França-2019: Raikkonen celebra 300 GPs com sétimo lugar

Kimi Raikkonen assegurou o sétimo lugar no GP da França de 2019, em Paul Ricard: 300º GP sem festa, mas com estilo

Kimi Raikkonen assegurou o sétimo lugar em Paul Ricard: 300º GP sem festa, mas com estilo

Por Denise Vilche*
Colaboradora

O sonho de todo jovem piloto é um dia chegar à Fórmula 1. Para os poucos que ingressam na categoria máxima do automobilismo, a luta passa a ser continuar no ‘circo’. Já para Kimi Raikkonen, disputar o GP da França de 2019, realizado no dia 23 de junho, foi um marco. Em Paul Ricard, o finlandês realizou sua 300ª largada na F1, um feito para raríssimos heróis da resistência. Para se ter uma ideia, dos 764 pilotos que disputaram uma corrida até a presente temporada, apenas 18 passaram de 200 corridas. E apenas cinco – entre eles, Kimi – atingiram a marca de 300. Na pista, Raikkonen fez o possível para a façanha não passar despercebida. No fim, acabou levando a Alfa Romeo a um ótimo sétimo lugar na pista de Le Castellet.

Terminar em sétimo no GP da França parece pouco para um piloto que venceu 21 corridas e foi campeão mundial em 2007. Entretanto, foi mais uma demonstração da disposição e do comprometimento de Kimi Matias Raikkonen com a velocidade. Os 39 anos não parecem pesar para o finlandês, cuja vida se confunde com a história da Fórmula 1. Seu início no automobilismo ocorreu em 1990, quando começou no kart aos 10 anos. Aos 15, passou a competir internacionalmente, mas seu maior destaque foi na Fórmula Renault britânica. Na série de inverno, Kimi venceu quatro corridas seguidas, e, na série regular, venceu sete das 10 corridas disputadas. Essa sequência de vitórias chamou a atenção de Peter Sauber, que convidou o finlandês para alguns testes em sua equipe em 2000.

Dono de 21 vitórias e campeão de 2007, Kimi ainda mostra competência no cockpit aos 39 anos

Dono de 21 vitórias e campeão de 2007, Kimi ainda mostra competência no cockpit aos 39 anos

Aprovado, Kimi assinou contrato com a Sauber para 2001, mesmo tendo apenas 21 anos e somente 23 corridas em seu currículo. Com uma temporada sólida, Kimi assinou um contrato com a McLaren para 2002, conseguindo um pódio em sua estreia na equipe, no GP da Austrália. Em 2003, Raikkonen disputou diretamente o título de 2003, ficando a 2 pontos de Michael Schumacher, o campeão daquela temporada. Kimi permaneceu na McLaren até 2006. No ano seguinte, se transferiu para a Ferrari. Logo em sua temporada de estreia na Scuderia, alcançou o ápice de sua carreira: o título mundial de 2007.

Mesmo tendo contrato com a equipe italiana para 2010, Kimi deixou a Rossa, sendo substituído por Fernando Alonso. Naquele ano, Raikkonen decidiu trocar a F1 pelos campeonatos de rali. Em 2011, o piloto se aventurou na Nascar, mas a F1 falou mais alto e Kimi assinou contrato com a Lotus para 2012. Problemas com o pagamento de salários fizeram Raikkonen voltar para a Ferrari em 2014, onde ficou até 2018, quando foi substituído por Charles Leclerc.

