Mônaco-2017: Sainz Jr. segura Hamilton e garante sexto lugar

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) não se intimidou com a pressão de Lewis Hamilton (Mercedes): festa pelo top 6

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) não se intimidou com Lewis Hamilton (Mercedes): festa pelo top 6

Consistente, veloz e determinado, Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) foi um dos grandes destaques do GP de Mônaco de 2017. O jovem espanhol deitou e rolou no Principado. Após conquistar um excelente sexto lugar no grid, Sainz faturou a sexta posição da etapa monegasca. De quebra, ficou à frente de ninguém menos do que o tricampeão Lewis Hamilton (Mercedes). Foi seu melhor desempenho no ano até o momento. Além disso, alcançou o quarto top 6 na carreira, igualando os resultados obtidos em três provas de 2016 – nos GPs da Espanha, em Montmeló; dos Estados Unidos, em Austin; e do Brasil, em Interlagos. Com os oito pontos, Carlos subiu para a oitava posição do Mundial de Pilotos, com 25 pontos, e ajudou a Toro Rosso a permanecer na quinta colocação do Mundial de Construtores, com 29 pontos – à frente da Williams.

Sem dúvida, foram dias que não serão esquecidos tão cedo pelo madrileno de 22 anos. Também pudera: nas ruas de Mônaco, a falta de potência do motor Renault não foi sentida, e o melhor equilíbrio do STR12 pôde ser notado a todo instante. Dessa forma, Sainz e seu companheiro de equipe, Daniil Kvyat, aceleraram forte desde o momento em que ingressaram no estreito circuito. Ambos figuraram entre os primeiros na quinta-feira, dia dos primeiros treinos livres no Principado. O russo foi o quarto mais veloz do dia, com 1m13s331, enquanto o espanhol ficou em quinto, com 1m13s400. Apesar de ter ficado 0s069 atrás de Kvyat, Sainz ficou satisfeito com o desempenho de seu bólido em solo monegasco – ainda mais porque a dupla da Toro Rosso superou pilotos da estirpe de Max Verstappen (Red Bull), sexto, e de Lewis Hamilton (Mercedes), sétimo.

Desde o início dos treinos, o STR12 se comportou bem nas ruas monegascas: presságio de bom resultado

Desde a quinta, o STR12 se comportou bem nas ruas monegascas – tanto com Sainz, quanto com Kvyat

“Eu acho que fizemos o que precisávamos fazer numa quinta-feira em Mônaco, construindo a velocidade pouco a pouco e tentando configurações diferentes para me dar confiança com o carro. Após as duas sessões de treinos de hoje (quinta) é seguro dizer que estamos muito felizes com tudo. Obviamente, de quinta a sábado, muitas coisas podem mudar, então não podemos nos deixar levar por este resultado. Mas, definitivamente, é um bom ponto de partida. Estou ansioso para o resto do fim de semana”, observou Carlos, que ficou a 0s680 de Sebastian Vettel (Ferrari), o mais rápido do dia, com 1m12s720.

Após os compromissos comerciais da sexta-feira, Sainz retornou ao cockpit do STR12 no sábado para a disputa do treino oficial para o GP de Mônaco. E, mais uma vez, suas expectativas foram além do esperado. Irrepreensível a bordo de seu Toro Rosso, o espanhol avançou para o Q3. É bem verdade que o acidente protagonizado por Stoffel Vandoorne (McLaren) no fim do Q2 atrapalhou Lewis Hamilton (Mercedes), Felipe Massa (Williams) e Kvyat, tirando os três da disputa da sessão decisiva. No fim, Carlos anotou um excelente sexto tempo, com 1m13s162, ficando somente atrás das duplas da Ferrari, Red Bull e Valtteri Bottas (Mercedes). A pole para a etapa monegasca ficou com Kimi Raikkonen (Ferrari), com 1m12s178 – a primeira do finlandês desde o GP da França de 2008, em Magny Cours.

