Mônaco-2018: tática e regularidade colocam Gasly em sétimo

Pierre Gasly foi um dos destaques do GP de Mônaco: sétimo lugar veio com estratégia ousada

Pierre Gasly (Toro Rosso) foi um dos destaques do GP de Mônaco: 7º lugar veio com estratégia ousada

Pierre Gasly (Toro Rosso) causou furor quando alcançou um impressionante quarto lugar no GP do Bahrein de 2018, em Sakhir. Também pudera: impulsionado por um questionado motor Honda, o francês deu um show à parte e conquistou importantes 12 pontos para a escuderia italiana e para a fabricante japonesa. A partir dali, a expectativa em torno de Gasly só aumentou. Entretanto, as etapas seguintes não foram frutíferas para o piloto de 22 anos – no GP da China, em Xangai, atingiu em cheio seu companheiro de Toro Rosso, Brendon Hartley, e terminou em 15º; no GP do Azerbaijão, em Baku, enfrentou percalços e foi 12º; e no GP da Espanha, em Montmeló, foi ‘atropelado’ por Romain Grosjean (Haas) e acabou abandonando a prova. Por isso, o mantra de Pierre para a disputa do GP de Mônaco de 2018 era um só: voltar a pontuar na temporada.

A estreita pista do Principado seria cenário ideal para uma reação do francês no campeonato. Em um circuito travado, a potência de motor é menos preponderante – logo, um bom sinal para a Honda. Assim sendo, encontrar um balanço ideal para percorrer as ruas monegascas era o desafio para a Toro Rosso. Dessa forma, Gasly e Hartley ingressaram na pista na quinta-feira – dia tradicional dos primeiros treinos livres para o GP de Mônaco. Logo, a dupla tratou de testar os jogos de pneus disponíveis para o fim de semana – os supermacios (mais resistentes), ultramacios (intermediários) e hipermacios (menos resistentes). No fim, tanto Pierre quanto Brendon ficaram no meio do pelotão. Gasly foi o 14º mais veloz do dia, com 1m13s410. O gaulês ficou a 0s188 de Hartley, o 11º com 1m13s222, e a 1s569 de Daniel Ricciardo (Red Bull), o melhor do dia com 1m11s841.

No primeiro dia de treinos, na quinta, Gasly foi superado por Brendon Hartley: adaptação aos jogos de pneus

No primeiro dia de treinos, na quinta, Gasly foi superado por Hartley: adaptação aos jogos de pneus

Sobre o primeiro dia de treino, o francês demonstrou um misto de alegria e preocupação. “É muito legal estar de volta nas ruas de Mônaco! Minha última vez foi em 2016, e é uma das pistas mais incríveis do ano, então é muito bom estar aqui. Tentamos muitas coisas hoje (quinta), e no momento eu acho que está muito apertado entre o P7 e a parte de trás do pelotão. Eu realmente não encontrei as configurações certas para me sentir totalmente confortável com o carro, então eu estou um pouco fora de sincronia no momento. Já o Brendon (Hartley) parece muito bem, então vamos trabalhar para tentar encontrar o melhor pacote. O carro parece ser rápido, então se conseguirmos encontrar dois ou três décimos, acho que podemos lutar para estar no top 10 do grid – esse será o alvo para trabalharmos para sábado”.

No sábado, tanto Gasly quanto Hartley tinham não só esperança de passar para o Q2 de Mônaco, como também (mas com uma dose de sorte) de avançar para o Q3. No treino livre de sábado, Max Verstappen (Red Bull), um dos favoritos para a pole, se espatifou na saída da segunda perna do S da Piscina. O acidente tirou o holandês do qualifying, aumentando o otimismo nos boxes da Toro Rosso. Porém, assim que o Q1 terminou, uma surpresa desagradável para o time de Faenza: Brendon foi apenas o 16º lugar, com 1m13s179, não avançando para o Q2. Já Pierre foi com louvor não só para o Q2, como também brilhou ao alcançar o Q3. Na sessão final, Gasly anotou 1m12s221, ficando 1s411 atrás de Daniel Ricciardo (Red Bull), pole do GP de Mônaco. O australiano fez 1m10s810, quebrando o recorde da pista e anotando sua segunda pole na carreira – a primeira foi justamente na etapa monegasca, em 2016.

