Alemanha-2019: Kvyat sobe ao pódio em “corrida maluca”

Daniil Kvyat surpreendeu ao conquistar o 3º lugar em Hockenheim: 1º pódio da Toro Rosso em 11 anos

Kvyat surpreendeu ao conquistar o 3º lugar em Hockenheim: 1º pódio da Toro Rosso em 11 anos

Por Denise Vilche*
Colaboradora

“Uma montanha-russa, parecida com a minha carreira”. Foi assim como Daniil Kvyat (Toro Rosso) definiu o GP da Alemanha, disputado no circuito de Hockenheim no dia 28 de julho de 2019. Numa corrida marcada por inúmeros acidentes, Kvyat se aproveitou da estratégia e conseguiu o terceiro lugar na prova germânica. Foi o seu terceiro pódio na Fórmula 1 e o quarto de um russo na categoria (o primeiro top 3 da Rússia foi de Vitaly Petrov, no GP da Austrália em 2011).

Apesar desse histórico de pódios, a trajetória de Kvyat na F1 foi cheia de altos e baixos. Depois de estrear na Toro Rosso em 2014, Daniil conseguiu a promoção para a Red Bull em 2015. Em 2016, depois de acidentes em corridas, ele foi substituído por Max Verstappen na Espanha, voltando a correr pela Toro Rosso. No ano seguinte, o piloto novamente foi sacado, mas, desta vez, ficou sem lugar na equipe de Faenza – que não renovou seu contrato para 2018. Para piorar, Kvyat ainda foi cortado do programa de pilotos da Red Bull.

Após idas e vindas, Kvyat retornou ao cockpit da Toro Rosso em 2019:

Após idas e vindas, Kvyat retornou ao cockpit da Toro Rosso em 2019. Meta: aproveitar a nova chance

Depois de passar um ano como piloto de desenvolvimento da Ferrari, ele ganhou uma nova oportunidade em 2019. Mais uma vez, na Toro Rosso, após a Red Bull ficar sem opções para preencher todas as suas vagas. Seu companheiro de equipe seria Alexander Albon, chamado às pressas para a outra vaga no time. Apesar de conseguir a vaga, Kvyat ainda precisava mostrar que merecia essa terceira chance. Por isso, o pódio na Alemanha não podia ter vindo em melhor hora.

Kvyat desembarcou em Hockenheim trazendo na bagagem um satisfatório nono lugar no GP da Inglaterra, em Silverstone. Ele chegava na Alemanha no 14º lugar do Mundial, com 12 pontos, cinco a mais do que Albon, o 15º, e cinco a menos do que Nico Hulkenberg (Renault), o 11º, mostrando quão acirrada estava a disputa na zona intermediária da tabela.

Kvyat travou um duelo particular contra Albon em Hockenheim: russo levou a melhor sobre o tailandês

Kvyat travou um duelo particular contra Albon em Hockenheim: russo levou a melhor sobre o tailandês

E acirrada estava também a disputa pela primazia na Toro Rosso. No primeiro treino livre no circuito alemão, na sexta-feira, Kvyat saiu na frente de Albon por apenas 0s001. Isso mesmo: 1 milésimo. O russo terminou em 14º, com 1m15s776, enquanto o anglo-tailandês fez 1m15s777. Na frente, a Ferrari, usando os pneus macios, fez dobradinha, com Sebastian Vettel marcando o melhor tempo, com 1m14s013, seguido por Charles Leclerc, com 1m14s268. Lewis Hamilton (Mercedes) optou pelos pneus médios, anotando o terceiro tempo (1m14s315).

No segundo treino livre, Kvyat conseguiu melhorar sua posição e terminou a sessão em 12º, com o tempo de 1m14s800, duas posições à frente de Albon. Já a Ferrari novamente voltou a dominar: Leclerc marcou o melhor tempo, com 1m13s449, contra 1m13s537 de Vettel. As duas Mercedes ficaram logo atrás, com Hamilton em terceiro e Bottas em quarto.

Daniil assegurou um modesto 14º lugar no grid de Hockenheim. Ainda assim, à frente de Albon

Daniil assegurou um modesto 14º lugar no grid de Hockenheim. Ainda assim, à frente de Albon

No sábado, a ambição da dupla da Toro Rosso era de avançar para o Q3. Entretanto, o qualifying de Hockenheim foi difícil para Kvyat e Albon. Daniil só conseguiu o 14º lugar, com 1m13s135. Albon sequer passou para o Q2 – terminou em 17º. Entre os primeiros, a Ferrari foi a decepção. Vettel teve problemas em seu carro e nem participou da sessão. Leclerc conseguiu chegar no Q3, mas um problema no sistema de combustível o impediu de participar da fase decisiva do treino. Melhor para Hamilton, que, com 1m11s767, assegurou mais uma pole. Max Verstappen (Red Bull) ficou em segundo (1m12s113) e Valtteri Bottas (Mercedes) em terceiro (1m12s129).

