Bahrein-2017: Pérez ganha 11 posições e alcança sétimo lugar

Em corrida de recuperação, Sergio Pérez (Force India) terminou em 7º em Sakhir: nos pontos pela 13ª vez seguida

Em prova de recuperação, Sergio Pérez (Force India) terminou em 7º: nos pontos pela 13ª vez seguida

Há tempos, Sergio Pérez tem demonstrado regularidade e competência a bordo de seu Force India. Desde o GP da Alemanha de 2016, em Hockenheim, o mexicano vem frequentando a zona de pontuação da Fórmula 1. Foram 12 provas consecutivas. No último domingo, 17 de abril, a sequência parecia que seria quebrada. Ao alinhar em 18º no grid do GP do Bahrein de 2017, em Sakhir, Checo sabia que figurar entre os 10 primeiros era missão quase impossível. Mas Pérez não quis saber. Após uma primorosa largada, Sergio ascendeu na classificação. No fim, completou a etapa barenita em sétimo. Foi a 13ª corrida nos pontos, de maneira seguida. Mas, sem dúvida, foi a mais difícil desse período. Afinal, ascendeu 11 posições desde a largada.

O latino desembarcou confiante em Sakhir. Após as duas primeiras etapas do Mundial, o piloto da Force India ocupava o oitavo lugar na tabela de classificação, com oito pontos – mesmo número de Felipe Massa (Williams). Em anos anteriores, Checo obteve bons resultados na prova do Oriente Médio – foi terceiro no GP do Bahrein de 2014, e oitavo na corrida barenita de 2015. Porém, quando Pérez levou seu VJM10 para a pista, na sexta-feira, o otimismo deu lugar à incredulidade. Os pneus não se adaptaram ao asfalto, sobretudo à noite – período no qual aconteceria a etapa.

Na sexta, a Force India notou problemas de adaptação ao asfalto barenita: de dia, andava bem; à noite, mal

Na sexta, a Force India notou problemas de adaptação no Bahrein: de dia, andava bem; à noite, mal

No primeiro treino livre, realizado à tarde, Sergio foi o quarto mais veloz. Já no segundo treino, o mexicano não passou do 15º lugar. A marca de Checo foi de 1m33s319, a 0s444 de Esteban Ocon. Seu companheiro na Force India ficou em 12º, com 1m32s875. A melhor marca da sexta foi de Sebastian Vettel (Ferrari), com 1m31s310 – 2s009 à frente de Pérez. “Houve uma grande mudança nas condições da pista entre as duas sessões, quando as temperaturas caíram, e o carro não estava bem equilibrado na segunda sessão. Parece que perdemos um pouco de direção nos compostos de pneus macios e supermacios, então isso é algo que precisamos entender e melhorar hoje (sexta) à noite”, observou.

Aparentemente, a Force India não encontrou soluções para o sábado. Tanto Pérez quanto Ocon se viram em dificuldades com o VJM10. No qualifying, realizado à noite, em Sakhir, o mexicano e o francês se esforçaram para levar o time indiano para o Q2. Surpreendentemente, Pérez caiu logo no Q1. Foi uma sessão para esquecer. O latino só ficou à frente dos escandinavos Marcus Ericsson (Sauber) e Kevin Magnussen (Haas), assegurando o 18º lugar, com 1m32s318. Além disso, ficou a 0s904 de Ocon, que conseguiu avançar para o Q2 e obter o 14º lugar, com 1m31s414. A pole do GP do Bahrein ficou com Valtteri Bottas (Mercedes), com 1m28s769 – 3s549 à frente de Checo. Foi a primeira vez na carreira que o finlandês anotou o melhor tempo do qualificatório.

Pérez caiu no Q1 no sábado: surpresa e preocupação para a disputa do GP do Bahrein

Pérez caiu no Q1 no sábado: surpresa e preocupação para a disputa do GP do Bahrein

Após o qualifying, Pérez afirmou que foi atrapalhado pelos incidentes na pista. “Tive azar com as bandeiras amarelas hoje (sábado). Precisei abortar minha última volta na Q1 e foi o fim da minha classificação. É uma pena, porque eu tinha velocidade para ficar muito mais à frente, mas às vezes as coisas não dão certo. Ainda estou otimista para a corrida, porque conseguimos um bom progresso entre o último treino e a classificação. Eu estava bem mais feliz com o carro, mas não pudemos mostrar isso com o resultado final. Faremos o possível para avançar amanhã (domingo). Será uma prova dura, mas acho que podemos ser mais competitivos com uma boa estratégia”, analisou Checo.

Largada do GP do Bahrein de 2017: Pérez saltou bem e subiu para 13º

Largada do GP do Bahrein de 2017, em Sakhir: Sergio Pérez saiu bem e subiu para 13º

A corrida

Com o céu limpo e o ocaso se aproximando, o GP do Bahrein de 2017, em Sakhir, começava a se aproximar. Saindo da 18ª posição, Sergio Pérez só pensava em uma coisa: se recuperar rapidamente na classificação. Antes do início da corrida, o mexicano já herdava uma colocação – Stoffel Vandoorne (McLaren) sequer participou do GP, por problemas em seu MCL32. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o piloto da Force India disparou com tudo. Com arrojo, Checo ultrapassou Pascal Wehrlein (Sauber), Fernando Alonso (McLaren) e Lance Stroll (Williams). Além disso, contou com a escapada de Daniil Kvyat (Toro Rosso) para completar a volta 1 em 13º. A partir dali, Pérez iniciou perseguição a Jolyon Palmer (Renault). Com astúcia, o latino superou o britânico e assumiu a 12ª posição na volta 4.

Naquele momento, quem passava a estar à frente de Sergio era Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). Porém, a distância para o espanhol já era maior. Ainda assim, aos poucos, Checo reduziu a diferença para Sainz. Entretanto, já era a hora das primeiras trocas de pneus. Na volta 11, o mexicano subiu para 10º após o pit stop de Sebastian Vettel (Ferrari) e Esteban Ocon (Force India). Todavia, era uma situação momentânea: Vettel estava na cola de Pérez. Na volta 12, o alemão ignorou o latino, que caiu para 11º. Na mesma passagem, Sainz foi aos boxes, e Max Verstappen (Red Bull), com problemas nos freios, abandonava em Sakhir. Assim, Sergio se viu em nono.

Na volta 4, Pérez superou Jolyon Palmer (Renault) e alcançou o 11º lugar

Na volta 4, Pérez superou Jolyon Palmer (Renault) e alcançou o 12º lugar: ascensão meteórica

Na saída de boxes de Sainz, na volta 13, o espanhol acabou atingindo Stroll em cheio. O estrago foi grande, e os dois deixaram a prova. Diante dos detritos espalhados pela pista, a direção de prova acionou o safety car. Pérez aproveitou a oportunidade, parou nos boxes. Na troca, sacou os usados pneus supermacios e colocou novo jogo do mesmo tipo de borracha. Ao retornar ao pelotão, se via em nono, atrás de Marcus Ericsson (Sauber) e à frente de Romain Grosjean (Haas). Na volta 17, a relargada foi dada, e Checo partiu para o ataque. Logo, superou Ericsson e Nico Hulkenberg (Renault), assumindo a sétima posição.

Era uma situação improvável: em 18 voltas, Pérez saía do 18º lugar e passava a ocupar a sétima colocação, atrás somente das duplas da Mercedes, Ferrari, Felipe Massa (Williams) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Alcançar o australiano, o sexto colocado, era impossível. Por outro lado, Sergio não era incomodado por Hulkenberg. Na volta 28, Pérez estava a 3s3 de Ricciardo, e 5s4 à frente de Hulk. Com a parada de Valtteri Bottas (Mercedes), na volta 31, o mexicano subiu para sexto. Todavia, logo na passagem seguinte, o finlandês ultrapassou o latino, que retornou para sétimo.

No stint final, com pneus macios, Checo administrou o sétimo lugar

No stint final, com pneus macios, Checo administrou o sétimo lugar: seis pontos importantes

Na volta 36, Pérez parou pela segunda e definitiva vez na etapa barenita. No pit stop, a Force India sacou os pneus supermacios e colocou os macios. No retorno à pista, Sergio se via na sétima posição, à frente de Grosjean, e atrás de Massa. Na volta 39, a diferença entre o mexicano e o brasileiro estava na casa de 3s2. Em compensação, sua vantagem sobre o francês girava em 3s5. Com o passar das voltas, Pérez notou que era impossível superar Massa. Por outro lado, Checo passou a administrar a vantagem que tinha sobre Grosjean. O sétimo lugar estava assegurado pelo latino da Force India.

A vitória do GP do Bahrein ficou com Sebastian Vettel (Ferrari), seguido por Lewis Hamilton (Mercedes) e Valtteri Bottas (Mercedes). Foi a 44ª vitória do alemão na Fórmula 1, a segunda em 2017, fazendo com que deixasse Sakhir na liderança do Mundial, com 68 pontos – sete a mais do que Hamilton. Com a sétima posição, Pérez seguiu em oitavo no Mundial, com 14 pontos, e ajudou a Force India a alcançar o quarto lugar entre os Construtores, com 18 pontos – atrás somente de Ferrari, Mercedes e Red Bull. Com tudo isso, Checo demonstrou bastante satisfação, principalmente após tamanha recuperação.

Sergio cumprimentou a Force India: apesar dos treinos, time soube reagir na corrida

Sergio cumprimentou a Force India: apesar dos treinos, time soube reagir na corrida

“Estou bastante orgulhoso de minha equipe hoje (domingo). Chegar em sétimo após largar em 18º é uma recuperação incrível, podemos ficar muito felizes. Também é nossa 13ª corrida consecutiva nos pontos, o que é um feito incrível”, observou. “A primeira volta foi importante para minha prova, porque ganhei cinco posições e subi para 13º. Meus pneus tiveram uma ótima durabilidade no primeiro trecho. Ficamos o máximo possível na pista e o safety car nos favoreceu exatamente quando eu precisava fazer um pit stop. Creio que aproveitamos todas as oportunidades, e a equipe inteira – engenheiros e mecânicos – fez sua parte executando uma corrida perfeita”, celebrou Pérez.

