Alemanha-2018: Hulk obtém seu primeiro top 5 na Renault

Nico Hulkenberg cruzou a linha de chegada em quinto: seu primeiro top 5 na Renault

Nico Hulkenberg cruzou a linha de chegada em quinto: seu primeiro top 5 na Renault

Nico Hulkenberg sempre se sentiu bem correndo em casa. Seu histórico em GPs da Alemanha vem comprovando isso: em cinco provas em território germânico, impressionou pela determinação e pelos bons desempenhos. Seu retrospecto no Hockenheimring também era positivo: em quatro corridas disputadas por lá, Hulk obteve resultados positivos. Em 2010, ano de sua estreia na F1, chegou a andar em sétimo com a Williams, mas terminou em 13º. Em 2012, com a Force India, ficou em nono. Já nas duas últimas – em 2014 e em 2016 -, levou o carro indiano à conquista do sétimo lugar. Apesar de frequentar sempre o top 10, Nico esperava um desfecho melhor no fim de semana do GP da Alemanha de 2018, em Hockenheim. O que o alemão não esperava era que justamente em seu quintal alcançaria seu primeiro top 5 com a Renault, equipe que vem defendendo desde a temporada 2017.

O quinto lugar no GP da Alemanha premiou Hulkenberg, que largou a Force India ao fim de 2016 por acreditar no projeto da escuderia francesa. Com destreza, Nico levou seu carro com competência. Nem mesmo a chuva que caiu durante a etapa atrapalhou o germânico. O top 5 de Hockenheim significou o melhor resultado do piloto alemão desde o quarto lugar obtido no GP da Bélgica de 2016, em Spa-Francorchamps. Os 10 pontos consolidaram Hulk na sétima posição do Mundial de Pilotos, com 52 pontos. O germânico só vem sendo superado pelas duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Para a Renault, o top 5 de Nico foi o segundo da escuderia em 2018 – o primeiro foi anotado por Carlos Sainz Jr. no GP do Azerbaijão, em Baku. Com o resultado na etapa alemã, o time francês abriu margem na disputa pela quarta colocação dos Construtores. Neste momento, tem 80 pontos – contra 59 de Haas e Force India, seus principais perseguidores.

Desempenho da Renault em Hockenheim ajudou Hulkenberg a avançar para o Q3

Desempenho da Renault em Hockenheim ajudou Hulkenberg a avançar para o Q3

O resultado de Hockenheim começou a ser construído na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP da Alemanha. Em todo o momento, o modelo RS18 esteve entre os 10 primeiros dos testes no circuito tedesco. No fim, Hulkenberg foi o nono mais veloz do dia, com 1m14s496, contra 1m15s592 de Sainz, o 12º. A diferença entre o alemão e o espanhol foi de apenas 0s096. A marca de Hulk ficou 1s411 acima da obtida por Max Verstappen (Red Bull), o mais veloz da sexta com 1m13s085. “Foi uma sexta-feira padrão para mim. O carro não se comportou mal, ainda que possa se dizer que os pneus estavam sofrendo com as condições muito quentes. Foi principalmente o caso de refinar a configuração e fazer progressos. E ainda terá mais por vir depois de verificarmos os números esta noite. Estamos vendo como maximizar a nova asa dianteira, já que obviamente todo pequeno ajuste de equilíbrio ajuda o ritmo”, afirmou o germânico.

De fato, os franceses trabalharam com entusiasmo em busca da sintonia fina com Hockenheim. Isso pôde ser visto no sábado, dia do qualifying para o GP da Alemanha.
A Renault mostrou boa forma, com Hulk e Sainz levando os carros amarelos para o Q3. É bem verdade que a dupla ficou com a vida mais tranquila após os problemas de Lewis Hamilton (Mercedes) – que sofreu uma pane hidráulica no Q2 – e de Daniel Ricciardo – que, com a punição por trocar peças da unidade de potência de seu bólido largaria do fim do grid, decidiu desistir do quali. No fim, Nico marcou o sétimo tempo, com 1m12s560. O alemão foi 0s132 mais veloz do que Carlos, oitavo com 1m12s692. O germânico ficou a 1s348 do compatriota Sebastian Vettel (Ferrari), que, com o tempo de 1m11s212, anotou a pole para o GP da Alemanha. Foi a 55ª da carreira do ferrarista.

