Bélgica-2016: Hulk flerta com o pódio, mas fica em quarto

Hulkenberg foi um dos destaques do GP da Bélgica de 2016, em Spa-Francorchamps: importante 4º lugar

Nico Hulkenberg (Force India) foi um dos destaques do GP da Bélgica de 2016, em Spa: bom 4º lugar

A espera de Nico Hulkenberg por um pódio na Fórmula 1 chega a ser angustiante. No GP da Bélgica de 2016, disputado no último domingo, em Spa-Francorchamps, o alemão da Force India completou 107 GPs na carreira. Desde que iniciou sua trajetória na categoria máxima do automobilismo, em 2010, nunca visitou o palco de celebração. Caso um dia alcance o top 3, se tornará o piloto que mais tempo demorou para chegar lá – Martin Brundle, o atual recordista, levou 91 GPs para subir num pódio. Em Spa, Hulk parecia dar fim a esse tabu. O germânico andou em boa parte da corrida entre os três primeiros. E poderia ter concretizado seu sonho, não fosse o acidente de Kevin Magnussen (Renault) – que interrompeu a prova e arruinou com sua estratégia de corrida. Apesar de ter perdido a terceira posição para Lewis Hamilton (Mercedes), o alemão pôde celebrar a conquista de uma importante quarta colocação.

O top 4 em Spa foi o melhor resultado de Hulkenberg na temporada, igualando seus principais desempenhos na F1 – também foi quarto nos GP da Bélgica de 2012, em Spa, e da Coreia do Sul de 2013, em Yeongam. Graças ao desempenho de Nico e de Sergio Pérez – que terminou em quinto em Spa –, a Force India superou a Williams na tabela de classificação, assumindo o quarto lugar no Mundial de Construtores. Com os 22 pontos obtidos na etapa belga, o time indiano passou a somar 103 pontos, contra 101 da equipe inglesa. Foi o melhor fim de semana da escuderia desde o GP do Bahrein de 2014, em Sakhir – quando Pérez foi terceiro e Hulkenberg, o quinto. E ele veio justamente na Bélgica, onde o time de Vijay Mallya sempre obteve bons resultados – em 2009, Giancarlo Fisichella conquistou o primeiro pódio da escuderia ao terminar em segundo, e, em 2015, Checo alcançou um bom top 5.

Desde os treinos de sexta, o VJM09 se mostrou competitivo no circuito belga

Desde os treinos de sexta, o VJM09 de Hulkenberg se mostrou competitivo no circuito belga

Diante da perspectiva positiva, Nico e Sergio desembarcaram otimistas na Bélgica, e aceleraram forte em Spa desde o início dos treinos livres, na sexta-feira. O VJM09, impulsionado pelo propulsor Mercedes, se sentiu em casa na pista belga. Hulkenberg obteve o quarto melhor tempo (combinando os resultados das duas sessões livres), com 1m48s657 – a 0s572 de Max Verstappen (Red Bull), o melhor do dia com 1m48s085. O alemão ficou 0s443 à frente de Pérez, o sétimo mais veloz com 1m49s100. “Foi um bom começo depois das férias. Não tivemos nenhum problema, e fomos capazes de cumprir o nosso programa como planejado. Coletamos os dados habituais e demos alguns passos muito bons entre as sessões. Não estava muito feliz com o equilíbrio na parte da manhã, mas fomos capazes de melhorá-lo para a sessão da tarde”, analisou Hulk, após os treinos.

No sábado, Hulkenberg e Pérez estiveram sempre entre os melhores colocados. O VJM09 se portava melhor que a Williams e a McLaren em velocidade plena, ficando atrás somente de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Como Lewis Hamilton (Mercedes) pagaria uma punição por ter trocado as unidades de potência de seu bólido e largaria no fim do grid, o alemão e o mexicano acabaram tendo suas vidas facilitadas na qualificação. Ambos superaram o Q1 e o Q2 sem maiores empecilhos. No Q3, Checo arrancou um bom sexto tempo, com 1m47s407, 0s136 mais veloz do que Hulk, sétimo com 1m47s543. O alemão ficou a 0s799 de Nico Rosberg (Mercedes), pole position do GP da Bélgica de 2016, com 1m46s744.

