Inglaterra-2018: bote certeiro em Magnussen põe Alonso em 8º

Fernando Alonso (McLaren) travou dura batalha com Kevin Magnussen (Haas) em Silverstone: oitavo lugar veio na última volta

Fernando Alonso (McLaren) travou batalha com Kevin Magnussen (Haas): 8º lugar veio na volta final

Diante de um período de incertezas quanto à performance do MCL33 e à temporada 2019, a McLaren anunciou uma “dança das cadeiras” após o GP da Áustria de 2018, em Spielberg. Éric Boullier deixou o comando da escuderia britânica após quatro anos – o francês havia assumido a chefia da equipe em 2014. Para o seu lugar, Zak Brown, CEO da escuderia, colocou três dirigentes máximos: Gil de Ferran (diretor esportivo), Andrea Stella (diretor de desempenho) e Simon Roberts (diretor de operações). Com eles, o time britânico passou a ter uma nova estrutura administrativa. “O desempenho do carro construído para a atual temporada, o MCL33, não atendeu às expectativas de ninguém na McLaren, especialmente dos nossos leais fãs. Isso não é culpa das centenas de dedicados trabalhadores, homens e mulheres, da nossa equipe. As causas são sistêmicas e estruturais, o que requer mudanças profundas. Com esse anúncio, começamos a tratar essas questões de imediato e dar nosso passo inicial para nos recuperarmos”, disse Brown.

De Ferran, Stella e Roberts assumiriam os postos já para a disputa do GP da Inglaterra, em Silverstone. Coincidência ou não, os três tiveram aval de Fernando Alonso. Insatisfeito com o andamento da temporada, em que se apostava em dias melhores após a troca de motor (saiu a Honda, entrou a Renault), o espanhol exigia mudança de atitude da cúpula de Woking. Para atender ao bicampeão, Boullier acabou “pagando o pato”. Sem o francês, a McLaren desembarcou em Silverstone de olho na postura do novo corpo diretivo. Já para Alonso, chegar no circuito britânico significava o fim de uma maratona de seis corridas nas últimas sete semanas, que teve como ponto alto a vitória nas 24 Horas de Le Mans – ao lado de dois ex-pilotos de F1, o suíço Sebastien Buemi e o japonês Kazuki Nakajima, Fernando levou a Toyota a uma vitória inédita na mais tradicional prova de longa duração do automobilismo.

Mudança de comando na McLaren teve o aval de Alonso: time de Woking atua para segurar o astro

Mudança de comando na McLaren teve o aval de Alonso: time de Woking atua para segurar o astro

Porém, fora do cockpit da Toyota, Fernando esteve sempre diante do martírio chamado MCL33. Foram três abandonos – nos GPs de Mônaco, do Canadá e da França. Já no GP da Áustria, em Spielberg, o asturiano alcançou um tímido oitavo lugar. Apesar dos péssimos resultados, Alonso chegou a Silverstone ainda na oitava posição do Mundial de Pilotos, com 36 pontos. O objetivo do bicampeão no tradicional circuito britânico era o de pontuar, ainda que o carro laranja não ajudasse. Na sexta-feira, primeiro dia de treinos, Fernando surpreendeu ao ser o sétimo mais veloz do dia. Com 1m29s306 (anotado no segundo treino livre), o bicampeão ficou a 1s819 de Lewis Hamilton, que marcou 1m27s487 na primeira sessão. Já o companheiro do espanhol na McLaren, o belga Stoffel Vandoorne, fez 1m30s121 – 2s634 mais lento do que Hamilton e 0s815 atrás de Alonso.

O desempenho na sexta deixou o asturiano animado para o fim de semana. “Foi definitivamente uma sexta-feira positiva para nós. Testamos vários itens para referência futura, o que significa que sacrificamos algum tempo de pista no primeiro treino para isso. Na segunda sessão, o carro se comportou bem e fizemos alguns testes de pneus, mas claramente o carro é bem parecido com o que era na França e na Áustria. Nos últimos 11 dias, corremos três vezes, então o desempenho e a potência não devem ser muito diferentes do que vimos nas últimas duas semanas, o que significa que amanhã será apertado no pelotão intermediário. Dois décimos podem mudar completamente suas classificações, já que você pode sair no Q1 ou ser sétimo. Espero que estejamos mais perto do Q3 do que nas últimas corridas, mas tudo permanece para ser visto amanhã (sábado)”.

Na sexta, Fernando anotou a sétima melhor marca do dia: otimismo virou preocupação no sábado

Na sexta, Fernando anotou a sétima melhor marca do dia: otimismo virou preocupação no sábado

As coisas mudaram para a McLaren no sábado. Em volta lançada, o MCL33 tem se notabilizado por ser facilmente batido pelos rivais. E, mais uma vez, isso aconteceu em Silverstone. Alonso caiu no Q2, depois de anotar 1m28s139. Com esse tempo, o espanhol garantiu um modesto 13º lugar, ficando a 2s247 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole position do GP da Inglaterra com 1m25s892 – foi a 76ª vez que o britânico anotou o melhor tempo de um quali na F1 (recorde absoluto da categoria). Já Vandoorne foi ainda pior: parou no Q1, com 1m29s066, ficando a 0s957 da marca do asturiano – vale registrar que, em todas as 10 etapas disputadas em 2018, Fernando ficou à frente do belga. Sobre o qualifying, o bicampeão reconheceu que os treinos oficiais têm sido o ‘calcanhar de Aquiles’ da McLaren nesta temporada.

“O sábado parece ser o nosso ponto mais baixo num fim de semana, já que parece que estamos sempre nos classificando em torno do P13, mas depois melhoramos aos domingos, então vamos tentar isso amanhã (domingo) e ver como a corrida se desenvolve. Sabemos que Silverstone é exigente aerodinamicamente. É um circuito muito longo, onde você precisa de eficiência e potência, então é bastante complexo, mas vamos lutar amanhã (domingo). A largada será crucial – aqui é difícil seguir outros carros devido às curvas de alta velocidade, por isso as posições na primeira volta são muito importantes e, depois disso, uma boa estratégia e uma boa gestão de pneus. Está muito quente, e para aqueles que estão em uma estratégia de uma parada, a degradação será alta, por isso precisamos manter nossa concentração e esperamos conseguir alguns pontos”, avaliou Alonso.

Largada do GP da Inglaterra de 2018: Alonso tocou com Pérez e subiu de 13º para 11º

Largada do GP da Inglaterra de 2018: Alonso tocou com Pérez, mas subiu de 13º para 11º

A corrida

Silverstone, domingo, 8 de julho de 2018. Pouco mais de 68 anos depois da primeira prova da história (realizada em 1950), o tradicional autódromo segue vivenciando a Fórmula 1 com entusiasmo. Mas, ultimamente, esse amor se tornou algo avassalador. O motivo: Lewis Hamilton (Mercedes). O britânico, pole do GP da Inglaterra, se tornou um xodó dos torcedores graças as suas vitórias e títulos. Fernando Alonso (McLaren) foi um – senão o maior – algoz de Hamilton na F1. Porém, nos últimos tempos, o espanhol se viu longe de duelar com o adversário. Na pista inglesa, enquanto Lewis sairia na pole, Fernando alinhava numa longínqua 13ª posição. Contudo, ambos acabariam se cruzando na etapa britânica: na largada, Hamilton saltou mal, sendo ultrapassado por Sebastian Vettel (Ferrari) e Valtteri Bottas (Mercedes). No afã de tentar superar Lewis, Kimi Raikkonen (Ferrari) se atirou para cima do tetracampeão. O piloto da Mercedes não só rodou, como caiu para o 18º lugar.

Calçando pneus macios (os menos resistentes para o GP da Inglaterra), Alonso também teve uma saída problemática: na curva 1, o espanhol tocou em Sergio Pérez (Force India), que rodou à frente do pelotão intermediário e quase atingiu os carros da Williams de Sergey Sirotkin e Lance Stroll  – ambos largavam dos boxes. Fernando escapou da pista, mas prosseguiu na prova. Após o incidente entre Hamilton e Raikkonen, Romain Grosjean (Haas) escapou do traçado, fazendo com que o asturiano ganhasse uma posição. Mesmo perdendo uma posição para Carlos Sainz Jr. (Renault) na pista, o piloto da McLaren completou a volta 1 em 11º. Ali permaneceu até a volta 4. Na passagem seguinte, Alonso não foi páreo para um Hamilton ávido por recuperação na corrida. Assim, o piloto da McLaren caiu para a 12ª posição.

Nas primeiras voltas, Alonso acompanhava o ritmo de Magnussen, mas não conseguia superar o danês

Nas primeiras voltas, Alonso acompanhava o ritmo de Magnussen, mas não conseguia superar o danês

Com o avanço de Hamilton, Fernando passou a acompanhar o ritmo de Kevin Magnussen (Haas), o 11º colocado. Embora andasse nos calcanhares do dinamarquês, o bicampeão não conseguia fazer a ultrapassagem. Assim, o espanhol permaneceu até a volta 13, quando a McLaren o chamou para os boxes. Na troca, o time britânico sacou os pneus macios e colocou os pneus médios – de resistência intermediária em Silverstone. Com a parada, Alonso caiu para 17º. Na volta 15, o asturiano superou Sirotkin e subiu para 16º. Com o pit stop de Sainz, na 18, Fernando ascendeu para 15º, conquistando a posição do compatriota de fato – o piloto da Renault andou à frente do bicampeão na primeira parte da corrida. Na volta 20, Charles Leclerc (Sauber) fez sua troca de pneus. Porém, no retorno para a pista, se viu com problema no encaixe de uma das rodas, sendo obrigado a abandonar. Assim, o piloto da McLaren foi para o 14º lugar.

Após a parada de Pierre Gasly (Toro Rosso), na volta 21, Alonso subiu para 13º. Na passagem seguinte, foi a vez do pit stop de Stoffel Vandoorne (McLaren). Dessa forma, o bicampeão passava a ocupar a 12ª colocação. Depois de Marcus Ericsson (Sauber) ingressar nos boxes, na volta 25, Fernando ascendeu para o 11º lugar. O retorno do asturiano à zona de pontuação se deu na volta seguinte, com a parada de Magnussen nos boxes. Na 27, Grosjean foi aos boxes, fazendo com que o piloto da McLaren alcançasse a nona colocação. Naquele momento, Alonso estava colado em Esteban Ocon (Force India). Em contrapartida, era pressionado por Magnussen.

Após a primeira parada, Alonso tentou ultrapassar Ocon, sob os olhares de Magnussen

Na 26, Alonso tentou ultrapassar Ocon, sob os olhares de Magnussen (que havia realizado o pit stop)

A disputa entre Ocon, Alonso e Magnussen foi acirrada até a volta 32, quando Ericsson  perdeu o controle de seu Sauber e se espatifou na Copse. Com o acidente do sueco, o safety car foi acionado pela direção de prova. A bandeira amarela fez com que muitos pilotos entrassem nos boxes – entre eles, Fernando. Na troca, a McLaren sacou os pneus médios e os substituiu por macios. No retorno à pista, o bicampeão se viu em 10º, atrás de Magnussen e à frente de Grosjean e Sainz. A relargada em Silverstone foi dada na volta 37, após a retirada do carro de Ericsson e a limpeza da pista. Porém, a liberação durou menos de um minuto: no mesmo ponto onde o sueco escapou da pista, Romain e Carlos se tocaram e acabaram na brita. Dessa forma, o carro de segurança voltou ao circuito. Foram mais quatro voltas sob a liderança de Bernd Maylander, piloto do safety car.

