Alemanha-2016: Hulk, o ‘melhor dos mortais’ em Hockenheim

Com pneus supermacios, Nico Hulkenberg (Force India) derrotou Valtteri Bottas (Williams), que calçava médios, e assegurou top 7

Nico Hulkenberg (Force India) derrotou Valtteri Bottas (Williams) no fim e assegurou top 7 em casa

Alcançar um sétimo lugar nem sempre é motivo de satisfação para um piloto. Porém, se Mercedes, Red Bull e Ferrari, as equipes dominantes de 2016, não enfrentam problemas, o top 7 acaba se tornando o melhor dos resultados. Que o diga Nico Hulkenberg (Force India). No último domingo, durante a disputa do GP da Alemanha, em Hockenheim, o germânico foi o “melhor dos mortais”, assegurando a sétima posição após derrotar Valtteri Bottas (Williams) e ficar à frente de Jenson Button (McLaren), Sergio Pérez (Force India) e Fernando Alonso (McLaren). Nico não pôde sequer pensar em se aproximar de Kimi Raikkonen (Ferrari), o sexto colocado – recebeu a bandeirada 33 segundos atrás do finlandês. Ainda assim, Hulk foi o único que não pilotava um carro dos três principais times do ano a não tomar volta de Lewis Hamilton (Mercedes), o vencedor da prova germânica.

Os seis pontos conquistados em Hockenheim fizeram com que Hulkenberg assumisse o 10º lugar no Mundial de Pilotos, com 33 pontos. Além disso, a sétima colocação ajudou a Force India a se aproximar ainda mais da Williams na disputa pelo quarto lugar do Mundial de Construtores. Após a etapa alemã, o time indiano ficou a 15 pontos da rival britânica – a equipe de Vijay Mallya somou 81 pontos, contra 96 da escuderia de Frank Williams. Com a queda de desempenho da Williams, a meta da Force India em alcançar o top 4 entre os Construtores passou a ser realista – até porque ainda restam nove corridas a serem disputadas em 2016. E esse cenário só tem se tornado possível graças à ascensão do VJM09 durante a temporada. No circuito germânico, tanto Hulk quanto Pérez voltaram a mostrar o quanto o bólido evoluiu em comparação com o início do ano.

Com a bola toda: nos treinos, Hulkenberg só foi superado pelas duplas da Mercedes, Red Bull e Ferrari

Com a bola toda: nos treinos, Hulkenberg só foi superado pelas duplas da Mercedes, Red Bull e Ferrari

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos em Hockenheim, Hulkenberg anotou 1m16s781 na segunda sessão, ficando a 1s264 de Nico Rosberg (Mercedes), que marcou o melhor tempo do dia no primeiro treino livre, com 1m15s517. Com as marcas combinadas, o germânico da Force India foi o sétimo mais rápido do dia, atrás apenas das duplas de Mercedes, Red Bull e Ferrari, as três melhores equipes da temporada. O alemão superou Pérez em 0s348 – o mexicano foi o nono mais veloz, com 1m17s148. “Estou muito feliz. Foi um início muito tranquilo para o fim de semana. Nós corremos toda a manhã com o composto médio, que parece ser um bom pneu, e trabalhamos com o macio e o supermacio à tarde. O ritmo parece bom e me senti muito confortável no carro, especialmente na segunda sessão, quando a pista melhorou. No geral, foi um começo positivo”, analisou Hulk.

O otimismo do alemão não foi por acaso. No sábado, os dois carros da Force India avançaram para o Q3 de Hockenheim. No fim da sessão, Hulkenberg anotou 1m15s510, assegurando o sétimo lugar. O tempo do germânico foi apenas 0s027 mais veloz que o de Pérez, nono colocado com 1m15s537. Por outro lado, a marca de Hulk ficou a 1s147 da de Nico Rosberg (Mercedes), pole do GP da Alemanha de 2016 com 1m14s363. “Nosso objetivo é sempre maximizar nosso potencial, e parece que conseguimos isso hoje (sábado). Quase todas as minhas voltas foram limpas e meu último esforço na Q3 foi preciso. Podemos esperar uma luta dura pelos pontos amanhã (domingo). O ritmo em trechos longos também foi competitivo, portanto temos todas as chances de obter um ótimo resultado”, afirmou Hulkenberg.

Após anotar o 7º lugar no Q3, Hulkenberg foi punido e perdeu uma posição no grid: oitavo lugar, atrás de Bottas

Após o Q3, Hulkenberg foi punido e perdeu uma posição no grid: oitavo lugar, atrás de Bottas

Após a sessão, entretanto, Nico acabou recebendo uma penalidade de uma posição no grid. Os comissários consideraram que o alemão da Force India utilizou um conjunto de pneus na classificação que deveria ter sido devolvido após o treino livre de sábado. Dessa forma, Hulkenberg caiu para oitava posição, perdendo lugar para Valtteri Bottas (Williams). Mesmo com a punição, Hulk seguiu otimista. Um bom resultado em casa era, sim, possível. Se tudo funcionasse conforme havia planejado, pontuar seria consequência.

