China-2018: Hulkenberg obtém top 6 e ‘manda recado’ a Sainz

Hulk, à frente de Sainz, em Xangai: alemão conquistou outro top 6

Nico Hulkenberg, à frente de Carlos Sainz Jr., em Xangai: alemão conquistou outro top 6

Quando a Renault anunciou que Carlos Sainz Jr. passaria a defender o time a partir do GP dos Estados Unidos de 2017, em Austin, a escuderia francesa colocava uma sombra sobre Nico Hulkenberg. Afinal, o talentoso espanhol pressionaria o alemão dentro do time. Na prova norte-americana, inclusive, Sainz conquistou um bom sétimo lugar, enquanto Hulk abandonou logo no início. Nas três etapas seguintes, entretanto, Nico fez valer a maior experiência com o modelo RS17 e conquistou dois top 10 – foi 10º no GP do Brasil, em Interlagos, e sexto no GP de Abu Dhabi, em Yas Marina -, enquanto Carlos não mais pontuou. Em 2018, a promessa era a de que o madrileno e o tedesco travariam um intenso duelo pela primazia na Renault. Todavia, a atual temporada tem sido amplamente favorável para Hulkenberg.

Na abertura do Mundial, no GP da Austrália, em Melbourne, o germânico foi sétimo – já o espanhol foi 10º. E no GP do Bahrein, em Sakhir, Nico terminou em sexto – e Carlos em 11º. Nessa disputa à parte entre a dupla do time francês, Sainz esperava reagir em Xangai, palco do GP da China de 2018. Contudo, Hulkenberg, mais uma vez, foi impecável. Bem adaptado ao RS18, o alemão conquistou o sexto lugar em solo chinês. À frente de Nico, apenas pilotos que defendiam as três potências da atualidade – Mercedes, Ferrari e Red Bull. Já Carlos obteve dois pontos ao terminar em nono. Todos esses resultados revelam que, se de fato o madrileno tiver a intenção de bater o germânico, precisará colocar toda a sua categoria à prova – senão, correrá o risco de ser varrido pelo companheiro de Renault.

Na sexta-feira, Hulk conquistou um bom sexto lugar: prenúncio de bom resultado à vista

Na sexta-feira, Hulk conquistou um ótimo sexto lugar: prenúncio de bom resultado à vista

Na sexta-feira, dia do primeiro dia de treinos em Xangai, Hulkenberg tratou de impor sua autoridade dentro da equipe francesa. O alemão terminou em sexto, com 1m34s313, sendo superado apenas pelos pilotos de Mercedes, Ferrari e Max Verstappen (Red Bull). Nico foi 0s160 mais veloz do que Sainz, oitavo com 1m34s473. O melhor da sexta foi Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m33s482 – 0s831 à frente de Hulk. O bom desempenho no circuito chinês deixou evidenciado que a Renault iria brigar pelos pontos, no ponto de vista do germânico. “Estava ventando muito na sessão da manhã, então tivemos chuva no final da sessão da tarde, mesmo assim, foi bem tranquilo. Temos um bom ponto de partida com o carro aqui, por isso é um caso de ver o que podemos fazer para tirar o máximo proveito da classificação amanhã (sábado), depois da corrida de domingo”, observou.

Para o sábado, o objetivo da escuderia francesa era colocar seus dois carros entre os 10 primeiros do grid de Xangai. Com o bom equilíbrio do RS18, a chance de Hulk e Sainz alcançarem a meta era alta. Na pista, ambos fizeram valer o potencial do carro preto e amarelo: tanto Nico quanto Carlos superaram as duas primeiras fases do qualifying. No Q3, o alemão fez uma volta quase perfeita, arrancando 1m32s532 – o que lhe garantiu o sétimo melhor tempo (atrás somente das duplas de Ferrari, Mercedes e Red Bull). Já o espanhol marcou 1m32s819 (a 0s287 de Hulkenberg), ficando em nono. A pole do GP da China foi obtida por Sebastian Vettel (Ferrari), com 1m31s095 – a 52ª na carreira do tetracampeão. Seb ficou 1s437 à frente de Hulk.

