Canadá-2017: Ocon chia com Pérez e põe Force India no divã

Ocon (à esq.) pediu para que Pérez (à dir.) cedesse sua posição: mexicano ignorou, e Force India perdeu chance de pódio

Ocon (à esq.) pediu para que Pérez (à dir.) cedesse posição: mexicano ignorou, e time perdeu pódio

A Force India teve mais um fim de semana positivo em Montreal, palco do GP do Canadá de 2017. Sergio Pérez terminou em quinto, enquanto Esteban Ocon foi o sexto. Seus pilotos somaram 18 pontos, o que consolidou a escuderia indiana na quarta posição do Mundial de Construtores, com 71 pontos. No papel, tudo lindo e belo. Todavia, ficou um quê de frustração nos boxes do time rosa. Isso porque Pérez e Ocon estiveram sempre próximos de Daniel Ricciardo (Red Bull), terceiro na etapa canadense. Checo ficou praticamente toda a prova atrás do australiano. Porém, o mexicano não esboçou qualquer tipo de ação que pudesse lhe fazer assumir a posição de Ricciardo. Companheiro do latino, o francês esperneou com a equipe. Queria que Pérez cedesse seu quarto lugar para que tivesse a chance de atacar Daniel. A Force India sugeriu a ideia a Sergio, que simplesmente ignorou a proposta de Esteban. Resultado: os dois foram superados por Sebastian Vettel (Ferrari) no fim da prova.

Nunca será possível saber se Ocon alcançaria seu primeiro pódio da carreira em Montreal. Entretanto, tudo levava a crer que o francês teria condições de ir para cima de Ricciardo. Diante da negativa da Force India e da ultrapassagem de Vettel sobre a dupla indiana, Esteban passou a duelar contra Sergio. Por sorte, o time cor-de-rosa chegou à bandeirada. Contudo, faltou pouco para os dois pararem na brita. O erro estratégico da equipe indiana custou a possibilidade do terceiro lugar, acendendo um alerta: a partir da próxima etapa (o GP do Azerbaijão, em Baku), os comandados de Vijay Mallya precisarão contar com o bom senso, em prol da escuderia. Afinal, se a Force India quiser se tornar uma potência na Fórmula 1, a maleabilidade será fundamental em certos momentos. E foi o que faltou no GP do Canadá.

Foi a primeira experiência de Ocon em Montreal: logo na sexta, foi mais veloz do que Pérez

Foi a primeira experiência de Ocon em Montreal: logo na sexta, foi mais veloz do que Pérez

Apesar do desfecho problemático, o desempenho de Pérez e Ocon foi forte durante todo o fim de semana em Montreal. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para a prova canadense, a dupla andou entre os 10 primeiros. O francês surpreendeu ao ser o oitavo mais veloz. Esteban anotou 1m14s299 – 0s202 mais veloz do que Sergio, que fez o 10º tempo (1m14s501), e a 1s364 de Kimi Raikkonen (Ferrari), o mais rápido da sexta, com 1m12s935. A marca de Ocon mostrou a rápida adaptação do jovem piloto ao Circuito Gilles Villeneuve – era a primeira vez dele nesta pista. “Estou me sentindo muito feliz depois da minha primeira experiência neste circuito. O primeiro trabalho foi aprender o traçado e isso foi bastante correto, sem dramas reais para mim. O carro está bem no momento, mas eu sei que em algumas áreas podemos melhorar esta noite”, analisou.

No sábado, a Force India seguiu impressionando. Tanto Pérez como Ocon avançaram para o Q3 em Montreal. Desta vez, o mexicano achou uma volta melhor que o francês. Checo alcançou o oitavo lugar, com 1m13s018. O latino foi 0s117 mais veloz que o companheiro na fase decisiva da qualificação. Esteban ficou em nono, anotando 1m13s135. A marca de Ocon foi 1s676 mais lenta que a de Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP do Canadá com 1m11s459. Foi a 65ª pole do britânico, igualando o registro histórico de Ayrton Senna – à frente de Hamilton, apenas Michael Schumacher, que largou 68 vezes na posição de honra. Recordes à parte, o francês da Force India seguia feliz com o VJM10.

