Itália-2017: Esteban Ocon, o ‘melhor do resto’ em Monza

Ocon lutou com Raikkonen pelo quinto lugar, mas teve que se consolar com o top 6

Ocon lutou com Raikkonen pelo quinto lugar, mas teve que se contentar com a 6ª posição em Monza

Depois do catastrófico resultado no GP da Bélgica de 2017, em Spa-Francorchamps, quando Esteban Ocon e Sergio Pérez só faltaram chegar às vias de fato, a Force India buscava a paz entre seus pilotos na disputa do GP da Itália, em Monza. Quatro dias após a conturbada prova belga, na quinta-feira (31 de agosto), o francês e o mexicano selaram um ‘pacto de não-agressão’ durante a coletiva de imprensa promovida pela FIA no circuito italiano. Nos treinos em Monza, a diferença entre Ocon e Pérez sempre foi mínima. Entretanto, no qualifying de sábado, uma chuva torrencial atrapalhou as ações na pista. Checo se viu prejudicado e parou no Q2, enquanto Esteban avançou para o Q3. Não só isso: com um desempenho brilhante, Ocon assinalou o quinto melhor tempo dos treinos oficiais. Como os pilotos da Red Bull, Daniel Ricciardo e Max Verstappen, teriam que pagar punições no grid, o francês alinharia na terceira posição do grid. Na corrida, Ocon saltou bem e chegou a andar em segundo. Todavia, perdeu espaço para os pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Ainda assim, alcançou um ótimo sexto lugar.

O top 6 em Monza foi um alento após o terrível fim de semana em Spa. Esteban aliou velocidade com regularidade em território italiano, mostrando não só sua capacidade, mas também uma alta força mental, que o colocou à frente de Pérez, nono no GP da Itália. Após o pacto com Pérez, o francês passou a focar apenas e tão somente em acelerar seu VJM10. O objetivo era bater o mexicano e mostrar que sua confiança era inabalável. Logo na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres na pista italiana, Ocon foi o nono mais veloz do dia, com 1m22s977. Esteban ficou a 1s517 de Valtteri Bottas (Mercedes), que anotou o melhor tempo da sexta, com 1m21s406. O francês foi 0s375 mais rápido do que Pérez, 14º com 1m23s352.

Quatro dias após o embate de Spa, Ocon e Pérez tentaram manter a paz em evento promocional em Monza

Quatro dias após o embate de Spa, Ocon e Pérez andaram lado a lado em evento promocional

Após os treinos de sexta, o francês da Force India se mostrou satisfeito com o desempenho da equipe. “Foi um dia sólido de testes. Nós experimentamos muitas coisas diferentes e acho que chegamos com alguns dados muito bons no final da sexta. Estou muito feliz com a forma como as coisas aconteceram e o trabalho que realizamos – teremos de fazer o mesmo amanhã (sábado) no treino final antes da classificação. Houve muita evolução da pista à medida que o dia prosseguia: a reta principal, em particular, foi recapeada e o treino de largada ficou um pouco escorregadio. Começou a chover em certo momento, mas não durou muito, de modo que realmente não influenciou o nosso dia”, afirmou Ocon.

Se na sexta, a chuva não atrapalhou os treinos, no sábado, ela imperou em Monza. Tanto o treino livre da manhã como a sessão qualificatória à tarde ocorreram com a presença da água. Sob uma incessante chuva, a FIA deu início ao Q1. Logo nos primeiros minutos, Romain Grosjean (Haas) aquaplanou em plena reta dos boxes e sofreu um acidente. O francês esbravejou contra a direção de prova, que, prontamente, agitou a bandeira vermelha. Foram seguidos adiamentos para o reinício da sessão. O treino recomeçou quase 2 horas depois. Ainda com pista molhada, Ocon e Pérez conseguiram avançar para o Q2. Na segunda etapa do treino, Esteban demonstrou habilidade e passou entre os primeiros. Já Sergio parou em 11º, com 1m37s582.

Com a forte chuva em Monza, prevaleceu o talento de Ocon: quinto no treino, terceiro no grid

Com a forte chuva em Monza, prevaleceu o talento de Ocon: quinto no treino, terceiro no grid

Com o passar do tempo, a pista foi melhorando, e o francês da Force India atuava de forma exuberante. No fim, apontou com um impressionante quinto lugar, com 1m37s719. Ocon só ficou atrás de Lance Stroll (Williams), a sensação do sábado, com o quarto lugar, Daniel Ricciardo (Red Bull), Max Verstappen (Red Bull) e Lewis Hamilton (Mercedes), pole com 1m35s554. Pela 69ª vez, Hamilton alcançava a posição de honra na carreira, tornando-se líder isolado no ranking de pole position na história da Fórmula 1, deixando Michael Schumacher para trás – o alemão largou 68 vezes na pole. Se Lewis tinha a celebrar, Esteban também era só alegria: como Verstappen e Ricciardo perderiam 20 posições no grid por trocar elementos de seus carros, o francês sairia em terceiro no GP da Itália, atrás somente de Hamilton e Stroll.

Assim, Ocon alcançava a melhor posição de grid de sua carreira até o momento. “Uma ótima classificação. Estou realmente feliz por todos na equipe. Sabíamos que era uma oportunidade para nós, fiquei muito satisfeito por aproveitá-la. Sempre gostei de pilotar no molhado, e as condições estavam desafiadoras. O carro estava ótimo, com um excelente equilíbrio. Tenho de agradecer a equipe pelo trabalho duro. Precisaremos lutar arduamente amanhã (domingo) porque há carros velozes ao nosso redor, mas acredito que podemos marcar um bom número de pontos e terei o pódio como meta”, avaliou.

Largada do GP da Itália de 2017: Ocon saltou bem, superou Stroll e ficou atrás apenas de Hamilton

Largada do GP da Itália de 2017: Ocon saltou bem, superou Stroll e ficou atrás apenas de Hamilton

A corrida

A chuva que colocou Ocon entre as surpresas do grid de Monza foi embora no domingo, dia do GP da Itália. Um belo sol se fez presente na região do autódromo. Com o clima seco, a esperança de pódio de Esteban se tornaria uma missão quase impossível. Porém, o jovem francês não queria se entregar. Pelo contrário: ele queria curtir o momento. Logo após o apagar das luzes vermelhas, Ocon largou bem. Logo nos primeiros metros, se impôs diante de Lance Stroll (Williams) e assumiu o segundo lugar. À frente dele, apenas Lewis Hamilton (Mercedes). Entretanto, com o melhor carro do grid, o britânico disparou na liderança. A partir daí, Esteban precisava encarar a realidade. E ela não seria nada agradável para o francês.

Na volta 3, Ocon começou a ser perseguido por Valtteri Bottas (Mercedes). Após largar em quarto, o finlandês superou Stroll e passou a pressionar o francês. Foi questão de segundos: logo na passagem seguinte, Bottas superou Esteban, que caiu para terceiro. A partir da volta 5, Ocon se viu à frente de Sebastian Vettel (Ferrari). Diante dos tifosi, o alemão não estava afim de decepcionar seus fãs: na volta 8, Seb ultrapassou o francês, que caiu para quarto. Após tentar segurar (em vão) Bottas e Vettel, Esteban desgastou os pneus supermacios de seu VJM10. Assim, passou a ser pressionado por Stroll, Kimi Raikkonen (Ferrari) e Felipe Massa (Williams). Contudo, o jovem canadense não conseguia superar Ocon.

Nas primeiras voltas, Esteban andou à frente de Ferrari e Mercedes: cenário momentâneo

Nas primeiras voltas, Esteban andou à frente de Ferrari e Mercedes: cenário momentâneo

Com os pneus deteriorados, os pilotos e as equipes passaram a colocar em prática a estratégia de boxes. Todos os ponteiros partiram para uma única parada. Na volta 15, Raikkonen antecipou seu pit stop, a fim de ganhar as posições de Ocon e Stroll. Ao ver o movimento da Ferrari, a Force India chamou Esteban na passagem seguinte. Na troca, o time indiano sacou os compostos supermacios e colocou os macios. No retorno à pista, o francês estava em 10º, ainda à frente de Kimi. Com a parada de Stroll, na 17, Ocon subiu para nono. Após o pit stop de Daniil Kvyat (Toro Rosso), na 18, Esteban assumiu o oitavo posto. Na volta 21, Ocon e Raikkonen se aproximaram de Stoffel Vandoorne (McLaren). Após uma manobra arriscada na Curva Grande, o francês superou o belga e alcançou o sétimo lugar. Kimi fez o mesmo e assumiu a oitava posição.

Depois do pit stop de Massa, na 22, Ocon subiu para sexto, e Raikkonen, para sétimo. Naquele momento, a pressão de Kimi sobre Esteban era intensa. Apesar de lutar a todo custo, o francês não resistiu ao melhor equipamento do finlandês: na volta 26, Raikkonen ultrapassou Ocon, que caiu para sétimo. À frente de Esteban, estavam Sergio Pérez (Force India) e Daniel Ricciardo (Red Bull), que iniciaram a corrida com pneus macios e estenderam seus stints ao máximo. Na volta 33, Pérez foi aos boxes, fazendo com que o francês reassumisse o sexto lugar. Na 38, foi a vez de Ricciardo realizar sua única parada. O australiano, porém, saiu do pit stop à frente de Ocon. Assim, o sexto lugar era a posição de fato para Esteban.

Ocon resistiu por algumas voltas, mas perdeu quinto lugar para Raikkonen: francês andou no limite do VJM10

Ocon resistiu por voltas, mas perdeu 5º lugar para Raikkonen: francês andou no limite do VJM10

Além de perder contato com os cinco primeiros colocados, Ocon tinha a companhia de Stroll, Massa e Pérez (que voltou em nono, com pneus novos). Apesar da proximidade dos adversários, Esteban não sofreu tentativas de ultrapassagem. No fim, assegurou um excelente top 6 no GP da Itália. A vitória ficou com Hamilton, seguido por Bottas e Vettel. Com o resultado, Lewis assumiu pela primeira vez na temporada a liderança do Mundial, com três pontos de vantagem sobre Seb (238 a 235). Já Ocon se consolidou em oitavo na tabela de classificação, com 55 pontos, a apenas 3 de Pérez, o sétimo e seu principal rival no ano (com 58).  Diante disso, Esteban estava feliz com o resultado.

“Eu me diverti na corrida e estou feliz com nossa performance. Ao mesmo tempo, estou um pouco desapontado porque queria subir ao pódio. Mas você precisa ser realista, não tivemos velocidade para acompanhar Mercedes e Ferrari, então creio que o sexto lugar era o máximo que poderíamos alcançar. Em certo ponto, estávamos lutando contra Raikkonen e pensei que poderíamos mantê-lo atrás, mas ele estava rápido demais. Também tive uma boa batalha com Stroll e trabalhei duro para mantê-lo atrás de mim. Com a classificação forte ontem (sábado) e o sexto lugar de hoje (domingo), foi um ótimo fim de semana. Tenho de agradecer a equipe pelo trabalho duro e por me dar um carro tão competitivo”, festejou Ocon.

Ocon celebrou o top 6 em Monza: francês está a 3 pontos de Pérez no duelo da Force India

Ocon celebrou o top 6 em Monza: francês está a 3 pontos de Pérez no duelo da Force India

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Bélgica-2017: Ocon e Pérez implodem ambiente da Force India

Esteban Ocon (número 31) e Sergio Pérez (11) atacam a zebra da Eau Rouge: guerra declarada na Force India

Ocon (número 31) e Pérez (11) atacam a zebra da Eau Rouge: guerra declarada na Force India

Parecia que tudo havia se acalmado pelos lados da Force India. Sergio Pérez e Esteban Ocon aparentavam estar de novo entrosados após os entreveros no GP do Canadá, em Montreal (quando o francês solicitou que o mexicano cedesse sua posição – o que foi prontamente negado pelo time) e no GP do Azerbaijão, em Baku (em que ambos se tocaram e acabaram com a possibilidade de pódio para a escuderia). Porém, o asteca e o gaulês implodiram de vez o ambiente na equipe indiana. Mais uma vez, Pérez e Ocon se estranharam – agora em Spa-Francorchamps, palco do GP da Bélgica de 2017. No último domingo, houve encontrão em dose dupla. As duas situações praticamente no mesmo ponto da pista belga – a mureta do mergulho para a Eau Rouge. No fim, Esteban ainda terminou em nono lugar, enquanto Sergio abandonou em razão dos danos causados pelo segundo incidente.

