Cingapura-2017: Sainz voa com a Toro Rosso e alcança top 4

No molhado, Sainz conquistou seu melhor resultado na F1 até o momento: quarto lugar com sabor de vitória

No molhado, Sainz obteve o melhor resultado na F1 até o momento: quarto lugar com sabor de vitória

Carlos Sainz Jr. viveu um fim de semana repleto de emoções em Marina Bay, palco do GP de Cingapura de 2017. Em solo asiático, o espanhol foi confirmado como piloto da Renault para a temporada de 2018, substituindo Jolyon Palmer. Entusiasmado com o novo passo na carreira, o filho do bicampeão mundial de rali, Carlos Sainz, tratou de acelerar fundo seu Toro Rosso pelo circuito de rua. Depois de colocar o STR12 na fase decisiva da qualificação, o madrileno se aproveitou do acidente que tirou Sebastian Vettel (Ferrari), Max Verstappen (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Ferrari) logo na largada da etapa cingalesa. Depois, Carlos guiou de maneira combativa, conquistando um tremendo quarto lugar em Marina Bay. Foi o melhor resultado da carreira de Sainz até o momento, igualando o melhor desempenho da Toro Rosso desde o top 4 de Verstappen no GP dos Estados Unidos de 2015, em Austin.

Antes do quarto lugar no GP de Cingapura de 2017, o máximo que Carlos havia conquistado foi a sexta posição em quatro oportunidades: três em 2016 (nos GPs da Espanha, em Montmeló; dos Estados Unidos, em Austin; e do Brasil, em Interlagos) e um neste ano (no GP de Mônaco). Após conquistar os 12 pontos em Marina Bay, o espanhol consolidou-se em nono na classificação do Mundial de Pilotos, com 48 pontos. Não só isso: ajudou a escuderia italiana a se aproximar da Williams na disputa pelo quinto lugar do Mundial de Construtores – o time de Faenza avançou para 52 pontos, ficando a sete da equipe de Grove (que tem 59).

Na sexta, Sainz foi anunciado como novo piloto da Renault para 2018: passo adiante na carreira

Na sexta, Sainz foi anunciado como novo piloto da Renault para 2018: passo adiante na carreira

Os ares de Marina Bay estavam favoráveis para Sainz. O nome do espanhol era fortemente cogitado para assumir o cockpit da Renault, no lugar de Jolyon Palmer. Esse rumor ganhou força após a Red Bull confirmar que manteria a dupla Daniel Ricciardo e Max Verstappen para 2018. Como essa atitude afetaria o desenrolar de sua trajetória na F1, Carlos passou a expor publicamente sua insatisfação. Com o passar do tempo, o madrileno se tornou peça-chave para um dos negócios mais complexos da Fórmula 1 nos últimos tempos: o desenlace entre McLaren e Honda. Como o time de Woking queria a todo custo desfazer a parceria com os japoneses, diversas alternativas foram tentadas. Apenas uma agradava – e, para a felicidade de Sainz, a sorte sorriria para ele.

Explica-se: a McLaren acertou-se para receber motores Renault a partir de 2018. Para ficar com os propulsores franceses, a equipe laranja repassou a unidade de potência da Honda para a Toro Rosso. Por sua vez, a Renault exigiu da Red Bull o empréstimo de Carlos para a temporada do ano que vem. Os acordos foram feitos, e Sainz, enfim, passaria a caminhar na Fórmula 1 sem o suporte da fabricante de energéticos. Cyril Abiteboul, diretor da Renault, deu as boas vindas para o espanhol. “Carlos é um piloto bastante promissor que estava em nosso radar há algum tempo, principalmente após seu sucesso nas categorias juniores da Renault. Poder confirmá-lo para 2018 é uma notícia positiva para nós. Essa escolha está bem alinhada com nossos planos estratégicos a médio prazo. Sentimos que Nico (Hulkenberg) e Carlos irão se complementar dentro e fora da pista”.

Com o futuro definido, Sainz tratou de acelerar forte nos treinos em Marina Bay

Com o futuro definido, Sainz tratou de acelerar forte nos treinos em Marina Bay

Inspirado com a boa nova, Sainz acelerou seu bólido azul em Marina Bay. Na sexta, Carlos só andou no segundo treino livre – no primeiro, seu cockpit foi ocupado pelo indonésio Sean Gelael. Na sessão noturna, anotou o 12º tempo, com 1m43s236. O espanhol foi 0s324 mais veloz do que o companheiro Daniil Kvyat, 13º com 1m43s608. O jovem madrileno ficou a 2s384 de Daniel Ricciardo (Red Bull), o mais rápido da sexta com 1m40s852. “Depois de não participar no primeiro treino livre à tarde, obviamente eu tive que usar meu tempo para me acostumar a dirigir na segunda sessão – eu tive que fazer algumas voltas extras no início para me certificar de recuperar o tempo perdido. Eu acho que nós ainda não o recuperamos totalmente, mas até o momento antes da classificação devo estar pronto e estou confiante de que conseguiremos. Para o resto, estou feliz com o meu desempenho na sessão de hoje (sexta). Ainda precisamos entender um pouco melhor algumas coisas que introduzimos no carro, mas vamos trabalhar duro para resolver isso”.

