Itália-2018: Ocon repete top 6 e clama por chance para 2019

Esteban Ocon terminou o GP da Itália em 7º, mas desclassificação de Romain Grosjean (Haas) colocou o francês em 6º

Ocon terminou em 7º em Monza, mas desclassificação de Romain Grosjean (Haas) o colocou em 6º

A Force India exalava otimismo em Monza, palco do GP da Itália de 2018. Confiante no potencial de seu carro nas velozes retas e curvas do tradicional circuito, a equipe queria repetir os bons pontos conquistados no último GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Para Esteban Ocon, porém, havia um misto de sentimentos. Embora tivesse boas lembranças de Monza – em 2017, conquistou um ótimo sexto lugar -, as incertezas sobre o futuro pairavam na mente do francês. Sem vaga assegurada para 2019, Ocon só tinha uma coisa a fazer na prova italiana: acelerar. E foi o que fez. Após alinhar em um bom oitavo lugar no grid, Esteban mostrou consistência e faturou mais um top 6 para a sua coleção graças à desclassificação de Romain Grosjean (Haas). O resultado não garantiu um cockpit para o francês na próxima temporada, mas vem revelando todo o potencial deste jovem piloto, de apenas 21 anos.

Com a conquista da sexta posição na Itália, Ocon subiu para a 10ª posição do Mundial de Pilotos, com 45 pontos. Esteban ficou a um ponto de Sergio Pérez, seu companheiro na Force India – com o sétimo lugar em Monza, o mexicano foi para 46 pontos. Com os resultados de seus pilotos, a escuderia adquirida por Lawrence Stroll passou a ocupar a sétima posição do Mundial de Construtores, com 32 pontos em duas corridas (vale ressaltar que os 59 pontos conquistados até o GP da Hungria foram retirados da equipe). Somente com os desempenhos de Spa e Monza, a Force India já superou o que Williams, Sauber e Toro Rosso marcaram em todo o ano. Outro detalhe: se computados todos os resultados de 2018, o time rosa figuraria na quarta posição dos Construtores – atrás somente de Mercedes, Ferrari e Red Bull.

Resultado de Monza colocou Esteban no top 10 do Mundial de Pilotos, com 45 pontos

Resultado de Monza colocou Esteban no top 10 do Mundial de Pilotos, com 45 pontos

Em todos os treinos do fim de semana em Monza, o francês da Force India esteve entre os 10 mais velozes. Na sexta-feira, dia das primeiras sessões livres para o GP da Itália, Ocon alcançou o sétimo tempo. Esteban anotou 1m22s930 – apenas 0s012 mais rápido do que Pérez, oitavo com 1m22s942. A marca do gaulês ficou a 1s825 da obtida por Sebastian Vettel (Ferrari), o melhor do dia com 1m21s105. “Este foi um dia bastante sólido, com boa preparação para o fim de semana. Sétimo e oitavo na segunda sessão mostram que temos forte ritmo no seco, e me sinto otimista para amanhã (sábado). O carro foi rápido durante todo o dia, mas há algumas áreas em que podemos melhorar e acho que há mais por vir. A segunda sessão foi mais curta do que o habitual por causa da bandeira vermelha (provocado por um assustador acidente com Marcus Ericsson, da Sauber), mas é o mesmo para todos e eu acho que estamos tão bem preparados quanto qualquer um”, avaliou Ocon.

No sábado, Esteban fez valer a força de seu VJM11 em Monza. No qualifying, o francês passou sem problemas pelo Q1 e pelo Q2 – diferentemente de Pérez, que, de forma surpreendente, caiu na primeira parte dos treinos (o mexicano anotou 1m21s888, ficando apenas com o 16º tempo). Na sessão decisiva, Ocon alcançou o oitavo lugar, com 1m21s099. A marca do piloto de 21 anos foi 0s789 mais veloz que a de Checo. Além disso, ficou a 1s980 de Kimi Raikkonen (Ferrari), o pole do GP da Itália com 1m19s119 – foi a 18ª pole da carreira do finlandês na F1. Apesar do top 8, Esteban ficou decepcionado com a sua volta final. “Foi uma sessão acirrada e eu esperava um pouco mais do que o oitavo lugar, acho que o sexto era possível hoje (sábado). Infelizmente, não maximizei o vácuo no momento certo em minha última tentativa e isso me custou alguma velocidade. Espero que possamos recuperar essas posições amanhã (domingo), porque nosso carro tem um ritmo forte e deverá haver oportunidades de ultrapassagem”.

Largada do GP da Itália: após Vettel cair para o fim do pelotão, Ocon subiu para 7º

Largada do GP da Itália: após Vettel cair para o fim do pelotão, Ocon subiu para 7º

A corrida

Arquibancadas superlotadas. Céu azul de brigadeiro. Monza pulsava como de praxe no domingo, 2 de setembro de 2018, para a disputa do GP da Itália. Calçando pneus supermacios, Esteban Ocon esperava cumprir um forte stint inicial para, no pit stop, ganhar posições e ascender na corrida. Alinhado em oitavo, o francês da Force India queria fazer boa largada com o intuito de superar Carlos Sainz Jr. (Renault) e Romain Grosjean (Haas). Entretanto, ao fim da estreita reta principal de Monza, nada disso foi possível. Porém, na curva 4, Esteban viu Sebastian Vettel (Ferrari) atravessado na pista – o alemão tocou em Lewis Hamilton (Mercedes) e levou a pior, caindo para o fim do pelotão. Com o problema de Vettel, o francês assumiu a sétima posição ainda na volta 1. Porém, um acidente que envolveu Brendon Hartley (Toro Rosso) nos primeiros metros da corrida fez com que o safety car fosse acionado para retirar os destroços deixados pelo neozelandês.

A relargada só aconteceria na volta 4. Ocon testemunhou a tentativa de Sainz sobre Grosjean, enquanto se segurava à frente de Lance Stroll (Williams). Aos poucos, Esteban se consolidou à frente do canadense. Por outro lado, passou a se aproximar do espanhol da Renault. Na volta 10, o francês estava a 0s8 do madrileno. A questão era saber em que momento utilizar o DRS para superar o adversário. Na volta 14, Ocon conseguiu superar Sainz e assumir a sexta posição. A partir dali, o foco do piloto da Force India passou a ser alcançar Grosjean. Na volta 19, a diferença entre os franceses era de apenas 1s5. Quando a ultrapassagem parecia ser inevitável, a Haas chamou Romain para os boxes. Com a parada do compatriota na volta 23, Esteban assumiu a quinta colocação.

Esteban, à frente de Vettel: alemão superou o francês na volta 24

Esteban, à frente de Vettel: francês não resistiu ao alemão, sendo ultrapassado na volta 24

A presença de Ocon no top 5 durou pouco tempo. Logo na volta 24, o francês viu Vettel em seus retrovisores. Em plena corrida de recuperação, o alemão não tinha tempo a perder. Sebastian chegou em Esteban e logo ultrapassou o piloto da Force India. Assim, Ocon ficou em sexto. Aos poucos, o rendimento dos pneus supermacios do francês começava a cair. Mesmo assim, o time manteve o jovem piloto na pista. Dessa forma, Esteban ascendeu na classificação. Com a parada de Max Verstappen (Red Bull) na volta 27, Ocon retornou à quinta posição. Contudo, o holandês saiu próximo do francês. Na volta 29, Verstappen ultrapassou Esteban. Na mesma passagem, Vettel foi aos boxes, o que manteve o piloto da Force India em quinto.

Naquele momento, seu perseguidor mais próximo era Sergio Pérez (Force India), que, assim como Esteban, estendia sua presença na pista. Com uma diferença de 5 segundos, Ocon seguia na quinta posição. Mas os pneus estavam em frangalhos. Na volta 38, a Force India chamou o francês para os boxes. Na parada, sacou os compostos supermacios e colocou os macios (mais resistentes). Ao retornar à pista, Ocon se viu em nono, atrás de Grosjean. Na volta 40, Pérez e Sainz fizeram suas paradas, o que recolocou Esteban na sétima colocação. A partir daquele instante, o piloto da Force India estava a 2s5 do compatriota da Haas. Por outro lado, tinha 4s de vantagem sobre o seu companheiro de equipe.

Ocon só superou Grosjean após a bandeira quadriculada: desclassificação colocou Esteban no top 6

Ocon, à frente do retardatário Magnussen: piloto da Force India mostrou boa forma em Monza

Entre Grosjean, Ocon e Pérez, seria decidido quem era o “melhor do resto” de Monza, uma vez que os pilotos da Mercedes, Ferrari e Verstappen ocupavam os cinco primeiros lugares na prova. Esteban reduziu a diferença para Romain. Na volta 49, ele estava a 1 segundo do adversário. Em contrapartida, tinha Checo em seus calcanhares. Embora tenha se esforçado para tomar a sexta posição de Grosjean, Ocon teve que se conformar com a sétima posição do GP da Itália. Contudo, horas depois do fim da etapa, Romain foi desclassificado após uma apelação da Renault, que notou irregularidades no assoalho da Haas do francês. Com isso, Esteban acabou herdando a sexta posição em Monza.

A vitória na etapa italiana ficou com Hamilton (a 68ª da carreira do britânico). Com o triunfo, Lewis colocou 30 pontos de vantagem sobre Vettel na liderança do Mundial – 256 pontos, contra 226 de Seb, quarto em Monza. Kimi Raikkonen (Ferrari) terminou em segundo (o 100º pódio da carreira do campeão de 2007), e Valtteri Bottas (Mercedes) completou o top 3 – Verstappen cruzou a linha de chegada em terceiro, mas foi punido com o acrescimento de 5 segundos por um incidente contra o finlandês. Assim, Max ficou na quinta posição.

Ocon ficou satisfeito com o desempenho da Force India em Monza

Ocon ficou satisfeito com o desempenho da Force India em Monza: atrás somente dos times grandes

Sexto em Monza, Ocon estava satisfeito com o desempenho da Force India. “Estou feliz com o resultado de hoje (domingo). Minha largada foi ótima, mas fui espremido na grama antes da curva 1 e precisei tirar o pé, o que me custou alguns segundos. A partir daí, tivemos um bom ritmo e conseguimos passar Sainz. Cuidei bem dos meus pneus e eles duraram bastante. Tive uma oportunidade realista de atacar Grosjean perto do fim da prova, mas não funcionou. Estou satisfeito por termos encerrado a temporada europeia com um resultado forte. Vamos para as últimas corridas em boa forma e estamos em um bom momento”, revelou Esteban, ainda sem destino certo para a temporada de 2019.

Em apenas duas corridas, a Force India superou Williams, Sauber e Toro Rosso entre os Construtores

Em apenas duas corridas, a Force India superou Williams, Sauber e Toro Rosso entre os Construtores

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Bélgica-2018: Force India, da falência à ressurreição em Spa

Ocon (à esq.) e Pérez (à dir.) pressionam Vettel e Hamilton em Spa: dois carros da Force India no top 6 de Spa

Ocon (à esq.) e Pérez (à dir.) pressionam Vettel e Hamilton: os dois Force India no top 6 de Spa

A Force India viveu dias de tensão antes do GP da Bélgica de 2018, em Spa-Francorchamps. Tudo teve início no último mês de julho. Envolta em dívidas com parceiros, patrocinadores e até mesmo com Sergio Pérez, a escuderia se viu diante de um processo de administração judicial. Com essa medida, o funcionamento do time estava assegurado até o fim do ano. Contudo, a partir daquele instante, a FRP Advisory, uma empresa especializada em falências, tomava as rédeas da equipe no lugar de Vijay Mallya, sócio majoritário. O objetivo desse grupo passava a ser um só: encontrar novos donos para a Force India. Após a realização do GP da Hungria, em Hungaroring, a missão da FRP Advisory foi concretizada: em 7 de agosto, um consórcio liderado pelo bilionário Lawrence Stroll, pai de Lance Stroll (Williams), assumiu o controle da escuderia. Para tal, essa associação comprou os bens da equipe, e se comprometeu a quitar todas as dívidas vigentes e assegurar a manutenção dos 405 postos de trabalho.