Largada do GP da Alemanha de 2019, em Hockenheim: Kvyat foi cauteloso no início

Largada do GP da Alemanha de 2019, em Hockenheim: Kvyat foi cauteloso no início

A corrida

A forte chuva que caía sobre Hockenheim minutos antes da largada fez com que o safety car fosse para a pista liderar o pelotão. Depois de várias voltas, finalmente os carros alinharam no grid para o início do GP da Alemanha. Lewis Hamilton (Mercedes) se manteve na liderança. Já Max Verstappen (Red Bull) largou mal e perdeu posições para Valtteri Bottas (Mercedes) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo). Kvyat também não fez uma boa largada e acabou caindo para o 17º lugar.

Na segunda volta, Verstappen ultrapassou Raikkonen e assumiu o terceiro lugar, enquanto Sebastian Vettel (Ferrari), que havia largado em último, já era o 12º colocado. Naquele momento, Sergio Perez (Racing Point) rodou e forçou a entrada do safety car. Grande parte dos pilotos aproveitaram para fazer o primeiro pit stop – entre eles, Kvyat. Depois da parada, o russo acabou caindo para a 19ª e última posição.

Boa estratégia da Toro Rosso ajudou Kvyat a escalar posições na classificação de Hockenheim

Boa estratégia da Toro Rosso ajudou Kvyat a escalar posições na classificação de Hockenheim

Daniil começou a ascender na classificação depois das paradas dos pilotos que ainda não haviam trocado os pneus de chuva pelos intermediários. Na nona volta, o piloto da Toro Rosso já estava na 13ª colocação, brigando com Daniel Ricciardo (Renault), que estava na frente, e Pierre Gasly (Red Bull), que vinha atrás. No final da 14ª volta, Gasly conseguiu ultrapassar Kvyat, mas os dois pilotos acabaram ganhando a posição de Ricciardo, que teve problemas no motor e acabou abandonando a prova.

Na volta 23, os pilotos começaram a trocar os pneus intermediários para os de pista seca, apesar da leve chuva que caía em Hockenheim. Kevin Magnussen (Haas) foi o primeiro a se aventurar, seguido de Vettel e Verstappen. Na volta 27, Lando Norris perdeu a potência de sua McLaren e provocou mais um safety car virtual. Charles Leclerc (Ferrari) aproveitou o incidente para parar pela terceira vez, seguido de Hamilton. A expectativa era para a disputa pela liderança entre os dois pilotos, mas Leclerc acabou perdendo o controle do carro na volta 29 e, preso na brita, causou a entrada no safety car.

Russo escalou diversas vezes o pelotão durante o GP da Alemanha: prova foi verdadeira loteria

Daniil escalou diversas vezes o pelotão durante o GP da Alemanha: prova foi verdadeira loteria

Sob bandeira amarela, muitos pilotos pararam para colocar novos pneus intermediários. Na sequência, foi a vez de Hamilton perder o controle do carro e danificar sua asa dianteira. O piloto da Mercedes teve que cortar caminho para entrar nos boxes. Os mecânicos, no entanto, não estavam preparados para receber o inglês e o que se viu no box da Mercedes foi digno de uma comédia pastelão, com mecânicos correndo desesperados para todos os lados e Lewis assistindo sua parada durar 50s3. Sem querer correr riscos com os pneus de pista seca, a Mercedes chamou Bottas para os boxes, dando a liderança para Verstappen. Nico Hulkenberg (Renault) assumiu o segundo lugar, com Bottas voltando em terceiro. Hamilton, apesar da parada longa, conseguiu voltar em quinto, enquanto Kvyat era o 11º.

Quando a corrida reiniciou, na volta 34, Verstappen se manteve na frente, seguido de Hulkenberg e Bottas. Hamilton, que estava em quinto, foi punido com 5s por ter cortado caminho ao entrar nos boxes quando quebrou sua asa. Ele ainda passou a ser investigado por andar excessivamente lento quando o safety car foi acionado. Na frente, Bottas ultrapassou Hulkenberg para assumir o segundo lugar. Logo em seguida, o piloto da Renault foi ultrapassado por Hamilton. Para piorar a situação em sua corrida em casa, o alemão perdeu o controle do carro na volta 40 e teve que abandonar a corrida.