Curiosamente, o clima, que azedou após a bandeirada da etapa belga, era amistoso entre o latino e o europeu antes da prova. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos para o GP da Bélgica, Ocon e Pérez trocaram informações a respeito do desempenho do VJM10 em Spa. Nem mesmo as condições meteorológicas atrapalharam os planos da Force India – o primeiro treino livre ocorreu com tempo firme; já o segundo contou com a presença de uma forte chuva na fase final, atrapalhando os pilotos. Apesar da pista molhada, os melhores tempos vieram à tarde: Esteban foi o oitavo, com 1m46s670, 0s423 à frente de Checo, 12º com 1m46s984. O francês ficou a 1s720 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor do dia com 1m44s753. Já o mexicano ficou a 2s231 do inglês.

Nos treinos livres de sexta, Ocon foi mais veloz que Pérez: troca de informações

Nos treinos livres de sexta, em Spa, Ocon foi mais veloz que Pérez: troca de informações

“O dia foi razoavelmente tranquilo e certo e consegui fazer muitas voltas – mesmo com a bandeira vermelha – acidente sofrido por Felipe Massa (Williams) no primeiro treino livre – e a chuva no segundo treino. A sensação com o carro já é muito boa e as coisas parecem promissoras para um desempenho forte amanhã (sábado)”, comemorou Ocon. Já Pérez concordou com o companheiro de time. “A tarde foi melhor para mim, e eu estava começando a encontrar uma boa sensação com o carro. Então estou confiante de que estaremos em melhor forma amanhã (sábado). Como Esteban mostrou, o ritmo do carro é bastante competitivo e temos uma boa oportunidade para se classificar bem no qualifying”, analisou o asteca.

As expectativas da sexta-feira se confirmaram no sábado, dia da qualificação para o GP da Bélgica. Pérez e Ocon até enfrentaram algumas dificuldades na disputa contra Nico Hulkenberg (Renault) e Fernando Alonso (McLaren), mas a dupla da Force India conseguiu bater o espanhol e avançar para o Q3 de Spa. No fim, o mexicano foi o oitavo colocado, com 1m45s224 – 0s145 mais rápido do que o francês, nono com 1m45s369. Apesar da sólida classificação, Checo reclamou de Kimi Raikkonen (Ferrari). Para o latino, era possível ir além de um top 8 no circuito belga.

No sábado, Pérez superou Ocon e assegurou o oitavo lugar no grid da etapa belga

No sábado, Pérez superou Ocon e assegurou o oitavo lugar no grid da etapa belga

“Estou um pouco desapontado com minha volta na Q3. Eu estava perto de Raikkonen no primeiro setor, mas quando ele abortou sua volta no segundo, acabei me aproximando demais dele. Como resultado, perdi bastante pressão aerodinâmica e isso me custou alguns décimos”, observou Sergio, que prosseguiu. “Acredito que tínhamos ritmo para ficar à frente da Renault, mas ainda acho que estamos em uma boa posição. Tudo pode acontecer em Spa, então será importante evitar problemas e aproveitar as oportunidades. A primeira volta pode ser caótica: não só na La Source, mas também na Les Combes, quando o pelotão se agrupa novamente. Creio que podemos ser fortes amanhã (domingo) e espero que possamos garantir o resultado que a equipe merece”.

O asteca ficou a 2s691 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole para o GP da Bélgica com 1m42s553. Com isso, o britânico igualou o recorde absoluto de poles na categoria, passando a ter 68 – o mesmo conquistado pelo legendário Michael Schumacher. Já o gaulês, nono colocado, ficou a 2s816 de Hamilton. Mas Ocon também considerou que era possível um melhor desempenho no qualifying. “Perdi aderência no Q3. Minha volta no Q2 foi três décimos mais rápida do que na Q3, portanto não maximizamos as coisas e não estou totalmente satisfeito. Contudo, me sinto confiante em relação à corrida. O carro está funcionando bem e será veloz na prova, principalmente no primeiro e último setores. É uma pista que encoraja boas disputas, e acho que haverá oportunidades e batalhas acirradas amanhã (domingo)”.

Largada do GP da Bélgica: logo após a La Source, a primeira polêmica entre Ocon e Pérez

Largada do GP da Bélgica: logo após a La Source, a primeira polêmica entre Ocon e Pérez

A corrida

Se por um lado, Sergio Pérez esperava assegurar o resultado que a Force India merecia no GP da Bélgica, por outro, Esteban Ocon aguardava grandes duelos em Spa. Ambos tinham a mesma estratégia para a corrida – largariam com pneus ultramacios. Tanto Checo como Esteban sabiam que o início da etapa seria fundamental para sacramentar um bom resultado. Contudo, o que nenhum dos dois acreditava era que os carros cor de rosa misturariam tinta em duas oportunidades. Quando as luzes vermelhas se apagaram, 20 pilotos partiram em busca de um espaço para contornar a La Source com eficiência. Na tomada da primeira curva, Pérez, oitavo no grid, partiu para cima de Nico Hulkenberg (Renault), sétimo. O alemão não se deu por vencido, e um leve toque acabou sendo inevitável. Isso foi o bastante para que Fernando Alonso (McLaren) superasse os dois e assumisse o sétimo lugar.

Enquanto Checo perdia espaço para Alonso, Ocon decidiu atacar o companheiro de equipe, que tracionou mal na saída da La Source e foi superado por Hulk. O mexicano, contudo, não deu brecha para a investida do francês. Prensado entre o muro e o carro do companheiro de equipe em plena descida para a Eau Rouge, Esteban não tinha escapatória: veio o toque roda com roda. Por pouco, o gaulês não carimbou o muro. O carro 31 chegou a sair do chão, mas depois voltou ao prumo. Em contrapartida, Pérez perdeu velocidade, fazendo com que Ocon recuperasse a nona posição. Sergio ainda veria Kevin Magnussen (Haas) superá-lo, caindo para o 11º lugar.

Após superar Pérez, Ocon foi para cima de Hulkenberg e Alonso na Kemmel

Após superar Pérez, Ocon foi para cima de Hulkenberg e Alonso na Kemmel

Na volta 2, o francês da Force India desafiava Alonso e Hulkenberg. Esteban emparelhou sua Force India com a McLaren e a Renault em plena Reta Kemmel, mas não superou os adversários. Na passagem seguinte, Pérez daria o troco em Magnussen, retornando ao top 10. Enquanto isso, um pouco à frente, Ocon pressionava Alonso. Na volta 4, o francês fez valer a potência do motor Mercedes de seu VJM10 para ultrapassar o espanhol, subindo para oitavo. Na 5, foi a vez do asteca superar o asturiano, ascendendo para o nono lugar. A partir daí, a dupla da Force India iniciava uma corrida solitária, uma vez que Hulkenberg, o sétimo, já colocava 3s6 sobre Ocon, o oitavo.

Na volta 6, Esteban e Sergio ganhariam uma posição, graças ao abandono de Max Verstappen (Red Bull). Sem o holandês, o francês subiu para sétimo, e o mexicano, para oitavo. Naquele momento, Ocon parecia apresentar problemas de desgaste com os pneus ultramacios. Isso permitiu a Pérez se aproximar do companheiro. Na volta 10, Esteban se encaminhou para os boxes. Na troca, sacou os ultramacios e colocou os compostos supermacios. No retorno à pista, estava em 12º. Checo, por sua vez, seguiu na pista, em sétimo. Na volta 12, com o pit stop de Hulkenberg, subiu para sexto. Porém, seus pneus estavam em frangalhos. Na passagem seguinte, o latino realizou sua primeira parada. Assim como Ocon, tirou os ultramacios e os substituiu por supermacios. Ao sair do pit, contudo, se viu atrás de Esteban, Daniil Kvyat (Toro Rosso) e Romain Grosjean (Haas).

Ao antecipar seu primeiro pit stop, Ocon se manteve à frente de Pérez

Ocon foi aos boxes na volta 10: tática se mostrou eficiente, pois o manteve à frente de Pérez

Pérez não podia perder tempo. Ainda na volta 14, realizou uma manobra arrojada. De uma só vez, superou Kvyat e Grosjean para assumir o nono lugar. Porém, cortou caminho na Les Combes. A direção de prova notou a irregularidade, e passou a investigar o asteca. Aos poucos, Sergio tirou a vantagem de Ocon, ficando a apenas 1 segundo do francês. Na volta 16, Esteban ultrapassou Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), que ainda não havia parado nos boxes, recuperando, assim, a sétima posição. Na passagem seguinte, foi a vez de Checo superar o espanhol, subindo para oitavo. Naquele momento, os fiscais da FIA confirmavam punição a Sergio pelo corte da chicane da Les Combes. Assim, ele teria 5 segundos acrescidos ao tempo de corrida.

Barrado pelo ritmo imposto por Ocon, Pérez decidiu antecipar seu segundo pit stop. Assim, na volta 25, o mexicano se encaminhou para os boxes. Antes da troca por um novo jogo de pneus supermacios, pagou a punição de 5 segundos. Ao retornar à pista, se viu em 11º. A partir de então, Checo tratou de acelerar. Esteban tentou fazer o mesmo, a fim de se manter à frente do companheiro. Todavia, seus pneus estavam desgastados. Quando decidiu parar, na volta 27, o francês realizou o mesmo procedimento do mexicano – colocou novos compostos supermacios. No retorno, Ocon se viu justamente atrás de Pérez. Na base da experiência, o asteca soube se utilizar dos pneus mais novos para superar o gaulês. Porém, a impetuosidade da juventude não poderia ser descartada. O duelo seria definido na pista.

Colado em Ocon, Pérez preferiu antecipar sua segunda parada: tática surtiu efeito

Colado em Ocon, Pérez preferiu antecipar seu segundo pit stop: tática surtiu efeito

Na volta 28, Pérez errou o contorno da La Source. Ocon, então, não pestanejou: colocou de lado sobre o mexicano. Checo simplesmente prensou Esteban na mureta. Resumo da ópera: a asa dianteira do carro do francês acertou o pneu traseiro direito do bólido do latino. Estilhaços voaram por toda a parte. Não bastasse isso, o pneu de Sergio se desintegrou. De uma só vez, a Force India desperdiçava a oportunidade de conquistar inúmeros pontos em Spa.  Diante dos detritos na pista, a direção do GP da Bélgica acionou o safety car. Sem a asa dianteira, Ocon chegou aos boxes. Na troca, aproveitou para sacar os pneus supermacios e colocar os compostos ultramacios. Bons segundos depois, Pérez se arrastava para os boxes. Com o pneu dechapado, o mexicano realizou a troca pelos pneus ultramacios e retornou à pista.

Apesar de todos os imprevistos, Ocon passou a figurar em 10º. Já Pérez despencou para 16º. Não bastasse isso, Checo tinha problemas de equilíbrio em seu VJM10 – frutos do toque com Esteban. Na relargada, na volta 34, o francês ganhou o nono lugar de Magnussen, enquanto o mexicano saltou para 12º. A reação de Ocon parou por ali – ele não conseguia acompanhar Felipe Massa (Williams), o oitavo. Por outro lado, o rendimento de Pérez caiu – na volta 39, foi superado por Kvyat, e, na 41, por Jolyon Palmer (Renault). Sem desempenho após o incidente com Esteban, a Force India chamou Sergio para os boxes. O latino deixou a disputa. No fim, restou a Ocon o nono lugar. A vitória do GP da Bélgica ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), que derrotou Sebastian Vettel (Ferrari) após dura disputa. Daniel Ricciardo (Red Bull) completou o pódio.

O momento polêmico de Spa: Pérez fechou Ocon ou o francês tentou uma ultrapassagem impossível?

O momento polêmico de Spa: Pérez fechou Ocon ou o francês tentou uma ultrapassagem impossível?

Após a corrida, o clima da Force India era de enterro. Ninguém compreendia o fato de os dois pilotos ficarem se estapeando na pista. No release divulgado pela escuderia indiana, Esteban foi taxativo. “Na primeira volta, houve um momento de tensão com meu companheiro de equipe antes da Eau Rouge. Posso aceitar isso porque era a largada e havia três carros lado a lado, apesar de eu ter sido espremido no muro. O segundo toque com Sergio foi demais. Ele me apertou contra o muro novamente, bateu em minha asa dianteira e arriscou ambas as nossas corridas sem razão. Isso custou pontos à equipe, e é difícil entender por que ele foi tão agressivo. Vou conversar com ele e compartilhar meu ponto de vista. É uma pena, porque estávamos em uma posição forte com um carro competitivo e deveríamos ter marcado ainda mais pontos”, lamentou.

