Rússia-2017: Pérez e Ocon consolidam Force India no top 4

Sexto e sétimo colocados, Pérez (à frente) e Ocon conquistaram 14 pontos para a Force India em Sochi

Sexto e sétimo colocados, Pérez (à frente) e Ocon conquistaram 14 pontos para a Force India em Sochi

A Force India desembarcou em Sochi, palco do GP da Rússia de 2017, envolvida em meio a um escândalo com seu proprietário. Às vésperas da prova russa, Vijay Mallya foi detido por autoridades britânicas em razão das astronômicas dívidas de sua companhia aérea, a Kingfisher. O imbróglio, porém, não abalou as estruturas do time indiano. Prova disso foi o excelente resultado conquistado no último dia 30 de abril: Sergio Pérez assegurou o sexto lugar na etapa, e Esteban Ocon terminou em sétimo. Com os 14 pontos conquistados pelo mexicano e pelo francês, a escuderia consolidou-se na quarta posição do Mundial de Construtores, com 31 pontos. Para ter uma ideia, neste momento, a Force India possui o mesmo número de pontos que a soma de Williams (18) e Toro Rosso (13).

Tem sido um início de ano promissor, acima das expectativas para a equipe indiana. Não apenas pelo equipamento em si – o VJM10 vem demonstrando consistentes performances nas primeiras provas de 2017. Mas a boa forma do carro rosa também tem revelado a regularidade de Pérez e Ocon. O asteca se tornou um frequentador assíduo da zona de pontuação da Fórmula 1 – desde o GP da Alemanha de 2016, em Hockenheim, Checo tem sido visto entre os 10 primeiros. Já são 14 provas em sequência. Porém, tem sido o francês a grata surpresa da Force India: após alcançar o 10º lugar nas três primeiras provas do Mundial (Austrália, China e Bahrein), Esteban foi além em Sochi. Sinal de um rápido amadurecimento a bordo de um carro competitivo.

O objetivo da dupla da Force India em Sochi era repetir os pontos das etapas anteriores: meta alcançada

O objetivo da dupla da Force India em Sochi era repetir o top 10 das etapas anteriores: meta alcançada

Em solo russo, o objetivo de Pérez e Ocon era, mais uma vez, fincar o VJM10 entre os pontuáveis. E isso já pôde ser notado na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP da Rússia. Ambos colocaram seus bólidos entre os 10 mais velozes. No fim, Sergio foi o 10º mais veloz do dia, com 1m36s600, enquanto Esteban anotou o 11º tempo, com 1m36s654. Apenas 54 milésimos separaram a dupla da Force India na sexta, que teve Sebastian Vettel (Ferrari) como o mais rápido, com 1m34s120. Tanto o mexicano quanto o francês concordaram: o desempenho dos bólidos rosados foi muito sólido em Sochi.

“Acho que estamos em um bom lugar e eu me senti feliz no carro. Nós completamos diversas voltas usando todos os compostos de pneus e há muitos dados para analisar, mas estou confiante de que podemos ser competitivos amanhã (sábado). Vai ser uma batalha emocionante no meio do grid e acredito que vamos ser fortes”, observou Checo. “Sinto que nós chegamos a um ponto onde nós compreendemos como o carro está trabalhando em torno desta pista e nós sabemos onde nós podemos fazer melhorias. Eu me senti muito confiante com o carro o dia todo, mas especialmente na segunda sessão, e eu fui capaz de fazer os pneus funcionarem, o que não é fácil em uma pista como esta”, analisou Ocon.

Pela primeira vez em 2017, os dois carros da Force India avançaram para o Q3: Pérez foi o nono, e Ocon, o 10º

Pela 1ª vez em 2017, os dois carros da Force India avançaram para o Q3: Pérez foi o 9º, e Ocon, o 10º

A confiança na sexta se transformou em resultado concreto no sábado. Pela primeira vez em 2017, os dois carros da Force India avançaram para o Q3. Em Sochi, tanto Sergio quanto Esteban mostraram a força do VJM10. O mexicano foi o nono, com 1m35s337, enquanto o francês ficou em 10º, com 1m35s430. Apenas 93 milésimos separaram os dois companheiros de equipe. Apesar do feito, ambos tiveram sensações divergentes quanto ao desempenho na qualificação do GP da Rússia – enquanto Pérez lamentou não ter ido além do nono lugar, Ocon celebrou a primeira vez na carreira em um Q3.

De acordo com Checo, um erro custou uma melhor posição no grid de Sochi. “Não fiz a volta perfeita. Sinto que havia mais potencial do que foi demonstrado. Quando as margens são tão pequenas, um décimo de segundo teria nos colocado alguns lugares à frente”, lamentou o mexicano. Já Esteban comemorou o fato de se colocar entre os 10 primeiros do qualifying. “Foi meu primeiro Q3, e estou muito feliz com nossa performance. A equipe fez um trabalho fantástico para melhorar o carro a cada sessão e eu me sentia confortável quando iniciamos a classificação. É importante que eu aproveite ao máximo minha melhor posição de classificação na Fórmula 1 para marcar mais alguns pontos”, afirmou o francês.

