França-2018: Magnussen segura Bottas e conquista 6º lugar

Kevin Magnussen foi preciso em Paul Ricard, e acabou sendo premiado com o sexto lugar

Kevin Magnussen (Haas) foi preciso em Paul Ricard, e acabou sendo premiado com o sexto lugar

Na batalha interna da Haas, Kevin Magnussen seguiu implacável contra Romain Grosjean. Nem mesmo o fato de correr na casa do francês intimidou o dinamarquês. No GP da França de 2018, disputado no último domingo, em Paul Ricard, Magnussen voltou a ser combativo. Kevin largou bem, se livrou dos incidentes da primeira volta, segurou a sensação Charles Leclerc (Sauber) no início e, no fim, parou o avanço de Valtteri Bottas (Mercedes) para conquistar um convincente sexto lugar. Com o resultado, o danês obteve oito importantes pontos para a escuderia norte-americana. Não só isso: apenas ele pontuou para a Haas após oito etapas – um total de 27 pontos (destaques para o quinto lugar no GP do Bahrein, em Sakhir, e para o sexto no GP da Espanha em Montmeló), ocupando o 10º lugar entre os Pilotos e ajudando a equipe a ficar em sétimo entre os Construtores. Já Grosjean terminou em 11º em Paul Ricard e seguiu sem figurar num top 10.

Ao desembarcar na França, a Haas encararia um desafio novo. Mas essa sensação era geral no paddock. Também pudera: havia 28 anos que a Fórmula 1 não corria em Paul Ricard – a última etapa por lá ocorreu em 1990, quando Ivan Capelli quase bateu Alain Prost na luta pela vitória. Além das particularidades do traçado, pilotos e equipes precisariam se adaptar às alterações do seletivo circuito (mais extenso em relação à década de 1980 e com uma variante em meio à Reta Mistral). Nos dois primeiros treinos da sexta-feira, tanto Magnussen quanto Grosjean andaram entre os 10 mais velozes. No fim, Kevin alcançou o 10º melhor tempo do dia (obtido no primeiro treino livre), com 1m34s108. O dinamarquês ficou a 0s790 de Romain, sexto com 1m33s318, e a 1s877 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor do dia com 1m32s231.

Assim que colocou o VF-18 na pista, Magnussen percebeu que o fim de semana poderia ser positivo

Assim que colocou o VF-18 na pista, Magnussen percebeu que o fim de semana poderia ser positivo

Magnussen deixou o cockpit otimista com o VF-18. “Foi tudo bem hoje (sexta). O carro parece competitivo aqui, mas temos um pouco a aprender sobre pneus. É sempre a principal coisa em que se concentrar – preservar os pneus para os stints. Isso é o que nós trabalharemos durante a noite. (Paul Ricard) é uma pista legal, com muitas curvas de alta velocidade e boas zonas de frenagem. É realmente uma pista divertida. Teremos que esperar e ver para amanhã (sábado), ver como as coisas evoluem. Queremos marcar pontos neste fim de semana, então precisamos de uma boa classificação para isso”, avaliou o dinamarquês.

No sábado, os bons presságios continuaram rondando a escuderia norte-americana. Tanto Magnussen quanto Grosjean prosseguiram com bons tempos. Assim, a Haas passava a acreditar que seus dois pilotos pudessem avançar para o Q3 de Paul Ricard. Nas tomadas de tempo, Kevin e Romain mostraram excelente forma a bordo do VF-18. Assim, o Q3 virou realidade para o time ianque: tanto o dinamarquês quanto o francês se colocaram entre os 10 primeiros do qualifying. No Q3, porém, a meta de alcançar o sétimo lugar não foi atingida. Grosjean bateu sozinho e ficou sem tempo, sendo obrigado a largar em 10º. Já Magnussen foi o nono colocado, com 1m32s930, a 2s901 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP da França com 1m30s029 (foi a 75ª vez que o britânico alcançava a posição de honra do grid).

