Cingapura-2016: Kvyat mostra serviço após ‘rebaixamento’

Daniil Kvyat (Toro Rosso) travou bom duelo com Max Verstappen (Red Bull): russo terminou em nono em Marina Bay

Daniil Kvyat (Toro Rosso) travou duelo com Max Verstappen (Red Bull): russo foi 9º em Marina Bay

Daniil Kvyat se tornou o “patinho feio” da Fórmula 1 em 2016. Após iniciar a temporada na Red Bull, o russo foi “rebaixado” para a Toro Rosso, depois de ser defenestrado pelo ‘circo’ devido a sua atuação no GP da Rússia, em Sochi. Enquanto o seu substituto, Max Verstappen, já venceu corrida – justamente em sua estreia na Red Bull, no GP da Espanha, em Montmeló –, Kvyat se viu numa verdadeira encruzilhada na carreira. Desde o “rebaixamento”, não conseguiu se impor diante de Carlos Sainz Jr., seu companheiro na Toro Rosso. Pior: muitos têm pedido sua cabeça. Apesar de Helmut Marko, consultor da Red Bull, garantir que Daniil estará no grid em 2017, há quem duvide da presença do piloto na próxima temporada. O russo tem ciência de que está sendo visado. E acelerar passou a ser a única alternativa para seguir na categoria.

No GP de Cingapura, disputado no último domingo, em Marina Bay, Kvyat espantou a “maré de azar” que havia assolado sua trajetória em 2016. Durante todo o fim de semana, o russo foi combativo, andando sempre entre os 10 primeiros. No fim, terminou em nono, colado em Sergio Pérez (Force India). Foi seu melhor resultado desde que deixou a Red Bull. Os dois pontos foram os primeiros conquistados por Daniil desde o GP da Inglaterra, em Silverstone. Além de dar fim ao jejum de quatro corridas sem pontuar, Kvyat ajudou a Toro Rosso a manter o sonho de terminar o Mundial de Construtores em sexto, à frente da McLaren. Sem os pontos do russo, seria quase impossível para a equipe de Faenza alcançar o time de Woking – depois da prova de Marina Bay, a vantagem da McLaren subiu de três para sete pontos (54 a 47), por conta do sétimo lugar de Fernando Alonso.

O bom desempenho do STR11 em Marina Bay ajudou Kvyat a se reabilitar no Mundial

O bom desempenho do STR11 em Marina Bay ajudou na reabilitação de Kvyat no Mundial

Logo na sexta-feira, Kvyat percebeu que seria um fim de semana diferente. Logo que entrou no circuito de rua de Cingapura, o russo sentiu seu STR11 adaptado à pista. Após os dois treinos livres do dia, Daniil figurou em 10º, com 1m46s029. Kvyat ficou a 0s522 de Sainz Jr.,  que anotou 1m45s507, e a 1s877 de Nico Rosberg (Mercedes), o mais rápido do da sexta, com 1m44s152. “Nós tentamos muitas coisas nos dois treinos, e acho que foi uma sexta-feira estimulante. Vamos agora tentar aprender o máximo que pudermos para amanhã (sábado) e tentar maximizar o potencial que eu sinto que temos aqui. Acho que podemos ser fortes, e fico feliz em ver que parecemos mais competitivos do que nas corridas anteriores. Obviamente, precisamos continuar trabalhando duro, mas eu estou pronto para isso”, observou.

Qualificar vinha sendo um problema para Kvyat, desde que retornou para a Toro Rosso. Nas últimas corridas, se tornou um martírio. Após ser barrado no Q1 nas últimas três etapas – Alemanha, Bélgica e Itália –, enfim, o russo pôde respirar aliviado. Com um bom acerto de seu STR11, Daniil avançou para o Q3 de Marina Bay. No fim do qualifying de sábado, terminou em sétimo, com 1m44s469. Kvyat ficou a 0s272 de Sainz Jr., sexto com 1m44s197, e a 1s885 de Nico Rosberg (Mercedes), pole com 1m42s584. Após a sessão, Daniil parecia ter tirado um peso das costas, expressando satisfação com o resultado.

Após ser barrado no Q1 por três etapas consecutivas, Kvyat avançou para o Q3 em Cingapura

Após ser barrado no Q1 nas três etapas anteriores, Kvyat avançou para o Q3 em Cingapura

“Foi um ótimo dia para mim. A última volta foi boa, e apesar de eu ter apenas um jogo de ultramacios novos no Q3, tive uma performance sólida. Podemos ficar satisfeitos. É sempre agradável quando o carro está em seu melhor momento na última volta. É encorajador ver que estamos de volta às posições onde deveríamos estar, mostrando que somos competitivos aqui, e espero que possamos ter uma boa corrida amanhã (domingo). Tudo pode acontecer, mas só precisamos manter a concentração, a paciência e aproveitar qualquer chance surgida em nosso caminho. Estamos bem posicionados, agora só temos de maximizar o que alcançamos hoje (sábado)”, disse o russo.

A tumultuada largada do GP de Cingapura de 2016: ao fundo, o acidentado Nico Hulkenberg (Force India)

A tumultuada largada do GP de Cingapura: ao fundo, o acidentado Nico Hulkenberg (Force India)

A corrida

Mesmo com o desempenho positivo na sexta e no sábado, Kvyat manteve-se reticente quanto às suas possibilidades no GP de Cingapura. Ao alinhar seu Toro Rosso na sétima posição no grid, havia a expectativa de um bom resultado. Porém, diante do que estava acontecendo com o russo durante a temporada, tudo poderia acontecer. Na noite de domingo, 18 de setembro de 2016, Marina Bay quase foi palco de um super acidente. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, Max Verstappen (Red Bull) ficou pelo caminho. Ao desviar do holandês, Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) tocou em Nico Hulkenberg (Force India). O alemão perdeu o controle de seu bólido, rodou na frente de Verstappen e bateu no ‘pit wall’. Apesar do susto, não houve “efeito-dominó”. Todavia, foi necessária a entrada do safety car para a retirada do carro de Hulk.

