México-2016: Hulk volta a ofuscar Pérez na Cidade do México

Após assinar contrato com a Renault para 2017, Nico Hulkenberg mostrou boa forma com a Force India: 7º lugar no México

Após assinar com a Renault para 2017, Nico Hulkenberg (Force India) conquistou o 7º lugar no México

Nico Hulkenberg viveu um momento especial após o GP dos Estados Unidos de 2016, em Austin. O alemão foi anunciado pela Renault como primeiro piloto do time para a temporada de 2017. A equipe francesa, que deu a Fernando Alonso seus dois títulos mundiais (2005 e 2006), não tem atravessado boa fase neste ano –Kevin Magnussen e Jolyon Palmer colocam a escuderia numa tímida nona posição do Mundial de Construtores. Apesar das incertezas, o vínculo com a Renault impulsionou Hulk para a disputa do GP do México, no Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México. Após alcançar um incrível quinto lugar no grid, Nico levou a Force India ao sétimo lugar, à frente de Sergio Pérez – o dono da casa e seu companheiro no time indiano terminou na 10ª posição. Assim, o germânico repetiu o feito do ano anterior, quando derrotou o mexicano na etapa asteca de 2015.

Em entrevista para a revista alemã Auto Motor und Sport, Hulkenberg destacou que seu desempenho melhorou após definir seu futuro na Fórmula 1. “Todo mundo me pergunta sobre isso. Eu já sabia há algum tempo que meu destino estava garantido na Renault. Mas talvez haja algo dentro de mim que me faz crescer. Já tinha notado isso no ano passado (2015), com a vitória nas 24 Horas de Le Mans. Eventos positivos podem lhe dar um pequeno impulso. Se você está mais feliz, então talvez você seja um pouco mais rápido”, analisou. “Por outro lado, eu também tenho que dizer que, no final da temporada, eu entendo melhor a configuração do carro da Force India (o VJM09), logo, é provavelmente uma combinação de fatores”, completou Nico.

Hulkenberg andou sempre à frente de Pérez no México: alemão frustrou torcida local

Hulkenberg andou sempre à frente de Pérez no México: Checo frustrou torcida local

Sua sintonia com o bólido indiano foi ressaltada no Autódromo Hermanos Rodríguez. Em nenhum momento, Hulkenberg ficou atrás de Pérez. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres para o GP do México, o germânico anotou o sexto melhor tempo, com 1m20s574. Sua marca foi 0s784 mais lenta que a de Sebastian Vettel (Ferrari), melhor do dia com 1m19s790. Em contrapartida, Hulk foi 1s005 mais veloz do que Pérez, 15º com 1m21s579. “O foco principal na sexta foi completar o programa de treinos sem problemas e, a partir dessa perspectiva, tivemos um bom dia. A maioria dos desafios que enfrentamos são os mesmos do ano passado – a altitude faz uma grande diferença para a sensação do carro, devido a perda de downforce –, por isso temos de nos adaptar às condições e encontrar o equilíbrio. Foi um bom começo, mas não estou completamente feliz ainda: há uma boa margem para melhorias”, observou o alemão.

No sábado, o trabalho realizado no VJM09 renderia frutos para Hulkenberg. Enquanto Pérez empacava no Q2 – o mexicano anotou 1m20s287, ficando num tímido 12º lugar no grid –, o germânico avançava para o Q3. Não só isso: na sessão decisiva, Nico foi implacável, assegurando um impressionante quinto lugar. Hulk ficou atrás apenas das duplas da Mercedes e da Red Bull. Com 1m19s330, o alemão acabou sendo 0s626 mais lento do que Lewis Hamilton (Mercedes), pole do GP do México com 1m18s704. Por outro lado, Hulkenberg surpreendeu ao derrotar a dupla da Ferrari por cinco centésimos – Kimi Raikkonen marcou 1m19s376, enquanto Sebastian Vettel fez 1m19s381.