Maylander só retornou aos boxes na volta 41. Com a bandeira verde, Alonso tratou de atacar Magnussen. O espanhol queria se aproveitar das melhores condições dos pneus macios de seu McLaren. Entretanto, o dinamarquês da Haas segurou o asturiano de maneira ríspida. Em três momentos, o bicampeão teve que desviar de KMag, a fim de evitar um acidente. Alonso reclamou pelo rádio: “O que Magnussen faz quando você tenta ultrapassá-lo? Empurra você para fora da pista. Assim nos vamos bater, sabe?! E eu não quero isso. O que vejo fazer Magnussen eu nunca vi em minha vida. Ele me empurrou para fora na curva 7, curva 11 e 12”. A McLaren tentou acalmá-lo, mas foi em vão. “Tudo com Magnussen é decidido após a corrida… a decisão, a situação de corrida, deveriam mudar agora. Na 7 foi muito claro. Eu tive que ir para a grama. Isso é ridículo, FIA, ridículo”.

Sem sucesso na tentativa após a relargada, Alonso tratou de seguir colado em Magnussen. O dinamarquês, por sua vez, era barrado por Ocon e por Nico Hulkenberg (Renault). Dessa forma, os quatro formavam um pelotão na luta pelo sétimo lugar. Na volta 46, Max Verstappen (Red Bull) abandonou com problemas nos freios. Assim, Nico pulou para sexto, Esteban, para sétimo, Kevin, para oitavo, e Fernando, para nono. Embora tentasse de todas as maneiras saltar de posição, o asturiano não conseguia dar o bote no dinamarquês. Mas aí veio a 52ª e última volta do GP da Inglaterra. O bicampeão estava determinado a tomar a posição de Magnussen. Com a maestria que sempre lhe foi peculiar, Alonso partiu por dentro na curva Village e surpreendeu o piloto da Haas. Assim, Fernando assegurou o oitavo lugar.

A vitória no GP da Inglaterra de 2018 ficou com Vettel. Foi a quarta vitória do alemão no ano, e a 51ª de sua carreira – igualando a marca de Alain Prost. Com o triunfo, Sebastian continuou na ponta do Mundial, com 171 pontos. Após cair para o fim do pelotão, Hamilton assegurou o segundo lugar em Silverstone, que o manteve vivo na disputa pelo pentacampeonato – o inglês passou para 163 pontos. Depois de cumprir uma punição de 10s por ter sido considerado culpado pelo acidente com Lewis, Raikkonen alcançou a terceira posição. Distante do pódio, Alonso celebrou a conquista dos quatro pontos na prova britânica. Além disso, ressaltou que seria possível brigar pela sexta posição – ainda mais após a entrada do safety car durante a prova.

Alonso levou quatro importantes pontos para Woking: oitavo lugar, mas poderia ter sido sexto

Alonso levou quatro importantes pontos para Woking: oitavo lugar, mas poderia ter sido sexto

“Foi uma grande corrida hoje (domingo), e um grande show para os fãs – ainda mais com a entrada do safety car em duas ocasiões, o que sempre misturam as coisas. Em uma corrida normal, o oitavo seria ótimo, mas com o carro de segurança e os pneus amarelos (macios) que decidimos colocar – e os outros que não apostaram -, tivemos uma clara vantagem no final da corrida, mas não conseguimos aproveitar isso porque estávamos presos atrás do tráfego. Kevin (Magnussen) nos tirou da pista na curva 7, e sem isso eu acho que provavelmente teríamos lutado com Esteban (Ocon) e Nico (Hulkenberg) pelo sexto lugar. No entanto, nenhuma penalidade foi dada, então tivemos que lutar muito para ultrapassar Kevin na última volta. O sábado parece ser o ponto mais baixo do nosso fim de semana em termos de desempenho, mas aos domingos estamos no mesmo grupo da Renault, Force India e Haas. Por isso, definitivamente, precisamos encontrar mais desempenho na classificação”, concluiu o asturiano.

Com o top 8 de Silverstone, Alonso foi para oitavo no Mundial de Pilotos, com 40 pontos

Com o top 8 de Silverstone, Alonso se manteve em oitavo no Mundial de Pilotos, com 40 pontos

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Áustria-2018: Haas faz história ao obter 22 pontos em Spielberg

Romain Grosjean terminou em quarto, e Kevin Magnussen foi o quinto no GP da Áustria de 2018: resultado histórico para o time ianque

Romain Grosjean e Kevin Magnussen levaram a Haas ao quarto e quinto lugares no GP da Áustria

O dia 1º de julho de 2018 foi marcante para a história da Haas na Fórmula 1. Em sua 50ª corrida na categoria, a equipe norte-americana conquistou um resultado pra lá de expressivo em Spielberg, palco do GP da Áustria: Romain Grosjean encerrou o jejum de pontos com estilo, ao alcançar o quarto lugar na etapa austríaca. Foi a melhor posição do time ianque desde o seu ingresso na F1, no GP da Austrália de 2016. Para o francês, a felicidade veio em dobro – foram os 12 primeiros pontos de Grosjean no ano. E eles vieram no momento certo. Romain foi seguro, veloz e soube se aproveitar do VSC (safety car virtual). Em quinto lugar, logo atrás de Grosjean, veio Kevin Magnussen. O dinamarquês novamente foi constante e colocou mais um top 6 na conta – o quarto em 2018 (os outros três ocorreram em Sakhir, em Montmeló e em Paul Ricard). Dessa forma, KMag passou a ter 37 pontos no Mundial. Com os 22 pontos obtidos em Spielberg, a Haas subiu de sétimo para quinto no campeonato de Construtores. Agora, a escuderia norte-americana soma 49 pontos, à frente de McLaren (44) e Force India (42).

A boa performance de Romain Grosjean no GP da Áustria de 2017 – o francês terminou em sexto – norteava os trabalhos da Haas em Spielberg. Assim que os carros foram para a pista, ficou nítida a sintonia entre o modelo VF-18 e o circuito austríaco. Nos dois treinos livres do dia, a equipe norte-americana mostrou ótimo desempenho e muita confiabilidade. No fim, Grosjean ficou em sétimo lugar, com 1m05s429. Magnussen veio a 0s130 do francês, anotando o oitavo tempo, com 1m05s559. O mais rápido da sexta foi Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m04s579 – 0s850 à frente de Romain e 0s980 à frente de Kevin.

Logo que colocou o VF-18 na pista, Grosjean tratou de acelerar: sétimo mais veloz na sexta

Logo que colocou o VF-18 na pista, Grosjean tratou de acelerar: sétimo mais veloz na sexta

Inspirado após o bom desempenho e necessitando mostrar serviço, Grosjean estava satisfeito com a sua marca na sexta. “Foi um bom dia. É uma pista bem legal. Eu sempre amo vir aqui. Eu adoro o layout no meio das montanhas e é uma ótima atmosfera. O carro teve um bom desempenho, por isso estamos felizes com o lugar em que estamos. O saldo tem sido muito bom. Temos mais trabalho a fazer, mas, no geral, está bom e estou feliz com isso, mas podemos fazer algumas alterações para ficarmos ainda mais rápidos. Estou muito ansioso para a classificação de amanhã (sábado)”.

Magnussen concordou com o companheiro. “Parece que estamos indo bem. Foi um bom dia em termos de testes e execução de tarefas que planejamos fazer. O carro se comportou tão bem quanto esperávamos. Até agora, tudo bem – só precisamos terminar bem amanhã (sábado) também. Nosso carro tem sido bom em muitas corridas e parece que também está bom aqui em Spielberg. Precisamos juntar tudo neste sábado e depois ter uma boa sessão de classificação para conseguir uma boa posição para a corrida – esperamos marcar pontos no domingo”.

Tanto Magnussen (foto) quanto Grosjean avançaram para o Q3 de Spielberg

Tanto Magnussen (foto) quanto Grosjean avançaram para o Q3 de Spielberg: otimismo nos boxes

No sábado, a onda crescente prosseguiu a favor da Haas. O qualifying em Spielberg foi além das expectativas para o time. Tanto Grosjean quanto Magnussen estiveram sempre entre os 10 primeiros colocados. Não só isso: o ritmo do VF-18 impressionava no circuito austríaco. A ponto de o francês andar na casa de 1m03s, anotando 1m03s892. Com esse tempo, Romain ficou à frente de Daniel Riccardo (Red Bull), conquistando um impressionante sexto lugar. Já o dinamarquês marcou o oitavo tempo, com 1m04s051, ficando a 0s159 de Grosjean. Valtteri Bottas (Mercedes) marcou a pole para o GP da Áustria, com 1m03s130. Foi a quinta pole da carreira do finlandês, que foi 0s762 mais rápido do que Grosjean e 0s921 mais veloz do que Magnussen.

O excelente desempenho nos treinos oficiais encheram os pilotos da Haas de otimismo. “Foi uma boa classificação. Nós fizemos um bom trabalho de configuração no carro e construímos nosso ritmo no final de semana. Tudo correu muito bem e o equilíbrio foi ótimo. Eu estava esperando que ficássemos em quarto lugar. Eu estava pensando: ‘vamos, podemos ficar lá’. A verdade é que as outras equipes são mais rápidas, mas estou muito orgulhoso de estar entre os dois Red Bulls, e estou feliz que Kevin seja o oitavo. Temos os dois carros no top 10 para a corrida de amanhã (domingo) e esperamos conseguir alguns pontos”, destacou Grosjean, que recebeu uma boa notícia após o treino: Sebastian Vettel (Ferrari), terceiro no quali, foi punido com a perda de três posições após fechar Carlos Sainz Jr. no Q2. Assim, o francês herdou o quinto lugar no grid.

Grosjean terminou o Q3 em sexto, mas punição a Vettel fez com que ele fosse alçado para o quinto lugar no grid

Grosjean foi o sexto no Q3, mas punição de Vettel fez com que fosse alçado para o quinto lugar no grid

Magnussen, por sua vez, elogiou o desempenho do VF-18 em Spielberg. “Acho que a equipe fez um ótimo trabalho hoje (sábado), com o carro sendo muito bom. Romain fez uma boa volta e fomos rápidos o dia todo. Eu acho que estamos em boas posições iniciais para a corrida. Vamos ver como vai ser o domingo. Nosso ritmo ontem (sexta) no segundo treino livre, nos stints longos, foi muito bom. Vamos fazer o máximo que podemos, mas precisamos conseguir esses pontos. Vamos manter nossos pés no chão e ver o que conseguimos amanhã (domingo)”.

Largada do GP da Áustria de 2018: Grosjean e Magnussen ganharam posições na largada

Largada do GP da Áustria de 2018: Grosjean completou a volta 1 em sexto, e Magnussen, em sétimo

A corrida

Domingo, 1º de julho de 2018. O bucólico lugarejo de Spielberg, encravado no meio das montanhas, inspira tranquilidade para qualquer um dos seus visitantes. Porém, a paz do local seria deixada de lado por alguns momentos para mais um GP da Áustria. Com seus carros na terceira e na quarta filas, a Haas tinha como pretensão marcar o maior número de pontos possíveis. Evidentemente, desafiar os pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull era algo inimaginável. Por isso, deixar o complexo de Red Bull Ring com os 10 pontos combinados do sétimo e do oitavo lugares já seria algo fantástico. Calçados com pneus ultramacios, Grosjean e Magnussen queriam passar limpos pela largada. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o francês saltou bem e viu Sebastian Vettel (Ferrari) escapar  na Curva 1, o que foi suficiente para manter o quinto lugar. Porém, Romain não resistiu ao ataque de Daniel Ricciardo (Red Bull), fazendo com que completasse a volta 1 em sexto.

Kevin, por sua vez, também se aproveitou da escapada de Vettel, subindo para a sétima posição. Entretanto, aos poucos, o alemão fez valer o seu melhor equipamento. Na volta 2, superou o dinamarquês. Na 3, ultrapassou o francês. A partir dali, Grosjean estava em sétimo, e Magnussen, em oitavo – as colocações já esperadas pela Haas. Num ritmo à parte, os carros do time norte-americano não eram ameaçados pela concorrência. Em contrapartida, eram incapazes de perseguir Vettel. Na volta 10, Romain estava a 4s4 do alemão. Já Kevin tinha 2s9 de desvantagem para o companheiro de equipe. O cenário parecia se consolidar quando, na volta 14, Valtteri Bottas (Mercedes) viu seu W09 com problemas hidráulicos. O finlandês foi obrigado a abandonar, o que alçou Grosjean para o sexto lugar e Magnussen para o sétimo.

