 13º. A partir dali, Pérez iniciou perseguição a Jolyon Palmer (Renault). Com astúcia, o latino superou o britânico e assumiu a 12ª posição na volta 4.

Naquele momento, quem passava a estar à frente de Sergio era Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). Porém, a distância para o espanhol já era maior. Ainda assim, aos poucos, Checo reduziu a diferença para Sainz. Entretanto, já era a hora das primeiras trocas de pneus. Na volta 11, o mexicano subiu para 10º após o pit stop de Sebastian Vettel (Ferrari) e Esteban Ocon (Force India). Todavia, era uma situação momentânea: Vettel estava na cola de Pérez. Na volta 12, o alemão ignorou o latino, que caiu para 11º. Na mesma passagem, Sainz foi aos boxes, e Max Verstappen (Red Bull), com problemas nos freios, abandonava em Sakhir. Assim, Sergio se viu em nono.

Na volta 4, Pérez superou Jolyon Palmer (Renault) e alcançou o 11º lugar

Na volta 4, Pérez superou Jolyon Palmer (Renault) e alcançou o 12º lugar: ascensão meteórica

Na saída de boxes de Sainz, na volta 13, o espanhol acabou atingindo Stroll em cheio. O estrago foi grande, e os dois deixaram a prova. Diante dos detritos espalhados pela pista, a direção de prova acionou o safety car. Pérez aproveitou a oportunidade, parou nos boxes. Na troca, sacou os usados pneus supermacios e colocou novo jogo do mesmo tipo de borracha. Ao retornar ao pelotão, se via em nono, atrás de Marcus Ericsson (Sauber) e à frente de Romain Grosjean (Haas). Na volta 17, a relargada foi dada, e Checo partiu para o ataque. Logo, superou Ericsson e Nico Hulkenberg (Renault), assumindo a sétima posição.

Era uma situação improvável: em 18 voltas, Pérez saía do 18º lugar e passava a ocupar a sétima colocação, atrás somente das duplas da Mercedes, Ferrari, Felipe Massa (Williams) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Alcançar o australiano, o sexto colocado, era impossível. Por outro lado, Sergio não era incomodado por Hulkenberg. Na volta 28, Pérez estava a 3s3 de Ricciardo, e 5s4 à frente de Hulk. Com a parada de Valtteri Bottas (Mercedes), na volta 31, o mexicano subiu para sexto. Todavia, logo na passagem seguinte, o finlandês ultrapassou o latino, que retornou para sétimo.

No stint final, com pneus macios, Checo administrou o sétimo lugar

No stint final, com pneus macios, Checo administrou o sétimo lugar: seis pontos importantes

Na volta 36, Pérez parou pela segunda e definitiva vez na etapa barenita. No pit stop, a Force India sacou os pneus supermacios e colocou os macios. No retorno à pista, Sergio se via na sétima posição, à frente de Grosjean, e atrás de Massa. Na volta 39, a diferença entre o mexicano e o brasileiro estava na casa de 3s2. Em compensação, sua vantagem sobre o francês girava em 3s5. Com o passar das voltas, Pérez notou que era impossível superar Massa. Por outro lado, Checo passou a administrar a vantagem que tinha sobre Grosjean. O sétimo lugar estava assegurado pelo latino da Force India.

A vitória do GP do Bahrein ficou com Sebastian Vettel (Ferrari), seguido por Lewis Hamilton (Mercedes) e Valtteri Bottas (Mercedes). Foi a 44ª vitória do alemão na Fórmula 1, a segunda em 2017, fazendo com que deixasse Sakhir na liderança do Mundial, com 68 pontos – sete a mais do que Hamilton. Com a sétima posição, Pérez seguiu em oitavo no Mundial, com 14 pontos, e ajudou a Force India a alcançar o quarto lugar entre os Construtores, com 18 pontos – atrás somente de Ferrari, Mercedes e Red Bull. Com tudo isso, Checo demonstrou bastante satisfação, principalmente após tamanha recuperação.

Sergio cumprimentou a Force India: apesar dos treinos, time soube reagir na corrida

Sergio cumprimentou a Force India: apesar dos treinos, time soube reagir na corrida

“Estou bastante orgulhoso de minha equipe hoje (domingo). Chegar em sétimo após largar em 18º é uma recuperação incrível, podemos ficar muito felizes. Também é nossa 13ª corrida consecutiva nos pontos, o que é um feito incrível”, observou. “A primeira volta foi importante para minha prova, porque ganhei cinco posições e subi para 13º. Meus pneus tiveram uma ótima durabilidade no primeiro trecho. Ficamos o máximo possível na pista e o safety car nos favoreceu exatamente quando eu precisava fazer um pit stop. Creio que aproveitamos todas as oportunidades, e a equipe inteira – engenheiros e mecânicos – fez sua parte executando uma corrida perfeita”, celebrou Pérez.

