México-2018: em tom de despedida, Vandoorne obtém top 8

Stoffel Vandoorne deu fim a um jejum de 14 GPs sem pontuar ao ser 8º no Autódromo Hermanos Rodríguez

Stoffel Vandoorne deu fim a um jejum de 14 GPs sem pontuar ao ser 8º no GP do México

Em muitos casos, a Fórmula 1 costuma ser um triturador de talentos. Alguns pilotos ingressam na categoria no lugar errado, no momento errado. Esse parece estar sendo o caso de Stoffel Vandoorne. Tido como um potencial campeão, o belga se tornou titular da McLaren em 2017. Era a terceira temporada da turbulenta parceria do time de Woking com a Honda. Em seu primeiro ano completo na equipe laranja, Stoffel anotou 13 pontos, contra 17 do experiente bicampeão Fernando Alonso. Seus principais resultados no campeonato foram dois sétimos lugares – nos GPs de Cingapura e da Malásia. Veio 2018, e a McLaren trocou o motor Honda pelo Renault. A mudança, que parecia a decisão mais acertada, não trouxe a resposta esperada. O início foi satisfatório para Stoffel, que colheu 10 pontos nas quatro primeiras etapas – foi oitavo no GP do Bahrein, em Sakhir, e nono nos GPs da Austrália, em Melbourne, e do Azerbaijão, em Baku. Porém, após a prova azeri, os pontos minguaram para o belga.

Tanto Vandoorne quanto Alonso voltaram a conviver com problemas de desempenho similares aos de 2017. Prova a prova, a dupla da McLaren agonizava no cockpit do MCL33. A angústia foi tamanha que os dois simplesmente deram um basta com a F1: enquanto Fernando anunciou sua retirada da categoria ao fim de 2018, Stoffel revelou no último dia 15 de outubro que pilotará pela HWA, time da Fórmula E, já na temporada 2018/19. A partir desta guinada na carreira, o belga tenta aproveitar da melhor maneira possível os últimos momentos na McLaren. Com esse espírito, Vandoorne desembarcou no Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México, para a disputa do GP do México de 2018. Na capital asteca, o objetivo de Stoffel era dar fim ao jejum de pontos – afinal, fazia 14 corridas que o piloto de 26 anos não finalizava na zona de pontuação.

Vandoorne anunciou no último dia 15 que correrá na Fórmula E a partir da temporada 2018/19

Vandoorne anunciou no último dia 15 que correrá na Fórmula E a partir da temporada 2018/19

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres no circuito mexicano, o belga teve um desempenho razoável, em se tratando do MCL33. Vandoorne marcou o 15º tempo, com 1m19s096. Stoffel ficou 0s447 à frente de Alonso, 19º com 1m19s543. A marca do belga foi
2s440 inferior à obtida por Max Verstappen (Red Bull), o melhor da sexta com 1m16s656. “Foi uma sexta-feira razoável. Eu acho que para todos o ponto de discussão foi provavelmente os pneus. Era importante para nós estarmos no caminho certo e ver os stints longos, e dividimos os compostos entre nós para ver a degradação. É difícil dizer onde estamos na ordem competitiva, pois as diferenças estão realmente muito apertadas. Os Red Bulls estão definitivamente um passo à frente, mas atrás deles todos parecem muito juntos, então, se descobrirmos algumas coisas do nosso lado e ganharmos um pouco de desempenho, poderemos ter algo de bom. O mais importante é administrar os pneus. Assim, será maior a chance de marcar pontos aqui”, avaliou.

A esperança de Stoffel, entretanto, estava numa boa qualificação no Hermanos Rodríguez. Porém, ocupar um lugar razoável no grid era o ‘calcanhar de Aquiles’ dele e da McLaren em 2018. A última vez que o belga havia avançado para a fase de Q2 num treino oficial havia sido no fim de semana do GP de Mônaco, quando foi o 12º. Desde então, foram 12 eliminações consecutivas na primeira fase da qualificação. No Q1 mexicano, Vandoorne até flertou com um avanço para o Q2 – sua última volta o colocava entre os 15 primeiros. Entretanto, sua marca foi superada pelos adversários, e mais uma vez caiu na fase inicial de um quali. Stoffel anotou 1m16s966, ficando em 17º. Já Alonso avançou para o Q2. O espanhol fez 1m16s871 (0s095 mais rápido do que Vandoorne), o que lhe rendeu o 12º lugar no grid. A pole do GP do México ficou com Daniel Ricciardo (Red Bull), que anotou 1m14s759 – 2s207 mais veloz do que o belga. Foi a terceira da carreira do australiano.