Grosjean se aproveitou da intervenção do VSC para parar nos boxes: estratégia acertada

Grosjean se aproveitou da intervenção do VSC para parar nos boxes: estratégia acertada

Para a retirada do carro de Bottas, a direção de prova interviu com a entrada do VSC (safety car virtual). A Haas se aproveitou do ritmo mais lento para chamar Romain para os boxes. Na troca, sacaram os pneus ultramacios e colocaram os macios (os mais resistentes para o fim de semana em Spielberg). A ideia era fazer com que o francês não fizesse mais nenhum pit stop. Em contrapartida, a equipe se viu obrigada a manter Kevin na pista. Quando a relargada foi dada, na volta 17, Magnussen ocupava o sexto lugar, e Grosjean, o oitavo. Entre os dois, estava Sergio Pérez (Force India) que, assim como o dinamarquês, não havia feito seu pit. Na volta 21, o danês colocava 3s7 sobre o mexicano, enquanto o francês estava a 1s9 do rival da Force India. Essa diferença se manteve até a volta 27, quando Pérez realizou sua troca de pneus. Com isso, Grosjean subiu para sétimo.

A fim de preservar sua posição diante de Checo, a Haas decidiu chamar KMag na volta 29. Assim como Grosjean, foram retirados os pneus ultramacios e colocados compostos macios. No retorno à pista, Magnussen se manteve à frente de Pérez, em nono. Já Romain ascendeu para a sexta colocação. Na volta 33, Kevin assumiu o oitavo lugar, após o pit stop de Carlos Sainz Jr. (Renault). A partir daí, o dinamarquês iniciou perseguição a Esteban Ocon (Force India). O francês havia parado nos boxes na volta 15, o que o beneficiou na disputa com o piloto da Haas. Entretanto, Magnussen era mais veloz e encostou em Ocon na volta 42. A pressão de Kevin sobre Esteban foi intensa, mas o piloto da Force India foi ao seu limite. Todavia, na volta 48, enfim o danês superou o francês do time indiano, subindo para sétimo. Naquele momento, Magnussen estava a mais de 10s de Grosjean.

Na fase final da prova, Grosjean passou a administrar o desgaste dos pneus

No final da prova, abandonos de Ricciardo e Hamilton fizeram com que Grosjean subisse para quarto

Consolidados na pista, os pilotos da Haas só passaram a se preocupar em gerenciar o desgaste dos pneus macios e “levar as crianças para casa”. Porém, o que se viu em Spielberg foi uma sequência de inesperadas quebras, que contribuíram para a ascensão da equipe norte-americana no GP da Áustria. Na volta 53, Ricciardo encarou problemas no escapamento de seu Red Bull e foi obrigado a abandonar. Dessa forma, Romain assumiu a quinta posição, e Kevin, a sexta. Na 63, o inacreditável aconteceu: então quarto colocado, Lewis Hamilton (Mercedes), com problemas na pressão do combustível de seu bólido, abandonou a etapa austríaca. Foi o primeiro abandono de Hamilton desde o GP da Malásia de 2016, em Sepang, quebrando uma sequência de 33 corridas consecutivas alcançando a bandeira quadriculada (um recorde na F1, igualado com Nick Heidfeld).

Além disso, pela primeira vez desde o GP da Espanha de 2016, em Montmeló, os dois carros da Mercedes ficavam de fora de uma corrida. Por fim, foi a primeira vez em 63 anos que os carros da equipe germânica abandonaram com problemas mecânicos – desde o GP de Mônaco de 1955, quando Juan Manuel Fangio, Stirling Moss e Andre Simon deixaram a disputa por falhas em seus carros prateados. Sem Hamilton, Grosjean ascendeu para o quarto lugar, e Magnussen, para o quinto. Com a distância sobre Pérez sob controle, bastou à dupla da Haas administrar o equipamento e receber a histórica bandeira quadriculada. Max Verstappen (Red Bull) faturou a vitória em Spielberg – foi a primeira vitória do holandês em 2018, a quarta na carreira -, seguido por Kimi Raikkonen (Ferrari) e Vettel – que, com o terceiro lugar combinado com o abandono de Hamilton, reassumiu a liderança do Mundial de Pilotos por 1 ponto (146 a 145). Além disso, a quebra das Mercedes reconduziu a Ferrari ao topo do Mundial de Construtores (247 a 237).

Celebração dos mecânicos com Romain Grosjean: melhor resultado da história da Haas até o momento

Celebração dos mecânicos com Grosjean: melhor resultado da história da Haas até o momento

Nos boxes da Haas, o clima era de total êxtase. A celebração foi de vitória em Spielberg. Para Grosjean, o resultado representou uma redenção, após tantas dificuldades encaradas na temporada 2018. “Foi um ótimo dia para todos nós, toda a equipe. Eles mereceram um resultado tão bom com os carros terminando em quarto e quinto. É incrível para o nosso 50º GP. Estou feliz por todos eles. Fizemos um trabalho incrível durante todo o final de semana. Tivemos alguma sorte na corrida com os carros da Mercedes não terminando, mas foi um ótimo final de semana e podemos realmente aproveitar esse momento. Ainda há algumas coisas que podemos melhorar aqui e ali, mas estou feliz por termos conseguido um longo stint com pneus macios. As últimas 20 voltas não foram fáceis – havia bolhas nos pneus traseiros – e eu temia que eles explodissem a qualquer momento. Estou tão feliz que ficamos lá e terminamos em quarto e quinto”, celebrou.

Magnussen corroborou com as palavras do companheiro. “Tivemos um final de semana muito bom. Não esperávamos desafiar os cinco primeiros, mas, com as quebras, terminamos com os dois carros no top 5. Isso é resultado de um trabalho incrível da Haas e estou muito orgulhoso de toda a equipe. Nós estávamos lutando com bolhas nos pneus durante todo o stint com os macios. Eu administrei isso e consegui terminar em quinto. Nós mostramos neste fim de semana que temos um bom carro. Na verdade, não é só neste fim de semana – mostramos durante todo o ano que o carro é muito competitivo. Nós apenas temos que continuar assim”, afirmou o dinamarquês.

Vibração nos boxes da Haas: 22 pontos vieram graças à competência de Romain e Kevin

Vibração nos boxes da Haas: 22 pontos vieram graças à competência de Romain e Kevin

Após o resultado na Áustria, foram alteradas as pretensões da Haas: o quarto lugar no Mundial passou a ser a meta da equipe. Atual quarta colocada, a Renault tem 62 pontos – apenas 13 a mais do que a rival norte-americana. A escuderia francesa que se cuide, pois o time ianque está pedindo passagem…

Com 49 pontos, Haas passou a mirar o quarto lugar entre os Construtores - atualmente, está a 13 pontos da Renault

Com 49 pontos, Haas passou a mirar o quarto lugar entre os Construtores – está a 13 da Renault

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França-2018: Magnussen segura Bottas e conquista 6º lugar

Kevin Magnussen foi preciso em Paul Ricard, e acabou sendo premiado com o sexto lugar

Kevin Magnussen (Haas) foi preciso em Paul Ricard, e acabou sendo premiado com o sexto lugar

Na batalha interna da Haas, Kevin Magnussen seguiu implacável contra Romain Grosjean. Nem mesmo o fato de correr na casa do francês intimidou o dinamarquês. No GP da França de 2018, disputado no último domingo, em Paul Ricard, Magnussen voltou a ser combativo. Kevin largou bem, se livrou dos incidentes da primeira volta, segurou a sensação Charles Leclerc (Sauber) no início e, no fim, parou o avanço de Valtteri Bottas (Mercedes) para conquistar um convincente sexto lugar. Com o resultado, o danês obteve oito importantes pontos para a escuderia norte-americana. Não só isso: apenas ele pontuou para a Haas após oito etapas – um total de 27 pontos (destaques para o quinto lugar no GP do Bahrein, em Sakhir, e para o sexto no GP da Espanha em Montmeló), ocupando o 10º lugar entre os Pilotos e ajudando a equipe a ficar em sétimo entre os Construtores. Já Grosjean terminou em 11º em Paul Ricard e seguiu sem figurar num top 10.

Ao desembarcar na França, a Haas encararia um desafio novo. Mas essa sensação era geral no paddock. Também pudera: havia 28 anos que a Fórmula 1 não corria em Paul Ricard – a última etapa por lá ocorreu em 1990, quando Ivan Capelli quase bateu Alain Prost na luta pela vitória. Além das particularidades do traçado, pilotos e equipes precisariam se adaptar às alterações do seletivo circuito (mais extenso em relação à década de 1980 e com uma variante em meio à Reta Mistral). Nos dois primeiros treinos da sexta-feira, tanto Magnussen quanto Grosjean andaram entre os 10 mais velozes. No fim, Kevin alcançou o 10º melhor tempo do dia (obtido no primeiro treino livre), com 1m34s108. O dinamarquês ficou a 0s790 de Romain, sexto com 1m33s318, e a 1s877 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor do dia com 1m32s231.

Assim que colocou o VF-18 na pista, Magnussen percebeu que o fim de semana poderia ser positivo

Assim que colocou o VF-18 na pista, Magnussen percebeu que o fim de semana poderia ser positivo

Magnussen deixou o cockpit otimista com o VF-18. “Foi tudo bem hoje (sexta). O carro parece competitivo aqui, mas temos um pouco a aprender sobre pneus. É sempre a principal coisa em que se concentrar – preservar os pneus para os stints. Isso é o que nós trabalharemos durante a noite. (Paul Ricard) é uma pista legal, com muitas curvas de alta velocidade e boas zonas de frenagem. É realmente uma pista divertida. Teremos que esperar e ver para amanhã (sábado), ver como as coisas evoluem. Queremos marcar pontos neste fim de semana, então precisamos de uma boa classificação para isso”, avaliou o dinamarquês.

No sábado, os bons presságios continuaram rondando a escuderia norte-americana. Tanto Magnussen quanto Grosjean prosseguiram com bons tempos. Assim, a Haas passava a acreditar que seus dois pilotos pudessem avançar para o Q3 de Paul Ricard. Nas tomadas de tempo, Kevin e Romain mostraram excelente forma a bordo do VF-18. Assim, o Q3 virou realidade para o time ianque: tanto o dinamarquês quanto o francês se colocaram entre os 10 primeiros do qualifying. No Q3, porém, a meta de alcançar o sétimo lugar não foi atingida. Grosjean bateu sozinho e ficou sem tempo, sendo obrigado a largar em 10º. Já Magnussen foi o nono colocado, com 1m32s930, a 2s901 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP da França com 1m30s029 (foi a 75ª vez que o britânico alcançava a posição de honra do grid).

No qualifying de sábado, Kevin foi atrapalhado por Kimi Raikkonen no Q3: frustrante nono lugar

No qualifying de sábado, Kevin foi atrapalhado por Kimi Raikkonen no Q3: frustrante nono lugar

Após a sessão, Kevin reclamou que foi atrapalhado em sua volta lançada por Kimi Raikkonen (Ferrari). Isso fez com que ficasse atrás inclusive de Charles Leclerc (Sauber), oitavo com 1m32s635 (0s295 mais veloz que Magnussen). Detalhe: o danês havia andado na casa de 1m31s no Q2. “Estava parecendo bom. Nós colocamos os dois carros no Q3, mas depois não conseguimos nada da sessão. Foi um bom desempenho até o Q3. Eu não consegui uma volta boa no Q3, tive Kimi (Raikkonen) me ultrapassando na minha volta mais rápida, então ele me deixou passar mais uma vez. Eu não tinha ideia do que ele estava fazendo. Isso impediu que eu fizesse uma volta boa no Q3”, lamentou o piloto da Haas. Ainda assim, diante do potencial demonstrado pelo carro em Paul Ricard, a possibilidade de pontuar mais uma vez era real.

