Rússia-2018: Leclerc leva Sauber ao sétimo lugar em Sochi

Charles Leclerc (Sauber) foi o 'melhor do resto' em Sochi: 7º lugar com sabor de vitória

Charles Leclerc (Sauber) foi o ‘melhor do resto’ em Sochi: 7º lugar com sabor de vitória

Sensação do grid em 2018, ano de sua estreia na Fórmula 1, Charles Leclerc recebeu um presente e tanto no último dia 11 de setembro: o jovem piloto da Sauber foi anunciado pela Ferrari como piloto do time para 2019. Sucessor de Kimi Raikkonen na Rossa, o monegasco será companheiro de Sebastian Vettel na próxima temporada. Trata-se de um grande passo para um talento em construção. Embora já se imagine vestindo as cores vermelhas, Leclerc quer deixar a melhor impressão possível para os ‘tifosi’. Com tremenda audácia e velocidade, Charles conquistou um excelente sétimo lugar no GP da Rússia, disputado no último domingo, em Sochi. O piloto de Mônaco só ficou atrás dos rivais das três principais potências da F1 – Mercedes, Ferrari e Red Bull -, além de ter sido o único que não conduzia pelas três grandes escuderias a se manter na mesma volta do vencedor da prova russa, Lewis Hamilton (Mercedes).

Este não foi o melhor resultado de Leclerc até o momento – ele terminou em sexto no GP do Azerbaijão, em Baku. Naquela oportunidade, as circunstâncias levaram o piloto da Sauber ao top 6. Já em Sochi, sobrou maturidade para Charles. Talvez por esse predicado, a Ferrari tenha feito valer o desejo de Sergio Marchionne, CEO da Scuderia que faleceu no último dia 25 de julho. Sua condução, por si só, revelou que a aposta ferrarista para substituir Raikkonen pode ter sido certeira. Com o sétimo posto obtido na etapa russa, Leclerc passou a somar 21 pontos no Mundial. O monegasco seguiu em 15º entre os Pilotos. Por outro lado, o top 7 de Charles fez com que a Sauber se aproximasse da Toro Rosso na disputa pela oitava posição entre os Construtores – agora, o time suíço subiu para 27, contra 30 da escuderia italiana.

Leclerc é cumprimentado por membros da Ferrari em Sochi: futuro vermelho em 2019

Leclerc é cumprimentado por membros da Ferrari em Sochi: futuro vermelho em 2019

Pela primeira vez, Leclerc corria com um F1 em Sochi. Em razão disso, havia a necessidade de se adaptar ao seletivo circuito russo. Na sexta-feira, o monegasco fez o 13º tempo do dia, com 1m35s432. Uma marca discreta, ainda mais se comparada com a de seu companheiro de Sauber, Marcus Ericsson – o sueco anotou 1m35s295, 0s137 mais veloz do que Leclerc, e ficou com o 10º tempo. Charles ficou a 2s047 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz da sexta com 1m33s385. Após as duas sessões livres, o piloto de 20 anos disse que buscou achar a chamada ‘sintonia fina’ com a pista russa. “Eu pilotei neste circuito pela primeira vez hoje (sexta), e ainda estou trabalhando para encontrar meu ritmo. As condições da pista melhoraram ao longo do dia, e testamos diferentes compostos de pneus. Vamos trabalhar duro para descobrir como podemos melhorar para amanhã (sábado), que será o dia que conta. Aguardo com expectativa a classificação”, observou.

No sábado, a Sauber revelou um potencial que não havia mostrado no dia anterior. Tanto Leclerc quanto Ericsson anotaram tempos razoáveis, capazes de colocá-los em posições intermediárias no grid do GP da Rússia. Porém, no qualifying, veio a surpresa: os carros do time suíço avançaram para o Q3 sem dificuldades. Também pudera: a equipe contou com o fato de Pierre Gasly (Toro Rosso) e as duplas da Red Bull (Max Verstappen e Daniel Ricciardo) e da Renault (Nico Hulkenberg e Carlos Sainz Jr.) não entrarem na pista no Q2. Assim, bastou anotar um tempo para alcançar a fase decisiva da qualificação. No fim, Leclerc arrancou um excelente 7º lugar, com o tempo de 1m33s419. O monegasco ficou a 0s006 de Esteban Ocon (Force India), o sexto, e a 2s032 de Valtteri Bottas (Mercedes), o pole do GP da Rússia de 2018 – a sexta na carreira do finlandês. Por outro lado, Charles colocou 1s777 sobre Ericsson, 10º no Q3.

Após uma sexta discreta, Charles brilhou no Q3 de Sochi: sétimo lugar, a 0s006 do sexto

Após uma sexta-feira discreta, Charles brilhou no Q3 de Sochi: 7º lugar, a 0s006 do 6º colocado

Apesar de perder um lugar na terceira fila por apenas 0s006, Leclerc estava radiante após o quali. A sétima posição no grid era a melhor obtida pelo monegasco na F1, superando a oitava colocação conquistada na grelha do GP da França, em Paul Ricard. “Estou muito feliz com o dia de hoje (sábado). Fizemos um bom avanço desde ontem (sexta-feira), e melhorei bastante a minha pilotagem. É ótimo ver o trabalho duro que fizemos neste fim de semana dar certo. A sétima posição é a minha melhor colocação de largada até agora nesta temporada, então estou ansioso para a corrida de amanhã (domingo)”, observou Charles.

