Itália-2018: Ocon repete top 6 e clama por chance para 2019

Esteban Ocon terminou o GP da Itália em 7º, mas desclassificação de Romain Grosjean (Haas) colocou o francês em 6º

Ocon terminou em 7º em Monza, mas desclassificação de Romain Grosjean (Haas) o colocou em 6º

A Force India exalava otimismo em Monza, palco do GP da Itália de 2018. Confiante no potencial de seu carro nas velozes retas e curvas do tradicional circuito, a equipe queria repetir os bons pontos conquistados no último GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Para Esteban Ocon, porém, havia um misto de sentimentos. Embora tivesse boas lembranças de Monza – em 2017, conquistou um ótimo sexto lugar -, as incertezas sobre o futuro pairavam na mente do francês. Sem vaga assegurada para 2019, Ocon só tinha uma coisa a fazer na prova italiana: acelerar. E foi o que fez. Após alinhar em um bom oitavo lugar no grid, Esteban mostrou consistência e faturou mais um top 6 para a sua coleção graças à desclassificação de Romain Grosjean (Haas). O resultado não garantiu um cockpit para o francês na próxima temporada, mas vem revelando todo o potencial deste jovem piloto, de apenas 21 anos.

Com a conquista da sexta posição na Itália, Ocon subiu para a 10ª posição do Mundial de Pilotos, com 45 pontos. Esteban ficou a um ponto de Sergio Pérez, seu companheiro na Force India – com o sétimo lugar em Monza, o mexicano foi para 46 pontos. Com os resultados de seus pilotos, a escuderia adquirida por Lawrence Stroll passou a ocupar a sétima posição do Mundial de Construtores, com 32 pontos em duas corridas (vale ressaltar que os 59 pontos conquistados até o GP da Hungria foram retirados da equipe). Somente com os desempenhos de Spa e Monza, a Force India já superou o que Williams, Sauber e Toro Rosso marcaram em todo o ano. Outro detalhe: se computados todos os resultados de 2018, o time rosa figuraria na quarta posição dos Construtores – atrás somente de Mercedes, Ferrari e Red Bull.

Resultado de Monza colocou Esteban no top 10 do Mundial de Pilotos, com 45 pontos

Resultado de Monza colocou Esteban no top 10 do Mundial de Pilotos, com 45 pontos

Em todos os treinos do fim de semana em Monza, o francês da Force India esteve entre os 10 mais velozes. Na sexta-feira, dia das primeiras sessões livres para o GP da Itália, Ocon alcançou o sétimo tempo. Esteban anotou 1m22s930 – apenas 0s012 mais rápido do que Pérez, oitavo com 1m22s942. A marca do gaulês ficou a 1s825 da obtida por Sebastian Vettel (Ferrari), o melhor do dia com 1m21s105. “Este foi um dia bastante sólido, com boa preparação para o fim de semana. Sétimo e oitavo na segunda sessão mostram que temos forte ritmo no seco, e me sinto otimista para amanhã (sábado). O carro foi rápido durante todo o dia, mas há algumas áreas em que podemos melhorar e acho que há mais por vir. A segunda sessão foi mais curta do que o habitual por causa da bandeira vermelha (provocado por um assustador acidente com Marcus Ericsson, da Sauber), mas é o mesmo para todos e eu acho que estamos tão bem preparados quanto qualquer um”, avaliou Ocon.

No sábado, Esteban fez valer a força de seu VJM11 em Monza. No qualifying, o francês passou sem problemas pelo Q1 e pelo Q2 – diferentemente de Pérez, que, de forma surpreendente, caiu na primeira parte dos treinos (o mexicano anotou 1m21s888, ficando apenas com o 16º tempo). Na sessão decisiva, Ocon alcançou o oitavo lugar, com 1m21s099. A marca do piloto de 21 anos foi 0s789 mais veloz que a de Checo. Além disso, ficou a 1s980 de Kimi Raikkonen (Ferrari), o pole do GP da Itália com 1m19s119 – foi a 18ª pole da carreira do finlandês na F1. Apesar do top 8, Esteban ficou decepcionado com a sua volta final. “Foi uma sessão acirrada e eu esperava um pouco mais do que o oitavo lugar, acho que o sexto era possível hoje (sábado). Infelizmente, não maximizei o vácuo no momento certo em minha última tentativa e isso me custou alguma velocidade. Espero que possamos recuperar essas posições amanhã (domingo), porque nosso carro tem um ritmo forte e deverá haver oportunidades de ultrapassagem”.

Largada do GP da Itália: após Vettel cair para o fim do pelotão, Ocon subiu para 7º

Largada do GP da Itália: após Vettel cair para o fim do pelotão, Ocon subiu para 7º

A corrida

Arquibancadas superlotadas. Céu azul de brigadeiro. Monza pulsava como de praxe no domingo, 2 de setembro de 2018, para a disputa do GP da Itália. Calçando pneus supermacios, Esteban Ocon esperava cumprir um forte stint inicial para, no pit stop, ganhar posições e ascender na corrida. Alinhado em oitavo, o francês da Force India queria fazer boa largada com o intuito de superar Carlos Sainz Jr. (Renault) e Romain Grosjean (Haas). Entretanto, ao fim da estreita reta principal de Monza, nada disso foi possível. Porém, na curva 4, Esteban viu Sebastian Vettel (Ferrari) atravessado na pista – o alemão tocou em Lewis Hamilton (Mercedes) e levou a pior, caindo para o fim do pelotão. Com o problema de Vettel, o francês assumiu a sétima posição ainda na volta 1. Porém, um acidente que envolveu Brendon Hartley (Toro Rosso) nos primeiros metros da corrida fez com que o safety car fosse acionado para retirar os destroços deixados pelo neozelandês.

