EUA-2017: “Oconsistente” garante histórico top 6 em Austin

Nos 26 GPs disputados até aqui, Esteban Ocon viu a bandeira quadriculada: recorde na Fórmula 1

Nos 26 GPs disputados até aqui, Esteban Ocon viu a bandeira quadriculada: recorde na Fórmula 1

Que Esteban Ocon tem vivido um especial ano de 2017, ninguém discute. A bordo de um competitivo VJM10 da Force India, o francês vem mostrando, prova após prova, do que é capaz de fazer num cockpit da Fórmula 1. No último domingo, mais um exemplo de sua tenacidade foi exibido em Austin. No GP dos Estados Unidos de 2017, Ocon se portou como um veterano – apesar de seus 21 anos. O gaulês só não conseguiu combater os pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull em solo estadunidense. Trio de Ferro à parte, Esteban lidou com a forte pressão de Carlos Sainz Jr. (Renault) com extrema naturalidade. Diferentemente de seu companheiro de equipe, Sergio Pérez (Force India) – que foi batido por Sainz e terminou em oitavo -, o francês barrou as pretensões do espanhol e alcançou a sexta colocação em Austin.

Entretanto, esse não foi um top 6 qualquer. Com ele, Ocon entrou para a história da Fórmula 1. Ele se tornou o primeiro piloto a terminar suas primeiras 26 corridas, batendo o recorde que pertencia a Max Chilton – o britânico completou seus primeiros 25 GPs de F1 entre 2013 e 2014. Ou seja, desde a sua estreia no GP da Bélgica de 2016, em Spa-Francorchamps – quando ainda guiava pela Manor -, o francês tem encontro marcado com a bandeira quadriculada. Com a sexta posição conquistada em Austin, Esteban passou a ter mais top 6 do que Sergio em 2017 – são seis para o francês, contra cinco do mexicano. Ainda que esteja 13 pontos atrás de Checo na classificação do Mundial (o gaulês seguiu em oitavo na tabela, com 73 pontos, contra 86 do asteca, sétimo no campeonato), Ocon tem tido personalidade para bater Pérez.

"Oconsistente" vive momento mágico em 2017: com sexto lugar em Austin, "Oconsistente" tem seis top 6, contra 5 de Pérez

Com sexto lugar em Austin, “Oconsistente” tem seis top 6 (contra 5 de Pérez) e 16 top 10 em 17 GPs

Durante o GP dos Estados Unidos, Sergio solicitou que a Force India intercedesse junto ao novato, a fim de que ele cedesse sua posição para o parceiro. A direção do time não acatou o pedido do mexicano. No fim, a decisão foi acertada. Esteban não apenas conquistou o sexto lugar, como também manteve uma impressionante sequência na zona de pontuação – são 11 corridas consecutivas. Em 2017, Ocon só não pontuou no GP de Mônaco (foi o 12º). Até aqui, são 16 etapas entre os 10 primeiros. Por isso, foi alcunhado de “Oconsistente” após a etapa ianque. Porém, para manter o grau de eficiência na temporada, Esteban teve que se esforçar bastante por todo o fim de semana.

O clima no Texas estava instável na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP dos Estados Unidos. Havia chovido pouco antes do início do FP1. Quando os carros foram para a pista, o traçado ainda estava molhado. Porém, aos poucos, as condições ficaram ideais para os pilotos. No fim, as duas sessões acabaram sendo proveitosas para as equipes. A Force India colocou seus dois carros no top 10 da sexta, com tempos obtidos na segunda sessão do dia. Ocon ficou em 10º, com 1m36s490, a apenas 0s009 de Pérez, nono com 1m36s481. O mais veloz foi Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m34s668 – 1s822 à frente do francês da Force India.

O primeiro contato de Ocon com o circuito de Austin foi sob condições molhadas: entre os 10 mais velozes da sexta

Primeiro contato de Ocon com Austin foi sob condições molhadas: entre os 10 mais velozes da sexta

Para Esteban, a sexta foi proveitosa para ele e para a escuderia indiana. “Foi um dia positivo em geral, testando coisas diferentes no carro e trabalhando para a configuração ideal. Encontrar o equilíbrio não foi tão imediato e fácil como foi em Sepang e em Suzuka, então ainda temos um pouco de trabalho a fazer, mas estamos nos aproximando de onde eu quero. Não tenho dúvidas de que será muito melhor amanhã (sábado). Ainda precisamos encontrar algo nas curvas lentas e é aí que nos concentraremos nesta noite”, analisou o jovem de 21 anos, após os treinos livres.