No sábado, Hulk assegurou o sétimo lugar no grid: falha na unidade de potência prejudicou alemão

No sábado, Hulk assegurou o sétimo lugar no grid: falha na unidade de potência prejudicou alemão

Apesar de conquistar uma boa posição de largada, Hulkenberg reclamou ter enfrentado um problema de motor na sessão que definiu o grid. “Estou razoavelmente satisfeito com nossa performance hoje (sábado). O Q1 e o Q2 correram de acordo com o plano, mas tive um problema com a unidade de potência durante o Q3, e isso me custou algum tempo nas retas. Teremos de largar com os pneus supermacios, mas acho que tomamos a decisão certa ao usá-los no Q2, porque teria sido difícil passar para a Q3 com os macios. Certamente, será uma corrida desafiadora se o tempo continuar quente, porque Spa já é uma pista que exige bastante dos pneus em condições amenas. Precisamos explorar nossas opções esta noite e tomar as decisões corretas amanhã (domingo)”, afirmou o germânico.

Largada do GP da Bélgica de 2016, em Spa: segundos depois, o acidente entre Verstappen, Vettel e Raikkonen

Largada do GP da Bélgica de 2016: segundos depois, o acidente entre Verstappen, Vettel e Raikkonen

A corrida

O GP da Bélgica de 2016, disputado no último domingo, 28 de agosto, marcou a estreia de Esteban Ocon na F1 – o francês substituiu o indonésio Rio Haryanto na Manor. Porém, a etapa seria realmente marcada por uma polêmica largada, que misturou as forças e elevou Hulkenberg para uma posição de destaque. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, Max Verstappen (Red Bull), Kimi Raikkonen (Ferrari) e Sebastian Vettel (Ferrari) se enroscaram na entrada da La Source – a primeira curva do circuito belga. Vettel ficou pelo caminho, enquanto Verstappen e Raikkonen seguiram à frente de Hulkenberg. Contudo, Max e Kimi estavam com os carros avariados. Nico ultrapassou os dois, saltando para segundo. A mesma sorte não sorriu para Sergio Pérez – o mexicano foi atrapalhado por Verstappen, Raikkonen e Vettel, despencando na classificação. Ao fim da volta 1, apenas Nico Rosberg (Mercedes) estava à frente de Hulk.

Diante dos múltiplos incidentes na passagem inicial – além do choque entre Max, Kimi e Sebastian, houve toques envolvendo Pascal Wehrlein (Manor), Jenson Button (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) –, a direção de prova acionou o VSC (virtual safety car) na volta 2. A corrida foi retomada na volta 4. Calçando pneus supermacios, a tendência era a de que Hulkenberg fosse obrigado a parar nos boxes antes do líder Rosberg e do terceiro colocado Daniel Ricciardo (Red Bull) – ambos largaram com compostos macios. Enquanto o alemão da Mercedes disparava na ponta, o germânico da Force India colocava vantagem sobre o australiano da Red Bull. Na volta 6, Kevin Magnussen (Renault) sofreu um impressionante acidente na saída da Eau Rouge. O dinamarquês sofreu um corte no tornozelo, mas deixou o cockpit sem maiores problemas.

Hulkenberg segura Ricciardo e Massa na Reta Kemmel: alemão teve atuação destacada em Spa

Hulkenberg segura Ricciardo e Massa na Reta Kemmel: alemão teve atuação destacada em Spa

A batida de Magnussen fez com que o safety car entrasse na pista. Quase que imediatamente, Hulk tratou de ir para os boxes. Na troca, a Force India sacou os supermacios e colocou macios. No retorno, o germânico estava em terceiro, atrás somente de Rosberg e Ricciardo. A estratégia parecia perfeita: quando Nico e Daniel fossem para os boxes realizar o primeiro pit stop, Hulk assumiria a ponta. Todavia, o impacto do carro do dinamarquês foi tão forte que destruiu parte do guard-rail na região da Raidillon. Dessa forma, foi agitada a bandeira vermelha na volta 10, para que houvesse o conserto da proteção. Com a interrupção da prova, a tática do time indiano acabou sendo anulada – segundo o regulamento da FIA, quando uma corrida é paralisada, os pilotos podem trocar seus pneus. Assim, todos acabaram utilizando novos compostos.

