Japão-2017: Magnussen ultrapassa Massa ‘na marra’ e é top 8

Na base do arrojo, Kevin Magnussen (Haas), à dir., ultrapassou Felipe Massa (Williams), à esq., e ficou com o 8º lugar

Kevin Magnussen (Haas), à dir., ultrapassou Felipe Massa (Williams), à esq., ficando com o 8º lugar

Kevin Magnussen tem tido alguns bons lampejos durante a temporada de 2017. Em sua terceira temporada completa na carreira – a primeira no cockpit da Haas -, o dinamarquês alcançou resultados positivos. Porém, também foi o centro de muitas intrigas por parte dos adversários – como no GP da Hungria, em Hungaroring, quando foi criticado por Nico Hulkenberg (Renault) por sua conduta, e no GP da Malásia, em Sepang, quando Fernando Alonso (McLaren) ratificou que “Hulkenberg tinha razão sobre Magnussen”. Mas Kevin ignorou tudo isso quando entrou na pista no último dia 8 de outubro para a disputa do GP do Japão, em Suzuka. Combativo, o dinamarquês de 25 anos foi para o ataque o tempo inteiro. Seu ponto alto foi a ultrapassagem sobre Felipe Massa (Williams), na qual superou o brasileiro na base da ‘marra’. Assim, Magnussen garantiu o oitavo lugar na etapa japonesa.

A Haas ficou satisfeita com o desempenho de sua dupla de pilotos. Além do top 8 de Kevin, a equipe comemorou o nono lugar de Romain Grosjean. Pela segunda vez na história da escuderia norte-americana, os dois carros do time terminaram entre os 10 primeiros de uma prova – a primeira foi no GP de Mônaco de 2017, quando o francês foi o oitavo e o dinamarquês, o 10º. Com o resultado em Suzuka, a Haas superou a Renault na classificação do Mundial – a equipe ianque passou a ocupar a sétima posição, com 43 pontos, um a mais do que a francesa (que tem 42). A contribuição de Magnussen e Grosjean até o fim da temporada pode colocar o time estadunidense na batalha pelo sexto lugar dos Construtores com a Toro Rosso – a equipe italiana tem 52 pontos.

Top 8 de Magnussen ajudou a Haas a superar a Renault no Mundial de Construtores

Top 8 de Magnussen ajudou a Haas a superar a Renault no Mundial de Construtores

O oitavo lugar na prova nipônica também foi importante para Kevin. Filho de Jan Magnussen, piloto que atuou na F1 entre 1995 e 1998, o dinamarquês nasceu em 5 de outubro de 1992, em Roskilde. Influenciado pelo pai, começou sua carreira no kart. Em 2008, saltou para a Fórmula Ford da Dinamarca, assegurando o título. No ano seguinte, migrou para a série norte-europeia da Fórmula Renault 2.0, alcançando o vice-campeonato. Em 2010, foi terceiro colocado no Campeonato Alemão de Fórmula 3. Um ano depois, passou para o Campeonato Britânico de F3, no qual foi vice-campeão. Em 2012, ingressou na Fórmula Renault 3.5, ficando em sétimo lugar na primeira temporada. Na segunda, em 2013, ficou com o título da categoria, que alçou Kevin para a F1.

Piloto do time de desenvolvimento de jovens da McLaren, Magnussen ganhou a grande oportunidade na categoria máxima do automobilismo em 2014, quando substituiu Sergio Pérez no time de Woking. Logo em sua estreia, no GP da Austrália, em Melbourne, alcançou a segunda posição – seu melhor resultado na F1 até o momento. Terminou sua primeira temporada com 55 pontos, empatado com Kimi Raikkonen (Ferrari). Apesar do desempenho, a McLaren sacou Kevin do cockpit – o dinamarquês foi substituído por Fernando Alonso. Um problema de saúde do espanhol durante testes da pré-temporada de 2015 fez com que Magnussen o substituísse no GP da Austrália, em Melbourne. Todavia, o dinamarquês sequer largou, devido a um defeito no motor Honda de seu bólido. Dessa forma, Kevin se manteve como terceiro piloto por toda a temporada.

Na quinta, 5/out, Magnussen celebrou 25 anos e levou 'bolada' de Grosjean

Na quinta, 5 de outubro, Magnussen celebrou 25 anos e levou ‘bolada’ de Grosjean

Em 2016, Magnussen foi para a Renault. Era um time renovado e repleto de problemas. Para se ter uma ideia, o melhor resultado do europeu foi o sétimo lugar no GP da Rússia, em Sochi. Neste ano, Kevin se transferiu para a Haas, substituindo a Esteban Gutiérrez. Nas 15 primeiras etapas no cockpit do carro norte-americano, Magnussen anotou 11 pontos – destaques para o sétimo lugar no GP do Azerbaijão, em Baku, e o oitavo posto no GP da China, em Xangai. E com apetite de figurar na zona de pontos, desembarcou em Suzuka para a disputa do GP do Japão. Logo na quinta-feira, Kevin foi festejado pela Haas – era seu 25º aniversário, tendo direito a bolo e brincadeiras promovidas pelo seu companheiro, Romain Grosjean.

Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos no circuito japonês, o dinamarquês teve um início razoável. Magnussen terminou em 11º no primeiro treino livre, com 1m31s216. Ele ficou a 0s184 de Grosjean, nono com 1m31s032, e a 2s050 de Sebastian Vettel (Ferrari), o mais veloz com 1m29s166. Na segunda sessão, uma chuva torrencial atrapalhou pilotos e equipes. Apenas cinco carros entraram na pista – nenhum deles da Haas. Apesar de não ter saído dos boxes com o asfalto molhado, Kevin se mostrou satisfeito com o potencial de seu bólido. “O carro estava se comportando bem imediatamente, então ficamos felizes com isso. Eu acho que precisamos tentar encontrar mais velocidade, com certeza, porque outros pilotos vão fazer isso. Se quisermos marcar pontos neste fim de semana, precisamos fazer direito”, analisou.

Na sexta, Magnussen só testou no 1º treino livre: chuva atrapalhou pilotos e equipes

Na sexta, Magnussen só testou no primeiro treino livre: chuva atrapalhou pilotos e equipes

E foi com a pretensão de alcançar o Q3 que tanto Magnussen quanto Grosjean partiram para a sessão qualificatória de sábado. A confiança da dupla da Haas, porém, foi para o espaço quando, ao fim do Q1, Romain destruiu seu VF-17 na tentativa final de avançar para a fase seguinte. O francês ficou de fora do Q2, enquanto Kevin conseguiu um lugar entre os 15 melhores. Apesar disso, o dinamarquês não encontrou o balanço ideal para uma volta veloz, e teve que se contentar com o 13º tempo, não avançando para a sessão final. Magnussen anotou 1m29s972, sendo 0s877 mais rápido que Grosjean, 16º com 1m30s849. Em contrapartida, Kevin ficou a 2s653 de Lewis Hamilton (Mercedes), o pole do GP do Japão. Pela 71ª vez, o britânico conquistava a posição de honra do grid.

Mesmo eliminado no Q2, o dinamarquês da Haas notou uma boa evolução no VF-17. “Temos sido mais fortes neste fim de semana. O carro pareceu melhor desde sexta-feira, mais vivo. Isso se deve em parte à temperatura mais baixa, os pneus estão funcionando um pouco melhor, ou pelo menos é mais fácil fazê-los funcionar sem superaquecê-los. Se você tem uma desvantagem de downforce ou aderência, eles não aquecem tanto quando está frio como aqui (em Suzuka). Isso nos deixou um pouco mais perto do pelotão intermediário. Esperávamos ficar em 16º ou 17º e estou em 13º. Então, não posso ficar tão insatisfeito. Porém, quando a disputa está tão acirrada, você fica querendo aquele algo extra e é um pouco frustrante não chegar lá. Vamos ver se podemos marcar alguns pontos amanhã (domingo)”, vislumbrou.

Largada do GP do Japão de 2017: saindo em 12º, Magnussen saltou bem e completou a volta 1 em 10º

Largada do GP do Japão de 2017: saindo em 12º, Magnussen saltou bem e completou a volta 1 em 10º

A corrida

O sol despontou em Suzuka no domingo, 8 de outubro de 2017, para a disputa de mais um GP do Japão. O clima era favorável para Magnussen. Calçando pneus supermacios, Kevin alinharia em 12º no grid em razão de uma punição dada a Fernando Alonso (McLaren) – o espanhol trocou toda a sua unidade de potência e sairia em último. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o dinamarquês da Haas partiu de forma arrojada rumo à Curva 1. À sua frente, Stoffel Vandoorne (McLaren) deu uma escapada no início da sequência de “S”, fazendo com que Magnussen subisse para 11º. Ainda na volta 1, Kevin ingressaria no top 10, herdando posição de Kimi Raikkonen (Ferrari) – o finlandês levou a pior em duelo contra Nico Hulkenberg (Renault) na Curva Spoon, escapando da pista. Assim, o dinamarquês terminou a primeira volta em 10º.

Na volta 2, o safety car foi acionado para retirar Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) da brita – após a largada, o espanhol rodou e foi obrigado a abandonar. Era a despedida de Sainz da Toro Rosso, uma vez que, antes da corrida, o madrileno foi anunciado como piloto da Renault a partir do GP dos Estados Unidos, em Austin, em substituição a Jolyon Palmer (que fazia sua despedida da Fórmula 1 em solo nipônico). Sem Carlos, a escuderia de Faenza voltaria a promover Daniil Kvyat em território norte-americano – o russo, que foi substituído por Pierre Gasly, retornará ao time italiano.

