Malásia-2017: Vandoorne é top 7 e supera Alonso no Mundial

Vandoorne ignorou Alonso e levou a McLaren-Honda ao 7º lugar em Sepang

Vandoorne ignorou Alonso e levou a McLaren-Honda ao 7º lugar em Sepang

Que Fernando Alonso é um dos pilotos mais consagrados da atualidade, ninguém discute. Além dessa marca, há uma outra que o espanhol ostenta no circo: trata-se de um destruidor de companheiros de equipes. Apenas dois foram capazes de desafiar Alonso dentro de um time num Mundial. Coincidentemente, ambos os casos foram na mesma escuderia: a McLaren. Lewis Hamilton, em 2007, fez o mesmo número de pontos do asturiano (109), mas ficou à frente no critério de desempate. Jenson Button, em 2015, bateu Fernando ao fim da temporada, anotando 16 pontos, contra 11 do parceiro. O desempenho dos britânicos contra Alonso parece inspirar Stoffel Vandoorne. Em seu primeiro ano completo como piloto da McLaren, o belga vem evoluindo gradativamente a bordo do MCL32. Prova disso veio no GP de Cingapura, em Marina Bay, quando alcançou o sétimo lugar. Não satisfeito, Vandoorne repetiu a dose no último domingo, em Sepang, palco do GP da Malásia de 2017.

Com o sétimo lugar na prova malaia, Stoffel superou Alonso na tabela de classificação do Mundial – o belga passou para 13 pontos, contra 10 do espanhol. É bem verdade que ainda restam cinco etapas para o término do campeonato. Fernando pode muito bem reagir até o fim da temporada. Porém, os dois top 7 de Vandoorne demonstram que o piloto de 25 anos aprendeu a lidar com a falta de desempenho da McLaren – algo que Alonso só apresentou em uma corrida, no GP da Hungria, em Hungaroring, quando atingiu o sexto lugar. Não bastasse se adaptar às dificuldades, Stoffel tem atingido mais velocidade do que Fernando em muitos momentos. Isso também pôde ser visto em Sepang, onde o novato foi mais veloz que o consagrado bicampeão.

Com os sétimos lugares em Marina Bay e Sepang, Vandoorne ultrapassou Alonso no Mundial de Pilotos: 13 a 10 para o belga

Com os sétimos lugares em Marina Bay e Sepang, Vandoorne ultrapassou Alonso no Mundial: 13 a 10

O bom momento de Vandoorne na McLaren não surpreende quem o acompanha desde o início da carreira. Nascido em Courtrai, em 26 de março de 1992, o belga iniciou no kart com seis anos de idade. Seu pai, um arquiteto, iria fazer o design de um restaurante no circuito de kart de sua cidade natal. Foi paixão à primeira vista. Fascinado com a forma como o jovem Stoffel admirava a pista, o dono do kartódromo lhe ofereceu um mini kart. Foi o que bastou para que o menino mergulhasse no automobilismo. No kart, foi campeão nacional na categoria K2, em 2008, e vice-campeão da Copa do Mundo, em 2009. A premiação pela segunda colocação no torneio internacional foi de 45 mil euros, que foi suficiente para Vandoorne iniciar sua trajetória na Fórmula 4, em 2010. Logo de cara, foi campeão da categoria.

Em 2011, se transferiu para o Campeonato Europeu de Fórmula Renault 2.0. Após ser quinto colocado em sua temporada de estreia, o belga alcançou o título em 2012, derrotando o russo Daniil Kvyat.  Em 2013, já chamava a atenção da Fórmula 1. Tanto que foi contratado pelo time de desenvolvimento de jovens da McLaren. Naquele mesmo ano, Stoffel ascendeu para a Fórmula Renault 3.5. Vandoorne ficou com o vice-campeonato, sendo derrotado pelo dinamarquês Kevin Magnussen. No ano seguinte, Stoffel se tornou piloto de testes da McLaren. Ao mesmo tempo, subiu para a GP2. Em sua primeira temporada na categoria de acesso à F1, ficou com o vice-campeonato, sendo derrotado por Jolyon Palmer. No segundo ano na GP2, em 2015, Vandoorne não foi páreo e alcançou um título incontestável.

