Austrália-2018: “motor novo, vida nova” para Alonso e McLaren

Fernando Alonso e o halo (novo apêndice a ser adotado pela F1 a partir de 2018): quinto lugar enchem bicampeão e a McLaren-Renault de otimismo

Fernando Alonso e o halo: quinto lugar enchem bicampeão e a McLaren-Renault de otimismo

Fernando Alonso Díaz decretou que 2018 selaria definitivamente qual rumo tomaria sua carreira. Após passar três temporadas martirizantes, devido à catastrófica parceria entre McLaren e Honda (2015 a 2017), o bicampeão do mundo só tinha uma alternativa para este ano: apostar no acordo entre a escuderia britânica e a Renault – a nova fornecedora de motor do time de Woking. O fato de Alonso ter conquistado seus dois títulos mundiais impulsionado pelo propulsor francês (2005 e 2006) animou o asturiano. Porém, não bastaria apenas instalar o motor no modelo MCL33. Encontrar a sintonia fina entre o motor Renault e o carro da McLaren requer tempo e paciência – tudo o que Fernando, de 36 anos, quer buscar a curto prazo. E o desempenho no GP da Austrália, em Melbourne, etapa de abertura do 69º Mundial de Fórmula 1, serviria justamente como uma espécie de referencial para a equipe laranja.

Muitas dúvidas pairavam sobre a McLaren quando houve o desembarque do time em Melbourne. Ainda mais após Alonso entrar em acordo com a Toyota para a disputa do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) na temporada 2018/19. Alguns entenderam que o bicampeão só aceitou disputar a competição de protótipos por não crer no potencial do MCL33. Foi o caso do campeão de 2016, o aposentado Nico Rosberg. “Ele está fazendo essas corridas porque não tem esperança na F1”, afirmou o alemão ao periódico espanhol AS. “Fernando tem que olhar outras coisas para satisfazer seu desejo de vencer, porque ganhar o título da F1 não é mais uma opção para ele. Então, seu próximo grande desafio é ser o piloto mais versátil do mundo”, acrescentou Nico, lembrando que Alonso disputou a edição de 2017 das 500 Milhas de Indianapolis, na Fórmula Indy.

Críticos não acreditam que Alonso voltará a vencer na F1: Nico Rosberg é um deles

Críticos não acreditam que Alonso voltará a ter sucesso: Nico Rosberg, campeão de 2016, é um deles

Antes dos treinos para a etapa australiana, o próprio espanhol não confiava no desempenho da McLaren em Melbourne. “Este será o nosso nível mais baixo”, admitiu. “Contudo, acredito que vamos melhorar bastante durante a temporada. Deveremos ser a equipe que mais vai progredir em comparação com as outras, porque a integração de uma nova unidade de potência requer tempo. Além disso, o chassis foi projetado para muitas atualizações durante a temporada – sobretudo nas primeiras corridas. Por isso, espero uma McLaren bastante forte na segunda parte da temporada”.

Apesar da análise realista, Alonso tratou de surpreender nos primeiros treinos livres para o GP da Austrália. O bicampeão foi o oitavo mais veloz, com 1m25s200. E o MCL33 também mostrou potencial com Stoffel Vandoorne – o companheiro do espanhol foi 10º, com 1m25s285. Fernando ficou a 1s269 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais rápido da sexta-feira, com 1m23s931. “É bom estar de volta ao ambiente de corrida, e é uma sensação agradável estar com todos os carros na pista após os testes de inverno. Sendo o primeiro dia da temporada, havia muitas coisas que queríamos testar. Perdemos um pouco de tempo no primeiro treino com alguns problemas, mas conseguimos recuperar na segunda sessão e agora precisamos analisar tudo para obter o melhor pacote para amanhã (sábado)”, comentou o asturiano.

