Áustria-2018: Haas faz história ao obter 22 pontos em Spielberg

Romain Grosjean terminou em quarto, e Kevin Magnussen foi o quinto no GP da Áustria de 2018: resultado histórico para o time ianque

Romain Grosjean e Kevin Magnussen levaram a Haas ao quarto e quinto lugares no GP da Áustria

O dia 1º de julho de 2018 foi marcante para a história da Haas na Fórmula 1. Em sua 50ª corrida na categoria, a equipe norte-americana conquistou um resultado pra lá de expressivo em Spielberg, palco do GP da Áustria: Romain Grosjean encerrou o jejum de pontos com estilo, ao alcançar o quarto lugar na etapa austríaca. Foi a melhor posição do time ianque desde o seu ingresso na F1, no GP da Austrália de 2016. Para o francês, a felicidade veio em dobro – foram os 12 primeiros pontos de Grosjean no ano. E eles vieram no momento certo. Romain foi seguro, veloz e soube se aproveitar do VSC (safety car virtual). Em quinto lugar, logo atrás de Grosjean, veio Kevin Magnussen. O dinamarquês novamente foi constante e colocou mais um top 6 na conta – o quarto em 2018 (os outros três ocorreram em Sakhir, em Montmeló e em Paul Ricard). Dessa forma, KMag passou a ter 37 pontos no Mundial. Com os 22 pontos obtidos em Spielberg, a Haas subiu de sétimo para quinto no campeonato de Construtores. Agora, a escuderia norte-americana soma 49 pontos, à frente de McLaren (44) e Force India (42).

A boa performance de Romain Grosjean no GP da Áustria de 2017 – o francês terminou em sexto – norteava os trabalhos da Haas em Spielberg. Assim que os carros foram para a pista, ficou nítida a sintonia entre o modelo VF-18 e o circuito austríaco. Nos dois treinos livres do dia, a equipe norte-americana mostrou ótimo desempenho e muita confiabilidade. No fim, Grosjean ficou em sétimo lugar, com 1m05s429. Magnussen veio a 0s130 do francês, anotando o oitavo tempo, com 1m05s559. O mais rápido da sexta foi Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m04s579 – 0s850 à frente de Romain e 0s980 à frente de Kevin.

Logo que colocou o VF-18 na pista, Grosjean tratou de acelerar: sétimo mais veloz na sexta

Logo que colocou o VF-18 na pista, Grosjean tratou de acelerar: sétimo mais veloz na sexta

Inspirado após o bom desempenho e necessitando mostrar serviço, Grosjean estava satisfeito com a sua marca na sexta. “Foi um bom dia. É uma pista bem legal. Eu sempre amo vir aqui. Eu adoro o layout no meio das montanhas e é uma ótima atmosfera. O carro teve um bom desempenho, por isso estamos felizes com o lugar em que estamos. O saldo tem sido muito bom. Temos mais trabalho a fazer, mas, no geral, está bom e estou feliz com isso, mas podemos fazer algumas alterações para ficarmos ainda mais rápidos. Estou muito ansioso para a classificação de amanhã (sábado)”.

Magnussen concordou com o companheiro. “Parece que estamos indo bem. Foi um bom dia em termos de testes e execução de tarefas que planejamos fazer. O carro se comportou tão bem quanto esperávamos. Até agora, tudo bem – só precisamos terminar bem amanhã (sábado) também. Nosso carro tem sido bom em muitas corridas e parece que também está bom aqui em Spielberg. Precisamos juntar tudo neste sábado e depois ter uma boa sessão de classificação para conseguir uma boa posição para a corrida – esperamos marcar pontos no domingo”.

