Europa-2016: Pérez supera campeões e vai ao pódio em Baku

Sergio Pérez celebra terceiro lugar em Baku com mecânicos da Force India: mexicano derrotou Hamilton e Raikkonen na pista

Pérez celebra 3º lugar com integrantes da Force India: latino derrotou Hamilton e Raikkonen na pista

Sergio Pérez (Force India) continua em boa forma em 2016. Após um irrepreensível terceiro lugar no GP de Mônaco, o mexicano repetiu a dose na primeira prova de Fórmula 1 disputada em Baku (Azerbaijão), palco do GP da Europa. Checo novamente terminou em terceiro, alcançando um lugar no pódio pela segunda vez no ano. Diferentemente do resultado obtido na etapa monegasca – onde contou com a estratégia para ascender ao top 3 -, Pérez mostrou força no desafiador circuito azerbaijano. Contando com a excelente adaptação de seu VJM09 às variadas características da pista, Sergio figurou entre os primeiros desde o início dos treinos, na sexta-feira. No sábado, anotou um incrível segundo tempo no qualifying, e só não largou na primeira fila por ter trocado a caixa de câmbio de seu bólido. Mesmo saindo em sétimo, o asteca não se intimidou diante de adversários como Lewis Hamilton (Mercedes) e Kimi Raikkonen (Ferrari), obtendo um justíssimo pódio.

O desempenho em Baku fez com que Pérez voltasse a ser reverenciado pelo ‘circo’ da Fórmula 1. Além de ser exaltado pela crítica, Sergio transformou o confronto com Nico Hulkenberg, seu companheiro na Force India, em uma doce rotina de superioridade. Ainda que Hulk seja tido como um talento, tem sido Checo a trazer os melhores resultados para o time de Vijay Mallya. Desde 2014, a dupla vem dividindo as atenções na escuderia indiana. O mexicano conquistou quatro pódios no período – além de Baku-2016, Sergio foi terceiro em Sakhir-2014, Sochi-2015 e Mônaco-2016 -, contra nenhum do alemão – o máximo que Nico obteve foi quatro quintos lugares em 2014 (Sepang, Sakhir, Mônaco e Montreal). Em 2014, Hulk somou mais pontos que Checo (96 a 59). Porém, em 2015, o asteca bateu o tedesco (78 a 58). Nas oito primeiras etapas de 2016, Pérez conquistou 39 pontos, contra 20 de Hulkenberg.

Nico Hulkenberg (à esq.) dá banho de champagne em Pérez: na pista, mexicano tem superado o alemão

Nico Hulkenberg (à esq.) dá banho de champagne em Pérez: na pista, mexicano tem superado o alemão

Os 59 pontos de Sergio e Nico consolidaram a Force India na quinta posição do Mundial de Construtores. O time indiano colocou 27 pontos de vantagem sobre sua principal adversária, a Toro Rosso. Por outro lado, a equipe de Pérez e Hulkenberg reduziu de 39 para 31 pontos a diferença para a Williams, a quarta colocada. Bater a escuderia de Frank Williams no Mundial não é das missões mais fáceis. Entretanto, em Baku, a Force India foi constantemente mais veloz que a rival. Não só isso: apenas a hegemônica Mercedes fazia frente aos pupilos de Vijay Mallya. Na sexta-feira, primeiro dia de treinos na história do circuito de rua da capital azerbaijana, Pérez fez um excelente terceiro tempo, com 1m45s336. O mexicano só foi superado pela dupla da Mercedes, Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Checo ficou a 1s113 de Hamilton, o melhor do dia com 1m44s223.
Hulkenberg anotou o quinto tempo, com 1m45s920, ficando a 0s584 de Pérez.