A boa forma do RS18 levou Hulk e Sainz para o Q3 de Xangai: germânico assegurou o 7º lugar no grid

A boa forma do RS18 levou Hulk e Sainz para o Q3 de Xangai: germânico assegurou o 7º lugar no grid

“Estou feliz com o sétimo lugar mais uma vez, que provavelmente é o melhor que poderíamos ter feito hoje (sábado). Alcançamos nossa missão na classificação e isso é positivo. Estou tendo uma boa sensação e um bom ritmo nesta pista, o equilíbrio do carro está ótimo. Amanhã (domingo) será um pouco mais desafiador. O primeiro stint com certeza será curto, mas temos velocidade com todos os compostos, o que me deixa otimista para a corrida”, sentenciou Nico.

Largada do GP da China de 2018: Hulkenberg conseguiu se manter em sétimo

Largada do GP da China de 2018: Hulkenberg conseguiu se manter em sétimo

A corrida

Domingo, 15 de abril de 2018. O sol despontou sobre o Circuito Internacional de Xangai, cenário do GP da China. Diferentemente da baixa temperatura da sexta e do sábado (quando a meteorologia apontou até 12°C no ambiente), o clima esquentou para a corrida – os termômetros anotavam 19°C. Calçado com pneus ultramacios, Nico Hulkenberg alinhou seu Renault na sétima posição no grid com o intuito de se manter no top 7 – ou seja, atrás somente de Ferrari, Mercedes e Red Bull. Após o apagar das luzes vermelhas, o alemão conseguiu cumprir com seu objetivo inicial, ficando em sétimo – atrás de Daniel Ricciardo (Red Bull), o sexto, e à frente de Carlos Sainz Jr. (Renault), que saltou para a oitava posição.

Após cinco voltas, Hulkenberg já perdia o contato para Ricciardo – o germânico estava 3s1 atrás do australiano. Em contrapartida, tinha 2s2 sobre Sainz. Na volta 10, a vantagem de Daniel sobre Nico era de 9s4, enquanto a de Hulk sobre Carlos praticamente não se alterou – estava na casa de 2s3. Na volta 12, o espanhol da Renault se encaminhou para os boxes. Naquele instante, os compostos ultramacios do alemão também apresentavam desgaste. Por isso, na volta 14, foi a vez de Hulkenberg fazer a sua parada. Na troca, sacou os ultramacios e colocou os médios. Na saída, se viu em 13º, atrás de Sergey Sirotkin (Williams) e à frente de Charles Leclerc (Sauber).

Após a largada, a preocupação de Nico foi a de seguir à frente do pelotão liderado por Sainz

Após a largada, a preocupação de Nico foi a de seguir à frente do pelotão liderado por Sainz

Com pneus novos, Nico passou a ser mais veloz que os seus concorrentes imediatos. Na volta 17, o piloto da Renault superou Sirotkin. Com o pit stop de Romain Grosjean (Haas) na mesma passagem, subiu para 11º. Na 21, foi a vez de Hulk ultrapassar Stoffel Vandoorne (McLaren), retornando ao top 10. Na passagem seguinte, o germânico ignorou Lance Stroll (Williams), assumindo o nono lugar. Na volta 24, Kevin Magnussen (Haas) realizou sua parada. Assim, Hulkenberg passou a ocupar a oitava posição. Na 29, Fernando Alonso (McLaren) se encaminhou para o pit, fazendo com que o alemão ascendesse novamente para a sétima colocação.