Nico celebra o quinto lugar no grid: alemão deu show no Q3 em Hermanos Rodríguez

Nico celebra o quinto lugar no grid: alemão deu show no Q3 em Hermanos Rodríguez

“Foi uma ótima classificação para mim e estou muito feliz com o resultado. Nosso carro funciona bem em todos os circuitos atualmente, mas senti que ele ficou cada vez melhor ao longo da classificação – a pista evoluiu bastante. Minha primeira volta na Q3 foi demais, possivelmente minha melhor volta de classificação na temporada, e creio que eu não poderia ter tirado mais nada do carro. Precisamos evitar problemas na largada, mas não deixarei o que aconteceu no último fim de semana me influenciar (Hulk foi tocado no início da etapa norte-americana). Todas as vezes em que você chega à Curva 1, há uma dinâmica única e é necessário improvisar. Temos uma boa ideia de nossa situação para a corrida, vamos nos concentrar e tentar aproveitar o resultado de hoje (sábado), declarou Hulk, após obter o top 5 no grid.

Largada do GP do México de 2016: por fora, Hulkenberg superou Ricciardo e assumiu 4º lugar

Largada do GP do México de 2016: por fora, Hulkenberg superou Ricciardo e assumiu 4º lugar

A corrida

Confiança não faltava quando Nico Hulkenberg alinhou o carro da Force India no grid do GP do México, na tarde de 30 de outubro de 2016. Diante de arquibancadas repletas de torcedores de Sergio Pérez, o germânico também contava com o carinho dos espectadores locais. A energia vinda do lado de fora da pista ajudou a impulsionar Hulk no Autódromo Hermanos Rodríguez. Calçando pneus supermacios (os menos duráveis do fim de semana), Hulk foi ousado na largada e superou Daniel Ricciardo (Red Bull) na Curva 1, assumindo o quarto lugar. À frente, o alemão viu Lewis Hamilton (Mercedes) escapar da pista, e Nico Rosberg (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull) irem além do limite do traçado na disputa pelo segundo lugar. Durante a volta inicial, Pascal Wehrlein (Manor) foi tocado por Esteban Gutiérrez (Haas) e perdeu o controle de seu bólido. O alemão acabou atingido por Marcus Ericsson (Sauber) e foi obrigado a abandonar a corrida.

A Manor de Wehrlein ficou destruída na pista. Diante disso, a direção de prova acionou o VSC (virtual safety car). A bandeira amarela só foi retirada na volta 4. Em quarto, Hulkenberg não tinha como ultrapassar Verstappen, o terceiro. Por outro lado, Nico mantinha uma vantagem segura sobre Kimi Raikkonen (Ferrari), o quinto. Com esse cenário estabelecido, as mudanças só se dariam de acordo com as estratégias traçadas por pilotos e times. Com o pit stop de Verstappen, na volta 12, Hulk assumiu o terceiro lugar. Porém, era uma posição virtual – os pneus do germânico estavam em frangalhos. Assim, na volta 14, Nico foi para os boxes. Na troca, a Force India sacou os compostos supermacios e colocou os médios. O objetivo passava a ser um só: cruzar a linha de chegada sem parar novamente.

Hulk só fez um pit stop na corrida, na volta 14: estratégia da Force India permitiu avanço da Ferrari

Hulk só fez um pit stop na corrida, na volta 14: estratégia da Force India permitiu avanço da Ferrari

No retorno à pista, Hulkenberg se viu em 10º. Com o pit stop de Fernando Alonso (McLaren), na volta 15, o alemão subiu para nono. Após a parada de Valtteri Bottas (Williams), na volta 19, Nico ascendeu para a oitava colocação. Na passagem seguinte, após Felipe Massa (Williams) ir aos boxes, Hulk alcançou a sétima posição. Porém, Raikkonen também parou na volta 20, e voltou à pista na frente do germânico da Force India. Dessa forma, Nico perdia terreno para Kimi. Mas havia um porém: a Ferrari pararia uma segunda vez nos boxes, o que poderia reconduzir Hulkenberg para o top 5 na Cidade do México. Num ritmo conservador, Hulk tentava anular a estratégia ferrarista. Mas não teve jeito. Após Sebastian Vettel (Ferrari) ir aos boxes na volta 33, e retornar à frente do germânico, ficava evidenciado que o time italiano havia superado a escuderia indiana.

