Mônaco-2019: McLaren reverencia Lauda e vê Sainz no top 6

Na segunda que antecedeu ao GP de Mônaco, a F1 recebeu a notícia do falecimento de Niki Lauda

Na segunda anterior ao GP de Mônaco, a Fórmula 1 recebeu a notícia do falecimento de Niki Lauda

Por Denise Vilche*
Colaboradora

O GP de Mônaco sempre foi considerado o mais glamouroso do calendário. Disputada pela primeira vez em 1929, a corrida pelas estreitas ruas do Principado já viu lendas do automobilismo mostrarem perícia extrema por suas curvas. Mas o 77º GP de Mônaco, disputado no dia 26 de maio de 2019, acabou se tornando palco de homenagens a uma dos maiores ícones da história da Fórmula 1. Na segunda-feira que antecedeu a prova monegasca, faleceu Niki Lauda, um dos mais respeitados pilotos da categoria. Um respeito que vinha não somente por seu talento, mas também por sua história de superação – em especial, após o retorno às pistas depois de sofrer graves queimaduras num acidente no GP da Alemanha de 1976, em Nurburgring.

Presidente não-executivo da Mercedes, Niki havia feito um transplante de pulmões em 2018 para reparar danos causados pelo acidente de 1976. No começo da temporada, Niki foi parar no hospital com uma gripe e foi impedido pelos médicos de viajar para acompanhar as corridas até que se recuperasse. Mas essa recuperação nunca aconteceu, e o tricampeão faleceu no dia 20 de maio, aos 70 anos.

Lauda faleceu aos 70 anos. Na McLaren, conquistou seu terceiro título mundial

Lauda faleceu aos 70 anos. Na McLaren, conquistou seu terceiro título mundial, em 1984

Para homenagear Lauda, a Mercedes pintou o halo de seu carro na cor vermelha, em alusão ao boné que o austríaco nunca tirava da cabeça e o ajudava a cobrir as cicatrizes de suas queimaduras. Lewis Hamilton, que tinha um relacionamento muito próximo com Niki, foi dispensado dos compromissos com a mídia. Naquele fim de semana, o britânico usou um capacete que remetia ao usado por Niki em 1984 – ano de seu tricampeonato com a McLaren. Outro que rendeu tributo a Lauda foi Sebastian Vettel (Ferrari), que usou um casco semelhante ao utilizado nos tempos áureos do austríaco na Scuderia, na década de 1970. Além dos multicampeões, todas as demais equipes colocaram adesivos em seus carros em homenagem a Niki.

A McLaren foi a última equipe que Lauda correu na Fórmula 1. E se superação é a palavra que define Niki, a equipe inglesa começou a mostrar naquele fim de semana que os maus resultados das temporadas passadas ficaram para trás. Depois de um começo de ano difícil, a equipe passou a obter resultados consistentes. Um bom exemplo disso foi o sexto lugar de Carlos Sainz Jr. no GP de Mônaco de 2019.

A McLaren levou uma homenagem a Lauda em seu carro durante a prova monegasca

A McLaren levou uma homenagem a Lauda em seu carro durante a prova monegasca

Ao chegar no Principado, Sainz ocupava a 11ª colocação no campeonato, com 10 pontos – ele foi sétimo no GP do Azerbaijão, em Baku, e oitavo no GP da Espanha, em Montmeló. Carlos tinha dois pontos a menos que seu companheiro de McLaren, Lando Norris. Por isso, a ordem era superar o britânico na etapa monegasca e, com isso, se colocar à frente do estreante. Entretanto, no primeiro treino livre, na quinta-feira, as coisas não começaram bem para o madrileno. Um problema na unidade de potência em sua McLaren o fez dar apenas 4 voltas no primeiro treino.

“Essas 30, 40 voltas que eu não pude dar vão fazer falta mais à frente no fim de semana, mas eu estou confiante de que eu conseguirei recuperar aos pouquinhos”, disse o espanhol após a sessão. Hamilton terminou na frente, com o tempo de 1m12s106, seguido bem de perto por Max Verstappen (Red Bull), que terminou 0s059 atrás do piloto da Mercedes, enquanto que Valtteri Bottas (Mercedes), o terceiro colocado, ficou a apenas 0s072 atrás de seu companheiro de equipe.

