Brasil-2018: de olho na Ferrari, Leclerc é 7º em Interlagos

Charles Leclerc (Sauber) à frente de seu futuro companheiro, Sebastian Vettel (Ferrari): duelo à vista para 2019

Charles Leclerc (Sauber) à frente de seu futuro companheiro, Sebastian Vettel (Ferrari): 2019 à vista

Charles Leclerc entrou em contagem regressiva para sua transferência para a Ferrari em 2019. Ao desembarcar em Interlagos, palco do GP do Brasil de 2018, o piloto monegasco estava a duas corridas de encerrar o ciclo na Sauber e de iniciar o seu mais grandioso sonho: o de ser companheiro de Sebastian Vettel e ocupar a vaga de Kimi Raikkonen na Ferrari para a próxima temporada. Embora a ansiedade ocupe espaço no pensamento do jovem talento, Leclerc queria deixar a melhor impressão possível na Fórmula 1 antes de mergulhar definitivamente na vida vermelha. No circuito paulistano, Charles foi competitivo, combativo e seguro. No fim, foi premiado com um excelente sétimo lugar no Autódromo José Carlos Pace, com direito a um primeiro duelo com Vettel. É bem verdade que perdeu a disputa para Seb (o alemão terminou em sexto), mas apenas o fato de figurar à frente do ferrarista já foi sinal do que o piloto de 21 anos pode ser capaz diante do já consagrado tetracampeão.

Pela nona vez em 2018, Leclerc figurou na zona de pontuação. O sétimo lugar em Interlagos fez com que Charles superasse Pierre Gasly (Toro Rosso) na tábua do Mundial de Pilotos – o monegasco subiu para 14º na classificação, com 33 pontos, contra 29 do francês. Além disso, seu top 7 no Brasil ajudou a Sauber a se consolidar na oitava posição do Mundial de Construtores – a equipe foi para 42 pontos, contra 33 da Toro Rosso. O resultado obtido no autódromo de São Paulo foi construído desde o primeiro dia de treinos livres. Quando o C37 da Sauber foi para a pista, tanto Leclerc quanto seu companheiro de equipe, Marcus Ericsson, mostraram bom desempenho, colocando-se sempre entre os 10 primeiros colocados.

Na sexta, Leclerc andou no mesmo segundo de Valtteri Bottas (Mercedes), o melhor do dia

Leclerc foi o oitavo mais veloz da sexta: monegasco foi um dos oito pilotos a andar abaixo de 1m10s

Após os dois treinos livres, Charles levou a melhor sobre Marcus. O monegasco foi um dos oito pilotos a andar abaixo de 1m10s em Interlagos. Leclerc foi o oitavo mais veloz do dia, com 1m09s943, ficando a 1s097 de Valtteri Bottas (Mercedes), o mais rápido da sexta com 1m08s846. Por outro lado, foi 0s689 mais rápido do que Ericsson, 15º com 1m10s532. “Foi um dia positivo em geral. Fomos bastante fortes no nosso ritmo de qualificação e nos sentimos confiantes para amanhã (sábado). Teremos algum trabalho para determinar onde estamos em termos de ritmo de corrida em comparação com as outras equipes, mas tudo está correndo bem até agora. O tempo estava melhor do que o esperado, e nós reunimos uma grande quantidade de dados em condições secas, o que é positivo. Estou ansioso para ver o que podemos conseguir amanhã (sábado)”, analisou Charles.

No sábado, Leclerc queria mais. O Q3 parecia algo possível para os dois carros da Sauber. E foi: tanto Charles quanto Ericsson conseguiram alcançar o Q3 em Interlagos. Pela sétima vez no ano, o monegasco alcançou a fase final da qualificação – um feito enorme, em se tratando de um piloto do time suíço. Na sessão decisiva, porém, o clima instável foi ator principal. No fim, o sueco surpreendeu ao ser mais veloz do que o monegasco. Marcus anotou o sétimo tempo, com 1m08s296, ficando 0s196 à frente de Charles, oitavo com 1m08s492. A marca de Leclerc foi 1s211 mais lenta que a de Lewis Hamilton (Mercedes), pole com 1m07s281. Foi a 82ª pole da carreira do britânico, justamente em sua primeira corrida após conquistar o pentacampeonato da F1.

