Espanha-2018: Magnussen, o intimidador, leva a Haas ao top 6

Envolvido em lances polêmicos, Kevin Magnussen ignorou críticas e levou a Haas ao 6º lugar no GP da Espanha

Envolvido em polêmicas, Kevin Magnussen ignorou críticas e levou a Haas ao 6º lugar em Montmeló

Ainda que venha obtendo bons resultados em 2018 (destaque para o quinto lugar no GP do Bahrein, em Sakhir), Kevin Magnussen tem chamado mais a atenção dos fãs da Fórmula 1 por causa de seu comportamento ‘agressivo’ contra seus adversários. No GP do Azerbaijão, em Baku, por exemplo, o dinamarquês da Haas deixou espectadores indignados após fechar Pierre Gasly (Toro Rosso) em duas oportunidades em uma mesma reta. Após o lance, o francês declarou que Magnussen era “o piloto mais perigoso com o qual já competi”. Depois do incidente, Kevin recebeu uma punição de 10 segundos e também dois pontos de penalidade em sua superlicença. Ao desembarcar em Montmeló, palco do GP da Espanha, o dinamarquês carregava sete pontos na superlicença – caso o piloto atinja 12 pontos em um período de 12 meses, ele ficará suspenso por uma corrida.

Apesar de concentrar os olhares por causa de sua conduta na pista, Magnussen parecia pouco se importar. Pelo contrário: ao ingressar no circuito catalão para o primeiro treino livre, tratou de manter seu habitual senso “intimidador”. Durante a sessão, KMag fechou Charles Leclerc (Sauber) de forma abrupta e acintosa, assustando o jovem monegasco. O fato voltou a ser investigado pela FIA. Embora tenha dado uma reprimenda, os fiscais decidiram não punir o piloto da Haas. Depois da decisão, o chefe da escuderia, Gunther Steiner, defendeu o comandado. “Todo mundo se sente no direito de criticar Kevin. Ele foi até os comissários, que o repreenderam, mas ele não recebeu punição. Não há necessidade de tirar proveito disso. No momento em que Kevin é o ‘bad boy’, os comissários o chamam por qualquer coisa”, afirmou ao jornal Ekstra Bladet, da Dinamarca.

Após ser punido por fechar Gasly em Baku, Magnussen levou reprimenda da FIA após fechada em Leclerc no treino livre em Montmeló

Punido por fechar Gasly em Baku, KMag levou reprimenda ao ignorar Leclerc no FP1 em Montmeló

Polêmicas à parte, a sexta foi positiva para Magnussen. O dinamarquês foi o oitavo mais veloz do dia, com 1m19s643. Romain Grosjean foi o sétimo, com 1m19s579 – apenas 0s064 à frente do companheiro de equipe. A volta de Kevin foi 1s384 mais lenta que a de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz da sexta com 1m18s259. Magnussen não deu declarações sobre a reprimenda da FIA no incidente com Leclerc. Entretanto, destacou a boa performance do VF-18 em Montmeló. “Foi um bom dia hoje (sexta-feira). Estou satisfeito com o desempenho do carro. Algumas coisas para melhorar amanhã (sábado), mas, no geral, acho que estamos parecendo muito fortes”, analisou.

No sábado, Kevin foi protagonista apenas na pista. Veloz e demonstrando afinidade com seu Haas, o dinamarquês estava determinado a avançar para o Q3 em Montmeló. Assim como Grosjean, Magnussen superou as duas primeiras fases do qualifying. Na terceira e definitiva fase, KMag assinalou 1m17s676, derrubando as pretensões dos espanhóis Fernando Alonso (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (Renault) em alcançar o sétimo lugar no grid. Kevin ficou atrás somente das duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. A marca de Magnussen foi 0s159 mais veloz que a de Grosjean, 10º com 1m17s835. Em contrapartida, ficou a 1s503 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP da Espanha com 1m16s173. Foi a 74ª pole position da carreira do britânico, recordista absoluto do quesito na F1.

No sábado, Magnussen só ficou atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull: 7º lugar com sabor de pole

No sábado, Magnussen só ficou atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull: 7º lugar com sabor de pole

Apesar da pole ficar com Hamilton, Magnussen celebrou o sétimo lugar como se fosse a posição de honra do grid. “Foi uma classificação muito boa. O P7 para nós é realmente a pole – é o melhor que você pode esperar se não estiver em uma Ferrari, Mercedes ou Red Bull. Estou muito feliz com isso. Estou ansioso para amanhã (domingo) e, espero, possamos trazer para casa alguns pontos. É uma boa posição para largar, e novamente, o P7 é provavelmente o melhor que podemos esperar se todos terminarem. Isso ainda é uma batalha muito apertada, mas eu acho nosso carro forte e podemos estar felizes com o que estamos fazendo no momento”, disse o dinamarquês.

Largada do GP da Espanha, em Montmeló: Magnussen se manteve em 7º e se viu livre de incidentes

Largada do GP da Espanha, em Montmeló: Magnussen se manteve em 7º e se viu livre de incidentes

A corrida

Domingo, 13 de maio de 2018. Apesar da presença de nuvens escuras, a chuva passaria longe de Montmeló durante o GP da Espanha. Alinhado em sétimo e calçando pneus macios, Kevin Magnussen tinha uma missão traçada: manter-se em sétimo, atrás apenas das três principais potências da F1 na atualidade – Mercedes, Ferrari e Red Bull. Para isso, o dinamarquês precisava frear o ímpeto dos espanhóis Fernando Alonso (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (Renault). Quando as luzes vermelhas se apagaram, KMag conseguiu saltar bem e ficar à frente dos concorrentes. Na entrada da curva 3, Magnussen controlou o carro e seguiu em sétimo. Logo atrás dele, vinha Romain Grosjean (Haas). O francês se assustou com o movimento do bólido do companheiro e perdeu a traseira de seu VF-18. Para evitar que saísse da pista, Grosjean acelerou ao máximo. Foi um tremendo erro: Romain voltou atravessado, no meio do pelotão, e acertou Pierre Gasly (Toro Rosso) e Nico Hulkenberg (Renault) em cheio.