Raikkonen colocou a Alfa Romeo entre os 10 primeiros na sexta-feira em Le Castellet

Raikkonen colocou a Alfa Romeo entre os 10 primeiros na sexta-feira em Le Castellet

Mesmo prestes a completar 40 anos, Kimi não quis saber de aposentadoria e assinou contrato com a Alfa Romeo para a temporada de 2019. Até o GP da França, o campeão viveu bons e maus momentos na nova equipe. Na Austrália, Kimi terminou em 8º. No Bahrein, em 7º. Ainda pontuou na China e no Azerbaijão. Porém, antes de chegar em Paul Ricard, Raikkonen vinha de três corridas fora da zona de pontuação. Naquele momento, ocupava o 11º lugar no campeonato, com 13 pontos. No duelo interno da Alfa, o cenário era amplamente favorável para Kimi – seu companheiro de equipe, Antonio Giovinazzi, não havia anotado nenhum ponto até então.

O objetivo de Raikkonen em Paul Ricard era voltar ao top 10 e celebrar o GP 300 sem festa, mas com estilo. E assim ele foi para a pista na sexta-feira. No primeiro treino livre, a Mercedes fez dobradinha – Lewis Hamilton levou a melhor, com 1m32s738, ficando 0s069 à frente de Bottas. Com 1m35s522, Kimi terminou a sessão com o 16º tempo, uma posição à frente de Giovinazzi. No segundo treino livre, foi a vez de Bottas terminar na frente, em mais uma dobradinha da Mercedes. Valtteri fez 1m30s937, contra 1m31s361 de Hamilton. Apesar de ter rodado, Raikkonen conseguiu fazer um bom treino e terminou a sessão em nono, com o tempo de 1m32s677.

Kimi não avançou para o Q3 de Paul Ricard, enquanto Giovinazzi, seu companheiro de Alfa Romeo, foi para a sessão final

Kimi não avançou para o Q3 de Paul Ricard, enquanto Giovinazzi foi para a sessão final

No sábado, a Mercedes conseguiu manter sua hegemonia no qualifying. Hamilton foi o mais veloz e conquistou sua terceira pole na temporada, batendo o recorde da pista, com o tempo de 1m28s319. Bottas ficou em segundo, e Charles Leclerc (Ferrari) veio em terceiro. Já Kimi, que vinha colocando a Alfa Romeo entre os dez primeiros, acabou sendo eliminado no Q2 com 1m30s533, figurando em 12º. Em contrapartida, Giovinazzi avançou para o Q3 e garantiu o 10º lugar no grid.

Largada do GP da França de 2019, em Paul Ricard: Raikkonen subiu para 11º

Largada do GP da França de 2019, em Paul Ricard: Raikkonen subiu para 11º na primeira volta

A corrida

Domingo ensolarado em Paul Ricard, palco do GP da França de 2019. A expectativa era de uma disputa entre Mercedes, Ferrari e Red Bull na frente, mas o que se viu foi uma enfadonha procissão. Na largada, Lewis Hamilton (Mercedes), o pole, conservou a liderança, seguido de Valtteri Bottas (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari). Saindo em 12º, Kimi Raikkonen ganhou uma posição na largada e era o 11º. Seu companheiro de Alfa Romeo, Antonio Giovinazzi, era o 9º, mas sendo pressionado por Daniel Ricciardo (Renault). Na sexta volta, o australiano da Renault conseguiu a ultrapassagem e Kimi também aproveitou para passar Antonio, que largou com pneus macios e já sofria com o desgaste dos compostos.

Após superarem Giovinazzi, Ricciardo e Raikkonen iniciaram perseguição a Pierre Gasly (Red Bull), o oitavo colocado. Assim como o italiano, o francês enfrentava problemas com o desgaste dos pneus macios. Mesmo assim, Pierre conseguia se sustentar na frente de Daniel e Kimi. Na 16ª volta, Ricciardo fez sua parada, tentando ultrapassar Gasly na base da estratégia de boxes. O francês parou na volta seguinte e voltou à frente do australiano, mas foi ultrapassado por Ricciardo na volta seguinte. Com as paradas de Daniel e Pierre, Raikkonen assumiu a oitava posição. Depois, com os pit stops de Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Lando Norris (McLaren), Kimi ascendeu para a sexta colocação, estando imediatamente à frente de Nico Hulkenberg (Renault), o sétimo.