Parece que o trabalho realizado pela Force India rendeu frutos no sábado, dia do qualifying em Austin. Ocon foi um dos destaques da sessão qualificatória para o GP dos Estados Unidos. Sempre andando entre os 10 primeiros, o francês assegurou vaga na fase decisiva do quali, alcançando um expressivo sétimo lugar, com o tempo de 1m34s647. Não bastasse isso, Esteban colocou 0s501 de vantagem sobre Pérez, que ficou em 10º, com 1m35s148. A marca de Ocon ficou a 1s539 da de Lewis Hamilton (Mercedes), pole position do GP dos Estados Unidos com 1m33s108. “Estou feliz com o resultado. A equipe fez um trabalho fantástico novamente e fomos fortes em todas as sessões. Temos uma ótima chance de marcar muitos pontos amanhã (domingo)”.

Esteban brilhou no qualifying do GP dos EUA: sétimo lugar no grid

Esteban brilhou no qualifying do GP dos Estados Unidos: satisfação com sétimo lugar no grid

A ótima posição de largada foi um prêmio para Esteban. O francês teve problemas de saúde durante o sábado. Contudo, nem isso foi capaz de pará-lo em Austin. “Não foi uma classificação fácil para mim porque eu não me sentia bem. Tive uma péssima dor de cabeça e problemas estomacais. Estou feliz por ter obtido um bom resultado na sessão. Agora, preciso descansar, tentar me recuperar e estar pronto para a corrida de amanhã (domingo)”, afirmou.

Largada do GP dos EUA de 2017, em Austin: Ocon superou Raikkonen na Curva 1

Largada do GP dos Estados Unidos de 2017, em Austin: Ocon superou Raikkonen na Curva 1

A corrida

Austin ficou embaixo d’água na manhã de domingo, 22 de outubro de 2017. A tempestade com direito a enchente, raios e trovões a poucas horas da largada do GP dos Estados Unidos assustou a todos em Austin. Mas um piloto em especial: Brendon Hartley, campeão da WEC – World Endurance Championship (em 2015) e vencedor das 24 Horas de Le Mans (2017), estrearia na Fórmula 1 no circuito norte-americano. O neozelandês de 27 anos, que integrou o Time de Desenvolvimento de Pilotos da Red Bull, substituiria a Pierre Gasly na Toro Rosso. O francês foi designado para Suzuka, onde disputaria a etapa final da Super Formula no Japão. Porém, um tufão no litoral japonês impediu que Gasly corresse por lá. Hartley teria Daniil Kvyat como companheiro da Toro Rosso – o russo retornava ao cockpit após a ida de Carlos Sainz Jr. para a Renault.

Dança das cadeiras à parte, o temporal se dissipou rapidamente. O céu azul brigadeiro dava o tom em Austin, para a alegria dos organizadores do GP dos Estados Unidos. Com um espetáculo repleto de entretenimento, os pilotos foram apresentados com pompa para o público. Além disso, a presença de personalidades reconhecidas mundialmente, como o ex-presidente norte-americano Bill Clinton e o lendário velocista jamaicano Usain Bolt, fez com que a Fórmula 1 fosse promovida no melhor estilo estadunidense. Alheio à festa, Ocon estava focado na largada. Calçando pneus ultramacios, o francês da Force India partiu determinado a disparar para o alto da ladeira e contornar a Curva 1 numa boa posição. E foi o que aconteceu: Esteban se posicionou bem na largada e ultrapassou Kimi Raikkonen (Ferrari), assumindo a sexta colocação.

Ocon lutou, mas não conseguiu conter a força da Ferrari de Raikkonen

Esteban lutou, mas não conseguiu conter a força da Ferrari de Raikkonen

Todavia, Ocon não tinha equipamento para segurar Raikkonen. Logo na volta 2, o finlandês superou o francês, que caiu para sétimo. A partir dali, Esteban via Kimi sumir à sua frente. Em contrapartida, não era alcançado por Fernando Alonso (McLaren), oitavo colocado. Na volta 7, o espanhol foi superado por Max Verstappen (Red Bull). Largando em 16º após pagar punição por troca de peças de seu bólido antes da corrida, o holandês voava em Austin, ultrapassando um a um. Assim, logo Verstappen alcançou Ocon. Na volta 10, Max ignorou Esteban, assumindo a sétima posição. Já o francês caía para oitavo, em um momento em que os compostos ultramacios já davam sinais de desgaste.

