Azerbaijão-2019: rei de Baku, Pérez põe a Racing Point no top 6

Sergio Pérez conquistou o primeiro top 6 da história da Racing Point na F1

Sergio Pérez conquistou o primeiro top 6 da história da Racing Point na F1 ao ser sexto em Baku

Na quarta corrida de sua história, a Racing Point conquistou seu primeiro top 6 na Fórmula 1. Coube a Sergio Pérez levar o carro rosa ao sexto lugar no GP do Azerbaijão de 2019, em Baku. Foi o melhor resultado da equipe desde o seu ingresso oficial na categoria máxima do automobilismo. A Racing Point assumiu o espólio da Force India antes do GP da Bélgica de 2018, em Spa-Francorchamps, graças à intervenção do magnata Lawrence Stroll – sim, o pai de Lance Stroll. Porém, apenas em 2019 passou a usar o nome atual. Lawrence colocou Lance no lugar de Esteban Ocon. Por outro lado, manteve Pérez como titular do time. Com as conquistas do sexto lugar de Checo e da nona posição de Stroll em Baku, o time de Lawrence Stroll avançou consideravelmente na tabela de classificação dos Construtores – a escuderia passou a ocupar o quinto lugar do Mundial com 17 pontos, um a menos que a McLaren, quarta colocada com 18.

Por sua vez, Pérez passou a dividir o sexto lugar no Mundial de Pilotos, com 13 pontos – mesma pontuação de Pierre Gasly (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo). Sergio deixou o Azerbaijão atrás somente das duplas de Mercedes – Valtteri Bottas e Lewis Hamilton – e da Ferrari – Sebastian Vettel e Charles Leclerc -, além de Max Verstappen (Red Bull). O top 6 fez com que o latino aumentasse seu cartel positivo em Baku. Nas três edições da prova na capital do Azerbaijão, o asteca também havia figurado entre os seis primeiros: em 2016 (quando ainda era o GP da Europa) e em 2018, Sergio terminou em terceiro. Já em 2017, conquistou a sexta colocação.

Nas três provas anteriores em Baku, Pérez havia conquistado dois 3º lugares e um 6º - todos com Force India

Nas três provas anteriores em Baku, Pérez havia obtido dois 3º lugares e um 6º: bom retrospecto

Checo desembarcou em Baku ostentando o título de piloto com mais pódios na etapa. Entretanto, ele sabia que seria quase impossível manter essa escrita. Mercedes e Ferrari eram dominantes. Em contrapartida, o carro da Racing Point não tinha apresentado bom desempenho nas três provas anteriores – o melhor resultado havia sido o oitavo lugar de Sergio no GP da China, em Xangai. Pérez queria aproveitar o seu bom retrospecto e usar isso a favor da sua equipe. Na sexta, dia dos primeiros treinos para o GP do Azerbaijão, Sergio queria aproveitar o máximo possível de tempo de pista para acertar seu carro. Entretanto, após o acidente de George Russell (Williams), ocasionado por um bueiro aberto, a direção da prova decidiu cancelar o primeiro treino livre.

Os pilotos e as equipes só puderam ter um maior contato com a pista de rua no segundo treino livre.  Pérez terminou em 13º, com 1m45s436. O mexicano ficou 2s439 à frente de Lance Stroll – companheiro de Checo, o canadense sofreu um acidente na sessão e ficou em 19º, com 1m47s875. A marca do latino ficou a 2s564 de Charles Leclerc (Ferrari), o melhor do dia com 1m42s872. “Foi um dia difícil depois de perder um valioso tempo de pista no primeiro treino. Eu tive um grande problema com meus pneus na segunda sessão que também me prejudicaram um pouco, mas fora isso estou satisfeito com o progresso que fizemos durante o treino. Espero que esta noite possamos encontrar alguns décimos que nos colocarão na luta amanhã (sábado). Colocamos uma boa quantidade de voltas na tabela, o que é importante em torno deste circuito: você precisa da maior quilometragem possível para aumentar sua confiança à medida que o fim de semana avança”.