No sábado, dia da definição do grid para o GP de Cingapura, Carlos tinha uma meta: alcançar o Q3. Com a irregularidade demonstrada em Marina Bay, a Toro Rosso acreditava que o máximo possível para Sainz e Kvyat era chegar ao Q2. A dupla alcançou a segunda fase do treino. O russo ficou em 13º, com 1m42s338, sendo eliminado no Q2. Porém, o espanhol se revelou uma grata surpresa ao avançar para a sessão decisiva. No fim, Carlos assegurou a 10ª posição no grid, com 1m42s056, ficando a 2s565 de Sebastian Vettel (Ferrari), que conquistou a pole pela 49ª vez na carreira com 1m39s491.

Espanhol levou a Toro Rosso para o Q3 em Marina Bay: façanha foi bastante celebrada

Espanhol levou a Toro Rosso para o Q3 em Marina Bay: façanha foi bastante celebrada

“Estou muito feliz por ter avançado ao Q3 hoje (sábado)! Se eu disser a verdade, depois dos treinos de ontem (sexta) e desta manhã, não parecia tão competitivo. Pensei que o Q3 estava um pouco fora da nossa realidade, mas no final conseguimos encaixar uma boa volta – o ritmo voltou na classificação e estou muito satisfeito! Agora precisamos pensar na corrida, porque não vai ser fácil. Infelizmente para nós, alguns de nossos concorrentes mais próximos deram um grande passo à frente, então será uma corrida mais no lado defensivo, olhando nos espelhos. Mas tentarei fazer o meu melhor para me manter entre os pontuáveis”, analisou Sainz.

Sainz escapou ileso do incidente entre Vettel, Verstappen e Raikkonen na largada do GP de Cingapura

Sainz escapou ileso do incidente entre Vettel, Verstappen e Raikkonen na largada do GP de Cingapura

A corrida

Domingo, 17 de setembro de 2017. A noite raiou em Marina Bay com um ingrediente nunca visto nas edições anteriores do GP de Cingapura: uma tromba d’água caiu sobre o circuito momentos antes da prova. Pilotos e times se viram diante de um dilema: qual tipo de pneus usar na largada? Metade do grid optou por borracha para chuva intensa; a outra metade escolheu compostos intermediários – nesse grupo, encontrava-se Sainz. Se no sábado, o espanhol confiava na conquista de pontos, no domingo, a pista molhada poderia colocá-lo em uma boa posição. Entretanto, o que Carlos não imaginava era que uma verdadeira confusão se armaria após o apagar das luzes vermelhas, fazendo com que suas pretensões fossem totalmente alteradas.

Pole em Marina Bay, Sebastian Vettel (Ferrari) pressionou Max Verstappen (Red Bull), segundo no grid. O que o alemão e o holandês não contavam era com o impressionante avanço de Kimi Raikkonen (Ferrari). Saindo em quarto, o finlandês partiu como um raio na parte interna da reta dos boxes. Verstappen ficou encaixotado. O choque triplo foi inevitável. Os carros de Kimi e Max escaparam na primeira curva, e acabaram resvalando em Fernando Alonso (McLaren), que tentava se livrar ileso. Vettel rodaria duas curvas mais tarde em razão do acidente, sendo obrigado a abandonar. Largando em 10º, Sainz foi cauteloso e acabou sendo superado por Sergio Pérez (Force India), Jolyon Palmer (Renault) e Esteban Ocon (Force India). Como ultrapassou Alonso, e com os abandonos de Vettel, Verstappen e Raikkonen, o piloto da Toro Rosso terminou a volta 1 em nono.

Sainz mediu força contra Hulkenberg e Pérez em Marina Bay

Largar com intermediários foi fundamental para que Sainz ficasse à frente de Hulkenberg e Pérez

Diante dos múltiplos incidentes, o safety car foi acionado no circuito. Após a limpeza da pista, a relargada foi dada na volta 6. Sainz tomou um susto, passando direto na Curva 1. Ainda assim, se manteve em nono. Depois, passou a pressionar Ocon, o oitavo. Na volta 9, Carlos pressionou Esteban e, com estilo, ultrapassou o francês, assumindo a oitava posição. Na volta 11, Daniil Kvyat (Toro Rosso) errou e bateu sozinho, obrigando o retorno do safety car na pista. Com a prova sob bandeira amarela, alguns pilotos aproveitaram para realizar o primeiro pit stop na corrida. Como a pista dava sinais de melhora, Pérez, Palmer, Stoffel Vandoorne (McLaren) e Nico Hulkenberg (Renault) foram para os boxes, tirando os pneus de chuva extrema para colocar os intermediários.