Após fazer um épico Q2, Charles acabou sendo superado por Ericsson no Q3: 7º lugar no grid

Charles acabou sendo superado por Ericsson no Q3 de Interlagos: 7º lugar no grid

Como Daniel Ricciardo (Red Bull) perdeu cinco posições no grid por colocar novos elementos em sua unidade de potência, Ericsson subiu para sexto – melhor posição de grid na carreira – e Leclerc, para sétimo. Apesar de ter sido superado por Marcus, Charles não estava chateado. Pelo contrário: o monegasco demonstrava satisfação com a performance do C37. “Que dia incrível para a equipe. Ser a melhor do resto na classificação, com ambos os carros tendo resultados tão fortes, é um feito incrível que deve deixar todos nós orgulhosos. Eu fiquei muito feliz com minha volta no final do Q2, e um pouco menos na Q3. Marcus (Ericsson) fez um trabalho incrível hoje (sábado), parabéns a ele”, afirmou Leclerc.

Largada do GP do Brasil de 2018: Leclerc superou Ericsson na freada do S do Senna e subiu para sexto

Largada do GP do Brasil de 2018: Leclerc superou Ericsson na freada do S do Senna e subiu para sexto

A corrida

Domingo, 11 de novembro de 2018. O Autódromo José Carlos Pace abria suas portas mais uma vez para a disputa do GP do Brasil. A tão propagada chuva não vingou em Interlagos. Dessa forma, os pilotos puderam se preocupar apenas em correr com a pista seca. Alinhado em sétimo no grid, Charles Leclerc calçava pneus supermacios – os menos duráveis disponíveis no fim de semana. Assim, o monegasco tentaria encaixar um stint longo com esses compostos, a fim de assegurar apenas uma parada nos boxes. Estratégia traçada, e os 20 pilotos foram para a largada da etapa brasileira. No apagar das luzes vermelhas, Leclerc saltou bem e superou Marcus Ericsson (Sauber) por fora na primeira perna do S do Senna, assumindo a sexta posição. Ao fim da volta 1, o monegasco estava atrás de pilotos das três principais escuderias da F1 – Mercedes (Lewis Hamilton e Valtteri Bottas), Ferrari (Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen) e Red Bull (Max Verstappen).

Sem poder desafiar os adversários à frente, Charles passou a administrar a sexta posição. Atrás dele, estava Romain Grosjean (Haas). Apesar do ímpeto, o francês não foi capaz de superar o monegasco. Na volta 4, Grosjean foi superado por Daniel Ricciardo (Red Bull), que largou em 11º e fazia prova de recuperação. Após superar o piloto da Haas, o foco do australiano se tornou Leclerc. Na volta 5, o jovem piloto da Sauber não resistiu ao poderio do rival da Red Bull, caindo para a sétima colocação. Assim, Charles voltou a ser perseguido de perto por Romain. Mesmo assim, o monegasco não se intimidou com a pressão do francês. Na volta 6, a vantagem sobre o piloto da Haas era de 0s9. Na 12, a diferença subiu para 2s3. Assim, a sétima posição estava conservada.

