Inglaterra-2018: bote certeiro em Magnussen põe Alonso em 8º

Fernando Alonso (McLaren) travou dura batalha com Kevin Magnussen (Haas) em Silverstone: oitavo lugar veio na última volta

Fernando Alonso (McLaren) travou batalha com Kevin Magnussen (Haas): 8º lugar veio na volta final

Diante de um período de incertezas quanto à performance do MCL33 e à temporada 2019, a McLaren anunciou uma “dança das cadeiras” após o GP da Áustria de 2018, em Spielberg. Éric Boullier deixou o comando da escuderia britânica após quatro anos – o francês havia assumido a chefia da equipe em 2014. Para o seu lugar, Zak Brown, CEO da escuderia, colocou três dirigentes máximos: Gil de Ferran (diretor esportivo), Andrea Stella (diretor de desempenho) e Simon Roberts (diretor de operações). Com eles, o time britânico passou a ter uma nova estrutura administrativa. “O desempenho do carro construído para a atual temporada, o MCL33, não atendeu às expectativas de ninguém na McLaren, especialmente dos nossos leais fãs. Isso não é culpa das centenas de dedicados trabalhadores, homens e mulheres, da nossa equipe. As causas são sistêmicas e estruturais, o que requer mudanças profundas. Com esse anúncio, começamos a tratar essas questões de imediato e dar nosso passo inicial para nos recuperarmos”, disse Brown.

De Ferran, Stella e Roberts assumiriam os postos já para a disputa do GP da Inglaterra, em Silverstone. Coincidência ou não, os três tiveram aval de Fernando Alonso. Insatisfeito com o andamento da temporada, em que se apostava em dias melhores após a troca de motor (saiu a Honda, entrou a Renault), o espanhol exigia mudança de atitude da cúpula de Woking. Para atender ao bicampeão, Boullier acabou “pagando o pato”. Sem o francês, a McLaren desembarcou em Silverstone de olho na postura do novo corpo diretivo. Já para Alonso, chegar no circuito britânico significava o fim de uma maratona de seis corridas nas últimas sete semanas, que teve como ponto alto a vitória nas 24 Horas de Le Mans – ao lado de dois ex-pilotos de F1, o suíço Sebastien Buemi e o japonês Kazuki Nakajima, Fernando levou a Toyota a uma vitória inédita na mais tradicional prova de longa duração do automobilismo.

Mudança de comando na McLaren teve o aval de Alonso: time de Woking atua para segurar o astro

Mudança de comando na McLaren teve o aval de Alonso: time de Woking atua para segurar o astro

Porém, fora do cockpit da Toyota, Fernando esteve sempre diante do martírio chamado MCL33. Foram três abandonos – nos GPs de Mônaco, do Canadá e da França. Já no GP da Áustria, em Spielberg, o asturiano alcançou um tímido oitavo lugar. Apesar dos péssimos resultados, Alonso chegou a Silverstone ainda na oitava posição do Mundial de Pilotos, com 36 pontos. O objetivo do bicampeão no tradicional circuito britânico era o de pontuar, ainda que o carro laranja não ajudasse. Na sexta-feira, primeiro dia de treinos, Fernando surpreendeu ao ser o sétimo mais veloz do dia. Com 1m29s306 (anotado no segundo treino livre), o bicampeão ficou a 1s819 de Lewis Hamilton, que marcou 1m27s487 na primeira sessão. Já o companheiro do espanhol na McLaren, o belga Stoffel Vandoorne, fez 1m30s121 – 2s634 mais lento do que Hamilton e 0s815 atrás de Alonso.

O desempenho na sexta deixou o asturiano animado para o fim de semana. “Foi definitivamente uma sexta-feira positiva para nós. Testamos vários itens para referência futura, o que significa que sacrificamos algum tempo de pista no primeiro treino para isso. Na segunda sessão, o carro se comportou bem e fizemos alguns testes de pneus, mas claramente o carro é bem parecido com o que era na França e na Áustria. Nos últimos 11 dias, corremos três vezes, então o desempenho e a potência não devem ser muito diferentes do que vimos nas últimas duas semanas, o que significa que amanhã será apertado no pelotão intermediário. Dois décimos podem mudar completamente suas classificações, já que você pode sair no Q1 ou ser sétimo. Espero que estejamos mais perto do Q3 do que nas últimas corridas, mas tudo permanece para ser visto amanhã (sábado)”.