Na sexta, apenas um treino foi realizado integralmente em Baku: isso atrapalhou Pérez, 13º do dia

Na sexta, apenas um treino foi realizado integralmente em Baku: isso atrapalhou Pérez, 13º do dia

Diante do que foi apresentado na sexta, Sergio se mostrou cético sobre a possibilidade de repetir um bom resultado em Baku. “Eu não estava tão confiante como em outros anos por aqui. Acho que podemos melhorar muito amanhã (sábado). A chave para a classificação será manter o sentimento com o carro e melhorar nosso equilíbrio. Temos um pouco dessa confiança nos stints longos, mas precisamos disso em apenas uma volta. Outros carros são muito competitivos por aqui, mas vamos tentar o nosso melhor”, disse.

No sábado, a Racing Point teve motivos para lamentar e celebrar. A lamentação ficou por conta da eliminação precoce de Stroll, 16º com 1m42s630. Já a celebração se deu graças ao excelente desempenho de Pérez. O mexicano não só avançou para o Q3, como também alcançou a quinta posição, anotando o excelente tempo de 1m41s593. O asteca ficou a 1s098 de Valtteri Bottas (Mercedes) – o finlandês anotou sua oitava pole na carreira com 1m40s495. É bem verdade que Checo contou com as ausências de Pierre Gasly (Red Bull) -que, punido, sequer participou do Q3 – e de Charles Leclerc (Ferrari) – que sofreu um acidente no início da sessão decisiva, não marcando tempo. Mesmo assim, a marca do latino revelou que o RP19 havia encontrado um melhor equilíbrio em Baku.

Checo brilhou no sábado, ao alcançar o quinto lugar no grid do GP do Azerbaijão

Checo brilhou no sábado, ao alcançar o quinto lugar no grid do GP do Azerbaijão

“Foi uma ótima classificação. A equipe fez um tremendo trabalho em termos de estratégia. Nós reagimos muito bem e tomamos todas as decisões certas – quando entrar na pista e quando ficar nos boxes. Foi uma longa sessão, a pista esfriou bastante, mas creio que fizemos um bom trabalho e conseguimos extrair mais do carro. Esta é uma pista única, ela força o piloto ao máximo. Você precisa estar no limite em todas as voltas sem cometer nenhum erro, o que exige bastante comprometimento e confiança. Será uma corrida longa, temos alguns carros muito velozes ao nosso redor, mas tudo pode acontecer aqui em Baku. Um único erro pode custar bem caro. É importante manter a calma, e acho que podemos marcar um bom número de pontos se conseguirmos terminar a prova”, analisou Pérez.

Largada do GP do Azerbaijão de 2019: arrojado, Pérez tomou quarto lugar de Verstappen

Largada do GP do Azerbaijão de 2019: arrojado, Pérez tomou quarto lugar de Verstappen

A corrida

Domingo, 28 de abril de 2019. A tarde brilhava em Baku, capital azeri, para a disputa do GP do Azerbaijão. Quinto no grid, Sergio Pérez (Racing Point) tinha a expectativa de repetir os bons resultados das provas anteriores no seletivo e veloz circuito de rua. Calçando pneus macios, o mexicano tentaria estender ao máximo sua presença na pista durante o primeiro stint. Porém, ele precisaria também fazer uma boa largada para manter a esperança de conquistar bons pontos na corrida. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Checo foi ousado e emparelhou seu Racing Point com ninguém menos do que Max Verstappen (Red Bull). Na disputa com o holandês, o asteca ficou do lado de fora nas quatro primeiras curvas. No fim, levou a melhor, assumindo a quarta colocação.