Largada do GP da França de 2018, em Paul Ricard: toque entre Vettel e Bottas colocou Magnussen em quinto

Largada do GP da França de 2018: toque entre Vettel e Bottas colocou Magnussen em quinto

A corrida

Domingo, 24 de junho de 2018. Um dia histórico para o automobilismo francês. Após 10 anos de ausência, o GP da França de Fórmula 1 retornava ao calendário da categoria – o último havia sido disputado em 2008, em Magny Cours, com vitória de Felipe Massa. E, 28 anos após a bandeirada dada a Alain Prost, Paul Ricard voltaria a vibrar com os carros mais rápidos do mundo. Alheio ao frenesi das arquibancadas, Kevin Magnussen (Haas) queria apenas e tão somente atacar na largada e se livrar de qualquer inconveniente após o apagar das luzes vermelhas. Calçando pneus ultramacios e saindo do nono lugar do grid, o dinamarquês tentaria ganhar posições no início da etapa para se consolidar na zona de pontuação. Porém, não precisou de muito esforço: logo após a largada, Sebastian Vettel (Ferrari) abalroou Valtteri Bottas (Mercedes). Os dois não só escaparam da pista, como tiveram de se encaminhar para os boxes. Assim, caíram para o fim do pelotão.

A confusão armada por Vettel e Bottas atrapalhou Charles Leclerc (Sauber) e Kimi Raikkonen (Ferrari). Magnussen aproveitou a oportunidade para ultrapassar tanto o monegasco, quanto o finlandês. Assim, completou a volta 1 num excelente quinto lugar, atrás somente de Lewis Hamilton (Mercedes), Max Verstappen (Red Bull), Carlos Sainz Jr. (Renault) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Atrás do dinamarquês, um outro acidente acabou envolvendo os franceses Romain Grosjean (Haas), Pierre Gasly (Toro Rosso) e Esteban Ocon (Force India). Grosjean seguiu na corrida, enquanto Gasly e Ocon abandonaram a prova. Diante dos detritos espalhados por dois setores da pista, a direção de prova orientou o ingresso do safety car.

Magnussen bem que tentou, mas segurar Raikkonen era impossível

Magnussen bem que tentou, mas segurar Raikkonen era impossível: dinamarquês caiu para sexto

A relargada só veio na volta 6. Em quinto, Magnussen lidava com a pressão de Raikkonen. Ainda que tenha oferecido resistência, o dinamarquês acabou sendo ultrapassado pelo finlandês na volta 8, caindo para sexto. Na 10, Kimi superou Sainz e ascendeu para quarto. A partir daí, o foco de Kevin passou a ser acompanhar o ritmo de Carlos. Naquele momento, a vantagem do espanhol sobre o danês estava na casa de 2s5. Entretanto, o piloto da Haas teria um indigesto adversário vindo em prova de recuperação. Vettel superava um a um. Na volta 17, o alemão da Ferrari ultrapassou Leclerc para atingir a sétima posição. Imediatamente, Sebastian chegou em Magnussen. Mais uma vez, Kevin não resistiu ao poderio ferrarista. Na volta 18, acabou sendo superado pelo germânico, caindo para a sétima colocação.

Na volta 20, foi a vez de Vettel ultrapassar Sainz. Naquele instante, Magnussen estava a 2s do espanhol. Em contrapartida, passava a ser perseguido pelo impetuoso Leclerc. Na volta 23, a vantagem do dinamarquês sobre o monegasco era de apenas 0s8. Parecia questão de tempo para que Charles executasse a ultrapassagem sobre Kevin. Todavia, na volta seguinte, o piloto da Sauber escapou da pista e caiu para nono – foi ultrapassado por Nico Hulkenberg (Renault). O vacilo de Leclerc trouxe alívio para Magnussen, que pôde novamente voltar suas atenções para Sainz.

Kevin foi pressionado por Leclerc (Sauber), mas uma escapada do monegasco deu tranquilidade ao piloto da Haas

Kevin foi pressionado por Leclerc, mas uma escapada do monegasco deu tranquilidade ao danês

Na volta 26, contudo, a Renault chamou o espanhol para os boxes. Assim, Kevin ascendeu para o sexto lugar. O piloto da Haas bem que tentou imprimir um forte ritmo a fim de superar Sainz. Entretanto, com pneus novos, Carlos estava mais veloz do que o danês. Desta forma, não restou alternativa para a escuderia norte-americana: Magnussen teve que se encaminhar para o seu único pit stop na volta 28. Na troca, sacou os pneus ultramacios e colocou os macios (os mais resistentes disponíveis para Paul Ricard). No retorno à pista, o dinamarquês ocupava o 13° lugar. Na volta 30, superou Brendon Hartley (Toro Rosso), subindo para 12º. Imediatamente à frente, já avistava Sainz. Na 31, Leclerc se encaminhou para o pit, e Kevin ascendeu para a 11ª posição. A volta ao top 10 de Paul Ricard se deu na volta 34, após a parada de Grosjean.

A perseguição a Sainz prosseguia até o espanhol ultrapassar Stoffel Vandoorne (McLaren), na volta 35. O belga passou a ser uma barreira para o dinamarquês. Todavia, na volta 37, Magnussen superou Vandoorne. Na mesma passagem, Hulkenberg foi aos boxes. Assim, Kevin estava em oitavo. Na volta 39, a Mercedes chamou Bottas para o pit stop. Com a troca, o danês herdou o sétimo lugar. Entretanto, teria que lidar com o finlandês com pneus novos. Neste momento, Magnussen retomou a batalha contra Sainz. Na volta 42, a vantagem do espanhol sobre o dinamarquês era de 4s. Seis voltas depois, a diferença cairia para apenas 2s. Em contrapartida, Bottas estava pendurado na caixa de câmbio do piloto da Haas.

Com a perda de rendimento de Sainz, Magnussen foi alçado ao sexto lugar em Paul Ricard: festa dinamarquesa

Com a perda de rendimento de Sainz, Magnussen foi alçado ao sexto lugar em Paul Ricard

Quando se esperava uma disputa entre Sainz, Magnussen e Bottas, veio o imponderável: na volta 50, a quatro da bandeira quadriculada, o espanhol viu seu Renault com problemas em sua unidade de potência. Carlos foi facilmente ultrapassado por Kevin e Valtteri. Se por um lado, o dinamarquês herdava a sexta posição, por outro teria de encarar o finlandês da Mercedes – que estava determinado a se colocar no top 6. Magnussen se defendeu com destreza, impedindo qualquer manobra de Bottas. É bem verdade que o problema no assoalho da Mercedes do finlandês, que prejudicou o desempenho de Valtteri desde o acidente com Vettel, ajudou Kevin. Mesmo assim, o danês conseguiu furar a barreira das três grandes equipes – Mercedes, Ferrari e Red Bull – ao terminar na sexta posição.

O desfecho positivo fez com que a Haas celebrasse mais uma excelente performance de Magnussen, que estava satisfeito com sua apresentação. “Foi uma boa corrida. Aqui em Paul Ricard, tivemos um bom carro. Estou muito feliz por dar a volta por cima, após a decepção de ontem (sábado), na classificação. Sabíamos que ainda estávamos em uma posição onde poderíamos fazer algo de bom na corrida, e esse foi o nosso dia. Eu estava lutando um pouco com os pneus ultramacios no primeiro stint, estavam superaquecendo e sem tração nos traseiros. Por alguma razão, os dianteiros estavam funcionando muito bem e os traseiros estavam com dificuldades. Ainda assim, a degradação para nós foi bastante baixa, embora o equilíbrio estivesse errado. Quando colocamos os macios, comecei a cuidar deles um pouquinho. Então, quando eu fiquei sob pressão de Bottas, eu realmente comecei a forçar. Aquela economia surtiu resultado no fim”, celebrou.

Magnussen foi bastante celebrado nos boxes: top 6 após segurar Bottas

Após segurar Bottas, Magnussen foi bastante celebrado nos boxes: piloto soma 27 pontos no Mundial

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Canadá-2018: em franca evolução, Leclerc assegura 10º lugar

Charles Leclerc (Sauber) recebendo a bandeirada em 10º lugar: três top 10 nos últimos 4 GPs

Charles Leclerc (Sauber) terminou em 10º no GP do Canadá: três top 10 nas últimas quatro etapas

O impressionante sexto lugar no GP do Azerbaijão representou uma guinada na trajetória de Charles Leclerc (Sauber) em 2018. Em sua temporada de estreia na F1, o monegasco enfrentava dificuldades até conquistar o top 6 em Baku. Após esse resultado, Leclerc terminou em 10º lugar no GP da Espanha, em Montmeló e acabou tendo problemas de freios no GP de Mônaco quando atacava Brendon Hartley (Toro Rosso) pelo 11º lugar – Charles atingiu o neozelandês e abandonou a prova. Para apagar a imagem do acidente em casa, o piloto da Sauber queria retornar à zona de pontos em Montreal, palco do GP do Canadá. Mas havia um porém: o monegasco não conhecia o traçado do Circuito Gilles Villeneuve. Aprender os macetes da pista e ser combativo diante de adversários mais experientes eram os objetivos de Leclerc em solo canadense.

Na sexta-feira, dia dos dois primeiros treinos livres para o GP do Canadá, Leclerc teria a chance única de se adaptar à Montreal. Somadas, as duas sessões teriam 3 horas de duração. E foi nesse período que Charles adquiriu o conhecimento necessário para poder demonstrar seu potencial no Circuito Gilles Villeneuve. Ao final do dia, o monegasco anotou 1m13s884, sendo o 11º mais veloz do dia. Leclerc ficou 0s224 à frente de Marcus Ericsson (Sauber), seu companheiro de equipe – o sueco marcou 1m14s108 -, e a 1s686 de Max Verstappen (Red Bull), o mais rápido da sexta com 1m12s198.

Foi a primeira vez que Leclerc correu no Circuito Gilles Villeneuve: rápida adaptação

Foi a primeira vez que Leclerc correu no Circuito Gilles Villeneuve: rápida adaptação

Diante do desfecho da sexta, Charles considerou exitosa sua primeira experiência em Montreal. “Foi um dia positivo. Como é minha primeira vez dirigindo neste circuito, levei algumas voltas para entrar no ritmo. No momento em que saímos para o treino livre da tarde, senti confiança na pista e no carro, e o 11º lugar é um bom resultado para o primeiro dia. Vamos trabalhar para melhorar ainda mais e esperamos conseguir um resultado semelhante amanhã (sábado)”, analisou.

No sábado, Leclerc continuou mais competitivo do que Ericsson. Além disso, demonstrava força mesmo diante de carros considerados mais velozes, como Haas e McLaren. No qualifying de Montreal, Charles alcançou um inesperado 13º lugar no Q1. Já Ericsson ficou em 19º lugar na primeira sessão, com 1m14s593, sendo eliminado do treino oficial. No Q2, Charles manteve a boa forma e repetiu o 13º lugar. Com 1m12s661 (1s932 mais rápido do que Marcus), o monegasco se colocou à frente de Fernando Alonso (McLaren), o 14º – o bicampeão do mundo anotou 1m12s856 (0s195 mais lento do que o calouro). A marca de Leclerc foi 1s897 inferior à obtida por Sebastian Vettel (Ferrari), que fez 1m10s764 e assegurou a pole do GP do Canadá de 2018 – foi a 54ª da carreira do alemão na F1.