No qualifying de sábado, Kevin foi atrapalhado por Kimi Raikkonen no Q3: frustrante nono lugar

No qualifying de sábado, Kevin foi atrapalhado por Kimi Raikkonen no Q3: frustrante nono lugar

Após a sessão, Kevin reclamou que foi atrapalhado em sua volta lançada por Kimi Raikkonen (Ferrari). Isso fez com que ficasse atrás inclusive de Charles Leclerc (Sauber), oitavo com 1m32s635 (0s295 mais veloz que Magnussen). Detalhe: o danês havia andado na casa de 1m31s no Q2. “Estava parecendo bom. Nós colocamos os dois carros no Q3, mas depois não conseguimos nada da sessão. Foi um bom desempenho até o Q3. Eu não consegui uma volta boa no Q3, tive Kimi (Raikkonen) me ultrapassando na minha volta mais rápida, então ele me deixou passar mais uma vez. Eu não tinha ideia do que ele estava fazendo. Isso impediu que eu fizesse uma volta boa no Q3”, lamentou o piloto da Haas. Ainda assim, diante do potencial demonstrado pelo carro em Paul Ricard, a possibilidade de pontuar mais uma vez era real.

Largada do GP da França de 2018, em Paul Ricard: toque entre Vettel e Bottas colocou Magnussen em quinto

Largada do GP da França de 2018: toque entre Vettel e Bottas colocou Magnussen em quinto

A corrida

Domingo, 24 de junho de 2018. Um dia histórico para o automobilismo francês. Após 10 anos de ausência, o GP da França de Fórmula 1 retornava ao calendário da categoria – o último havia sido disputado em 2008, em Magny Cours, com vitória de Felipe Massa. E, 28 anos após a bandeirada dada a Alain Prost, Paul Ricard voltaria a vibrar com os carros mais rápidos do mundo. Alheio ao frenesi das arquibancadas, Kevin Magnussen (Haas) queria apenas e tão somente atacar na largada e se livrar de qualquer inconveniente após o apagar das luzes vermelhas. Calçando pneus ultramacios e saindo do nono lugar do grid, o dinamarquês tentaria ganhar posições no início da etapa para se consolidar na zona de pontuação. Porém, não precisou de muito esforço: logo após a largada, Sebastian Vettel (Ferrari) abalroou Valtteri Bottas (Mercedes). Os dois não só escaparam da pista, como tiveram de se encaminhar para os boxes. Assim, caíram para o fim do pelotão.

A confusão armada por Vettel e Bottas atrapalhou Charles Leclerc (Sauber) e Kimi Raikkonen (Ferrari). Magnussen aproveitou a oportunidade para ultrapassar tanto o monegasco, quanto o finlandês. Assim, completou a volta 1 num excelente quinto lugar, atrás somente de Lewis Hamilton (Mercedes), Max Verstappen (Red Bull), Carlos Sainz Jr. (Renault) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Atrás do dinamarquês, um outro acidente acabou envolvendo os franceses Romain Grosjean (Haas), Pierre Gasly (Toro Rosso) e Esteban Ocon (Force India). Grosjean seguiu na corrida, enquanto Gasly e Ocon abandonaram a prova. Diante dos detritos espalhados por dois setores da pista, a direção de prova orientou o ingresso do safety car.

Magnussen bem que tentou, mas segurar Raikkonen era impossível

Magnussen bem que tentou, mas segurar Raikkonen era impossível: dinamarquês caiu para sexto

A relargada só veio na volta 6. Em quinto, Magnussen lidava com a pressão de Raikkonen. Ainda que tenha oferecido resistência, o dinamarquês acabou sendo ultrapassado pelo finlandês na volta 8, caindo para sexto. Na 10, Kimi superou Sainz e ascendeu para quarto. A partir daí, o foco de Kevin passou a ser acompanhar o ritmo de Carlos. Naquele momento, a vantagem do espanhol sobre o danês estava na casa de 2s5. Entretanto, o piloto da Haas teria um indigesto adversário vindo em prova de recuperação. Vettel superava um a um. Na volta 17, o alemão da Ferrari ultrapassou Leclerc para atingir a sétima posição. Imediatamente, Sebastian chegou em Magnussen. Mais uma vez, Kevin não resistiu ao poderio ferrarista. Na volta 18, acabou sendo superado pelo germânico, caindo para a sétima colocação.

Na volta 20, foi a vez de Vettel ultrapassar Sainz. Naquele instante, Magnussen estava a 2s do espanhol. Em contrapartida, passava a ser perseguido pelo impetuoso Leclerc. Na volta 23, a vantagem do dinamarquês sobre o monegasco era de apenas 0s8. Parecia questão de tempo para que Charles executasse a ultrapassagem sobre Kevin. Todavia, na volta seguinte, o piloto da Sauber escapou da pista e caiu para nono – foi ultrapassado por Nico Hulkenberg (Renault). O vacilo de Leclerc trouxe alívio para Magnussen, que pôde novamente voltar suas atenções para Sainz.

