Estíria-2020: Norris emplaca quinto lugar nos últimos metros

Lando Norris voltou a dar show em Spielberg: após primeiro pódio, britânico conquistou ótimo top 5

Lando Norris voltou a dar show em Spielberg: após primeiro pódio, britânico conquistou ótimo top 5

Por Denise Vilche*
Colaboradora

É bem verdade que Lando Norris (McLaren) iniciou com o pé direito a temporada de 2020 – o britânico conquistou seu primeiro pódio na Fórmula 1 ao terminar em terceiro no GP da Áustria, em Spielberg. Uma semana depois do feito, no dia 12 de julho, Norris voltaria ao circuito austríaco para a disputa do GP da Estíria. A rodada dupla na Áustria foi a alternativa encontrada pela categoria para realizar o Mundial com o máximo de segurança sanitária, em razão da pandemia do novo coronavírus. O inglês se aproveitou do ‘fator Spielberg’ para realizar mais uma impressionante apresentação. Nem mesmo as fortes dores no tórax e a punição que o fez largar em nono abateram Lando, que soube poupar pneus durante a corrida e, na hora decisiva, ultrapassou três pilotos nas duas últimas voltas para assegurar um ótimo quinto lugar. A exibição levou o jovem piloto a afirmar que aquela foi a “melhor corrida da carreira”. 

O top 5 na Estíria colocou Norris em terceiro lugar no Mundial de Pilotos, com 26 pontos, atrás somente da hegemônica dupla da Mercedes – Valtteri Bottas deixou Spielberg com 43 pontos, contra 37 de Lewis Hamilton. A boa posição na tabela do campeonato refletia a evolução do britânico, que passou o ano de 2019, sua temporada de estreia na F1, sendo comparado com seu companheiro de McLaren, Carlos Sainz Jr.. Depois de passar o intervalo entre temporadas analisando seus pontos fracos e buscando formas de melhorar, Lando colheu os frutos de seu esforço com um pódio logo na primeira etapa do campeonato.

Com 26 pontos nas duas primeiras provas, Norris deixou Spielberg atrás somente de Bottas e Hamilton

Com 26 pontos nas duas primeiras etapas, Norris deixou Spielberg atrás apenas de Bottas e Hamilton

Norris estava embalado com o terceiro lugar, mas começou o primeiro treino livre para o GP da Estíria com dificuldades. Uma dor no tórax, que era agravada principalmente nas curvas de alta do circuito, atrapalhou o desempenho do piloto, que chegou a declarar que tinha medo de frear mais fundo em algumas curvas por conta da pressão que sentia no peito. Era o resultado de ter ficado mais de quatro meses sem pilotar um F1. Com isso, o britânico da McLaren terminou o treino apenas em 14º, com 1m05s908, enquanto Sainz, com 1m05s602, terminou em sétimo. Para piorar, Lando seria penalizado com a perda de 3 posições no grid depois de ter ultrapassado carros de adversários em trecho sob bandeira amarela. A sessão foi dominada por Sergio Perez, que colocou a Racing Point no topo da classificação, com 1m04s867, apenas 0s096 de Max Verstappen (Red Bull), o segundo.

Sem tempo para se recuperar, Norris acabou sendo poupado das atividades mais intensas no segundo treino livre, dando menos voltas do que os demais. Não era um cenário ideal, já que a ameaça de chuva para o sábado poderia fazer com que o resultado dessa sessão valesse para o grid de largada. Lando terminou em oitavo, com 1m04s541, contra 1m04s333 de Sainz, o quinto. A sessão foi liderada por Verstappen, com 1m03s660, 0s043 à frente de Valtteri Bottas (Mercedes).

Sob chuva, Lando conseguiu um lugar no Q3, mas não passou da sexta posição

Sob chuva, Lando conseguiu um lugar no Q3, mas não passou da sexta posição

Como esperado, a chuva veio com força no sábado, fazendo com que o terceiro treino livre fosse cancelado. A expectativa era para a realização do qualifying, mas a direção do GP da Estíria foi extremamente cautelosa. Depois de 45 minutos, a chuva deu uma trégua e o Q1 finalmente pôde começar. Sem perder tempo, todos os carros foram para a pista, já que a chuva mudava rapidamente de intensidade. Depois de muitas alternâncias na liderança do Q1, a sessão foi interrompida por uma bandeira vermelha em seus momentos finais – Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) bateu e tentou voltar para os boxes, mas não teve sucesso. Com isso, Lewis Hamilton (Mercedes) terminou com o melhor tempo, com Max Verstappen (Red Bull) em segundo. Norris e Sainz vieram em terceiro e quarto, respectivamente, mostrando um ótimo desempenho da McLaren. A surpresa ficou por conta de Sergio Perez (Racing Point), que, depois de andar bem na sexta, acabou em 17º.