No sábado, Esteban ficou em nono, enquanto Checo assegurou o oitavo lugar no grid

No sábado, Esteban ficou em nono, enquanto Checo assegurou o oitavo lugar no grid

“Estou satisfeito hoje (sábado). O carro tem sido forte desde o primeiro treino livre e fizemos um bom trabalho em todas as sessões, sempre avançando e melhorando o carro em cada saída.  Gostei muito da classificação – forçando cada vez mais nas chicanes e me aproximando dos muros. É uma pista das antigas e definitivamente um desafio para os pilotos. Por largar do nono lugar, já estamos nos pontos. Tenho uma boa sensação para a corrida. A prioridade é ter uma primeira volta limpa, ficar fora de problemas e encontrar um ritmo para aproveitar ao máximo nosso ritmo de corrida competitivo”, afirmou o confiante Esteban.

Na largada do GP do Canadá de 2017, Ocon superou Massa, assumindo o 8º lugar

Na largada do GP do Canadá de 2017, Ocon superou Massa, assumindo o 8º lugar

A corrida

Domingo, 11 de junho de 2017. O dia ensolarado embelezou a Ilha de Notre Dame, local que hospeda o Circuito Gilles Villeneuve. As arquibancadas tinham um motivo especial para acompanhar o GP do Canadá: o local Lance Stroll (Williams) tornava-se o primeiro canadense a disputar a prova de Montreal desde Jacques Villeneuve, em 2006. Porém, os holofotes estavam nas primeiras filas do grid. Calçando pneus ultramacios, tanto Pérez quanto Ocon queriam escapar de problemas nas primeiras curvas. Quando as luzes vermelhas se apagaram, a dupla da Force India partiu forte, superando Felipe Massa (Williams). Segundos depois, Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), num movimento atabalhoado, tocou em Romain Grosjean (Haas) e perdeu o controle. O espanhol acabou levando Massa consigo, e os dois ficaram de fora. O acidente fez com que o safety car fosse acionado.

Na volta 4, o carro de segurança deixou a pista, e a corrida começou a ganhar forma. Na relargada, Pérez foi ousado. O mexicano se aproveitou de um erro de Kimi Raikkonen (Ferrari) e subiu para sexto. Na passagem seguinte, Sebastian Vettel (Ferrari) foi para os boxes. Após cair de segundo para quarto na largada, o alemão verificou uma avaria na asa dianteira de seu bólido, fruto de um toque com Max Verstappen (Red Bull). Assim, Checo ascendeu para o quinto lugar, e Ocon, para o sétimo. Ali permaneceram até a volta 11, quando Verstappen, então segundo colocado, abandonou com problemas elétricos em seu Red Bull. Com a retirada do holandês, Sergio passava a ocupar o quarto lugar, e Esteban, o sexto posto.

Após acidente com Sainz e Massa, Ocon ficou à frente de Hulk, Kvyat e Vandoorne

Após a saída do safety car, Ocon ficou à frente de Hulkenberg, Kvyat e Vandoorne

Para tirar o carro de Max da pista, foi acionado o virtual safety car. Apenas na volta 15, a direção de prova liberou a retomada plena da corrida. Naquele instante, as equipes já preparavam suas estratégias para o pit stop. A primeira a decidir parar foi a Ferrari, com Raikkonen. Com a ida do finlandês aos boxes, na volta 17, Ocon subiu para quinto, passando a se aproximar de Pérez. Na 18, foi a vez de Ricciardo fazer sua parada. Após o pit do australiano, o mexicano assumiu o terceiro lugar, e o francês, o quarto. Com os dois pilotos bem posicionados, a Force India achou por bem estabelecer dois stints para os seus pilotos: enquanto Sergio pararia primeiro, Esteban estenderia seu tempo em pista. Na volta 19, Checo foi aos boxes. Na troca, sacou os ultramacios e colocou os supermacios.

