Espanha-2019: Magnussen vence duelo com Grosjean e é 7º

Kevin Magnussen (à esq.) e Romain Grosjean (à dir.) se tocaram em duas oportunidades durante o GP da Espanha: dinamarquês levou a melhor

Magnussen (à esq.) e Grosjean (à dir.) se tocaram em Montmeló: bom para Kevin, ruim para a Haas

Que Kevin Magnussen tem se caracterizado por ser um piloto intimidador, ninguém contesta. Nem mesmo a Haas, a equipe do dinamarquês. Porém, e quando o feitiço se vira contra o feiticeiro? Foi o que aconteceu no GP da Espanha de 2019, em Montmeló. Magnussen ignorou o fato de duelar com o companheiro de time, Romain Grosjean, na pista espanhola. Não só isso: Kevin colocou em risco a conquista de pontos da escuderia norte-americana ao travar disputas frenéticas com o francês. Isso tem feito parte da carreira do danês. E tem sido assim que ele tem conquistado bons resultados. Polêmicas à parte, Magnussen alcançou um bom sétimo lugar no circuito catalão, sendo o melhor piloto a completar a etapa sem competir por um carro de Mercedes, Red Bull ou Ferrari. Com o resultado, KMag assumiu a sétima posição do Mundial de Pilotos, com 14 pontos, e ajudou a Haas a subir para o sexto lugar entre os Construtores.

Não foi a primeira vez que o ímpeto agressivo de Magnussen entrou em cena em Montmeló. No GP da Espanha de 2018, o dinamarquês também se envolveu em polêmica. Mesmo assim, arrancou a sexta posição em solo catalão. Ao desembarcar no circuito espanhol, Kevin recordou do bom resultado, ignorando o histórico de confusões. Ele queria mesmo era voltar a pontuar em 2019, uma vez que, após conquistar o sexto lugar no GP da Austrália, em Melbourne, o dinamarquês emplacou uma sequência de três corridas fora da zona de pontuação – KMag terminou em 13º nos GPs do Bahrein, em Sakhir, da China, em Xangai, e do Azerbaijão, em Baku. Por isso, o danês tratou de acelerar em Montmeló. Na sexta, primeiro dia de treinos, Magnussen foi o oitavo, com 1m18s355. Ele ficou a 0s202 de Grosjean, sexto com 1m18s153. O melhor da sexta foi Valtteri Bottas (Mercedes), com 1m17s284 – 1s071 mais veloz do que Magnussen, que ficou entusiasmado com o equilíbrio apresentado pela Haas na pista espanhola.

Foram os primeiros pontos de Magnussen desde o GP da Austrália, em Melbourne: 7º no Mundial

Foram os primeiros pontos de Magnussen desde o GP da Austrália, em Melbourne: 7º no Mundial

“Estou otimista. Nosso ritmo de corrida parece melhor e nosso ritmo de qualificação parece fantástico. Então, não há razão para não ser positivo”, apontou Kevin, sem esconder uma preocupação: o gerenciamento dos pneus para o GP da Espanha. “Adoraria encontrar respostas e entender nosso principal problema, que é a administração dos pneus para a corrida. Acho que estamos melhores hoje (sexta), mas não sei se sabemos por quê. Mas vou falar com os rapazes – ainda não tive tempo, por isso estou ansioso para saber se existe alguma coisa nos dados que possamos analisar e esperar encontrar algumas respostas”, observou.

As soluções que tanto Magnussen procurava na sexta foram encontradas no sábado, dia do qualifying para o GP da Espanha. Tanto ele quanto Grosjean mostraram excelente forma nas duas primeiras fases do treino oficial, colocando os dois carros da Haas no Q3 de Montmeló. No fim da sessão decisiva, Kevin e Romain estavam mais velozes do que Daniel Ricciardo (Renault) e Daniil Kvyat (Toro Rosso). Por outro lado, as três potências – Mercedes, Ferrari e Red Bull – eram inalcançáveis para a dupla. Assim, os dois travaram um duelo à parte pelo sétimo lugar no grid. No fim, o francês levou a melhor, com 1m16s911, 0s011 mais veloz do que o dinamarquês, oitavo com 1m16s922. A pole position da etapa espanhola ficou com Valtteri Bottas (Mercedes). Para assegurar a nona pole da carreira, o finlandês anotou 1m15s406 – 1s516 mais veloz do que Magnussen.