A chuva voltou forte para o Q2 e novamente Hamilton fez o melhor tempo, seguido por
Verstappen. Já Norris manteve o ritmo e terminou a sessão mais uma vez em
terceiro. A disputa mais acirrada, no entanto, foi protagonizada pela Ferrari, com seus dois
pilotos brigando para ver quem ficava com a última vaga no Q3. Sebastian Vettel venceu a
disputa, terminando em 10º, deixando Charles Leclerc em 11º. O monegasco ainda seria punido e largaria em 14º, dando seu lugar para George Russell (Williams), que pela primeira vez na carreira havia passado para o Q2.

Norris foi punido com a perda de três posições no grid: assim, largaria em nono

Norris foi punido com a perda de três posições no grid: assim, largaria em nono

No Q3, Lando errou em sua última tentativa e terminou em sexto, com 1m20s925. Entretanto, como havia sido punido na sexta, seria obrigado a largar da nona posição do grid. “Quando você sabe de fato que deveria ter ido melhor, é tão frustrante. Claro que estou feliz com o 6º lugar, é melhor do que quase todos os meus resultados anteriores, mas com a punição de três posições, seria melhor estar onde o Carlos está e aí perder as posições para largar onde eu me classifiquei”, disse o piloto, que treinou sob efeito de analgésicos. Sainz, por sua vez, terminou em terceiro – sua melhor posição de largada desde o seu início na F1 -, com 1m20s671.

Já na disputa pela pole do GP da Estíria, ainda debaixo de muita chuva, Hamilton e Verstappen batalharam até o final. O piloto da Red Bull rodou quando fazia sua última tentativa. Já Hamilton anotou a volta perfeita. Com 1m19s273, marcou a sua 89ª pole position, terminando 1s216 à frente do holandês, segundo com 1m20s489.

Largada do GP da Estíria de 2020: Lando se manteve em nono, se livrando da confusão da Ferrari

Largada do GP da Estíria de 2020: Lando se manteve em nono e se livrou da confusão da Ferrari

A corrida

A largada do GP da Estíria de 2020, em Spielberg, foi tão intensa quanto conturbada. Lewis Hamilton (Mercedes), o pole, se manteve na frente. Max Verstappen (Red Bull) e Carlos Sainz Jr. (McLaren) disputaram o segundo lugar, com o holandês levando a melhor sobre o espanhol. Alexander Albon (Red Bull) ultrapassou Esteban Ocon (Renault) para assumir a quinta posição. Já Lando Norris (McLaren), que largava em nono, seguiu na mesma posição. Atrás das disputas pelas primeiras posições, veio um lance catastrófico protagonizado pela Ferrari: Charles Leclerc acertou a traseira de Sebastian Vettel ainda na curva 3. O monegasco quebrou a asa traseira do alemão, que foi obrigado a abandonar. Leclerc teve a asa dianteira avariada e foi aos boxes, caindo para o último lugar.

O safety car foi acionado para retirar os detritos deixados pelos carros da Ferrari. A corrida foi reiniciada na volta 4. Em nono, Norris se viu desafiado por Lance Stroll (Racing Point). O britânico da McLaren tentou resistir, mas foi ultrapassado pelo canadense, caindo para 10º. Na volta seguinte, Leclerc abandonou a etapa – seu carro ficou danificado após o acidente com Vettel. Assim, em cinco voltas, a Ferrari dava adeus à prova em Spielberg. Na frente, Hamilton passou a colocar vantagem sobre Verstappen, enquanto Valtteri Bottas (Mercedes) assumia o terceiro lugar após superar Sainz. O espanhol da McLaren perderia também o quarto lugar para Albon na volta 8.

No início, Lando não resistiu aos ataques de Stroll (foto) e Pérez: tudo para gerenciar os pneus

No início, Lando não resistiu aos ataques de Stroll (foto) e Pérez: tudo para gerenciar os pneus

Enquanto isso, Sergio Pérez (Racing Point) começava sua corrida de recuperação e já estava em 11º, ameaçando Norris por um lugar na zona de pontuação. Na volta 15, Perez ultrapassou Lando e ingressou no top 10, partindo para cima de Pierre Gasly (AlphaTauri) – o francês havia perdido a posição para Stroll. Checo superou Gasly na volta 18, assumindo o nono lugar. Na volta 22, Norris enfim ganhou uma posição – o piloto da McLaren ultrapassou Gasly e retornou ao top 10. Na volta 27, o britânico subiu para nono com o abandono de Esteban Ocon (Renault).

