Hungria-2018: um consistente sexto lugar para Pierre Gasly

Pierre Gasly teve impecável performance em Hungaroring: sexto lugar incontestável

Com Toro Rosso-Honda, Gasly teve impecável performance em Hungaroring: top 6 incontestável

Hungaroring sempre foi um palco especial para Pierre Gasly. Num espaço de quatro anos, o circuito húngaro viu o francês no pódio em cinco oportunidades. Na Fórmula Renault 2.0, em 2013, Gasly venceu uma bateria por lá; na Fórmula Renault 3.5, em 2014, foi segundo em uma bateria e terceiro em outra; e na Fórmula 2, conquistou o segundo lugar na prova longa de 2015 e venceu prova longa de 2016. Por conta disso, o francês tinha boa expectativa para o GP da Hungria de 2018. Se alcançar um novo top 3 era algo improvável, colocar a Toro Rosso na zona de pontuação parecia um objetivo mais palpável. Pierre levava em consideração o bom desempenho do STR13 em traçados sinuosos – ele obteve o quarto lugar no GP do Bahrein, em Sakhir, e o sétimo posto no GP de Mônaco. Na pista, o gaulês não só fez jus ao conjunto da escuderia italiana, como também demonstrou consistência tanto no treino quanto na corrida. No fim, foi premiado com um excelente sexto lugar, ficando atrás apenas dos pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull na prova húngara.

Os oito pontos de Gasly em Hungaroring fizeram com que ele reassumisse a 13ª posição do Mundial de Pilotos, com 26 pontos. Além disso, ajudaram a Toro Rosso a se manter em oitavo no Mundial de Construtores – agora, com 28 pontos. O saldo do GP da Hungria foi positivo para o francês e para o time, que entraram em férias com a sensação do dever cumprido. Entretanto, se o resultado veio, foi porque houve muito trabalho da equipe de Faenza. Todos, sem exceção, se dedicaram em busca de um bom resultado no circuito de Budapeste. Assim que carros e pilotos ingressaram na pista, na Pierre se sentiu à vontade com seu bólido. No fim da sexta-feira, Gasly ficou com o nono melhor tempo, com 1m18s518. O gaulês ficou 0s398 à frente de Brendon Hartley – seu companheiro na Toro Rosso anotou 1m18s916, o que lhe rendeu o 15º lugar – e a 1s684 de Sebastian Vettel (Ferrari), o mais rápido da sexta com 1m16s834.

Gasly sempre gostou da pista de Hungaroring: familiaridade com a pista ajudou na sexta

Gasly sempre gostou de Hungaroring: familiaridade com a pista ajudou na sexta, quando foi o 10º

Ficar entre os 10 primeiros no treino livre demonstrou o potencial do STR13 na pista húngara. “Hoje (sexta-feira) foi um dia muito bom, estou muito feliz por estar em Budapeste, pois é uma das minhas pistas favoritas. Tivemos duas sessões positivas e completamos muitos testes. A sensação com o carro foi boa nos treinos e temos certamente uma boa linha de base para o resto do fim de semana, então precisamos continuar construindo sobre isso. Só precisamos ficar focados e esperamos manter o bom desempenho para amanhã (sábado), analisou Pierre.

O que Gasly, a Toro Rosso e a Fórmula 1 não esperavam era que uma chuva torrencial cairia no sábado e embaralharia as cartas em Hungaroring. Em pleno qualifying, veio a precipitação dos céus. Dessa forma, a sessão virou uma verdadeira loteria. Nestas condições, a Toro Rosso foi premiada com o avanço para o Q3 de seus dois carros. No fim, Gasly anotou o sexto tempo, com 1m37s591. A marca de Pierre foi excelente, uma vez que ele ficou à frente de Max Verstappen (Red Bull). Já Hartley foi o oitavo, com 1m38s128 – a 0s537 do francês. Gasly ficou a 1s933 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP da Hungria de 2018 com 1m35s658. Foi a 77ª pole position da carreira do britânico, recordista absoluto da F1 neste quesito.