Sainz celebrou o sexto lugar no grid: melhor volta do espanhol num qualifying em 2017

Sainz celebrou o sexto lugar no grid: melhor volta do espanhol num qualifying em 2017

Após o treino, Sainz parecia incrédulo. “Que volta! Definitivamente, foi a volta de classificação que mais apreciei em toda a temporada até aqui – aquela onde você está no limite o tempo todo e lhe dá a maior dose de adrenalina, a maior frequência cardíaca. E me classificar em sexto nesta pista é um resultado incrível. Estou muito feliz. Ainda sinto a adrenalina! Quanto a amanhã (domingo), estou confiante de que podemos ter uma boa prova – somos rápidos em trechos longos e certos, só precisamos fazer tudo certo na largada, liderar o pelotão intermediário e tentar atacar quando possível”, afirmou o madrileno da Toro Rosso.

Largada do GP de Mônaco de 2017: Sainz manteve a sexta posição após a primeira curva

Largada do GP de Mônaco de 2017: Sainz manteve a sexta posição após a primeira curva

A corrida

Domingo, 28 de maio de 2017. O sol realçava o belo cenário da Côte D’Azur. Encravado entre uma muralha natural e o Mar Mediterrâneo, o Principado de Mônaco acaba sendo o paraíso dos pilotos em dia de corrida. Ao todo, 19 pilotos alinharam no grid – o único a largar do pit lane foi… Jenson Button (McLaren)! O britânico, campeão mundial em 2009, substituiu Fernando Alonso na etapa monegasca – o espanhol participou das 500 Milhas de Indianapolis, nos Estados Unidos. Porém, Button teve que trocar peças de seu problemático MCL32, preferindo sair dos boxes. Largando na sexta posição com pneus ultramacios, Sainz sabia que era fundamental preservar sua colocação. Por isso, quando as luzes vermelhas se apagaram, o espanhol tratou de colar em Daniel Ricciardo (Red Bull), quinto no grid, e não ser ultrapassado por Sergio Pérez (Force India).

Após contornar a Sainte Devote, a primeira curva do circuito monegasco, Carlos viu que havia mantido o sexto lugar. Porém, logo na Loews, tomou um susto. Pérez tocou na traseira do STR12, avariando a frente de seu Force India. Com o passar das voltas, o espanhol da Toro Rosso perdeu contato com Ricciardo. Por outro lado, não era ameaçado pelo mexicano – que, apesar do problema na asa dianteira, seguia atrás de Sainz. Na volta 16, Checo foi obrigado a parar nos boxes para trocar o spoiler. Assim, Carlos teve um pouco mais de sossego no Principado – uma vez que Romain Grosjean (Haas) estava 6s atrás dele.

Calçando pneus ultramacios, espanhol da Toro Rosso se manteve entre os seis melhores

Calçando pneus ultramacios, espanhol da Toro Rosso se manteve entre os seis melhores no 1º stint

Na volta 32, Sainz ascendeu na classificação após o pit stop de Max Verstappen (Red Bull). Dessa forma, passou para quinto. Na passagem seguinte, subiu para quarto, graças à parada de Valtteri Bottas (Mercedes). Ali permaneceu provisoriamente até a volta 36. Na 37, Carlos foi chamado pela Toro Rosso para realizar seu único pit. Na troca, sacou os pneus ultramacios e colocou os compostos supermacios. Assim, o madrileno voltou à pista. Naquele instante, estava em nono. Com a parada de Grosjean, na volta 40, Sainz passou a ocupar o oitavo lugar. Na 43, foi a vez de Stoffel Vandoorne (McLaren) realizar seu pit. Assim, o espanhol subiu para sétimo, mas sem contato com o sexto colocado. Seu nome? Lewis Hamilton (Mercedes).