Desempenho de Alonso na sexta animou a McLaren: oitavo mais rápido do dia

Desempenho de Alonso na sexta animou a McLaren-Renault: oitavo mais rápido do dia

Nos treinos qualificatórios, entretanto, a McLaren se viu com um ritmo abaixo das expectativas. Tanto Alonso quanto Vandoorne  tiveram dificuldades em acertar o carro para as denominadas “voltas voadoras”. Apesar de superaram o Q1 com certa tranquilidade, Fernando e Stoffel não foram capazes de ingressar na fase final da sessão, caindo no Q2: o espanhol anotou 1m23s692, ficando em 11º; já o belga fez 1m23s853 (0s161 acima do tempo do bicampeão), assegurando o 12º lugar. A pole position para o GP da Austrália foi conquistada por Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m21s164 – 2s528 mais rápido do que Alonso. Após o qualifying, Fernando fez um relato positivo sobre a performance do MCL33 no circuito de Albert Park.

“Após os testes de inverno, você nunca sabe como será a performance na primeira classificação. Dá um certo alívio o fato de o carro andar bem. Estamos mais competitivos do que nas últimas temporadas. Neste ano, vamos nos divertir. Com exceção da Toro Rosso, somos a única equipe que passou por um processo de integração de uma nova unidade de potência com o chassis, os sistemas e o acerto, portanto ganharemos performance quando nos adaptarmos melhor ao motor Renault. Acho que nosso ritmo de corrida é melhor do que na classificação, então estamos em boas colocações de largada e marcar um bom número de pontos definitivamente é a meta. A prova de amanhã (domingo) será uma das primeiras dos últimos anos onde não precisaremos nos defender e partiremos para o ataque”, observou Alonso.

Largada do GP da Austrália de 2018: Alonso se manteve no top 10

Largada do GP da Austrália de 2018: Alonso se manteve no top 10

A corrida

Domingo, 25 de março de 2018. Diferentemente do que anunciou a meteorologia durante a semana, nenhuma gota d’água passou próxima de Melbourne no dia da corrida. Assim, o GP da Austrália abriria o calendário da Fórmula 1 com clima propício para uma excelente disputa. Como Valtteri Bottas (Mercedes) se acidentou no Q3, o finlandês trocou o câmbio e foi obrigado a alinhar na 15ª posição do grid. Assim, Alonso largaria em 10º. Calçado com pneus ultramacios, Fernando tinha como meta ser agressivo nos primeiros momentos da prova, a fim de se consolidar na zona de pontos. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o bicampeão tentou superar seu compatriota Carlos Sainz Jr. (Renault). Apesar da forte investida, o adversário se manteve em nono, obrigando Fernando a permanecer em 10º lugar.

A partir de então, a corrida de Alonso passou a ser determinada pelo ritmo de Sainz. Na volta 4, o bicampeão estava a 1s1 do madrileno. Em contrapartida, o asturiano tinha 1s6 de vantagem sobre Vandoorne, o 11º. Na 12, a pressão de Fernando sobre Carlos se intensificou. Apesar disso, o piloto da Renault prosseguiu na nona colocação. Na volta 15, os pneus ultramacios do MCL33 começaram a dar sinais de desgaste, e Sainz colocava 1s8 sobre Alonso. Era o momento de realizar a troca de pneus. A janela da primeira troca teve início na volta 18, com a parada dos líderes Lewis Hamilton (Mercedes) e Kimi Raikkonen (Ferrari). Dessa forma, Sebastian Vettel (Ferrari) assumiu a ponta. Na volta 21, Max Verstappen (Red Bull) realizou seu pit stop, fazendo com que Fernando pulasse para o nono lugar. Entretanto, foi a partir da parada dos pilotos da Haas que a etapa australiana ganhou novos contornos.

Após a largada, Alonso perseguiu Sainz, mas não conseguiu ultrapassar o compatriota

Após a largada, Alonso perseguiu Sainz, mas não conseguiu ultrapassar o compatriota

Kevin Magnussen (Haas) era um dos destaques da prova de Melbourne até então. Com um desempenho sólido, o dinamarquês ocupava um convincente quarto lugar, atrás somente de Vettel, Hamilton e Raikkonen. Porém, na volta 22, ingressou nos boxes. Na troca, um problema no equipamento que instalaria a porca na roda traseira esquerda do carro arruinou a apresentação de Magnussen. Kevin ficou parado no traçado. Nesse mesmo instante, Alonso viu Sainz errar e escapar na curva 6. Enfim, o piloto da McLaren superava o adversário da Renault. Com o dinamarquês fora e a ultrapassagem sobre o madrileno, o asturiano da McLaren ascendeu para o sétimo lugar.