Stoffel bem que tentou, mas não conseguiu avançar no Q1 no Autódromo Hermanos Rodríguez

Stoffel bem que tentou, mas não conseguiu avançar no Q1 no Autódromo Hermanos Rodríguez

Embora eliminado mais uma vez no Q1, Vandoorne ficou satisfeito com o desempenho do MCL33 no circuito asteca. “Foi um esforço de classificação bastante decente. Os tempos estavam muito próximos e é uma pena perder um lugar no Q2 por alguns centésimos, mas isso mostra quão apertado está o pelotão. Hoje o clima está um pouco mais frio, o que facilitou as coisas com os pneus. Amanhã (domingo) veremos o que a corrida trará. Com sorte, a degradação dos pneus continuará a ser um grande fator, e veremos como isso acontece na prova. Há sempre um pouco que você pode melhorar. É complicado por causa da altitude, mas é o mesmo para todos. Em geral, eu estava razoavelmente feliz com a minha volta e acho que foi bem perto do máximo possível hoje (sábado). Provavelmente estivemos um pouco mais próximos aqui neste final de semana do que o esperado e espero poder mostrar isso amanhã (domingo). Teremos que ter um pouco de sorte para trazer um bom resultado para casa”.

Largada do GP do México de 2018: Vandoorne despencou para o 19º lugar

Largada do GP do México de 2018: cauteloso, Vandoorne despencou para o 19º lugar

A corrida

Domingo, 28 de outubro de 2018. O sol despontou no céu da Cidade do México. As arquibancadas do Autódromo Hermanos Rodríguez pulsavam no ritmo dos motores da Fórmula 1. Também pudera: a torcida mexicana estava em vias de acompanhar, pela segunda vez consecutiva, a consagração de Lewis Hamilton (Mercedes). Bastava um sétimo lugar no GP do México para assegurar o pentacampeonato. Os mexicanos também estavam atentos aos movimentos do herói local, Sergio Pérez (Force India). Hamilton e Checo à parte, Stoffel Vandoorne (McLaren) sonhava apenas e tão somente em pontuar na etapa mexicana. Era uma missão árdua – afinal, eram 14 corridas sem figurar no top 10. Mas havia algo de diferente no ar para o belga. As coisas pareciam conspirar a favor do piloto do carro de número 2.

Calçando pneus ultramacios, Vandoorne, 15º no grid, teve cautela para fugir de confusões na largada. Na freada da curva 1, perdeu posições para Lance Stroll (Williams), Kevin Magnussen (Haas), Sergey Sirotkin (Williams), Pierre Gasly (Toro Rosso) e Romain Grosjean (Haas). Como Brendon Hartley (Toro Rosso) ficou para trás na largada, Stoffel completou a primeira volta na 19ª e penúltima posição. A partir daí, iniciaria um show à parte do belga. Vandoorne partiu para cima de Grosjean. Após travar pneus na disputa contra Gasly, Romain virou presa fácil para o piloto da McLaren, que assumiu o 18º lugar. Com a ida de Esteban Ocon (Force India) aos boxes ainda na volta 2 – o francês atingiu Fernando Alonso (McLaren) no início da corrida -, Stoffel assumiu a 17ª posição.

Vandoorne supera Gasly e Sirotkin: grande momento do belga no México

Vandoorne supera Gasly e Sirotkin: grande momento do belga no Autódromo Hermanos Rodríguez

Na 4, veio o grande momento do belga no Hermanos Rodríguez: Vandoorne acompanhava o duelo entre Gasly e Sirotkin. Ao ver os dois se engalfinharem, não teve dúvida – colocou por dentro, fazendo uma ultrapassagem dupla, assumindo o 15º lugar. Na mesma passagem, Alonso abandonou a prova. Assim, Stoffel era o 14º. Para retirar o MCL do bicampeão, a direção de prova acionou o virtual safety car. Dessa forma, o belga passou a mirar sua próxima vítima: Magnussen. A relargada foi dada na volta 6. Apesar do esforço, Vandoorne não conseguia fazer a ultrapassagem sobre o dinamarquês. E quanto mais o tempo passava na perseguição ao piloto da Haas, mais seus pneus ultramacios se desgastavam. Na volta 9, Stroll foi para os boxes. Com isso, Stoffel ascendeu para a 13ª posição. Entretanto, sem conseguir superar Magnussen.

Na volta 12, a McLaren chamou Vandoorne para os boxes. Na troca, o belga sacou os compostos usados, passando a calçar supermacios. O objetivo era um só: não parar mais. Seriam 59 longas voltas com o mesmo jogo de pneus. No retorno à pista, estava em 18º, colado em Stroll. Na 13, Stoffel saiu próximo a Lance do trecho do Estádio e, na Reta dos Boxes, efetuou ultrapassagem por fora no canadense. Assim, o piloto da McLaren era o 17º. Com o pit stop de Marcus Ericsson (Sauber) na volta 17, o belga ascendeu para 16º. Após a parada de Hartley, na volta 24, Vandoorne subiu para 15º. Na passagem seguinte, Stoffel voltou a superar Gasly – novamente, na Reta dos Boxes. Assim, era 14º. Com o abandono de Carlos Sainz Jr. (Renault) na volta 29, Vandoorne assumiu a 13ª posição. Na passagem seguinte, Ocon retornou para os boxes, a fim de fazer sua segunda parada. Dessa maneira, o piloto da McLaren passava a ocupar a 12ª colocação.

