Itália-2019: Ricciardo coloca Renault num ótimo quarto lugar

Daniel Ricciardo (Renault) celebra quarto lugar em dia de vitória ferrarista com Charles Leclerc

Em Monza, Daniel Ricciardo celebra 4º lugar em dia de triunfo ferrarista com Charles Leclerc

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Descendente de italianos, Daniel Ricciardo (Renault) sempre se sentiu em casa no célebre autódromo de Monza. Lá, o australiano fez seu espírito latino transbordar de maneira efusiva no GP da Itália de 2019. Disputado no dia 8 de setembro, Ricciardo teve um desempenho que fez lembrar seus tempos de Red Bull ao andar entre os primeiros colocados. No fim, conquistou um excelente quarto lugar, seu melhor resultado na equipe francesa até o momento.

Não tem sido fácil para Ricciardo liderar o projeto de reconduzir a Renault ao topo. Após deixar a Red Bull no fim de 2018, o australiano vem encontrando diversas dificuldades com o instável RS19. Antes do GP da Itália, ele havia disputado 13 GPs a bordo do carro preto e amarelo. Seu melhor resultado havia sido um sexto lugar no GP do Canadá, em Montreal. Daniel desembarcou em Monza ocupando apenas o 12º lugar no campeonato, com 22 pontos. Uma posição intermediária, revelando a falta de competitividade da equipe de Enstone neste Mundial.

Após deixar a Red Bull, Ricciardo se transferiu para a Renault: 2019 problemático para o australiano

Após deixar a Red Bull, Ricciardo se transferiu para a Renault: 2019 problemático para o australiano

Em Monza, as expectativas não eram das melhores para a Renault. E o clima também não ajudava no desenvolvimento do RS19. O primeiro treino livre foi marcado pela chuva e por algumas bandeiras vermelhas. Com a pista escorregadia, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), Sergio Perez (Racing Point) e Pierre Gasly (Toro Rosso) acabaram rodando e interromperam o treino. As McLaren de Carlos Sainz Jr. e Lando Norris se arriscaram logo no início e faziam os dois melhores tempos. Porém, no fim, Charles Leclerc (Ferrari), embalado pela vitória na etapa anterior, na Bélgica, e calçando pneus slicks, marcou o primeiro tempo com 1m27s905. Daniel Ricciardo anotou o 13º tempo, com 1m34s528 – a 6s623 do monegasco.

Com uma nova ameaça de chuva, os pilotos foram logo para a pista na segunda sessão livre. Lewis Hamilton (Mercedes) começou na frente, mas Leclerc fez o tempo de 1m20s978 e assumiu a liderança. A chuva paralisou o treino por meia hora. Quando o treino recomeçou, Hamilton tentou superar o piloto da Ferrari. Porém, com o tempo de 1m21s046, acabou ficando a 0s068 de Leclerc. Já Ricciardo mostrou um bom desempenho da Renault na pista seca e terminou o treino em nono, com 1m22s249 – a 1s271 do monegasco.

Na sexta, a chuva atrapalhou o ritmo da Renault e de Ricciardo

Na sexta-feira, a chuva atrapalhou o ritmo da Renault e de Ricciardo em Monza

No sábado, a evolução de Ricciardo e da Renault continuou em Monza. A confiança da equipe ficou elevada após o australiano conquistar a quinta posição na sessão livre da manhã. Isso inspirou a todos na obtenção de um bom lugar no grid para o GP da Itália. No qualifying, Verstappen teve um problema logo no Q1 e sequer chegou a marcar tempo. A sessão foi marcada por uma bandeira vermelha no final, quando Sergio Perez (Racing Point) teve um problema com o seu carro e parou na pista. Quando o treino recomeçou, Leclerc marcou o primeiro tempo, seguindo de perto por Nico Hulkenberg (Renault) e Valtteri Bottas (Mercedes), com Hamilton e Ricciardo logo atrás.

A disputa acirrada entre Hamilton e Leclerc nos treinos livres seguiu no Q2, com o piloto da Mercedes ficando na frente do ferrarista por 0s089. Já Ricciardo, mostrando o bom desempenho da Renault em Monza, terminou o Q2 em um surpreendente quarto lugar. No Q3, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) bateu e provocou uma bandeira vermelha. No momento da interrupção, Leclerc liderava, com Hamilton e Bottas na sequência. Com seis minutos para o fim, a sessão foi reiniciada. Mas em Monza, os pilotos que se aproveitavam do vácuo do carro à frente levavam vantagem. Sendo assim, ninguém quis ser o primeiro a sair para a pista na volta final do treino.