Pérez ocupa o 8º lugar do Mundial, com 14 pontos; a Force India só é superada por Ferrari, Mercedes e Red Bull

Pérez ocupa o 8º lugar do Mundial, com 14 pontos: batalha em 2017 será contra a Williams

Publicado em Bahrein, Carlos Sainz Jr., Daniil Kvyat, Esteban Ocon, Force India, Haas, Kevin Magnussen, Marcus Ericsson, Pascal Wehrlein, Romain Grosjean, Sakhir, Sauber, Sergio Pérez, Toro Rosso | Publicar um comentário

China-2017: Sainz Jr. arrisca e é premiado com sétimo lugar

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) venceu duelo contra Fernando Alonso (McLaren): sétimo lugar em Xangai

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) venceu duelo contra Fernando Alonso (McLaren): 7º lugar em Xangai

Em algumas situações, ousar é preciso. Porém, ousar em um cenário repleto de desafios parece temeroso. Que o diga Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). Ao ser o único piloto do grid a largar com pneus lisos para a disputa do molhado GP da China de 2017, no último domingo, em Xangai, o espanhol colocou em risco sua corrida. Entretanto, a destemida decisão foi premiada: o jovem madrileno de 22 anos assegurou um excelente sétimo lugar na etapa chinesa. Com os seis pontos obtidos em solo chinês, Sainz subiu para a sétima posição no Mundial de Pilotos após duas provas, com 10 pontos. O piloto passou a estar apenas atrás das duplas dos três principais times do ano – Ferrari, Mercedes e Red Bull. Não só isso: Carlos ajudou a Toro Rosso a figurar na quarta posição do Mundial de Construtores, com 12 pontos.

Em Xangai, o espanhol tinha como objetivo voltar a pontuar na temporada de 2017. Depois do oitavo lugar no GP da Austrália, em Melbourne, a meta era bem palpável. Todavia, o clima instável transformou o fim de semana da prova chinesa em uma loteria. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos para o GP da China, quase não houve movimentação na pista. Uma densa neblina encobriu o autódromo chinês, impedindo que o helicóptero do serviço médico pudesse voar com segurança. Somente houve raros períodos da primeira sessão livre. Já o segundo treinamento foi cancelado.

Tempo instável fez com que o segundo treino livre da sexta fosse cancelado: Sainz foi 4º mais veloz do dia

Tempo instável fez com que o 2º treino livre da sexta fosse cancelado: Sainz foi 4º mais veloz do dia

Sainz foi um dos 14 pilotos que anotaram tempo no primeiro treino livre da sexta. Com 1m52s840, Carlos anotou o quarto tempo. Ele foi 0s474 mais veloz que Daniil Kvyat, seu companheiro de Toro Rosso e sexto em Xangai com 1m53s314. O espanhol ficou a 2s349 de Max Verstappen (Red Bull), o mais veloz do conturbado dia, com 1m50s491. “Foi uma sexta-feira muito diferente, já que as condições não eram boas o suficiente para o helicóptero voar, então passamos a maior parte do tempo na garagem. Pela manhã, conseguimos pelo menos fazer uma volta de instalação e verificar o carro, certificando de que tudo estava funcionando bem. À tarde, passei 1h30 na minha cadeira, vendo a sessão na TV. Agora há muito a aprender em pouco tempo, mas é o mesmo para todos”, afirmou.

No sábado, havia o temor de que o tempo voltasse a ficar instável. Porém, o sol brilhou em Xangai. Enfim, os carros puderem ir à pista sem maiores preocupações. Após o treino livre da manhã, Sainz e Kvyat viram uma boa performance do STR12. A confiança estava perceptível no semblante da dupla. Assim, Carlos e Daniil partiram para a disputa do qualificatório do GP da China. No Q1, ambos avançaram sem problemas. No Q2, o espanhol e o russo lutaram por lugares entre os 10 melhores. A possibilidade tinha aumentado após a eliminação de Max Verstappen no Q1. Porém, Sainz ficou em 11º, com 1m34s150. Já Kvyat avançou para o Q3. No fim, o russo anotou 1m33s719 – 0s431 mais veloz que Carlos -, assegurando o nono lugar. A pole do GP da China ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m31s678 – 2s472 mais rápido do que o madrileno.

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu alcançar o Q3 de Xangai: 11º lugar no grid

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu alcançar o Q3 de Xangai: 11º lugar no grid

Após o qualifying, Sainz mencionou o equilíbrio de forças entre os times médios. “É incrível como a disputa no pelotão intermediário está acirrada. Ver dois ou três pilotos dentro de um décimo significa que a classificação é ainda mais importante e até mesmo o menor detalhe pode fazer a diferença. Honestamente, estou me divertindo nessas batalhas, e a sessão de hoje (sábado) foi movimentada para nós – todas as voltas contam e eu estava tentando encontrar meio décimo aqui, meio décimo ali… é empolgante! Infelizmente, não passei para a Q3, mas foi por muito pouco – foi uma volta decente, então não estou preocupado com isso”, analisou.

Já sobre a corrida, o espanhol da Toro Rosso tinha uma boa perspectiva. “Amanhã (domingo) é o grande dia e largaremos em 11º, o melhor resultado possível se você não avança para a Q3, pois podemos escolher nossa estratégia de pneus… se for uma prova no seco. Se chover, sabemos que temos um chassis forte e eu sempre aprecio a pista molhada. De qualquer maneira, creio que temos a oportunidade de lutar por um bom resultado amanhã (domingo)”, vislumbrou.

Largada do GP da China de 2017, em Xangai: com pneus slicks, Sainz patinou e caiu para o 19º lugar

Largada do GP da China de 2017, em Xangai: com pneus slicks, Sainz patinou e caiu para o 19º lugar

A corrida

Ao sair de seu hotel em direção ao Autódromo de Xangai, Carlos Sainz Jr. tinha uma certeza: o GP da China seria disputado sob influência da chuva. O mau tempo estava presente na pista. Porém, aos poucos, a precipitação diminuiu. A questão passava a ser: com quais pneus largar na etapa chinesa. Não vinha mais água do céu. Todavia, o traçado estava encharcado. A pergunta que pairava na cabeça dos 20 pilotos que participariam da prova era: com quais pneus iniciar a corrida? Momentos antes da volta de aquecimento, a resposta era dada. No grid, apenas Sainz calçava pneus supermacios, para pista seca. Os demais usavam compostos intermediários. Além do espanhol, somente Jolyon Palmer (Renault), que saía dos boxes, optou pelo mesmo tipo de borracha.

“Quando eu vi todos com intermediários, pensei que era a decisão errada (começar com slicks), mas você tem que confiar em si mesmo”, disse Carlos. “Ao afirmar que queria largar com supermacios, precisava ver os rostos dos meus engenheiros, de Franz Tost (chefe da Toro Rosso) e de Helmut Marko (consultor técnico dos times da Red Bull). Eu disse a eles que estava convencido, eu pensava que iria funcionar, que deveríamos apostar. Eles olharam para mim como se eu estivesse totalmente louco”, relatou.

Espanhol da Toro Rosso derrapou algumas vezes com pneus slicks. Ainda assim, se manteve no pelotão

Espanhol da Toro Rosso derrapou algumas vezes com pneus slicks, mas se manteve no pelotão

Com o apagar das luzes vermelhas se apagaram, a água se levantou do asfalto. Em meio à nuvem formada pelos carros, era possível ver Carlos patinando na Reta dos Boxes de Xangai. Inicialmente, o madrileno desabou para o fim do pelotão, ficando em 19º, somente à frente de Palmer. Sainz deu algumas escapadas da pista. Entretanto, as dificuldades existiam para todos. O acidente entre Lance Stroll (Williams) e Sergio Pérez (Force India), ainda na volta 1, tirou o canadense da etapa, fazendo com que o espanhol subisse para 18º. Para retirar o carro de Stroll, o virtual safety car foi acionado. Nesse período, alguns pilotos decidiram parar nos boxes, a fim de sacar os pneus intermediários. Dessa forma, Carlos completou a volta 2 em 14º, graças às paradas de Romain Grosjean (Haas), Nico Hulkenberg (Renault), Stoffel Vandoorne (McLaren) e Antonio Giovinazzi (Sauber).

Na volta 4, Giovinazzi perdeu o controle de seu Sauber na entrada da Reta dos Boxes, destruindo seu carro azul. Assim, o safety car ingressou de fato à pista. Os pilotos que ainda não haviam realizados seus pit stops se encaminharam para os boxes. Com isso, Sainz galgou diversas posições, superando Esteban Ocon (Force India), Marcus Ericsson (Sauber), Kevin Magnussen (Haas), Felipe Massa (Williams), Daniil Kvyat (Toro Rosso) e Pérez. O risco de largar com slicks valeu a pena diante das circunstâncias. Na volta 5, o espanhol da Toro Rosso estava em oitavo, atrás somente de Fernando Alonso (McLaren) e dos pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull.

Com o sucesso de sua tática, Sainz ascendeu na classificação em Xangai

Com o sucesso de sua tática, Sainz ascendeu na classificação em Xangai

Na passagem seguinte, Sainz assumiu o sétimo lugar, após a rodada de Valtteri Bottas (Mercedes). Quando a relargada foi dada, na volta 8, o madrileno partiu para cima de Alonso. No duelo espanhol, o mais jovem levou a melhor sobre o bicampeão, alcançando a sexta posição. A partir de então, Carlos colocou vantagem sobre Fernando. Em contrapartida, não tinha contato com Sebastian Vettel (Ferrari), quinto colocado. Porém, o ritmo de Daniel Ricciardo (Red Bull), terceiro lugar, fez com que Kimi Raikkonen (Ferrari) e Vettel andassem de acordo com a velocidade imposta pelo australiano. Isso fez com que Sainz tirasse boa vantagem. Contudo, não saiu do sexto lugar.

