Espanha-2017: Wehrlein põe Sauber em oitavo em Montmeló

Wehrlein terminou em sétimo, mas foi punido com 5s e ficou com o oitavo lugar: festa na Sauber

Wehrlein terminou em sétimo, mas foi punido com 5s e ficou com o oitavo lugar: festa na Sauber

Em 2017, a Sauber está celebrando sua 25ª temporada na Fórmula 1. Após bons momentos na categoria (sobretudo nas décadas de 1990 e de 2000), o time suíço tem vivido uma fase recente difícil. Em 2016, marcou apenas dois pontos, graças ao nono lugar de Felipe Nasr no GP do Brasil, em Interlagos. Os pontinhos do brasileiro vieram num momento fundamental, uma vez que garantiu à escuderia a verba proveniente da FOM para o custeio de viagens neste ano. Porém, Nasr não seguiu no time, pois seu principal patrocinador (o Banco do Brasil) decidiu não renovar o aporte. Assim, o brasileiro foi substituído por Pascal Wehrlein, um piloto que estreou na F1 em 2016 e que trazia em seu currículo o título da DTM em 2015.

Em sua temporada de estreia, o alemão obteve um excelente 10º lugar no GP da Áustria de 2016, obtido a bordo da Manor. Com o fim das atividades do time, e após ser preterido por Esteban Ocon na Force India e por Valtteri Bottas na Mercedes, o germânico só tinha o assento da Sauber à disposição. Ao lado de Marcus Ericsson, Pascal assumiu a difícil missão de honrar a história da equipe suíça em seu jubileu de prata. Como o sueco nunca foi um piloto capaz de liderar a escuderia, caberia a Wehrlein esse papel. Porém, logo depois do acerto, o alemão sofreu um acidente na ROC – Race of Champions, nos Estados Unidos, em janeiro.

Após sofrer acidente na ROC, em janeiro, Wehrlein perdeu dois GPs (Austrália e China): alemão foi substituído por Giovinazzi

Após acidente na Race of Champions, em janeiro, Pascal Wehrlein perdeu dois GPs (Austrália e China)

Lesionado, Pascal não participou dos testes pré-temporada. Recuperado clinicamente, decidiu treinar para a disputa do GP da Austrália, em Melbourne. Todavia, se viu sem condições de correr. Assim, foi substituído por Antonio Giovinazzi na prova australiana e no GP da China, em Xangai. Wehrlein só estreou na Sauber no GP do Bahrein, em Sakhir. Na etapa barenita, terminou em 11º. Depois, no GP da Rússia, em Sochi, foi apenas o 16º. Diante desse início discretíssimo, as pretensões do germânico eram as mais modestas possíveis para a disputa do GP da Espanha, em Montmeló. Se muito, ver a bandeira quadriculada ao final das 66 voltas.

Na sexta-feira, a complicada realidade veio à tona para Wehrlein. Com 1m23s599, o alemão ficou numa tímida 19ª posição, somente à frente de Fernando Alonso (McLaren). O germânico foi superado por Ericsson, 16º com 1m23s082 (0s517 à frente de Pascal) e ficou a 2s797 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor do dia com 1m20s802. “Esta foi uma típica sessão de treinos de sexta-feira, na qual pudemos coletar alguns dados valiosos do carro, especialmente com relação às novas peças. É difícil fazer previsões ainda, até porque também tivemos alguns problemas com o carro. No entanto, estou otimista de que podemos melhorar o carro para amanhã (sábado)”, analisou.

Após uma sexta discreta, Wehrlein levou a Sauber ao Q2 em Montmeló: 15º lugar no sábado

Após uma sexta discreta, Wehrlein levou a Sauber ao Q2 em Montmeló: 15º lugar no sábado

De fato, a Sauber melhorou no sábado. Tanto Wehrlein quanto Ericsson tiveram bons momentos no qualifying em Montmeló. Contudo, diferentemente da sexta, Pascal derrotou Marcus e avançou para o Q2. Foi uma verdadeira façanha. No fim, alcançou o 15º tempo, com 1m21s803. O alemão foi 0s529 mais veloz do que o sueco, que caiu no Q1 ao anotar o 16º tempo (1m22s332), e ficou a 2s654 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole em Montmeló com 1m19s149. “Estou satisfeito em passar para o Q2. Depois das sessões de treinos na sexta, não poderíamos ter esperado um resultado assim. O mais importante foi tirar o máximo do carro – o que eu fiz. A equipe também fez um bom trabalho, considerando que ainda não temos o pacote completo de atualização do carro”, observou.