Magnussen, à frente de Grosjean e Raikkonen

Magnussen, à frente de Grosjean e Raikkonen: início de prova positivo para o dinamarquês

Dança das cadeiras à parte, a relargada em Suzuka foi dada na volta 4. Com problemas em uma das velas de seu carro, Sebastian Vettel (Ferrari) perdeu rendimento drasticamente e foi superado por Magnussen, que assumiu a nona posição. O alemão abandonaria a etapa ao fim daquela volta. Sem Vettel, o Mundial de 2017 cairia praticamente no colo de Lewis Hamilton (Mercedes), líder do campeonato e que ditava o ritmo na prova japonesa. Se uma Ferrari estava fora, a outra estava atacando Kevin. Na volta 6, Raikkonen superou Magnussen, que caiu para 10º. A partir dali, a preocupação do dinamarquês seria segurar o ritmo de Grosjean – seu companheiro de Haas o perseguia implacavelmente.

O acidente de Marcus Ericsson (Sauber), na volta 8, fez a direção de prova instalar o virtual safety car no trecho da escapada do sueco. Duas voltas depois, a pista estava totalmente liberada. Sem conseguir acompanhar Hulkenberg (que havia sido ultrapassado por Raikkonen), Magnussen se mantinha à frente de Grosjean, com pouco mais de 1 segundo de vantagem. Aos poucos, os compostos supermacios davam sinais de desgaste. Era a hora de parar nos boxes. Na volta 18, Felipe Massa (Williams) fez seu pit stop, o que colocou Kevin em nono. Entretanto, na passagem seguinte, a Haas chamou o dinamarquês para realizar sua parada, sacando os supermacios e colocando os pneus macios. Ao voltar à pista, Magnussen se viu em 14º, atrás do brasileiro da Williams.

Kevin persegue Massa: disputa foi uma das mais marcantes da etapa de Suzuka

Kevin persegue Massa: disputa foi uma das mais marcantes da etapa de Suzuka

Com o pit stop de Pierre Gasly (Toro Rosso), na volta 23, Kevin subiu para 13º. Após a parada de Grosjean, na 24, o dinamarquês ascendeu para 12º. Duas voltas depois, foi a vez de Alonso ir aos boxes, fazendo com que Magnussen passasse a ocupar a 11ª posição. A partir daquele instante, Kevin se via preso atrás de Massa, o 10º, e Jolyon Palmer (Renault), o nono. Por outro lado, enxergava Grosjean, o 12º, e Gasly, o 13º, em seus espelhos retrovisores. O pelotão de cinco carros andava no ritmo de Palmer. Na volta 38, Hulkenberg foi para os boxes, fazendo com que todos os integrantes da fila indiana ganhassem uma posição. O pelotão só seria desfeito com a parada de Jolyon, na volta 39. Assim, Magnussen subia para nono, e Grosjean, para 10º.

Naquele instante, a dupla da Haas colocava pressão sobre Massa, o oitavo. Kevin não teve dúvidas: era a hora de atacar o brasileiro da Williams. Na volta 43, o dinamarquês mudou o traçado para ultrapassar Felipe na tomada da Curva 2. Com personalidade, Magnussen não fez menção de tentar superar Massa na Curva 1. O brasileiro acabou sendo surpreendido com a astúcia do adversário, e perdeu não só a posição para Kevin, como também para Grosjean. Em oitavo, a preocupação do dinamarquês passou a ser os ataques de seu companheiro de Haas, uma vez que estava a quase 20 segundos de Sergio Pérez (Force India), o sétimo.

Apesar da pressão de Grosjean, Magnussen soube manter o oitavo lugar

Apesar da pressão de Grosjean, Magnussen soube manter o oitavo lugar

Apesar das tentativas de Romain, Magnussen soube manter o oitavo lugar. A vitória em Suzuka ficou com Hamilton – a 61ª da carreira do britânico. Lewis teve que segurar Max Verstappen (Red Bull) para garantir o triunfo, fundamental para a caminhada rumo ao tetracampeonato – agora, o piloto da Mercedes tem 59 pontos de vantagem sobre Vettel (306 a 247), praticamente selando a conquista do Mundial. Após vencer em Sepang, Verstappen conquistou o segundo lugar, seguido por Daniel Ricciardo (Red Bull). Alheio à disputa do pódio, Kevin celebrou o oitavo posto, cruzando a linha de chegada na mesma volta do vencedor Hamilton e com menos de 1 segundo de vantagem sobre Grosjean, o nono colocado.

“Gostei da minha corrida. Nós maximizamos nosso potencial como equipe chegando em oitavo e nono, colocando os dois carros entre os pontuáveis. Creio que não poderíamos esperar mais, então estou feliz. Sinto que tivemos algumas boas provas recentemente, mas sem aquela dose de sorte que eu precisava para marcar pontos. Hoje (domingo), deu certo. Espero que eu possa dar sequência a isso na parte final da temporada. Definitivamente, não é fácil obter resultados como esse de Suzuka. Você tem de fazer tudo certo, e acho que fizemos hoje (domingo), portanto parabéns à equipe”, disse Magnussen, satisfeito.

Festa na Haas pela conquista dos 6 pontos em Suzuka: Kevin obteve 4; Romain, 2

Festa na Haas pela conquista dos 6 pontos em Suzuka: Kevin obteve 4 pontos; Romain, 2

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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