Após as duas sessões livres de sexta-feira, Pérez esbanjou otimismo.”Eu sabia que, quando entrei na pista ontem (quinta), para reconhecer a pista, ia ser uma boa diversão. E hoje (sexta), ela não decepcionou. É um circuito incrível: realmente desafiador, não há margem para erro, e um verdadeiro prazer de dirigir. Eu mantive as coisas arrumadas, mas é fácil cometer um erro. Vimos que quando os carros saem da pista, realmente pagam um alto preço. Foi um dia muito positivo para nós. O carro estava bom, e desde o início da primeira sessão já estávamos entre os ponteiros, com tempos competitivos. Isso é um bom sinal para o resto do fim de semana, e estou me sentindo otimista com relação ao nosso desempenho”, analisou o mexicano.

No sábado, um acidente no FP3 fez com que Checo fosse punido com a perda de cinco lugares no grid

No sábado, um acidente no FP3 fez com que Checo fosse punido com a perda de cinco lugares no grid

A leitura de Sergio sobre Baku era perfeita: trata-se de uma pista que não dá margem para erros. Com muros próximos ao traçado, o circuito urbano mescla pontos de alta velocidade com trechos sinuosos. Por tudo isso, qualquer deslize seria fatal. Num piscar de olhos, um bom trabalho poderia ser arruinado. Coincidência ou não, Pérez pagou o preço no treino livre de sábado. No fim da sessão, Checo arrebentou seu VJM09 no guard rail. O impacto fez com que fosse inevitável a troca da caixa de câmbio de seu carro. Com isso, Pérez foi punido pela direção de prova – devido a mudança, perdeu cinco lugares no grid. Apesar do acidente, Sergio não se abalou. Sabendo que tinha um bom carro em mãos, acelerou fundo em Baku. O mexicano avançou sem problemas para o Q3, diferentemente de Hulkenberg – o alemão foi apenas o 12º, com 1m44s824.

Apesar da decepção com Nico, a Force India confiava num bom trabalho de Pérez. No Q3, o latino não só foi eficiente, como também contou com uma dose de sorte. Lewis Hamilton (Mercedes) vacilou e bateu no muro, ficando parado na pista. Dessa forma, a bandeira vermelha foi acionada, atrapalhando muitos pilotos. Naquele momento, Sergio figurava em segundo, atrás somente de Nico Rosberg (Mercedes). No fim, o mexicano não foi batido. Com 1m43s515, Pérez foi o segundo mais veloz da qualificação, a 0s757 de Rosberg, pole em Baku com 1m42s758. Como resultado, foi o melhor treino da carreira de Checo. Entretanto, por causa da punição, Sergio acabou tendo que se conformar com o sétimo lugar no grid. Apesar da frustração com a perda de cinco posições, o asteca estava satisfeito com sua apresentação.

Em uma performance memorável, Pérez obteve o segundo lugar no qualificatório em Baku. Porém, largaria em sétimo

De forma memorável, Pérez obteve o 2º lugar no qualificatório. Porém, largaria em sétimo em Baku

“É um sentimento misto para mim. Ainda estou irritado com o erro desta manhã (no treino livre de sábado), mas estou muito satisfeito. Depois do acidente da manhã perdi confiança, mas tive força para recuperá-la e andei num bom ritmo novamente. A volta que fiz no Q3 foi muito forte. Foi uma das minhas melhores na F1, indo no limite em todas as curvas e beijando os muros. Eu deveria estar largando na primeira fila, mas, com a penalidade, estou largando em sétimo. A equipe merecia mais do que isso. Esta noite, preciso tentar clarear minha mente, deixar a frustração para trás e me concentrar em progredir na corrida. Preciso agradecer minha equipe pelo trabalho incrível que eles fizeram para consertar meu carro a tempo para a classificação. Espero poder lhes dar um resultado especial para celebrar amanhã (domingo)”, observou Pérez, em tom visionário.