Após a parada de Pérez, Ocon assumiu o terceiro lugar. Na volta 22, Valtteri Bottas (Mercedes) fez seu pit stop. Assim, o francês da Force India subiu para segundo, ficando atrás somente de Lewis Hamilton (Mercedes). Esteban tinha um bom ritmo. Para ter uma ideia, Hamilton abria em torno de 0s8 para o francês neste momento da prova. Por outro lado, Sergio já estava em quinto, atrás de Ricciardo, o quarto. Com o passar das voltas, Bottas, com pneus novos, se aproximou de Ocon. Porém, o finlandês sabia que, em breve, o francês pararia para sua troca de pneus. E ela veio na volta 32. Assim como Hamilton, Esteban foi aos boxes. No pit, a Force India realizou o mesmo procedimento feito com Pérez – tirou os ultramacios e colocou os supermacios. Entretanto, havia uma diferença: Ocon teria pneus menos desgastados do que o mexicano no fim da prova.

Ocon andou por várias voltas em segundo: stint longo permitiria mais ação no fim da prova

Ocon andou por várias voltas em segundo: stint longo permitiria mais ação no fim da prova

No retorno à pista, na volta 33, Esteban estava em sexto, logo atrás de Raikkonen. Um pouco à frente, Pérez continuava sendo bloqueado por Ricciardo. Dessa forma, tanto o francês quanto o finlandês se aproximaram da disputa pelo terceiro lugar. Um pelotão com quatro pilotos foi formado. Na volta 41, Kimi realizou seu segundo pit stop. Com isso, Ocon subiu para quinto, tendo Sergio e Daniel em sua alça de mira. Em contrapartida, o francês era perseguido por Vettel, que, após cair para o fim da classificação, fazia uma prova de recuperação. Ao perceber que Sebastian estava limitado ao ritmo de Ricciardo, Pérez e Ocon, a Ferrari decidiu chamar o alemão para os boxes na volta 49. Na troca, sacou os supermacios e colocou os ultramacios. Assim, Vettel poderia atacar os adversários no fim da etapa.

Após a ação ferrarista, Ocon tomou uma atitude via rádio: avisou a Force India de que era mais veloz do que Pérez, e que ele, Esteban, poderia superar Ricciardo. A direção do time indiano, por sua vez, comunicou Sergio. O mexicano simplesmente ignorou a sugestão do time. Consta que, por cinco vezes, a equipe pediu a Checo para que cedesse sua posição. Em meio ao impasse instaurado na Force India, Vettel passou a reduzir drasticamente a diferença. Ocon estava sem saída: ou iria para cima de Pérez, ou seria superado por Sebastian. Na volta 63, o germânico já observava o trio. Esteban, então, tomou a atitude e partiu para cima de Sergio. O mexicano se defendeu como pôde, barrando o avanço do francês. Por outro lado, a disputa interna na Force India fez com que Ricciardo abrisse vantagem e se consolidasse no terceiro lugar.

A dupla da Force India perseguiu Daniel Ricciardo (Red Bull) por inúmeras voltas: erro estratégico

A dupla da Force India perseguiu Daniel Ricciardo (Red Bull) por inúmeras voltas: erro estratégico

Na volta 66, antes da freada para contorno da última curva, Ocon emparelhou com Pérez. Checo não arredou o pé, fazendo com que Esteban perdesse velocidade. Vettel se aproveitou disso para colocar por dentro na primeira curva. O francês, do lado externo da curva, não conseguiu contorná-la, escapando da pista. Assim, Seb assumiu o quinto lugar, derrubando Ocon para sexto. Na 68, Vettel ultrapassou Pérez sem dificuldades, garantindo o quarto lugar. Esteban batalhou até o fim contra Sergio pelo top 5. Todavia, o mexicano levou a melhor, por exímios 0s240. A vitória no GP do Canadá ficou com Hamilton (a 56ª da carreira do inglês), seguido por Bottas e Ricciardo.