Por já calçar esse tipo de composto, Sainz ganhou essas quatro posições, saltando para o quarto lugar. O espanhol ficou atrás somente de Lewis Hamilton (Mercedes), Daniel Ricciardo (Red Bull) e Valtteri Bottas (Mercedes). Quando a nova relargada foi dada, na volta 15, Carlos tinha que lidar com a pressão de Hulkenberg e Pérez. Entretanto, o madrileno estava preciso em Marina Bay, não dando chance para os adversários. Em contrapartida, não conseguia acompanhar Bottas, o terceiro colocado. Dessa forma, a missão de Sainz passou a ser consolidar a quarta colocação. Com a pista praticamente seca, os pilotos passaram a colocar pneus slicks. Carlos decidiu ir para os boxes na volta 26. Na troca, sacou os intermediários e colocou os compostos supermacios. No retorno à pista, estava em sétimo.

Focado, Carlos manteve um ritmo consistente: o prêmio foi o quarto lugar

Focado, Carlos manteve um ritmo consistente em Marina Bay: o prêmio foi o quarto lugar

Na volta 27, Hulkenberg e Pérez realizaram suas paradas. Ambos colocaram pneus ultramacios. Enquanto Sergio saiu atrás de Carlos, Nico se viu à frente do piloto da Toro Rosso, ganhando a posição na base da estratégia. Na passagem seguinte, Palmer foi aos boxes, o que colocou Sainz na quinta posição. Contudo, o espanhol não conseguia acompanhar o ritmo do alemão da Renault. Dessa forma, se voltou mais uma vez a segurar Pérez e manter o top 5 – o que já seria a melhor posição de sua carreira na F1. Na volta 38, Marcus Ericsson (Sauber) sofreu acidente em trecho estreito do circuito de Marina Bay. O carro do sueco ficou parado na pista, obrigado, mais uma vez, a entrada do safety car. Na mesma passagem, Hulkenberg se viu com problemas em seu carro, encaminhando-se para os boxes. Assim, Sainz recuperava o quarto lugar.

Na volta 41, a relargada foi realizada. Já naquele momento, sabia-se que as 61 voltas previstas não seriam completadas devido à quantidade de intervenções do safety car. A corrida se encerraria com 2 horas de duração. À Sainz, não cabia atacar Bottas, o terceiro colocado; ao espanhol, restaria preservar a quarta posição diante da pressão de Pérez, o quinto. Porém, desde o reinício da prova, Carlos se impôs contra Checo. O piloto da Toro Rosso não permitiu que o rival da Force India se aproximasse para realizar a tentativa de ultrapassagem. No fim, veio a recompensa: o quarto lugar significava o melhor resultado de Sainz desde o seu ingresso na F1, em 2015.

Apesar da pressão de Pérez, Sainz sustentou a quarta posição: festa na Toro Rosso

Apesar da pressão de Pérez, Sainz sustentou a quarta posição: festa na Toro Rosso

A vitória em Marina Bay ficou com Hamilton. O 60º triunfo do britânico foi uma conquista pra lá de inesperada, uma vez que a pista de Cingapura privilegiava os carros da Ferrari. Com a primeira posição, Lewis abriu 28 pontos de vantagem sobre Vettel no Mundial. Ricciardo terminou em segundo, seguido por Bottas. Marina Bay também viu os melhores resultados das carreiras de Palmer, sexto, e Vandoorne, sétimo. Mas a verdadeira festa encontrava-se nos boxes da Toro Rosso. Todos festejaram a conquista de Sainz, ainda mais após a confirmação de sua saída da escuderia ao fim desta temporada. “Que dia, que resultado! Eu diria que este é provavelmente o meu melhor dia na Fórmula 1 até agora! Depois de um fim de semana com tanta atenção da mídia, fazer um fim de semana perfeito e terminar a corrida em quarto é simplesmente incrível”, celebrou.

Sobre a etapa, Carlos destacou o momento mais complicado para ele. “O instante mais difícil da corrida foi o início do stint com os supermacios. Eu tentei fazer o meu melhor durante a volta de saída, mas Hulkenberg conseguiu me passar. Por sorte, ele teve um problema e, a partir de então, foi tudo sobre me defender de Checo, que tinha sido mais rápido que nós na sexta-feira e também estava com ultramacios. Era muito difícil mantê-lo para trás, olhando nos meus espelhos o tempo todo, mas no fim nós conseguimos. Eu tinha o meu voo reservado para voltar para casa hoje (domingo) a noite, mas definitivamente estou cancelando isto – precisamos celebrar este excelente resultado, todos juntos, esta equipe também fez um trabalho incrível neste fim de semana”, comemorou Sainz.

Com os 12 pontos, Sainz se consolidou na nona posição do Mundial, com 48 pontos

Com os 12 pontos, Sainz se consolidou na nona posição do Mundial, com 48 pontos

 

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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