China-2017: Sainz Jr. arrisca e é premiado com sétimo lugar

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) venceu duelo contra Fernando Alonso (McLaren): sétimo lugar em Xangai

Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) venceu duelo contra Fernando Alonso (McLaren): 7º lugar em Xangai

Em algumas situações, ousar é preciso. Porém, ousar em um cenário repleto de desafios parece temeroso. Que o diga Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso). Ao ser o único piloto do grid a largar com pneus lisos para a disputa do molhado GP da China de 2017, no último domingo, em Xangai, o espanhol colocou em risco sua corrida. Entretanto, a destemida decisão foi premiada: o jovem madrileno de 22 anos assegurou um excelente sétimo lugar na etapa chinesa. Com os seis pontos obtidos em solo chinês, Sainz subiu para a sétima posição no Mundial de Pilotos após duas provas, com 10 pontos. O piloto passou a estar apenas atrás das duplas dos três principais times do ano – Ferrari, Mercedes e Red Bull. Não só isso: Carlos ajudou a Toro Rosso a figurar na quarta posição do Mundial de Construtores, com 12 pontos.

Em Xangai, o espanhol tinha como objetivo voltar a pontuar na temporada de 2017. Depois do oitavo lugar no GP da Austrália, em Melbourne, a meta era bem palpável. Todavia, o clima instável transformou o fim de semana da prova chinesa em uma loteria. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos para o GP da China, quase não houve movimentação na pista. Uma densa neblina encobriu o autódromo chinês, impedindo que o helicóptero do serviço médico pudesse voar com segurança. Somente houve raros períodos da primeira sessão livre. Já o segundo treinamento foi cancelado.

Tempo instável fez com que o segundo treino livre da sexta fosse cancelado: Sainz foi 4º mais veloz do dia

Tempo instável fez com que o 2º treino livre da sexta fosse cancelado: Sainz foi 4º mais veloz do dia

Sainz foi um dos 14 pilotos que anotaram tempo no primeiro treino livre da sexta. Com 1m52s840, Carlos anotou o quarto tempo. Ele foi 0s474 mais veloz que Daniil Kvyat, seu companheiro de Toro Rosso e sexto em Xangai com 1m53s314. O espanhol ficou a 2s349 de Max Verstappen (Red Bull), o mais veloz do conturbado dia, com 1m50s491. “Foi uma sexta-feira muito diferente, já que as condições não eram boas o suficiente para o helicóptero voar, então passamos a maior parte do tempo na garagem. Pela manhã, conseguimos pelo menos fazer uma volta de instalação e verificar o carro, certificando de que tudo estava funcionando bem. À tarde, passei 1h30 na minha cadeira, vendo a sessão na TV. Agora há muito a aprender em pouco tempo, mas é o mesmo para todos”, afirmou.

No sábado, havia o temor de que o tempo voltasse a ficar instável. Porém, o sol brilhou em Xangai. Enfim, os carros puderem ir à pista sem maiores preocupações. Após o treino livre da manhã, Sainz e Kvyat viram uma boa performance do STR12. A confiança estava perceptível no semblante da dupla. Assim, Carlos e Daniil partiram para a disputa do qualificatório do GP da China. No Q1, ambos avançaram sem problemas. No Q2, o espanhol e o russo lutaram por lugares entre os 10 melhores. A possibilidade tinha aumentado após a eliminação de Max Verstappen no Q1. Porém, Sainz ficou em 11º, com 1m34s150. Já Kvyat avançou para o Q3. No fim, o russo anotou 1m33s719 – 0s431 mais veloz que Carlos -, assegurando o nono lugar. A pole do GP da China ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m31s678 – 2s472 mais rápido do que o madrileno.

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu alcançar o Q3 de Xangai: 11º lugar no grid

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu alcançar o Q3 de Xangai: 11º lugar no grid

Após o qualifying, Sainz mencionou o equilíbrio de forças entre os times médios. “É incrível como a disputa no pelotão intermediário está acirrada. Ver dois ou três pilotos dentro de um décimo significa que a classificação é ainda mais importante e até mesmo o menor detalhe pode fazer a diferença. Honestamente, estou me divertindo nessas batalhas, e a sessão de hoje (sábado) foi movimentada para nós – todas as voltas contam e eu estava tentando encontrar meio décimo aqui, meio décimo ali… é empolgante! Infelizmente, não passei para a Q3, mas foi por muito pouco – foi uma volta decente, então não estou preocupado com isso”, analisou.