Stoffel iniciou a carreira na F1 ao substituir Alonso no GP do Bahrein de 2016, em Sakhir

Stoffel iniciou a carreira na F1 ao substituir Alonso no GP do Bahrein de 2016, em Sakhir

Apesar de cotado pela McLaren, Stoffel teve de ser paciente. A escuderia de Woking havia renovado os vínculos de Alonso e de Jenson Button para 2016. Vandoorne correria na Super Fórmula, no Japão, mas, antes, recebeu um convite surpreendente: o belga substituiria Fernando no GP do Bahrein, em Sakhir. O espanhol havia sofrido um fortíssimo acidente no GP da Austrália, em Melbourne, e tinha lesionado uma costela. Assim, inesperadamente, Stoffel estreou na F1. E o belga mostrou boa performance, arrancando um 10º lugar e marcando um ponto logo em sua primeira experiência. O desempenho em Sakhir encheu os olhos da McLaren, que se viu pressionada a escalar o belga. Para isso, tirou Button da escuderia ao fim da temporada.

Em 2017, Vandoorne não teve vida fácil. Envolto aos problemas da McLaren com o motor Honda, o belga só era visto como retardatário. Seu primeiro ponto no ano veio no GP da Hungria, em Hungaroring, com um 10º lugar. Na ocasião, Alonso havia sido top 6. Porém, com a leve melhora do propulsor japonês, Stoffel passou a classificar melhor no grid e a pontuar. O sétimo lugar em Marina Bay comprovou essa ascensão. Ao desembarcar em Sepang, palco do GP da Malásia, Vandoorne queria repetir os pontos. Em sua estreia no circuito malaio, o piloto da McLaren apreciaria sua única experiência na pista – já que a corrida ficou de fora do calendário de 2018.

Vandoorne teve uma sexta-feira complicada em Sepang; no sábado, porém, belga brilhou

Vandoorne teve uma sexta-feira complicada em Sepang; no sábado, porém, belga brilhou

Em um trajeto bastante seletivo, Stoffel aprenderia ‘na marra’ como pilotar ali. Não só isso: teria de se adequar a um inconstante cenário climático. Na sexta-feira, primeiro dia de treinos em Sepang, uma forte chuva atrapalhou o primeiro treino livre. No segundo, a pista secou. Porém, um forte acidente de Romain Grosjean (Haas) interrompeu o treino – o francês bateu numa tampa de bueiro solta ao passar sobre uma zebra. Assim, os pilotos tiveram pouco contato com a pista, prejudicando o desenvolvimento dos testes. Ainda assim, Vandoorne terminou com o 13º melhor tempo da sexta, com 1m33s673. O belga ficou a 1s109 de Alonso, sexto mais veloz do dia com 1m32s564, e a 2s412 de Sebastian Vettel (Ferrari), o mais rápido com 1m31s261.

“As condições foram um pouco difíceis na manhã de hoje (sexta), particularmente com este asfalto, que fica bastante escorregadio no molhado. Esta manhã houve treino limitado para todos, porque estávamos todos poupando pneus – o tempo para o resto do fim de semana parece bastante imprevisível, então precisamos cuidar dos pneus de pista molhada. A sessão foi interrompida esta tarde por causa do acidente de Grosjean, então perdemos um pouco de tempo de pista. Isso significa que nós realmente não fizemos o nosso stint longo – nós apenas fizemos algumas saídas curtas e não fizemos nenhuma longa. Fernando e eu testamos alguns assoalhos de especificações diferentes. Havia apenas um conjunto disponível, e Fernando o estava usando hoje (sexta). Parece um passo adiante. Estou ansioso para correr com condições mais estáveis amanhã (sábado), para que possamos evoluir”, analisou Stoffel.

