Austrália-2017: Esteban Ocon pontua pela primeira vez na F1

No GP da Austrália de 2017, em Melbourne, o francês de 20 anos levou a Force India ao top 10

No GP da Austrália de 2017, em Melbourne, o francês de 20 anos levou a Force India ao top 10

No último domingo, Esteban Ocon (Force India) ingressou no rol de pilotos que anotaram pontos na história da Fórmula 1. No GP da Austrália de 2017, em Melbourne, o francês carregou o bólido rosado do time indiano ao 10º lugar. Foi um único pontinho, mas o suficiente para que Ocon colocasse seu nome numa longa lista da categoria. Esteban se tornou o 334º piloto a figurar entre os pontuáveis. O top 10 na etapa australiana fez jus ao talento do jovem de 20 anos, que iniciou sua trajetória na F1 a bordo de um Manor, em 2016, e que se transferiu para a equipe de Vijay Mallya depois da ida de Nico Hulkenberg para a Renault. Num cockpit mais competitivo, a missão é: mostrar potencial. E logo em sua primeira exibição pela Force India, Ocon correspondeu às expectativas.

Esteban tem trilhado uma carreira de sucesso no automobilismo. Nascido em 17 de setembro de 1996, em Évreux, o francês iniciou sua vida no esporte a motor em 2006, no kart. Foi tricampeão nacional – assegurou o título nas categorias menor (2007), cadete (2008) e KF3 (2011). Além dos campeonatos franceses, Ocon foi vice-campeão europeu de KF3, também em 2011. Após o estágio no kart, Esteban partiu para os monopostos. Em 2012, ingressou na Fórmula Renault 2.0. Competiu por dois anos nessa categoria, tendo como melhor resultado geral o terceiro lugar em 2013. Em 2014, veio o grande salto: a Fórmula 3 Europeia. Na categoria continental, o francês bateu Max Verstappen e assegurou o título, colocando seu nome entre os principais novatos do automobilismo.

Em Melbourne, Ocon começaria uma nova fase em sua carreira: primeira temporada completa na F1

Em Melbourne, Ocon começaria uma nova fase em sua carreira: primeira temporada completa na F1

Com o título da F3 Europeia, Ocon teve a oportunidade de fazer seu primeiro teste na Fórmula 1. A bordo de um Lotus, realizou treino pós-temporada no Autódromo de Yas Marina, em Abu Dhabi, em 2014. Em 2015, disputou a GP3. E repetiu a sina de títulos, ao garantir o campeonato logo em seu primeiro ano na categoria. Além de campeão da GP3, Esteban foi piloto de testes da Force India em 2015. A Fórmula 1 parecia destino certo quando a Mercedes o contratou para seu Time de Desenvolvimento, ainda naquele ano. Porém, não havia cockpits vagos para 2016. Assim, Ocon iniciou o ano na DTM. Além disso, foi autorizado pela Mercedes a ser piloto de testes da Renault.

Em agosto de 2016, a Manor anunciou que estava rompendo contrato com o indonésio Rio Haryanto para a vaga de piloto titular. Como o time era impulsionado pelos motores Mercedes, a fábrica alemã entrou em ação e colocou Ocon na vaga de Haryanto (o asiático se tornou piloto reserva do time). Assim, Esteban estreou na F1. Em 2016, estreou no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Em 9 GPs disputados pela Manor, o francês teve como melhor resultado o 12º lugar no GP do Brasil, em Interlagos. Na prova brasileira, Ocon já tinha acertado contrato com a Force India, para ser piloto titular do time em 2017.

Correndo ao lado do veloz Sergio Pérez, Esteban (à dir.) pretende pontuar em todos os GPs de 2017

Correndo ao lado do veloz Sergio Pérez, Ocon (à dir.) pretende pontuar em todos os GPs de 2017

Correndo ao lado do veloz Sergio Pérez, Esteban traçou uma meta antes do início da temporada: pontuar em todas as corridas de 2017. Ao menos foi o que revelou em entrevista para o site oficial da Fórmula 1, às vésperas de sua estreia pelo time indiano.”O meu objetivo pessoal será pontuar em todas as corridas. Isso seria muito bom. Melbourne é um local onde todos revelam o potencial dos seus carros. Por isso, veremos qual é a real situação das equipes na Austrália”, afirmou Ocon, confiante no desempenho do VJM10 pelo circuito de Albert Park. “O equilíbrio é o adequado e o motor da Mercedes é simplesmente o melhor, também no que diz respeito à confiabilidade”.