Tanto Magnussen (foto) quanto Grosjean avançaram para o Q3 de Spielberg

Tanto Magnussen (foto) quanto Grosjean avançaram para o Q3 de Spielberg: otimismo nos boxes

No sábado, a onda crescente prosseguiu a favor da Haas. O qualifying em Spielberg foi além das expectativas para o time. Tanto Grosjean quanto Magnussen estiveram sempre entre os 10 primeiros colocados. Não só isso: o ritmo do VF-18 impressionava no circuito austríaco. A ponto de o francês andar na casa de 1m03s, anotando 1m03s892. Com esse tempo, Romain ficou à frente de Daniel Riccardo (Red Bull), conquistando um impressionante sexto lugar. Já o dinamarquês marcou o oitavo tempo, com 1m04s051, ficando a 0s159 de Grosjean. Valtteri Bottas (Mercedes) marcou a pole para o GP da Áustria, com 1m03s130. Foi a quinta pole da carreira do finlandês, que foi 0s762 mais rápido do que Grosjean e 0s921 mais veloz do que Magnussen.

O excelente desempenho nos treinos oficiais encheram os pilotos da Haas de otimismo. “Foi uma boa classificação. Nós fizemos um bom trabalho de configuração no carro e construímos nosso ritmo no final de semana. Tudo correu muito bem e o equilíbrio foi ótimo. Eu estava esperando que ficássemos em quarto lugar. Eu estava pensando: ‘vamos, podemos ficar lá’. A verdade é que as outras equipes são mais rápidas, mas estou muito orgulhoso de estar entre os dois Red Bulls, e estou feliz que Kevin seja o oitavo. Temos os dois carros no top 10 para a corrida de amanhã (domingo) e esperamos conseguir alguns pontos”, destacou Grosjean, que recebeu uma boa notícia após o treino: Sebastian Vettel (Ferrari), terceiro no quali, foi punido com a perda de três posições após fechar Carlos Sainz Jr. no Q2. Assim, o francês herdou o quinto lugar no grid.

Grosjean terminou o Q3 em sexto, mas punição a Vettel fez com que ele fosse alçado para o quinto lugar no grid

Grosjean foi o sexto no Q3, mas punição de Vettel fez com que fosse alçado para o quinto lugar no grid

Magnussen, por sua vez, elogiou o desempenho do VF-18 em Spielberg. “Acho que a equipe fez um ótimo trabalho hoje (sábado), com o carro sendo muito bom. Romain fez uma boa volta e fomos rápidos o dia todo. Eu acho que estamos em boas posições iniciais para a corrida. Vamos ver como vai ser o domingo. Nosso ritmo ontem (sexta) no segundo treino livre, nos stints longos, foi muito bom. Vamos fazer o máximo que podemos, mas precisamos conseguir esses pontos. Vamos manter nossos pés no chão e ver o que conseguimos amanhã (domingo)”.

Largada do GP da Áustria de 2018: Grosjean e Magnussen ganharam posições na largada

Largada do GP da Áustria de 2018: Grosjean completou a volta 1 em sexto, e Magnussen, em sétimo

A corrida

Domingo, 1º de julho de 2018. O bucólico lugarejo de Spielberg, encravado no meio das montanhas, inspira tranquilidade para qualquer um dos seus visitantes. Porém, a paz do local seria deixada de lado por alguns momentos para mais um GP da Áustria. Com seus carros na terceira e na quarta filas, a Haas tinha como pretensão marcar o maior número de pontos possíveis. Evidentemente, desafiar os pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull era algo inimaginável. Por isso, deixar o complexo de Red Bull Ring com os 10 pontos combinados do sétimo e do oitavo lugares já seria algo fantástico. Calçados com pneus ultramacios, Grosjean e Magnussen queriam passar limpos pela largada. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o francês saltou bem e viu Sebastian Vettel (Ferrari) escapar  na Curva 1, o que foi suficiente para manter o quinto lugar. Porém, Romain não resistiu ao ataque de Daniel Ricciardo (Red Bull), fazendo com que completasse a volta 1 em sexto.

