Malásia-2016: quebra de Hamilton rende ponto a Jolyon Palmer

Jolyon Palmer, à frente de Nico Rosberg no GP da Malásia, em Sepang: primeiro ponto da carreira do inglês

Jolyon Palmer, à frente de Nico Rosberg no GP da Malásia: primeiro ponto da carreira do inglês na F1

A Renault tem feito uma temporada 2016 para ser esquecida. Em seu retorno após cinco anos ausente da Fórmula 1, o time de Enstone vem realizando exibições sofríveis, o que tem comprometido com o desempenho de Kevin Magnussen e Jolyon Palmer. Filhos de ex-pilotos da categoria (o primeiro, de Jan Magnussen, e o segundo, de Jonathan Palmer), ambos anotaram apenas sete pontos nas 15 primeiras etapas do ano. Todos vieram pelas mãos de Kevin, que conquistou um excelente sétimo lugar no GP da Rússia, em Sochi, além de um 10º lugar no GP de Cingapura, em Marina Bay. Ver o dinamarquês pontuar incentivou Jolyon no último domingo, em Sepang, palco do GP da Malásia. Apesar de uma performance consistente, o britânico só alcançou um lugar no top 10 após o repentino abandono de Lewis Hamilton (Mercedes). O tricampeão, que liderava a prova malaia, viu seu motor explodir. Sem o compatriota, Jolyon terminou em 10º.

O ponto obtido em Sepang foi o primeiro da carreira de Palmer na Fórmula 1. Nascido em Horsham, em 20 de janeiro de 1991, o inglês sempre recebeu o incentivo do pai para seguir trajetória no automobilismo. Iniciou no kart em 2004. Entre 2005 e 2007, competiu em torneios de turismo, não alcançando resultados de destaque. Em 2008, se transferiu para a Fórmula Palmer Audi – categoria criada pelo seu pai, Jonathan. No fim da disputa, ficou em terceiro lugar na classificação. No ano seguinte, participou da Fórmula 2 – que tinha Jonathan como organizador. Em 2010, foi vice-campeão da F2, conquistando cinco vitórias. O bom desempenho na F2 o levou para a GP2, categoria de acesso à F1, em 2011. Porém, apenas em sua quarta temporada, em 2014, alcançou o auge: Jolyon bateu Stoffel Vandoorne e Felipe Nasr e alcançou o título.

Campeão da GP2 em 2014, Jolyon teve sua trajetória no automobilismo influenciada pelo pai, o ex-piloto Jonathan Palmer

Jolyon teve sua trajetória no automobilismo incentivada pelo pai, o ex-piloto Jonathan Palmer

A Fórmula 1 surgiu na carreira de Palmer ainda em 2014, quando foi testador da Force India. Em 2015, passou a cumprir a função de terceiro piloto da Lotus. No fim daquele ano, o espólio da Lotus foi assumido pela Renault, que retornou à categoria após cinco anos longe do ‘circo’ – a fabricante francesa havia se afastado da F1 ao fim de 2011. Com a reestruturação da escuderia de Enstone ao fim daquele ano, Jolyon foi alçado à condição de titular. Apesar das expectativas, o time francês vem enfrentando dificuldades durante este ano. O R.S.16 tem demonstrado fragilidade, colocando tanto Palmer quanto Kevin Magnussen em colocações discretas. Antes do GP da Malásia, a melhor posição do britânico em 2016 havia sido o 11º lugar em sua estreia na categoria, no GP da Austrália, em Melbourne.

Em Sepang, a Renault planejava conseguir um lugar na zona de pontos. Porém, logo na sexta, o time viu o RS.16 de Kevin pegar fogo. O incêndio no carro tirou o dinamarquês do primeiro treino livre. No fim do dia, Palmer conquistou um bom 12º lugar, com 1m26s940. Jolyon ficou a 1s996 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz do dia. Por outro lado, foi 0s724 mais veloz que Magnussen, 19º com 1m37s664. “As coisas foram muito tranquilas do meu lado da garagem. Acho que toda a ação hoje (sexta-feira) foi para Kevin. Tive alguns momentos forçando os limites, enquanto conhecíamos a nova superfície da pista na parte da manhã, mas a pista ainda é muito agradável de conduzir. Fizemos progressos à tarde e devemos estar bem colocados para amanhã”, afirmou o britânico, após os treinos.