Na sexta, Fernando anotou a sétima melhor marca do dia: otimismo virou preocupação no sábado

Na sexta, Fernando anotou a sétima melhor marca do dia: otimismo virou preocupação no sábado

As coisas mudaram para a McLaren no sábado. Em volta lançada, o MCL33 tem se notabilizado por ser facilmente batido pelos rivais. E, mais uma vez, isso aconteceu em Silverstone. Alonso caiu no Q2, depois de anotar 1m28s139. Com esse tempo, o espanhol garantiu um modesto 13º lugar, ficando a 2s247 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole position do GP da Inglaterra com 1m25s892 – foi a 76ª vez que o britânico anotou o melhor tempo de um quali na F1 (recorde absoluto da categoria). Já Vandoorne foi ainda pior: parou no Q1, com 1m29s066, ficando a 0s957 da marca do asturiano – vale registrar que, em todas as 10 etapas disputadas em 2018, Fernando ficou à frente do belga. Sobre o qualifying, o bicampeão reconheceu que os treinos oficiais têm sido o ‘calcanhar de Aquiles’ da McLaren nesta temporada.

“O sábado parece ser o nosso ponto mais baixo num fim de semana, já que parece que estamos sempre nos classificando em torno do P13, mas depois melhoramos aos domingos, então vamos tentar isso amanhã (domingo) e ver como a corrida se desenvolve. Sabemos que Silverstone é exigente aerodinamicamente. É um circuito muito longo, onde você precisa de eficiência e potência, então é bastante complexo, mas vamos lutar amanhã (domingo). A largada será crucial – aqui é difícil seguir outros carros devido às curvas de alta velocidade, por isso as posições na primeira volta são muito importantes e, depois disso, uma boa estratégia e uma boa gestão de pneus. Está muito quente, e para aqueles que estão em uma estratégia de uma parada, a degradação será alta, por isso precisamos manter nossa concentração e esperamos conseguir alguns pontos”, avaliou Alonso.

Largada do GP da Inglaterra de 2018: Alonso tocou com Pérez e subiu de 13º para 11º

Largada do GP da Inglaterra de 2018: Alonso tocou com Pérez, mas subiu de 13º para 11º

A corrida

Silverstone, domingo, 8 de julho de 2018. Pouco mais de 68 anos depois da primeira prova da história (realizada em 1950), o tradicional autódromo segue vivenciando a Fórmula 1 com entusiasmo. Mas, ultimamente, esse amor se tornou algo avassalador. O motivo: Lewis Hamilton (Mercedes). O britânico, pole do GP da Inglaterra, se tornou um xodó dos torcedores graças as suas vitórias e títulos. Fernando Alonso (McLaren) foi um – senão o maior – algoz de Hamilton na F1. Porém, nos últimos tempos, o espanhol se viu longe de duelar com o adversário. Na pista inglesa, enquanto Lewis sairia na pole, Fernando alinhava numa longínqua 13ª posição. Contudo, ambos acabariam se cruzando na etapa britânica: na largada, Hamilton saltou mal, sendo ultrapassado por Sebastian Vettel (Ferrari) e Valtteri Bottas (Mercedes). No afã de tentar superar Lewis, Kimi Raikkonen (Ferrari) se atirou para cima do tetracampeão. O piloto da Mercedes não só rodou, como caiu para o 18º lugar.