Checo também estava insatisfeito com tudo o que ocorreu em Spa. “Estou bastante desapontado com a corrida, principalmente porque esta era uma pista onde deveríamos ter marcado muitos pontos. Dois incidentes com Esteban infelizmente tiraram nossas chances e arruinaram a prova para a equipe. Peço desculpas pelo incidente na largada, que foi totalmente minha culpa. Não selecionei o modo de largada e perdi potência na descida. Estava lutando com Nico (Hulkenberg) e pensei que tinha uma boa margem sobre todos os outros. Fui para a direita sem checar meus retrovisores e não vi que Esteban estava lá. No segundo caso, acho que ele (Ocon) foi um pouco otimista demais, porque não havia espaço para fazer uma manobra. Eu estava cobrindo meu traçado e esperava que ele atacasse após a Eau Rouge – ele tinha a reta inteira para me passar. Foi uma situação particular e temos de rever o incidente”, observou.

Pérez se disse surpreso com as fortes declarações de Ocon: decepcionado

Checo se disse surpreso com as fortes declarações de Ocon: “Pérez tentou me matar duas vezes”

Porém, nas redes sociais, a situação esquentou. Em sua conta no Twitter, Ocon afirmou que “Pérez tentou me matar duas vezes”. Também em seu perfil, em um vídeo, Sergio se disse decepcionado com o companheiro pela afirmação. Na gravação, o mexicano voltou a se desculpar pelo primeiro incidente, mas colocou a responsabilidade do segundo no colo do francês. No dia seguinte, Esteban soltou uma nota se desculpando pelo teor da primeira postagem. “No calor do momento e dada a situação perigosa, fiquei muito chateado. Mas vamos avançar, somos uma equipe e agradeço o pedido de desculpas de Perez. Queremos trabalhar melhor juntos”, afirmou.

Contudo, o estrago público já estava feito. Depois de tudo isso, Vijay Mallya, dono da Force India, decretou: a partir do GP da Itália, em Monza, está proibido o duelo entre os pilotos do time. Além disso, diante do histórico acidentado em 2017, a escuderia chegou a cogitar a possibilidade de banir seus pilotos da disputa de GPs e, ainda, mudar a dupla para 2018. “Se acontecer novamente, teremos de pensar em quem vamos colocar no carro no lugar de um deles”, ameaçou Otmar Szafnauer, diretor esportivo do time indiano. Apesar de todos os pesares, e mesmo com o duelo interno, a Force India manteve intacto seu 4º lugar no Mundial de Construtores, com 103 pontos – 68 a mais do que a Williams, 5ª colocada. Entretanto, a imagem arranhada pelos acidentes poderá influenciar o destino de Pérez e Ocon a partir de 2018 – o que, diante dos resultados obtidos neste ano, seria uma pena.

A Force India decretou, após a etapa de Spa: está proibido o duelo entre Pérez e Ocon

A Force India decretou, após a etapa de Spa: está proibido o duelo entre Pérez e Ocon

Publicado em Bélgica, Carlos Menditeguy, Daniil Kvyat, Esteban Gutiérrez, Force India, Haas, Kevin Magnussen, Romain Grosjean, Sergio Pérez, Spa-Francorchamps, Toro Rosso, Vijay Mallya | 1 Comentário

Hungria-2017: Alonso, o paciente samurai, rouba a cena e é 6º

Fernando Alonso (McLaren) obteve um sólido 6º lugar em Hungaroring e ainda anotou a volta mais rápida

Fernando Alonso (McLaren) obteve o 6º lugar e ainda anotou a volta mais rápida em Hungaroring 

“Resistência mental, calma e destreza são sinais de um samurai maduro”, diz um provérbio japonês. Adepto da filosofia dos guerreiros orientais, Fernando Alonso Díaz parece seguir à risca esse código no atual momento de sua carreira. Ao completar 36 anos no último dia 29 de julho, o espanhol se tornou o terceiro mais experiente piloto da Fórmula 1 – atrás somente de Kimi Raikkonen, 37 anos (fará 38 em 17 de outubro), e Felipe Massa, 36 (completados no último dia 25 de abril). E a maturidade tem rendido frutos inesperados (e, por que não, decepcionantes) ao asturiano. Alonso se tornou figura permanente no pelotão intermediário da categoria desde o seu retorno à McLaren, em 2015. Por obra do destino, os maiores culpados pela sequência de fiascos do ibérico são… os nipônicos da Honda, a fabricante dos propulsores para o time de Woking. Nas últimas três temporadas, a McLaren tem tido um péssimo desempenho, sobretudo pelo fraco propulsor japonês.

Em razão disso, Alonso tem desfrutado de dissabores mil na categoria máxima do automobilismo. Para ter uma ideia, nesse período, o máximo que Fernando conseguiu foram três quintos lugares – no GP da Hungria de 2015 e nos GPs de Mônaco e dos Estados Unidos de 2016. São resultados muito modestos em se tratando de um bicampeão do mundo e dono de 32 vitórias na F1. Em 2017, o quadro piorou na McLaren. Com a cor laranja, o MCL32 involuiu em relação ao seu antecessor. O máximo que Alonso conseguiu foi um heroico nono lugar no GP do Azerbaijão, em Baku. O desalento foi tanto que o asturiano abdicou de disputar o GP de Mônaco e correu as 500 Milhas de Indianapolis (Fernando até ia bem, mas o motor da McLaren Andretti quebrou no oval – um propulsor Honda…).

Na Hungria, Alonso tinha uma boa oportunidade de pontuar: missão cumprida

Na Hungria, Alonso acreditava ter uma boa chance de pontuar, devido às características da pista

Nem por isso, o espanhol tem esmorecido. Parece que o lado samurai de Alonso tem se aflorado a cada corrida. Ao desembarcar em Hungaroring, palco do GP da Hungria de 2017, Fernando estava duplamente motivado: além de celebrar seu 36º aniversário, no sábado, o bicampeão tinha confiança no equilíbrio do chassis do MCL32. As características travadas da pista fariam com que a falta de potência do motor Honda não fosse tão sentida pela McLaren. Com algumas atualizações na unidade de potência nipônica, o asturiano poderia brigar de igual para igual com os carros das equipes do segundo escalão – à exceção de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Quando Alonso foi para a pista, notou-se que a McLaren estava no mesmo nível de Force India, Renault e Williams – uma surpresa, se for levado em consideração a performance do carro laranja nas provas anteriores.

Ao final das duas sessões da sexta-feira, Alonso figurou como o oitavo mais veloz do dia, com 1m19s815. O espanhol foi 1s360 mais lento que Daniel Ricciardo (Red Bull) – o australiano marcou o melhor tempo do dia, com 1m18s455. Fernando foi 0s094 mais rápido do que o belga Stoffel Vandoorne, seu companheiro de McLaren, que marcou 1m19s909 e ficou em 10º. “Foi um bom dia. Mesmo que seja sempre difícil na sexta ter uma imagem clara, estamos mais ou menos onde pensávamos que estaríamos. Nós fizemos alguns bons testes e agora precisamos analisar os dados e ver onde tivemos progresso. Estamos um pouco mais competitivos aqui do que nas últimas duas corridas, e é melhor podermos lutar pelo Q3 e pelo top 10”, avaliou o bicampeão.

Fernando celebrou seu 36º aniversário com um bolo que trazia um samurai sobre a bandeira espanhola

Alonso celebrou seu 36º aniversário com um bolo que trazia um samurai sobre a bandeira espanhola

No sábado, o clima era de festa nos boxes da McLaren. Alonso celebrou seus 36 anos e ganhou um bolo estilizado com a bandeira da Espanha. Sobre ele, um samurai semelhante ao de sua tatuagem nas costas. Parecia sinal de bons presságios. nos treinos oficiais em Hungaroring, Fernando e Vandoorne estiveram competitivos. Tanto que os dois avançaram para o Q3. No fim, o espanhol foi o oitavo mais rápido do qualifying, com 1m17s549, 0s345 mais veloz do que o belga – nono, com 1m17s894. A pole do GP da Hungria ficou com Sebastian Vettel (Ferrari), com 1m16s276 – 1s273 à frente de Alonso. Como Nico Hulkenberg (Renault), o sétimo do Q3, perderia cinco posições no grid por trocar a caixa de câmbio de seu carro, o asturiano assumiria a posição do alemão.  O resultado deixou satisfeito o bicampeão.

“Foi um fim de semana positivo até agora para nós como uma equipe. Sabíamos que as três principais equipes estariam efetivamente fora do alcance, então lutar por sétimo e oitavo foi o alvo máximo que poderíamos apontar para hoje (sábado). E, na verdade, é aí que vamos começar amanhã (domingo). Não há pontos a ganhar no sábado, então espero poder converter essas posições na corrida e marcar alguns pontos positivos. Eles são muito necessários para a equipe no momento. Em termos de ritmo de corrida, devemos estar bem. Este é um circuito onde é difícil ultrapassar; os pneus são muito estáveis ​​e têm baixa degradação, então acho que, se tivermos um bom começo, devemos ter uma boa chance de manter nossas posições – esse é nosso alvo”, analisou Fernando.

Fernando anotou o 8º tempo no Q3. Com a punição a Hulkenberg, ficou com o 7º lugar no grid

Fernando anotou o 8º tempo no Q3. Com a punição a Hulkenberg, ficou com o 7º lugar no grid

Se havia festa para Alonso, a maré não estava boa para um ex-companheiro do espanhol: Felipe Massa (Williams) passou mal na sexta e, após o treino livre da manhã de sábado, desistiu de disputar a etapa húngara. No mesmo palco onde viu uma vitória certa escapar das mãos por uma quebra de motor (2008) e onde sofreu um sério acidente ao ser atingido por uma mola (2009), o brasileiro não se sentia apto para pilotar. Em seu lugar, às pressas, a Williams colocou Paul di Resta, terceiro piloto do time. Após três anos ausentes (desde o GP do Brasil de 2013, em Interlagos), o britânico retornaria ao cockpit da F1. Em contrapartida, o GP da Hungria de 2017 seria o primeiro sem a presença de brasileiros em 35 anos – desde o GP de San Marino de 1982, em Imola.

Largada do GP da Hungria de 2017: Alonso foi surpreendido pelo salto de Sainz

Largada do GP da Hungria de 2017: Alonso foi surpreendido pelo salto de Carlos Sainz Jr.

A corrida

Domingo, 30 de julho de 2017. Um dia ensolarado, comum no quente verão de Budapeste, dá o tom em Hungaroring, palco do GP da Hungria. Alinhado na sétima posição do grid, Fernando Alonso estava calçado com pneus supermacios. A ideia da McLaren, assim como das rivais, era a de realizar apenas um pit stop durante a corrida. Ciente disso, o espanhol sabia que não teria como desafiar os pilotos de Ferrari, Mercedes e Red Bull. Sua luta seria para preservar o sétimo lugar – ou o melhor do segundo pelotão da Fórmula 1. Porém, quando as luzes vermelhas se apagaram, Alonso foi surpreendido pelo salto do compatriota Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). O jovem, que largou em nono, pulou para sétimo, delegando Fernando para o oitavo lugar.

Porém, à frente dos ibéricos, a Red Bull vivia um drama: Max Verstappen tocou em Daniel Ricciardo, avariando o carro do australiano, que foi obrigado a abandonar logo na primeira volta. Assim, Fernando manteve o sétimo lugar. Para retirar o carro de Ricciardo, a direção de prova acionou o safety car. Apenas na volta 6, a relargada aconteceu. A fim de recuperar a posição perdida para Sainz, Alonso atacou o jovem pupilo na curva 1. Entretanto, o piloto da Toro Rosso foi ousado e trancou a passagem para o bicampeão. O piloto da McLaren deixou o traçado ideal e quase foi superado por Sergio Pérez (Force India). Todavia, segurou a sétima posição.

Alonso bem que tentou, mas era impossível superar Sainz: esperança se concentrou na janela de pit stop

Era impossível superar Sainz na pista: esperança de Alonso seria ultrapassar na base da estratégia

Por mais que pressionasse, Fernando não conseguia realizar tentativas de ultrapassagem sobre Carlos. Assim, aos poucos, o madrileno da Toro Rosso abriu vantagem sobre o asturiano da McLaren. Na volta 7, a diferença entre os espanhóis era de 1s4. Na 10, ela passou para 2s2. Na 15, atingiu 4 segundos. Porém, com o desgaste dos pneus supermacios de Sainz, Alonso começou a reduzir a vantagem do pupilo. Não só isso: conseguiu abrir em relação a Pérez. Na volta 20, a diferença entre o madrileno e o asturiano estava em 2 segundos, enquanto a vantagem sobre o mexicano alcançava 3 segundos. O fato era: o MCL32 da McLaren estava mais equilibrado que os carros da Toro Rosso e da Force India.

