China-2019: Albon pontua após largar dos boxes em Xangai

Alexander Albon (Toro Rosso) foi o Piloto do Dia do 1.000º GP da história da F1: dos boxes ao 10º lugar

Alexander Albon (Toro Rosso) foi o Piloto do Dia do 1.000º GP da história da F1: dos boxes ao top 10

Largar dos boxes quase sempre é sinônimo de corrida perdida na Fórmula 1. Se estiver num carro mediano, então, o piloto dificilmente consegue alcançar a zona de pontuação na categoria. Alexander Albon (Toro Rosso) parecia fadado a esse destino no GP da China de 2019, em Xangai, o 1.000º GP da história da F1. Após sofrer um forte acidente no treino livre de sábado, o tailandês ficou impossibilitado de disputar o qualifying. Assim, teve que sair dos pits para a disputa da etapa chinesa. Albon, porém, não tinha nada a perder. Com coragem, o piloto da Toro Rosso desafiou todos os prognósticos e conquistou o 10º lugar em Xangai. Pela segunda vez em três corridas, Alex estava na zona de pontos – a outra foi no GP do Bahrein, em Sakhir, quando terminou em nono. Um início promissor na categoria, ainda mais para quem sequer esperava uma oportunidade em 2019.

Alexander Albon Ansusinha nasceu em Londres em 23 de março de 1996. Da mãe, tailandesa, herdou o amor pelo país asiático. Do pai, Nigel Albon, a paixão pelo automobilismo. Piloto britânico, Nigel trilhou carreira em categorias de turismo, com destaque para participações no Campeonato Britânico de Carros de Turismo (BTCC). Graças ao incentivo do pai, Alex ingressou no kart aos 8 anos. Na categoria KF3, ganhou diversos títulos britânicos entre 2006 e 2009. Em 2010, conquistou o título europeu. Em 2011, já na categoria KF1, obteve o vice-campeonato mundial. O garoto demonstrava técnica apurada no kart. Tanto que, em 2012, passou a fazer parte do Time de Desenvolvimento de Pilotos da Red Bull.

Desde 2012, Albon faz parte do Time de Desenvolvimento da Red Bull: chance veio em 2019

Desde 2012, Albon faz parte do Time de Desenvolvimento da Red Bull: chance veio em 2019

Dessa forma, o próximo passo acabou sendo natural: os monopostos aguardavam Albon. Entre 2012 e 2014, disputou o Campeonato Europeu de Fórmula Renault 2.0. Seu melhor desempenho veio justamente no último ano, quando terminou em 3º na classificação. Entretanto, num período de três anos, não obteve nenhuma vitória na F-Renault. Teria o talento se perdido? A Red Bull continuaria a apoiá-lo? Em 2015, Alex disputou o Campeonato Europeu de Fórmula 3. Seu desempenho também não foi brilhante – terminou em sétimo no campeonato. No ano seguinte, viria a melhor oportunidade para Albon: na GP3, defenderia a ART Grand Prix. Como companheiro, teria um certo Charles Leclerc… Alex foi combativo, obteve quatro vitórias e garantiu o vice-campeonato, atrás somente de Leclerc.

O fato de ter sido competitivo mesmo tendo um talentoso companheiro de equipe abriu os olhos das demais categorias do automobilismo. Albon passou a ser objeto de desejo por muitos times. Mas o tailandês preferiu seguir o caminho natural: a Fórmula 2 em 2017. Novamente pela ART Grand Prix, Alex teve uma temporada proveitosa, alcançando dois pódios e o 10º lugar geral. Em 2018, Albon se transferiu para a DAMS. Novamente, ele mostrou seu valor, obtendo 4 vitórias, 8 pódios e o terceiro lugar do campeonato, sendo superado somente pelos britânicos George Russell (campeão da F2) e Lando Norris (vice). O resultado em 2018 fez Alex ter pontos suficientes para a superlicença da F1. Entretanto, aparentemente, não havia vagas na categoria. Assim, Albon acertou contrato com a Nissan e-DAMS, da Fórmula E, para a disputa da temporada 2018/2019.

Para defender a Toro Rosso em 2019, Alex precisou romper um contrato com a Nissan, da Fórmula E

Para defender a Toro Rosso em 2019, Alex precisou romper um contrato com a Nissan, da Fórmula E

Porém, veio uma vaga inesperada na Toro Rosso. Sem Pierre Gasly, que havia se transferido para a Red Bull, o time de Faenza voltou a recrutar Daniil Kvyat. Além disso, a equipe demitiu Brendon Hartley. Para o lugar do neozelandês, não havia nenhum nome em vista. Mas a excelente performance de Albon em 2018 na F2 voltou a colocá-lo no radar da equipe. Foi necessário que Alex rompesse seu vínculo com a Nissan para que, enfim, pudesse realizar o sonho de pilotar na Fórmula 1.