Stint longo fez Kimi subir para o sexto lugar: pressão de Hulkenberg por toda a corrida

Stint longo fez Kimi subir para o sexto lugar: pressão de Hulkenberg por toda a corrida

Raikkonen só estava atrás de Hamilton, Bottas, Leclerc, Max Verstappen (Red Bull) e Sebastian Vettel (Ferrari) – todos com equipamentos superiores ao seu Alfa Romeo. E em sexto permaneceu até a volta 31, quando a equipe italiana o chamou para realizar seu pit stop. Kimi fez sua parada e voltou em 11º. Após a parada de Hulkenberg, na volta 34, o piloto finlandês assumiu a 10ª posição. Na 39, Raikkonen foi promovido para o nono lugar quando Lance Stroll (Racing Point) fez sua parada.

No final do GP da França, Norris, o sétimo colocado, passou a ter problemas hidráulicos em seu McLaren, ficando na mira de Ricciardo, o oitavo, e Raikkonen, o nono. Mas Kimi ainda precisava se defender de Hulkenberg, que estava a menos de meio segundo atrás do piloto finlandês. Na última volta, Daniel tentou ultrapassar Lando e acabou saindo da pista. Ao voltar, o australiano da Renault quase acertou o britânico da McLaren – que, para evitar a batida, teve que sair da pista. Raikkonen aproveitou o imbróglio e ultrapassou Ricciardo. Porém, o piloto da Renault não desistiu da disputa. Usando a parte externa da pista, Daniel tomou a sétima posição de Kimi.

Norris, Ricciardo, Raikkonen e Hulkenberg na conturbada batalha pelo 7º lugar

Norris, Ricciardo, Raikkonen e Hulkenberg na conturbada batalha pelo 7º lugar

Pelas manobras, Ricciardo foi punido duas vezes com o acréscimo de 5 segundos em seu tempo – uma pelo incidente com Norris e outra por usar o lado de fora da pista para passar Raikkonen. Com os 10 segundos de punição, o australiano acabou a corrida em 11º lugar, com Raikkonen sendo promovido para 7º, igualando sua melhor colocação no campeonato, obtida no GP do Bahrein, em Sakhir.

“Foi uma grande batalha com as Renaults por boa parte da corrida e no fim, eu consegui alcançar os carros na frente”, declarou Raikkonen, que além de lutar com Ricciardo por posições, ainda precisou se defender de Hulkenberg. “As últimas voltas foram intensas e foi uma boa diversão. Foi muito bom conseguirmos brigar com os outros carros do pelotão do meio e nos manter lá. Nós tínhamos velocidade e conseguimos um bom resultado no final”, disse o finlandês, vencedor do GP da França de 2007, quando a prova ainda era disputada no circuito de Magny-Cours.

Batalha acirrada pelo sétimo lugar: Ricciardo foi punido, e Kimi herdou a posição

Batalha acirrada pelo sétimo lugar: Ricciardo foi punido, e Kimi herdou a posição

Com o resultado de Paul Ricard, Raikkonen subiu para a oitava posição do Mundial de Pilotos, com 19 pontos. Kimi somou todos os pontos da Alfa Romeo até o momento, colocando a equipe em sexto lugar no Mundial de Construtores, ao lado da Racing Point. O vencedor do GP da França de 2019 foi Hamilton, que conquistou em Le Castellet seu 79º triunfo na carreira. Bottas terminou em segundo, assegurando a 50ª dobradinha da Mercedes na F1. Leclerc completou o pódio. Com o resultado, Hamilton se mantém na liderança do campeonato, com 187 pontos, seguido por Bottas (151) e Vettel (111).

Seis pontos em Paul Ricard colocaram Raikkonen em oitavo no Mundial, com 19 pontos

Seis pontos em Paul Ricard colocaram Raikkonen em oitavo no Mundial, com 19 pontos

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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