Na volta 27, Fernando estava a 1s3 de Carlos, e mantinha 3 segundos sobre Sergio. A partir daí, o foco do bicampeão passou a ser superar o novato espanhol na base da estratégia de boxes. Andar junto de Sainz se tornou o alvo de Alonso. Quando a Toro Rosso chamou seu piloto para os boxes, na volta 35, a McLaren fez o mesmo. Na troca, os dois times sacaram os compostos supermacios e colocaram os macios. Com isso, tanto Fernando, quanto Carlos, não fariam mais pit stops. Alonso bem que tentou superar Sainz na saída dos boxes, mas não foi possível. Fim de história? Longe disso: o asturiano queria definir o quanto antes o desfecho do duelo. Se deixasse o madrileno aquecer seus pneus, a disputa estaria perdida. Assim, Fernando partiu para o combate.

Destemido como um samurai, Alonso queria ultrapassar Sainz ainda na volta 36. Porém, cortou a chicane, sendo obrigado a voltar atrás do pupilo. Na última curva antes da entrada da reta dos boxes, Fernando colou em Carlos. Depois, abriu a asa traseira e partiu decidido a superar o piloto da Toro Rosso. O bicampeão passou o compatriota na freada da curva 1. Todavia, tomou o ‘x’ de Sainz. Apesar disso, Alonso saiu lançado em direção à curva 2. Carlos ficou pelo lado de dentro da curva. Fernando não titubeou e, por fora, mostrou porque é tido como um dos mais talentosos pilotos da Fórmula 1: o asturiano da McLaren não só ultrapassou Sainz, tomando-lhe o nono lugar provisório, como seguiu adiante seu caminho.

Com as paradas de Stoffel Vandoorne (McLaren) e de Jolyon Palmer (Renault), na volta 43, Alonso assumiu a sétima posição. Três voltas depois, foi a vez de Nico Hulkenberg (Renault) realizar seu único pit stop. Assim, Fernando tomou a sexta colocação. Alcançar Verstappen, o quinto colocado, era missão impossível – na volta 50, o holandês tinha mais de 46 segundos de vantagem sobre o espanhol da McLaren. Assim, o objetivo do bicampeão passou a ser consolidar seu top 6. Na volta 55, Alonso tinha 5 segundos de vantagem sobre Sainz, e 7 segundos sobre Pérez. Dessa forma, Carlos estava mais preocupado em manter a sétima posição do que atacá-lo pelo sexto lugar.

Depois de ultrapassar Sainz por fora, Alonso consolidou-se na sexta posição

Depois de ultrapassar Sainz por fora, Alonso consolidou-se na sexta posição

Não bastasse a preocupação com o mexicano da Force India, Sainz viu Alonso pisar fundo no acelerador. Com os pneus macios e com o tanque de combustível vazio, o MCL32 se sentiu à vontade em Hungaroring. Na volta 61, Fernando colocou 8 segundos sobre Carlos. Incrivelmente, o bicampeão andava quase que no ritmo de Ferrari, Mercedes e Red Bull. Na volta 69, Alonso fez o que parecia inimaginável: com um McLaren-Honda, anotou a volta mais rápida do GP da Hungria, com 1m20s182. Foi a 59ª ‘fastest lap’ da história da fabricante japonesa – a primeira desde o GP da Itália de 2016, em Monza, quando o próprio bicampeão alcançou essa proeza. Foi, ainda, a 23ª da carreira do espanhol.

No fim, a McLaren celebrou seu melhor desempenho de 2017 – além do sexto lugar de Alonso, Vandoorne obteve seu primeiro ponto na temporada após terminar em 10º. Foi o segundo ponto do belga na F1 – o primeiro foi conquistado no GP do Bahrein de 2016, em Sakhir. A vitória (suada) no GP da Hungria foi de Sebastian Vettel (Ferrari). O 46º triunfo do alemão só foi possível graças ao escudeiro Kimi Raikkonen (Ferrari), que barrou as investidas da Mercedes sobre o vencedor. Valtteri Bottas completou o pódio, uma vez que Lewis Hamilton cedeu a terceira colocação em um acordo de cavalheiros – o finlandês abriu para o britânico tentar atacar Raikkonen. Como foi malsucedido na tentativa, Hamilton devolveu a posição para Bottas. Com isso, Seb abriu 14 pontos de vantagem sobre Lewis no Mundial de Pilotos.

Enquanto Vettel celebrava a vitória, Alonso demonstrava bom humor com as férias

Enquanto Vettel celebrava a vitória, Alonso demonstrava bom humor com as férias

Fora da disputa pelo título, restou a Alonso observar a evolução da McLaren em Hungaroring. “Nós provavelmente estávamos olhando a sétima ou oitava posição hoje (domingo), mas com Ricciardo fora da corrida, o sexto lugar tornou-se possível, e nós o agarramos. Ainda assim, trabalhamos para esse resultado durante todo o fim de semana – sem erros, boas sessões de treinos, classificação forte, e depois uma corrida perfeitamente executada. Há três ou quatro fins de semana em uma temporada em que podemos ser competitivos, então precisamos maximizar isso e aproveitar totalmente o potencial – e é exatamente o que fizemos neste fim de semana. Corridas como Spa e Monza vão ser mais difíceis para nós, então vamos aproveitar esse resultado e pensar nas difíceis quando elas vierem”, observou o bicampeão, o único piloto de fora do trio das grandes (Ferrari, Mercedes e Red Bull) a não levar volta na Hungria.

Sobre o duelo com Sainz, Fernando admitiu que foi o ponto alto de sua corrida. “A batalha com Carlos foi muito apertada. Estávamos juntos na largada, na relargada após o carro de segurança, entramos nos boxes juntos, saímos juntos e eu sabia que tinha duas voltas onde poderia realmente forçar e estressar os novos pneus um pouco. Eu tentei fazer isso com algumas manobras de ‘kamikaze’ às vezes porque, depois das duas primeiras voltas, eu sabia que seria impossível. Funcionou bem. Além disso, a volta mais rápida no final da corrida foi uma surpresa, mas nós vamos levar! Definitivamente foi uma boa corrida, então vamos entrar nas férias de verão com sorriso no rosto”, celebrou.

Alonso foi o único piloto fora das três grandes (Ferrari, Mercedes e RBR) a não tomar volta em Hungaroring

Alonso foi o único fora das três grandes (Ferrari, Mercedes e RBR) a não tomar volta na Hungria

O chefe da McLaren, Eric Bouiller, sintetizou em uma frase a forma de Fernando em Hungaroring. “Ele (Alonso) mostrou exatamente o que o torna tão especial”. De fato, falar de Fernando Alonso é exagerar nos elogios. Sem dúvida, trata-se de um dos mais completos pilotos da Fórmula 1 no século 21. Porém, se for analisar seus últimos resultados, todos os adjetivos parecerão paradoxais. Independentemente disso, o GP da Hungria mostrou que o espanhol nunca desaprendeu a andar num Fórmula 1. E que, tal qual um samurai maduro, ele aguarda a chance de voltar ao topo da categoria.

Samurai maduro, Alonso aguarda pacientemente o retorno ao topo da F1: será que ele consegue?

Samurai maduro, Alonso aguarda pacientemente o retorno ao topo da F1: será que ele consegue?

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Inglaterra-2017: Ocon derrota Pérez pela primeira vez no ano

Ocon superou Pérez e assegurou o oitavo lugar no GP da Inglaterra, em Silverstone

Ocon (#31) superou Pérez (#11) e assegurou o oitavo lugar no GP da Inglaterra, em Silverstone

Não foi a melhor apresentação da Force India em 2017. Entretanto, o resultado da escuderia de Vijay Mallya no GP da Inglaterra, disputado no último domingo, em Silverstone, revelou um importante sinal: Esteban Ocon não se abateu com as críticas recentes e seguiu forte dentro do time indiano. No tradicional circuito britânico, o piloto de 20 anos derrotou o experimentado Sergio Pérez pela primeira vez no ano. O francês terminou em oitavo, enquanto o mexicano foi o nono. Para derrotar Pérez, Ocon aproveitou-se da péssima largada do latino. Saindo em sétimo, Esteban saltou para sexto, enquanto Checo, sexto no grid, caiu para oitavo. À frente, o jovem piloto não deu chances para qualquer aproximação do companheiro de Force India. Mesmo com Pérez em seus calcanhares durante boa parte da corrida, Ocon manteve o companheiro sob controle e acabou sendo premiado com quatro pontos.

Foi um desempenho que certamente deixou o francês confiante para o restante da temporada. Com o oitavo lugar em Silverstone, ele passou a ter 43 pontos no Mundial, seguindo em oitavo na tabela. Esteban ficou a nove de Checo, sétimo na classificação, com 52. Com os seis pontos conquistados na prova britânica, a Force India aumentou para 54 a vantagem sobre a Williams, sua principal adversária na disputa pelo quarto lugar do Mundial de Construtores (95 a 41 para os indianos). Apesar dos números serem positivos, o clima ficou pesado entre Esteban e Sergio após as polêmicas nas últimas etapas. No GP do Canadá, em Montreal, o francês pediu autorização à escuderia para que o mexicano cedesse sua posição. O pedido foi negado pela Force India. Após a prova canadense, a dupla acabou “misturando tinta” no GP do Azerbaijão, em Baku. O gaulês e o asteca se tocaram e arruinaram com a possibilidade de pódio para a escuderia.

Esteban desafiou a primazia de Pérez na Force India em Montreal e Baku: duelo acirrado

Esteban desafiou a primazia de Pérez na Force India em Montreal e Baku: duelo acirrado

Depois da corrida de Baku, Ocon foi criticado por Pérez e ganhou um puxão de orelhas da equipe. Não só isso: antes do GP da Inglaterra, Esteban revelou que precisou bloquear fãs de Checo no Twitter. “Bloqueei-os porque insultaram meus pais, e isso não é saudável. É apenas um esporte. Nós lutamos muito, mas não somos assassinos. Então, as pessoas precisam se acalmar”, disse. Mesmo com a sequência de embates, em Silverstone, não houve incidentes. Independentemente da rivalidade aflorada, o francês e o mexicano trataram de acelerar fundo no célebre circuito – afinal, o foco sempre foi a Force India. Na sexta, dia dos dois primeiros treinos livres em solo inglês, Ocon bateu Pérez. Esteban fez o 10º tempo do dia, com 1m30s383, a 1s887 de Valtteri Bottas (Mercedes), o mais veloz com 1m28s496. O francês foi 0s241 mais rápido do que Sergio, 13º com 1m30s624.

“Esta foi uma sexta-feira sólida. Nosso ritmo foi promissor desde o início do treino e continuamos melhorando sempre que saímos. Nós não cometemos nenhum erro e no geral senti o carro muito bom. Esta não é uma pista fácil para dirigir – é rápida e exigente, mas também muito divertida. Temos trabalho à nossa frente e precisamos esperar até amanhã (sábado) para ver onde estamos, mas acho que temos uma base sólida. Algo que realmente me surpreendeu nesta pista é o desempenho dos carros: eles são tão rápidos e as velocidades das curvas são impressionantes. Você realmente sente isso no pescoço nas curvas rápidas – eu acho que vou precisar de uma boa massagem…”, brincou Ocon.

Após encarar a chuva no Q1, Ocon conseguiu avançar para o Q3. Contudo, foi superado por Pérez

Após encarar a chuva no Q1, Ocon conseguiu avançar para o Q3. Contudo, foi superado por Pérez

No sábado, o objetivo da Force India era colocar seus dois pilotos na última fase da qualificação em Silverstone. Os treinos começaram com chuva, mas, no fim do Q1, a pista começou a secar. Apesar desse cenário traiçoeiro, tanto Esteban quanto Checo avançaram para o Q3. Na fase decisiva, porém, Ocon acabou sendo superado por Pérez. Ele anotou o oitavo tempo, com 1m29s074. Já o mexicano foi 0s172 mais veloz. Com 1m28s902, Sergio assegurou o sétimo tempo. A pole position do GP da Inglaterra ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m26s600 – 2s474 mais veloz do que o francês da Force India. Como Valtteri Bottas (Mercedes), quarto mais veloz, foi punido com a perda de cinco posições no grid por trocar a caixa de câmbio de seu W08, Ocon alinharia em sétimo no grid do GP da Inglaterra.

