Hungria-2020: tática rende último ponto para Magnussen

Kevin Magnussen (Haas) terminou em nono, mas punição fez com que caísse para o 10º lugar em Hungaroring
Kevin Magnussen (Haas) terminou em nono, mas punição fez com que caísse para o 10º

Por Denise Vilche*
Colaboradora

“Dá pra acreditar? Parece mais uma vitória para mim!”, gritava um extasiado Kevin Magnussen (Haas) no rádio da equipe após cruzar a linha de chegada no GP da Hungria, disputado no dia 19 de julho de 2020. Uma aposta logo na volta de apresentação colocou o dinamarquês no topo do pelotão. Apesar de ter um equipamento limitado em mãos, Magnussen resistiu aos carros de Ferrari e McLaren, cruzando a linha de chegada em nono e marcando seus primeiros pontos na temporada. A felicidade logo daria lugar à frustração, já que uma punição fez Kevin cair para o 10º lugar. Obra do destino, o desempenho em Hungaroring marcaria a conquista do 158º e último ponto da trajetória do dinamarquês na Fórmula 1.

Mesmo conquistando apenas um ponto, tanto K-Mag – como o piloto é apelidado – quanto a Haas tiveram motivos para comemorar em Hungaroring. A escuderia ianque havia iniciado 2020 envolta em diversos problemas. Nas duas primeiras etapas do Mundial, disputadas em Spielberg, os carros do time norte-americano tiveram um desempenho medíocre. No GP da Áustria, uma falha crônica nos freios tirou tanto Magnussen quanto Romain Grosjean da disputa. E na corrida seguinte, no GP da Estíria, nova decepção: os dois pilotos ficaram foram dos pontos.

Magnussen colheu fiascos nas duas provas disputadas em Spielberg: na Hungria, missão era ingrata
Magnussen colheu fiascos nas duas provas de Spielberg: na Hungria, missão era ingrata

Diante do começo nada promissor, Kevin chegava à Hungria sem muita esperança de um bom resultado. Mesmo assim, o início das atividades em Hungaroring despertou certo otimismo: no primeiro treino livre, o dinamarquês ficou em 12º, com 1m17s713. Já Grosjean, com 1m17s890, terminou em 14º. Lewis Hamilton (Mercedes) liderou a sessão, com 1m16s003, tendo Valtteri Bottas (Mercedes) em seus calcanhares – ficou em segundo, com 1m16s089. A chuva veio com força para o segundo treino livre e apenas 13 pilotos se arriscaram na pista e marcaram tempo. Magnussen optou por não treinar, enquanto Grosjean terminou em oitavo, com 1m43s335. Sebastian Vettel (Ferrari) fez o primeiro tempo, com 1m40s464, com Bottas novamente em segundo, com 1m40s736.

No sábado, nada de pista molhada. E, sem chuva, o dia seria um martírio para Magnussen e a Haas. O terceiro treino livre se mostrou decepcionante para Kevin, que terminou em 16º, com 1m17s086. Ele ficou atrás de Grosjean – o francês anotou 1m16s866 e ficou em 15º. A liderança da sessão ficou com a Mercedes – Bottas foi o primeiro, com 1m15s437, e Hamilton, o segundo, com 1m15s479. O terceiro treino livre serviu de base para o que aconteceria durante a classificação. Sem um bom desempenho da Haas, K-Mag foi eliminado no Q1 e teve que se contentar em largar em 16º, duas posições à frente de Grosjean, o 18º.

No qualifying, K-Mag sofreu e caiu logo no Q1: 16º no grid de Hungaroring
No qualifying, o dinamarquês sofreu e caiu logo no Q1: 16º no grid de Hungaroring

“Eu perdi a 15ª posição por uma pequena margem e isso poderia ter feito a diferença. Você sempre pode ficar imaginando hipóteses ou coisa parecida, mas no final, é isso mesmo, nós vamos largar em 16º e ver o que conseguimos fazer de lá”, disse o dinamarquês após a classificação. Na disputa pela pole position, Hamilton foi dominante. O britânico marcou sua 90ª pole na F1, com 1m13s447. Bottas ficou em segundo, com 1m13s554. Lance Stroll (Racing Point), Sergio Pérez (Racing Point) e Sebastian Vettel (Ferrari) completaram os cinco primeiros lugares no grid de Hungaroring.

Largada do molhado GP da Hungria de 2020. Detalhe nos carros da Haas na saída dos boxes
Largada do molhado GP da Hungria de 2020. Detalhe nos carros da Haas nos boxes

A corrida

A chuva prevista para o GP da Hungria de 2020 veio antes da corrida começar. No momento em que os carros alinharam na pista, já não chovia e a pista dava indícios de que começava a secar. Todos os pilotos calçaram compostos intermediários, com exceção de Kevin Magnussen (Haas), que preferiu sair com pneus de chuva. Vendo as condições da pista antes da largada, a equipe norte-americana começou a questionar seus pilotos quanto à escolha de pneus e se valia a pena já mudar para compostos de pista seca. Aposta feita, Magnussen e Romain Grosjean (Haas) foram para os boxes ainda na volta de apresentação e não alinharam no grid. Na largada, Lewis Hamilton (Mercedes) se manteve na ponta, seguido de Lance Stroll (Racing Point) e Max Verstappen (Red Bull). Magnussen completou a volta 1 em 19º, com Grosjean em 20º.