Já sobre a corrida, o espanhol da Toro Rosso tinha uma boa perspectiva. “Amanhã (domingo) é o grande dia e largaremos em 11º, o melhor resultado possível se você não avança para a Q3, pois podemos escolher nossa estratégia de pneus… se for uma prova no seco. Se chover, sabemos que temos um chassis forte e eu sempre aprecio a pista molhada. De qualquer maneira, creio que temos a oportunidade de lutar por um bom resultado amanhã (domingo)”, vislumbrou.

Largada do GP da China de 2017, em Xangai: com pneus slicks, Sainz patinou e caiu para o 19º lugar

Largada do GP da China de 2017, em Xangai: com pneus slicks, Sainz patinou e caiu para o 19º lugar

A corrida

Ao sair de seu hotel em direção ao Autódromo de Xangai, Carlos Sainz Jr. tinha uma certeza: o GP da China seria disputado sob influência da chuva. O mau tempo estava presente na pista. Porém, aos poucos, a precipitação diminuiu. A questão passava a ser: com quais pneus largar na etapa chinesa. Não vinha mais água do céu. Todavia, o traçado estava encharcado. A pergunta que pairava na cabeça dos 20 pilotos que participariam da prova era: com quais pneus iniciar a corrida? Momentos antes da volta de aquecimento, a resposta era dada. No grid, apenas Sainz calçava pneus supermacios, para pista seca. Os demais usavam compostos intermediários. Além do espanhol, somente Jolyon Palmer (Renault), que saía dos boxes, optou pelo mesmo tipo de borracha.

“Quando eu vi todos com intermediários, pensei que era a decisão errada (começar com slicks), mas você tem que confiar em si mesmo”, disse Carlos. “Ao afirmar que queria largar com supermacios, precisava ver os rostos dos meus engenheiros, de Franz Tost (chefe da Toro Rosso) e de Helmut Marko (consultor técnico dos times da Red Bull). Eu disse a eles que estava convencido, eu pensava que iria funcionar, que deveríamos apostar. Eles olharam para mim como se eu estivesse totalmente louco”, relatou.

Espanhol da Toro Rosso derrapou algumas vezes com pneus slicks. Ainda assim, se manteve no pelotão

Espanhol da Toro Rosso derrapou algumas vezes com pneus slicks, mas se manteve no pelotão

Com o apagar das luzes vermelhas se apagaram, a água se levantou do asfalto. Em meio à nuvem formada pelos carros, era possível ver Carlos patinando na Reta dos Boxes de Xangai. Inicialmente, o madrileno desabou para o fim do pelotão, ficando em 19º, somente à frente de Palmer. Sainz deu algumas escapadas da pista. Entretanto, as dificuldades existiam para todos. O acidente entre Lance Stroll (Williams) e Sergio Pérez (Force India), ainda na volta 1, tirou o canadense da etapa, fazendo com que o espanhol subisse para 18º. Para retirar o carro de Stroll, o virtual safety car foi acionado. Nesse período, alguns pilotos decidiram parar nos boxes, a fim de sacar os pneus intermediários. Dessa forma, Carlos completou a volta 2 em 14º, graças às paradas de Romain Grosjean (Haas), Nico Hulkenberg (Renault), Stoffel Vandoorne (McLaren) e Antonio Giovinazzi (Sauber).

Na volta 4, Giovinazzi perdeu o controle de seu Sauber na entrada da Reta dos Boxes, destruindo seu carro azul. Assim, o safety car ingressou de fato à pista. Os pilotos que ainda não haviam realizados seus pit stops se encaminharam para os boxes. Com isso, Sainz galgou diversas posições, superando Esteban Ocon (Force India), Marcus Ericsson (Sauber), Kevin Magnussen (Haas), Felipe Massa (Williams), Daniil Kvyat (Toro Rosso) e Pérez. O risco de largar com slicks valeu a pena diante das circunstâncias. Na volta 5, o espanhol da Toro Rosso estava em oitavo, atrás somente de Fernando Alonso (McLaren) e dos pilotos de Mercedes, Ferrari e Red Bull.