Hulkenberg e Vettel, os representantes alemães na F1, saúdam o público em Hockenheim

Representantes alemães na F1, Vettel e Hulkenberg saúdam o público em Hockenheim

Hulkenberg gostou do desempenho da Renault, mas mostrou-se frustrado por ver a equipe francesa atrás da Haas – Kevin Magnussen conquistou o quinto lugar no grid, e Romain Grosjean, o sexto. “Eu teria adorado ficar um pouco mais perto da frente do grid, mas estou feliz com minhas voltas e o progresso ao longo da classificação. Amanhã (domingo), tentarei perseguir os carros à minha frente (Magnussen e Grosjean, da Haas)”, disse o germânico, que ficou satisfeito com o apoio da torcida a ele. “Foi ótimo ver o público local e tanto apoio com as arquibancadas lotadas. Isso me deixa orgulhoso e feliz como alemão, e espero recompensar essa torcida com um GP forte”, vislumbrou.

Largada do GP da Alemanha de 2018: Hulk saltou bem e superou Grosjean nos primeiros metros

Largada do GP da Alemanha de 2018: Hulk saltou bem e superou Grosjean nos primeiros metros

A corrida

Domingo, 22 de julho. Nuvens escuras cercavam Hockenheim enquanto os pilotos alinhavam seus carros para a disputa do GP da Alemanha de 2018. A meteorologia alertava para a previsão de chuva durante a corrida. Na sétima posição do grid, Nico Hulkenberg estava ciente desta previsão. Entretanto, o alemão ainda não se preocupava com o assunto. Afinal, a pista estava em condições normais para a prova. O germânico da Renault calçava pneus ultramacios. Sua expectativa era uma só: fazer uma prova combativa diante de seu público. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Hulk  atacou Romain Grosjean (Haas) com arrojo. Logo nas primeiras curvas da primeira volta, o alemão assumiu a sexta posição.

A partir daí, sua mira se voltou para a luta pelo quinto lugar com Kevin Magnussen (Haas). Porém, o ritmo imprimido pelo dinamarquês impedia a aproximação do germânico. Na volta 5, Kevin tinha 1s9 de vantagem sobre Nico. Em contrapartida, Hulkenberg era perseguido por Grosjean – a diferença entre o alemão e o francês era de 1s. Na volta 7, Romain foi superado por Sergio Pérez (Force India) no hairpin. Esse duelo permitiu que Hulk tivesse um fôlego na sexta posição. Entretanto, não por muito tempo: Lewis Hamilton (Mercedes), que largou em 14º, fazia prova de recuperação. Aproveitando-se da força de seu W09, o britânico ignorava um a um. Na volta 9, tomou o sétimo lugar de Pérez. Logo na volta seguinte, Hamilton colocou em Hulkenberg. Nico não tinha o que fazer: na volta 11, Lewis ultrapassou o piloto da Renault sem dificuldades.

Nico, à frente de Pérez, Hamilton e Grosjean: em prova de recuperação, piloto da Mercedes ignorava rivais

Nico, à frente de Pérez, Hamilton e Grosjean: em prova de recuperação, britânico ignorava os rivais

Em sétimo, Hulk tentava se aproveitar do avanço de Hamilton. Afinal, era questão de tempo para que o britânico alcançasse Magnussen pelo quinto lugar. E foi exatamente o que aconteceu: na volta 14, Lewis superou Kevin. Contudo, embora a diferença tenha caído, Nico não conseguiu tirar o piloto da Haas do sexto lugar. Havia explicação: os compostos ultramacios de Hulkenberg já acusavam estar desgastados. A solução da Renault foi chamar o alemão para os boxes na volta 18. Na troca, o time francês sacou os ultramacios e colocou pneus médios (os mais duráveis do fim de semana). No retorno à pista, Hulk se viu em 15º, atrás de Marcus Ericsson (Sauber) e Esteban Ocon (Force India). Na 21, com as paradas de Charles Leclerc (Sauber) e Carlos Sainz Jr. (Renault), Nico subiu para a 13ª posição.

Na volta 22, Hulkenberg colou em Ericsson e Ocon, que travavam uma disputa insana. Ambos foram além dos limites da pista a fim de discutir a posição. Hulk aproveitou-se da briga entre o francês e o sueco para ultrapassar os dois de uma só vez. No rádio, Nico “agradeceu” Marcus e Esteban – obviamente, em tom de ironia. Com a ultrapassagem dupla, somada à ida de Grosjean aos boxes, o piloto da Renault se viu novamente no top 10. Após o pit stop de Pérez, na volta 23, Hulkenberg ascendeu ao nono lugar. Naquele momento, a diferença entre ele e Magnussen estava na casa de 3s2. Apesar do esforço do alemão, o dinamarquês apresentava um ritmo sólido e não permitia a sua aproximação. Na volta 28, Daniel Ricciardo (Red Bull) abandonou o GP da Alemanha com problemas de motor. Dessa forma, Nico subiu para oitavo.