Com a corrida chegando em sua metade, a Toro Rosso decidiu chamar o espanhol para os boxes. Na parada, realizada na volta 28, o time italiano tirou os pneus supermacios e colocou os macios. No retorno à pista, Carlos se viu em oitavo, atrás mais uma vez de Alonso. A vantagem do bicampeão sobre o pupilo caiu drasticamente em duas voltas. Primeiro, para 2 segundos. Depois, para diferença alguma. Sainz pressionou Alonso o quanto pôde. Na volta 31, o madrileno deu o bote no asturiano. Apesar de ziguezaguear na Reta Oposta, Fernando não conseguiu parar Carlos. O piloto da McLaren ainda ensaiou um ‘x’ sobre o compatriota da Toro Rosso, mas sucumbiu ao ataque do jovem. Não só isso: Alonso abandonou na sequência, com problemas em seu MCL32.

Carlos bem que tentou, mas não conteve ataque de Kimi Raikkonen

Carlos bem que tentou, mas não conteve ataque de Kimi Raikkonen: luta inglória

A ascensão de Sainz não pararia por aí. Na volta 36, Bottas foi aos boxes. Dessa forma, Carlos reassumiu a sexta colocação. Quatro voltas depois, foi a vez de Raikkonen fazer seu definitivo pit stop. Assim, o espanhol da Toro Rosso alcançava a quinta posição. Apesar do crescimento na classificação, o madrileno estava ciente de que muito dificilmente resistiria ao ataque dos finlandeses. Na volta 41, Kimi aproveitou-se da força de sua Ferrari e ultrapassou Sainz, que caiu para sexto. Na 44, Bottas se fez valer do poderio de sua Mercedes e superou o espanhol. Assim, Carlos estava em sétimo.

Se por um lado, o espanhol da Toro Rosso não tinha equipamento para ameaçar Bottas, por outro, estava fora do alcance de Magnussen, o oitavo. Assim, apenas administrou a vantagem e levou seu STR12 até a bandeira quadriculada. Excetuando os pilotos das três principais forças de 2017 – Mercedes, Ferrari e Red Bull -, Sainz foi o único a ficar na mesma volta do vencedor, Lewis Hamilton (Mercedes). Vettel conquistou o segundo lugar, e Verstappen, o terceiro. Após o fim do GP da China, Carlos exaltou a escolha da estratégia, mas reconheceu que as circunstâncias da prova conspiraram a seu favor.

Depois de ser superado por Raikkonen, Sainz não resistiu a Bottas: sétimo lugar era o máximo possível

Depois de ser superado por Raikkonen, Sainz não resistiu a Bottas: sétimo lugar era o máximo possível

“A opção por largar com pneus slicks deu certo. Naquele momento, eu não tinha certeza, mas confiava em mim mesmo. Porém, o resultado de hoje (domingo) não se deveu apenas a essa decisão. O ritmo que mostramos na pista úmida também ajudou. Após o safety car, eu comecei a me aproximar de Ferrari, Red Bull e Mercedes, e isso me deixou muito empolgado. Foi uma prova incrível, me senti muito confortável no carro, e cruzar a linha em sétimo foi excelente. Gostaria de agradecer à equipe por todo o fim de semana, todos nós podemos ficar satisfeitos”, celebrou Sainz.

Com o sétimo lugar, Sainz deixou Xangai em sétimo no Mundial de Pilotos, com 10 pontos: celebração com o time

Com o 7º lugar, Sainz deixou Xangai em sétimo no Mundial, com 10 pontos: celebração com o time

Publicado em Antonio Giovinazzi, Carlos Sainz Jr., China, Daniil Kvyat, Esteban Ocon, Force India, Franz Tost, Haas, Helmut Marko, Jolyon Palmer, Kevin Magnussen, Marcus Ericsson, Renault, Romain Grosjean, Sauber, Sergio Pérez, Toro Rosso, Xangai | Publicar um comentário

Austrália-2017: Esteban Ocon pontua pela primeira vez na F1

No GP da Austrália de 2017, em Melbourne, o francês de 20 anos levou a Force India ao top 10

No GP da Austrália de 2017, em Melbourne, o francês de 20 anos levou a Force India ao top 10

No último domingo, Esteban Ocon (Force India) ingressou no rol de pilotos que anotaram pontos na história da Fórmula 1. No GP da Austrália de 2017, em Melbourne, o francês carregou o bólido rosado do time indiano ao 10º lugar. Foi um único pontinho, mas o suficiente para que Ocon colocasse seu nome numa longa lista da categoria. Esteban se tornou o 334º piloto a figurar entre os pontuáveis. O top 10 na etapa australiana fez jus ao talento do jovem de 20 anos, que iniciou sua trajetória na F1 a bordo de um Manor, em 2016, e que se transferiu para a equipe de Vijay Mallya depois da ida de Nico Hulkenberg para a Renault. Num cockpit mais competitivo, a missão é: mostrar potencial. E logo em sua primeira exibição pela Force India, Ocon correspondeu às expectativas.

Esteban tem trilhado uma carreira de sucesso no automobilismo. Nascido em 17 de setembro de 1996, em Évreux, o francês iniciou sua vida no esporte a motor em 2006, no kart. Foi tricampeão nacional – assegurou o título nas categorias menor (2007), cadete (2008) e KF3 (2011). Além dos campeonatos franceses, Ocon foi vice-campeão europeu de KF3, também em 2011. Após o estágio no kart, Esteban partiu para os monopostos. Em 2012, ingressou na Fórmula Renault 2.0. Competiu por dois anos nessa categoria, tendo como melhor resultado geral o terceiro lugar em 2013. Em 2014, veio o grande salto: a Fórmula 3 Europeia. Na categoria continental, o francês bateu Max Verstappen e assegurou o título, colocando seu nome entre os principais novatos do automobilismo.

Em Melbourne, Ocon começaria uma nova fase em sua carreira: primeira temporada completa na F1

Em Melbourne, Ocon começaria uma nova fase em sua carreira: primeira temporada completa na F1

Com o título da F3 Europeia, Ocon teve a oportunidade de fazer seu primeiro teste na Fórmula 1. A bordo de um Lotus, realizou treino pós-temporada no Autódromo de Yas Marina, em Abu Dhabi, em 2014. Em 2015, disputou a GP3. E repetiu a sina de títulos, ao garantir o campeonato logo em seu primeiro ano na categoria. Além de campeão da GP3, Esteban foi piloto de testes da Force India em 2015. A Fórmula 1 parecia destino certo quando a Mercedes o contratou para seu Time de Desenvolvimento, ainda naquele ano. Porém, não havia cockpits vagos para 2016. Assim, Ocon iniciou o ano na DTM. Além disso, foi autorizado pela Mercedes a ser piloto de testes da Renault.

Em agosto de 2016, a Manor anunciou que estava rompendo contrato com o indonésio Rio Haryanto para a vaga de piloto titular. Como o time era impulsionado pelos motores Mercedes, a fábrica alemã entrou em ação e colocou Ocon na vaga de Haryanto (o asiático se tornou piloto reserva do time). Assim, Esteban estreou na F1. Em 2016, estreou no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Em 9 GPs disputados pela Manor, o francês teve como melhor resultado o 12º lugar no GP do Brasil, em Interlagos. Na prova brasileira, Ocon já tinha acertado contrato com a Force India, para ser piloto titular do time em 2017.

Correndo ao lado do veloz Sergio Pérez, Esteban (à dir.) pretende pontuar em todos os GPs de 2017

Correndo ao lado do veloz Sergio Pérez, Ocon (à dir.) pretende pontuar em todos os GPs de 2017

Correndo ao lado do veloz Sergio Pérez, Esteban traçou uma meta antes do início da temporada: pontuar em todas as corridas de 2017. Ao menos foi o que revelou em entrevista para o site oficial da Fórmula 1, às vésperas de sua estreia pelo time indiano.”O meu objetivo pessoal será pontuar em todas as corridas. Isso seria muito bom. Melbourne é um local onde todos revelam o potencial dos seus carros. Por isso, veremos qual é a real situação das equipes na Austrália”, afirmou Ocon, confiante no desempenho do VJM10 pelo circuito de Albert Park. “O equilíbrio é o adequado e o motor da Mercedes é simplesmente o melhor, também no que diz respeito à confiabilidade”.

Em sua primeira vez na pista australiana, o francês tratou de acelerar o bólido rosa – a nova cor da Force India, adotada graças ao seu principal patrocinador, a BWT. Na sexta, porém, Ocon teve problemas no frio de seu VJM10. Assim, andou pouco na primeira sessão de treinos livres. No segundo treino, deu 35 voltas, anotando 1m26s145. O francês foi o 13º mais veloz do dia, ficando a 0s554 de Pérez, 11º com 1m25s591, e a 2s525 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor da sexta com 1m23s620.

Na sexta-feira, Esteban encarou problemas de freio. Ainda assim, ficou em 13º

Na sexta-feira, Esteban encarou problemas de freio. Ainda assim, ficou em 13º

“Eu não tive o melhor começo para o primeiro dia de treinos. Um problema no freio atrasou o início das minhas voltas em Melbourne. Mas, à tarde, foi mais fácil e eu consegui encontrar um ritmo melhor. A prioridade desta noite é o trabalho usual de explorar onde precisamos fazer mudanças, onde podemos encontrar alguns ganhos, e onde eu posso melhorar também. Espero que possamos dar um passo à frente durante o treino final de amanhã (sábado) e fazer uma boa classificação”, availou Esteban.