Na volta 13, Daniel Ricciardo (Red Bull) foi o primeiro dos ponteiros a se encaminhar para os boxes. Assim, Ocon reassumia o sétimo lugar. Duas voltas depois, Ricciardo abandonaria a etapa norte-americana, com problemas de motor. Na mesma passagem, Esteban faria seu único pit stop na corrida. Na troca, a Force India sacou os ultramacios e colocou os pneus macios (os mais resistentes do fim de semana). Assim, o francês não pararia mais nos boxes. Ocon voltou à pista em 11º, à frente de Alonso e Sergio Pérez, e a 3 segundos de Stoffel Vandoorne (McLaren) – que ainda não tinha feito seu pit. Com a parada de Romain Grosjean (Haas), na volta 17, Esteban retornou ao top 10. Naquele instante, já estava colado em Vandoorne. Na volta 18, o francês superou o belga. Como Daniil Kvyat (Toro Rosso) foi para os boxes, o gaulês se viu em oitavo lugar.

Ocon não se incomodou com a pressão psicológica de Pérez

Ocon não se incomodou com a pressão psicológica de Pérez: mexicano queria posição do francês

Após o pit stop de Carlos Sainz Jr. (Renault), na volta 20, Ocon ascendeu para a sétima posição. A partir daquele momento, apenas Felipe Massa (Williams) não havia realizado sua parada. Como o rendimento de seu VJM10 era superior ao do FW40 do adversário, Esteban tirou a diferença para Felipe. Na volta 26, o francês estava a 2s5 do brasileiro. Em compensação, tinha 1s9 de vantagem sobre Pérez. Na volta 28, Ocon chegou definitivamente em Massa, atacando o brasileiro. Felipe resistiu, o que fez com que Pérez pressionasse a Force India, pedindo que Ocon cedesse a posição a ele. A escuderia ignorou o pedido do mexicano. Na volta 29, o francês voltou a pressionar o brasileiro, que seguiu se defendendo. Todavia, na 30, Massa foi aos boxes. Assim, Ocon passou a ocupar o sexto lugar. Contudo, com Pérez, Sainz e Kvyat em seus calcanhares.

Com a pista limpa, Esteban passou a abrir para Sergio. O asteca se defendia dos ataques do espanhol. Na volta 33, num embate eletrizante, Sainz ultrapassou Pérez e assumiu a sétima posição. Imediatamente, Carlos partiu para cima de Ocon. O que se viu a partir de então foi um duelo psicológico. A Renault do espanhol rendia bem, enquanto a Force India do francês estava no limite. Sainz tentou de todas as formas ultrapassar Ocon. Entretanto, Esteban soube se defender de todas as investidas. Carlos só desistiu nas voltas finais. Pela sexta vez em 2017, o francês carregava a Force India ao top 6. A vitória no GP dos Estados Unidos ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), seguido por Sebastian Vettel (Ferrari) e por Raikkonen – Verstappen terminou em terceiro, mas, por utilizar um trecho fora do traçado para superar o finlandês na última volta, teve 5 segundos acrescidos ao tempo de corrida.

No fim, Ocon segurou Sainz e conquistou mais um sexto lugar para a sua coleção

No fim, Ocon segurou Sainz e conquistou mais um sexto lugar para a sua coleção

O top 6 em Austin foi bastante celebrado por Ocon. “O sexto lugar é bastante satisfatório porque não foi uma corrida fácil. Sofremos bastante pressão de Sainz nas voltas finais. Passei grande parte da prova controlando meu ritmo e cuidando dos pneus para fazer a estratégia de uma parada funcionar. A equipe me informou quando forçar e quando controlar o ritmo, e chegar em sexto mostra que julgamos isso quase perfeitamente. Antes da corrida, houve um problema com uma unidade de controle do meu carro no grid, mas a equipe fez um ótimo trabalho ao reparar tudo a tempo para a largada. O carro estava forte e com boa velocidade hoje (domingo), e mais uma vez saímos com a sensação de alcançar o melhor resultado possível”, concluiu Esteban, após a bandeirada.

Esteban se mostrou satisfeito com o resultado: "sexto lugar era a melhor posição possível"

Esteban se mostrou satisfeito com o desempenho: “sexto lugar era o melhor resultado possível”

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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