Inglaterra-2016: Pérez roda, mas conquista top 6 em Silverstone

Sergio Pérez (Force India) superou rodada e pneus degradados para alcançar o sexto lugar

Sergio Pérez superou rodada e pneus degradados para alcançar 6º lugar no GP da Inglaterra

A Force India teve uma atuação consistente no último domingo em Silverstone, palco do GP da Inglaterra de 2016. Tanto Sergio Pérez quanto Nico Hulkenberg alcançaram a zona de pontos na etapa britânica. O mexicano terminou em sexto, seguido pelo alemão. Os 14 pontos significaram o melhor desempenho da escuderia indiana em solo inglês desde o início de sua trajetória na Fórmula 1, em 2008. E poderia ter sido mais, uma vez que Pérez rodou na volta 33, na curva Abbey, e perdeu vantagem para Kimi Raikkonen (Ferrari) na disputa pelo quinto lugar. A escapada fez com que o mexicano desgastasse os pneus de seu VJM09, tendo como consequência a queda de rendimento. A sete voltas do fim, o ferrarista ultrapassou o asteca e assumiu o quinto posto. Depois, Checo foi pressionado por Hulk, recebendo a bandeira quadriculada com apenas 0s771 de vantagem sobre o companheiro de time.

Antes do sexto lugar de Pérez, o máximo que a equipe de Vijay Mallya havia obtido na corrida britânica era a sétima posição (com Hulkenberg, em 2015, e com Adrian Sutil, em 2013). Com o resultado, o mexicano atingiu 47 pontos no Mundial, consolidando-se em oitavo e se aproximando de Valtteri Bottas (Williams), sétimo com 54 pontos. Além disso, com os desempenhos de Sergio e Nico, a Force India passou para 73 pontos no Mundial de Construtores, ficando a 19 da Williams, quarta colocada na tabela de classificação, com 92 pontos, e que não pontuou com seus pilotos na etapa britânica. Satisfeito com o rendimento da dupla e ciente de que outras equipes estariam de olho em seus pilotos para 2017, Mallya tratou de afirmar, antes do GP da Inglaterra, que Pérez e Hulkenberg já renovaram contrato com a escuderia para a próxima temporada.

Top 6 de Pérez foi o melhor resultado da Force India em Silverstone

Top 6 de Pérez foi o melhor resultado da Force India em Silverstone: no time indiano em 2017

A afirmação do dono da Force India veio após a Ferrari confirmar, na sexta-feira, em Silverstone, que Kimi Raikkonen prosseguirá na escuderia por mais um ano. Pérez estaria sendo cogitado para substituir o finlandês na Scuderia. A permanência de Raikkonen na Rossa não abateu Sergio, que tratou de acelerar no circuito inglês. No primeiro treino livre, o mexicano anotou 1m33s235, ficando a 1s581 de Lewis Hamilton (Mercedes), que marcou o melhor tempo do dia na sessão da manhã com 1m31s654. No segundo treino livre, à tarde, Checo foi apenas o 16º mais veloz, não superando sua marca da manhã por focar no acerto para a corrida. “(Esta sexta) foi um dia muito intenso, e agora temos muita informação para a equipe analisar. Fomos capazes de rodar com todos os compostos de pneus, e sinto que estamos em uma boa posição para o fim de semana. Temos de nos concentrar no nosso stint longo – que é onde vamos trabalhar esta noite”.

No sábado, Pérez e Hulkenberg tinham como objetivo avançar para o Q3 da sessão qualificatória da etapa britânica. Após avançarem para o Q1 com certa facilidade, os dois travaram uma árdua disputa com Fernando Alonso (McLaren) na fase seguinte. No fim do Q2, Alonso conquistou o nono lugar, com 1m31s740, derrubando Nico para o 10º posto, com 1m31s770, e Sergio para o 11º, com 1m31s875. Dessa forma, o mexicano acabou sendo eliminado antes do Q3. A pole para a corrida britânica ficou com o herói local Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou 1m29s287 na fase decisiva – 2s588 mais veloz o tempo final de Checo. “Ficar fora da Q3 não foi ideal, principalmente por uma diferença tão pequena, mas estou confiante de que podemos progredir na corrida. Temos a vantagem de ser o primeiro carro com uma escolha livre dos pneus, e se eu fizer uma boa largada, deveremos conseguir lutar por alguns pontos”, analisou Pérez.

A controversa largada do GP da Inglaterra de 2016: todos atrás do safety car

A controversa largada do GP da Inglaterra de 2016: sem chuva, todos atrás do safety car

A corrida

Domingo, 10 de julho de 2016. Nuvens rondavam Silverstone, palco de mais um GP da Inglaterra. Com a punição dada a Sebastian Vettel (Ferrari) – o alemão perdeu cinco posições no grid após trocar a caixa de câmbio de seu bólido –, Pérez alinhou na 10ª colocação. Porém, poucos minutos antes das luzes vermelhas se apagarem, uma forte chuva caiu sobre o tradicional autódromo. A pista ficou extremamente molhada. Contudo, quando os carros estavam alinhados no grid, o temporal já era passado. Raios solares já iluminavam o traçado. A pista ficou encharcada, mas o sol estava por chegar. Diante do cenário, os comissários da FIA tomaram uma polêmica decisão: a largada aconteceria com a presença do safety car. Alguns pilotos chegaram a criticar a medida, uma vez que não chovia mais. Todavia, não teve jeito: todos saíram atrás do carro-madrinha, calçando pneus para tempestade intensa.