Sainz encarou problemas no primeiro treino livre, o que atrapalhou sua adaptação ao circuito monegasco

Sainz encarou problemas no 1º treino livre, o que atrapalhou sua adaptação ao circuito monegasco

No segundo treino livre, a Mercedes voltou a dominar, com Hamilton em primeiro, com o tempo de 1m11s118, seguido de Bottas (a 0s081) e Vettel (a 0s763). Com o problema resolvido, Sainz conseguiu se recuperar e terminou a sessão com o 13º tempo (1m12s419), ficando uma posição atrás de Norris. Mas ainda era pouco para quem tinha um retrospecto positivo no Principado: desde 2016, Carlos conseguia largar entre os 10 primeiros em Mônaco. E era isso que ele queria no sábado.

No qualifying, a Mercedes voltou a dominar, com Hamilton fazendo mais uma pole position, com o tempo de 1m10s166, seguido de Bottas, com 1m10s252 (a 0s086) e Verstappen, com 1m10s641 (a 0s475). E Sainz? O espanhol conservou seu recorde, alcançando a nona posição com o tempo de 1m11s417, a 1s251 de Hamilton.

Espanhol manteve a escrita de sempre largar entre os 10 primeiros em Mônaco desde 2016

Espanhol manteve a escrita de sempre largar entre os 10 primeiros em Mônaco desde 2016

“Esse é um bom recorde e eu gosto de que seja em Mônaco. Meu pai (Carlos Sainz, lenda do rali), quando eu era criança, me disse: ‘Se tem um lugar para brilhar, esse lugar é Mônaco’ e eu sempre me preparei para essa corrida de maneira mais especial do que para as outras, coloco um pouco mais de atenção, me concentro mais e parece que funciona toda vez”, disse Sainz.

Pilotos se uniram antes da largada do GP de Mônaco para homenagear Niki Lauda

Pilotos se uniram antes da largada do GP de Mônaco para homenagear Niki Lauda

A corrida

Antes do GP de Mônaco de 2019, os 20 pilotos do grid, usando bonés vermelhos com a frase ‘Danke Niki’ (Obrigado Niki, em alemão), se reuniram para fazer um minuto de silêncio em homenagem a Niki Lauda. Eles iriam correr em memória do lendário piloto. E queriam fazer o melhor para honrar o legado de coragem deixado pelo tricampeão. Na largada, os primeiros colocados mantiveram suas posições: Lewis Hamilton (Mercedes) em primeiro, seguido por Valtteri Bottas (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull). Já Carlos Sainz (McLaren) conseguiu ganhar uma posição de Daniil Kvyat (Toro Rosso) e assumiu o oitavo lugar.

Charles Leclerc (Ferrari), por sua vez, queria mostrar serviço em casa. Após encarar problemas no qualifying, o monegasco largou em 15º e procurava fazer uma prova de recuperação. Na volta 8, Leclerc acabou tocando em Nico Hulkenberg (Renault) e teve um pneu furado. Com detritos na pista, o safety car foi acionado. Muitos pilotos aproveitaram para fazer suas paradas, inclusive os líderes Hamilton, Bottas e Verstappen. Os dois últimos acabaram se tocando na saída dos boxes e o finlandês da Mercedes teve que fazer uma nova parada na volta seguinte para trocar os pneus, caindo para o quarto lugar. O holandês da Red Bull, por sua vez, assumiu a segunda colocação. Porém, Max foi considerado culpado pelo incidente e acabou punido com 5 segundos de acréscimo ao seu tempo, já que não realizaria um novo pit stop.

Sainz largou bem, ganhou posição de Kvyat e alcançou top 6 após safety car

Carlos Sainz Jr. largou bem, ganhou posição de Kvyat e alcançou sexta colocação após safety car

Quando a corrida recomeçou, Sainz estava em sexto. O espanhol foi beneficiado com as paradas de Daniel Ricciardo (Renault) e Kevin Magnussen (Haas). Já o líder Hamilton passou a ser perseguido por Verstappen, que se mantinha a menos de 1 segundo de distância, e por Vettel, que estava em terceiro, a 1s5 do britânico da Mercedes. Na 16ª volta, Robert Kubica (Williams) foi tocado por Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e acabou rodando na Rascasse, causando um congestionamento no Principado. Sergio Pérez (Racing Point), George Russell (Williams) e Leclerc tentavam passar pelo carro do polonês, que bloqueava o caminho. O piloto da Williams logo conseguiu prosseguir na prova e Leclerc, que estava em último, acabou abandonando a prova logo em seguida.