Largando com pneus ultramacios, Daniil foi superado por Fernando Alonso (McLaren), que saltou bem e pulou para quinto. Entretanto, se aproveitou da péssima saída de Verstappen e do toque sofrido por Sainz para assumir a sexta posição. Quando a relargada foi dada, na volta 3, Kvyat se manteve no top 6, andando no ritmo de Alonso. Por outro lado, era perseguido por Sainz. Porém, uma aleta do carro do espanhol estava avariada após o toque em Hulkenberg, e Carlos foi obrigado a parar nos boxes na volta 7. O pit stop de Sainz colocou Kvyat na alça de mira de Verstappen, que passava a ocupar a sétima posição. Max acompanhava Daniil, mas não conseguia se livrar do russo. Diante do impasse, a Red Bull chamou o holandês para os boxes, na volta 14. Na passagem seguinte, a Toro Rosso trouxe Kvyat para o pit, trocando os ultramacios pelos supermacios.

Apesar da pressão, Kvyat segurou Verstappen na primeira parte da corrida

Apesar da pressão, Kvyat (à frente) segurou Verstappen (ao fundo) na primeira parte da corrida

No retorno à pista, Daniil se viu em 12º, justamente à frente de Max. Na volta 17, com o pit stop dos brasileiros Felipe Massa (Williams) e Felipe Nasr (Sauber), Kvyat ingressou no top 10. Após a parada de Kevin Magnussen (Renault), na volta 18, o russo subiu para nono. Na passagem seguinte, foi a vez de Esteban Gutiérrez (Haas) realizar seu pit, fazendo com que Daniil passasse a ocupar a oitava colocação. Naquele momento, Kvyat voltava a perseguir Alonso, o sétimo. Todavia, sofria com a pressão de Verstappen, o nono. Na volta 20, Max investiu sobre Daniil, mas o russo da Toro Rosso impediu o avanço do holandês da Red Bull. Após o pit stop de Sebastian Vettel (Ferrari), na volta 24, Kvyat ascendeu para o sétimo lugar. Mas não tinha sossego: Verstappen estava colado.

Apesar da insistência, Max não conseguia executar a ultrapassagem sobre Daniil. Com o impasse, Verstappen antecipou seu segundo pit stop, parando na volta 27. A parada do holandês deu sossego para Kvyat, que passou a pressionar Alonso. Na volta 29, a vantagem do espanhol sobre o russo era de 1s4. Mesmo andando forte, Daniil ficou atrás de Fernando. Apenas com a parada de Alonso, na volta 33, Kvyat assumiu o sexto lugar. Porém, já contava com a pressão de Vettel, que fazia uma excelente prova de recuperação – o alemão largou em último em Marina Bay. Na volta 36, Sebastian superou Danill, que já sofria com o desgaste dos compostos supermacios. Na passagem seguinte, a Toro Rosso chamou Kvyat para seu segundo e definitivo pit stop. Na troca, colocou novamente pneus supermacios. No retorno à pista, se viu em 11º.

Kvyat atacou Sergio Pérez (Force India), mas escapou da pista. No fim, chegou colado no mexicano

Kvyat atacou Sergio Pérez (Force India), mas escapou da pista. No fim, chegou colado no mexicano

Na volta 39, após o pit stop de Magnussen, Daniil recuperou seu lugar no top 10. Depois da parada de Massa, na volta 43, o russo da Toro Rosso subiu para nono. Na volta 45, foi a vez de Verstappen ir aos boxes. Na saída, o holandês se viu colado em Kvyat. Novamente, Max se deparava com Daniil. Se no primeiro encontro dos dois em Marina Bay, a vantagem foi de Kvyat, no segundo, Verstappen fez valer o melhor desempenho de seu Red Bull. Na volta 48, na tentativa de superar Sergio Pérez (Force India), no duelo pelo sétimo lugar, Daniil saiu da pista, mas voltou à frente do mexicano. Naquele instante, Verstappen superou Pérez, e partiu para o ataque. Por ter executado a ultrapassagem sobre Checo fora da área permitida, Kvyat não ofereceu resistência. Além de ser superado por Max, Daniil cedeu o oitavo lugar para Sergio, para não ser punido pela direção de prova.

A partir daí, Kvyat iniciou uma perseguição implacável pelo oitavo lugar. Entretanto, não conseguiu ultrapassar Pérez. No fim, Nico Rosberg (Mercedes) ficou com a vitória do GP de Cingapura, reassumindo a liderança do Mundial. Daniel Ricciardo (Red Bull) terminou em segundo, seguido por Lewis Hamilton (Mercedes). Após a corrida, o russo se mostrou satisfeito com seu desempenho em Marina Bay, e celebrou o nono lugar. “Acho que fiz o máximo que podia hoje (domingo). Me diverti bastante, com ótimas disputas na pista. Infelizmente, após um bom primeiro trecho, as coisas não funcionaram como o esperado. Ficamos presos atrás de (Sergio) Pérez e não tínhamos velocidade suficiente nas retas para ultrapassá-lo. Forcei até o último centímetro e deixei minha alma na pista. É uma pena, mas estou feliz por voltar aos pontos”, explicou Kvyat.

Com os dois pontos, Kvyat manteve a Toro Rosso viva no duelo com a McLaren pelo 6º lugar do Mundial de Construtores

Com os pontos, Kvyat manteve a Toro Rosso viva no duelo com a McLaren pelo 6º lugar do Mundial

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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