Kevin foi pressionado por Leclerc (Sauber), mas uma escapada do monegasco deu tranquilidade ao piloto da Haas

Kevin foi pressionado por Leclerc, mas uma escapada do monegasco deu tranquilidade ao danês

Na volta 26, contudo, a Renault chamou o espanhol para os boxes. Assim, Kevin ascendeu para o sexto lugar. O piloto da Haas bem que tentou imprimir um forte ritmo a fim de superar Sainz. Entretanto, com pneus novos, Carlos estava mais veloz do que o danês. Desta forma, não restou alternativa para a escuderia norte-americana: Magnussen teve que se encaminhar para o seu único pit stop na volta 28. Na troca, sacou os pneus ultramacios e colocou os macios (os mais resistentes disponíveis para Paul Ricard). No retorno à pista, o dinamarquês ocupava o 13° lugar. Na volta 30, superou Brendon Hartley (Toro Rosso), subindo para 12º. Imediatamente à frente, já avistava Sainz. Na 31, Leclerc se encaminhou para o pit, e Kevin ascendeu para a 11ª posição. A volta ao top 10 de Paul Ricard se deu na volta 34, após a parada de Grosjean.

A perseguição a Sainz prosseguia até o espanhol ultrapassar Stoffel Vandoorne (McLaren), na volta 35. O belga passou a ser uma barreira para o dinamarquês. Todavia, na volta 37, Magnussen superou Vandoorne. Na mesma passagem, Hulkenberg foi aos boxes. Assim, Kevin estava em oitavo. Na volta 39, a Mercedes chamou Bottas para o pit stop. Com a troca, o danês herdou o sétimo lugar. Entretanto, teria que lidar com o finlandês com pneus novos. Neste momento, Magnussen retomou a batalha contra Sainz. Na volta 42, a vantagem do espanhol sobre o dinamarquês era de 4s. Seis voltas depois, a diferença cairia para apenas 2s. Em contrapartida, Bottas estava pendurado na caixa de câmbio do piloto da Haas.

Com a perda de rendimento de Sainz, Magnussen foi alçado ao sexto lugar em Paul Ricard: festa dinamarquesa

Com a perda de rendimento de Sainz, Magnussen foi alçado ao sexto lugar em Paul Ricard

Quando se esperava uma disputa entre Sainz, Magnussen e Bottas, veio o imponderável: na volta 50, a quatro da bandeira quadriculada, o espanhol viu seu Renault com problemas em sua unidade de potência. Carlos foi facilmente ultrapassado por Kevin e Valtteri. Se por um lado, o dinamarquês herdava a sexta posição, por outro teria de encarar o finlandês da Mercedes – que estava determinado a se colocar no top 6. Magnussen se defendeu com destreza, impedindo qualquer manobra de Bottas. É bem verdade que o problema no assoalho da Mercedes do finlandês, que prejudicou o desempenho de Valtteri desde o acidente com Vettel, ajudou Kevin. Mesmo assim, o danês conseguiu furar a barreira das três grandes equipes – Mercedes, Ferrari e Red Bull – ao terminar na sexta posição.

O desfecho positivo fez com que a Haas celebrasse mais uma excelente performance de Magnussen, que estava satisfeito com sua apresentação. “Foi uma boa corrida. Aqui em Paul Ricard, tivemos um bom carro. Estou muito feliz por dar a volta por cima, após a decepção de ontem (sábado), na classificação. Sabíamos que ainda estávamos em uma posição onde poderíamos fazer algo de bom na corrida, e esse foi o nosso dia. Eu estava lutando um pouco com os pneus ultramacios no primeiro stint, estavam superaquecendo e sem tração nos traseiros. Por alguma razão, os dianteiros estavam funcionando muito bem e os traseiros estavam com dificuldades. Ainda assim, a degradação para nós foi bastante baixa, embora o equilíbrio estivesse errado. Quando colocamos os macios, comecei a cuidar deles um pouquinho. Então, quando eu fiquei sob pressão de Bottas, eu realmente comecei a forçar. Aquela economia surtiu resultado no fim”, celebrou.

Magnussen foi bastante celebrado nos boxes: top 6 após segurar Bottas

Após segurar Bottas, Magnussen foi bastante celebrado nos boxes: piloto soma 27 pontos no Mundial

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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