Se a parte burocrática estava resolvida, restava definir a questão dentro da Fórmula 1. Quando a Force India desembarcou em Spa-Francorchamps, ainda havia vestígios da presença dos antigos donos nos carros, macacões e peças de comunicação visual do time. Enquanto isso era apagado à unha (literalmente), o consórcio de Lawrence Stroll tentava entrar em consenso com a FIA para fazer com que a equipe participasse normalmente da temporada. Porém, Stroll e seus sócios sabiam que a compra de um time via administração judicial feria o Pacto de Concórdia – documento que rege as relações entre as escuderias da F1. Assim, a FIA excluiu a Force India do campeonato “devido à sua incapacidade de completar a temporada”, e deu as boas-vindas à “Racing Point Force India”, que foi autorizada a competir, mas sem os 59 pontos obtidos pela sua antecessora até Hungaroring. Já Sergio Pérez e Esteban Ocon manteriam as pontuações individuais.

A Force India viveu momentos de tensão antes do GP da Bélgica: por pouco, time não alinhou em Spa

A Force India viveu momentos de tensão antes do GP da Bélgica: por pouco, time não alinhou em Spa

A Racing Point Force India vinha com o mesmo layout do início do ano, mas com sangue renovado após tantos percalços litigiosos. A única mudança estava na chefia da equipe – Bob Fernley, homem de confiança de Vijay Mallya, foi substituído por Otmar Szafnauer. Sob nova direção, a Force India (a ser chamada assim até o fim de 2018) queria ressurgir com estilo em Spa. Numa pista em que os carros rosa tiveram bom desempenho em 2017 – mas que foi bem tumultuada para Sergio Pérez e Esteban Ocon -, a expectativa era a melhor possível. Nos primeiros treinos livres, na sexta, Pérez anotou o sétimo tempo, com 1m44s662. Já Ocon foi bem pela manhã, mas não repetiu a melhor forma à tarde. No fim, anotou 1m45s786, ficando em 12º. O melhor tempo do dia ficou com Kimi Raikkonen (Ferrari), com 1m43s355 – 1s307 à frente do mexicano e 2s431 à frente do francês.

Checo estava satisfeito com o desempenho da Force India. “Eu amo a pista de Spa e realmente gostei de voltar ao carro hoje (sexta). O conjunto estava muito bom e estou feliz com a estabilidade. É provavelmente o melhor equilíbrio que tivemos em todo o ano. Portanto, há o potencial para um fim de semana forte, independentemente do que o clima trará”, observou o asteca, se referindo à possibilidade de chuva no circuito belga. Já Esteban admitiu que tentou uma outra estratégia no treino vespertino. Todavia, a tentativa não surtiu o efeito esperado. “O carro está funcionando bem e eu me senti muito confortável na primeira sessão. Tentamos uma direção diferente à tarde, o que realmente não funcionou, e eu também tive um furo que fez com que passasse a maior parte da sessão com um jogo de pneus supermacios. Mesmo assim, fizemos alguns bons progressos hoje (sexta) e acho que podemos lutar por um lugar no Q3”.

Pérez foi o sétimo mais veloz da sexta-feira: otimismo com o desempenho do carro

Pérez foi o sétimo mais veloz da sexta-feira: otimismo com o desempenho do carro

No sábado, a estrela da Force India brilhou em meio à nebulosidade de Spa. Tanto Pérez quanto Ocon mostraram sintonia com o desafiador circuito belga no qualifying, avançando sem dificuldades para o Q3. Aí veio a chuva, que tumultuou a sessão decisiva e deu a oportunidade que Esteban e Checo esperavam. O francês se aproveitou dos pneus intermediários para anotar 2m01s851, contra 2m01s894 do mexicano. Ocon ficou em terceiro, apenas 0s044 à frente de Pérez, o quarto. A pole para o GP da Bélgica de 2018 ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), a 78ª de sua carreira. Com 1m58s179, Hamilton foi 3s672 mais rápido do que Esteban e 3s715 mais veloz do que Checo. Os boxes da Force India celebraram a conquista da segunda fila em Spa.

Terceiro, Ocon estava em êxtase ao lado de Hamilton e Sebastian Vettel (Ferrari), o segundo no grid. Entretanto, havia desalento no ar. Também pudera: com a aquisição da Force India por Lawrence Stroll, tudo leva a crer que o gaulês perderá seu cockpit para Lance Stroll (Williams) em breve. Inclusive, a TV francesa Canal Plus ouviu uma conversa entre Ocon e Vettel em Spa. Esteban confirmou que não fica na Force India em 2019. Além disso, ele disse a Sebastian que ficará sem vaga porque um piloto “comprou a equipe” (Stroll) e o outro “traz o dinheiro” (Pérez). Futuro indefinido à parte, Ocon ficou radiante com o top 3 no quali belga.

Ocon deu show no Q3 de Spa, alcançando o terceiro lugar: francês foi festejado por Lewis Hamilton (Mercedes)

Ocon deu show no Q3 de Spa, alcançando o terceiro lugar: francês foi festejado por Lewis Hamilton

“É um dia fantástico. Depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas, é um momento especial e devemos apreciá-lo. Fomos fortes mesmo sem a chuva e passamos tranquilamente para o Q3 no seco. Quando a chuva começou a cair, sabíamos que havia uma chance de obter um resultado ainda melhor, mas não foi fácil. No início do Q3, tentamos fazer uma volta com os slicks, mas não foi possível e tive alguns momentos assustadores retornando aos pits. Quando colocamos os intermediários, eu sabia que precisava fazer uma volta perfeita, mas cometi um pequeno erro em minha primeira tentativa. Portanto, também tentei ser seguro em minha última volta e terminamos em terceiro. Estou muito animado para a corrida. Temos um carro rápido, principalmente nas retas, e estaremos na briga amanhã (domingo)”, observou Ocon.

Pérez também estava satisfeito com o desempenho da Force India em Spa. “Estou muito feliz com o resultado. Foi ótimo para a equipe – para os novos proprietários, os antigos que a levaram ao nível em que está agora e todos que trabalham duro no dia a dia. A chuva tornou as coisas estressantes e tivemos de correr alguns riscos. Decidimos ficar na pista com os slicks porque estava seco nos setores 1 e 2, mas logo em seguida a chuva aumentou rapidamente. Levei um susto enorme na Eau Rouge e tive sorte por não bater no muro, mas eu realmente me preparei para o pior – não há batida leve lá. Tivemos de colocar os intermediários e travei meus traseiros na última curva. Saltei por cima da zebra e danifiquei minha asa dianteira. Com o tempo que perdemos para trocá-la, só tive uma chance de fazer uma volta com os intermediários. Com uma volta a mais, talvez eu pudesse ter lutado pela pole, mas ainda podemos ficar felizes com o quarto lugar”.

Largada do GP da Bélgica de 2018 foi marcada pelo acidente entre Hulkenberg, Alonso e Leclerc

Largada do GP da Bélgica de 2018 foi marcada pelo acidente entre Hulkenberg, Alonso e Leclerc

A corrida

Domingo, 26 de agosto de 2018. A instabilidade peculiar do clima predominava na região de Spa-Francorchamps. Entretanto, diferentemente do que ocorreu no sábado, a chuva não daria as caras na disputa do GP da Bélgica. Dessa forma, a dupla da Force India, Esteban Ocon e Sergio Pérez, tinha ciência de que não conseguiria sustentar a terceira e quarta posições conquistadas no qualifying no dia anterior. Mas ambos estavam confiantes de que aquele seria um dia especial – e que bons pontos seriam somados na corrida. Quando a largada foi dada, Ocon e Pérez mergulharam com sede ao pote na La Source. Depois, os dois pisaram fundo na descida para a Eau Rouge. Por fim, contornaram a Raidillon e ingressaram na Reta Kemmel colados em Lewis Hamilton (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari), os dois primeiros colocados e principais favoritos ao título de 2018. Os quatro chegaram a ficar emparelhados, mas os pilotos da Force India recolheram seus bólidos. Na freada para a Les Combes, Esteban perdeu o terceiro lugar para Sergio.

Ainda durante a volta 1, a direção de prova acionava o safety car. Na freada da La Source, Nico Hulkenberg (Renault) simplesmente atropelou Fernando Alonso (McLaren). O carro do espanhol foi catapultado sobre o cockpit de Charles Leclerc (Sauber). A roda da McLaren chegou a atingir o halo do bólido do monegasco. Apesar da cena impressionante, todos saíram ilesos do acidente. Para Pérez e Ocon, o acidente acabou trazendo uma boa notícia: Valtteri Bottas (Mercedes), Kimi Raikkonen (Ferrari) e Daniel Ricciardo (Red Bull) sofreram avarias após a largada e caíram para o fim do pelotão. Assim, a chance de alcançar o top 5 em Spa aumentava consideravelmente.

Ocon não resistiu ao ataque de Verstappen: disputa desigual em Spa

Ocon não resistiu ao ataque de Max Verstappen (Red Bull): disputa desigual em Spa

A relargada da prova belga foi dada na volta 5. Pérez não conseguiu atacar Hamilton, o segundo. Entretanto, continuou à frente de Ocon, o quarto. Na passagem seguinte, a dupla da Force India sofreria com a impetuosidade de Max Verstappen (Red Bull). Em quinto, o holandês vinha em franca recuperação na prova. Com um equipamento superior, Verstappen se utilizou da mesma manobra, no mesmo local: abrir o DRS na Reta Kemmel. Assim, os pilotos dos carros rosa acabaram sendo presas fáceis. Na volta 7, Max superou Esteban, fazendo com que o francês caísse para a quinta posição. Três voltas depois, foi a vez do piloto da Red Bull ignorar Checo, colocando o mexicano na quarta colocação.

A Force India não tinha como acompanhar Verstappen. A partir daquele momento, Pérez e Ocon focavam a preservação da quarta e quinta posições. Na volta 15, o mexicano tinha 4s de vantagem sobre o francês. A maior ameaça naquele momento era Romain Grosjean (Haas), que estava a 3s8 de Esteban. Na volta 20, a diferença entre Ocon e Grosjean aumentou para 5s3. Com um ritmo sólido, o time adquirido por Lawrence Stroll poderia planejar o melhor momento para realizar o único pit stop. Calçando pneus supermacios, os pilotos estenderam ao máximo a permanência na pista. Quando Grosjean se encaminhou para os boxes, na volta 23, a Force India decidiu chamar Ocon já na 24, a fim de inibir qualquer possibilidade de ultrapassagem do piloto da Haas. Na parada, Esteban sacou os supermacios e colocou os macios. O francês da Force India retornou à pista em sétimo.

Pérez estendeu ao máximo sua presença na pista: tudo pelo quarto lugar

Pélo 4º lugar, Pérez estendeu ao máximo sua presença na pista: mexicano só não contava com Bottas

Na volta 25, foi a vez de Pérez realizar seu pit stop. Assim como Ocon, tirou os pneus supermacios e colocou os compostos macios. Ainda que sua parada tenha sido mais longa do que o habitual, Sergio saiu dos boxes na quinta posição – uma à frente de Esteban, que ganhou o sexto lugar com a parada de Kevin Magnussen (Haas). À frente da dupla da Force India, surgia Valtteri Bottas (Mercedes). O finlandês parou na volta 2 depois de se envolver no acidente da primeira volta e tentava ganhar as posições do mexicano e do francês. Quando Bottas se encaminhou para os boxes para uma segunda parada, na volta 30, Pérez e Ocon retomaram o quarto e o quinto lugares. Todavia, Valtteri deixou o pit com Esteban em sua alça de mira – a diferença entre os dois era de apenas 2s. Bastaram duas voltas para o piloto da Mercedes se aproximar do adversário da Force India e o ultrapassar na Reta Kemmel. Assim, Bottas era o quinto, e Ocon, o sexto.

Pérez tinha 6s de vantagem sobre Bottas. Entretanto, ainda faltavam 11 voltas para a bandeirada do GP da Bélgica. Era questão de tempo para Valtteri chegar e tomar o quarto lugar de Checo. O mexicano se esforçou o quanto pôde, mas era em vão. O finlandês chegou no latino na volta 37. Pérez ainda anulou algumas tentativas de Bottas, mas, na volta 40, não teve jeito: por fora na freada da Les Combes, o piloto da Mercedes ultrapassou o rival da Force India, tomando-lhe o quarto lugar. À Pérez, restou a quinta posição. No fim, a vitória no GP da Bélgica ficou com Vettel – a 52ª do alemão, que superou Alain Prost e assumiu o terceiro lugar no ranking de vitórias na F1. Hamilton ficou em segundo, seguido por Verstappen e Bottas.

