EUA-2016: Sainz Jr. não resiste a Alonso, mas obtém 6º lugar

Sainz bem que tentou, mas não conseguiu segurar Alonso no fim: sexto lugar heroico em Austin

Sainz Jr. bem que tentou, mas não conseguiu segurar Alonso no fim: sexto lugar heroico em Austin

Carlos Sainz Jr. viveu um de seus pontos altos de 2016 no GP dos Estados Unidos, disputado no último domingo, no Circuito das Américas, em Austin (Texas). Com uma condução irrepreensível, o espanhol não só levou seu Toro Rosso ao Q3, no sábado, como colocou seu STR11 no top 5 da etapa norte-americana. No fim, sem pneus, não resistiu ao ataque de seu ídolo, o bicampeão Fernando Alonso (McLaren). Ainda assim, Sainz Jr. assegurou um impecável sexto lugar na corrida ianque. Com o resultado, Carlos igualou seu melhor desempenho na Fórmula 1 – ele havia alcançado um lugar no top 6 no GP da Espanha de 2016, em Montmeló. Dessa forma, o madrileno se manteve em 12º no Mundial de Pilotos, com 38 pontos, e praticamente consolidou a sétima posição da Toro Rosso no Mundial de Construtores – após a prova de Austin, o time italiano subiu para 55 pontos, 26 à frente da Haas (que tem 29 pontos).

A performance de Sainz Jr. superou as expectativas da Toro Rosso em solo estadunidense. Quando o hispânico e seu companheiro de equipe, Daniil Kvyat, desembarcaram no Texas, vislumbravam apenas alcançar um lugar no top 10. Logo nos primeiros treinos, na sexta-feira, a meta parecia atingível: Carlos anotou o 11º melhor tempo do dia, com 1m38s971. O espanhol foi 0s231 mais veloz do que Kvyat, 15º com 1m39s202, e ficou a 1s613 de Nico Rosberg (Mercedes), que marcou o melhor tempo do dia, com 1m37s358. “Em geral, foi uma sexta-feira positiva – no ano passado nós não conseguimos fazer muitas voltas aqui no seco, por isso foi uma nova pista para mim desta vez. Eu tenho que dizer que eu aproveitei o dia: esta é uma pista especial e excitante para se pilotar. Do ponto de vista do desempenho, estamos exatamente onde esperávamos estar, mas vamos continuar a trabalhar duro e ver onde nós acabaremos no final do domingo”, analisou o espanhol.

Avançar para o Q3 parecia missão impossível, mas Sainz foi lá e fez: 10º no grid

Avançar para o Q3 parecia missão impossível, mas Sainz Jr. foi lá e fez: 10º no grid

No sábado, avançar para o Q3 parecia uma missão impossível para a dupla da Toro Rosso. Também pudera: diante dos desempenhos das duplas de Mercedes, Ferrari, Red Bull, Williams e Force India – os cinco principais times da temporada –, o objetivo deveria ser o Q2 e nada mais. Kvyat parou nesta fase (anotou 1m37s480, assegurando o 13º lugar no grid). Mas Sainz Jr. foi lá e fez, batendo Sergio Pérez (Force India) e conquistando um lugar no Q3. No fim, anotou o 10º tempo, com 1m37s326. A marca do espanhol foi 2s327 inferior à obtida por Lewis Hamilton (Mercedes), pole position do GP dos Estados Unidos, com 1m34s999.

A 10ª posição no grid encheu Sainz Jr. de confiança para a etapa norte-americana. “Eu não poderia estar mais feliz. Após um terceiro treino complicado – onde não tive muito tempo de pista devido a dois furos –, fazer uma volta tão boa na Q2 e passar para a Q3 foi incrível. Fiquei realmente feliz quando informaram minha posição pelo rádio. Tenho certeza que a equipe também ficou satisfeita, precisávamos disso depois de alguns finais de semana duros. Hoje (sábado) é um dos dias da temporada de 2016 dos quais sempre me lembrarei. A corrida será dura, mas certamente faremos o nosso melhor para lutar por pontos”, celebrou o madrileno.