No sábado, as coisas não conspiraram a favor de Ocon. Apesar de contar com um carro competitivo, o francês não conseguiu um bom desempenho na qualificação. Após avançar para o Q2 pela primeira vez na carreira, Esteban parou na 14ª posição, com o tempo de 1m25s568. A marca do jovem da Force India ficou a 0s487 da de Pérez, 11º com 1m25s081, e a 3s380 da de Hamilton, pole do GP da Austrália com 1m22s188. “Estou em uma curva de aprendizagem nesta semana em Melbourne e não me sinto particularmente satisfeito com a classificação de hoje. Sim, é a primeira vez que passei para a Q2, mas há mais potencial no carro. Infelizmente, cometi um pequeno erro na minha última tentativa que me custou a chance de ficar mais à frente no grid”, observou Ocon.

Pela primeira vez, Ocon avançou para um Q2 na F1. Entretanto, o 14º lugar decepcionou o francês

Pela primeira vez, Ocon avançou para um Q2 na F1. Entretanto, o 14º lugar decepcionou o francês

Para o francês, os dias de treino em Melbourne mostraram um pouco de como será a temporada 2017. “Vimos hoje (sábado) como a luta no pelotão intermediário será acirrada neste ano, porque até mesmo margens mínimas podem fazer uma diferença enorme. O lado positivo é que melhoramos o carro e nossos procedimentos durante a classificação, e aprendemos coisas que nos ajudarão no futuro. Vou para a corrida de amanhã (domingo) acreditando que há uma boa oportunidade de lutar por pontos. O primeiro desafio serão os novos procedimentos de largada, que realmente podem provocar confusão na primeira volta. Estou empolgado e pronto para minha primeira prova em Melbourne”, disse.

Largada do GP da Austrália de 2017, em Melbourne: Ocon alinhou seu VJM10 em 13º, e manteve sua posição

Largada do GP da Austrália de 2017: Ocon alinhou seu VJM10 em 13º, e manteve sua posição

A corrida

O sol reinou em Melbourne no domingo, 26 de março de 2017. Com o céu azul, 19 carros foram para o grid do GP da Austrália. A única ausência foi a de Daniel Ricciardo (Red Bull), que, com problemas, ficou nos boxes. Além da lacuna deixada pelo australiano, o grid contou com um estreante inesperado. Antonio Giovinazzi substituiu o alemão Pascal Wehrlein na Sauber de última hora, fazendo com que a Itália voltasse a ter um representante na F1 depois de mais de cinco anos – desde Jarno Trulli e Vitantonio Liuzzi, no GP do Brasil de 2011, em Interlagos, a categoria não via um piloto italiano num GP.

Com o apagar das luzes vermelhas, teve início não só o GP da Austrália, como também a 68ª temporada do Campeonato Mundial de Fórmula 1. Sem Ricciardo, Ocon saiu em 13º no grid – posição que seria mantida após o término da primeira volta. O francês estava atrás do seu antecessor na Force India, Nico Hulkenberg (Renault), e à frente do estreante Lance Stroll (Williams). Com as novas regras, os bólidos se tornaram mais velozes. Em contrapartida, as ultrapassagens se tornaram quase impossíveis. Assim, Esteban seguiu em 13º até a volta 14. Após o abandono de Romain Grosjean (Haas), o francês ganhou uma posição, subindo para 12º.

Ocon, à frente de Stroll, Hulkenberg e Vandoorne: procissão em Melbourne

Esteban Ocon, à frente de Lance Stroll, Jolyon Palmer e Stoffel Vandoorne: procissão em Melbourne

Naquele momento, os pneus ultramacios da Force India de Ocon começavam a dar sinais de desgaste. Com isso, o time indiano chamou o francês para os boxes na volta 15, a fim de realizar o único pit stop do jovem piloto. Na troca, os mecânicos da equipe de Vijay Mallya sacou os compostos ultramacios e colocou os macios, os mais resistentes do fim de semana. No retorno à pista, Esteban se viu ainda à frente de Stroll, mantendo a 12ª posição. Com o pit stop de Hulkenberg, na volta 17, Ocon subiu para 11º – colocação conquistada graças ao bom trabalho da Force India. Melhor: estava colado em Fernando Alonso (McLaren), que também havia feito a sua parada na volta 17.

Apesar de estar próximo do espanhol, nada adiantava. Não havia mais estratégia a ser traçada. As posições deveriam ser definidas na pista. Com um ritmo inferior, Alonso liderava um pelotão com Ocon e Hulkenberg. Mesmo com seu esquálido motor Honda, o bicampeão segurava o francês e o alemão. A luta de Fernando para obter o 10º lugar e levar um ponto para casa era louvável e ao mesmo tempo ingrata. Esteban nada tinha a ver com o calvário de Alonso, e manteve perseguição implacável ao asturiano. Ao mesmo tempo, tinha Hulk em seus calcanhares.

Depois de sair dos boxes, Ocon pressionou Alonso na luta pelo 10º lugar. Ponto só veio com quebra do espanhol

Depois do pit, Ocon pressionou Alonso na luta pelo 10º lugar. Ponto só veio com quebra do espanhol

Na volta 50, a pressão de Ocon e de Hulkenberg sobre Alonso surtiu efeito: a McLaren enfrentou problemas de suspensão, pendendo para a esquerda. Fernando sucumbiu na reta dos boxes. Esteban e Nico engoliram o espanhol. O francês da Force India contornou a curva 1 à frente do alemão, consolidando-se em 10º. A partir daí, foi só levar seu bólido rosa para a bandeirada final e celebrar seu primeiro ponto na Fórmula 1. A vitória no GP da Austrália ficou com Sebastian Vettel (Ferrari) – a 43ª do alemão na categoria -, seguido por Lewis Hamilton (Mercedes) e Valtteri Bottas (Mercedes). Na Force India, o clima era de festa – afinal, além do ponto de Ocon, o time comemorava o sétimo lugar de Pérez.

Nos boxes, Esteban revelou alívio ao pontuar em Melbourne. “Marcar meu primeiro ponto aqui é uma ótima recompensa depois de um fim de semana duro. Passei quase a corrida inteira lutando contra Fernando (Alonso), porque ficamos lado a lado na primeira volta. Ele conseguiu se manter à frente e tive de persegui-lo pelo restante da tarde. Foi uma grande luta porque Fernando é um oponente duro e foi muito difícil me aproximar e ultrapassá-lo. Eventualmente, encontrei um espaço nas últimas voltas e arrisquei na curva um. Foi um grande momento de minha prova e me colocou nos pontos. Estou feliz com o resultado e sinto que aprendi bastante no meu primeiro fim de semana de corrida com a Force India. Espero este seja o primeiro ponto de muitos nesta temporada”, observou.

Ocon se tornou o 334º piloto a pontuar na Fórmula 1: 10º lugar coroou fim de semana difícil

Ocon se tornou o 334º piloto a pontuar na Fórmula 1: 10º lugar coroou fim de semana difícil

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Lançamento online – Livro “Contos Velozes”

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É com muita satisfação que o Contos da Fórmula 1 anuncia o início da venda online do livro “Contos Velozes”. Produzido por meio de uma parceria entre o jornalista Douglas Willians (autor deste blog) e o designer Bruno Mantovani, dos célebres Pilotoons, o livro “Contos Velozes” traz histórias emblemáticas da Fórmula 1. Com formato leve e linguagem direta, tem enfoque no público infanto-juvenil – mas é leitura para todas as idades.

A publicação acaba de sair do forno. Com 60 páginas, a obra reúne 13 das histórias relatadas neste blog. Organizada em ordem cronológica, o livro busca abraçar a Fórmula 1 desde o seu início, na década de 1950 (com Chico Landi), até os dias atuais (com Max Verstappen). Inicialmente, a comercialização será realizada em link do site Mercado Livre: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-830398748-lancamento-livro-contos-velozes-_JM

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Abu Dhabi-2016: Hulk se despede da Force India em sétimo

Nico Hulkenberg (à frente) e Sergio Pérez levaram a Force India ao quarto lugar no Mundial de Construtores em 2016: feito histórico

Hulkenberg (à frente) e Pérez levaram a Force India ao quarto lugar do Mundial: feito histórico

O GP de Abu Dhabi de 2016, disputado no último dia 27 de novembro, em Yas Marina, trouxe um mistura de sentimentos para Nico Hulkenberg. No circuito do Oriente Médio, o alemão se despediu da Force India com estilo, ao terminar em sétimo na derradeira prova do Mundial. Com o resultado, Hulk assegurou o nono lugar na classificação final, com 72 pontos, igualando a mesma posição obtida em 2014. Além disso, o germânico também ajudou a escuderia de Vijay Mallya a assegurar a quarta posição no Mundial de Construtores. Nico e Sergio Pérez somaram 173 pontos, 35 a mais que a Williams, que fez 138. Foi a melhor colocação do time indiano desde a sua estreia na categoria, em 2008.

Mesmo tendo sido batido por Pérez (que foi sétimo no Mundial, com 101 pontos), Hulkenberg, que correrá pela Renault em 2017, saiu da Force India com a sensação do dever cumprido. Nico disputou 78 GPs pela escuderia, tendo como destaques os quartos lugares nos GPs da Bélgica de 2012 e de 2016 – ambos em Spa-Francorchamps. Apesar de não conquistar o sonhado pódio, o alemão deixa o time pela porta da frente, a fim de encarar um novo desafio: reerguer a tradicional escuderia francesa, que deu dois títulos mundiais a Fernando Alonso na década passada (2005 e 2006).

