EUA-2018: Renault obtém 14 pontos e se consolida no top 4

Hulkenberg terminou em sexto em Austin, uma posição à frente de Sainz: bom desempenho da Renault

Hulk terminou em sexto em Austin, uma posição à frente de Sainz: bom desempenho da Renault

A Renault tem tido uma irregular temporada de 2018. O time francês vem mesclando apresentações convincentes com exibições para esquecer. Embora Nico Hulkenberg e Carlos Sainz Jr. estejam se esforçando ao máximo para tirar desempenho do RS18, o máximo que conquistaram nas 17 primeiras etapas do ano foram 10 pontos combinados – nos GPs da China, do Azerbaijão, do Canadá e da Alemanha. Em Austin, palco do GP dos Estados Unidos, o objetivo da escuderia aurinegra era o de obter o maior número de pontos possíveis, a fim de consolidar o time na quarta posição no Mundial de Construtores. Os ares do Circuito das Américas parecem ter inspirado Hulkenberg e Sainz. Em uma prova consistente, o alemão terminou em sexto, enquanto o espanhol finalizou em sétimo. Assim, Nico e Carlos somaram 14 pontos, o que fez com que a equipe de Enstone subisse para 106 pontos no Mundial, contra 84 da Haas – sua principal concorrente pelo top 4 entre as equipes.

Vale ressaltar que, embora a Force India tenha perdido 59 pontos em razão da mudança de direção do time durante o Mundial, a Renault alcançou em Austin os mesmos 106 pontos que a equipe branca e rosa somou durante o ano. Uma prova de que a escuderia francesa está fazendo por merecer o quarto lugar entre os Construtores. Além da segura vantagem sobre a Haas, o time gaulês viu Hulk assumir a sétima posição do Mundial de Pilotos, com 61 pontos. Graças a seu sexto lugar em Austin, o germânico colocou quatro pontos de vantagem sobre Sergio Pérez (Force India) e oito sobre Kevin Magnussen (Haas). Com os seis pontos da sétima posição do GP dos Estados Unidos, Sainz subiu para 45 pontos, entrando de vez na luta por um lugar no top 10 do Mundial – o madrileno ficou a cinco pontos de Fernando Alonso (McLaren), 10º com 50 pontos.

Hulkenberg e Sainz somaram 14 pontos em Austin - melhor desempenho conjunto do time em 2018 até o momento

Nico e Carlos somaram 14 pontos no Texas – melhor resultado da dupla da Renault no ano até agora

Por tudo que representou para a equipe, Austin foi a corrida mais bem-sucedida da Renault em 2018 até o momento. Porém, as coisas não começaram positivas no fim de semana da etapa ianque. Durante toda a sexta-feira, dia dos dois primeiros treinos livres para o GP dos Estados Unidos, uma chuva incessante atrapalhou as pretensões de pilotos e escuderias em Austin. Para Hulkenberg e Sainz, não foi diferente. Nos tempos combinados, o espanhol alcançou o sétimo lugar, com o tempo de 1m50s665. Carlos ficou 1s052 à frente de Nico, que obteve apenas a 18ª posição, com 1m51s717. O melhor da sexta foi Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m47s502 – 3s163 mais veloz do que Sainz, e 4s215 à frente de Hulk.

Após os treinos, Hulkenberg não lamentou a marca aquém das expectativas. Pelo contrário: exaltou os dados obtidos sob chuva. “Eu não tinha o equilíbrio e a harmonia certos pela manhã, por isso foi bom fazer um stint à tarde para confirmar que tínhamos feito as mudanças na direção certa. É muito divertido dirigir em condições como hoje (sexta), mesmo que pareça bastante sombrio na TV. Já vimos algumas diferenças extremas no clima aqui em Austin antes, por isso vai ser interessante ver o que o resto do fim de semana se apresenta”, afirmou o alemão. Já Sainz também se mostrou satisfeito com o desempenho do RS18. “Fiquei muito feliz com o carro na sessão da manhã e consegui dar algumas voltas decentes. As condições no final do FP2 eram semelhantes e eu só fiz uma saída rápida para testar algumas coisas e coletar informações. Amanhã (sábado) achamos que será no molhado, então será um bom desafio para os pilotos – e espero por isso”.