Após uma sexta-feira positiva em Sepang, Palmer decepcionou no sábado: parou no Q1, ficando em 19º

Após uma sexta-feira positiva em Sepang, Palmer decepcionou no sábado: parou no Q1, ficando em 19º

No sábado, entretanto, Palmer viu Magnussen andar forte com o R.S.16. O dinamarquês avançou para o Q2, enquanto o britânico parou no Q1. Kevin anotou 1m35s277, assegurando o 14º lugar no grid. Com 1m35s999, Jolyon foi 0s722 mais lento do que o parceiro de equipe, ficando em 19º – a 3s149 da marca de Lewis Hamilton (Mercedes), pole em Sepang com 1m32s850. Após a qualificação, Palmer disse ter se equivocado quanto ao set up de seu Renault. “Serei honesto: minha volta ficou muito longe da que deveria ter sido. Tomei a decisão errada em relação ao acerto entre minhas tentativas, e a volta simplesmente não encaixou. Foi particularmente frustrante, já que o ritmo pareceu promissor durante todo o fim de semana e o carro definitivamente era capaz de mais aqui. Amanhã (domingo), forçarei o tempo todo visando me redimir, principalmente porque esta é uma pista onde ganhar posições é possível”, analisou.

Tumulto na largada do GP da Malásia, em Sepang: Palmer se livrou do acidente entre Vettel e Rosberg

Tumulto na largada do GP da Malásia, em Sepang: Palmer se livrou do acidente entre Vettel e Rosberg

A corrida

O calor tropical em Sepang castigava carros e pilotos no domingo, 2 de outubro de 2016. A possibilidade de tempestade não se concretizou. O sol reinava em solo malaio quando os 22 bólidos dispararam na largada do GP da Malásia. O clima esquentou ainda mais logo na primeira curva: Sebastian Vettel (Ferrari) tocou em Nico Rosberg (Mercedes) e destruiu sua suspensão dianteira esquerda, abandonando a etapa. Rosberg ficou atravessado na pista, e voltou no fim do pelotão. O choque fez com que o VSC (Virtual Safety Car) fosse acionado. Apesar de ter sido atrapalhado pelo incidente e perder posições para Fernando Alonso (McLaren) e Esteban Ocon (Manor), Palmer completou a volta 1 em 14º. Além do abandono de Vettel, Jolyon contou com a queda de Rosberg e Felipe Nasr (Sauber), e viu Daniil Kvyat (Toro Rosso), Felipe Massa (Williams), Kevin Magnussen (Renault) e Esteban Gutiérrez (Haas) pararem nos boxes.

Calçando pneus duros, Palmer faria um longo ‘stint’ em Sepang. Diante do caos da primeira volta, pontuar passou a ser uma missão possível. Quando o VSC foi retirado, na volta 3, Jolyon se manteve em 14º. Entretanto, na volta seguinte, o britânico da Renault não foi páreo para Rosberg, caindo para 15º. Na volta 7, Palmer foi superado por Pascal Wehrlein (Manor), passando a figurar em 16º. Na passagem seguinte, Romain Grosjean (Haas), com problema no freio, para na brita. Dessa forma, Jolyon recuperou a 15ª posição. Para a retirada do carro de Grosjean, o VSC voltou a ser acionado pela direção de prova na volta 9. Com isso, diversos pilotos decidiram ingressar nos boxes – casos de Rosberg, Alonso, Wehrlein, Jenson Button (McLaren) e Nico Hulkenberg (Force India). Palmer seguiu na pista, e subiu para 10º.

A fim de gerenciar os pneus duros, Palmer manteve um ritmo conservador: na volta 16, foi superado por Alonso

Com pneus duros, Palmer manteve um ritmo conservador: na volta 16, foi superado por Alonso

A relargada foi dada na volta 11. Na passagem seguinte, Jolyon voltou a ser superado por Rosberg, caindo para 11º. Porém, na volta 13, o pit stop de Ocon fez com que o britânico da Renault recuperasse um lugar no top 10. Apesar disso, o ritmo de Palmer era inferior aos demais. O inglês perdeu posições para Button e Hulkenberg, na volta 14, e para Alonso, na 16, despencando para o 13º posto. A partir dali, Jolyon passou a gerenciar os compostos duros, a fim de fazer valer a estratégia de uma parada da Renault. Além disso, contava com a parada dos rivais para ganhar espaço na etapa malaia. Com o pit stop de Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), na volta 20, Palmer subiu para 12º. Na passagem seguinte, foi a vez de Marcus Ericsson (Sauber) ir para os boxes, fazendo com que Jolyon assumisse o 11º lugar.