Pérez terminou o Mundial em sétimo, com 101 pontos, enquanto Hulk foi o nono, com 72

Pérez terminou o Mundial em sétimo, com 101 pontos, enquanto Hulk foi o nono, com 72

Em sua última apresentação pela Force India, Hulkenberg tinha apenas um objetivo: se despedir com honra. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos em Yas Marina, o alemão disputou somente a segunda sessão livre – na primeira, foi substituído pelo mexicano Alfonso Celis Jr., terceiro piloto do time indiano. Nico anotou o nono tempo, com 1m42s264, ficando a 0s223 de Pérez, oitavo com 1m42s041, e a 1s180 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz do dia com 1m40s861. Apesar de ter participado apenas de um treino, Hulk não reclamou.

“Eu estava no carro somente para a sessão da noite (de sexta), mas isso não foi uma grande desvantagem, pois é quando as condições da pista são semelhantes às que nós experimentaremos na classificação e na corrida. Eu me senti muito bem com o carro imediatamente, e eu fui capaz de encontrar um bom ritmo rapidamente. Ainda há algum trabalho a fazer com o equilíbrio, porque não está onde eu quero que esteja ainda, mas devemos ser capazes de encontrar algo extra até amanhã (sábado)”, analisou o germânico.

No sábado, em Yas Marina, Hulk bateu Checo por apenas 0s018: diferença valeu o 7º lugar no grid ao alemão

No sábado, Hulk bateu Checo por apenas 0s018: diferença valeu o 7º lugar no grid ao alemão

No sábado, tanto Hulkenberg quanto Pérez avançaram para o Q3 de Yas Marina. No fim, o alemão foi apenas 0s018 mais veloz do que o mexicano, oitavo com 1m40s519. Pela 12ª vez em 2016, Hulk largou à frente de Checo – o latino superou o germânico em nove qualificações. Nico ficou a 1s746 de Lewis Hamilton (Mercedes), que marcou 1m38s755 para assegurar a pole do GP de Abu Dhabi de 2016.

“Estou muito feliz e acho que o sétimo lugar provavelmente foi o resultado máximo para nós hoje (sábado). Estou satisfeito com minhas voltas, principalmente considerando minha falta de tempo de pista neste fim de semana, ficando fora do primeiro treino livre. Antes da classificação, eu pensei que seria bastante difícil, mas conseguimos um bom progresso com o carro durante a sessão e tive confiança para forçar ao máximo em todas as minhas voltas. Espero que isso se repita amanhã (domingo) para encerrar a temporada e minha passagem pela Force India em grande estilo. Os carros à frente podem estar fora de alcance, mas daremos tudo para ver onde terminamos”, afirmou Hulk.

Na largada do GP de Abu Dhabi de 2016, Hulkenberg foi tocado por Verstappen. Ainda assim, seguiu em sexto

Na largada do GP de Abu Dhabi de 2016, Hulk foi tocado por Verstappen. Ainda assim, seguiu em 6º

A corrida

Domingo, 27 de novembro de 2016. Naquele dia, Yas Marina hospedava uma corrida histórica. Seria a despedida de Jenson Button (McLaren), o campeão de 2009, e de Felipe Massa (Williams), o vice de 2008, da Fórmula 1. Não só isso: o GP de Abu Dhabi decidiria o título mundial da temporada. Os postulantes eram os companheiros de Mercedes, Nico Rosberg e Lewis Hamilton. Doze pontos separavam Rosberg, o líder, de Hamilton, o segundo. Todavia, Lewis largaria na pole, e faria de tudo para desestabilizar Nico, que sairia na primeira fila, ao lado do britânico. Na sétima posição do grid, Hulkenberg tentaria fazer uma forte largada para ficar entre os carros de Ferrari e Red Bull.

Quando as luzes vermelhas se apagaram, o alemão da Force India saltou bem e superou Max Verstappen (Red Bull). Na ânsia de recuperar a posição, o holandês dividiu a Curva 1 com Nico, mas levou a pior – Max rodou e caiu para o fim do pelotão. Hulkenberg ascendeu para o sexto lugar. Entretanto, ainda na volta 1, acabou sendo superado por Sergio Pérez. Assim, completou a primeira volta em sétimo. O troco no mexicano viria na volta 2 – Hulk pressionou Checo, que não ofereceu resistência. Assim, Nico recuperou a sexta posição.

Hulkenberg superou Pérez e se manteve na frente do mexicano durante toda a prova

Hulkenberg superou Pérez na volta 2, e se manteve na frente do mexicano durante toda a prova

Calçando pneus ultramacios (os que menos se conservavam no fim de semana), o germânico tentava permanecer o máximo de tempo na pista. Isso fez com que ganhasse algumas posições esporádicas na volta 8, com as paradas de Hamilton e Kimi Raikkonen (Ferrari). Na passagem seguinte, Hulk deixou o quarto lugar para entrar nos boxes para a primeira parada. Na troca, sacou os ultramacios e colocou os macios (os mais duráveis em Yas Marina). No retorno à pista, Nico ocupava a nona posição. Com a parada de Pérez, na 10, Hulkenberg subiu para oitavo. Na 11, o alemão superou Button e passou para sétimo. E, na sétima posição, Nico permaneceu – Verstappen, que havia caído para o fim do pelotão, ascendeu na classificação por calçar pneus supermacios desde a largada.

Quando, enfim, Max decidiu fazer seu primeiro pit stop, na volta 21, Hulk subiu para sexto. Com a parada de Daniel Ricciardo (Red Bull), na volta 25, o germânico passou a ocupar a quinta colocação. Na 26, com o pit stop de Raikkonen, assumiu a quarta posição. Porém, seus pneus já estavam em mau estado de conservação. Por isso, a Force India chamou Hulkenberg para os boxes. Na troca, o time colocou novos pneus macios. Com o cair da noite em Yas Marina – e a consequente queda da temperatura, a tendência era a de que o alemão não precisasse parar mais.

Em Yas Marina, Hulkenberg ficou atrás somente dos pilotos das três principais equipes de 2016: Mercedes, Red Bull e Ferrari

Nico só foi superado pelas duplas das três principais equipes de 2016: Mercedes, Red Bull e Ferrari

No retorno à pista, Nico estava em 10º. Com o pit stop de Pérez, na 27, subiu para nono. Após a parada de Massa, na 31, ascendeu para oitavo.  A partir daí, passou a pressionar Fernando Alonso (McLaren). O espanhol, que andava no limite dos pneus médios, foi presa fácil para Hulk: o germânico superou o bicampeão na volta 34, e assumiu a sétima colocação. A partir dali, Hulkenberg não tinha muito a fazer. Ele estava atrás das duplas das três principais equipes do ano – Mercedes, Ferrari e Red Bull. No mais, foi apenas carregar seu VJM09 à zona de pontos, despedindo-se com honra da Force India.

“Foi uma corrida solitária, lutando principalmente com meu companheiro de equipe, porque os seis carros da ponta estavam fora de alcance. A Curva 1 foi bem interessante porque fui atingido por Max (Verstappen), o que danificou o assoalho do meu carro. Felizmente, tivemos ritmo para manter a posição. É ótimo encerrar minha passagem pela Force India com um resultado forte e ajudar a equipe a terminar em quarto no campeonato. Todos merecem parabéns e muito crédito pelo trabalho incrível neste ano. Deixo esta equipe com muitas memórias felizes, a Force India sempre fará parte da minha vida. Aprendi bastante aqui e eles me tornaram um piloto melhor. Crescemos juntos e estou orgulhoso do que alcançamos”, finalizou Hulk.

Hulkenberg se despediu da Force India com uma exibição sólida: rumo à Renault em 2017

Hulkenberg se despediu da Force India com uma exibição sólida: rumo à Renault em 2017

Lá na frente, a luta foi mais ferrenha em Yas Marina: em primeiro, Hamilton imprimiu um ritmo lento, a fim de que Rosberg fosse ultrapassado pelos adversários mais próximos. Apenas com Nico em quarto, Lewis asseguraria o tetra. O alemão resistiu ao jogo psicológico do inglês. No fim, Hamilton obteve um amargo triunfo (o 53º da carreira), e Rosberg conquistou um bravo segundo lugar, assegurando o título no limite dos pontos (385 a 380). O germânico correu com a calculadora na mão desde o GP da Malásia, em Sepang – quando o inglês abandonou enquanto liderava a prova. Lewis terminou o Mundial com mais vitórias que Nico (10 a 9). Sebastian Vettel (Ferrari) completou o pódio.

Cinco dias após a prova de Yas Marina, o campeão Rosberg, numa decisão pra lá de inesperada, se aposentou da Fórmula 1. Aos 31 anos, Nico venceu a temporada de 2016, repetindo o feito do pai, Keke (campeão em 1982), e decidiu parar. Saiu por cima. Os veteranos Button e Massa também penduraram o capacete. Já para Hulkenberg, o GP de Abu Dhabi encerrou sua fase na Force India, e deixou um gosto de novo desafio para 2017, a bordo da Renault.

O GP de Abu Dhabi encerrou a fase de Hulkenberg na Force India: em 2017, ano novo, casa nova

O GP de Abu Dhabi encerrou a fase de Hulkenberg na Force India: em 2017, ano novo, casa nova

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Brasil-2016: Felipe Nasr, o ‘santo de casa que faz milagre’

Com justiça, Felipe Nasr (Sauber) celebra o nono lugar no GP do Brasil de 2016, em Interlagos: sufoco e alívio

Felipe Nasr (Sauber) celebra o nono lugar no GP do Brasil de 2016, em Interlagos: sufoco e alívio

Segundo o provérbio popular, “santo de casa não faz milagre”. Em uma breve explicação, esse termo é utilizado em alusão a pessoas que custam a ser reconhecidas em seu reduto – seja a própria terra, ou o ambiente de trabalho. Em Interlagos, palco do chuvoso GP do Brasil de 2016, Felipe Nasr (Sauber) acelerou contra esse dito. Contestado dentro da escuderia suíça, o brasileiro tratou de pisar fundo na pista molhada. Nasr ignorou o fraco equipamento e fez milagre ao alcançar o nono lugar na etapa tupiniquim, realizada no último domingo. Foram os primeiros pontos do brasiliense e da Sauber na temporada. Não só isso: os dois pontos levaram sua equipe a sair do zero e ficar à frente da Manor no Mundial de Construtores. O time comandado por Monisha Kaltenborn subiu para o 10º lugar na classificação, e dificilmente será superado pela rival.