Leclerc conservou com maestria seu jogo de pneus supermacios, garantindo que fizesse apenas um pit stop em Interlagos

Leclerc conservou com maestria seus supermacios, garantindo que fizesse apenas um pit stop

O panorama começou a mudar em Interlagos com a abertura da janela de pit stop. Com problemas no gerenciamento dos pneus, a Mercedes foi a primeira a chamar seus pilotos. Na volta 19, Bottas foi para os boxes. Assim, Leclerc assumiu a sexta colocação. Na 20, Hamilton realizou seu pit. Dessa maneira, Charles ascendeu para o quinto posto. À frente do monegasco, apenas os pilotos de Ferrari e Red Bull. Em contrapartida, o jovem piloto da Sauber via Hamilton cresceu em seus retrovisores. Na volta 24, o pentacampeão superou Leclerc, que voltou para a sexta posição. Ali permaneceu até a volta 27 – na passagem seguinte, Vettel ingressou nos boxes. Assim, o piloto da Sauber retornou para a quinta colocação. Com a parada de Raikkonen na volta 30, Charles ascendeu para o quarto lugar. À frente dele, portanto, estavam somente Verstappen, Ricciardo e Hamilton.

Ao conservar os pneus supermacios, Leclerc subiu na classificação. A meta do time suíço de fazer a etapa de Interlagos com apenas uma troca já havia sido atingida. Na volta 34, Charles, enfim, foi para os boxes. No pit, a Sauber sacou os supermacios e colocou pneus médios. Era uma garantia de que o monegasco não pararia mais nos boxes. No retorno à pista, Leclerc estava em nono, colado em Sergio Pérez (Force India). Na 36, o monegasco supera o mexicano, tomando-lhe o oitavo lugar. Ali seguiu até a volta 42 – com o pit stop de Kevin Magnussen (Haas), Charles assumiu a sétima posição. Parecia a posição real para o piloto da Sauber, uma vez que estava atrás apenas das duplas de Red Bull, Ferrari e Mercedes. Por outro lado, tinha uma diferença segura para Grosjean, o oitavo – naquele momento, a vantagem girava na casa dos 6 segundos.

Após ser ultrapassado por Vettel, Leclerc administrou vantagem sobre Grosjean para ficar com o 7º lugar

Após ser superado por Vettel, Leclerc administrou vantagem sobre Grosjean para ficar com o 7º lugar

Entretanto, algumas equipes enfrentavam dificuldades com o asfalto quente de Interlagos. A Ferrari, por exemplo, chamou Vettel para uma segunda parada na volta 54. Com o novo pit stop do alemão, Leclerc assumiu a sexta colocação. Todavia, o piloto da Sauber teria que lidar com o ferrarista em seus calcanhares. Com equipamento superior, Sebastian colou em Charles. Embora tenha resistido ao ataque do futuro companheiro de equipe na volta 57, o monegasco não possuía carro para segurar o germânico, que o ultrapassou na volta 58. Sem ter como atacar Vettel, restou a Leclerc administrar a vantagem sobre Grosjean para assegurar a sétima posição em Interlagos.

A vitória no GP do Brasil de 2018 ficou com Hamilton. O 72º triunfo do britânico caiu em seu colo. Explica-se: então líder da prova, Verstappen se envolveu em um acidente com o retardatário Esteban Ocon (Force India). Max rodou e voltou à pista em segundo. Raikkonen completou o pódio. Já nos boxes da Sauber, o clima era festivo, uma vez que Charles comemorava seis importantes pontos para a equipe. “Estou muito feliz com a corrida. Terminar em 7º lugar é um resultado positivo com o qual podemos estar satisfeitos. Foi divertido pilotar nesta pista e adicionar mais pontos à nossa conta para solidificar a nossa oitava posição no Campeonato de Construtores. Trata-se de um sentimento positivo para toda a equipe. Estou ansioso para ver o que podemos fazer em Abu Dhabi”, analisou o monegasco após a etapa.

Leclerc conversa com Barrichello no grid de Interlagos: duas gerações de pilotos da Ferrari

Leclerc conversa com Barrichello no grid de Interlagos: duas gerações de pilotos da Ferrari

Anúncios

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em Brasil, Charles Leclerc, Esteban Ocon, Force India, Haas, Interlagos, Kevin Magnussen, Marcus Ericsson, Pierre Gasly, Romain Grosjean, Rubens Barrichello, Sauber, Sergio Pérez, Toro Rosso. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s