“Foi uma sessão de classificação realmente difícil, então estou feliz em terminar em oitavo lugar no Q3. Nós decidimos fazer uma parada muito tardia no Q1 para colocar slicks. Foi um risco calculado e nós apenas tomamos a decisão na curva final. Eu tive uma volta para fazer o tempo e eu fui bloqueado por (Marcus) Ericsson, mas ainda consegui melhorar meu tempo. No Q2, tive meus freios em chamas e durante a segunda tentativa perdi todos os contatos de rádio com a equipe. Eu estava lá, dirigindo sozinho, e eu tinha que procurar a placa como nos velhos tempos. Estarei em sétimo no grid amanhã (domingo), o que não é um lugar ruim para começar, especialmente considerando tudo o que aconteceu durante esta sessão. As condições podem ser muito imprevisíveis, como hoje (sábado), e se a chuva vier, qualquer coisa pode acontecer. Nós fomos fortes e estou confiante de que podemos ser fortes também amanhã (domingo)”, analisou Esteban.

Largada do GP da Inglaterra de 2017, em Silverstone: Ocon saltou de sétimo para quinto

Largada do GP da Inglaterra de 2017, em Silverstone: Ocon saltou de sétimo para quinto

A corrida

Nuvens pairavam sobre Silverstone no domingo, 16 de julho de 2017. A meteorologia apontava que poderia chover durante o GP da Inglaterra. Porém, a precipitação só veio após a cerimônia de pódio. Sob alta nebulosidade, os pilotos partiram para a largada da etapa britânica. Calçando pneus supermacios, Ocon partiu com tudo, não tomando conhecimento de Pérez e Nico Hulkenberg (Renault). Após as primeiras curvas, Esteban estava em quinto. Contudo, não conseguiu segurar Hulk, caindo para sexto ainda na volta 1. Ao passar pela Becketts, um esbarrão entre os companheiros de Toro Rosso, Daniil Kvyat e Carlos Sainz Jr., fez com que o safety car fosse acionado. O espanhol abandonou a prova, enquanto o russo caiu para o final do pelotão.

A bandeira amarela deixou de vigorar na volta 5. Na relargada, Valtteri Bottas (Mercedes), em prova de recuperação, partiu com tudo para cima do francês da Force India. Ocon não esboçou reação, e foi ultrapassado pelo finlandês. Dessa forma, Esteban caiu para sétimo. Aos poucos, o gaulês perdia contato para Bottas. Na volta 7, Valtteri superou Hulkenberg, assumindo o quinto lugar. Na volta 10, a vantagem de Nico, sexto colocado, sobre Ocon, o sétimo, era de 4 segundos. Na 15, passou a ser de 6 segundos. Em contrapartida, era seguido de perto por Pérez – a diferença nunca superou 1 segundo. Assim, o objetivo de Esteban em Silverstone era derrotar Sergio. Como o mexicano não conseguia aproximação para superar o francês, a disputa seria definida nos boxes.

Por toda a corrida, Ocon foi perseguido por Pérez: desta vez, sem incidentes

Por toda a corrida, Ocon foi perseguido por Pérez: desta vez, sem incidentes

Na volta 20, Ocon foi para seu primeiro e único pit stop. Na troca, a Force India sacou os pneus supermacios e os substituiu por macios. No retorno à pista, se viu em 15º. A partir daí, Esteban tratou de pisar fundo, a fim de não permitir que Checo o superasse. Na passagem seguinte, superou Marcus Ericsson (Sauber) para assumir o 14º lugar. Na 23, com o pit stop de Lance Stroll (Williams), foi alçado para o 13º lugar. Naquele instante, Pérez ingressou nos boxes na volta 23. Apesar dos esforços do mexicano, ele seguiu atrás de Ocon. Com isso, pela primeira vez em 2017, o francês teria a real possibilidade de bater o companheiro de equipe. Após a parada de Romain Grosjean (Haas), na volta 24, Esteban subiu para 11º. Depois do pit stop de Felipe Massa (Williams), na 26, o jovem de 20 anos recuperou um lugar no top 10.

Na volta 27, foi a vez de Stoffel Vandoorne (McLaren) ir para os boxes. Assim, Ocon assumia o nono lugar. Na volta 33, Daniel Ricciardo (Red Bull), que fazia tremenda prova de recuperação, realizou seu pit stop. Com a parada do australiano, Esteban ascendeu para o oitavo lugar. Todavia, Ricciardo havia saído atrás dele e de Pérez. Logo na volta 34, Daniel ultrapassou a dupla da Force India. Assim, o francês era nono, e o mexicano, 10º. Com o pit stop de Kevin Magnussen (Haas), na volta 38, Ocon voltou para o oitavo lugar. Naquele instante, o ritmo do francês havia caído bastante. Era o sinal de que o desgaste de pneus dava o ar da sua graça. Além disso, era a consequência de antecipar a parada.

Mesmo pressionado, Esteban resistiu bem aos ataques de Checo: oitavo lugar assegurado

Mesmo pressionado, Esteban resistiu bem aos ataques de Checo: oitavo lugar assegurado

Esteban passou a liderar um pelotão com Pérez e Massa. Apesar dos esforços dos experientes pilotos, foi o jovem que levou a melhor. A vitória (irrepreensível) no GP da Inglaterra ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), seguido por Bottas e Kimi Raikkonen (Ferrari). O quinto triunfo do britânico em casa fez com que a vantagem de Sebastian Vettel (Ferrari), sétimo em Silverstone por um problema no pneu, despencasse de 20 para somente um ponto. Alheio à disputa pelo título mundial, Ocon estava satisfeito com o resultado. E o melhor: pela primeira vez, havia derrotado o veloz Pérez.

“Tive uma largada brilhante. Senti como se tivesse tração nas quatro rodas e subi algumas posições, mas perdi para (Nico) Hulkenberg no final da primeira volta. Depois disso, tive uma boa batalha com o meu companheiro de equipe durante a maior parte da tarde e a equipe nos deixou correr – assim como no Canadá. Sergio foi rápido e me pressionou, mas consegui me manter à frente. É muito gratificante ver a equipe marcando pontos novamente com ambos os carros. A consistência é a nossa força este ano. Em todas as pistas, estamos com boa velocidade e pontuando. Precisamos manter isso na segunda metade do ano”, analisou Ocon.

Com o oitavo lugar de Silverstone, Ocon se manteve no top 8 do Mundial de Pilotos, com 43 pontos

Com o oitavo lugar de Silverstone, Ocon se manteve no top 8 do Mundial de Pilotos, com 43 pontos

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Áustria-2017: Grosjean bate Force India e Williams e é sexto

Grosjean batalha contra Ricciardo, Raikkonen, Hamilton e Force India: avanço da Haas rendeu 6º lugar em Spielberg

Grosjean batalha contra Ricciardo, Raikkonen, Hamilton e Force India: avanço da Haas rendeu top 6

Romain Grosjean viveu um fim de semana de sonho em Spielberg, palco do GP da Áustria de 2017. Em grande forma, o francês viu o modelo VF-17 da Haas se adaptar perfeitamente ao veloz circuito austríaco. O conjunto se mostrou promissor no sábado, quando Grosjean alcançou o sexto lugar no grid, igualando a melhor posição de largada da história da escuderia norte-americana, obtida no GP da Austrália de 2017, em Melbourne, com o próprio Romain. No domingo, após uma excelente partida, o francês chegou a lutar pelo terceiro lugar com Daniel Ricciardo (Red Bull). Contudo, não superou o australiano. Depois, foi ultrapassado por dois pilotos com melhores equipamentos – Kimi Raikkonen (Ferrari) e Lewis Hamilton (Mercedes) -, caindo para sexto. Mas não havia motivo para lamentação. Com extrema competência, Grosjean conquistou a sexta posição em Spielberg, ficando atrás somente dos pilotos das três principais escuderias da F1: Mercedes, Ferrari e Red Bull.

Foi o terceiro top 6 da história da Haas na categoria máxima do automobilismo – os outros foram o quinto lugar no GP do Bahrein de 2016, em Sakhir, e o sexto no GP da Austrália de 2016, em Melbourne. O que os três resultados do time tiveram em comum? Romain no cockpit. Além do excelente desfecho em Spielberg, a Haas celebrou a importância dos oito pontos de Grosjean. Com eles, o time ianque já igualou o número de pontos somados em 2016: 29. Porém, diferentemente do ano anterior, em que Romain obteve todos os pontos, em 2017 o francês amealhou 18, e enquanto seu companheiro, o dinamarquês Kevin Magnussen, somou 11. Se em 2016, a Haas levou 21 provas para chegar aos 29 pontos, em 2017 precisou de apenas nove. Trata-se de um avanço não só para a equipe, como também prova que a decisão de dispensar Esteban Gutiérrez ao fim do ano anterior e de contratar Magnussen para esta temporada foi acertada.

Em Spielberg, Grosjean obteve o primeiro top 6 da Haas no ano, e o terceiro da história da escuderia

Em Spielberg, Grosjean obteve o primeiro top 6 da Haas no ano, e o terceiro da história da escuderia

O sétimo lugar de Kevin na etapa anterior – o GP do Azerbaijão, em Baku – impulsionou a Haas para a corrida austríaca. Grosjean e Magnussen tinham boa expectativa para a pista, que conta com longas retas e curvas velozes. Assim que a dupla ingressou no circuito, no primeiro dia de testes, na sexta-feira, a adaptação foi imediata. Tanto o francês quanto o dinamarquês mostraram excelente forma em Spielberg. Romain saiu com o 10º tempo do dia, com 1m06s763. Ele ficou 0s172 atrás de Kevin, sétimo com 1m06s591, e a 1s280 de Lewis Hamilton (Mercedes), melhor da sexta com 1m05s483. Após os dois treinos livres, Grosjean ficou com a sensação de que coisas boas estavam por vir naquele fim de semana. “Esta sexta foi um bom dia. Tivemos um furo de pneu esta manhã, mas uma tarde produtiva. Reparamos em algumas coisas no carro, então há algum trabalho a ser feito nessa noite. No geral, porém, é um bom sentimento”.

A boa impressão da sexta transformou-se em um estrondoso resultado no sábado. O francês foi o sétimo mais veloz do Q3 de Spielberg, com 1m05s480 – a 1s229 de Valtteri Bottas (Mercedes), pole do GP da Áustria com 1m04s251. Grosjean foi superado somente pelos pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Entretanto, como Lewis Hamilton (Mercedes) havia sido punido com a perda de cinco posições no grid por trocar a caixa de câmbio de seu carro, Romain acabou ficando com o sexto lugar. “Nós fomos rápidos todo fim de semana, Kevin e eu. Nós dois ficamos muito felizes com o carro. Tivemos uma boa aderência no carro”, observou o francês, que emendou. “É uma longa corrida amanhã (domingo). Vai ser difícil para os freios, para o motor e para nós fisicamente. É a segunda vez este ano, depois de Melbourne, que eu sinto que os pneus estão funcionando bem e realmente posso me divertir e forçar o carro até o limite”.

Largada do GP da Áustria de 2017: Grosjean saltou bem, se livrou do acidente da curva 1

Largada do GP da Áustria de 2017: Grosjean pulou para quinto e se livrou do acidente da curva 1

A corrida

Domingo, 9 de julho de 2017. O tempo instável predominava em Spielberg, palco do GP da Áustria. A meteorologia informava que era alta a possibilidade de chuva durante a prova. Caso isso ocorresse, a etapa austríaca se tornaria uma verdadeira loteria. Porém, no instante previsto para a largada, o clima estava firme. Com o piso seco, 20 carros partiram para o início da corrida. Saindo em sexto, Grosjean, calçando pneus ultramacios, acelerou forte na subida até a curva 1. Como Max Verstappen (Red Bull) saiu mal, logo o francês assumiu o quinto lugar. Por ter largado bem, Romain escapou do incidente na curva 1: Daniil Kvyat (Toro Rosso) acertou Fernando Alonso (McLaren). Por sua vez, o espanhol abalroou Verstappen. No fim, Fernando e Max abandonaram logo de cara. Apesar do múltiplo toque, não houve intervenção do safety car.

Em quinto, Grosjean acompanhava de perto a disputa entre Daniel Ricciardo (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Ferrari) pelo terceiro lugar. Na freada da curva 3, o australiano espalhou seu carro para cima do finlandês, que foi obrigado a sair da pista. Assim, Romain assumiu o quarto lugar. Como Ricciardo tracionou mal na saída da curva, o francês tentou superar o adversário na curva 4. Todavia, Daniel se manteve no lado de dentro, e impediu que o piloto da Haas ascendesse ainda mais na corrida. Dessa forma, Grosjean completou a volta 1 numa ótima quarta colocação, atrás somente de Ricciardo, Sebastian Vettel (Ferrari) e Valtteri Bottas (Mercedes).