Largada do GP da Rússia, em Sochi: Leclerc tracionou bem e figurou atrás de Mercedes e Ferrari

Largada do GP da Rússia, em Sochi: Leclerc tracionou bem e figurou atrás de Mercedes e Ferrari

A corrida

Domingo, 30 de setembro de 2018. Nuvens escuras pairavam sobre o balneário russo de Sochi. Todavia, não choveria durante o GP da Rússia. Assim, o circuito que recorta o Parque Olímpico dos Jogos de Inverno de 2014 hospedaria uma prova com uma única estratégia traçada: a de um pit stop. Alinhado na sétima posição do grid, Charles Leclerc calçava pneus hipermacios (os mais aderentes e menos duráveis do fim de semana). Dessa maneira, seu primeiro stint seria curto. Entretanto, antes de se preocupar com a tática para a corrida, o monegasco precisava estar atento à sequência de curvas após a largada da etapa russa. Escapar ileso era preciso. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o piloto da Sauber tracionou bem e pulou à frente de Esteban Ocon (Force India) e Kevin Magnussen (Haas), ficando atrás somente das duplas de Mercedes – Valtteri Bottas e Lewis Hamilton – e de Ferrari – Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen. Porém, na freada da curva 2, foi superado por Magnussen, completando a volta 1 em sexto.

Logo na volta 2, o monegasco partiu com atitude para cima do dinamarquês da Haas. Charles não se intimidou com Kevin, contornou a curva 4 pelo lado de fora e aplicou uma bela manobra sobre o rival. Foi um dos grandes momentos da corrida. Assim, o piloto da Sauber assumia a quinta posição em Sochi. Porém, Leclerc já estava 4s distante de Raikkonen, o quarto colocado. E essa diferença só iria aumentar. Na volta 5, Kimi já tinha 8s sobre Charles. Por outro lado, o monegasco abria 2s em relação a Magnussen. Entretanto, o dinamarquês estava mais preocupado com a aproximação de Max Verstappen (Red Bull). O holandês, que largou em 19º, já estava em sétimo e pressionava Kevin. Na volta 6, Verstappen superou Magnussen e assumiu a sexta posição. Segurar Max era impossível. Logo na volta 8, o piloto da Red Bull colou em Leclerc e, na freada da curva 2, ultrapassou sem dificuldades o novato da Sauber.

Leclerc foi superado por Max Verstappen (Red Bull) na volta 8: monegasco foi presa fácil

Leclerc foi superado por Max Verstappen (Red Bull) na volta 8: monegasco foi presa fácil

Em sexto, Charles sentia o desgaste dos compostos hipermacios. Em razão disso, o time suíço convocou o monegasco para a única parada nos boxes na volta 11. No pit, os mecânicos da Sauber sacaram os pneus usados e os substituíram por um jogo de macios (os mais duráveis do fim de semana). Dessa maneira, Leclerc poderia terminar o GP da Rússia sem dificuldades. No retorno à pista, o piloto de 20 anos estava em 11º lugar. Na 12, com o pit stop de Marcus Ericsson (Sauber), Charles retornou à zona de pontuação. Na passagem seguinte, com a parada de Sergio Pérez (Force India), o monegasco ascendeu para a nona posição. Na volta 14, o piloto da Sauber ultrapassou Carlos Sainz Jr. (Renault), assumindo a oitava colocação. A partir daquele momento, Leclerc se isolou na pista. Contudo, ele precisava manter o ritmo, a fim de evitar qualquer aproximação de Magnussen.

Na volta 20, Charles estava a 9s8 de Nico Hulkenberg (Renault), que ainda não havia feito seu pit stop. Por outro lado, tinha 10s sobre Kevin. Doze voltas depois, o monegasco da Sauber reduziu a diferença entre ele e o alemão da Renault para 7s. Em contrapartida, colocava 11s sobre o dinamarquês da Haas. Na volta 36, enfim, Hulkenberg realizou sua parada. Assim, Leclerc era o sétimo. À sua frente, estava Daniel Ricciardo (Red Bull). O australiano, assim como Verstapppen, saiu no fim do grid. Na volta 40, Ricciardo fez seu pit stop, retornando à pista ainda em sexto. Desta forma, Charles era sétimo lugar de fato e de direito. Bastou administrar as condições dos pneus e a vantagem sobre Magnussen para concluir o GP da Rússia com mais seis pontos no bolso.

Após a parada de Hulkenberg, Leclerc assumiu o 7º lugar para não mais perdê-lo

Após a parada de Hulkenberg, Leclerc assumiu o 7º lugar para não mais perdê-lo

A vitória na etapa russa foi de Hamilton. Foi o 70º triunfo da carreira do britânico da Mercedes, que aumentou para 50 pontos sua vantagem sobre Vettel na liderança do Mundial – 306 contra 256 do alemão da Ferrari, que foi o terceiro em Sochi. Todavia, Lewis foi beneficiado por uma ordem da Mercedes. Bottas, líder do GP da Rússia, cedeu a vitória para o tetracampeão em movimento bastante criticado – o finlandês ‘estacionou’ o carro para dar passagem para o inglês. Assim, Valtteri ficou em segundo. No pódio, tanto Hamilton quanto Bottas demonstravam estar constrangidos com a situação.

Por outro lado, Leclerc não escondia a felicidade nos boxes da Sauber. “Estou muito feliz com o resultado hoje (domingo). Foi uma grande corrida, com uma estratégia forte, e um carro que parecia muito bom de pilotar. As ultrapassagens no início da corrida estavam no limite, mas nos ajudaram a terminar a corrida na sétima posição. Marcar esse resultado pela primeira vez nesta temporada é incrível, e é uma boa recompensa para todo o trabalho duro que fazemos semana após semana. Estou feliz por ter marcado mais alguns pontos e não posso esperar pela próxima corrida no Japão”, avaliou.

Com o sétimo lugar, Leclerc passou a somar 21 pontos em 2018: desempenho positivo do monegasco

Com o sétimo lugar, Leclerc passou a somar 21 pontos em 2018: desempenho positivo do monegasco

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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