Largada do GP da Espanha: Wehrlein se aproveitou dos incidentes da primeira curva para saltar para 12º

Largada do GP da Espanha: Wehrlein se aproveitou dos incidentes da Curva 1 para saltar para 12º

A corrida

Domingo, 14 de maio de 2017. O céu de Montmeló estava convidativo para a disputa do GP da Espanha. O azul ornava o circuito catalão. No grid com seu C36 e calçando pneus macios, Wehrlein queria fazer o máximo possível. Também pudera: no box da Sauber, estava o patrono do time, Peter Sauber. Fazer jus ao suíço era necessário. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, Pascal acelerou seu bólido azul rumo à Curva 1. De repente, se deparou com o choque entre Kimi Raikkonen (Ferrari) e Max Verstappen (Red Bull). Ambos ficaram pelo caminho. Depois, viu Felipe Massa (Williams) com um pneu furado, após toque em Fernando Alonso (McLaren). Com o abandono de Raikkonen e Verstappen, e com Massa caindo para o fim do pelotão, o alemão da Sauber completou a volta 1 em 12º.

A partir daí, Wehrlein tentava acompanhar o ritmo de Alonso, o 11º. A distância entre ambos girava entre 1 e 2 segundos. O ritmo era bom. Eis que a Sauber decidiu mudar a estratégia para Pascal: o alemão pararia apenas uma vez nos boxes, contra duas dos adversários. A aposta foi certeira. Aos poucos, teve início a ascensão de Wehrlein na classificação. Na volta 13, Alonso fez seu primeiro pit stop, e o germânico subiu para 11º. Na 14, foi a vez de Kevin Magnussen (Haas) e Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) se encaminharem para os boxes, impulsionando o germânico da Sauber à nona posição.

Calçando pneus macios, Wehrlein decidiu estender seu primeiro stint: tática ousada e acertada

Calçando pneus macios, Wehrlein decidiu estender seu primeiro stint: tática ousada e acertada

O público em Montmeló se assustou ao ver Wehrlein na zona de pontuação. Pensaram: ‘ah, mas isso é algo momentâneo’. Porém, quanto mais voltas passavam, mais Pascal cavava um lugar entre os pontuáveis. Na volta 16, Nico Hulkenberg (Renault) realizou sua troca de pneus, e o alemão subiu para oitavo. Na passagem seguinte, com a parada de Esteban Ocon (Force India), o piloto da Sauber ascendeu para sétimo. Depois, com o pit stop de Sergio Pérez (Force India), na volta 19, Wehrlein passou a ocupar o sexto lugar. Na 20, após o pit de Romain Grosjean (Haas), Pascal andava em quinto.

Apesar da súbita ascensão, o alemão já encarava dificuldades em manter-se na pista. Em contrapartida, seus rivais mais próximos calçavam pneus novos. Logo, Wehrlein acabou sendo superado por Pérez, na volta 21, e por Ocon, na volta 23. O embate com os pilotos da Force India, um time com equipamento superior, era perda de tempo. Em sétimo, Pascal mantinha vantagem segura sobre Hulkenberg, seu principal perseguidor. Em suma: a estratégia da Sauber havia funcionado melhor do que o planejado. A meta era fazer o único pit stop de Wehrlein, retornar à pista e assegurar os primeiros pontos da escuderia do ano. Porém, as coisas não funcionaram conforme a escuderia queria…

Após o pit stop, Wehrlein ficou à frente de Sainz, Magnussen e Grosjean: batalha contra a punição de 5s

Após o pit, Wehrlein ficou à frente de Sainz, Magnussen e Grosjean: batalha contra a punição de 5s