Kvyat entre os primeiros em Hockenheim: cenário inimaginável antes do GP da Alemanha

Kvyat entre os primeiros em Hockenheim: cenário inimaginável antes do GP da Alemanha

Para retirar a Renault com segurança, o safety car foi novamente acionado e Verstappen aproveitou e fez sua quarta parada, voltando ainda na liderança. Enquanto isso, Kvyat ia lentamente ganhando posições, assumindo o nono lugar ainda faltando 22 voltas para o fim. Quando a corrida recomeçou, com 19 voltas para o fim, Verstappen liderava, com Bottas em segundo. Na briga pelo terceiro lugar, Alexander Albon (Toro Rosso), Hamilton, Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Gasly protagonizaram uma acirrada disputa, com Sainz quase tomando o lugar de Hamilton. No final, Lewis ficou com o lugar, seguido de Sainz e Gasly. Albon acabou saindo da pista e perdendo duas posições.

Com a pista mais seca e sem previsão de mais chuva, os pilotos começaram a parar para trocar os pneus intermediários pelos de pista seca e um dos primeiros a usar essa estratégia foi Kvyat, que caiu para o 14º lugar. A estratégia de parar antes dos demais começou a funcionar nas voltas seguintes, quando todos os pilotos começaram a parar, fazendo com que o russo ganhasse muitas posições, subindo para terceiro lugar, atrás de Lance Stroll (Racing Point) e Verstappen.

Kvyat chegou a andar em segundo, mas foi superado por V

Kvyat chegou a andar em segundo, mas foi superado por Vettel: pódio celebrado pela Toro Rosso

Na volta 51, Daniil ultrapassou o canadense da Racing Point e assumiu a segunda colocação. Quem também vinha se recuperando era Vettel, que, com 10 voltas para o fim, era o sexto. O alemão da Ferrari ainda ganhou mais uma posição, quando Bottas rodou e destruiu a suspensão dianteira da Mercedes, provocando mais um safety car. Algumas voltas antes, Hamilton já tinha rodado e caído para o último lugar, numa corrida em que deu tudo errado para a Mercedes, que aproveitava a data para comemorar sua 200º corrida na F1 e 125 anos de automobilismo, com direito a pintura especial e equipe vestindo trajes de época.

Faltando cinco voltas para o fim, a corrida foi reiniciada e Vettel logo conseguiu ultrapassar Sainz, enquanto Verstappen continuava na liderança, com Kvyat em segundo. Na volta seguinte, Vettel passou por Stroll, enquanto Gasly bateu em Albon e abandonou a prova. Na penúltima volta, Vettel ganhou mais uma posição ao ultrapassar Kvyat e assumiu o segundo lugar.

O terceiro lugar de Hockenheim foi o terceiro pódio da carreira de Kyvat e o quarto da Rússia na F1

O terceiro lugar de Hockenheim foi o terceiro pódio da carreira de Kyvat e o quarto da Rússia na F1

Com uma confortável vantagem. Verstappen cruzou a linha de chegada para vencer o GP da Alemanha, Vettel terminou em segundo e Kvyat, que tinha se tornado pai no dia anterior, completou o pódio. Foi o terceiro top 3 de Kvyat, que terminou em terceiro na China, em 2016, e em segundo na Hungria, em 2015, quando ainda pilotava pela Red Bull. Foi ainda o segundo pódio da Toro Rosso, que conseguiu uma vitória com Vettel no GP da Itália de 2008, em Monza.

“Foi maravilhoso estar de volta ao pódio. É incrível para a Toro Rosso depois de tantos anos, trazer um pódio para a equipe é maravilhoso. A corrida foi maluca, mas finalmente eu consegui fazer tudo dar certo para conseguir esse pódio”, disse Daniil logo após a corrida, que comparou com se fosse um filme de terror misturado com humor negro. Tamanha foi a loucura da corrida que até Robert Kubica, que até então vinha amargando as últimas posições com a Williams, conseguiu seu primeiro ponto (e da equipe) na temporada.

Kvyat, ao lado de Verstappen, o vencedor, e Vettel, o segundo colocado: em comum, o fato de serem crias da Red Bull

Kvyat, ao lado de Verstappen, o vencedor, e Vettel, o segundo: três crias da Red Bull

Com o resultado, Hamilton continua na liderança do Mundial, com 225 pontos. Bottas vem em segundo (184) e Verstappen em terceiro (162). Por sua vez, Kvyat ganhou muitas posições no campeonato, subindo para o 8º lugar, com 27 pontos, ajudando a Toro Rosso a assumir o quinto lugar entre os Construtores.

Kvyat ao lado de Verstappen no pódio de Hockenheim: holandês sucedeu o russo na Red Bull

Kvyat ao lado de Verstappen no pódio de Hockenheim: holandês sucedeu o russo na Red Bull

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade’”.
Instagram: @denisevilche
Twitter: @DeniseVilche
Facebook: Denise Vilche
E-mail: denisevilche@gmail.com

(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em Alemanha, Alexander Albon, Alfa Romeo, Carlos Sainz Jr., Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, Denise Vilche, Haas, Hockenheim, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Lance Stroll, Lando Norris, McLaren, Nico Hulkenberg, Racing Point, Renault, Robert Kubica, Toro Rosso, Williams. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s