Largada do GP da Rússia de 2017: Pérez e Ocon ganharam uma posição cada

Largada do GP da Rússia de 2017: Sergio Pérez e Esteban Ocon ganharam uma posição cada

A corrida

Domingo, 30 de abril de 2017. O sol despontou esplêndido no céu azul de Sochi. O cenário era ideal para a disputa do GP da Rússia. Calçando pneus ultramacios, Sergio Pérez e Esteban Ocon alinharam no grid cientes de que a largada determinaria o resultado da etapa – o circuito russo possui raros pontos de ultrapassagens. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Checo e Ocon se aproveitaram da má largada de Nico Hulkenberg (Renault) e ganharam uma posição. Assim, Sergio ocupava a oitava posição, e Esteban, a nona. Atrás da dupla da Force India, Jolyon Palmer (Renault) e Romain Grosjean (Haas) se enroscaram na Curva 2 e pararam no muro. Com isso, o safety car foi acionado para os fiscais de pista retirarem os destroços dos carros de Palmer e Grosjean.

A pista só foi liberada na volta 4. Na passagem seguinte, Daniel Ricciardo (Red Bull) recolheu seu carro nos boxes, após detectar problemas nos freios. Com isso, Pérez subiu para sétimo, e Ocon, para oitavo. A partir dali, a dupla da Force India se viu isolada na pista. Se por um lado, Sergio não era capaz de acompanhar Felipe Massa (Williams), o sexto, Esteban colocava boa vantagem sobre Hulkenberg, o nono. A situação se manteve inalterada até a volta 21, quando Massa antecipou sua primeira parada em razão de um furo no pneu. Até chegar aos boxes, o brasileiro se arrastou na pista. Sorte dos pilotos do time indiano – o mexicano assumiu o sexto lugar, e o francês, o sétimo.

A dupla da Force India, à frente de Hulkenberg (Renault) e Magnussen (Haas): ritmo constante da dupla

A dupla da Force India, à frente de Hulkenberg (Renault) e Magnussen (Haas): ritmo constante

Naquele momento, os pneus ultramacios já davam sinais de desgaste. Ocon era quem se queixava mais. Por isso, a Force India chamou Esteban para o único pit stop programado para a corrida na volta 26. Na troca, o time colocou pneus supermacios no carro do francês. A estratégia do time indiano foi repetida na parada de Pérez, na volta 27. No retorno à pista, o mexicano saiu em oitavo, imediatamente à frente de Ocon, o nono. Os dois pilotos estavam atrás de Hulkenberg, que permanecia com os compostos ultramacios da largada, e de Massa, que tentava levar a prova até o fim sem parar mais.

Hulk levou seu Renault com pneus ultramacios por 40 voltas em Sochi. Enfim, na 41, o alemão fez seu pit stop. Assim, Pérez ascendeu para sétimo, e Ocon, para oitavo. Na passagem seguinte, Massa foi novamente aos boxes. Com problemas de pneus, o brasileiro se viu obrigado a realizar uma parada não-programada. Assim, Sergio recuperou o sexto lugar, e Esteban, o sétimo. O mexicano estava distante de Max Verstappen (Red Bull), o quinto colocado, mas via o top 6 em suas mãos. O francês, por sua vez, sofria com a aproximação de Hulkenberg e Massa. Ainda assim, administrou a sétima posição.

No fim, Ocon sofreu com a aproximação de Hulkenberg e Massa, mas assegurou o 7º lugar

No fim, Ocon sofreu com a aproximação de Hulkenberg e Massa, mas assegurou o 7º lugar

A vitória no GP da Rússia ficou com Valtteri Bottas (Mercedes) – a primeira da carreira do finlandês, o 107º piloto a triunfar na F1 -, seguido por Sebastian Vettel (Ferrari) e Kimi Raikkonen (Ferrari). Mas quem também festejou o resultado de Sochi foi a Force India, com seus dois carros entre os sete primeiros. Foi como bem mencionou Pérez: “o sexto lugar é bastante satisfatório, e com Esteban em sétimo, consolidamos nosso quarto lugar no campeonato. Além disso, estou em sétimo na pontuação dos Pilotos (com 22 pontos, ao lado de Ricciardo) – um tremendo esforço nas quatro primeiras corridas”, disse Checo.

Ocon também celebrou o seu melhor resultado na carreira até o momento. “É uma ótima sensação chegar em sétimo após uma performance tão forte de toda a equipe. Estou muito feliz com o que alcançamos neste fim de semana: melhoramos a cada sessão e nunca regredimos. Dos mecânicos aos engenheiros, todos fizeram um ótimo trabalho e podemos nos orgulhar. Terminar nos pontos nas quatro primeiras etapas é uma ótima maneira de começar a temporada e o melhor que eu poderia esperar”, analisou o francês, atual 10º colocado entre os Pilotos, com 9 pontos.

Com o resultado de Sochi, a Force India soma 31 pontos - 22 de Pérez e 9 de Ocon

Com o resultado de Sochi, a Force India soma 31 pontos no Mundial – 22 de Pérez e 9 de Ocon

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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