No molhado, Pierre deu show: sexto lugar no grid foi bastante celebrado pelo francês

No molhado qualifying, Pierre deu show: sexto lugar no grid foi bastante celebrado pelo francês

Pierre estava em êxtase com o sexto lugar no grid da etapa húngara. “Foi uma classificação louca para nós, principalmente nestas condições, mas estou super feliz com o resultado! Foi muito complicado manter o carro na pista, mas a equipe teve uma estratégia fantástica com os pneus e consegui fazer uma boa volta. Foi super difícil, mas eu realmente me diverti! Quando vi a chuva chegando antes da classificação, pensei que poderia ser uma oportunidade, e o sexto lugar é incrível, principalmente depois dos finais de semana duros que tivemos, é um resultado inacreditável para a equipe. Colocar ambos os carros na Q3 foi um ótimo trabalho e é um mega dia para a Toro Rosso. Uma boa classificação é importante aqui porque é difícil ultrapassar, e daremos trabalho aos outros ao nosso redor na corrida! Creio que temos um bom ritmo, então precisamos manter o foco e nos preparar bem para amanhã (domingo)”.

Largada do GP da Hungria de 2018: Gasly foi ultrapassado por Verstappen, mas francês superou Sainz e ficou em 6º

Largada do GP da Hungria: Gasly foi superado por Verstappen; depois, passou Sainz e seguiu em 6º

A corrida

Domingo, 29 de julho de 2018. Diferentemente do sábado, quando a pista molhada deu o tom no qualifying, Hungaroring estava ensolarada para a disputa do GP da Hungria de 2018. Dessa forma, uma boa largada e um ótimo gerenciamento dos pneus seriam cruciais para alcançar um bom resultado na etapa. Saindo em sexto, Pierre Gasly calçava pneus ultramacios (os mais aderentes e menos resistentes disponibilizados pela Pirelli no fim de semana). Quando as luzes vermelhas se apagaram, o piloto da Toro Rosso saltou mal, sendo ultrapassado por Max Verstappen (Red Bull). O holandês, porém, acabou ajudando o francês. Ainda na curva 1, Verstappen partiu para cima de Carlos Sainz Jr. (Renault). O espanhol foi “barrado” pelo piloto da Red Bull e ficou do lado de fora. Assim, além de perder a quinta posição para Max, Carlos viu Pierre com caminho livre para assumir a sexta posição.

Naquele instante, Gasly não tinha condição de perseguir os cinco primeiros. Lewis Hamilton (Mercedes), Valtteri Bottas (Mercedes), Sebastian Vettel (Ferrari), Kimi Raikkonen (Ferrari) e Verstappen contavam com equipamentos superiores. Por isso, a preocupação do piloto da Toro Rosso passou a ser cuidar das investidas de Kevin Magnussen (Haas), que havia ascendido para a sétima posição. Com o STR13 calçado com ultramacios e impulsionado com um confiável motor Honda, o francês consolidou vantagem sobre o dinamarquês. O que Pierre não esperava era que, na volta 6, Verstappen abandonaria com uma súbita perda de potência do propulsor Renault de seu Red Bull. Sem Max, Gasly subiu para quinto. Ao mesmo tempo, a direção de prova acionou o safety car virtual (VSC) para retirar o carro do holandês.

Foco de Gasly era derrotar Magnussen: com velocidade e regularidade, francês não foi incomodado pelo dinamarquês

Foco de Gasly era derrotar Magnussen: com velocidade, francês não foi incomodado pelo rival

Na volta 8, a pista voltou a estar sob bandeira verde. Em quinto, Gasly estava muito distante de Raikkonen, o quarto. Porém, mantinha boa vantagem sobre Magnussen. Na volta 10, Pierre estava a 8s5 de Kimi, e tinha 6s7 de frente sobre Kevin. O francês permaneceu ali até a volta 15, quando o finlandês da Ferrari parou pela primeira vez nos boxes. Com a parada de Raikkonen, o piloto da Toro Rosso assumiu o quarto lugar. Na passagem seguinte, foi a vez de Bottas ir para o pit. Dessa forma, Gasly ascendeu para o terceiro lugar, atrás somente de Hamilton e Vettel. Porém, era uma posição virtual. Com pneus novos, Bottas e Raikkonen logo se aproximaram do gaulês. Na volta 18, Valtteri partiu para cima de Pierre, que não se preocupou em barrar a passagem do piloto da Mercedes. Assim, caiu para quarto. O mesmo aconteceu na volta 22: Kimi se aproximou e ultrapassou o piloto da Toro Rosso, que passou a ocupar a quinta posição.

