Canadá-2018: em franca evolução, Leclerc assegura 10º lugar

Charles Leclerc (Sauber) recebendo a bandeirada em 10º lugar: três top 10 nos últimos 4 GPs

Charles Leclerc (Sauber) terminou em 10º no GP do Canadá: três top 10 nas últimas quatro etapas

O impressionante sexto lugar no GP do Azerbaijão representou uma guinada na trajetória de Charles Leclerc (Sauber) em 2018. Em sua temporada de estreia na F1, o monegasco enfrentava dificuldades até conquistar o top 6 em Baku. Após esse resultado, Leclerc terminou em 10º lugar no GP da Espanha, em Montmeló e acabou tendo problemas de freios no GP de Mônaco quando atacava Brendon Hartley (Toro Rosso) pelo 11º lugar – Charles atingiu o neozelandês e abandonou a prova. Para apagar a imagem do acidente em casa, o piloto da Sauber queria retornar à zona de pontos em Montreal, palco do GP do Canadá. Mas havia um porém: o monegasco não conhecia o traçado do Circuito Gilles Villeneuve. Aprender os macetes da pista e ser combativo diante de adversários mais experientes eram os objetivos de Leclerc em solo canadense.

Na sexta-feira, dia dos dois primeiros treinos livres para o GP do Canadá, Leclerc teria a chance única de se adaptar à Montreal. Somadas, as duas sessões teriam 3 horas de duração. E foi nesse período que Charles adquiriu o conhecimento necessário para poder demonstrar seu potencial no Circuito Gilles Villeneuve. Ao final do dia, o monegasco anotou 1m13s884, sendo o 11º mais veloz do dia. Leclerc ficou 0s224 à frente de Marcus Ericsson (Sauber), seu companheiro de equipe – o sueco marcou 1m14s108 -, e a 1s686 de Max Verstappen (Red Bull), o mais rápido da sexta com 1m12s198.

Foi a primeira vez que Leclerc correu no Circuito Gilles Villeneuve: rápida adaptação

Foi a primeira vez que Leclerc correu no Circuito Gilles Villeneuve: rápida adaptação

Diante do desfecho da sexta, Charles considerou exitosa sua primeira experiência em Montreal. “Foi um dia positivo. Como é minha primeira vez dirigindo neste circuito, levei algumas voltas para entrar no ritmo. No momento em que saímos para o treino livre da tarde, senti confiança na pista e no carro, e o 11º lugar é um bom resultado para o primeiro dia. Vamos trabalhar para melhorar ainda mais e esperamos conseguir um resultado semelhante amanhã (sábado)”, analisou.

No sábado, Leclerc continuou mais competitivo do que Ericsson. Além disso, demonstrava força mesmo diante de carros considerados mais velozes, como Haas e McLaren. No qualifying de Montreal, Charles alcançou um inesperado 13º lugar no Q1. Já Ericsson ficou em 19º lugar na primeira sessão, com 1m14s593, sendo eliminado do treino oficial. No Q2, Charles manteve a boa forma e repetiu o 13º lugar. Com 1m12s661 (1s932 mais rápido do que Marcus), o monegasco se colocou à frente de Fernando Alonso (McLaren), o 14º – o bicampeão do mundo anotou 1m12s856 (0s195 mais lento do que o calouro). A marca de Leclerc foi 1s897 inferior à obtida por Sebastian Vettel (Ferrari), que fez 1m10s764 e assegurou a pole do GP do Canadá de 2018 – foi a 54ª da carreira do alemão na F1.

No qualifying, Charles avançou para o Q2 e assegurou o 13º lugar no grid: à frente de Alonso

No qualifying, Charles avançou para o Q2 e assegurou o 13º lugar no grid: à frente de Alonso

Charles fez um balanço positivo do qualifying de Montreal. “Foi um bom dia no geral. Fizemos alguns bons passos desde o treino livre desta manhã até a classificação, e estou satisfeito por ter chegado ao Q2 novamente. A pista era nova para mim quando cheguei em Montreal neste fim de semana. Após os últimos dois dias, eu definitivamente passei a me sentir confortável dirigindo aqui, e o carro também se comporta bem. Começar em 13º amanhã (domingo) é positivo, e estou ansioso para ver o que poderemos fazer durante a corrida para conseguir um bom resultado”, analisou.

Largada do GP do Canadá de 2018: Leclerc saltou bem, superou Hartley e Magnussen e assumiu o 11º lugar

Largada do GP do Canadá: Leclerc saltou bem, superou Hartley e Magnussen e assumiu o 11º lugar

A corrida

Domingo, 10 de junho de 2018. O sol dominava o cenário em Montreal. Arquibancadas repletas de fãs da Fórmula 1 aguardavam a largada do GP do Canadá. A expectativa era enorme no Circuito Gilles Villeneuve. Alinhado na 13ª posição do grid, Charles Leclerc trazia em seu Sauber os pneus ultramacios (de aderência média no fim de semana). A intenção do time suíço era fazer com que o monegasco parasse apenas uma vez nos boxes. Na largada, Leclerc saiu determinado a ganhar posições. Logo, superou Brendon Hartley (Toro Rosso) e Kevin Magnussen (Haas), saltando para o 11º lugar. No decorrer da volta 1, Hartley e Lance Stroll (Williams) se envolveram em um espetacular acidente. Tanto o canadense quanto o neozelandês escaparam ilesos do impacto. Para limpar a pista, foi necessária a entrada do safety car.