Na volta 24, um infeliz déjà vu nos boxes da escuderia ianque: Romain Grosjean (Haas), que havia herdado o quarto lugar de Magnussen, padeceu do mesmo problema do companheiro. Sem a porca na roda traseira esquerda, o francês também foi obrigado a abandonar a corrida. O desespero e as lágrimas tomaram conta da equipe de Gene Haas. Com os bólidos de Kevin e Romain parados na pista, o “virtual safety car” (ou VSC) foi acionado em Melbourne. Era a deixa para Alonso, que subiu para o sexto lugar na etapa, realizar seu único pit stop. A McLaren chamou o espanhol, sacando os pneus macios e colocando os compostos macios. Dessa forma, Fernando não pararia mais. Na saída dos boxes, o bicampeão levou um susto de Verstappen, que lhe tomou a frente. Ainda assim, conseguiu ficar à frente do holandês, que cedeu o lugar para não ser punido.

Parada durante o "virtual safety car" rendeu top 5 ao bicampeão

Parada durante o “virtual safety car” rendeu top 5 ao bicampeão: mérito da estratégia da McLaren

Parar no momento certo rendeu a Alonso o quinto lugar em Melbourne. O asturiano estava atrás somente de Vettel (outro beneficiado com o VSC), Hamilton, Raikkonen e Daniel Ricciardo (Red Bull). A relargada só foi dada na volta 32. Fernando sabia que não tinha como acompanhar os quatro primeiros. Sua intenção inicial era segurar o ímpeto de Verstappen. Porém, após a bandeira verde, o holandês da Red Bull precisou se preocupar com o ataque de Nico Hulkenberg (Renault). Era um alívio momentâneo, mas que foi fundamental para Fernando. A partir da volta 34, as atenções de Max estavam voltadas para superar o carro laranja do bicampeão.

Alonso imprimia um ritmo constante, mas não abria sobre Verstappen. Além disso, permitia que Hulkenberg e Bottas andassem juntos, formando um sólido pelotão. Mesmo assim, o talentoso e técnico piloto não se intimidou com os rivais. Nem mesmo Max era capaz de tirar Fernando do prumo. Ainda que pressionasse, o holandês da Red Bull não encontrava chance de superar o espanhol da McLaren. Ao final, Alonso cruzou a linha de chegada em quinto, com 1s de vantagem sobre Verstappen. A vitória ficou com Vettel (a 48ª na carreira), seguido por Hamilton, Raikkonen e Ricciardo. Mas o top 5 com a McLaren-Renault fez o bicampeão lavar a alma. A confiança havia voltado para o semblante do samurai espanhol. Também pudera: em apenas uma corrida, igualou seus melhores resultados durante os três anos de McLaren-Honda – também havia sido quinto no GP da Hungria de 2015, em Hungaroring; no GP de Mônaco de 2016, no Principado; e GP dos Estados Unidos de 2016, em Austin.

Alonso segurou Verstappen com maestria e assegurou quinto lugar na etapa de abertura

Alonso segurou Verstappen com maestria e assegurou quinto lugar na etapa de abertura

“Estamos feliz por termos marcado pontos com os dois carros, sendo um entre os cinco primeiros (já Vandoorne foi nono). Devemos nos orgulhar disso, mas acho que há muito mais vindo da McLaren. Não maximizamos todo o potencial e nem tiramos tudo do pacote hoje (domingo). Esta é apenas a nossa primeira corrida em conjunto com a Renault, e algumas atualizações virão nas próximas corridas. Podemos começar a olhar para frente e a Red Bull será o próximo alvo. Obviamente, tivemos sorte com os dois carros da Haas abandonando, o problema de Carlos (Sainz) na curva 9 e depois com o (Max) Verstappen sob o VSC. Digamos que quatro posições vieram graças a algumas condições favoráveis, mas não cometemos erros e capitalizamos tudo. Um trabalho perfeito da equipe”, celebrou Alonso, feliz com o motor novo – e com a vida nova na F1.

Fernando ficou satisfeito com os 10 pontos; espanhol espera duelar com a Red Bull em 2018

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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