Romain bem que tentou, mas não conseguiu parar Raikkonen: sexto lugar de bom tamanho

Ainda na volta 1, Romain observa Raikkonen e Ricciardo: Kimi saiu da pista, e francês subiu para 4º

Na volta 3, Romain até tentou, mas foi incapaz de segurar o poderio da Ferrari de Raikkonen. Com isso, o francês caiu para o quinto lugar. A partir da volta 6, Grosjean passou a sofrer com a aproximação de Lewis Hamilton (Mercedes). O britânico largou em oitavo, e fazia prova de recuperação. Na volta 8, Hamilton ultrapassou o piloto da Haas, caindo para sexto. A partir daí, o francês não tinha muito a fazer. Era impossível acompanhar Lewis. Com isso, as atenções se voltaram para a disputa com Sergio Pérez (Force India), sétimo em Spielberg. Na volta 10, Grosjean tinha 2s de vantagem sobre o mexicano. Na 20, a diferença pouco se alterou – 1s8 sobre Checo. Dez voltas depois, Romain e Sergio continuaram separados por 2s. Tal desempenho revelava que, em Spielberg, o francês estava no mesmo nível que os pilotos de Force India e Williams.

Porém, era chegada a janela da troca de pneus. Como calçou ultramacios, a tendência era que Grosjean trocasse por compostos supermacios. Na volta 37, a Haas chamou o francês para os boxes. Romain colocou os supermacios e voltou à pista em oitavo, à frente de Pérez – que havia feito seu pit stop na volta 35.  Com a parada de Esteban Ocon (Force India) na volta 43, o francês recuperou o sétimo lugar. Apenas na volta 48, com o pit stop de Felipe Massa (Williams), Grosjean retornou para o top 6. Naquele instante, Romain estava a 30s6 de Raikkonen, o quinto, e tinha 4s7 sobre Pérez, o sétimo. A partir daí, foi administrar a vantagem e conservar os pneus para assegurar a melhor posição da Haas na temporada de 2017 até o momento.

Na volta 37, Grosjean sacou os pneus ultramacios e colocou os macios: sexto lugar assegurado

Na volta 37, Grosjean sacou os pneus ultramacios e colocou os macios: sexto lugar assegurado

A vitória no GP da Áustria ficou com Bottas (a segunda da carreira do finlandês), seguido por Vettel e Ricciardo. Hamilton foi o quarto, Raikkonen, o quinto, e Grosjean, o sexto. Após a prova, Romain festejou o fato de ter sido o único piloto fora do grupo das três grandes (Mercedes, Ferrari e Red Bull) a não tomar volta do vencedor, e de ter ficado à frente de Force India e Williams, duas escuderias mais bem classificadas no Mundial de Construtores do que a Haas.

“Foi uma corrida muito forte. Eu tive uma primeira volta muito boa e estava curtindo um pouco. Lewis (Hamilton) e Kimi (Raikkonen) passaram, mas eu me concentrei em manter Sergio (Pérez) para trás. Nós aceleramos o tempo todo. É assim que gostamos de correr. Foi uma ótima corrida e um ótimo trabalho de todos os membros da equipe. Fiquei feliz com o carro todo o fim de semana. Há algumas coisas que precisamos melhorar, mas hoje (domingo) somos o melhor do resto. Nós mostramos que, quando conseguimos que tudo funcione no carro, somos fortes. Estou ansioso para a próxima corrida. Silverstone vai ser divertido”, analisou o francês.

Com 9 GPs disputados em 2017, Haas já igualou a pontuação do ano de 2016: evolução

Com 9 GPs disputados em 2017, Haas já igualou a pontuação do ano de 2016: evolução perceptível

Publicado em Áustria, Daniil Kvyat, Esteban Ocon, Force India, Kevin Magnussen, Romain Grosjean, Sergio Pérez, Spielberg, Toro Rosso | 4 Comentários

Azerbaijão-2017: Stroll, o patinho feio da F1, vira cisne em Baku

Vencedor do GP do Azerbaijão, Daniel Ricciardo (Red Bull) 'batiza' Stroll com o 'shoey': primeiro pódio do canadense na F1

Vencedor em Baku, Daniel Ricciardo (à esq.) ‘batiza’ Stroll com o ‘shoey’: 1º pódio do canadense na F1

Ele ingressou na Fórmula 1 sob olhares desconfiados. Também pudera: seu pai, um bilionário, adquiriu sem cerimônias um cockpit para que iniciasse sua carreira na categoria máxima do automobilismo. Nos primeiros testes da pré-temporada de 2017, em Montmeló (Espanha), muitos acidentes geraram dúvidas quanto a sua capacidade. Ao iniciar o campeonato, a maré negativa continuou. Lance Stroll era achincalhado pela mídia especializada. Afinal, começou sua trajetória na F1 numa equipe tradicional, a Williams, mas ficava muito aquém dos resultados e das marcas do seu companheiro de equipe, o experiente Felipe Massa. Com apenas 18 anos, Stroll estava sob pressão do ‘circo’. Apenas no GP do Canadá, em Montreal, sétima etapa do Mundial, conquistou seus primeiros pontos – terminou em nono.

Os dois pontos obtidos em casa tiraram um enorme peso das costas de Lance. O primeiro top 10 da carreira deu a paz necessária para o canadense ter prazer em guiar. Com o espírito livre, Stroll foi outro em Baku, palco do GP do Azerbaijão de 2017. Com velocidade e constância, o garoto superou Massa durante todo o fim de semana de treinos. No domingo, esteve sempre no lugar certo, na hora certa. Lance escapou de todos os incidentes e, num piscar de olhos, se viu entre os primeiros na etapa azeri. Com regularidade, seguiu o ritmo de Daniel Ricciardo (Red Bull), o vencedor em Baku, e só não terminou em segundo pois Valtteri Bottas (Mercedes) surpreendeu-o em plena reta de chegada. Mas isso não importou: Stroll, o patinho feio da F1, virou cisne ao alcançar um inesperado pódio.

Em sua meteórica trajetória, Stroll sempre contou com o auxílio de seu pai, o bilionário Lawrence Stroll

Em sua trajetória, Stroll sempre contou com o auxílio de seu pai, o bilionário Lawrence Stroll

O terceiro lugar no Azerbaijão representou o primeiro top 3 do jovem piloto na F1. Foi ainda o primeiro pódio de um canadense desde Jacques Villeneuve, terceiro, com BAR, no GP da Alemanha de 2001, em Hockenheim. Além disso, foi a primeira vez, desde o GP do Canadá de 2016, em Montreal, que um piloto da Williams figurou na cerimônia de celebração – o último havia sido Bottas, terceiro naquela ocasião. Com 18 anos, 7 meses e 27 dias, Lance ficou a 12 dias de bater o recorde de precocidade num pódio na categoria – a marca pertence a Max Verstappen, que, com 18 anos, 7 meses e 15 dias, venceu o GP da Espanha de 2016, em Montmeló. Ainda que não tenha tirado o recorde de Verstappen, Stroll deixou Baku com uma marca especial: a do silêncio de seus críticos.

Nascido em 29 de outubro de 1998, em Montreal, Lance trilhou uma trajetória de sucesso nas categorias de base do automobilismo. Mas, para isso, sempre teve apoio de Lawrence Stroll, um magnata do ramo da indústria de roupas, apontado, em 2016, como o 722º homem mais rico do mundo. Lawrence sempre foi um apaixonado por carros, e passou essa paixão para o filho. Em 2010, Lance estreou no kart. No ano seguinte, ingressou na Academia de Desenvolvimento da Ferrari. Em 2014, migrou para os monopostos. Para tal desafio, Lawrence comprou a equipe Prema, um dos mais bem-sucedidos grupos do esporte a motor nas categorias de base. O objetivo era um só: desenvolver a carreira de Lance. Em 2014, o canadense estreou na Fórmula 4 Italiana. Logo em sua primeira temporada, assegurou o título, com 7 vitórias em 18 corridas.

Piloto de testes da Williams desde 2015, Stroll virou titular em 2017

Testador da Williams desde 2015, Stroll virou titular em 2017: acidentes perseguiram o canadense

Após o sucesso na F4 Italiana, Stroll disputou a Toyota Racing Series na Nova Zelândia em 2015. No torneio neozelandês, o canadense faturou mais um título. Depois, seu foco se tornou a Fórmula 3 Europeia. Ainda na Prema, alcançou o quinto lugar na temporada. No fim de 2015, deixou a Academia da Ferrari para se tornar piloto de testes da Williams. A partir de então, a Fórmula 1 passou a estar presente na carreira de Lance. Porém, ainda era necessário fazer mais. Em 2016, Stroll venceu 11 das 30 etapas da temporada e conquistou o título da F3 Europeia. Com um bom cartel e o dinheiro do pai, o canadense passou a ser visto com bons olhos pelo filho. A Williams fez valer o fato de Lance ser seu testador e lhe deu um cockpit para 2017. Ele se tornaria o primeiro canadense a correr na F1 desde a aposentadoria de Jacques Villeneuve, em 2006.

O anúncio foi feito em novembro de 2016. Stroll seria o substituto de Felipe Massa. Todavia, com a surpreendente aposentadoria do campeão Nico Rosberg, e com a transferência de Valtteri Bottas para a Mercedes, o brasileiro se tornaria companheiro do canadense no time de Frank Williams. Massa seguiu na escuderia de Grove para ser o mentor de Lance. Parecia um cenário perfeito para a estreia de um adolescente, certo? Ledo engano. Após diversos erros nos testes em Montmeló, a equipe britânica passou a ser criticada. Nas primeiras provas, as falhas persistiram. Havia quem fizesse aposta sobre em qual volta o canadense abandonaria, ou até quando Stroll permaneceria na Williams.

Em Baku, Stroll sempre andou à frente de Felipe Massa, seu mentor e parceiro na Williams

Em Baku, Stroll sempre andou à frente de Felipe Massa, seu mentor e parceiro na Williams

Nas seis primeiras etapas do Mundial, o garoto abandonou quatro. Seu melhor resultado no período foi um tímido 11º lugar no GP da Rússia, em Sochi. O nono lugar obtido em Montreal aliviou Lance, que chegou otimista a Baku, palco do GP do Azerbaijão de 2017. No circuito urbano, ele teria a chance de mostrar que os dois pontos conquistados no Canadá não tinham sido por acaso. Em seu primeiro contato com a pista da capital azeri, na sexta-feira, Stroll acelerou forte e surpreendeu a todos. Num traçado traiçoeiro, onde qualquer deslize pode significar muro, o jovem de 18 anos conquistou o sexto lugar do dia, à frente, inclusive de Felipe Massa – com 1m44s113, Lance foi 0s496 mais rápido do que Felipe, 11º dos treinos livres com 1m44s609. Stroll ficou a 0s751 de Max Verstappen (Red Bull), o melhor do dia com 1m43s362.

“Foi bem divertido, consegui aproveitar a pista. O carro estava funcionando bem e não tivemos problemas, o que foi ótimo. Eu senti que o equilíbrio era bom e agora só precisamos pensar durante a noite, melhorar o ajuste fino, voltar amanhã (sábado) e continuar forçando. O que foi realmente positivo foi o fato de não termos tido nenhum problema – nada nos impediu de fazer nossos programas. O que era realmente importante para mim neste tipo de pista era ter confiança em cada volta e em todas as saídas. Hoje (sexta) fizemos exatamente isso e não perdemos nenhuma volta com problemas ou coisas erradas. As coisas podem ser melhores, pois este ainda é o primeiro dia da minha primeira vez aqui. Mas podemos melhorar para a qualificação. Porém, no geral, foi um dia muito positivo em vários aspectos”, analisou o canadense.

Pela segunda vez na carreira, Stroll avançou para o Q3: bom oitavo lugar no grid azeri

Pela segunda vez na carreira, Stroll avançou para o Q3: bom oitavo lugar no grid azeri

O bom momento de Stroll prosseguiu no sábado. Durante todo o qualifying, o canadense andou à frente de Massa. Prova de que estava à vontade em Baku. Pela segunda vez no ano, Lance avançou para o Q3, fase decisiva do quali – a primeira foi no GP da China, em Xangai, quando largou em 10º. Como Daniel Ricciardo (Red Bull) havia se acidentado no início da sessão, Stroll já conquistaria o melhor grid em seu curto período de carreira na F1. Porém, ele fez mais: novamente, derrotou Massa, anotando um excelente oitavo lugar, com 1m42s753. A marca de Lance foi apenas 0s045 mais veloz que a de Massa, nono com 1m42s798. A pole em Baku ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), a 66ª do britânico na categoria. A marca de Hamilton (um assombroso 1m40s593) foi 2s160 mais rápida que a de Stroll. Ainda que distante de Lewis, o piloto de 18 anos celebrou a boa performance no qualifying.