Depois de largar numa tímida 13ª posição, o britânico não conseguiu recuperar posições numa pista que não oferece claros pontos de ultrapassagem. A opção de Hamilton foi de postergar ao máximo sua parada, a fim de sair do incômodo 10º lugar. Lewis se encaminhou aos boxes na volta 46. No retorno, viu que a tática surtiu efeito – o tricampeão superou Grosjean, Daniil Kvyat (Toro Rosso) e Kevin Magnussen (Haas), passando a ocupar o sétimo lugar. Uma péssima notícia para Sainz, que teria que segurar Hamilton se quisesse garantir o top 6 em Mônaco. Na volta 50, Carlos tinha 9 segundos de vantagem sobre Lewis. Na 55, a diferença entre os dois era de 5s8. Nesse ritmo, o britânico alcançaria o espanhol no fim da corrida, mas não teria tempo para superá-lo.

Com o safety car após o acidente entre Wehrlein e Button, vantagem sobre Hamilton

Acidente entre Wehrlein e Button fez vantagem sobre Hamilton “virar fumaça”: tensão para Sainz

Porém, o inesperado aconteceria na volta 60: no duelo pelo 14º lugar, Button tentou uma ultrapassagem impossível sobre Pascal Wehrlein (Sauber) na entrada da curva Portier. O toque foi inevitável. A roda traseira da Sauber de Pascal tocou na dianteira da McLaren de Jenson. O carro do alemão foi catapultado, e Wehrlein ficou colado no guard rail. A cena era assustadora, mas o germânico escapou ileso. Tanto Button quanto Wehrlein abandonaram a prova – e o campeão de 2009, considerado culpado pelo acidente, tomou uma punição de três posições no grid de sua próxima corrida (que, ao que parece, nunca deverá acontecer…). O safety car foi acionado. Assim, Hamilton colou em Sainz.

Quando a relargada foi dada, na volta 67, Carlos foi impecável, não permitindo qualquer ação de Lewis. Hamilton tentava induzir Sainz ao erro, andando sempre no mesmo segundo do adversário. Mas o espanhol da Toro Rosso estava irresistível. Na volta 74, o madrileno abriu 1s3 sobre o britânico, que, enfim, desistiu da disputa. Ao cruzar a linha de chegada em sexto (3s7 à frente do piloto da Mercedes), Sainz fez a Toro Rosso explodir em festa. Foi o melhor resultado da escuderia italiana em 2017 até o momento. A vitória no GP de Mônaco ficou com Sebastian Vettel (Ferrari), a 45ª de sua carreira. Kimi Raikkonen (Ferrari) foi o segundo, seguido por Daniel Ricciardo (Red Bull). Apesar da irretocável dobradinha ferrarista, Carlos e a Toro Rosso também tinham a comemorar.

No fim, Sainz segurou Hamilton e conquistou oito preciosos pontos para a Toro Rosso no Principado

No fim, Sainz segurou Hamilton e conquistou oito preciosos pontos para a Toro Rosso no Principado

“Foi um fim de semana perfeito. Precisamos aproveitar este momento, porque não é habitual fazer uma corrida impecável nas ruas de Mônaco – e desta vez fizemos! Na sessão de classificação de ontem (sábado) e, na corrida de hoje (domingo), fomos capazes de manter um campeão mundial (Hamilton) em um carro mais rápido (Mercedes) atrás e terminar em sexto lugar. Nós também fomos mais rápidos do que o resto do pelotão durante todo o fim de semana e gostaria de agradecer a toda equipe por isso, eles me deram um carro muito bom para dirigir. Eu realmente gostei da corrida. Agora é hora de comemorar com a equipe antes de começar a pensar sobre o GP do Canadá”, disse Sainz.

Com o 6º lugar em Mônaco, Sainz seguiu em oitavo no Mundial de Pilotos, com 25 pontos

Com o 6º lugar em Mônaco, Sainz subiu para oitavo no Mundial de Pilotos, com 25 pontos

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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