Pérez ocupa o 8º lugar do Mundial, com 14 pontos; a Force India só é superada por Ferrari, Mercedes e Red Bull

Pérez ocupa o 8º lugar do Mundial, com 14 pontos: batalha em 2017 será contra a Williams

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China-2017: Sainz Jr. arrisca e é premiado com sétimo lugar

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) venceu duelo contra Fernando Alonso (McLaren): sétimo lugar em Xangai

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) venceu duelo contra Fernando Alonso (McLaren): 7º lugar em Xangai

Em algumas situações, ousar é preciso. Porém, ousar em um cenário repleto de desafios parece temeroso. Que o diga Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). Ao ser o único piloto do grid a largar com pneus lisos para a disputa do molhado GP da China de 2017, no último domingo, em Xangai, o espanhol colocou em risco sua corrida. Entretanto, a destemida decisão foi premiada: o jovem madrileno de 22 anos assegurou um excelente sétimo lugar na etapa chinesa. Com os seis pontos obtidos em solo chinês, Sainz subiu para a sétima posição no Mundial de Pilotos após duas provas, com 10 pontos. O piloto passou a estar apenas atrás das duplas dos três principais times do ano – Ferrari, Mercedes e Red Bull. Não só isso: Carlos ajudou a Toro Rosso a figurar na quarta posição do Mundial de Construtores, com 12 pontos.

Em Xangai, o espanhol tinha como objetivo voltar a pontuar na temporada de 2017. Depois do oitavo lugar no GP da Austrália, em Melbourne, a meta era bem palpável. Todavia, o clima instável transformou o fim de semana da prova chinesa em uma loteria. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos para o GP da China, quase não houve movimentação na pista. Uma densa neblina encobriu o autódromo chinês, impedindo que o helicóptero do serviço médico pudesse voar com segurança. Somente houve raros períodos da primeira sessão livre. Já o segundo treinamento foi cancelado.

Tempo instável fez com que o segundo treino livre da sexta fosse cancelado: Sainz foi 4º mais veloz do dia

Tempo instável fez com que o 2º treino livre da sexta fosse cancelado: Sainz foi 4º mais veloz do dia

Sainz foi um dos 14 pilotos que anotaram tempo no primeiro treino livre da sexta. Com 1m52s840, Carlos anotou o quarto tempo. Ele foi 0s474 mais veloz que Daniil Kvyat, seu companheiro de Toro Rosso e sexto em Xangai com 1m53s314. O espanhol ficou a 2s349 de Max Verstappen (Red Bull), o mais veloz do conturbado dia, com 1m50s491. “Foi uma sexta-feira muito diferente, já que as condições não eram boas o suficiente para o helicóptero voar, então passamos a maior parte do tempo na garagem. Pela manhã, conseguimos pelo menos fazer uma volta de instalação e verificar o carro, certificando de que tudo estava funcionando bem. À tarde, passei 1h30 na minha cadeira, vendo a sessão na TV. Agora há muito a aprender em pouco tempo, mas é o mesmo para todos”, afirmou.

No sábado, havia o temor de que o tempo voltasse a ficar instável. Porém, o sol brilhou em Xangai. Enfim, os carros puderem ir à pista sem maiores preocupações. Após o treino livre da manhã, Sainz e Kvyat viram uma boa performance do STR12. A confiança estava perceptível no semblante da dupla. Assim, Carlos e Daniil partiram para a disputa do qualificatório do GP da China. No Q1, ambos avançaram sem problemas. No Q2, o espanhol e o russo lutaram por lugares entre os 10 melhores. A possibilidade tinha aumentado após a eliminação de Max Verstappen no Q1. Porém, Sainz ficou em 11º, com 1m34s150. Já Kvyat avançou para o Q3. No fim, o russo anotou 1m33s719 – 0s431 mais veloz que Carlos -, assegurando o nono lugar. A pole do GP da China ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m31s678 – 2s472 mais rápido do que o madrileno.

