Cingapura-2018: Alonso alcança sétimo lugar em Marina Bay

Após anunciar retirada da F1, Fernando Alonso (McLaren) brilhou em Marina Bay com 7º lugar

Após anunciar retirada da F1, Fernando Alonso (McLaren) brilhou em Marina Bay com 7º lugar

No último dia 14 de agosto, Fernando Alonso anunciou que deixaria a Fórmula 1 ao fim da temporada de 2018. Insatisfeito com os resultados da McLaren, o espanhol tomou a decisão de partir para novos desafios no automobilismo. O bicampeão não conseguiu transformar paixão e velocidade em bons resultados com a equipe de Woking. Após quatro temporadas de dissabores no time britânico, Alonso chegou à conclusão de que a categoria máxima do esporte a motor era perda de tempo. Embora o foco esteja no futuro, o asturiano quer deixar a sua melhor impressão na pista. E foi o que a F1 viu no último domingo, 16 de setembro: com velocidade e competência, Fernando levou o problemático MCL33 ao sétimo lugar no GP de Cingapura, em Marina Bay, cruzando a linha de chegada atrás somente dos pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull – as principais potências da categoria neste ano.

Foi o melhor resultado de Alonso desde o GP do Azerbaijão, em Baku – quando também foi sétimo. O top 7 em Marina Bay fez com que Fernando subisse do 11º para o oitavo lugar no Mundial de Pilotos. Com os seis pontos obtidos no último domingo, o espanhol passou a somar 50 pontos em 2018. Além dos pilotos das três equipes grandes, o bicampeão só é superado por Nico Hulkenberg (Renault) – atualmente, com 53 pontos. Aliás, o asturiano tem mirado a conquista da sétima posição no campeonato – tem sido a motivação que o move nas suas últimas apresentações na Fórmula 1. Com o sétimo lugar de Alonso, a McLaren seguiu na sexta posição entre os Construtores. A equipe britânica somou 58 pontos, 26 à frente da Force India – sua principal perseguidora tem 32 pontos.

Dono de duas vitórias do GP de Cingapura (2008 e 2010), o bicampeão tinha como objetivo pontuar na etapa de 2018

Dono de duas vitórias em Cingapura (2008 e 2010), Alonso tinha como objetivo pontuar em 2018

Vencedor em Marina Bay em duas ocasiões – 2008, com Renault, e 2010, com Ferrari -, Alonso tinha aspirações mais modestas em 2018. Pontuar bem era a meta do piloto da McLaren em Cingapura. Nos treinos de sexta, o objetivo se tornou mais claro. O espanhol foi o nono mais veloz do dia, com o tempo de 1m40s459. A marca do bicampeão ficou a 1s760 da de Kimi Raikkonen (Ferrari), o mais veloz dos dois treinos livres com 1m38s699. Por outro lado, foi 0s705 mais rápido do que seu companheiro de McLaren, Stoffel Vandoorne – com 1m41s164, o belga foi o 16º do dia.

“Foi uma sexta-feira positiva. É sempre incrível correr nessas ruas a essas velocidades. Nós tentamos algumas coisas interessantes, também comparando diferentes configurações nos dois carros. Reunimos boas informações sobre os pneus e sobre as mudanças de configuração que estávamos administrando nas duas sessões de treinos livres. Eu consegui uma boa quantidade de voltas, o que em um circuito de rua é muito importante, pois quanto mais você corre, mais confiante você está. Será uma grande batalha para chegarmos ao Q3 amanhã (sábado), mas a posição de classificação é muito importante aqui, por isso estamos dando prioridade ao nosso desempenho nos sábados. A evolução da pista que conhecemos é enorme em Cingapura, então você também tenta seguir as condições da pista, e acho que estamos preparados para a qualificação”, afirmou Alonso.

Após uma boa sexta-feira, Fernando não conseguiu levar a McLaren ao Q3 no sábado

Após uma boa sexta-feira, Fernando não conseguiu levar a McLaren ao Q3 no sábado

O objetivo traçado pelo bicampeão na sexta não foi alcançado no sábado. O MCL33 da McLaren não parecia adaptado ao circuito de Marina Bay. O desempenho de Vandoorne, por si só, já demonstrou isso: o belga anotou 1m39s864, ficando em 18º no Q1. Já Fernando avançou para a segunda fase, mas acabou parando por aí – ele caiu no Q2, com o tempo de 1m38s641, ficando na 11ª colocação. O espanhol superou em 1s223 a marca obtida por Stoffel. Por outro lado, o asturiano ficou a 2s626 da pole de Lewis Hamilton (Mercedes) – o britânico anotou um incrível 1m36s015 para conquistar sua 79ª pole na carreira. Embora não tenha avançado para o Q3, Alonso ficou satisfeito com o resultado final da qualificação.

“Temos sido competitivos durante todo o final de semana e esse resultado de classificação é bom. Sabíamos que estaríamos próximos do Q3, mas começar a corrida de nono ou décimo com os pneus hipermacios pode ser uma grande desvantagem amanhã (domingo), já que esses pneus tiveram muita degradação ontem (sexta) nas corridas longas. Então eu prefiro ficar em 11º com uma livre escolha de pneus, e espero que possamos nos beneficiar disso. Só valeria a pena estar no Q3 se fôssemos quinto ou sexto. Em 10 anos de corridas aqui, houve 100% de presença do safety car, e precisamos estar preparados para isso caso haja uma oportunidade ou uma janela para parar e trocar pneus. É uma corrida longa e desafiadora amanhã (domingo) e precisamos manter o foco e lutar por pontos, mas antes de tudo precisamos ver a bandeira quadriculada. Em termos de confiabilidade, não estamos muito fortes recentemente e precisamos mudar isso”, analisou o bicampeão.