A estreia de Albon ocorreu no GP da Austrália de 2019, em Melbourne. Quando largou na etapa australiana, Alex passou a ser segundo piloto a defender as cores da bandeira da Tailândia na história da Fórmula 1. O primeiro em 65 anos. O pioneiro do país asiático na categoria foi Príncipe Bira. Em Melbourne, o tailandês enfrentou dificuldades, terminando em 14º. Na prova seguinte, vieram os primeiros pontos com a nona posição em Sakhir. Alex recolocava a bandeira tailandesa na zona de pontos pela primeira vez desde o GP da França de 1954, em Reims, quando Bira conquistou a quarta posição. Os dois pontos obtidos em Sakhir motivaram Albon para a disputa do GP da China, em Xangai, terceira etapa do Mundial.

Alex teve uma sexta proveitosa em Xangai: 12º lugar, uma à frente de Kvyat

Alex teve uma sexta proveitosa em Xangai: 12º lugar, uma à frente de Kvyat

Nos primeiros treinos livres, na sexta, o STR14 se comportou bem no seletivo traçado chinês. Em sua primeira experiência em Xangai, Albon foi o 12º mais veloz do dia, com 1m34s634. O tailandês foi 0s060 mais rápido do que Daniil Kvyat – seu companheiro na Toro Rosso fez 1m34s694, ficando em 13º. A marca de Alex foi 1s304 mais lenta que a de Valtteri Bottas (Mercedes), o melhor da sexta com 1m33s330. “Hoje (sexta) foi um bom dia para nós. Passei a primeira sessão explorando e obtendo uma ideia do circuito – é uma pista técnica e há muitas linhas diferentes que você pode seguir. Quanto mais tempo eu ficava no carro, mais me sentia confortável em aprender a nova pista. Coloquei em prática tudo o que aprendi, mas ainda tenho algumas coisas que quero tentar no terceiro treino livre. Fiquei feliz com o nosso dia, parece que o ritmo em stints longos é bastante competitivo, apesar de ainda ter algo a tirar do nosso carro”, avaliou Albon.

Albon queria tentar algumas coisas novas no sábado, dia do terceiro treino livre em Xangai. Era a preparação para o qualifying. Mas aí o tailandês pagou pelo noviciado. Alex abusou na entrada da reta dos boxes. Seu carro ricocheteou, fazendo com que sofresse um forte acidente. O STR14 de Albon ficou destruído. Dessa forma, o tailandês não pôde participar do qualifying em Xangai. Assim, seria obrigado a largar dos boxes no domingo. A pole position do GP da China ficou com Valtteri Bottas (Mercedes), com 1m31s547. Foi a sétima pole da carreira do finlandês, a primeira na atual temporada. Do lado oposto do grid, Albon lamentou o fato de não ter disputado o quali em Xangai.

Albon sofreu um forte acidente no FP3: carro destruído impediu que participasse do quali

Albon sofreu um forte acidente no FP3: carro destruído impediu que participasse do qualifying

“Estou bem após o acidente no terceiro treino livre. Mas é obvio que fiquei desapontado por ter cometido um erro que me tirou do qualifying. Obviamente, ser veloz num treino livre não ajuda muito porque é o quali que conta, mas ainda há pontos positivos. Eu vinha além da zebra na última curva há algum tempo porque é um pouco mais rápido aproveitar aquele pedaço extra de pista. O carro sempre sai um pouco de traseira e normalmente você consegue mantê-lo sob controle, mas desta vez fui agressivo demais com o acelerador. Eu teria preferido rodar para o lado esquerdo do circuito, mas o carro foi para a direita e bati no muro. Olhando o lado bom, tivemos um bom treino livre de sexta e o ritmo de corrida parece forte, portanto estou otimista em relação à prova de amanhã (domingo). Não vai ser fácil, mas acredito que temos velocidade para fazer algumas ultrapassagens e talvez marcar mais alguns pontos”, explicou Alexander.

Largada do GP da China de 2019 para Albon: início solitário, do pit

Largada do GP da China de 2019, em Xangai, para Alexander Albon: início solitário, dos boxes

A corrida

Domingo, 14 de abril de 2019. Dezenove carros alinharam no grid do GP da China, em Xangai. Apenas um estava nos boxes: Alexander Albon (Toro Rosso). Confiante no bom balanço do STR14 na pista chinesa, o anglo-tailandês tentaria fazer uma prova de recuperação em busca de um lugar entre os 10 primeiros. A tarefa não parecia das mais fáceis. Porém, Albon estava determinado a alcançar a zona de pontos em Xangai. Largando com pneus macios, Alex estava distante do pelotão quando saiu dos boxes. Entretanto, ele se aproveitou do entrevero que envolveu seu companheiro Daniil Kvyat (Toro Rosso), Lando Norris (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (McLaren). A dupla da McLaren foi atingida pelo russo e despencou na classificação. Assim, Albon completou a volta 1 em 18º.