Mecânicos da Force India festejam desempenho no GP da Bélgica: 18 primeiros pontos sob nova direção

Mecânicos da Force India festejam desempenho em Spa: 18 pontos na estreia da nova direção

Na Force India, o clima era festivo com a façanha de Pérez e Ocon. Para Checo, após toda a turbulência pré-Spa, levar os dois carros do time ao top 6 foi algo além das expectativas. “Foi uma ótima performance da equipe, acho que executamos um fim de semana quase perfeito. Podemos ficar felizes com os pontos que marcamos. Não poderíamos ter mantido as equipes de ponta atrás de nós no seco, então ser o ‘melhor do resto’, com Esteban (Ocon) logo atrás de mim, é o máximo que poderíamos ter feito hoje (domingo). Minha largada foi ótima e consegui me colocar nas posições certas durante as primeiras curvas. Depois disso, meu ritmo foi forte e consistente. Abri uma vantagem e pude controlar minha prova. Não havia nada que eu pudesse fazer para manter Valtteri (Bottas) atrás de mim – às vezes, você precisa escolher suas batalhas e pensar no cenário mais amplo. Estou feliz com o que alcançamos. É um bom começo de uma nova era para o time”.

Ocon concordou com o pensamento do companheiro de equipe. “Estou satisfeito com a corrida e acho que chegamos onde merecíamos com nossa velocidade. Fiz uma boa largada e coloquei por dentro de Sebastian (Vettel) na curva 1. Ele tracionou melhor, mas fui muito rápido na Reta Kemmel e tentei assumir a liderança. Peguei um bom vácuo de Vettel e Lewis (Hamilton) e tentei encontrar um espaço por dentro, mas acabei perdendo uma posição para Sergio. Foi uma disputa boa e totalmente limpa. É um bom começo para a nova vida da equipe: marcamos muitos pontos, o que é importante para nossa recuperação no campeonato. Fomos competitivos durante o fim de semana inteiro e espero que isso continue na parte final da temporada”, analisou o francês, ressaltando que, com os 18 pontos conquistados em Spa, a Force India já deixou a Williams para trás e ficou a apenas 1 ponto da Sauber no Mundial de Construtores.

Com os pontos anotados em Spa, Pérez passou a ter 40 pontos no Mundial, contra 37 de Ocon

Com os pontos de Spa, Pérez passou a ter 40 pontos no Mundial (10º), contra 37 de Ocon (11º)

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Hungria-2018: um consistente sexto lugar para Pierre Gasly

Pierre Gasly teve impecável performance em Hungaroring: sexto lugar incontestável

Com Toro Rosso-Honda, Gasly teve impecável performance em Hungaroring: top 6 incontestável

Hungaroring sempre foi um palco especial para Pierre Gasly. Num espaço de quatro anos, o circuito húngaro viu o francês no pódio em cinco oportunidades. Na Fórmula Renault 2.0, em 2013, Gasly venceu uma bateria por lá; na Fórmula Renault 3.5, em 2014, foi segundo em uma bateria e terceiro em outra; e na Fórmula 2, conquistou o segundo lugar na prova longa de 2015 e venceu prova longa de 2016. Por conta disso, o francês tinha boa expectativa para o GP da Hungria de 2018. Se alcançar um novo top 3 era algo improvável, colocar a Toro Rosso na zona de pontuação parecia um objetivo mais palpável. Pierre levava em consideração o bom desempenho do STR13 em traçados sinuosos – ele obteve o quarto lugar no GP do Bahrein, em Sakhir, e o sétimo posto no GP de Mônaco. Na pista, o gaulês não só fez jus ao conjunto da escuderia italiana, como também demonstrou consistência tanto no treino quanto na corrida. No fim, foi premiado com um excelente sexto lugar, ficando atrás apenas dos pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull na prova húngara.

Os oito pontos de Gasly em Hungaroring fizeram com que ele reassumisse a 13ª posição do Mundial de Pilotos, com 26 pontos. Além disso, ajudaram a Toro Rosso a se manter em oitavo no Mundial de Construtores – agora, com 28 pontos. O saldo do GP da Hungria foi positivo para o francês e para o time, que entraram em férias com a sensação do dever cumprido. Entretanto, se o resultado veio, foi porque houve muito trabalho da equipe de Faenza. Todos, sem exceção, se dedicaram em busca de um bom resultado no circuito de Budapeste. Assim que carros e pilotos ingressaram na pista, na Pierre se sentiu à vontade com seu bólido. No fim da sexta-feira, Gasly ficou com o nono melhor tempo, com 1m18s518. O gaulês ficou 0s398 à frente de Brendon Hartley – seu companheiro na Toro Rosso anotou 1m18s916, o que lhe rendeu o 15º lugar – e a 1s684 de Sebastian Vettel (Ferrari), o mais rápido da sexta com 1m16s834.

Gasly sempre gostou da pista de Hungaroring: familiaridade com a pista ajudou na sexta

Gasly sempre gostou de Hungaroring: familiaridade com a pista ajudou na sexta, quando foi o 10º

Ficar entre os 10 primeiros no treino livre demonstrou o potencial do STR13 na pista húngara. “Hoje (sexta-feira) foi um dia muito bom, estou muito feliz por estar em Budapeste, pois é uma das minhas pistas favoritas. Tivemos duas sessões positivas e completamos muitos testes. A sensação com o carro foi boa nos treinos e temos certamente uma boa linha de base para o resto do fim de semana, então precisamos continuar construindo sobre isso. Só precisamos ficar focados e esperamos manter o bom desempenho para amanhã (sábado), analisou Pierre.

O que Gasly, a Toro Rosso e a Fórmula 1 não esperavam era que uma chuva torrencial cairia no sábado e embaralharia as cartas em Hungaroring. Em pleno qualifying, veio a precipitação dos céus. Dessa forma, a sessão virou uma verdadeira loteria. Nestas condições, a Toro Rosso foi premiada com o avanço para o Q3 de seus dois carros. No fim, Gasly anotou o sexto tempo, com 1m37s591. A marca de Pierre foi excelente, uma vez que ele ficou à frente de Max Verstappen (Red Bull). Já Hartley foi o oitavo, com 1m38s128 – a 0s537 do francês. Gasly ficou a 1s933 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP da Hungria de 2018 com 1m35s658. Foi a 77ª pole position da carreira do britânico, recordista absoluto da F1 neste quesito.

No molhado, Pierre deu show: sexto lugar no grid foi bastante celebrado pelo francês

No molhado qualifying, Pierre deu show: sexto lugar no grid foi bastante celebrado pelo francês

Pierre estava em êxtase com o sexto lugar no grid da etapa húngara. “Foi uma classificação louca para nós, principalmente nestas condições, mas estou super feliz com o resultado! Foi muito complicado manter o carro na pista, mas a equipe teve uma estratégia fantástica com os pneus e consegui fazer uma boa volta. Foi super difícil, mas eu realmente me diverti! Quando vi a chuva chegando antes da classificação, pensei que poderia ser uma oportunidade, e o sexto lugar é incrível, principalmente depois dos finais de semana duros que tivemos, é um resultado inacreditável para a equipe. Colocar ambos os carros na Q3 foi um ótimo trabalho e é um mega dia para a Toro Rosso. Uma boa classificação é importante aqui porque é difícil ultrapassar, e daremos trabalho aos outros ao nosso redor na corrida! Creio que temos um bom ritmo, então precisamos manter o foco e nos preparar bem para amanhã (domingo)”.

Largada do GP da Hungria de 2018: Gasly foi ultrapassado por Verstappen, mas francês superou Sainz e ficou em 6º

Largada do GP da Hungria: Gasly foi superado por Verstappen; depois, passou Sainz e seguiu em 6º

A corrida

Domingo, 29 de julho de 2018. Diferentemente do sábado, quando a pista molhada deu o tom no qualifying, Hungaroring estava ensolarada para a disputa do GP da Hungria de 2018. Dessa forma, uma boa largada e um ótimo gerenciamento dos pneus seriam cruciais para alcançar um bom resultado na etapa. Saindo em sexto, Pierre Gasly calçava pneus ultramacios (os mais aderentes e menos resistentes disponibilizados pela Pirelli no fim de semana). Quando as luzes vermelhas se apagaram, o piloto da Toro Rosso saltou mal, sendo ultrapassado por Max Verstappen (Red Bull). O holandês, porém, acabou ajudando o francês. Ainda na curva 1, Verstappen partiu para cima de Carlos Sainz Jr. (Renault). O espanhol foi “barrado” pelo piloto da Red Bull e ficou do lado de fora. Assim, além de perder a quinta posição para Max, Carlos viu Pierre com caminho livre para assumir a sexta posição.

Naquele instante, Gasly não tinha condição de perseguir os cinco primeiros. Lewis Hamilton (Mercedes), Valtteri Bottas (Mercedes), Sebastian Vettel (Ferrari), Kimi Raikkonen (Ferrari) e Verstappen contavam com equipamentos superiores. Por isso, a preocupação do piloto da Toro Rosso passou a ser cuidar das investidas de Kevin Magnussen (Haas), que havia ascendido para a sétima posição. Com o STR13 calçado com ultramacios e impulsionado com um confiável motor Honda, o francês consolidou vantagem sobre o dinamarquês. O que Pierre não esperava era que, na volta 6, Verstappen abandonaria com uma súbita perda de potência do propulsor Renault de seu Red Bull. Sem Max, Gasly subiu para quinto. Ao mesmo tempo, a direção de prova acionou o safety car virtual (VSC) para retirar o carro do holandês.

Foco de Gasly era derrotar Magnussen: com velocidade e regularidade, francês não foi incomodado pelo dinamarquês

Foco de Gasly era derrotar Magnussen: com velocidade, francês não foi incomodado pelo rival

Na volta 8, a pista voltou a estar sob bandeira verde. Em quinto, Gasly estava muito distante de Raikkonen, o quarto. Porém, mantinha boa vantagem sobre Magnussen. Na volta 10, Pierre estava a 8s5 de Kimi, e tinha 6s7 de frente sobre Kevin. O francês permaneceu ali até a volta 15, quando o finlandês da Ferrari parou pela primeira vez nos boxes. Com a parada de Raikkonen, o piloto da Toro Rosso assumiu o quarto lugar. Na passagem seguinte, foi a vez de Bottas ir para o pit. Dessa forma, Gasly ascendeu para o terceiro lugar, atrás somente de Hamilton e Vettel. Porém, era uma posição virtual. Com pneus novos, Bottas e Raikkonen logo se aproximaram do gaulês. Na volta 18, Valtteri partiu para cima de Pierre, que não se preocupou em barrar a passagem do piloto da Mercedes. Assim, caiu para quarto. O mesmo aconteceu na volta 22: Kimi se aproximou e ultrapassou o piloto da Toro Rosso, que passou a ocupar a quinta posição.

A preocupação de Gasly não estava em segurar Bottas e Raikkonen, mas sim em sustentar sua estratégia para a corrida. Ao estender o período na pista com pneus ultramacios, o francês consolidava sua posição na zona de pontos. Sua meta era se manter à frente de Magnussen, o primeiro de um carro não pertencente à trinca Mercedes-Ferrari-Red Bull. Tanto que, depois de ser superado por Raikkonen, Pierre entrou na alça de mira de Daniel Ricciardo (Red Bull). Foi questão de tempo. Na volta 27, o australiano ultrapassou o gaulês na freada da curva 1. Dessa forma, Gasly caía para a sexta colocação. Mas não havia preocupação nos boxes da Toro Rosso, uma vez que o ritmo era estupendo se comparado ao de Magnussen. Na volta 30, a vantagem do francês sobre o dinamarquês estava na casa de 9s6. Na passagem seguinte, Kevin foi ao pit. Com isso, passava a ter tempo suficiente para parar nos boxes e voltar com tranquilidade à frente do rival.