Hulkenberg não conseguia alcançar Magnussen, mas a chuva veio e mudou o panorama

Hulkenberg não conseguia alcançar Magnussen, mas a chuva veio e mudou o panorama

Depois do pit stop de Fernando Alonso (McLaren), na volta 31, Hulkenberg recuperou a sétima colocação. Naquele momento, a diferença entre ele e Magnussen era de 2s7. Por calçar pneus médios e por ter parado depois de Nico, Kevin tinha o sexto lugar sob controle. Entretanto, as nuvens carregadas começavam a despontar sobre Hockenheim. Os primeiros pingos foram notados na volta 45, no trecho do hairpin. A partir daquele momento, a prova virava loteria. Aproveitando-se do clima instável – a chuva estava concentrada em um trecho da pista -, Hulkenberg baixou a vantagem de Magnussen para 1s na volta 46. Parecia ser questão de tempo a ultrapassagem de Nico. E foi mesmo: na volta 49, em plena freada de um hairpin encharcado, o alemão superou o dinamarquês e assumiu a sexta posição.

A chuva aumentou de intensidade a partir da volta 50. Na 51, Hulkenberg foi para os boxes para colocar pneus intermediários. No retorno à pista, seguiu em sexto. Na passagem seguinte um momento que mudou completamente o rumo do GP da Alemanha: líder da prova desde o seu início, Sebastian Vettel (Ferrari) perdeu o controle de seu bólido no trecho molhado do Estádio. O ferrarista passou direto pelo cotovelo e bateu numa placa de propaganda. A Ferrari de Vettel atolou na brita e ali ficou. O alemão ficou desesperado no cockpit. O acidente provocou a entrada do safety car. Com o abandono de Seb, Hulkenberg herdou a quinta colocação. Sob bandeira amarela, a chuva diminuiu. E aí veio o impasse: tirar os compostos intermediários ou não? A Renault arriscou, chamando Nico para um terceiro pit stop na volta 55. Na troca, a opção recaiu sobre os ultramacios.

Após superar Magnussen e contar com o abandono de Vettel, Hulk se viu na quinta posição

Após superar Magnussen e contar com o abandono de Vettel, Hulk se viu na quinta posição

Apesar da nova parada, Hulkenberg permaneceu em quinto, se colocando entre Max Verstappen (Red Bull) e Pérez. Quando a relargada foi dada, na volta 58, Nico tratou de imprimir um forte ritmo, a fim de impedir qualquer aproximação de Checo. O alemão colocou uma vantagem segura, a ponto de não ser incomodado por ninguém. Nem mesmo o avanço de Grosjean no fim – o francês saltou de 10º para sexto nas seis voltas finais – tirou Hulk do top 5. Ao cruzar a linha de chegada, Nico comemorou com os mecânicos da Renault pendurados no pit wall. No fim, a vitória em Hockenheim ficou com Hamilton, que obteve não só seu 66º triunfo de forma exuberante (vale ressaltar: ele largou em 14º), como também retomou a liderança do Mundial das mãos de Vettel. Se antes da corrida a vantagem era de 7 pontos pró-Seb, depois dela, ficou 17 pontos pró-Lewis (188 a 171). Valtteri Bottas (Mercedes) ficou em segundo, e Kimi Raikkonen (Ferrari), em terceiro.

Equipes grandes à parte, Hulkenberg deixava Hockenheim com a sensação do dever cumprido. Afinal, acabava de conquistar seu melhor resultado num GP da Alemanha. “Estou muito feliz. A primeira parte da prova não foi tão empolgante, mas tudo estava indo bem até perto do fim, quando a chuva começou. Foi complicado tentar manter o carro na pista, mas eu gosto daquelas condições e comecei a ganhar um pouco de terreno. É um bom número de pontos para a equipe, nossa melhor chegada da temporada e meu melhor resultado com a Renault. Teria sido ótimo se as condições ficassem ainda mais loucas, mas vamos aceitar isso. Tomamos as decisões corretas e por isso merecemos o quinto lugar hoje (domingo). Trabalhamos duro por isso, portanto é uma boa recompensa para a equipe. Fizemos um bom trabalho”, destacou.

Nico deixou Hockenheim na sétima posição do Mundial de Pilotos, com 52 pontos

Nico deixou Hockenheim na 7ª posição do Mundial, com 52 pontos: atrás de Mercedes, Ferrari e RBR

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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