Largada do GP de Cingapura de 2018: Alonso se livrou do incidente entre Pérez e Ocon e subiu para 9º

Largada do GP de Cingapura: Alonso se livrou do incidente entre Pérez e Ocon e subiu para 9º

A corrida

Domingo, 16 de setembro de 2018. Dez anos depois da primeira etapa noturna da história da Fórmula 1, o GP de Cingapura continuava a impressionar com seu show de luzes e imagens impressionantes. Vencedor da prova inaugural de Marina Bay, em 2008, Fernando Alonso estava convencido de que alcançar os pontos era possível com o MCL33. A bordo de sua alaranjada McLaren, o asturiano calçava pneus ultramacios – de média aderência, entre os compostos disponibilizados pela Pirelli. Essa estratégia garantiria o espanhol por mais tempo na pista, o que possibilitaria que ganhasse posições. Quando a largada foi dada, a preocupação do bicampeão era a de escapar ileso de qualquer incidente nas primeiras curvas. Dito e feito: logo na curva 3, uma briga fratricida na Force India provocaria a entrada do safety car. Sergio Pérez e Esteban Ocon se tocaram bem à frente do veterano da McLaren. O francês levou a pior, acabando no muro.

Alonso se aproveitou do incidente entre os pilotos da Force India para superar Nico Hulkenberg (Renault). Como herdou a posição de Ocon, Fernando completou a volta 1 em nono. Com o carro de segurança na pista, Marina Bay fazia jus à tradição: em todo GP de Cingapura, há a presença do safety car. A relargada foi dada na volta 4, e Alonso se manteve em nono. À frente dele, estava Romain Grosjean (Haas); atrás, Carlos Sainz Jr. (Renault). O bicampeão não conseguia acompanhar o ritmo do francês. Por outro lado, não era incomodado pelo compatriota. Na volta 10, Fernando estava a 2s2 de Romain e tinha 2s6 sobre Carlos. Entretanto, diferentemente de quem ia à frente, o stint do asturiano seria mais longo. Dessa forma, seu ritmo era muito bom. Na volta 16, com a parada de Grosjean nos boxes, Alonso ascendeu para a oitava posição. Duas voltas depois, foi a vez de Pérez fazer seu pit stop, o que colocou o bicampeão em sétimo.

Alonso, à frente de Sainz e Hulkenberg: asturiano derrotou a Renault e foi o 'melhor do resto'

Alonso, à frente de Sainz e Hulkenberg: asturiano derrotou a Renault e foi o ‘melhor do resto’

Na volta 19, Fernando estava a 11s6 de Valtteri Bottas (Mercedes), o sexto – e que já havia feito seu primeiro pit stop. Brigar com o finlandês era algo impossível. A partir daí, a missão passou a ser administrar a vantagem para Sainz, uma vez que o madrileno da Renault tinha a mesma estratégia da McLaren. Naquele instante, o bicampeão mantinha-se com 2s6 à frente do compatriota. Com o passar das voltas, Alonso colocou mais vantagem sobre Sainz – sinal de que o veterano gerenciava melhor os compostos ultramacios. Na volta 29, Fernando abria 4s1 sobre Carlos. O piloto da Renault não tinha alternativas. Sem rendimento, a solução era parar nos boxes. E foi o que fez na volta 37. A fim de impedir qualquer possibilidade de avanço do adversário, Alonso foi para os boxes na passagem seguinte. Na troca, sacou os pneus ultramacios e colocou os compostos macios (os mais resistentes do fim de semana). Na saída, seguiu em sétimo.

A partir dali, o asturiano da McLaren passou a abrir boa vantagem sobre o madrileno da Renault. Tanto que, na volta 41, Fernando tinha 8 segundos sobre Carlos. Onze voltas depois (volta 52), a diferença aumentou para 14 segundos. Alonso, assim, consolidava seu sétimo lugar em Marina Bay, terminando com 27 segundos de frente sobre Sainz. O espanhol de 37 anos foi o único piloto que não guiava para uma das três potências da temporada a cruzar a linha de chegada na mesma volta do vencedor. Aliás, a vitória no GP de Cingapura ficou com um absoluto Lewis Hamilton (Mercedes). Foi o 69º triunfo do britânico na F1, que o fez abrir 40 pontos de vantagem sobre Sebastian Vettel (Ferrari) na luta pelo penta – Lewis tem 281 pontos, contra 241 de Seb, que terminou em terceiro em Marina Bay. Max Verstappen (Red Bull) ficou na segunda posição.

Tática de uma única parada da McLaren consolidou Alonso nos pontos em Cingapura

Tática de uma única parada da McLaren consolidou Alonso nos pontos em Cingapura

Alonso deixou o GP de Cingapura satisfeito por ser o ‘melhor do resto’. “Estou muito feliz com a sétima posição. Normalmente algo acontece à nossa frente, mas hoje todos os seis carros à frente terminaram a corrida, então P7, atrás dos seis primeiros carros, é uma pequena vitória para nós. Executamos a corrida com perfeição com uma boa estratégia, maximizamos a vantagem do pneu começando com o pneu roxo (ultramacio) e depois mudando para o amarelo (macio) e, no final, marcamos bons pontos para a equipe. Em algum momento da corrida também fomos o carro mais rápido e, em um circuito tão exigente, isso me deixa ainda mais feliz. Sabíamos que aqui em Marina Bay as características desta pista se adequariam ao nosso pacote. Que continuemos a marcar pontos aos domingos e ajudar a equipe no Mundial de Construtores”, finalizou.

Com o sétimo lugar, Alonso pulou para oitavo no Mundial de Pilotos, com 50 pontos

Com o sétimo lugar em Marina Bay, Alonso pulou para oitavo no Mundial de Pilotos, com 50 pontos

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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