Pierre, à frente de Valtteri Bottas: disputa contra Mercedes e Ferrari era impossível; foco era derrotar Magnussen

Pierre, à frente de Bottas: disputa contra Mercedes e Ferrari era impossível no traçado húngaro

 

Na volta 32, Pierre realizou seu pit stop. Na troca, a Toro Rosso sacou os pneus ultramacios e colocou os compostos macios. No retorno à pista, seguia bem à frente de Magnussen, preservando a sexta posição. A partir dali, Gasly começava uma outra missão: o de administrar o desgaste dos pneus macios. E fez isso com maestria. Na volta 42, sua vantagem sobre Magnussen estava em 10s6. O francês não era ameaçado. O ritmo era excelente. Aos poucos, porém, Pierre passou a ceder terreno para Kevin. Na volta 52, a diferença caiu para 8s. Na 60, para 7s. Nada preocupante para a Toro Rosso – era apenas o novato conservando o jogo de pneus, para que em caso de ameaça, tivesse condições de combater o dinamarquês. Mas nem foi o caso: Gasly completou o GP da Hungria em sexto. Detalhe: o francês não tomou volta, o que demonstrou a excelência de sua condução.

A vitória de Hungaroring ficou com Hamilton, seguido por Vettel e Raikkonen. Ricciardo terminou em quarto, e Bottas, em quinto. À Pierre, o sexto lugar teve sabor de triunfo. O piloto da Toro Rosso não foi ao pódio do circuito húngaro como nas vezes anteriores, mas, além de andar em terceiro por duas voltas, teve uma apresentação segura e plena. “Foi um dia incrível para nós! Ontem (sábado) já foi fantástico para a equipe, mas terminar em sexto foi ainda melhor! O carro estava espetacular, e a estratégia foi perfeita. Só tive de dar tudo o que podia, o que não foi fácil nestas condições, mas acabamos conseguindo. Após as últimas corridas, que foram bem difíceis para nós, é um excelente resultado para a equipe. Quando você está lutando no pelotão intermediário, sabe que haverá oportunidades em algumas provas e precisa aproveitá-las quando elas surgem. Fizemos isso no Bahrein, em Mônaco e novamente neste fim de semana, portanto é uma ótima maneira de encerrar a primeira metade da temporada”.

Com abandono de Verstappen, Gasly ascendeu para a quinta posição

Abandono de Verstappen no início da prova rendeu a Gasly o sexto lugar na etapa húngara

Sobre a corrida, Gasly resumiu como “limpa”. “Fiz uma boa largada e consegui passar Sainz no começo, então tive pista livre para me concentrar em minha pilotagem e conservar os pneus. O principal foi não cometer nenhum erro. Eu andei no limite por 70 voltas, o que foi um desafio, mas fiz o meu melhor para ter uma corrida limpa e garanti estes oito pontos fantásticos”, analisou o francês, que ficou impressionado ao ultrapassar retardatários – algo inédito em sua ainda curta carreira na F1. “Normalmente, a bandeira azul é para mim, para eu deixar uma Ferrari ou uma Mercedes passar. Mas assim que comecei a chegar atrás da Williams, acho que foi a primeira vez que vi bandeiras azuis para carros à minha frente. Quando vi isso, pensei: ‘isso significa que estou fazendo uma boa corrida agora’. Foi uma sensação muito boa”, celebrou Pierre, que entrou em férias no azul com a Toro Rosso.

Com o resultado na Hungria, Gasly subiu para 13º no Mundial de Pilotos, com 26 pontos

Com o resultado na Hungria, Gasly reassumiu o 13º lugar do Mundial de Pilotos, com 26 pontos

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Alemanha-2018: Hulk obtém seu primeiro top 5 na Renault

Nico Hulkenberg cruzou a linha de chegada em quinto: seu primeiro top 5 na Renault

Nico Hulkenberg cruzou a linha de chegada em quinto: seu primeiro top 5 na Renault

Nico Hulkenberg sempre se sentiu bem correndo em casa. Seu histórico em GPs da Alemanha vem comprovando isso: em cinco provas em território germânico, impressionou pela determinação e pelos bons desempenhos. Seu retrospecto no Hockenheimring também era positivo: em quatro corridas disputadas por lá, Hulk obteve resultados positivos. Em 2010, ano de sua estreia na F1, chegou a andar em sétimo com a Williams, mas terminou em 13º. Em 2012, com a Force India, ficou em nono. Já nas duas últimas – em 2014 e em 2016 -, levou o carro indiano à conquista do sétimo lugar. Apesar de frequentar sempre o top 10, Nico esperava um desfecho melhor no fim de semana do GP da Alemanha de 2018, em Hockenheim. O que o alemão não esperava era que justamente em seu quintal alcançaria seu primeiro top 5 com a Renault, equipe que vem defendendo desde a temporada 2017.

O quinto lugar no GP da Alemanha premiou Hulkenberg, que largou a Force India ao fim de 2016 por acreditar no projeto da escuderia francesa. Com destreza, Nico levou seu carro com competência. Nem mesmo a chuva que caiu durante a etapa atrapalhou o germânico. O top 5 de Hockenheim significou o melhor resultado do piloto alemão desde o quarto lugar obtido no GP da Bélgica de 2016, em Spa-Francorchamps. Os 10 pontos consolidaram Hulk na sétima posição do Mundial de Pilotos, com 52 pontos. O germânico só vem sendo superado pelas duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Para a Renault, o top 5 de Nico foi o segundo da escuderia em 2018 – o primeiro foi anotado por Carlos Sainz Jr. no GP do Azerbaijão, em Baku. Com o resultado na etapa alemã, o time francês abriu margem na disputa pela quarta colocação dos Construtores. Neste momento, tem 80 pontos – contra 59 de Haas e Force India, seus principais perseguidores.

Desempenho da Renault em Hockenheim ajudou Hulkenberg a avançar para o Q3

Desempenho da Renault em Hockenheim ajudou Hulkenberg a avançar para o Q3

O resultado de Hockenheim começou a ser construído na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP da Alemanha. Em todo o momento, o modelo RS18 esteve entre os 10 primeiros dos testes no circuito tedesco. No fim, Hulkenberg foi o nono mais veloz do dia, com 1m14s496, contra 1m15s592 de Sainz, o 12º. A diferença entre o alemão e o espanhol foi de apenas 0s096. A marca de Hulk ficou 1s411 acima da obtida por Max Verstappen (Red Bull), o mais veloz da sexta com 1m13s085. “Foi uma sexta-feira padrão para mim. O carro não se comportou mal, ainda que possa se dizer que os pneus estavam sofrendo com as condições muito quentes. Foi principalmente o caso de refinar a configuração e fazer progressos. E ainda terá mais por vir depois de verificarmos os números esta noite. Estamos vendo como maximizar a nova asa dianteira, já que obviamente todo pequeno ajuste de equilíbrio ajuda o ritmo”, afirmou o germânico.

De fato, os franceses trabalharam com entusiasmo em busca da sintonia fina com Hockenheim. Isso pôde ser visto no sábado, dia do qualifying para o GP da Alemanha.
A Renault mostrou boa forma, com Hulk e Sainz levando os carros amarelos para o Q3. É bem verdade que a dupla ficou com a vida mais tranquila após os problemas de Lewis Hamilton (Mercedes) – que sofreu uma pane hidráulica no Q2 – e de Daniel Ricciardo – que, com a punição por trocar peças da unidade de potência de seu bólido largaria do fim do grid, decidiu desistir do quali. No fim, Nico marcou o sétimo tempo, com 1m12s560. O alemão foi 0s132 mais veloz do que Carlos, oitavo com 1m12s692. O germânico ficou a 1s348 do compatriota Sebastian Vettel (Ferrari), que, com o tempo de 1m11s212, anotou a pole para o GP da Alemanha. Foi a 55ª da carreira do ferrarista.

Hulkenberg e Vettel, os representantes alemães na F1, saúdam o público em Hockenheim

Representantes alemães na F1, Vettel e Hulkenberg saúdam o público em Hockenheim

Hulkenberg gostou do desempenho da Renault, mas mostrou-se frustrado por ver a equipe francesa atrás da Haas – Kevin Magnussen conquistou o quinto lugar no grid, e Romain Grosjean, o sexto. “Eu teria adorado ficar um pouco mais perto da frente do grid, mas estou feliz com minhas voltas e o progresso ao longo da classificação. Amanhã (domingo), tentarei perseguir os carros à minha frente (Magnussen e Grosjean, da Haas)”, disse o germânico, que ficou satisfeito com o apoio da torcida a ele. “Foi ótimo ver o público local e tanto apoio com as arquibancadas lotadas. Isso me deixa orgulhoso e feliz como alemão, e espero recompensar essa torcida com um GP forte”, vislumbrou.

Largada do GP da Alemanha de 2018: Hulk saltou bem e superou Grosjean nos primeiros metros

Largada do GP da Alemanha de 2018: Hulk saltou bem e superou Grosjean nos primeiros metros

A corrida

Domingo, 22 de julho. Nuvens escuras cercavam Hockenheim enquanto os pilotos alinhavam seus carros para a disputa do GP da Alemanha de 2018. A meteorologia alertava para a previsão de chuva durante a corrida. Na sétima posição do grid, Nico Hulkenberg estava ciente desta previsão. Entretanto, o alemão ainda não se preocupava com o assunto. Afinal, a pista estava em condições normais para a prova. O germânico da Renault calçava pneus ultramacios. Sua expectativa era uma só: fazer uma prova combativa diante de seu público. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Hulk  atacou Romain Grosjean (Haas) com arrojo. Logo nas primeiras curvas da primeira volta, o alemão assumiu a sexta posição.

A partir daí, sua mira se voltou para a luta pelo quinto lugar com Kevin Magnussen (Haas). Porém, o ritmo imprimido pelo dinamarquês impedia a aproximação do germânico. Na volta 5, Kevin tinha 1s9 de vantagem sobre Nico. Em contrapartida, Hulkenberg era perseguido por Grosjean – a diferença entre o alemão e o francês era de 1s. Na volta 7, Romain foi superado por Sergio Pérez (Force India) no hairpin. Esse duelo permitiu que Hulk tivesse um fôlego na sexta posição. Entretanto, não por muito tempo: Lewis Hamilton (Mercedes), que largou em 14º, fazia prova de recuperação. Aproveitando-se da força de seu W09, o britânico ignorava um a um. Na volta 9, tomou o sétimo lugar de Pérez. Logo na volta seguinte, Hamilton colocou em Hulkenberg. Nico não tinha o que fazer: na volta 11, Lewis ultrapassou o piloto da Renault sem dificuldades.

Nico, à frente de Pérez, Hamilton e Grosjean: em prova de recuperação, piloto da Mercedes ignorava rivais

Nico, à frente de Pérez, Hamilton e Grosjean: em prova de recuperação, britânico ignorava os rivais

Em sétimo, Hulk tentava se aproveitar do avanço de Hamilton. Afinal, era questão de tempo para que o britânico alcançasse Magnussen pelo quinto lugar. E foi exatamente o que aconteceu: na volta 14, Lewis superou Kevin. Contudo, embora a diferença tenha caído, Nico não conseguiu tirar o piloto da Haas do sexto lugar. Havia explicação: os compostos ultramacios de Hulkenberg já acusavam estar desgastados. A solução da Renault foi chamar o alemão para os boxes na volta 18. Na troca, o time francês sacou os ultramacios e colocou pneus médios (os mais duráveis do fim de semana). No retorno à pista, Hulk se viu em 15º, atrás de Marcus Ericsson (Sauber) e Esteban Ocon (Force India). Na 21, com as paradas de Charles Leclerc (Sauber) e Carlos Sainz Jr. (Renault), Nico subiu para a 13ª posição.

Na volta 22, Hulkenberg colou em Ericsson e Ocon, que travavam uma disputa insana. Ambos foram além dos limites da pista a fim de discutir a posição. Hulk aproveitou-se da briga entre o francês e o sueco para ultrapassar os dois de uma só vez. No rádio, Nico “agradeceu” Marcus e Esteban – obviamente, em tom de ironia. Com a ultrapassagem dupla, somada à ida de Grosjean aos boxes, o piloto da Renault se viu novamente no top 10. Após o pit stop de Pérez, na volta 23, Hulkenberg ascendeu ao nono lugar. Naquele momento, a diferença entre ele e Magnussen estava na casa de 3s2. Apesar do esforço do alemão, o dinamarquês apresentava um ritmo sólido e não permitia a sua aproximação. Na volta 28, Daniel Ricciardo (Red Bull) abandonou o GP da Alemanha com problemas de motor. Dessa forma, Nico subiu para oitavo.