A expectativa de Hulkenberg era saber se Raikkonen, o quinto colocado, faria mais uma parada. Caso Kimi parasse, não teria vantagem suficiente para retornar à frente de Nico. Na volta 46, o finlandês foi aos boxes. Desta vez, não deu para o campeão de 2007. Hulk superava Kimi e assumia o sexto posto. Contudo, com pneus novos, Raikkonen partiria para o ataque, na disputa por um lugar no top 6. Na volta 51, Ricciardo foi para os boxes. No retorno, estava entre Hulkenberg e Raikkonen, na sexta colocação. Porém, na passagem seguinte, Daniel superou Nico, recuperando a quinta colocação. À Hulk, restava saber se conseguiria neutralizar o melhor equipamento de Raikkonen e assegurar a sexta posição.

Hulkenberg lutou bravamente, mas não resistiu a Raikkonen: toque fez alemão rodar

Hulkenberg lutou bravamente, mas não resistiu a Raikkonen: toque fez alemão rodar

Volta após volta, os ataques de Kimi eram cada vez mais incisivos. Além disso, os pneus de Hulkenberg já davam sinais de desgaste. Na volta 68, a quatro voltas do fim, o finlandês da Ferrari partiu para cima do alemão da Force India. Por fora na Curva 4, Raikkonen pressionou Hulk. O germânico resistiu, mas acabou tocado e rodou sobre o eixo de seu bólido. Nico retornou à pista ainda em sétimo, mas distante de Kimi. A vitória do GP do México ficou com Hamilton, seguido por Rosberg. O resultado manteve Lewis vivo na luta pelo tetracampeonato – o inglês ficou a 19 pontos do alemão (349 a 330). Porém, uma vitória no Brasil dá o título ao filho de Keke Rosberg. Dobradinha da Mercedes à parte, a sensação ficou por conta de quem seria o terceiro lugar na prova mexicana.

Verstappen, Vettel e Ricciardo travaram duras batalhas no Autódromo Hermanos Rodríguez. Max terminou em terceiro, seguido por Sebastian e Daniel. Todavia, uma reclamação da Ferrari em relação ao incidente da volta 68 – o holandês ignorou a curva para se manter à frente do alemão – fez com que Verstappen perdesse o terceiro lugar pouco antes de subir ao pódio (o jovem foi punido com 5s acrescidos ao seu tempo). Vettel foi chamado às pressas, e recebeu o troféu pelo top 3. Contudo, horas depois, uma reclamação da Red Bull foi aceita em relação ao incidente da volta 70 – Sebastian barrou Daniel, impedindo a ultrapassagem do australiano. O ferrarista teve 10s acrescidos ao seu tempo de corrida. Assim, após todas as punições, Ricciardo acabou herdando o terceiro posto, seguido por Verstappen e Vettel.

Sétimo lugar de Hulkenberg manteve Force India à frente da Williams no Mundial de Construtores

Sétimo lugar de Hulkenberg manteve Force India à frente da Williams no Mundial de Construtores

Hulkenberg deixou a Cidade do México sem punições e com um importante sétimo lugar, que manteve a Force India na quarta posição do Mundial de Construtores, com 145 pontos, contra 136 da Williams. “Definitivamente, foi o melhor resultado que poderíamos esperar em circunstâncias normais. Fiz uma ótima largada, mas após os pit stops, acabou sendo uma tarde bastante solitária para mim. Isso permitiu que eu gerenciasse meus pneus e meu ritmo. No final, a batalha com Kimi (Raikkonen) seria difícil de qualquer maneira porque ele tinha uma enorme vantagem de pneus sobre mim: fiquei surpreso por ter conseguido mantê-lo atrás por tanto tempo. Tentei me defender ao máximo por dentro, mas frear na parte suja da pista com pneus desgastados é complicado! Ele veio na minha direção e eu não conseguiria parar o carro de jeito nenhum, então forcei uma rodada para evitar uma batida”, explicou.

De saída da Force India, Hulkenberg ocupa nono lugar do Mundial, com 60 pontos

De saída da Force India, Hulkenberg ocupa nono lugar do Mundial, com 60 pontos

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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