EUA-2019: Ricciardo segura McLaren e vai ao top 6 em Austin

Daniel Ricciardo conquistou um excelente sexto lugar no GP dos Estados Unidos de 2019

Daniel Ricciardo conquistou um excelente sexto lugar no GP dos Estados Unidos de 2019

Por Denise Vilche*
Colaboradora

Se houve alguém que se sentiu vencedor do GP dos Estados Unidos, disputado no dia 3 de novembro de 2019, em Austin, esse alguém foi Daniel Ricciardo (Renault). O australiano resistiu à forte pressão de Lando Norris (McLaren) e assegurou o sexto lugar na prova texana, atingindo o posto de ‘melhor do resto’ no Circuito das Américas. Ricciardo ficou atrás somente das duplas de Mercedes, Red Bull e Charles Leclerc (Ferrari) – Sebastian Vettel (Ferrari) abandonou com problemas na suspensão logo no início da corrida. A saída de Vettel tornou possível a sexta posição para Daniel. Porém, precisou lidar com a força de Norris e da McLaren no seletivo traçado ianque. No fim, foi premiado com o terceiro top 6 na temporada – os anteriores vieram no GP do Canadá, em Montreal, quando também foi sexto, e no GP da Itália, em Monza, quando obteve a quarta colocação, sua melhor corrida em 2019.

Com o sexto lugar na prova texana, o australiano saiu vitorioso de uma disputa particular contra Norris e Nico Hulkenberg (Renault) por um lugar entre os 10 primeiros do Mundial. Daniel havia desembarcado em Austin com 38 pontos, que lhe rendiam a 10ª posição no campeonato, contra 35 de Lando e Hulk. O top 6 na etapa norte-americana não somente manteve Ricciardo na frente do britânico e do alemão na tabela do campeonato, como também fez o piloto da Renault superar Sergio Pérez (Racing Point) e alcançar a nona colocação – Daniel subiu para 46 pontos, contra 44 do mexicano.

Daniel correu com um capacete especial do Texas Longhorns, da Universidade do Texas

Daniel correu com um capacete especial do Texas Longhorns, da Universidade do Texas

No primeiro treino livre, na sexta-feira, os pilotos enfrentaram dificuldades com a baixa temperatura em Austin. Além disso, os comissários estavam de olho nos pilotos que passavam do limite da pista, deletando os tempos de volta de muitos deles. Max Verstappen (Red Bull) fechou a sessão com o melhor tempo, fazendo 1m34s057. Sebastian Vettel (Ferrari) terminou em segundo, com 1m34s226, e Alexander Albon (Red Bull) em terceiro (1m34s316). Ricciardo obteve um ótimo quinto lugar, com 1m35s263, enquanto Hulkenberg foi apenas o 16º. Já no segundo treino livre, Lewis Hamilton (Mercedes) foi o mais veloz, com 1m33s232, contra 1m33s533 de Charles Leclerc (Ferrari). Verstappen terminou em terceiro, seguido de Vettel, Valtteri Bottas (Mercedes) e Albon. Daniel não conseguiu repetir o bom resultado do primeiro treino e terminou em 11º, com 1m34s924, mas ainda à frente de Hulkenberg, que fechou a sessão em 13º, com 1m34s988.

No sábado, durante a classificação, os dois pilotos da Renault travaram uma fratricida disputa durante o Q2. Ambos duelaram por uma vaga na sessão decisiva. Na última volta, Ricciardo tirou Hulkenberg do top 10 e ficou com um lugar no Q3, relegando Nico ao 11º lugar. Na definição do grid, Daniel arrancou o nono lugar, com 1m33s488, sendo superado pela dupla da McLaren, Carlos Sainz Jr. e Lando Norris. A pole position em Austin ficou com Bottas, que anotou 1m32s029. Vettel foi o segundo, com 1m32s041, a 0s012 do finlandês da Mercedes. Verstappen, Leclerc, Hamilton e Albon fecharam o top 6 do grid do GP dos Estados Unidos.

Ricciardo bateu Hulkenberg e avançou para o Q3 de Austin: nono lugar do grid

Ricciardo bateu Hulkenberg e avançou para o Q3 de Austin: nono lugar do grid

Ricciardo considerou satisfatório o desempenho no qualifying de Austin. “Nós tivemos algumas semanas difíceis em termos de classificação, nas quais eu não estava muito feliz comigo mesmo, mas hoje (sábado) foi bem melhor e eu tirei mais ou menos tudo do carro. Eu vou tentar amanhã (domingo). Eu vou com a faca nos dentes e vou tentar avançar”, declarou o australiano, que disse ainda que, apesar de não começar a corrida com os melhores pneus, tem a vantagem de largar do lado mais emborrachado da pista.

Largada do GP dos Estados Unidos de 2019, em Austin: Daniel saltou de nono para sexto

Largada do GP dos Estados Unidos de 2019, em Austin: Daniel saltou de nono para sexto

A corrida

Na véspera, Daniel Ricciardo (Renault) havia prometido atacar para subir na classificação do GP dos Estados Unidos de 2019. Saindo em nono no grid, o australiano estava determinado a fazer uma boa largada em Austin. E foi o que fez. Com o apagar das luzes vermelhas, Ricciardo superou Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Alexander Albon (Red Bull), ascendendo para a sétima posição. Daniel se aproveitaria ainda dos problemas de Sebastian Vettel (Ferrari) nos primeiros metros da corrida para alcançar a sexta posição. O aussie poderia ter conquistado ainda mais posições, mas acabou sendo superado por Lando Norris (McLaren), que avançou para quinto. Valtteri Bottas (Mercedes) fez valer a pole position e completou a volta 1 em primeiro, seguido por Max Verstappen (Red Bull), Lewis Hamilton (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari).