O britânico da Renault só retornaria ao top 10 após a segunda parada de Alonso, na volta 28. Na passagem seguinte, viu Hulkenberg ir aos boxes. Assim, Palmer assumiu o nono lugar. Todavia, os pneus duros já davam sinais de desgaste. Na volta 31, Jolyon, enfim, fez sua parada. Na troca, a escuderia sacou os compostos duros, e colocou os macios. A partir de então, a estratégia era uma só: fazer os pneus durarem até o fim da volta. Assim, seria necessário para Palmer girar 25 voltas sem parar com borracha macia. A missão era difícil, mas o britânico apostou na equipe. No retorno à pista, se viu em 14º. Na volta 33, superou Nasr, reassumindo a 13ª posição. Com as paradas definitivas de Sainz e Ericsson, na volta 38, Jolyon pulou para 11º.

Após colocar pneus macios, Palmer avançou para o 11º lugar: quebra de Hamilton fez com que herdasse uma posição no top 10

Após colocar macios, Palmer avançou para 11º: quebra de Hamilton fez com que alcançasse o top 10

Naquele instante, Palmer não tinha muito mais a fazer. Entre os pontuáveis, estavam as duplas da Mercedes, Red Bull, Force India, McLaren, além dos finlandeses Kimi Raikkonen (Ferrari) e Valtteri Bottas (Williams). Todos tinham melhores equipamentos que Jolyon. Apenas uma quebra faria com que o britânico ingressasse na zona de pontos. E ela veio com quem menos se esperava. Na volta 41, o motor de Lewis Hamilton (Mercedes), o líder da etapa malaia, explodiu em plena reta dos boxes. O tricampeão, que saltaria para a ponta do Mundial, estava inconsolável fora da pista. Com o abandono de Hamilton, Palmer subiu para 10º. Contudo, o top 10 não estava assegurado: Sainz Jr. e Ericsson tentavam acompanhar o inglês da Renault.

Porém, era dia de Jolyon. Em sua 16ª corrida na F1, o inglês desencantou, marcando seu primeiro ponto, para a alegria do pai Jonathan – que anotou 14 pontos em sua trajetória na categoria, entre 1983 e 1989. Graças à retirada de Hamilton, a vitória do GP da Malásia ficou com Daniel Ricciardo (Red Bull), que derrotou Max Verstappen (Red Bull) no duelo interno da escuderia austríaca. Foi a primeira dobradinha do time desde o GP do Brasil de 2013, em Interlagos. Após cair para o fim do pelotão, Rosberg ainda foi punido em 10 segundos pela direção da prova, ao “forçar” a ultrapassagem sobre Kimi Raikkonen (Ferrari) no duelo pelo terceiro lugar. Mesmo assim, o germânico chegou ao pódio, colocando 23 pontos de vantagem sobre Hamilton no duelo pelo Mundial.

Palmer, à frente de Sainz Jr. e Ericsson: luta para alcançar o primeiro ponto na carreira

Palmer, à frente de Sainz Jr. e Ericsson: luta para alcançar o primeiro ponto na carreira

Disputa de título à parte, Palmer celebrou a conquista do 10º lugar em Sepang. “A sensação de marcar pontos é ótima! Estou realmente feliz. Creio que o fim de semana inteiro foi positivo. A corrida foi tranquila – eu gostaria que fosse sempre assim. Fiquei desapontado com a classificação, pois eu vinha me sentindo forte na sexta e no sábado pela manhã, então estou feliz por termos conseguido nos redimir hoje (domingo). O carro me deu tudo o que eu precisava, cuidamos bem dos pneus e a equipe fez um ótimo trabalho com a estratégia. Também tivemos um pouco de sorte. No fim, tudo se encaixou e chegamos em 10º”, comemorou o britânico.

Com o ponto de Palmer, a Renault passou a somar 8 no Mundial - os outros 7 foram anotados por Magnussen

Com o ponto de Palmer, a Renault passou a ter 8 no ano – os outros 7 foram anotados por Magnussen

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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