Largada do GP dos EUA de 2016, em Austin: Sainz contou com confusão para subir para oitavo

Largada do GP dos EUA de 2016, em Austin: Sainz contou com confusão para subir para oitavo

A corrida

O sol era personagem principal no domingo, 23 de outubro de 2016, em Austin, palco do GP dos Estados Unidos. Em 10º no grid e largando com pneus supermacios, Sainz Jr. acreditava que poderia alcançar bons pontos na etapa norte-americana. Quando as luzes vermelhas se apagaram, tal objetivo se tornou palpável: Sebastian Vettel (Ferrari), Nico Hulkenberg (Force India) e Valtteri Bottas (Williams) se enroscaram logo após a largada. Isso fez com que Hulkenberg abandonasse e Bottas despencasse na classificação. Ao fim da volta 1, Carlos ocupava a oitava posição, atrás de Felipe Massa (Williams) e à frente de Fernando Alonso (McLaren). Com o passar das primeiras voltas, o madrileno tinha o brasileiro em sua alça de mira, mas era incapaz de atacá-lo. Em contrapartida, o piloto da Toro Rosso mantinha o bicampeão da McLaren a uma distância segura.

O cenário só começou a se alterar com a abertura da janela para o primeiro pit stop. Com as paradas de Daniel Ricciardo (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Ferrari), na volta 9, Sainz Jr. saltou para sexto. Na passagem seguinte, foi a vez de Max Verstappen (Red Bull) ir aos boxes, fazendo com que o espanhol subisse para quinto. Porém, os pneus supermacios de Carlos já davam sinais de desgaste, e a Toro Rosso o chamou para o pit stop, na volta 11. Na troca, a escuderia italiana colocou compostos macios no bólido do espanhol, que retornou à pista em 10º. Após superar Daniil Kvyat (Toro Rosso) e ver Esteban Gutiérrez (Haas) se encaminhar aos boxes, Sainz Jr. retomou a oitava colocação na volta 13. Quatro voltas depois, Alonso ultrapassou Kvyat e assumiu a nona posição. Naquele momento, Carlos tinha 6s de vantagem sobre Fernando, e estava a 7s de Massa.

Sainz foi aos boxes no momento do VSC: parada fez com que superasse Massa

Com pneus macios, Sainz Jr. foi aos boxes no momento do VSC: parada fez com que superasse Massa

As coisas em Austin andaram mornas até a volta 27. Naquela passagem, Verstappen decidiu entrar nos boxes, mas esqueceu de um detalhe: avisar a Red Bull. O holandês perdeu tempo na parada. Mesmo assim, saiu em sétimo, à frente de Sainz Jr.. Duas voltas depois, Max se viu com problemas na caixa de câmbio, e seu carro ficou emperrado na pista. Assim, o espanhol da Toro Rosso subiu para sétimo. Na volta 29, Massa foi aos boxes. Na mesma passagem, a direção da prova decidiu intervir com o VSC (virtual safety car) para a retirada da Red Bull. Eis o ‘pulo do gato’ da escuderia de Faenza: na volta 30, Carlos fez sua segunda e definitiva parada, colocando novos pneus macios. Com a velocidade restrita devido ao VSC, o madrileno superou o brasileiro, subindo para sexto.

Com o fim da intervenção do VSC, na volta 33, Sainz Jr. passou a ter um só objetivo: segurar Massa e assegurar a sexta posição. Apesar da pressão de Felipe, Carlos conseguia se manter à frente do brasileiro. Enquanto isso, na volta 39, Kimi Raikkonen (Ferrari) foi aos boxes. Todavia, uma falha na troca de pneus fez com que o finlandês sequer conseguisse retornar à pista. Sem Raikkonen, o espanhol da Toro Rosso assumiu a quinta posição. Sainz Jr. estava bem atrás de Lewis Hamilton (Mercedes), Nico Rosberg (Mercedes), Ricciardo e Vettel. A partir de então, a missão do jovem piloto da Toro Rosso era barrar Massa e Alonso – o bicampeão se aproximou rapidamente da dupla.