Com a bandeira amarela, os compostos ultramacios de Charles ganhariam mais voltas de vida útil, o que sacramentaria a ideia de uma parada do time suíço. A relargada só ocorreria na volta 5. E, logo na Curva 1, Sergio Pérez (Force India) escaparia abruptamente da pista ao tentar tomar o nono lugar de Carlos Sainz Jr. (Renault) – o mexicano foi tocado pelo espanhol. Pérez ainda retornou ao pelotão, mas na 13ª posição. Assim, o monegasco da Sauber herdava a 10ª posição em Montreal. A partir daí, Leclerc passava a perder contato de Sainz. Em contrapartida, sofria o assédio de Fernando Alonso (McLaren). Na volta 9, o bicampeão chegou a utilizar o DRS para ultrapassar o monegasco, mas Charles se posicionou por dentro da Curva 1, impedindo a manobra do adversário.

Alonso bem que tentou, mas Leclerc segurou o espanhol com maestria

Alonso bem que tentou, mas Leclerc segurou o espanhol com maestria em Montreal

Apesar da pressão, o piloto da Sauber mantinha Alonso sob controle. Após Esteban Ocon (Force India) ir para os boxes, na volta 11, Leclerc subiu para a nona posição. Com o pit stop de Nico Hulkenberg (Renault) na 13, o monegasco ascendeu para o oitavo lugar. Na passagem seguinte, foi a vez da parada de Sainz. Dessa forma, Charles assumia o sétimo lugar, sempre com Alonso em seus calcanhares. Na volta 18, a McLaren chamou Fernando para os boxes. A ideia do time britânico era calçar novos compostos e tentar superar Leclerc. Ao ver o movimento da McLaren, a Sauber chamou o monegasco para o pit stop na volta 19. Na troca, a equipe suíça sacou os pneus ultramacios e colocou os supermacios (os mais resistentes do fim de semana). Assim, Charles não pararia mais.

Na saída dos boxes, entretanto, Leclerc estava junto de Alonso. Desta vez, o espanhol levou a melhor, tomando a posição do monegasco. Naquele momento, Charles era o 14º lugar. Na volta 22, com a parada de Magnussen, o piloto da Sauber passou para 13º. Na 24, com o pit stop de Pierre Gasly (Toro Rosso), Leclerc ascendeu para 12º. A partir dali, parecia que a meta de pontuar estava longe de ser atingida, uma vez que Charles havia perdido a posição para Alonso e que ainda restava a parada de Romain Grosjean (Haas) – que tentava estender o tempo de permanência na pista. Assim, o monegasco precisava acelerar ao máximo para não perder contato com Fernando e ganhar a posição de Grosjean, então nono colocado.

Leclerc assumiu o 10º lugar após a quebra de Alonso e o pit stop de Grosjean

Leclerc assumiu o 10º lugar após a quebra de Alonso e o pit stop de Grosjean

A vantagem de Alonso sobre Leclerc variava entre 2 e 3 segundos. Dessa forma, seria impossível tomar a posição do espanhol. Entretanto, na volta 40, um problema no escapamento na McLaren fez com que Fernando abandonasse em Montreal. Assim, Charles subiu para 11º. Contudo, ainda restava a parada de Grosjean para a situação de pista ser definida. E ela veio na volta 47. O francês da Haas foi para os boxes, e caiu de nono para 12º. O monegasco da Sauber era 10º – a 8 segundos de Ocon e com mais de 10 segundos de vantagem de Gasly. A partir desse instante, bastou a Leclerc administrar o ritmo e assegurar mais um ponto na F1.

A vitória no GP do Canadá ficou com Sebastian Vettel (Ferrari). Foi a terceira vitória do alemão na temporada (a 50ª na carreira), que lhe rendeu a liderança do Mundial – agora, Sebastian tem 121 pontos, contra 120 de Lewis Hamilton (Mercedes), que terminou em quarto na etapa canadense. Valtteri Bottas (Mercedes) foi o segundo, e Max Verstappen (Red Bull) completou o pódio. Já Charles estava feliz com a 10ª posição. Também pudera: trata-se de seu terceiro top 10 no ano.

Charles administrou o ritmo no fim e conquistou mais um ponto no Mundial: monegasco soma 10 até o momento

Charles administrou o ritmo no fim e conquistou mais um ponto: monegasco soma 10 até o momento

“Foi uma boa corrida hoje (domingo). Estou muito feliz com o resultado – agora são quatro corridas que estamos fazendo um ótimo trabalho e que estamos melhorando consistentemente. Tenho orgulho da equipe e do trabalho que todos fizeram. Foi emocionante descobrir essa pista em Montreal e gostei muito de dirigir aqui. Agora temos que pegar o que aprendemos aqui e procurar continuar nesse caminho positivo para as próximas corridas”, afirmou Leclerc, que se manteve em 14º no Mundial de Pilotos, com 10 pontos, e que ajudou a Sauber a se consolidar na nona posição do Mundial de Construtores, com 12 pontos.

Início promissor de Leclerc ajuda a Sauber a ficar em nono no Mundial de Construtores, à frente da Williams

Início promissor de Leclerc ajuda a Sauber a ficar em nono entre os Construtores, à frente da Williams

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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