Magnussen (foto) e Grosjean avançaram para o Q3 de Montmeló: Romain bateu Kevin por 0s011

Magnussen (foto) e Grosjean avançaram para o Q3 de Montmeló: Romain bateu Kevin por 0s011

Kevin se mostrou satisfeito com o desempenho da Haas em Montmeló.”Fizemos o máximo que podíamos hoje (sábado). Estamos a apenas dois décimos de segundo da Red Bull e à frente do resto do ‘segundo pelotão’. Estou muito feliz. Porém, estamos basicamente aprendendo no momento. Amanhã (domingo) será um grande teste e também um grande dia de aprendizado. Não temos a certeza do ritmo de corrida, sabemos que é uma pista difícil de ultrapassar. Não vai ser uma corrida fácil, mas penso que estamos numa boa posição para marcar bons pontos”, avaliou o dinamarquês.

Largada do GP da Espanha de 2019: pilotos da Haas mantiveram suas posições do grid

Largada do GP da Espanha de 2019: pilotos da Haas mantiveram suas posições do grid

A corrida

Domingo, 12 de maio de 2019. O calor e o vento característicos estavam presentes em Montmeló para a disputa do GP da Espanha. Na quarta fila do grid, os dois carros da Haas se encontravam lado a lado. A expectativa era a de que tanto Magnussen quanto Grosjean conquistassem um bom resultado no circuito catalão. Ambos calçavam pneus macios, e a meta para o primeiro stint era o de estender ao máximo a permanência com esses compostos na pista. Estratégias traçadas, e Kevin e Romain partiram confiantes na largada. O francês chegou a atacar Pierre Gasly (Red Bull) nas primeiras curvas, mas continuou em sétimo. Já o dinamarquês saltou mal, mas se manteve em oitavo. A partir dali, a tônica da corrida se desenhava: o ritmo dos pilotos ditaria o destino do resultado. Sem poder acompanhar os seis primeiros, Grosjean e Magnussen passaram a se preocupar com a dupla da Toro Rosso – Daniil Kvyat era o nono, e Alexander Albon, o 10º.

Na volta 5, Magnussen estava 2s3 atrás de Grosjean. Por outro lado, tinha 1s3 de vantagem sobre Kvyat. Na 10, o francês abria 3s7 sobre o dinamarquês. KMag, por sua vez, seguia com o russo da Toro Rosso em seus calcanhares – a vantagem era de 1s6. O panorama continuaria o mesmo até o início da primeira janela de pit stop. O primeiro dos ponteiros a ir aos boxes foi Sebastian Vettel (Ferrari). Com a parada do alemão, na volta 20, Romain subiu para sexto e Kevin, para sétimo. Na volta 23, Magnussen foi chamado pela Haas para realizar a troca de pneus. Era uma reação ao pit stop de Kvyat, na volta anterior. Na parada, a equipe norte-americana sacou os pneus macios e colocou os médios (mais resistentes). Entretanto, seria difícil saber se os compostos resistiriam até a bandeirada. O danês retornou à pista na 14ª posição, à frente de Daniil.

Magnussen sofreu com a pressão de Kvyat

Magnussen sofreu com a pressão de Kvyat em Montmeló. Tanto que a Haas alterou sua estratégia

Com as paradas de Daniel Ricciardo (Renault), Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Sergio Pérez (Racing Point) na volta 25, Magnussen ascendeu para o 11º lugar. Na 26, foi a vez de Albon e Lando Norris (McLaren) ingressarem nos boxes para o pit stop, o que recolocou Kevin na zona de pontuação, em nono lugar. Na 27, Grosjean também fez sua parada, retornando em sétimo. Entre os carros da Haas, estava Nico Hulkenberg (Renault), que estendia sua permanência na pista com pneus médios. Magnussen colou no alemão, mas não conseguia realizar a ultrapassagem. Apenas na volta 33, tanto Kevin quanto Kvyat superaram Hulkenberg. Dessa forma, Magnussen voltava à oitava posição. Entretanto, o russo da Toro Rosso mostrava boa forma em Montmeló. Na volta 36, Daniil superou KMag na freada da Reta dos Boxes. Assim, o dinamarquês caía para nono.