Largada do GP da Alemanha de 2016: Hulkenberg se manteve em 8º em Hockenheim

Largada do GP da Alemanha de 2016: Hulkenberg se manteve em 8º em Hockenheim

A corrida

Domingo, 31 de julho de 2016. Hockenheim amanheceu com céu encoberto e com clima ameno. O verão europeu deve ter se esquecido do circuito no dia da disputa do GP da Alemanha. Calçando pneus supermacios, Hulkenberg alinhou na oitava posição do grid. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o alemão da Force India pisou fundo. Ganhar posições era necessário diante dos compatriotas. Apesar disso, Nico se manteve em oitavo, atrás de Valtteri Bottas (Williams) e à frente de Jenson Button (McLaren). Ali o germânico permaneceu até a volta 11. Com a parada de Nico Rosberg (Mercedes), na passagem seguinte, Hulk subiu para sétimo. Contudo, por pouco tempo. Na 13, a Force India chamou o alemão para os boxes. Na troca, colocou um novo jogo de compostos macios. No retorno à pista, se viu em 12º.

Na volta 14, Nico voltou ao top 10 graças à parada de Button e à ultrapassagem sobre Esteban Gutiérrez (Haas). Na passagem seguinte, foi a vez de Fernando Alonso (McLaren) fazer seu pit stop. Com isso, Hulkenberg subiu para o nono lugar. Após Romain Grosjean (Haas) ir aos boxes na volta 17, o germânico da Force India retomou o oitavo posto. Aos poucos, Hulk tirava vantagem em relação a Bottas. Apesar de andar próximo do finlandês, o alemão não conseguia executar a ultrapassagem. Dessa forma, a melhor maneira de bater Valtteri foi apostar na estratégia de pit stop. Nico parou pela segunda vez na volta 32. A Force India optou por colocar pneus supermacios usados. Na passagem seguinte, a Williams chamou Bottas, que passou a usar novos compostos macios. No retorno, o finlandês saiu atrás do germânico, que, enfim, ocupava o sétimo lugar.

Hulk, à frente de Jenson Button (McLaren): alemão não teve trabalho para segurar o inglês

Hulkenberg, à frente de Jenson Button (McLaren): alemão não teve trabalho para segurar o inglês

A partir dali, Hulkenberg e Bottas estavam com táticas distintas. Enquanto Nico precisaria parar pela terceira vez (uma vez que seus compostos não resistiriam a 33 voltas), Valtteri iria até o fim com os macios. Dessa forma, só restava uma coisa para o alemão consolidar seu sétimo lugar: acelerar. Apesar do esforço de Hulk, a diferença sobre o finlandês não aumentou suficientemente. Na volta 44, a escuderia indiana chamou o alemão para seu terceiro e definitivo pit stop. Na troca, a equipe sacou os compostos supermacios e colocou novos pneus macios. No retorno, se viu em oitavo, à frente de Button. Parecia o fim do objetivo de Hulkenberg. Porém, o ritmo de Bottas caiu drasticamente, e Nico se aproximou do finlandês da Williams.

Na volta 61, a sete do final, Nico colou em Valtteri. Numa acirrada disputa, o alemão levou a melhor, levantando as arquibancadas de Hockenheim e assegurando um top 7 que parecia lhe escapar das mãos. A vitória do GP da Alemanha ficou com Lewis Hamilton (Mercedes) – o sexto triunfo do inglês nos últimos sete GPs –, seguido por Daniel Ricciardo (Red Bull) e por Max Verstappen (Red Bull). À Hulk, ficou o sabor do dever cumprido diante do público alemão.

Com pneus macios desgastados, Bottas não resistiu ao ataque de Hulk no fim: tática rendeu 7º lugar

Com pneus macios desgastados, Bottas não resistiu ao ataque de Hulk no fim: tática rendeu 7º lugar

“O 7º lugar foi o melhor resultado disponível para nós hoje (domingo), então é bom extrair o máximo e marcar alguns pontos importantes. A equipe fez um ótimo trabalho com a estratégia, porque acreditávamos que seria possível parar duas vezes, mas tomamos a decisão de fazer três pit stops. Foi a escolha correta e me permitiu assumir o sétimo lugar nas últimas voltas. A degradação dos pneus foi muito alta, portanto cuidar deles foi o mais importante durante a maior parte da prova. Também foi uma corrida solitária e direta, porque minha principal disputa foi com Bottas e tivemos estratégias diferentes. Estamos felizes. Podemos pensar nas férias de verão e em dar sequência a esta boa fase na segunda parte da temporada”, analisou Hulkenberg.

Hulkenberg acena para o público alemão: com os seis pontos, alemão passou a figurar no top 10 do Mundial de Pilotos

Hulk acena para o público: com os 6 pontos, alemão passou a figurar no top 10 do Mundial de Pilotos

Advertisements

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em Alemanha, Esteban Gutiérrez, Force India, Haas, Hockenheim, Nico Hulkenberg, Romain Grosjean, Sergio Pérez. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s