Enquanto isso, Sainz continuava com sua consistente performance. Na volta 30, o espanhol fez sua única parada, voltando em nono, na frente de Lando Norris (McLaren). O britânico acabou ajudando Carlos a conseguir um bom resultado, já que ele ainda não havia parado e, com um ritmo mais lento, conseguia segurar todos os pilotos que vinham atrás – já que a apertada pista de Mônaco não oferece muitos pontos de ultrapassagem. “No momento em que nós percebemos que eu não conseguiria fazer nada especial, se transformou mais em um jogo de equipe. E eu tentei ajudar o Carlos e a equipe a tentar alcançar um melhor resultado, deixando minha própria corrida em segundo plano”, declarou Norris, que foi muito criticado pela conduta. Com isso, o espanhol teve a oportunidade de abrir a vantagem necessária para recuperar a sexta colocação após a parada dos pilotos à sua frente.

Sainz precisou segurar os ataques da dupla da Toro Rosso para conservar top 6 em Mônaco

Sainz precisou segurar os ataques da dupla da Toro Rosso para conservar top 6 em Mônaco

Na disputa pela liderança, Hamilton e Verstappen se distanciaram dos demais e passaram a duelar de maneira mais acirrada, principalmente quando tinham que passar por retardatários. A diferença entre os dois se mantinha na faixa de meio segundo e na volta 76, Max tentou ultrapassar Hamilton na saída do túnel. Os dois pilotos se tocaram, com Lewis cortando a chicane por conta do toque. Sem maiores dados nos carros, a disputa continuou até a última volta. O piloto britânico teve que fazer milagres para segurar o piloto da Red Bull, já que um erro da Mercedes na estratégia de pneus fez com que Lewis trocasse para os pneus médios, que se desgastaram mais rápido do que o esperado. Mas Hamilton conseguiu gerenciar os pneus até o fim e acabou vencendo o GP de Mônaco, sua 77ª vitória na F1.

Verstappen, que cruzou a linha de chegada em segundo, acabou caindo para o quarto lugar com a punição que sofreu no começo da prova. Com isso Vettel ganhou o segundo lugar e Bottas completou o pódio. Pierre Gasly (Red Bull) foi o quinto colocado e Sainz terminou em sexto, sua melhor posição desde o começo do campeonato.

Sexto lugar em Mônaco coroou a reação de Sainz no campeonato: terceira vez consecutiva na zona de pontos

Sexto lugar em Mônaco coroou a reação de Sainz no Mundial: 3ª vez consecutiva na zona de pontos

“Sim, o sexto lugar de hoje (domingo) é um bom resultado e é a terceira vez consecutiva que eu termino na zona de pontuação. Nós conseguimos um bom número de pontos neste fim de semana, pontos importantes em uma pista que não nos favorece muito. Nós precisamos continuar nos esforçando para melhorar ainda mais, mas parabéns à equipe pelo trabalho”, disse o espanhol após a corrida. Com o resultado, Hamilton se manteve na liderança do campeonato, com 137 pontos, seguido de Bottas (120), Vettel (82) e Verstappen (78). Com o sexto lugar no Principado, Sainz pulou para a sétima colocação, com 18 pontos.

Com a sexta posição, Sainz subiu para sétimo no Mundial de Pilotos

Com a sexta posição, Sainz subiu para sétimo no Mundial de Pilotos, com 18 pontos

* Sobre Denise Vilche: “Formada em jornalismo, vi a oportunidade perfeita de unir minha formação com a minha paixão pela F1. Conhecida por meus colegas como ‘a que gosta de corridas’, escrevi sobre automobilismo durante três anos para o extinto site ‘Canal da Velocidade'”.
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(Texto com supervisão do Contos da Fórmula 1)

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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