Os detritos deixados pelos carros envolvidos no acidente fizeram com que a direção de prova acionasse o VSC – virtual safety car. Após a limpeza da pista, a bandeira verde tremulava em Xangai na volta 3. Albon atacou Robert Kubica (Williams) por fora na Curva 1, ficando por dentro na sequência da Curva 2. Dessa maneira, superou o polonês, assumindo o 17º lugar. Na passagem seguinte, tentou a mesma manobra sobre George Russell (Williams), seu antigo rival de F2. O britânico fechou a passagem do tailandês na Curva 2. Porém, Alex saiu lançado, ultrapassando Russell na freada da Curva 4. A próxima vítima de Albon foi Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo). Na volta 5, o piloto da Toro Rosso usou o DRS para superar o italiano na freada da Reta Oposta. Ao mesmo tempo, Kvyat foi aos boxes para pagar um drive through – o russo foi considerado culpado pelo incidente da volta 1. Assim, Alexander abria a volta 6 na 14ª colocação.

A Toro Rosso planejou apenas um pit stop para Albon: tática bem-sucedida

A Toro Rosso planejou apenas um pit stop para Albon: tática bem-sucedida

Na volta 8, Romain Grosjean (Haas) ingressou nos boxes. Dessa forma, Albon subiu para 13º. Na passagem seguinte, o companheiro do francês, Kevin Magnussen (Haas) também realizou seu primeiro pit stop. Assim, Alex ascendeu para 12º. Na volta 12, foi a vez de Nico Hulkenberg (Renault) fazer sua parada. Com isso, o tailandês se viu na 11ª posição. A partir daquele momento, o piloto da Toro Rosso passou a reduzir a diferença para Lance Stroll (Racing Point), o 10º. Na volta 16, o canadense tinha 1s3 de vantagem sobre o anglo-tailandês. Embora pressionasse Stroll, Albon não conseguia fazer a ultrapassagem. Era sinal do desgaste dos pneus macios.

A Toro Rosso chamou Alex para os boxes na volta 19. Na troca, a equipe sacou os compostos macios e colocou os duros. O objetivo era fazer com que o jovem tailandês realizasse um único pit stop durante toda a corrida. No retorno à pista, Albon se viu na 16ª posição. Na volta 21, o tailandês voltou a ultrapassar Russell. Na mesma passagem, Stroll realizou seu pit stop. Quando voltou, o canadense havia sido superado pelo tailandês, que assumiu a 14ª posição. Com a ida de Kvyat para os boxes, na volta 25, Alex ascendeu para o 13º lugar. Na 26, o piloto da Toro Rosso ultrapassou novamente Giovinazzi, alcançando a 12ª colocação. Na volta 30, Albon alcançou Magnussen, que sofria com problemas de pneus. Alex colocou por dentro na Curva 4 e deixou Kevin para trás. Assim, era o 11º colocado.

Albon, à frente de Stroll: tailandês gerenciou bem seu ritmo com pneus duros em Xangai

Albon, à frente de Stroll: tailandês gerenciou bem seu ritmo com pneus duros em Xangai

Faltava apenas uma posição para o tailandês ingressar na zona de pontos. E ela veio na volta 34, graças a um novo pit stop de Grosjean. Com a parada do francês, Albon assumiu o 10º lugar. No top 10, Alex passou a administrar seu ritmo. Na volta 40, o tailandês estava 14 segundos atrás de Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), o nono colocado. Em contrapartida, tinha apenas 2 segundos de vantagem sobre Stroll. Na volta 45, Lance foi ultrapassado por Grosjean, que, com pneus mais novos, passou a ameaçar o top 10 de Albon. Além de segurar o francês, o tailandês precisava gerenciar seus pneus para garantir um ponto em Xangai. E assim o fez, com bastante estilo.

A vitória do 1.000º GP da história da F1 ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 75º triunfo do britânico, que assumiu pela primeira vez a liderança do Mundial de 2019. Valtteri Bottas (Mercedes) terminou em segundo, seguido por Sebastian Vettel (Ferrari). Mas o grande feito do dia foi de Albon, que, além de pontuar, levou para casa o prêmio de “Piloto do Dia” do GP da China de 2019. Afinal, após destruir seu carro, não participar do qualifying e largar dos boxes, chegar no top 10 foi uma façanha e tanta. “Primeiramente, eu gostaria de agradecer bastante à equipe por seu trabalho duro ontem (sábado). Tudo parecia um pouco sombrio após terceiro treino livre, mas o pessoal trabalhou muito duro para trocar o chassis. Eles mereciam uma boa corrida e fiquei feliz por recompensar seus esforços com um ponto”, disse Alex.

Hamilton, Bottas e Vettel formaram o pódio, mas o Piloto do Dia do GP da China de 2019 foi Albon

Hamilton, Bottas e Vettel formaram o pódio, mas o “Piloto do Dia” do GP da China de 2019 foi Albon

Sobre o GP da China, o tailandês disse que a equipe decidiu por uma mudança de estratégia que, no fim, acabou sendo bem-sucedida. “Foi uma prova difícil porque, inicialmente, planejávamos duas paradas. A degradação foi maior do que quase todos esperavam. Mas nós sabíamos desde o segundo treino livre que nossos pneus aguentavam bem, decidimos arriscar e sobrevivemos com o composto duro. Eu fiquei um pouco nervoso no final quando Grosjean estava quase me alcançando, mas estou realmente feliz por ter conseguido ficar em 10º”, resumiu um satisfeito Albon.

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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