A preocupação de Gasly não estava em segurar Bottas e Raikkonen, mas sim em sustentar sua estratégia para a corrida. Ao estender o período na pista com pneus ultramacios, o francês consolidava sua posição na zona de pontos. Sua meta era se manter à frente de Magnussen, o primeiro de um carro não pertencente à trinca Mercedes-Ferrari-Red Bull. Tanto que, depois de ser superado por Raikkonen, Pierre entrou na alça de mira de Daniel Ricciardo (Red Bull). Foi questão de tempo. Na volta 27, o australiano ultrapassou o gaulês na freada da curva 1. Dessa forma, Gasly caía para a sexta colocação. Mas não havia preocupação nos boxes da Toro Rosso, uma vez que o ritmo era estupendo se comparado ao de Magnussen. Na volta 30, a vantagem do francês sobre o dinamarquês estava na casa de 9s6. Na passagem seguinte, Kevin foi ao pit. Com isso, passava a ter tempo suficiente para parar nos boxes e voltar com tranquilidade à frente do rival.

Pierre, à frente de Valtteri Bottas: disputa contra Mercedes e Ferrari era impossível; foco era derrotar Magnussen

Pierre, à frente de Bottas: disputa contra Mercedes e Ferrari era impossível no traçado húngaro

 

Na volta 32, Pierre realizou seu pit stop. Na troca, a Toro Rosso sacou os pneus ultramacios e colocou os compostos macios. No retorno à pista, seguia bem à frente de Magnussen, preservando a sexta posição. A partir dali, Gasly começava uma outra missão: o de administrar o desgaste dos pneus macios. E fez isso com maestria. Na volta 42, sua vantagem sobre Magnussen estava em 10s6. O francês não era ameaçado. O ritmo era excelente. Aos poucos, porém, Pierre passou a ceder terreno para Kevin. Na volta 52, a diferença caiu para 8s. Na 60, para 7s. Nada preocupante para a Toro Rosso – era apenas o novato conservando o jogo de pneus, para que em caso de ameaça, tivesse condições de combater o dinamarquês. Mas nem foi o caso: Gasly completou o GP da Hungria em sexto. Detalhe: o francês não tomou volta, o que demonstrou a excelência de sua condução.

A vitória de Hungaroring ficou com Hamilton, seguido por Vettel e Raikkonen. Ricciardo terminou em quarto, e Bottas, em quinto. À Pierre, o sexto lugar teve sabor de triunfo. O piloto da Toro Rosso não foi ao pódio do circuito húngaro como nas vezes anteriores, mas, além de andar em terceiro por duas voltas, teve uma apresentação segura e plena. “Foi um dia incrível para nós! Ontem (sábado) já foi fantástico para a equipe, mas terminar em sexto foi ainda melhor! O carro estava espetacular, e a estratégia foi perfeita. Só tive de dar tudo o que podia, o que não foi fácil nestas condições, mas acabamos conseguindo. Após as últimas corridas, que foram bem difíceis para nós, é um excelente resultado para a equipe. Quando você está lutando no pelotão intermediário, sabe que haverá oportunidades em algumas provas e precisa aproveitá-las quando elas surgem. Fizemos isso no Bahrein, em Mônaco e novamente neste fim de semana, portanto é uma ótima maneira de encerrar a primeira metade da temporada”.

Com abandono de Verstappen, Gasly ascendeu para a quinta posição

Abandono de Verstappen no início da prova rendeu a Gasly o sexto lugar na etapa húngara

Sobre a corrida, Gasly resumiu como “limpa”. “Fiz uma boa largada e consegui passar Sainz no começo, então tive pista livre para me concentrar em minha pilotagem e conservar os pneus. O principal foi não cometer nenhum erro. Eu andei no limite por 70 voltas, o que foi um desafio, mas fiz o meu melhor para ter uma corrida limpa e garanti estes oito pontos fantásticos”, analisou o francês, que ficou impressionado ao ultrapassar retardatários – algo inédito em sua ainda curta carreira na F1. “Normalmente, a bandeira azul é para mim, para eu deixar uma Ferrari ou uma Mercedes passar. Mas assim que comecei a chegar atrás da Williams, acho que foi a primeira vez que vi bandeiras azuis para carros à minha frente. Quando vi isso, pensei: ‘isso significa que estou fazendo uma boa corrida agora’. Foi uma sensação muito boa”, celebrou Pierre, que entrou em férias no azul com a Toro Rosso.

Com o resultado na Hungria, Gasly subiu para 13º no Mundial de Pilotos, com 26 pontos

Com o resultado na Hungria, Gasly reassumiu o 13º lugar do Mundial de Pilotos, com 26 pontos

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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