Cena pastelão no fim do qualifying de Monza: ninguém queria ceder vácuo

Cena pastelão no fim do qualifying de Monza: ninguém queria ceder vácuo para o adversário

Com dois minutos para o fim do Q3, finalmente os pilotos saíram dos boxes. Entretanto, ninguém queria ceder o vácuo para o rival. Os pilotos andaram lentamente pela pista, resultando em um inusitado congestionamento. Com o cronômetro quase zerado, Leclerc e Carlos Sainz Jr. (McLaren) foram os únicos que conseguiram cruzar a linha para abrir a última volta. Mesmo sem melhorar seu tempo, o monegasco conseguiu a pole position com o tempo de 1m19s307, seguido de Hamilton, com 1m19s346 e Bottas, com 1m19s354. Ricciardo novamente andou bem e conseguiu a quinta posição no grid, com o tempo de 1m19s839, a apenas 0s532 da pole de Leclerc.

Ao final do qualifying de Monza, o que restou foi a indignação geral sobre o polêmico desfecho do Q3. “Você já viu alguma coisa desse tipo? Isso não é nem digno de fórmulas juniores! O problema é que todo mundo tentou pegar o vácuo. É coisa de categorias juniores e todo mundo ficou parecendo idiotas. (Nico) Hulkenberg liderando o pelotão e depois cortando a chicane, alguns outros carros reduzindo a velocidade. Não é digno de F1”, esbravejou Christian Horner, chefe da Red Bull. No dia anterior, a F3 enfrentou o mesmo problema, com 19 pilotos sendo penalizados. Mas, na F1, a direção de prova chegou a investigar o caso, mas nenhum piloto foi punido.

Largada do GP da Itália de 2019: em quinto no grid, Ricciardo foi superado por Hulkenberg

Largada do GP da Itália de 2019: em quinto no grid, Ricciardo foi superado por Hulkenberg

A corrida

A largada do GP da Itália de 2019 foi especialmente positiva para o companheiro de Daniel Ricciardo (Renault). Assim que as luzes vermelhas se apagaram, Nico Hulkenberg (Renault) saltou de sexto para a quarta posição – além do australiano, Hulk ultrapassou Sebastian Vettel (Ferrari). À frente do trio, posições inalteradas: Charles Leclerc (Ferrari) conseguiu se manter na liderança, seguido de Lewis Hamilton (Mercedes) e Valtteri Bottas (Mercedes). Atrás, Max Verstappen (Red Bull), que largou em 19°, se tocou com Sergio Perez (Racing Point) e teve que ir para os boxes trocar a asa dianteira. Nas primeiras voltas, Leclerc começou a abrir vantagem sobre Hamilton. Já Vettel retomava o quarto lugar ao superar Hulkenberg. Na volta 5, foi a vez de Ricciardo ultrapassar o companheiro de equipe e assumir a quinta colocação.

Na sexta volta, Vettel rodou na Variante Ascari e, ao voltar para a pista, acertou o carro de Lance Stroll (Racing Point). O canadense acabou saindo da pista e ao voltar, quase bateu no carro de Pierre Gasly (Toro Rosso). Com o toque, Vettel precisou ir aos boxes para trocar a asa dianteira. O alemão aproveitou também para fazer sua primeira parada, voltando na última colocação. Pelo incidente, Sebastian foi punido com um stop and go de 10 segundos, enquanto Stroll levou um drive through. Após essa confusão, Ricciardo assumiu a quarta colocação, com uma vantagem confortável em relação a Hulkenberg, que vinha em quinto.

Em quarto, Ricciardo manteve uma vantagem segura sobre Hulkenberg: Renault em forma em Monza

Em quarto, Ricciardo manteve uma vantagem segura sobre Hulkenberg: Renault em forma em Monza

Na 19ª volta, Hamilton antecipou sua parada, na esperança de ultrapassar Leclerc quando o ferrarista viesse para os boxes. A estratégia não funcionou: Charles seguiu à frente de Lewis. Com a parada dos líderes, Bottas assumiu a primeira colocação, com Ricciardo em segundo e Hulkenberg em terceiro. Mas Nico vinha sendo perseguido por Leclerc e Hamilton. Os dois superaram o alemão da Renault na volta 23. Três voltas depois, tanto Charles quanto Lewis ultrapassaram Daniel.

