Abu Dhabi-2016: Hulk se despede da Force India em sétimo

Nico Hulkenberg (à frente) e Sergio Pérez levaram a Force India ao quarto lugar no Mundial de Construtores em 2016: feito histórico

Hulkenberg (à frente) e Pérez levaram a Force India ao quarto lugar do Mundial: feito histórico

O GP de Abu Dhabi de 2016, disputado no último dia 27 de novembro, em Yas Marina, trouxe um mistura de sentimentos para Nico Hulkenberg. No circuito do Oriente Médio, o alemão se despediu da Force India com estilo, ao terminar em sétimo na derradeira prova do Mundial. Com o resultado, Hulk assegurou o nono lugar na classificação final, com 72 pontos, igualando a mesma posição obtida em 2014. Além disso, o germânico também ajudou a escuderia de Vijay Mallya a assegurar a quarta posição no Mundial de Construtores. Nico e Sergio Pérez somaram 173 pontos, 35 a mais que a Williams, que fez 138. Foi a melhor colocação do time indiano desde a sua estreia na categoria, em 2008.

Mesmo tendo sido batido por Pérez (que foi sétimo no Mundial, com 101 pontos), Hulkenberg, que correrá pela Renault em 2017, saiu da Force India com a sensação do dever cumprido. Nico disputou 78 GPs pela escuderia, tendo como destaques os quartos lugares nos GPs da Bélgica de 2012 e de 2016 – ambos em Spa-Francorchamps. Apesar de não conquistar o sonhado pódio, o alemão deixa o time pela porta da frente, a fim de encarar um novo desafio: reerguer a tradicional escuderia francesa, que deu dois títulos mundiais a Fernando Alonso na década passada (2005 e 2006).

Pérez terminou o Mundial em sétimo, com 101 pontos, enquanto Hulk foi o nono, com 72

Pérez terminou o Mundial em sétimo, com 101 pontos, enquanto Hulk foi o nono, com 72

Em sua última apresentação pela Force India, Hulkenberg tinha apenas um objetivo: se despedir com honra. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos em Yas Marina, o alemão disputou somente a segunda sessão livre – na primeira, foi substituído pelo mexicano Alfonso Celis Jr., terceiro piloto do time indiano. Nico anotou o nono tempo, com 1m42s264, ficando a 0s223 de Pérez, oitavo com 1m42s041, e a 1s180 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz do dia com 1m40s861. Apesar de ter participado apenas de um treino, Hulk não reclamou.

“Eu estava no carro somente para a sessão da noite (de sexta), mas isso não foi uma grande desvantagem, pois é quando as condições da pista são semelhantes às que nós experimentaremos na classificação e na corrida. Eu me senti muito bem com o carro imediatamente, e eu fui capaz de encontrar um bom ritmo rapidamente. Ainda há algum trabalho a fazer com o equilíbrio, porque não está onde eu quero que esteja ainda, mas devemos ser capazes de encontrar algo extra até amanhã (sábado)”, analisou o germânico.

No sábado, em Yas Marina, Hulk bateu Checo por apenas 0s018: diferença valeu o 7º lugar no grid ao alemão

No sábado, Hulk bateu Checo por apenas 0s018: diferença valeu o 7º lugar no grid ao alemão

No sábado, tanto Hulkenberg quanto Pérez avançaram para o Q3 de Yas Marina. No fim, o alemão foi apenas 0s018 mais veloz do que o mexicano, oitavo com 1m40s519. Pela 12ª vez em 2016, Hulk largou à frente de Checo – o latino superou o germânico em nove qualificações. Nico ficou a 1s746 de Lewis Hamilton (Mercedes), que marcou 1m38s755 para assegurar a pole do GP de Abu Dhabi de 2016.

“Estou muito feliz e acho que o sétimo lugar provavelmente foi o resultado máximo para nós hoje (sábado). Estou satisfeito com minhas voltas, principalmente considerando minha falta de tempo de pista neste fim de semana, ficando fora do primeiro treino livre. Antes da classificação, eu pensei que seria bastante difícil, mas conseguimos um bom progresso com o carro durante a sessão e tive confiança para forçar ao máximo em todas as minhas voltas. Espero que isso se repita amanhã (domingo) para encerrar a temporada e minha passagem pela Force India em grande estilo. Os carros à frente podem estar fora de alcance, mas daremos tudo para ver onde terminamos”, afirmou Hulk.

Na largada do GP de Abu Dhabi de 2016, Hulkenberg foi tocado por Verstappen. Ainda assim, seguiu em sexto

Na largada do GP de Abu Dhabi de 2016, Hulk foi tocado por Verstappen. Ainda assim, seguiu em 6º

A corrida

Domingo, 27 de novembro de 2016. Naquele dia, Yas Marina hospedava uma corrida histórica. Seria a despedida de Jenson Button (McLaren), o campeão de 2009, e de Felipe Massa (Williams), o vice de 2008, da Fórmula 1. Não só isso: o GP de Abu Dhabi decidiria o título mundial da temporada. Os postulantes eram os companheiros de Mercedes, Nico Rosberg e Lewis Hamilton. Doze pontos separavam Rosberg, o líder, de Hamilton, o segundo. Todavia, Lewis largaria na pole, e faria de tudo para desestabilizar Nico, que sairia na primeira fila, ao lado do britânico. Na sétima posição do grid, Hulkenberg tentaria fazer uma forte largada para ficar entre os carros de Ferrari e Red Bull.