Sem aviso prévio, o time suíço chamou Pascal com urgência aos boxes na volta 33. Naquele momento, um incidente entre Massa e Stoffel Vandoorne (McLaren) acabara de ocorrer. O carro do belga ficou na brita, e foi acionado o virtual safety car. Para aproveitar a chance, a Sauber bradou por Wehrlein. Todavia, o germânico atravessou de forma irregular a entrada do pit lane. Isso fez com que a direção de prova estudasse punir o piloto com 5s de tempo acrescido ao final da etapa. Vacilo à parte, Pascal realizou sua troca, sacando os desgastados pneus macios e colocando os novos compostos médios. Na volta à pista, estava na oitava posição, à frente de Sainz, Magnussen e Grosjean.

Quando o virtual safety car foi desabilitado, na volta 38, Wehrlein tratou de segurar o ímpeto de Sainz, que, correndo em casa, queria fazer bonito em Montmeló. Mas o alemão da Sauber deteve o espanhol da Toro Rosso, mantendo-se em oitavo. Na volta 39, uma quebra de motor deixou Valtteri Bottas (Mercedes) na mão. Dessa forma, Pascal saltou para o sétimo lugar. Porém, na volta 46, veio a confirmação: o germânico estava punido pela direção de prova. Como Sainz estava colado, dificilmente manteria a sétima posição. A partir dali, o trabalho de Wehrlein passou a ser acelerar ao máximo, a fim de conquistar o oitavo posto.

Wehrlein cruzou a linha de chegada em sétimo, mas celebrou o oitavo lugar: melhor GP de sua carreira até aqui

Wehrlein cruzou a linha de chegada em 7º, mas celebrou o 8º lugar: melhor GP de sua carreira até aqui

Por outro lado, Magnussen e Daniil Kvyat (Toro Rosso) apresentavam bom ritmo, e pareciam entrar na janela dos 5s da punição de Wehrlein. O que o jovem piloto da Sauber não contava era com um choque entre o dinamarquês e o russo. Kvyat perdeu tempo e ficou em nono, e Magnussen teve um pneu furado e caiu para 14º. Assim, Pascal pôde celebrar a oitava posição em Montmeló, o melhor resultado de sua carreira até o momento. A vitória no movimentado GP da Espanha ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), seguido por Sebastian Vettel (Ferrari) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Mas os quatro pontos obtidos, mesmo após cumprir punição e cruzar a linha de chegada em sétimo, foram bastante celebrados pela Sauber.

“Foi uma corrida muito boa para mim hoje (domingo). Estou muito feliz que o desempenho do carro estava lá, bem como a estratégia com apenas um pit stop. Não poderíamos esperar tal resultado após as sessões de treinos. É muito bom terminar esta corrida surpreendentemente nos pontos. Quero agradecer a toda a equipe, pois todos fizeram um ótimo trabalho durante todo o fim de semana. Agora espero que as novas atualizações do carro também nos levem para Mônaco e que possamos repetir esses resultados”, comemorou Wehrlein.

Pascal foi cumprimentado pelo patrono da equipe, Peter Sauber: primeiros pontos do time em 2017

Pascal foi cumprimentado pelo patrono da equipe, Peter Sauber: primeiros pontos do time em 2017

Chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn elogiou o piloto após a formidável performance em Montmeló. “Foi uma excelente condução”, disse, em entrevista ao site da Autosport. “Foi triste que a chamada tenha sido feita tão tarde o que fez receber essa punição, mas isso não importa. Ele teve uma fração de segundo, a chamada só chegou um pouco tarde demais, mas ele ainda pôde reagir. Mas não devemos chorar sobre o que poderia ter sido (o sétimo lugar). Estamos felizes com o que temos (o oitavo)”, finalizou Monisha. E com razão: afinal, com esses quatro pontos, a Sauber deixou a McLaren na amarga última posição entre os Construtores – o time de Woking ainda não saiu do zero em 2017.

Com os pontos de Wehrlein em Montmeló, todas as equipes (exceto a McLaren) já anotaram pontos em 2017

Com os pontos de Wehrlein em Montmeló, 9 equipes anotaram pontos em 2017: exceção é a McLaren

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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