A relargada só aconteceria na volta 4. Ocon testemunhou a tentativa de Sainz sobre Grosjean, enquanto se segurava à frente de Lance Stroll (Williams). Aos poucos, Esteban se consolidou à frente do canadense. Por outro lado, passou a se aproximar do espanhol da Renault. Na volta 10, o francês estava a 0s8 do madrileno. A questão era saber em que momento utilizar o DRS para superar o adversário. Na volta 14, Ocon conseguiu superar Sainz e assumir a sexta posição. A partir dali, o foco do piloto da Force India passou a ser alcançar Grosjean. Na volta 19, a diferença entre os franceses era de apenas 1s5. Quando a ultrapassagem parecia ser inevitável, a Haas chamou Romain para os boxes. Com a parada do compatriota na volta 23, Esteban assumiu a quinta colocação.

Esteban, à frente de Vettel: alemão superou o francês na volta 24

Esteban, à frente de Vettel: francês não resistiu ao alemão, sendo ultrapassado na volta 24

A presença de Ocon no top 5 durou pouco tempo. Logo na volta 24, o francês viu Vettel em seus retrovisores. Em plena corrida de recuperação, o alemão não tinha tempo a perder. Sebastian chegou em Esteban e logo ultrapassou o piloto da Force India. Assim, Ocon ficou em sexto. Aos poucos, o rendimento dos pneus supermacios do francês começava a cair. Mesmo assim, o time manteve o jovem piloto na pista. Dessa forma, Esteban ascendeu na classificação. Com a parada de Max Verstappen (Red Bull) na volta 27, Ocon retornou à quinta posição. Contudo, o holandês saiu próximo do francês. Na volta 29, Verstappen ultrapassou Esteban. Na mesma passagem, Vettel foi aos boxes, o que manteve o piloto da Force India em quinto.

Naquele momento, seu perseguidor mais próximo era Sergio Pérez (Force India), que, assim como Esteban, estendia sua presença na pista. Com uma diferença de 5 segundos, Ocon seguia na quinta posição. Mas os pneus estavam em frangalhos. Na volta 38, a Force India chamou o francês para os boxes. Na parada, sacou os compostos supermacios e colocou os macios (mais resistentes). Ao retornar à pista, Ocon se viu em nono, atrás de Grosjean. Na volta 40, Pérez e Sainz fizeram suas paradas, o que recolocou Esteban na sétima colocação. A partir daquele instante, o piloto da Force India estava a 2s5 do compatriota da Haas. Por outro lado, tinha 4s de vantagem sobre o seu companheiro de equipe.

Ocon só superou Grosjean após a bandeira quadriculada: desclassificação colocou Esteban no top 6

Ocon, à frente do retardatário Magnussen: piloto da Force India mostrou boa forma em Monza

Entre Grosjean, Ocon e Pérez, seria decidido quem era o “melhor do resto” de Monza, uma vez que os pilotos da Mercedes, Ferrari e Verstappen ocupavam os cinco primeiros lugares na prova. Esteban reduziu a diferença para Romain. Na volta 49, ele estava a 1 segundo do adversário. Em contrapartida, tinha Checo em seus calcanhares. Embora tenha se esforçado para tomar a sexta posição de Grosjean, Ocon teve que se conformar com a sétima posição do GP da Itália. Contudo, horas depois do fim da etapa, Romain foi desclassificado após uma apelação da Renault, que notou irregularidades no assoalho da Haas do francês. Com isso, Esteban acabou herdando a sexta posição em Monza.

A vitória na etapa italiana ficou com Hamilton (a 68ª da carreira do britânico). Com o triunfo, Lewis colocou 30 pontos de vantagem sobre Vettel na liderança do Mundial – 256 pontos, contra 226 de Seb, quarto em Monza. Kimi Raikkonen (Ferrari) terminou em segundo (o 100º pódio da carreira do campeão de 2007), e Valtteri Bottas (Mercedes) completou o top 3 – Verstappen cruzou a linha de chegada em terceiro, mas foi punido com o acrescimento de 5 segundos por um incidente contra o finlandês. Assim, Max ficou na quinta posição.

Ocon ficou satisfeito com o desempenho da Force India em Monza

Ocon ficou satisfeito com o desempenho da Force India em Monza: atrás somente dos times grandes

Sexto em Monza, Ocon estava satisfeito com o desempenho da Force India. “Estou feliz com o resultado de hoje (domingo). Minha largada foi ótima, mas fui espremido na grama antes da curva 1 e precisei tirar o pé, o que me custou alguns segundos. A partir daí, tivemos um bom ritmo e conseguimos passar Sainz. Cuidei bem dos meus pneus e eles duraram bastante. Tive uma oportunidade realista de atacar Grosjean perto do fim da prova, mas não funcionou. Estou satisfeito por termos encerrado a temporada europeia com um resultado forte. Vamos para as últimas corridas em boa forma e estamos em um bom momento”, revelou Esteban, ainda sem destino certo para a temporada de 2019.

Em apenas duas corridas, a Force India superou Williams, Sauber e Toro Rosso entre os Construtores

Em apenas duas corridas, a Force India superou Williams, Sauber e Toro Rosso entre os Construtores

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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