Kevin, por sua vez, também se aproveitou da escapada de Vettel, subindo para a sétima posição. Entretanto, aos poucos, o alemão fez valer o seu melhor equipamento. Na volta 2, superou o dinamarquês. Na 3, ultrapassou o francês. A partir dali, Grosjean estava em sétimo, e Magnussen, em oitavo – as colocações já esperadas pela Haas. Num ritmo à parte, os carros do time norte-americano não eram ameaçados pela concorrência. Em contrapartida, eram incapazes de perseguir Vettel. Na volta 10, Romain estava a 4s4 do alemão. Já Kevin tinha 2s9 de desvantagem para o companheiro de equipe. O cenário parecia se consolidar quando, na volta 14, Valtteri Bottas (Mercedes) viu seu W09 com problemas hidráulicos. O finlandês foi obrigado a abandonar, o que alçou Grosjean para o sexto lugar e Magnussen para o sétimo.

Grosjean se aproveitou da intervenção do VSC para parar nos boxes: estratégia acertada

Grosjean se aproveitou da intervenção do VSC para parar nos boxes: estratégia acertada

Para a retirada do carro de Bottas, a direção de prova interviu com a entrada do VSC (safety car virtual). A Haas se aproveitou do ritmo mais lento para chamar Romain para os boxes. Na troca, sacaram os pneus ultramacios e colocaram os macios (os mais resistentes para o fim de semana em Spielberg). A ideia era fazer com que o francês não fizesse mais nenhum pit stop. Em contrapartida, a equipe se viu obrigada a manter Kevin na pista. Quando a relargada foi dada, na volta 17, Magnussen ocupava o sexto lugar, e Grosjean, o oitavo. Entre os dois, estava Sergio Pérez (Force India) que, assim como o dinamarquês, não havia feito seu pit. Na volta 21, o danês colocava 3s7 sobre o mexicano, enquanto o francês estava a 1s9 do rival da Force India. Essa diferença se manteve até a volta 27, quando Pérez realizou sua troca de pneus. Com isso, Grosjean subiu para sétimo.

A fim de preservar sua posição diante de Checo, a Haas decidiu chamar KMag na volta 29. Assim como Grosjean, foram retirados os pneus ultramacios e colocados compostos macios. No retorno à pista, Magnussen se manteve à frente de Pérez, em nono. Já Romain ascendeu para a sexta colocação. Na volta 33, Kevin assumiu o oitavo lugar, após o pit stop de Carlos Sainz Jr. (Renault). A partir daí, o dinamarquês iniciou perseguição a Esteban Ocon (Force India). O francês havia parado nos boxes na volta 15, o que o beneficiou na disputa com o piloto da Haas. Entretanto, Magnussen era mais veloz e encostou em Ocon na volta 42. A pressão de Kevin sobre Esteban foi intensa, mas o piloto da Force India foi ao seu limite. Todavia, na volta 48, enfim o danês superou o francês do time indiano, subindo para sétimo. Naquele momento, Magnussen estava a mais de 10s de Grosjean.

Na fase final da prova, Grosjean passou a administrar o desgaste dos pneus

No final da prova, abandonos de Ricciardo e Hamilton fizeram com que Grosjean subisse para quarto

Consolidados na pista, os pilotos da Haas só passaram a se preocupar em gerenciar o desgaste dos pneus macios e “levar as crianças para casa”. Porém, o que se viu em Spielberg foi uma sequência de inesperadas quebras, que contribuíram para a ascensão da equipe norte-americana no GP da Áustria. Na volta 53, Ricciardo encarou problemas no escapamento de seu Red Bull e foi obrigado a abandonar. Dessa forma, Romain assumiu a quinta posição, e Kevin, a sexta. Na 63, o inacreditável aconteceu: então quarto colocado, Lewis Hamilton (Mercedes), com problemas na pressão do combustível de seu bólido, abandonou a etapa austríaca. Foi o primeiro abandono de Hamilton desde o GP da Malásia de 2016, em Sepang, quebrando uma sequência de 33 corridas consecutivas alcançando a bandeira quadriculada (um recorde na F1, igualado com Nick Heidfeld).