Além da Mercedes, satisfeita com a primeira dobradinha de 2017, a festa na pista canadense ficou por conta de Stroll, que, com o nono lugar, obteve seus primeiros pontos na F1. Lance se tornou o 335º piloto a pontuar na categoria, e o segundo mais jovem na história, com 18 anos, 7 meses e 13 dias – atrás somente de Verstappen, que pontuou pela primeira vez no GP da Malásia de 2015, em Sepang, com 17 anos, 5 meses e 19 dias. Por outro lado, o clima na Force India era de decepção. Estava claro que o pódio havia escapado pelas mãos do time. Ao não interceder em favor de Ocon, a equipe viu o top 3 virar pó. Apesar disso, após a corrida, Esteban preferiu não polemizar.

Momento decisivo para a Force India: Vettel ataca Ocon e Pérez

Momento decisivo para a Force India em Montreal: Vettel ataca Ocon e Pérez. Fim do sonho do pódio

“Como equipe, marcamos pontos realmente importantes hoje (domingo), mas estou um pouco frustrado por esse resultado porque eu acho que um pódio pode ter sido possível. Temos que olhar para os aspectos positivos: tivemos um ótimo carro que nos permitiu lutar com a Ferrari e a Red Bull, e isso é muito impressionante. Estou confiante de que não será a última vez que lutaremos neste nível e foi um sentimento incrível – uma corrida muito agradável. A equipe como um todo fez um ótimo trabalho – eles me deram um carro tão rápido e podemos nos orgulhar do nosso trabalho e dos pontos que ganhamos”, afirmou o francês.

Já Pérez tinha certeza de que superaria Ricciardo e assumiria o lugar no pódio. Daí ter minimizado o pedido da Force India. “Durante quase toda a corrida, estava atrás de Daniel em sua janela de DRS, esperando minha oportunidade de ultrapassar. Tentei o meu melhor e realmente forcei forte, mas simplesmente não foi possível fazer a manobra. Foi a mesma situação com Esteban atrás de mim. Eu sabia que Ocon tinha melhores pneus porque meus engenheiros me informaram e eu respondi pedindo à equipe para simplesmente nos deixar correr. Acho que a equipe foi justa e respeitou minha visão. A equipe sempre vem primeiro e nós corremos duro, mas justo. Eu sempre dou o meu melhor e estou muito feliz de podermos sair com muitos pontos”.

Pérez havia recebido cinco avisos para ceder posição a Ocon: mensagem ignorada

Pérez havia recebido cinco avisos para ceder posição a Ocon: mensagem ignorada

Por fim, a Force India tentou contemporizar a situação entre a sua dupla. No Twitter, o dono do time, Vijay Mallya elogiou seus comandados. “Bom trabalho, pessoal. Estou orgulhoso de todos. A nossa política de não lançar mão de ordens de equipe continua, mas eu vou especificar algumas diretrizes para que possamos também alcançar o melhor resultado possível para a equipe”, concluiu. Ao site Motorsport, o chefe-adjunto da escuderia, Bob Fernley, foi taxativo. “Há aspectos positivos e negativos com o que aconteceu em Montreal. E o que aconteceu apenas destaca um problema que temos – o que, na verdade, é mais um elogio – que é ter dois pilotos incrivelmente rápidos. Então, talvez, tenhamos de rever as nossas posições em como vemos as coisas no futuro. Não devemos nos recriminar pelo que aconteceu. E do ponto de vista dos fãs, você não pode tomar dois caminhos. A nossa política é deixá-los correr e foi o que fizemos”, analisou.

Apesar dos pesares, sexto lugar colocou Ocon em oitavo no Mundial, com 27 pontos

Apesar dos pesares, sexto lugar em Montreal colocou Ocon em oitavo no Mundial, com 27 pontos

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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