Quando as luzes vermelhas se apagaram, o alemão da Force India saltou bem e superou Max Verstappen (Red Bull). Na ânsia de recuperar a posição, o holandês dividiu a Curva 1 com Nico, mas levou a pior – Max rodou e caiu para o fim do pelotão. Hulkenberg ascendeu para o sexto lugar. Entretanto, ainda na volta 1, acabou sendo superado por Sergio Pérez. Assim, completou a primeira volta em sétimo. O troco no mexicano viria na volta 2 – Hulk pressionou Checo, que não ofereceu resistência. Assim, Nico recuperou a sexta posição.

Hulkenberg superou Pérez e se manteve na frente do mexicano durante toda a prova

Hulkenberg superou Pérez na volta 2, e se manteve na frente do mexicano durante toda a prova

Calçando pneus ultramacios (os que menos se conservavam no fim de semana), o germânico tentava permanecer o máximo de tempo na pista. Isso fez com que ganhasse algumas posições esporádicas na volta 8, com as paradas de Hamilton e Kimi Raikkonen (Ferrari). Na passagem seguinte, Hulk deixou o quarto lugar para entrar nos boxes para a primeira parada. Na troca, sacou os ultramacios e colocou os macios (os mais duráveis em Yas Marina). No retorno à pista, Nico ocupava a nona posição. Com a parada de Pérez, na 10, Hulkenberg subiu para oitavo. Na 11, o alemão superou Button e passou para sétimo. E, na sétima posição, Nico permaneceu – Verstappen, que havia caído para o fim do pelotão, ascendeu na classificação por calçar pneus supermacios desde a largada.

Quando, enfim, Max decidiu fazer seu primeiro pit stop, na volta 21, Hulk subiu para sexto. Com a parada de Daniel Ricciardo (Red Bull), na volta 25, o germânico passou a ocupar a quinta colocação. Na 26, com o pit stop de Raikkonen, assumiu a quarta posição. Porém, seus pneus já estavam em mau estado de conservação. Por isso, a Force India chamou Hulkenberg para os boxes. Na troca, o time colocou novos pneus macios. Com o cair da noite em Yas Marina – e a consequente queda da temperatura, a tendência era a de que o alemão não precisasse parar mais.

Em Yas Marina, Hulkenberg ficou atrás somente dos pilotos das três principais equipes de 2016: Mercedes, Red Bull e Ferrari

Nico só foi superado pelas duplas das três principais equipes de 2016: Mercedes, Red Bull e Ferrari

No retorno à pista, Nico estava em 10º. Com o pit stop de Pérez, na 27, subiu para nono. Após a parada de Massa, na 31, ascendeu para oitavo.  A partir daí, passou a pressionar Fernando Alonso (McLaren). O espanhol, que andava no limite dos pneus médios, foi presa fácil para Hulk: o germânico superou o bicampeão na volta 34, e assumiu a sétima colocação. A partir dali, Hulkenberg não tinha muito a fazer. Ele estava atrás das duplas das três principais equipes do ano – Mercedes, Ferrari e Red Bull. No mais, foi apenas carregar seu VJM09 à zona de pontos, despedindo-se com honra da Force India.

“Foi uma corrida solitária, lutando principalmente com meu companheiro de equipe, porque os seis carros da ponta estavam fora de alcance. A Curva 1 foi bem interessante porque fui atingido por Max (Verstappen), o que danificou o assoalho do meu carro. Felizmente, tivemos ritmo para manter a posição. É ótimo encerrar minha passagem pela Force India com um resultado forte e ajudar a equipe a terminar em quarto no campeonato. Todos merecem parabéns e muito crédito pelo trabalho incrível neste ano. Deixo esta equipe com muitas memórias felizes, a Force India sempre fará parte da minha vida. Aprendi bastante aqui e eles me tornaram um piloto melhor. Crescemos juntos e estou orgulhoso do que alcançamos”, finalizou Hulk.

Hulkenberg se despediu da Force India com uma exibição sólida: rumo à Renault em 2017

Hulkenberg se despediu da Force India com uma exibição sólida: rumo à Renault em 2017

Lá na frente, a luta foi mais ferrenha em Yas Marina: em primeiro, Hamilton imprimiu um ritmo lento, a fim de que Rosberg fosse ultrapassado pelos adversários mais próximos. Apenas com Nico em quarto, Lewis asseguraria o tetra. O alemão resistiu ao jogo psicológico do inglês. No fim, Hamilton obteve um amargo triunfo (o 53º da carreira), e Rosberg conquistou um bravo segundo lugar, assegurando o título no limite dos pontos (385 a 380). O germânico correu com a calculadora na mão desde o GP da Malásia, em Sepang – quando o inglês abandonou enquanto liderava a prova. Lewis terminou o Mundial com mais vitórias que Nico (10 a 9). Sebastian Vettel (Ferrari) completou o pódio.

Cinco dias após a prova de Yas Marina, o campeão Rosberg, numa decisão pra lá de inesperada, se aposentou da Fórmula 1. Aos 31 anos, Nico venceu a temporada de 2016, repetindo o feito do pai, Keke (campeão em 1982), e decidiu parar. Saiu por cima. Os veteranos Button e Massa também penduraram o capacete. Já para Hulkenberg, o GP de Abu Dhabi encerrou sua fase na Force India, e deixou um gosto de novo desafio para 2017, a bordo da Renault.

O GP de Abu Dhabi encerrou a fase de Hulkenberg na Force India: em 2017, ano novo, casa nova

O GP de Abu Dhabi encerrou a fase de Hulkenberg na Force India: em 2017, ano novo, casa nova

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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