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu alcançar o Q3 de Xangai: 11º lugar no grid

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu alcançar o Q3 de Xangai: 11º lugar no grid

Após o qualifying, Sainz mencionou o equilíbrio de forças entre os times médios. “É incrível como a disputa no pelotão intermediário está acirrada. Ver dois ou três pilotos dentro de um décimo significa que a classificação é ainda mais importante e até mesmo o menor detalhe pode fazer a diferença. Honestamente, estou me divertindo nessas batalhas, e a sessão de hoje (sábado) foi movimentada para nós – todas as voltas contam e eu estava tentando encontrar meio décimo aqui, meio décimo ali… é empolgante! Infelizmente, não passei para a Q3, mas foi por muito pouco – foi uma volta decente, então não estou preocupado com isso”, analisou.

Já sobre a corrida, o espanhol da Toro Rosso tinha uma boa perspectiva. “Amanhã (domingo) é o grande dia e largaremos em 11º, o melhor resultado possível se você não avança para a Q3, pois podemos escolher nossa estratégia de pneus… se for uma prova no seco. Se chover, sabemos que temos um chassis forte e eu sempre aprecio a pista molhada. De qualquer maneira, creio que temos a oportunidade de lutar por um bom resultado amanhã (domingo)”, vislumbrou.

Largada do GP da China de 2017, em Xangai: com pneus slicks, Sainz patinou e caiu para o 19º lugar

Largada do GP da China de 2017, em Xangai: com pneus slicks, Sainz patinou e caiu para o 19º lugar

A corrida

Ao sair de seu hotel em direção ao Autódromo de Xangai, Carlos Sainz Jr. tinha uma certeza: o GP da China seria disputado sob influência da chuva. O mau tempo estava presente na pista. Porém, aos poucos, a precipitação diminuiu. A questão passava a ser: com quais pneus largar na etapa chinesa. Não vinha mais água do céu. Todavia, o traçado estava encharcado. A pergunta que pairava na cabeça dos 20 pilotos que participariam da prova era: com quais pneus iniciar a corrida? Momentos antes da volta de aquecimento, a resposta era dada. No grid, apenas Sainz calçava pneus supermacios, para pista seca. Os demais usavam compostos intermediários. Além do espanhol, somente Jolyon Palmer (Renault), que saía dos boxes, optou pelo mesmo tipo de borracha.

“Quando eu vi todos com intermediários, pensei que era a decisão errada (começar com slicks), mas você tem que confiar em si mesmo”, disse Carlos. “Ao afirmar que queria largar com supermacios, precisava ver os rostos dos meus engenheiros, de Franz Tost (chefe da Toro Rosso) e de Helmut Marko (consultor técnico dos times da Red Bull). Eu disse a eles que estava convencido, eu pensava que iria funcionar, que deveríamos apostar. Eles olharam para mim como se eu estivesse totalmente louco”, relatou.

Espanhol da Toro Rosso derrapou algumas vezes com pneus slicks. Ainda assim, se manteve no pelotão

Espanhol da Toro Rosso derrapou algumas vezes com pneus slicks, mas se manteve no pelotão

Com o apagar das luzes vermelhas se apagaram, a água se levantou do asfalto. Em meio à nuvem formada pelos carros, era possível ver Carlos patinando na Reta dos Boxes de Xangai. Inicialmente, o madrileno desabou para o fim do pelotão, ficando em 19º, somente à frente de Palmer. Sainz deu algumas escapadas da pista. Entretanto, as dificuldades existiam para todos. O acidente entre Lance Stroll (Williams) e Sergio Pérez (Force India), ainda na volta 1, tirou o canadense da etapa, fazendo com que o espanhol subisse para 18º. Para retirar o carro de Stroll, o virtual safety car foi acionado. Nesse período, alguns pilotos decidiram parar nos boxes, a fim de sacar os pneus intermediários. Dessa forma, Carlos completou a volta 2 em 14º, graças às paradas de Romain Grosjean (Haas), Nico Hulkenberg (Renault), Stoffel Vandoorne (McLaren) e Antonio Giovinazzi (Sauber).

Na volta 4, Giovinazzi perdeu o controle de seu Sauber na entrada da Reta dos Boxes, destruindo seu carro azul. Assim, o safety car ingressou de fato à pista. Os pilotos que ainda não haviam realizados seus pit stops se encaminharam para os boxes. Com isso, Sainz galgou diversas posições, superando Esteban Ocon (Force India), Marcus Ericsson (Sauber), Kevin Magnussen (Haas), Felipe Massa (Williams), Daniil Kvyat (Toro Rosso) e Pérez. O risco de largar com slicks valeu a pena diante das circunstâncias. Na volta 5, o espanhol da Toro Rosso estava em oitavo, atrás somente de Fernando Alonso (McLaren) e dos pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull.