Calçando pneus macios (os menos resistentes para o GP da Inglaterra), Alonso também teve uma saída problemática: na curva 1, o espanhol tocou em Sergio Pérez (Force India), que rodou à frente do pelotão intermediário e quase atingiu os carros da Williams de Sergey Sirotkin e Lance Stroll  – ambos largavam dos boxes. Fernando escapou da pista, mas prosseguiu na prova. Após o incidente entre Hamilton e Raikkonen, Romain Grosjean (Haas) escapou do traçado, fazendo com que o asturiano ganhasse uma posição. Mesmo perdendo uma posição para Carlos Sainz Jr. (Renault) na pista, o piloto da McLaren completou a volta 1 em 11º. Ali permaneceu até a volta 4. Na passagem seguinte, Alonso não foi páreo para um Hamilton ávido por recuperação na corrida. Assim, o piloto da McLaren caiu para a 12ª posição.

Nas primeiras voltas, Alonso acompanhava o ritmo de Magnussen, mas não conseguia superar o danês

Nas primeiras voltas, Alonso acompanhava o ritmo de Magnussen, mas não conseguia superar o danês

Com o avanço de Hamilton, Fernando passou a acompanhar o ritmo de Kevin Magnussen (Haas), o 11º colocado. Embora andasse nos calcanhares do dinamarquês, o bicampeão não conseguia fazer a ultrapassagem. Assim, o espanhol permaneceu até a volta 13, quando a McLaren o chamou para os boxes. Na troca, o time britânico sacou os pneus macios e colocou os pneus médios – de resistência intermediária em Silverstone. Com a parada, Alonso caiu para 17º. Na volta 15, o asturiano superou Sirotkin e subiu para 16º. Com o pit stop de Sainz, na 18, Fernando ascendeu para 15º, conquistando a posição do compatriota de fato – o piloto da Renault andou à frente do bicampeão na primeira parte da corrida. Na volta 20, Charles Leclerc (Sauber) fez sua troca de pneus. Porém, no retorno para a pista, se viu com problema no encaixe de uma das rodas, sendo obrigado a abandonar. Assim, o piloto da McLaren foi para o 14º lugar.

Após a parada de Pierre Gasly (Toro Rosso), na volta 21, Alonso subiu para 13º. Na passagem seguinte, foi a vez do pit stop de Stoffel Vandoorne (McLaren). Dessa forma, o bicampeão passava a ocupar a 12ª colocação. Depois de Marcus Ericsson (Sauber) ingressar nos boxes, na volta 25, Fernando ascendeu para o 11º lugar. O retorno do asturiano à zona de pontuação se deu na volta seguinte, com a parada de Magnussen nos boxes. Na 27, Grosjean foi aos boxes, fazendo com que o piloto da McLaren alcançasse a nona colocação. Naquele momento, Alonso estava colado em Esteban Ocon (Force India). Em contrapartida, era pressionado por Magnussen.

Após a primeira parada, Alonso tentou ultrapassar Ocon, sob os olhares de Magnussen

Na 26, Alonso tentou ultrapassar Ocon, sob os olhares de Magnussen (que havia realizado o pit stop)

A disputa entre Ocon, Alonso e Magnussen foi acirrada até a volta 32, quando Ericsson  perdeu o controle de seu Sauber e se espatifou na Copse. Com o acidente do sueco, o safety car foi acionado pela direção de prova. A bandeira amarela fez com que muitos pilotos entrassem nos boxes – entre eles, Fernando. Na troca, a McLaren sacou os pneus médios e os substituiu por macios. No retorno à pista, o bicampeão se viu em 10º, atrás de Magnussen e à frente de Grosjean e Sainz. A relargada em Silverstone foi dada na volta 37, após a retirada do carro de Ericsson e a limpeza da pista. Porém, a liberação durou menos de um minuto: no mesmo ponto onde o sueco escapou da pista, Romain e Carlos se tocaram e acabaram na brita. Dessa forma, o carro de segurança voltou ao circuito. Foram mais quatro voltas sob a liderança de Bernd Maylander, piloto do safety car.