As coisas estavam mornas em Xangai. As disputas se reservavam apenas e tão somente às estratégias de cada time. Porém, na volta 30, um lance inusitado fez com que o GP da China ganhasse contornos de uma boa corrida. Destaque no GP do Bahrein após terminar em quarto, Pierre Gasly (Toro Rosso) atacava seu companheiro, Brendon Hartley (Toro Rosso), pelo 17º lugar. O francês calculou (muito) mal a freada e acertou em cheio o neozelandês. O impacto fez com que muitos detritos ficassem espalhados pela pista. Dessa forma, o safety car foi acionado na volta 31. Imediatamente, a Renault chamou Hulkenberg para os boxes. Na troca, o time sacou os compostos médios e colocou os macios. Assim, Nico teria um ritmo de corrida mais veloz, além de ter condição de terminar a prova com aquele jogo de pneus.

Acidente entre Gasly e Hartley mudou o panorama da corrida, o que beneficiou Hulkenberg

Acidente entre Gasly e Hartley mudou o panorama da corrida, o que beneficiou Hulkenberg

No retorno à pista, Hulk estava em oitavo – havia perdido a sétima posição para Magnussen. Porém, na relargada, dada na volta 34, o alemão partiu para cima do dinamarquês. Nico não teve dificuldades para ultrapassar Kevin, recuperando novamente seu lugar no top 7. Na volta 38, Hulkenberg já colocava 2s7 de vantagem sobre Magnussen. Em contrapartida, estava 2s1 atrás de Kimi Raikkonen (Ferrari), o sexto. As coisas pareciam definitivas para o piloto da Renault quando, na volta 43, um outro acidente mudaria o rumo da corrida: em ascensão após realizar parada sob bandeira amarela, Max Verstappen (Red Bull) tentou uma manobra insana sobre Sebastian Vettel (Ferrari) na disputa pelo terceiro. O holandês acertou o tetracampeão, que rodou e caiu para o sexto lugar.

O choque de Verstappen fez o ritmo de Vettel desabar. Foi a oportunidade ideal para Hulk atacar o compatriota. Na volta 44, Nico atacou Sebastian, que não resistiu à investida do piloto da Renault. Dessa forma, Hulkenberg assumiu a sexta colocação para não mais perdê-la. A vitória do GP da China ficou com Ricciardo, que contou com a excelente tática da Red Bull para parar sob bandeira amarela e com ultrapassagens arrojadas para assegurar seu sexto triunfo na carreira. Valtteri Bottas (Mercedes) ficou em segundo, e Raikkonen completou o pódio. Verstappen cruzou a linha de chegada em quarto, mas foi punido com 10s acrescidos ao seu tempo de corrida. Dessa forma, Lewis Hamilton (Mercedes) ficou em quarto, e Max, em quinto.

No fim, Hulk superou Vettel e assegurou o sexto lugar: por 0s516, não foi quinto

No fim, Hulk superou Vettel e assegurou o sexto lugar: por 0s516, não foi quinto

Por míseros 0s516, Hulkenberg não tirou o quinto lugar de Verstappen. Mesmo assim, Nico não tinha motivos para lamentar. “Todo mundo parecia ter baixa aderência no início com carros deslizando por todo o lugar. Nós estávamos em uma estratégia de duas paradas desde o início, então tivemos que fazer o pneu durar, mantendo um ritmo forte. Isso valeu a pena, o safety car caiu nas nossas mãos e facilitou as coisas, mas mesmo sem o safety car acho que teríamos saído por cima. O ritmo estava bom hoje (domingo) e estávamos no topo do meio do grid, então foi um dia divertido. Além do mais, estamos levando oito pontos para casa”, afirmou Nico, que, com o resultado, se igualou a Alonso na sexta posição do Mundial, com 22 pontos. Além disso, ajudou a Renault a se aproximar da McLaren no duelo pelo quarto lugar dos Construtores – o time de Enstone chegou a 25 pontos, contra 28 da equipe de Woking.

Com o 6º lugar em Xangai, Hulk se igualou a Alonso no sexto lugar do Mundial, com 22 pontos

Com o 6º lugar em Xangai, Hulk se igualou a Alonso no sexto lugar do Mundial, com 22 pontos

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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