Hulkenberg não conseguia alcançar Magnussen, mas a chuva veio e mudou o panorama

Hulkenberg não conseguia alcançar Magnussen, mas a chuva veio e mudou o panorama

Depois do pit stop de Fernando Alonso (McLaren), na volta 31, Hulkenberg recuperou a sétima colocação. Naquele momento, a diferença entre ele e Magnussen era de 2s7. Por calçar pneus médios e por ter parado depois de Nico, Kevin tinha o sexto lugar sob controle. Entretanto, as nuvens carregadas começavam a despontar sobre Hockenheim. Os primeiros pingos foram notados na volta 45, no trecho do hairpin. A partir daquele momento, a prova virava loteria. Aproveitando-se do clima instável – a chuva estava concentrada em um trecho da pista -, Hulkenberg baixou a vantagem de Magnussen para 1s na volta 46. Parecia ser questão de tempo a ultrapassagem de Nico. E foi mesmo: na volta 49, em plena freada de um hairpin encharcado, o alemão superou o dinamarquês e assumiu a sexta posição.

A chuva aumentou de intensidade a partir da volta 50. Na 51, Hulkenberg foi para os boxes para colocar pneus intermediários. No retorno à pista, seguiu em sexto. Na passagem seguinte um momento que mudou completamente o rumo do GP da Alemanha: líder da prova desde o seu início, Sebastian Vettel (Ferrari) perdeu o controle de seu bólido no trecho molhado do Estádio. O ferrarista passou direto pelo cotovelo e bateu numa placa de propaganda. A Ferrari de Vettel atolou na brita e ali ficou. O alemão ficou desesperado no cockpit. O acidente provocou a entrada do safety car. Com o abandono de Seb, Hulkenberg herdou a quinta colocação. Sob bandeira amarela, a chuva diminuiu. E aí veio o impasse: tirar os compostos intermediários ou não? A Renault arriscou, chamando Nico para um terceiro pit stop na volta 55. Na troca, a opção recaiu sobre os ultramacios.

Após superar Magnussen e contar com o abandono de Vettel, Hulk se viu na quinta posição

Após superar Magnussen e contar com o abandono de Vettel, Hulk se viu na quinta posição

Apesar da nova parada, Hulkenberg permaneceu em quinto, se colocando entre Max Verstappen (Red Bull) e Pérez. Quando a relargada foi dada, na volta 58, Nico tratou de imprimir um forte ritmo, a fim de impedir qualquer aproximação de Checo. O alemão colocou uma vantagem segura, a ponto de não ser incomodado por ninguém. Nem mesmo o avanço de Grosjean no fim – o francês saltou de 10º para sexto nas seis voltas finais – tirou Hulk do top 5. Ao cruzar a linha de chegada, Nico comemorou com os mecânicos da Renault pendurados no pit wall. No fim, a vitória em Hockenheim ficou com Hamilton, que obteve não só seu 66º triunfo de forma exuberante (vale ressaltar: ele largou em 14º), como também retomou a liderança do Mundial das mãos de Vettel. Se antes da corrida a vantagem era de 7 pontos pró-Seb, depois dela, ficou 17 pontos pró-Lewis (188 a 171). Valtteri Bottas (Mercedes) ficou em segundo, e Kimi Raikkonen (Ferrari), em terceiro.

Equipes grandes à parte, Hulkenberg deixava Hockenheim com a sensação do dever cumprido. Afinal, acabava de conquistar seu melhor resultado num GP da Alemanha. “Estou muito feliz. A primeira parte da prova não foi tão empolgante, mas tudo estava indo bem até perto do fim, quando a chuva começou. Foi complicado tentar manter o carro na pista, mas eu gosto daquelas condições e comecei a ganhar um pouco de terreno. É um bom número de pontos para a equipe, nossa melhor chegada da temporada e meu melhor resultado com a Renault. Teria sido ótimo se as condições ficassem ainda mais loucas, mas vamos aceitar isso. Tomamos as decisões corretas e por isso merecemos o quinto lugar hoje (domingo). Trabalhamos duro por isso, portanto é uma boa recompensa para a equipe. Fizemos um bom trabalho”, destacou.

Nico deixou Hockenheim na sétima posição do Mundial de Pilotos, com 52 pontos

Nico deixou Hockenheim na 7ª posição do Mundial, com 52 pontos: atrás de Mercedes, Ferrari e RBR

Publicado em Carlos Sainz Jr., Charles Leclerc, Esteban Ocon, Fernando Alonso, Force India, Haas, Kevin Magnussen, Marcus Ericsson, McLaren, Nico Hulkenberg, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Sergio Pérez | Publicar um comentário

Inglaterra-2018: bote certeiro em Magnussen põe Alonso em 8º

Fernando Alonso (McLaren) travou dura batalha com Kevin Magnussen (Haas) em Silverstone: oitavo lugar veio na última volta

Fernando Alonso (McLaren) travou batalha com Kevin Magnussen (Haas): 8º lugar veio na volta final

Diante de um período de incertezas quanto à performance do MCL33 e à temporada 2019, a McLaren anunciou uma “dança das cadeiras” após o GP da Áustria de 2018, em Spielberg. Éric Boullier deixou o comando da escuderia britânica após quatro anos – o francês havia assumido a chefia da equipe em 2014. Para o seu lugar, Zak Brown, CEO da escuderia, colocou três dirigentes máximos: Gil de Ferran (diretor esportivo), Andrea Stella (diretor de desempenho) e Simon Roberts (diretor de operações). Com eles, o time britânico passou a ter uma nova estrutura administrativa. “O desempenho do carro construído para a atual temporada, o MCL33, não atendeu às expectativas de ninguém na McLaren, especialmente dos nossos leais fãs. Isso não é culpa das centenas de dedicados trabalhadores, homens e mulheres, da nossa equipe. As causas são sistêmicas e estruturais, o que requer mudanças profundas. Com esse anúncio, começamos a tratar essas questões de imediato e dar nosso passo inicial para nos recuperarmos”, disse Brown.

De Ferran, Stella e Roberts assumiriam os postos já para a disputa do GP da Inglaterra, em Silverstone. Coincidência ou não, os três tiveram aval de Fernando Alonso. Insatisfeito com o andamento da temporada, em que se apostava em dias melhores após a troca de motor (saiu a Honda, entrou a Renault), o espanhol exigia mudança de atitude da cúpula de Woking. Para atender ao bicampeão, Boullier acabou “pagando o pato”. Sem o francês, a McLaren desembarcou em Silverstone de olho na postura do novo corpo diretivo. Já para Alonso, chegar no circuito britânico significava o fim de uma maratona de seis corridas nas últimas sete semanas, que teve como ponto alto a vitória nas 24 Horas de Le Mans – ao lado de dois ex-pilotos de F1, o suíço Sebastien Buemi e o japonês Kazuki Nakajima, Fernando levou a Toyota a uma vitória inédita na mais tradicional prova de longa duração do automobilismo.

Mudança de comando na McLaren teve o aval de Alonso: time de Woking atua para segurar o astro

Mudança de comando na McLaren teve o aval de Alonso: time de Woking atua para segurar o astro

Porém, fora do cockpit da Toyota, Fernando esteve sempre diante do martírio chamado MCL33. Foram três abandonos – nos GPs de Mônaco, do Canadá e da França. Já no GP da Áustria, em Spielberg, o asturiano alcançou um tímido oitavo lugar. Apesar dos péssimos resultados, Alonso chegou a Silverstone ainda na oitava posição do Mundial de Pilotos, com 36 pontos. O objetivo do bicampeão no tradicional circuito britânico era o de pontuar, ainda que o carro laranja não ajudasse. Na sexta-feira, primeiro dia de treinos, Fernando surpreendeu ao ser o sétimo mais veloz do dia. Com 1m29s306 (anotado no segundo treino livre), o bicampeão ficou a 1s819 de Lewis Hamilton, que marcou 1m27s487 na primeira sessão. Já o companheiro do espanhol na McLaren, o belga Stoffel Vandoorne, fez 1m30s121 – 2s634 mais lento do que Hamilton e 0s815 atrás de Alonso.

O desempenho na sexta deixou o asturiano animado para o fim de semana. “Foi definitivamente uma sexta-feira positiva para nós. Testamos vários itens para referência futura, o que significa que sacrificamos algum tempo de pista no primeiro treino para isso. Na segunda sessão, o carro se comportou bem e fizemos alguns testes de pneus, mas claramente o carro é bem parecido com o que era na França e na Áustria. Nos últimos 11 dias, corremos três vezes, então o desempenho e a potência não devem ser muito diferentes do que vimos nas últimas duas semanas, o que significa que amanhã será apertado no pelotão intermediário. Dois décimos podem mudar completamente suas classificações, já que você pode sair no Q1 ou ser sétimo. Espero que estejamos mais perto do Q3 do que nas últimas corridas, mas tudo permanece para ser visto amanhã (sábado)”.

Na sexta, Fernando anotou a sétima melhor marca do dia: otimismo virou preocupação no sábado

Na sexta, Fernando anotou a sétima melhor marca do dia: otimismo virou preocupação no sábado

As coisas mudaram para a McLaren no sábado. Em volta lançada, o MCL33 tem se notabilizado por ser facilmente batido pelos rivais. E, mais uma vez, isso aconteceu em Silverstone. Alonso caiu no Q2, depois de anotar 1m28s139. Com esse tempo, o espanhol garantiu um modesto 13º lugar, ficando a 2s247 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole position do GP da Inglaterra com 1m25s892 – foi a 76ª vez que o britânico anotou o melhor tempo de um quali na F1 (recorde absoluto da categoria). Já Vandoorne foi ainda pior: parou no Q1, com 1m29s066, ficando a 0s957 da marca do asturiano – vale registrar que, em todas as 10 etapas disputadas em 2018, Fernando ficou à frente do belga. Sobre o qualifying, o bicampeão reconheceu que os treinos oficiais têm sido o ‘calcanhar de Aquiles’ da McLaren nesta temporada.

“O sábado parece ser o nosso ponto mais baixo num fim de semana, já que parece que estamos sempre nos classificando em torno do P13, mas depois melhoramos aos domingos, então vamos tentar isso amanhã (domingo) e ver como a corrida se desenvolve. Sabemos que Silverstone é exigente aerodinamicamente. É um circuito muito longo, onde você precisa de eficiência e potência, então é bastante complexo, mas vamos lutar amanhã (domingo). A largada será crucial – aqui é difícil seguir outros carros devido às curvas de alta velocidade, por isso as posições na primeira volta são muito importantes e, depois disso, uma boa estratégia e uma boa gestão de pneus. Está muito quente, e para aqueles que estão em uma estratégia de uma parada, a degradação será alta, por isso precisamos manter nossa concentração e esperamos conseguir alguns pontos”, avaliou Alonso.

Largada do GP da Inglaterra de 2018: Alonso tocou com Pérez e subiu de 13º para 11º

Largada do GP da Inglaterra de 2018: Alonso tocou com Pérez, mas subiu de 13º para 11º

A corrida

Silverstone, domingo, 8 de julho de 2018. Pouco mais de 68 anos depois da primeira prova da história (realizada em 1950), o tradicional autódromo segue vivenciando a Fórmula 1 com entusiasmo. Mas, ultimamente, esse amor se tornou algo avassalador. O motivo: Lewis Hamilton (Mercedes). O britânico, pole do GP da Inglaterra, se tornou um xodó dos torcedores graças as suas vitórias e títulos. Fernando Alonso (McLaren) foi um – senão o maior – algoz de Hamilton na F1. Porém, nos últimos tempos, o espanhol se viu longe de duelar com o adversário. Na pista inglesa, enquanto Lewis sairia na pole, Fernando alinhava numa longínqua 13ª posição. Contudo, ambos acabariam se cruzando na etapa britânica: na largada, Hamilton saltou mal, sendo ultrapassado por Sebastian Vettel (Ferrari) e Valtteri Bottas (Mercedes). No afã de tentar superar Lewis, Kimi Raikkonen (Ferrari) se atirou para cima do tetracampeão. O piloto da Mercedes não só rodou, como caiu para o 18º lugar.