Em sua primeira vez na pista australiana, o francês tratou de acelerar o bólido rosa – a nova cor da Force India, adotada graças ao seu principal patrocinador, a BWT. Na sexta, porém, Ocon teve problemas no frio de seu VJM10. Assim, andou pouco na primeira sessão de treinos livres. No segundo treino, deu 35 voltas, anotando 1m26s145. O francês foi o 13º mais veloz do dia, ficando a 0s554 de Pérez, 11º com 1m25s591, e a 2s525 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor da sexta com 1m23s620.

Na sexta-feira, Esteban encarou problemas de freio. Ainda assim, ficou em 13º

Na sexta-feira, Esteban encarou problemas de freio. Ainda assim, ficou em 13º

“Eu não tive o melhor começo para o primeiro dia de treinos. Um problema no freio atrasou o início das minhas voltas em Melbourne. Mas, à tarde, foi mais fácil e eu consegui encontrar um ritmo melhor. A prioridade desta noite é o trabalho usual de explorar onde precisamos fazer mudanças, onde podemos encontrar alguns ganhos, e onde eu posso melhorar também. Espero que possamos dar um passo à frente durante o treino final de amanhã (sábado) e fazer uma boa classificação”, availou Esteban.

No sábado, as coisas não conspiraram a favor de Ocon. Apesar de contar com um carro competitivo, o francês não conseguiu um bom desempenho na qualificação. Após avançar para o Q2 pela primeira vez na carreira, Esteban parou na 14ª posição, com o tempo de 1m25s568. A marca do jovem da Force India ficou a 0s487 da de Pérez, 11º com 1m25s081, e a 3s380 da de Hamilton, pole do GP da Austrália com 1m22s188. “Estou em uma curva de aprendizagem nesta semana em Melbourne e não me sinto particularmente satisfeito com a classificação de hoje. Sim, é a primeira vez que passei para a Q2, mas há mais potencial no carro. Infelizmente, cometi um pequeno erro na minha última tentativa que me custou a chance de ficar mais à frente no grid”, observou Ocon.

Pela primeira vez, Ocon avançou para um Q2 na F1. Entretanto, o 14º lugar decepcionou o francês

Pela primeira vez, Ocon avançou para um Q2 na F1. Entretanto, o 14º lugar decepcionou o francês

Para o francês, os dias de treino em Melbourne mostraram um pouco de como será a temporada 2017. “Vimos hoje (sábado) como a luta no pelotão intermediário será acirrada neste ano, porque até mesmo margens mínimas podem fazer uma diferença enorme. O lado positivo é que melhoramos o carro e nossos procedimentos durante a classificação, e aprendemos coisas que nos ajudarão no futuro. Vou para a corrida de amanhã (domingo) acreditando que há uma boa oportunidade de lutar por pontos. O primeiro desafio serão os novos procedimentos de largada, que realmente podem provocar confusão na primeira volta. Estou empolgado e pronto para minha primeira prova em Melbourne”, disse.

Largada do GP da Austrália de 2017, em Melbourne: Ocon alinhou seu VJM10 em 13º, e manteve sua posição

Largada do GP da Austrália de 2017: Ocon alinhou seu VJM10 em 13º, e manteve sua posição

A corrida

O sol reinou em Melbourne no domingo, 26 de março de 2017. Com o céu azul, 19 carros foram para o grid do GP da Austrália. A única ausência foi a de Daniel Ricciardo (Red Bull), que, com problemas, ficou nos boxes. Além da lacuna deixada pelo australiano, o grid contou com um estreante inesperado. Antonio Giovinazzi substituiu o alemão Pascal Wehrlein na Sauber de última hora, fazendo com que a Itália voltasse a ter um representante na F1 depois de mais de cinco anos – desde Jarno Trulli e Vitantonio Liuzzi, no GP do Brasil de 2011, em Interlagos, a categoria não via um piloto italiano num GP.