Apesar da impressionante cena protagonizada por Grosjean, os pilotos saíram ilesos de seus carros. O forte acidente provocou a entrada do safety car. Na relargada, na volta 6, Magnussen sofreu ataque de Sainz, mas prosseguiu em sétimo. Aos poucos, Kevin passou a abrir sobre Carlos. Em contrapartida, perdia contato em relação a Daniel Ricciardo (Red Bull), sexto colocado. Na volta 10, KMag colocava 2s3 sobre Sainz, e ficava a 4s2 de Ricciardo. Na 15, a vantagem de Daniel sobre Kevin era de 9s8. Já a do dinamarquês da Haas sobre o espanhol da Renault alcançava 3s3. Na volta 18, Sebastian Vettel (Ferrari) se encaminhou para os boxes, fazendo seu primeiro pit stop. Com a parada do alemão, KMag assumiu o sexto lugar.

Magnussen, à frente de Sainz: missão do dinamarquês era bater o espanhol

Magnussen, à frente de Sainz (Renault): missão do dinamarquês em Montmeló era bater o espanhol

Com pneus novos, Vettel se aproximou rapidamente de Magnussen. Na volta 20, o germânico superou o dinamarquês. Naquele mesmo instante, Valtteri Bottas (Mercedes) saía dos boxes após realizar seu pit stop. Assim, Kevin estava entre Seb e Valtteri. O finlandês da Mercedes não podia perder tempo na perseguição ao alemão da Ferrari. Logo na volta 21, Bottas ultrapassou Magnussen, fazendo com que o dinamarquês voltasse para o sétimo lugar. Na volta 25, Kimi Raikkonen (Ferrari) se deparou com problemas em seu motor. Assim, KMag acabou herdando o sexto lugar. Naquela passagem, Sainz parou nos boxes. Diante da parada do espanhol da Renault, o piloto da Haas passou a estender sua presença na pista ao máximo. O objetivo era um só: realizar apenas um pit stop durante toda a corrida.

Na volta 32, a Haas chamou Magnussen para os boxes. Na troca, a equipe norte-americana sacou os pneus macios e os substituiu por compostos médios (mais resistentes, menos aderentes). No retorno à pista, Kevin continuava em sexto. A tática da escuderia ianque havia surtido efeito. Assim, o dinamarquês poderia administrar seu ritmo de prova. Na volta 37, a vantagem de KMag sobre Sainz era de impressionantes 19s. Por outro lado, estava a 30s de Ricciardo. A partir daquele momento, Magnussen passaria a fazer uma corrida solitária. Na volta 52, Kevin tomou uma volta do líder Lewis Hamilton (Mercedes). Porém, sua vantagem sobre Carlos estava além dos 20s. Assim, KMag asseguraria sem maiores percalços o sexto lugar em Montmeló. A vitória ficou com Hamilton, seguido por Bottas e Max Verstappen (Red Bull).

Na fase final da prova, Magnussen administrou os pneus médios e assegurou o sexto lugar

Na fase final da prova, Magnussen administrou os pneus médios e assegurou o sexto lugar

Não houve pódio para Magnussen, mas havia muito a celebrar. Foi o segundo top 6 do dinamarquês em 2018. Com isso, Kevin passou a dividir o nono lugar do Mundial de Pilotos com Sainz – ambos têm 19 pontos. Além disso, ajudou a Haas a superar a Force India entre os Construtores – agora, o time ianque tem 19 pontos, contra 18 dos indianos. O acidente de Grosjean foi péssimo para a escuderia – caso não sofresse o acidente, dificilmente o sétimo lugar escaparia do francês. Porém, para KMag, significou a sua consolidação como primeiro piloto da Haas em 2018. Sobre o desempenho em Montmeló, o dinamarquês ressaltou a importância de conservar o sétimo lugar – afinal, era o lugar mais palpável para ele na etapa espanhola.

“Eu tive uma largada muito boa. Eu estava ao lado dos carros da Red Bull, mas eu realmente não queria lutar contra eles, pois sabia que eles eram muito mais rápidos. Meu trabalho era ficar em sétimo e me estabelecer a partir daí. Eu fui capaz de me defender bem. Me mantive afastado de problemas na primeira volta, e fiquei feliz por isso. Tivemos um desempenho forte e penso que merecíamos obter esses pontos, como foi no Bahrein. A bem da verdade, deveríamos marcar pontos em todas as corridas, e nós tivemos carro para fazer isso. Porém, nós tivemos alguns erros e contratempos que fizeram que não marcássemos pontos regularmente. É bom conseguir alguns pontos na tabela. Estou satisfeito por estarmos de volta em nossa merecida posição no campeonato de construtores (sexto lugar). Nós só precisamos manter esse nível e continuar a pontuar regularmente”, finalizou Magnussen.

KMag levantou sua torcida em Montmeló: 19 pontos, top 10 do Mundial e posição de destaque na Haas

KMag levantou a torcida em Montmeló: 19 pontos, top 10 do Mundial e posição de destaque na Haas

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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