No qualifying, Charles avançou para o Q2 e assegurou o 13º lugar no grid: à frente de Alonso

No qualifying, Charles avançou para o Q2 e assegurou o 13º lugar no grid: à frente de Alonso

Charles fez um balanço positivo do qualifying de Montreal. “Foi um bom dia no geral. Fizemos alguns bons passos desde o treino livre desta manhã até a classificação, e estou satisfeito por ter chegado ao Q2 novamente. A pista era nova para mim quando cheguei em Montreal neste fim de semana. Após os últimos dois dias, eu definitivamente passei a me sentir confortável dirigindo aqui, e o carro também se comporta bem. Começar em 13º amanhã (domingo) é positivo, e estou ansioso para ver o que poderemos fazer durante a corrida para conseguir um bom resultado”, analisou.

Largada do GP do Canadá de 2018: Leclerc saltou bem, superou Hartley e Magnussen e assumiu o 11º lugar

Largada do GP do Canadá: Leclerc saltou bem, superou Hartley e Magnussen e assumiu o 11º lugar

A corrida

Domingo, 10 de junho de 2018. O sol dominava o cenário em Montreal. Arquibancadas repletas de fãs da Fórmula 1 aguardavam a largada do GP do Canadá. A expectativa era enorme no Circuito Gilles Villeneuve. Alinhado na 13ª posição do grid, Charles Leclerc trazia em seu Sauber os pneus ultramacios (de aderência média no fim de semana). A intenção do time suíço era fazer com que o monegasco parasse apenas uma vez nos boxes. Na largada, Leclerc saiu determinado a ganhar posições. Logo, superou Brendon Hartley (Toro Rosso) e Kevin Magnussen (Haas), saltando para o 11º lugar. No decorrer da volta 1, Hartley e Lance Stroll (Williams) se envolveram em um espetacular acidente. Tanto o canadense quanto o neozelandês escaparam ilesos do impacto. Para limpar a pista, foi necessária a entrada do safety car.

Com a bandeira amarela, os compostos ultramacios de Charles ganhariam mais voltas de vida útil, o que sacramentaria a ideia de uma parada do time suíço. A relargada só ocorreria na volta 5. E, logo na Curva 1, Sergio Pérez (Force India) escaparia abruptamente da pista ao tentar tomar o nono lugar de Carlos Sainz Jr. (Renault) – o mexicano foi tocado pelo espanhol. Pérez ainda retornou ao pelotão, mas na 13ª posição. Assim, o monegasco da Sauber herdava a 10ª posição em Montreal. A partir daí, Leclerc passava a perder contato de Sainz. Em contrapartida, sofria o assédio de Fernando Alonso (McLaren). Na volta 9, o bicampeão chegou a utilizar o DRS para ultrapassar o monegasco, mas Charles se posicionou por dentro da Curva 1, impedindo a manobra do adversário.

Alonso bem que tentou, mas Leclerc segurou o espanhol com maestria

Alonso bem que tentou, mas Leclerc segurou o espanhol com maestria em Montreal

Apesar da pressão, o piloto da Sauber mantinha Alonso sob controle. Após Esteban Ocon (Force India) ir para os boxes, na volta 11, Leclerc subiu para a nona posição. Com o pit stop de Nico Hulkenberg (Renault) na 13, o monegasco ascendeu para o oitavo lugar. Na passagem seguinte, foi a vez da parada de Sainz. Dessa forma, Charles assumia o sétimo lugar, sempre com Alonso em seus calcanhares. Na volta 18, a McLaren chamou Fernando para os boxes. A ideia do time britânico era calçar novos compostos e tentar superar Leclerc. Ao ver o movimento da McLaren, a Sauber chamou o monegasco para o pit stop na volta 19. Na troca, a equipe suíça sacou os pneus ultramacios e colocou os supermacios (os mais resistentes do fim de semana). Assim, Charles não pararia mais.

Na saída dos boxes, entretanto, Leclerc estava junto de Alonso. Desta vez, o espanhol levou a melhor, tomando a posição do monegasco. Naquele momento, Charles era o 14º lugar. Na volta 22, com a parada de Magnussen, o piloto da Sauber passou para 13º. Na 24, com o pit stop de Pierre Gasly (Toro Rosso), Leclerc ascendeu para 12º. A partir dali, parecia que a meta de pontuar estava longe de ser atingida, uma vez que Charles havia perdido a posição para Alonso e que ainda restava a parada de Romain Grosjean (Haas) – que tentava estender o tempo de permanência na pista. Assim, o monegasco precisava acelerar ao máximo para não perder contato com Fernando e ganhar a posição de Grosjean, então nono colocado.

Leclerc assumiu o 10º lugar após a quebra de Alonso e o pit stop de Grosjean

Leclerc assumiu o 10º lugar após a quebra de Alonso e o pit stop de Grosjean

A vantagem de Alonso sobre Leclerc variava entre 2 e 3 segundos. Dessa forma, seria impossível tomar a posição do espanhol. Entretanto, na volta 40, um problema no escapamento na McLaren fez com que Fernando abandonasse em Montreal. Assim, Charles subiu para 11º. Contudo, ainda restava a parada de Grosjean para a situação de pista ser definida. E ela veio na volta 47. O francês da Haas foi para os boxes, e caiu de nono para 12º. O monegasco da Sauber era 10º – a 8 segundos de Ocon e com mais de 10 segundos de vantagem de Gasly. A partir desse instante, bastou a Leclerc administrar o ritmo e assegurar mais um ponto na F1.

A vitória no GP do Canadá ficou com Sebastian Vettel (Ferrari). Foi a terceira vitória do alemão na temporada (a 50ª na carreira), que lhe rendeu a liderança do Mundial – agora, Sebastian tem 121 pontos, contra 120 de Lewis Hamilton (Mercedes), que terminou em quarto na etapa canadense. Valtteri Bottas (Mercedes) foi o segundo, e Max Verstappen (Red Bull) completou o pódio. Já Charles estava feliz com a 10ª posição. Também pudera: trata-se de seu terceiro top 10 no ano.

Charles administrou o ritmo no fim e conquistou mais um ponto no Mundial: monegasco soma 10 até o momento

Charles administrou o ritmo no fim e conquistou mais um ponto: monegasco soma 10 até o momento

“Foi uma boa corrida hoje (domingo). Estou muito feliz com o resultado – agora são quatro corridas que estamos fazendo um ótimo trabalho e que estamos melhorando consistentemente. Tenho orgulho da equipe e do trabalho que todos fizeram. Foi emocionante descobrir essa pista em Montreal e gostei muito de dirigir aqui. Agora temos que pegar o que aprendemos aqui e procurar continuar nesse caminho positivo para as próximas corridas”, afirmou Leclerc, que se manteve em 14º no Mundial de Pilotos, com 10 pontos, e que ajudou a Sauber a se consolidar na nona posição do Mundial de Construtores, com 12 pontos.

Início promissor de Leclerc ajuda a Sauber a ficar em nono no Mundial de Construtores, à frente da Williams

Início promissor de Leclerc ajuda a Sauber a ficar em nono entre os Construtores, à frente da Williams

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Mônaco-2018: tática e regularidade colocam Gasly em sétimo

Pierre Gasly foi um dos destaques do GP de Mônaco: sétimo lugar veio com estratégia ousada

Pierre Gasly (Toro Rosso) foi um dos destaques do GP de Mônaco: 7º lugar veio com estratégia ousada

Pierre Gasly (Toro Rosso) causou furor quando alcançou um impressionante quarto lugar no GP do Bahrein de 2018, em Sakhir. Também pudera: impulsionado por um questionado motor Honda, o francês deu um show à parte e conquistou importantes 12 pontos para a escuderia italiana e para a fabricante japonesa. A partir dali, a expectativa em torno de Gasly só aumentou. Entretanto, as etapas seguintes não foram frutíferas para o piloto de 22 anos – no GP da China, em Xangai, atingiu em cheio seu companheiro de Toro Rosso, Brendon Hartley, e terminou em 15º; no GP do Azerbaijão, em Baku, enfrentou percalços e foi 12º; e no GP da Espanha, em Montmeló, foi ‘atropelado’ por Romain Grosjean (Haas) e acabou abandonando a prova. Por isso, o mantra de Pierre para a disputa do GP de Mônaco de 2018 era um só: voltar a pontuar na temporada.

A estreita pista do Principado seria cenário ideal para uma reação do francês no campeonato. Em um circuito travado, a potência de motor é menos preponderante – logo, um bom sinal para a Honda. Assim sendo, encontrar um balanço ideal para percorrer as ruas monegascas era o desafio para a Toro Rosso. Dessa forma, Gasly e Hartley ingressaram na pista na quinta-feira – dia tradicional dos primeiros treinos livres para o GP de Mônaco. Logo, a dupla tratou de testar os jogos de pneus disponíveis para o fim de semana – os supermacios (mais resistentes), ultramacios (intermediários) e hipermacios (menos resistentes). No fim, tanto Pierre quanto Brendon ficaram no meio do pelotão. Gasly foi o 14º mais veloz do dia, com 1m13s410. O gaulês ficou a 0s188 de Hartley, o 11º com 1m13s222, e a 1s569 de Daniel Ricciardo (Red Bull), o melhor do dia com 1m11s841.

No primeiro dia de treinos, na quinta, Gasly foi superado por Brendon Hartley: adaptação aos jogos de pneus

No primeiro dia de treinos, na quinta, Gasly foi superado por Hartley: adaptação aos jogos de pneus

Sobre o primeiro dia de treino, o francês demonstrou um misto de alegria e preocupação. “É muito legal estar de volta nas ruas de Mônaco! Minha última vez foi em 2016, e é uma das pistas mais incríveis do ano, então é muito bom estar aqui. Tentamos muitas coisas hoje (quinta), e no momento eu acho que está muito apertado entre o P7 e a parte de trás do pelotão. Eu realmente não encontrei as configurações certas para me sentir totalmente confortável com o carro, então eu estou um pouco fora de sincronia no momento. Já o Brendon (Hartley) parece muito bem, então vamos trabalhar para tentar encontrar o melhor pacote. O carro parece ser rápido, então se conseguirmos encontrar dois ou três décimos, acho que podemos lutar para estar no top 10 do grid – esse será o alvo para trabalharmos para sábado”.

No sábado, tanto Gasly quanto Hartley tinham não só esperança de passar para o Q2 de Mônaco, como também (mas com uma dose de sorte) de avançar para o Q3. No treino livre de sábado, Max Verstappen (Red Bull), um dos favoritos para a pole, se espatifou na saída da segunda perna do S da Piscina. O acidente tirou o holandês do qualifying, aumentando o otimismo nos boxes da Toro Rosso. Porém, assim que o Q1 terminou, uma surpresa desagradável para o time de Faenza: Brendon foi apenas o 16º lugar, com 1m13s179, não avançando para o Q2. Já Pierre foi com louvor não só para o Q2, como também brilhou ao alcançar o Q3. Na sessão final, Gasly anotou 1m12s221, ficando 1s411 atrás de Daniel Ricciardo (Red Bull), pole do GP de Mônaco. O australiano fez 1m10s810, quebrando o recorde da pista e anotando sua segunda pole na carreira – a primeira foi justamente na etapa monegasca, em 2016.

No sábado, Pierre conseguiu avançar para o Q3. No fim, conseguiu o 10º lugar no grid

No sábado, Pierre conseguiu avançar para o Q3. No fim, conseguiu o 10º lugar no grid

“Devo dizer que me senti bem no carro hoje (sábado). Creio que demos um bom passo comparado às últimas corridas. Ficamos a apenas um décimo do 6º lugar – o que é bom e ruim ao mesmo tempo, porque você sempre fica pensando que poderia ter encontrado aquele décimo. Estou super feliz por chegar à Q3 e é uma boa posição de largada, principalmente nesta pista. Como vimos no passado, tudo pode acontecer aqui. Acho que será extremamente importante largar bem. Estou cada vez mais confortável no carro, então preciso continuar acumulando experiência e melhorando. Mônaco é realmente uma pista única, e tivemos de acertar o carro de modo diferente – o que foi positivo. Aprendemos mais a cada fim de semana e parece que tudo está funcionando bem desta vez. Chegamos novamente no pelotão intermediário e espero que possamos ter uma ótima corrida amanhã (domingo), marcando muitos pontos”, analisou Pierre após o quali.