Apenas 17 minutos depois da paralisação, o GP da Bélgica foi reiniciado. Hulkenberg se defendeu de ataque de Fernando Alonso (McLaren) e seguiu em terceiro, atrás de Rosberg e Ricciardo. Na volta 11, Lewis Hamilton (Mercedes) ultrapassou Alonso e subiu para quarto. O inglês, que largou em 21º, foi um dos principais beneficiados com a interrupção da corrida. A partir daí, Hamilton iniciou perseguição a Hulk. Na volta 14, a vantagem de Nico sobre Lewis era de apenas 0s7. Apesar de calçar pneus médios, o líder do Mundial não deu sossego para o germânico. Utilizando o DRS na Reta Kemmel, o tricampeão superou o alemão, que caiu para quarto. Ainda assim, a esperança de subir no pódio não tinha acabado. Na volta 21, Hamilton foi aos boxes para colocar pneus macios. Na troca, a Mercedes se atrapalhou, e o tricampeão perdeu preciosos segundos.

Acidente de Magnussen recolocou Hamilton na briga pelo pódio e prejudicou tática de Hulk

Acidente de Magnussen recolocou Hamilton na briga pelo pódio e prejudicou tática de Hulkenberg

A parada de Lewis fez com que Hulkenberg recuperasse o terceiro lugar. Porém, foi por pouco tempo. Na volta 24, a Force India chamou Nico para o pit stop. Na troca, o time colocou pneus médios no bólido do germânico. O objetivo era um só: não parar mais nos boxes. Como Hamilton iria mais uma vez aos boxes, havia a possibilidade de retornar ao top 3. Hulk voltou à pista lado a lado com Alonso, chegando a se tocar com o espanhol na saída do pit. Após ficar à frente de Fernando, Nico se viu em quinto, atrás de Pérez. Na passagem seguinte, foi a vez do mexicano fazer sua parada definitiva, reconduzindo Nico para o quarto lugar. A partir daí, o germânico da Force India passou a fazer o impossível: tentar impedir que Hamilton colocasse vantagem, parasse e voltasse à pista em terceiro. Na volta 32 – oito voltas depois da parada de Hulk –, Lewis abriu 16s8 sobre o alemão. Apesar de ampla, a vantagem era insuficiente para o britânico manter o terceiro lugar.

Na volta 33, Hamilton realizou seu pit stop. No retorno, saiu colado em Hulkenberg. A estratégia da Force India havia funcionado. Todavia, segurar Lewis era impossível. Na passagem seguinte, o inglês repetiu o que fez na volta 18: na Kemmel, abriu a asa e bateu Nico. Novamente, o tricampeão era terceiro. Novamente, o germânico caía para quarto. E, mais uma vez, o pódio escapava de Hulkenberg. A vitória do GP da Bélgica ficou com Rosberg, seguido por Ricciardo e Hamilton. Hulk terminou em quarto, seguido por Pérez. No fim, o saldo foi positivo: em Spa, Nico conquistava seu terceiro quarto lugar na carreira, igualando seu melhor desempenho na Fórmula 1, e colocava a Force India no top 4 dos Construtores.

Em Spa, Hulk conquistou seu terceiro 4º lugar na carreira: os outros vieram em Spa-2012 e Yeongam-2013

Em Spa-2016, Hulk obteve seu terceiro 4º lugar: os outros vieram em Spa-2012 e Yeongam-2013

“O resultado de hoje (domingo) é monumental para a equipe, e estou muito feliz com o quarto lugar. Houve algumas circunstâncias incomuns, mas estávamos lá para aproveitar as oportunidades e marcar alguns pontos importantes. Na largada, as coisas funcionaram realmente bem para mim. Eu estava em segundo acompanhando Nico (Rosberg), e abrindo vantagem do grupo de carros atrás de mim. Infelizmente, a bandeira vermelha custou caro, porque neutralizou as coisas e agrupou todos novamente. A relargada foi limpa e o restante da prova bem gerenciado – só controlei o meu ritmo e cuidei dos pneus. Houve uma batalha com Fernando (Alonso) na saída do pit, mas conseguimos ficar à frente e manter a quarta posição. Talvez, se as coisas tivessem sido ligeiramente diferentes, poderíamos ter subido ao pódio, mas estou satisfeito com o quarto lugar”, observou Hulkenberg.

Hulkenberg é 10º no Mundial, com 45 pontos, contra 58 de Sergio Pérez: dupla coloca Force India em 4º no Mundial

Hulk é 10º entre os Pilotos, com 45 pontos, contra 58 de Pérez: com eles, a Force India é 4ª no Mundial

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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