A partir daí, Norris passou a estender sua permanência na pista, o que acabou sendo um acerto da McLaren. O britânico foi um dos últimos a fazer sua parada, se
aproveitando do bom gerenciamento dos pneus macios. Lando parou apenas na volta 39, sete voltas depois de Sainz. Naquele momento, era o quarto colocado, atrás somente de Hamilton, Verstappen e Bottas. Depois do pit, retornou na 10ª colocação. Calçando pneus médios, ele partiu para a luta. Com a parada de Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), na volta 44, Norris recuperou a nona colocação. Naquele instante, estava 7s atrás de Sainz, que teve problemas em sua parada e caiu para oitavo. Com o passar das voltas, Norris reduziu a diferença para Sainz, até que o espanhol não teve outra opção a não ser deixar seu companheiro de equipe passar na volta 62: Lando era o oitavo, e Carlos, o nono.

Lando estendeu sua permanência na pista, visando um fim de corrida forte: tática certeira

Lando estendeu sua permanência na pista, visando um fim de corrida forte: tática certeira

A seis voltas para o fim, Bottas reduziu a diferença de Verstappen para menos de 1 segundo. Os dois batalharam pela posição lado a lado, com Max se segurando à frente. Mas o holandês não resistiu ao finlandês por muito tempo e Valtteri tomou o segundo lugar. Verstappen ainda fez mais uma parada, querendo terminar a corrida com a volta mais rápida, plano frustrado por Sainz, que usou a mesma estratégia. Foi a primeira ‘flying lap’ da carreira do espanhol, que, além de fazer a volta mais rápida, com 1m05s619, bateu o recorde de Spielberg anotado por Kimi Raikkonen, com Ferrari, em 2018.

Duas acirradas disputas aconteciam no final da corrida. Pérez tentava passar Albon pelo quarto lugar, e Stroll brigava com Daniel Ricciardo (Renault) pela sexta colocação. Assim como fez com Sainz, Norris passou a tirar quase meio segundo por volta, se aproximando de Lance. A duas voltas para o fim, Pérez tentou superar Albon e acabou quebrando sua asa dianteira. Mais atrás, Stroll foi com tudo para cima de Ricciardo, e os dois pilotos acabaram saindo da pista. Norris se aproveitou desse duelo e ultrapassou Daniel, subindo para sétimo.

Norris foi o protagonista das voltas finais em Spielberg: quinto lugar só veio nos últimos metros

Norris foi o protagonista das voltas finais em Spielberg: quinto lugar só veio nos últimos metros

Na última volta, Albon não sofria mais a pressão de Pérez, que, com problemas na asa dianteira, perdeu desempenho. Assim, o anglo-tailandês assegurava o quarto lugar. Já Checo via Stroll, Norris e Ricciardo crescerem em seu retrovisor. No início da volta derradeira em Spielberg, Lando perseguia Stroll pelo sexto lugar. Com atitude, o britânico ultrapassou o canadense com tremenda perícia. A partir daí, Norris iniciou uma luta contra o tempo para superar Pérez antes da linha de chegada. Na última curva, o mexicano não resistiu ao ataque final do jovem da McLaren. Lando deu o bote certeiro e terminou em quinto, à frente de Pérez, Stroll e Ricciardo.

“Foi uma corrida muito boa para mim. Provavelmente a melhor corrida que eu fiz na Fórmula 1, já que ritmo de corrida não foi meu forte em 2019 e foi algo que eu trabalhei muito durante o inverno. Ver essas melhorias e ver o quanto eu progredi me dá muita confiança para as próximas corridas”, disse Norris, que também revelou que os analségicos que tomou não duraram a corrida inteira, mas que logo a dor foi anestesiada pela adrenalina das últimas voltas. Na frente, um impecável Hamilton venceu o GP da Estíria, em Spielberg, triunfando pela 85ª vez em sua carreira. Bottas terminou em segundo, e Verstappen completou o pódio.

Para Norris, os resultados de Spielberg foram frutos de um intenso trabalho realizado na pré-temporada de 2020

Para Norris, os bons resultados foram frutos de um intenso trabalho realizado na pré-temporada

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade’”.
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E-mail: denisevilche@gmail.com

(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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