Vandoorne levou a McLaren a um incrível 7º lugar no grid do GP da Malásia: mérito de Stoffel

Vandoorne levou a McLaren a um incrível 7º lugar no grid do GP da Malásia: mérito de Stoffel

De fato, Vandoorne tinha razão: no sábado, dia dos treinos que definiriam o grid para o GP da Malásia, as coisas fluiriam para o belga. Com um desempenho impressionante, o MCL32 de Stoffel e de Alonso avançaram para o Q3 de Sepang. Os dois carros laranjas, porém, só ingressaram na fase final da qualificação porque Sebastian Vettel (Ferrari) teve problemas com seu bólido e sequer treinou, sendo obrigado a largar em último. Dificuldades de Vettel à parte, na sessão decisiva, Vandoorne se impôs diante de Alonso. Com 1m31s582, o belga foi 0s122 mais veloz do que o espanhol, que anotou 1m31s704. No fim, Stoffel alcançou um impressionante sétimo tempo, a 1s506 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole da prova malaia com 1m30s076 – pela 70ª vez, o britânico sairia na frente de um GP.

A marca obtida no Q3 surpreendeu Vandoorne, que, em Sepang, largaria em sua melhor posição na F1 até o momento. “Não esperávamos estar tão à frente no grid. Talvez passar para a Q3, mas lutar pelo sétimo lugar foi uma surpresa agradável. De fato, minha classificação inteira correu muito bem. Não cometi nenhum erro e acertei todos os setores em todas as voltas. Classificar em sétimo em um circuito como este é o máximo possível para nós, então estou muito feliz. Em geral, tendemos a andar melhor em uma única volta do que em trechos longos, portanto creio que amanhã será mais difícil para nós, mas pelo menos estamos em posição de lutar. E ninguém realmente se preparou para a corrida, espero que possamos estar um pouco melhor preparados do que os outros e aproveitar isso”, observou o belga.

Largada do GP da Malásia de 2017: Vandoorne superou Ocon e contou com a ausência de Raikkonen para pular para quinto

Largada em Sepang: Vandoorne superou Ocon e contou com a lacuna de Raikkonen para ser 5º

A corrida

A tão esperada chuva para o GP da Malásia de 2017, em Sepang, não veio. O céu estava parcialmente nublado quando os 20 pilotos se dirigiram para o grid do circuito malaio. Entre eles, um estreante: Pierre Gasly assumiu o cockpit de Daniil Kvyat e faria sua primeira prova na F1 pela Toro Rosso. Por outro lado, um veterano não largaria: Kimi Raikkonen (Ferrari), que sairia em segundo lugar, encarou o mesmo problema de Sebastian Vettel (Ferrari) no sábado e teve seu carro recolhido antes do início da corrida. Assim, Vandoorne ganharia uma posição antes mesmo da prova começar. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o belga da McLaren mostrou personalidade ao desafiar Esteban Ocon (Force India), deixando o francês para trás. Ao completar a volta 1, Vandoorne estava atrás somente dos pilotos de Mercedes (Lewis Hamilton e Valtteri Bottas) e de Red Bull (Max Verstappen e Daniel Ricciardo), os carros dominantes do fim de semana.

Como não tinha condição de acompanhar Ricciardo, o quarto colocado, Stoffel passou a ditar o ritmo de Sergio Pérez (Force India). O mexicano se aproveitou do conjunto do VJM10 impulsionado pelo motor Mercedes para pressionar o belga. Na volta 8, Pérez superou Vandoorne, que caiu para sexto. Checo não só passou, como sumiu à frente de Stoffel. Era sinal de que os pneus supermacios apresentavam sinais de desgaste. Seus principais perseguidores, Felipe Massa (Williams) e Lance Stroll (Williams), foram para os boxes nas voltas 11 e 12, respectivamente. Temendo que a dupla da Williams o superasse, a McLaren chamou o belga para os boxes na volta 13. Na troca, sacou os pneus supermacios e colocou o jogo de macios. Assim, não seria necessário fazer um segundo pit stop.