A proeza de Nasr no GP do Brasil de 2016 provavelmente renderá 40 milhões de euros à Sauber. Como apenas os 10 primeiros construtores do ano recebem recursos financeiros da FIA, e há apenas uma corrida para o fim do campeonato – o GP de Abu Dhabi, em Yas Marina -, a escuderia só perderá a bolada caso a Manor conquiste uma nona posição no Oriente Médio. O inesperado nono lugar do brasiliense foi celebrado pelos incrédulos torcedores brasileiros que preenchiam as arquibancadas de Interlagos. Após se emocionarem com a despedida de Felipe Massa (Williams), o público reverenciou o piloto de 24 anos após a excelente apresentação na prova paulistana.

Nasr chegou a Interlagos sob pressão: brasileiro não tem cockpit assegurado para 2017

Nasr chegou a Interlagos sob pressão: brasileiro não tem cockpit assegurado para 2017

Além de celebrado pela torcida, o resultado de Nasr acabou sendo um banho de água fria na cúpula da Sauber. Em baixa na equipe e sem a confirmação do apoio do Banco do Brasil para sua permanência para 2017, Felipe via seu cockpit ser rifado. Com a conquista dos dois pontos, o brasileiro passou a ficar próximo de renovar seu vínculo com o time de Hinwil para o próximo ano. Esse cenário era inimaginável antes da etapa de Interlagos. Durante a semana, Nasr foi constantemente questionado a respeito de seu futuro na Fórmula 1. “Eu sempre mantive a porta aberta aqui na Sauber. Porém, não tenho medo
de não estar aqui (na F1), embora nada nesta vida seja garantido”, disse o piloto, em entrevista à revista alemã Speed Week.

De fato, a situação de Nasr antes da corrida parecia insustentável. A chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn, havia admitido que Felipe não tinha vaga garantida no time suíço para 2017. “Sim, vivemos momentos de estresse”, afirmou a dirigente à TV Globo. Além de revelar preocupação com os problemas do patrocínio do Banco do Brasil, Monisha adiantou que conversava com outros postulantes ao cockpit da Sauber para o próximo ano. “Temos pilotos interessados em nós, mas eu também diria que Felipe é um dos pilotos em nossa lista”, sentenciou. Um deles seria Pascal Wehrlein (Manor). Segundo a Autosport, caso Wehrlein se transferisse para o time suíço, Nasr poderia ser seu substituto.

Felipe teve uma boa sexta: foco na preparação do carro para pista molhada

Felipe tem um bom ‘padrinho’ para a sua manutenção na F1 na próxima temporada: Bernie Ecclestone

Diante do impasse criado na Sauber e da possibilidade de Nasr não figurar no grid em 2017, uma peça passou a se movimentar nos bastidores. Bernie Ecclestone, o octogenário todo-poderoso da Fórmula 1, mostrou interesse na permanência de Felipe na categoria. Ciente de que a falta de um piloto do país poderia representar o declínio da F1 no Brasil, o britânico foi direto sobre as chances do brasiliense prosseguir no ‘circo’. “Espero que sim, eu realmente quero vê-lo no grid em 2017”, afirmou Ecclestone, ressaltando que tem ajudado o brasileiro na sua missão. “Sim, e continuarei ajudando, mas não tenho a capacidade de impor um piloto para uma equipe”, observou o inglês.

Em meio à indefinição sobre seu futuro, Nasr tentou concentrar seus esforços para a disputa do GP do Brasil. Em Interlagos, o brasileiro queria cumprir um bom papel, que lhe rendesse uma oportunidade para 2017. A bordo do fraco C35 da Sauber, Felipe até fez um bom papel na sexta, primeiro dia de treinos no circuito paulistano. Ao fim das duas sessões livres, Nasr foi o 17º mais veloz, com 1m14s309. Felipe ficou 0s386 à frente de seu companheiro no time suíço, Marcus Ericsson, que fez 1m14s695. Em contrapartida, o brasiliense foi 2s038 mais lento do que Lewis Hamilton (Mercedes), o mais rápido da sexta, com 1m12s271.

Nasr teve um qualifying decepcionante: tráfego fez com que anotasse o pior tempo da sessão

Nasr teve um qualifying decepcionante: tráfego fez com que anotasse o pior tempo da sessão

Após os treinos, Nasr se mostrou satisfeito com o desempenho do C35. “Em primeiro lugar, é ótimo estar de volta ao Brasil e estar dirigindo na frente da minha torcida. Em termos das sessões de treinos, foi um dia positivo. Nós pudemos trabalhar com nosso programa hoje (sexta). Eu sinto que podemos melhorar o equilíbrio do carro, embora já tenhamos feito melhorias para a sessão da tarde. Fomos capazes de fazer os ajustes certos no carro para as condições mais quentes no segundo treino livre. Diante da possibilidade de chuva para o GP do Brasil, amanhã (sábado) teremos que antecipar o acerto para a corrida, a fim de tirar o melhor proveito do carro”.

Para o sábado, dia de definição do grid para a etapa brasileira, Felipe não tinha muita pretensão. Avançar para o Q2 estava fora de cogitação. Todavia, Nasr não esperava ser o 22º e mais lento do qualifying. O brasileiro anotou 1m13s681, ficando a 0s058 de Ericsson – 21º, com 1m13s623, e a 2s945 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole com 1m10s736. “Estou bastante desapontado com este resultado. Eu vinha em uma boa volta, mas encontrei tráfego no último trecho, o que me custou tempo na Subida dos Boxes até a linha de chegada. Também tive uma falha de ignição no final desta volta. Minhas chances de fazer um bom tempo desapareceram. Estou decepcionado por não ter feito uma volta limpa. Agora, vou me concentrar para amanhã (domingo). Tudo pode acontecer aqui por causa das condições do tempo. Vou me manter otimista para minha corrida em casa”.

Sob chuva, o GP do Brasil de 2016 teve sua largada dada sob a intervenção do safety car

Sob chuva, o GP do Brasil de 2016 teve sua largada dada sob a liderança do safety car

A corrida

Domingo, 13 de novembro de 2016. Ao amanhecer, o ‘circo’ tinha plena convicção de que a meteorologia havia acertado em cheio. Uma chuva incessante caiu sobre São Paulo. A previsão era de que a precipitação não daria trégua aos 22 participantes do GP do Brasil, em Interlagos. De fato, ela foi personagem central da disputa. Antes mesmo da largada, a água fez uma vítima: Romain Grosjean (Haas), sétimo no grid, perdeu o controle de seu bólido e bateu no início da Subida dos Boxes. Com a pista encharcada, a direção de prova decidiu adiar a largada por 10 minutos. Depois disso, definiu que o início da corrida aconteceria com a presença do safety car. Sem Grosjean, e com a punição dada a Esteban Ocon (Manor) – que caiu para último no grid -, Felipe começava a etapa na 20ª posição.

Piloto do safety car, Bernd Maylander liderou o pelotão por sete intermináveis voltas. Quando o alemão deixou a pista, Interlagos viu muito spray e aquaplanagem. Calçando pneus para chuva intensa, Nasr saltou bem, superando Marcus Ericsson (Sauber), Esteban Gutiérrez (Haas) e Pascal Wehrlein (Manor). Além disso, contou com as paradas no box de Jenson Button (McLaren) e Kevin Magnussen (Renault) para assumir o 15º lugar na volta 8. A ascensão de Felipe prosseguiu na passagem seguinte, graças a uma tentativa de mudança de estratégia de seus adversários, colocando pneus intermediários. Com o pit stop de Sebastian Vettel (Ferrari), Valtteri Bottas (Williams), Felipe Massa (Williams), Fernando Alonso (McLaren), Jolyon Palmer (Renault) e Daniil Kvyat (Toro Rosso), o brasileiro da Sauber subiu para nono.

Nasr saltou para os primeiros lugares depois do acidente de Marcus Ericsson, na volta 12

Nasr saltou para os primeiros lugares depois do acidente de Marcus Ericsson, na volta 12

Na volta 12, Ericsson perdeu o controle de seu Sauber na Curva do Café, rodou e destruiu seu bólido. Com os detritos do carro do sueco, a direção de prova optou por nova entrada do safety car. Naquela mesma passagem, Daniel Ricciardo (Red Bull) ingressou nos boxes, fazendo com que Nasr assumisse a oitava posição. Houve bastante demora para remover os restos do carro de Ericsson. Isso fez com que Maylander seguisse à frente do pelotão por mais seis voltas. Quando o safety car se retirou da pista, na volta 19, Kimi Raikkonen (Ferrari) aquaplanou em plena Reta dos Boxes e bateu no pit wall. Felizmente, o finlandês não foi atingido por nenhum adversário. Com o acidente, a direção de prova agitou a bandeira vermelha na volta 21.

Sem Raikkonen, Nasr se viu numa excelente sétima colocação. Com a interrupção do GP do Brasil, a direção de prova exigiu que os pilotos calçassem pneus para chuva intensa. Dessa forma, Felipe estava nas mesmas condições estratégicas que seus adversários. De repente, pontuar passou a ser uma missão possível para o brasileiro da Sauber. Entretanto, teve de esperar um pouco para ver a relargada. Vinte minutos após a interrupção, os carros voltaram para a pista. Mais uma vez, atrás do safety car de Bernd Maylander. Na volta 23, Nico Hulkenberg (Force India) se deparou com um pneu furado e foi aos boxes. Assim, Nasr assumia a sexta posição.