Com o apagar das luzes vermelhas, teve início não só o GP da Austrália, como também a 68ª temporada do Campeonato Mundial de Fórmula 1. Sem Ricciardo, Ocon saiu em 13º no grid – posição que seria mantida após o término da primeira volta. O francês estava atrás do seu antecessor na Force India, Nico Hulkenberg (Renault), e à frente do estreante Lance Stroll (Williams). Com as novas regras, os bólidos se tornaram mais velozes. Em contrapartida, as ultrapassagens se tornaram quase impossíveis. Assim, Esteban seguiu em 13º até a volta 14. Após o abandono de Romain Grosjean (Haas), o francês ganhou uma posição, subindo para 12º.

Ocon, à frente de Stroll, Hulkenberg e Vandoorne: procissão em Melbourne

Esteban Ocon, à frente de Lance Stroll, Jolyon Palmer e Stoffel Vandoorne: procissão em Melbourne

Naquele momento, os pneus ultramacios da Force India de Ocon começavam a dar sinais de desgaste. Com isso, o time indiano chamou o francês para os boxes na volta 15, a fim de realizar o único pit stop do jovem piloto. Na troca, os mecânicos da equipe de Vijay Mallya sacou os compostos ultramacios e colocou os macios, os mais resistentes do fim de semana. No retorno à pista, Esteban se viu ainda à frente de Stroll, mantendo a 12ª posição. Com o pit stop de Hulkenberg, na volta 17, Ocon subiu para 11º – colocação conquistada graças ao bom trabalho da Force India. Melhor: estava colado em Fernando Alonso (McLaren), que também havia feito a sua parada na volta 17.

Apesar de estar próximo do espanhol, nada adiantava. Não havia mais estratégia a ser traçada. As posições deveriam ser definidas na pista. Com um ritmo inferior, Alonso liderava um pelotão com Ocon e Hulkenberg. Mesmo com seu esquálido motor Honda, o bicampeão segurava o francês e o alemão. A luta de Fernando para obter o 10º lugar e levar um ponto para casa era louvável e ao mesmo tempo ingrata. Esteban nada tinha a ver com o calvário de Alonso, e manteve perseguição implacável ao asturiano. Ao mesmo tempo, tinha Hulk em seus calcanhares.

Depois de sair dos boxes, Ocon pressionou Alonso na luta pelo 10º lugar. Ponto só veio com quebra do espanhol

Depois do pit, Ocon pressionou Alonso na luta pelo 10º lugar. Ponto só veio com quebra do espanhol

Na volta 50, a pressão de Ocon e de Hulkenberg sobre Alonso surtiu efeito: a McLaren enfrentou problemas de suspensão, pendendo para a esquerda. Fernando sucumbiu na reta dos boxes. Esteban e Nico engoliram o espanhol. O francês da Force India contornou a curva 1 à frente do alemão, consolidando-se em 10º. A partir daí, foi só levar seu bólido rosa para a bandeirada final e celebrar seu primeiro ponto na Fórmula 1. A vitória no GP da Austrália ficou com Sebastian Vettel (Ferrari) – a 43ª do alemão na categoria -, seguido por Lewis Hamilton (Mercedes) e Valtteri Bottas (Mercedes). Na Force India, o clima era de festa – afinal, além do ponto de Ocon, o time comemorava o sétimo lugar de Pérez.

Nos boxes, Esteban revelou alívio ao pontuar em Melbourne. “Marcar meu primeiro ponto aqui é uma ótima recompensa depois de um fim de semana duro. Passei quase a corrida inteira lutando contra Fernando (Alonso), porque ficamos lado a lado na primeira volta. Ele conseguiu se manter à frente e tive de persegui-lo pelo restante da tarde. Foi uma grande luta porque Fernando é um oponente duro e foi muito difícil me aproximar e ultrapassá-lo. Eventualmente, encontrei um espaço nas últimas voltas e arrisquei na curva um. Foi um grande momento de minha prova e me colocou nos pontos. Estou feliz com o resultado e sinto que aprendi bastante no meu primeiro fim de semana de corrida com a Force India. Espero este seja o primeiro ponto de muitos nesta temporada”, observou.

Ocon se tornou o 334º piloto a pontuar na Fórmula 1: 10º lugar coroou fim de semana difícil

Ocon se tornou o 334º piloto a pontuar na Fórmula 1: 10º lugar coroou fim de semana difícil

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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