Maylander só retornou aos boxes na volta 41. Com a bandeira verde, Alonso tratou de atacar Magnussen. O espanhol queria se aproveitar das melhores condições dos pneus macios de seu McLaren. Entretanto, o dinamarquês da Haas segurou o asturiano de maneira ríspida. Em três momentos, o bicampeão teve que desviar de KMag, a fim de evitar um acidente. Alonso reclamou pelo rádio: “O que Magnussen faz quando você tenta ultrapassá-lo? Empurra você para fora da pista. Assim nos vamos bater, sabe?! E eu não quero isso. O que vejo fazer Magnussen eu nunca vi em minha vida. Ele me empurrou para fora na curva 7, curva 11 e 12”. A McLaren tentou acalmá-lo, mas foi em vão. “Tudo com Magnussen é decidido após a corrida… a decisão, a situação de corrida, deveriam mudar agora. Na 7 foi muito claro. Eu tive que ir para a grama. Isso é ridículo, FIA, ridículo”.

Sem sucesso na tentativa após a relargada, Alonso tratou de seguir colado em Magnussen. O dinamarquês, por sua vez, era barrado por Ocon e por Nico Hulkenberg (Renault). Dessa forma, os quatro formavam um pelotão na luta pelo sétimo lugar. Na volta 46, Max Verstappen (Red Bull) abandonou com problemas nos freios. Assim, Nico pulou para sexto, Esteban, para sétimo, Kevin, para oitavo, e Fernando, para nono. Embora tentasse de todas as maneiras saltar de posição, o asturiano não conseguia dar o bote no dinamarquês. Mas aí veio a 52ª e última volta do GP da Inglaterra. O bicampeão estava determinado a tomar a posição de Magnussen. Com a maestria que sempre lhe foi peculiar, Alonso partiu por dentro na curva Village e surpreendeu o piloto da Haas. Assim, Fernando assegurou o oitavo lugar.

A vitória no GP da Inglaterra de 2018 ficou com Vettel. Foi a quarta vitória do alemão no ano, e a 51ª de sua carreira – igualando a marca de Alain Prost. Com o triunfo, Sebastian continuou na ponta do Mundial, com 171 pontos. Após cair para o fim do pelotão, Hamilton assegurou o segundo lugar em Silverstone, que o manteve vivo na disputa pelo pentacampeonato – o inglês passou para 163 pontos. Depois de cumprir uma punição de 10s por ter sido considerado culpado pelo acidente com Lewis, Raikkonen alcançou a terceira posição. Distante do pódio, Alonso celebrou a conquista dos quatro pontos na prova britânica. Além disso, ressaltou que seria possível brigar pela sexta posição – ainda mais após a entrada do safety car durante a prova.

Alonso levou quatro importantes pontos para Woking: oitavo lugar, mas poderia ter sido sexto

Alonso levou quatro importantes pontos para Woking: oitavo lugar, mas poderia ter sido sexto

“Foi uma grande corrida hoje (domingo), e um grande show para os fãs – ainda mais com a entrada do safety car em duas ocasiões, o que sempre misturam as coisas. Em uma corrida normal, o oitavo seria ótimo, mas com o carro de segurança e os pneus amarelos (macios) que decidimos colocar – e os outros que não apostaram -, tivemos uma clara vantagem no final da corrida, mas não conseguimos aproveitar isso porque estávamos presos atrás do tráfego. Kevin (Magnussen) nos tirou da pista na curva 7, e sem isso eu acho que provavelmente teríamos lutado com Esteban (Ocon) e Nico (Hulkenberg) pelo sexto lugar. No entanto, nenhuma penalidade foi dada, então tivemos que lutar muito para ultrapassar Kevin na última volta. O sábado parece ser o ponto mais baixo do nosso fim de semana em termos de desempenho, mas aos domingos estamos no mesmo grupo da Renault, Force India e Haas. Por isso, definitivamente, precisamos encontrar mais desempenho na classificação”, concluiu o asturiano.

Com o top 8 de Silverstone, Alonso foi para oitavo no Mundial de Pilotos, com 40 pontos

Com o top 8 de Silverstone, Alonso se manteve em oitavo no Mundial de Pilotos, com 40 pontos

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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