Quando Bottas parou, na volta 27, Leclerc reassumiu a liderança, com Hamilton logo atrás. Duas voltas depois, um safety car virtual foi acionado para a retirada do carro de Carlos Sainz Jr. (McLaren), que parou na entrada dos boxes devido a um pneu mal colocado. Nesse momento, Ricciardo aproveitou para fazer sua única parada, voltando na sétima colocação. Mal os pilotos foram liberados para voltar a acelerar, Ricciardo ultrapassou seu companheiro de equipe na volta 29 para assumir o quarto lugar. Mas o safety car virtual foi novamente acionado para retirar o carro de Danill Kvyat (Toro Rosso), que começou a soltar fumaça e espalhar óleo pela pista.

Ricciardo, entre Leclerc e Hamilton: Renault estendeu presença do australiano na pista

Ricciardo, entre Leclerc e Hamilton: Renault estendeu presença do piloto na pista antes do pit stop

A corrida foi reiniciada na volta 31, com Hamilton colocando pressão sobre Leclerc. O britânico da Mercedes teve algumas oportunidades para ultrapassar o ferrarista, mas Charles conseguiu se manter na frente de Lewis, mesmo cometendo um erro e cortando a chicane na volta 36. Ricciardo seguiu na quarta colocação, com Hulkenberg em quinto, mostrando a boa forma dos carros da Renault em Monza.

Com pneus mais novos, Bottas começou a se aproximar de Hamilton e na volta 42, após Lewis travar os pneus na curva 1, o piloto finlandês conseguiu ultrapassar seu companheiro de equipe. Valtteri passou então a pressionar Leclerc, que conseguia manter uma vantagem de mais de 1 segundo sobre o rival.

Após o pit stop, Daniel manteve um ritmo seguro e consolidou a quarta colocação na etapa italiana

Após o pit stop, Daniel manteve um ritmo seguro e consolidou a quarta colocação na etapa italiana

Na volta 49, Hamilton, que não conseguia mais se aproximar de Bottas, fez mais parada. Mesmo assim, saiu em terceiro, com confortável vantagem sobre Ricciardo. Na frente, Bottas continuava a pressionar Leclerc, mas o piloto monegasco conseguiu segurar o piloto da Mercedes e cruzou a linha de chegada para a loucura dos ‘tifosi’ presentes no circuito.

Foi a segunda vitória da carreira de Charles, a primeira de um piloto da Ferrari em Monza desde Fernando Alonso, em 2010, e a 10ª de um piloto da Scuderia no mítico autódromo italiano. Depois de não comemorar sua primeira vitória devido à morte de Anthoine Hubert no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, desta vez Leclerc não se conteve e comemorou o triunfo aos gritos. Bottas chegou em segundo, com Hamilton completando o pódio. Quem também teve motivos para comemorar foi a Renault, que conseguiu o quarto e quinto lugar, com Ricciardo e Hülkenberg. Foi o melhor desempenho do australiano no time desde que ele se transferiu da Red Bull para a equipe de Enstone.

Renault celebra desempenho em Monza: quarto com Ricciardo e quinto com Hulkenberg

Renault celebra desempenho em Monza: quarto com Ricciardo e quinto com Hulkenberg

Daniel estava satisfeito com a quarta colocação, atrás somente dos pilotos de Ferrari e Mercedes. “Obviamente estou feliz pela equipe inteira, mas eu queria agradecer aos rapazes em Viry (França), que construíram os motores. Eu acho que conseguir o melhor resultado da equipe aqui em Monza desde 2008, em um circuito que demanda potência, é um grande feito. Eles tiveram que lidar com muitas derrotas nos últimos anos e eles tiveram muitos ganhos esse ano com essa unidade de potência, então esse resultado é para eles’’, declarou Ricciardo, recordando dos problemas e das duras críticas da Red Bull aos motores Renault – sobretudo no período em que fazia parte daquela equipe.

O australiano saiu da Itália ocupando a oitava colocação, com 34 pontos, empatado com Alex Albon (Red Bull). Hamilton seguiu confortável na liderança do campeonato, com 284 pontos, com Bottas em segundo (221), Verstappen em terceiro (185) e Leclerc em quarto (182).

Ricciardo deixou Monza com sorriso no rosto: oitavo lugar no Mundial, com 34 pontos

Ricciardo deixou Monza com sorriso no rosto: oitavo lugar no Mundial, com 34 pontos

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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