No sábado, Pierre conseguiu avançar para o Q3. No fim, conseguiu o 10º lugar no grid

No sábado, Pierre conseguiu avançar para o Q3. No fim, conseguiu o 10º lugar no grid

“Devo dizer que me senti bem no carro hoje (sábado). Creio que demos um bom passo comparado às últimas corridas. Ficamos a apenas um décimo do 6º lugar – o que é bom e ruim ao mesmo tempo, porque você sempre fica pensando que poderia ter encontrado aquele décimo. Estou super feliz por chegar à Q3 e é uma boa posição de largada, principalmente nesta pista. Como vimos no passado, tudo pode acontecer aqui. Acho que será extremamente importante largar bem. Estou cada vez mais confortável no carro, então preciso continuar acumulando experiência e melhorando. Mônaco é realmente uma pista única, e tivemos de acertar o carro de modo diferente – o que foi positivo. Aprendemos mais a cada fim de semana e parece que tudo está funcionando bem desta vez. Chegamos novamente no pelotão intermediário e espero que possamos ter uma ótima corrida amanhã (domingo), marcando muitos pontos”, analisou Pierre após o quali.

Largada do GP de Mônaco de 2018: com início limpo, Gasly se manteve em 10º

Largada do GP de Mônaco de 2018: com início limpo, Gasly se manteve em 10º

A corrida

Domingo, 27 de maio de 2018. Nuvens escuras pairaram sobre o Principado de Mônaco momentos antes da largada. Porém, apenas algumas gotas não molharam o circuito de rua. Assim, pilotos e equipes não precisaram se preocupar com o clima. As 78 voltas do GP de Mônaco aconteceriam com o asfalto seco. Alinhado na 10ª posição do grid, Pierre Gasly tinha dois objetivos: prosseguir no top 10 da classificação e escapar de qualquer incidente na Sainte Devote, primeira curva do traçado monegasco. Calçando pneus hipermacios, o francês sabia que conservar aquele composto seria fundamental para a obtenção de um bom resultado. Logo ao apagar das luzes vermelhas, Gasly tratou de defender sua 10ª posição. Após passar limpo pela Sainte Devote, Pierre via Nico Hulkenberg (Renault), o 11º, em seu retrovisor, enquanto perseguia Sergio Pérez (Force India), o nono.

Com as posições estabelecidas, o que se viu foi uma procissão pelas ruas do Principado. Na volta 5, Gasly estava a 1s4 de Pérez, e tinha 0s9 de vantagem sobre Hulkenberg. Apesar das distâncias pequenas, ninguém se arriscava a fazer uma ultrapassagem. Também pudera: o circuito também não permitia tal “extravagância”. Na volta 10, a vantagem de Checo sobre Pierre se mantinha em 1s5. A esperança do francês da Toro Rosso se encontrava na estratégia traçada pela equipe de Faenza e na parada dos seus concorrentes mais próximos. E isso começou a ocorrer na volta 15, com a ida de Carlos Sainz Jr. (Renault) para os boxes. Com a parada do espanhol, Gasly subiu para nono. Na volta 19, foi a vez de Fernando Alonso (McLaren) realizar seu pit stop. Assim, o francês ascendeu para a oitava colocação.

Gasly sofreu pressão de Hulkenberg no início da etapa, mas seguiu à frente do alemão

Gasly sofreu pressão de Hulkenberg no início da etapa, mas seguiu à frente do alemão

Na 21, enfim, Pérez saiu da alça de mira de Gasly e se encaminhou aos boxes. Dessa forma, Pierre assumiu o sétimo lugar. Na 23, após o pit stop de Esteban Ocon (Force India), o piloto da Toro Rosso passou a ocupar a sexta colocação. A partir daquele instante, apenas carros das três principais potências estavam à sua frente – Daniel Ricciardo (Red Bull) era o líder, seguido por Sebastian Vettel (Ferrari), Lewis Hamilton (Mercedes), Kimi Raikkonen (Ferrari) e Valtteri Bottas (Mercedes). Na volta 25, o francês estava a 19s3 de Bottas. Em contrapartida, tinha 6s4 de vantagem sobre Hulkenberg. O ritmo de Gasly com os pneus hipermacios usados eram excelentes, a ponto de colocar mais distância sobre Hulk. Na volta 32, a diferença entre Pierre e Nico alcançava 12s4.

Porém, já era chegada a hora da troca de pneus. A Toro Rosso chamou Gasly para os boxes na volta 37, tendo sido o piloto que mais andou com os hipermacios em Mônaco. Na troca, colocou supermacios (os mais resistentes à disposição das escuderias). No retorno à pista, o francês estava em 10º, atrás de Max Verstappen (Red Bull) – que ainda não tinha feito seu pit stop. O francês estava colado no holandês, mas não tinha como superá-lo. Com a ida de Verstappen para os boxes, na volta 47, Pierre subiu para nono. Com a parada de Hulkenberg, na volta 50, o piloto da Toro Rosso assumiu o oitavo lugar. Podendo utilizar os supermacios à vontade, Gasly colou em Alonso, o sétimo. O espanhol tinha dificuldades em segurar seu McLaren na pista. Na volta 53, veio o motivo: o bicampeão encarava problemas no câmbio de seu bólido laranja, abandonando a prova. Assim, Pierre assumia o sétimo lugar.