Com a pista secando rapidamente, os pilotos decidiram ir para os boxes na terceira volta. O objetivo era um só: sacar os intermediários para colocar pneus de pista seca. Quando todos fizeram suas paradas, na volta 5, Hamilton seguiu na liderança, com Verstappen em segundo. E foi nesse instante que a aposta pré-largada da Haas se materializou na pista: Magnussen assumiu o terceiro lugar, seguido por Grosjean. Um cenário inimaginável para a equipe ianque. Entretanto, a partir dali, os carros mais velozes iriam se aproximar – e a realidade viria à tona. Grosjean não segurou o ritmo da Racing Point de Stroll e acabou perdendo o quarto lugar na volta 7. Na 12, seria a vez de Valtteri Bottas (Mercedes) superar o francês. Tanto Stroll quanto Bottas passavam a ameaçar Magnussen. Kevin bem que lutou, mas não resistiu ao poderio de Lance e sua Racing Point, perdendo o terceiro lugar na volta 16. Na 17, Valtteri ultrapassou K-Mag, que caiu para o quinto lugar.

Estratégia colocou Magnussen em terceiro, atrás somente de Hamilton e Verstappen
Estratégia pôs Magnussen em terceiro, à frente de Stroll e atrás de Hamilton e Verstappen

Apesar do avanço dos adversários, os dois carros da Haas continuavam entre os seis primeiros colocados naquele momento – Hamilton continuava na liderança, seguido de Verstappen, Stroll, Bottas, Magnussen e Grosjean. Na metade da prova, enquanto Kevin se mantinha na quinta colocação, Romain perderia quatro posições, tendo problemas de desempenho após danificar o carro na disputa com Alexander Albon (Red Bull) pelo sexto lugar. O dinamarquês da Haas parou na volta 36 e voltou na oitava colocação, exatamente à frente de Albon. Na volta seguinte, o anglo-tailandês da Red Bull conseguiu a ultrapassagem e Magnussen caiu para o nono lugar. Ele ainda perderia mais uma posição para Sergio Pérez (Racing Point), caindo para 10º. Contudo, com as paradas de Daniel Ricciardo (Renault) e Carlos Sainz Jr. (McLaren), K-Mag foi promovido para o oitavo lugar.

Com pneus mais desgastados, o dinamarquês da Haas não conseguiu segurar Ricciardo, caindo para nono na volta 47. Apesar de não ter condições de acompanhar o australiano da Renault, Magnussen tinha uma confortável vantagem para Charles Leclerc (Ferrari) e Sainz. Em certos momentos, ela chegou a ser de 10 segundos. Na volta 60, o espanhol superou o monegasco, assumindo a 10ª posição. O piloto da McLaren ainda tentou se aproximar, mas Kevin cruzou a linha de chegada para marcar os primeiros pontos da Haas na temporada.

Kevin conseguiu uma boa vantagem sobre Sainz e Leclerc e cruzou a linha de chegada em nono
Kevin conseguiu boa vantagem sobre Sainz e Leclerc e cruzou a linha de chegada em nono

“Eu estou tão feliz. Foi uma excelente escolha da equipe ter me chamado para pneus de pista seca na volta de apresentação, muito forte em me dar a confiança de sair de pneus secos naquelas condições. Não foi fácil e foi muito arriscado, mas eles confiaram em mim e deu certo. Eventualmente eu era nono. Eu abri uma vantagem para a Ferrari – quem iria imaginar isso? – e eu consegui manter a McLaren longe. Isso mostra o bom carro que temos durante as corridas e prova o excelente trabalho que a equipe vem fazendo”, disse o dinamarquês depois da prova em Hungaroring.

Mas a felicidade logo foi substituída pela frustração. A Haas não se atentou que, ao conversar com os pilotos durante a volta de apresentação, estavam indo contra o regulamento, que não permite que a equipe dê qualquer ajuda aos pilotos durante esse período. Os dois pilotos acabaram sendo punidos com o acréscimo de 10 segundos em seus tempos. Para Grosjean, que terminou fora dos pontos, a punição não fez diferença, mas para Magnussen, que caiu para 10º, deixou um gosto amargo numa corrida impecável.

Pilotos da Haas foram punidos com 10s após a corrida: Magnussen caiu para 10º
Pilotos da Haas foram punidos com 10s após a corrida: Magnussen caiu para 10º

A vitória do GP da Hungria de 2020 ficou com Hamilton. O britânico sobrou no circuito húngaro. No final, ainda aproveitou e fez mais uma parada, fazendo a volta mais rápida e vencendo pela 86ª vez, além de igualar a marca de Michael Schumacher de maior vencedor absoluto em um mesmo grande prêmio – oito vitórias (o alemão venceu oito vezes o GP da França). Verstappen segurou Bottas e alcançou o segundo lugar, restando o terceiro posto para o finlandês. Com o resultado de Hungaroring, Hamilton assumiu a liderança do Mundial, com 63 pontos, com Bottas em segundo, com 58, e Verstappen em terceiro, com 33. Magnussen passou a figurar em 16º, com um ponto.

O ponto anotado em Hungaroring foi o 158º e último da trajetória de Magnussen na F1
O ponto anotado em Hungaroring foi o 158º e último da trajetória de Magnussen na F1
* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade’”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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