O ritmo de Kvyat era impressionante. Na volta 38, o russo já colocava 3 segundos de vantagem sobre Magnussen. Era sinal de que o cenário estava complicado para o dinamarquês da Haas. Porém, o panorama da corrida mudaria na volta 46 – e com isso, a sorte de Kevin: um acidente entre Norris e Lance Stroll (Racing Point) na Curva 2 fez com que o safety car fosse acionado. Assim, os pilotos ingressaram nos boxes. Na Haas, tanto Magnussen quanto Grosjean optaram pelos pneus macios. A partir daquele momento, os compostos resistiriam até o fim da corrida. Na volta ao pelotão, Romain estava em sétimo, e Kevin ganhou a posição de Kvyat, reassumindo o oitavo lugar.

Ataque de Magnussen a Grosjean veio após a relargada, na volta 52: manobra ousada

Ataque de Magnussen a Grosjean veio após a relargada, na volta 53: manobra deixou Haas sob tensão

A relargada ocorreu na volta 53. E com ela, veio o desespero da Haas. Magnussen emparelhou com Grosjean ao fim da Reta dos Boxes e não deu espaço para o companheiro de equipe fazer a curva. Romain foi obrigado a sair da pista, e Kevin assumiu a sétima posição. KMag ainda ameaçou Gasly, mas o francês da Red Bull se segurou em sexto. A partir dali, o dinamarquês tinha que se preocupar com a pressão de Grosjean. Com melhor ritmo, o francês queria dar o troco no danês. Na volta 57, ao fim da Reta dos Boxes e se aproveitando do DRS, Romain partiu para cima de Kevin. Entretanto, o dinamarquês voltou a se defender, fazendo com que o francês voltasse a sair da pista. Essa segunda escapada deixou Grosjean para trás – o carro dele ficou danificado. Com isso, perdeu posições para Sainz e Kvyat, caindo para 10º.

Magnussen pouco se importou com o problema do companheiro, seguindo caminho para a conquista do sétimo lugar do GP da Espanha de 2019. A vitória em Montmeló ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 76º triunfo do britânico na carreira – e o terceiro no ano. Com isso, Hamilton reassumiu a liderança do Mundial, com 112 pontos. Valtteri Bottas (Mercedes) terminou em segundo, e viu Lewis colocar 7 pontos de vantagem na ponta da classificação – o finlandês deixou o circuito espanhol com 105 pontos. Max Verstappen (Red Bull) completou o pódio.

Magnussen na pista, Grosjean fora: assim foi o desfecho do duelo interno da Haas

Magnussen na pista, Grosjean fora: esse foi o resum0 do duelo interno da Haas em Montmeló

Apesar do bom resultado, o clima nos boxes da Haas era pesado. Tanto Kevin quanto Romain tiveram que se explicar para os dirigentes da escuderia. No fim, o dinamarquês comentou o entrevero com o francês. “Houve contato com Romain. Não é o que você espera, o contato entre os companheiros de equipe. Não é o que queremos ver, mas não foi nada intencional. Ainda bem que terminamos com dois carros nos pontos”, observou Magnussen, que, no fim, comemorou o fato de retornar ao top 10. “É ótimo ter um bom resultado depois de algumas corridas ruins. Temos lutado para gerenciar os pneus, mas eles parecem estar trabalhando muito melhor neste final de semana. Eles trabalharam em todas as condições, então estou muito feliz com isso”, finalizou.

Gunther Steiner, chefe da Haas, conversa com Magnussen e Grosjean: atrito foi assunto pós-GP da Espanha

Gunther Steiner, chefe da Haas, fala com Magnussen e Grosjean: atrito foi assunto pós-Montmeló

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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