“Foi um bom dia, dentro de um bom fim de semana até agora. Estou confortável e confiante no carro. Eu gosto do circuito e hoje (sábado) tudo ocorreu conforme o planejado. Perdi um pouco no Q3, e acho que havia um pouco mais possível lá, já que ficamos quatro décimos em comparação com a minha volta no Q2. No Q3, uma vez que as temperaturas da pista caíram, foi difícil aquecer os pneus em uma volta e, também, por causa da bandeira vermelha (provocada pelo carro de Ricciardo), nós só tínhamos tempo de fazer uma volta rápida. Às vezes, por aqui, é melhor quando você faz uma volta, depois outra volta e depois outra volta. Mas ainda é um ótimo resultado e estou feliz pela equipe”, disse Lance.

Largada do GP do Azerbaijão de 2017: cauteloso, Stroll escapou ileso de incidentes

Largada do GP do Azerbaijão de 2017: cauteloso, Stroll escapou ileso de incidentes

A corrida

Meia medieval, meia futurista, a cidade de Baku se apresentou exuberante para receber no domingo, 25 de junho de 2017, o primeiro GP do Azerbaijão da história – vale uma ressalva: em 2016, a etapa disputada na capital azeri foi denominada “GP da Europa”. Stroll calçava pneus supermacios quando alinhou seu FW40 na oitava posição do grid. Tudo o que ele queria era escapar de qualquer tipo de confusão na largada. Qualquer entrevero no circuito urbano seria fatal – os muros dariam fim na esperança de pontuar. No apagar das luzes vermelhas, Lance foi comedido, contornando a primeira curva em oitavo. Na curva seguinte, Valtteri Bottas (Mercedes) e Kimi Raikkonen (Ferrari) se estranharam na disputa pelo segundo lugar. Pior para o finlandês da Mercedes, que caiu para a última posição. O canadense da Williams, por sua vez, acabou se atrapalhando com o incidente, e foi ultrapassado pelo companheiro Felipe Massa (Williams).

Ao fim da volta 1, Stroll continuava em oitavo. Nos primeiros momentos, parecia que sofreria pressão de Daniel Ricciardo (Red Bull). Porém, o australiano logo alterou sua tática, sendo o primeiro a entrar nos boxes, na volta 6. Isso deu tranquilidade para Lance. Porém, o canadense não ameaçava Esteban Ocon (Force India). Na volta 11, Max Verstappen (Red Bull), então quarto colocado, encarou problema no motor de seu bólido e perdeu rendimento. Logo depois, abandonaria a disputa. Com isso, Stroll ascendeu para o sétimo lugar. Na mesma passagem, Daniil Kvyat (Toro Rosso) teve uma pane elétrica e deixou o seu carro parado na pista. Após diversas tentativas equivocadas de retirá-lo, a direção de prova acionou o safety car na volta 12.

Apesar dos detritos e das seguidas intervenções do safety car, Lance se manteve sólido em Baku

Apesar dos detritos e das seguidas intervenções do safety car, Lance mostrou consistência em Baku

Como a corrida estava sob bandeira amarela, os pilotos decidiram fazer o primeiro pit stop naquele instante. Mas Lance tinha um problema: estava em sétimo, duas colocações atrás de Massa, o quinto. Como Felipe vinha em melhor posição, tinha a prioridade da Williams. Assim, Stroll permaneceu na pista, só fazendo a parada na volta 14. Na troca, sacou os pneus supermacios e colocou os macios. No retorno à pista, o canadense conseguiu recuperar o sétimo lugar, para alívio da escuderia de Grove. Com a retirada do carro de Kvyat, a relargada pôde ser dada na volta 16. Porém, ainda havia muitos detritos na pista, por conta dos acidentes ocorridos até aquele momento. Na passagem seguinte, o safety car entrou novamente na pista.

Sob bandeira amarela, os líderes da prova e principais rivais pelo título mundial, Lewis Hamilton (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari), tiveram um inusitado entrevero: ditando o ritmo do pelotão atrás do safety car, o britânico, primeiro colocado, acabou sendo tocado pelo alemão, segundo, na traseira de seu W08. Não satisfeito, Vettel emparelhou com Hamilton e jogou sua Ferrari para cima da Mercedes. Apesar dos pesares, os dois mantiveram suas posições. Contudo, esse embate teria efeito no futuro da corrida. Alheio aos acontecimentos que envolveram Lewis e Sebastian, Stroll estava concentrado em fazer uma boa relargada. Quando a bandeira verde foi agitada, Lance se aproveitou do choque entre os pilotos da Force India – Sergio Pérez e Esteban Ocon reeditaram a disputa do GP do Canadá, em Montreal – e do furo do pneu de Raikkonen para saltar para a quarta posição.

Após a interrupção da prova, Stroll estava em quarto: pódio ficava próximo do canadense

Após a interrupção da prova, Stroll estava em quarto: pódio ficava próximo do canadense

Depois de mais essa confusão, e de perceber que a pista de Baku estava repleta de detritos, a direção de prova decidiu acionar a bandeira vermelha, interrompendo o GP do Azerbaijão. O objetivo foi limpar o traçado com maior eficiência. Nos boxes, Stroll estava num surpreendente quarto lugar, atrás somente de Hamilton, Vettel e Massa. Ali, aproveitou para tirar os pneus macios e colocar outro jogo de compostos supermacios. Como havia a expectativa de punição para Lewis e Sebastian, a possibilidade da dupla da Williams liderar a etapa azeri era grande. Entretanto, o time de Frank Williams sofreu um revés dolorido.

Quando a prova foi retomada, na volta 23, Massa revelou encarar problemas de suspensão em seu FW40. Stroll, por sua vez, não contava com um espetacular avanço de Ricciardo: de uma só vez, o australiano superou Felipe, Lance e Nico Hulkenberg (Renault), subindo para terceiro. O brasileiro despencou na classificação, e logo abandonou. O canadense, por sua vez, seguiu em quarto. Na volta 24, Hulkenberg bateu e foi obrigado a se retirar. Assim, Stroll passou a ser perseguido por Kevin Magnussen (Haas). Mas as surpresas não parariam por aí. Após a retomada da prova, Hamilton notou que o encosto de pescoço do seu carro estava solto. Nas retas, Lewis segurava o acessório com as mãos. Diante dos riscos, a Mercedes chamou o britânico para os boxes, na volta 31. Com a parada de Hamilton, Lance ascendeu para a terceira posição.

Problema de Hamilton e punição a Vettel colocaram Stroll na segunda posição em Baku

Problema de Hamilton e punição a Vettel colocaram Stroll na segunda posição em Baku

No mesmo momento da parada extra de Lewis, a FIA anunciou uma punição a Vettel. Por atitude antiesportiva – ele atirou o carro em cima de Hamilton -, o alemão foi obrigado a pagar um stop and go de 10 segundos. Sebastian se encaminhou aos boxes na volta 34. Com isso, a liderança caiu no colo de Ricciardo. Quatro segundos atrás de Daniel, vinha Stroll. O canadense, por sua vez, trazia uma vantagem segura sobre Magnussen. Já Kevin segurava Ocon e Bottas do jeito que dava. Na volta 37, o francês da Force India ultrapassou o dinamarquês da Haas. Na passagem seguinte, foi a vez do finlandês da Mercedes superar Magnussen. Valtteri estava impossível: depois de cair para o último lugar, o escandinavo ascendeu na classificação após a bandeira vermelha. Na volta 39, Bottas ignorou Ocon e assumiu a terceira posição.

O avanço do finlandês, inicialmente, não preocupava Stroll. O canadense imprimia um bom ritmo. Se não deixava Ricciardo abrir na ponta, havia construído uma boa vantagem sobre Valtteri. Porém, Bottas se aproveitava da força de seu W08. A diferença para Lance começava a cair.  Em 10 voltas, a vantagem do canadense caiu de 14s para 3s. Na 51, a última da corrida, era de apenas 1s2. Extasiado com o iminente pódio, Stroll ignorou a aproximação de Bottas. Lance não aliviou, mas Valtteri estava irresistível. Em plena reta dos boxes, a alguns metros da linha de chegada, o finlandês tirou de lado e emparelhou com o canadense. Por 0s105, Stroll perdeu o segundo lugar. Contudo, levou um pódio que, certamente, jamais será esquecido pelo jovem de 18 anos.

Stroll perdeu o segundo lugar para Bottas na reta final: 0s105 de diferença entre os dois

Stroll perdeu o segundo lugar para Bottas na reta final: 0s105 de diferença entre os dois

“Estou sem palavras agora. Nunca pensei que estaria no pódio. É um sentimento incrível e, para mim, um sonho tornado realidade. No entanto, o que aconteceu hoje (domingo) foi um esforço de equipe e não posso agradecer a todos o suficiente por fazer isso acontecer. Apenas sinto muito por não poder celebrar com Felipe (Massa), pois isso teria sido a cereja no topo do bolo. Estou certo que, sem seus problemas, ele estaria lá (no pódio) comigo”, celebrou Lance. “Foi uma corrida muito agitada. Muita coisa aconteceu. Em todo o momento, a equipe me manteve calmo no rádio. O nosso ritmo foi bom, nós chegamos ao fim e ficamos longe de problemas. É verdade que Valtteri (Bottas) me passou no fim. Deve ter sido uma das bandeiradas mais apertadas de todos os tempos, lado a lado na linha de chegada. A verdade é que me sinto na lua agora”.

A vitória no GP do Azerbaijão ficou com Ricciardo. Foi a quinta da carreira do australiano, a primeira em 2017. Porém, quem roubou a festa de Daniel foi Stroll. Em Baku, Lance ganhou não só um pódio, mas o respeito de quem era visto apenas como um filho de milionário brincando de ser piloto.

Stroll obteve o 1º pódio do Canadá em 16 anos - desde Jacques Villeneuve, em Hockenheim-2001

Stroll obteve o 1º pódio do Canadá em 16 anos – desde Jacques Villeneuve, em Hockenheim-2001

Publicado em Azerbaijão, Daniil Kvyat, Esteban Ocon, Felipe Massa, Force India, Haas, Kevin Magnussen, Lance Stroll, Sergio Pérez, Toro Rosso, Williams | 2 Comentários

Canadá-2017: Ocon chia com Pérez e põe Force India no divã

Ocon (à esq.) pediu para que Pérez (à dir.) cedesse sua posição: mexicano ignorou, e Force India perdeu chance de pódio

Ocon (à esq.) pediu para que Pérez (à dir.) cedesse posição: mexicano ignorou, e time perdeu pódio

A Force India teve mais um fim de semana positivo em Montreal, palco do GP do Canadá de 2017. Sergio Pérez terminou em quinto, enquanto Esteban Ocon foi o sexto. Seus pilotos somaram 18 pontos, o que consolidou a escuderia indiana na quarta posição do Mundial de Construtores, com 71 pontos. No papel, tudo lindo e belo. Todavia, ficou um quê de frustração nos boxes do time rosa. Isso porque Pérez e Ocon estiveram sempre próximos de Daniel Ricciardo (Red Bull), terceiro na etapa canadense. Checo ficou praticamente toda a prova atrás do australiano. Porém, o mexicano não esboçou qualquer tipo de ação que pudesse lhe fazer assumir a posição de Ricciardo. Companheiro do latino, o francês esperneou com a equipe. Queria que Pérez cedesse seu quarto lugar para que tivesse a chance de atacar Daniel. A Force India sugeriu a ideia a Sergio, que simplesmente ignorou a proposta de Esteban. Resultado: os dois foram superados por Sebastian Vettel (Ferrari) no fim da prova.

Nunca será possível saber se Ocon alcançaria seu primeiro pódio da carreira em Montreal. Entretanto, tudo levava a crer que o francês teria condições de ir para cima de Ricciardo. Diante da negativa da Force India e da ultrapassagem de Vettel sobre a dupla indiana, Esteban passou a duelar contra Sergio. Por sorte, o time cor-de-rosa chegou à bandeirada. Contudo, faltou pouco para os dois pararem na brita. O erro estratégico da equipe indiana custou a possibilidade do terceiro lugar, acendendo um alerta: a partir da próxima etapa (o GP do Azerbaijão, em Baku), os comandados de Vijay Mallya precisarão contar com o bom senso, em prol da escuderia. Afinal, se a Force India quiser se tornar uma potência na Fórmula 1, a maleabilidade será fundamental em certos momentos. E foi o que faltou no GP do Canadá.