Quebra de Alonso ajudou Gasly a assumir o sétimo lugar. Ainda assim, sofreu com pressão de Hulk

Quebra de Alonso ajudou Gasly a assumir o sétimo lugar. Ainda assim, sofreu com pressão de Hulk

A partir dali, Gasly iniciava perseguição a Ocon, o sexto. Na volta 55, a distância entre os dois franceses estava na casa de 4 segundos. Aos poucos, Pierre reduzia a diferença. Contudo, precisava se preocupar com o avanço de Hulkenberg, que, na volta 60, colou na traseira da STR13 do gaulês. Na volta 62, o piloto da Toro Rosso estava a 3 segundos de Ocon, e tinha 0s4 de vantagem sobre Hulk. Empurrado pelo alemão da Renault, Gasly encostava no francês da Force India. Na volta 70, Ocon se aproximava de Raikkonen, o quarto, e Bottas, o quinto. Isso fazia com que Esteban andasse no ritmo imposto por Kimi, fazendo aumentar o pelotão – o que era bom para Pierre. Entretanto, na volta 71, Charles Leclerc (Sauber), que corria pela primeira vez em casa, sofreu com uma falha de freios e acabou atingindo Brendon Hartley (Toro Rosso) na freada da Chicane do Porto.

O acidente entre Leclerc e Hartley promoveu a instalação do virtual safety car (VSC) na etapa monegasca por três voltas. A liberação foi dada na volta 75, a três da bandeira quadriculada. Gasly partiu para cima de Ocon. Porém, não havia como ultrapassá-lo. Pierre cruzou a linha de chegada a 0s6 de Esteban, tendo que se conformar com a sétima posição. A vitória no GP de Mônaco de 2018 ficou com Ricciardo. Após o fiasco de 2016 – quando perdeu um triunfo certo por causa de um erro na troca de pneus -, o australiano enfim pôde saborear o topo do pódio no Principado após superar problemas de perda de potência em seu Red Bull. Foi a segunda vitória de Daniel em 2018 – a sétima na carreira. Vettel ficou em segundo, e Hamilton completou o pódio.

Gasly se mostrou satisfeito com o sétimo lugar: andar por 37 voltas com hipermacios foi a chave para o resultado

Gasly estava satisfeito com o 7º lugar: fazer 37 voltas com hipermacios foi a chave para o resultado

Mesmo não chegando em sexto, Gasly celebrou o bom sétimo lugar em Mônaco. “Meu primeiro GP de Mônaco na F1 e minha segunda vez nos pontos em 2018. Honestamente, foi uma corrida incrível. Largando em 10º, nós sabíamos que poderia ser difícil, mas o carro estava muito veloz. Tentei ser cauteloso com os pneus desde o começo, e quando estava sozinho na pista, pude forçar ao máximo porque estava me sentindo bem no carro. Conseguimos sair dos pits à frente dos outros e lutei bastante para manter Hulkenberg atrás, porque sabemos que é difícil passar em Mônaco. Tentei manter o foco e não cometer erros, já que os pneus estavam bem desgastados no final. Não foi fácil, mas conseguimos chegar em sétimo”, afirmou o francês.

Sobre a opção do longo stint com hipermacios, Pierre disse que não foi algo previamente estabelecido. “Na verdade, fizemos um stint muito mais longo do que planejamos. Não esperávamos que pudéssemos manter os pneus vivos por muito tempo. Não era o plano e foi algo que decidimos durante a corrida. Foi inacreditável quantas voltas fizemos com os hipermacios (37). Antes da corrida eu não estava confiante com os pneus porque a degradação foi enorme. Então eu tentei cuidar muito bem dos pneus no começo e, quando todo mundo começou a parar, eu comecei a forçar. Naquele momento, nós estávamos mais rápidos do que todos os caras que colocaram supermacios e ultramacios”, destacou o piloto, que, com o sétimo lugar, subiu para 11º no Mundial de Pilotos, com 18 pontos, e ajudou a manter a Toro Rosso em sétimo entre os Construtores – o time está empatado com a Haas na classificação, com 19 pontos.

Pierre está em 11º do Mundial de Pilotos, com 18 pontos, e ajudou a Toro Rosso a empatar com a Haas entre os Construtores

Com 18 pontos em 2018, Pierre ajudou a Toro Rosso a empatar com a Haas entre os Construtores

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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