Norris, Ricciardo e Vettel formaram um pelotão na disputa pela quinta posição, até que, na volta 8, o alemão passou por uma elevação na área de escape que destruiu a suspensão dianteira de sua Ferrari. Seb foi obrigado a abandonar a corrida. Na mesma passagem, Daniel ultrapassou Lando e assumiu a quinta posição em Austin. As coisas pareciam conspirar a favor do australiano na pista. A partir dali, o foco passou a ser na estratégia de corrida da Renault para derrotar a McLaren, cujos carros seguiam à caça de Ricciardo. Sainz fez seu primeiro pit stop na volta 18. Na passagem seguinte, foi a vez de Norris ir para os boxes. Daniel fez sua parada na volta 21, conseguindo voltar em quinto, na frente da dupla da equipe de Woking.

Norris, Ricciardo e Vettel no pelotão do quinto lugar: Ricciardo se aproveitou da quebra do ferrarista

Norris, Ricciardo e Vettel no pelotão do quinto lugar: quebra do ferrarista abriu luta pelo top 6

Mas a Renault traçou uma tática distinta para Ricciardo. O australiano precisava abrir uma boa diferença, para não ser alcançado pelos rivais com pneus mais novos no final da corrida. Mas Daniel tinha mais uma preocupação: Alex Albon. O piloto da Red Bull teve um incidente no começo da corrida que o derrubou para a última posição. Mas o anglo-tailandês começou a se recuperar e na metade da prova já aparecia em oitavo – e bem perto de Sainz, Norris e Ricciardo. Albon ultrapassou Carlos na volta 31, subindo para sétimo. Quatro voltas depois, Alex superou Lando, assumindo a sexta colocação. A próxima vítima do piloto da Red Bull seria Ricciardo. Albon ultrapassou o australiano na volta 37, mas foi obrigado a fazer um novo pit stop na volta 40. Alex retornou à pista na nona posição, mas continuava sendo uma ameaça para a quinta posição de Daniel.

Na volta 42, Norris fez sua segunda parada, voltando em 10º. A McLaren decidiu fazer estratégias diferentes para os seus pilotos e manteve Sainz na pista. Com pneus desgastados, o espanhol não resistiu a Albon na volta 45. E, novamente, Alex se via atrás de Ricciardo. Na volta 48, o anglo-tailandês voltou a superar o piloto da Renault, que caiu para a sexta posição. A preocupação de Daniel naquele momento passava a ser o avanço de Norris, que já havia ultrapassado Sainz e ocupava a sétima posição. Lando rapidamente diminuiu a diferença para o australiano. O britânico bem que tentou, mas Ricciardo barrou qualquer investida do piloto da McLaren. No fim, terminou em sexto, 0s398 à frente de Norris.

Com pneus desgastados, australiano resistiu aos ataques de Norris e assegurou o sexto lugar

Com pneus desgastados, australiano resistiu aos ataques de Norris e assegurou o sexto lugar

O australiano deixou o cockpit da Renault e demonstrou satisfação com o resultado de Austin. “Nós tivemos muitas corridas divertidas esse ano e esta com certeza foi uma delas. Nós alcançamos o nosso objetivo de bater os dois carros da McLaren, isso foi bem legal. Foi uma corrida sólida e nós mostramos um bom ritmo. Eu gostei da disputa com o Lando (Norris), já que eu o ultrapassei e ele me passou de volta algumas vezes no começo, e depois me pressionou no final”, disse Daniel. Na frente, Hamilton não conseguiu segurar Bottas. Valtteri superou Lewis a cinco voltas da bandeirada e cruzou a linha de chegada em primeiro em Austin. Foi o sétimo triunfo do finlandês na Fórmula 1. O britânico ainda seria pressionado por Verstappen, que chegou a reduzir a vantagem de Hamilton para menos de um segundo nas últimas voltas. Contudo, o holandês teve que se contentar com o terceiro lugar em sua 100ª corrida na F1.

Lewis pouco se importou com o revés do GP dos Estados Unidos. Também pudera: com o resultado, o piloto da Mercedes assegurava matematicamente a conquista do hexacampeonato mundial. Hamilton colocava a taça de 2019 em seu cartel, juntando-a aos troféus de 2008, 2014, 2015, 2017 e 2018. Lewis superava o pentacampeonato de Juan Manuel Fangio, e se colocava atrás somente dos sete títulos de Michael Schumacher. Era o britânico entre os maiores vencedores da história da F1.

Enquanto Hamilton celebrava o hexa, Ricciardo mostrava satisfação com o bom resultado em Austin

Enquanto Hamilton celebrava o hexa, Ricciardo mostrava satisfação com o bom resultado em Austin

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade’”.
Instagram: @denisevilche
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E-mail: denisevilche@gmail.com

(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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