Na sexta, a chuva atrapalhou pilotos e equipes: Hulk (foto) foi apenas o 13º do dia

Na sexta, a chuva atrapalhou pilotos e equipes: Hulk (foto) foi apenas o 18º do dia

Diferentemente do que Carlos imaginou, o qualifying para o GP dos Estados Unidos não contou com a presença da chuva. No sábado, tanto Sainz quanto Hulkenberg tiveram que se adaptar ao piso seco. Inicialmente, a Renault constatou que seus pilotos poderiam avançar para o Q3 em Austin. Com essa meta em mente, o espanhol e o alemão foram determinados para a pista. Nico e Carlos avançaram para o Q2. Contudo, o espanhol falhou a passagem para a fase decisiva da qualificação por apenas 0s002. Assim, Sainz ficou em 11º, com 1m34s566. “Infelizmente, fiquei a dois milésimos de entrar no Q3. Pressionei acidentalmente um botão de ajuste no volante e perdi 0s2 na última curva. É frustrante porque o Q3 estava ao alcance. Entretanto, os pontos são dados amanhã (domingo), então eu continuo otimista. Normalmente, a corrida aqui é ótima porque você pode seguir os carros e ultrapassar, portanto há potencial para um dia interessante”.

Já Hulkenberg conseguiu um lugar no Q3 de Austin. Na volta decisiva, o alemão anotou 1m34s215, anotando um bom sétimo lugar. A pole position do GP dos Estados Unidos ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Para obter a 81ª pole, o britânico fez 1m32s237 – 1s978 mais veloz do que Nico e 2s329 mais rápido do que Carlos. Ao fim do treino, Hulk se mostrou satisfeito com a sétima posição. “Estou satisfeito com a classificação sem problemas, porque extraímos o potencial do carro. Para ser honesto, não foi nada fácil em termos de equilíbrio, já que estava ventando bastante e você realmente sente isso no carro. O equilíbrio muda drasticamente de uma curva para outra, o que torna as coisas traiçoeiras – e a sensação não muito agradável. Eu forcei ao máximo e acho que fomos bem sucedidos hoje (sábado)”, avaliou o germânico.

Largada do GP dos EUA de 2018: Hulk subiu para sexto, e Sainz ganhou quatro posições

Largada do GP dos EUA de 2018: Hulkenberg ganhou duas posições; já Sainz subiu cinco

A corrida

Domingo, 21 de outubro de 2018. O sol predominou sobre o Circuito das América, em Austin, no Texas, palco de mais um GP dos Estados Unidos. Na seletiva pista, Lewis Hamilton (Mercedes) tinha pela primeira vez a chance de sacramentar a conquista do pentacampeonato mundial. Porém, a sorte não sorriria para o britânico em solo norte-americano. Alheios à disputa do título, a dupla da Renault, Nico Hulkenberg e Carlos Sainz, queria fugir das confusões a fim de pontuar na etapa. Saindo em sétimo, Hulk calçava pneus ultramacios, e Carlos, 11º no grid, contava com compostos supermacios (mais duráveis que os de seu companheiro). Chegar na primeira curva em boas condições era a meta dos dois pilotos. E eles conseguiram: o alemão ultrapassou Esteban Ocon (Force India), tomando o sexto lugar, enquanto o espanhol tracionou bem e superou Romain Grosjean (Haas), Sergio Pérez (Force India) e Charles Leclerc (Sauber) antes de atingir a curva 1.