Largada do GP de Mônaco de 2018: com início limpo, Gasly se manteve em 10º

Largada do GP de Mônaco de 2018: com início limpo, Gasly se manteve em 10º

A corrida

Domingo, 27 de maio de 2018. Nuvens escuras pairaram sobre o Principado de Mônaco momentos antes da largada. Porém, apenas algumas gotas não molharam o circuito de rua. Assim, pilotos e equipes não precisaram se preocupar com o clima. As 78 voltas do GP de Mônaco aconteceriam com o asfalto seco. Alinhado na 10ª posição do grid, Pierre Gasly tinha dois objetivos: prosseguir no top 10 da classificação e escapar de qualquer incidente na Sainte Devote, primeira curva do traçado monegasco. Calçando pneus hipermacios, o francês sabia que conservar aquele composto seria fundamental para a obtenção de um bom resultado. Logo ao apagar das luzes vermelhas, Gasly tratou de defender sua 10ª posição. Após passar limpo pela Sainte Devote, Pierre via Nico Hulkenberg (Renault), o 11º, em seu retrovisor, enquanto perseguia Sergio Pérez (Force India), o nono.

Com as posições estabelecidas, o que se viu foi uma procissão pelas ruas do Principado. Na volta 5, Gasly estava a 1s4 de Pérez, e tinha 0s9 de vantagem sobre Hulkenberg. Apesar das distâncias pequenas, ninguém se arriscava a fazer uma ultrapassagem. Também pudera: o circuito também não permitia tal “extravagância”. Na volta 10, a vantagem de Checo sobre Pierre se mantinha em 1s5. A esperança do francês da Toro Rosso se encontrava na estratégia traçada pela equipe de Faenza e na parada dos seus concorrentes mais próximos. E isso começou a ocorrer na volta 15, com a ida de Carlos Sainz Jr. (Renault) para os boxes. Com a parada do espanhol, Gasly subiu para nono. Na volta 19, foi a vez de Fernando Alonso (McLaren) realizar seu pit stop. Assim, o francês ascendeu para a oitava colocação.

Gasly sofreu pressão de Hulkenberg no início da etapa, mas seguiu à frente do alemão

Gasly sofreu pressão de Hulkenberg no início da etapa, mas seguiu à frente do alemão

Na 21, enfim, Pérez saiu da alça de mira de Gasly e se encaminhou aos boxes. Dessa forma, Pierre assumiu o sétimo lugar. Na 23, após o pit stop de Esteban Ocon (Force India), o piloto da Toro Rosso passou a ocupar a sexta colocação. A partir daquele instante, apenas carros das três principais potências estavam à sua frente – Daniel Ricciardo (Red Bull) era o líder, seguido por Sebastian Vettel (Ferrari), Lewis Hamilton (Mercedes), Kimi Raikkonen (Ferrari) e Valtteri Bottas (Mercedes). Na volta 25, o francês estava a 19s3 de Bottas. Em contrapartida, tinha 6s4 de vantagem sobre Hulkenberg. O ritmo de Gasly com os pneus hipermacios usados eram excelentes, a ponto de colocar mais distância sobre Hulk. Na volta 32, a diferença entre Pierre e Nico alcançava 12s4.

Porém, já era chegada a hora da troca de pneus. A Toro Rosso chamou Gasly para os boxes na volta 37, tendo sido o piloto que mais andou com os hipermacios em Mônaco. Na troca, colocou supermacios (os mais resistentes à disposição das escuderias). No retorno à pista, o francês estava em 10º, atrás de Max Verstappen (Red Bull) – que ainda não tinha feito seu pit stop. O francês estava colado no holandês, mas não tinha como superá-lo. Com a ida de Verstappen para os boxes, na volta 47, Pierre subiu para nono. Com a parada de Hulkenberg, na volta 50, o piloto da Toro Rosso assumiu o oitavo lugar. Podendo utilizar os supermacios à vontade, Gasly colou em Alonso, o sétimo. O espanhol tinha dificuldades em segurar seu McLaren na pista. Na volta 53, veio o motivo: o bicampeão encarava problemas no câmbio de seu bólido laranja, abandonando a prova. Assim, Pierre assumia o sétimo lugar.

Quebra de Alonso ajudou Gasly a assumir o sétimo lugar. Ainda assim, sofreu com pressão de Hulk

Quebra de Alonso ajudou Gasly a assumir o sétimo lugar. Ainda assim, sofreu com pressão de Hulk

A partir dali, Gasly iniciava perseguição a Ocon, o sexto. Na volta 55, a distância entre os dois franceses estava na casa de 4 segundos. Aos poucos, Pierre reduzia a diferença. Contudo, precisava se preocupar com o avanço de Hulkenberg, que, na volta 60, colou na traseira da STR13 do gaulês. Na volta 62, o piloto da Toro Rosso estava a 3 segundos de Ocon, e tinha 0s4 de vantagem sobre Hulk. Empurrado pelo alemão da Renault, Gasly encostava no francês da Force India. Na volta 70, Ocon se aproximava de Raikkonen, o quarto, e Bottas, o quinto. Isso fazia com que Esteban andasse no ritmo imposto por Kimi, fazendo aumentar o pelotão – o que era bom para Pierre. Entretanto, na volta 71, Charles Leclerc (Sauber), que corria pela primeira vez em casa, sofreu com uma falha de freios e acabou atingindo Brendon Hartley (Toro Rosso) na freada da Chicane do Porto.

O acidente entre Leclerc e Hartley promoveu a instalação do virtual safety car (VSC) na etapa monegasca por três voltas. A liberação foi dada na volta 75, a três da bandeira quadriculada. Gasly partiu para cima de Ocon. Porém, não havia como ultrapassá-lo. Pierre cruzou a linha de chegada a 0s6 de Esteban, tendo que se conformar com a sétima posição. A vitória no GP de Mônaco de 2018 ficou com Ricciardo. Após o fiasco de 2016 – quando perdeu um triunfo certo por causa de um erro na troca de pneus -, o australiano enfim pôde saborear o topo do pódio no Principado após superar problemas de perda de potência em seu Red Bull. Foi a segunda vitória de Daniel em 2018 – a sétima na carreira. Vettel ficou em segundo, e Hamilton completou o pódio.

Gasly se mostrou satisfeito com o sétimo lugar: andar por 37 voltas com hipermacios foi a chave para o resultado

Gasly estava satisfeito com o 7º lugar: fazer 37 voltas com hipermacios foi a chave para o resultado

Mesmo não chegando em sexto, Gasly celebrou o bom sétimo lugar em Mônaco. “Meu primeiro GP de Mônaco na F1 e minha segunda vez nos pontos em 2018. Honestamente, foi uma corrida incrível. Largando em 10º, nós sabíamos que poderia ser difícil, mas o carro estava muito veloz. Tentei ser cauteloso com os pneus desde o começo, e quando estava sozinho na pista, pude forçar ao máximo porque estava me sentindo bem no carro. Conseguimos sair dos pits à frente dos outros e lutei bastante para manter Hulkenberg atrás, porque sabemos que é difícil passar em Mônaco. Tentei manter o foco e não cometer erros, já que os pneus estavam bem desgastados no final. Não foi fácil, mas conseguimos chegar em sétimo”, afirmou o francês.

Sobre a opção do longo stint com hipermacios, Pierre disse que não foi algo previamente estabelecido. “Na verdade, fizemos um stint muito mais longo do que planejamos. Não esperávamos que pudéssemos manter os pneus vivos por muito tempo. Não era o plano e foi algo que decidimos durante a corrida. Foi inacreditável quantas voltas fizemos com os hipermacios (37). Antes da corrida eu não estava confiante com os pneus porque a degradação foi enorme. Então eu tentei cuidar muito bem dos pneus no começo e, quando todo mundo começou a parar, eu comecei a forçar. Naquele momento, nós estávamos mais rápidos do que todos os caras que colocaram supermacios e ultramacios”, destacou o piloto, que, com o sétimo lugar, subiu para 11º no Mundial de Pilotos, com 18 pontos, e ajudou a manter a Toro Rosso em sétimo entre os Construtores – o time está empatado com a Haas na classificação, com 19 pontos.

Pierre está em 11º do Mundial de Pilotos, com 18 pontos, e ajudou a Toro Rosso a empatar com a Haas entre os Construtores

Com 18 pontos em 2018, Pierre ajudou a Toro Rosso a empatar com a Haas entre os Construtores

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Espanha-2018: Magnussen, o intimidador, leva a Haas ao top 6

Envolvido em lances polêmicos, Kevin Magnussen ignorou críticas e levou a Haas ao 6º lugar no GP da Espanha

Envolvido em polêmicas, Kevin Magnussen ignorou críticas e levou a Haas ao 6º lugar em Montmeló

Ainda que venha obtendo bons resultados em 2018 (destaque para o quinto lugar no GP do Bahrein, em Sakhir), Kevin Magnussen tem chamado mais a atenção dos fãs da Fórmula 1 por causa de seu comportamento ‘agressivo’ contra seus adversários. No GP do Azerbaijão, em Baku, por exemplo, o dinamarquês da Haas deixou espectadores indignados após fechar Pierre Gasly (Toro Rosso) em duas oportunidades em uma mesma reta. Após o lance, o francês declarou que Magnussen era “o piloto mais perigoso com o qual já competi”. Depois do incidente, Kevin recebeu uma punição de 10 segundos e também dois pontos de penalidade em sua superlicença. Ao desembarcar em Montmeló, palco do GP da Espanha, o dinamarquês carregava sete pontos na superlicença – caso o piloto atinja 12 pontos em um período de 12 meses, ele ficará suspenso por uma corrida.

Apesar de concentrar os olhares por causa de sua conduta na pista, Magnussen parecia pouco se importar. Pelo contrário: ao ingressar no circuito catalão para o primeiro treino livre, tratou de manter seu habitual senso “intimidador”. Durante a sessão, KMag fechou Charles Leclerc (Sauber) de forma abrupta e acintosa, assustando o jovem monegasco. O fato voltou a ser investigado pela FIA. Embora tenha dado uma reprimenda, os fiscais decidiram não punir o piloto da Haas. Depois da decisão, o chefe da escuderia, Gunther Steiner, defendeu o comandado. “Todo mundo se sente no direito de criticar Kevin. Ele foi até os comissários, que o repreenderam, mas ele não recebeu punição. Não há necessidade de tirar proveito disso. No momento em que Kevin é o ‘bad boy’, os comissários o chamam por qualquer coisa”, afirmou ao jornal Ekstra Bladet, da Dinamarca.

Após ser punido por fechar Gasly em Baku, Magnussen levou reprimenda da FIA após fechada em Leclerc no treino livre em Montmeló

Punido por fechar Gasly em Baku, KMag levou reprimenda ao ignorar Leclerc no FP1 em Montmeló

Polêmicas à parte, a sexta foi positiva para Magnussen. O dinamarquês foi o oitavo mais veloz do dia, com 1m19s643. Romain Grosjean foi o sétimo, com 1m19s579 – apenas 0s064 à frente do companheiro de equipe. A volta de Kevin foi 1s384 mais lenta que a de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz da sexta com 1m18s259. Magnussen não deu declarações sobre a reprimenda da FIA no incidente com Leclerc. Entretanto, destacou a boa performance do VF-18 em Montmeló. “Foi um bom dia hoje (sexta-feira). Estou satisfeito com o desempenho do carro. Algumas coisas para melhorar amanhã (sábado), mas, no geral, acho que estamos parecendo muito fortes”, analisou.