Com o sucesso de sua tática, Sainz ascendeu na classificação em Xangai

Com o sucesso de sua tática, Sainz ascendeu na classificação em Xangai

Na passagem seguinte, Sainz assumiu o sétimo lugar, após a rodada de Valtteri Bottas (Mercedes). Quando a relargada foi dada, na volta 8, o madrileno partiu para cima de Alonso. No duelo espanhol, o mais jovem levou a melhor sobre o bicampeão, alcançando a sexta posição. A partir de então, Carlos colocou vantagem sobre Fernando. Em contrapartida, não tinha contato com Sebastian Vettel (Ferrari), quinto colocado. Porém, o ritmo de Daniel Ricciardo (Red Bull), terceiro lugar, fez com que Kimi Raikkonen (Ferrari) e Vettel andassem de acordo com a velocidade imposta pelo australiano. Isso fez com que Sainz tirasse boa vantagem. Contudo, não saiu do sexto lugar.

Com a corrida chegando em sua metade, a Toro Rosso decidiu chamar o espanhol para os boxes. Na parada, realizada na volta 28, o time italiano tirou os pneus supermacios e colocou os macios. No retorno à pista, Carlos se viu em oitavo, atrás mais uma vez de Alonso. A vantagem do bicampeão sobre o pupilo caiu drasticamente em duas voltas. Primeiro, para 2 segundos. Depois, para diferença alguma. Sainz pressionou Alonso o quanto pôde. Na volta 31, o madrileno deu o bote no asturiano. Apesar de ziguezaguear na Reta Oposta, Fernando não conseguiu parar Carlos. O piloto da McLaren ainda ensaiou um ‘x’ sobre o compatriota da Toro Rosso, mas sucumbiu ao ataque do jovem. Não só isso: Alonso abandonou na sequência, com problemas em seu MCL32.

Carlos bem que tentou, mas não conteve ataque de Kimi Raikkonen

Carlos bem que tentou, mas não conteve ataque de Kimi Raikkonen: luta inglória

A ascensão de Sainz não pararia por aí. Na volta 36, Bottas foi aos boxes. Dessa forma, Carlos reassumiu a sexta colocação. Quatro voltas depois, foi a vez de Raikkonen fazer seu definitivo pit stop. Assim, o espanhol da Toro Rosso alcançava a quinta posição. Apesar do crescimento na classificação, o madrileno estava ciente de que muito dificilmente resistiria ao ataque dos finlandeses. Na volta 41, Kimi aproveitou-se da força de sua Ferrari e ultrapassou Sainz, que caiu para sexto. Na 44, Bottas se fez valer do poderio de sua Mercedes e superou o espanhol. Assim, Carlos estava em sétimo.

Se por um lado, o espanhol da Toro Rosso não tinha equipamento para ameaçar Bottas, por outro, estava fora do alcance de Magnussen, o oitavo. Assim, apenas administrou a vantagem e levou seu STR12 até a bandeira quadriculada. Excetuando os pilotos das três principais forças de 2017 – Mercedes, Ferrari e Red Bull -, Sainz foi o único a ficar na mesma volta do vencedor, Lewis Hamilton (Mercedes). Vettel conquistou o segundo lugar, e Verstappen, o terceiro. Após o fim do GP da China, Carlos exaltou a escolha da estratégia, mas reconheceu que as circunstâncias da prova conspiraram a seu favor.

Depois de ser superado por Raikkonen, Sainz não resistiu a Bottas: sétimo lugar era o máximo possível

Depois de ser superado por Raikkonen, Sainz não resistiu a Bottas: sétimo lugar era o máximo possível

“A opção por largar com pneus slicks deu certo. Naquele momento, eu não tinha certeza, mas confiava em mim mesmo. Porém, o resultado de hoje (domingo) não se deveu apenas a essa decisão. O ritmo que mostramos na pista úmida também ajudou. Após o safety car, eu comecei a me aproximar de Ferrari, Red Bull e Mercedes, e isso me deixou muito empolgado. Foi uma prova incrível, me senti muito confortável no carro, e cruzar a linha em sétimo foi excelente. Gostaria de agradecer à equipe por todo o fim de semana, todos nós podemos ficar satisfeitos”, celebrou Sainz.

Com o sétimo lugar, Sainz deixou Xangai em sétimo no Mundial de Pilotos, com 10 pontos: celebração com o time

Com o 7º lugar, Sainz deixou Xangai em sétimo no Mundial, com 10 pontos: celebração com o time

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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