Ainda na volta 1, na sequência das curvas de alta, Sainz ignorou Ocon, pulando para sétimo. Não satisfeito, Carlos passou a pressionar Nico por um lugar no top 6. Porém, à frente dos pilotos da Renault, Sebastian Vettel (Ferrari), na ânsia de tomar o quarto lugar de Daniel Ricciardo (Red Bull), acabou tocando no carro do australiano. O ferrarista rodou e caiu para a 15ª posição. Com isso, Hulkenberg fechou a primeira volta em quinto, e Sainz, em sexto. Ainda que estivessem com estratégias diferentes de pneus, o ritmo dos dois pilotos da escuderia francesa era semelhante. Aos poucos, porém, o germânico passou a colocar vantagem sobre o madrileno.  Na volta 5, Nico tinha 1s3 sobre Carlos. Em contrapartida, o alemão ficava a 5s de Ricciardo, o quarto.

Sainz tentou acompanhar Hulkenberg, mas uma punição impediu o duelo direto

Sainz tentou acompanhar Hulkenberg, mas uma punição impediu o duelo direto

Enquanto isso, Max Verstappen (Red Bull) fazia uma espetacular prova de recuperação depois de largar em 18º. Na volta 6, o holandês superou Sainz, assumindo a sexta posição. Três voltas depois, foi a vez de Verstappen ultrapassar Hulkenberg. Assim, Max era o quinto, Nico, o sexto, e Carlos, o sétimo. Porém, essa classificação duraria somente por uma volta. Na 10, Ricciardo, com problemas de bateria em seu Red Bull, viu seu carro entrar em pane. Daniel foi obrigado a abandonar. Dessa maneira, Hulk recuperava a quinta posição. Por outro lado, Sainz ficaria na sétima, uma vez que Vettel o ultrapassava naquela passagem. Com dificuldades para retirar o Red Bull de Ricciardo, a direção de prova acionou a entrada do VSC – virtual safety car. A corrida só seria retomada na volta 13. Naquele instante, Vettel partiu para cima de Hulk, tomando-lhe a quinta posição.

Estabilizados na sexta e sétima posições, Hulkenberg e Sainz passavam a se preocupar com quem vinha de trás – já que era impossível perseguir os pilotos das três principais escuderias de 2018 (Ferrari, Mercedes e Red Bull). Na volta 15, Nico tinha 2s de vantagem sobre Carlos, que, por sua vez, colocava 5s6 sobre Ocon. Todavia, a vantagem do espanhol da Renault sobre o francês da Force India seria praticamente anulada por decisão da direção de prova: a FIA considerou que Sainz utilizou a parte asfáltica fora do traçado ideal para ultrapassar Ocon no início do GP dos Estados Unidos. Com isso, puniu Carlos com 5s de tempo acrescido ao seu tempo de corrida. A punição foi divulgada na volta 20. Como ainda não havia feito seu pit stop, o madrileno pararia por 5s, cumpriria a punição e realizaria a troca de pneus.

Na única parada de box, Hulk sacou os pneus ultramacios e colocou compostos macios: top 6 consolidado

Na única parada de box, Hulk sacou os pneus ultramacios e colocou macios: top 6 consolidado

Enquanto Sainz lamentava a decisão, Hulkenberg acelerava a fim de se consolidar no top 6. Entretanto, os pneus ultramacios do carro do alemão davam sinais de desgaste. Por isso, a Renault chamou o germânico para os boxes na volta 23. Na troca, colocaram compostos macios – os mais resistentes do fim de semana de Austin. Assim, Nico não pararia mais nos boxes. No retorno à pista, Hulk estava em nono. Já Carlos assumia provisoriamente o sexto lugar. Lá, ficaria por somente uma volta: na volta 24, o espanhol foi para o pit stop. Além de pagar a punição de 5s, Sainz trocou os pneus supermacios por novos compostos macios. Dessa forma, assim como Hulkenberg, também não pararia mais no pit. Ao retornar à pista, se viu em 11º. Todavia, estava à frente de Ocon, que havia parado antes nos boxes. Já Nico ascendeu à oitava posição graças à parada do companheiro de equipe.