Após seis voltas, um trilho já se formava em Silverstone. Com isso, o safety car deixou a pista, e os pilotos, enfim, puderam acelerar. Como as condições já estavam melhores, alguns já ingressaram nos boxes para calçar pneus intermediários antes mesmo da relargada – casos de Kimi Raikkonen (Ferrari), Valtteri Bottas (Williams), Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), Nico Hulkenberg (Force India) e Fernando Alonso (McLaren). Com isso, Pérez subiu para a quinta posição. Entretanto, durante a primeira volta lançada, acabou sendo superado por Felipe Massa (Williams), caindo para sexto. Na volta 7, Massa e Daniel Ricciardo (Red Bull) foram para os boxes, e Checo subiu para quarto. Na passagem seguinte, enfim, o asteca foi para o pit stop, sacando os compostos para chuva intensa e colocando os intermediários.

Pérez andou à frente de Ricciardo, mas o australiano se aproveitou da pista seca para superar o mexicano

Pérez andou à frente de Ricciardo: australiano se aproveitou da pista seca para superar o mexicano

Manter Sergio na pista com pneus para chuva rendeu frutos no retorno dos boxes. Pérez se viu à frente de Ricciardo e Massa, figurando numa real quarta posição do GP da Inglaterra. À frente do mexicano, apenas Lewis Hamilton (Mercedes), Nico Rosberg (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull). Na volta 9, Checo estava 3s2 atrás de Verstappen, e 5s9 à frente de Ricciardo. Aos poucos, a pista secava, fazendo com que o asteca perdesse contato com o holandês, e permitisse a aproximação do australiano. Na volta 15, Sergio viu a vantagem de Max subir para 12s4, e a diferença para Daniel cair para 2s2. Com o traçado seco, os pilotos decidiram trocar os intermediários por compostos lisos. Na volta 18, Pérez colocou pneus médios, com o intuito de não parar mais nos boxes. Checo seguiu à frente de Ricciardo, mas já tinha o australiano – também com médios – em seus calcanhares.

Na volta 20, Ricciardo colou definitivamente em Pérez. Na passagem seguinte, o australiano da Red Bull partiu para o ataque e ultrapassou o mexicano da Force India, que caiu para quinto. A partir dali, Daniel colocou vantagem sobre Sergio, que estava com uma confortável diferença sobre Raikkonen, o sexto. Na volta 30, o asteca tinha 18s2 de vantagem sobre o finlandês. O quinto lugar parecia assegurado. Porém, Silverstone estava traiçoeiro. Qualquer vacilo poderia custar a permanência na corrida. Mas um em especial desafiava os pilotos: a freada da curva Abbey (ou curva 1). Diversos derraparam ou perderam o controle de seus bólidos, casos de Alonso, Sainz, Rio Haryanto (Manor) e Hamilton. Na volta 33, Pérez acabou escapando na Abbey, perdendo segundos preciosos na luta pelo top 5. Não só isso: para não bater, degradou seus pneus.

Após a rodada, rendimento de Pérez caiu, permitindo a aproximação de Raikkonen

Após a rodada, rendimento de Pérez caiu, permitindo a aproximação de Raikkonen

Após recuperar-se do susto, Sergio se viu com 8s de vantagem sobre Kimi na volta 36. Com os compostos degradados, Pérez perdeu ritmo, fazendo com que Raikkonen se aproximasse na batalha pelo quinto lugar. Na volta 40, o mexicano tinha 3s3 de vantagem sobre o finlandês. Na 44, o ferrarista já estava com o rival da Force India em sua alça de mira. Checo bem que tentou, mas era impossível segurar Kimi. Na volta 46, Raikkonen ultrapassou Pérez na freada da Stowe, assumindo o quinto posto. À Sergio, ainda restava administrar o sexto lugar. Apesar da aproximação de Hulkenberg, Checo assegurou oito importantes pontos no Mundial. A vitória em Silverstone ficou com Hamilton, seguido por Verstappen e Rosberg – o alemão chegou em segundo, mas teve 5s acrescidos ao seu tempo de corrida por ter recebido instruções via rádio (o que é proibido).

“Foi um resultado muito bom para a equipe, com dois carros nos pontos. Apesar disso, senti que poderia ter mantido o quinto lugar sem aquela rodada na curva 1 (Abbey). Naquele momento, achei que minha corrida estava acabada, mas consegui me recuperar. Contudo, danifiquei meus pneus, e isso me prejudicou no restante da prova em termos de degradação. Forcei ao máximo para tentar manter (Kimi) Raikkonen, e só quando ele me passou pude poupar os pneus. Tivemos de fazer um trecho bastante longo com os médios, o que foi um pouco arriscado porque a degradação estava alta, mas a equipe tomou as decisões corretas nos momentos certos e isso deu resultado. As condições, principalmente na primeira parte da corrida, estavam muito traiçoeiras. Havia uma linha seca, mas quando você colocava uma roda nas partes úmidas, a aderência desaparecia. Manter o carro na direção certa já era um feito”, observou Pérez.

Com os 14 pontos obtidos em Silverstone, a Force India se aproximou da Williams no duelo pelo 4º lugar dos Construtores

Com os 14 pontos de Silverstone, a Force India se aproximou da Williams, 4º lugar dos Construtores

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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