Calçando pneus macios (os menos resistentes para o GP da Inglaterra), Alonso também teve uma saída problemática: na curva 1, o espanhol tocou em Sergio Pérez (Force India), que rodou à frente do pelotão intermediário e quase atingiu os carros da Williams de Sergey Sirotkin e Lance Stroll  – ambos largavam dos boxes. Fernando escapou da pista, mas prosseguiu na prova. Após o incidente entre Hamilton e Raikkonen, Romain Grosjean (Haas) escapou do traçado, fazendo com que o asturiano ganhasse uma posição. Mesmo perdendo uma posição para Carlos Sainz Jr. (Renault) na pista, o piloto da McLaren completou a volta 1 em 11º. Ali permaneceu até a volta 4. Na passagem seguinte, Alonso não foi páreo para um Hamilton ávido por recuperação na corrida. Assim, o piloto da McLaren caiu para a 12ª posição.

Nas primeiras voltas, Alonso acompanhava o ritmo de Magnussen, mas não conseguia superar o danês

Nas primeiras voltas, Alonso acompanhava o ritmo de Magnussen, mas não conseguia superar o danês

Com o avanço de Hamilton, Fernando passou a acompanhar o ritmo de Kevin Magnussen (Haas), o 11º colocado. Embora andasse nos calcanhares do dinamarquês, o bicampeão não conseguia fazer a ultrapassagem. Assim, o espanhol permaneceu até a volta 13, quando a McLaren o chamou para os boxes. Na troca, o time britânico sacou os pneus macios e colocou os pneus médios – de resistência intermediária em Silverstone. Com a parada, Alonso caiu para 17º. Na volta 15, o asturiano superou Sirotkin e subiu para 16º. Com o pit stop de Sainz, na 18, Fernando ascendeu para 15º, conquistando a posição do compatriota de fato – o piloto da Renault andou à frente do bicampeão na primeira parte da corrida. Na volta 20, Charles Leclerc (Sauber) fez sua troca de pneus. Porém, no retorno para a pista, se viu com problema no encaixe de uma das rodas, sendo obrigado a abandonar. Assim, o piloto da McLaren foi para o 14º lugar.

Após a parada de Pierre Gasly (Toro Rosso), na volta 21, Alonso subiu para 13º. Na passagem seguinte, foi a vez do pit stop de Stoffel Vandoorne (McLaren). Dessa forma, o bicampeão passava a ocupar a 12ª colocação. Depois de Marcus Ericsson (Sauber) ingressar nos boxes, na volta 25, Fernando ascendeu para o 11º lugar. O retorno do asturiano à zona de pontuação se deu na volta seguinte, com a parada de Magnussen nos boxes. Na 27, Grosjean foi aos boxes, fazendo com que o piloto da McLaren alcançasse a nona colocação. Naquele momento, Alonso estava colado em Esteban Ocon (Force India). Em contrapartida, era pressionado por Magnussen.

Após a primeira parada, Alonso tentou ultrapassar Ocon, sob os olhares de Magnussen

Na 26, Alonso tentou ultrapassar Ocon, sob os olhares de Magnussen (que havia realizado o pit stop)

A disputa entre Ocon, Alonso e Magnussen foi acirrada até a volta 32, quando Ericsson  perdeu o controle de seu Sauber e se espatifou na Copse. Com o acidente do sueco, o safety car foi acionado pela direção de prova. A bandeira amarela fez com que muitos pilotos entrassem nos boxes – entre eles, Fernando. Na troca, a McLaren sacou os pneus médios e os substituiu por macios. No retorno à pista, o bicampeão se viu em 10º, atrás de Magnussen e à frente de Grosjean e Sainz. A relargada em Silverstone foi dada na volta 37, após a retirada do carro de Ericsson e a limpeza da pista. Porém, a liberação durou menos de um minuto: no mesmo ponto onde o sueco escapou da pista, Romain e Carlos se tocaram e acabaram na brita. Dessa forma, o carro de segurança voltou ao circuito. Foram mais quatro voltas sob a liderança de Bernd Maylander, piloto do safety car.

Maylander só retornou aos boxes na volta 41. Com a bandeira verde, Alonso tratou de atacar Magnussen. O espanhol queria se aproveitar das melhores condições dos pneus macios de seu McLaren. Entretanto, o dinamarquês da Haas segurou o asturiano de maneira ríspida. Em três momentos, o bicampeão teve que desviar de KMag, a fim de evitar um acidente. Alonso reclamou pelo rádio: “O que Magnussen faz quando você tenta ultrapassá-lo? Empurra você para fora da pista. Assim nos vamos bater, sabe?! E eu não quero isso. O que vejo fazer Magnussen eu nunca vi em minha vida. Ele me empurrou para fora na curva 7, curva 11 e 12”. A McLaren tentou acalmá-lo, mas foi em vão. “Tudo com Magnussen é decidido após a corrida… a decisão, a situação de corrida, deveriam mudar agora. Na 7 foi muito claro. Eu tive que ir para a grama. Isso é ridículo, FIA, ridículo”.

Sem sucesso na tentativa após a relargada, Alonso tratou de seguir colado em Magnussen. O dinamarquês, por sua vez, era barrado por Ocon e por Nico Hulkenberg (Renault). Dessa forma, os quatro formavam um pelotão na luta pelo sétimo lugar. Na volta 46, Max Verstappen (Red Bull) abandonou com problemas nos freios. Assim, Nico pulou para sexto, Esteban, para sétimo, Kevin, para oitavo, e Fernando, para nono. Embora tentasse de todas as maneiras saltar de posição, o asturiano não conseguia dar o bote no dinamarquês. Mas aí veio a 52ª e última volta do GP da Inglaterra. O bicampeão estava determinado a tomar a posição de Magnussen. Com a maestria que sempre lhe foi peculiar, Alonso partiu por dentro na curva Village e surpreendeu o piloto da Haas. Assim, Fernando assegurou o oitavo lugar.

A vitória no GP da Inglaterra de 2018 ficou com Vettel. Foi a quarta vitória do alemão no ano, e a 51ª de sua carreira – igualando a marca de Alain Prost. Com o triunfo, Sebastian continuou na ponta do Mundial, com 171 pontos. Após cair para o fim do pelotão, Hamilton assegurou o segundo lugar em Silverstone, que o manteve vivo na disputa pelo pentacampeonato – o inglês passou para 163 pontos. Depois de cumprir uma punição de 10s por ter sido considerado culpado pelo acidente com Lewis, Raikkonen alcançou a terceira posição. Distante do pódio, Alonso celebrou a conquista dos quatro pontos na prova britânica. Além disso, ressaltou que seria possível brigar pela sexta posição – ainda mais após a entrada do safety car durante a prova.

Alonso levou quatro importantes pontos para Woking: oitavo lugar, mas poderia ter sido sexto

Alonso levou quatro importantes pontos para Woking: oitavo lugar, mas poderia ter sido sexto

“Foi uma grande corrida hoje (domingo), e um grande show para os fãs – ainda mais com a entrada do safety car em duas ocasiões, o que sempre misturam as coisas. Em uma corrida normal, o oitavo seria ótimo, mas com o carro de segurança e os pneus amarelos (macios) que decidimos colocar – e os outros que não apostaram -, tivemos uma clara vantagem no final da corrida, mas não conseguimos aproveitar isso porque estávamos presos atrás do tráfego. Kevin (Magnussen) nos tirou da pista na curva 7, e sem isso eu acho que provavelmente teríamos lutado com Esteban (Ocon) e Nico (Hulkenberg) pelo sexto lugar. No entanto, nenhuma penalidade foi dada, então tivemos que lutar muito para ultrapassar Kevin na última volta. O sábado parece ser o ponto mais baixo do nosso fim de semana em termos de desempenho, mas aos domingos estamos no mesmo grupo da Renault, Force India e Haas. Por isso, definitivamente, precisamos encontrar mais desempenho na classificação”, concluiu o asturiano.

Com o top 8 de Silverstone, Alonso foi para oitavo no Mundial de Pilotos, com 40 pontos

Com o top 8 de Silverstone, Alonso se manteve em oitavo no Mundial de Pilotos, com 40 pontos

Publicado em Charles Leclerc, Esteban Ocon, Fernando Alonso, Force India, Haas, Inglaterra, Kevin Magnussen, Marcus Ericsson, McLaren, Pierre Gasly, Romain Grosjean, Sauber, Sergey Sirotkin, Sergio Pérez, Silverstone, Stoffel Vandoorne, Toro Rosso, Williams | Publicar um comentário

Áustria-2018: Haas faz história ao obter 22 pontos em Spielberg

Romain Grosjean terminou em quarto, e Kevin Magnussen foi o quinto no GP da Áustria de 2018: resultado histórico para o time ianque

Romain Grosjean e Kevin Magnussen levaram a Haas ao quarto e quinto lugares no GP da Áustria

O dia 1º de julho de 2018 foi marcante para a história da Haas na Fórmula 1. Em sua 50ª corrida na categoria, a equipe norte-americana conquistou um resultado pra lá de expressivo em Spielberg, palco do GP da Áustria: Romain Grosjean encerrou o jejum de pontos com estilo, ao alcançar o quarto lugar na etapa austríaca. Foi a melhor posição do time ianque desde o seu ingresso na F1, no GP da Austrália de 2016. Para o francês, a felicidade veio em dobro – foram os 12 primeiros pontos de Grosjean no ano. E eles vieram no momento certo. Romain foi seguro, veloz e soube se aproveitar do VSC (safety car virtual). Em quinto lugar, logo atrás de Grosjean, veio Kevin Magnussen. O dinamarquês novamente foi constante e colocou mais um top 6 na conta – o quarto em 2018 (os outros três ocorreram em Sakhir, em Montmeló e em Paul Ricard). Dessa forma, KMag passou a ter 37 pontos no Mundial. Com os 22 pontos obtidos em Spielberg, a Haas subiu de sétimo para quinto no campeonato de Construtores. Agora, a escuderia norte-americana soma 49 pontos, à frente de McLaren (44) e Force India (42).

A boa performance de Romain Grosjean no GP da Áustria de 2017 – o francês terminou em sexto – norteava os trabalhos da Haas em Spielberg. Assim que os carros foram para a pista, ficou nítida a sintonia entre o modelo VF-18 e o circuito austríaco. Nos dois treinos livres do dia, a equipe norte-americana mostrou ótimo desempenho e muita confiabilidade. No fim, Grosjean ficou em sétimo lugar, com 1m05s429. Magnussen veio a 0s130 do francês, anotando o oitavo tempo, com 1m05s559. O mais rápido da sexta foi Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m04s579 – 0s850 à frente de Romain e 0s980 à frente de Kevin.

Logo que colocou o VF-18 na pista, Grosjean tratou de acelerar: sétimo mais veloz na sexta

Logo que colocou o VF-18 na pista, Grosjean tratou de acelerar: sétimo mais veloz na sexta

Inspirado após o bom desempenho e necessitando mostrar serviço, Grosjean estava satisfeito com a sua marca na sexta. “Foi um bom dia. É uma pista bem legal. Eu sempre amo vir aqui. Eu adoro o layout no meio das montanhas e é uma ótima atmosfera. O carro teve um bom desempenho, por isso estamos felizes com o lugar em que estamos. O saldo tem sido muito bom. Temos mais trabalho a fazer, mas, no geral, está bom e estou feliz com isso, mas podemos fazer algumas alterações para ficarmos ainda mais rápidos. Estou muito ansioso para a classificação de amanhã (sábado)”.

Magnussen concordou com o companheiro. “Parece que estamos indo bem. Foi um bom dia em termos de testes e execução de tarefas que planejamos fazer. O carro se comportou tão bem quanto esperávamos. Até agora, tudo bem – só precisamos terminar bem amanhã (sábado) também. Nosso carro tem sido bom em muitas corridas e parece que também está bom aqui em Spielberg. Precisamos juntar tudo neste sábado e depois ter uma boa sessão de classificação para conseguir uma boa posição para a corrida – esperamos marcar pontos no domingo”.