Largada do GP da Europa de 2016, em Baku: Pérez saltou de sétimo para quinto na volta 1

Largada do GP da Europa de 2016, em Baku: Pérez saltou de sétimo para quinto na volta 1

A corrida

Domingo, 19 de junho de 2016. Baku acordou ansiosa. Também pudera: a capital azerbaijana veria, pela primeira vez na história, uma corrida da Fórmula 1. O calor imperava na chamada “Terra do Fogo”. Quando os 22 bólidos alinharam no grid para a disputa do GP da Europa, a temperatura ultrapassava os 30°C. A expectativa era de uma prova quente, com disputas e acidentes. Entretanto, as coisas não foram bem assim. No apagar das luzes vermelhas, os pilotos escaparam ilesos dos perigosos muros do circuito urbano. Determinado a recuperar as posições perdidas em razão da sua punição, Pérez ultrapassou Felipe Massa (Williams) e Daniil Kvyat (Toro Rosso), completando a volta 1 na quinta posição. Nico Rosberg (Mercedes) liderava, seguido por Daniel Ricciardo (Red Bull), Sebastian Vettel (Ferrari) e Kimi Raikkonen (Ferrari)

Calçando pneus supermacios, Checo acompanhava Raikkonen. Na volta 4, o ritmo de Ricciardo, o vice-líder, caiu drasticamente – seu Red Bull destruiu os compostos supermacios. Com isso, o australiano ponteava um pelotão com Vettel, Raikkonen e Pérez. Com o desgaste, Ricciardo foi para os boxes na volta 6. Assim, Sebastian assumiu o segundo lugar, Kimi, o terceiro, e Sergio, o quarto. Na volta 8, Raikkonen realizou seu único pit stop. Dessa forma, o mexicano da Force India já aparecia em terceiro, atrás de Vettel e Rosberg. Entretanto, atrás de Pérez surgia Lewis Hamilton (Mercedes). O tricampeão, que havia largado em 10º devido ao acidente sofrido no sábado, ganhava posições e tirava a vantagem do asteca. Na volta 12, a vantagem do latino sobre o inglês era de apenas 0s9. Por outro lado, Vettel colocava 8s sobre o latino.

Pérez, à frente de Hamilton e Bottas: mexicano não se incomodou com a pressão do tricampeão

Pérez, à frente de Hamilton e Bottas: mexicano não se incomodou com a pressão do tricampeão

Pérez ditava o ritmo de Hamilton. Apesar da apresentar melhor desempenho, Lewis não conseguia ultrapassar Sergio. Diante das dificuldades do britânico em bater Checo, a Mercedes antecipou a parada do tricampeão. Na volta 15, Hamilton foi aos boxes, tirando os pneus supermacios e calçando os macios. A resposta da Force India à ação da escuderia prateada foi imediata: na 16, o time indiano chamou o mexicano. A estratégia foi a mesma que a Mercedes adotou – compostos macios no bólido de Pérez. No retorno à pista, Sergio se manteve à frente de Lewis, passando a ocupar o oitavo lugar. Com pneus novos, Checo tratou de acelerar. Na volta 19, ultrapassou Massa, subindo para sétimo. Na 20, ganhou as posições de Nico Hulkenberg (Force India) e de Valtteri Bottas (Williams), assumindo o quinto posto.

Na volta 21, Pérez superou Ricciardo, que vinha lento em Baku – a Red Bull errou na estratégia de pneus. Com isso, subiu para quarto. Na mesma passagem, Vettel realizou seu único pit stop, mas saiu à frente de Sergio. Na 22, Rosberg, líder incontestável na etapa azerbaijana, foi aos boxes e retornou na ponta. Atrás de Nico, estavam Raikkonen, Vettel e Pérez. Por ter sido o primeiro dos ponteiros a parar nos boxes (na volta 8), Raikkonen ganhou diversas posições e assumiu a segunda posição. Porém, o finlandês da Ferrari tinha dois problemas: primeiro, seus pneus se desgastariam mais cedo que os de Vettel e Pérez; e segundo, havia sofrido uma punição da direção de prova por pisar na faixa branca da entrada nos boxes. Dessa forma, Kimi dificilmente se manteria à frente de Sebastian e Sergio.