Foi a primeira experiência de Ocon em Montreal: logo na sexta, foi mais veloz do que Pérez

Foi a primeira experiência de Ocon em Montreal: logo na sexta, foi mais veloz do que Pérez

Apesar do desfecho problemático, o desempenho de Pérez e Ocon foi forte durante todo o fim de semana em Montreal. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para a prova canadense, a dupla andou entre os 10 primeiros. O francês surpreendeu ao ser o oitavo mais veloz. Esteban anotou 1m14s299 – 0s202 mais veloz do que Sergio, que fez o 10º tempo (1m14s501), e a 1s364 de Kimi Raikkonen (Ferrari), o mais rápido da sexta, com 1m12s935. A marca de Ocon mostrou a rápida adaptação do jovem piloto ao Circuito Gilles Villeneuve – era a primeira vez dele nesta pista. “Estou me sentindo muito feliz depois da minha primeira experiência neste circuito. O primeiro trabalho foi aprender o traçado e isso foi bastante correto, sem dramas reais para mim. O carro está bem no momento, mas eu sei que em algumas áreas podemos melhorar esta noite”, analisou.

No sábado, a Force India seguiu impressionando. Tanto Pérez como Ocon avançaram para o Q3 em Montreal. Desta vez, o mexicano achou uma volta melhor que o francês. Checo alcançou o oitavo lugar, com 1m13s018. O latino foi 0s117 mais veloz que o companheiro na fase decisiva da qualificação. Esteban ficou em nono, anotando 1m13s135. A marca de Ocon foi 1s676 mais lenta que a de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP do Canadá com 1m11s459. Foi a 65ª pole do britânico, igualando o registro histórico de Ayrton Senna – à frente de Hamilton, apenas Michael Schumacher, que largou 68 vezes na posição de honra. Recordes à parte, o francês da Force India seguia feliz com o VJM10.

No sábado, Esteban ficou em nono, enquanto Checo assegurou o oitavo lugar no grid

No sábado, Esteban ficou em nono, enquanto Checo assegurou o oitavo lugar no grid

“Estou satisfeito hoje (sábado). O carro tem sido forte desde o primeiro treino livre e fizemos um bom trabalho em todas as sessões, sempre avançando e melhorando o carro em cada saída.  Gostei muito da classificação – forçando cada vez mais nas chicanes e me aproximando dos muros. É uma pista das antigas e definitivamente um desafio para os pilotos. Por largar do nono lugar, já estamos nos pontos. Tenho uma boa sensação para a corrida. A prioridade é ter uma primeira volta limpa, ficar fora de problemas e encontrar um ritmo para aproveitar ao máximo nosso ritmo de corrida competitivo”, afirmou o confiante Esteban.

Na largada do GP do Canadá de 2017, Ocon superou Massa, assumindo o 8º lugar

Na largada do GP do Canadá de 2017, Ocon superou Massa, assumindo o 8º lugar

A corrida

Domingo, 11 de junho de 2017. O dia ensolarado embelezou a Ilha de Notre Dame, local que hospeda o Circuito Gilles Villeneuve. As arquibancadas tinham um motivo especial para acompanhar o GP do Canadá: o local Lance Stroll (Williams) tornava-se o primeiro canadense a disputar a prova de Montreal desde Jacques Villeneuve, em 2006. Porém, os holofotes estavam nas primeiras filas do grid. Calçando pneus ultramacios, tanto Pérez quanto Ocon queriam escapar de problemas nas primeiras curvas. Quando as luzes vermelhas se apagaram, a dupla da Force India partiu forte, superando Felipe Massa (Williams). Segundos depois, Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), num movimento atabalhoado, tocou em Romain Grosjean (Haas) e perdeu o controle. O espanhol acabou levando Massa consigo, e os dois ficaram de fora. O acidente fez com que o safety car fosse acionado.

Na volta 4, o carro de segurança deixou a pista, e a corrida começou a ganhar forma. Na relargada, Pérez foi ousado. O mexicano se aproveitou de um erro de Kimi Raikkonen (Ferrari) e subiu para sexto. Na passagem seguinte, Sebastian Vettel (Ferrari) foi para os boxes. Após cair de segundo para quarto na largada, o alemão verificou uma avaria na asa dianteira de seu bólido, fruto de um toque com Max Verstappen (Red Bull). Assim, Checo ascendeu para o quinto lugar, e Ocon, para o sétimo. Ali permaneceram até a volta 11, quando Verstappen, então segundo colocado, abandonou com problemas elétricos em seu Red Bull. Com a retirada do holandês, Sergio passava a ocupar o quarto lugar, e Esteban, o sexto posto.

Após acidente com Sainz e Massa, Ocon ficou à frente de Hulk, Kvyat e Vandoorne

Após a saída do safety car, Ocon ficou à frente de Hulkenberg, Kvyat e Vandoorne

Para tirar o carro de Max da pista, foi acionado o virtual safety car. Apenas na volta 15, a direção de prova liberou a retomada plena da corrida. Naquele instante, as equipes já preparavam suas estratégias para o pit stop. A primeira a decidir parar foi a Ferrari, com Raikkonen. Com a ida do finlandês aos boxes, na volta 17, Ocon subiu para quinto, passando a se aproximar de Pérez. Na 18, foi a vez de Ricciardo fazer sua parada. Após o pit do australiano, o mexicano assumiu o terceiro lugar, e o francês, o quarto. Com os dois pilotos bem posicionados, a Force India achou por bem estabelecer dois stints para os seus pilotos: enquanto Sergio pararia primeiro, Esteban estenderia seu tempo em pista. Na volta 19, Checo foi aos boxes. Na troca, sacou os ultramacios e colocou os supermacios.

Após a parada de Pérez, Ocon assumiu o terceiro lugar. Na volta 22, Valtteri Bottas (Mercedes) fez seu pit stop. Assim, o francês da Force India subiu para segundo, ficando atrás somente de Lewis Hamilton (Mercedes). Esteban tinha um bom ritmo. Para ter uma ideia, Hamilton abria em torno de 0s8 para o francês neste momento da prova. Por outro lado, Sergio já estava em quinto, atrás de Ricciardo, o quarto. Com o passar das voltas, Bottas, com pneus novos, se aproximou de Ocon. Porém, o finlandês sabia que, em breve, o francês pararia para sua troca de pneus. E ela veio na volta 32. Assim como Hamilton, Esteban foi aos boxes. No pit, a Force India realizou o mesmo procedimento feito com Pérez – tirou os ultramacios e colocou os supermacios. Entretanto, havia uma diferença: Ocon teria pneus menos desgastados do que o mexicano no fim da prova.

Ocon andou por várias voltas em segundo: stint longo permitiria mais ação no fim da prova

Ocon andou por várias voltas em segundo: stint longo permitiria mais ação no fim da prova

No retorno à pista, na volta 33, Esteban estava em sexto, logo atrás de Raikkonen. Um pouco à frente, Pérez continuava sendo bloqueado por Ricciardo. Dessa forma, tanto o francês quanto o finlandês se aproximaram da disputa pelo terceiro lugar. Um pelotão com quatro pilotos foi formado. Na volta 41, Kimi realizou seu segundo pit stop. Com isso, Ocon subiu para quinto, tendo Sergio e Daniel em sua alça de mira. Em contrapartida, o francês era perseguido por Vettel, que, após cair para o fim da classificação, fazia uma prova de recuperação. Ao perceber que Sebastian estava limitado ao ritmo de Ricciardo, Pérez e Ocon, a Ferrari decidiu chamar o alemão para os boxes na volta 49. Na troca, sacou os supermacios e colocou os ultramacios. Assim, Vettel poderia atacar os adversários no fim da etapa.

Após a ação ferrarista, Ocon tomou uma atitude via rádio: avisou a Force India de que era mais veloz do que Pérez, e que ele, Esteban, poderia superar Ricciardo. A direção do time indiano, por sua vez, comunicou Sergio. O mexicano simplesmente ignorou a sugestão do time. Consta que, por cinco vezes, a equipe pediu a Checo para que cedesse sua posição. Em meio ao impasse instaurado na Force India, Vettel passou a reduzir drasticamente a diferença. Ocon estava sem saída: ou iria para cima de Pérez, ou seria superado por Sebastian. Na volta 63, o germânico já observava o trio. Esteban, então, tomou a atitude e partiu para cima de Sergio. O mexicano se defendeu como pôde, barrando o avanço do francês. Por outro lado, a disputa interna na Force India fez com que Ricciardo abrisse vantagem e se consolidasse no terceiro lugar.

A dupla da Force India perseguiu Daniel Ricciardo (Red Bull) por inúmeras voltas: erro estratégico

A dupla da Force India perseguiu Daniel Ricciardo (Red Bull) por inúmeras voltas: erro estratégico

Na volta 66, antes da freada para contorno da última curva, Ocon emparelhou com Pérez. Checo não arredou o pé, fazendo com que Esteban perdesse velocidade. Vettel se aproveitou disso para colocar por dentro na primeira curva. O francês, do lado externo da curva, não conseguiu contorná-la, escapando da pista. Assim, Seb assumiu o quinto lugar, derrubando Ocon para sexto. Na 68, Vettel ultrapassou Pérez sem dificuldades, garantindo o quarto lugar. Esteban batalhou até o fim contra Sergio pelo top 5. Todavia, o mexicano levou a melhor, por exímios 0s240. A vitória no GP do Canadá ficou com Hamilton (a 56ª da carreira do inglês), seguido por Bottas e Ricciardo.

Além da Mercedes, satisfeita com a primeira dobradinha de 2017, a festa na pista canadense ficou por conta de Stroll, que, com o nono lugar, obteve seus primeiros pontos na F1. Lance se tornou o 335º piloto a pontuar na categoria, e o segundo mais jovem na história, com 18 anos, 7 meses e 13 dias – atrás somente de Verstappen, que pontuou pela primeira vez no GP da Malásia de 2015, em Sepang, com 17 anos, 5 meses e 19 dias. Por outro lado, o clima na Force India era de decepção. Estava claro que o pódio havia escapado pelas mãos do time. Ao não interceder em favor de Ocon, a equipe viu o top 3 virar pó. Apesar disso, após a corrida, Esteban preferiu não polemizar.

Momento decisivo para a Force India: Vettel ataca Ocon e Pérez

Momento decisivo para a Force India em Montreal: Vettel ataca Ocon e Pérez. Fim do sonho do pódio

“Como equipe, marcamos pontos realmente importantes hoje (domingo), mas estou um pouco frustrado por esse resultado porque eu acho que um pódio pode ter sido possível. Temos que olhar para os aspectos positivos: tivemos um ótimo carro que nos permitiu lutar com a Ferrari e a Red Bull, e isso é muito impressionante. Estou confiante de que não será a última vez que lutaremos neste nível e foi um sentimento incrível – uma corrida muito agradável. A equipe como um todo fez um ótimo trabalho – eles me deram um carro tão rápido e podemos nos orgulhar do nosso trabalho e dos pontos que ganhamos”, afirmou o francês.

Já Pérez tinha certeza de que superaria Ricciardo e assumiria o lugar no pódio. Daí ter minimizado o pedido da Force India. “Durante quase toda a corrida, estava atrás de Daniel em sua janela de DRS, esperando minha oportunidade de ultrapassar. Tentei o meu melhor e realmente forcei forte, mas simplesmente não foi possível fazer a manobra. Foi a mesma situação com Esteban atrás de mim. Eu sabia que Ocon tinha melhores pneus porque meus engenheiros me informaram e eu respondi pedindo à equipe para simplesmente nos deixar correr. Acho que a equipe foi justa e respeitou minha visão. A equipe sempre vem primeiro e nós corremos duro, mas justo. Eu sempre dou o meu melhor e estou muito feliz de podermos sair com muitos pontos”.

Pérez havia recebido cinco avisos para ceder posição a Ocon: mensagem ignorada

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Por fim, a Force India tentou contemporizar a situação entre a sua dupla. No Twitter, o dono do time, Vijay Mallya elogiou seus comandados. “Bom trabalho, pessoal. Estou orgulhoso de todos. A nossa política de não lançar mão de ordens de equipe continua, mas eu vou especificar algumas diretrizes para que possamos também alcançar o melhor resultado possível para a equipe”, concluiu. Ao site Motorsport, o chefe-adjunto da escuderia, Bob Fernley, foi taxativo. “Há aspectos positivos e negativos com o que aconteceu em Montreal. E o que aconteceu apenas destaca um problema que temos – o que, na verdade, é mais um elogio – que é ter dois pilotos incrivelmente rápidos. Então, talvez, tenhamos de rever as nossas posições em como vemos as coisas no futuro. Não devemos nos recriminar pelo que aconteceu. E do ponto de vista dos fãs, você não pode tomar dois caminhos. A nossa política é deixá-los correr e foi o que fizemos”, analisou.

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Publicado em Canadá, Carlos Sainz Jr., Esteban Ocon, Force India, Haas, Montreal, Romain Grosjean, Sergio Pérez, Toro Rosso | Publicar um comentário