Nasr assumiu a sexta posição após acidente de Kimi Raikkonen, na Reta dos Boxes

Nasr assumiu a sexta posição após acidente de Kimi Raikkonen, na Reta dos Boxes

Contudo, nada de Maylander deixar a pista. Volta após volta, a paciência de pilotos e espectadores ia acabando. Porém, na volta 27, a intensidade da chuva aumentou consideravelmente. Charlie Whiting, diretor da FIA, sacramentou uma nova interrupção da prova na volta 29, para desespero dos torcedores. No pit lane, Nasr estava atrás somente de Lewis Hamilton (Mercedes), Nico Rosberg (Mercedes), Max Verstappen (Red Bull), Sergio Pérez (Force India) e Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). Era uma posição inimaginável para quem saiu na última fila do grid. Mais 20 minutos foram necessários para convencer Whiting de que o circuito tinha condições para receber os pilotos, que voltaram aos seus carros.

Novamente, o ‘circo’ saiu do pit atrás de Maylander, abrindo a volta 30. Contudo, diferentemente da tentativa anterior, a relargada enfim seria realizada. Na volta 32, Nasr se manteve em sexto. Porém, atrás dele, vinha Ricciardo. Diante do poderio do australiano, defender a posição era algo impossível. Na volta 34, Felipe acabou não resistindo a Daniel, caindo para sétimo. Enquanto o piloto da Red Bull abria caminho, o brasileiro da Sauber precisava se cuidar das investidas de Ocon e Alonso. Com valentia, Nasr segurava a sétima posição.

Com uma condução precisa no molhado, Nasr se manteve na zona de pontuação em Interlagos

Com uma condução precisa no molhado, Nasr se manteve na zona de pontuação em Interlagos

Na volta 41, Ricciardo entrou nos boxes. Dessa forma, Felipe recuperava um lugar no top 6. Todavia, o brasileiro era ferozmente perseguido pelos multicampeões Alonso e Vettel. Na 42, Sebastian superou Fernando e assumiu a sétima colocação. A partir daí, o alemão da Ferrari iniciou uma perseguição ao brasileiro da Sauber. Na volta 45, veio o bote do germânico: na freada do S do Senna, Vettel ultrapassou Nasr. Assim, o brasileiro retornou ao sétimo posto. Em sua cola, vinha Alonso, o oitavo. Mesmo com as investidas do espanhol da McLaren, o brasiliense se mantinha à frente.

Enquanto Nasr segurava Alonso com maestria, uma cena assustava e emocionava Interlagos: na volta 48, Massa bateu na Subida dos Boxes. Era o fim da trajetória do brasileiro num F1 em casa. Envolvido em uma bandeira do Brasil, o piloto da Williams foi reverenciado pelas arquibancadas. Massa não conteve o choro, e foi recepcionado com aplausos por todos os times. Por um instante, a pista foi esquecida: os holofotes estavam no veterano. Porém, com a Williams no meio da pista, Charlie Whiting acionou Bernd Maylander. O safety car estava de volta ao circuito. Durante a bandeira amarela, Verstappen foi aos boxes. Com a parada do holandês, Nasr ganhou uma posição. Novamente, Felipe estava em sexto.

Felipe Nasr festeja o nono lugar com as arquibancadas de Interlagos: ponto alto de 2016

Felipe Nasr festeja o nono lugar com as arquibancadas de Interlagos: ponto alto de 2016

Na volta 56, Maylander saía da pista – e, desta vez, não voltaria mais a pisar no asfalto de Interlagos. Felipe seguiu na sexta colocação. Naquele instante, passava a ser perseguido por Hulkenberg. Apesar de lutar bravamente, Nasr acabou sendo ultrapassado por Hulk na Curva do Sol, caindo para sétimo. Ali permaneceu até ver um endiabrado Verstappen em seu retrovisor. Após ter caído para 16º depois do pit stop, o holandês voava na pista paulistana, e ignorava todo e qualquer rival. Max chegou em Felipe e simplesmente “passou de passagem” na volta 62. Em oitavo, Nasr voltaria a ver um Red Bull atrás dele. Na volta 64, Ricciardo ultrapassou o brasileiro, que caiu para nono.

A partir de então, a missão do brasiliense era uma só: segurar Ocon, o 10º, atrás dele. Era o duelo direto pelo 10º lugar dos Construtores. Naquele cenário, Felipe colocaria a Sauber à frente da Manor na classificação do Mundial.  Porém, há poucas voltas da bandeirada, o ritmo do francês despencou, fazendo com que saísse da zona de pontos. Se por um lado, a escuderia suíça celebrava, por outro, temia a aproximação de Alonso. Porém, Nasr não deu chances ao bicampeão, e assegurou um fundamental nono lugar. Foram os primeiros pontos do brasileiro da Sauber desde o GP dos Estados Unidos de 2015, em Austin – quando também havia terminado em nono. A vitória no GP do Brasil ficou com Hamilton – a 52ª do inglês, que assumiu a segunda colocação no ranking de triunfos na F1, atrás somente de Michael Schumacher.

Os dois pontos de Felipe foram celebrados pela família de Nasr e pelos integrantes da Sauber

Os dois pontos de Felipe foram celebrados pela família de Nasr e pelos integrantes da Sauber

No pódio, o britânico teve a companhia de Rosberg – que, com o segundo lugar, ficou com 12 pontos de vantagem sobre Lewis no duelo pelo título mundial – e Verstappen – que encantou ao mundo com sua pilotagem agressiva e impulsiva. Mesmo sem subir ao palco de celebração, Nasr tinha muito a comemorar. “Não tenho palavras para dizer como estou feliz no momento. Quando vi a previsão do tempo para hoje (domingo), sabia que poderia ser uma oportunidade. Ela chegou e eu estava preparado. Fizemos um trabalho excepcional. A equipe foi ótima ao me dar informações sobre a pista, enquanto lhes passava minhas impressões. Foi uma corrida complicada, já que as condições estavam difíceis em alguns pontos. No fim, foi uma sensação incrível quando vi os fãs gritando para mim após a bandeirada. Não há sensação melhor do que marcar estes dois pontos importantes em casa. Eu não poderia esperar um domingo melhor no Brasil”.

Ao ser questionado sobre a importância de seus dois pontos para a Sauber e do retorno financeiro que pode dar para a escuderia, Felipe foi direto. “Isso é ótimo para a equipe, e com certeza vou pedir o meu bônus”, brincou, para depois desabafar. “Estou aliviado por marcar alguns pontos, o que mostra meu trabalho, o quanto eu luto e que quero e sou capaz de continuar na F1 no próximo ano. Eu nunca perdi a confiança na equipe. Depois da corrida, conversei com Monisha (Kaltenborn) e ela estava bastante satisfeita. Mais do que ninguém, ela sabe as dificuldades que enfrentamos nesta temporada”, concluiu o brasiliense, satisfeito com sua exibição e convencido de que, neste GP do Brasil, fez milagre ao conduzir a Sauber aos pontos.

Dois pontos preciosos: com eles, a Sauber deverá ganhar uma bolada da FIA, e Felipe, um assento para 2017

Dois pontos preciosos: com eles, a Sauber deverá ganhar uma bolada, e Felipe, um assento para 2017

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México-2016: Hulk volta a ofuscar Pérez na Cidade do México

Após assinar contrato com a Renault para 2017, Nico Hulkenberg mostrou boa forma com a Force India: 7º lugar no México

Após assinar com a Renault para 2017, Nico Hulkenberg (Force India) conquistou o 7º lugar no México

Nico Hulkenberg viveu um momento especial após o GP dos Estados Unidos de 2016, em Austin. O alemão foi anunciado pela Renault como primeiro piloto do time para a temporada de 2017. A equipe francesa, que deu a Fernando Alonso seus dois títulos mundiais (2005 e 2006), não tem atravessado boa fase neste ano –Kevin Magnussen e Jolyon Palmer colocam a escuderia numa tímida nona posição do Mundial de Construtores. Apesar das incertezas, o vínculo com a Renault impulsionou Hulk para a disputa do GP do México, no Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México. Após alcançar um incrível quinto lugar no grid, Nico levou a Force India ao sétimo lugar, à frente de Sergio Pérez – o dono da casa e seu companheiro no time indiano terminou na 10ª posição. Assim, o germânico repetiu o feito do ano anterior, quando derrotou o mexicano na etapa asteca de 2015.

Em entrevista para a revista alemã Auto Motor und Sport, Hulkenberg destacou que seu desempenho melhorou após definir seu futuro na Fórmula 1. “Todo mundo me pergunta sobre isso. Eu já sabia há algum tempo que meu destino estava garantido na Renault. Mas talvez haja algo dentro de mim que me faz crescer. Já tinha notado isso no ano passado (2015), com a vitória nas 24 Horas de Le Mans. Eventos positivos podem lhe dar um pequeno impulso. Se você está mais feliz, então talvez você seja um pouco mais rápido”, analisou. “Por outro lado, eu também tenho que dizer que, no final da temporada, eu entendo melhor a configuração do carro da Force India (o VJM09), logo, é provavelmente uma combinação de fatores”, completou Nico.