Vandoorne parou na volta 12 e colocou pneus supermacios: longo stint de 59 voltas fez belga ascender na corrida

Vandoorne parou na volta 12 e colocou supermacios: stint de 59 voltas fez belga ascender na corrida

Para retirar o carro de Sainz, novamente a direção de prova acionou o VSC. E, mais uma vez, Vandoorne tinha Grosjean em sua alça de mira. A bandeira verde foi dada na volta 32, e o belga partiu para cima do francês. Novamente no fim da Reta dos Boxes, Stoffel executou a manobra de ultrapassagem. Romain vendeu caro a posição, mas não resistiu: o piloto da McLaren era o 11º na volta 33. Apenas na volta 38, Vandoorne ingressou pela primeira vez na zona de pontos do GP do México. A torcida mexicana ficou em choque com o abandono de Pérez. Porém, a saída do herói local fez com que Stoffel passasse a ocupar a 10ª posição. A partir dali, o belga voltava a perseguir Magnussen. Mas, na volta 43, a Haas chamou o dinamarquês para os boxes. Dessa forma, o piloto da McLaren ascendeu para a nona colocação.

Naquele momento, Vandoorne era mais veloz do que Charles Leclerc (Sauber), o oitavo. Tanto que o belga se aproximou perigosamente do monegasco. Porém, nunca a ponto de baixar de 1s e usar o DRS (asa móvel) na Reta dos Boxes. Por outro lado, Stoffel não era incomodado por Ericsson, o 10º. Com isso, o nono lugar parecia o limite para o piloto da McLaren. Entretanto, na volta 61, Daniel Ricciardo (Red Bull), então segundo colocado, abandonou a etapa asteca. Dessa maneira, Vandoorne assumiu a oitava posição. Dessa forma, a meta do belga passou a ser conservar equipamento e pneus, a fim de levar o top 8 para Woking. E foi o que fez. Com competência, ousadia e regularidade, Stoffel deu fim ao seu jejum de pontos no Autódromo Hermanos Rodríguez.

Em diversas vezes, Vandoorne saiu do trecho do Estádio colado no rival para realizar ultrapassagem: nesta, contra Gasly

Vandoorne saía do trecho do Estádio colado no rival para realizar ultrapassagem: nesta, contra Gasly

A vitória do GP do México de 2018 ficou com Max Verstappen (Red Bull). Foi o quinto triunfo do holandês na Fórmula 1 – o segundo na etapa mexicana. Sebastian Vettel (Ferrari) terminou em segundo, seguido por Kimi Raikkonen (Ferrari). Hamilton ficou em quarto, o suficiente para assegurar matematicamente a conquista do pentacampeonato mundial (2008, 2014, 2015, 2017 e 2018). Com o título, Lewis igualou a marca de Juan Manuel Fangio (o argentino foi campeão em 1951, 1954, 1955, 1956 e 1957), ficando atrás somente do heptacampeão Michael Schumacher no ranking da F1 (o alemão foi campeão em 1994, 1995, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004).

O homem do domingo foi Verstappen. O campeão do ano foi Hamilton. Mas Vandoorne também tinha o que comemorar no México. “Estou muito satisfeito. Colocamos muito trabalho duro e preparação neste fim de semana em termos de qual estratégia escolher, e sabíamos que era possível marcar pontos aqui. Estou feliz em terminar em oitavo e marcar alguns pontos. Foi uma grande corrida. Depois da primeira volta, éramos os últimos e tivemos muito trabalho a fazer, por isso foi uma forte recuperação. Fiz algumas ultrapassagens que foram muito cruciais e, no final, fazer com que os pneus durassem para terminar em oitavo. Não foi fácil no começo, mas eu estava sempre atacando na hora certa quando precisava, e administrando os pneus ao mesmo tempo. O ponto crucial foi quando tivemos que decidir se iríamos por uma ou duas paradas. Os pneus pareciam muito complicados, mas conseguimos recuperá-los um pouco e esse foi o ponto de virada”, celebrou o belga da McLaren.

Top 8 no México rendeu o "Prêmio Unicórnio do Dia" para o belga: brincadeira foi postada nas redes sociais

Top 8 rendeu o “Prêmio Unicórnio do Dia” para o belga: brincadeira foi postada nas redes sociais

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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