Com a punição dada a Raikkonen, bastava a Pérez andar próximo ao finlandês para alcançar o pódio

Com a punição dada a Raikkonen, bastava a Pérez andar próximo ao finlandês para alcançar o pódio

Na volta 25, Vettel se aproximou de Raikkonen. A diferença entre os ferraristas era de apenas 1s7. A pergunta que pairava em Baku era: Sebastian e Kimi brigariam abertamente pelo segundo lugar? Se houvesse a disputa, Pérez seria o maior beneficiado – naquele instante, Checo estava a somente 5s5 de Vettel, e tinha 3s3 de vantagem sobre Hamilton, o quinto. Porém, a Ferrari tratou de finalizar qualquer possibilidade. Na volta 28, Raikkonen abriu passagem para Vettel. O alemão assumiu o segundo lugar, deixando o terceiro posto para o finlandês. Como o ritmo de Kimi era inferior, e como Lewis apanhava do sistema eletrônico de seu Mercedes, Pérez não só se consolidou na quarta posição, como também passou a ver a possibilidade de assumir o terceiro lugar.

Como Raikkonen teria 5s acrescidos ao seu tempo de corrida, bastava a Pérez se aproximar do ferrarista para escalar o pódio. Já na volta 30, a diferença entre Kimi e Sergio caiu para 4s. De forma virtual, Checo era o terceiro colocado. Na 35, a distância entre os dois era de 3s. Na 40, era de 2s7. Gradualmente, o mexicano da Force India se aproximou do finlandês da Ferrari. Consciente de que o pódio estava perdido, Raikkonen desistiu da disputa com Pérez. Na volta 50, a penúltima em Baku, Sergio ultrapassou Kimi, assumindo de fato o terceiro lugar. A vitória do GP da Europa, primeira prova realizada no Azerbaijão, foi de Rosberg. Vettel cruzou a linha de chegada em segundo, a 16s6 de Nico. Pérez terminou a 9s5 de Sebastian, mas foi o homem da corrida. Também pudera: com valentia, se impôs diante de Raikkonen e Hamilton. Em Baku, Checo conquistou seu sétimo pódio na carreira, dando à Force India o quinto do time na F1.

No fim, Pérez ainda superou Raikkonen, para assegurar de fato o 3º lugar: no pódio, com Vettel e Rosberg

Pérez no pódio, com Vettel e Rosberg: latino superou Raikkonen no fim, assegurando o 3º lugar

Após o top 3, o mexicano celebrou o feito, dedicando-o à equipe. “Estar no pódio pela segunda vez neste ano é fantástico. A equipe fez um trabalho brilhante. Eu sabia que o top 3 era possível hoje (domingo), mas nós realmente tivemos de trabalhar duro por isso. A chave para minha corrida foi a ótima largada, ultrapassando Massa e Kvyat. No primeiro trecho, eu estava sofrendo com a granulação dos pneus supermacios, e tivemos de decidir se aguardaríamos uma melhoria ou faríamos uma parada antecipada. Continuamos na pista, o que foi a decisão certa. Contudo, quando eu saí dos pits, enfrentei dificuldades com o aquecimento dos pneus macios, e estava sofrendo muita pressão de Lewis (Hamilton). Forcei ao máximo e abri uma diferença, e então me concentrei em cuidar dos pneus. Cheguei em Kimi (Raikkonen) e, mesmo sabendo que ele tinha uma punição, tive a oportunidade de ultrapassá-lo”, celebrou Pérez.

Terceiro lugar de Pérez em Baku consolidou a Force India no top 5 do Mundial de Construtores

Terceiro lugar de Pérez em Baku consolidou a Force India no top 5 do Mundial de Construtores

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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