Tanto Magnussen (foto) quanto Grosjean avançaram para o Q3 de Spielberg

Tanto Magnussen (foto) quanto Grosjean avançaram para o Q3 de Spielberg: otimismo nos boxes

No sábado, a onda crescente prosseguiu a favor da Haas. O qualifying em Spielberg foi além das expectativas para o time. Tanto Grosjean quanto Magnussen estiveram sempre entre os 10 primeiros colocados. Não só isso: o ritmo do VF-18 impressionava no circuito austríaco. A ponto de o francês andar na casa de 1m03s, anotando 1m03s892. Com esse tempo, Romain ficou à frente de Daniel Riccardo (Red Bull), conquistando um impressionante sexto lugar. Já o dinamarquês marcou o oitavo tempo, com 1m04s051, ficando a 0s159 de Grosjean. Valtteri Bottas (Mercedes) marcou a pole para o GP da Áustria, com 1m03s130. Foi a quinta pole da carreira do finlandês, que foi 0s762 mais rápido do que Grosjean e 0s921 mais veloz do que Magnussen.

O excelente desempenho nos treinos oficiais encheram os pilotos da Haas de otimismo. “Foi uma boa classificação. Nós fizemos um bom trabalho de configuração no carro e construímos nosso ritmo no final de semana. Tudo correu muito bem e o equilíbrio foi ótimo. Eu estava esperando que ficássemos em quarto lugar. Eu estava pensando: ‘vamos, podemos ficar lá’. A verdade é que as outras equipes são mais rápidas, mas estou muito orgulhoso de estar entre os dois Red Bulls, e estou feliz que Kevin seja o oitavo. Temos os dois carros no top 10 para a corrida de amanhã (domingo) e esperamos conseguir alguns pontos”, destacou Grosjean, que recebeu uma boa notícia após o treino: Sebastian Vettel (Ferrari), terceiro no quali, foi punido com a perda de três posições após fechar Carlos Sainz Jr. no Q2. Assim, o francês herdou o quinto lugar no grid.

Grosjean terminou o Q3 em sexto, mas punição a Vettel fez com que ele fosse alçado para o quinto lugar no grid

Grosjean foi o sexto no Q3, mas punição de Vettel fez com que fosse alçado para o quinto lugar no grid

Magnussen, por sua vez, elogiou o desempenho do VF-18 em Spielberg. “Acho que a equipe fez um ótimo trabalho hoje (sábado), com o carro sendo muito bom. Romain fez uma boa volta e fomos rápidos o dia todo. Eu acho que estamos em boas posições iniciais para a corrida. Vamos ver como vai ser o domingo. Nosso ritmo ontem (sexta) no segundo treino livre, nos stints longos, foi muito bom. Vamos fazer o máximo que podemos, mas precisamos conseguir esses pontos. Vamos manter nossos pés no chão e ver o que conseguimos amanhã (domingo)”.

Largada do GP da Áustria de 2018: Grosjean e Magnussen ganharam posições na largada

Largada do GP da Áustria de 2018: Grosjean completou a volta 1 em sexto, e Magnussen, em sétimo

A corrida

Domingo, 1º de julho de 2018. O bucólico lugarejo de Spielberg, encravado no meio das montanhas, inspira tranquilidade para qualquer um dos seus visitantes. Porém, a paz do local seria deixada de lado por alguns momentos para mais um GP da Áustria. Com seus carros na terceira e na quarta filas, a Haas tinha como pretensão marcar o maior número de pontos possíveis. Evidentemente, desafiar os pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull era algo inimaginável. Por isso, deixar o complexo de Red Bull Ring com os 10 pontos combinados do sétimo e do oitavo lugares já seria algo fantástico. Calçados com pneus ultramacios, Grosjean e Magnussen queriam passar limpos pela largada. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o francês saltou bem e viu Sebastian Vettel (Ferrari) escapar  na Curva 1, o que foi suficiente para manter o quinto lugar. Porém, Romain não resistiu ao ataque de Daniel Ricciardo (Red Bull), fazendo com que completasse a volta 1 em sexto.

Kevin, por sua vez, também se aproveitou da escapada de Vettel, subindo para a sétima posição. Entretanto, aos poucos, o alemão fez valer o seu melhor equipamento. Na volta 2, superou o dinamarquês. Na 3, ultrapassou o francês. A partir dali, Grosjean estava em sétimo, e Magnussen, em oitavo – as colocações já esperadas pela Haas. Num ritmo à parte, os carros do time norte-americano não eram ameaçados pela concorrência. Em contrapartida, eram incapazes de perseguir Vettel. Na volta 10, Romain estava a 4s4 do alemão. Já Kevin tinha 2s9 de desvantagem para o companheiro de equipe. O cenário parecia se consolidar quando, na volta 14, Valtteri Bottas (Mercedes) viu seu W09 com problemas hidráulicos. O finlandês foi obrigado a abandonar, o que alçou Grosjean para o sexto lugar e Magnussen para o sétimo.

Grosjean se aproveitou da intervenção do VSC para parar nos boxes: estratégia acertada

Grosjean se aproveitou da intervenção do VSC para parar nos boxes: estratégia acertada

Para a retirada do carro de Bottas, a direção de prova interviu com a entrada do VSC (safety car virtual). A Haas se aproveitou do ritmo mais lento para chamar Romain para os boxes. Na troca, sacaram os pneus ultramacios e colocaram os macios (os mais resistentes para o fim de semana em Spielberg). A ideia era fazer com que o francês não fizesse mais nenhum pit stop. Em contrapartida, a equipe se viu obrigada a manter Kevin na pista. Quando a relargada foi dada, na volta 17, Magnussen ocupava o sexto lugar, e Grosjean, o oitavo. Entre os dois, estava Sergio Pérez (Force India) que, assim como o dinamarquês, não havia feito seu pit. Na volta 21, o danês colocava 3s7 sobre o mexicano, enquanto o francês estava a 1s9 do rival da Force India. Essa diferença se manteve até a volta 27, quando Pérez realizou sua troca de pneus. Com isso, Grosjean subiu para sétimo.

A fim de preservar sua posição diante de Checo, a Haas decidiu chamar KMag na volta 29. Assim como Grosjean, foram retirados os pneus ultramacios e colocados compostos macios. No retorno à pista, Magnussen se manteve à frente de Pérez, em nono. Já Romain ascendeu para a sexta colocação. Na volta 33, Kevin assumiu o oitavo lugar, após o pit stop de Carlos Sainz Jr. (Renault). A partir daí, o dinamarquês iniciou perseguição a Esteban Ocon (Force India). O francês havia parado nos boxes na volta 15, o que o beneficiou na disputa com o piloto da Haas. Entretanto, Magnussen era mais veloz e encostou em Ocon na volta 42. A pressão de Kevin sobre Esteban foi intensa, mas o piloto da Force India foi ao seu limite. Todavia, na volta 48, enfim o danês superou o francês do time indiano, subindo para sétimo. Naquele momento, Magnussen estava a mais de 10s de Grosjean.

Na fase final da prova, Grosjean passou a administrar o desgaste dos pneus

No final da prova, abandonos de Ricciardo e Hamilton fizeram com que Grosjean subisse para quarto

Consolidados na pista, os pilotos da Haas só passaram a se preocupar em gerenciar o desgaste dos pneus macios e “levar as crianças para casa”. Porém, o que se viu em Spielberg foi uma sequência de inesperadas quebras, que contribuíram para a ascensão da equipe norte-americana no GP da Áustria. Na volta 53, Ricciardo encarou problemas no escapamento de seu Red Bull e foi obrigado a abandonar. Dessa forma, Romain assumiu a quinta posição, e Kevin, a sexta. Na 63, o inacreditável aconteceu: então quarto colocado, Lewis Hamilton (Mercedes), com problemas na pressão do combustível de seu bólido, abandonou a etapa austríaca. Foi o primeiro abandono de Hamilton desde o GP da Malásia de 2016, em Sepang, quebrando uma sequência de 33 corridas consecutivas alcançando a bandeira quadriculada (um recorde na F1, igualado com Nick Heidfeld).

Além disso, pela primeira vez desde o GP da Espanha de 2016, em Montmeló, os dois carros da Mercedes ficavam de fora de uma corrida. Por fim, foi a primeira vez em 63 anos que os carros da equipe germânica abandonaram com problemas mecânicos – desde o GP de Mônaco de 1955, quando Juan Manuel Fangio, Stirling Moss e Andre Simon deixaram a disputa por falhas em seus carros prateados. Sem Hamilton, Grosjean ascendeu para o quarto lugar, e Magnussen, para o quinto. Com a distância sobre Pérez sob controle, bastou à dupla da Haas administrar o equipamento e receber a histórica bandeira quadriculada. Max Verstappen (Red Bull) faturou a vitória em Spielberg – foi a primeira vitória do holandês em 2018, a quarta na carreira -, seguido por Kimi Raikkonen (Ferrari) e Vettel – que, com o terceiro lugar combinado com o abandono de Hamilton, reassumiu a liderança do Mundial de Pilotos por 1 ponto (146 a 145). Além disso, a quebra das Mercedes reconduziu a Ferrari ao topo do Mundial de Construtores (247 a 237).

Celebração dos mecânicos com Romain Grosjean: melhor resultado da história da Haas até o momento

Celebração dos mecânicos com Grosjean: melhor resultado da história da Haas até o momento

Nos boxes da Haas, o clima era de total êxtase. A celebração foi de vitória em Spielberg. Para Grosjean, o resultado representou uma redenção, após tantas dificuldades encaradas na temporada 2018. “Foi um ótimo dia para todos nós, toda a equipe. Eles mereceram um resultado tão bom com os carros terminando em quarto e quinto. É incrível para o nosso 50º GP. Estou feliz por todos eles. Fizemos um trabalho incrível durante todo o final de semana. Tivemos alguma sorte na corrida com os carros da Mercedes não terminando, mas foi um ótimo final de semana e podemos realmente aproveitar esse momento. Ainda há algumas coisas que podemos melhorar aqui e ali, mas estou feliz por termos conseguido um longo stint com pneus macios. As últimas 20 voltas não foram fáceis – havia bolhas nos pneus traseiros – e eu temia que eles explodissem a qualquer momento. Estou tão feliz que ficamos lá e terminamos em quarto e quinto”, celebrou.

Magnussen corroborou com as palavras do companheiro. “Tivemos um final de semana muito bom. Não esperávamos desafiar os cinco primeiros, mas, com as quebras, terminamos com os dois carros no top 5. Isso é resultado de um trabalho incrível da Haas e estou muito orgulhoso de toda a equipe. Nós estávamos lutando com bolhas nos pneus durante todo o stint com os macios. Eu administrei isso e consegui terminar em quinto. Nós mostramos neste fim de semana que temos um bom carro. Na verdade, não é só neste fim de semana – mostramos durante todo o ano que o carro é muito competitivo. Nós apenas temos que continuar assim”, afirmou o dinamarquês.

Vibração nos boxes da Haas: 22 pontos vieram graças à competência de Romain e Kevin

Vibração nos boxes da Haas: 22 pontos vieram graças à competência de Romain e Kevin

Após o resultado na Áustria, foram alteradas as pretensões da Haas: o quarto lugar no Mundial passou a ser a meta da equipe. Atual quarta colocada, a Renault tem 62 pontos – apenas 13 a mais do que a rival norte-americana. A escuderia francesa que se cuide, pois o time ianque está pedindo passagem…

Com 49 pontos, Haas passou a mirar o quarto lugar entre os Construtores - atualmente, está a 13 pontos da Renault

Com 49 pontos, Haas passou a mirar o quarto lugar entre os Construtores – está a 13 da Renault

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França-2018: Magnussen segura Bottas e conquista 6º lugar

Kevin Magnussen foi preciso em Paul Ricard, e acabou sendo premiado com o sexto lugar

Kevin Magnussen (Haas) foi preciso em Paul Ricard, e acabou sendo premiado com o sexto lugar

Na batalha interna da Haas, Kevin Magnussen seguiu implacável contra Romain Grosjean. Nem mesmo o fato de correr na casa do francês intimidou o dinamarquês. No GP da França de 2018, disputado no último domingo, em Paul Ricard, Magnussen voltou a ser combativo. Kevin largou bem, se livrou dos incidentes da primeira volta, segurou a sensação Charles Leclerc (Sauber) no início e, no fim, parou o avanço de Valtteri Bottas (Mercedes) para conquistar um convincente sexto lugar. Com o resultado, o danês obteve oito importantes pontos para a escuderia norte-americana. Não só isso: apenas ele pontuou para a Haas após oito etapas – um total de 27 pontos (destaques para o quinto lugar no GP do Bahrein, em Sakhir, e para o sexto no GP da Espanha em Montmeló), ocupando o 10º lugar entre os Pilotos e ajudando a equipe a ficar em sétimo entre os Construtores. Já Grosjean terminou em 11º em Paul Ricard e seguiu sem figurar num top 10.