Hulkenberg andou sempre à frente de Pérez no México: alemão frustrou torcida local

Hulkenberg andou sempre à frente de Pérez no México: Checo frustrou torcida local

Sua sintonia com o bólido indiano foi ressaltada no Autódromo Hermanos Rodríguez. Em nenhum momento, Hulkenberg ficou atrás de Pérez. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP do México, o germânico anotou o sexto melhor tempo, com 1m20s574. Sua marca foi 0s784 mais lenta que a de Sebastian Vettel (Ferrari), melhor do dia com 1m19s790. Em contrapartida, Hulk foi 1s005 mais veloz do que Pérez, 15º com 1m21s579. “O foco principal na sexta foi completar o programa de treinos sem problemas e, a partir dessa perspectiva, tivemos um bom dia. A maioria dos desafios que enfrentamos são os mesmos do ano passado – a altitude faz uma grande diferença para a sensação do carro, devido a perda de downforce –, por isso temos de nos adaptar às condições e encontrar o equilíbrio. Foi um bom começo, mas não estou completamente feliz ainda: há uma boa margem para melhorias”, observou o alemão.

No sábado, o trabalho realizado no VJM09 renderia frutos para Hulkenberg. Enquanto Pérez empacava no Q2 – o mexicano anotou 1m20s287, ficando num tímido 12º lugar no grid –, o germânico avançava para o Q3. Não só isso: na sessão decisiva, Nico foi implacável, assegurando um impressionante quinto lugar. Hulk ficou atrás apenas das duplas da Mercedes e da Red Bull. Com 1m19s330, o alemão acabou sendo 0s626 mais lento do que Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP do México com 1m18s704. Por outro lado, Hulkenberg surpreendeu ao derrotar a dupla da Ferrari por cinco centésimos – Kimi Raikkonen marcou 1m19s376, enquanto Sebastian Vettel fez 1m19s381.

Nico celebra o quinto lugar no grid: alemão deu show no Q3 em Hermanos Rodríguez

Nico celebra o quinto lugar no grid: alemão deu show no Q3 em Hermanos Rodríguez

“Foi uma ótima classificação para mim e estou muito feliz com o resultado. Nosso carro funciona bem em todos os circuitos atualmente, mas senti que ele ficou cada vez melhor ao longo da classificação – a pista evoluiu bastante. Minha primeira volta na Q3 foi demais, possivelmente minha melhor volta de classificação na temporada, e creio que eu não poderia ter tirado mais nada do carro. Precisamos evitar problemas na largada, mas não deixarei o que aconteceu no último fim de semana me influenciar (Hulk foi tocado no início da etapa norte-americana). Todas as vezes em que você chega à Curva 1, há uma dinâmica única e é necessário improvisar. Temos uma boa ideia de nossa situação para a corrida, vamos nos concentrar e tentar aproveitar o resultado de hoje (sábado), declarou Hulk, após obter o top 5 no grid.

Largada do GP do México de 2016: por fora, Hulkenberg superou Ricciardo e assumiu 4º lugar

Largada do GP do México de 2016: por fora, Hulkenberg superou Ricciardo e assumiu 4º lugar

A corrida

Confiança não faltava quando Nico Hulkenberg alinhou o carro da Force India no grid do GP do México, na tarde de 30 de outubro de 2016. Diante de arquibancadas repletas de torcedores de Sergio Pérez, o germânico também contava com o carinho dos espectadores locais. A energia vinda do lado de fora da pista ajudou a impulsionar Hulk no Autódromo Hermanos Rodríguez. Calçando pneus supermacios (os menos duráveis do fim de semana), Hulk foi ousado na largada e superou Daniel Ricciardo (Red Bull) na Curva 1, assumindo o quarto lugar. À frente, o alemão viu Lewis Hamilton (Mercedes) escapar da pista, e Nico Rosberg (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull) irem além do limite do traçado na disputa pelo segundo lugar. Durante a volta inicial, Pascal Wehrlein (Manor) foi tocado por Esteban Gutiérrez (Haas) e perdeu o controle de seu bólido. O alemão acabou atingido por Marcus Ericsson (Sauber) e foi obrigado a abandonar a corrida.

A Manor de Wehrlein ficou destruída na pista. Diante disso, a direção de prova acionou o VSC (virtual safety car). A bandeira amarela só foi retirada na volta 4. Em quarto, Hulkenberg não tinha como ultrapassar Verstappen, o terceiro. Por outro lado, Nico mantinha uma vantagem segura sobre Kimi Raikkonen (Ferrari), o quinto. Com esse cenário estabelecido, as mudanças só se dariam de acordo com as estratégias traçadas por pilotos e times. Com o pit stop de Verstappen, na volta 12, Hulk assumiu o terceiro lugar. Porém, era uma posição virtual – os pneus do germânico estavam em frangalhos. Assim, na volta 14, Nico foi para os boxes. Na troca, a Force India sacou os compostos supermacios e colocou os médios. O objetivo passava a ser um só: cruzar a linha de chegada sem parar novamente.

Hulk só fez um pit stop na corrida, na volta 14: estratégia da Force India permitiu avanço da Ferrari

Hulk só fez um pit stop na corrida, na volta 14: estratégia da Force India permitiu avanço da Ferrari

No retorno à pista, Hulkenberg se viu em 10º. Com o pit stop de Fernando Alonso (McLaren), na volta 15, o alemão subiu para nono. Após a parada de Valtteri Bottas (Williams), na volta 19, Nico ascendeu para a oitava colocação. Na passagem seguinte, após Felipe Massa (Williams) ir aos boxes, Hulk alcançou a sétima posição. Porém, Raikkonen também parou na volta 20, e voltou à pista na frente do germânico da Force India. Dessa forma, Nico perdia terreno para Kimi. Mas havia um porém: a Ferrari pararia uma segunda vez nos boxes, o que poderia reconduzir Hulkenberg para o top 5 na Cidade do México. Num ritmo conservador, Hulk tentava anular a estratégia ferrarista. Mas não teve jeito. Após Sebastian Vettel (Ferrari) ir aos boxes na volta 33, e retornar à frente do germânico, ficava evidenciado que o time italiano havia superado a escuderia indiana.

A expectativa de Hulkenberg era saber se Raikkonen, o quinto colocado, faria mais uma parada. Caso Kimi parasse, não teria vantagem suficiente para retornar à frente de Nico. Na volta 46, o finlandês foi aos boxes. Desta vez, não deu para o campeão de 2007. Hulk superava Kimi e assumia o sexto posto. Contudo, com pneus novos, Raikkonen partiria para o ataque, na disputa por um lugar no top 6. Na volta 51, Ricciardo foi para os boxes. No retorno, estava entre Hulkenberg e Raikkonen, na sexta colocação. Porém, na passagem seguinte, Daniel superou Nico, recuperando a quinta colocação. À Hulk, restava saber se conseguiria neutralizar o melhor equipamento de Raikkonen e assegurar a sexta posição.

Hulkenberg lutou bravamente, mas não resistiu a Raikkonen: toque fez alemão rodar

Hulkenberg lutou bravamente, mas não resistiu a Raikkonen: toque fez alemão rodar

Volta após volta, os ataques de Kimi eram cada vez mais incisivos. Além disso, os pneus de Hulkenberg já davam sinais de desgaste. Na volta 68, a quatro voltas do fim, o finlandês da Ferrari partiu para cima do alemão da Force India. Por fora na Curva 4, Raikkonen pressionou Hulk. O germânico resistiu, mas acabou tocado e rodou sobre o eixo de seu bólido. Nico retornou à pista ainda em sétimo, mas distante de Kimi. A vitória do GP do México ficou com Hamilton, seguido por Rosberg. O resultado manteve Lewis vivo na luta pelo tetracampeonato – o inglês ficou a 19 pontos do alemão (349 a 330). Porém, uma vitória no Brasil dá o título ao filho de Keke Rosberg. Dobradinha da Mercedes à parte, a sensação ficou por conta de quem seria o terceiro lugar na prova mexicana.

Verstappen, Vettel e Ricciardo travaram duras batalhas no Autódromo Hermanos Rodríguez. Max terminou em terceiro, seguido por Sebastian e Daniel. Todavia, uma reclamação da Ferrari em relação ao incidente da volta 68 – o holandês ignorou a curva para se manter à frente do alemão – fez com que Verstappen perdesse o terceiro lugar pouco antes de subir ao pódio (o jovem foi punido com 5s acrescidos ao seu tempo). Vettel foi chamado às pressas, e recebeu o troféu pelo top 3. Contudo, horas depois, uma reclamação da Red Bull foi aceita em relação ao incidente da volta 70 – Sebastian barrou Daniel, impedindo a ultrapassagem do australiano. O ferrarista teve 10s acrescidos ao seu tempo de corrida. Assim, após todas as punições, Ricciardo acabou herdando o terceiro posto, seguido por Verstappen e Vettel.

Sétimo lugar de Hulkenberg manteve Force India à frente da Williams no Mundial de Construtores

Sétimo lugar de Hulkenberg manteve Force India à frente da Williams no Mundial de Construtores

Hulkenberg deixou a Cidade do México sem punições e com um importante sétimo lugar, que manteve a Force India na quarta posição do Mundial de Construtores, com 145 pontos, contra 136 da Williams. “Definitivamente, foi o melhor resultado que poderíamos esperar em circunstâncias normais. Fiz uma ótima largada, mas após os pit stops, acabou sendo uma tarde bastante solitária para mim. Isso permitiu que eu gerenciasse meus pneus e meu ritmo. No final, a batalha com Kimi (Raikkonen) seria difícil de qualquer maneira porque ele tinha uma enorme vantagem de pneus sobre mim: fiquei surpreso por ter conseguido mantê-lo atrás por tanto tempo. Tentei me defender ao máximo por dentro, mas frear na parte suja da pista com pneus desgastados é complicado! Ele veio na minha direção e eu não conseguiria parar o carro de jeito nenhum, então forcei uma rodada para evitar uma batida”, explicou.

De saída da Force India, Hulkenberg ocupa nono lugar do Mundial, com 60 pontos

De saída da Force India, Hulkenberg ocupa nono lugar do Mundial, com 60 pontos

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