Imprimindo um forte ritmo, Sergio se manteve à frente de Max. Porém, aos poucos, o latino perdia o contato com Sebastian Vettel (Ferrari), o terceiro lugar, e permitia a aproximação não só do holandês, como também de Charles Leclerc (Ferrari). Era o natural desgaste dos pneus macios. Na volta 6, Pérez não resistiu aos ataques de Verstappen e Leclerc. De uma só vez, Checo caiu de quarto para sexto. Enquanto Max e Charles sumiam à sua frente, Sergio passava a se preocupar com a pressão da dupla da McLaren – primeiro com Lando Norris, depois com Carlos Sainz Jr.. Após o pit stop de Norris, na volta 9, a Racing Point decidiu chamar Pérez para os boxes na 10. Na troca, o time sacou os pneus macios e colocou os compostos médios. Dessa forma, a escuderia acreditava que o asteca poderia completar a corrida sem mais parar nos boxes.

Pérez bem que tentou, mas não foi páreo para Verstappen e Leclerc

Pérez bem que tentou seguir em quarto, mas não foi páreo para Verstappen e Leclerc

No retorno à pista, Pérez ocupava a 10ª posição, justamente à frente de Norris. Com o pit stop de Alexander Albon (Toro Rosso), na volta 11, o mexicano subiu para nono. Após a parada de Sainz, na volta 12, Checo ascendeu para oitavo. Na 13, o piloto da Racing Point superou Romain Grosjean (Haas), ganhando a sétima posição. Naquele momento, Sergio estava atrás de Pierre Gasly (Red Bull), que, com uma tática mais conservadora, se colocava à frente do mexicano. Na volta 18, a vantagem do francês sobre o latino alcançava 14s8. O objetivo de Gasly era um só: abrir sobre Pérez para tomar a sexta posição. Para isso, precisava estender ao máximo sua presença na pista para realizar o pit stop e voltar para a pista na frente do adversário da Racing Point. Por outro lado, Checo precisava administrar a vantagem que tinha sobre Norris e Sainz.

Na volta 26, Pierre colocava 20s6 de vantagem sobre Sergio. Por sua vez, Pérez tinha 1s9 sobre Norris. Na 37, a diferença entre o francês da Red Bull e o mexicano da Force India alcançou a casa de 30 segundos. Por outro lado, Checo conseguiu colocar 11 segundos sobre Lando. Dessa forma, o sétimo lugar parecia assegurado para o latino. Entretanto, na volta 39, Gasly teve problemas no sistema de transmissão de seu bólido, sendo obrigado a abandonar. Dessa forma, Sergio reassumiu a sexta colocação. Com uma vantagem sob controle sobre Sainz – que superou Norris no duelo interno da McLaren -, bastava ao mexicano levar seu Racing Point até a bandeirada. E foi o que fez.

Com um bom ritmo, Checo não foi incomodado pela dupla da McLaren - Sainz e Norris

Checo não foi incomodado pela dupla da McLaren e contou com o abandono de Gasly para ser 6º

A vitória no GP do Azerbaijão ficou com Valtteri Bottas (Mercedes). Foi a quinta vitória da carreira do finlandês, a segunda em 2019. Com o triunfo, Bottas recuperou a liderança do Mundial de Pilotos, com 87 pontos – um a mais do que Lewis Hamilton (Mercedes), que terminou em segundo em Baku. Vettel completou o pódio. Mas quem celebrou o quarto top 6 consecutivo no circuito azeri foi Pérez, que ficou extremamente satisfeito com o resultado. “Foi um dia fantástico. Tudo pareceu promissor na largada quando passei Verstappen, mas não tivemos velocidade para lutar contra a Red Bull ao longo da prova. Na verdade, eu estava focado em manter a McLaren atrás. Não foi fácil e precisei pilotar cautelosamente por toda a corrida. Estou feliz porque tivemos sucesso em manter nossa posição, agora podemos celebrar um bom dia para a equipe com ambos os carros nos pontos”, afirmou Sergio, mencionando o nono lugar de Lance Stroll.

Com o resultado, Pérez subiu para 6º no Mundial de Pilotos, com 13 pontos

Com o resultado obtido em Baku, Pérez subiu para 6º no Mundial de Pilotos, com 13 pontos

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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