Além disso, pela primeira vez desde o GP da Espanha de 2016, em Montmeló, os dois carros da Mercedes ficavam de fora de uma corrida. Por fim, foi a primeira vez em 63 anos que os carros da equipe germânica abandonaram com problemas mecânicos – desde o GP de Mônaco de 1955, quando Juan Manuel Fangio, Stirling Moss e Andre Simon deixaram a disputa por falhas em seus carros prateados. Sem Hamilton, Grosjean ascendeu para o quarto lugar, e Magnussen, para o quinto. Com a distância sobre Pérez sob controle, bastou à dupla da Haas administrar o equipamento e receber a histórica bandeira quadriculada. Max Verstappen (Red Bull) faturou a vitória em Spielberg – foi a primeira vitória do holandês em 2018, a quarta na carreira -, seguido por Kimi Raikkonen (Ferrari) e Vettel – que, com o terceiro lugar combinado com o abandono de Hamilton, reassumiu a liderança do Mundial de Pilotos por 1 ponto (146 a 145). Além disso, a quebra das Mercedes reconduziu a Ferrari ao topo do Mundial de Construtores (247 a 237).

Celebração dos mecânicos com Romain Grosjean: melhor resultado da história da Haas até o momento

Celebração dos mecânicos com Grosjean: melhor resultado da história da Haas até o momento

Nos boxes da Haas, o clima era de total êxtase. A celebração foi de vitória em Spielberg. Para Grosjean, o resultado representou uma redenção, após tantas dificuldades encaradas na temporada 2018. “Foi um ótimo dia para todos nós, toda a equipe. Eles mereceram um resultado tão bom com os carros terminando em quarto e quinto. É incrível para o nosso 50º GP. Estou feliz por todos eles. Fizemos um trabalho incrível durante todo o final de semana. Tivemos alguma sorte na corrida com os carros da Mercedes não terminando, mas foi um ótimo final de semana e podemos realmente aproveitar esse momento. Ainda há algumas coisas que podemos melhorar aqui e ali, mas estou feliz por termos conseguido um longo stint com pneus macios. As últimas 20 voltas não foram fáceis – havia bolhas nos pneus traseiros – e eu temia que eles explodissem a qualquer momento. Estou tão feliz que ficamos lá e terminamos em quarto e quinto”, celebrou.

Magnussen corroborou com as palavras do companheiro. “Tivemos um final de semana muito bom. Não esperávamos desafiar os cinco primeiros, mas, com as quebras, terminamos com os dois carros no top 5. Isso é resultado de um trabalho incrível da Haas e estou muito orgulhoso de toda a equipe. Nós estávamos lutando com bolhas nos pneus durante todo o stint com os macios. Eu administrei isso e consegui terminar em quinto. Nós mostramos neste fim de semana que temos um bom carro. Na verdade, não é só neste fim de semana – mostramos durante todo o ano que o carro é muito competitivo. Nós apenas temos que continuar assim”, afirmou o dinamarquês.

Vibração nos boxes da Haas: 22 pontos vieram graças à competência de Romain e Kevin

Vibração nos boxes da Haas: 22 pontos vieram graças à competência de Romain e Kevin

Após o resultado na Áustria, foram alteradas as pretensões da Haas: o quarto lugar no Mundial passou a ser a meta da equipe. Atual quarta colocada, a Renault tem 62 pontos – apenas 13 a mais do que a rival norte-americana. A escuderia francesa que se cuide, pois o time ianque está pedindo passagem…

Com 49 pontos, Haas passou a mirar o quarto lugar entre os Construtores - atualmente, está a 13 pontos da Renault

Com 49 pontos, Haas passou a mirar o quarto lugar entre os Construtores – está a 13 da Renault

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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