No sábado, Kevin foi protagonista apenas na pista. Veloz e demonstrando afinidade com seu Haas, o dinamarquês estava determinado a avançar para o Q3 em Montmeló. Assim como Grosjean, Magnussen superou as duas primeiras fases do qualifying. Na terceira e definitiva fase, KMag assinalou 1m17s676, derrubando as pretensões dos espanhóis Fernando Alonso (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (Renault) em alcançar o sétimo lugar no grid. Kevin ficou atrás somente das duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. A marca de Magnussen foi 0s159 mais veloz que a de Grosjean, 10º com 1m17s835. Em contrapartida, ficou a 1s503 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP da Espanha com 1m16s173. Foi a 74ª pole position da carreira do britânico, recordista absoluto do quesito na F1.

No sábado, Magnussen só ficou atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull: 7º lugar com sabor de pole

No sábado, Magnussen só ficou atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull: 7º lugar com sabor de pole

Apesar da pole ficar com Hamilton, Magnussen celebrou o sétimo lugar como se fosse a posição de honra do grid. “Foi uma classificação muito boa. O P7 para nós é realmente a pole – é o melhor que você pode esperar se não estiver em uma Ferrari, Mercedes ou Red Bull. Estou muito feliz com isso. Estou ansioso para amanhã (domingo) e, espero, possamos trazer para casa alguns pontos. É uma boa posição para largar, e novamente, o P7 é provavelmente o melhor que podemos esperar se todos terminarem. Isso ainda é uma batalha muito apertada, mas eu acho nosso carro forte e podemos estar felizes com o que estamos fazendo no momento”, disse o dinamarquês.

Largada do GP da Espanha, em Montmeló: Magnussen se manteve em 7º e se viu livre de incidentes

Largada do GP da Espanha, em Montmeló: Magnussen se manteve em 7º e se viu livre de incidentes

A corrida

Domingo, 13 de maio de 2018. Apesar da presença de nuvens escuras, a chuva passaria longe de Montmeló durante o GP da Espanha. Alinhado em sétimo e calçando pneus macios, Kevin Magnussen tinha uma missão traçada: manter-se em sétimo, atrás apenas das três principais potências da F1 na atualidade – Mercedes, Ferrari e Red Bull. Para isso, o dinamarquês precisava frear o ímpeto dos espanhóis Fernando Alonso (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (Renault). Quando as luzes vermelhas se apagaram, KMag conseguiu saltar bem e ficar à frente dos concorrentes. Na entrada da curva 3, Magnussen controlou o carro e seguiu em sétimo. Logo atrás dele, vinha Romain Grosjean (Haas). O francês se assustou com o movimento do bólido do companheiro e perdeu a traseira de seu VF-18. Para evitar que saísse da pista, Grosjean acelerou ao máximo. Foi um tremendo erro: Romain voltou atravessado, no meio do pelotão, e acertou Pierre Gasly (Toro Rosso) e Nico Hulkenberg (Renault) em cheio.

Apesar da impressionante cena protagonizada por Grosjean, os pilotos saíram ilesos de seus carros. O forte acidente provocou a entrada do safety car. Na relargada, na volta 6, Magnussen sofreu ataque de Sainz, mas prosseguiu em sétimo. Aos poucos, Kevin passou a abrir sobre Carlos. Em contrapartida, perdia contato em relação a Daniel Ricciardo (Red Bull), sexto colocado. Na volta 10, KMag colocava 2s3 sobre Sainz, e ficava a 4s2 de Ricciardo. Na 15, a vantagem de Daniel sobre Kevin era de 9s8. Já a do dinamarquês da Haas sobre o espanhol da Renault alcançava 3s3. Na volta 18, Sebastian Vettel (Ferrari) se encaminhou para os boxes, fazendo seu primeiro pit stop. Com a parada do alemão, KMag assumiu o sexto lugar.

Magnussen, à frente de Sainz: missão do dinamarquês era bater o espanhol

Magnussen, à frente de Sainz (Renault): missão do dinamarquês em Montmeló era bater o espanhol

Com pneus novos, Vettel se aproximou rapidamente de Magnussen. Na volta 20, o germânico superou o dinamarquês. Naquele mesmo instante, Valtteri Bottas (Mercedes) saía dos boxes após realizar seu pit stop. Assim, Kevin estava entre Seb e Valtteri. O finlandês da Mercedes não podia perder tempo na perseguição ao alemão da Ferrari. Logo na volta 21, Bottas ultrapassou Magnussen, fazendo com que o dinamarquês voltasse para o sétimo lugar. Na volta 25, Kimi Raikkonen (Ferrari) se deparou com problemas em seu motor. Assim, KMag acabou herdando o sexto lugar. Naquela passagem, Sainz parou nos boxes. Diante da parada do espanhol da Renault, o piloto da Haas passou a estender sua presença na pista ao máximo. O objetivo era um só: realizar apenas um pit stop durante toda a corrida.

Na volta 32, a Haas chamou Magnussen para os boxes. Na troca, a equipe norte-americana sacou os pneus macios e os substituiu por compostos médios (mais resistentes, menos aderentes). No retorno à pista, Kevin continuava em sexto. A tática da escuderia ianque havia surtido efeito. Assim, o dinamarquês poderia administrar seu ritmo de prova. Na volta 37, a vantagem de KMag sobre Sainz era de impressionantes 19s. Por outro lado, estava a 30s de Ricciardo. A partir daquele momento, Magnussen passaria a fazer uma corrida solitária. Na volta 52, Kevin tomou uma volta do líder Lewis Hamilton (Mercedes). Porém, sua vantagem sobre Carlos estava além dos 20s. Assim, KMag asseguraria sem maiores percalços o sexto lugar em Montmeló. A vitória ficou com Hamilton, seguido por Bottas e Max Verstappen (Red Bull).

Na fase final da prova, Magnussen administrou os pneus médios e assegurou o sexto lugar

Na fase final da prova, Magnussen administrou os pneus médios e assegurou o sexto lugar

Não houve pódio para Magnussen, mas havia muito a celebrar. Foi o segundo top 6 do dinamarquês em 2018. Com isso, Kevin passou a dividir o nono lugar do Mundial de Pilotos com Sainz – ambos têm 19 pontos. Além disso, ajudou a Haas a superar a Force India entre os Construtores – agora, o time ianque tem 19 pontos, contra 18 dos indianos. O acidente de Grosjean foi péssimo para a escuderia – caso não sofresse o acidente, dificilmente o sétimo lugar escaparia do francês. Porém, para KMag, significou a sua consolidação como primeiro piloto da Haas em 2018. Sobre o desempenho em Montmeló, o dinamarquês ressaltou a importância de conservar o sétimo lugar – afinal, era o lugar mais palpável para ele na etapa espanhola.

“Eu tive uma largada muito boa. Eu estava ao lado dos carros da Red Bull, mas eu realmente não queria lutar contra eles, pois sabia que eles eram muito mais rápidos. Meu trabalho era ficar em sétimo e me estabelecer a partir daí. Eu fui capaz de me defender bem. Me mantive afastado de problemas na primeira volta, e fiquei feliz por isso. Tivemos um desempenho forte e penso que merecíamos obter esses pontos, como foi no Bahrein. A bem da verdade, deveríamos marcar pontos em todas as corridas, e nós tivemos carro para fazer isso. Porém, nós tivemos alguns erros e contratempos que fizeram que não marcássemos pontos regularmente. É bom conseguir alguns pontos na tabela. Estou satisfeito por estarmos de volta em nossa merecida posição no campeonato de construtores (sexto lugar). Nós só precisamos manter esse nível e continuar a pontuar regularmente”, finalizou Magnussen.

KMag levantou sua torcida em Montmeló: 19 pontos, top 10 do Mundial e posição de destaque na Haas

KMag levantou a torcida em Montmeló: 19 pontos, top 10 do Mundial e posição de destaque na Haas

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Azerbaijão-2018: Charles Leclerc, um histórico top 6 em Baku

Charles Leclerc conquistou seus primeiros pontos na F1 ao terminar em sexto em Baku

Charles Leclerc conquistou seus primeiros pontos na F1 ao terminar em sexto em Baku

Um misto de emoções povoou a cabeça de Charles Leclerc (Sauber) ao cruzar a linha de chegada do GP do Azerbaijão de 2018, disputado no último dia 29 de abril, em Baku. Ao alcançar o sexto lugar, o monegasco de 20 anos pontuava pela primeira vez na Fórmula 1, tornando-se o 337º piloto a marcar pontos na categoria máxima do automobilismo. Não só isso: Leclerc quebrava um jejum de 68 anos – desde Louis Chiron, terceiro no GP de Mônaco de 1950, o pequeno país não via um representante na zona de pontuação. O top 6 de Charles também teve significado especial para o time de Peter Sauber: foi o melhor resultado da escuderia desde o sexto lugar de Felipe Nasr no GP da Rússia de 2015, em Sochi. Diante das façanhas históricas para piloto e equipe, Baku acabou sendo cenário de uma grande festa para a turma de Hinwil.

O sexto lugar no Azerbaijão trouxe à tona o talento de Leclerc. Aliás, trata-se de um prodígio moldado desde o berço. Nascido em 16 de outubro de 1997, em Mônaco, Charles morava em uma residência que era a extensão de um circuito de corridas. O pai, Herve Leclerc, kartista e piloto de Fórmula 3, foi o mentor do filho na pistas. Sempre que podia, Herve contava a Charles sobre Ayrton Senna – lembrando que o garoto nasceu três anos após a morte do ícone brasileiro. “Meu pai sempre me falava sobre Senna. Então, cresci inspirado naquela lenda. Ayrton era o meu herói. Assisti suas voltas de qualificação em Mônaco inúmeras vezes. Era demais, pois ele pilotava nas ruas em que eu caminhava todos os dias”, disse, em 2017, para o site oficial da F1.

Orientado pelo pai Herve, Charles mirou o exemplo de Senna, foi influenciado por Bianchi

Orientado pelo pai Herve, Charles mirou o exemplo de Senna e foi influenciado por Jules Bianchi

Mirando no exemplo de Senna, Charles passou a andar de kart com apenas cinco anos, na pista de um outro apaixonado por velocidade: Philippe Bianchi, pai de… Jules Bianchi. Administrador de um circuito em Brignoles (França), Philippe abriu as portas para o garoto, que se inspirava em seu próprio filho. Jules era uma espécie de referência para Charles. Assim, construiu-se o caráter do monegasco: movido pelo sonho do pai, trilhando o caminho do amigo mais velho. Com apenas oito anos, Charles passou a competir no kartismo francês. Entre 2005 e 2013, ganhou quase tudo o que um piloto poderia almejar: campeonatos francês, monegasco, europeu nas categorias KF3, cadete e KF2.

Os títulos atraíram a atenção do empresário Nicolas Todt. O francês, que já agenciava Bianchi, passaria a gerenciar a carreira de Leclerc em 2011. Em 2014, Leclerc se transferiu para a Fórmula Renault 2.0, na qual obteve bons resultados. Naquele mesmo ano, Bianchi alcançou um marcante nono lugar no GP de Mônaco de F1. Todavia, um acidente no GP do Japão, em Suzuka, interrompeu a ascendente trajetória do francês. Em 2015, Jules não resistiu aos ferimentos, vindo a falecer. A morte do amigo não abalou a carreira de Leclerc. “Mesmo depois do acidente de Jules em Suzuka, eu nunca tive a menor dúvida sobre o meu futuro. Eu sei que o perigo faz parte das corridas, mas quando eu estou no cockpit, tudo que eu sinto é adrenalina. Nunca dirigi nem um metro sequer com medo de que algo pudesse acontecer”.