Ao desembarcar na França, a Haas encararia um desafio novo. Mas essa sensação era geral no paddock. Também pudera: havia 28 anos que a Fórmula 1 não corria em Paul Ricard – a última etapa por lá ocorreu em 1990, quando Ivan Capelli quase bateu Alain Prost na luta pela vitória. Além das particularidades do traçado, pilotos e equipes precisariam se adaptar às alterações do seletivo circuito (mais extenso em relação à década de 1980 e com uma variante em meio à Reta Mistral). Nos dois primeiros treinos da sexta-feira, tanto Magnussen quanto Grosjean andaram entre os 10 mais velozes. No fim, Kevin alcançou o 10º melhor tempo do dia (obtido no primeiro treino livre), com 1m34s108. O dinamarquês ficou a 0s790 de Romain, sexto com 1m33s318, e a 1s877 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor do dia com 1m32s231.

Assim que colocou o VF-18 na pista, Magnussen percebeu que o fim de semana poderia ser positivo

Assim que colocou o VF-18 na pista, Magnussen percebeu que o fim de semana poderia ser positivo

Magnussen deixou o cockpit otimista com o VF-18. “Foi tudo bem hoje (sexta). O carro parece competitivo aqui, mas temos um pouco a aprender sobre pneus. É sempre a principal coisa em que se concentrar – preservar os pneus para os stints. Isso é o que nós trabalharemos durante a noite. (Paul Ricard) é uma pista legal, com muitas curvas de alta velocidade e boas zonas de frenagem. É realmente uma pista divertida. Teremos que esperar e ver para amanhã (sábado), ver como as coisas evoluem. Queremos marcar pontos neste fim de semana, então precisamos de uma boa classificação para isso”, avaliou o dinamarquês.

No sábado, os bons presságios continuaram rondando a escuderia norte-americana. Tanto Magnussen quanto Grosjean prosseguiram com bons tempos. Assim, a Haas passava a acreditar que seus dois pilotos pudessem avançar para o Q3 de Paul Ricard. Nas tomadas de tempo, Kevin e Romain mostraram excelente forma a bordo do VF-18. Assim, o Q3 virou realidade para o time ianque: tanto o dinamarquês quanto o francês se colocaram entre os 10 primeiros do qualifying. No Q3, porém, a meta de alcançar o sétimo lugar não foi atingida. Grosjean bateu sozinho e ficou sem tempo, sendo obrigado a largar em 10º. Já Magnussen foi o nono colocado, com 1m32s930, a 2s901 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP da França com 1m30s029 (foi a 75ª vez que o britânico alcançava a posição de honra do grid).

No qualifying de sábado, Kevin foi atrapalhado por Kimi Raikkonen no Q3: frustrante nono lugar

No qualifying de sábado, Kevin foi atrapalhado por Kimi Raikkonen no Q3: frustrante nono lugar

Após a sessão, Kevin reclamou que foi atrapalhado em sua volta lançada por Kimi Raikkonen (Ferrari). Isso fez com que ficasse atrás inclusive de Charles Leclerc (Sauber), oitavo com 1m32s635 (0s295 mais veloz que Magnussen). Detalhe: o danês havia andado na casa de 1m31s no Q2. “Estava parecendo bom. Nós colocamos os dois carros no Q3, mas depois não conseguimos nada da sessão. Foi um bom desempenho até o Q3. Eu não consegui uma volta boa no Q3, tive Kimi (Raikkonen) me ultrapassando na minha volta mais rápida, então ele me deixou passar mais uma vez. Eu não tinha ideia do que ele estava fazendo. Isso impediu que eu fizesse uma volta boa no Q3”, lamentou o piloto da Haas. Ainda assim, diante do potencial demonstrado pelo carro em Paul Ricard, a possibilidade de pontuar mais uma vez era real.

Largada do GP da França de 2018, em Paul Ricard: toque entre Vettel e Bottas colocou Magnussen em quinto

Largada do GP da França de 2018: toque entre Vettel e Bottas colocou Magnussen em quinto

A corrida

Domingo, 24 de junho de 2018. Um dia histórico para o automobilismo francês. Após 10 anos de ausência, o GP da França de Fórmula 1 retornava ao calendário da categoria – o último havia sido disputado em 2008, em Magny Cours, com vitória de Felipe Massa. E, 28 anos após a bandeirada dada a Alain Prost, Paul Ricard voltaria a vibrar com os carros mais rápidos do mundo. Alheio ao frenesi das arquibancadas, Kevin Magnussen (Haas) queria apenas e tão somente atacar na largada e se livrar de qualquer inconveniente após o apagar das luzes vermelhas. Calçando pneus ultramacios e saindo do nono lugar do grid, o dinamarquês tentaria ganhar posições no início da etapa para se consolidar na zona de pontuação. Porém, não precisou de muito esforço: logo após a largada, Sebastian Vettel (Ferrari) abalroou Valtteri Bottas (Mercedes). Os dois não só escaparam da pista, como tiveram de se encaminhar para os boxes. Assim, caíram para o fim do pelotão.

A confusão armada por Vettel e Bottas atrapalhou Charles Leclerc (Sauber) e Kimi Raikkonen (Ferrari). Magnussen aproveitou a oportunidade para ultrapassar tanto o monegasco, quanto o finlandês. Assim, completou a volta 1 num excelente quinto lugar, atrás somente de Lewis Hamilton (Mercedes), Max Verstappen (Red Bull), Carlos Sainz Jr. (Renault) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Atrás do dinamarquês, um outro acidente acabou envolvendo os franceses Romain Grosjean (Haas), Pierre Gasly (Toro Rosso) e Esteban Ocon (Force India). Grosjean seguiu na corrida, enquanto Gasly e Ocon abandonaram a prova. Diante dos detritos espalhados por dois setores da pista, a direção de prova orientou o ingresso do safety car.

Magnussen bem que tentou, mas segurar Raikkonen era impossível

Magnussen bem que tentou, mas segurar Raikkonen era impossível: dinamarquês caiu para sexto

A relargada só veio na volta 6. Em quinto, Magnussen lidava com a pressão de Raikkonen. Ainda que tenha oferecido resistência, o dinamarquês acabou sendo ultrapassado pelo finlandês na volta 8, caindo para sexto. Na 10, Kimi superou Sainz e ascendeu para quarto. A partir daí, o foco de Kevin passou a ser acompanhar o ritmo de Carlos. Naquele momento, a vantagem do espanhol sobre o danês estava na casa de 2s5. Entretanto, o piloto da Haas teria um indigesto adversário vindo em prova de recuperação. Vettel superava um a um. Na volta 17, o alemão da Ferrari ultrapassou Leclerc para atingir a sétima posição. Imediatamente, Sebastian chegou em Magnussen. Mais uma vez, Kevin não resistiu ao poderio ferrarista. Na volta 18, acabou sendo superado pelo germânico, caindo para a sétima colocação.

Na volta 20, foi a vez de Vettel ultrapassar Sainz. Naquele instante, Magnussen estava a 2s do espanhol. Em contrapartida, passava a ser perseguido pelo impetuoso Leclerc. Na volta 23, a vantagem do dinamarquês sobre o monegasco era de apenas 0s8. Parecia questão de tempo para que Charles executasse a ultrapassagem sobre Kevin. Todavia, na volta seguinte, o piloto da Sauber escapou da pista e caiu para nono – foi ultrapassado por Nico Hulkenberg (Renault). O vacilo de Leclerc trouxe alívio para Magnussen, que pôde novamente voltar suas atenções para Sainz.

Kevin foi pressionado por Leclerc (Sauber), mas uma escapada do monegasco deu tranquilidade ao piloto da Haas

Kevin foi pressionado por Leclerc, mas uma escapada do monegasco deu tranquilidade ao danês

Na volta 26, contudo, a Renault chamou o espanhol para os boxes. Assim, Kevin ascendeu para o sexto lugar. O piloto da Haas bem que tentou imprimir um forte ritmo a fim de superar Sainz. Entretanto, com pneus novos, Carlos estava mais veloz do que o danês. Desta forma, não restou alternativa para a escuderia norte-americana: Magnussen teve que se encaminhar para o seu único pit stop na volta 28. Na troca, sacou os pneus ultramacios e colocou os macios (os mais resistentes disponíveis para Paul Ricard). No retorno à pista, o dinamarquês ocupava o 13° lugar. Na volta 30, superou Brendon Hartley (Toro Rosso), subindo para 12º. Imediatamente à frente, já avistava Sainz. Na 31, Leclerc se encaminhou para o pit, e Kevin ascendeu para a 11ª posição. A volta ao top 10 de Paul Ricard se deu na volta 34, após a parada de Grosjean.

A perseguição a Sainz prosseguia até o espanhol ultrapassar Stoffel Vandoorne (McLaren), na volta 35. O belga passou a ser uma barreira para o dinamarquês. Todavia, na volta 37, Magnussen superou Vandoorne. Na mesma passagem, Hulkenberg foi aos boxes. Assim, Kevin estava em oitavo. Na volta 39, a Mercedes chamou Bottas para o pit stop. Com a troca, o danês herdou o sétimo lugar. Entretanto, teria que lidar com o finlandês com pneus novos. Neste momento, Magnussen retomou a batalha contra Sainz. Na volta 42, a vantagem do espanhol sobre o dinamarquês era de 4s. Seis voltas depois, a diferença cairia para apenas 2s. Em contrapartida, Bottas estava pendurado na caixa de câmbio do piloto da Haas.

Com a perda de rendimento de Sainz, Magnussen foi alçado ao sexto lugar em Paul Ricard: festa dinamarquesa

Com a perda de rendimento de Sainz, Magnussen foi alçado ao sexto lugar em Paul Ricard

Quando se esperava uma disputa entre Sainz, Magnussen e Bottas, veio o imponderável: na volta 50, a quatro da bandeira quadriculada, o espanhol viu seu Renault com problemas em sua unidade de potência. Carlos foi facilmente ultrapassado por Kevin e Valtteri. Se por um lado, o dinamarquês herdava a sexta posição, por outro teria de encarar o finlandês da Mercedes – que estava determinado a se colocar no top 6. Magnussen se defendeu com destreza, impedindo qualquer manobra de Bottas. É bem verdade que o problema no assoalho da Mercedes do finlandês, que prejudicou o desempenho de Valtteri desde o acidente com Vettel, ajudou Kevin. Mesmo assim, o danês conseguiu furar a barreira das três grandes equipes – Mercedes, Ferrari e Red Bull – ao terminar na sexta posição.

O desfecho positivo fez com que a Haas celebrasse mais uma excelente performance de Magnussen, que estava satisfeito com sua apresentação. “Foi uma boa corrida. Aqui em Paul Ricard, tivemos um bom carro. Estou muito feliz por dar a volta por cima, após a decepção de ontem (sábado), na classificação. Sabíamos que ainda estávamos em uma posição onde poderíamos fazer algo de bom na corrida, e esse foi o nosso dia. Eu estava lutando um pouco com os pneus ultramacios no primeiro stint, estavam superaquecendo e sem tração nos traseiros. Por alguma razão, os dianteiros estavam funcionando muito bem e os traseiros estavam com dificuldades. Ainda assim, a degradação para nós foi bastante baixa, embora o equilíbrio estivesse errado. Quando colocamos os macios, comecei a cuidar deles um pouquinho. Então, quando eu fiquei sob pressão de Bottas, eu realmente comecei a forçar. Aquela economia surtiu resultado no fim”, celebrou.

Magnussen foi bastante celebrado nos boxes: top 6 após segurar Bottas

Após segurar Bottas, Magnussen foi bastante celebrado nos boxes: piloto soma 27 pontos no Mundial

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