Com o sucesso de sua tática, Sainz ascendeu na classificação em Xangai

Com o sucesso de sua tática, Sainz ascendeu na classificação em Xangai

Na passagem seguinte, Sainz assumiu o sétimo lugar, após a rodada de Valtteri Bottas (Mercedes). Quando a relargada foi dada, na volta 8, o madrileno partiu para cima de Alonso. No duelo espanhol, o mais jovem levou a melhor sobre o bicampeão, alcançando a sexta posição. A partir de então, Carlos colocou vantagem sobre Fernando. Em contrapartida, não tinha contato com Sebastian Vettel (Ferrari), quinto colocado. Porém, o ritmo de Daniel Ricciardo (Red Bull), terceiro lugar, fez com que Kimi Raikkonen (Ferrari) e Vettel andassem de acordo com a velocidade imposta pelo australiano. Isso fez com que Sainz tirasse boa vantagem. Contudo, não saiu do sexto lugar.

Com a corrida chegando em sua metade, a Toro Rosso decidiu chamar o espanhol para os boxes. Na parada, realizada na volta 28, o time italiano tirou os pneus supermacios e colocou os macios. No retorno à pista, Carlos se viu em oitavo, atrás mais uma vez de Alonso. A vantagem do bicampeão sobre o pupilo caiu drasticamente em duas voltas. Primeiro, para 2 segundos. Depois, para diferença alguma. Sainz pressionou Alonso o quanto pôde. Na volta 31, o madrileno deu o bote no asturiano. Apesar de ziguezaguear na Reta Oposta, Fernando não conseguiu parar Carlos. O piloto da McLaren ainda ensaiou um ‘x’ sobre o compatriota da Toro Rosso, mas sucumbiu ao ataque do jovem. Não só isso: Alonso abandonou na sequência, com problemas em seu MCL32.

Carlos bem que tentou, mas não conteve ataque de Kimi Raikkonen

Carlos bem que tentou, mas não conteve ataque de Kimi Raikkonen: luta inglória

A ascensão de Sainz não pararia por aí. Na volta 36, Bottas foi aos boxes. Dessa forma, Carlos reassumiu a sexta colocação. Quatro voltas depois, foi a vez de Raikkonen fazer seu definitivo pit stop. Assim, o espanhol da Toro Rosso alcançava a quinta posição. Apesar do crescimento na classificação, o madrileno estava ciente de que muito dificilmente resistiria ao ataque dos finlandeses. Na volta 41, Kimi aproveitou-se da força de sua Ferrari e ultrapassou Sainz, que caiu para sexto. Na 44, Bottas se fez valer do poderio de sua Mercedes e superou o espanhol. Assim, Carlos estava em sétimo.

Se por um lado, o espanhol da Toro Rosso não tinha equipamento para ameaçar Bottas, por outro, estava fora do alcance de Magnussen, o oitavo. Assim, apenas administrou a vantagem e levou seu STR12 até a bandeira quadriculada. Excetuando os pilotos das três principais forças de 2017 – Mercedes, Ferrari e Red Bull -, Sainz foi o único a ficar na mesma volta do vencedor, Lewis Hamilton (Mercedes). Vettel conquistou o segundo lugar, e Verstappen, o terceiro. Após o fim do GP da China, Carlos exaltou a escolha da estratégia, mas reconheceu que as circunstâncias da prova conspiraram a seu favor.

Depois de ser superado por Raikkonen, Sainz não resistiu a Bottas: sétimo lugar era o máximo possível

Depois de ser superado por Raikkonen, Sainz não resistiu a Bottas: sétimo lugar era o máximo possível

“A opção por largar com pneus slicks deu certo. Naquele momento, eu não tinha certeza, mas confiava em mim mesmo. Porém, o resultado de hoje (domingo) não se deveu apenas a essa decisão. O ritmo que mostramos na pista úmida também ajudou. Após o safety car, eu comecei a me aproximar de Ferrari, Red Bull e Mercedes, e isso me deixou muito empolgado. Foi uma prova incrível, me senti muito confortável no carro, e cruzar a linha em sétimo foi excelente. Gostaria de agradecer à equipe por todo o fim de semana, todos nós podemos ficar satisfeitos”, celebrou Sainz.

Com o sétimo lugar, Sainz deixou Xangai em sétimo no Mundial de Pilotos, com 10 pontos: celebração com o time

Com o 7º lugar, Sainz deixou Xangai em sétimo no Mundial, com 10 pontos: celebração com o time

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