Com o pit stop de Pérez na volta 25, Hulk subiu para sétimo. Sainz também superou o mexicano, além de ultrapassar Marcus Ericsson (Sauber) na pista para assumir a nona colocação. Na volta 27, o espanhol da Renault passou Brendon Hartley (Toro Rosso) e subiu para oitavo. A dupla da Renault recuperou a posição pré-pit stop na volta 30. Após a parada de Kevin Magnussen (Haas), Nico reassumiu a sexta posição, e Carlos, a sétima. Com as posições consolidadas, a dupla da Renault não tinha muito mais a fazer a não ser gerenciar o trem de corrida e administrar os pneus. E assim fizeram. No fim, Hulkenberg conquistou o sexto lugar, e Sainz, o sétimo.

No fim, Hulkenberg e Sainz ficaram no top 7 de Austin: era o máximo que poderiam fazer

No fim, Hulkenberg e Sainz ficaram no top 7 de Austin: era o máximo que poderiam fazer

A vitória em Austin ficou com Kimi Raikkonen (Ferrari). Foi a primeira do finlandês em 113 GPs – seu último triunfo havia sido no GP da Austrália de 2013, em Melbourne, com Lotus. Foi a 21ª conquista de Raikkonen na F1, o que lhe garantiu o posto de maior vencedor da Finlândia na categoria – antes, estava empatado com Mika Hakkinen, com 20 vitórias. Max Verstappen fez uma tremenda prova de recuperação e alcançou um espetacular segundo lugar, e Hamilton completou o pódio. Com o resultado, Lewis não assegurou o quinto título – Vettel terminou em quarto, impedindo matematicamente a conquista. Porém, o britânico ficou a seis pontos de colocar o Mundial em sua galeria.

Nos boxes da Renault, havia a sensação de dever cumprido com o resultado do GP dos Estados Unidos. Que o diga Hulkenberg. “Foi o melhor resultado da equipe desde que estou na Renault (o alemão ingressou no time em 2017), então estou feliz com isso, foi um ótimo trabalho de todos os envolvidos. Nós demonstramos na pista que o ritmo de corrida do nosso carro é bastante decente e ainda somos muito competitivos. Também ilustrou como é importante ter uma posição de classificação forte e uma primeira volta limpa. No fim, marcamos um ótimo número de pontos. É uma grande satisfação, mas temos três provas pela frente e precisamos manter o bom trabalho”, avaliou.

Hulkenberg celebrou o top 6 de Austin: resultado colocou alemão em sétimo no Mundial

Hulkenberg celebrou o top 6 de Austin: resultado colocou alemão em sétimo no Mundial

Já Sainz também ficou satisfeito com o sétimo lugar, mas reclamou da punição dada pela direção de prova. “Em geral, estou feliz com a maneira como terminamos o fim de semana. Foi um resultado muito bom para a equipe. Chegar em sexto e sétimo aqui nos dá um bom número de pontos. Foi um fantástico esforço em equipe. Quanto a mim, fiz uma ótima largada e já havia ultrapassado três carros na primeira curva. Saí do traçado atrás da Ferrari, mas retornei à pista com segurança, deixando Esteban (Ocon) passar. Depois o ultrapassei de modo limpo por fora na curva 6, portanto ainda não consigo entender a punição. Após aquilo, tudo girou ao redor do gerenciamento de pneus e economia de combustível. Estou feliz com a sétima posição e por ver os grandes esforços de toda a equipe recompensados hoje (domingo)”, finalizou.

Sainz, à frente de Vettel em Austin: a lamentar a punição dada após a largada

Sainz, à frente de Vettel: a lamentar a punição dada após a largada, que lhe custou 5s nos boxes

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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