Carlos, perseguido por Felipe Massa: jovem espanhol suportou pressão do veterano brasileiro

Carlos, perseguido por Felipe Massa: jovem espanhol suportou pressão do veterano brasileiro

Sainz Jr., Massa e Alonso definiriam na pista quem seria o quinto lugar em Austin. Contra Carlos, pesava o fato de utilizar compostos macios – menos resistentes que os médios, que calçavam Felipe e Fernando. Na volta 48, a oito voltas da bandeira quadriculada, o espanhol da Toro Rosso tinha 1s de vantagem sobre o brasileiro da Williams, que, por sua vez, colocava 1s sobre o espanhol da McLaren. Todavia, os pneus de Sainz Jr. perderam rendimento, e Massa e Alonso partiram para o ataque. Na volta 51, Carlos travou uma roda na curva 15, e induziu Felipe ao erro. Fernando se aproveitou da hesitação do brasileiro e colocou de lado. O toque acabou sendo inevitável. Massa saiu da pista e viu seu pneu ser furado, enquanto Alonso assumiu o sexto lugar.

A próxima vítima do bicampeão seria Sainz Jr.. O jovem espanhol bem que tentou ser combativo contra o consagrado compatriota, mas Alonso estava irresistível. Após um duelo roda a roda, na volta 55, Fernando bateu Carlos, assegurando a quinta posição. Sainz Jr. acelerou o quanto pôde, cruzando a linha de chegada a 2s2 de Alonso. O madrileno ficou à espera do veredicto da FIA, que investigou a manobra do bicampeão sobre Massa. “Os engenheiros da Toro Rosso me informaram que Alonso estava sendo investigado na última volta, quando de repente viram que cheguei ao máximo de uso dos pneus. Eles disseram: ‘Você precisa manter-se na janela de 5s’, porque é a penalidade mais baixa que ele (Alonso) poderia receber. Então me disseram: ‘Por favor, 5s’ e eu comecei a forçar como louco, mas, sem pneus, dei boas derrapadas”, observou Carlos.

Sainz não suportou arrancada final de Alonso, mas celebrou excelente top 6 em Austin

Sainz Jr. não suportou arrancada final de Alonso, mas celebrou excelente top 6 em Austin

Todavia, Fernando não foi punido, e Carlos viu o sexto lugar ser confirmado. A vitória em Austin ficou com Hamilton (a 50ª do britânico na categoria), seguido por Rosberg e Ricciardo. Após seu segundo top 6 na carreira, Sainz Jr. dedicou o resultado à equipe italiana. “Sempre me lembrarei deste fim de semana! Igualar meu melhor resultado na Fórmula 1 me deixa muito feliz, mas este sexto lugar é um pouco mais especial do que aquele de Barcelona, porque creio que não tínhamos carro para isso aqui – nossas simulações antes da prova mostraram que eu chegaria apenas em 11º ou 12º, e aqui estamos, lutando pelo quinto lugar”, destacou o madrileno, lembrando que a sorte esteve ao seu lado, no instante em que o VSC foi acionado pela direção de prova.

“O VSC foi ótimo para nós, pois nos colocou à frente da Williams. Nós sabíamos que seria difícil chegar ao final com o macio, mas nos comprometemos com essa decisão – nas duas últimas voltas, eu fiquei sem pneus e tive de me segurar de qualquer maneira. A batalha com Fernando (Alonso) foi muito divertida. Eu sabia que ele acabaria passando, mas disse a mim mesmo: ‘vamos complicar um pouco as coisas para ele’. Sei perfeitamente como ele ataca e como me defender dele, já que o vi correr nos últimos 12 anos… E acho que conseguir mantê-lo atrás por todas aquelas voltas até ele abrir o DRS. Mas estou eufórico. Definitivamente, vou celebrar com champanhe esta noite, é como uma vitória para mim”, observou Sainz Jr., que comemorou o top 6 ao lado de Alonso, em um restaurante.

Depois da batalha de Austin, Sainz e Alonso jantaram juntos - e foram homenageados

Depois da batalha de Austin, Sainz Jr. e Alonso jantaram juntos – e foram homenageados

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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