Títulos da GP3 e da Fórmula 2 impressionaram a todos: vaga na Sauber foi consequência

Títulos da GP3 e da Fórmula 2 impressionaram a todos na F1: vaga na Sauber foi consequência

Ainda em 2015, Leclerc disputou a Fórmula 3 Europeia, conquistando o quarto lugar geral, com quatro vitórias. Outro destaque naquele ano foi o segundo lugar na tradicional prova de Macau. A boa sequência fez com que Todt pleiteasse um lugar para Charles na Academia de Desenvolvimento da Ferrari em 2016. Assim como Bianchi, Leclerc estreitava suas relações com a Scuderia. Simultaneamente à função de piloto de testes da Haas, Charles cumpriria a temporada da GP3. E o monegasco impressionou: com três vitórias e oito pódios, assegurou o título da categoria. O troféu chamou a atenção de todos da Fórmula 1. Leclerc já era tratado como diamante bruto quando foi para a Fórmula 2 em 2017. Com a equipe Prema, o monegasco assombrou a categoria. Dominante, Charles foi campeão com sete vitórias e 10 pódios. A partir dali, era impossível ignorá-lo.

Mas nem tudo foi perfeito para Leclerc em 2017. Dois anos após a morte de Bianchi, o monegasco teve que lidar com a perda do pai, Herve, aos 54 anos. Porém, Charles soube fazer das lacunas um combustível para mais conquistas. Em nome de Jules e de Herve, alcançou o tão sonhado objetivo: a Fórmula 1. No fim de 2017, o jovem foi anunciado como piloto da Sauber para a temporada de 2018. Com isso, os holofotes passaram a focalizar o monegasco com mais ênfase. Nas três primeiras provas de Charles na Fórmula 1, o desempenho foi tímido: 13º no GP da Austrália, em Melbourne; 12º no GP do Bahrein, em Sakhir; e 19º no GP da China, em Xangai. Por outro lado, o companheiro de Leclerc na Sauber, Marcus Ericsson, havia conquistado um nono lugar em Sakhir. A postura positiva do sueco no início do campeonato acendeu um sinal de alerta para o staff do estreante: reagir em Baku era preciso.

Em Baku, Leclerc sempre andou à frente de Ericsson: ritmo deixou monegasco confiante

Em Baku, Leclerc sempre andou à frente de Ericsson: ritmo deixou monegasco confiante

Leclerc queria fazer do circuito onde fez uma inesquecível pole na temporada de 2017 da F2, apenas três dias após a morte do pai, um marco para a sua carreira também na Fórmula 1. Ao levar o C37 para a pista, o monegasco mostrou-se à vontade no seletivo traçado de rua. No fim da sexta-feira, primeiro dia de treinos livres em Baku, Charles terminou em 16º, com 1m44s940. O tempo do piloto de 20 anos foi 1s102 mais veloz que o obtido por Ericsson, 20º com 1m46s042. Por outro lado, Leclerc ficou a 2s145 da marca de Daniel Ricciardo (Red Bull), o mais rápido da sexta com 1m42s795. “No geral, foi um dia bom. Ainda temos um pouco de trabalho a fazer na preparação para a classificação de amanhã (sábado). Geralmente é uma pista interessante em termos de gerenciamento de pneus. Nesse aspecto, nosso ritmo parece bom”, observou.

No sábado, as coisas melhoraram para a Sauber. Charles se aproveitou das circunstâncias para avançar para o Q2 no qualifying. O novato viu Romain Grosjean (Haas) se acidentar no Q1 e ainda contou com o péssimo desempenho de Stoffel Vandoorne (McLaren) e da dupla da Toro Rosso – que se viu em problemas com a falta de potência do motor Honda nas longas retas de Baku – para superar a primeira fase do treino qualificatório. No fim, Leclerc obteve um ótimo 14º lugar, com 1m44s074. Eliminado no Q1, Ericsson foi 18º, com 1m45s541 – 1s467 atrás da marca do monegasco. Charles ficou a 2s576 da marca obtida por Sebastian Vettel (Ferrari), que assegurou a pole do GP do Azerbaijão de 2018 com 1m41s498. Foi a 53ª pole da carreira do alemão.

No sábado, Leclerc avançou pela primeira vez para o Q2: 14º lugar foi comemorado

No sábado, Leclerc avançou pela primeira vez para o Q2: 14º lugar foi comemorado

“Estou muito feliz com a minha classificação de hoje (sábado). Eu tive uma ótima volta no Q1, o que me permitiu avançar para o Q2. É a primeira vez que faço isso desde o início da temporada, o que é um grande passo para mim como novato. Toda a equipe fez um ótimo trabalho para tornar isso possível. Aprendi muito nos últimos três fins de semana de corrida e me sinto mais confortável com todos os procedimentos em cada sessão. Demos alguns passos positivos em termos de gerenciamento de pneus e o equilíbrio do carro é bom. Estou ansioso para a corrida de amanhã (domingo). Neste circuito, existem muitos fatores que irão influenciar o resultado”, afirmou Leclerc.

Largada do GP do Azerbaijão de 2018, em Baku: Leclerc fez início cauteloso

Largada do GP do Azerbaijão de 2018, em Baku: Leclerc teve início cauteloso

A corrida

Domingo, 29 de abril de 2018. Um sol tímido esquentava Baku para a disputa do GP do Azerbaijão. Entretanto, a temperatura seria quente do início ao fim da prova. Alinhado com pneus supermacios na 13ª posição do grid – herdou um lugar devido à punição dada a Nico Hulkenberg (Renault) -, Charles Leclerc sabia que, partindo no meio do pelotão, poderia sofrer as consequências de algum acidente durante a primeira volta. Todo cuidado seria pouco. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o monegasco foi cauteloso, perdendo posições para Hulkenberg e Pierre Gasly (Toro Rosso). Mas logo dois acidentes aconteceriam à frente de Leclerc: o choque entre Kimi Raikkonen (Ferrari) e Esteban Ocon (Force India) – que tirou o francês da corrida e colocou o finlandês no fundo do pelotão – e o acidente entre Fernando Alonso (McLaren) e Sergey Sirotkin (Williams) – que fez com que o russo abandonasse e deixasse o espanhol com duas rodas e no fim da classificação. Assim, Charles era o 11º ao fim da volta 1.

Diante dos embates e da sujeira na pista, foi necessária a entrada do safety car em Baku. Sob bandeira amarela, Sergio Pérez (Force India) mudou de estratégia ao antecipar seu pit stop para a volta 3, fazendo com que o piloto da Sauber ingressasse na zona de pontuação. A relargada só veio na volta 6. Leclerc teve que se defender das investidas de Stoffel Vandoorne (McLaren) e Raikkonen, permitindo que Hulkenberg partisse para cima de Lance Stroll (Williams). Na volta 7, foi a vez de Charles atacar o canadense, tomando o nono lugar. Na passagem seguinte, o monegasco superou Gasly. Contudo, o piloto da Sauber acabou levando o troco de Stroll. Assim, Leclerc permaneceu em nono. Na volta 11, Charles se aproveitou para ultrapassar definitivamente Lance, assumindo o oitavo lugar. Na mesma passagem, Hulkenberg quebrou a suspensão de seu bólido, sendo obrigado a abandonar. Dessa forma, Charles passava a ocupar o sétimo lugar.

Após a relargada, Leclerc se defendeu das investidas de Vandoorne

Após a primeira relargada, Leclerc se defendeu das investidas de Vandoorne e Raikkonen

Com o primeiro pit stop de Carlos Sainz Jr. (Renault), na volta 15, o monegasco subiu para o top 6. Era um rendimento impressionante, estando atrás apenas de Sebastian Vettel (Ferrari), Lewis Hamilton (Mercedes), Valtteri Bottas (Mercedes), Max Verstappen (Red Bull) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Detalhe: a menos de dois segundos do australiano, que duelava de forma insana com seu companheiro de equipe. Além disso, estava à frente de Raikkonen, que aparecia em sétimo. Na volta 17, Charles não resistiu ao ataque de Kimi, caindo para sétimo. Mas Leclerc não esmoreceu. Atrás apenas dos pilotos das três principais escuderias da temporada, o monegasco andava num ritmo consistente, sem percalços. Aos 20 anos, parecia um veterano em ação.

Charles se manteve no top 7 até a volta 24, quando a Sauber chamou-o para realizar sua primeira parada nos boxes em Baku. Na troca, sacou os desgastados pneus supermacios e colocou um jogo de macios, mais duráveis. No retorno à pista, o novato estava em 11º, imediatamente atrás de Alonso. Com os compostos novos, e aproveitando-se de que o espanhol estava com o carro avariado, o monegasco superou Fernando na volta 26, retornando ao top 10. O ritmo de Leclerc era bom, a ponto de reduzir a diferença para Sainz, o nono. Na volta 32, Charles estava a 3s de Carlos, e tinha 6s de vantagem sobre Stroll. Naquelas circunstâncias, pontuar era algo quase certo para o piloto da Sauber. Mas a sorte começaria a sorrir ainda mais para o calouro.

Charles foi superado por Raikkonen na volta XX: por boas voltas, monegasco só foi superado pelas duplas das três principais equipes

Charles foi batido por Raikkonen na volta 17: monegasco só estava atrás de Ferrari, Mercedes e RBR

Na volta 39, na disputa fratricida da Red Bull, Ricciardo e Verstappen se enroscaram bisonhamente na freada da reta dos boxes. Ambos estavam fora da corrida. O acidente fez com o que o safety car fosse acionado novamente. Com isso, Leclerc e os demais pilotos do grid ingressaram nos boxes para uma segunda e derradeira parada. Na troca, Charles sacou os pneus macios e colocou compostos ultramacios. No retorno à pista, o piloto da Sauber ocupava a mesma oitava posição. Ainda sob bandeira amarela, Romain Grosjean (Haas) errou feio e sofreu um acidente durante o aquecimento dos pneus. Sem o francês, o monegasco subiu para sétimo.

Com muitos detritos, a bandeira amarela se estendeu até a volta 47. Na relargada, Leclerc atacou Sainz e tomou o sexto lugar do espanhol. Na 48, a três do fim, Bottas viu seu pneu traseiro direito explodir após passar sobre um pedaço de carro atirado na pista. Com o dano, o finlandês foi obrigado a abandonar. Charles herdaria a quinta posição, mas acabou sendo ultrapassado por Carlos. Dessa forma, manteve-se em sexto – e dali não mais sairia. A vitória do GP do Azerbaijão de 2018 caiu no colo de Hamilton. Foi o primeiro triunfo do britânico no ano, o 63º na carreira. Com o resultado, somado ao quarto lugar de Vettel, Lewis assumiu a liderança do Mundial. Raikkonen terminou em segundo, seguido por Pérez – foi o oitavo pódio da carreira de Checo, que se tornou o mexicano com mais top 3 na história da F1. Quem também festejou o primeiro ponto na F1 foi Brendon Hartley (Toro Rosso), 10º na corrida.

Leclerc mostrou categoria para assegurar o sexto lugar em Baku: primeiros pontos de um monegasco em 68 anos

Leclerc mostrou categoria para assegurar o top 6: primeiros pontos de um monegasco em 68 anos

Em sexto, Leclerc fez a festa da Sauber em Baku. As celebrações do novato foram intensas. O time suíço estava orgulhoso da performance do monegasco. Ao fim da corrida, Charles não se conteve. “Foi uma corrida incrível hoje (domingo), estou muito feliz com o meu resultado. Foi definitivamente agitado, com muitos incidentes na pista. Isso tornou pilotar especialmente difícil e divertido. Senti-me confortável no carro e fiz o meu melhor para avançar para a frente do pelotão intermediário durante a corrida. É uma sensação incrível marcar pontos pela primeira vez na Fórmula 1. Como equipe, podemos ver nosso potencial e saber quais são nossos pontos fortes. Estou muito satisfeito e estou ansioso para continuar neste caminho positivo”, celebrou, em nome de Herve Leclerc e Jules Bianchi.

Sexto lugar de Leclerc foi o melhor da Sauber desde o top 6 de Nasr em Sochi-2015

Sexto lugar de Leclerc foi o melhor resultado da Sauber desde o top 6 de Nasr em Sochi-2015

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