Vandoorne travou uma dura batalha com Stroll e Massa, da Williams

Vandoorne travou uma dura batalha com Stroll e Massa, da Williams: belga mostrou competência

Ao retornar à pista, Vandoorne se viu em 10º, à frente de Stroll e Massa. Logo, o belga colou em Ocon, o nono colocado. O francês foi tocado logo após a largada e precisou parar nos boxes no início da corrida. Assim, já não tinha bom rendimento naquele instante da prova. Apesar de pressionar Esteban, Stoffel não conseguia superá-lo. O belga só tomou o nono lugar de Ocon quando o francês foi para os boxes, na volta 24. Com o pit stop de Fernando Alonso (McLaren), na volta 26, Vandoorne assumiu a oitava posição. Na volta 29, Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) teve problemas elétricos em seu carro, sendo obrigado a abandonar. Dessa forma, Stoffel subiu para sétimo. E ali permaneceria, uma vez que Vettel, num ritmo alucinante, havia ascendido para o quarto lugar. Já Pérez, sexto colocado, tinha 20 segundos de vantagem sobre o belga.

Na fase final da corrida, a preocupação de Vandoorne era a de manter Stroll, Massa e Ocon distantes. E o belga cumpriu a missão com exatidão, cruzando a linha de chegada à frente desse pelotão. A vitória em Sepang ficou com Verstappen (a segunda na carreira do jovem holandês, que completou 20 anos no último sábado), seguido por Hamilton e Ricciardo. Com o resultado, Lewis consolidou ainda mais sua liderança no Mundial, com 34 pontos de vantagem sobre Vettel, que terminou em quarto (281 a 247). Seb ainda acabou abalroado por Stroll na volta de desaceleração após a bandeirada. Quem não teve problema algum depois do fim da prova foi Stoffel, que era só sorrisos após o GP da Malásia.

Vandoorne só perdeu posições para Vettel e Pérez (foto): desempenho acima da média

Vandoorne só perdeu posições para Vettel e Pérez (foto): desempenho acima da média

“Eu posso dizer que esta foi a minha melhor corrida na Fórmula 1 até agora. Todo o fim de semana eu fui realmente forte e me senti realmente confiante com o carro. Largamos em sétimo, mas não estávamos realmente confiantes de onde terminaríamos na corrida. Por isso, o sétimo hoje (domingo) é um resultado incrível. Uma excelente largada, sabíamos que provavelmente seria difícil segurar os carros da Force India e da Williams, mas só Perez apareceu. A partir de então, eu tive um ritmo incrível, acelerei em todas as voltas, e, no fim, consegui gerenciar os pneus e manter o espaço sobre Stroll. Estou muito feliz”, celebrou Vandoorne, um estreante que, assim como Hamilton em 2007, ameaça a supremacia de Alonso dentro da McLaren.

Stoffel quer repetir os britânicos Hamilton e Button: meta é derrotar Alonso

Stoffel quer repetir os britânicos Hamilton e Button: meta é derrotar Alonso no duelo da McLaren

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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Uma resposta a Malásia-2017: Vandoorne é top 7 e supera Alonso no Mundial

  1. A Minha sugestão do Gp do Japão 2017 é o Esteban Ocon da Force Índia mais uma vez o jovem francês foi o melhor do resto terminando em 6 lugar Depois de uma boa largada segurou o Ricciardo Bottas e o Raikkonen quando pode mas não deu e no final segurou o companheiro Pérez para terminar em 6 Detalhe o Pérez queria que a equipe mandasse o Ocon ceder a posição para ele porque segundo o Pérez o Ocon estava mais lento do que ele mas levou um sonoro não da Force Índia

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